Ir para conteúdo

Pesquisar na Comunidade

Mostrando resultados para as tags ''travessia''.

  • Pesquisar por Tags

    Digite tags separadas por vírgulas
  • Pesquisar por Autor

Tipo de Conteúdo


Fóruns

  • Faça perguntas
    • Perguntas Rápidas
    • Perguntas e Respostas & Roteiros
  • Envie e leia Relatos de Viagem
    • Relatos de Viagem
  • Compartilhe dicas de Roteiros Gastronômicos
    • Roteiros gastronômicos
  • Encontre Companhia para Viajar
    • Companhia para Viajar
  • Encontre companhia, faça perguntas e relate experiências em Trilhas
    • Trilhas
  • Tire dúvidas e avalie Equipamentos
    • Equipamentos
  • Outros Fóruns
    • Demais Fóruns
    • Saúde do Viajante
    • Notícias e Eventos
  • Serviços com Desconto
    • Seguro Viagem
    • Reservar Hospedagem
    • Cupom de Desconto

Encontrar resultados em...

Encontrar resultados que contenham...


Data de Criação

  • Início

    FIM


Data de Atualização

  • Início

    FIM


Filtrar pelo número de...

Data de Registro

  • Início

    FIM


Grupo


Sobre mim


Ocupação


Próximo Destino

  1. PEQUENA INTRO Olá pessoal, como já dividi aqui com vocês algumas das minhas iniciações no montanhismo, desde as primeiras trilhas no Itatiaia, depois a Petrô X Tere e Marins Itaguaré, vou dar continuidade contando minha experiência na Serra Fina. É uma forma de analisar como subir pouco a pouco de dificuldade. Fizemos a Travessia da Serra Fina clássica em 4 dias/ 3 noites, nos dias 18 a 21 de junho de 2024. Perdoa que dessa vez não fiz muito breve não, o misto de sentimentos foi maior. E desculpa que as fotos subiram todas deitadas, ô desgraça! GUIA E CUSTOS Eu, Rafaela, NÃO FAÇO TREKKING SEM GUIA (pelo menos até o presente momento). Se você faz tudo auto guiado, parabéns. O guia contratado foi o @willmantiqueira - WhatsApp: (35) 9201-1357. O valor dele foi o mais atrativo que achei: R$1.490,00 por pessoa, incluindo hospedagem em Passa Quatro/MG, transfer in/out da montanha, café da manhã e jantar na montanha, locação de barraca dupla (nossa barraca é tripla e não é mais aceito pelo RUAH), banho pós-trilha. Esse foi o valor que ele me passou em fevereiro e, além disso tudo, incluía também as taxas do parque. Porém, quando voltei a falar com ele, ele disse que estava tendo problemas pra comprar os ingressos para os participantes, por isso eu comprei os ingressos no site da RUAH e descontei o valor do pacote. Ficou assim, pra duas pessoas: Taxas do RUAH: R$345,80 (notar que fomos em meio de semana) Pago pro Guia: R$2.634,00 Importante: este guia NÃO é carregador. Nós levamos nossa barraca e dividimos o peso da alimentação jantar/ café da manhã. Ele ficou responsável por cozinhar para nós e levar os utensílios de cozinha. Ou seja, se você precisa de mais conforto na montanha, o melhor é buscar uma agência com mais estrutura (o que vai refletir num preço maior) e não o guia independente – como foi o nosso caso. O Will é gente boa, mas senti que por saber nossa experiência prévia, deixou a gente pra trás em vários momentos. Aquela mãozinha em trechos de escalaminhada não rolou (embora não tivesse nenhum muito complicado). Enfim, é um guia pra quem tem mais experiência (não que eu tenha muita kkkkk). Outro ponto positivo é que ele tem muito contato com a RUAH e sabe de tudo que tá rolando na Serra durante a trilha, quem entra, quem sai, quantas pessoas, quais acampamentos. Nós por exemplo, ficamos sozinhos em todos os acampamentos que ficamos todos os dias. De qualquer forma, a facilidade de ter a hospedagem da noite anterior inclusa foi muito bom. Além disso, pudemos deixar uma mochila pequena no hostel dele com uma muda de roupas limpas, toalhas e outros itens para tomar banho na volta e ainda ele nos deixou ficar no quarto e descansar até o horário de retorno do nosso ônibus que era 1h da manhã, por isso eu indico os serviços dele. O RELATO 17/06/2024 - segunda-feira Chegamos na pequena rodoviária de Passa Quatro por volta das 18h após uma longa jornada de ônibus saindo do Tietê em São Paulo, parando em diversas cidades no meio do caminho. Passamos no mercado para garantir uma janta e fomos a pé até o hostel do Will que é cerca de 1,5km do centrinho da cidade – bem prático. Pudemos usar a cozinha pra fazer nosso macarrão e nos preparar para o dia seguinte. 18/06/2024 - terça-feira Acordamos as 6h e o Will serviu nosso café e logo em seguida partimos rumo ao início da Travessia. Tivemos alguns imprevistos para chegar lá por conta do carro, mas nada muito grave, iniciamos a caminhada provavelmente umas 8h30. Logo no começo me dei conta que esqueci de algo bem importante: todos os frios que tinha comprado pro lanche/ almoço de trilha ficaram na geladeira do hostel. Por sorte, tinha levado Salamitos e uma maionese e foi isso que recheou nossos 3 almoços. Preenchemos o formulário na entrada da trilha e começamos. Primeira parada depois de poucos minutos de caminhada é o riachinho na frente da Toca do Lobo pra abastecer a água e botar mais peso na mochila. Aliás, essa foi de longe a mochila mais pesada que eu carreguei até hoje, não sei quantos kg, mas acho que pelo menos uns 15kg deve ter chegado quando os 3,5L de água tavam completos. A do Rubens levando a barraca junto, deve ter chegado em 17kg. Andando por mais uns 30 minutos (sempre subindo, claro) eu peguei um pauzinho pra usar de bastão de caminhada e fiz algum ajuste na mochila que já tava me puxando pra baixo. Foi coisa rápida, logo seguimos. As 10:48 passamos pelo cume do Quartzito, primeira montanha da travessia. Esse primeiro dia, são mais de 1000 metros de desnível, sendo a subida mais longa da Serra Fina. No entanto, como eu tava ansiosíssima pra conhecer a famosa crista do Capim Amarelo, de fato, nem liguei. Tudo pra mim era incrível nesse dia. Fizemos apenas duas paradas curtas e uma mais longa pra comer. Chegamos no cume do Capim Amarelo por volta das 14:30 da tarde. O Will tava bem cansado porque tinha acabado de sair de uma travessia, logo montou barraca e foi se recolher. Eu e o Rubens ficamos que nem duas crianças olhando em volta e esperando ansiosos o pôr-do-sol que foi incrível. A vista do Marins e do Itaguaré dali também é linda demais. Só mais incrível que o pôr-do-sol foi ver a noite abarrotada de estrela e as luzes das cidades no horizonte. Eu tava emocionadíssima. A janta do primeiro dia foi um strogonoff de lombinho que o Will preparou q tava uma delícia, chato é que na montanha a comida esfria extremamente rápido. Enfim, hora de dormir. Deitamos acho que eram umas 20h, mas eu com a minha bexiga nervosa, ainda tive que levantar algumas vezes. Infelizmente tive muita dificuldade pra dormir. O meu saco de dormir é NTK para conforto –1,5 Cº (aquele baratinho mesmo que você tá pensando), e eu tava com segunda pele mais dois fleeces. Não tava tão frio assim do lado de fora, depois o Will comentou que fez uns 3 Cº, ou seja, nada tão absurdo. Outra coisa que não ajudou foram os ratinhos da montanha arranhando nossa barraca de forma constante – pessoal, não deixem comida encostada na parede das barracas, os ratos podem arranhar até rasgar. Inclusive, invadiram a mochila do Rubens que tava do lado de fora da barraca com capa de chuva e dentro de uma sacola e rasgaram o saco de pão. Bom, o Rubens teve a ideia de juntar os sacos de dormir, nunca tínhamos feito isso antes e achava até que faria mais frio. Ainda bem que eu me enganei, eu só consegui dormir o mínimo nessa primeira noite porque fizemos isso, nada como o calor humano. Vista do Marins e do Itaguaré da Crista do Capim Amarelo A crista do Capim Todas do cume do Capim Amarelo 19/06/2024 - quarta-feira Por causa da noite mal dormida, acordei daquele jeito = zoadassa. Tomamos café e saímos do acampamento por volta de umas 7h30-8h. A descida do Capim Amarelo e de detonar o joelho de qualquer ser humano. Em alguns trechos já era possível ver gelo acumulado da noite. Chegamos no cume do Melano as 11:19. Descendo, uma paradinha pra apreciar a grandiosa Pedra da Mina imponente ao fundo. Sobe e desce, sobe e desce, 13h10 eu tava esgotada e pedi pra parar um pouco. Respira. O Will vendo minhas condições, disse que podíamos acampar na Florestinha ao invés de subir a Pedra da Mina naquele dia. Ainda disse que por ser entre as árvores, era um acampamento mais quentinho e não tinha ratos. Ele até mostrou o ‘bigodinho’ mais verde escuro na encosta da Pedra da Mina. Era pra lá que estávamos indo. Eu já tava completamente esgotada, mas ainda teríamos que abastecer completamente a água antes de encarar os 15 minutinhos de subida pro acampamento. Chegando, armei a barraca, tomei um banho com lenço umedecido e dormi. Até perdi o pôr-do-sol esse dia, que raiva. Mas pelo menos o céu estrelado foi garantido, além de uma lua quase cheia. A janta foi macarrão com linguiça e graças a Deus, nesse dia, eu dormi. Dormi bem. Descida do Campim Amarelo Cume do Melano Pedra da MIna ao fundo Aproximação da Pedra da Mina Acampamento da Floresta Encantada Noite no acampamento da Floresta Encantada 20/06/2024 - quinta-feira Acordei umas 5h30 pra ir ao banheiro e tive a infeliz surpresa de estar com o intestino levemente desrregulado. E na montanha, já sabe, quanto mais cc pra fora, mais peso no shit tube (no meu caso, shit bag – usamos uma bolsa estanque pra guardar as cacas e foi bem útil e fácil). E eu tava responsável por levar o banheiro, já que o Rubens tava com a barraca. Bom, nem deu tempo de voltar pro saco de dormir porque todo mundo já tava acordado. Foi tomar café da manhã e começar a subir a Pedra da Mina, isso era 7:10. Convenhamos, apesar de ter dormido bem, descobrir uma dor de barriga logo cedo e ter a quarta montanha mais alta do Brasil na sua frente pra subir não é muito animador. Minha cara certamente não tava lá aquelas coisas. Chegamos no topo 8:15 e lá, eu e o Will tivemos uma conversa – foi cogitado desistir da travessia descendo pela via do Paiolinho. Ele julgou a minha cara naquele momento e o meu péssimo desempenho do dia anterior e fez uma certa ‘pressão’ pra gente sair porque ainda haveria muitas montanhas enormes pela frente. Eu sei que ele não fez por mal, mas meu corpo nem tinha aquecido direito. Fiquei com um misto de raiva, preocupação e lá no fundo um pensamento “eu tô cansada, mas não tô morta, eu consigo terminar essa travessia”. Psicológico é quase tudo nessa vida amores, assim decidi seguir. Infelizmente, por causa desses contratempos, acabei não curtindo muito o pico da Pedra da Mina e ESQUECI DE ASSINAR o livro de cume. Isso me doeu. Bom, descendo a Pedra da Mina, já conseguimos ver o belíssimo Vale do Ruah. As 8:55 estava de frente pra Placa indicando e ENORME desvio do vale. Caso ainda não saibam, a Associação de Proprietários da Serra Fina bloqueou a trilha ali pra preservar a nascente de água que estava ficando contaminada por causa do pessoal tomando banho, cozinhando, lavando, etc, etc. Resultado: a gente troca 1km plano e tranquilo de trilha por 2,5km de sobe e desce dos infernos pra desviar. As 11h terminamos o desvio e chegamos no ponto de água pra abastecer. As 13h47 chegamos no alto do Cupim do Boi – que foi uma das cristas mais bonitas de subir depois da do Capim Amarelo. Lá de cima já dava pra ver todo o Itatiaia, coisa linda. Ali, tivemos outra conversa com o guia: tínhamos a opção de acampar na base do Três Estados caso estivéssemos muito cansados ou subir e acampar no topo. O Will falou que podia demorar até 1h30 pra subir o Três Estados – mas mesmo que fôssemos mais devagar que isso, ainda chegaríamos num bom horário. Falei com o Rubens e chegamos à conclusão que, ainda que chegássemos 17h no acampamento, era melhor encarar aquela montanha ali naquele momento do que na manhã seguinte, como tinha acontecido naquela manhã. Decisão tomada, começamos a descer o Cupim do Boi, passamos pelo bambuzal pra logo em seguida começar a subir de novo. Foi uma subida muito difícil, um pé atrás do outro, devagar mas constante, porém com uma persistente sensação de ‘não aguento mais’. Fazíamos apenas curtas paradas de segundos pra retomar o fôlego e seguir. Chegamos no cume dos Três Estados por volta das 15h30 – um excelente horário pra quem tava morrendo. Eu fiquei tão feliz que até chorei de felicidade. O acampamento era tão lindo quanto o do Capim Amarelo, porém, mais infestado de ratos. Mas nada disso tirou a minha alegria, eu tava em êxtase. Assinei o livro com gosto enquanto via a enorme sombra da montanha logo a frente e o Agulhas Negras e o Prateleiras na minha esquerda. Atrás, o sol se punha. Que momento lindo de viver! A janta desse último dia foi arroz, feijão com linguiça e farofa. Olha, o Will arrasou nas jantas, disso não posso reclamar em absolutamente nada. Nessa última noite, acho que tive alguns sintomas de desidratação, sabe quando se bebe e bebe água, mas parece que a boca não molha? Então, eu tava assim. De qualquer forma, arrumamos tudo pra fazer uma barreira ‘anti-ratos’, colocamos uma mochila em cima do capim e outra o Will guardou dentro da barraca dele. Dormi como um baby essa última noite. Pedra da Mina, sem emoção. Vale du Ruah e indicação do desvio Panorama do Cupim do Boi + Três Estados com o Itatiaia atrás No Cupim do Boi No pico Três Estados, sombra da montanha no vale 21/06/2024 - sexta-feira Acordamos as 6h e vi outra imagem que não sairá tão cedo da memória: a lua tava se pondo atrás da Serra Fina enquanto o sol nascia atrás do Itatiaia. Nessas horas eu me lembro porque eu sofro tanto. Minha cara tava ultra inchada, o Will disse que foi a noite a mais fria da travessia, que chegou a zerar. Eu, porém, não senti nada - mas a minha cara sentiu. Começamos a descer o Três Estados umas 7h45. Este último dia é o mais leve em termos de subidas e descidas, porém, é o mais longo. Passamos pelo morro do camelo e pela última montanha da travessia, o Alto dos Ivos. Depois dali, é praticamente só descida, sendo os últimos quilômetros uma trilha bem plana e agradável. Nesse trecho mais tranquilo, o Will se distanciou bastante da gente, eu tava indo devagar porque tava sentindo bastante o meu dedão do pé, quase andando de lado. Chegamos na portaria do parque as 12h07, porém, o Will explicou que se cobra R$50,00 pra deixar o carro passar pela porteira e subir até lá, por isso, tínhamos que descer até a estrada (que ele disse que seriam mais 2km, mas vi numa placa que eram 3km). Faltavam poucos minutos para as 13h quando avistamos o rei das estradas logo abaixo, o Uno, vindo nos resgatar. Eu ainda tava com o pauzinho que eu tinha pegado no primeiro dia pra usar de bastão, fiquei tão apegada que levei junto. Tá aqui em casa inclusive, melhor lembrança que poderia ter da Serra Fina. Enquanto estávamos no carro, eu e o Rubens nos olhávamos ainda sem acreditar que a gente tava sentado num CARRO e que tínhamos acabado de vencer uma das travessias mais difíceis do Brasil. Voltamos para o hostel onde pudemos tomar um bom banho e descansar. Descobri que a unha de um dos meus pés tinha levantado e a outra estava completamente roxa, por isso estava sentindo tanta dor na parte suave final da trilha (hoje faz 6 dias que sai da Serra Fina, os dedos não doem mais, mas ainda estão bem feios, tô tratando muito bem porque em outubro tem outra DAQUELAS). O Will ainda saiu de bike (!!!!!!!!!!!!!) com a mulher dele pra almoçar e trouxeram um marmitex pra gente, o que foi um baita quebra-galho. Nosso ônibus sairia quase a 1h da manhã, ainda pudemos dar uma cochilada antes disso. Ter esse tempo pra descansar fez absoluta total diferença nos serviços prestados pelo Will e por isso indico fortemente fecharem o pacote com ele se este for o seu perfil. Descendo o Três Estados, Will na frente Pico Alto dos Ivos Finalizando a Travessia na estrada CONCLUSÃO ou só um blá blá blá final (?) PÔ, DIFÍCIL PRA CARAMBA HEIN. Não tô muito feliz com meu desempenho, mas tô feliz de ter concluído. Quando a gente saí de lá, o pensamento é “nunca mais”, mas agora, pra variar, eu fico pensando como eu gostaria de voltar e fazer melhor, fazer bem, assinar aquele maldito livro da Pedra da Mina, acampar lá em cima. Tomar vergonha na cara e ir pra uma academia a bonita não quer né. Nada explica a cabeça do trilheiro. Nossa sorte foi ter conseguido o clima PERFEITO os 3 dias, sem chuva, sem nuvem, quase sem vento - coisa linda. Parece que não é sempre que a gente tem azar. Coração cheio de gratidão, que venha a próxima!
  2. Comecei a planejar a travessia do Cassino em janeiro de 2022. Planejamento da minha mochila. (com todos os manipulados e itens do kit de emergência) Planejamento da minha alimentação. (considerando proteína, carboidratos e gorduras - separados por café, almoço e janta) 15 dias antes da viagem, meu companheiro desistiu por motivo de força maior. Eu já estava com um pouco de receio de ir, fui sozinho mesmo. A emoção mais intensa que existe é o medo, e principalmente o medo do desconhecido. Então imaginem. Vou resumir o máximo da travessia pra não ficar muito densa ok? Fiz meus Check-ins de itens duas vezes na semana antes de ir viajar. Depois de 20h de viagem, cheguei no hotel era umas 5h da manha. Só de pisar na (cidade) Praia do Cassino já me deu 20 tipo de tremedeira. Tomei um banho. Cheguei as 5h (02-set-22) e dormi até as 10h. Fui conhecer a cidade, mercado, rodoviária, pegar telefones de taxi, conhecer a faixa de areia, pegar lembranças, fui bater perna. Olhei a tábua das marés e a previsão do tempo, fiz mais um Check-in de itens, fui dormir as 22h mas não consegui dormir e fiquei acordado até as 5h do dia seguinte. (03-set-22) Chovia muito e o meu planejamento de começar cedo tinha ido por água baixo. Imagine eu sentado na recepção do hotel com tudo pronto esperando a chuva passar. 10h00 parou, iniciei a caminhada 11h da manhã, atrasado e com bastante medo, pedi pro taxi me deixar um pouco pra frente, fora da cidade. Para o primeiro dia caminhei bem. O céu ficou sem nuvem eu estava cheio de energia e no começo há rios bem altos pra passar. DIA 01 - Quando coloquei o pé na areia e caminhei neste primeiro dia a adrenalina foi estabilizando um pouco, isso não significa que eu dormi bem a noite. O tempo estava perfeito. É realmente muito difícil atingir 40km ao dia. isso eu só fui descobrir quando decidi parar para montar o acampamento. Parei ao lado de um rio e atrás de uma duna. Perfeito. Open bar de água. Na manha do DIA 2 acordei era umas 6h00 fiz café com bastante calma e só comecei a caminhar depois do sol ter nascido. O tempo estava bastante favorável. Basicamente eu caminhava 1 hora e parava descansar 10 minutos. Esse dia rendeu bastante pois estava muito favorável e com pouco vento. 35 a 40km de 8 a 10 hrs por dia de caminhada. Neste dia 02 eu estava caminhando e tinha mapeado algumas casas para abastecimento de água então apertei o passo e enxerguei as 3 caixas de água, então fui na direção. Quando cheguei não havia ninguém nas casas e elas pareciam abrigos contra furacões pois estavam todas seladas. Então fui até a outra casa ao lado e nada. Já estava passado da hora de subir o acampamento e eu só tinha 400ml de água. Então deixei a mochila no abrigo de madeira, e sai na praia andar pra frente e coletar água. A água da região tem um tom amarelado devido a matéria orgânica e há um parasita que vem do canal biliar do boi, ataca o fígado chamado Saguaipé (morador do local que me disse) Então eu me instalei no abrigo do pescador. Dia 03 - do 2 pro 3 dia foi o melhor pois o chão era bom o abrigo foi bom, estava bem protegido do vento, então foi um resort. Neste dia também havia bastante sol e sem nuvens. Estava estranha pois eram as melhores condições possíveis naquele lugar que vira o tempo no estalar dos dedos (só depois eu descobri isso). Acordei bem cedo, levantei o acampamento, meu café da manha era Uva passa, ameixa seca, tamara jumbo, banana passa, ou seja, frutas secas altamente calóricas. As dores aumentam bastante, a mochila estava ali com 23 a 26 KG, eu acredito que ela tenha ido pra 27kg pois a areia e a água que ficava na barraca, nos primeiros dias deu pra sentir que parecia 1 tonelada. Passando o dia caminhando e encontrando expedições, onibus, tratores, meu destino era acampar no farol. Próximo do farol dei com a mão e o cara parou, eu pedi água ele me convidou pra tomar café na base de apoio de extração de pinus. Então pude usar wifi, tomar um café comer algo do próprio apoio e recarregar minhas águas. Ali é uma base de extração de pinus, há várias frentes de trabalho atuando, então eles puxam madeira com os "fora de estrada" que são tipo uns tratores que puxam tora. Como ele ia até o verga na outra frente de extração eu tive o privilégio de acompanhar ele até lá. Que era o meu alvo do dia 3. Era aproximadamente 12h00 eu poderia parar por ali e acampar nos pinus ou continuar caminhando, as dores são altamente dolorosas (kkk). Decidi continuar caminhando. até ficar realmente insuportável a dor e o cansaço. Então encontrei um rio perfeito e uma duna, a configuração do sucesso e parei por ali mesmo. Neste dia tomei banho e fiz um coquetel para comemorar o progresso. Neste dia foi eu armei a barraca deixei ela aberta e fiquei só curtindo o barulho do mar enquanto minhas costas estavam 400% sobrecarregadas e os pés estavam com início de bolhas. Adiantei a janta também com um coquetel de carne com ervilha liofilizada!! Comecei usar Minâncora logo que armo o acampamento e antes de realmente dormir, vaselina nos pés, então eu passava de tênis mesmo nos rios. Já era possível observar o Albardão iluminando pela noite. Pense num vento de cortar o lombo!!!! As noites eram bem frias eu acredito que ficava entre 2 e 6 graus. DIA 4 - decidi acordar bastante cedo e iniciar cedo para poder obter o máximo do percurso. O roteiro de captação de água ja estava estabelecido. A configuração da mochila também. O nascer do sol foi inesquecível!! Neste dia alcancei o Farol Albardão (neste dia o pessoal confirmou que é difícil encontrar água corrente após o albardão por uns 50km) e através de uma conversa humilde consegui abastecer as águas e um pouco de Wifi para ver a previsão do tempo. A previsão estava marcando garoa neste mesmo dia, chuva para o dia seguinte e tormenta com ventos de 60km/h para dali 2 dias. Ali onde eu me deparei que estava contra o tempo e que a merda não poderia alcançar o ventilador. Saí vazado do Albardão, dito e feito começou a garoar e ventar bastante, continuei por um tempo, tive que para armar o acampamento. Devo ter caminhado entre 38 e 42km. (eu tinha um problema com a água e com a tempestade, ok fique calmo) Ali eu demorei um bom tempo pois havia bastante vento e uma garoa. É onde você chora em posição fetal. Entretanto, eu tinha enterrado as laterais e com uma pá de junta cavado buracos e os specs estavam bem firmes. Me sentia seguro apesar de ficar com o ** na mão. Analgésico e antiinflamatório para a dorsal é um boa noite cinderela, nem vi as coisas apaguei. Dia 5 - Amanheceu completamente nublado, neste dia não encontrei ninguém. Passei o dia todo sozinho e caminhando. A neblina era tanta que parecia um inferno. Fazia tratamento para os pés e tomava bastante água. Confesso que estava com bastante medo pois tinha que apurar o passo. Vi no GPS a casa do Sr Ricardo, achei que iria encontrar gente, mas apenas tinha ruínas e dunas. Eu soube que ele se mudou mais pra dentro, uns 5km pra dentro das dunas. Neste dia o tempo estava fechando e o vento virou. Eu estava a poucas horas de Hermenegildo, entretanto tinha que passar mais uma noite na duna, no meio da tormenta. Um único elemento surge no meio da neblina, é um morador indo buscar mantimentos em Palmares, pedi água, ele me ofereceu chá, estava muito frio. Pedi uma mão até Hermenegildo. Já em hermenegildo procurei um mercado para trocar as minhas águas. e fiz uma refeição calórica com as comidas da padaria. Eu estava em dúvida se ficaria em um camping, fiquei no centro da cidade. Eu ia pedindo para as pessoas informações até que encontrei um lugar para passar a noite e ter um chuveiro quente, valorizando cada momento. Fiz uma amizade tão simples com o rapaz da pousada que ele me emprestou até a moto dele kkkk Nesta noite fez muito frio e caiu uma chuva moderada. Dia 6 - Acordei cedo peguei o trecho e ficou apenas 12km para terminar. O tempo estava razoável. Retornei para a Praia do Cassino, procurei uma lavanderia, fui no mercado ai eu estava no resort. Fiquei mais um dia no hotel devido à tormenta que estava previsto praquele dia. - Cassino - Hotel Atlântico Praia (super recomendo) - (53) 32361350 Qualidade 5/5 Cassino - Taxi em Praia do Cassino - Marcelo (era da marinha) (53) 99128-3938 - Parceria 5/5 Cassino - O melhor restaurante é o "Health Restaurante" que fica ao lado do Posto Ipiranga 24hrs anexo a uma farmácia Panvel. Cassino - A lavanderia fica 1 quadra desse restaurante. Bem fácil encontrar. Hermenegildo - Onde ficar em hermenegildo? Pousadinha altamente confortável com tv, quarto e banho quente - Magda (53)99953-2423 - Gente boa demais 5/5 Para voltar da Barra do Chuí para Praia do Cassino: Caminhe até o centro onde tem uma rotatória (prox de um mercado), fácil de achar. Pegue um ônibus até Chuí. De Chuí você vai parar em outra estação (esqueci o nome - todo mundo sabe lá). Dessa estação ela vai direto até a praia do cassino. Leve uns R$120 em dinheiro na mochila. - Considerações finais Onde eu errei: Barraca muito pesada, ela armazena bastante areia e umidade durante a travessia; sistema de purificação de água que eu levei era somente com garrafa PET, com o passar dos dias, de tanto apertar para passar no filtro, a pet começava partir. As garrafas tinham que ser de inox, e a metodologia diferente. Clorin eu tinha; Levei itens desnecessário como prato, espoja e detergente. Não usei.; não levei um comunicador via satélite tipo spot-X. Corri um risco de vida calculado; Recomendações: Esteja bem preparado fisicamente, principalmente pra evitar lesões, porque as dores aparecem e não te perdoam; Condicionamento físico não se cria em pouco tempo. cuidado; Eu poderia ter saído com menos água; barraca mais leve possível, recomendo kkkk de cicloturismo tipo a naturehike cirrus 2; (to até hoje com algumas dores na dorsal). Se estiver com tempo aberto e bom vento, aproveite pra caminhar o máximo possível. tratamento de bolha sempre, Minâncora + vaselina + meia dupla. olhar as tábua de maré é interessante. separar o café da manha por porções diárias é essencial para não perder tempo. manipulados podem auxiliar no desempenho. Dúvidas pode enviar aqui e via e-mail eqnuyrzs5@relay.firefox.com Atenciosamente, Bandit.
  3. - Depois da Petro > Tere foi hora de subir de nível, só não sabia que seria tanto - 1. Guia A princípio recebi indicação do guia @b.runo_romualdo (35) 9810-1319 e havia fechado com ele. Porém, ele se machucou na semana da trilha e nos avisou que quem iria em seu lugar seria o @robsoncampos.guia (35) 9819-3859. Valor: 300,00 a guiada (nada incluso) e mais R$50,00 do transfer in/out da montanha a partir de MARMELOPÓLIS-MG. Embora não tenha trilhado com o Bruno, acredito que ele seja muito bom porque as recomendações foram muitas. Sobre minha experiência com o Robson, ele foi perfeito na minha opinião, foi certeiro em todas as ajudas e orientações durante o percurso e com certeza recomendo de olhos fechados. 2. Em quanto tempo realizar o trekking? Obviamente ou li e vi milhares de relatos e vídeos sobre essa travessia antes de ir e em absolutamente todos eles as pessoas dizem que a travessia é feita em 3 dias/ 2 noites. As grandes agências de turismo também vendem como sendo 2 pernoites na montanha. Qual foi minha surpresa quando ao entrar em contato com os guias nativos eles me disseram que 2 dias/ 1 noite seria o suficiente. Estranhei, mas vendo ali o tamanho da travessia (que deve ter uns 18km com as ascenções aos cumes) fazia sentido mesmo 2 dias, dividindo 9km pra cada dia. Usei como referência a Petro > Tere que 32km foram feitos em 3 dias/ 2 noites, uma divisão de mais ou menos 10km por dia. Então decidi realizar em 2 dias/ 1 noite mesmo (no final eu digo o que achei de ter feito dessa forma). 3. Água Levamos 2 garrafas de 1,5 litros e uma garrafa menor de 500ml por pessoa. Só reabastecemos uma vez na Pedra Redonda que, segundo o Robson, era a melhor água direto da nascente, todas as outras são 'mais ou menos'. Essa quantidade foi bem suficiente para nós. 3. Clima No geral, foi uma travessia 'quente'. Como fomos no final de abril/ começo de maio, o inverno rigoroso ainda não tinha chegado. A trilha inteira eu fiquei apenas com uma camiseta de manga comprida de controle de suor (Insider) e uma outra blusa/ jaqueta que passa longe de ser um anorak. Apenas a noite vesti a segunda pele e o fleece pra entrar no saco de dormir. Não passei frio em nenhum momento. Graças a Deus não caiu um pingo de chuva em nenhum momento. Vento teve um pouco mas nada anormal, com o movimento constante do corpo não foi um problema. Queria ter visto a temperatura quando estive por lá, mas meu celular Claro não dava nada de sinal. 3. O Relato Cheguei em Marmelópolis no dia 29 de abril as 21h. Mal consegui dormir pois o Bruno viria nos buscar em nossa hospedagem as 3h para seguirmos a base do Marins. Quando ele chegou, conhecemos nossos 2 outros companheiros de trilha, o Cleber e o Mário, ambos de Varginha-MG. Graças a eles, conseguimos fechar em R$50,00 o transfer por pessoa, pois o valor cheio é R$200,00, se fossemos só eu e o Rubens (meu marido) teria ficado R$100,00 por cabeça. A estrada até a base do Marins é bem zoada como de costume. Chegando lá, encontramos o Robson, que seria nosso guia. Começamos a subir as 4h do dia 30 de abril. O início da trilha é em mata densa e tinha muita, mas MUITA lama mesmo. A trilha também não é muito aberta e dependendo só da lanterna na cabeça, ficava difícil desviar de todos os galhos, raízes e buracos que apareciam pela frente. Chegamos no Morro do Careca depois de uns 45 minutos e fizemos a primeira pausa - eu obviamente já tava bem ofegante, mas dando conta. Acho que foi nesse momento que o Robson mencionou que estava com a mochila muito leve para o que ele geralmente leva e se ofereceu para carregar parte da minha água. Bom, eu não queria dar essa 'fraquejada' até porque minha mochila não tava tão pesada assim, mas como ele queria muito fazer essa gentileza, passei pra ele. Nisso o sol começou a chegar bem tímido e foi iluminando nosso caminho. Logo chegamos naquela pedra rachada no meio e logo me lembrei do Marco Aurélio e sua última marcação. Não tinha como não tirar uma foto por ali. Logo em seguida a travessia começa a te mostrar que não tá pra brincadeira. A partir daí é só subir pedra atrás de pedra, lage atrás de laje, escalaminhada atrás de escalaminhada. Não há um trecho de respiro até a base dos Marins. Nada, zero. Chegamos no acampamento base por volta de umas 7h30 e o Robson disse que nosso tempo tava excelente. Fizemos um café ali, deixamos as cargueiras e subimos o Marins leves. Olhar aquele paredão de longe assusta, parece que não tem como subir aquilo, mas pra falar a verdade, quando eu tava lá até que achei fácil. Em coisa de 40 minutos já estávamos no cume. Eu fiquei muito emocionada, era apenas a segunda vez que assinaria um livro de cume (o único que tinha assinado antes foi o das Prateleiras). Fora que... no dia anterior eu e o Rubens tínhamos feito 5 anos de casados, não teve sensação melhor que essa. Bem, como de costume, o tempo estava fechado durante o tempo que estávamos no cume por isso não demoramos muito pra descer. Na descida cruzamos com muitos grupos que tinham acampado no cume e desciam com cargueiras - estavam até pedindo corda em trechos que na minha opinião não eram necessários. Deve realmente fazer diferença subir leve por ali. Voltamos pro acampamento e logo seguimos rumo ao Marinzinho. Cara... O Marinzinho separa os homens dos meninos. Ele deve ter uns 3 falsos cumes que te dá a ilusão de ter chegado, mas na verdade ainda tem 30 metros de pedra pra você subir. É uma escalaminhada ferrada em todos os sentidos. Não consigo nem descrever o quão difícil é essa parte da travessia. Fizemos cume no Marinzinho por volta das 11h. Pra fechar com chave de ouro, como se a subida não tivesse sido suficientemente difícil, descer pode ser ainda PIOR. É nessa descida que tem o único trecho de corda, numa parede de uns 7 metros e 90 graus com algumas poucas agarras. Toda essa parte envolvendo o Marinzinho, o Robson foi ESSENCIAL em diversos trechos que a pedra era muito mais alta do que a minha perna conseguia subir ou mesmo pra indicar onde estavam as garras ou apoios para os pés mais convenientes. Contratem um guia gente, pelo amor de Deus, CONTRATEM UM GUIA pra ir nesse lugar. Em determinado momento dessa descida, eu pisei num gramado fofo e minha perna foi a baixo, foi bem assustador, mas o Rubens conseguiu me puxar antes que qualquer coisa pior acontecesse. O Marinzinho realmente não é para amadores e nem para pessoas com o psicológico fraco, os guias falam que ali é onde ocorrem a maior parte das desistências pois há uma trilha de 'saída' a partir dali. Outra coisa que atrapalha bastante é que as partes da trilha em mata são bem fechadas e você precisa andar com alguma distância da pessoa a sua frente porque os galhos voltam pra bater na sua cara. Além disso, os galhos saem arranhando tudo: sua mochila, sua pele, seu isolante térmico - tudo vai sair meio lascado desses matos. Bom, como não existe trecho plano, depois de muito subir e descer, subimos de novo sentido a Pedra Redonda e chegamos lá por volta das 13h. Nisso o tempo abriu e deu pra ver absolutamente tudo: o Marins, o Marinzinho, o vale do Paraíba, o Itaguaré - T U D O. Que visão! Olhando ali pro Itaguaré eu pensei que provavelmente era a montanha brasileira mais linda que eu já tinha visto. Apesar disso, nesse ponto eu tava bem desgastada, só queria deitar na barraca e apagar. Eu sentia meu corpo começando a falhar, tropeçando em coisa besta. Parecia que tava chegando no meu limite. Como íamos fazer a travessia com apenas 1 pernoite, o combinado era acampar na Pedra Redonda, depois do ponto de água. Quando chegou nesse acampamento que tínhamos combinado (que aliás, não sei porque falam que é na Pedra Redonda sendo que andamos muito depois dela) o Robson sugeriu que fossemos até um próximo acampamento 'antes do cotovelo' porque lá tinha uma vista bacana pro Itaguaré. A real é que pelo tempo, realmente tava cedo, dava tempo de ir até a base do Itaguaré se quisesse, mas meu corpo tava subindo e descendo pedra desde as 4h da manhã... E eu só tinha dormido umas 2 horas naquela noite. Negócio tava bem feio pro meu lado. Mesmo assim, não sei porque me animei com alguma coisa e topei seguir. O Robson disse que mais 200 metros a gente chegava lá, mas na real, acho que andamos muito mais do que 200 metros, caímos no papo de mineiro que 'é logo ali'. Chegamos no local do camping as 15h. Olha o quanto andamos! A Pedra Redonda tava minúscula desse ponto e o Itaguaré cada vez mais perto. Subimos a barraca, estreiamos o shit tube feito de pote de creme de cabelo e comemos um risoto sem sal porque eu esqueci rs. Eu curti bastante esse local, só tinha nossas barracas por lá e mais ninguém. Bem calmo, vista perfeita e ainda fomos agraciados com uma noite 'semi-limpa' com um céu FORRADO de estrelas que era tudo o que eu queria. Antes de dormir, mandei pra dentro 2 relaxantes musculares pra acordar menos quebrada. Como tínhamos avançado bastante no primeiro dia, o segundo ficaria mais leve de um modo geral. Acordamos no dia 1 de maio as 6h. Tomamos café com bastante calma, arrumamos tudo e saímos do acampamento por volta das 7h30. O começo desse segundo dia foi bem puxado pra mim, o corpo não queria ter saído do saco de dormir. Eu só fui me animar um pouco mais depois de uns 40 minutos andando, que eu acho que os músculos esquentaram e começaram a entender que precisavam se mexer de qualquer jeito. Nesses trecho da travessia a gente vê o Itaguaré de vários ângulos, inclusive vê com perfeição onde é o 'pulo do gato' e também começamos a avistar a Serra Fina ao fundo. É também nessa parte que a gente passa por dois 'túneis' de rochas, que é necessário passar a mochila separada por que é bem baixo e estreita a passagem. Logo chegamos na base do Itaguaré, deixamos as cargueiras e subimos rumo ao topo. Por volta das 10h estávamos de frente pro 'pulo do gato'. Para quem não conhece (o que acho difícil, se você procurou esse relato, sabe extamente do que eu to falando rs) o 'pulo do gato' é uma pedra entalada entre duas paredes poucos metros antes do cume do Itaguaré. Seria um trecho muito fácil de se passar se não fosse o detalhe de ter um enorme abismo abaixo dela. Eu já estava certa de que não iria passar dali, os outros homens no grupo - inclusive o Rubens - estavam na dúvida se iriam ou não. No final, ninguém quis passar, até porque o Robson disse que depois do 'pulo' tem um trecho ainda mais exposto e perigoso, ai que eu não ia MESMO. Aliás, nesse horário tinha mais uns dois grupos por ali e ninguém passou daquele ponto. Bem, descemos novamente, pegamos as cargueiras e agora é só descida até o final. A primeira parte tem umas paredes íngremes que vai ter que rolar uma escalaminhada inversa - mas logo depois a trilha volta a ser em mata com muitos 'degraus' feitos por raízes. Bem perigosos para tropeçar, mas muito mais fáceis do que nas pedras. Ainda fizemos um breve parada para almoçar - cerca de 20 minutos. Os últimos 10 ou 15 minutos a trilha fica totalmente plana e aberta, mas com muita lama. Enfim, concluímos a travessia no dia 1 de maio exatamente as 13h - quando encontramos o Bruno já pronto para nos levar de volta a cidade de Marmelopólis. 5. Considerações finais De longe, essa foi a trilha/ travessia mais difícil que eu já fiz e entendo totalmente porque dizem que ela é a mais técnica do Brasil. É extremamente exigente, composta praticamente por escalaminhada com poucos pontos de respiro. Ela não tem dó nem piedade nem da suas pernas nem dos seus braços. Aliás, recomendo usarem luvas (eu não usei e minhas mãos estão rasgadas de pedras e folhas). Eu achava que seria algo do nível da Petro > Tere, mas definitivamente não é - É MUITO MAIS DIFÍCIL. Em alguns momentos eu pensei 'os 32km da Petro > Tere parecem um passeio no shopping perto desses 18km da Marins > Itaguaré'. Óbvio que é uma boa preparação, mas com certeza não tem como achar que é algo equivalente. Eu tô muito orgulhosa de ter conseguido concluir esse desafio, mas sei que não teria conseguido sem ajuda do guia Robson e do meu marido Rubens. Depois de viver isso, também acho que o ideal é fazer com 1 noite só. Fazendo em 2 noites, como é comercializado por ai, você fica bastante tempo parado no acampamento e provavelmente terá que carregar mais peso na mochila. Só faz em 2 noites quem é totalmente leigo e vai levar 8 horas só pra chegar no Marins (mas honestamente acho que essa pessoa nem deveria se meter nessa). Eu sai da travessia falando que 'nunca mais eu faço isso, só volto se for pra fazer bate e volta no Marins' mas hoje, 2 dias depois, eu já tô pensando 'mas e se eu voltasse com menos peso? e se levasse um carregador bem Nutella?' KKKKKKKKKKKKKK Não tem jeito, o que a gente gosta é de sofrer mesmo. A travessia com certeza é linda demais, isso não tem nem o que discutir e realmente acho que vale a pena passar por essa experiência. No entanto eu realmente quero que as pessoas saibam o que encontrar por ali e não subestimar quando ela é divulgada como "a mais técnica do Brasil". 6. Fotos Eu sinceramente não acho que fotos ajudem em algo - veja, eu quero ser útil, que uma pessoa interessada em fazer essa travessia leia isso e entenda o que pode esperar. As fotos não transmitem nem a beleza e nem a dificuldade do ambiente e isso é frustrante um pouco... Apesar disso vou colocar uma pequena seleção aqui só pra falar que 'coloquei alguma coisa' tá? Amanhecer na montanha Alguns trechos de escalaminhada (você irá usar MUITO sua mão) Mais alguns trechos... Nosso acampamento Itaguaré (dá pra ver certinho o 'pulo do gato') ❤️ Terminando a travessia mirando no próximo desafio no horizonte: Serra Fina
  4. Olá, galera, farei a volta à Ilha Grande RJ, provavelmente entre o fim de março e o início de abril, +- 6-7 dias. Será minha 4a vez, vou com uma amiga e pretendo fazer um documentário, gostaria de saber se alguém tem o interesse de se juntar. Meu insta: @guiamadruga Valeu!
  5. Olá! Estou em busca de um grupo com base em BH para sair e fazer caminhadas e travessias mais largas pela região. Sabem de algo? Tenho muito interesse.
  6. Apesar de haver bons relatos no site, espero contribuir. Há 4 ônibus diários entre São Luís e Barreirinhas pela viação CISNE BRANCO, R$51, demora 5h (não procurei vans saindo do aeroporto direto pra Barreirinhas, mas existem). Dizem que é melhor fazer a travessia no sentido Barreirinhas - Santo Amaro, por causa da posição do sol e do vento. A estrada São Luís-Santo Amaro é relativamente nova, está boa e é mais perto que SLZ - Barreirinhas. Além disso, as lagoas de Santo Amaro são mais bonitas. ATENÇÃO com a volta de Santo Amaro para São Luís, acho que não tem ônibus (se tiver, são raros) e dependemos do guia em achar uma van que ia pra lá. Geralmente, o último dia termina 12:30h e o transporte até São Luís demora 4h30min. Grande parte da travessia é em areia firme e fria, então é melhor andar descalço ou com meia. Também tem inevitáveis passagens por lagoas menores, onde se molha, pelo menos, as pernas. Elas são boas para se refrescar (o tempo inteiro eu andei molhado ou úmido de propósito). Melhor época: junho e julho, alguns dizem agosto e até setembro, mas nestes muitas lagoas já estão secas. Preços: como junho e julho são os melhores meses, só diária do guia custa até R$250; hospedagem (café da manhã incluído), em redário, sai por R$35; jantar: R$30 a R$35; água de 2l: R$8. Converse com o guia para ver o que está incluído no preço dele (passeio pelo rio Preguiça, hospedagens e refeições, etc). Cansar vai, mas com certeza vale a pena. Acredito que uns treinos de caminhada de 8km sejam suficientes para preparação. Esta é a travessia mais tradicional do parque, mas tem outras de 6 até 10 dias! Levar: poucas roupas (inclusive com proteção UV), meias, chapéu (nessa época, não precisa levar nada para frio, nem tênis), chinelo, protetor solar, água (pode ser comprada em cada parada), snacks (frutas desidratadas, amendoim e castanhas), dinheiro em espécie, lanterna (não é essencial, não precisa na caminhada, mas ajuda nas hospedagens), coisas de higiene pessoal (sabonete, escova, pasta, repelente). É recomendável levar aquelas baterias portáteis, power bank, mas dá pra usar a eletricidade em algumas hospedagens. Dia 28/jun - 1º dia: Pegamos um barco em Barreirinhas para fazer o passeio pelo rio Preguiça (R$80) por volta das 10h, o guia já nos acompanhava. O passeio é tranquilo, para em Mandacaru, onde tem um farol, também para em Caburé onde tem dunas e uma lagoa. Termina em Atins, banhamos em uma praia. Depois, final de tarde, caminhamos até Canto de Atins, cerca de 3,5h em ritmo tranquilo, sem paradas para banhos, o GPS marcou 12km de caminhada durante o dia todo (pareceu bem menos). Em Canto de Atins, tem dois restaurantes/pousada: do seu Antônio e da dona Luzia. A dona Luzia foi pioneira e é mais famosa, mas o guia disse que a fama subiu-lhe a cabeça, ficamos no seu Antônio. O camarão na chapa é o prato chefe de ambos, não é barato (com refri e água, saiu R$50 cada um o jantar), mas realmente estava muito gostoso. Dormimos em rede (R$35), local coberto com palha, com luz, mas sem paredes, até às 2:30h da manhã. Dia 29/jun - 2º dia: Prometia ser o mais pesado, cerca de 17km até Baixa Grande (o quarto dia que foi o mais cansativo). Começamos a travessia por volta das 3:15h, depois de um bom café da manhã, caminhamos sob a lua cheia iluminando tudo e temperatura amena. Andamos pela praia um bom tempo, cerca de 4h (com direito a cochilada no caminho) até chegar às dunas. Valeu a pena? Sempre, no entanto, tem gente que faz este trajeto de carro e isto economiza umas boas horas. Nas dunas, subida, descida, banho em algumas lagoas. Terminamos em Baixa Grande às 12:10h. Cansei muito! O GPS marcou, durante todo o dia, uns 27km. Eu digo "durante todo o dia", porque ainda caminhávamos pelos arredores do local da hospedagem para conhecer lagoas, rios, ver o pôr-do-sol. Baixa grande é um vilarejo no meio do deserto, mas com construção de alvenaria e vegetação por perto. Almoçamos galinha caipira por R$35 (preço padrão e não é você que escolhe o que comer). Descansamos e, à tarde, fomos para uma lagoa e ver o pôr-do-sol. Dormimos, como sempre, em rede (R$35 preço padrão), sem iluminação, mas coberto com palha e "paredes". O dia seguinte seria mais tranquilo. Dia 30/jun - 3º: Este terceiro dia foi tranquilo, acordamos por volta das 4:30h para sairmos às 5h, após café da manhã simples (tapioca e ovo). Caminhamos devagar, parando bastante em lagoas e terminamos antes do meio-dia em Queimada dos Britos, o GPS indicou 15km. Eu comecei a usar meia, pois vi que estava começando a formar bolha no meu pé. Almoço (R$35) era peixe (estava salgado), teve salada (artigo raro) e até sobremesa. Lagoas, pôr-do-sol, jantar e dormir cedo, porque não tem muito que fazer a noite. Dia 1º/jul - 4º: De novo, acordamos umas 2:15h, tomamos café e saímos para caminhar às 3h e alguma coisa. Só terminamos à 12:30h, exaustos, em Santo Amaro. Foi o dia mais longo e mais cansativo, cerca de 28km. Neste dia, mais uma vez, é possível pegar um transporte em Vassouras, economizando assim, uns 10km. Pergunta se pegamos? Não. Faltando uns 8km (talvez 6km), o guia novamente perguntou se queríamos pedir um carro e pagar R$50 cada um. Pegamos o carro? Não, só faltavam 8km... As lagoas perto de Santo Amaro são bem mais bonitas que as de Barreirinhas e, acredito eu, o turismo em Santo Amaro irá aumentar com a boa estrada já existente até São Luís (só falta transporte).
  7. - Desde que me meti nessa vida de trekking, tenho subido de dificuldade aos poucos e eis que chegou vez da barraca e do saco de dormir- Agência contratada: @botasnatrilha (Instagram) - R$800,00 por pessoa (agosto de 2022) - incluído transporte desde o centro do Rio de Janeiro (IDA E VOLTA) e as jantas na montanha. Recomendo DEMAIS especialmente por esse transporte desde o Rio, quebrou um galho! Pessoal acha que chegando em Petrópolis a entrada do parque fica do lado da Rodoviária kkkkk não gente, é bem longe, estrada bem íngreme, estreita - foi muito conveniente esse tranfer está incluído! Os refúgios na Serra dos Órgãos seguem fechados por tempo indeterminado, apenas o camping está aberto. No entanto, podemos usar o banheiro que possui um chuveiro gelado. 06/08 - sábado (pré travessia) Chegamos eu e meu marido no Rio ao meio-dia. Fomos andando do Santos Dummont até um AirBNB na Lapa. Fizemos mercado para comprar os lanches de trilha que não estavam inclusos no pacote comprado com a agência. Depois disso, tudo deu errado. O AirBNB era o mais barato que eu achei e me arrependi profundamente por isso. Barulho externo (afinal era Lapa, numa noite de sábado) além da cama desconfortável, pessoas sem noção na casa, sujeira... Dormimos muito pouco e mal. Começamos bem! Só que não. 07/08 - domingo (dia 1) O Daniel (guia da agência) veio buscar a gente no AirBNB, como uma gentileza. Na verdade, o horário combinado era 6h e ele acabou chegando praticamente as 7h, acho que foi uma forma de desculpa rs. No carro já estavam o Valdir e a Débora, o outro casal que iria com a gente pra trilha. Seguimos em direção a Petrópolis. Chegando na entrada do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, pegamos os sacos de dormir, os isolantes térmicos e a barraca que alugamos com a própria agência. Era a primeira vez que iria dormir em um saco de dormir e fiquei assustada com o peso que teria que levar. Mas bora! Também coloquei a barraca na minha mochila porque meu marido já estava com os litros extras de água. Eu fiquei com 12,5kg e ele com quase 14kg (ele leva mais roupa também porque é muito friorento). Começamos a subir as 10h. Os primeiros 2km foram tecnicamente tranquilos com um desnível considerável - mas ainda estávamos na sombra. Quando o sol esquentou, ai ficou complicado. Respiração começa a pesar - dou umas paradas mais longas - respiro fundo e sigo, um passo após o outro. As 11h44 - 3,3km depois chegamos - na Pedra do Queijo - primeira parada real. Tomei um lanche, sentei, apreciei a paisagem. "Respira, você consegue! Um passo atrás do outro a gente chega lá". O peso da cargueira judiava, parecia que aumentava a cada metro andado. Seguimos. 13h15 chegamos no Ajax, primeiro ponto de água. Meu marido notando que eu estava sofrendo com o peso da cargueira tirou a barraca da minha mochila e colocou na dele. Nisso minha mochila abaixou 2kg (indo pra 10,5kg) e a dele subiu 2kg (indo pra quase 16kg). Um gentleman, que homem! “Bom, deixa eu levar a água pelo menos”? “Tá bom”. Continua subindo e tomando sol na cabeça - Nunca mais vai acabar isso aqui? Lágrimas começaram a cair, "será que eu ainda não tava preparada?" Mas ai eu olhei no horizonte, um tapete de nuvem vinha vindo mais abaixo, chegando devagar em meio as montanhas. Que coisa linda! Vou continuar, com certeza. As 14:36 terminamos de subir todo aquele trepa pedra que parecia que nunca mais ia terminar. Ali sentamos de novo, sensação de vitória. Tiramos muitas fotos e continuamos. 15h18 chegamos no "Graças a Deus" só faltavam mais 1,6km que alegria! Nisso nosso parceiro de trilha quis subir o drone, por isso acabamos perdendo um bom tempo ali - que não foi incomodo algum já que o clima tava ótimo e a paisagem incrível. Por volta de 17h45 estávamos montando pela primeira vez uma barraca na vida. O guia nos orientou e assim foi. Jantamos macarrão com linguiça. Eu ainda arrisquei um banho muito rápido no chuveiro mega gelado do refúgio. Mas fiz bem, depois que coloquei a roupa pra dormir fiquei até mais quente. Entrei num saco de dormir. É ruim mesmo dormir no chão duro, mas o cansaço é tanto que até parecia macio. Apaguei. Essa primeira noite, a mínima foi de 11 graus. O Daniel falou que dessa temporada de 2022 foi a travessia “mais quente” que ele tava fazendo. O que na verdade não foi uma coisa muito boa não, já falo porquê. Pedra do Queijo Fim da subida do primeiro dia Grupo na Pedra do Açu 08/08 – segunda-feira (dia 2) Acordamos ainda escuro, era umas 4h30 para tentar pegar o nascer do sol no Morro do Marco. Infelizmente o tempo estava absolutamente fechado – tudo branco. Tomamos nosso café da manhã ali em meio a neblina (lembra do calor? A travessia mais quente do ano? Então...) Nesse roteiro a agência também leva a gente nos Portais do Hércules, o que envolvia um ‘desvio’ da trilha original, 1,5km pra ir mais 1,5km pra voltar, ou seja, 3km a mais pra andar nesse segundo dia. Embora o tempo estivesse fechado, tínhamos esperança que talvez depois de andar até lá alguma coisa mudasse. Deixamos nossas mochilas na bifurcação e seguimos para os Portais. Infelizmente, chegou lá, tudo branco. Dava pra ver apenas alguns picos ao longe, a pontinha do Dedo de Deus, o Cabeça de Peixe e mais alguma coisa. No geral: branco. Isso deixou o clima do grupo bem pra baixo, andamos 3km a mais por nada. Voltamos para pegar as mochilas e seguimos para o Morro da Luva. A minha moral tava muito baixa. Os Portais eram um ponto muito alto do rolê e a gente não viu nada. Foi muito frustrante, era como se tivessem tirado nossa recompensa. Quando a gente começou a subir o Morro da Luva eu tava bem mal para péssima. Que subida lazarenta e eu nem vi a melhor parte da travessia! Minha motivação tava acabando... Mas vamos continuar. No topo do Morro da Luva, ainda em meio a neblina, vi que tinha que ter escolhido um pouco melhor a minha segunda pele, minhas roupas estavam molhadas de suor e minha espinha congelou. Ainda bem que o meu marido tinha roupa reserva para me emprestar. Desce lage, sobe lage, meu deus como eu odeio lage! Odeio desde a minha experiência frustrada no Agulhas Negras (que aliás, preciso voltar e recuperar minha dignidade). De repente, lá estava ele: o Morro do Elevador. O Elevador sem dúvidas era o trecho que eu mais estava com medo. Aquela via ferrata, embora curta, não me passava nenhuma confiança. Meu marido olhou pra mim e disse: “Mas nem é tão inclinada como parecia nos vídeos!”, o Daniel disse: “Vai lá, chegou até aqui é só uma escadinha!”. Convenhamos que não tinha muita escolha, era ir ou ir. Minha perna tremia a cada degrau, como vara verde. Mas novamente, assim como a Dori “continua a nadar” a Rafa “só coloca um pé depois do outro”. As 11:55 cheguei no topo do Elevador. Me senti a Mulher Maravilha. Era o meu maior medo e tinha superado, ali, naquele momento. O tempo ainda tava fechado, mas a minha energia era outra, recuperada. Um outro guia que levava apenas um rapaz, lá de baixo, grita pro Daniel “quando chegar aí em cima, manda o Elevador aqui pra baixo de novo pra gente!” – eu apenas ri. Era 12h40 quando a gente chegou no Morro do Dinossauro e de repente o tempo abriu. Vimos a Pedra do Garrafão, o Escalavrado, o Dedo de Nossa Senhora e companhia. Nisso o Valdir manda “Vamos voltar lá nos Portais?” – é, a vida não é justa, mas já tinha um bom motivo pra topar essa travessia por uma segunda vez. Almoçamos por ali, meu humor já tava 100%. Rindo à toa. Faltavam ainda 3,5km. Você piscou e lá estávamos nós descendo a mega lage do Morro do Dinossauro. Nessa hora eu não tava nem mais lembrando do meu ódio por lages, eu só ria, quanto mais inclinada eu ria. Chegamos no fundo do vale, uma pausa e logo começamos a subir de novo. Já eram 14:46, na Pedra da Baleia eu olhei pro horizonte lá estava toda a baía de Guanabara e o contorno do Pão de Açúcar, o Corcovado e a Gávea. Coisa linda! Só faltavam mais 1,5km – agora era mergulhar, montar o Cavalinho e correr pro abraço. Aliás, tanto o Mergulho quanto o Cavalinho foram bem tranquilos, não tive medo e nem nada. No Mergulho a corda foi só pra apoiar, no Cavalinho o Daniel colocou a cadeirinha por segurança mesmo. Muito se fala sobre o Cavalinho, mas pouco se fala sobre o Coice. O Coice é MUITO PIOR do que o Cavalinho. Um trepa pedra bem íngreme logo em seguida do Cavalinho que até seria fácil se não fosse o pequeno detalhe da cargueira nas costas. E aí quando você acha que tá acabando, opa, uma última escadinha ali pra jogar a última pá de terra. As 16h15 chegamos na placa do acampamento 4 e ali entramos num impasse: descer pro acampamento e subir pro Sino no dia seguinte para o nascer do sol ou subir no Sino ali naquele momento? A gente tava bem esgotado, mas a possibilidade de o tempo estar fechado no dia seguinte fez a gente engatar a subida ali mesmo. Deixamos as mochilas no inicio da subida da Pedra do Sino e fomos. Uma nuvem gigantesca vinha pela esquerda, mas pelo menos o vale da direita ainda estava aberto. A Pedra do Sino é o ponto mais alto de todo o parque e parada obrigatória pra quem faz a travessia. O Valdir subiu o drone ali de novo e ficamos mais algum tempo por ali tirando fotos. Descemos de volta para o acampamento, umas 18h estávamos montando a barraca. Dessa vez não rolou o banho gelado, nos contentamos com os lenços umedecidos. Jantamos novamente o popular macarrão com linguiça e fomos dormir. Essa noite fez mais frio que a anterior, deu mínima de 6 graus e eu tive bastante dificuldade pra dormir. Passeio frio, vacilei um pouco na escolha das roupas. Na próxima eu acerto. Portais do Hércules - Fechado Lageeeeee (eu sou a última, que só aparece a cabeça lá atrás) Subindo o Elevador Pedra do Dinossauro - Quando o tempo abriu Cavalinho e bifurcação (Acampamento 4 x Sino) Sino 09/08 – terça-feira (dia 3) Acordamos um pouco mais tarde, umas 6h e a minha cara estava inchada o suficiente para o meu marido levar um belo susto quando abriu o saco de dormir. Eu também não entendi o porquê, mas felizmente ela foi voltando ao normal conforme o tempo ia passando. Fizemos tudo sem pressa algumas. Tomamos café, arrumamos mochila, desmontamos a barraca tudo com muita calma. Antes de descer fomos na ‘lan house’ – eu não sei o nome daquele lugar, parece que é outra ‘Pedra da Baleia’, é uma trilha por trás do abrigo 4 que tem sinal de internet. Ali, acabamos ainda subindo um pouco mais porque o tempo estava aberto e a vista estava incrível demais pra deixar passar. Começamos a descer eram quase 10h. 11km até o final da trilha – mas pelo menos era uma descida suave, praticamente um passeio no shopping comparado ao que tivemos nos primeiros dois dias. O joelho gritava? Sim, às vezes, mas como eu sempre digo: um pé depois do outro. As 14h chegamos ao final da trilha, vitória! Mas opa, não comemora ainda, precisamos andar mais uns 500 metros no asfalto até o carro do Daniel – agora sim! Vitória. Entramos no carro e foi um suspiro coletivo ‘ahhhnn!’. Pegamos a estrada pra começar a descer a serra. Queríamos ainda parar no Mirante Soberbo, mas adivinha? Sim, neblina. Dá pra acreditar que eu me dei ao trabalho de ir até a Serra dos Órgãos e NÃO VI O DEDO DE DEUS? Sim, revoltante. Mas só me dá mais motivos pra voltar. Não me lembro ao certo que horas eram quando chegamos no Rio de novo. Tinha alugado mais uma noite de AirBNB, mas dessa vez em outro lugar. Ainda era na Lapa (não tem jeito, os mais baratos só por lá mesmo) mas como era uma terça-feira, jantamos e dormimos muito bem. Na 'lan house' Grupo no Abrigo 4 10/08 - quarta-feira (pós travessia) Sim, ainda teria um resto dia e tarde para curtir o Rio. Fomos até Copacabana dar uma volta e de lá esticamos até o Parque da Catacumba. Eu tava mesmo procurando coisas fora do convencional já que era minha quarta visita na cidade. Gostei bastante, uma trilha bem agradável morro acima com uma vista bem bonita pra Lagoa. Além de ser gratuito! Voltamos pro AirBNB apenas pra arrumar as malas e seguir pro aeroporto – nosso voo sairia no começo da noite. Considerações finais: apesar dos pesares, estou contente com o meu desempenho, mas preciso melhorar muito o cardio e minha capacidade de levar carga. Preciso providenciar algumas roupas de melhor qualidade, enfiar a mão no bolso, Decathlon me patrocina!
  8. Olá a todos! Segunda quinzena de agosto vou me aventurar pela Serra do Cipó com uma amiga e ainda estamos montando roteiro. Ela nunca fez travessia mas nos últimos anos tem feito trilhas. Minha primeira travessia foi Sete Quedas, na chapada dos veadeiros, ano passado (23 km em dois dias). A ideia é irmos sem guia. Minhas pesquisas apontam muitas possibilidades de travessia no parque nacional Serra do Cipó, sendo o Alto Palácio - Serra dos Alves uma rota com guia oficial do parque. Também reparei que essa travessia, como muitas outras, não tem lugares deliciosos pra nadar, tipo cachoeira. Alguém indica uma rota de travessia na serra do cipó com lugar delicioso pra banho, ou com cachoeira deliciosa? As travessias que tenho visto costumam ter córregos ou rios pra abastecimento de água nos pontos de acampamento, não sei se isso já basta rs. Acho que reparei isso (da falta de lugar pra nadar) sobretudo após ler este guia https://gooutside.com.br/travessia-lapinha-tabuleiro/ (e também o oficial de Alto Palácio - Serra dos Alves, claro https://www.icmbio.gov.br/parnaserradocipo/images/stories/guia_do_visitante/Guia Travessia Alto Palacio Serra dos Alves.pdf ) Muito obrigado.
  9. Como vão mochileiros? Espero que todos estejam bem. Depois de dois anos sem nos reunirmos, finalmente chegou o dia da nossa tão esperada travessia Petrô x Terê. Havíamos comprado os ingressos em Janeiro de 2020 para irmos em Maio, porém, com a Pandemia, não conseguimos ir e a travessia foi adiada até que o parque voltasse a abrir. Pois bem, conseguimos reagendar para os dias 21 e 22 de Maio de 2022. Como de costume, saímos de Santa Rita do Sapucaí com nosso motorista oficial, Edson, e seu irmão Edilson (mais conhecido como Claudinei) em 12 pessoas rumo à Petrópolis RJ. Começo meu relato com uma frase magnífica que fará todo o sentido nesse relato: "A caminhada até aqui pode não ter sido fácil, mas a contemplação dessa paisagem vale qualquer esforço." Da esquerda para direita: Henry, André, Bruno, Samuel, Éder, Isaac, Breno, Luiz Miranda, Saulo, Nandão, Luiz e Zé Renato. Chegamos em Petrópolis por volta das 07:30, fomos na entrada do parque assinar os papéis e começarmos a trilha rumo ao primeiro camping do Açu - começamos a trila 08h15. Passamos por vários lugares bonitos, cachoeiras, grutas, picos...seguem fotos: A subida até o Açu é pesada, como todas as pessoas já haviam informado. Por volta de 12h20min chegamos no abrigo. O dia estava ótimo, porém, começou uma neblina forte e não conseguimos registrar fotos do caminho até o Açu, mas temos algumas de lá: Montamos acampamento e fomos explorar mais o local. À noite prometia fazer muito frio, pois estava ventando muito. Levantamos cedo, depois de uma noite fria e fomos ver o nascer do sol - um espetáculo à parte da natureza. Tomamos café e fomos conhecer o famoso Portais de Hércules, não irei comentar sobre o mesmo, as fotos mostram por si só. Saímos de la e fomos rumo à Pedra do Sino, uma subida forte até chegarmos no Morro da Luva. Depois de um tempo caminhando, chegamos no Elevador, o primeiro dos dois pontos de atenção da travessia. Após passar o Elevador e subir um pouco mais, chegamos na Pedra da Baleia e de lá tivemos uma visão melhor da Pedra do Sino: Passamos pelo mergulho e logo enfrentamos outro ponto de atenção na trilha, o Cavalinho: Passando por ele e contornando o Sino, chegamos na base da pedra onde da acesso a ela Chegamos no abrigo 4, descansamos um pouco e descemos para finalizar a trilha, coisa de 10km até onde nossa van nos esperava. A descida é sem fim e muito cansativa. Considerações finais: Considerada uma das travessias mais bonitas do Brasil, senão a mais bonita, é uma travessia clássica que possui belezas particulares, recomenda-se fazê-la em 3 dias e confesso que é uma ótima recomendação. Gostaria de agradecer a todos que foram com a gente nessa aventura, as risadas, o companheirismo e os momentos felizes que tivemos. Fazia tempo que não nos reuníamos para acampar então foi muito bom. Com essa pandemia aprendemos a valorizar os momentos com os amigos e falo por todos aqui que esse momento foi aproveitado da melhor maneira. Fazer em dois dias e uma noite foi muito desgastante, mas como diz nosso companheiro Luiz Miranda: "Você afunda o pé no brejo, queima no sol durante a trilha, passa frio cedo e à noite e dorme sem tomar banho, para no final falar: 'Quando é a próxima'?" Galera, sem falsa modéstia, deixo aqui um show de fotos compartilhadas por todos que foram, mas, em especial, as fotos do Zé Renato ficaram show, sem palavras. Até a próxima...
  10. No sábado de carnaval chegamos em Ilhabela por volta de 11h, na travessia da balsa vimos golfinhos, bom pressagio.... pegamos um ônibus para o bairro do Borrifos, R$5,00 o valor da passagem e acredito que uns 40min de viagem até o ponto final, ja numa estrada de terra. Ai é apenas seguir em frente por volta de 3km até a portaria do parque onde se preenche uma ficha e adentra a real trilha onde os carros ja não passam mais. Para quem vai de carro tem estacionamento mas não faço ideia do valor. Andamos uns 2,5km até chegar na placa que indica a direção da fazenda da lage, 500m após a placa. Na metade desse caminho tem uma entrada do lado esquerda que vai dar na Cachoeira da Lage, muito legal tem uma pedra para escorregar, bastante agua e o sol bate com força em cima das pedras então da pra se refrescar bastante. Depois de 1h ali na cachoeira seguimos até a fazenda onde iriamos passar a noite, acertamos o camping no valor de R$50,00 por pessoa, aceitam cartao, pois iriamos seguir para a praia do Bonete na manha seguinte, disseram que se fosse ficar mais tempo seria R$70,00 por pessoa. Estava com a cozinha para o camping em construção entao após os visitantes que estavam apenas passando o dia irem embora deixaram a gente usar a cozinha do restaurante. Na fazenda voce tem acesso ao lago dourado, uma parte da mesma cachoeira de antes que continua descendo até encontrar o mar, do alto da pra ver o rio desembocando na agua salgada porem ja estavamos um pouco cansado e nao descemos até o fim, ficamos apenas na parte de cima mesmo num poço onde colocaram um slackline com cordas para quem nao sabe se equilibrar conseguir ficar em pé tranquilamente. Outro ponto legal é o buraco do cação tambem pertinho do restaurante onde se pode apreciar um desfiladeiro enorme e o oceano batendo nas pedras, uma vista bem legal, quem nao vai dormir la pode apenas pagar R$10,00 e visitar esses dois atrativos, acredito que vale a pena ja que esta la mesmo. Não fomos dormir muito tarde e no dia seguinte logo cedo acordamos, tomamos café e partimos 10km rumo a praia do bonete, a trilha é tranquila no quesito navegação, para os mais sedentarios a caminhada pode ser chatinha mas nada impossivel, passa por duas cachoeiras nao muito chamativas, fomos direto e chegamos antes do meio dia na praia. Bonete é legal, o fato dos quiosques não ficarem na areia deixa com um ar mais natural a praia, mas bastante movimentada muitos turistas, acredito que 99% das pessoas vao pra la de barco a minoria encara a trilha. Tem a opção de ir de trilha e voltar de barco tambem. Chegamos na praia e um rapaz abordou a gente oferecendo camping, disse que ficava um pouco mais pra dentro da vila nao na beira da praia, falamos que iriamos pensar e ele simplismente sentou perto da gente, fiquei incomodado pois na nossa frente tinha um camping chamado OUTRO CANTO e ficou uma situação chata largar ele ali e ir la perguntar valor mas fui mesmo assim. O valor era o mesmo porem nao tinha chuveiro quente, o diferencial era que ficava a beira mar, mas no calor que estava nao faria diferença. Quando entramos para montar a barraca percebemos que ao lado fica um hostel bem famoso da galera que curte festas e naquela noite de carnaval teria um evento, pra gente que queria descansar pra pegar uma trilha de 18km era inviavel perder noite de sono com som alto na orelha. Fomos entao para o camping que o homem ofereceu, acampamos no camping da vargem pagamos R$50,00 por pessoa no pix. Tem cozinha tambem, chuveiro quente e clima tranquilo, foi uma boa escolha. Bonete é uma vila, tem alguns comercios até mercadinho, pizzaria, lanches, etc... pagamos R$35,00 no PF a heineken estava R$11,00 longneck no mercadinho R$7,00 a skol açai 20,00 500ml adicional R$2,00, todos aceitavam cartão. Saimos bem cedo para a praia de castelhanos, usando o app wikiloc, a trilha é de navegação moderada e fisicamente dificil ainda mais levando as cargueiras, passamos pela praia das anchovas e indaiatuba, depois atravessamos mata adentro saindo na praia vermelha, fizemos em umas 6h 7h parando algumas vezes, pelo caminho. O uso do tracklog trouxe muita segurança em algumas partes da trilha mais fechadas rapidamente conseguimos corrigir erros e voltar para trilha principal. Chegamos no castelhanos e procuramos o camping do leo pagamos R$30,00 por pessoa no dinheiro. Camping simples mas contava com fogao a gas tambem, na beira da praia. almoçamos por R$40,00 PF heineken R$15,00 long neck R$20,00 600ml pastel camarao R$15,00 e a famosa caipirinha de folha de tangerina R$25,00, recomendo a de saque. skol fininha R$5,00 na barraca da fofoca. Acordamos na terça e fizemos a trilha da cachoeira do gato, começa no fim da praia e sobe 2km mata adentro chegando numa cachu bem legal, vale a pena. Querendo economizar decidimos fazer apé a estrada castelhanos x centro, pior decisão da viagem, em 2km subimos 400m, um morro interminavel e seriam 22km se quiséssemos chegar até a balsa, o horario funciona assim : sentido Centro-Castelhanos é das 7h às 14h O retorno é a partir das 15h. os carros só desciam e a subida nunca saia do lugar, ja sofrendo bastante passou um anjo num caminhao e deu carona pra gente, no final dexei R$20,00 de agradecimento mesmo sabendo que ele parou por pura gentileza, os jipes estavam cobrando R$60,00, R$70,00 por pessoa para fazer o trajeto, depois do que eu vi acredito que valha a pena, o caminho centro>>castelhanos parece ser menos cansativo mas mesmo assim pensaria duas vezes antes de ir apé. saindo do parque fomos apé até o praia do pereque e almoçamos num restaurante R$70,00kg acho que nunca comi tanto na vida. ficamos na praia ali descansando até a hora de atravessar a balsa e pegar onibus em sao sebastiao de volta pra casa num quiosque o valor da heineken esta R$11,00 agua de coco R$10,00 Nunca vi um lugar com tanto borrachudo quanto Ilhabela, foi tanto que talvez eu nao volte por conta disso, uma vez até vai mas é realmente traumatizante. Mas vale a pena conhecer ainda mais essas praias do sul que sao mais naturais com menos turistas. Só funciona o repelente deles, citroilha, paguei R$25,00 no frasco, na farmacia no centro estava por R$20,00 escrevi correndo mas é isso qualquer duvida manda ai, vou deixar algumas fotos, valeu
  11. Visitei a Chapada Diamantina recentemente com mais 2 amigos e conseguimos fazer todos os passeios que queríamos. Contratamos um guia apenas na cachoeira do Buracão, onde dizem que o guia é obrigatório. Pra ir sem guia, todos nós tínhamos um bom preparo físico e alguma experiência em trilhas. Além disso, baixei a versão completa do app Wikiloc. Se não me engano, custou R$7,50. Frente à economia que você fará com os guias, tá de graça. Dá pra comprar um bom powerbank pra carregar o celular na viagem que você ainda sai no lucro (recomendo o zenpower da asus). Dito isso, com exceção da trilha da cachoeira da fumacinha todas as trilhas foram feitas tranquilamente seguindo o tracklog no celular (tracklog é o caminho que você segue com o GPS). São trilhas bem marcadas, muita gente passa por lá. Vez ou outra há uma bifurcação e você tira a dúvida com o app. Não vou detalhar todos os passeios que fizemos pois há uma infinidade de relatos que já fizeram isso melhor do que eu poderia fazer. Deixo apenas algumas observações: - Em Ibicoara conseguimos ‘sacar’ dinheiro numa loja de reparo de motos. O dono passa no seu cartão uma compra no valor que você quer sacar e te dá o valor em dinheiro. Pode ser uma boa alternativa, já que são poucos caixas eletrônicos e o correio fica cheio. Pegamos a dica no hostel ibicoara. - A trilha da cachoeira da fumacinha é bem pesada, mas vale a pena. Além do tracklog, baixe esse relato e siga-o. Alguns pontos parecem impossíveis, mas lendo o relato dá pra passar. - Se for fazer fumacinha e buracão, compensa dormir na vila do Baixão. Fale com o Luciano (https://www.facebook.com/luciano.guiabicho?fref=ts) ele é guia e recepciona pessoas na casa dele ou indica a casa de alguém da vila. Ficamos na casa da Biazinha, pagamos 100 reais por pessoa, com direito a janta e café da manhã, cada um de nós ficou em um quarto separado. Você economiza alguns km de estrada de terra e tem uma experiência bem legal. - Visite a cachoeira do buracão. Ibicoara fica um pouco afastada das outras cidades da chapada, mas vale muito a pena. A trilha é tranquila, a queda é enorme, o volume de água é bom, dá pra observar por cima e por baixo, há estacionamento, banheiros e colete salva vidas. Lemos em todos os lugares que é preciso de guia para fazê-la, mas vimos um casal sem guia na trilha e suspeitamos que essa história talvez seja apenas um boato muito bem difundido. -Passe uma noite em Andaraí. No hostel donanna. Melhor custo benefício da viagem, hostel limpo, banheiros bons, ar condicionado, ótimo café da manhã, donos super simpáticos. Fica perto da sorveteria Apollo, que é sensacional e tem um bom preço e também do bistrô da cidade, que parece ser a melhor opção para comer lá a noite. Tínhamos planejado passar só uma noite lá, mas gostamos tanto que resolvemos entrar e sair do Vale do Pati por Andaraí, ficando 3 noites no hostel. Andaraí fica próxima dos poços Azul e Encantado e também tem algumas cachoeiras. - Em Andaraí a única operadora que tem sinal é a Claro. Não perguntei nas outras cidades, mas acredito que seja mais ou menos assim no restante da região. - Se tivesse que cortar um dos poços do passeio, eu cortaria o Azul. É nele que se mergulha, mas o Encantado é bem maior e mais bonito, achei uma experiência mais interessante. É possível ir de um poço ao outro por estrada de terra, diferentemente do que recomenda o Google Maps. Pegamos essa dica com um guia no Poço Encantado. O trajeto aparece no Waze. Saindo do poço encantado, volte até a entrada pra fazenda chapadão, à sua direita. Siga por ela até uma bifurcação que indica poço azul à direita e borracharia à esquerda. Pela esquerda também se chega ao poço azul, mas é preciso pagar 10 reais para atravessar uma ponte dentro de uma fazenda. - O poço azul fica cheio e há fila para mergulhar nele. É bom chegar cedo, nós tivemos que esperar 2h na fila. -Em lençóis ficamos na pousada São José 2. 60 reais por pessoa, ar condicionado, café da manhã, boa localização. Recomendo. - O poço do Diabo é de fácil acesso mas não é imperdível. Eu deixaria como plano B. - Praticamente não existem placas indicando o caminho pra nenhuma atração turística de lá. Nem mesmo pro Morro do Pai Inácio que é um dos pontos mais conhecidos. Saindo de lençóis será a primeira entrada à direita depois da Pousada do Pai Inácio, numa estrada de terra. Sem placa alguma. A presença do guia em passeios como Morro do Pai Inácio, Pratinha, Poços Azul, Encantado e do Diabo é completamente dispensável. Ele meramente vai te indicar o caminho e fazer companhia durante os passeios. No Wikiloc você acha os tracklogs para chegar de carro até todos os pontos turísticos da chapada. - Fomos pra chapada em janeiro de 2017 e infelizmente havia pouca água em praticamente todas as cachoeiras. Vale a pena tentar conferir se os rios estão cheios antes de partir pra lá. - É verdade que qualquer carro enfrenta a chapada, mas ele vai sofrer um pouco. As estradas de terra são muitas, são ruins e com muito pó. Vimos alguns donos de Corolla receosos com seus carros por lá. Alugar é uma boa. -Na chapada há uma certa confusão com maracujá. O maracujá amarelo que vendem nos supermercados é chamado de maracujina, e o que chamam de maracujá é um maracujá do mato, de casca roxa e interior verde. Se você pedir um suco de maracujá e ele vier verde, já sabe o que aconteceu. - A cidade de Lençóis realmente possui a maior estrutura turística da chapada, com ótimas opções de bares e restaurantes, mas não recomendo passar todas as noites lá. A chapada é muito grande e as cidades menores também têm seus atrativos, além de serem mais baratas. SOBRE O VALE DO PATI -Têm-se acesso ao vale do Pati por 3 caminhos: Saindo do Capão, de Guiné e de Andaraí. Saindo de Guiné é o menor caminho, do Capão o mais longo, mas dizem ser o mais bonito. Fomos e voltamos por Andaraí, onde deixamos o carro. Encaramos a ladeira do Império, um caminho todo calçado por pedras. Gastamos cerca de 5h desde Andaraí até a casa de Seu Eduardo e umas 7h da casa de Dona Raquel até Andaraí. Recomendo fazer pela manhã, evitando o sol. - Não recomendo levar barraca pro Pati. A menos que você queira fazer camping selvagem (há algumas clareiras na trilha) e abrir mão de mordomias como chuveiro, banheiros e acesso às cozinhas comunitárias, não compensa financeiramente. As casas de apoio praticam os mesmos preços (20 camping, 25 pra dormir com saco de dormir e 35 pra dormir em camas, 110 a diária com janta e café da manhã). Ao meu ver, não vale a pena carregar o peso da barraca por essa economia. - As casas de apoio têm vendinhas com alguns alimentos, também vendem água, cerveja e Coca Cola. No Seu Eduardo a Coca era R$7,00 e geladíssima, na Dona Raquel era R$8,00, não tão gelada. - Não suba o morro do castelo sem lanterna. Há uma gruta lá em cima. Ao sair da gruta, ande para os dois lados. Indo pra esquerda há um mirante nas pedras e para a direita você encontra outra saída da gruta. Entre nela que você retorna ao ponto inicial - Alguns tracklogs para a cachoeira do funil têm um longo trecho andando pelo leito do rio, que é pegando uma bifurcação na trilha pro morro do castelo. Esse é o caminho difícil. Há como chegar até bem perto das cachoeiras por trilha, informe-se com os nativos. - Também existem dois caminhos entre a prefeitura e a casa de Dona Raquel, um em cada margem do rio. O caminho mais suave é o que fica à direita do rio, pra quem está indo pra Dona Raquel. Também fiz uma planilha com os passeios da Chapada, acho que pode ser bem útil. Vou deixar a edição livre, pra adicionarem ou atualizarem as informações https://docs.google.com/spreadsheets/d/1_4-nOWQOdKMwG-fntIXCsLC3i_HlP8i9YeBz5Z_9VpQ/edit?usp=sharing Os relatos em que me baseei pra viagem foram esses: http://www.nathalyporai.com.br/2016/12/chapada-diamantina-raio-x-dos-gastos.html http://www.mochileiros.com/chapada-diamantina-vale-do-pati-t134101.html http://www.mochileiros.com/descomplicando-o-vale-do-pati-com-ou-sem-guia-fotos-t89310.html http://www.mochileiros.com/chapada-diamantina-guia-de-informacoes-t29075.html http://www.mochileiros.com/chapada-diamantina-em-07-dias-gastando-pouco-no-carnaval-2015-t109690.html Espero que as informações sejam úteis, aproveitem a Chapada.
  12. Bom dia/tarde/noite aos aventureiros e aventureiras. Apesar de existirem dezenas de relatos sobre a Travessia da Serra Fina, creio que, independente de todos compartilharem do mesmo objetivo (completar o roteiro), também possuímos experiências e perspectivas diferentes das situações que planejamos e encontramos, portanto, como os relatos nos ajudaram muito, retribuirei com minha parte, para quem sabe ajudar próximos aventureiros também. Não tem como escapar, a rotina de trabalho dificulta muito os planejamentos para realizar estes desafios. Juntando a temporada ideal + 4 dias de folga seguidos = feriado prolongado. É grupo em cima de grupo. Você sobe em uma árvore e tem gente sentado no galho que você iria sentar, cava um buraco e sai três trilheiros, pega fila para abraçar a árvore, saem 15 pessoas de Robert na selfie (fica parecendo entrevista de político com os papagaios de piratas atrás) e por aí vai. É lotado mesmo e ponto final. Isso é um problema? Não se você for já sabendo isso. É possível curtir e apreciar tudo sim, afinal é melhor uma Serra lotada do que o metrô de Sampa. Eu e minha companheira Mi ingressamos nas trilhas há alguns anos. Como paulistanos, fomos conhecendo as trilhas mais próximas. Subimos aqui, ali e logo começamos a sentir falta de algo mais imersivo. Descobrimos as inúmeras travessias que podem ser realizadas próximo a SP, principalmente nas divisas de MG e RJ. Já que é o desafio que nos motiva, nos preparamos para a Serra Fina, a travessia mais difícil do Brasil, segundo algumas reportagens. Se é verdade, ou não, explicarei ao longo do relato. Feriado prolongado de 9 de julho, no meio do inverno, em alta temporada, nas férias de julho de muitos trilheiros, previsão de maior frente fria já registrada... Pensamos igual no filme missão impossível: altas chances de fracasso, certeza de explosão, é isso, vamos. Chega de introdução, vamos para o relato. Nosso grupo se define em: Rafael, Miriam, Luan e Charles (guia). Roteiro previsto: 1º dia: saída da Toca do lobo - Pernoite no Pico do Capim amarelo ou Maracanã (01h30m depois) - Aprox. 7 km; 2º dia: saída Pico do Capim Amarelo ou Maracanã – Pernoite Pedra da Mina - Aprox. 7 km; 3º dia: saída Pedra da Mina – Pernoite Pico dos 3 estados - Aprox. 7 km; 4º dia: saída Pico dos 3 estados – Pernoite Sampa City Summit - Aprox. 11 km. Total aprox. 33km. Na prática: 1º dia: Saída do Hostel as 07h com o transfer. Chegada no início da subida de barro as 07h30m aproximadamente. Dependendo do transfer, ele te leva uns 500 metros mais para cima, bom negócio se for possível. Começamos a subir e as 08h estávamos no point inicial. A toca do lobo. Todos se abasteceram de água no nível máximo (4L cada), pois precisaríamos de água para o dia e para a janta, já que o próximo ponto de água seria 01h:30m após o Pico do Capim Amarelo, no maracanã. Tivemos uma breve conversa com o guia Charlinho, no qual explicou o roteiro, dicas, perigos, etc. Partimos para a aventura. 🧗‍♂️ Como previsto, você sobe, daí sobe um pouco, sobe ali, escalaminhada aqui, subiu um trecho, subiu outro, daí tem uma subida e você chega onde? No ¼ da subida do dia. Num trecho famoso, o quartzito. Muita nuvem, mas já bonito e animador. Que tal subir agora? Subiu, subiu e continuamos subindo, até que apareceu um dos cartões postais da travessia. O passo dos anjos. Emblemático trecho que mostra toda crista da serra que vinha pela frente no primeiro dia. Só que aconteceu o que previmos, estava com neblina devido a chuva do dia anterior. Não vimos no ângulo tão sonhado, mas conseguimos uma imagem semiaberta depois que passamos. Paramos algumas vezes para petiscar e adivinha? Subimos mais. Daí aconteceu algo que abalou a todos. Estávamos na trilha quando passamos por uma senhora que estava desacordada. Isso quando já estávamos há mais de 2 mil metros de altitude. Ficamos sabendo depois que ela teve um AVC e inclusive saiu no G1 uma notícia sobre isso. Esperamos que ela esteja bem. Um helicóptero dos bombeiros fez um trabalho espetacular junto dos guias que estavam na montanha. Fizeram uma tremenda força tarefa e conseguiram levar a senhora até o helicóptero, que conseguiram pousar NA MONTANHA. Foi um trabalho de extrema competência. Todos ficaram baqueados, mas seguimos em frente. Fica como um adendo para todos. A montanha deve ser levada a sério. Muito importante estar com exames em dia e se preparar, pois imprevistos podem acontecer, infelizmente. Após este ocorrido, fizemos um lanche em uma área coberta por bambus e já fomos recebidos pelos proprietários da montanha, . Os ratinhos. Chegam a ser bonitinhos, pois são pequenos, como hamsters, mas não deixa de ser um rato, eita bicho medonho e travesso. Já notamos que eles estariam presentes na viagem. Também ficamos chocados com trechos congelados que encontrávamos já na subida. Imagine o frio que estava por vir. Chegamos no capim amarelo as 13h. Um local incrível. Já sentimos muito orgulho de ter iniciado essa aventura. Conversamos sobre o planejamento e decidimos ir para o Maracanã, pois seria mais próximo da água e também do próximo destino do dia seguinte. Ao descer o capim amarelo, o joelho do nosso amigo Luan deu uma esperneada, afinal o dia da ascensão exige muito. Decidimos parar em um bambuzal bastante abrigado, chamam de "avançado". Por volta das 15h já estávamos com as barracar montadas e prontos para um por do sol próximo dali. No fim ficamos sabendo que fizemos boa escolha, perceberá o porquê. Pendure suas comidas e lixos em árvores, pois os ratos causam nesse lugar, como em qualquer outro. Tivemos visitas na madrugada que incomodaram um pouco. Inclusive a barrigueira da Mi foi roída , pois havia o sachê do gel (que é doce) usado, então deve ter vazado um pouco. Tivemos de colocar as cargueiras para dentro da barraca. Deixar no avance deu receio. Aproveitamos e usamos as mochilas para colocar a perna em cima nos locais onde dormimos inclinados. Importante nivelar para não ter dores na madrugada. 2º dia: Sair da barraca já foi o primeiro desafio, pois o frio estava insano. Arrumamos as coisas, tomamos o café e iniciamos o dia. Não adianta, a roupa para o dia depende de cada um. Alguns saem igual esquimó e ficam no efeito cebola o dia inteiro, outros já saem com pouca roupa para fazer menos pausa para tirar. Todas as vezes que coloquei blusa a mais eu me arrependi. Assim que o sol aparece você já começa a sentir calor. Protetor solar eu já passo antes mesmo do sol aparecer, pois nessa altitude o sol judia. 40 minutos após o início da caminhada e avistamos o Maracanã. Os grupos que dormiram ali já estavam saindo também. Para surpresa nossa, todos reclamaram do frio. Congelaram todas as águas que eles tinham nas garrafas. Fez -8º no maracanã, surreal. No bambuzal pegamos uns 0º, tivemos “sorte”. ❄️ Reabastecemos em um ponto de água logo após o maracanã. Fizemos um isotônico do Popeye e deixamos 2 litros de água na camelbak para cada um caminhar, visto que antes do ataque ao cume da Mina haviam 2 pontos de água para reabastecer completo. Desde a primeira subida do dia já podíamos avistar nosso objetivo: a Pedra da Mina. Eita negócio alto. Quando você acha que ela é pequena, você se surpreende ao ver o pessoal mais atleta já subindo com as mochilas fluorescentes. Pareciam 1 grão de areia na montanha. Dia mais agradável de percurso, pois são constantes sobe e desce, diferenciando bem do primeiro dia do Everest amarelo . Logo após o primeiro "mini" cume que passamos já tínhamos uma linda vista do Capim Amarelo atrás. E também conseguíamos ver Marins / Itaguaré no fundo. Que show! Quase chegando na base da Mina, fomos para o ponto de água chamado cachoeira vermelha. Incrível o lugar. Água com muito ferro, por isso dos tons avermelhados. Reabastecemos com água para a janta, pois o próximo ponto de água só aconteceria no dia seguinte após descermos a Pedra. Ao chegar na base da Pedra, passamos por cima da mini ponte do rio que cai 🌁. Ali havia um bom acampamento no qual vimos um grupo já instalado para pernoitar. Era um grupo com roteiro diferente. Eles não dormiam nos cumes, fizeram um outro planejamento. Ali tinha o rio com pessoas abastecendo para a subida, mas eu não acho uma fonte muito confiável. O guia inclusive comentou que pode estar contaminado. É ao lado do acampamento, consequentemente os banheiros também devem ser. Se for pegar esta água, ferva e jogue o clorin como precaução, pois dor de barriga ninguém merece . Iniciamos o ataque. Estávamos pesados com a água, mas suportável. Como todas outras subidas da travessia, esta era mais uma bem estruturada. Sempre com degraus “curtos” formados pelas pessoas. Quase não esticamos as pernas na travessia inteira, pois as ascensões eram todas em pequenas “escadinhas” já formadas. Um agravante seria o barro, muito presente na serra inteira, mas como a temperatura estava hiper baixa, os barros estavam congelados, evitando possíveis deslizes dos pés ao subir. Uma boa perspectiva para ver o tamanho da encrenca com as formigas atômicas fluorescentes subindo. Pausa na subida da Pedra com a vista para o Capim Amarelo a esquerda da foto (ponto onde iniciamos o dia). Chegamos no incrível no cume, que lugar sensacional! Sem dúvidas o pico mais legal de toda a viagem. Bem cheio de barraca, pois haviam os grupos da travessia completa, meia travessia e bate a volta pelo Paiolinho, uma opção bem legal de chegar na Pedra da Mina também. O bom é que há espaço para todos, pois mesmo sem ficar no cume, você consegue ficar logo abaixo dele, 5 minutos de caminhada. O Agulhas Negras já aparecia imponente no parque Itatiaia. Que vista! Pegamos um baita pôr do sol, jantamos e fomos dormir. Nessa noite conseguimos uns goles de cachaça e dormimos mais quentes. Já virou um item indispensável para as próximas travessias. O cobertor de litro salva sua noite.🍹 3º dia: Meio congelado, meio vivo. Era mais ou menos nossa situação. Com certeza fez menos que -5º esta noite. Serra fina do gelo!!! Após o ritual sagrado de desmontar, arrumar e seguir, iniciamos a descida pelo lado de trás da montanha, num visual muito show! O vale do Ruah já se destacava no nascer do sol. Os primeiros raios de sol no Vale refletiam o rio de uma maneira diferente, achamos estranho. Quando chegamos perto que entendemos, o rio inteiro estava congelado. Imagine como foi a noite num dos locais mais frios do Brasil. Há quem diga que bateu -15º. E que lugar muito doido, achamos legal demais. Capim Elefante para todo o lado, barro, labirinto, rio congelado... Parecia um filme! Bom momento para se despedir da bota semi limpa. Ali não tem jeito, você vai usar todas funções da sua bota impermeável. Os grupos seguiram e abasteceram a água em umas cachoeiras mais a frente, mas nós abastecemos antes em uma correnteza que passava no meio do vale. Parecia bem limpa e cristalina, afinal é dali que surge a fonte do Rio Verde. Nome fácil de entender, pensa em uma água transparente e limpa! Atenção!!! É aqui o último ponto de água da trilha, basicamente. Coloque água nas garrafinhas, camelbaks, meias, bonés, toucas, etc. 🌊. Saímos com 4 litros e pouco cada um (para caminhada do dia, jantar e caminhada da volta). Foi o suficiente, mesmo fazendo macarrão a noite. Também passamos por mais cristas, muito lindas por sinal, em direção ao cupim de boi. Da pra entender o porquê do cupim de boi. É esta montanha menor que está um pouco abaixo do Agulhas Negras. A montanha a direita é a cabeça de touro. Bem alta e imponente, mas é um passeio a parte. Do cupim, partimos pelas cristas até a montanha mais alta a esquerda, que já é o Pico dos 3 estados. Pedra da Mina ficou para trás... A caminho do cupim do boi a esquerda. Chegando no topo do cupim, fizemos um almoço com vista para o Pico dos 3 estados de um lado e todo o parque do Itatiaia do outro. Vista incrível!!! O Agulhas Negras estava nítido, mesmo há bons km’s de distância. Dica: Levem filtros de lente UV e Polarizados para a câmera. Eu esqueci a minha câmera no transfer, sorte que a Mi tem uma super potente com um zoom sinistro, mas as fotos ficaram azuladas com a luminosidade da altitude. Energias renovadas, partiu 3 estados. Trilha nota 10. Escalaminhadas só próximo ao cume. Nenhuma pernada longa, escalaminhamos porque no final estava mais íngreme e escorregadio, mas não havia exposição. Mais uma montanha top 10 Brasil na listinha pessoal!!! Rolou aquela vida “chata” de bater papo sentado nas pedras do cume, vendo o pôr do sol, tomando um refresco, se preparando para o jantar e rindo dos perrengues da trilha. Depois disso caímos no sono. Noite bem tranquila, local abrigado por capim, então rolou pouco vento, foi bom o descanso. Não esquecendo nunca daquela boa olhada no céu MUITO estrelado e das cidades brilhando bem longe. Que cenário show! 4º dia: Já acordamos naquele ar de: Será que tô feliz por conseguir chegar até aqui? Triste por ir embora? Feliz por chegar perto de um banho? Triste por pensar na rotina de SP voltando? Não tem segredo, o jeito é curtir o momento. E esses momentos são incríveis todos os dias da travessia. Todos têm suas particularidades e belezas diferentes. Nascer do sol de praxe... Despedida da montanha e partiu dia mais longo (11 km). Como diz a Mi, subir é sempre mais difícil, em tudo na vida, mas na serra fina não tem nada fácil. Até o descer é difícil, pois os joelhos já estão cansados dos 21 kms já percorridos e o esforço da constante descida é ainda mais doloroso para os joelhos do que a subida. Mesmo já não estando tão pesado. Tínhamos quase 1,8L cada em média para o dia até a última fonte, que já é próxima do fim. Sobe e desce, sobe e desce, sobe e desce até que avistamos a última subida da viagem. Até comemoramos quando subimos, pois para quem tem joelho meio abalado, subir é melhor que descer. Chegamos no Pico dos Ivos, mais um dos muitos picos de 2400+ que passamos. Paramos para o lanche, fizemos a selfie da equipe e voltamos para a descida. Se tivesse uma tirolesa do pico dos 3 estados até a fazenda pierre, seriam 2 horas na corda de aço eita descida interminável! Aos poucos a vegetação foi mudando, brigamos com os bambuzinhos (use capa nas mochilas e proteja seu isolante, pois a treta é brava) e a mata mais fechada surgiu. Incríveis bons km’s no meio da mata, show de bola! Nossa água deu na medida. Acabou a hidratação minutos antes da última fonte de água antes da saída. Já batia um sentimento de saudade da montanha. Andamos, andamos, andamos, andamos, andamos, chegamos na mansão do Pierre. Olha só, chegamos! Não, não chegamos. Ainda tinham uns 2 km, eita! Meu joelho, que vinha tão bem, já começou a me questionar o pq eu estava fazendo isso com ele e decidiu resmungar, mas isso ficou de lado e foi só comemorações e orgulho do corpitcho que, apesar de um pouco acima do peso, conseguiu aguentar essa travessia incrível. Chegada... Óbbbbvvviiioo que brindamos com a cervejinha na casa e fomos para o transfer. Pensa numa cerveja merecida! Fim... Vou deixar informações abaixo sobre o que utilizamos. Minha companheira Mi, que a todo momento ficou ao meu lado, foi um exemplo de força, determinação e comprometimento. E claro representando as mulheres, que já são mais fortes e corajosas 💪 por natureza. Senti muito orgulho de poder participar de momentos como esse. Certos ensinamentos e pensamentos só são apreciados de verdade na montanha, quando estamos na hora da dificuldade, na hora da esperança e também na hora da vitória! Luan, um parceiro que surgiu do boteco e com certeza perdurará muitos anos, tanto nas trilhas, como nos botecos também, óbvio. Sempre agradável e solicito, um rapaz de futuro! Charles joelhos de aço, nosso guia atleta, que nos ajudou a todo o momento e deu o suporte que precisávamos. Além de cada dia tirar uma surpresa da mochila para comemorar. Nosso muito obrigado! Um exemplo de que todos nós podemos realizar nossos desejos e enfrentar nossos medos. Menino, menina, homem, mulher, idoso e idosa. Vimos todos juntos nas trilhas, se unindo e se incentivando. Bonito de se ver o respeito, educação e limpeza que os guias pregam para todos, proporcionando uma montanha agradável, limpa e o menos impactada possível. Se você tá em dúvida se aguenta, se é bonito o lugar, se vale a pena... pode parar por aí. Se prepare, se equipe com materiais de qualidade e partiu! A Serra Fina é possível para todos! Equipamentos necessários /// utilizados: · Mochilas cargueiras 70L ou mais. Item primordial, pois temos escassez de água e trajetos relativamente longos. A capacidade e ergonomia precisam ser consideradas com seriedade. Invista na sua cargueira /// Cargueira Deuter Aircontact Lite; · Sacos de dormir conforto 0º ou -5º /// Deuter Orbit -5. Foi mais do que o suficiente. Deu conta dos -9º que passamos. Não vacile com o saco de dormir, pois hipotermia é perigoso de verdade; XXX · Isolante Térmico. /// Naturehike modelo inflável Nylon TPU. Ótimo custo benefício. Isolantes tapetes também são ótimos. Ideal os de 1 cm de espessura, pois o chão é muito frio e úmido; · Bastões de caminhada. Joelhos agradecem! Acho primordial. /// Bastão de Trilha Arpenaz 200 Quechua. Modelo ok, até que aguentou, mas possuem bem superiores no mercado; · Travesseiro. Fica ao critério de cada um. O ideal é inflável para ocupar menos espaço e peso. /// Naturehike dobrável; · Barraca 2 ou 3 pessoas. Quanto mais leve e bem projetada para ventos, melhor. /// Naturehike Cloud 2p. As vezes sentimos falta de espaço, pois eu e a Mi somos relativamente altos (1,83 e 1,70), mas no frio isso não é um problema. XXX · Lanternas de cabeça e de punho. Tem que ter ou vc só funciona até o por do sol. Item obrigatório. XXX / Importei da china, nem sei o modelo, mas vale dar uma investida. · Kits cozinha: fogareiro, gás, panelas, talheres, papel toalha, álcool em gel, pratos, etc. · Botas. Impermeáveis, confortáveis e com ótima aderência (para as escalaminhadas cheias de barros e pedras). Se for nova, amaciar antes da viagem! /// Salomon Mid GTX; · CamelBak ou Garrafinhas. Vai do gosto de cada um. Gosto da praticidade da camelbak, pois você se hidrata sem parar. /// Modelo chinês, 2L. Paguei barato e deu problema na torneirinha. Aconselho investir um pouco, pois perder água por vazamento numa travessia com escassez de fontes não é nada agradável. · Cobertor de alumínio para emergências; · Roupas: Corta-vento, Jaqueta e calça impermeável, camisetas de manga comprida com proteção UV, meias para trilha, luvas (ajudam a escalar também), touca e boné, Buff (proteção UV para nariz, boca e nuca); Tudo de secagem rápida e o mais leve possível. · Protetor solar para rosto e boca. Refeições: Tudo sempre prático, que utilize pouca água de preferência e que tenha alto valor nutritivo. Na próxima viagem levarei ovos para o café da manhã. Desta vez não levei e fez bastante falta. Não fizemos almoço, apenas parávamos e comíamos os petiscos em maior quantidade e hidratávamos com isotônico em pó diluído na água (excelente negócio!!!). Uma boa dica é variar o máximo possível. Fizemos os lanches com queijo e mortadela. O ideal é fazer no mínimo 2 sabores para não enjoar. Também não tomávamos um café muito elaborado, pois acordávamos muito cedo para caminhar e nessa hora o apetite não é dos maiores. Sempre se hidratando o máximo possível. Carregávamos 4 litros de água por dia para cada um. Também ingeríamos algo a cada 1 hora, para sempre manter energia. · Primeiro dia: o Café da manhã no hostel: Bolo de queijo, diversas frutas, sucos e café (caprichado, pois estávamos com o carro ainda); o “Almoço”: lanche; o Jantar: Risoto de queijo, frango em pedaços e legumes. Tudo pré-cozido. o Petiscar: 4 barras de cereais, mix de castanhas, banana e frutas desidratadas, isotônico para hidratação e 2 Carb-Up em gel. · Segundo dia: o Café da manhã: 2 bisnagas com presunto e queijo e café; o “Almoço”: lanche; o Jantar: macarrão, molho vermelho, calabresa e bacon; o Petiscar: 4 barras de cereais, mix de castanhas, banana e frutas desidratadas, isotônico para hidratação e 2 Carb-Up em gel. · Terceiro dia: o Café da manhã: 2 bisnagas com presunto e queijo e café; o “Almoço”: lanche; o Jantar: macarrão alho e óleo, calabresa e bacon; o Petiscar: 4 barras de cereais, mix de castanhas, banana e frutas desidratadas, isotônico para hidratação e 2 Carb-Up em gel. · Quarto dia: o Café da manhã: 2 bisnagas com presunto e queijo e café; o “Almoço”: lanche; o Petiscar: 2 barras de cereais, mix de castanhas, banana e frutas desidratadas, isotônico para hidratação e 1 Carb-Up em gel. o Jantar na humilde residência XXX. Guia: Charles Llosa. Muito experiente na montanha, nota 10! - 35 9917 9001 Transfer: Leleco, gente boa, carro 4x4 (necessário) e pontual. - 35 9747 6203 Hospedagem: Hostel e Pizzaria Serra Fina. Falar com Felipe. - 35 99720 3939 Dúvidas só perguntar que respondo. Abraços.
  13. O meu relato de hoje é sobre uma experiência única de imersão em um deserto. Andar quilômetros descalça na areia, dormir em uma rede sob a luz das estrelas e ter uma visão única de um dos Parques Nacionais mais lindos do Brasil. A travessia dos Lençóis Maranhenses vai muito além de uma paisagem surreal, com suas dunas e piscinas naturais. Nesse relato vou contar como foi fazer a minha primeira travessia sozinha com a Peabiru! Esse roteiro combina aventura com turismo de experiência e já está disponível lá no site. Abaixo vou dar algumas dicas extras que podem te ajudar a tornar essa aventura inesquecível. Lençóis Maranhenses e a infinitude de um deserto O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses é o maior campo de dunas do Brasil. Seu diferencial são as mais de 7 mil lagoas que se formam entre as dunas, cada uma com a sua particularidade. São vários tamanhos, colorações e composições. Algumas são perenes e outras secam em determinada época do ano, uma vez que toda a água das lagoas é provenientes das chuvas. Segundo o ICMBio, o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses fica inserido no Cerrado, mas apresenta forte influência da Caatinga e da Amazônia. São 155 hectares (quase a mesma área da cidade de São Paulo!) que abriga ecossistemas frágeis, como a restinga, o manguezal e o campo de dunas. Cerca de ⅔ do parque é coberto pelas dunas de areia livre que se deslocam diariamente há mais de 5 mil anos. Segundo estudos, elas podem se deslocar até 10 centímetros em um dia de vento forte, que pode chegar a 70 km/h. Na época de chuva, quase não ocorre deslocamento, as intensas chuvas são absorvidas pela areia, elevando o lençol freático e enchendo as lagoas temporariamente. Certamente esse foi um dos fenômenos que mais me marcou nessa experiência, sentir na pele e ver com meus próprios olhos a formação e evolução das dunas. Em vários pontos da travessia o Geovanne indicou cajueiros, casas e comunidades que foram cobertas pelo avanço e movimentação das dunas dos Lençóis Maranhenses. Ele também contou sobre a formação dos cemitérios de florestas, onde toda a vegetação foi coberta pelas dunas de areia, as plantas morreram e agora a migração das dunas deixam em evidência diversos galhos secos e já sem folhas. Quando ir Embora muitos guias e sites indiquem a visita de Junho a Setembro, quando as lagoas estão mais cheias, eu acredito que cada época do ano traz uma vivência diferente nos Lençóis. Viajei para fazer a travessia dos Lençóis Maranhenses em Outubro, já no final da temporada. Muitas piscinas naturais já estavam mais secas, mas ainda assim tinham muitas paradas para mergulhar e pude conhecer lagoas incríveis. Em vários pontos foi possível passar “por dentro” de lagoas secas, o que torna o trekking um pouquinho mais curto e cria uma visão linda de cemitérios de florestas. Fiz a travessia em Outubro de 2020, durante a semana (quarta a sexta-feira) e tive o parque praticamente só para mim! Turismo de base comunitária e a vida nos Lençóis Maranhenses Existem vários tipos de passeios para visitar os Lençóis Maranhenses, mas sem dúvida a Travessia é o melhor atrativo. Os passeios tradicionais de 4×4 não podem acessar a zona primitiva do parque, onde está a maior diversidade de vegetação e aves. Os roteiros podem chegar até 7 dias, mas o mais comum são as Travessias de 3 a 4 dias. A visitação deve ser feita seguindo as regras de mínimo impacto e obrigatoriamente com guia cadastrado no Parque (fonte: ICMBio). Aqui na Peabiru temos dois condutores cadastrados no Parque, Geovanne (que foi meu guia nessa aventura) e Marcelo. Eles são amigos de longa data e trabalham juntos em muitas ocasiões. Cada um tem sua pegada e forma de vivenciar os Lençóis de uma maneira diferente. Cerca de 30 famílias residem nos dois Oásis, Queimada dos Britos e Baixa Grande. Durante a travessia, dormimos em verdadeiros em redes nas casas de moradores de comunidades locais. Lá somos recebidos com refeições simples, mas muito bem preparadas, sendo uma excelente experiência de interação com a comunidade tradicional. Uma das coisas que mais me marcou foi o carinho pelo qual o Geovanne era recebido em cada casa que visitamos. Deu para perceber que ele faz parte da família. Em cada lugar eles também perguntavam carinhosamente sobre o Marcelo. O Marcelo e sua família contribuíram muito para o desenvolvimento das comunidades locais. Eles ajudaram as famílias a estruturarem os espaços para receber visitantes, incentivando a renda das famílias através do turismo de base comunitária. Alimentação A alimentação nos oásis é simples, tem galinha caipira, peixe frito, macarrão, arroz e feijão. Se você quiser comer uma comida local, pode pedir para o guia solicitar carne de bode. Grande parte da comida vem ali mesmo do quintal dos moradores. No café da manhã tem cuscuz, tapioca, ovos e café, tudo incluso na diária. A travessia termina em Betânia, onde tive a oportunidade de comer a comida que mais me encantou em Lençóis Maranhenses: peixe com caju no leite de coco. Esse prato não estava no cardápio, mas é conhecido por todos os moradores locais. O Geovanne conversou com os donos do restaurante e conseguiu que eles fizessem especialmente para nós! Estava simplesmente sensacional! Se você é vegetariano ou vegano é importante avisar o guia com antecedência. Os anfitriões são flexíveis e podem preparar algo especial, mas precisam ser avisados o quanto antes para programar as compras e o cardápio. Roteiro e Dificuldade Se você nunca fez uma travessia, mas tem vontade, recomendo muito começar por essa! O ideal é levar uma mochila cargueira, pois ela se adequa e distribui melhor o peso. Mas a mochila vai quase vazia, pois a rede e as principais refeições são fornecidas nas comunidades locais. Na mochila você precisa levar apenas água, lanterna, kit de higiene pessoal, lanchinhos para a trilha, uma troca de roupa para dormir e um casaco, porque a noite costuma esfriar. Eu acabei levando também meu tênis, pois não sabia se sentiria dores no pé. Vi muitos relatos de pessoas com calos ou bolhas, mas eu tive sorte e não tive problema nenhum. Caminhei quase todo o percurso descalça mesmo e alguns trechos apenas de chinelo. O tênis foi um peso desnecessário que eu acabei carregando Um ponto importante é que a aventura deve ser feita em um único sentido: saindo de Atins e indo para Santo Amaro. Dessa forma, você sobe sempre as dunas na sua face mais suave e desce pelo chamado facão. Confesso que fiquei com medo nas primeiras descidas, pois era bem íngreme, mas a cada passo minha perna deslizava até o joelho dentro da areia, fazendo uma deliciosa massagem nos pés e na panturrilha. As descidas se tornaram um momento delicioso e divertido da caminhada. Eu imaginava que a areia seria super quente, mas não é. Devido a sua composição de quartzo, ela reflete o sol sem esquentar tanto. Também não sentimos muito calor porque o vento sopra constantemente. Claro que mesmo com o vento, o sol pega forte e é preciso tomar muito cuidado com a hidratação e a proteção. Em muitos momentos eu usei até a canga para proteger o meu rosto do sol. Outro ponto importante é que acordamos cedo todos os dias. A jornada começa antes do sol nascer, assim podemos caminhar com sol mais ameno, o que torna a caminhada menos cansativa. Também chegamos na casa dos nativos cedo, para aproveitar o almoço e depois temos a tarde para aproveitar o rio, as redes e o incrível pôr-do-sol nas dunas. Diário de bordo 1° Dia – Passeio pelo Rio Vassouras e 8 km de caminhada A travessia começa em Atins, mas o Geovanne já organiza todo o percurso para chegar lá. Partimos de Barreirinhas às 9h, em um passeio pelo rio Preguiças de voadeira, que são barcos motorizados. Nossa primeira parada foi Vassouras, onde vi a primeira lagoa. Um lugar lindo e muito conhecido pelos macacos que ficam soltos e pegam coisas dos turistas. Confesso que me senti um pouco mal de ver as pessoas alimentando os animais e incentivando o comportamento, apesar de os guias avisarem o tempo todo para as pessoas não fazerem isso e guardarem bem os seus pertences. Depois disso, paramos em Mandacaru, onde conhecemos o farol e tomamos uma água de coco. Almoçamos na praia do Caburé e, enquanto esperávamos o almoço, fomos ver o mar, do outro lado da estreita faixa de areia. Após o almoço partimos para Atins, onde fomos recebidos por um quadriciclo que iria nos levar até o início do trekking. Uma dica interessante é dormir em Atins nesse dia e começar a travessia no dia seguinte. Como eu tinha pouco tempo, não consegui conhecer essa vila que dizem ser muito aconchegante. Dizem que o Camarão do Antônio é algo imperdível! Começamos nossa caminhada era umas 16:00 e chegamos no Oásis Baixa Grande após o pôr-do-sol, pois decidimos parar para apreciá-lo. Nesse primeiro dia são cerca de 8 km caminhando, mas eu estava tão empolgada para começar que nem senti! Pernoitamos no redário da Dona Loza, uma senhora muito simpática e animada que fez um peixe delicioso. Não havia nenhum turista naquela noite, assim pude conhecer e tomar uma cerveja com alguns moradores de Barreirinhas que estavam ali para visitar as comunidades. Ali conheci o Índio, guia nativo que estava acompanhando uma amiga com suas filhas. Apesar de trabalhar durante a sua vida inteira como guia para os passeios tradicionais, ele nunca tinha feito a travessia. Como estávamos só nós 2, ele pediu para o Geovanne se poderia ir junto e, claro, topei na hora! O Índio foi uma companhia incrível e tirou as minhas melhores fotos! No final da noite o Geovanne fez uma pequena fogueira em uma área protegida e ficamos vendo o céu estrelado. Não olhei a hora, mas devo ter ido dormir às 21h. Foi a primeira noite que dormi na rede e achei super confortável. 2° Dia – 12 km pelo deserto No segundo dia acordamos umas 6:00 da manhã, o Geovanne tinha visto que eu caminho bem e deixou a gente acordar um pouco mais tarde. Tomamos café da manhã bem reforçado e começamos a nossa caminhada rumo ao Oásis Queimada dos Britos. Chego a ficar emocionada ao lembrar do sentimento de imensidão que eu senti caminhando pelas areias naquele dia, sem ver uma pessoa além do nosso grupo. Para cada lado que eu olhava era uma luz incrível, um movimento incrível e uma sensação de vida no deserto. Paramos em 2 lagoas para banho, sempre no momento exato que o corpo pedia um descanso e um refresco. Chegamos no horário do almoço na Queimada dos Britos e a comida já estava pronta para nos servirmos. Depois do almoço, descansei um pouco de baixo da árvore, na beira do rio que corta aquele Oásis. Um sentimento de paz e calma estar ali cercada de tanta vida. No final do dia fomos ver o pôr-do-sol e na volta paramos para tomar uma cerveja e uma Tiquira na casa de Seu Raimundo. Depois voltamos para jantar e dormir. Durante o trekking o Geovanne havia comentado várias vezes como gostava de dormir de baixo da árvore ali na Queimada dos Britos, mas eu não havia me animado ainda. Quando chegamos a noite para montar a rede vi que tinha MUITAAAAA barata no redário e fiquei em pânico. Decidi que dormir ao ar livre seria melhor que dormir ali onde eu tinha certeza que tinha muitas baratas. O Geovanne montou a rede para mim na beira do Rio e lá fui eu dormir sob o céu estrelado. Confesso que acordei muitas vezes durante a noite, com cada barulhinho. Em um dado momento, escutei até o jegue que foi pastar ali perto. Apesar disso ainda achei uma experiência inesquecível, que me deu coragem para dormir fora da barraca na Chapada Diamantina depois (um dia conto mais sobre essa experiência de bivak). 3° Dia – uma longa jornada de 19 km Saímos da Queimada dos Britos às 4:00 da manhã, com nossas lanternas acesas, contemplando o céu estrelado, um pouco mais tarde que o habitual. Ver o sol nascer nos Lençóis foi uma aventura fantástica, o céu foi ganhando vários tons rosa e roxo, trazendo muitas emoções em cada momento. Nesse dia eu percebi o sol ainda mais forte e o corpo um pouco mais cansado. Foram mais momentos em silêncio e reflexão do que aquilo tudo representava. As paradas para banho traziam uma renovação de corpo e de espírito. Acho que chegamos em Betânia umas 10:30 ou 11:00, onde a travessia do Rio Alegre marcava o final da nossa jornada caminhando. Uma nova energia e correntes de felicidade percorreram o meu corpo. Naquele dia ainda almoçamos o peixe com caju, que comentei antes e depois ainda demos muita sorte no transporte de volta. Pegamos um passeio tradicional de 4×4, onde tive a oportunidade de visitar mais duas lagoas. Elas estavam já bem cheias de pessoas e não era mais aquela paz que eu senti durante a travessia. Vimos ainda o pôr-do-sol na saída do Parque em Santo Amaro. Embora tenha sido um lindo espetáculo e despedida do parque, a quantidade de carros e de pessoas tirando fotos e fazendo poses chegava a me incomodar. Foi uma despedida com chave de ouro, pois me deu a certeza que fazer a travessia é a única maneira de ter uma experiência autêntica nos Lençóis Maranhenses. Outras Dicas Cuidados Eu fui sozinha fazer essa travessia, não tinha grupo e fui somente com o guia. Muitas pessoas ficaram preocupadas, e com razão. Infelizmente escutei diversas histórias de pessoas que se perderam e que foram com supostos guias que não conheciam o parque… Para uma mulher sozinha, isso se torna uma preocupação ainda maior. Vá com guias conhecidos e respeitados. Aqui na Peabiru você tem mais segurança, conhecemos pessoalmente os guias parceiros na Travessia dos Lençóis Maranhenses. Garantimos, dessa forma, uma experiência segura. Como chegar Eu fiquei em Barreirinhas, decidi ir para lá e fazer um voluntariado pela Worldpackers. Trabalhei durante 15 dias no Hostel Aquarela, foi uma excelente oportunidade para conhecer um pouco mais sobre turismo e a Bianca é uma excelente pessoa e gosta que os voluntários conheçam bem os Lençóis. Por isso ela super incentivou que eu fizesse a travessia e ainda me apresentou para o Marcelo, outro guia parceiro aqui da Peabiru. Para fazer a travessia aconselho ter como base Barreirinhas, que fica a 256 km da capital São Luiz. Para chegar lá você pode alugar um carro, pegar o ônibus ou a van que leva cerca de 4h. Recomendo agendar a van com antecedência, para garantir um lugar e já combinar onde ela te busca em São Luiz e te deixa em Barreirinhas. Existem outros passeios em Barreirinhas, inclusive dá para tomar banho no Rio Preguiças. Para isso vale a pena ir ao Centro Cultura da cidade, onde tem um bar com redes dentro do rio. Outro passeio gostoso é conhecer a casa de Farinha em Tapuio. Dicas Finais Leve apenas o essencial, você precisa de muito pouco nos Oásis Leve uma lanterna Leve dinheiro, você irá precisar para consumir bebidas na casa das famílias nativas Leve água e lanchinhos para as trilhas Traga todo o seu lixo de volta! Proteja-se do sol e da areia: use óculos de sol e dê-preferência para roupas de manga comprida, para não contaminar as lagoas com produtos químicos Use chapéu ou boné Leve um casaco ou fleece para a noite, pode esfriar bastante
  14. Este chalé fica em Solčava, Eslovênia (ver foto). Ele são muito populares nas áreas montanhosas, os menores são chamados de "hut" e os maiores "dom" e custam entre 17 e 30 euros, os preços variam de país para país. Eles estão espalhados por todas as montanhas da Europa, e uma coisa que quase todos os refúgios têm em comum é uma vista espetacular (como este da foto). A estrutura é muito semelhante a um hostel, eles têm quarto privado e quarto compartilhado, estão sempre cheios de montanhistas. Na maioria dos parques nacionais é proibido acampar e isso em toda Europa. A multa é salgada e os rangers ficam o dia inteiro a procura de barracas, inclusive com helicópteros. Se você vai para as montanhas tenha em mente que você terá que dormir nestas refúgios algumas vezes, pelo menos nas montanhas mais altas ou em parques nacionais. Dica para economizar Se você vai para as montanhas da Europa, não importa em qual país. Você pode se associar a ao clube de montanhismo e ganhar diversos descontos, inclusive em acomodação. O mais legal é que se tiver o selo de reciprocidade, você pode usar em qualquer país (foto 4 e 5). A maioria dos refúgios que eu fiquei custavam na faixa de 30 euros, com o cartão da associação eu pagava 15. Se você vai passar uma semana nas montanhas a 30 euros são 180, com o desconto você paga 105. São 75 euros, a anuidade varia de clube para clube (o da Eslovênia foi o mais barato que eu achei), paguei 30 euros. Você economizaria 45 euros. E quanto mais tempo maior a economia, vale a pena. Fora isso, você tem descontos em lojas de roupas e equipamentos entre outras coisas. O site para se associar a um clube de montanhismo na Eslovênia é: www.pzs.si Eu já ajudei centenas de pessoas com meu livro Liberdade Nômade, onde eu conto tudo que eu fiz e dou dicas para que você não passe nenhum tipo de aperto em suas viagens aprendendo com meus erros. Eu vou te mostrar que é possível viver viajando, independente do que você faz hoje ou sua idade. Dê o primeiro passo para a liberdade, clique no link abaixo: https://bit.ly/liberdadenomade2021 Tem um monte de fotos das minhas aventuras no instagram: https://www.instagram.com/rodrigoburle/ E não esqueça, dê o primeiro passo! Muito obrigado!
  15. Slovenska Planinska Pot, às vezes também chamada Transverzala, é uma travessia de Maribor até Ankaran. Abrange a maior parte das áreas montanhosas da Eslovênia, incluindo Pohorje, os Alpes Julianos, os Alpes Kamnik-Savinja, os Karawanks e a parte sudoeste da Eslovênia. Distância 617km com nada menos que 37.300 metros de subida acumulada. Umas das mais difíceis trilhas de longa distância que eu já fiz, porém uma das mais belas também. Oficialmente pode ser feita em 37 dias, eu demorei 42. Essa trilha passa pela montanha Triglav, símbolo nacional da Eslovênia (a montanha da bandeira nacional), 2864 metros, ponto mais alto da travessia. A Eslovênia é um país lindissímo, com montanhas por todos os lados. O povo é muito hospitaleiro, o que tornou este trekking uma aventura bastante prazerosa. Eles são simplesmente fanáticos por montanhas, é comum ver famílias inteiras escalando, desde o netinho até o avô. Existe um livro, tipo um passaporte, onde você coleta o carimbo em cada topo de montanha e é bem tradicional. Conversando com um senhor, ele me disse que praticamente todo Esloveno tem esse livro e que é uma tradição coletar todos os carimbos antes dos 50 anos. Ele também me disse que poucos conseguem, eu coletei todos em 42 dias. A maioria das pessoas não consegue não porque é difícil, mas por não ter tempo, o que me lembrou o quanto eu tenho sorte em ter liberdade geográfica e financeira. Eu comparo esse passaporte com a vida, onde cada carimbo é um sonho que você tem. Quantos carimbos você tem coletado? Comenta aí... Eu tinha várias desculpas para não realizar meus sonhos, sempre ocupado com trabalho, estudos ou qualquer outra coisa. Somente com 38 anos eu me dei conta que a vida voa e se você não sair do “automático” e começar a viver ela vai passar e você nem vai perceber. Felizmente nunca é tarde, não importa a sua idade, sua condição financeira, sua experiência, se você quer ter uma vida cheia de momentos incríveis e experiências transformadoras, vá viajar! Nada vai te proporcionar uma vida tão intensa e com propósito. Se você não sabe por onde começar eu escrevi um livro contanto tudo que eu fiz desde que sai do Brasil quase sem grana até me tornar um Nômade Digital. Acredito que vai te trazer bastante clareza de como é possível viver viajando. Vou deixar o link aqui: https://bit.ly/liberdadenomade2021 Muito Obrigado! 20200904_094216.mp4 20200906_073409.mp4 20200906_101058.mp4 20200908_130642.mp4 20200909_074100.mp4
  16. Pessoal, alguém tem indicação de guia que faz a travessia a pé nos Lençóis Maranhenses? Muito obrigada.
  17. Costurando Nossa aventura começa ao acaso, não que nunca planejássemos percorrer a Serra Geral Catarinense, mas não estava nos planos de 2020. No entanto, uma tal de pandemia resolveu estancar nosso planejamento, e aos 45 do segundo tempo conversando com um amigo de Tubarão resolvemos seguir para essa região pouco frequentada. De início achei que não conseguiria, o primeiro contato com o pessoal da região assustou, uma agência enviou um orçamento de rei, junto de uma ameaça; argumentava ser a única a ter acesso à região, de outra forma eu nem deveria tentar ir. Passado o susto, conversei novamente com meu amigo que me disse ser possível fazer sem agência sim. Então comecei a garimpar. Acabei encontrando o relato aqui no mochileiros do Marlon procurei ele, que foi baita parceiro e me passou contatos dos donos da fazendas e dicas da região. Fim de agosto e lá fomos nós, eu e a Bruna. Como não consegui autorização com uma das propriedades (que fica em um ramal da travessia), e também não consegui mais companhia resolvemos inovar e fazer um circuito na região saindo do Cânion Espraiado indo até o Lageado e retornando ao ponto de partida. Pagamos pelas autorizações R$ 200,00 em duas pessoas para permanecer nas terras 3 dias. Negociamos no Espraiado estacionar lá durante a travessia, sem custo. Se hospedaríamos lá por 2 noites depois. O Tempo Fechou Saímos no dia 29/08 às 08:00 da manhã, dia limpo, coisa linda. Logo de início a subida é pesada, e para piorar a trilha é em meio a pedras de todos os tamanhos até a Montanha do Infinito. Lá de cima dava para avistar no horizonte os Campos reluzentes a alguma milhas de distância. Mal conseguíamos esperar ansiosos por caminhar naquelas banda sob um céu limpo e noite estrelada. Os primeiros 6 km foram tranquilos, em meio a mata de araucárias, por uma trilha (estrada antiga abandonada), basicamente um declive. Nesse trecho a única dificuldade são as pedras soltas e os vários canais de água e lagos onde os búfalos (existem muitos na região) tomam seus banhos. Avistamos duas cachoeiras distantes em meio a mata, até aí acreditamos que iríamos passar nelas. No entanto me contaram que algumas dessas provavelmente nunca ninguém foi até lá (eu filmei uma com o drone na volta, corre no youtube que tem lá). Depois do km 6 a coisa complica, subidas longas com pedras soltas, um descuido e o tornozelo já era. Em vários trechos a trilha some e se confunde com carreiros dos búfalos, fácil se perder e parar nos perais dos cânions. Depois dos 10 km a trilha bifurca para a Grande Cachoeira do Canoas e Casa Azul. Seguimos para a cachoeira. A trilha some em meio ao banhado e as vassouras (vegetação baixa e de muitos galhos). Adentramos um trecho de mata com muitas araucárias, trecho em que encontramos os proprietários das terras montados em cavalos e acompanhados por cães enormes. Eles ainda insistiram que passássemos no rancho para um café, porém nosso tempo não permitiu. A essa altura o tempo já fechara, a viração tomava conta. Tivemos dificuldade para achar a cachoeira, houve um incêndio recente ali, e a trilha havia desaparecido por completo, só restara as vassouras e com a viração não dava para ver o horizonte. Na primeira investida fomos surpreendidos por um perau de uns 400 m, ouvindo a queda tentamos progredir pela borda, mas a mata se fechou deixando a situação arriscada. De volta nas vassouras demos mais uma investida e poucos metros a frente se abriu um campo baixo e pudemos avistar a queda superior. A queda maior só avistamos de relance, como a hora já havia adiantado, e o tempo pegando escolhemos não se arriscar muito nas bordas do cânion. Retomamos a caminhada, consultando o mapa a cada 30 min. 2 km e saímos nos campos, a caminhada ficou mais fácil. Até a Casa Azul abandonada é possível identificar a estrada antiga. O lugar é mágico, cercas de taipa, o Canoas, a cabanha, o cemitério, e aquele cenário todo coberto pela névoa, de tirar o fôlego e insinuar miragens. Descemos e acampamos do lado do rio. Como o fogo passara por ali também, não foi difícil achar um descampado para dormir. Apagamos fácil depois dos 22 km, e a noite gelada e úmida num breu total envolvida pela neblina. No dia 2 começamos cedo, às 06:15 já estávamos encharcados em meio a vegetação rasteira. Com alguma dificuldade chegamos às bordas da Serra, a visibilidade variava entre 100 e 50 metros. Mesmo perante as condições climáticas que encontramos a imponência dos cânions impressiona e assusta, com uma visibilidade ruim dessas seria um terror acabar ladeira abaixo. Seguimos pelo vale da nascente do Canoas. Alguns quilômetros à frente estávamos novamente nas partes altas, contornamos o Morro do Campo dos Padres e descemos para a Cachoeira do Rio Campo Novo onde paramos. Devido as péssimas condições do clima (a visibilidade agora não chegava a 30 m) e o horário já adiantado, resolvemos esconder as cargueiras e seguir até o Morro da Bela Vista do Guizhoni (1804 m) o terceiro mais alto do Estado, retornando sem ir até o Lageado. Subir o Bela Vista não foi fácil, cerca de 2 km, parte em uma carrasqueira de pedras e a outra em meio ao charco dentro da mata nebular, sem trilha demarcada, foi um banho por completo, nem a roupa impermeável deu conta. Atingimos o pico, idos meio-dia. E o clima só piorava, uma pena, não conseguimos ver nada. Retornamos sob as mesmas condições, a única diferença foi que durante a descida houve um relapso no tempo e pudemos enxergar o horizonte, foi incrível. De volta nas cargueiras, retomamos a marcha para o Morro da Boa Vista (1824 m, o mais alto do Estado e o terceiro do Sul do Brasil). A volta até a Bifurcação perto do Morro do Campo dos Padres foi mais tranquilo, já conhecíamos o traçado, o que facilitou bastante. Afinal, nesse dia foi ainda pior a navegação. A trilha não é definida, existem muitos caminhos de vaca e muita variação do relevo, como não dava para ver na cortina de névoa seguimos o relevo, nas vezes que tentei seguir por trilhos quando consultava o mapa já havíamos saído consideravelmente da rota. De início tentei me referenciar durante as curtas aberturas entre as nuvens, mas logo percebi que aquela oscilação mudava a paisagem e nós acabávamos seguindo pontos de referência distintos (muito parecidos), o que nos levava a se perder. Depois de passar por um longo campo de turfas chegamos de volta à bifurcação. Largamos as mochilas e atacamos o Morro do Campo dos Padres, subimos rapidinho, e quando olho no mapa, puts, errei. Viro pro lado e com atenção percebo uma sombra medonha em meio ao branco da viração. Se jogamos, a subida é hard, um paredão 60º forrado de gramíneas, uma subida engatinhando, o mais incrível é que só víamos o paredão mal enxergamos um o outro. 30 minutos e uns 400 m percorridos com elevação de 300 m, chegamos no céu, kkkkkk. Mal víamos os arbustos do entorno, mas estávamos lá, o mapa confere dessa vez. Descemos ladeira abaixo, literalmente. E partimos para o Boa Vista, pela carta de navegação, caminhamos por uma crista (meio larga) cerca de 1 h e 30 min, sempre que chegávamos no pé de algum cume ficávamos animados por ter chego. Ao consultar o mapa, era falso. Foram 3 falsos cumes e meio a visibilidade negativa, isso acabou com a graça da chegada. Depois de subir o verdadeiro levamos uns minutos conferindo a carta para comemorar com certeza a chegada. Montamos acampamento no cume sob um vento de 60 km/h, parecia que a barraca iria decolar. Entocados na barraca, dormimos igual pedra (foram mais 21 km nesse dia). Passou a noite ventando forte e tomado pela neblina, esta amanheceu implacável (de novo, hshs) no dia 3. Levantamos acampamento e seguimos pelo sul do Morro para o vale do Canoas. Em meio dos charcos e turfas. Passamos por muitos córregos e em um dos vários cânions que se formam por ali encontramos três cachoeiras vizinhas. Saímos novamente na trilha dos índios, margeando a borda da Serra Geral. Mais uma vez não vimos nada. Cortamos o Campo dos Padres tomando a trilha por trás da casa azul. De início foi fácil segui-la. Mas não demorou muito até se perdermos e passar 40 min caminhando nos caminhos de búfalos das encostas até avistar lá embaixo um pedaço da antiga trilha. Descemos aliviados, os pés ardiam, A Bruna com bolhas arrastando-se. Paramos para almoçar e furar as bolhas, só assim para continuar. Estávamos novamente na trilha demarcada e o tempo abrira, víamos as araucárias imponentes ao nosso lado e no horizonte por vezes vimos a silhueta da montanha infinita. Seguimos, carrasqueira a frente. Eram já 18:00 quando pisamos na estrada que leva ao Rancho do Cânion Espraiado. Chegamos no rancho exaustos, molhados e com um vento de mudar cavalo de invernada. Não fosse a hospitalidade do pessoal do Espraiado, deixar acamparmos dentro do celeiro, teríamos uma noite conturbada. Durante a madrugada as rajadas davam a impressão de que o próprio celeiro iria tombar. Agora que estávamos de volta, no dia 4 amanheceu limpo e pudemos aproveitar as vistas do Cânion Espraiado (fica para o próximo relato).
  18. Bom dia. Estou juntando um pequeno grupo de amigos para fazer uma viagem até os EUA. Só que de ônibus. Iremos comprar um ônibus e ir dirigindo até os EUA, porém, encontramos apenas um problema: a travessia para o Panamá. Alguém saberia nos ajudar? Vimos na internet que quem faz essa viagem deixa o carro em uma balsa e segue de avião até pegar o carro de novo, mas como vamos de ônibus, não sabemos se a balsa suporta tal veículo. E se suportar, gostaríamos também de saber qual empresas fazem esse tipo de serviço, para entrarmos em contato via email. Obrigado desde já.
  19. Fala galera! Esse é meu primeiro post aqui no site, e queria saber quem esta na vibe de fazer uma travessia de Mendoza até Santiago. Provavelmente entre os dias 1 e 8 de março de 2020. Estarei fazendo mochilão de Buenos Aires até o Atacama, então estou flexível quanto ao dia da travessia. Interessados podem enviar um email para lucas.bt.sm@gmail.com.
  20. Fala pessoal, trazendo mais um relato pelo litoral baiano, dessa vez um pouco mais ao sul. O trecho que fiz saindo de Itacaré em direção a Barra Grande me motivou a fazer outro logo! hehehe (http://www.mochileiros.com/itacare-algodoes-a-pe-t141705.html) Idealizei essa travessia desde o carnaval, para realizar em abril, coincidindo com as férias, e fazendo um planejamento simples, por se tratar de um trecho curto. Serra Grande fica situada entre Ilhéus e Itacaré, e é uma pequena cidade que tem se desenvolvido mais atualmente, com surgimento de empreendimentos e inciativas com uma abordagem mais ecológica. Assim como toda a região, tem muitas opções de aventura, atividades ao ar livre e em contato com a natureza, oferecendo paisagens paradisíacas de rios, cachoeiras, costões rochosos e praias desertas. PLANEJAMENTO Idealizei fazer esse trecho saindo do pé da serra e contornando o costão rochoso pra então seguir pela areia até a praia da Engenhoca ou Jeribucaçu, isso tudo me baseando em muita pesquisa, vendo alguns vídeos do local no YouTube, imagens de satélite no Google Maps e fotos que procurava pela internet. Morei em Ilhéus minha vida quase toda e frequentava muito Itacaré, sempre de passagem por Serra Grande, mas nunca atento aos detalhes que eu precisava saber pra fazer esse trecho, principalmente do costão, (grau de declividade, distância "caminhável" entre a encosta e a água durante a maré seca, regularidade do solo nas rochas, entre outros) e, por esse motivo, o contorno do costão foi na completa aventura, já que essas pesquisas não me davam noção exata desses detalhes e não conheço ninguém que pudesse me dizer, me precavendo apenas com um tênis, que foi essencial! Entretanto, caso não fosse possível fazer esse trecho, subiria Serra Grande e desceria a trilha pro início da praia, local que inclusive já fui há um tempo. Pelo Google Maps/Earth, o trecho do pé de serra até Jeribucaçu deu um total de 16,3Km. Tinha observado um rio pequeno desaguando no trecho (Barra do rio Tijuípe) e, assim como qualquer caminhada de praia, é imprescindível que saiba a maré ideal pra o local que vai, que nesse caso seria seca. Isso pode evitar perrengues ou complicações (que vou citar a seguir! hahaha). Apesar de o trecho ser relativamente curto, não tenho costume de fazer grandes caminhadas e não sabia se dormiria no caminho ou se daria pra terminar em um dia, então levei a barraca. Como sempre tem muuuito coqueiro, acredito que fazer um trecho desse com rede e cobertura (lona, tarp...) deve ser uma boa, já que reduz o peso e volume da mochila. Além disso tudo, como já conhecia o início da praia, sabia que teria pelo menos um trecho de praia com declividade grande e areia grossa fofa (praia predominantemente refletiva), sabendo que seria hard caminhar nessa condição! ORGANIZAÇÃO De férias em Ilhéus, já tinha visto com muita antecedência o dia bom com maré seca pela manhã, para ter mais área de areia pra caminhar e um amigo iria comigo, mas cancelou na noite anterior ao dia combinado. Fiquei no impasse de ir sozinho ou cancelar de vez, mas a vontade era muita e me organizei pra ir sozinho no dia seguinte ao combinado. Consegui carona com outro amigo e tudo foi dando certo pra fazer nesse dia mesmo. Estava com uma cargueira de 35L. (Não levei minha câmera dessa vez, e a GoPro afogou uma semana antes, num acidente enquanto surfava . As fotos ficaram por conta do celular mesmo). CAMINHAR! A minha carona avisou que sairíamos de Ilhéus às 7h, me animei porque saindo essa hora a programação com o horário da maré ia encaixar tranquilo, entretanto acabamos saindo mais tarde, aproximadamente às 8h30. Chegando no pé de serra, me preparei e saí: camisa de manga comprida, óculos escuro e tênis! Do jeito que era acidentado, se caminhasse no costão descalço, chegaria sem pé . Saí às 9h50. O costão é acidentado em praticamente todo o contorno, mas em alguns trechos tem trilhas mais acima, que ficam na parte com grama, no pé dos coqueiros, inclusive já mostrando que passa gente por ali com certa regularidade, porque a trilha é bem marcada, provavelmente pelos pescadores que vi. Em algumas partes, caminha-se em parede quase vertical, e o "bastão de caminhada" (cajado de madeira hehehe) que achei no início me ajudou muito no apoio. A maré já estava cheia a um ponto considerável e cheguei a tomar alguns "sprays" das ondas em trechos mais estreitos, mas nada que pusesse a caminhada em risco, é sempre bom prezar pela segurança, ainda mais sozinho! Depois de andar mais um pouco sobre as rochas, surge um caminho bem fechado entre palmeiras baixas, que seguia até uma pequena praia onde vi algumas pessoas chegando e que aparentemente não tem acesso difícil, seguida por um grande gramado liso com coqueiros espaçados (gramado perfeito pra um camping! haha). Mais à frente, algumas piscinas naturais se formam entre as rochas, o visual é sempre convidativo e é tentador parar em cada lugar pra curtir um pouco. Depois, mais uma pequena (essa é beem pequena, com uns 10m de extensão!) praia paradisíaca com cara de cenário de filme/série, onde tinha uma família (4 pessoas), aparentemente da comunidade de Serra Grande, pescando. Dali pra frente, só mais um pequena parte e acabou o costão rochoso. O contorno do costão foi um trecho curto, mas bem puxado! Havia um pescador no início da praia, e era visível também muitos pontos de desova de tartaruga. Caminhei uns 100m até um lugar bom pra parar, me hidratar e comer algo pra então sair e iniciar a grande caminhada pela areia. Alguns metros depois, uma lagoa espelhada se destacou mais pra trás, muito bonita e parece ser um bom lugar pra acampar. Daí pra frente, o trecho segue praticamente o mesmo, com algumas casas bem grandes, mas vazias, dunas pequenas sempre beiram a praia e segue assim praticamente até chegar ao rio. Em cima das dunas se vê muitos mandacarus, e alguns tinham frutos que eu, com certeza, peguei pra comer! Quem conhece sabe como é bom e deve imaginar como foi bom esse achado! hahaha (importante não comer nenhum fruto se não conhecer! É melhor morrer de fome do que de envenenamento ). O RIO! Quando cheguei no rio tomei um susto! Tinha chovido um pouco nos dias anteriores, mas não imaginei que tivesse aquela intensidade de fluxo...pra dentro do rio! A maré estava enchendo e as ondas quebravam e entravam com força. A travessia era bem curta,15 a 20m. Dois pescadores estavam jogando tarrafa no rio e ainda de longe vi que um deles estava atravessando com água quase no pescoço e dava algumas braçadas pra conseguir andar e vencer a correnteza. Do lado de cá, chamei eles e gesticulei com a mão, perguntando em que altura estava a água, quando um deles fez o nível acima da cabeça. Nessa hora, tive uma breve certeza de que acamparia do lado de cá do rio, pra na manhã seguinte, na maré seca, atravessar e continuar. Larguei a mochila na beira e resolvi checar por conta própria, dando uma analisada visualmente antes, pra ver onde parecia estar mais raso. A correnteza estava forte, a areia era fofa e afundava o pé até um pouco acima do tornozelo e as ondas não paravam de entrar, andei até a metade e atravessei o resto com ajuda de braçadas, assim como o pescador. Do outro lado, dei uma olhada melhor, fui mais pra frente, voltei, fui de novo, olhei, olhei e atravessei traçando uma diagonal até o outro lado, dessa vez com a água no peito, chegando ao ombro. Dei uma pensada e confesso que quaase fiquei por ali mas, além de ter achado um local mais raso pra atravessar (mas ainda assim arriscado), ainda era cedo, 12:10! Única coisa que estragaria realmente se acontecesse de molhar a mochila acidentalmente, seria o celular, pois o resto era "recuperável" (claro que seria terrível molhar a barraca, mas é mais fácil de enxugar e recuperar). "Embrulhei" o celular em duas sacolas plásticas, pensei mais um pouco e resolvi atravessar segurando a mochila acima da cabeça pelo caminho que tinha traçado. Sim, deu tudo certo, mas foi bem hard hahaha, a mochila estava com um peso considerável, e todos os outros fatores dificultaram bastante também. Atravessei e deitei na água na "lagoa" que se formava do outro lado, muuuito boa pra tomar banho e além dos pescadores na beira do rio, só estavam duas meninas com uma mulher tratando uns peixes, à qual pedi pra tirar uma foto minha . (link com um vídeo curto que fiz do rio, depois de atravessar: ) -Observação 1: muito importante analisar as condições do rio, bem como do local e o seu preparo e conhecimento de corrente, maré e etc., PRINCIPALMENTE ESTANDO SOZINHO. O risco de se afogar existe até para os mais experientes mesmo nas condições mais desprezíveis e a análise dos riscos podem livrar de um perrengue. Além da correnteza jogando para dentro da lagoa do rio, a profundidade era pouca, tenho boa natação, não atravessei preso à mochila (poderia largar para nadar) e haviam pessoas ali. Na dúvida, é melhor não arriscar! -Observação 2: por mais que tenha visto a desembocadura do rio pelas imagens do Google Earth, esse ambiente tem um perfil que está constantemente sujeito a mudanças causadas pelas forçantes locais como: ondas, maré, fluxo do rio, entre outras. O perfil que encontrei lá pessoalmente, já estava BEM diferente do que observei pelas imagens então, é bom estar preparado para isso (olhando as imagens históricas do Google Earth, vi que nas imagens de 2010 a desembocadura chegou a ter aproximadamente 100m de uma margem à outra, aparentemente com uma profundidade considerável, condição praticamente impossível de atravessar sem ajuda de um barco ou algo do tipo!). Dessa parte em diante, a praia já fica menos inclinada e em vez de dunas, uma mata fechada com muitas palmeiras e coqueiros beirava a praia, e seguiu assim até chegar num "morro" pequeno que debruçava na água, com um riacho na lateral (um pouco antes disso, vi um esqueleto de baleia realmente grande!). Comecei a subir o morro por uma trilha, que tinha uma cerca com uma passagem, mas na dúvida se também teria passagem do outro lado, resolvi voltar e contornar por baixo. Depois de contornar o morro, um coqueiro baixo com um cacho de cocos chamou minha atenção e não resisti em subir e tirar: bebi muita água de coco e segui. Nessa parte depois do morro, tinha também uma cerca com uma propriedade imensa com uma casa e até alguns cavalos pastando! A partir daí, algumas casas de alto nível, depois o resort Txai e a praia de Itacarezinho, onde vi que não tinha possibilidade de contornar o costão rochoso para a Engenhoca, porque tem uma declividade muuito acentuada. Me informei da trilha que sai dali para a Engenhoca, tomei um banho gelado na bica e segui. Nunca havia feito essa trilha de Itacarezinho pra Engenhoca, e é uma trilha bem fácil e bonita. Antes da Engenhoca, ainda se passa por duas praias, a primeira (pelas pesquisas, o nome parece ser Camboinha) estava deserta, e a segunda é a Havaizinho, conhecida, que tem estrutura bem simples de barraca de praia, dali pra Engenhoca é um pulo, mais dez minutos e finalizei o percurso na Engenhoca mesmo, às 15h15, totalizando 5h25 de percurso. Já era fim de tarde e cheguei à conclusão que não valeria a pena dormir ali para no outro dia só fazer o trecho até Jeribucaçu. Atualização: fiz uma estimativa do tempo parado, me baseando em fotos que havia feito na hora de cada parada longa e quando voltava a caminhar. Como além das paradas longas parei algumas vezes rapidamente pra tirar fotos e não contei o tempo, estimei um tempo somando cada foto. A soma das paradas longas totalizou 1h10min, mais uma estimativa de 20min das paradas curtas, resultando aproximadamente 1h30min de tempo parado. Dessa forma, o tempo efetivo de caminhada estimado foi de 3h50min. Considerando a distância do percurso como 15Km, a velocidade média foi de 3,9Km/h. Espero conseguir comprar meu GPS logo pra ter essas informações de forma mais prática e exata! O QUE APRENDI NESSA TRAVESSIA: -Nunca tinha usado "bastão de caminhada" e foi muito útil não só no costão rochoso mas também na praia; -Em casos como esse, trocar a barraca por uma rede e cobertura talvez seja ideal; -Acondicionar as coisas em sacos estanques dentro da mochila é realmente importante, ficaria menos preocupado no caso do rio, por exemplo; EQUIPAMENTOS USADOS: -Curtlo Highlander 35+5L -Azteq Nepal 2 (não usei)
  21. Bom dia pessoal ! Estamos indo para serra fina dia 16 de março de 2020! Se alguém conseguir ajustar as datas pra ir junto seria legal, por enquanto vamos em três pessoas, eu e minha namorada e mais um amigo nosso! Faremos no formato clássico de 4 dias, podemos nos encontrar em Passa Quatro-MG. Se alguém quiser embarcar conosco nessa aventura, será muito bem vindo!! Meu número é 45 99961-3741 Mayki 🙏
  22. Bom dia pessoal ! Estamos indo para serra fina dia 16 de março de 2020! Se alguém conseguir ajustar as datas pra ir junto seria legal, por enquanto vamos em três pessoas, eu e minha namorada e mais um amigo nosso! Faremos no formato clássico de 4 dias, podemos nos encontrar em Passa Quatro-MG. Se alguém quiser embarcar conosco nessa aventura, será muito bem vindo!! Meu número é 45 99961-3741 Mayki 🙏
  23. Olá, sou novo aqui no fórum e vi um artigo interessante de uma travessia, porém fiquei na dúvida se essa travessia precisava de alguma autorização ou guia, então espero que alguém já mais experiente ou conheça essa travessia puderes me ajudar, artigo que eu olhei link.
  24. https://chat.whatsapp.com/Ks6BieKQLhb2hNOoMsfmLu Estamos com um grupo no wpp, a principio será dia 13,14 e 15 de Março!
×
×
  • Criar Novo...