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  1. Salve, pessoas! Vou trazer aqui pra vocês um relato com a minha experiência sozinho e sem carro na Chapada Diamantina e no Vale do Pati, que rolou agora em julho. Antes de mais nada eu queria dizer que fui pra ficar 5 dias e fiquei 12. E aviso que pra quem tem flexibilidade de datas provavelmente fará a mesma coisa hahahaha. Fiz Rio-Salvador, mas por motivos promocionais cheguei na capital baiana somente as 3hrs da manhã. O ônibus só saia as 7 da manhã da rodoviária, então fiz o que qualquer pessoa normal faria: dormi no aeroporto pra fazer hora. Infos sobre o ônibus: Ele faz Salvador-Seabra e custa uns 90 reais, com paradas em algumas cidades antes, mas na Chapada ele para em Lençóis (+-8hrs de viagem e que é a principal cidade) e Palmeiras (+-8h30). Eu comecei minha viagem pelo Vale do Capão, então desci em Palmeiras e peguei um carro que faz Palmeiras-Capão pelo valor de R$ 15-20 reais (depende da quantidade de pessoas). A viagem dura cerca de mais uns 30 minutos em uma estrada de terra batida. O Vale do Capão é bem pequeno, porém é incrível a vida ali, eu notei algo diferente e eu não sabia o quê, até que me disseram ser ali a principal cidade do Brasil em Theta Healing, e descobrindo o significado, me fez sentido. Não sei se essa info é verdade, se alguém puder/quiser confirmar.... Fiquei 2 dias e meio lá, como cheguei tarde no primeiro dia só fiz o reconhecimento da cidade e comi algo. No dia seguinte me juntei com um cara e uma alemã que estavam no hostel e fomos fazer a trilha da Cachoeira Angélica e da Purificação (são contínuas). A trilha não é difícil porém em alguns pontos você perde o caminho, já que precisa cruzar o leito do Rio. Usamos o Wikiloc e ainda assim em 1 ou 2 pontos tivemos dificuldades para achar a direção correta, mas nada grave. Particularmente eu acho que pra pagar guia/agência não valeria a pena, as cachoeiras são legais mas não impressionam tanto. No segundo dia eu fechei de fazer a Cachoeira da Fumaça, tida como a maior do Brasil com seus 340 metros de queda. Dá pra fazer sem guia mas eu penso que contratando um, a gente colabora pro desenvolvimento local e contribui para manutenção dos lugares etc, além de claro, gerar emprego. Esse rolé tbm sai de Lençóis, porém sai mais caro. A trilha tem 12km (ida e volta) e uma subida inicial de 2km, depois fica tranquila. A foto clichê de lá é deitar-se sobre uma pedra pontuda e angular a foto pegando a cachoeira. Bem, eu dei "um pouco" de sorte e consegui um arco-íris completo na minha vez! No dia seguinte peguei a van de manhã e retornei para Palmeiras, onde peguei o ônibus para Lençóis. Eu tinha na cabeça que queria fazer, além dos pontos principais que saem de Lençóis , a Cachoeira do Buracão e a Fumacinha, ambas em Ibicoara (Sul da Chapada, sendo que Lençóis fica no Norte). Chegando já fui atrás das agências para ver se teria. Buracão é mais tranquilo encontrar e até saem passeios de bate volta de Lençóis, mas se passa mais tempo dentro do carro do que na trilha e cachoeira. No dia seguinte fechei de fazer Gruta da Lapa Doce + Gruta Azul + Pratinha e Pai Inácio. O tempo estava ótimo e o Por do Sol no Pai Inácio foi o mais incrível que já vi! Gravei o time lapse com a gopro mas deu algum erro e perdi, mas na memória a gente nunca esquece. Na volta desse dia acabei conseguindo um passeio de 3 dias com a Eco Por do Sol, que incluiu Buracão, Fumacinha e Poços Encantado e Azul, paguei um valor que considerei justo antes de ir, e de baratíssimo quando voltei após conhecer esses lugares surreais. Inclusive recomendo demais a agência, o Vitor, dono, se importa demais com os clientes e busca a todo tempo ajudar e trocar feedback. A cachoeira do Buracão é demais! Imponente, a queda forte faz uma correnteza de assustar hahaha. A trilha por si só já é linda também, ótimos lugares para belas fotos e apreciar a natureza. Na volta, dormimos em Ibicoara mesmo, para no dia seguinte fazermos a Fumacinha. Ficamos na hospedagem da Bia, são 3 quartos super confortáveis, todos com cama de casal e uma de solteiro. A Bia tbm oferece janta e café da manhã e a comida é deliciosa. A cachoeira da Fumacinha é considerada por mt gente como a trilha de 1 dia mais difícil da Chapada. E realmente é difícil, além dos 18km ida e volta, a maior parte andando (e pulando) pedras, mas há ainda escaladas verticais em alguns pontos, e no último trecho para ter acesso a ela se escala na fenda, de lado por uns 10 metros. É a parte mais difícil na minha opinião. A cachoeira fica no final de um cânion e a gente anda o tempo todo rio a cima dentro dele. O visual da trilha é demais e tem de tudo! Até colméia de abelha africana que requer silêncio absoluto na passagem rsrs. Na foto eu to de casaco por motivos de: a água é super gelada e ali não bate sol, ou seja, faz um frio absurdo (recomendo levarem também) A minha estadia na Chapada que já tinha se estendido de 5 para 9 dias ainda teria mais uma alteração: Durante esse último passeio conheci uma menina que faria a Travessia do Vale do Pati de 3 dias tbm com a Eco Por do Sol. Ela me convenceu a ir e eu a agradecerei pra sempre hahaha. Pois bem, chegamos cerca de 17hrs desse passeio a nossa saída pro Vale do Pati já seria no dia seguinte, então só deu mesmo tempo de comer algo, arrumar as mochilas e descansar. Bom, na Travessia do Vale do Pati normalmente nos hospedamos nas poucas casas dos moradores ainda da região, mas que estão devidamente estruturados para receber o turismo. Ficamos todos os dias no lugar conhecido como "Igrejinha", mas é comum também mudar diariamente a hospedagem a depender do que se fará. Sobre a Travessia: Inicíamos em Guiné as 10hrs da manhã e chegamos por volta das 15hrs. Deu tempo ainda de irmos até a cachoeira do Funis e revigorar o corpo e alma numa água gelada. No dia seguinte amanheceu um pouco fechado e achei o dia mais difícil de caminhada, com a subida do Morro do Castelo. No Castelo tem de tudo: andar no plano, travessia de rio, subir mata a dentro, escalar pedras, atravessar cavernas....enfim! Mas mais uma vez o visual recompensa. No último dia andamos rumo ao Cachoeirão, que pra mim foi a melhor vista de toda a viagem. O acesso em si não tem grandes dificuldades, mas a distância percorrida é a mais longa de todas (acho que no dia inteiro se anda ali cerca de 20km). A volta do Cachoeirão para finalizar a travessia durou umas 4 horas ainda, com 90% desse tempo com o sol na cara, andando em meio aos gerais (como são chamadas as planícies) que por vezes eu parava e olhava em 360° e pensava: eu to no meio do nada! hahahaha Finalizamos a Travessia já no fim da tarde, escurecendo. Ao todo andamos cerca de 50km em 3 dias, com muitos trechos bem difíceis e cansativos, mas tudo totalmente recompensado a cada fim de dia. Retornamos para Lençóis as 20hrs e meu ônibus saia as 23h30. Fim de viagem e o pensamento de retornar para a Chapada já está na minha cabeça, afinal aquele lugar é o mundo e ainda falta muita coisa linda pra descobrir. Bem, é isso. Capaz de eu ter esquecido de algo mas posso tirar dúvidas caso tenham, é só deixar msg aqui. No meu instagram tem mais outras fotos no feed (e ainda postarei bastante coisa da Chapada) e mais um monte nos Destaques: @danielcorreat_ Podem tbm deixar as msgs por lá. Espero que tenha ajudado quem pretende conhecer a Chapada, e quem ainda não conhece, só vai! O lugar é mágico!
  2. Olá pessoal, esta será a minha primeira viagem fora do país, meu inglês é bem fraco e espanhol é apenas o que eu aprendi assistindo a Usurpadora e Maria do Bairro kkk, da um pouco de medo, mas let it go! Vou ir deixando registrado aqui o que estou planejando para o meu mochilão, talvez sirva de ideia para algumas pessoas e super aceito dicas também. Muitas coisas do que eu estou planejando tem como referência depoimentos e dicas que li na internet. As passagem de avião pesquisei pelo app KAYAK, o app mostra os dias mais baratos para viajar e isso ajudou bastante. Também fazei viagem de ônibus, deixarei o link dos locais que comprarei as passagens. Trajetos: Avião Dia 24/02 - São Paulo (GRU) ---> Buenos Aires (EZE) chegada 09:55am Dia 27/02 - Buenos Aires (AEP) ---> Ushuaia (USH) chegada 08:10am Ônibus 29/02 - Ushuaia ---> Punta Arenas 55,37 DÓLARES Saída 9am Chegada 19:30 pm 29/02 - Punta Arenas ---> Puerto Natales 11,88 DÓLARES Saída 21pm Chegada 00:15 am 03/03 - Puerto Natales ---> El Calafate 23,72 DÓLARES Saída 7:30 am Chegada 13:30 pm 06/03 - El Calafate ---> El Chalten Saída 8 am Chegada 11am 10/03 - El Chalten ---> El Calafate 152,38 reais (ainda vou decidir o horário) Avião 10/03 - El Calafate (FTE) --> São Paulo (GRU) As passagem de avião ficaram em torno de 1860 reais incluindo uma bagagem de mão e uma mala. Hospedagem Eu escolhi hostels pelo booking, dando preferência para os que serviam café da manhã e eram próximos de rodoviárias. Agora só preciso me organizar para fazer um roteiro de passeios e trilhas.
  3. Período: 15 a 19/11/2017 (período chuvoso) Cidade-Base: Caiapônia/GO, a 550 km de Brasília e 335 km de Goiânia. Relato escrito pela companheira de viagem Maria Fernanda. Fiz só algumas pequenas adaptações. Dessa forma muitas vezes vai estar se referindo a mim na 3ª pessoa...hehehe Além dela o Raphael também integrou o grupo, na verdade foi ele o mentor da viagem em seu Uninho Mille. Dia 15/11, quarta: - Saída DF: 05h30 - Chegada Caiapônia: 13h30 - Estrada via Iporá em ótimo estado de conservação ao longo de todo o trajeto - Fomos direto às Cachoeiras Jalapa e Tobogã. No caminho de terra à direita avista-se ao longe o "Morro do Gigante Adormecido". Lindão! Nível dificuldade das cachús: Zero! Segundo nossa avaliação, são as mais "simples", de menor beleza cênica e sujeitas a estarem lotadas nos feriados e finais de semana. Entretanto, quando lá chegamos só havia mais 3 pessoas. Depois de ficarmos ali um tempinho, seguimos rumo a Cachoeira Três Tombos Como chegar: 5 km antes de Caiapônia na GO-221 no sentido Iporá-Caiapônia Cachoeira Três Tombos Chega-se por cima, onde o Rio São Domingos encontrava-se raso, (na altura de minhas canelas, se tanto!). Do alto, aprecia-se um lindo desfiladeiro e a bela Três Tombos (nome autodescritivo). Próximo ao local do estacionamento à direita há uma trilha para a descida com mais segurança, com cordas para apoio. Não é preciso fazer como nosso audaz e intrépido Anderson Paz que - não encontrando a "descida oficial" - bancou o "Indiana Jones" numa descida arriscada pirambeira abaixo, ok?! O poço dessa cachú é DE-LI-CI-O-SO!! Todos concordamos que suas águas são as mais deliciosas em que tivemos a experiência de nadar / mergulhar. NÃO DEIXEM DE VIVENCIAR ISSO, certo?! Como chegar: BR 158, 46km em direção a Piranhas a partir do trevo que sai de Caiapônia + 16km de estrada de chão. Tem algumas placas. Confie nelas. (Digitar “Cachoeira 3 Tombos” no Google Maps) À noite: Restaurante do Ernesto, frente do Hospital Municipal. Fernanda e Rapha foram de "jantinha" (PF reforçado!) e Anderson foi de sanduba sem carne (com ovo, tomate, milho, alface e maionese). Dia 16/11, quinta feira. Cachoeiras Samambaia e Abóbora Chega-se por cima da Samambaia, literalmente! Inclusive, cruzamos o riacho q a origina sem que déssemos fé disso. Um pouco mais a frente percebemos que havíamos passado do ponto - ela estava logo à direita do riacho. Ao fazermos o retorno, tivemos a sorte de avistarmos 2-3 catetos ariscos. A de scida da Samambaia é tranquila e sinalizada. Queda d'água bonita. Há um poço pequeno . Para chegarmos a Abóbora, voltamos ao ponto de início da descida à Samambaia e pegamos uma trilha em frente, curta (talvez 250 m) e discretíssima! É provável q exista outra trilha por baixo, mas não vimos! A queda e o poço da Abóbora são maiores do que a Samambaia. No entanto, ao chegarmos, deparamo-nos com um fedor forte e nauseante de algum bicho morto nas proximidades. Não permanecemos mais do que alguns poucos minutos por ali. Peninha... Nota Importante: das que visitamos, estas duas cachoeiras ficam muuuito próximas de pastagens e plantações imensas. Como chegar: BR 158, 10km em direção a Piranhas a partir do trevo que sai de Caiapônia + 30km de estrada de chão. Na BR entrar na placa escrita "Vivas Samambaia". O carro para em um estacionamento ao lado do córrego que desemboca na Samambaia. A primeira cachoeira é a Samambaia. Uns 300m de trilha a direita fica a Abóbora (digitar “Cachoeira Abobora” no Google Maps) Após, retornamos ao carro e seguimos nossa aventura em busca à Cachoeira São Domingos... Nessa tarde, fomos agraciados com um original e generoso "Safari no Cerrado". Além dos catetos que avistamos mais cedo conseguimos ver: 10 ou 12 emas, vários tucanos, dezenas de periquitos, muuuuitas corujas, alguns carcarás, seriemas aos montes, curicacas às dezenas, muuuuuitas Araras. Em especial, passamos por um grande pequizeiro e, logo atrás dele, uma fascinante "Árvore de Araras" com 12 exemplares delas, algumas com pequis nos respectivos bicos! Muitos bichos depois, chegamos ao mirante natural da cachú São Domingos... Cachoeira São Domingos Respirações suspensas, expressões estupefatas... Até agora, não encontramos a palavra exata para descrevê-la... BELÍSSIMA! EXUBERANTE! ENCANTADORA!* Para quem conheceu o *"Buraco das Araras" em Formosa... 3 ou 4x o diâmetro dela x 96 m de altura. Para quem conheceu o "Véu de Noiva da Chapada dos Gimarães...mais bela na nossa opião! Após muitas fotos e contemplações, ficamos por uns 40 min procurando a trilha para descer até seu poço. Já estávamos desistindo da descida, quando um som de esperança inundou o ar... uma moto estacionou: era uma das moradoras da casa logo na entrada do terreno de acesso à cachoeira. Apontou-nos o início da trilha ao lado da cerca da propriedade. Após uns 15 min de percurso no sentido contrário à cachoeira, em um caminho plano, a trilha inicia uma descida relativamente inclinada rumo ao vale; por baixo, retorna-se por cerca de 1 km em direção à cachoeira e VOILÁ: a queda belíssima e o poço magnífico!! Dá pra chegar bem embaixo da cachoeira, como é possível ver na foto abaixo. Após uns 40 min, vimo-nos obrigados a abandonar o paraíso recém-encontrado e retornar: já eram 17h40h. Não queríamos correr o risco de retomar a trilha, em geral bem marcada, mas com alguns trechos que requeriam um pouco mais de atenção, e realizar a subida no escuro. Ao chegarmos no topo, não pudemos apreciar o pôr do sol... dia nublado. Mas, fomos premiados com um belo passarinho azul da cara preta e mais 2 casais de curicacas. Como chegar: a partir da Abóbora, há uma estrada de chão de aproximadamente 40 km (digitar Cachoeira de São no Google Maps) Início da noite. Já na estradinha deserta em direção à Caiapônia avistamos 3 belíssimos veados (um deles galhado), pastando serenos até que o Anderson tentou tirar uma foto deles e... saíram em disparada! Chegamos famintos na cidade e fomos jantar no Varandas: restaurante e lanchonete do Daniel, próximo à Universidade Rio Verde. Recomendamos o delicioso macarrão ao molho branco. Dia 17/11, sexta feira Cachoeira e Corredeiras Santa Helena Local de acesso facílimo, extenso, prazeroso, com variados poços e cascatas. À direita da estrada, sobe-se para um dos seus melhores e maiores poços. Contaram-nos depois que em algum ponto mais acima há um encontro de águas quentes e frias, com uns ótimos poços de banho seguindo pela esquerda. De volta ao carro e a caminho das Três Barras, em dois momentos distintos, avistamos tatus próximos à estrada. Como chegar: seguir 45 km pela GO-221 em direção a Doverlândia, seguir 13 km na GO-188 e entrar a esquerda onde há placa indicativa da Cachoeira Paraíso (acesso 2 km depois da Cachoeira Lageado), seguir por mais 11 km Cachoeira Três Barras Outro local que nos deixou estupefatos, boquiabertos e sem palavras...talvez DESLUMBRANTE! seja uma boa palavra para descrevê-lo. Ainda pouquíssimo conhecida pelos próprios nativos. Seguindo uma trilha bastante discreta após a segunda ponte, conseguimos chegar na cabeceira da que fica mais no alto (nível da estrada) e tomamos um banho nela. Pela lateral à sua esquerda, "achamos"(?!) uma trilha (discretíssima, cheia de folhas e plantas) que desembocou numa pirambeira perigosa. Retornamos, não sem antes perder o rumo de onde estava o nosso valente Fiat Uno Mille, embrenhados que estávamos literalmente num mato sem cachorro, porém pleno de carrapatos e micuins. No que pese a deslumbrante paisagem, não recomendamos esta aventura para turistas incautos ou iniciantes no trekking. Por enquanto e pelo que pudemos avaliar in loco, temos a firme convicção de que apenas pessoas com ampla experiência em trilhas, com os equipamentos necessário, possam fazer esse desfiladeiro magnífico! Como chegar: seguir 12 km pela GO-118 após o acesso para a Cachoeira Santa Helena e depois entrar a esquerda onde há placa indicativa da cachoeira e andar mais 13 km À noite, voltamos ao restaurante Varandas. O Rapha comeu e recomenda o Burritos de Frango. Fernanda não gostou do contra-filé com mandioca: estavam duros! E Anderson manteve-se na aposta segura e apetitosa do macarrão com molho branco! Dia 18/11, sábado chuvoso Mais um dia de aventuras, descobertas e encantos na Serra do Caiapó/GO. Excepcionalmente, fomos acompanhados do Guia Valdivino "Jacaré". Cachoeiras Salomão e Índio O estacionamento fica logo acima e à direita da cabeceira da Salomão. A descida foi tranquila, ainda que escorregadia (há cabo de aço para apoio). Queda de 26 m e um poço pequeno. Ao subirmos e nos dirigirmos à cachú do Índio, tivemos a enorme felicidade e emoção de ver bem próximo um belíssimo exemplar do Tamanduá Bandeira. Chegando em sua cabeceira, o Guia e o Raphael avistaram um Cangambá. A descida era muito inclinada, fechada e, por conta das chuvas, estava um pouco escorregadia. Mas mesmo assim o Anderson quis descer até o poço da cachoeira. Não teve jeito: lá foi o pobre do Jacaré acompanha-lo! Fernanda e o Rapha aguardaram na cabeceira. Minutos depois, eles retornaram da empreitada sãos, salvos e felizes (desconfio que o guia mais ainda que o Anderson! ) Retornamos todos ao Valente Fiat Mille. Cachoeiras Rio Verdão e do Coqueiro Para chegar nelas, paramos o carro próximo à sede de uma fazenda e atravessamos a pé 1 km d'uma estrada barrenta, escorregadia e mais uns 600m d'um pasto verdejante, sob uma chuva fina. A descida foi tranquila. "Rio Verdão" consiste num paredão em formato de meia-lua com uma queda d'água abundante e um grande poço, mas o fundo estava com muitos troncos e (não sei se porque chovia?) a água estava escura. Quando saíamos dela, a chuva engrossou! A "Cachoeira do Coqueiro" é uma "irmã-menor" da Rio Verdão. Foi a nossa quarta e a mais difícil do dia, pois a fizemos varando o mato, SEM TRILHA, meio que às cegas e com chuva forte! Quando retornávamos absolutamente encharcados e com frio ao carro, o guia Jacaré informou que poucas vezes viera até ali, uma vez q os turistas preferiam ir nas atrações mais conhecidas e badaladas. Após um reconfortante banho quente no Hotel e deliciosas roupas secas, fomos no "Jantinha Ki Delícia", bem ao lado da Igreja Matriz. Um local simples, mas surpreendeu-nos com UM SHOW de DELÍCIAS e SABORES!! Tudo o que comemos estava DE-LI-CI-O-SO: a jantinha, os bolinhos de arroz, o caldo de galinha, o pudim de leite... PUTZ!! Afirmamos: quem ainda não provou as gostosuras feitas pela Dona Elma e sua filha, não sabe o que está perdendo. 19/11/2017, domingo nublado Anderson e Raphael saíram cedo para uma aventura "exploratória" à Cachoeira Pantano. Fernanda que já estava cansadinha, com dores nos joelhos das aventuras dos últimos e intensos 4 dias, descansou até às 10h e depois foi bater pernas pela simpática e limpa Caiapônia. Tentei visitar a Igreja Matriz, mas estava fechada. A imensa Assembléia de Deus (logo em frente) estava em pleno funcionamento. Fui até a feirinha local, onde comprei alguns hortifrutigranjeiros a bom preço. E descobri que há mais hotéis e pousadas no Centro do que supõe nossa vã internet. *** [Agora é a parte que eu entro na escrita do relato... hehehe] Cachoeira Pantano A cachoeira é uma das mais próximas da cidade, a apenas 10 km dela. O dono da fazenda não permite o acesso de grupos ou pessoas que não estão acompanhadas por guia. Como não queríamos pagar um apenas para ir nessa cachoeira. Paramos o carro na estrada, pouco depois da ponte que passa sobre o rio da cachoeira, e seguimos andando pela beira da mata de galera/ciliar, acompanhando um tracklog. Há trilhas abertas na mata, tanto de um lado quanto do outro do rio. Atravessamos o rio e seguimos pela sua margem direita, acompanhando o tracklog. Chegamos ao ponto final e não achamos a cachoeira. Voltamos, acreditando que poderíamos ter passado ela, mas não a encontramos. Depois de algumas idas e voltas e de muita perda de tempo, consideramos que o tracklog estava errado e resolvemos seguir a nossa intuição. Seguimos então acompanhando a mata da margem direita do rio e depois de uma caminhada de aprox. 30 min a partir da ponte, avistamos a cachoeira deslumbrante do alto. Vista maravilhosa e uma grande satisfação de termos encontrado a cachoeira seguindo a nossa intuição. Infelizmente, como estávamos com o tempo um pouco apertado e também como não conseguimos ver facilmente uma trilha para descer até a parte de baixo da cachoeira, tivemos que deixar a vontade de conhecer a cachoeira por baixo para uma próxima viagem. Como chegar: GO - 221, 10km em direção a Doverlândia. Deixamos o carro na estrada logo após a ponte. Depois da cachoeira, voltamos ao hotel, tomamos banho, terminamos de arrumar nossas coisas e pegamos a estrada. Na saída da cidade, paramos para abastecer e percebemos que o restaurante do posto estava aberto. Era o único aberto no domingo. Comemos ali uma boa comida goiana no self-service com precinho camarada. Depois do almoço, nos despedimos de Caiapônia, já pensando em um retorno para conhecermos a Pantano por baixo, a maravilhosa Cachoeira Alvorada (que segundo relatos estava com pouca água) e outras cachoeiras como a bela Campo Belo. Hospedagem: Hotel Palace Avenida. Limpo, organizado e observei que todos os dias a camareira promovia o arejamento e limpeza dos quartos - ainda que desocupados. Ótimo café da manhã. Apreciei, em especial, o capricho da cozinheira Márcia que procurava enfeitar as bandejas, fazendo esculturas com os alimentos. Apreciei também sua higiene e cuidado com os utensílios e ambiente de trabalho. Funcionários simpáticos.
  4. Saudações meus queridos! É com muito prazer que começo esse relato. Afinal, relatar não é apenas descrever, mas é REVIVER! Bom. A história da travessia começou no Mirante da Serra do Rio do Rastro, onde eu, @darlyn e @Dionathan Biazus encontramos o senhor Miguel. Fizemos 6 horas de estrada desde Chapeco até o Mirante. O Miguel é o proprietário das terras onde a travessia acontece, então é com ele que tem que combinar as paradas. Cara super gente fina, de uma simplicidade enorme. O próprio mirante já é um ponto de partida (mas longe de ser o ápice da trip). Mirante da serra do rio do Rastro: o mirante tem um murinho onde as pessoas ficam contemplando o visu da estrada da serra, cercada por suas montanhas. E tem sempre visitas dos quatis... É bom pontuar que aqui é sempre cheio de pessoas, se você quer ficar em contato com a natureza, não apenas olhe a mata, mas entre nela. Não só olhe a montanha mas vá até o topo! Seguindo então, encontramos nossos outros dois parceiros dessa empreitada @dumelo39 e o Lucas, que vieram do Rio de Janeiro! Assim juntou toda a piazada haha. Fomos com o Miguel de 4x4 até a primeira fazenda. Ele cobra cerca de 150 pila o transfer (total) e 30 por dia pra acampar nas terras. Pra entrar nessa primeira fazenda mais 10 pilinha por cabeça. Começamos então a subida até o primeiro destino: canyon Laranjeiras, daí foi cerca de 2 horas. O caminho é relativamente tranquilo, apenas umas partes com barro (fichinha perto do que viria a frente). Canyon Laranjeiras: maravilhosamente lindo, o canyon tem 3 pontos principais pra parar. A parte mais do fundo é onde fomos pra descansar um pouco e comer. Estávamos nessa função quando do nada o tempo se armou e caiu um mundo de água. Ainda bem que deu tempo que fazer uma casinha com uma lona grande que o querido Dihonatan levou. Ficamos um tempo ali até que passou a chuva e seguimos. Nos tracklog tem uma parte que direciona pra fazer a borda do laranjeiras. Mas como estava muito úmido resolvemos seguir a dica de um guia que estava por ali, e cortamos reto saindo do laranjeiras. Nessa primeira parte já tivemos contato com nossos amigos que apareceram muito nessa travessia: OS CHARCOS! Isso mesmo, lemos tanto sobre eles nos relatos que já chegamos meio preparados. Mas quando começou de verdade, que o pé afundou no barro ou na água que nos demos conta do que eram esses caras. Foi só até acostumar. Chegamos então na entrada de uma floresta, onde começou uma trilha punk. Íngreme, floresta fechada, terreno encharcado (a mochila ficando presa nos galhos uhuuull) coisa linda! Depois de atravessar e subir pelo mato conseguimos ver uma abertura e chegamos a uma plantação de pinheirinhos americanos. Dali passamos uma cerca e entramos na pior parte de charcos. Apareceu outro desafio. A Viração, que é uma neblina densa que cobre tudo. Decidimos acampar ali na plantação mesmo. Arrumamos as coisas, fizemos nosso super miojo e descansamos o corpo pro outro dia, nesse primeiro dia fizemos uns 7 kms. O dia amanheceu com um sol tímido e seguimos viajem, andamos uns 10 kms nesse dia, passando por vários picos de tirar o fôlego. Chegamos ao canyon do Funil cedo, as 15:30, e resolvemos ficar por ali pra aproveitar a vista e continuar no outro dia. Armamos acampamento e logo veio a chuva. Mas já estávamos preparados, ali perto tem um córrego que da pra tomar um banho massa. Era umas 18 e a gente já estava dormindo, porque o corpo estava pedindo. Umas 2 da manhã olhamos pra fora esperando ver uma chuvarada, que o barulho lá fora tava de arrasar, mas era só o vento chegando. O céu estava limpando e lua deu seu espetáculo. Depois de um bom chá /café deu pra olhar as estrelas um tempo até o sono voltar. Aí dormimos até umas 5 e pouco, quando o vento aumentou e o sol começou a chegar. Demos muita sorte, porque o amanhecer foi coisa de outro mundo. Começamos a desmontar o acamps umas 8 e demoramos porque o vento tava do caramba. Caminhamos mais uns 8 kms pelas bordas dos canyons até o final da travessia onde chegamos na porteira final saindo no asfalto, perto da sub estação. Mais alguns kms no asfalto uns 3 e voltamos ao Mirante... Super cansados, mas já querendo voltar e começar tudo de novo. Tivemos um almoço dos deuses lá no Mirante. Depois de quase três dias a base de miojo, uma lasanha caiu super bem. É muito difícil traduzir em palavras o que é uma travessia ou trilha com montanha. Porque o sentimento só pode ser sentido, todo o desafio, desde o peso, o cansaço, o medo, até ficar deslumbrado olhando a imensidão e tendo um pouco de consciência de como somos pequenos nesse universo e como a natureza é perfeita, com respeito, prudência e amor pela natureza, concluímos com sucesso a travessia. Super recomendado. 🙏👏🌲🌲🌲
  5. Ferrotrecking de Viana ao Pontilhão que Limita com Domingos Martins. Quarta dia 10 de Outubro resolvi continuar meu Ferrotrecking que eu parei fiz 35 km de Argolas até o Pontilhão de Viana onde passa a estrada para Baía Nova , nessa pedaço cheguei 13:30 parta ir pelo menos até o Pontihão que Limita com o município de Domingos Martins andei por umas Duas Horas e quinze Segundos. Passando Por Lugares maravilhosos, aspectos da Ferrovia muito legal como Vales, Precipícios e Lugares com Rochas Saindo Água show demais. Passando por Fazendas e Areas Rurais muito lega a Ferrovia bem cuidada nesses trechos muito bom de caminhar só prestar Atenção mesmo nas Pedras para não Dá Torção. Vamo que Vamo Aqui Começou entrarmos na área alagada mais não tive problemas por caminhar pois era só do lado. nesse ponto muito bonito a paisagem avistei uma família de Falcões ficaram olhando para min enquanto eu seguia nesse trecho vi muito macaquinhos Saguis também nessa parte a linha se cruza com uma estrada chamada de Peixe Verde Zona Rural de Viana Baia Nova mais 300 mts essa curva eu apreciava as fazendas do Lado esquerdo com suas plantações e suas fontes de criação de peixes partir daí já não via mais casas só eu e a mata e o Rio Jucu que começa aparecer mais na frente apareceu essa porteira com uma trilha para essa Paróquia aí eu só registrei mesmo passei direto. chegando perto das fontes e das Bicas De Águas olha o Rio Jucu perto perfeitíssimo Nesse Trecho encontrei Águas Mineirais saindo das Rochas pelo longo da Ferrovia e também uma bica de água mais na frente do qual experimentei a água e tava uma delicia de´pos dessa parede de Rocha mais 600 mts eu chegaria no Pontilhão que limita os Municípios de Viana com Domingos Martins. chegada no Pontilhão show demais foi muito legal depois retornei de volta para viana e Gastei mais duas horas chegando em Viana do ponto de partida umas 16:50 . prometi que ia retornar no Feriado do Dia 12 para seguir até Marechal por 31 km na Linha Férrea.
  6. Beleza pessoal? Passando só para deixar contatos. Somos um grupo de trilhas no RJ, sempre haverá companhia para trilhar. Quando passar pelo RJ da uma olhadinha na nossa agenda, trilhas de segunda a segunda por R$25. AGENDA em nossas redes sociais No rodapé do site: partiunatureza.com Na aba eventos do Facebook: https://facebook.com/partiunatureza Nos destaques do Instagram: https://Instagram.com/trilhaspartiunatureza
  7. Sua participação e contribuição é muito importante! Segue o link: https://chat.whatsapp.com/Ks6BieKQLhb2hNOoMsfmLu
  8. Morretes DDD (41) Período: 03 a 10/12/2018 Cidades: Morretes, Antonina, Paranaguá e Quatro Barras* A região turística Litoral do Paraná engloba as cidades de Morretes, Antonina, Guaraqueçaba, Paranaguá, Guaratuba, Matinhos e Pontal do Paraná. São cerca de 100 km de litoral, destacando-se a Ilha do Mel e o Parque Nacional do Superagui. Nas praias, ilhas e baías, podem ser avistados golfinhos e muitas aves. Além dos encantos do mar, há cachoeiras na maior área contínua brasileira de Mata Atlântica. Somando-se às belezas naturais, destacam-se as cidades históricas como Guaraqueçaba, Morretes, Antonina e Paranaguá e os caminhos históricos das ligações entre o litoral e o planalto como o Caminho do Itupava, a Estrada da Graciosa e a Estrada de Ferro Paranaguá-Curitiba. Suas riquezas também estão na cultura caiçara das canoas de bordadura, do fandango e na culinária típica do barreado e da banana servida na forma de bala, cachaça e chips. Confira abaixo as dicas e o relato de viagem. Fiquei hospedada no centro de Morretes, de onde parti para conhecer Antonina e Paranaguá. A infraestrutura turística é pequena, pois atende majoritariamente os turistas que só vem almoçar e passar parte da tarde na cidade, mas é suficiente para atender quem desejar pernoitar. * Quatro Barras, na verdade, faz parte de outra região turística, a Rotas do Pinhão. Obs.: ATENÇÃO: Não possuo nenhum vínculo com hotel, restaurante, agência, loja e qualquer outro tipo de estabelecimento divulgado nos meus relatos de viagem. Alguns dos pontos turísticos listados, bem como alguns estabelecimentos, não foram visitados por mim e as informações foram obtidas de guias ou funcionários de CITs ou são provenientes de pesquisa. Portanto, recomendo que antes de utilizar qualquer serviço, verifique com a secretaria de turismo da cidade e/ou outras fontes idôneas e confiáveis, como sites oficiais do governo ou órgãos de ensino/pesquisa, se os dados são atualizados e/ou verossímeis. Verifique também as datas dos relatos; algumas informações permanecem válidas com o passar dos anos, porém outras são efêmeras. Esse site não se propõe a ser um guia turístico, trata-se apenas de um relato de viagem e um apanhado de observações, experiências vivenciadas e opiniões de cunho pessoal que não têm a pretensão de ser uma verdade absoluta, pois retratam apenas uma faceta ínfima do diversificado e amplo universo histórico e cultural que um destino de viagem proporciona. Vá, experimente, vivencie e encontre a sua verdade. **************************************** Nanci Naomi http://nancinaomi.000webhostapp.com/ Trilhas: Grupo CamEcol - Caminhadas Ecológicas Taubaté Relatos: 23 dias no PR - dez/2018 - Parte 1: Natal de Curitiba | Parte 2: Morretes 15 dias em SC - fev/2018 - Parte 1: Vale Europeu | Parte 2: Penha Paraty e Ilha Grande - jul/2015 - Parte 1: Paraty | Parte 2: Araçatiba e Bananal | Parte 3: Resumão das trilhas 3 dias em Monte Verde - dez/2014 21 dias na BA - fev/2014 - Parte 1: Arraial d'Ajuda | Parte 2: Caraíva | Parte 3: Trancoso | Parte 4: Porto Seguro 11 dias na BA - dez/2013 - Parte 1 e 3: Salvador | Parte 2: Costa do Dendê - Ilha de Boipeba e Morro de São Paulo 21 dias em SE e AL - fev-mar/2013 - Parte 1: Aracaju | Parte 2: Maceió | Parte 3: Maragogi 21 dias em SC - jul/2012 - Parte 1: Floripa | Parte 2: Garopaba | Parte 3: Urubici | Parte 4: Balneário Camboriú 8 dias em Foz do Iguaçu e vizinhanças - fev/2012 - Parte 1: Foz do Iguaçu | Parte 2: Puerto Iguazu | Parte 3: Ciudad del Est 25 dias desbravando Maranhão e Piauí - jul/2011 - Parte 1: São Luis | Parte 2: Lençóis Maranhenses | Parte 3: Delta do Parnaíba | Parte 4: Sete Cidades | Parte 5: Serra da Capivara | Parte 6: Teresina Um final de semana prolongado em Caldas e Poços de Caldas - jul/2010 Itatiaia - Um fds em Penedo e parte baixa do PNI - nov/2009 Um fds prolongado em Trindade e Praia do Sono - out/2009 19 dias no Ceará e Rio Grande do Norte - jan/2009 - Parte 1: Introdução | Parte 2: Fortaleza | Parte 3: Jericoacoara | Parte 4: Canoa Quebrada | Parte 5: Natal 10 dias nas trilhas de Ilha Grande e passeios em Angra dos Reis - jul/2008 De molho em Caldas Novas - jan-2008 | Curtindo a tranquilidade mineira de Araxá – jan/2008 Mochilão solo: Curitiba e cidades vizinhas - jul/2007 Algumas Cidades Históricas de MG - jan/2007 - Parte 1: Ouro Preto | Parte 2: Tiradentes 9 dias nas Serras Gaúchas - set/2005 - Parte 1: Gramado | Parte 2: Canela | Parte 3: Nova Petrópolis | Parte 4: Cambará do Sul
  9. Fala galera, estou colocando aqui a nossa experiência fazendo o trekking pela Walker's Haute Route, na Suíça/França. Se quiser dar uma força nosso trabalho, passa lá no nosso site que tem mais posts sobre a Suíça e também se cadastrando na nossa newsletter, a gente oferece o livreto "Trekking pela Walker's Haute Route - O Guia Completo", onde a gente responde todas as perguntas, como por exemplo, custo, como chegar, o que levar, melhor época pra fazer, etc. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ Ja pensou em fazer trekking na Suíça? Muita gente vai pra conhecer as principais cidades, consumir bons queijos e viver a cultura da Suíça. Mas poucas pessoas sabem que o país é repleto de trilhas que ligam pequenas vilas e refúgios no alto das montanhas. Foi por isso que resolvemos fazer o trekking pela Walker’s Haute Route e viver uma aventura diferente por A Walker’s Haute Route é uma variação simplificada da famosa Haute Route, feita normalmente com o uso de skis e que atravessa os maiores montes dos Alpes franceses, suíços e italianos. É considerada um dos 10 melhores circuitos de trekking do mundo e um dos mais belos, desbancando até o famoso trekking do Mont Blanc (TMB). Pra falar a verdade, muitas pessoas acabam fazendo o TMB sem saber da existência da Walker’s Haute Route. Uma pena! QUAL FOI O NOSSO ITINERÁRIO? A rota clássica parte de Chamonix, na França, coladinho ao Mont Blanc, e atravessa vilarejos, florestas, vales incríveis, glaciares, tudo isso próximo à 3000 metros de altura. Depois de 2 semanas e mais de 180 km de trilha, o destino é a cidade de Zermatt, na Suíça, com o famoso Matterhorn de plano de fundo. Entretanto, que tal fazer algo diferente? Como a gente gosta de ser do contra, decidimos fazer o itinerário no sentido inverso, com algumas adaptações (sim você pode adaptar como quiser!). Tínhamos somente 15 dias de férias e queríamos conhecer algumas cidades da Suíça, como Zurique, Genebra e Berna. Portanto, não poderíamos fazer os 14 dias recomendados para o trekking completo. Decidimos fazer tudo em 10 dias, cortando os trechos menos importantes (mais fáceis ou com paisagens menos extraordinárias, se é que isso existe nos Alpes!) e chegamos ao seguinte itinerário (e os relatos completos😞 Dia 1: Zermatt – Cabana Europa Hut Dia 2: Cabana Europa Hut – Grächen Dia 3: Grächen – Gruben Dia 4: Gruben – Zinal Dia 5: Zinal – Cabane Moiry Dia 6: Cabane Moiry – La Gouille Dia 7: La Gouille – Cabane de Prafleuri Dia 8: Cabane de Prafleuri – Cabane du Mont Fort Dia 9: Cabane du Mont Fort – Martigny Dia 10: Martigny – Chamonix DIA 1 – ZERMATT ATÉ EUROPA HUT Último viewpoint do Matterhorn rumo à cabana Europa Hut. Tudo começou em Zermatt, no coração dos Alpes suíços, depois de uma viagem de trem bem corrida vindos de Zurique. Chegamos na madrugada do dia que iniciaríamos o trekking. Só deu tempo pra tomar banho e correr pro quarto e dormi pra descansar para o primeiro dia de trilha. Seriam os primeiros 22 quilômetros de trilha, saindo de Zermatt, subindo o vale de Mattertal e pegando a famosa trilha Europeweg com destino à Europa Hut, uma cabana/refúgio no alto das montanhas. Além de todas as vistas incríveis no meio do caminho (incluindo o famoso Matterhorn) e todos os precipícios enormes, o destaque do dia foi passar pela maior ponte suspensa por cabos de aço do mundo. Sim, eram quase 500 metros de ponte! Bom, posso adiantar que chegamos exaustos na cabana. Esse foi só o primeiro dia, imagina os demais… DIA 2 – EUROPA HUT ATÉ GRÄCHEN A trilha entre Randa e Saint-Niklaus era praticamente toda assim. Foi um descanso para as pernas e joelhos. Segundo dia na Walker’s Haute Route. A gente decidiu não continuar pela Europeweg e descemos o vale de Mattertal pra continuar a trilha por baixo. Passamos pelos vilarejos de Randa e Herbriggen, antes de chegar em Saint-Niklaus, nossa penúltima parada do dia. Nosso destino seria a cidade de Grächen. No total, foram quase 14 quilômetros de percurso desde a cabana Europa Hut até o nosso hotel em Grächen. Indo por baixo pelo vale, a gente abriu mão das paisagens das montanhas, pra ganhar uma experiência cultural incrível, vivenciando a vida das pequenas cidadezinhas da Suíça e dos seus habitantes. A propósito, os suíços sempre foram muito simpáticos com a gente. DIA 3 – GRÄCHEN ATÉ GRUBEN A borboleta e o pássaro lá no fundo fizeram questão de aparecer na foto. Depois de dormir em um hotel fantasma (conto mais se você comentar!), a gente começou a trilha de Jungen, acessível de teleférico a partir de Saint-Niklaus, e de onde a gente teve uma das mais lindas vistas de todo o trekking (foto acima). De Jungen, a gente pegaria a trilha até Gruben e passaria o nosso primeiro passe de todo o trekking, o Augstbordpass (2894 metros). A alegria foi imensa mesmo com todo o esforço e cansaço da subida. Chegando em Gruben, depois de passar por um bosque lindo, descobrimos uma vilazinha simpática e acolhedora. A gente chegou acabados, com as pernas doendo e os joelhos em estado crítico por causa do peso da mochila. A gente ficou o restante do dia se questionando se continuaria ou não… DIA 4 – GRUBEN ATÉ ZINAL Glaciar de Turtmanntal, pra mim um dos mais lindos dos Alpes. Quarto dia de trekking pela Walker’s Haute Route e sem dúvidas, o dia mais decisivo de todos. Seriam 17 quilômetros até a cidade de Zinal, localizada no vale de Zinal. A cidade foi primeira de língua francesa de todo o trekking. Ainda estávamos pensativos sobre a nossa decisão de continuar. No dia anterior, a gente juntou um monte de coisa que julgamos não necessários e deixamos lá mesmo no hotel. Partimos mais leves, mas sem saber se terminaríamos o trekking! Falando da trilha, o ponto mais alto do dia foi o passe Col de la Forcletta, à 2874 metros. Com o peso a menos, tudo parecia melhor. Estávamos mais felizes e dispostos! Em Zinal, fomos acolhidos no nosso hotel por uma senhora super simpática e fez o nosso dia terminar com chave de ouro. DIA 5 – ZINAL ATÉ CABANE MOIRY Quinto dia de trekking pela Walker’s Haute Route e incríveis 66 quilômetros percorridos. Faltavam um pouco mais do que a metade até o nosso objetivo final. Nesse dia, a gente teria que ir de Zinal até a Cabane de Moiry, o nosso primeiro refúgio da trilha, localizada pertinho da barragem e do glaciar de Moiry. Esse foi um dia muito agradável. A maior parte da trilha era contornando o Lac de Moiry, imenso, cor azul esmeralda. A parte final, entretanto, foi mais complicada. Pra chegar até o refúgio, a gente teve que subir umas centenas de metros. Mas o esforço valeu a pena. A cabana fica bem do lado das montanhas e do glaciar de Moiry. Vista que recompensou tudo, mas não tirou as dores nos joelhos que nunca estiveram maiores. Ha! E quase ia me esquecendo, a gente conheceu um casal de brasileiros super simpáticos que nos ensinou bastante sobre perseverança e determinação. DIA 6 – CABANE MOIRY ATÉ LA GOUILLE Vista que a gente tinha do Lac de Chateaupré, com o glaciar de Moiry atrás. Sexto dia de trekking pela Walker’s Haute Route e mais de 91 quilômetros de trilha percorridos. A gente tava preocupado com o estado dos nossos joelhos, mas por milagre no dia seguinte, eles já não doíam tanto como no dia anterior. Começamos a descida pela mesma trilha rumo ao destino do dia, a cidade de La Gouille. Só que esse seria um dia mais puxado. A subida até o passe Col de Tsaté não era o problema. Fizemos bem tranquilo e chegamos no passe, à 2868 metros, com muita energia. O problema foi a descida. Foram mais de 1200 metros de descida que não acabava nunca! Ainda perdemos o ônibus em La Sage e tivemos que ir andando até Les Haudères, de onde a gente pegou um ônibus para La Gouille. DIA 7 – LA GOUILLE ATÉ CABANE DE PRAFLEURI Sétimo dia de trekking pela Walker’s Haute Route. O primeiro ônibus para Arolla saindo de la Gouille sairia por volta das oito da manhã. A viagem até Arolla foi rápida, cerca de 20 minutos. Estávamos contando o tempo, pois seriam 16 quilômetros naquele dia, cinco deles praticamente em linha reta, contornando a Barrage des Dix. Além das vistas incríveis, o ponto alto do dia foi passar pelo famoso Pas des Chèvres. Nada mais do que um conjunto de escadas de metal que ajudam um pouco na descida até o Val des Dix. As escadas são super bem construídas, mas bate aquele medinho, sabe como é… Terminamos a trilha com uma subida até o Col de Roux (2804 metros), de onde a gente já podia ver a Cabane de Prafleuri, onde a gente dormiria aquela noite. DIA 8 – CABANE DE PRAFLEURI ATÉ CABANE DU MONT FORT Oitavo dia de Walker’s Haute Route e um dos mais difíceis do trekking tecnicamente falando. Seriam três passes em um só dia, algo inédito até então. No dia anterior a responsável da Cabane de Prafleuri havia dito que o dia seria de mau tempo e chuva. Ela nos aconselhou a sair bem cedo pra evitar maiores imprevistos. Foi o que a gente fez. Mesmo sendo um dia de trekking mais puxado, foi o dia com as melhores fotos. A parte mais complicada foi que tivemos que pegar a rota mais curta (pelo temido Col de la Chaux) que levava até a Cabane du Mont Fort, ao invés de pegar a rota pelo Col de Termin, com vistas melhores, mas perigosa em dias de mau tempo. Só que a gente não sabia que a rota mais curta era uma rota alpina, mais exigente! Daí você tira que passamos bons bocados nessa última parte. E foi nesse dia que a gente viu os primeiros Ibex da viagem. DIA 9 – CABANE DU MONT FORT ATÉ MARTIGNY Nono dia da Walker’s Haute Route. Depois de um dia de trekking puxado e alguns sustos, decidimos que pegaríamos mais leve. O plano inicial era fazer toda a trilha da Cabana du Mont Fort até Le Châble e de lá ir para Orsières, o que acrescentaria um dia no itinerário. Adaptamos o plano e fomos para Martigny, encurtando o trekking em um dia, mas ganhando um para descansar. De lá partiríamos para o nosso último e mais aguardado dia na Walker’s Haute Route. DIA 10 – MARTIGNY ATÉ CHAMONIX Último dia na Walker’s Haute Route. O cronograma seria ir de Martigny até Chamonix. Mas tudo tinha que sair como previsto. De Martigny, a gente pegou um ônibus até o Col-de-la-Forclaz, e de lá começou os últimos quilômetros de trilha até Chamonix. Depois de 10 dias e mais de 135 quilômetros de trilha, enfim a gente tinha chegado onde queríamos. Ao fazer a última subida até o Col de Balme (divisa entre a Suíça e França) e olhar pro horizonte, lá estava ele, o Mont Blanc, imponente! O dia não poderia estar melhor! A vista do Mont Blanc estava nítida, sem interferência alguma, nenhuma nuvem, perfeita. Não poderia pedir mais nada. Nos sentamos, tiramos as mochilas e ficamos ali por pelo menos uma hora, comendo e apreciando a vista do Mont Blanc. QUER SABER MAIS SOBRE A WALKER’S HAUTE ROUTE? Ficou com vontade de fazer um trekking na Suíça? Tem mais perguntas sobre a Walker’s Haute Route? Estamos preparando um livreto “Trekking pela Walker’s Haute Route – De Zermatt até Chamonix”, onde a gente conta com detalhes tudo que você precisa saber pra se preparar pra esse trekking e também a nossa experiência, dia à dia, durante os mais de 135 quilômetros de trilhas pelos Alpes da Suíça e França.
  10. Fala galera, estou colocando aqui a nossa experiência fazendo trilhando o vulcão Illiniza Norte, em Quito no Equador. Se quiser dar uma força nosso trabalho, passa lá no nosso site que tem mais posts sobre o Equador e também se cadastrando na nossa newsletter, a gente oferece o livreto "Rumo ao Cume do Illiniza Norte - O Guia Completo", onde a gente responde todas as perguntas sobre como chegar ao cume do vulcão à 5126 metros (custo, como chegar, o que levar, melhor época pra fazer, etc.) ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ O dia começou bem cedo para nós. O motorista nos buscou às 8h da manhã e o nosso primeiro destino seria Machachi, uma cidadezinha a alguns quilômetros de Quito. Lá, nos encontraríamos com o nosso guia e acertaríamos os últimos detalhes para o Illiniza Norte. Não esperava nenhum grande esforço no primeiro dia. Seria um hiking de umas 4h até o refúgio Nuevos Horizontes (4700 metros de altura). Seria muito parecido ao do Rucu Pichincha que havíamos feito no dia anterior. De lá, no dia seguinte, faríamos o ataque ao cume do Illiniza Norte, com seus 5126 metros de altitude. Chegamos na entrada da reserva ecológica por volta das 10h30 e lá pelas 11h, começamos a subida até o refúgio. Estávamos um pouco cansados do dia anterior. Deu pra sentir o desgaste. Pra piorar, tivemos que levar muito mais peso do que o esperado, o que dificultou ainda mais a subida. O começo lembrava muito a trilha do Rucu Pichincha. Era praticamente a mesma paisagem. Vegetação rasteira, cor verde musgo e muita poeira. Alguns quilômetros depois, a neblina veio com força e a inclinação da trilha aumentou consideravelmente. Tínhamos que fazer zigue-zagues constantes. Não via a hora de chegar, mas parecia que era interminável. A parte final seria uma grande montanha de areia cinza e pedras soltas. 1h de subida desgastante. Após vencer o último obstáculo, vimos uma casinha amarela bem distante. Era o refúgio Nuevos Horizontes, o primeiro refúgio construído no Equador. Estava envolto em neblina. Também deu pra sentir que a temperatura havia caído drasticamente naquele ponto. O REFÚGIO NUEVOS HORIZONTES Enfim estávamos no refúgio. Fomos os primeiros a chegar por incrível que pareça. O refúgio era bem pequeno. Tinha uma pequena mesa e dois banquinhos de madeira bem na entrada. Vários beliches encostados uns nos outros, bem apertado e uma pequena cozinha, onde o administrador do lugar, “Gato”, fazia a coisa funcionar. Não deu tempo nem de colocar as mochilas na cama e já tinha uma sopinha e um chá quentinho nos esperando. O guia aproveitou o momento e disse que o refúgio aceitaria mais pessoas do que o normal e teríamos que dormir nós 3 juntos em uma cama para 2. “Sem problemas”, pensei sem refletir muito. Terminamos a sopa e logo fomos tirar uma soneca. Isso era por volta das 14h da tarde. O silêncio estava maravilhoso. Dava pra ouvir o coração batendo tentando levar oxigênio pra todo o corpo a mais de 4700 metros de altitude. Isso tem seu preço. O corpo usa muito mais rápido o líquido que entra e por conta disso, a vontade de fazer xixi é quase instantânea. E não é qualquer xixi, é muitoooooo xixi. Bom, uma hora depois, outros grupos foram chegando. O silêncio deu espaço ao barulho. Conversa pra lá e pra cá, e nós ali deitados, tentando descansar ao máximo para o dia seguinte. Foi então que a vontade de ir ao banheiro veio. O banheiro ficava no lado de fora. Eram duas cabines bem rústicas, sem luz e bem sujas. O que esperar, além disso? Vamo que vamo. A aventura de usar o banheiro nessas condições poderia render um post separado, mas vou deixar a sua imaginação fazer o resto. Voltando ao refúgio, era hora do jantar. Nos sentamos na mesa com um grupo de mexicanos e começamos a comilança. Uma das meninas virou pra mim e disse “ça va?”. Fiquei meio confuso. Sei falar francês, mas esperava um “¿Como estás?”. Olhei com cara de bunda pra ela e logo veio a pergunta “De onde vocês são?”. Prontamente disse que era brasileiro e todos os mexicanos falaram “HA! Eu disse, ou eram brasileiros, ou franceses!”. Foi a deixa para muita conversa e troca de experiências. Voltando ao jantar, uma sopa veio como entrada. Era uma sopa de legumes neutra. Tinha pedido um cardápio sem lactose. Gato virou para mim e perguntou, pode ter um pouquinho de leite? Ou aceitava, ou não comeria nada naquela noite, então disse que não tinha problema. O prato principal foi frango cozido, arroz quentinho e abacate maduro. Uma delícia! Pra finalizar, pêssegos em calda. Tudo acompanhado com chazinho quentinho. O jantar elevou a nossa moral em todos os sentidos. Voltamos para a cama e tentamos descansar até as 4h do dia seguinte. Não deu nem 1h depois do jantar e já estava com vontade de ir ao banheiro de novo. E lá vamos nós novamente. Sair do saco de dormir, calçar e encarar o frio do lado de fora pela vontade de fazer xixi que era interminável. Era quase 1 minuto de xixi, coisa que nunca tinha visto na vida. O corpo parecia está em seu modo de sobrevivência, produzindo xixi em uma taxa acelerada para se manter em funcionamento. Essa teria sido a última ida ao banheiro antes do ataque ao cume. De volta a cama, coloquei novamente o saco de dormir e dessa vez o guia se juntou a nós. Lembra que dormiríamos 3 em um lugar de 2? Pois, tive que ficar no meio, entre o guia e a Gabriela, por motivos óbvios. Só não contava que seria espremido durante horas, noite adentro. Resolvi dormir do lado contrário e foi assim que consegui recarregar minhas energias até as 4 horas da manhã, quando acordamos para atacar o cume do Illiniza Norte. ATAQUE AO CUME DO ILLINIZA NORTE Era hora do ataque ao cume do Illiniza Norte. 4h da manhã e começamos os preparativos. Colocamos as roupas, camada por camada, capacetes, lanternas e tudo que era necessário e nos sentamos na mesa para tomar café da manhã. O café foi básico, mas bem potente. Aveia com iogurte, pão e café bem forte. Saímos bem alimentados e prontos para as próximas 6 horas de subida até o cume, à 5126 metros de altitude! Saímos e ainda era noite. Fazia menos frio do que o dia anterior, mas ainda sim, incomodava. Ligamos a lanternas pregadas aos capacetes e iniciamos a trilha. Começamos a subida por uma parte arenosa na lateral da montanha, repleta de rochas soltas. Passamos o grupo que saiu minutos antes da gente e continuamos em frente. Em determinado momento, o sol começou a aparecer. Minha expectativa era que pudéssemos ver o nascer do sol lá de cima, com vista privilegiada aos vulcões acima das nuvens, principalmente o Cotopaxi. Tinha visto vários vídeos incríveis e mentalizei aquele momento. Entretanto, a neblina tinha estragado meus planos. Não dava pra ver quase nada, somente um pequeno pedaço do caminho que devíamos percorrer. O vento e o frio foram aumentando e as pedras que antes estavam negras e um pouco úmidas, agora estavam cobertas por gelo e neve. Isso tornaria a subida mais cuidadosa e consequentemente mais perigosa. Pra completar, ventava forte, muito forte, cada vez mais forte. O nosso guia estava focado e tudo que mandava fazer, executávamos sem hesitar. Horas de subida e de pequenas escaladas, havíamos chegado ao famoso Paso de la Muerte, o ponto mais perigoso antes do cume do Illiniza Norte. Era um paredão de rochas que para ser transposto, deveríamos descer um pouco e passar por um desfiladeiro e depois subir novamente. O cume ficava algumas centenas de metros dali. Hesitamos um pouco, mas o guia manteve o foco e nos encorajou. Fui o primeiro a descer. O guia se posicionou mais acima, segurando a corda, me ajudando a descer lentamente, pedra por pedra. Em alguns momentos eu não tinha nada além do meu corpo pra usar como apoio. Tinha que usar as mãos, descer o máximo possível e confiar que haveria outra pedra ali embaixo pra me acudir. Funcionou… Passamos a parte mais complicada e depois de alguns minutos, em uma última escalada, chegamos ao cume. Diferente do Rucu Pichincha, a emoção não veio como esperado. Nenhuma lágrima, nenhum grito, nada. Um sorriso foi a única coisa que veio. De alívio acho. Tinha sido uma subida complicada. O vento batia forte e não perdoava. Minhas mãos já estavam quase sem movimento devido ao frio. Dava pra ver a cruz congelada atrás do guia, mas devido às condições climáticas, ele não deixou ir mais adiante para tocá-la. O terreno estava instável e o vento estava forte. Tiramos fotos com o celular, já que a maquina congelou de tanto frio. Essas são as únicas fotos que temos. Depois de alguns rápidos minutos, começamos a descida. A rota de descida seria outra. Não voltamos pelo refúgio, mas sim por uma rota alternativa, mais rápida pela lateral da montanha. Era um desfiladeiro de rochas e terra. Tínhamos somente que descer, descer e descer. A inclinação era tanta que mal dava pra estabilizar o corpo e a velocidade de descida. Caímos várias vezes pra resumir. Durante uma boa parte decidimos somente descer como um tobogã. Ajudou um pouco, mas não por muito tempo. Tínhamos que sair rápido dali, pois, o grupo que vinha logo atrás poderia jogar pedras sobre nós. Passado o sufoco, a trilha foi se nivelado novamente e alguns minutos depois já estávamos novamente na trilha principal, indo em direção ao estacionamento. Estava com a garganta bem ruim e ficando cada vez mais resfriado. Não pensava muito sobre isso. A cabeça só pensava em chegar logo pra descansar. Teria que me cuidar e descansar bastante se quisesse ter chance de subir o Cotopaxi. Esse sim seria difícil, exigiria de nós muito mais esforço e preparo. Tiramos os próximos dias para descansar e torcer para que o corpo suportasse o último grande desafio.
  11. Fala galera, estou colocando aqui a nossa experiência fazendo trilhando o vulcão Rucu Pichincha, em Quito no Equador. Se quiser dar uma força nosso trabalho, passa lá no nosso site que tem mais posts sobre o Equador e também se cadastrando na nossa newsletter, a gente oferece o livreto "Trilhando o Rucu Pichincha - O Guia Completo", onde a gente responde todas as perguntas sobre como chegar ao cume do vulcão (custo, como chegar, o que levar, melhor época pra fazer, etc.) ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ Acordamos bem cedinho, preparamos o café e pedimos o táxi até o teleférico de Quito na recepção do hostel. Tentaríamos subir ao cume do vulcão Rucu Pichincha. Deixamos tudo preparado no dia anterior para não perder tempo. Queríamos chegar no máximo às 9h da manhã, hora que o teleférico de Quito (chamado TelefériQo) abriria naquela terça-feira, 1 de janeiro. Saímos do teleférico rapidamente e logo começamos a trilha. Ela começa indo para a esquerda, subindo umas escadarias por trás de um prédio. Dali pra frente, não tem muito erro. Foram quilômetros e quilômetros de subidas intermináveis, mas como estávamos dosando os passos, não foi nada complicado. Eu diria que a trilha ao cume do vulcão Rucu Pichincha é dividida em três partes. A primeira parte, a mais longa, é composta de um hiking moderado em uma trilha bem sinalizada. É a parte mais tranquila de toda a trilha. A vista que tínhamos de Quito e das montanhas ao redor era incrível. Dava pra ver todos os principais vulcões do Equador no horizonte, principalmente o Cotopaxi, imponente, majestoso, surgindo ao fundo da cidade. Além disso, a vegetação era muito característica. Era praticamente rasteira com algumas árvores e flores que nunca tínhamos visto. Parecia um cenário do Senhor dos Anéis. A segunda parte da trilha começou lá pelo 3,5 quilômetro. Estávamos mais perto do cume do vulcão Rucu Pichincha, e lá, as coisas começaram a ficar mais complicadas. A trilha foi deixando de ser fácil para ser tornar somente um filetinho de terra na encosta do vulcão, composto principalmente de pedras soltas, alguns pequenos rochedos (que tivemos que escalar) e areia escorregadia. Um paredão de pedras negras surgiu mais a frente e o vento aumentou consideravelmente, assim como a temperatura ficou um pouco mais baixa. Até esse ponto, nada que nos assustou o bastante para nos desmotivar de continuar e alcançar o cume. E finalmente, a terceira parte e mais complicada de todas. Até ali, não sentimos em nenhum momento o efeito da altitude (estávamos a mais de 4000 metros de altura) e o corpo respondia a todos os comandos. Foi na terceira parte que tivemos a ideia de esforço. Depois de contornar o paredão de rochas negras, um enorme desfiladeiro de areia e pedras apareceu. Muito grande. Começava justamente bem perto ao cume e descia praticamente por todo o vulcão. A trilha ali já não tinha mais sinalizações que faziam sentido e cada um tentava subir da maneira que dava. Isso incluiu a gente. Começamos a subir e vimos que ninguém tinha ido atrás de nós. A pergunta ficou no ar: “Só a gente está certo?”. Demos meia volta, descendo quase que esquiando sobre a areia para acompanhar o grupo de pessoas que subiam com a gente. Depois de alguns minutos de trilha incompreensível, chegamos de fato ao paredão de rochas negras. Não tínhamos escolha, era subir ou subir. A inclinação passava dos 50 graus na maioria dos trechos. Começamos a subida, pedra por pedra, com o maior cuidado possível, pois qualquer deslize poderia ser fatal. Em um dado momento, não sabíamos mais como subir. Lá do alto, um equatoriano gritou, desceu alguns metros e nos ajudou a encontrar o melhor lugar para escalar. Foi muito gentil e nos ajudou bastante! Antes disso, estávamos quase pensando em desistir, com medo da inclinação e da dificuldade da subida. Além disso, algumas pedras que se desprenderam quase nos acertaram. Mas essa ajuda nos trouxe mais ânimo e alguns minutos depois, chegamos ao cume, a incríveis 4698 metros de altitude, nosso recorde até então. A emoção era tanta, eu e Gabriela nos abraçamos e começamos a lacrimejar. O abraço foi demorado, quase de alívio por ter chegado vivo ali em cima. Não conseguíamos acreditar que tínhamos chegado ao cume do Rucu Pichincha. A sensação foi intensa, uma alegria imensa de mais um passo cumprido rumo ao objetivo final. Nos sentamos, comemos e descansamos um pouco. Percorremos toda a extensão do cume e tiramos várias fotos. Lá no alto, encontramos um guia que levava um grupo de americanos ao cume. Era do Equador (se chamava Alejo) e parecia super doido. Conversando com a gente, ele disse que já percorreu todo o Rio Amazonas saindo do Equador de barco e em suas próprias palavras: “foi uma coisa de louco!”. Só ouvindo pra acreditar. Ele também nos ajudou nos informando a melhor rota pra descer o vulcão. Ficamos por mais alguns minutos no cume e resolvemos descer. A descida foi mais tranquila do que a subida, mas devido ao cansaço um pouco mais perigosa. Em um determinado momento, quase despenquei de um rochedo por não ter ponto de apoio para os pés. Mas não passou de um susto, se não estaria aqui para contar a história. A trilha de volta dava uma visão limpa e direta do Cotopaxi. Foi praticamente nosso companheiro durante toda a descida. Algumas horas depois, estávamos novamente no teleférico, prontos para descer e descansar. Teríamos mais um grande desafio no outro dia: o Illiniza Norte.
  12. Fala galera, estou colocando aqui a nossa experiência fazendo trilhando o Sandero de las Orquídeas, na Laguna Cuicocha no Equador. Se quiser dar uma força nosso trabalho, passa lá no nosso site que tem mais posts sobre o Equador e também se cadastrando na nossa newsletter, a gente oferece o livreto "Trilhando a Laguna Cuicocha - O Guia Completo", onde a gente responde todas as perguntas sobre a trilha na Laguna Cuicocha (custo, como chegar, o que levar, melhor época pra fazer, etc.) ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ Primeira atividade de aclimatação à altitude. Nesse dia, faríamos o hiking em volta da Laguna Cuicocha, localizada a alguns quilômetros de Otavalo. O Sandero de las Orquídeas, como é chamada a trilha que circunda a lagoa, possui 14 km de extensão e é feito normalmente em 4-5 horas. É uma bela experiência pra quem quer conhecer mais a região ao redor da cidade de Otavalo, além do seu famoso mercado artesanal. Chegamos ao terminal de Otavalo bem cedo. Mal tínhamos tomado café e já estávamos procurando o ônibus rumo à Cotacachi (USD 0.35). Esse ônibus faz uma parada em Quiroga, um pequeno povoado de onde saem os táxis rumo à Laguna Cuicocha. Não deu erro. Chegamos a Quiroga e na praça principal, várias caminhonetes brancas já acenavam a espera dos próximos turistas. A viagem de Quiroga até a lagoa durou 15 minutos e custou 5 dólares. O táxi nos deixou no centro de informações do parque. Quando chegamos, estava praticamente vazio. Vimos somente alguns grupos que iriam fazer a mesma trilha com a gente, e nada mais. Por recomendação na entrada do parque Cotacachi-Cayapas (entrada gratuita), começamos a trilha pelo sentido anti-horário. Li em vários blogs que começar pelo sentido horário não é permitido e pude constatar com o aviso acima. Além disso, o sentido anti-horário é bem mais cômodo. A dificuldade maior está no começo. A subida até a altitude máxima da trilha acontece primeiro e depois fica muito tranquilo. A sinalização da trilha é algo a se destacar. Placas e avisos estavam espalhados por todos os lados, sendo quase impossível de se perder. Inúmeros mirantes também estavam dispostos em pontos estratégicos com vista privilegiada para a lagoa. Em questão de organização, esse foi um dos hikings mais bem estruturados que fizemos, melhor até do que os que temos aqui no Canadá. Bom, voltando à trilha, o objetivo seria fazer todo o circuito em pelo menos 4 horas. Mantivemos um ritmo bem tranquilo, mesmo na subida, e paramos constantemente para descansar e tirar fotos. A vegetação era bem característica. Era de cor verde musgo, com inúmeras orquídeas de cores e formatos diferentes. Daí o nome da trilha. Em alguns momentos me pegava pensando: “pera aí, esse lugar parece muito as trilhas pelo cerrado que fazíamos em Brasília”. Parecia de mais! Eu só acreditava que estava em um lugar diferente quando olhava para o lado e via a imensa lagoa, com duas ilhas no meio. Era difícil de explicar. O encanto aumentava quando olhava para os arredores da lagoa e via os vulcões Cotacachi e Imbabura. Em alguns pontos da trilha, dava pra ver os maiores vulcões, como o Cayambe e o Cotopaxi, bem de longe. Era por pouco tempo, já que as nuvens passavam os cobrindo constantemente. Depois de um pouco mais de 4 horas de trilha, 14 km percorridos e muitas paisagens extraordinárias, chegamos novamente ao Centro de Informações, onde comemos e esperamos o táxi de volta à Quiroga com vista privilegiada para toda a lagoa e para o vulcão Cotacachi (foto acima). Na hora exata, o taxista chegou e embarcamos em direção à Quito. A viagem de volta demorou praticamente a mesma coisa que a ida e umas 3h depois já estávamos no hostel em Quito, felizes por ter completado com sucesso o primeiro passo de aclimatação.
  13. Amigos Mochileiros, Como o único relato que tem sobre o trekking a Ciudad Perdida é de 2010 (muito bom por sinal e me ajudou bastante) resolvi escrever sobre a experiência que eu e minha esposa tivemos em outubro deste ano neste trekking incrível. No meu instagram (@thiagomrp) tem uma postagem para cada dia da trilha, com várias fotos do percurso. Quem quiser, é só dar uma conferida. PREPARAÇÃO Foi bem difícil achar boas informações sobre o trekking em sites brasileiros. Só um relato aqui no Mochileiros.com e poucas informações recentes. Acabei assistindo alguns vídeos feitos por viajantes gringos, buscando informações em sites colombianos e conversando com o hostel que iria nos hospedar em Santa Marta. Pelo que tinha pesquisado, sabia que a caminhada seria um pouco difícil, então resolvemos intensificar um pouco os treinos (fazemos treino funcional pelo menos 3 vezes por semana). Fiquei em dúvida sobre comprar antecipadamente ou fechar na hora. Conversei com o pessoal do hostel por e-mail (Masaya Santa Marta – recomendo muito a estadia lá) e me orientaram que sempre tinham saídas e que a diferença seria o pagamento com ou sem taxas do cartão. Em resumo, pagando lá haveria uma taxa de 3% do cartão de crédito (que de fato não ocorreu, mais adiante explico). Então como preparação apenas reservei o hostel em Santa Marta (Masaya) para dois dias antes do trekking e um dia depois. Assim poderíamos deixar nossos mochilões lá mesmo. COMPRA DO TOUR (dia 07/10/2019) Compramos o tour no próprio hostel, pelo mesmo preço que costuma ser o padrão das empresas de Santa Marta, COP 1.100.000,00. Na época que estivemos lá a melhor cotação que achamos foi 1 real para 780 COP’s. Com essa cotação nosso trekking ficou por +- R$ 1.400,00 cada um. Não tivemos a tal taxa extra, porque o atendente nos enviou um link (tipo paypal) e pagamos diretamente no site. Aproveitamos para pegar informações com o atendente, Francisco, que tinha sido tradutor nessa trilha por diversas vezes. Segundo ele não seria TÃO difícil. Ledo engano nosso kkkkk. DIA 1 (09/10/2019) Entre 8h30 e 9h00 passariam nos recolher para o tour. Às 8h30 já estávamos na recepção. Vi um rapaz com roupa de agência e perguntei se estava nos esperando. Ele disse que não. Apenas outras duas pessoas. Até aí, ok então. Esperei mais uns 15 minutos e nada da nossa agência. Fui falar com o rapaz sentado e perguntei se o nosso tour não era com ele também. Me perguntou qual era a nossa agência. Aqui descuido meu, não tinha perguntado ao Francisco qual era a agência. Mostrei para ela o comprovante de pagamento, ele fez uma ligação e confirmou que a gente também tinha que ir com ele. Uffaaaa, que sorte que fui abordá-lo. Entramos num 4x4 e recolhemos algumas pessoas pelo trajeto. Fomos até a agência antes de sair. Depois de um rápido briefing pegamos a estrada. Nosso grupo tinha 9 pessoas (5 colombianos, 2 ingleses, 1 alemão, 1 norte-americana e nós 2 de brasileiros). Foram cerca de 1h30 de estrada de asfalto, com um motorista dirigindo loucamente kkkk. Por volta das 11h00 estávamos na entrada do Parque Nacional de Sierra Nevada. Lá pausa rápida para banheiro, colocar nossas pulseira de autorização para entrar no parque e mais 45 minutos de estrada de chão, com várias subidas e descidas irregulares e travessias de rio. Foi bem emocionante kkkk. Perto das 12h00 chegamos ao restaurante onde almoçamos e depois iniciamos nossa caminhada. Prato feito com arroz, feijão, salada, coxa com sobrecoxa e, é claro, patacones (que delícia kkk). Os pratos de comida são muito grandes. Eu não consegui comer tudo. Por volta das 13h15 saímos para iniciar nossa caminhada. O primeiro dia é basicamente uma longa caminhada estrada acima, com algumas barraquinhas no meio do caminho vendendo água, refri, cerveja, cacau, suco de laranja etc. Esse dia totalizou 12,2 kms com solzão na cabeça. Chamou atenção nesse dia a quantidade de aranhas e suas teias nas árvores. Chegamos no acampamento por volta da 16h45. Todos os acampamentos são ao lado de rio. Nesse primeiro tinha uma piscina natural que o povo pulava do alto de uma pedra. Eu sou meio cagão para água, mas tomei coragem e pulei, minha esposa também. Foi uma baita adrenalina. Tem o vídeo no meu instagram (@thiagomrp). Depois de um mergulho revigorante nas águas frias do rio, fomos tomar banho para jantar e dormir. Dica: muita atenção nos acampamentos com aranhas, escorpiões e cobras. O nosso guia nos alertou. Nós optamos por pendurar as botas no alto (o que depois foi seguido pelos colegas) e SEMPRE deixar as mochilas fechadas, para evitar entrada de bichos. Também revisamos as camas antes de deitar. Jantar estava muito farto e gostoso. Depois um brefing sobre o próximo dia e conversas sobre a história da trilha, da região, do povo Tayrona etc. Tudo muito interessante. Às 20h00 já estamos deitados e às 21h00 apagaram as luzes. DIA 2 (10/10/2019) Despertadores tocaram as 5h00 para nos arrumarmos, tomarmos café e saímos às 6h00. Acontece que no grupo tinha uma criança (11 anos) que só levantou às 6h00 e daí que foi tomar café. Ficamos bem impacientes, inclusive o guia. Aqui falha dos pais que não acordaram a criança antes e apressaram ela. Acabamos saindo 6h30. O segundo dia já era sabido com sendo o pior, e realmente foi. Foram 21,2 kms com muitas subidas e muita lama pelo caminho. Lugares bem escorregadios para caminhar. Nos levamos nossos próprios bastões, quem não tinha estava improvisando com tronco de árvore. Às 9h00 chegamos no lugar onde almoçamos. Fizemos uma parada mais longa com direito a visitar uma cachoeira próxima. Valeu muito a pena. Às 10h30 já estávamos almoçando e 11h00 voltamos a caminhar. A segunda parte do dia foi beeeeemmm difícil. Muita subida e lama. Por volta das 14h00 começou a chover, então complicou um pouco mais. Era subida sem fim, com chuva e fome. Por sorte chegamos numa vendinha e lá tinha frutas para nós. Foi revigorante. Aliás, em várias vendinhas as agências providenciam frutas para o pessoal, normalmente melancia, laranja ou abacaxi (muito doce por sinal). Chegamos no acampamento às 16h10, bem cansados. É o último acampamento antes da Ciudad Perdida, então todas as agências ficam no mesmo lugar. É o que tem a estrutura mais precária, mas mesmo assim foi ok. Jantamos, conversamos e antes das 20h00 já estávamos deitados. Às 21h00 apagaram as luzes. DIA 3 (11/10/2019) Novamente levantamos às 5h00, café da manhã e as 6h30 saímos. Aqui o atraso foi proposital. Como 10 minutos após o acampamento tem a travessia de um rio, o guia preferiu atrasarmos um pouco para não ter que ficar esperando na margem do rio os demais grupos atravessarem. Que travessia hein! Deve ser uns 20 metros de uma margem a outra, com pedras e correnteza forte. Duas cordas ajudam, aliás, todo mundo se ajuda porque a correnteza é muito forte mesmo. Depois de recolocar as botas, mais uns 10 minutos caminhando e chegamos no início das escadas que levam a Ciudad Perdida. Mais de 1200 degraus pela frente. Muita atenção, pois os degraus são curtos e bem úmidos. Às 7h10 já estávamos na entrada da Ciudad Perdida. Passaportes (dados pelo próprio parque com a história do lugar) foram distribuídos e carimbados. Nos acomodamos num lugar para ouvir o guia contar sobre a história da Ciudad Perdida e seu povo. Depois de um tempo saímos para desbravar o lugar. Você vai encontrar vários militares do exercício pelos caminhos da Ciudad Perdida. Eles estão ali para marcar a presença do Estado e oferecer segurança. Foram todos amigáveis e até tiraram fotos com a bandeira do Brasil (eu sempre viajo com uma). Na saída da Ciudad Perdida nosso guia passou na oca do líder espiritual, Mamo, porém ele não estava. Apenas sua esposa que vendeu algumas pulseirinhas feitas por ela para o grupo. Por volta das 10h00 já estávamos descendo de volta ao acampamento em que passamos a noite. Almoçamos por lá e depois voltamos até o acampamento em que almoçamos no segundo dia. Nesse dia foram quase 22km caminhados. Foi puxado, mas nem tanto. A noite jantamos e antes de dormir tivemos a oportunidade de ouvir histórias de um índio de uma tribo descendente dos Tayronas. Ele mostrou instrumentos de trabalho, o poporo (instrumento usado apenas pelos homens para consumir a folha de coca) e outros utensílios. Foi uma conversa legal. Ele falava mais ou menos o espanhol e era auxiliado pelo nosso guia. Uma experiência bem bacana. DIA 4 (12/10/2019) Novamente acordamos as 5h00 e 6h30 já estávamos caminhando para terminar o nosso trekking. O objetivo era chegar para o almoço no local onde iniciamos nossa aventura. Lá onde o 4x4 nos deixou e voltaria nos pegar. Umas subidas bem fortes, com quase 1 hora de subida initerrupta. Foi bem puxado. Confesso que tenho dúvidas se foi o segundo ou último dia o mais difícil. Ambos foram muito puxados. Por volta das 10h00 paramos tomar um suco e comer um bolo no mesmo local do primeiro acampamento. Descansamos um pouco e logo partimos. Eu e minha esposa aceleramos o passo porque queríamos terminar antes do meio dia. Não porque tivéssemos pressa, mas só para ter um objetivo. Uma parte do grupo foi mais rápido conosco e o resto seguiu mais lento com o guia. Esse trecho final foi aquele na estrada com o sol na cabeça do primeiro dia. Dessa vez o sol estava até mais forte, por isso cada vez mais queríamos chegar antes. Exatamente 11h50 chegamos no restaurante. Fui um trecho bem cansativo, quase 22,5 km. Todos que chegavam já foram arrancado as botas e deitando pelo chão gelado, era a melhor coisa naquele calor kkkk. Cerca de 1 hora depois chegou o resto do grupo. Almoçamos e por volta da 14h00 já estávamos no 4x4 para retornarmos até Santa Marta. SALDO FINAL Talvez tenha sido o trekking mais difícil que já fiz na vida (já fiz Salkantay no Peru e vários outros no sul do Brasil). Foi puxado, subidas e sol fortes e uma umidade muito grande, suávamos muito. Faria tudo de volta? Sem sombra de dúvidas, SIM. Foi uma experiência muito legal, uma caminhada difícil e desafiadora, com um grupo nota 10, guia e tradutor muito gente boa e estrutura de acampamentos legal. Várias vezes nos pegávamos falando: “estamos no meio da selva colombiana!!!”. E realmente é isso. É uma selva bem fechada, úmida, com rios, cachoeiras, pedras e lama. Trekking a Ciudad Perdida marcado como FEITO e RECOMENDADO a todos mochileiros e trilheiros! Obs.: tentarei colocar algumas fotos nos próximos comentários. Quem quiser pode ver algumas no meu instagram @thiagomrp.
  14. PATI SELVAGEM: uma travessia de tirar o chapéu e deixar marcas Como toda banda de Rock a vida nos bastidores nem sempre é um mar de rosas. É que a convivência em grupo por vezes desponta em desentendimentos que destoam do objetivo principal. É nesse contexto que o Projeto Rota das Travessias iniciado em 2016 com cinco integrantes perde alguns de seus talentos que, por hora, seguem “carreira solo” (rsrsr). Mas como o “show tem que continuar” aqui teremos uma aventura com participação de três integrantes da antiga “banda”: Eu (Djair), João e Wilson. Assim como na experiência anterior em 2017, escalamos o experiente Marquinhos Soledade (@expedicao_chapada) para ser nosso guia. Dessa vez, iremos realizar a Travessia do Vale do Pati, lá no coração da Chapada Diamantina, na Bahia. Entretanto fugindo um pouco do convencional optamos por deixar esse trekking mais radical fazendo um trajeto mais selvagem. A ideia é começá-lo em Andaraí subindo o curso do Rio Paraguaçu e seu Cânion. É uma opção que cobra maiores cuidados tanto pelo terreno como pelo isolamento. É percurso pouco testado. Muitos evitam. É um trecho do Pati esquecido, uma rota praticada por garimpeiro. A trilha exige subir muitas pedras e paredões, bem como experimentar cruzar dezenas de vezes o lado do rio de modo a encontrar melhor caminho. Sem falar da possibilidade de ocorrência de fenômenos naturais como as temíveis cabeças d’água dentro do cânion. Os primeiros dois dias se passa numa região onde possivelmente não cruzaremos com outros caminhantes. Partimos de Recife numa sexta-feira (28 de junho) num voo da Azul Linhas Aéreas com destino a Salvador. Às 23h30 já estávamos na rodoviária para pegar o confortável ônibus da empresa Rápido Federal com destino à belíssima Lençóis. Rodamos a madrugada inteira. Às 6h da manhã desembarcamos e seguimos para a Pousada Bons Lençóis, ali mesmo na parte central da cidade. À tarde tomamos umas cervejas para celebrar aquele reencontro e também meu aniversario: 29 de junho, dia do santo São Pedro, estou ficando mais velho, presenteie-me com essa travessia: vamos brindar!!! À noite entre outras coisas e fizemos a feira coletiva que irá nos alimentar durante os cinco dias do trekking. Compramos, pesamos e separamos os pacotes dos alimentos em quatro partes. Agora cada um pode enfim fechar suas cargueiras para a pesagem final: 23 Kg (Djair), 20 kg (Wilson) e 17 kg (João). Guardamos a fração de alimento que cabia a Marquinhos para entregá-lo em Andaraí (distante 100 quilômetros da cidade de Lençóis) na manhã seguinte onde começaremos nossa travessia. 30 de Junho – 1º DIA (domingo) O domingo chega. Fretamos um taxi para nos levar à Andaraí. Encontramos nosso guia no pátio da igreja católica naquela cidade e de lá seguimos no veículo até a estrada onde tem início nossa jornada. Donana é como os moradores conhecem aquela área, uma referência a uma antiga moradora da localidade: Dona Ana. Vamos seguir a velha trilha usada por garimpeiros. Uma vegetação arbustiva é o que encontramos nos primeiros metros. Seguindo um pouco e ela vai mudando. Agora temos uma área mais preservada. Árvores maiores vão ocupando os espaços. Uma ponte de madeira marca o inicio dos limites do Parque Nacional da Chapada Diamantina. Daqui pra frente à aventura começa pra valer. A trilha segue paralela ao Rio Paraguaçu. O terreno é de subida, sentimos o peso nas costas. Enfileirados seguimos pela trilha dentro da mata. O lado esquerdo fica o leito pedregoso do rio Paraguaçu de onde se ouve o som forte de suas águas. A certeza de que estamos optando por um trecho selvagem nos obriga a muitos cuidados. Aliás, pela primeira vez iremos realizar uma expedição utilizando equipamentos de GPS: Eu com um relógio Garmin Fênix 3 HR, enquanto Wilson carregava o indispensável SPOT G3. Esse é o instrumento mais importante, pois é capaz de acionar socorro e enviar nossa localização precisa em caso de acidentes. Era apenas o início de nossa travessia. Mal tínhamos completados 2 km e tivemos um susto: Wilson acabou batendo a cabeça contra uma ponta de um galho ao passar por baixo dele e o resultado foi um corte na parte superior do couro cabeludo que causou um sangramento. O kit de primeiros socorros levado por Marquinhos foi logo usado e minutos depois pudemos continuar. Ufa! Descemos. Seguimos agora pela margem pedregosa do Rio Paraguaçu. Esse é o tipo de terreno que iríamos enfrentar nas próximas 48 horas. A visão das pedras que formam todo o conjunto é muito bonita. Nossa caminhada exige muito equilíbrio porque temos que pular pedras imensas e andar sobre elas e descer outras tantas. Executar um pulo entre pedras com 20 kg nas costas é algo que exige bastante. É preciso jeito e sorte! No quarto quilômetro fizemos uma pequena pausa para um descanso. Nosso guia buscou se refrescar nas águas geladas do rio eu a fazer as primeiras filmagens pra não perder nada da aventura que estava apenas começando. 30 minutinhos nessa parada e já tomamos uma subida forte à direita pelo paredão do Cânion do Paraguaçu: uma trilha dura pela encosta recoberta de arbustos. Agora já estávamos a quase 400 metros de altura em relação ao ponto inicial do trekking. Já era quase 2h horas da tarde. Estávamos outra vez dentro do leito do Rio Paraguaçu. Havíamos cruzado apenas de 6,5 km e fizemos a parada para o almoço. Visual deslumbrante. Comentava com o João de como tudo aquilo era admirável e do privilegio de se estar ali. A imagem das paredes do Cânion recoberta de vegetação verde em contraste com a água avermelhada, com as pedras no leito, as nuvens e o céu azulado trazia mais beleza ao cenário. Marquinhos assumiu a cozinha e sobre um enorme pedra fez uma mistura que seria nosso almoço: grão de bico e atum sólido. Foi bem breve nossa parada. Seguimos a caminhada e agora já estávamos diante de uma bifurcação de cânions. Majestoso recorte de rochas que marca o encontro de dois rios: do lado esquerdo as águas do Rio Paraguaçu e do direito as do Rio Pati. É um marco geológico de dois grandes cânions. Pela primeira vez avistamos a boca do Cânion Pati. Às três da tarde havíamos percorridos 7,7 quilômetros quando chegamos à prainha formada do lado das águas do rio Pati onde levantamos o acampamento. Aproveitamos a área de terra, sem vegetação, para fazer uma fogueira distante uns 3 metros das portas das barracas. Depois disso foi momento de aproveitando os raios do sol cair e naquelas águas de dupla identidade. O tempo passou rápido e a noite se aproximava. Marquinhos como de costume assumiu a cozinha preparando macarrão, linguiça defumada, tomates, cebola: o cheiro e o sabor estavam perfeitos! Depois da janta seguimos com nossas lanternas para o meio do rio. Aproveitamos uma das imensas pedras para sentar e experimentar a imagem contemplativa do céu estrelado e o som das águas naquele lugar inóspito. Às nove da noite estávamos em nossas barracas. Marquinhos “homem bruto” resolveu lançar seu saco de dormir próximo à fogueira para passar a noite. Cabra de coragem (rsrsrs). A temperatura estava agradável. O termômetro marcava 21 graus. Foi fácil pegar no sono dessa vez. 01 de Julho – 2º DIA (segunda-feira) Acordei por volta das seis e meia da manhã imaginando como seria nossa caminhada. Vamos preparar o café e começar mais um capítulo de nossa história. O dia era bonito, eu estava tranquilo e até mesmo meio lerdo (rsrsrs), por isso me atrasei um pouco retardando a partida. Somente às 9h30 iniciamos a trilha. Há uma estimativa de que o percurso possua 9 km e que os mesmos serão bem pesados. O Cânion do Paraguaçu ficou ali. Nosso movimento agora é à direita, dentro do Cânion do Rio Pati. Por ele iriamos saber a razão pelo qual muitos aventureiros evitam aquela rota. O nível de dificuldade do trekking aumentou bastante já nos primeiros metros. O pula-pedra passou a ser uma constante e tirar a bota para não encharcá-la logo se mostrou ilusão e perda de tempo. Avançar sobre rochas escorregadias é uma maluquice, mas não ha outra maneira de seguir. Os joelhos sofrem demais com o peso nas costas somados ao impacto dos saltos entre as pedras que tem que ser precisos. É força, equilíbrio e principalmente sorte: levamos 1h42 minutos para percorrer 2 km tamanha dificuldade que o terreno apresentava. Ora estávamos de um lado do leito, ora do outro. E quando nos aproximávamos do terceiro quilômetro executando umas dessas passagens entre pedras escorregadias o companheiro João tomou uma queda. Ele escorregou batendo com a canela em numa pedra dentro do rio. Um hematoma imenso se formou no centro de sua canela. E isso nos deixou assustados uma vez que ele poderia ter fraturado a perna. Tirá-lo dali aquela altura seria impossível salvo por helicóptero. Levamos alguns minutos cuidando do amigo e graças a Deus tudo ficou bem: uma atadura foi colocada em volta da lesão, e seguimos ainda mais cautelosos com a certeza de que não podemos errar! O terreno continuou duro. Percorremos mais 2,5 km e de trilha. Dessa vez fizemos uma subida violenta a direita, uma trilha dentro da mata que margeia a parede do cânion Pati. Às 12h30 curta parada, dessa vez para recobrar o fôlego. O trajeto em ziguezague pelo rio, atravessando, pulando pedras é um exercício para o corpo e mente. A beleza do cânion em sua forma esbranquiçada emoldura o cenário. Outros 20 minutos de descanso. Passamos à margem esquerda desafiando pedras e vegetação da encosta. Agora temos um “tronco” fixado junto o paredão que serve como ponte evitando o caminho por uma parte escorregadia sob nossos pés. É preciso segurar na parede. Saindo da parede do cânion entramos na mata outra vez. Aqui é necessário muito empenho, forca, determinação. Tivemos que transpor um emaranhado de pedras e arvores: uma combinação que exige do corpo. O esforço ofusca a beleza daquele trecho. A única coisa que queremos é sair daquilo para um lugar amplo e sem obstáculo. Às 13h30 paramos dentro do Cânion para almoçar: grão de bico, atum cebola e tomate foi nosso almoço. Até ali tínhamos percorridos 7 km em 5 horas de muito esforço. Não temos a certeza da distancia exata do ponto de acampamento. Os 9 km que mencionei é uma mera especulação! Retomamos a trilha e ela continuou da mesma forma: dura e técnica. Quando completamos os 10 km já estávamos bem cansados e frustrados: percebemos que nossa ideia de quilometragem tinha ido por agua a baixo. 1 km depois se fez outra parada, estava bem claro que nosso moral estava baixo: expectativa e realidade se conflitavam. Somente após percorrer mais 3 km chegamos ao nosso destino: a Toca do Guariba. Já passava das 17h30 minutos. Foi preciso correr para montar as barracas sob a luz da tarde, afinal dentro do Cânion escurece mais rápido. Foram exatos 14 km percorridos naquele dia. A Toca do Guariba é nossa morada! Aliás, esse nome é dado pelo fato de que há um corte no Cânion que forma uma cavidade onde em geral os aventureiros buscam abrigo. É uma área protegida. O nome Toca do Guariba deriva pelo fato de que é comum avistar o macaco Bugio naquela área, eles também são conhecidos pelos nomes de Macaco Barbado ou Macaco Guariba. Não avistamos nenhum, tampouco os seus sons. Aliás, nesses quase dois dias ainda não cruzamos com ninguém na trilha. De fato estamos em local isolado. A noite chegou muito depressa. Não deu pra estar no rio e tomar banho. Dessa vez a higiene foi com lenços umedecidos. Estávamos exaustos, quebrados! Jantamos às 19h: frango, macarrão, linguiça defumada e bolo de rolo! Depois disso alguns instantes de conversa e música e às 21h já estava recolhido. O dia foi pesado! 02 de Julho – 3º DIA (terça-feira) Não consegui uma boa noite de sono. Só com o amanhecer do dia foi possível apreciar a beleza do lugar. O Rio Guariba é afluente do Rio Pati. Estamos exatamente no encontro dos Cânions. Tomamos nosso café e levantamos acabamento. Às 8h30 Deixamos as cargueiras em um ponto e fomos fazer uma breve visita dentro ao Cânion do Guariba. É um cânion estreito e belo. Passamos não mais que 1 hora. E infelizmente não tivemos a sorte de ver nem ouvir nenhum Bugio na local. Voltamos, pegamos as mochilas e fizemos uma subida pela mata. Uma acentuada inclinação nos lançava mata acima. As pernas sofridas pelos 14 km do dia anterior reclamavam a todo instante. A ideia é chegar à casa de seu Eduardo onde vamos dormir. Agora nosso caminho é por uma linda mata. Ela reveste a encosta do cânion dando beleza única a nossa caminhada. Estamos no alto do cânion encoberto onde é possível ouvir o som das águas do Pati. Seguimos firmes e confiantes por 1 hora onde fizemos breve parada para um rápido lanche. A nossa direita estava a majestosamente Serra do Império. Continuamos. Ainda estamos na mata. No quilômetro 3,5 nos desviamos erroneamente numa bifurcação à esquerda que nos levou a um curral, ops! Logo achamos a trilha certa e seguimos. Após 5 km de trilha, às 11h da manhã estávamos diante da primeira residência nesses três dias de trekking: a casa de seu Joia e dona Leu. E pra celebrar aquele encontro nada mais épico do que uma cerveja gelada. Sim, é possível tomar cervejas geladas no Vale do Pati. Comemos pão caseiro feito por Dona Leu e tomamos cerveja. Pagamos 12 reais por uma long neck (eu pagaria ate 50 reais rsrsrs). Passamos alguns minutos naquela casa humilde e acolhedora. Lavamos os rostos, enchemos nossos depósitos de água e seguimos. O terreno de seu Joia tem um visual incrível. Curiosidade daquele lugar são os avistamentos de felinos como as onças que causam receios a nativos e aventureiros que cruzam a região. Graças a Deus não tivemos nenhum susto. Mas há muita gente que já viu, ouviu seus sons ou seus rastros. Percorremos 8.20 e às 12h40 estávamos na residência de Seu Eduardo atualmente sob os cuidados do Domingos, seu neto. A casa fica aos pés do Morro do Sobradinho, a beira da Boca do Cânion Cachoeirão. Ela fica exatos três quilômetros daquela de seu Joia. Compramos refrigerantes e cervejas geladas. Isso e resultado das geladeiras alimentadas a gás butano e da energia solar que abastece a casa. O cansaço dos dois dias nos fez desistir do planejamento inicial que era visitar o Cachoeirão por Baixo. Resolvemos conter o dia conversando, tomando refringentes e cervejas e uns petiscos vendidos naquela casa. A decisão se deu pela perspectiva que tínhamos daquele trekking. Queríamos devolver o prazer da caminhada, buscar prazer efetivo. Na nossa visão acumular a visita ao Cachoeirão fazendo o bate-volta iria nos desgastar e o que precisávamos mesmo era de um tempo pra ficar à toa entre amigos. Acertamos também em comprar a janta ali oferecida e manter o acampamento com as barracas nas dependências da propriedade. Tivemos a oportunidade de conhecer um bom sujeito Catalão: Joan, ele estava de passagem em visita ao amigo Domingos. Ali contou sua vida e sua relação com o Pati. Joan mora no Capão junto com sua esposa, de nacionalidade brasileira. Ele relatou suas experiências com a natureza e de suas habilidades como especialista em agricultura sustentável e de sua colaboração em algumas comunidades na Chapada Diamantina. No meio da tarde fomos tomar banho no rio Cachoeirão, ele passa nos limites da casa. Uma pequena descida te leva às margens, grande poço e corredeiras te convidam a cair na água. Ao fundo temos uma visão incrível das paredes dos morros que formam o vale. A noite chegou e o jantar oferecido foi sensacional: carne de sol, estrogonofe de frango, arroz, feijão, macarrão, farofa de cenouras, abóbora, e suco. Perfeito! Comemos divinamente e continuamos até umas 21h conversando em grupo. A noite estava estrelada. Eu, Wilson e João fizemos uma pequena fogueira próxima à barraca e às 21h30 já estávamos recolhidos. 03 de Julho – 4º DIA (quarta-feira) Às 6h despertamos. Dessa vez procurei me apressar pra não atrasar o grupo. O café da manha foi preparado ali bem próximo às barracas: cuscuz e ovos. 8h15 já estávamos de saída. Tomamos o caminho a esquerda no sentido da casa de Seu Tonho. Atravessamos o leito do rio Pati sobre as pedras para seguir à margem esquerda do rio. Do lado direito margeando todo o leito uma belíssima mata acompanha o curso do rio. Essa caminhada ainda cedo ganhava muita beleza. A quantidade de sons dos pássaros trazia um encantamento fenomenal. O lado esquerdo nos acompanha o Morro Sobradinho, tocado pelos raios do sol. Tudo é maravilhoso! Agora temos forte subida. Logo estamos a 178 metros de altitude em relação à casa de Domingo. O visual belíssimo já nos revela ao longe o Morro do Castelo. 2 horas depois e 5.6 quilômetros fizemos a parada de descanso naquela área conhecida como “prefeitura” que na verdade é um antigo entreposto dos antigos comerciantes e produtores de café do Vale do Pati. A imagem que temos é perfeita, uma pintura que cabe em qualquer quadro.   Nossa próxima parada será na casa de seu Aguinaldo. Deixamos a prefeitura, atravessamos o Rio Lapinha e seguimos a trilha tendo a nossa direita o imponente Morro do Castelo. Seguimos a trilha dentro da mata. No caminho Marquinhos à dianteira nos indica com cuidado a presença de uma cobra Jararaca ali bem no meio da trilha... Imóvel e bem camuflada ela parecia buscar os raios do sol que atravessava os altos dos galhos e folhas daquele lugar. Olhar para o chão sempre, essa e a dica! Um pouco adiante tivemos a oportunidade de cruzar na trilha com Seu Antônio, Seu Tonho. Havíamos passado em frente a sua casinha, logo que saímos da casa de Seu Eduardo, lembra? Seu Tonho surgiu vindo atrás da gente, dentro da mata, na trilha estreita. Montava um burro e puxava outro que levava uma cela de carga (cangalha), seguia vocalizando comandos ao animal. Uma imagem bonita. Retrato de uma historia vida. É um som bonito que ecoava por entre a mata. De perto assistimos como são transportados todos os suprimentos dos nativos dali. O burro é o motor, o transporte. Enfim, depois de três horas de relógio, 8.4 km de distância e 426 metros de ganho de elevação chegamos à casa verde onde mora o casal. Estamos agora no Pati de Cima a 932metros acima do nível do mar. Ali fomos recebidos por dona Patrícia que nos ofereceu seus deliciosos pães caseiros e latinhas de Coca-Cola geladíssimas. Podemos apreciar os sabores ofertados diante de um visual belíssimo: estamos aos pés do Morro do Castelo. Alguns minutos de descanso e seguimos às 13h com nossas mochilas de ataque rumo ao alto. São 400 metros de subidas em meia a mata atlântica preservada, uma trilha íngreme que exige muito mesmo dos joelhos e muita atenção para evitar quedas. Levamos 1h20 minutos para completar os mais de 3 km de trilhas subindo até chegar ate o Morro do Castelo no alto dos seus mais de 1.400 metros. Numa subida tão vertical, não adiantar negar: vai doer. O Morro do Castelo é colossalmente bonito. O fato de existir uma gruta que atravessa todo maciço de quartzito no local faz o morro ganhar ares ainda mais mágicos. É espetacular o conjunto da obra. Adentrar na gruta mexe com a imaginação. Ela possui aproximadamente 800 metros de extensão e para cruza-la se faz necessário o uso de lanternas: a escuridão é total. Não esqueçam as lanternas e muito, muito cuidado ao caminhar, pois há Pedras soltas e pontiagudas por todo percurso. Ao cruzar a extensão da gruta temos do outro lado um visual incrível do Vale do Calixto, ele está no lado oposto ao Vale do Pati. É magico, é incrível! Estamos a mais de 1.400 metros do nível do mar e para onde se olha é um mar de beleza que agrada aos olhos e ouvidos. É o som dos ventos soprando forte que impressiona. Diante de tanta beleza muitos e muitos clicks, mas já é hora de retornar para Casa de Seu Aguinaldo que está 400 metros abaixo. É hora de descer aproveitando a luz do sol. Temos uma trilha dentro da mata e é bom não vacilar. Levamos 1h pra refazer o caminho de volta. Ao chegar corri, junto com o João, para armar nossas barracas na área de frente à residência. Wilson preferiu contratar um pernoite num dos quartos da casa. Nesse momento a temperatura começava baixar um pouco. O sol estava refletindo sem força nas bordas das paredes do Vale. Já estava imaginando a temperatura da água que iriamos tomar banho. Apelei por um aperitivo. Eu e João provamos umas doses de cachaça para ver se a coragem aparecia. Nem sei se isso ajuda. Fomos ao banho: água gelada da mísera! Contratamos o jantar e não nos arrependemos. Dona Patrícia caprichou: carne de sol, macarrão, arroz, salada crua e suco de maracujá. João que não come carne foi contemplado com uma omelete preparada com exclusividade. Todos felizes e de barriga cheia. Ao termino do jantar, enfim seu Aguinaldo apareceu e conversamos bastante. Ele falou de sua vida, da rotina naquele lugar e os desafios de se viver ali. O clima era úmido e a temperatura na casa dos 18 graus. Não tardamos buscar o aconchego de nossas barracas, Wilson se recolheu ao conforto do quarto. É nossa ultima noite dentro do Vale do Pati. 04 de Julho – 5º DIA (quinta-feira) Último dia. Acordei às 6h30. O termômetro marcava 14 graus. O som das águas do Rio Lapinha correndo, dos pássaros cantando e voando pertinho da barraca e a imagem do Morro do Castelo diante de nós marcavam o inicio daquele nosso derradeiro dia no Vale do Pati. Eu já sentia saudades de cada momento. Por outro lado, nosso amigo e guia estava com dores estomacais e apresentava também quadro de diarreia. Ficamos preocupados com a condição física dele. Ninguém merece ficar doente na trilha. Retardamos um pouco a saída. Marquinhos sinalizava que já estava tudo ok, então tínhamos que partir.   Às 9h010 saímos da casa de seu Aguinaldo. Subimos a trilha e seguimos pulando pedras no curso do Rio Lapinha e após caminhar 1.7 km a gente chegava à Cachoeira das Bananeiras. Seguindo o curso daquele rio e 1h 15 depois de nossa partida (2,5 km) estávamos na Cachoeira do Funil que se apresenta belíssima. Cruzamos o leito para pegar a trilha que fica na parte de cima da encosta, próxima a queda d´água. Minutos depois chegamos a Cachoeira da Altina. Ali havia um pequeno grupo de turistas. É uma cachoeira um pouco menor que a do Funil. Deixamos a Cachoeira da Altinha (nome que faz referencia a uma antiga moradora que ali lavava as roupas da família) e tomamos o caminho novamente à esquerda, atravessando o rio e subimos uma trilha íngreme pela mata. Chegamos à igrejinha. Percorremos 4 km contados a partir da casa de Seu Aguinaldo. Ali é a Casa de Seu João. Ela está próxima da Ladeira da Rampa que dá acesso ao Mirante do Pati e os Gerais do Rio Preto. Ali é uma casa que também oferece serviços de recepção aos aventureiros com comida e hospedagem. Lavamos os rostos e tomamos nossas ultimas latinhas de refrigerante dentro do Vale. O sol do meio dia castigava forte. São os testes finais de resistência depois de cinco dias de trekking. Doente, Marquinhos sentia bastante cada passo. Tive pena do nosso Leão da Montanha. Ao meio dia e meio estávamos no Mirante da Rampa. 6 km separam a casa de seu Aguinaldo do Mirante do Pati. E o visual a 1.337 metros é de tirar o fôlego. Ali enxergamos toda extensão do Vale do Pat: é o lugar perfeito para fazer aquelas fotos clássicas. Mas não podemos demorar. Temos horário marcado para nosso resgate lá no Beco, em Guine. O motorista Ari nos aguarda! As 13h10 seguimos nossa jornada pelo magnifica planície que forma as Gerais do Rio Preto. O terreno é um platô de campo rupestre, não há arvores naquele trecho, o lugar é belíssimo. A partir do Mirante, depois de 1,3 km cruzamos o riozinho que dá nome aquele local, o Rio Preto. Seguindo por mais 3.27 km estávamos enfim diante da descida de Aleixo. Eu diria que A Rampa e a Descida do Aleixo são tecnicamente iguais. A diferença e a ordem das coisas. Assim iniciamos nossa descida sob o calor das às 14h em direção ao ponto de encontro. Percorridos mais 2.1 km de trilhas chegamos ao final de um dos trekking mais bonitos desse pais. Foi sensacional! Agora vamos voltar pra Lençóis! Pati_Selvagem_-_Uma_Aventura__-_31_-08.docx
  15. Quando você não está de férias mas quer viajar e não tem muito tempo, Pirenópolis é uma boa opção! Fica bem pertinho de Brasília (2h mais ou menos) e em 2 dias você consegue ter um gostinho de tudo que dá para fazer na cidade. Para organizar a nossa viagem queríamos aproveitar: as cachoeiras, a vida noturna da cidade e subir os morros da região. Os lugares que escolhemos para fazer isso foram: Cachoeiras dos Dragões; Rua dos Restaurantes; e Parque dos Pirineus. Cachoeiras dos Dragões Para começar, saímos de Brasília 7h da manhã, o caminho de ida foi pela BR 060, estrada muito boa com boa parte do caminho com via duplicada. O plano era ir direto para as cachoeiras dos dragões que fica num mosteiro budista mais ou menos a uns 45 minutos de Pirenópolis e funciona de 9h - 17h. Para chegar lá você terá que passar por uma estrada de terra de mais ou menos uns 15km, de carro comum você consegue chegar lá, porém pode sofrer um pouco pois é uma subida e tem muita terra fina. Mas é uma estrada bem sinalizada e não acho que vai precisar de um guia. Chegando no mosteiro você passa por uma orientação rápida sobre as regras do local e já pode ir para a trilha. No local você pode usar os banheiros e encher as garrafinhas de água. Na trilha você vai ter duas opções uma mais leve e outra um pouco mais pesada, as trilhas têm uma boa manutenção e são bem sinalizadas, acho que tem um nível de dificuldade baixa, mesmo sendo 4,5 Km no total você consegue fazer ela toda sem muita dificuldade. Eu fui em outubro lá, época que as chuvas ainda estão voltando então tinha 3 cachoeiras que estavam secas, por isso eles dão um desconto na entrada, mas ainda assim acho que vale a pena, você consegue chegar em lugares da rocha que não seria possível na época da cheia. Rua dos Restaurantes A cidade é bem charmosa e preparada para receber os turistas, ficar a noite apenas andando nas ruas e olhando a cidade já bem interessante. Muita coisa só funciona a noite, uma rua em especial fica cheia de gente e tem vários restaurantes para você escolher. Descobrimos por acaso essa rua apenas caminhando pela cidade, mas é muito interessante para ir jantar e aproveitar a noite, porque nessa rua também funciona algumas casas de festa. Ficamos hospedados no "camping do theo" que nos foi indicado pelas pessoas da cidade mesmo, é um local muito tranquilo fica perto do centro da cidade, então você pode passar pela cidade e voltar a pé mesmo, pode entrar com o carro no quintal e montar a sua barraca do lado. Ele disponibiliza os banheiros e é um senhor muito simpático, conversando com ele você pode usar a geladeira e fogão também. Parque dos Pirineus O parque fica bem próximo a Pirenópolis, porém você tem que pegar uma estrada de chão de mais ou menos 12km para chegar lá, que para ir de carro comum você vai gastar um tempo a mais, devido as imperfeições que a estrada fica por conta do vento. Se você for voltar para Brasília, deixar o parque como última atração é muito bom, porque você já tem uma saída para a direção de Brasília que corta uma grande caminho da estrada convencional. Você sai na BR 070 dessa vez, que não é duplicada, mas é uma estrada em boas condições e chega em Brasília em 1:15h apenas. O parque tem várias trilhas pela "cidade de pedras" porém são trilhas sem muita manutenção e nenhuma sinalização, então é importante ir com um guia se quiser fazer as outras trilhas do parque. Porém você pode ir para a atração mais visitada que é subir os morros, aí você não precisa de guia, pois o caminho é bem simples e você vai ter uma vista linda de toda a região, já que você vai está a 1385m de altura em relação ao nível do mar. O morro que tem a capelinha tem uma subida simples, mas se você quiser subir os outros a trilha não é tão simples e terá que subir por trilhas sem sinalização e com uma dificuldade um pouco maior. Mas se você gosta de paisagens vai gostar da vista que os morros têm.
  16. Essa é uma das poucas trilhas que já fiz, porém foi a mais linda e mística para mim. Feita no início de 2018 um tempo após o Réveillon. Foi feita com meu ex companheiro na época, que já tinha feito outras vezes e possui bastante experiência em trekking. Para quem não conhece, essa trilha era uma passagem feita antigamente pelos tropeiros com seus animais levando alimentos e outras coisas ao povo das comunidades próximas. Cheguei cedo em Lençóis por volta das 5:40, e então comecei a fazer a trilha seguindo pelo Hotel Portal de Lençóis onde se inicia uma subida para a trilha, distanciando do barulho da cidade já se notava o silêncio e o som dos pássaros. O início da trilha você ainda vai passar por umas casas até ver apenas a natureza e mais nada. É uma trilha de muita subida no início e em sua maioria por Lençóis ficar em nível abaixo do Vale do Capão. Levem bastante água pois essa parte da trilha é cansativa. Nessa primeira foto mostra a primeira subida e Lençóis ao fundo, uma paisagem sensacional. Essa trilha é composta por muitos paredões, o que deixa um pouco cansativa no início pelas subidas. O lindo é que no meio dessas rochas podemos contemplar a beleza da vegetação nativa, com bromélias brotando entre as pedras, cactos exóticos com total exuberância, lindos de ver. Após um tempo de subida vem um córrego onde fizemos o primeiro cafezinho e nos abastecemos com água. E foi um café com um lanchinho espetacular, no meio do nada, distante de toda forma de barulho e stresse, podendo contemplar apenas o barulhinho da água e som dos pássaros. Tem coisa melhor que isso? Após mais um bom tempo de caminhada avistamos uma pequenina queda d'água onde pude me banhar e relaxar um pouco.(não cito os nomes do locais pois não gravei nada). Por mais um pouco de andança já entramos em mata fechada e úmida (Rain Forest) onde tem várias nascentes e córregos, com pedras e limo e plantinhas bonitinhas parecendo aqueles filmes místicos onde se tem duendes, fadas, druidas, elfos. E foi nesse local que decidimos montar acampamento pois o dia já estava se fechando, o cansaço já tomava conta dos nossos corpos e já caia a tarde, era por volta das 15h se não me engano. Montamos a barraca de frente a um dos vários córregos existentes, e ficamos explorando um pouco a área ao redor. Era muito encantador aquela floresta lindinha. Fomos pegar algumas palhas secas para acender uma fogueira, já que a noite seria fria. A noite cai e podemos ouvir sapinhos cantando muito próximo a nós. Noite melhor não teve, som de água caindo e vários frogs. Pela manhã após o café levantamos nossa barraca e seguimos adiante, quase nos perdemos em um momento da trilha pois estávamos seguindo pelo Wikiloc e nossos celulares acabaram as baterias. Tivemos que seguir pelo mapa de bolso e por percepção de trilhas batidas. Nessa parte já contava com muitas descidas e paredões onde se passava um rio muito bonito. Lembro-me muito bem de ver o lindo morro Branco. Após essas descidas passamos pelo Morrão e Conceição dos Gatos e a trilha fica bem batida e já avistamos muitas pessoas. Andando um pouco mais já se chega às casas do Vale.
  17. Entre novembro e dezembro de 2018 tiramos 10 dias percorrendo o litoral catarinense, 3 foram em Bombinhas e Floripa; cartas marcadas. A parte mais interessante/surpreendente da viagem começa depois da Praia do Luz, mas é impossível não falar nada de Garopaba, Embaú e o Rosa. No total foram mais de 20 praias além Rosa Sul, da quais pelo menos 7 foram memoráveis surpresas. Como Garopaba e o Rosa já são nossos velhos conhecidos, se é que isso é possível, cada vez que volto lá descubro um cantinho novo. Dessa vez foi a Igreja Matriz de São Joaquim, e os sinais indígenas que consegui achar. GUARDA DO EMBAÚ O primeiro dia paramos às 8:00 na Guarda do Embaú, dia perfeito, lá tudo é perfeito. Conseguimos estacionar tranquilo na rua, e partimos a nado cruzei o Rio da Madre, estava uma temperatura agradável. Fomos à Prainha da Guarda e a Lagoinha, depois uma árdua subida até a Pedra do Urubu, a vista lá de cima é sensacional. Inclusive conhecemos um médico que subiu logo após, não acreditei quando ele começou a me contar que tinha medo de andar na trilha e ser atacado por um animal selvagem, rimos bastante. Afinal ele é um profissional que trabalha encarando a morte todos os dias. Descemos, esfomeados. Foi difícil encontrar um restaurante legal para almoçar, só haviam dois abertos: um na margem do Rio da Madre com comidas de turista e um mais no meio da vila com uma comida mais simples no estilo buffet, nossa escolha afinal. Pegamos a estrada, uma longa estrada para chegar a uma praia que fica só uns 4 km da Guarda, a Praia da Gamboa. PRAIA DA GAMBOA A primeira impressão não é muito impactante. Neste dia estava bem deserta, a areia é meio grossa, tem uma água que escorre dos pântanos do entorno, dá um certo nojinho. Mas é sim uma bela praia e que vale a parada, a areia apesar de grossa é bem limpa, e tem umas sombras mais pro meio da praia que me renderam boa hora de cochilo. Saímos de lá umas 16:00 para ir até o Siriú onde seria nosso acampamento. A estrada de terra que liga as duas é uma miragem, vale muito a pena, até porque se for dar a volta pelo asfalto são uns 30 km a mais. EXPLORANDO GAROPABA Chegamos no Siriú e fomos direto para a praia tomar um banho novamente, e procurar um SUP para o dia seguinte. Achei o Clodoaldo, um simpático senhor e fechamos por um precinho camarada na manhã seguinte duas pranchas. Acampamos, num camping muito aconchegante, e bem estruturado. No dia seguinte às 7:00 já estávamos rumando para a Lagoa do Siriú, onde fizemos um passeio longo até às 10:00 remando, tá certo que a última meia hora foi um caos, o vento nos castigou em contrário. Ainda fomos nas dunas fazer uma esfolação. Dessa vez fiz sandboard, cai tombos de todos os jeitos mas aprendi, kkkkk. O negócio difícil! no começo. Como se não bastasse fomos para o Rosa Sul e trilhamos pela Trilha do Luz sob os últimos raios do Sol. Um espetáculo. Para voltar pedimos informação e entramos num túnel de árvores que leva até o Rosa, o tal do Caminho do Rei. Não foi nada fácil, com pouca luz, o tamanho da subida, e o cansaço acumulado, precisamos fazer algumas pausas inclusive. Mas no final achamos uma viela que cortava, depois de terminar o caminho do rei, cerca de 1 km pela estrada comum. Um pouco de medo de entrar em local privativo? Tivemos, mas o cansaço era mais forte que o medo, kkk. No dia seguinte, fizemos 16 km entre Praia da Ferrugem e Praia do Rosa uma trilha sensacional, na verdade a junção de 3 trilhas (Trilha da Caranha, Trilha do Ouvidor, Trilha da Praia Vermelha). Pela areias e costões foi sensacional.Após uma bela anchova triturada na vila da Ferrugem e um cochilo para repor as energias, nada como um banho refrescante na Praia da Vigia, apesar dos ardido da areia esfolada, para relaxar. Antes da noite fomos ver o Sol se pôr do Morro das Antenas, conheci um morador muito simpático, ficamos conversando até a noite cair por completo. Durante uma passeio na Vila, que começou a chover, aproveitamos para visitar a Igreja de São Joaquim - obra prima, e a convite de um simpático capelão ficamos para acompanhar a missa. ALÉM DO COMUM No dia seguinte, saímos cedinho novamente. Conhecemos a Lagoa de Ibiraquera, e sua praia agradável. Curioso que a partir daqui a paisagem muda drasticamente, de montanhas cobertas de verde, passamos a uma vastidão de areia fina, coberta por pequena ilhas de arbustos e esparsar árvores características do litoral catarinense. Sempre a beira Mar, sejam as estrada pavimentadas ou extensas costeletas (estradas não pavimentadas de areia) que parecem desgrudar os órgãos internos de que se aventura por elas. Chegamos na Praia da Ribanceira, também muito bela, e já quase deserta, mas o que mais impressionou foram alguns metros de areia depois de um trilha de 500 m, numa ponta de Mar que já destruiu uma edificação de suporte aos pescadores fica a, de nome não menos apropriado, Praia dos Amores: fácil se apaixonar. Ademais conhecemos um morador, muito simpático que nos indicou outra preciosidade do lugar acessível apenas por trilha, a Praia da Água. Lá fomos nós cruzar a elevação. Por ela, vários mirantes colocados pelos pescadores que em junho esperam ansiosos os cardumes de tainhas e a Baleia Francas, e que a nós só mostraram tartarugas sofrendo contra a fúria de Poseidon que com as ondas lançava-as na encosta pedregosa. Depois ainda passamos pelas praias de Imbituba, fizemos a trilha do Farol de Imbituba, saindo da Praia da Vila pelo costão e retornando pela trilha comum. Poderia ser chamado de Praia dos Lagartos, tamanha era a quantidade desses répteis que vimos por lá. Ainda seríamos surpreendidos nesse dia pela paixão de um holandês que nos surpreendeu com seu acervo de conchas, inexplicável. Antes de nos escondermos na noite, fomos fazer mais uma trilha, curta, ao menos era o que esperávamos. Minha nossa, foram 2 h intermináveis de sobe e desce rochas, até que saímos na Praia de Itapirubá Sul. Bom, que valeu a pena o rochoso é a melhor experiência de Itapirubá, depois do Museu das Conchas. Cansados, e esfomeados partimos por mais algumas praias, poderíamos dizer mais uma, só não dizemos porque é uma longa extensão de areia com alguns balneários. Acabamos chegando quase à noite já na Ponta do Gi, mais especificamente na Praia do Sol, a tempo apenas de entrar para o camping. O dono logo saiu e ficamos só nos, naquele deserto. Confesso que passei algum medo, lá na Ribanceira o morador tinha falado de alguns saqueamentos que haviam ocorrido recentemente naquela região, simples assim o bando chegava e levava tudo, deixando os campista sem nada, o que me confortava um pouco era o fato de o pátio ao menos ter muro. Seguirei contando, daqui a pouco...
  18. O nosso principal objetivo em visitar o Equador era subir o Cotopaxi. Para isso, planejamos um programa de aclimatação que é extremamente recomendado para aumentar o sucesso e diminuir as chances de ter o famoso mal de altitude. Quito foi escolhida como a nossa cidade base. Ponto de partida de todos os nossos hikings e subidas. Durante o tempo livre tentamos conhecer o que Quito tem de melhor. Dá uma olhada como foi. Quito Como chegamos Chegamos em Quito vindos do Canadá pela AeroMéxico. Gostamos bastante do serviço e a conexão na Cidade do México foi muito mais comoda do que se tivesse sido no Panamá. O voo de Toronto à Cidade do México e de lá até Quito tiveram duração de 4h e alguns quebrados cada um. Nada mal, não? Onde nos hospedamos Em todas as noites que passamos em Quito, ficamos hospedados no Centro Histórico. Exite uma corrente que diz para se hospedar no bairro La Mariscal. Eu entendo. Um bairro mais jovem, novo, mais vibrante durante a noite. Mas o Centro Histórico me agradou bastante. O hostel que ficamos foi o Masaya Hostel. Sem dúvida, o melhor hostel que ficamos até aqui, de longe! Limpo, organizado, repleto de serviços e conveniências e sua localização era perfeita. Pertinho das principais atrações do centro histórico e da calle La Ronda, conhecida pela sua noite agitada. O que fizemos CONHECEMOS O CENTRO HISTÓRICO DE QUITO Passear pelo centro histórico de Quito é uma experiência a parte. É considerado um dos mais bem preservados de toda a América Latina e de quebra é tombado pela Unesco, como o primeiro patrimônio cultural da humanidade em 1978. Quer mais? Os prédios históricos estão em excelente estado de preservação e o interior das igrejas é de impressionar, principalmente na Iglesia de la Compañía de Jesús e na Basílica del Voto Nacional. Tire um dia inteiro para conhecer tudo, é mais do que o suficiente. As principais atrações (no nosso ponto de vista), com destaque, são: Plaza de la Independencia: sente no banco da praça e veja a vida acontecer no centro da capital equatoriana. Palácio de Carondelet (residência oficial do presidente do Equador): se você tiver sorte, poderá ver a troca da guarda presidencial e quem sabe o próprio presidente do Equador, que costuma acompanhar a cerimônia. Catedral Metropolitana de Quito. Calle de las 7 cruces (Calle Garcia Moreno): 7 igrejas construídas umas perto das outra, elas fazem parte de uma das ruas mais charmosas de Quito. Visite uma por uma e termine o trajeto na Plaza de la Independencia. Iglesia de la Compañía de Jesús: a mais impressionante de todas as igrejas de Quito. Seu interior é totalmente folheado a ouro. Fotos não são permitidas e o acesso é pago (USD 10). Aqui também foi enterrado o corpo do presidente Gabriel García Moreno, um dos presidentes mais venerados do Equador. Plaza e Iglesia San Francisco: praça e igreja de mesmo nome, ambos valem a visita. O interior da igreja é também revestido em ouro, mas não como a Iglesia de la Compañía de Jesús. Plaza e Iglesia de Santo Domingo. Basílica del Voto Nacional: possui uma arquitetura gótica totalmente diferente das demais igrejas da cidade. Chega a lembrar a Catedral de Notre-Dame de Paris de tão imponente que é. O detalhe interessante é que você pode visitar os terraços da igreja que são acessíveis ao público. Dá pra ver a cidade de Quito de lá de cima. O único problema é conseguir subir, pois as escadas são bem estreitas e não é todo mundo que tem coragem de se arriscar por ali. USAMOS O TELEFÉRIQO Mesma regra vale para Bogotá. Se for a Quito, não deixe de ir ao TelefériQo. A forma mais simples de ir até a estação base do teleférico é de táxi. Do centro histórico até lá, uma corrida vai te custar no máximo 4 dólares. A viagem ida e volta custa USD 8.50 para estrangeiros. Entrada do teleférico de Quito. Além da vista incrível de Quito e dos arredores (se tiver sorte, vai poder ver quase todos os principais vulcões da redondeza), você pode lanchar ou fazer uma pequena caminhada até um dos mirantes. Entretanto, uma das coisas mais legais pra se fazer quando se usa o TelefériQo é subir até o cume do Rucu Pichincha (confere aí embaixo). SUBIMOS AO CUME DO VULCÃO RUCU PICHINCHA Se você curte uma boa caminhada com um pouco de adrenalina, sugiro fortemente você tentar subir o vulcão (inativo) Rucu Pichincha. A trilha é bem sinalizada na maior parte do tempo e o vulcão, com ponto mais alto à 4698 metros de altura, é uma das principais atividades de aclimatação se você almeja subir montanhas maiores no Equador. Foi o que fizemos e recomendamos bastante. Otaválo Otaválo vale a visita pois é uma cidade atípica. Além do mercado de artesanato, o que a maioria dos turistas vao ver, Otavalo e os seus arredores oferecem muito mais. Uma das coisas é a Laguna Cuicocha e os vulcões ao seu redor. Como chegamos Chegamos de ônibus, vindos de Quito (Terminal Carcelén). A passagem de Quito até Otavalo custou em torno de USD 2.5 por pessoa e durou 2h30 mais ou menos. A viagem foi tranquila e boa parte da estrada é duplicada. Onde nos hospedamos Ficamos no Hostel El Andariego, que ficava à algumas quadras da Plaza de los Ponchos, ponto principal da cidade de Otaválo. O hostel era simples, mas super limpo e confortável. Pagamos USD 23 por noite para um quarto privado sem café da manhã. Recomendo se você quer passar uma noite em Otaválo. O que fizemos MERCADO DE ARTESANATOS Principal atração da cidade de Otaválo. É considerado o maior mercado de artesanatos indígena do mundo. Funciona durante o ano todo e durante todos os dias da semana, mas se você quiser vê-lo em seu tamanho máximo, vá no sábado. Também nos sábados, acontece o mercado de animais. Não fomos nesse, só visitamos o de artesanatos mesmo e foi suficiente. O que muita gente não sabe é que durante a noite o mercado continua em funcionamento só que com barracas de comidas típicas de todos os tipos. Se puder dormir um dia por lá, vale a pena visitar o mercado noturno. Foi lá que encontrei pamonha, que os equatorianos chamam de Humita. LAGUNA CUICOCHA A Laguna Cuicocha é uma destinação completa. Além das belas vistas da lagoa (que é a cratera de um vulcão inativo), você pode fazer o hiking ao seu redor em uma trilha chamada Sandero de las Orquídeas (sim, lá existem mais de 10 espécies diferentes de orquídeas, por isso o nome). São 14 km de trilha bem sinalizada que são feitos normalmente entre 4-5 horas. A trilha é linda e fica linda durante todo o percurso, principalmente pela presença dos vulcões ao redor da lagoa. Para acessar a Laguna Cuicocha, você tem que pegar um ônibus de Otaválo à Cotacachi e parar em Quiroga. Lá, você vai pegar um táxi rumo à lago. Tudo por menos de USD 6. Iliniza Norte Os Ilinizas, um conjunto de duas montanhas que eram antigamente um só vulcão é um ponto turístico muito conhecido pelos amantes da altitude. Não é muito comum vir conhecer uma das duas montanhas sem ter um plano maior pela frente, como por exemplo subir o Cotopaxi ou qualquer outro vulcão/montanha da redondeza. Foi o que fizemos. Subimos o Iliniza Norte, a menor das duas montanhas com 5126 metros de altura. Vale a pena! Assim como o Cotopaxi, o acesso ao Iliniza é feito normalmente com uma agência. Cotopaxi O vulcão Cotopaxi é um dos principais destinos no Equador, pois oferece de tudo. É o vulcão mais ativo do Equador com 5897 metros. Para ter acesso ao Cotopaxi, normalmente você terá que contratar os serviços de uma agência. Para os curiosos, você pode subir até o refúgio e tomar um chá com bolo quentinho. Pros que querem descanso, você pode se hospedar em umas das várias haciendas e ficar admirando o silêncio e a vista. Você pode andar a cavalo ou de bicicleta pelo Parque Nacional Cotopaxi com o vulcão de plano de fundo. E para os aventureiros e corajosos, você também pode tentar descer parte do vulcão de bicicleta ou subir ao cume do vulcão. Subir ao cume do Cotopaxi não foi fácil, mas a experiência foi incrível e posso afirmar sem nenhuma dúvida que se você for ao Equador e não conhecer o Cotopaxi, você vai se arrepender muito! Vai por mim. Conclusão Essa primeira parte da nossa visita ao Equador foi muito intensa. A cidade de Quito, além de ser nossa base durante quase 10 dias, foi também a nossa casa. Foi uma bela surpresa e gostamos bastante de cada rua e atração. Não tenho nem palavras para descrever os arredores, as coisas que fizemos a partir de Quito. A mais marcante vai ser sem dúvida, ter subido ao cume do Cotopaxi. Só de lembrar, já dá saudade... Quer ler mais sobre as nossas viagens? É só acessar o nosso site: www.feriascontadas.com
  19. Ah Galápagos! Famosa pela teoria da evolução de Charles Darwin, hoje é muito mais do que isso. Nos últimos anos, as ilhas vêm recebendo cada vez mais turistas de todo o mundo, em busca das mais variadas atrações que as ilhas oferecem: cruzeiros luxuosos, mergulhos, observação dos animais e plantas, trilhas por vulcões ativos e descanso em praias paradisíacas. Difícil de acreditar que um lugar como esse existe. Gostou do aperitivo? Então dá uma olhada no que fizemos por lá durante a nossa visita. Ilha de Santa Cruz Ficamos 3 dias em Santa Cruz e achamos o suficiente para conhecer por completo as principais atrações da ilha. Conhecemos as principais praias, demos um rolê em Puerto Ayora e conhecemos a famosa Estação Científica Charles Darwin. Planejamos também visitar um das fazendas para observar as tartarugas gigantes, mais o passeio melou aos 45 minutos do segundo tempo. Como chegamos Voo de Quito (com escala em Guayaquil) à Baltra, uma pequena ilha ao norte de Santa Cruz. Todo o trajeto foi feito com a companhia Tame. Já adianto que o preço da passagem vai te desanimar um pouco. Fizemos a estratégia de chegar por Santa Cruz (Baltra) e ir embora de Galápagos por San Cristóbal. Assim, ganhamos tempo e deu pra aproveitar mais cada ilha. Onde nos hospedamos Em Santa Cruz, nos hospedamos no Galápagos Best Hostel. O local é bem simples e bem afastado do centro de Puerto Ayora (uns 20 minutos de caminhada). Entretanto, gostamos bastante do hostel. Era limpo, água quente e os quartos privados tinham uma mini cozinha. Fizemos o café da manhã todos os dias que ficamos em Santa Cruz. Valeu a pena! O que fizemos Santa Cruz foi de longe a ilha com a melhores praias. Além disso, é a ilha mais desenvolvida do arquipélago, então, você vai encontrar mais opções de restaurantes, comercio, agências, etc. PUERTO AYORA A maior cidade de Galápagos, também a mais desenvolvida. Puerto Ayora é o ponto de partida para quem quer conhecer tudo em Galápagos. Agências de viagens estão espalhadas por várias ruas. Em uma das ruas principais, a Av. Charles Darwin, você vai encontrar inúmeras opções de restaurantes, dos mais ocidentais (hambúrguer, pizza, batata frita, etc.) até os mais tradicionais de comida local. Nós, por outro lado, amamos a Av Binford. A rua concentra vários restaurantes de comida realmente local. De noite fica super movimentada. Se você quer um almoço com um precinho mais amigo ( por volta de USD 5.00), é lá que você vai encontrar. Outro destaque é o Mercado de Peixes de Puerto Ayora. É lá que os barcos carregados de pescado chegam para serem pesados, lavados e vendidos. Mas a clientela não é só de pessoas. Toda a fauna de Galápagos se reúne por lá: leões marinhos, pelicanos, pássaros, iguanas, etc. Todo mundo esperando a oportunidade perfeita para roubar um pedaço de peixe. Vale a visita. TORTUGA BAY E PLAYA MANSA Tortuga Bay. As ondas eram mais intensas. Vimos vários surfistas por lá. Pegando uma trilha de 2 km por dentro da vegetação típica de Galápagos, você vai acessar primeiramente Tortuga Bay, uma praia onde o banho não é recomendado, mas que é linda mesmo assim. O acesso a praia é gratuito. A areia é branquinha e o mar azul claro. Várias iguanas passam constantemente por você e em algumas pedras, você vai poder ver os famosos caranguejos vermelhos de Galápagos. Playa Mansa. Dá pra entender o nome, não dá? Andando mais um bocadinho, você vai chegar no ponto alto de Puerto Ayora, a Playa Mansa. Tire pelo menos metade de um dia para relaxar nessa praia. A água é bem calma e você pode ficar um tempinho na areia, perto das árvores, só relaxando. O único problema é que a praia pode ficar muito cheia a partir do final da manhã. LAS GRIETAS E PLAYA LOS ALEMANES Normalmente você vai fazer Las Grietas e Playa los Alemanes em uma só tacada. Pra chegar lá, você vai ter que pegar um barco no porto de Puerto Ayora por USD 0.5 que vai te levar até um hotel/restaurante. Descendo, é só seguir a plaquinha que indica "Las Grietas" que não tem erro. Depois de percorrer uma trilha bem curta, você vai chegar em Las Grietas. Um pedaço de mar localizado entre dois rochedos enormes, ideal pra se refrescar rodeado de peixes. Já a Playa los Alemanes é bem pequenininha, mas muito linda. Ficamos sentados alguns minutos olhando a paisagem e pudemos ver, sem entrar na água, vários peixes e duas arraias que passavam tranquilamente entre os banhistas. PLAYA EL GARRAPATERO Essa praia fica mais afastada de Puerto Ayora. Pra chegar lá, tivemos que pegar um táxi que nos custou, ida e volta, por volta de 30 dólares. A praia é maravilhosa. O taxista te deixa em um estacionamento (combine o horário da volta) e você tem que andar por uns 15 minutos antes de chegar na praia propriamente dita. Playa El Garrapatero. O lugar é um paraíso. Quando fomos, vimos alguns leões marinhos (um inclusive dormia a menos de 2 metros das nossas mochilas), pelicanos, iguanas e uma garça cinza linda. Além disso, se você quiser, você pode alugar caiaques que ficam disponíveis na entrada da praia. Não chegamos a perguntar os preços, mas fica a dica. ESTAÇÃO CIENTÍFICA CHARLES DARWIN Fica pertinho de Puerto Ayora e dá pra ir andando mesmo. Lá funciona um centro de pesquisa e recuperação animal. O centro é aberto ao público e a entrada é gratuita. Dentre as principais atrações, você vai poder visitar um pequeno museu da biodiversidade das ilhas de Galápagos; vai poder ver o George, a tartaruga mais famosa de Galápagos que morreu em 2012 (ele foi empalhado e se encontra em uma câmara resfriada para sua preservação); e vai poder ver inúmeras tartarugas gigantes e iguanas que estão sob cuidado do centro. Vale muito a pena a visita. Ilha San Cristobal Foram somente dois dias em São Cristóbal, mas muito intensos. Aqui, a principal atração foi os leões marinhos. Estavam por todos os lados, em todas as praias que visitávamos. Como Chegamos Chegamos de barco, vindos de Puerto Ayora. Compramos os tickets em uma agência de viagens qualquer perto do porto. Sim, você pode comprar o ticket entre as ilhas em qualquer agência. Eles contactam as empresas que fazem os percursos e tudo funciona direitinho. Só não deixe pra última hora, porque a procura é grande e são poucos barcos por dia. Pagamos USD 30 por pessoa para a viagem de barco entre Santa Cruz e San Cristóbal. A viagem demora cerca de 2 horas e meia e é um pouco desconfortável. A lancha é bem pequena (devem caber umas 20 pessoas no máximo) e não há espaço para acomodar os braços. Além disso, dependendo da condição do mar, a viagem pode ser um pouco enjoativa. Tivemos sorte que o mar estava calmo no dia que fomos. Onde nos hospedamos Em San Cristóbal nos hospedamos no Guesthouse Hostal Cattleya. Sabe aquelas pousadas do Brasil, onde os próprios donos tocam o lugar e conseguem fazer você se sentir em casa? Ficamos em um quarto triplo (reservamos em cima da hora...) bem simples, mas arrumadinho e limpo. O café da manhã estava incluso e era preparado pelo donos (pão comprado no dia, frutas, iogurte, e um cafezinho bem preparado). No momento da reserva, a dona entrou em contato comigo para pedir mais informações da nossa chegada. Quando chegamos em Puerto Baquerizo Moreno, o marido dela já estava nos esperando e enquanto nos acompanhava a caminho do hotel ele nos deu várias dicas. Recomendadíssimo! O que fizemos Basicamente praias e contato com a natureza! Tínhamos somente 2 dias para aproveitar a ilha então resolvemos gastar todo o tempo na praia, curtindo o tempo que faltava antes de voltar pra casa. PUERTO BAQUERIZO MORENO Pôr do sol em Puerto Baquerizo Moreno. Não preciso acrescentar nada... Capital de Galápagos e ponto de partida para todas as praias da redondeza. Diferente de Puerto Ayora, as praias aqui estava um pouco mais perto do centro. Fomos andando para todas elas sem nenhum problema. Aproveite o final da tarde para ver os leões marinhos que se encontram aos montes e para comer em um dos restaurantes espalhados pela rua principal da cidade. PLAYA MANN A Playa Mann é a mais próxima do centro de Puerto Baquerizo Moreno e uma das mais populares para ver o pôr do sol em San Cristóbal. No final da tarde, centenas de pessoas se reúnem nas areias da praia para ver o espetáculo e alguns se arriscam a tomar um banho de mar. A praia também é frequentada pelos leões marinhos. Se você estiver procurando um lugar para almoçar ou tomar um suco de fruta, é na Playa Mann que você vai encontrar vários restaurantes. São restaurantes simples, mas que servem uma comida deliciosa e com preço em conta. Recomendo. PLAYA PUNTA CAROLA Um pouco mais ao norte da Playa Mann, se encontra a Playa Punta Carola. A praia não é tão boa para banho pois é repleta de rochas. Entretanto, a água é cristalina e você vai ter a companhia constante de leões marinhos que usa a areia da praia para descansar. Ela também é mais intocada que a sua vizinha Playa Mann, com mais árvores e locais de descanso. É de lá que parte a trilha para o mirador Cerro Tijeretas, parada obrigatória em San Cristóbal. MIRADOR CERRO TIJERETAS E MUELLE TIJERETAS Uma pequena trilha vai te levar para o mirador Cerro Tijeretas. O mirador proporciona vistas incríveis de San Cristóbal, principalmente de Muelle Tijeretas, um pequeno pier onde a galera aproveita pra mergulhar e observar a vida marinha da ilha. Na mesma trilha, se encontra a famosa estátua de Charles Darwin. PLAYA LA LOBERIA Lobos marinhos descansando na beira da praia - La Loberia. Foi o dia mais tranquilo da nossa visita à San Cristóbal. Não tínhamos hora pra ir e nem para voltar. O plano era ir bem cedo para Playa La Loberia, voltar mais ou menos de tarde e ver o por do sol na Playa Mann (pela segunda vez). Fomos andando do hostel até a praia. Foi uma caminhada longa, mas nada impossível. Lá, tivemos nossa mais intensa experiencia com leões marinhos da viagem. Eles estavam por todos os lados. Não é a toa que a praia se chama La Loberia. Eles mandam por lá. Não se importavam com ninguém e em alguns momentos, até chegavam a avançar nas pessoas que entravam na água. Um momento muito especial foi quando vimos um casal de leões marinhos brincando dentro da água e correndo um do outro. Nadavam muito rápido, saltando como golfinhos para fora da água. Valeu muito a pena visitar essa praia! Conclusão sobre Galápagos Galápagos foi um lugar que me expôs a vários tipos de emoções e experiencias. Galápagos é um paraíso, repleto de vida e energia, que vai te fazer pensar sobre como estamos cuidando da nossa natureza. Um lugar onde a vida selvagem consegue viver em quase-harmonia com os homens. Um lugar inesquecível. Quer ler mais sobre as nossas viagens? É só acessar o nosso site: www.feriascontadas.com
  20. O dia começou bem cedo para nós. O motorista nos buscou as 8h da manhã e o nosso primeiro destino seria Machachi, uma cidadezinha a alguns quilômetros de Quito. Lá, nos encontraríamos com o nosso guia e acertaríamos os últimos detalhes para o Iliniza Norte. Não esperava nenhum grande esforço no primeiro dia. Seria um hiking de umas 4h até o refúgio Nuevos Horizontes (4700 metros de altura). Seria muito parecido ao do Rucu Pichincha que havíamos feito no dia anterior. De lá, no dia seguinte, faríamos o ataque ao cume do Iliniza Norte, com seus 5126 metros de altitude. Chegamos na entrada da reserva ecológica por volta das 10h30 e lá pelas 11h, começamos a subida até o refúgio. Estávamos um pouco cansados do dia anterior. Deu pra sentir o desgaste. Pra piorar, tivemos que levar muito mais peso do que o esperado, o que dificultou ainda mais a subida. O começo lembrava muito a trilha do Rucu Pichincha. Era praticamente a mesma paisagem. Vegetação rasteira, cor verde musgo e muita poeira. Alguns quilômetros depois, a neblina veio com força e a inclinação da trilha aumentou consideravelmente. Tínhamos que fazer ziguezagues constantes. Não via a hora de chegar, mas parecia que era interminável. A parte final seria uma grande montanha de areia cinza e pedras soltas. 1h de subida desgastante. Após vencer o último obstáculo, vimos uma casinha amarela bem distante. Era o refúgio Nuevos Horizontes, o primeiro refugio construído no Equador. Estava envolto em neblina. Também deu pra sentir que a temperatura havia caído drasticamente naquele ponto. Enfim estávamos no refúgio. Fomos os primeiros a chegar por incrível que pareça. O refugio era bem pequeno. Tinha uma pequena mesa e dois banquinhos de madeira bem na entrada. Vários beliches encostados uns nos outros, bem apertado e uma pequena cozinha, onde o administrador do lugar, "Gato", fazia a coisa funcionar. Não deu tempo nem de colocar as mochilas na cama e já tinha uma sopinha e um chá quentinhos nos esperando. O guia aproveitou o momento e disse que o refúgio aceitaria mais pessoas do que o normal e teríamos que dormir nós 3 juntos em uma cama para 2. "Sem problemas", pensei sem refletir muito. Terminamos a sopa e logo fomos tirar uma soneca. Isso era por volta das 14h da tarde. O silêncio estava maravilhoso. Dava pra ouvir o coração batendo tentando levar oxigênio pra todo o corpo a mais de 4700 metros de altitude. Isso tem seu preço. O corpo usa muito mais rápido o líquido que entra e por conta disso, a vontade de fazer xixi é quase instantânea. E não é qualquer xixi, é muitooo xixi. Bom, uma hora depois, outros grupos foram chegando. O silêncio deu espaço ao barulho. Conversa pra lá e pra cá, e nós ali deitados, tentando descansar ao máximo para o dia seguinte. Foi então que a vontade de ir ao banheiro veio. O banheiro ficava no lado de fora. Eram duas cabines bem rústicas, sem luz e bem sujas. O que esperar além disso? Vamo que vamo. A aventura de usar o banheiro nessas condições poderia render um post separado, mas vou deixar a sua imaginação fazer o resto. Voltando ao refúgio, era hora do jantar. Nos sentamos na mesa com um grupo de mexicanos e começamos a comilança. Uma das meninas virou pra mim e disse "ça va?". Fiquei meio confuso. Sei falar francês mas esperava um "¿Como estás?". Olhei com cara de bunda pra ela e logo veio a pergunta "De onde vocês são?". Prontamente disse que era brasileiro e todos os mexicanos falaram "HA! eu disse, ou eram brasileiros ou franceses!". Foi a deixa para muita conversa e troca de experiências. Voltando ao jantar, uma sopa veio como entrada. Era uma sopa de legumes neutra. Tinha pedido um cardápio sem lactose. Gato virou para mim e perguntou, pode ter um pouquinho de leite? Ou aceitava ou não comeria nada naquela noite, então disse que não tinha problema. O prato principal foi frango cozido, arroz quentinho e abacate maduro. Uma delícia! Pra finalizar, pêssegos em calda. Tudo acompanhado com chazinho quentinho. O jantar elevou a nossa moral em todos os sentidos. Voltamos para a cama e tentamos descansar até as 4h do dia seguinte. Não deu nem 1h depois do jantar e já estava com vontade de ir no banheiro de novo. E lá vamos nós novamente. Sair do saco de dormir, vestir a bota e encarar o frio do lado de fora pela vontade de fazer xixi que era interminável. Era quase 1 minuto de xixi, coisa que nunca tinha visto na vida. O corpo parecia está em seu modo de sobrevivência, produzindo xixi em uma taxa acelerada para se manter em funcionamento. Essa teria sido a última ida ao banheiro antes do ataque ao cume. De volta a cama, coloquei novamente o saco de dormir e dessa vez o guia se juntou a nós. Lembra que dormiríamos 3 em um lugar de 2? Pois eu tive que ficar no meio, entre o guia e a Gabriela, por motivos óbvios. Só não contava que seria espremido durante horas noite a dentro. Resolvi dormir do lado contrário e foi assim que consegui recarregar minhas energias até as 4h da manhã, quando acordamos para atacar o cume do Iliniza Norte. Veja a segunda parte (Iliniza Norte – O ataque ao cume) Quer ler mais sobre as nossas viagens? É só acessar o nosso site: www.feriascontadas.com
  21. Primeira atividade de aclimatação à altitude. Nesse dia, faríamos o hiking em volta da Laguna Cuicocha, localizada a alguns quilômetros de Otaválo. O Sandero de las Orquídeas, como é chamada a trilha que circunda a lagoa, possui 14 km de extensão e é feito normalmente em 4-5 horas. É uma bela experiência pra quem quer conhecer mais a região ao redor da cidade de Otaválo, além do seu famoso mercado artesanal. Chegamos ao terminal de Otaválo bem cedo. Mal tínhamos tomado café e já estávamos procurando o ônibus rumo à Cotacachi (USD 0.35). Esse ônibus faz uma parada em Quiroga, um pequeno povoado de onde saem os táxis rumo à Laguna Cuicocha. Não deu erro. Chegamos em Quiroga e na praça principal, várias caminhonetes brancas já acenavam a espera dos próximos turistas. A viagem de Quiroga até a lagoa durou 15 minutos e custou 5 dólares. ✅ Dica: combine a hora de voltar com o taxista. A Laguna Cuicocha fica bem afastada da cidade e não é tão simples conseguir um táxi quando estiver voltando para Quiroga. Combinamos o nosso para 13h30 (chegamos as 9h da manhã) e deu tudo certo. Na hora marcada, o motorista já estava nos esperando no local onde nos deixou. Aviso informando que a entrada pelo sentido horário é proibida. O táxi nos deixou no centro de informações do parque. Quando chegamos estava praticamente vazio. Vimos somente alguns grupos que iriam fazer a mesma trilha com a gente, e nada mais. Por recomendação na entrada do parque Cotacachi-Cayapas (entrada gratuita), começamos a trilha pelo sentido anti-horário. Li em vários blogs que começar pelo sentido horário não é permitido e pude constatar com o aviso acima. Além disso, o sentido anti-horário é bem mais cômodo. A dificuldade maior está no começo. A subida até a altitude máxima da trilha acontece primeiro e depois fica muito tranquilo. A sinalização da trilha é algo a se destacar. Placas e avisos estavam espalhados por todos os lados, sendo quase impossível de se perder. Inúmeros mirantes também estavam dispostos em pontos estratégicos com vista privilegiada para a lagoa. Em questão de organização, esse foi um dos hikings mais bem estruturados que fizemos, melhor até do que os que temos aqui no Canadá. Bom, voltando à trilha, o objetivo seria fazer todo o circuito em pelo menos 4 horas. Mantivemos um ritmo bem tranquilo, mesmo na subida, e paramos constantemente para descansar e tirar fotos. A vegetação era bem característica. Era de cor verde musgo, com inúmeras orquídeas de cores e formatos diferentes. Daí o nome da trilha. Fala aí se não parece o cerrado ou alguma trilha no interior do Brasil? Em alguns momentos me pegava pensando: "pera aí, esse lugar parece muito as trilhas pelo cerrado que fazíamos em Brasília". Parecia de mais! Eu só acreditava que estava em um lugar diferente quando olhava para o lado e via a imensa lagoa, com duas ilhas no meio. Era difícil de explicar. O encanto aumentava quando olhava para os arredores da lagoa e via os vulcões Cotacachi e Imbabura. Em alguns pontos da trilha, dava pra ver os maiores vulcões, como o Cayambe e o Cotopaxi, bem de longe. Era por pouco tempo, já que as nuvens passavam os cobrindo constantemente. Depois de um pouco mais de 4 horas de trilha, 14 km percorridos e muitas paisagens extraordinárias, chegamos novamente ao Centro de Informações, onde comemos e esperamos o táxi de volta à Quiroga com vista privilegiada para toda a lagoa e para o vulcão Cotacachi (foto acima). Na hora exata, o taxista chegou e embarcamos em direção à Quito. A viagem de volta demorou praticamente a mesma coisa que a ida e umas 3h depois já estávamos no hostel em Quito, felizes por ter completado com sucesso o primeiro passo de aclimatação. Mais sobre a Laguna Cuicocha O nome Cuicocha tem várias explicações possíveis, dentre elas, "Arco Iris" ou "Porco da Índia". A lagoa está localizada a quase 3100 metros de altitude e foi formada após uma erupção massiva a mais de 3000 mil anos atrás. O vulcão está adormecido desde então. As ilhas em seu interior são enormes domos de lava e tem acesso proibido ao público. Entretanto, existem passeios de barco que percorrem a lagoa e as ilhas, com duração de 20 minutos. Cuicocha x Quilotoa Talvez você esteja se perguntando, qual lagoa devo fazer quando for no Equador? A resposta depende do que você quer e do tempo que você tem. Se você quer um experiência autentica, sossegada, barata e com vistas extraordinárias, sugiro fortemente conhecer a Laguna Cuicocha. Gastamos pouquíssimo para conhecer Otaválo e a Laguna Cuicocha e o acesso é relativamente tranquilo. Alguns equatorianos vão dizer que a laguna Quilotoa é mais impressionante. Talvez seja, mas o acesso é mais complicado e se você quiser fazer um bate volta, vai ter que contratar obrigatoriamente um tour que não sai por menos de USD 50 por pessoa. Pense bem e decida (eu iria para Cuicocha... hihihihi). Quer ler mais sobre as nossas viagens? É só acessar o nosso site: www.feriascontadas.com
  22. Acordamos bem cedinho, preparamos o café e pedimos o táxi até o teleférico de Quito na recepção do hostel. Tentaríamos subir ao cume do vulcão Rucu Pichincha. Deixamos tudo preparado no dia anterior para não perder tempo. Queríamos chegar no máximo às 9h da manhã, hora que o teleférico de Quito (chamado TelefériQo) abriria naquela terça feira, 1 de janeiro. Saímos do teleférico rapidamente e logo começamos a trilha. Ela começa indo para a esquerda, subindo umas escadarias por trás de um prédio. Dali pra frente, não tem muito erro. Foram quilômetros e quilômetros de subidas intermináveis, mas como estávamos dosando os passos, não foi nada complicado. Eu diria que a trilha ao cume do vulcão Rucu Pichincha é dividida em três partes. A primeira parte, a mais longa, é composta de um hiking moderado em uma trilha bem sinalizada. É a parte mais tranquila de toda a trilha. A vista que tínhamos de Quito e das montanhas ao redor era incrível. Dava pra ver todos os principais vulcões do Equador no horizonte, principalmente o Cotopaxi, imponente, majestoso, surgindo ao fundo da cidade. Além disso, a vegetação era muito característica. Era praticamente rasteira com algumas árvores e flores que nunca tínhamos visto. Parecia um cenário dos senhor dos anéis. Dá pra ver bem no meio da foto onde começava a parte das rochas. A segunda parte da trilha começou lá pelo 3.5 quilômetro. Estávamos mais perto do cume do vulcão Rucu Pichincha, e lá, as coisas começaram a ficar mais complicadas. A trilha foi deixando de ser fácil para ser tornar somente um filetinho de terra na encosta do vulcão, composto principalmente de pedras soltas, alguns pequenos rochedos (que tivemos que escalar) e areia escorregadia. Um paredão de pedras negras surgiu mais a frente e o vento aumentou consideravelmente, assim como a temperatura ficou um pouco mais baixa. Até esse ponto, nada que nos assustou o bastante para nos desmotivar de continuar e alcançar o cume. E finalmente, a terceira parte e mais complicada de todas. Até ali, não sentimos em nenhum momento o efeito da altitude (estávamos a mais de 4000 metros de altura) e o corpo respondia a todos os comandos. Foi na terceira parte que tivemos a ideia de esforço. Depois de contornar o paredão de rochas negras, um enorme desfiladeiro de areia e pedras apareceu. Muito grande. Começava justamente bem perto ao cume e descia praticamente por todo o vulcão. A trilha ali já não tinha mais sinalizações que faziam sentido e cada um tentava subir da maneira que dava. Isso incluiu a gente. Começamos a subir e vimos que ninguém tinha ido atrás de nós. A pergunta ficou no ar: "Só a gente está certo?". Demos meia volta, descendo quase que esquiando sobre a areia para acompanhar o grupo de pessoas que subiam com a gente. Depois de alguns minutos de trilha incompreensível, chegamos de fato ao paredão de rochas negras. Não tínhamos escolha, era subir ou subir. A inclinação passava dos 50 graus na maioria dos trechos. Começamos a subida, pedra por pedra, com o maior cuidado possível, pois qualquer deslize poderia ser fatal. Em um dado momento, não sabíamos mais como subir. Lá do alto, um equatoriano gritou, desceu alguns metros e nos ajudou a encontrar o melhor lugar para escalar. Foi muito gentil e nos ajudou bastante! Antes disso, estávamos quase pensando em desistir, com medo da inclinação e da dificuldade da subida. Além disso, algumas pedras que se desprenderam quase nos acertaram. Mas essa ajuda nos trouxe mais ânimo e alguns minutos depois, chegamos ao cume, a incríveis 4698 metros de altitude, nosso recorde até então. A emoção era tanta, eu e Gabriela nos abraçamos e começamos a lacrimejar. O abraço foi demorado, quase de alívio por ter chegado vivo ali em cima. Não conseguíamos acreditar que tínhamos chegado ao cume do Rucu Pichincha. A sensação foi intensa, uma alegria imensa de mais um passo cumprido rumo ao objetivo final. Vulcão Guagua Pichincha, um dos mais ativos do Equador. Nos sentamos, comemos e descansamos um pouco. Percorremos toda a extensão do cume e tiramos várias fotos. Lá no alto, encontramos um guia que levava um grupo de americanos ao cume. Era do Equador (se chamava Alejo) e parecia super doido. Conversando com a gente, ele disse que já percorreu todo o Rio Amazonas saindo do Equador de barco e em suas próprias palavras: "foi uma coisa de louco!". Só ouvindo pra acreditar. Ele também nos ajudou nos informando a melhor rota pra descer o vulcão. Ficamos por mais alguns minutos no cume e resolvemos descer. A descida foi mais tranquila do que a subida, mas devido ao cansaço um pouco mais perigosa. Em um determinado momento, quase despenquei de um rochedo por não ter ponto de apoio para os pés. Mas não passou de um susto, se não não estaria aqui para contar a história. Vulcão Cotopaxi ao fundo com os seus 5897 metros. A trilha de volta dava uma visão limpa e direta do Cotopaxi. Foi praticamente nosso companheiro durante toda a descida. Algumas horas depois, estávamos novamente no teleférico, prontos para descer e descansar. Teríamos mais um grande desafio no outro dia: o Iliniza Norte. Mais sobre o Rucu Pichincha Rucu Pichincha, que significa "velho vulcão" em Quéchua, é um vulcão inativo localizado nos arredores de Quito. Seu cume está a 4698 metros de altitude em relação ao nível do mar. Sua última erupção foi em 1859 causando destruição à cidade de Quito na época. A trilha (ida e volta) ao cume é em torno de 10 km e pode demorar de 4-5 horas para ser percorrida. O Rucu Pichincha é também um dos melhores pontos de partida para aclimatação se você pretende fazer outras montanhas no Equador 👍. Mais sobre o TelefériQo O teleférico da cidade de Quito é um feito que traz orgulho para a população local. Ele é o meio de transporte mais acessível para quem quer subir ao cume do Rucu Pichincha. A entrada para estrangeiros (em 2018) custava USD 8.50. Para saber mais sobre horários de funcionamento ou como chegar a estação do teleférico da forma mais simples, você pode acessar o site teleferico.com.ec. Subir o Rucu Pichincha é seguro? Um tópico muito recorrente relacionado ao Rucu Pichincha é a questão da segurança. Anos atrás, turistas eram desaconselhados a fazer o hiking ao cume do vulcão devido a falta de segurança na trilha. Vários relatos de assaltos e violações graves foram reportados em fóruns, principalmente por volta do ano de 2010. Entretanto, o governo local tomou várias providências e agora a trilha é completamente segura e altamente frequentada por turistas e locais. Ainda se recomenda fazê-la em grupo (mais de uma pessoa). Já com relação à segurança ou dificuldade da trilha, eu diria que é de moderado a difícil. Não são exigidos nenhum equipamento técnico de escalada, mas a precaução é sempre bem-vinda, principalmente na parte final da subida ao cume. Como a trilha não é bem sinalizada nessa parte, a subida fica complicada. Além disso, existe o perigo constante de pedras caírem do alto e atingirem as pessoas que vem abaixo. Eu recomendaria a utilização de um capacete de escalada no mínimo ☝. Quer ler mais sobre as nossas viagens? É só acessar o nosso site: www.feriascontadas.com
  23. Olá, pessoal! Passei dois meses em Ilhabela fazendo voluntariado e as piscinas naturais se tornaram meu cantinho preferido na ilha! Eu amo o contraste da água verde na piscina e azul no mar! Sem contar que a energia lá é incrível! Passo 1: Para chegar lá, basta colocar Piscinas Naturais Ilhabela no google! A entrada fica ao lado desse caminho que aparece (marquei com a seta)! Há estacionamento ao lado por R$10,00 e o ônibus que sai do terminal com destino à Borrifos passa por esse caminho! Passo 2: Essa é a entrada da trilha, não tem sinalização! Mas é só abrir o portão e entrar. A trilha é bem fácil, dura uns 5 minutos e o caminho é reto. Você vai sair em um condomínio, continue descendo reto e verá o início de mais uma trilha ao final do caminho... Essa trilha também é bem curta e reta! Passo 3: A trilha te levará para essas pedras... Fique atento à esse ponto, pois terá que seguir o caminho por cima das pedras e é um pouco alto. De qualquer forma, o caminho é bem curto, menos de 10 min e você chegará! Finalmente você vai chegar e aproveitar esse paraíso! Se você conseguir ir durante a semana é ótimo, pois é mais vazio! Às vezes, a maré está alta, assim, o nível da água está maior e não tem pé!OneDrive-2019-07-06.zip Faço o passo a passo de todas as trilhas no insta: https://www.instagram.com/derikdemochila
  24. Olá, pessoal! Passei dois meses em Ilhabela fazendo voluntariado e as piscinas naturais se tornaram meu cantinho preferido na ilha! Eu amo o contraste da água verde na piscina e azul no mar! Sem contar que a energia lá é incrível! Passo 1: Para chegar lá, basta colocar Piscinas Naturais Ilhabela no google! A entrada fica ao lado desse caminho que aparece (marquei com a seta)! Há estacionamento ao lado por R$10,00 e o ônibus que sai do terminal com destino à Borrifos passa por esse caminho! Passo 2: Essa é a entrada da trilha, não tem sinalização! Mas é só abrir o portão e entrar. A trilha é bem fácil, dura uns 5 minutos e o caminho é reto. Você vai sair em um condomínio, continue descendo reto e verá o início de mais uma trilha ao final do caminho... Essa trilha também é bem curta e reta! Passo 3: A trilha te levará para essas pedras... Fique atento à esse ponto, pois terá que seguir o caminho por cima das pedras e é um pouco alto. De qualquer forma, o caminho é bem curto, menos de 10 min e você chegará! Finalmente você vai chegar e aproveitar esse paraíso! Se você conseguir ir durante a semana é ótimo, pois é mais vazio! Às vezes, a maré está alta, assim, o nível da água está maior e não tem pé!OneDrive-2019-07-06.zip Faço o passo a passo de todas as trilhas no insta: https://www.instagram.com/derikdemochila OneDrive-2019-07-06.zip
  25. Boa tarde. Tenho interesse em realizar a travessia da Serra Fina no feriado prolongado de 6 a 9 de julho. Por enquanto sou eu e minha esposa. Talvez mais 2 colegas. Encontrei algumas agências que já possuem pacotes, mas o valor está um pouco acima do planejado (acima de 1k), portanto caso alguém esteja formando um grupo, queira formar um grupo ou que conheça um guia experiente, mande um oi o/ *** Edit: conseguimos formar um grupo com guia especializado no local e possui 1 vaga. Valor bem mais em conta que por agência. Interessados me mandem msg. Abraços.
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