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  1. Tudo bem pessoal, Em fevereiro deste ano fomos para o Ushuaia, saindo de Porto Alegre no Rio Grande do Sul. Foram 26 dias conhecendo as belezas da região. Descemos pela Rota 40 até o Ushuaia, e voltamos pela Rota 3. Tentei resumir nesse material as informações que muita gente está me perguntando. Meu gasto total com gasolina foram R$ 2.600 Gasto total da viagem R$ 7,000. (total 2 pessoas) Tem um pdf em anexo com o roteiro, abração Roteiro Patagônia- Fora de Àrea.pdf
  2. Estoy saliendo del uruguay día 01/01/2021 de montevideo hasta Foz do Iguaçu y de foz hasta ushuaia de carona alguien quiere aventura? Whatsapp: +598096221755
  3. Resumo: Itinerário: Buenos Aires (Argentina) → Puerto Madryn (Argentina)→ Rio Gallegos (Argentina) → Punta Arenas (Chile) → Ushuaia (Argentina) → Puerto Natales (Chile) → El Calafate (Argentina) → Comodoro Rivadavia (Argentina) → San Carlos de Bariloche (Argentina). Período: 10/03/2001 a 01/04/2001 10-12: Buenos Aires 13-15: Puerto Madryn 16: Rio Gallegos 16-18: Punta Arenas 18-21: Ushuaia 21-23: Puerto Natales 23-25: El Calafate 26: Comodoro Rivadavia 27-29: Bariloche 30: Buenos Aires 01/04: SP-Rodoviária do Tietê Ida: Voo de São Paulo a Buenos Aires pela KLM, previsto para sair às 9h15 do Aeroporto de Guarulhos, pago com pontos do programa de fidelidade da KLM. Volta: Ônibus de Bariloche a Buenos Aires e depois a São Paulo (Rodoviária do Tietê), previsto para sair perto de 16h ou 17h da Rodoviária de Bariloche. Paguei cerca de 105 pesos (equivalente a 105 dólares na época) pelo trecho de Buenos Aires a São Paulo, Considerações Gerais: Não pretendo aqui fazer um relato detalhado, mas apenas descrever a viagem com as informações que considerar mais relevantes para quem pretende fazer um roteiro semelhante, principalmente o trajeto, acomodações, meios de transporte e informações adicionais que eu achar relevantes. Nesta época eu ainda não registrava detalhadamente as informações, então albergues, pousadas, pensões, hotéis e meios de transporte poderão não ter informações detalhadas, mas procurarei citar as informações de que eu lembrar para tentar dar a melhor ideia possível a quem desejar repetir o trajeto e ter uma base para pesquisar detalhes. Depois de tanto tempo os preços que eu citar serão somente para referência e análise da relação entre eles, pois já devem ter mudado muito. Sobre os locais a visitar, só vou citar os de que mais gostei ou que estiverem fora dos roteiros tradicionais. Os outros pode-se ver facilmente nos roteiros disponíveis na internet. Os meus itens preferidos geralmente relacionam-se à Natureza e à Espiritualidade. Informações Gerais: Em toda a viagem houve bastante sol. Chuva e neve foram raras, ocorrendo geralmente de maneira breve e na região mais ao sul. As temperaturas na região de Buenos Aires, Bariloche e Puerto Madryn estiveram bem razoáveis, chegando até perto dos 30 C em alguns dias. Mais ao sul, em Comodoro Rivadavia, Rio Gallegos, Puerto Natales e principalmente Punta Arenas e Ushuaia estiveram bem mais baixas, chegando a ficar abaixo de zero à noite. O vento foi muito forte em toda a Patagônia, o que tornava a sensação térmica ainda menor. Na região perto de Punta Arenas o tempo mudava muito rapidamente, havendo várias situações diferentes durante o dia. A população de uma maneira geral foi muito cordial e gentil 👍. Disseram-me que poderia não ser muito bem tratado em Buenos Aires, mas se enganaram. Fui muito bem tratado em toda a viagem, com uma única exceção numa visita a uma loberia em Puerto Madryn e, assim mesmo, porque creio que houve um mal entendido. Tive alguma dificuldade em entender a língua no Chile, principalmente quando conversando com pessoas com forte sotaque regional. As paisagens ao longo da viagem agradaram-me muito, passando por monumentos, parques e construções interessantes nas cidades e por áreas costeiras, praias, montanhas, lagos, cavernas, geleiras, glaciais, florestas, rios e outros . Pude ver também vários animais durante a viagem, a maioria em seu habitar natural. Isso incluiu lobos e leões marinhos, focas, elefantes marinhos, pinguins, delfins, guanacos. flamingos, tatus etc. Pensei em fazer a travessia de Bariloche a Puerto Montt, passando pelo Vulcão Osorno, mas desisti, pois naquela época demorava 4 dias, por não haver estradas em boa parte do trajeto, e eu não dispunha deste tempo. Surpreendeu-me que nas viagens de ônibus na Argentina estavam incluídas no preço pago as refeições (almoço e jantar) 👍. A viagem no geral foi tranquila. Não tive nenhum problema de segurança. Eu era (e ainda sou) vegetariano. Como a base da alimentação nesta região é a carne, foi um pouco difícil conseguir comida vegetariana, mas nada que supermercados não solucionassem. Gostei muito dos sanduíches de miga na Argentina, do doce de leite e dos vinhos, que tomei pouco . Os preços na Argentina estavam muito altos, pois havia a paridade do peso para o dólar e o real tinha sofrido a desvalorização alguns anos antes. A Viagem: Fui de SP a Buenos Aires no sábado 10/03/2001. A saída do voo estava prevista para as 9h15. Durante o voo uma senhora argentina de cerca de 60 a 70 anos falou-me de como eu iria gostar de Buenos Aires (ela disse: “há muito o que ver, Buenos Aires não é feia como São Paulo” ). Falou-me que seu filho ou sobrinho estava procurando por emprego há tempos, após se formar e não conseguia (o que me parecia um sintoma do agravamento da crise). Achei a travessia da foz do Rio da Prata espetacular . Cheguei perto da hora do almoço e me receberam muito bem no aeroporto 👍. Deram-me gratuitamente bastante material sobre a Argentina e me indicaram um ônibus que me deixaria na Praça San Martín. Peguei e de lá, após obter informações sobre onde me hospedar, fui andando até a região da Recoleta. Para as atrações de Buenos Aires veja https://turismo.buenosaires.gob.ar/br. Os pontos de que mais gostei foram os monumentos, os equipamentos e eventos culturais, os parques e a cidade como um todo. Fiquei hospedado na Recoleta por 22 pesos a diária (na época equivalente a 22 dólares). Acho que era o Hotel Lion d’Or (https://www.tripadvisor.com.br/Hotel_Review-g312741-d317288-Reviews-Hotel_Lion_d_Or-Buenos_Aires_Capital_Federal_District.html). Depois de me hospedar fui dar uma volta nas redondezas. Gostei bastante do local, bem cuidado. Passei por um cemitério que me chamou a atenção pelas estátuas. Resolvi entrar e lá fiquei por mais de 1 hora, apreciando as obras de arte que existiam nos túmulos, alguns dos quais de pessoas famosas, até internacionalmente. Nunca tinha feito uma visita destas a um cemitério, mas gostei bastante. Depois passeei pelo bairro apreciando suas ruas e lojas. Parecia um local elitizado. Se bem me lembro ainda fui a Puerto Madero à noite. No domingo 11/03 fui conhecer os outros pontos da cidade, incluindo o centro com seus monumentos e órgãos do Estado, e pontos específicos com seus equipamentos culturais e esportivos. Saí perto de 9h da manhã e voltei por volta de 23h. Andei muito. Pude visitar a Casa Rosada, a Praça de Maio, os órgão legislativos e judiciários, a catedral, o obelisco, centros culturais, confeitarias históricas, vários monumentos, o Rio da Prata, áreas arborizadas, a Boca, o Caminito (com suas casas coloridas), ver o estádio de La Bombonera por fora, ver casais fazendo apresentação de Tango na rua etc . Num dos dias jantei algo como nhoque num restaurante de rua e no outro jantei no shopping. Interessante como no shopping os atendentes perceberam que eu era brasileiro e até falaram palavras em português comigo 👍. Na 2.a feira 12/03, fui para o outro lado, conhecer o Jardim Japonês e os parques da região do bairro de Palermo. Gostei muito . Eram parques enormes, sendo que o jardim japonês fazia jus ao nome, com várias estruturas nipônicas, que se encaixavam muito bem na paisagem. Voltei para o hotel perto da hora do almoço e no início da tarde peguei um ônibus para Puerto Madryn, já na Patagônia. A viagem durou perto de 18h. Passamos por Bahia Blanca no início da madrugada. A paisagem ao longo da viagem agradou-me bastante 👍. Recebemos jantar incluído no valor da passagem. Cheguei bem cedo na 3.a feira 13/03, hospedei-me num hotel simples (acho que o nome era parecido com Vaskonia). Como era bem cedo, fui ver se era possível fazer excursão à Península Valdez ainda naquele dia. Achei uma agência de turismo que dava desconto para hóspedes do hotel em que estava e, pesquisando algumas outras, vi que era a melhor opção. Acabei comprando com eles o passeio pela Península. O dono brincou comigo perguntando se eu lembrava do jogo entre Argentina e Brasil na Copa de 1990, quando Maradona atraiu a marcação de 3 e lançou Caniggia sozinho para driblar Taffarel e fazer o gol. Para as atrações de Puerto Madryn e da Península Valdez veja https://www.patagonia-argentina.com/puerto-madryn/ e https://www.patagonia-argentina.com/peninsula-valdes/. Os pontos de que mais gostei foram os animais, as formações rochosas e a natureza como um todo. Saímos pouco depois da 9h, se bem me lembro. No nosso grupo havia um espanhol da região basca, uma inglesa, um suíço, um casal de argentinos e acho que alguns outros. O espanhol mencionou que desejava conhecer outros locais, mas que a Argentina era muito grande e tudo muito distante. Perguntou-me se o Brasil era tão extenso quanto a Argentina . Passamos por locais de avistagem de pinguins, lobos marinhos e elefantes marinhos. Não vi orcas. Numa das paradas, perguntei se poderia nadar e o guia disse que sim. Enquanto nadava, disseram-me que um pinguim nadou atrás de mim. Numa outra ocasião vi um pinguim perseguindo um peixe. Nunca imaginei que um pinguim fosse tão rápido nadando. Parecia um torpedo. No caminho apreciamos também a paisagem patagônica, desértica, com vários guanacos (ou seus parentes). Conversando com o argentino, que se me lembro era advogado, ele me falou da patagônia, dos possíveis aproveitamentos econômicos, da população, de Buenos Aires e da situação da Argentina como um todo. No fim, quando estávamos nos despedindo, encontramos um tatu, que parecia já acostumado a humanos. Regressamos no meio da tarde. Aproveitei e ainda fui dar um passeio na praia. Reencontrei o suíço, mas acho que ele não me reconheceu. Na 4.a feira 14/03 fui conhecer a Loberia de Punta Luma, onde havia lobos marinhos e montanhas. Fui caminhando pelas estradas de terra ou similar. Num dado momento fui para a costa, pois achei que seria mais belo o passeio. Passei por uma linda jovem argentina que me orientou sorridente sobre o caminho. Encontrei pequenos grupos de lobos marinhos e cheguei bem perto, o que me permitiu observá-los bem. Acho que foi um erro, pois devo tê-los deixado nervosos. Na hora não avaliei isso bem. Mas não houve nenhuma reação de ataque ou surto visível, embora tenha percebido que eles pareciam ter ficado tensos. Devido a isso, resolvi afastar-me e não mais me aproximar tanto. Encontrei uma monitora que me explicou sobre lobos e leões marinhos. Por ter ido pela costa e praias, acabei não vendo a placa que dizia que alguns locais não eram permitidos e que tinha que pagar uma taxa. Quando cheguei à entrada principal, o responsável disse que eu não poderia ter passado por uma área de que vim, perguntando-me se não tinha visto a placa na estrada ou não tinha querido ver. Ele parecia irritado. Pediu-me o ingresso. Como a monitora não havia me cobrado, achei que poderia ser indevido e lhe disse que ela não me havia cobrado. Ele se irritou bastante e disse que ele estava cobrando, já em tom bem mais alto 😠. Eu paguei, ele acalmou-se, deu-me algumas informações sobre as montanhas e o local. Fui dar um passeio e conhecer as montanhas, que tinham aparência interessante, diferente, parecendo até de outro planeta. Realmente grandiosas . Depois, já perto do pôr do sol, voltei a pé. No caminho, acho que ele passou por mim com sua caminhonete. Na 5.a feira 15/03 peguei um ônibus para Rio Gallegos. Novamente belas paisagens, mas desta vez bem mais desérticas. Neste ou em outros trajetos pude ver guanacos, criações de ovelhas e fazendas com fileiras de álamos próximos às casas, que segundo me explicaram eram plantados para cortar o vento, muito forte na Patagônia. Cheguei lá na 6.a feira 16/03 pela manhã. Estava bem mais frio 🥶, obrigando o uso da roupa mais pesada (fleece) e da jaqueta (anoraque). Conversei com uma atendente pública local, que me explicou sobre a região, os pontos a conhecer e me falou sobre as precauções a tomar com o frio. Dei um passeio pelo centro da cidade e fui a uma agência de turismo perguntar sobre os possíveis passeios. Embora tenha achado interessante o lago na cratera de um vulcão, achei muito caro e distante. Resolvi então contemplar a orla e o centro. Achei a paisagem do mar muito bela 👍. Para as atrações de Rio Gallegos veja https://www.patagonia-argentina.com/rio-gallegos-ciudad/. Os pontos de que mais gostei foram os monumentos, a cidade, a orla e o mar. Parti no próprio dia para Punta Arenas. A ida para Ushuaia via terrestre era inviável, porque passava pelo Chile e as companhias argentinas não faziam diretamente. Saí no início da tarde e cheguei na parte final da tarde. No ônibus um judeu me perguntou de que cidade eu era, e quando disse que era de São Paulo, ele fez um ar de admiração e falou “uma cidade muito perigosa”. Falou de um jeito que imaginei que conhecesse São Paulo . No caminho paramos para fazer a saída da Argentina e entrada no Chile. No escritório havia um mapa bem amplo da região e descobri que existia uma reserva florestal em Punta Arenas, pela qual me interessei. Em Punta Arenas fiquei hospedado numa casa que funcionava como hotel, aparentemente de uma mulher judia. Ainda saí para dar uma volta nos arredores e conhecer um pouco da cidade. Encontrei uma pequena empresa de informática e lhes perguntei sobre como eram as condições de trabalho ali. Quando voltei, Eli (acho que este era o nome da dona) me disse “Metió sus patitas en el barro.” ou algo parecido, quando eu pedi desculpas e fui lhe pedir um pano ou vassoura para limpar a sujeira que tinha deixado. À noite deste ou do dia seguinte (ou em ambas), fui jantar num restaurante, pedindo espaguete e tomando vinho 👍. O vento era muito forte e frio, o que fazia a sensação térmica diminuir muito. A temperatura estava perto de zero graus 🥶. Para as atrações de Punta Arenas veja https://chile.travel/pt-br/onde-ir/patagonia-e-antarctica/punta-arenas. Os pontos de que mais gostei foram a reserva florestal e a paisagem do mar. No sábado 17/03 dei um passeio por Punta Arenas e depois fui conhecer a Reserva Florestal de Magalhães, que havia descoberto na estrada. Antes passei pela Ordem Salesiana para conhecer suas obras e pelos edifícios mais famosos da cidade. Depois, de acordo com o mapa, rumei para a reserva. Havia uma ladeira, que fazia um corredor de vento para o mar. Quando estava chegando lá em cima, o vento era tão forte, que eu andava para frente sem sair do lugar. Aí andei os metros finais agachado, diminuindo minha superfície e, portanto, a força que o vento exercia sobre mim . Caminhei até a reserva passando por paisagens naturais de que gostei. Gostei muito da reserva também , com seus bosques preservados, sua vista de montanhas e paisagens naturais, os sinais da presença de castores, embora não tenha visto nenhum, suas árvores típicas da região e a vista ampla da região, a partir de alguns pontos mais elevados. Depois retornei no fim da tarde. Neste dia o tempo amanheceu nublado, depois garoou, depois abriu o sol, depois choveu com média intensidade, voltou a abrir o sol, nevou fraco e parou . Uma amostra de como o tempo muda rápido nesta região. A noite voltou a fazer muito frio novamente 🥶, que era mais sentido devido ao vento muito forte. Se bem me lembro, foi aqui que minhas mãos começaram a perder o movimento, depois que o sol se foi. Era difícil até esfregá-las. Eu não levei luvas. Tentei colocá-las dentro da roupa, mas adiantou pouco. O sangue parecia estar parando de fluir. Quando cheguei ao hotel, reaqueci-as e senti a vida voltar. Como deve ser difícil ficar numa situação destas como ocorre com os montanhistas em situações inesperadas. No domingo 18/03 resolvi ir para Ushuaia, mesmo sabendo que aos domingos não havia transporte direto. Peguei um ônibus até Puerto Porvenir, já na Terra do Fogo. Para chegar lá precisamos pegar uma balsa para atravessar o Estreito de Magalhães. Acho que foi aqui que pensei em nadar enquanto esperava, mas a água estava muito fria e não me arrisquei. Achei a travessia muito bela, com vistas espetaculares . Vários delfins (eu acho) 🐬 acompanharam o barco. Quando chegamos lá acho que houve algum problema de um dos veículos que vieram no barco com um policial, o que fez a viagem atrasar e ficarmos parados um tempo. Na viagem havia vários americanos, alguns de Wyoming, que sabiam falar um pouco de espanhol. Havia também uma queniana (ou descendente de quenianos) radicada na Bolívia. Conversei com os americanos sobre a viagem, suas expectativas e como o ambiente se parecia com o local onde moravam. Conversei com a queniana-boliviana sobre a Reserva do Masai Mara. Combinei com ela de irmos juntos ao Parque Nacional da Terra do Fogo no dia seguinte, se bem me lembro, encontrando-nos na porta por volta de 8h. As paisagens naturais do resto da viagem também me pareceram belas. Chegamos à noite. Depois de pesquisar um pouco, resolvi experimentar um hostel (pela primeira vez na vida), visto que com a dolarização, os hotéis regulares pareciam-me caros. Foi o primeiro de muitos . Para as atrações de Ushuaia veja https://turismoushuaia.com/?lang=pt_BR. Os pontos de que mais gostei foram o parque, o glacial, as paisagens naturais e a vista da cidade e do mar. Na segunda-feira 19/03 fui até o Parque Nacional da Terra do Fogo. Perdi a hora de manhã e cheguei 1h atrasado ao encontro marcado . A moça não me estava esperando (imagino que desistiu). Fui caminhando e adorei o parque. Assim como a Reserva Florestal de Magalhães, havia muitas paisagens naturais a observar, cursos de água, montanhas, árvores e vegetação típicas etc . Fiquei lá o dia inteiro. Encontrei um japonês no meio do caminho que me disse que achava frio para acampar ali. Saí no pôr do sol. Desta vez fui tirar o barro dos meus tênis num local que parecia um tanque no banheiro. Voltei à noite ao hostel. Lá conheci um casal de europeus, americanos ou canadenses (não me lembro bem). Não percebi no hostel que na cama de baixo havia uma moça e troquei de roupa no próprio quarto num dos dias . Ela, que era eslovena e estava quase dormindo, virou para o outro lado. Depois, quando percebi que era uma moça, fui pedir desculpas. Na 3.a feira 20/03 fui explorar a cidade e seus arredores. A vista do oceano em direção à Antártica parecia linda. Tentei verificar a possibilidade de ir até lá, nem que só um pouquinho, mas achei inviável o tempo necessário. Não tinha me preparado para tal. Após andar pela cidade e reencontrar o casal do hostel, fui em direção ao Glacial Martial (https://www.tripadvisor.com.br/Attraction_Review-g312855-d313939-Reviews-Glacier_Martial-Ushuaia_Province_of_Tierra_del_Fuego_Patagonia.html). Nunca tinha ido a um Glacial. Não sabia o que esperar. Não estava preparado em termos de equipamentos. Fui de tênis de pano (ou couro). Mas adorei . Era uma geleira pequena, mas subi nela até onde achei seguro, para não escorregar. Sentei até um pouco, para apreciar a maravilhosa vista, tanto das montanhas acima e do glacial, como da paisagem abaixo, com a cidade e o oceano. Achei ambas espetaculares. Mas era frio. Depois de apreciar bastante e quase ficar meditando um tempo lá, voltei para a cidade e fui apreciar novamente a orla. Na 4.a feira 21/03 peguei um ônibus para Puerto Natales, no Chile novamente, para ir conhecer Torres del Paine. Tivemos que fazer entroncamento, posto que a rota regular, se bem me recordo, era direto para Punta Arenas. Não me recordo bem se cheguei a ir até Punta Arenas (acho que não) ou se parei num ponto intermediário (acho que é mais provável). Cheguei em Puerto Natales no meio da tarde e me hospedei num pequeno hotel. Saí para dar uma volta na cidade, antes do pôr do sol. Para as atrações de Puerto Natales veja https://chile.travel/pt-br/onde-ir/patagonia-e-antarctica/puerto-natales. Os pontos de que mais gostei foram Torres del Paine, a caverna com o animal extinto e as paisagens naturais. Na 5.a feira 22/03 fui até o Parque de Torres del Paine (https://pt.wikipedia.org/wiki/Parque_Nacional_Torres_del_Paine). Se bem me lembro, havia um ônibus de turismo que ia até a porta do parque e depois pegava as pessoas no fim do dia para retornar (acho que eram vários horários de retorno). Na ida passamos por paisagens que achei espetaculares, das montanhas nevadas e da vegetação nativa. Paramos num espelho d’água formado por um lago com montanhas ao redor, como eu só tinha visto em filmes e quadros. A partir da porta do parque fui caminhando em direção às torres. Achei toda a paisagem espetacular . Até bebi água em um riacho, mas a temperatura da água era muito baixa. Tive algum tipo de torção ou mau jeito no joelho, pois devido ao horário de volta do último ônibus resolvi acelerar. Achei espetaculares as torres e toda a paisagem no seu entorno . No retorno, pouco depois do meio do caminho, encontrei dois geólogos brasileiros, que trabalhavam para companhias de petróleo. Eles me deram carona até a entrada e afastaram qualquer risco de perder o último ônibus. Inclusive, se bem me lembro, acho que devido a isso peguei o penúltimo. Estavam fazendo pesquisas devido à similaridade daquela região com o fundo do mar, onde se explora petróleo. Falaram que era o primeiro local turístico em que foram trabalhar. Na 6.a feira 23/03 fui até uma caverna com registros pré-históricos que era próxima da cidade. Talvez fosse a Cueva del Milodon (https://chile.travel/pt-br/onde-ir/patagonia-e-antarctica/torres-del-paine/monumento-natural-cueva-del-milodon). Achei interessante a caverna com seus registros humanos pré-históricos e o Milodon, um animal extinto há muito tempo 👍. Se bem me lembro fui e voltei de ônibus. No meio da tarde peguei um ônibus para El Calafate. Cheguei no início da noite e fiquei hospedado numa casa. A dona avisou-me para tomar cuidado quando fosse ao Lago Argentino, porque havia muito barro no entorno. Para as atrações de El Calafate veja https://www.patagonia-argentina.com/el-calafate/. Os pontos de que mais gostei foram o Glacial Perito Moreno, o Lago Argentino, com seus flamingos e as paisagens naturais. No sábado 24/3 peguei uma excursão para conhecer o Glacial Perito Moreno (https://pt.wikipedia.org/wiki/Geleira_Perito_Moreno). Logo de manhã combinei a excursão com uma agência e fomos num micro-ônibus. A guia sugeriu que tapássemos os olhos no caminho e só abríssemos quando ela avisasse, para termos a surpresa de ver o glacial. Gostei bastante da paisagem, com geleiras e depois gostei do Glacial, com o lago em que estava inserido . Pegamos um barco e fomos até certo ponto, para vê-lo de mais perto. Disseram-me alguns anos depois, que não se ia mais de barco até perto do glacial, devido ao aquecimento global e aos deslizamentos. Não sei como está atualmente. Havia uma escada com muitos degraus, que a guia disse para aqueles que poderiam ter alguma dificuldade de mobilidade (idosos por exemplo), avaliarem se compensava descer. Eu fui até o último degrau e apreciei a paisagem de cima e de baixo. Gostei bastante da paisagem. Vimos algumas quedas de blocos de gelo, imagem famosa em vídeos. Na época não tão comum quanto atualmente. Na volta ganhamos um chocolate quente ☕. Depois, mais tarde, eu fui dar um passeio numa parte do Lago Argentino que era próximo. Achei o lago espetacular . Os flamingos no meio, em grande quantidade, embora já estivesse perto do entardecer, davam um colorido que tornava a paisagem ainda mais bela. Sujei bastante meu tênis com a lama do entorno. Quando voltei, perguntei para a filha da dona se ela poderia limpar meu tênis, comigo pagando, e a mãe, ouvindo, disse “Eu não te avisei” . Achei que a moça não gostou muito da ideia, pois daria um trabalhão e resolvi eu mesmo lavar no dia seguinte. No domingo 25/3 fui dar uma volta nos arredores, andando por boa parte da margem do Lago Argentino e apreciando a paisagem. Gostei muito de tudo 👍. Durante o passeio, quando estava bem longe da cidade, 2 cachorros 🐕 começaram a me acompanhar. Como gosto de cachorros, fiz agrado para eles e fizemos parte do passeio juntos. Mas eu pensei que depois eles ficariam por ali. Quando comecei a voltar, eles começaram a me acompanhar. No começo não me importei e pensei que iriam desistir. Depois fiquei preocupado, pois claramente não sabiam andar nas ruas e já estávamos chegando perto da estrada e da cidade. Tentei espantá-los, mas não havia meio de voltarem. Achei que poderiam morrer atropelados, pela total falta de traquejo que demonstravam com as ruas. Falei com um homem que estava na rua, perguntando sobre como resolver aquela questão. Ele riu da minha dúvida e disse que não sabia de quem eram os cachorros e me disse para atirar uma pedra neles. Eu não podia fazer isso. Eu gosto muito de cachorros. Mas andei mais um pouco e eles quase foram atropelados. Aí, com enorme dor no coração, atirei uma pedra do lado deles. Mas eles não entenderam e continuaram atrás, novamente, indo pela rua e quase sendo atingidos por carros. Aí resolvi atraí-los para fora da rua, peguei uma pedra não muito grande e acabei atirando no dorso, de modo a causar o mínimo impacto possível. Nunca vou esquecer a fisionomia de decepção dos cachorros, que me seguiram com amor e me viram atirar pedras neles. Foi uma facada na minha alma 😢. Mas eles pararam de me seguir e acho que voltaram para os campos. Talvez tenha funcionado, mas acho que o preço foi alto. À noite peguei um ônibus para Comodoro Rivadavia. Cheguei no dia seguinte, 2.a feira 26/3, entre o princípio e o meio da manhã. Considerando o tempo que eu tinha disponível e as atrações a conhecer, resolvi ficar somente um dia e pegar um ônibus para Bariloche no fim do dia. Para as atrações de Comodoro Rivadavia veja https://www.comodoroturismo.gob.ar e https://manualdoturista.com.br/comodoro-rivadavia. Os pontos de que mais gostei foram o Museu do Petróleo, as informações sobre as Malvinas e a guerra, as construções na cidade, a praia e a vista do oceano. Fui a um escritório de turismo municipal perguntar por sugestões de pontos a visitar. Além da cidade e do museu, foi sugerido conhecer a Praia de Rada Tilly. Perguntei se não seria mais interessante conhecer um campo com alguns aerogeradores de energia eólica (naquela época nunca tinha visto nenhum). O atendente disse-me que era muito longe, num caminho que não tinha outras atrações e era deserto, o que poderia me deixar à mercê de algum acidente ou problema nas pernas ou pés. Resolvi então seguir a sugestão e ir a Rada Tilly, que achei uma praia muito bonita, porém cuja aproveitabilidade ficava comprometida pelo clima frio. Mas a paisagem agradou-me, incluindo o caminho 👍. Antes tinha ido ao Museu do Petróleo, que achei bastante interessante 👍. Nele ou em algum local anexo, havia uma exposição sobre as Malvinas, com informações sobre a guerra, que achei bastante interessantes também, apenas pontuando que era a visão argentina do conflito, que apesar disso me pareceu razoavelmente isenta, mas ainda assim sob a ótica argentina. Dei também um passeio pela cidade, sua catedral, seus edifícios históricos etc. Depois de voltar de Rada Tilly, peguei o ônibus para Bariloche. A viagem durou quase 1 dia, se bem me lembro. Conversei com algumas pessoas durante a viagem, sendo que me falaram de cidades na região de Bariloche que tinham pouca população, mas concentravam muitos artistas e amantes de filosofia e artes. Durante a viagem, após saber que eu era brasileiro, o jovem comissário do ônibus perguntou-me “Pelé ou Maradona?” ⚽. Respondi que Pelé tinha feito mais de 1.200 gols e Maradona menos de 200, Pelé tinha sido 5 vezes campeão do mundo e Maradona só 1 etc. Ele retrucou para mim que Pelé jogava com os mestres. Continuamos um pouco na conversa, mas olhei para os outros passageiros e percebi que muitos estavam me olhando. Para não causar confusões, falei então “Cada um no seu tempo”, que é algo em que creio e que acho que apaziguou os ânimos . Cheguei no início da tarde da 3.a feira 27/3. Achei a paisagem da viagem magnífica , principalmente na região de Bariloche. Havia muitos lagos e montanhas entremeados, além das paisagens com vegetação natural aparentemente preservada. Hospedei-me numa casa, que funcionava como hotel. Consegui gratuitamente mapas com informações e sugestões de passeios 👍. Para as atrações de Bariloche veja https://barilocheturismo.gob.ar/br/home. Foi um dos pontos de que mais gostei . O que mais me agradou foram as paisagens naturais, os lagos, a vista do Monte Campanário e os locais naturais e típicos do Circuito Pequeno (Chico). Inicialmente, como ainda havia luz do sol, fui dar uma caminhada acompanhando o curso do lago que ficava perto da área central. Durou umas 2 horas. Achei magnífica a paisagem. Nos 2 dias seguintes fui realizar o Circuito Pequeno (Chico) e subi no Monte Campanário. Decidi subir pela trilha, que estava com a infraestrutura bastante comprometida, mas nada que me parecesse ameaçar a segurança, apenas causando maior necessidade de esforço físico e fazendo sujar os calçados e as roupas. A vista lá de cima foi uma das mais belas que já vi , englobando a paisagem natural, com lagos, montanhas, picos nevados, florestas, vilas etc. Andando pelo circuito, pude ver muitos atrativos naturais, paisagens de que muito gostei. Houve também a Colônia Suíça, que achei interessante. Na 5.a feira 29/3 à tarde fui pegar um ônibus para Buenos Aires e posteriormente a São Paulo. Optei pelo ônibus porque o preço da passagem aérea só de volta era mais alto do que o de ida e volta . A porta da casa estava trancada, eu tocava a campainha, batia palmas e ninguém aparecia para abrir. Comecei a ficar preocupado em perder a hora. Aí comecei a gritar e a atendente veio abrir a porta. Acho que ela ficou com medo, talvez não sabendo quem estava na porta. Imagino que quando reconheceu minha voz veio abrir. Talvez por ser chilena e não conhecer bem a cidade ou por estar em alguma situação irregular, tenha ficado com medo se fosse um desconhecido. Peguei o ônibus por volta de 17h. A viagem até Buenos Aires novamente teve belas paisagens 👍, mas não tão espetaculares quanto a anterior. Durou 1 dia. Chegando lá na 6.a feira 30/3, comprei uma passagem para São Paulo pela Viação Pluma (https://www.pluma.com.br). Fizemos a entrada por Paso de los Libres e Uruguaiana no fim da madrugada. O atendente da Polícia Federal olhou-me com cara feia, após carimbar meu passaporte e eu avisar que era brasileiro e que não precisava ter carimbado como entrada de viajante. Acho que pensou que eu era estrangeiro . Depois de entrar no Brasil, já não havia mais refeições incluídas no preço da passagem. A viagem pelo Brasil, pelo Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e sul de São Paulo apresentou paisagens que achei magníficas . Fomos pelo interior e passamos por cânions, campos, amplas áreas com vegetação nativa, montanhas etc. No sábado 31/3 almoçamos numa churrascaria em Passo Fundo. Eu sou vegetariano e não peguei carne. Num dado momento, o moço que servia o rodízio veio oferecer-me gentilmente linguiça calabresa. Eu disse que não tinha comprado o rodízio, mas ele disse que era cortesia. Falei então que não comia carne e vi sua cara de decepção. Fiquei um pouco tocado por ter rejeitado a sua gentil oferta. No Rio Grande do Sul, ainda mais naquela época, imagino que vegetarianos deveriam ser raríssimos. A viagem foi cansativa 😫, as pernas, os glúteos e as costas ficaram doendo um pouco, mas as paisagens foram muito belas. Cheguei em São Paulo perto de 5h da manhã do dia 01 de abril, data em que fazia 32 anos.
  4. Desorganização e mau tratamento da agência Rumbo Sur.Pediram para caminhar 5 quadras ou perderíamos o passeio, 30 minutos antes do que escreveram no voucher e assim perdemos nosso café da manhã.Então ficamos nós e os outros turistas esperando o ônibus por cerca de 10 minutos na calçada debaixo de garoa, temperatura de 5 graus e de frente ao canal beagle, onde venta muito. Fiz passeio com outras 3 agências e a Rumbo Sur é a única empresa que não busca turista no hotel.Quando fomos reclamar do mau tratamento o guia deles não aceitou nossa insatisfação, gritou conosco no meio da rua para não voltarmos mais e nos obrigou a escutar um áudio com falsas desculpas sobre o porque de todos os transtornos, pedi que parasse o áudio ou sairia do passeio, não fui respeitado e tive que sair do passeio.No dia seguinte fui a empresa e aceitaram devolver o dinheiro do passeio. O triste é que não me procuraram antes e quando estive lá não quiseram saber nossa versão do ocorrido
  5. Olá pessoal, esta será a minha primeira viagem fora do país, meu inglês é bem fraco e espanhol é apenas o que eu aprendi assistindo a Usurpadora e Maria do Bairro kkk, da um pouco de medo, mas let it go! Vou ir deixando registrado aqui o que estou planejando para o meu mochilão, talvez sirva de ideia para algumas pessoas e super aceito dicas também. Muitas coisas do que eu estou planejando tem como referência depoimentos e dicas que li na internet. As passagem de avião pesquisei pelo app KAYAK, o app mostra os dias mais baratos para viajar e isso ajudou bastante. Também fazei viagem de ônibus, deixarei o link dos locais que comprarei as passagens. Trajetos: Avião Dia 24/02 - São Paulo (GRU) ---> Buenos Aires (EZE) chegada 09:55am Dia 27/02 - Buenos Aires (AEP) ---> Ushuaia (USH) chegada 08:10am Ônibus 29/02 - Ushuaia ---> Punta Arenas 55,37 DÓLARES Saída 9am Chegada 19:30 pm 29/02 - Punta Arenas ---> Puerto Natales 11,88 DÓLARES Saída 21pm Chegada 00:15 am 03/03 - Puerto Natales ---> El Calafate 23,72 DÓLARES Saída 7:30 am Chegada 13:30 pm 06/03 - El Calafate ---> El Chalten Saída 8 am Chegada 11am 10/03 - El Chalten ---> El Calafate 152,38 reais (ainda vou decidir o horário) Avião 10/03 - El Calafate (FTE) --> São Paulo (GRU) As passagem de avião ficaram em torno de 1860 reais incluindo uma bagagem de mão e uma mala. Hospedagem Eu escolhi hostels pelo booking, dando preferência para os que serviam café da manhã e eram próximos de rodoviárias. Agora só preciso me organizar para fazer um roteiro de passeios e trilhas.
  6. Olá pessoal!! Tenho um grande sonho pela Patagônia tanto chilena quanto Argentina e sonho em conhecer Ushuaia, porém não tenho noção de valores, não me importo com hotéis chiques, gostaria de saber se com 3mil reais é possível conhecer esse lugar por pelo menos 1 semana?
  7. Olá, viajantes! Depois de ler tantos relatos, receber tanta ajuda e dicas do pessoal aqui no Mochileiros, nada mais justo que deixar uma contribuição sobre a minha experiência pela Patagônia. E também fico a disposição para ajudar no que estiver ao meu alcance! Meu insta é https://www.instagram.com/primporai/, se tiverem alguma dúvida e quiserem trocar alguma ideia, podem me chamar lá. 😊 Espero que gostem! Antes de iniciar o relato sobre a viagem, vou deixar algumas dicas importantes aqui: - O meu objetivo com essa viagem era realizar algumas trilhas. Caminhei muito (cerca de 250km) e tive bastante contato com a natureza. - Eu fiz a viagem sozinha. Para quem tem dúvidas só tenho uma coisa a dizer: vá sem medo. As pessoas de lá são muito simpáticas e estão sempre dispostas a ajudar. Fiz várias amizades durante as trilhas, nos ônibus, na rua, etc. 😂 - A fama de rolar caronas por lá é verdadeira. - Mesmo sendo verão, na Patagônia ainda é frio. - Os dias são longos, entre 4h00 e 5h00 o sol já está raiando e ele se põe depois das 22h. Dá pra fazer MUITA coisa. - Não deixe de fazer absolutamente nada por causa do mal tempo. O clima por lá muda bastante, então saia com chuva ou sol e esteja preparado para as mudanças. - Leve sempre na sua mochila de ataque uma jaqueta e calça que sejam impermeáveis e corta vento. - Em todos os lugares tem calefação, então use e abuse do sistema em camadas e leve pijama curto para dormir. - Faça cambio na Argentina. Minha conexão em Buenos Aires era de madrugada, então não consegui fazer cambio fora do aeroporto, e mesmo assim compensou muito mais que trocar no Brasil. Fiz no Banco Nación dentro do EZEIZA, acho que fica aberto 24hrs. No site deles dá pra acompanhar a cotação oficial (http://www.bna.com.ar). - Comprei todos os tickets de ônibus na Rodoviária de El Calafate. Também é possível comprar online. - Peguei um Chip para usar internet da empresa Movistar. Só precisa ir até a loja deles com um documento e solicitar o chip, depois ir até um kiosco e fazer uma recarga. A internet funcionou bem na Argentina, exceto El chaltén que lá nem o wifi funciona direito. - Tanto na argentina quanto no chile eles não dão sacolas nos mercados. - Achei os preços bem interessantes em Ushuaia, pra quem não sabe, é uma área livre de impostos. Vi perfumes, gopro, roupas de frio com preços bons. Meu cronograma foi o seguinte: 20/12 – Florianópolis – Buenos Aires 21/12 – Buenos Aires - Ushuaia 22/12 – Ushuaia – Laguna Esmeralda 23/12 – Ushuaia – Pinguineira, Canal Beagle e Glaciar Martial 24/12 – Ushuaia – El Calafate (avião) 25/12 – El Calafate – Dia Livre, volta de bike 26/12 – El Calafate – Perito Moreno e Minitrekking 27/12 – El Calafate – Puerto Natales - Chile (ônibus) 28/12 – Puerto Natales – Full Day Torres Del Paine 29/12 – Puerto Natales – Trekking até Base deTorres del Paine 30/12 – Puerto Natales – El Calafate – El Chaltén (ônibus) 31/12 – El Chaltén – Cerro Torre 01/01 – El Chaltén – Chorrilo Del Salto 02/01 – El Chaltén – Fitz Roy 03/01 – El Chaltén – Laguna Electrica 04/01 – El Chaltén – Loma Del Pliegue Tumbabo 05/01 – El Chaltén – El Calafate (ônibus) 06/01- Chegada em Florianópolis Vou começar pelo dia 2, porque o primeiro se resumiu apenas em chegar até Buenos Aires 😂😂 21/12 BUENOS AIRES – USHUAIA Cheguei de madrugada no Aeroporto de Ezeiza, fiz o cambio e meu voo até Ushuaia saia do Aeroparque. A Aerolíneas disponibiliza de um transfer gratuito se você emitir um voucher no site deles. A empresa que presta esse serviço é a Manuel Tienda León, só procurar o guichê deles na parte externa do aeroporto. O voo de Buenos Aires até Ushuaia dura +/- 4 horas. Acordei quando estava perto de pousar e ao abrir a janela o céu estava azul, as montanhas com os picos nevados e diversos lagos. Desembarquei em Ushuaia às 8h10 e como não despachei mala, fui direto ver o transfer até o meu hostel, para não esperar muito optei pelo remis, é um trajeto rápido e custou ARS 300. No hostel, tomei café da manhã e fui tomar um banho para sair. E para minha surpresa ao sair do banho, chuva e muito vento (coisas da patagônia 😂). Nesse momento, ainda não entendendo como funcionava o clima por lá, fiquei esperando a chuva passar. Depois de um certo tempo sai na chuva mesmo. Estava com o dia livre e fui bater perna para conhecer a cidade, andei pela Avenida San Martin que é a rua de comércios em Ushuaia, muito simpática, com algumas construções coloridas, pelas calçadas apreciando o Canal Beagle, fui até a famosa placa. Hospedagem: Antártida Hostel. Localização é ótima, perto da Avenida San Martin, do porto e mercado. Estrutura de quartos, banheiros e cozinhas são boas e sempre estavam limpos. Staffs simpáticos, sempre dando dicas e conversando. Vista do avião Foto clássica na placa "fin del mundo" Canal Beagle 22/12 – USHUAIA – LAGUNA ESMERALDA Pedi no hostel informações sobre o transfer até o inicio da trilha para a Laguna Esmeralda, eles me venderam por ARS 450 ida e volta. A van passou no hostel as 10h, o dia estava nublado e sem chuva. A trilha de modo geral é bem tranquila e bonita. Você caminha por bosques, passa por rios, vales, paisagens bem diferentes. Durante todo o trajeto há “plaquinhas” azuis nas árvores indicando o caminho. Possui algumas subidas, não são muito longas e nem íngremes. Após mais ou menos 6km cheguei na Laguna Esmeralda e que lugar incrível, meu preferido de Ushuaia. A água realmente é verde esmeralda, mesmo com o dia nublado. Explorei alguns lugares mais altos, contornei a Laguna para vê-la vários ângulos. Logo mais começou uma ventania, coloquei todos os meus casacos, gorro, procurei um abrigo do vento e sentei pra comer para depois começar meu caminho de volta. Na volta o vento não deu trégua e eu podia ver a chuva se aproximando. Choveu um pouco e depois o céu ficou azul. Cheguei ao inicio da trilha perto das 14h para aguardar a van. No caminho de volta para o hostel o tempo virou de novo, choveu e ventou MUITO. Fiquei pensando se tivesse optado por voltar com a van das 17h kkkk Trilha com as plaquinhas azuis nas árvores, indicando o caminho. Empacotada de casacos depois que cheguei na Laguna Esmeralda 23/12 – USHUAIA – PINGUINEIRA, CANAL BEAGLE E GLACIAR MARTIAL Último dia em Ushuaia começou bem cedo, o dia estava lindo, céu azul, pouco vento. Às 7h30 o ônibus saia do Porto em direção a Estancia Harberton, para depois pegar um barco até a Isla Martillo, onde estão os pinguins. Fechei esse passeio com a Piratour por USD 179. No caminho até a Estancia paramos num local bonito, com um lago e do outro lado da estrada um vale, onde é possível observar como as árvores crescem tortas devido aos fortes ventos. Fomos divididos em 2 grupos para pegar o barco e ir até a ilha dos pinguins. Estava bem frio e com bastante vento. Ao descer na ilha a guia passa algumas instruções e durante todo o passeio explica sobre a ilha, pinguins, predadores, etc. Você não fica “solto” na ilha, precisa caminhar com o grupo. A ilha é realmente cheia de pinguins, estão por toda a parte e são uma gracinha, dá vontade de pegar um e botar embaixo do braço. Obs.: Não é permitido se aproximar dos pinguins, acho que são 3 mestros. E tome muito cuidado para não pisar nos ninhos. Minha dica é: fique na frente do grupo, um pouco afastado. No momento que estava conversando com a guia um pinguim se aproximou de mim e pude vê-lo de pertinho, até tirei uma selfie com ele. Depois vamos até o museu marítimo onde é realizada uma visita guiada em inglês e espanhol. O museu é muito interessante possui ossadas de mamíferos marinhos. O tour é realizado por biólogos, as explicações são riquíssimas, cheias de informações novas. Pra finalizar o passeio seguimos até um catamarã para uma navegação de 3 horas pelo Canal Beagle, até chegar ao porto de Ushuaia. Confesso que achei essa parte um porre e dormi boa parte do trajeto kkkk acordei para ver o Farol, que é lindo. Nesse momento estava chovendo e bem cinza, parecia filme de terror. Mais tarde passamos por uma ilha onde ficam vários leões marinhos, paramos ali por alguns minutos para observa-los. Eles dormem todos juntinhos, fazem barulhos, são folgados e desajeitados. Desembarcamos no porto de Ushuaia pelas 15h, almocei com uma família que conheci durante o passeio e as 19h30 combinamos de nos encontrar para subir o Glaciar Martial. Nessas horinhas já tinha parado de chover e o sol brilhava, no entanto um pouco antes de sair e encontrar meus novos amigos, o tempo virou completamente e inclusive choveu granizo (acho que nunca vou ver tempo tão louco como ushuaia). Após muita indecisão, criamos coragem e começamos a subir o Glaciar Martial, debaixo de chuva mesmo. Estava muito úmido, então a sensação térmica castigava. No meio da trilha já havia parado de chover, olhamos para trás, o céu estava limpo e no mar dava pra ver um lindo arco-íris. A subida é bem íngreme, senti a minha panturrilha queimar. Subimos até encontrar os pontos com gelo, tomamos a agua trincando e começamos a descida com vista para Ushuaia, o céu estava com cores lindas. Por isso eu vou reforçar mais uma vez: NÃO DEIXEM DE FAZER ABSOLUTAMENTE NADA NA PATAGÔNIA POR CAUSA DO TEMPO. Patagônia e suas surpresas 😍 Por enquanto é isso gente, conforme for sobrando um tempinho vou escrevendo e postando aqui!
  8. Oi, amigos e amigas viajantes! Antes da pandemia fizemos um mochilão de carona em alguns países da América do Sul. Uma das primeiras partes da viagem foi conhecer Buenos Aires e descer até o Ushuaia (tudo de forma econômica e de carona!!). É possível ir inteiramente de carona? Sim! Nós fomos e foi demais. Na Patagônia argentina é muito comum as pessoas darem carona. A estrada para a cidade do fim do mundo é incrível, repleto de lugares diferentes, misteriosos, vários animais diferentes e muito mate. Estamos postando alguns vídeos no YouTube sobre este trajeto e nosso mochilão, se você tiver interesse, dúvidas e curiosidades, fale com a gente, se inscreva no canal!!! Pegamos muitas dicas aqui no blog antes de cair na estrada, e queremos ajudar outras pessoas com este sonho. O link do canal é este: https://www.youtube.com/channel/UC_s6lPHmcwshOyB8FlFNO0A Prazer! Sou a Vivi e meu parceiro de viagem é o Trumai :D Qualquer dúvida nos envie mensagens no insta: @vivinakano e @trumaiii
  9. Olá gente! Nem acredito que chegou a minha hora de deixar um relato de viagem haha eu pesquisei muito aqui nesse fórum e uma das grandes razões da viagem ter saído do papel e eu ter feito o meu primeiro mochilão sozinha foi as informações que encontrei por aqui. Primeiramente, a base da minha viagem foi o relato da @appriim que está completinho nesse link aqui. Encontrei ela aqui no Mochileiros e no fim somos da mesma cidade e temos vários amigos em comum (e em breve espero que saia o encontro pessoalmente né Ana? haha) Fiz algumas alterações porque eu tinha alguns dias a mais que ela, então segue abaixo uma visão geral do meu roteiro e depois nos comentários vou escrevendo dia a dia. 17/12/2019 - Florianópolis > Ushuaia 18/12/2019 - Ushuaia - Carimbei o passaporte, comprei o ônibus para Punta Arenas e fiquei andando na cidade sem rumo 19/12/2019 - Ushuaia - Passeio na Pinguinera + Canal Beagle e trilha no Glaciar Martial 20/12/2019 - Ushuaia - Laguna Esmeralda 21/12/2019 - Ushuaia - descanso e andei pela cidade sem rumo de novo 22/12/2019 - Ushuaia deslocamento > Punta Arenas - 12h de ônibus durante o dia 23/12/2019 - Punta Arenas - fiz o câmbio e andei pela cidade, pela orla, fui ao mirante e cemitério as 17h peguei o ônibus para > Puerto Natales - 3h 24/12/2019 - Puerto Natales - Aluguei um carro com o pessoal do hostel e fomos até o Parque Torres del Paine, fazendo o "Full Day" que vende em agências de forma privada 25/12/2019 - Puerto Natales - Descanso 26/12/2019 - Puerto Natales - Trilha Base de Torres del Paine 27/12/2019 - Puerto Natales deslocamento > El Calafate - 7h de ônibus durante o dia 28/12/2019 - El Calafate - Laguna Niemez, Lago Argentino e andei pela cidade 29/12/2019 - El Calafate - Mini Trekking no Glaciar Perito Moreno 30/12/2019 - El Calafate deslocamento > El Chalten - 3h de ônibus saindo as 8h 31/12/2019 - El Chalten - Laguna de los Três / Fitz Roy 01/01/2020 - El Chalten - Descanso 02/01/2020 - El Chalten - Chorrillo Del Salto 03/01/2020 - El Chalten - Mirador de Los Condores e Las Aguilas 04/01/2020 - El Chalten - Laguna Torres / Cerro Torre 05/01/2020 - El Chalten - Madre e Hija 06/01/2020 - El Chalten - Descanso 07/01/2020 - El Chalten deslocamento > El Calafate - 3h de ônibus, saindo as 8h, andei sem rumo pela cidade 08/01/2020 - El Calafate - Lago Argentino, andei pela cidade e meu voo saiu as 19:30h para Buenos Aires > Florianópolis 09/01/2020 - Chegada em Florianópolis Gastos aproximados: DESLOCAMENTO: R$ 3.000,00 R$ 2.139,00 passagem aérea Aerolíneas Argentinas | Ida: Floripa > Buenos Aires > Ushuaia | Volta: El Calafate > Buenos Aires > Floripa R$ 180,00 entre taxi, uber, transfer aos lugares R$ 530,00 deslocamentos de ônibus R$ 135,00 aluguel de carro por 1 dia em Puerto Natales (o carro foi dividido em 4 pessoas) HOSPEDAGEM: R$ 1.280,00 Ushuaia: ANTARCTICA HOSTEL Punta Arenas: HOSTEL ENTRE VIENTOS Puerto Natales: WE ARE PATAGONIA BACKPACKERS (pagamento em dólar estamos isentos de 19% do imposto) El Calafate: FOLK HOSTEL El Chalten: LO DE TRIVI El Calafate: FOLK SUITS Reservas feitas pelo Booking e HostelWorld PASSEIOS: R$ 1.650,00 Mini Trekking Perito Moreno - R$ 700,00 - comprado no Brasil valor com cartão de crédito e IOF Pinguinera + Canal Beagle - R$ 742,00 - pago no Brasil valor com cartão de crédito e IOF | observação importante: se fazer a caminhada com os Pinguins em Punta Arenas é metade do preço e rola reservar lá mesmo no próprio hostel pro dia seguinte. Entrada Parque Torres del Paine - R$ 185,00 (paguei o preço de 2019 ainda) ALIMENTAÇÃO: R$ 1.200,00 (tem mercado, cerveja, vinho e alfajor nessa conta haha) BAR: R$ 200,00 (isso são os extras dos dias que fui pro bar e só consumi álcool) SEGURO VIAGEM: R$ 215,00 TOTAL GASTO R$ 8.000,00 (contando souvenir, extras que eu possa ter esquecido de anotar e etc) Conversões realizadas: 1 real > 13,60 pesos argentinos (Aeroporto Ezeiza de Buenos Aires) 1 real > 185 pesos chilenos (Casa de Câmbio em Punta Arenas) 1 real > 16 pesos argentinos (Restaurante Casimiro em El Calafate) Fiz umas outras conversões zoadas porque tive perrengue de dinheiro que conto depois hahah mas essas três foram as principais que acho que vale citar. TOTAL QUE GASTEI EFETIVAMENTE: R$ 8.900,00 (perdi R$ 900,00 por um golpe na conversão do câmbio no Banco do Aeroporto Ezeiza, eu dei R$ 3.200,00 e eles me converteram como se eu tivesse trocando R$ 2.300,00, fui perceber só agora que já estava no Brasil, foi falta de atenção minha como recém mochileira que achava que tinha pensado em todos os detalhes, só que não... 💔💔) Aos poucos vou contando aqui sobre a viagem dia-a-dia, ah eu também fui postando tudo no meu Instagram (@anavoando), os stories estão salvos no destaques e fui escrevendo no feed também. Ah, leiam o post da Ana que citei lá no começo, eu li e reli um milhão de vezes e ela dá várias dias ótimas!! Espero que gostem! Continuarei aos poucos, Ana Caroline
  10. Porteira da Estância Túnel Início: aterro sanitário de Ushuaia (desagradável, mas dá para evitar) Final: Playa Larga Distância: 21,9km Maior altitude: 327m Menor altitude: 0m na foz do Rio Encajonado Dificuldade: fácil por ser por trilha bem marcada (ou estradinha fechada a carros) e desnível positivo de apenas 308m. A leste da cidade de Ushuaia, às margens do Canal de Beagle, está o balneário de mar dos fueguinos, a Playa Larga, uma praia de pedrinhas de cerca de 1km de extensão. Continuando pela costa se encontram algumas estâncias (fazendas), sendo a mais próxima a Estância Túnel. Depois dela chama a atenção um rio que corre por dentro de um profundo cânion antes de desaguar no Beagle, o Rio Encajonado (encaixotado). Para não ir e voltar pelo mesmo caminho até o Rio Encajonado desenhei um percurso que chega à Estância Túnel pela serra e retorna pela costa. Essa foi a diversão desse dia, que começou ensolarado e terminou com muita chuva e vento frio, típico de Ushuaia. Esse percurso de ida pela serra tem o inconveniente de passar ao lado do basural, o aterro sanitário de Ushuaia. Não é tão horrível, mas para quem preferir evitar basta fazer o mesmo trajeto pela costa na ida e na volta. 17/02/2020 - Saí do hostel um pouco tarde, às 9h35. Os dias longos do verão no extremo sul do continente deixam a gente bem relaxado com relação ao horário das caminhadas. Os argentinos por exemplo muitas vezes iniciam as caminhadas no meio da tarde. Há luz do dia até depois das 21h30 nessa época (fevereiro). Na Rua Gobernador Deloqui, no centro de Ushuaia, peguei o ônibus da linha B (poderia ser o da linha A também, porém na Avenida Maipu) e desci às 10h10 no ponto da Rua Pioneros Fueguinos quase esquina com a Perito Moreno, que ali é uma rodovia. Cruzei a Moreno e procurei o melhor lugar à direita para descer ao Rio Olívia. Cruzei-o por uma ponte estranha (altitude de 19m) e tomei a estrada de terra poeirenta para a esquerda, subindo. Para mim, pior que o basural é esse trecho de 530m em que os carros e caminhões de lixo passam e cobrem a gente de poeira. Mas passado o portão do basural não circulam mais carros. Cerca de 920m após a ponte chego às 10h25 a uma porteira azul de ferro com cadeado mas com um portão ao lado. Ali a estradinha faz uma curva para a direita (leste) e sobe mais forte. Para trás a visão de Ushuaia e do Canal de Beagle vai se ampliando. Foz do Rio Encajonado Quase no topo da estrada há uma bifurcação em que se deve seguir à esquerda fazendo uma curva em S ou tomar uma trilha-atalho no meio das duas ramificações (não seguir na estrada à direita). A estrada toma o rumo leste e vai percorrer a distância a face sul do Cerro Le Cloche. Foi aí, após uma porteira, que eu procurei uma trilha (relato aqui) para subir esse cerro e não encontrei. Seria preciso subir pelo bosque sem trilha e depois pela encosta de pedras/lajes soltas sem caminho definido também, creio eu, o que chega a ser um pouco arriscado. Continuando pela estradinha, às 11h33 cheguei a um largo com uma casa de madeira que parecia em construção. Não havia ninguém. Cruzei o riacho pelas pedras e subi à esquerda. Cerca de 520m depois da casa surge uma trilha bem marcada entrando no bosque à direita. Esse é um outro caminho que desce à costa mas eu queria tomar a descida que dá diretamente na Estância Túnel, portanto tinha de continuar até o final da estradinha. Logo atingi o ponto mais alto da caminhada, 327m. Às 12h07 passei por um curral vazio à direita e com mais 7min a estrada vira uma trilha entrando no bosque. Na bifurcação 90m depois uma seta aponta para a direita mas vou para a esquerda. Mais 70m e continuo em frente num cruzamento de trilhas. Parei para almoçar junto a alguns troncos caídos. Apesar de não ter visto sinal de vida comecei a ouvir barulho de motosserra. Retomei a caminhada às 12h45 e a trilha toma o rumo sul, descendo. Apareceram algumas vacas e logo cruzei com um homem a cavalo e seu fiel cachorro. Às 12h57 apareceu uma bifurcação, fui para a direita, mas tanto faz pois se encontram mais abaixo. Às 13h19 entroncou uma trilha à direita que é uma das ramificações daquela primeira trilha de descida. Com mais 210m cheguei à Estância Túnel, às 13h25. Ali há uma casa e currais com vacas e cavalos, mas não vi ninguém. Meu próximo objetivo era o Rio Encajonado, a 2,8km dali caminhando pela costa no rumo leste. Fui então para a esquerda. A trilha corre um pouco alta, não pela margem do canal. Cruzei com três pessoas voltando e depois com mais três ou quatro. Interessante notar ali as árvores que cresceram completamente inclinadas pela ação do vento! Ao chegar ao Rio Encajonado às 14h20 encontrei um argentino que tinha chegado de bicicleta até ali. Ele disse que cruzou o rio junto ao canal e não viu continuação da trilha. Disse que a água estava gelada. Nesse local de chegada se vê o rio correndo lá embaixo no fundo do cânion. Há até uma "ponte" sobre ele mas exige muito equilíbrio e sangue frio pois é um tronco fino com duas cordinhas finas como corrimão. Nem pensar que eu passaria ali, aliás não conseguia chegar nem perto dessa "ponte" pela altura das paredes do cânion. Com informações contraditórias restou a dúvida se a trilha continua ou não. Provavelmente sim mas eu não quis entrar naquela água gelada para explorar do outro lado. Seria só uma exploração para voltar em outra ocasião já que não havia tempo para seguir mais à frente e voltar no mesmo dia à cidade. A nota ruim ali naquele local bonito era um touro que despencou e jazia bem na embocadura do rio... Será que venta muito? Depois chegaram mais três garotas mas logo foram embora. Iniciei o retorno às 16h06, passei pelas casas da Estância Túnel às 17h e continuei pela costa. Cruzei a porteira de entrada da fazenda e uma placa ali aponta o Rio Encajonado à direita, subindo. Não devem querer que fique gente passando bem na porta da casa deles. Às 17h17 cheguei a uma bifurcação onde o melhor caminho é pela direita, o da esquerda é ruim, desce e sobe muito. Entrei num bosque e na saída dele vem da direita outra ramificação daquela primeira trilha de descida. Cruzei um riacho (com origem naquela casa de madeira lá em cima) por dois troncos e saí do bosque. Ali à esquerda num morrote está o Mirador San Sebastian. Algumas vacas na trilha, um extenso bosque e cheguei às 18h13 a uma porteira. Uma placa ali alerta para o futuro desaparecimento dessa trilha por causa da construção de uma estrada! Com mais 4min cheguei a um final de estrada de rípio com um estacionamento e cinco carros. Há ali uma torre de ferro chamada Baliza Escarpados pertencente à Marinha Argentina. Comecei a andar pela estrada e veio a chuva. Parei para vestir a roupa impermeável, comer alguma coisa e ver se a chuva parava - que nada... Continuei pela estrada com chuva mesmo e às 19h avistei a Playa Larga (Praia Comprida) bem abaixo a esquerda. Ao fundo Ushuaia, mas a paisagem estava toda cinzenta pela chuva. Apareceram alguns acessos secundários à praia mas o principal veio às 19h18. A areia está além de um gramado que tem churrasqueiras de alvenaria. Algumas pessoas pararam o carro ali no estacionamento e foram visitar a praia com aquele tempo horrível. Uma placa mais adiante dá as boas-vindas à "Reserva Provincial, Cultural y Natural Playa Larga". A estrada faz uma curva para a direita, se afasta da praia e depois cruza o Rio Olívia, o mesmo que cruzei de manhã antes do aterro sanitário. Cheguei à Avenida Perito Moreno às 19h45 e dobrei à direita para tomar o ônibus da linha B no mesmo local onde saltei de manhã, Rua Pioneros Fueguinos. Informações adicionais: . para chegar ao início da trilha deve-se tomar o ônibus das linhas A ou B no centro de Ushuaia e saltar no ponto da Rua Pioneros Fueguinos quase esquina com Perito Moreno . o valor da passagem em fev/20 era AR$24 (R$1,50) que deve ser pago obrigatoriamente com o cartão de transporte SUBE (o mesmo de Buenos Aires e Bariloche) Rafael Santiago fevereiro/2020 https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
  11. Ushuaia e Canal de Beagle vistos do Mirador del Beagle Início: Hotel Altos Ushuaia Final: autódromo de Ushuaia Distância: 10,1km (caminhei mais 2,5km do centro de Ushuaia ao início da trilha no Hotel Altos Ushuaia e 5,7km do final da trilha no autódromo ao centro de Ushuaia) Maior altitude: 317m Menor altitude: 78m no autódromo de Ushuaia Dificuldade: fácil, apesar do desnível positivo de 199m desde o início da trilha no Hotel Altos Ushuaia O Glaciar Martial é a trilha mais próxima do centro de Ushuaia e a primeira caminhada da maioria dos que visitam a cidade. Quando fui conhecê-lo (relato aqui) descobri em certo momento da subida uma trilha que saía para a esquerda (oeste) da estrada de asfalto. Um painel com mapa mostrava o trajeto e tinha o nome de "Senderos Miradores del Glaciar Martial" (trilha dos mirantes do Glaciar Martial) por passar por três mirantes. Naquele dia não havia tempo para explorar esse outro caminho, então reservei este dia sem previsão de chuva para percorrê-lo. Vale dizer que essa caminhada não chega ao glaciar e nem mesmo ao estacionamento dele, a saída para essa trilha está bem abaixo. 16/02/2020 - Saí do hostel bem tarde, às 10h10. Os dias longos do verão no extremo sul do continente deixam a gente bem relaxado com relação ao horário das caminhadas. Os argentinos por exemplo muitas vezes iniciam as caminhadas no meio da tarde. Há luz do dia até depois das 21h30 nessa época (fevereiro). Do centro de Ushuaia subi pela Rua Juana Fadul até a Avenida Hernando de Magallanes (uma avenida larga, de duas pistas) e a tomei para a esquerda (oeste) às 10h12. Andei 1,5km e virei à direita na Rua Aldo Motter às 10h36. Uma placa na esquina aponta a direção do glaciar. Na pequena Plazoleta Republica del Paraguay tomei a rua que sobe à esquerda em diagonal, continuação da Aldo Motter. Nessa esquina a placa não cita o glaciar mas outra placa subindo a Aldo Motter em diagonal sim. Cerca de 540m depois da plazoleta e 60m antes do Hotel Altos Ushuaia entrei na rua de terra à direita. A trilha "oficial" começa bem à direita desse hotel, com um grande painel com mapa do Sendero del Glaciar Luis Martial. Da outra vez subi por esse caminho e desci por uma trilha alternativa, pela qual subo hoje. O caminho mais curto seria pela trilha "oficial" mas quis variar. Entrando na rua de terra à direita às 11h (há um pequeno estacionamento no início dela, altitude de 118m) em apenas 80m tomei a trilha à esquerda sem sinalização nenhuma. Mas dentro do bosque apareceram os troncos pintados de amarelo e depois uma plaquinha "glaciar". A trilha acompanha a margem esquerda verdadeira do Arroyo Buena Esperanza. Apesar de haver água na trilha recomendo levar sua própria água para beber. Ushuaia e Canal de Beagle vistos do Mirador Pista Wallner Subi bastante e às 11h22 cruzei uma ponte de troncos sobre um profundo cânion. Na bifurcação em seguida tomei a esquerda pois a direita leva ao glaciar. Saí na estrada de asfalto que sobe para o estacionamento do glaciar e continuei para a esquerda. Passei na frente do Hotel Los Acebos e cruzei a estrada, encontrando o painel com mapa "Senderos Miradores del Glaciar Martial". Altitude de 197m. Os mirantes desse percurso são: Mirador Pista Wallner, Mirador Montes Martial e Mirador Beagle. O mapa mostra a trilha só até esse último mirante mas eu pretendia continuar por ela e sair perto do autódromo de Ushuaia. O painel informa ainda a distância dali a cada um dos mirantes, com desnível, tempo estimado e dificuldade. Entrei no caminho largo junto a esse painel às 11h31 e com apenas 30m peguei a trilha saindo para a direita e sinalizada com círculos azuis. Passei pelos fundos do Hotel Las Hayas e reentrei no bosque. Antes de tomar a direção sudoeste para chegar ao primeiro mirante quis explorar uma outra trilha que apareceu. Tomei então a trilha subindo à direita e segui em frente no cruzamento 60m depois. Essa trilha sobe bastante para oeste por 540m e chega a uma bifurcação em T (altitude de 313m). Fui para a direita, a trilha fez algumas curvas e terminou às 12h19 na mesma estrada de asfalto, atrás do Hotel Cabañas del Martial. Pelo caminho encontrei sinalizações diversas, de cores azul, preta, amarela, verde e vermelha, apontando para vários lados, e não tive paciência de tentar decifrar. Essas trilhas são usadas no inverno para ski e caminhada com raquetes de neve. O mais interessante nesse trajeto são as cabanas feitas de troncos finos características dos povos Yámana e Selk'nam. Também notei nas árvores o fungo pão-de-índio. Quando jovens são redondos de cor amarela ou alaranjada, depois secam e concentrados formam uma protuberância no tronco. Têm esse nome porque eram usados como alimento pelos povos originários da região. Parei para um lanche perto da estrada. Às 12h43 iniciei o retorno pelo mesmo caminho, desci até o cruzamento e tomei agora a direita (sudoeste) para o primeiro mirante, Mirador Pista Wallner, aonde cheguei às 13h40. Por ser uma antiga pista de ski uma grande clareira está aberta no bosque, o que proporciona vista para a cidade, o Canal de Beagle e a Ilha Navarino (onde estava chovendo, pra variar). Ao lado da pista restos de um teleférico. A continuação da trilha se dá quebrando para a direita e subindo por 100m a antiga pista. Encontrei uma grande clareira boa para acampar - não havia placa de proibido acampar, apenas de proibido fazer fogo. Em seguida, na bifurcação em T fui para a esquerda (a direita me levaria à bifurcação em T anterior, aquela que termina no asfalto). Me deparei com um turbal onde jogaram troncos para poder passar mas o melhor é desviar por uma trilha à esquerda. Turbal (ou turbera) é uma área de turba (turfa em português), que é uma vegetação encharcada e esponjosa composta de musgos, juncos e gramíneas. É bem ruim de caminhar pois afunda e molha os pés, além de cansar bastante. Turbal de las Três Lagunas e Montes Martial vistos do Mirador Montes Martial Apenas 40m após esse turbal, às 14h27, encontrei o segundo mirante, Mirador Montes Martial (ou Mirador del Martial), que, como o próprio nome diz, mira as montanhas e não a cidade e o canal. Mira também o grande turbal (Turbal de las Três Lagunas) e o bosque que antecedem os Montes Martial, bem como o famoso Glaciar Martial. Todas as montanhas estão identificadas no painel. Continuando, com mais 380m a trilha chega a outro turbal, mas não é preciso se molhar pisando nele: o Mirador del Beagle e a continuação da trilha em direção ao autódromo estão ambos à esquerda. Basta escolher na bifurcação: Mirador del Beagle à esquerda e autódromo à direita entrando no bosque. Fui conhecer esse último mirante, que por ficar 160m fora da trilha principal tem a melhor visão dos três. Cheguei às 14h45. Um painel identifica as montanhas a leste de Ushuaia, entre elas o Monte Olívia e o Cerro 5 Hermanos. Apesar do sol tímido, estava bastante frio ali, mesmo assim fiquei mais de 1h admirando a paisagem. Até aí encontrei 8 ou 9 pessoas apenas, caminhando ou correndo. Às 15h50 retomei a caminhada. Voltei 160m até a bifurcação e segui para a esquerda entrando no bosque. Passei por uma velha placa numa árvore escrito "Bosque Hermoso" - concordo! Com 440m desde a bifurcação do mirante apareceu outra bifurcação e fui para a esquerda, continuando em trilha marcada no bosque. À direita sairia do bosque para um caminho largo porém muito pouco pisado e com risco de estar encharcado. Os dois se encontram mais adiante. Às 16h31, já saindo do bosque, topei com um portão trancado mas de fácil passagem. A trilha, que vinha no rumo geral oeste, aqui gira para o sul e desce bastante, se aproximando do final. Com mais 10min outra bifurcação: à direita se cruza um portão e em 140m se chega a um fim de rua poeirenta, à esquerda se cruza uma cerca e se chega a uma rua paralela à anterior mais abaixo. Preferi a esquerda, mas antes descansei um pouco - nessa hora passou um grupo de bicicleta e tomou a direita na bifurcação. Em ambos os caminhos há água corrente. Descendo pela esquerda, passei pela cerca e na rua de terra fui para a esquerda também. Minha direção agora era leste para voltar ao centro de Ushuaia. Nesse mesmo local terminei quase um mês antes um outro trekking que fiz, o Paso de la Oveja (relato aqui). Passei pelo autódromo à minha direita e cheguei à RN3 (que aqui é de rípio) às 17h22 (altitude de 78m). Fui para a esquerda (Parque Nacional Tierra del Fuego à direita) comendo poeira e em 11min cheguei à esquina das ruas Leandro Alem e Hipólito Irigoyen, onde há ponto de ônibus das linhas A e B para o centro. Mas preferi ir caminhando esses últimos 5km para conhecer mais da cidade. Tomei a Leandro Alem à esquerda e depois entrei na 12 de Octubre à direita. Quase ao final dela entrei na Avenida Maipu à esquerda e cheguei à Rua Juana Fadul às 18h49. Rafael Santiago fevereiro/2020 https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
  12. Laguna Esmeralda Início: estacionamento da Laguna Submarino na RN3 Final: estacionamento da Laguna Esmeralda na RN3 Distância: 28,5km Duração: 3 dias Maior altitude: 823m na neve do Glaciar Ojos del Albino Menor altitude: 220m no Rio Lasifashaj Dificuldade: média para quem está acostumado a longas travessias com mochila cargueira. Os desníveis não são grandes, a maior subida tem desnível de 433m. Nessa caminhada emendei duas trilhas: a da desconhecida Laguna Submarino com a da popularíssima Laguna Esmeralda. A princípio pensei que teria que caminhar pela RN3 entre a trilha de uma e de outra já que estão um pouco distantes e cada uma de um lado da rodovia, mas para minha felicidade descobri um caminho bem mais agradável por trilha e bosques. Por que o nome Submarino? Dê uma espiada na imagem de satélite do Google. 1º DIA - 31/01/20 - do estacionamento na RN3 à Laguna Submarino Distância: 6km Maior altitude: 642m na Laguna Submarino Menor altitude: 220m no Rio Lasifashaj Resumo: nesse primeiro dia de caminhada subi da rodovia RN3 à Laguna Submarino num desnível de 422m. Acampei um pouco abaixo dela. Saí do hostel um pouco tarde, às 9h35. Os dias longos do verão no extremo sul do continente deixam a gente bem relaxado com relação ao horário das caminhadas. Há luz do dia até depois das 21h30 nessa época (fim de janeiro/início de fevereiro). Na Rua Gobernador Deloqui, no centro de Ushuaia, peguei o ônibus da linha B (poderia ser o da linha A também, porém na Avenida Maipu) e desci no ponto final junto ao portal da cidade (saída para Rio Grande). Em frente ao ponto final fica o posto policial e ao passar por ele somos sempre "convidados" a entrar e registrar nome, documento e destino. Logo depois do portal as pessoas ficam pedindo carona. Já havia gente ali e me posicionei depois delas para respeitar a ordem de chegada. Logo parou um caminhão para mim, o motorista ia para Rio Grande. Saltei no estacionamento da trilha para a Laguna Submarino às 11h, bem em frente ao Centro Invernal Tierra Mayor. Havia dois carros apenas no estacionamento, provando que a laguna era pouco conhecida mesmo. Ali há um grande painel do "Sendero del Fin del Mundo" mostrando as trilhas da etapa 6 desse projeto e ainda uma continuação até o Rio Olívia. A etapa 6 vai da Cascada Rio Beban até Tierra Mayor, onde eu estava. Dessa maneira, descobri que conseguiria emendar as trilhas Submarino e Esmeralda por uma terceira trilha pelo Vale de Tierra Mayor. Restava saber se essa trilha estava transitável. Curioso que esse painel não mostrava a trilha da Laguna Submarino (etapa 7 do projeto), aliás não havia nenhuma placa informando que ali era o início da trilha para ela. Apenas uma placa indicando área de acampe a 1,2km. Segundo o painel, a sinalização de trilha a seguir seriam duas faixas horizontais nas cores azul e branca, tal como a da Huella Andina do norte da Patagônia, mas nesse trecho até a Laguna Submarino ela não apareceu . Mais informações em lahuellaandina.com.ar, link "Guía original de Senderos de Patagonia". Cachoeira no caminho à Laguna Submarino Comecei a caminhar às 11h10. Altitude de 259m. Segui a estradinha de terra que cortava na direção leste o denso bosque de lengas e com 900m cheguei a uma grande clareira com cruzamento de trilhas. Ali percebi que essa estrada era de manutenção do gasoduto. A única sinalização era uma discreta seta amarela para a direita sem nada escrito. Mas o gps me apontava a direita mesmo (sudoeste). Na descida que se seguiu havia outros caminhos para a direita e esquerda que ignorei. Antes de chegar ao Rio Lasifashaj encontrei a tal área de acampe à direita com mesas de piquenique e churrasqueiras, mas com o terreno um pouco inclinado. Não havia nenhuma barraca nesse momento. Cruzei o Rio Lasifashaj por tubos de ferro e um tronco improvisado (menor altitude do dia, 220m). A estradinha continuou no sentido sudoeste e bastante enlameada. Caminhei por ela 250m e a abandonei às 11h40 para entrar numa trilha à esquerda com placa. Finalmente informações sobre a trilha da Laguna Submarino! Segundo a placa ela está a 646m de altitude e a trilha tem 12km ida e volta. A altitude ali é de 234m. A placa só não diz que a trilha é um verdadeiro festival de lamaçais. O avanço é lento por conta deles. Ultrapassei um grupo que havia visto lá no estacionamento da RN3: um homem, duas mulheres e cinco crianças, uma delas bem pequena! Agora o sentido é sul. Às 12h38 subi um trecho um pouco mais inclinado por uma corda e me aproximei do rio que desce da laguna. Logo começaram a aparecer as castoreiras, represas construídas por castores e que matam todo o bosque ao redor. Um cenário desolador de árvores mortas, umas roídas por eles e outras afogadas na represa. Numa grande clareira às 13h42 havia terreno plano para acampar e restos de fogueira bem ao lado de uma grande castoreira. Ao reentrar no bosque cheguei a uma bela cachoeira às 13h55. Parei para comer um lanche apesar do vento frio que vinha dela. Retomei a caminhada às 14h18 e imediatamente surge uma subida bastante inclinada com duas cordas fixas como apoio. Fiquei pensando nas quatro crianças que vinham atrás... Ao final da parte mais íngreme uma bonita visão do vale percorrido. Os lamaçais continuavam ali no alto. No meio de um deles havia uma bifurcação e fui para a esquerda, mas a trilha terminou numa cachoeira inacessível e muito bonita. Voltei à bifurcação para continuar pela trilha principal (não quis cortar caminho subindo uma encosta íngreme à direita da cachoeira). Mais subida e às 14h55 saí do bosque, passando a caminhar por uma trilha estreita numa encosta de pedras um pouco instável. A visão se abre para o vale à esquerda e fiquei de olho num gramadinho plano que poderia ser meu local de acampamento. Subi um pouco mais mas logo desci na direção desse pequeno vale e atravessei dois riachos em sequência. Ali cruzei com um grupo de sete pessoas voltando da laguna. Continuei subindo agora num terreno mais pedregoso e numa curva suave para a esquerda atravessei o riacho que vem da Laguna Submarino, chegando a ela às 15h30. Altitude de 642m. Não havia mais ninguém, por algum tempo a laguna foi só minha. Apesar do vento frio dei uma volta completa ao redor dela. Pena que o dia estava cinzento e a cor verde da água não ressaltou nas fotos. Quando voltei ao ponto inicial aquela família com as crianças havia chegado. Fiquei surpreso... achei que iriam parar na cachoeira por causa das cordas em subidas quase verticais. Eram argentinos. Todos muito simpáticos, conversamos por algum tempo mas logo tomaram o caminho de volta porque estavam bem lentos. Eu fiquei mais algum tempo e depois desci para procurar um lugar para acampar. Aquele gramado à margem do rio não estava muito seguro pois tinha uma encosta quase vertical ao lado e podia rolar alguma pedra lá de cima. Acabei encontrando um gramadinho mais ou menos plano dentro de uma vala, meio estranho o lugar mas bastante abrigado do vento. Altitude de 580m no acampamento. Temperatura mínima durante a noite fora da barraca: 5,9ºC Laguna Submarino 2º DIA - 01/02/20 - da Laguna Submarino à Laguna Esmeralda Distância: 11,6km Maior altitude: 642m na Laguna Submarino Menor altitude: 220m no Rio Lasifashaj Resumo: nesse dia desci de volta à RN3 (desnível negativo de 422m) e tomei a trilha do Vale de Tierra Mayor até o cruzamento com a trilha principal da Laguna Esmeralda, onde acampei (desnível positivo de 154m da RN3 à Laguna Esmeralda) 10h30 da manhã: 10,7ºC Choveu durante a noite e de manhã. Ventou à noite mas eu estava protegido naquela vala. Não voltei à laguna para fotos pois o dia estava cinzento como na tarde anterior. Levantei acampamento às 15h10 (por causa da chuva da manhã) e desci pelo mesmo caminho. Cruzei com bastante gente subindo. Às 15h49 parei na cachoeira para mais algumas fotos. Mais abaixo, quando estava no bosque, começou a chover de novo e tive de parar para vestir a roupa impermeável. Logo após cruzar o Rio Lasifashaj parei às 17h51 na área de acampamento para um lanche nas mesas de piquenique, embora estivesse tudo molhado. Havia uma barraca montada. Às 18h30 cheguei ao estacionamento na RN3 e dessa vez havia oito carros. Cruzei a rodovia e entrei no terreno do Centro Invernal Tierra Mayor passando bem ao lado da casa principal pois era esse o caminho. Cruzei uma ponte de tábuas e tomei a trilha que vai até o Rio Olívia, segundo o painel com mapa, mas eu iria só até o cruzamento com a trilha da Laguna Esmeralda. A trilha está bem sinalizada com estacas amarelas e tem pontes. Segue o curso do Rio Lasifashaj. Cerca de 800m após a casa não notei uma trilha saindo para a esquerda e continuei na principal, bem larga. Depois olhei para a esquerda e vi as estacas indo em outra direção. Esse caminho largo leva a outros trekkings, como Cerro Alvear e Laguna Domo Blanco. Voltei à discreta bifurcação e segui pela trilha correta, que continua na margem direita do Rio Lasifashaj e logo entra no bosque. Nas árvores do bosque encontrei a sinalização do projeto "Sendero del Fin del Mundo", duas faixas horizontais nas cores azul e branca, além de círculos vermelhos. Ao sair do bosque cruzei às 19h19 uma ponte de tábuas sobre o Rio Lasifashaj e fui para a direita seguindo a placa Cascada Beban. Entrei em outro bosque. Ali me afastei do Rio Lasifashaj pois ele toma o rumo norte e eu seguia para oeste. Outra cachoeira no caminho à Laguna Submarino Às 20h03 cheguei a uma bifurcação e fui para a direita, mas desaconselho esse caminho pois há um lamaçal-brejo enorme e dessa vez não escapei de enfiar o pé inteiro na água preta. Melhor ir para a esquerda na bifurcação e tomar a trilha principal da Laguna Esmeralda 140m abaixo. Esse caminho do lamaçal-brejo é um atalho do qual a gente se arrepende. Às 20h14 cheguei à trilha principal da Laguna Esmeralda e fui para a direita. Ali a grande diferença: dezenas de pessoas na trilha! A Laguna Esmeralda é o trekking mais falado e mais procurado de Ushuaia. Todo mundo que chega na cidade parece predestinado a fazer essa caminhada. Todos os dias a trilha está cheia! Segui pela trilha superbatida na direção norte e noroeste e ao sair do bosque às 20h38 o último obstáculo do dia, uma grande área de turfa (turbal) completamente molhada, um verdadeiro pântano. Algumas pessoas vinham da laguna por um caminho que estava mais à minha esquerda, mas ali parecia quase impossível não afundar na água suja. Notei que à minha direita o turbal tinha mais vegetação do que água e tentei ir por ali. No meio da turfa uma raposa cinza (zorro gris) cruzou comigo tranquilamente como se eu nem estivesse ali. Tirei várias fotos dela bem perto. Esse caminho acredito que estava melhor que o outro pois vi gente afundando até o joelho lá no brejo. Ele termina numa trilha secundária que leva à laguna mas isso foi ótimo pois encontrei um lugar muito bom para acampar: plano, seco, abrigado do vento, longe de árvore que poderia cair e sem multidão passando na porta (porém 900m antes da laguna). Marquei esse local no gps e continuei até a laguna para conhecê-la e ver se havia algum lugar melhor para acampar. Cheguei a ela às 21h17. O camping "oficial" fica às suas margens, à direita de quem chega e na beira do bosque, mas isso eu só descobriria no dia seguinte. Não encontrei lugar melhor no trajeto que fiz e acampei naquele ponto marcado mesmo, coletando água no caminho. Altitude de 390m na Laguna Esmeralda e de 353m no local onde acampei Temperatura mínima durante a noite fora da barraca: 2,8ºC Laguna Esmeralda vista da subida ao Glaciar Ojos del Albino 3º DIA - 02/02/20 - Glaciar Ojos del Albino Distância da Laguna Esmeralda ao Glaciar Ojos del Albino: 3,3km Distância do Glaciar Ojos del Albino à RN3: 7,6km Maior altitude: 823m na neve do Glaciar Ojos del Albino Menor altitude: 248m Resumo: nesse último dia subi da Laguna Esmeralda até a neve abaixo do Glaciar Ojos del Albino (desnível de 433m), voltei à laguna e terminei a caminhada na RN3 (desnível negativo de 142m da laguna à RN3), onde consegui uma carona para Ushuaia 8h28 da manhã: 7,5ºC Desmontei a barraca e escondi a mochila para subir de novo à Laguna Esmeralda e continuar até o Glaciar Ojos del Albino. Às 10h50 estava de volta à laguna e já havia bastante gente visitando. Deveria contorná-la para encontrar a trilha do glaciar e optei por fazer isso pelo lado direito para não ter de cruzar dois rios, um que a alimenta e outro que brota dela. Foi seguindo para a direita que descobri o camping "oficial", que está no limite do bosque no qual eu deveria entrar para contorná-la. Apenas um casal dormiu ali naquela noite. O espaço é ruim, grande parte inclinado. Contornei toda a face leste da laguna e continuei, agora tendo o rio que a abastece à minha esquerda. Passei por uma área mais aberta dentro do bosque que dá um bom acampamento também. Logo depois inicia a subida. Passei por uma grande rocha que serve como abrigo/bivaque e venci a linha das árvores às 12h02. Dali em diante só pedras e montanhas rochosas. Uma enorme cachoeira escorre da montanha à esquerda. Subi mais e o caminho em meio às pedras começou a ficar menos marcado, causando alguma dúvida. A subida começou a ficar íngreme demais. Cheguei a um ponto mais alto em que pude observar melhor os arredores e já estava pensando se tinha tomado o caminho certo... não visualizava um caminho definido naquele mar de pedras de todos os tamanhos e não havia sinalização nenhuma. Parei um pouco. Vi gente subindo por um outro caminho mais abaixo e fiz um atalho como pude para chegar onde eles estavam pois deveria haver um caminho marcado. E havia. Quando subi deveria ter tomado um caminho muito discreto para a esquerda (depois de um bloco gigante de pedra à esquerda) e evitado aquele trecho muito íngreme. O caminho "marcado" às vezes se perdia um pouco também, mas consegui subir por ele até um platô acima e dali até a neve. Parei no limite da neve às 13h40 para ver que caminho os outros iriam tomar. Alguns subiram pela neve bastante inclinada mesmo sem crampons. Foram com bastante dificuldade mas conseguiram vencer aquela neve. Mas não se podia ver o que havia mais acima, talvez outro campo de neve inclinado. Outros não quiseram se arriscar na neve e escalaminharam a encosta mais à esquerda, sem trilha, muito íngreme e difícil, e sem saber onde iria dar lá no alto. Eu resolvi não arriscar nem um nem outro, portanto não cheguei ao glaciar propriamente dito. Mas o visual dali já estava espetacular para todo o vale com o Cerro 5 Hermanos ao fundo. Várias pessoas pararam ali também. Altitude de 823m. Dias depois soube da queda de um rapaz inglês nesse local em 2018. Ele não resistiu aos ferimentos. Cordon Toribio visto das proximidades do Glaciar Ojos del Albino Iniciei a volta às 14h51 e dessa vez fiz o caminho "certo" pelo mar de pedras pois segui um casal com guia. Às 15h53 reentrei no bosque. Passei pela Laguna Esmeralda às 16h45 e parecia uma praia urbana em um domingo de sol de tanta gente. Resgatei a mochila, venci a turfa encharcada (sem raposinha dessa vez) às 17h46, voltei ao bosque e segui a procissão. Saí do bosque e às 18h13 entroncou à esquerda a trilha que vem de Tierra Mayor. Esse seria o caminho que, apesar de alguns metros mais longo, evitaria aquele lamaçal-brejo enorme em que enfiei o pé. Apenas 170m adiante uma outra bifurcação com placa apontando a Cascada Beban à direita é a continuação da trilha que iniciei lá em Tierra Mayor. Marquei o local para depois explorar (relato aqui). Outra placa com foto identifica os picos dessa bela cadeia de montanhas, com destaque para o Cerro Bonete e o Cerro Alvear. Cruzei um bosque, um rio por uma ponte de troncos e ao reentrar no bosque às 18h23 surgiram algumas bifurcações. Se me mantivesse na trilha principal chegaria ao estacionamento na RN3 mas resolvi seguir quatro amigos com quem fiz amizade na trilha do glaciar. Eles conheciam bem as trilhas e tomaram vários atalhos. Ao chegarmos ao estacionamento às 18h38 perguntei se tinha lugar no carro e lá fomos para Ushuaia papeando sobre trilhas e montanhas. Informações adicionais: . para chegar ao início da trilha deve-se tomar o ônibus das linhas A ou B no centro de Ushuaia e saltar no ponto final no portal da cidade, em seguida pedir carona (hacer dedo, em espanhol) . o valor da passagem em fev/20 era ARS24 (R$1,50) que deve ser pago obrigatoriamente com o cartão de transporte SUBE (o mesmo de Buenos Aires e Bariloche) . uma opção mais confortável é o transporte privado (van) chamado Linea Regular que sai diariamente da esquina das ruas Maipu e Juana Fadul de hora em hora das 9h às 14h. . mais informações sobre o projeto "Sendero del Fin del Mundo" em lahuellaandina.com.ar, link "Guía original de Senderos de Patagonia". Rafael Santiago fevereiro/2020 https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
  13. Laguna Turquesa A caminhada da Laguna Turquesa costuma ser feita num bate-volta de um dia apenas. Apesar do desnível de 363m a subida pode ser feita em 1h, com a descida ainda mais rápida. Eu tinha bastante tempo e queria acampar na laguna para assistir ao pôr-do-sol se o tempo permitisse. Porém os dias estavam muito chuvosos. Acompanhei a previsão pelo Yr e ele indicava pouca chuva e algum sol para os dias seguintes. Porém na manhã em que sairia (27) a previsão para o dia seguinte (28) mudou e era de mais chuva que antes (2,2mm). Já estava com a mochila pronta e resolvi ir assim mesmo. Mal sabia eu o que me esperava... 1º DIA - 27/01/20 - subida à Laguna Turquesa Início: RN3 Final: Laguna Turquesa Distância: 1,7km Maior altitude: 658m na Laguna Turquesa Menor altitude: 295m na rodovia RN3 Resumo: nesse dia subi da rodovia RN3 à Laguna Turquesa em cerca de 1h (desnível de 363m) Saí do hostel bem tarde, às 12h36. Os dias longos do verão no extremo sul do continente deixam a gente bem relaxado com relação ao horário das caminhadas. Há luz do dia até depois das 21h30 nessa época (janeiro). Na Rua Gobernador Deloqui, no centro de Ushuaia, peguei o ônibus da linha B (poderia ser o da linha A também, porém na Avenida Maipu) e desci no ponto final junto ao portal da cidade (saída para Rio Grande). Em frente ao ponto final fica o posto policial e ao passar por ele somos sempre "convidados" a entrar e registrar nome, documento e destino. Logo depois do portal as pessoas ficam pedindo carona. Quando cheguei um rapaz argentino me disse que estava ali fazia 1h... mas tive mais sorte que ele. Num momento em que ele saiu para fumar um caminhão parou para mim sem eu levantar o dedo! O motorista ia para Tolhuin. Saltei na entrada da trilha para a Laguna Turquesa às 14h14. Há uma plaquinha improvisada de madeira na rodovia RN3 apontando a trilha. Nos primeiros 70m é uma rua de terra que liga a RN3 à estradinha do gasoduto. Cruzando essa estradinha é que se entra na trilha no bosque. Parei para comer alguma coisa e entrei nela às 14h36. Altitude de 310m. Valle Olum Subi até os 535m e saí do bosque (15h12) cruzando um lamaçal terrível. Passei a caminhar por um campo encharcado já com visão do circo glacial que abriga a laguna. O rio que brota dela corre num valezinho à esquerda. Ao subir um pouco mais olho para trás e avisto a famosa e popular Laguna Esmeralda entre montanhas do outro lado da RN3. Cheguei à Laguna Turquesa, que na verdade tem cor verde-esmeralda, às 15h32. Altitude de 658m. Decidi ir direto para a Laguna Turquesa Superior e subi a encosta do lado esquerdo. Ao chegar à crista a visão se abriu para o lado leste com o enorme Valle Olum e um lago bem abaixo. Continuei pela crista contornando a Laguna Turquesa pelo alto, porém parei num local mais estreito e exposto. À esquerda há uma parede e à direita uma queda enorme. Se eu pisasse num local não muito firme podia rolar muitos metros quase verticais. Dali em diante parecia bem exposto também. Não senti segurança e desci de volta à Laguna Turquesa. Arranjar um lugar seco e abrigado do vento para acampar foi uma tarefa complicada. Perto da laguna eram só pedras e muito vento, abaixo dela era só terreno encharcado. Além disso, tinha muita gente subindo e descendo pela trilha e eu preferi ficar afastado para ter um pouco de privacidade. Acabei montando a barraca num lugar protegido por lengas baixas mas num solo bem úmido, abaixo da laguna e do outro lado do rio que nasce dela. Choveu forte a partir das 19h com vento forte também, mas a barraca aguentou bem. Não entrou água apesar de estar tudo encharcado em volta dela. Temperatura mínima durante a noite fora da barraca: 1,2ºC 2º DIA - 28/01/20 - muita chuva e neve De manhã tirei a cara para fora da barraca e vi um grupo de seis pessoas subindo em direção à Laguna Turquesa Superior. Passaram pela parte exposta, para minha frustração... Não estava chovendo e resolvi voltar à laguna. Foi só cruzar o rio e começou a nevar bastante! Bonito de ver mas muito frio. Voltei à barraca e passou a chover fraco. Mesmo assim bastante gente na trilha, com frio, vento, chuva e neve. À tarde fiz uma segunda tentativa e consegui tirar mais fotos da laguna, mas na descida à barraca fui pego pela neve de novo. Com tudo isso não desmontei acampamento. Mais tarde vi que a neve já estava acumulando em volta da barraca. Meu termômetro marcava 1,4ºC às 19h35. Nesse dia nevou mais do que choveu. E a previsão do Yr era de apenas 2,2mm de chuva... Temperatura mínima durante a noite fora da barraca: 0,5ºC Depois da tempestade... 3º DIA - 29/01/20 - retorno a Ushuaia As montanhas ao redor da laguna amanheceram brancas pela neve que caiu durante a noite. Mas felizmente saiu um pouco de sol para eu secar a barraca antes de guardar. O nylon do piso já estava saturando e umedecendo o isolante por baixo. Justo nesse dia que eu precisava de carona para voltar a Ushuaia quase ninguém subiu à laguna. Desci em 52min até a estradinha do gasoduto. Uns 50m à direita há água corrente (vem da Laguna Turquesa) e aproveitei para limpar as botas e a calça impermeável para pedir carona limpo. Fiz sinal na RN3 durante 20min, um Audi parou mais à frente e deu ré para me apanhar. Mas eram três caras bem estranhos e colocavam o som do carro no último volume. Torcia para chegar vivo na cidade. Ao chegar na periferia de Ushuaia entraram por ruas estreitas de terra, o que me deixou apreensivo. Me deixaram no shopping Paseo del Fuego e caminhei mais 2,5km até o hostel. Quanta aventura numa caminhada só! Informações adicionais: . para chegar ao início da trilha deve-se tomar o ônibus das linhas A ou B no centro de Ushuaia e saltar no ponto final no portal da cidade, em seguida pedir carona (hacer dedo, em espanhol) . o valor da passagem em fev/20 era ARS24 (R$1,50) que deve ser pago obrigatoriamente com o cartão de transporte SUBE (o mesmo de Buenos Aires e Bariloche) . uma opção mais confortável é o transporte privado (van) chamado Linea Regular que sai diariamente da esquina das ruas Maipu e Juana Fadul de hora em hora das 9h às 14h. Rafael Santiago janeiro/2020 https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
  14. Lago Acigami (ou Lago Roca) O Parque Nacional Tierra del Fuego foi criado em 1960. Ocupa uma área de 70.000 hectares no sul da Ilha Grande da Terra do Fogo, no limite com o Chile. A portaria do parque está a 11km do centro de Ushuaia e o Centro de Visitantes Alakush (onde iniciam as principais trilhas) está 8km adiante. Não há transporte público até o parque. As linhas de ônibus da cidade chegam no máximo a 5,8km de distância da portaria. Pode-se contratar um transporte privado em van (veja nas Informações Adicionais ao final do relato) ou pedir carona no início da estrada de terra que leva ao parque. Claro que optei pela segunda alternativa. 1º DIA - 24/01/20 - Cerro Guanaco e Trilha do Hito XXIV Início e final: Camping Laguna Verde Distância: 24km Maior altitude: 973m no cume do Cerro Guanaco Menor altitude: 4m na margem do Lago Acigami Resumo: nesse primeiro dia de caminhada no parque subi o Cerro Guanaco (5,9km ida, desnível de 967m, desde o estacionamento do Lago Acigami) e percorri a trilha do Hito XXIV (2,9km ida, desnível de 19m, desde a bifurcação com o Cerro Guanaco). Acampei no Camping Livre Laguna Verde. Na esquina das ruas Juana Fadul e Gobernador Paz tomei o ônibus da linha B às 7h50. Poderia ter tomado o ônibus da linha A também, porém na Avenida Maipu, mais abaixo. Desci no ponto próximo à confluência das ruas Leandro Alem e Hipólito Irigoyen, que é o local mais próximo que os ônibus chegam da portaria do parque nacional. Porém ela ainda está a 5,8km dali. A Rua Hipólito Irigoyen se transforma na estrada RN3 que entra no parque e termina na Bahía Lapataia. Essa rodovia começa na província de Buenos Aires e tem 3079km de extensão! Ela é de rípio nesse trecho até o parque, o que faz de uma caminhada até a portaria uma experiência bastante empoeirada... Me posicionei no início da RN3 e comecei a pedir carona (hacer dedo, em espanhol), porém a maioria dos veículos eram vans de turistas. Depois de 27min tentando em vão vi uma camionete vindo e me pareceu ser da prefeitura ou da polícia e não levantei o dedo - justamente essa parou e me ofereceu carona, porém só até a estação inicial do Trem do Fim do Mundo, 4,4km dali. Topei. Saltei no acesso à estação e continuei pela estrada de rípio (poeira!) até a portaria, mais 1,4km. Ali paguei a taxa de entrada de ARS560 (R$35) para estrangeiros e tirei algumas dúvidas com o atencioso guarda-parque. Esse valor dá direito a três dias inteiros de visita, incluindo duas noites de acampamento. Os campings em funcionamento são: Laguna Verde/Cauquenes, Bahía Ensenada (ou Ensenada Zaratiegui) e Rio Pipo. Dali até o Centro de Visitantes Alakush (onde iniciam as principais trilhas) seriam mais 8km e até o Camping Laguna Verde, que escolhi para essa noite, ainda mais 1,8km. Contei com a gentileza e simpatia de outra funcionária do parque, que conseguiu uma carona para mim no primeiro carro que entrava, conduzido por duas italianas. Assim saltei no acesso ao Centro de Visitantes Alakush às 9h34 e caminhei os 1,8km que faltavam para o Camping Laguna Verde. O camping é bem grande e ocupa os dois lados da RN3. Havia poucas barracas apesar de ser alta temporada. Há um banheiro químico em forma de contêiner com um vaso sanitário (com alavanca para descarga) e dois lavatórios, ainda sabonete líquido, papel higiênico e papel-toalha. Uma curiosidade: não parece mas esse camping fica numa ilha - a maior ilha do Arquipélago Cormoranes, delimitado pelos rios Lapataia e Ovando. Cerro Guanaco Armei a barraca num local mais protegido do vento e parti logo (10h47) para a primeira e mais difícil caminhada, o Cerro Guanaco. O guarda-parque disse que às 12h essa trilha é fechada (mas depois vi que não há como fechá-la e até encontrei gente subindo depois das 16h). Voltei ao Centro de Visitantes Alakush e continuei pela estradinha até a margem do Lago Roca ou Lago Acigami (esse curioso nome significa "cesta ou bolsa alongada" em idioma yámana, dos povos originários dessa região). Carros chegam só até aqui, há um amplo estacionamento. Ali inicia a trilha, que está sinalizada apenas como Senda Hito XXIV, mas é a mesma do Cerro Guanaco. Entrei nela às 11h21. Altitude de 6m. A trilha contorna o lago pela direita (margem leste) e logo entra no bosque. Às 11h33, após cruzar a ponte de troncos sobre o Arroio Guanaco, cheguei a uma bifurcação: Cerro Guanaco à direita e Hito XXIV à esquerda. Outra placa avisa que a trilha do Guanaco tem duração de 4h de ida (mas eu levei 2h30). Uma terceira placa alerta para não entrar nessa trilha após as 12h. Altitude de 8m. A trilha já inicia subindo. Tive de parar um pouco para deixar passar um grupo grande de israelenses (uns 15) com uma caixa de som em volume muito alto. É bem fácil reconhecê-los nas trilhas: andam em bandos e fazem muito barulho. Às 12h19 cruzei novamente o Arroio Guanaco. Às 12h41 cheguei a um bonito mirante mas não parei pois o grupo ruidoso estava descansando ali com a música bem alta ainda. Continuando no aberto tive visão do Cordon Guanaco, crista montanhosa que tem o Cerro Guanaco na extremidade. Reentrando no bosque às 12h44 cruzei uma ponte de troncos e ao sair dele às 13h03 enfrentei um lamaçal terrível, com muito cuidado para não enfiar o pé de uma vez no barro preto. Agora a céu aberto pude visualizar o que tinha pela frente: um grande campo de turfa e depois a longa subida de pedras em diagonal pela encosta até o topo do Guanaco. O campo de turfa estava terrível, uma bota impermeável é imprescindível e assim mesmo se corre grande risco de molhar o pé ao afundar ele inteiro. A turfa (turba em espanhol) é uma vegetação úmida e esponjosa formada por musgos, juncos e gramíneas e nesse local especialmente estava muito molhada, um verdadeiro brejo. Vencida a turfa veio a longa subida em diagonal pela encosta rochosa da montanha, mas com trilha bem marcada. Como sempre, quanto mais alto mais espetacular o visual ao redor, principalmente do Lago Acigami, com suas águas esverdeadas. Cheguei enfim ao cume do Cerro Guanaco às 14h05 e a visão se abre para o quadrante leste do Canal de Beagle, com Ushuaia se destacando. Logo abaixo o grande vale do Rio Pipo (Cañadon del Toro), onde há um acampamento do parque. Interessante também a visão do limite entre as ilhas Navarino e Hoste ao sul, já em território chileno. A Bahía Lapataia está a sudoeste. De neve quase não havia mais nada no cerro, apenas manchas pequenas. Altitude de 973m. Iniciei a descida às 15h11, cruzei a turfa às 15h55 e reentrei no bosque com lamaçal. Saí desse primeiro bosque e parei no mirante (em que não parei na ida) às 16h29. A visão do Lago Acigami estava belíssima e fiquei ali 15min em contemplação. Continuei a descida e cheguei à bifurcação do Hito XXIV às 17h35, seguindo à direita. Foram mais 2,9km em trilha plana contornando a margem nordeste do Lago Acigami até o hito, que é uma pequena torre de ferro que assinala a fronteira entre a Argentina e o Chile. Cheguei às 18h25. Um passo a mais e eu estava em território chileno sem carimbo no passaporte. Esse marco fica numa pequena praia de pedras entre o Lago Acigami e o bosque. Iniciei o retorno às 19h05 pelo mesmo caminho e cheguei ao estacionamento do lago às 20h34. Ao passar pelo Centro de Visitantes Alakush parei para assistir ao pôr-do-sol às 20h54. Altitude do Camping Laguna Verde: 3m. Temperatura mínima durante a noite fora da barraca: 2,9ºC Hito XXIV 2º DIA - 25/01/20 - Bahía Lapataia e Senda Costera Trilhas da Bahía Lapataia Início: Camping Laguna Verde Final: Gendarmeria Nacional Distância: 10,7km Maior altitude: 23m no Mirador Laguna Verde Menor altitude: 0m na Senda de la Baliza Resumo: estudando o mapa do parque emendei as seis trilhas curtas do setor Bahía Lapataia/Laguna Verde na seguinte ordem (distâncias só de ida): Senda del Turbal (1,3km), Senda Castorera (180m), Senda de la Baliza (1,2km), Puerto Arias (320m), Mirador Lapataia (1km), Laguna Negra (550m) e Paseo de la Isla (1,3km) Trilha Senda Costera Início: RN3 (na altura do Centro de Visitantes Alakush) Final: Camping Bahía Ensenada (ou Ensenada Zaratiegui) Distância: 8km Maior altitude: 73m Menor altitude: 0m Resumo: esta trilha de pouco desnível (73m) percorre a costa da Bahia Lapataia e Canal de Beagle contornando o Cerro Bellavista Saí do Camping Laguna Verde às 11h27, mas deixei a barraca montada. Fui percorrer as trilhas mais curtas do setor Bahía Lapataia/Laguna Verde. Essas trilhas têm uma proposta educativa e servem mais como primeiro contato do turista com o ecossistema da Terra do Fogo do que como um trekking para o trilheiro experiente. Caminhei 390m pela RN3 na direção oeste e entrei na trilha sinalizada com a placa "Senderos Mirador Lapataia y del Turbal" à esquerda. Na bifurcação 180m depois tomei a direita: Senda del Turbal (a esquerda vai ao Mirador Lapataia). Com 720m (desde a RN3) cheguei a uma bifurcação: Lapataia à esquerda e Castorera à direita. Tomei a direita para ir à castoreira sem saber que o turbal mesmo estava à esquerda, então acabei não o conhecendo. Cruzei a RN3 às 11h50 e continuei na trilha. Uma placa ali fala do grande erro que foi a introdução do castor norte-americano na Terra do Fogo em 1946 para comércio da pele. Foram trazidos só 25 casais e hoje são mais de 100 mil destruindo os bosques de toda a ilha. Uma trilha de pouco interesse pois se chega a uma represa de castores bem pequena e sem os elementos característicos como dique e madriguera (a cabana deles). Os textos e desenhos dos painéis tentam passar a informação que falta para um turista que visualiza a pequena represa e não conhece os outros locais colonizados pelos castores com a grande devastação que os rodeia. Eu cheguei à castoreira por uma trilha secundária mas a trilha principal é uma das duas que têm acessibilidade a cadeirantes. A principal tem apenas 180m desde a RN3. Voltei à RN3 e segui em direção à Bahía Lapataia às 12h09. Caminhei apenas 1,1km e cheguei a um estacionamento num local simbólico, o final da Ruta Nacional 3, de 3079km de extensão. Porém levei um susto pois a quantidade de carros, ônibus e turistas ali era enorme. Impossível tirar uma foto da placa com a distância ao Alasca (quase 18.000km) sem ter várias pessoas na frente. Há um banheiro em forma de contêiner ali também. Bahía Lapataia O dia estava bem cinzento desde cedo e nessa hora começou a chover. Havia dois lugares a conhecer ali: a passarela e mirante (acessível a cadeirantes) de Puerto Arias (320m ida) e a trilha "Senda de la Baliza" (1,2km ida). Como a passarela até Puerto Arias estava muito cheia de gente fui para a Senda de la Baliza. Caminhei só 140m pela passarela e tomei a trilha que sai dela para a direita às 12h27. Logo ela entra num bosque, sai dele, passa por uma praia, entra em outro bosque e termina numa praia de pedras onde está a tal baliza, uma pequena torre com um farol. Cheguei ali às 12h44. Logo depois do farol há uma cerca que impede que se caminhe até o final da praia por ser "reserva natural estricta". Dali se vê o Cerro Guanaco. Às 13h15 saí da praia. Voltei à passarela e já havia menos turistas. Aproveitei para caminhar por ela até o Puerto Arias. Com o dia cinzento e chuvoso a paisagem não estava tão bonita. Voltei ao estacionamento e tomei à direita a Senda del Mirador às 13h46. Ela subiu um pouco por escadarias dentro do bosque e numa bifurcação à esquerda está o Mirador Lapataia. De novo, com sol a paisagem seria bem mais bonita. Continuei pela trilha principal e voltei à RN3 no local em que entrei na primeira trilha de manhã, com a placa "Senderos Mirador Lapataia y del Turbal". Caminhei 225m para a direita e entrei às 14h16 na Senda Laguna Negra à esquerda. Ela tem só 550m (ida) e termina numa plataforma na margem da lagoa, que na realidade é um grande turbal, segundo o painel ensina. Voltei à RN3 e caminhei 160m até o camping, aonde cheguei às 14h40. Almocei, desmontei a barraca, arrumei a mochila e saí com ela para percorrer a última trilha curta desse setor do parque, o Paseo de la Isla, de 1,3km de extensão. Deixei o camping às 17h24 caminhando para a esquerda (leste) na RN3 e entrei na primeira trilha à esquerda. Tirei fotos no Mirador Laguna Verde e continuei. A trilha desce e se aproxima de um braço da Laguna Verde, mas logo se afasta e cruza a RN3. A partir daí há várias bifurcações e atalhos, mas a trilha "oficial" segue sempre margeando a água. Esse local é preferido pelas aves por ser mais tranquilo e pude ver e me aproximar de um casal de cauquenes com um filhote. A trilha terminou às 18h08 na RN3 em frente ao posto da Gendarmeria Nacional. Caminhei 900m para a direita e fui conhecer o Centro de Visitantes Alakush, com maquete da Terra do Fogo e painéis informativos com muitas fotos. Saindo do centro de visitantes voltei à RN3 e apenas a cruzei para entrar às 18h33 na Senda Costera, uma trilha de 8km (sem água boa) que termina na Bahía Ensenada (ou Ensenada Zaratiegui), onde há um camping. O caminho inicialmente corre paralelo à RN3 através do bosque e é sinalizado com estacas amarelas. Com 1,3km de caminhada aparece à esquerda um outro acesso a partir da RN3, mas a trilha continua à direita e se afasta da estrada em direção à costa. O caminho tem um pouco de sobe-desce na parte inicial e quando se afasta da RN3 sobe até os 73m de altitude. Há poucos lamaçais e todos contornáveis. Às 19h19, já às margens do Canal de Beagle, cruzei uma pequena praia de pedrinhas. Daí em diante passei por diversas outras praias. Notei as árvores ali com muitos fungos pão-de-índio. Quando jovens são redondos de cor amarela ou alaranjada, depois secam e concentrados formam uma protuberância no tronco. Têm esse nome porque eram usados como alimento pelos povos originários da região. Às 20h35 cheguei à extremidade da Bahía Ensenada (ou Ensenada Zaratiegui) e consegui ver ainda bem longe o ancoradouro aonde deveria chegar. Cruzo mais praias. Às 21h09 cheguei a uma bifurcação com placa indicando o estacionamento da Ensenada Zaratiegui à esquerda, subindo, mas continuei à direita próximo ao mar. Às 21h16 cheguei enfim à Ensenada Zaratiegui, onde está a agência de correio do fim do mundo, obviamente fechada nesse horário. Há ali um estacionamento, banheiros e o final de uma estrada, a qual subi por 340m para alcançar às 21h22 o Camping Bahía Ensenada. O camping é espaçoso mas não tão grande quanto o da Laguna Verde. Água pode ser coletada num riachinho (Arroio Piloto) e banheiros só lá embaixo no estacionamento por onde passei. Havia mais duas barracas apenas. Altitude de 27m. Temperatura mínima durante a noite fora da barraca: 6,7ºC Cerro Guanaco visto do Cerro Pampa Alta 3º DIA - 26/01/20 - Pampa Alta e Cascata Rio Pipo Início: Camping Bahía Ensenada (ou Ensenada Zaratiegui) Final: RN3 ao lado da estação final do Trem do Fim do Mundo Distância: 9,9km Maior altitude: 299m no Cerro Pampa Alta Menor altitude: 27m no Camping Bahía Ensenada Resumo: emendei as duas trilhas do parque nacional que faltavam: Senda Pampa Alta (4,7km ida, desnível de 272m, desde o Camping Bahía Ensenada) e Cascata Rio Pipo (930m ida) Deixei a barraca montada e fui visitar a Unidade Postal do Fim do Mundo. O carimbo no passaporte custa US$3. Os banheiros ao lado são idênticos aos do Camping Laguna Verde, também com papel higiênico e papel-toalha. Voltei ao camping, desmontei a barraca e saí às 14h15 tomando a Senda Pampa Alta ali mesmo no bosque nos fundos do acampamento. Em 9min cruzei o Arroio Piloto por uma longa ponte e às 14h34 cruzei a RN3. A partir daí a trilha se torna interpretativa, com 21 painéis dando informações sobre a flora e fauna de maneira lúdica. Às 15h24 alcancei uma bifurcação com placas: (Rio) Pipo à esquerda e (Cerro) Pampa Alta à direita. A continuação do caminho seria para a esquerda mas antes subi à direita só 70m para chegar ao ponto mais alto da caminhada, o Cerro Pampa Alta. Altitude de 299m. Uma grande lenga é a estrela desse local e o destaque na paisagem é o Cerro Guanaco, além de várias outras montanhas na direção da Bahía Lapataia. Às 15h58 voltei à bifurcação e tomei a direita descendo na direção da placa Pipo. No meio do bosque ouvi um barulhinho familiar, um toc-toc, olhei para cima e lá estava o carpintero-negro, o pica-pau da Patagônia, buscando o seu lanche da tarde. Continuando a descida cheguei à estrada do Rio Pipo às 16h40. Altitude de 96m. Ao lado dela passa a estrada de ferro do Trem do Fim do Mundo. A saída seria para a direita mas segui para a esquerda para visitar a Cascata Rio Pipo. Com 650m cheguei ao Camping Rio Pipo, bastante grande e com várias barracas. Há churrasqueiras e banheiros em forma de cabine. No final da estradinha há uma corrente fechando o acesso a carros e inicia o caminho para a cascata, com o imponente Cerro Guanaco à esquerda. Foram só 930m até uma plataforma com vista para o Rio Pipo, porém cascata que é bom não há, apenas algumas quedinhas. Cheguei às 17h09. É possível seguir mais 30m até a curva do rio, mas depois há uma placa de proibido passar e a trilha se torna ruim. Há água corrente na entrada da mata, antes da plataforma, supostamente mais limpa que a do Rio Pipo. Voltei pelo mesmo caminho, passei pelo camping e às 18h02 cheguei à RN3 bem no cruzamento que desce para a Bahía Ensenada. Ao lado está a estação final do Trem do Fim do Mundo. Ali é um local estratégico para pedir carona para a cidade pois vêm carros da Bahía Lapataia, do Rio Pipo e da Bahía Ensenada. Não demorou muito e um carro com três argentinos parou e me levou até o centro. Cascata Rio Pipo Informações adicionais: . para chegar ao parque da forma mais econômica deve-se tomar o ônibus da linha A ou B no centro de Ushuaia e saltar na esquina das ruas Leandro Alem e Hipólito Irigoyen. A partir daí pedir carona (hacer dedo, em espanhol) . o valor da passagem do ônibus em fev/20 era ARS24 (R$1,50) que deve ser pago obrigatoriamente com o cartão de transporte SUBE (o mesmo de Buenos Aires e Bariloche) . uma opção mais confortável é o transporte privado (van) chamado Linea Regular que sai diariamente da esquina das ruas Maipu e Juana Fadul às 10h, 11h, 12h e 14h. Cobra ARS900 (R$56) ida e volta, podendo a volta ser em dia diferente da ida . a taxa de entrada no parque de ARS560 (R$35) dá direito a três dias inteiros de visita, incluindo duas noites de acampamento . os campings em funcionamento no parque são: Laguna Verde/Cauquenes, Bahía Ensenada (ou Ensenada Zaratiegui) e Rio Pipo . site do parque: www.argentina.gob.ar/parquesnacionales/tierradelfuego Rafael Santiago janeiro/2020 https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br dia 1 dia 2 dia 3
  15. Laguna 5 Hermanos Início e final: estacionamento junto ao Camping Kawi Yoppen Distância: 2,8km (só ida, do portal de Ushuaia ao estacionamento do camping) + 4,9km (só ida, do estacionamento à laguna) Maior altitude: 804m na Laguna 5 Hermanos Menor altitude: 92m na ponte do Rio Olívia Dificuldade: média pois há um desnível de 388m bastante inclinado na chegada à Laguna 5 Hermanos Na paisagem montanhosa que emoldura a cidade de Ushuaia três picos próximos entre si se destacam: Monte Olívia, Cerro 5 Hermanos e Cerro Le Cloche, todos a leste da cidade. A caminhada desse dia deveria ser a subida do Cerro Le Cloche pela face sul e a descida pela face norte passando pela Laguna 5 Hermanos, porém não encontrei trilha no local indicado para subida do Cerro Le Cloche e mudei os planos. Fui conhecer a Cachoeira Velo de Novia e se houvesse tempo esticaria até a Laguna 5 Hermanos por outro caminho. A Cachoeira Velo de Novia tem acesso bastante fácil para quem está de carro pois caminha-se apenas 780m (desnível de 97m) desde o estacionamento junto ao Camping Kawi Yoppen, na Ruta Nacional 3 (RN3). A Laguna 5 Hermanos já fica bem mais distante (4,2km após a cachoeira) e exige bem mais do caminhante pois o desnível de 388m é bastante inclinado. 22/01/2020 - Saí do hostel um pouco tarde, às 9h49. Os dias longos do verão no extremo sul do continente deixam a gente bem relaxado com relação ao horário das caminhadas. Os argentinos por exemplo muitas vezes iniciam as caminhadas no meio da tarde. Há luz do dia até depois das 21h30 nessa época (janeiro). Na Rua Gobernador Deloqui, no centro de Ushuaia, peguei o ônibus da linha B (poderia ser o da linha A também, porém na Avenida Maipu) e desci no ponto da Rua Pioneros Fueguinos pois queria explorar a trilha da face sul do Cerro Le Cloche. Como essa exploração não deu certo e mudei o destino para a Cachoeira Velo de Novia, o ideal é descer do ônibus no ponto final junto ao portal da cidade (saída para Rio Grande). Em frente ao ponto final fica o posto policial e ao passar por ele somos sempre "convidados" a entrar e registrar nome, documento e destino. Altitude de 80m. No portal poderia ter pedido carona mas a distância até o início da trilha da cachoeira é de apenas 2,8km e resolvi ir caminhando. A experiência foi proveitosa pois passei por um local com vários santuários, inclusive da Defunta Correa e do Gauchito Antonio Gil, dois personagens cultuados como santos na Argentina. O visual do Monte Olívia e do Cerro 5 Hermanos também compensava a monotonia da estrada. Cachoeira Velo de Novia Às 15h34 entrei numa rua de terra à direita da RN3 sem nenhuma placa indicando a cachoeira, a laguna ou o camping. A única placa ali apontava para a engarrafadora de água Anoka. Em apenas 170m cruzei a ponte sobre o Rio Olívia (menor altitude da trilha, 92m) e cheguei a um estacionamento e à entrada do Camping Kawi Yoppen. Uma placa à esquerda mostra o caminho para a Cachoeira Velo de Novia. A trilha inicialmente corre paralela ao Rio Olívia mas depois sobe e se afasta dele. Numa bifurcação na subida fui para a esquerda e cheguei às 15h50 próximo a uma queda secundária, mas era só um mirante sem acesso à água. Cuidado pois esse mirante é um local estreito e alto e é bom ver onde se pisa para não escorregar e despencar lá de cima. Parei para um lanche. Continuei pela trilha e encontrei a ramificação que vinha da direita na bifurcação anterior. Dali foram mais 6min até a queda principal. Para chegar à água deve-se descer uma encosta íngreme porém fácil. Já eram 16h15 e resolvi tentar primeiro a Laguna 5 Hermanos, na volta curtiria a cachoeira. Ali há restos de cabanas feitas de troncos finos características dos povos Yámana e Selk'nam. Subindo, uma trilha mais larga entroncou à direita. Cruzei uma ponte de tábuas tortas e fui à direita acompanhando o Arroyo Velo de Novia, que ali tem uma prainha de pedras. Sem ter idéia de quanto tempo levaria até a laguna caminhei de olho no relógio e se desse um horário-limite retornaria de onde estivesse. Portanto caminhei mais rápido e a trilha estava bem fácil, uma subida muito suave, porém sabia que teria de subir bastante pois a laguna fica a 804m de altitude. E eu estava ainda na faixa dos 400m. Apareceram os famosos lamaçais das trilhas de Ushuaia e isso atrasou um pouco o avanço. Há uma sinalização de círculos amarelos nas árvores. Às 17h09 saí do bosque e avistei na cabeceira do vale o Cerro 5 Hermanos, inconfundível. Cruzei um riacho que desce da encosta e em seguida passei por uma grande e impressionante área de deslizamento com as árvores todas deitadas. Reentrei no bosque e a trilha se divide em variantes. Às 17h21 cruzei uma ponte de troncos (com tronco-corrimão) sobre o Arroyo Velo de Novia, passando então para a encosta da margem esquerda dele, que é onde se encontra a laguna. Aí começou a subida. Altitude de 416m. A subida inicialmente era dentro do bosque e não muito inclinada. Passei por uma cachoeira em que era possível coletar água e ali um casal argentino me deu alguma informação sobre o que teria pela frente. A inclinação foi ficando cada vez maior. Alcancei o limite das árvores nos 500m e continuei pela encosta recoberta de capim com a trilha em ziguezague muito íngreme. Havia uma sinalização de estacas amarelas. A cidade de Ushuaia apareceu no horizonte à direita (sudoeste). Do outro lado do vale o imponente Monte Olívia. O capim deu lugar a um caminho só de pedras. Cruzei com um grupo saindo da laguna e finalmente cheguei a ela às 18h11, dentro do meu horário-limite de segurança. Altitude de 804m. Laguna muito bonita, cor verde-esmeralda e cercada de montanhas rochosas, mas envolta por uma faixa larga de neve! Por isso fazia muito frio ali e não aguentei ficar muito tempo. Muito legal poder ficar ao lado da laguna e visualizar Ushuaia lá embaixo, bem distante. Iniciei o retorno às 18h39 e ainda cruzei com algumas pessoas subindo. Desci pela encosta de capim, reentrei no bosque, passei pela cachoeira, cruzei a pontezinha do Arroyo Velo de Novia às 19h32. Na volta, depois do deslizamento e do riacho, é preciso atentar para uma bifurcação que passa despercebida na ida - nela deve-se tomar a direita (há uma fita amarrada na árvore para chamar a atenção) e entrar no bosque. Nos lamaçais levei um pequeno tombo. Cruzei a ponte de tábuas tortas e fui à direita na bifurcação tomando a trilha mais estreita. Às 20h39 estava de volta à Cachoeira Velo de Novia. Aí sim desci até a queda e pude até ficar atrás dela! Voltei ao estacionamento e só havia um carro, diminuindo muito a minha chance de carona para a cidade. Comecei a caminhar pelo acostamento da RN3 pedindo carona mas os carros passavam em velocidade e desencanei. Cheguei ao ponto final do ônibus no portal da cidade às 21h38 e tomei o primeiro para o centro. Queda secundária da Cachoeira Velo de Novia Informações adicionais: . para chegar ao início da trilha deve-se tomar o ônibus das linhas A ou B no centro de Ushuaia e saltar no ponto final no portal da cidade, em seguida pedir carona ou caminhar 2,8km pela Ruta Nacional 3 . o valor da passagem em fev/20 era ARS24 (R$1,50) que deve ser pago obrigatoriamente com o cartão de transporte SUBE (o mesmo de Buenos Aires e Bariloche) . uma opção mais confortável é o transporte privado (van) chamado Linea Regular que sai diariamente da esquina das ruas Maipu e Juana Fadul de hora em hora das 9h às 14h. Rafael Santiago janeiro/2020 https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
  16. Laguna del Caminante Início: Vale Andorra Final: autódromo de Ushuaia Distância: 36km Duração: 3 dias Maior altitude: 820m no Paso de la Oveja Menor altitude: 140m próximo ao autódromo de Ushuaia Dificuldade: média para quem está acostumado a longas travessias com mochila cargueira. Há subidas de até 574m e o Paso de la Oveja (820m) deve ser cruzado com tempo bom. Essa travessia percorre o vale do Arroyo Grande (Vale Andorra) para subir à Laguna de los Témpanos e Glaciar Vinciguerra, um trekking popular em Ushuaia. Um pouco menos frequentada é a Laguna Encantada. Muita gente faz isso em um bate-e-volta de um dia. Para continuar pelo vale do Arroyo Grande até a Laguna del Caminante e Paso de la Oveja é necessário mais um dia. A descida do Paso de la Oveja pelo Cañadón de la Oveja completa a volta de três dias ao redor dos Montes Martial. 1º DIA - 19/01/20 - do Vale Andorra à Laguna Encantada Distância: 10,3km Maior altitude: 752m no Glaciar Vinciguerra Menor altitude: 178m no Arroyo Grande Resumo: nesse primeiro dia de caminhada percorri o vale do Arroyo Grande (Vale Andorra) e subi à Laguna de los Témpanos e Glaciar Vinciguerra num desnível de 574m. Em seguida desci de volta 414m até a bifurcação da trilha e subi mais 218m para acampar na Laguna Encantada. Para chegar ao início da trilha deveria ir de ônibus (ou caminhar) até a entrada do Vale Andorra e de lá pedir carona. A opção de táxi ou remis eu descartei por estar sozinho e também pela facilidade de se conseguir carona nessa região. Conferi a distância do centro de Ushuaia até a entrada do Vale Andorra: 3,5km. Resolvi ir a pé. Subi pela Rua Juana Fadul até a Avenida Hernando de Magallanes (uma avenida larga, de duas pistas) e a tomei às 10h41 no sentido leste até uma rotatória. Ali segui a placa de Rio Grande, já deixando a cidade. Passei a caminhar pela rodovia (Ruta Nacional 3) mas com acostamento já que ainda é uma área urbanizada. Cheguei à entrada do Vale Andorra às 11h29. Poderia ter tomado o ônibus da linha B do centro até esse local. Dali ainda seriam mais 4,2km de rípio até o início da trilha e lá fui eu me aventurar a pedir a primeira carona dessa viagem. Mas, como já era esperado, foi bem fácil e logo um carro parou. Eram três argentinos muito gente boa, missionários da igreja adventista que estavam fazendo um trabalho junto à comunidade do Vale Andorra. Fizeram questão de me levar até o final da estrada e me deixar no portão onde inicia a trilha. Me deram algumas revistas da igreja para eu ler depois... Laguna de los Témpanos e Glaciar Vinciguerra O início da trilha fica junto a um agrupamento de casas e tem uma placa indicando Camino de la Turbera. Havia muitos carros estacionados ao longo da rua de terra do pequeno bairro mostrando que muita gente estava na trilha. Cruzei o portão azul que marca o início da caminhada às 12h25. Altitude de 199m. O começo é uma estradinha ainda pois há sítios mais adiante. Pequenas flores amarelas adornam todo o caminho. Cerca de 420m depois, numa curva para a direita, abandonei a estrada e entrei na trilha à esquerda. Uma seta amarela indica o caminho. Mas logo começou a grande dificuldade das trilhas de Ushuaia: os terríveis lamaçais. Com 150m de trilha surgiu uma bifurcação: Glaciar Vinciguerra e Laguna de los Témpanos (témpano = iceberg) à direita e Laguna del Caminante à esquerda. Fui para a direita e logo a visão para a turbera se ampliou. É uma área extensa na parte mais baixa do vale. Ao fundo as montanhas que deveria subir para atingir as lagunas e o glaciar. Turbera (ou turbal) é uma área de turba (turfa em português), que é uma vegetação encharcada e esponjosa composta de musgos, juncos e gramíneas. É bem ruim de caminhar pois afunda e molha os pés, além de cansar bastante. A turba é recolhida para diversas finalidades: é usada como fertilizante e substrato no cultivo de plantas, como combustível doméstico mas de baixo poder calórico, para adsorção de metais pesados presentes em ambientes, no combate a derramamentos de petróleo, entre outras. Às 12h45 me aproximei do Arroyo Grande e passei a caminhar pela sua margem direita verdadeira. Ali a menor altitude do dia, 178m. A visão para o fundo do enorme Vale Andorra era espetacular - trecho que eu percorreria no dia seguinte. Os lamaçais continuam. Alcancei às 13h07 uma ponte que cruza o Arroyo Grande e junto a ela uma placa informa que toda a área desse vale, bem como as montanhas ao norte e ao sul, foram declarados Sítio Ramsar em 2009 por sua importância ecológica (rsis.ramsar.org). Atravessei a ponte para a margem esquerda do rio e ali uma outra placa dá informações sobre o Sendero Glaciar Vinciguerra, inclusive altimetria e telefone de emergência, dados bastante importantes. Passada a ponte a trilha se afasta do rio e se dirige às montanhas, entrando no bosque e começando a longa subida em direção às lagunas. Na altitude de 338m, às 13h38, alcancei a bifurcação que leva à direita à Laguna Encantada e à esquerda à Laguna de los Témpanos e Glaciar Vinciguerra. Continuei pela esquerda, mas voltaria ainda nesse dia a essa bifurcação para acampar na Laguna Encantada. Mesmo na subida inclinada havia lamaçais terríveis que tornavam lento o avanço. Às 15h saí do bosque, visualizei o caminho à frente e percebi que havia cumprido somente a primeira etapa da subida - a segunda etapa seria por uma moraina pedregosa e bastante inclinada, como as morainas costumam ser. Laguna de los Témpanos Mas antes da moraina um trecho plano, um platô verdejante onde seria até possível acampar se o solo não fosse tão encharcado. Essa é a várzea do Rio de Leche, que vem da laguna. Vencida a grande ladeira de pedras atingi enfim a Laguna de los Témpanos às 15h24. Um lindo e hipnotizante lago de cor esverdeada cercado de montanhas, neve e gelo. Altitude de 724m. Pela proximidade com a geleira o vento ali era cortante e busquei abrigo atrás de grandes blocos de pedra. Para conhecer de perto a geleira bastou seguir a trilha marcada que contorna a laguna pela direita. Ela não é branca ou azul, mas cinzenta pela grande quantidade de pedras que carrega. Numa de suas extremidades há uma gruta de gelo em que entrei rapidamente para fotografar as paredes de gelo em que se veem pequenas rochas suspensas, muito curioso! A visão da laguna por este ângulo também é espetacular. Altitude de 752m, a maior do dia. Cheguei a ver cercadinhos de pedra próximos à laguna porém acampar ali seria passar a noite inteira exposto à ventania gelada e dormindo sobre pedras. Iniciei às 17h25 a descida pelo mesmo caminho e 80m após reentrar no bosque vi um local plano para acampar, não tão exposto ao vento e com água ao lado, o Rio de Leche. Mas já estava decidido a visitar a Laguna Encantada nesse dia e dormir lá. Alcancei a bifurcação às 19h13 (338m) e a tomei para a esquerda, subindo. Ao sair do bosque muita lama e muito vento. Torci para encontrar um lugar seco e abrigado para montar a barraca. Por sorte achei um lugar assim na extremidade sul da laguna, às 20h20. E ainda bem que as lengas eram baixas pois se fossem árvores altas eu ficaria preocupado de uma delas desabar sobre a barraca. Montado o acampamento fui conhecer a laguna. Caminhei pela margem esquerda até o pé de uma alta cachoeira. O vento fazia suas águas voarem para cima. Notei a presença de castores nessa laguna por haver dique e outras "construções" que eles fazem, mas não cheguei a vê-los. Recomendável pegar água da cachoeira e não da laguna. À noite, enquanto jantava, o vento continuava bem forte e chegava a entortar as varetas para dentro da barraca. Felizmente ela aguentou firme. Altitude de 556m. Temperatura mínima durante a noite fora da barraca: 3,9ºC Laguna Encantada 2º DIA - 20/01/20 - da Laguna Encantada à Laguna del Caminante Distância: 12,8km Maior altitude: 637m próximo da Laguna del Caminante Menor altitude: 184m no Arroyo Grande Resumo: nesse dia desci da Laguna Encantada ao vale do Arroyo Grande (desnível de 372m), voltei a percorrer esse vale para oeste e subi à Laguna del Caminante para acampar, num desnível (igual) de 372m. 10h da manhã: 6,1ºC De manhã caminhei pela laguna e voltei à cachoeira para fotos com sol. Não tinha pressa, parti somente às 13h em direção à Laguna del Caminante. Desci pelo mesmo caminho, passei pela bifurcação da Laguna de los Témpanos às 13h49 e cruzei a ponte do Arroyo Grande às 14h13 (menor altitude do dia, 184m). Para não ter de voltar à bifurcação citada no dia anterior decidi procurar um atalho para a trilha da Laguna del Caminante, porém isso demandava cruzar o turbal, que podia estar muito molhado. Cerca de 200m após a ponte do Arroyo Grande e logo que cruzei outra pontezinha tomei o rumo sul sem trilha. Ao me deparar com duas marcas paralelas no chão apontando para a cabeceira do vale (oeste) resolvi segui-las. Caminhei 400m pela turbera, que não estava tão encharcada, até que resolvi cruzar o bosque e alcançar de uma vez a trilha da Laguna del Caminante. Não havia trilha no bosque, procurei onde estava menos ruim para pisar, ao final tive de subir um trecho íngreme e às 14h49 alcancei enfim a trilha que procurava. Parei para um lanche à sombra das árvores e próximo de um riacho. Continuei às 15h18. Às 15h49 uma seta manda quebrar para a direita. Uns 3min depois encontrei uma ponte feita a partir de um grande tronco, uma placa da administração de parques nacionais e uma trilha saindo para a direita. Estava entrando nos limites do Parque Nacional Tierra del Fuego. Fui olhar à direita e em apenas 50m havia uma grande clareira plana ótima para acampar. Mas cruzei a ponte-tronco e continuei. Daí em diante havia passarelas de tábuas, corrimãos e sinalização nas árvores. Às 16h10 cruzei uma ponte com corrimão e 11min depois a Puente El Viejo para a margem esquerda verdadeira de um riacho. Às 17h25 atravessei uma clareira bem maior que a primeira e reentrei no bosque. Em 6min estava diante de uma área devastada por castores, muitas árvores caídas, as que ainda estavam em pé estavam mortas. Um cenário desolador. Isso no próprio Arroyo Grande, no único momento em que essa trilha se aproxima dele. Às 18h11 cruzei o Arroio del Caminante (vem da laguna homônima) por uma ponte-tronco com corrimão de cabo fino (altitude de 265m) e começou a subida, que era mais íngreme e cansativa do que eu esperava. O Arroio del Caminante ficou à minha esquerda por algum tempo. Nele uma bonita cachoeira. Às 18h49 cruzei o Arroio del Caminante novamente e me afastei dele. Uns 10min depois atravessei mais uma ponte-tronco com corrimão junto a uma confluência de rios. Às 19h14 saí do bosque e encontrei uma bifurcação com placa: à direita Laguna del Caminante, à esquerda Cañadón de la Oveja. Segui para a direita na ilusão de que a subida havia terminado. Na verdade estava na encosta de uma montanha e era preciso subir bastante por ela para atingir o local de descida à laguna. Esse caminho pelo alto proporcionou uma visão maravilhosa da verdíssima laguna entre bosques e montanhas de pedra. Subi até os 637m (maior altitude do dia; 372m de desnível desde a ponte-tronco com corrimão de cabo fino) e desci 60m verticais até a margem da laguna por uma trilha íngreme e escorregadia, chegando às 20h. Na chegada há água corrente do riacho que vem da Laguna Superior e que se cruza por duas pontes em sequência. Havia mais três barracas e fiz amizade com um casal muito simpático de Buenos Aires, Juan Pablo e Marina. Eles fizeram uma fogueira (apesar do aviso de não fazer fogo) e ficamos conversando ao calor do fogo. A noite estava muito fria. Altitude de 577m. Temperatura mínima durante a noite fora da barraca: -1,3ºC Laguna Superior 3º DIA - 21/01/20 - da Laguna del Caminante ao autódromo de Ushuaia Distância: 12,9km Maior altitude: 820m no Paso de la Oveja Menor altitude: 140m próximo ao autódromo de Ushuaia Resumo: nesse dia cruzei o Paso de la Oveja num desnível positivo de 243m desde a Laguna del Caminante. Em seguida percorri o vale chamado Cañadón de la Oveja até o final da travessia num desnível negativo de 680m. 10h da manhã: 8,2ºC Novamente sessão de fotos com sol pela manhã e nenhuma pressa de deixar aquele pequeno paraíso. Saí junto com o casal portenho às 12h20, subimos a trilha íngreme, mas logo nos separamos. Eles foram diretamente na direção do Paso de la Oveja e eu fui conhecer a Laguna Superior. Da Laguna del Caminante à Laguna Superior foram somente 26min mas há trechos de deslizamento que são íngremes e fáceis de escorregar, melhor ir sem a cargueira. A Laguna Superior é menor que a sua irmã mas igualmente linda, com as águas azuladas. Há também uma cachoeira despencando do lado esquerdo. Altitude de 637m. Saí da Laguna Superior às 13h16, voltei pelo mesmo caminho até a placa da saída do bosque do dia anterior (altitude de 538m) e continuei para a direita (sudeste) às 14h para subir ao Paso de la Oveja. Dali ainda não conseguia ver o passo, apenas a enorme montanha que estava à sua esquerda, o Cerro Tonelli. Cruzei o campo florido e depois três vezes o riacho que vinha do passo. Só mais acima é que teve fim a lama e passei a caminhar num ambiente típico de alta montanha, sem nenhuma vegetação, só pedras. Aí comecei a visualizar o passo. Alcancei o Paso de la Oveja às 15h02 numa altitude de 820m. Por sorte nesse momento quase não havia vento e a neve estava somente em manchas ao lado do caminho. Para o outro lado do passo se via uma extensa crista com bastante neve e a continuação da trilha descendo para um vale profundo, o Cañadón de la Oveja. Há água corrente procurando à direita. Cañadón de la Oveja Comecei a descida do passo às 15h31 e alcancei Juan Pablo e Marina. Eles haviam parado porque procuravam o caminho que levasse a algumas cavernas de gelo, mas não sabiam nem onde elas ficavam. Eu estava com uma dor forte no joelho direito desde o dia anterior e não quis acompanhar Juan Pablo nessa exploração, fiquei com Marina cuidando das mochilas. Ele foi certeiro, encontrou a trilha e chegou às cavernas, porém não entrou pois disse que o gelo derretia rapidamente e despencavam pedras incrustadas nele, tornando o acesso perigoso. Tirou fotos da boca da caverna e retornou rapidamente. Dali em diante seguimos os três juntos. Retomamos a caminhada às 16h28 pela encosta esquerda do profundo vale por uma trilha bem marcada entre pedras. Logo pudemos visualizar toda a extensão daquele enorme vale, o Cañadón de la Oveja, e ao fundo as águas azuis do Canal de Beagle. Não sei se pela dor no joelho mas esse trecho pela encosta me pareceu não terminar nunca. O vento começou a ficar bem forte e nas rajadas era preciso parar para se equilibrar e não despencar encosta abaixo. Às 16h57 uma discreta placa indicava que estávamos saindo dos limites do Parque Nacional Tierra del Fuego. Uns 150m depois a última água boa do dia. Às 18h03 a trilha quebrou para a direita e começou a descer em ziguezague a encosta para entrar no bosque às 18h27. Trocamos a caminhada pelas pedras pela caminhada pelo lamaçal de novo. Às 20h cruzamos uma cerca por uma escadinha e 25min depois outra cerca com escadinha. Continuamos pela trilha bem marcada e às 20h43 alcançamos uma estrada de terra nas proximidades do autódromo de Ushuaia. Altitude de 140m. Nesse mesmo local terminaria um outro trekking que fiz quase um mês depois, a Trilha dos Mirantes do Glaciar Martial (relato aqui). Ali em poucos minutos os pais do Juan chegaram de camionete para nos pegar. Se não tivesse essa carona poderia ter caminhado 1,9km até o ponto e tomado um ônibus da linha A ou B. Informações adicionais: . para chegar ao início da travessia deve-se tomar o ônibus linha B (linha A não serve) no centro de Ushuaia e saltar na entrada do Vale Andorra. A partir daí pedir carona (hacer dedo, em espanhol) . para sair no final da travessia deve-se caminhar 1,9km por estrada de terra até o ponto de ônibus e tomar qualquer uma das duas linhas (A ou B) para o centro de Ushuaia . o valor da passagem em fev/20 era ARS24 (R$1,50) que deve ser pago obrigatoriamente com o cartão de transporte SUBE (o mesmo de Buenos Aires e Bariloche) . apesar de num trecho da travessia se cruzar a área do Parque Nacional Tierra del Fuego não é cobrada nenhuma taxa de entrada e nem de acampamento Rafael Santiago janeiro/2020 https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
  17. Ushuaia vista do Cerro Martial Início: centro de Ushuaia Final: centro de Ushuaia Distância: 2,5km do centro de Ushuaia ao início da trilha no Hotel Altos Ushuaia; 6,3km do início da trilha no Hotel Altos Ushuaia à neve do glaciar Maior altitude: 842m na neve do Glaciar Martial Menor altitude: 0m no centro de informação turística; 127m no início da trilha no Hotel Altos Ushuaia Dificuldade: fácil, apesar do desnível de 842m desde a cidade ou de 715m desde o Hotel Altos Ushuaia O Glaciar Martial é a trilha mais próxima do centro de Ushuaia e a primeira trilha da maioria dos que visitam a cidade. Não se alcança a geleira propriamente dita, não se toca no gelo, mas é possível brincar na neve logo abaixo dela mesmo no verão. A maioria dos visitantes sobe de carro até um estacionamento a 323m de altitude e dali caminha 1h30 até tocar na neve. O caminho de carro sobe a montanha num longo ziguezague nada interessante para se fazer a pé. Eu descobri que além dessa estrada de asfalto há também algumas opções de trilha e lá fui explorá-las. Vale a pena dizer que as águas que vertem do Glaciar Martial são a principal fonte de abastecimento da cidade de Ushuaia. 18/01/2020 - Saí do hostel bem tarde, às 11h56. Os dias longos do verão no extremo sul do continente deixam a gente bem relaxado com relação ao horário das caminhadas. Os argentinos por exemplo muitas vezes iniciam as caminhadas no meio da tarde. Há luz do dia até depois das 21h30 nessa época (janeiro). Do centro de Ushuaia subi pela Rua Juana Fadul até a Avenida Hernando de Magallanes (uma avenida larga, de duas pistas) e a tomei para a esquerda (oeste). Andei 1,5km e virei à direita na Rua Aldo Motter às 12h17. Uma placa na esquina aponta a direção do glaciar. Na pequena Plazoleta Republica del Paraguay tomei a rua que sobe à esquerda em diagonal, continuação da Aldo Motter. Nessa esquina a placa não cita o glaciar mas outra placa subindo a Aldo Motter em diagonal sim. Cerca de 600m depois da plazoleta cheguei ao Hotel Altos Ushuaia. À direita do hotel inicia o Sendero del Glaciar Luis Martial com uma grande placa e um mapa mostrando a estrada sinuosa e a trilha-atalho. Arroyo Buena Esperanza A trilha inicia bem larga dentro do bosque e já subindo. Entrei nela às 12h42. Altitude de 127m. A sinalização em cor amarela serve de orientação. Subi 400m e cruzei a estrada junto ao Hotel Las Hayas, continuei pela trilha e cruzei a estrada de novo. Uma placa ali me chamou a atenção para outras trilhas que levam a mirantes, percurso que eu exploraria um mês depois (relato aqui). Passei na frente do Hotel Los Acebos e retomei a trilha, agora já mais estreita. Alcancei uma pequena ponte de madeira sobre um profundo cânion mas não a cruzei, em vez disso tomei a trilha para a esquerda e me aproximei do rio que percorre o cânion, o Arroyo Buena Esperanza, que se origina no Glaciar Martial. A trilha se torna mais ruim nesse trecho junto ao rio, com troncos caídos. Apareceu uma saída para a esquerda mas não a tomei porque desembocava na estrada. Continuei dentro da mata e ainda junto ao rio pela sua margem direita verdadeira. Numa área mais aberta do bosque vi restos de fogueira apesar do aviso de proibição de acampar e fazer fogo. Apareceu outra saída para a esquerda que dava diretamente numa casa amarela, mas continuei no bosque. A partir daí a trilha se alargou e apareceram até passarelas de madeira em bom estado. Saí novamente no asfalto e aí tinha duas opções (na volta descobriria uma terceira opção, a da casa de chá): caminhar pela estrada apenas 360m e chegar ao estacionamento onde todos iniciam a caminhada ou tomar outra trilha que sai à direita da estrada e chega a um local já bem acima do estacionamento. Como sempre, optei pela trilha. Essa trilha da direita mantinha ainda a sinalização amarela e iniciava cruzando uma pequena ponte de troncos sobre o Arroyo Buena Esperanza. Eram 13h49. Uns 60m após essa ponte abandonei o caminho principal e subi à esquerda por uma trilha estreita mas com marcação amarela. Cruzei uma ponte improvisada de dois troncos e numa abertura da mata pude ver o Canal de Beagle para trás. O solo nesse local é de turfa (turba, em espanhol), encharcado e parecendo uma esponja ao pisar. A trilha terminou às 14h37 junto à estação terminal do teleférico que existia nessa montanha até 2014. Dali tomei outra trilha em forma de escadaria de pedras que me levou a um nível acima da trilha principal que vai do estacionamento ao glaciar. Mas logo os dois caminhos paralelos se juntaram. Foi então que saí do bosque e pude visualizar a montanha em que está pendurado o Glaciar Martial, com seus quatro circos principais, bem como a trilha em diagonal na encosta que leva até ele. Cerro Martial Avançando mais um pouco as últimas moitas de lenga ficam para trás, cruzo um riacho e inicio a subida da encosta por um caminho de pedras em ziguezague. A visão para o canal se amplia e é possível ver perfeitamente a península onde está o aeroporto de Ushuaia. Alcancei a neve às 15h20, numa altitude de 842m. Ali a visão se abre para a porção leste do Canal de Beagle com as montanhas da Ilha Navarino, território chileno, à direita. Iniciei a descida às 16h07 e decidi fazer o caminho do estacionamento para ver como era. Mas antes de chegar à estação final do teleférico resolvi percorrer o Sendero del Filo, apesar da placa de "cerrado". Caminhei 950m em 17min por essa trilha, que corta a encosta do Cerro Godoy, até um local em que há uma grande queda em direção a um vale. A montanha do outro lado do vale é o Cerro Roy. Uma placa indica o final da trilha. Valeu pelo visual mais amplo do canal e também desse grande vale aos pés de imponentes montanhas. Voltei ao ponto onde inicia essa trilha às 17h25 e continuei em direção ao estacionamento pelo caminho largo, uma estradinha mesmo, porém logo apareceu uma trilha à esquerda e preferi caminhar por ela, junto ao Arroyo Buena Esperanza. Mais abaixo ela estava fechada por uma tela e tive de voltar ao caminho largo. Passei pela antiga estação inicial do teleférico. Ao chegar ao estacionamento às 17h56 me surpreendi com a quantidade de carros. Há um café ali. Altitude de 323m. Cruzei o estacionamento para a esquerda (sentido oposto ao da estrada de asfalto) à procura de uma outra trilha. Passei pela casa de chá La Cabaña e desci por uma estradinha ainda dentro da área particular mas me deparei com um portão fechado. Já estava vendo que teria que pular a cerca de madeira quando o portão se abriu automaticamente... Esse caminho pela casa de chá então é a terceira opção que eu teria naquele ponto da subida em que me deparei com duas opções. Do portão caminhei apenas 100m pelo asfalto e retomei a trilha por onde subi. Na bifurcação depois da casa amarela tomei a trilha da direita, muito enlameada no começo mas melhor do que o caminho junto ao rio com troncos caídos. Cruzei a ponte sobre o cânion profundo passando a fazer um caminho diferente da ida, mas também com marcações amarelas. Desci pelo bosque até a altitude de 148m, quando quebrei para a direita. Notei nas árvores ali os fungos pão-de-índio. Quando jovens são redondos de cor amarela ou alaranjada, depois secam e concentrados formam uma espécie de inchaço no tronco. Têm esse nome porque eram usados como alimento pelos povos originários da Patagônia e Terra do Fogo. A trilha se estreitou num trecho bastante íngreme e me aproximei do Arroyo Buena Esperanza de novo. Sem cruzá-lo desemboquei às 19h numa estradinha de terra e fui para a direita. Uns 80m depois alcancei um estacionamento que fica bem próximo ao Hotel Altos Ushuaia, onde iniciei a trilha de subida. Do estacionamento peguei a Rua Aldo Motter para a esquerda e refiz o mesmo trajeto até o centro de Ushuaia, chegando às 19h45 à Rua Juana Fadul. Rafael Santiago janeiro/2020 https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
  18. Bom dia/noite, fala aí pessoal. Então, após a leitura de vários relatos decidimos fazer nossa aventura de carro até Ushuaia e retorno por El Calafate, El Chaltein, carretera austral, Bariloche. Primeiramente, agradecemos a todos os relatos postados aqui no Mochileiros que contribuíram para a realização dessa missão, possibilitando relatar e retribuir um pouco dessa aventura, apresentando nossas impressões desses 13.000 kilometros rodados em 22 dias, agora em Novembro de 2017. Preparação: Como já dito em vários relatos, efetuamos a aquisição de um cambão, segundo triangulo, kit primeiros socorros, seguro carta verde, seguro saúde, e o principal: Doletas. Roteiro: Saída de São Jose dos Campos/SP, Curitiba/PR, Rio Grande/RS, Chui/RS, Montevidéo, Colonia Del Sacramento, Buenos Aires (via Buquebus), Tres Arroyos/ARG, Puerto Madryn/ARG, Puerto San Julian/ARG, Rio Galegos/ARG, Estreito de Magalhães, Rio Grande/ARG, Ushuaia/ARG. Retorno: Ushuaia/ARG, Rio Galegos/ARG, El Calafate/ARG, El chaltein/ARG, Perito Moreno/ARG, Chile Chico/CHI, Cohialque/CHI, Futaleufú/CHI, Esquel/ARG, Bariloche/ARG, Neoquen/ARG, General Acha/ARG, Santa Rosa/ARG, Rosário/ARG, Paso de los Libres/ARG, Uruguaiana/RS, Erechim/RS, Curitiba/PR, São José dos Campos/SP. Abastecimento: Na Argentina, tem duas opcões nos postos YPF, a Super de 95 octanas a qual utilizamos na viagem inteira sem problemas nenhum, e Infinia de 98 Octanas mais cara. Em portunhol é só solicitar: Bom dia, Super, Cheno (lleno), Tarjeta, que voce vai e volta tranquilo, e paga depois, rss. Com exceção de Buenos Aires (Shell), só abastecemos na rede de postos YPF Full (tem alguns YPF sem Full, kkk), que consiste em combustível de qualidade, banheiros limpos, WIFI, loja de coveniência para café da manha e almoço. pagamento com cartão de crédito, perfeito. Alimentação: É cara, não tem muita opção. Esqueça aquelas bancas de milho verde, caldo de cana, frutas, pastel, buffet, nessas estradas que passamos, não existem. Opção de supermercado somente para bebidas, salgadinhos, bolos, o resto não compensa. Em resumo, voce vai pagar de 160 a 210 pesos em media (R$32 a 42) por pessoa pelo prato principal 50 a 80 pesos pela guarnição (R$10 a R$15), 55 pesos pela latinha de refri (R$11), e 25 a 30 pesos de cobierto (R$6) aquela cestinha de pão com manteiga que voce não pediu, tudo isso, por cabeça, e tanto faz a cara do restaurante, se simples ou luxuoso, o preço não muda (nos pratos básicos), somente a variedade e qualidade, não tem taxa de serviço, voce que colabora se quiser, a maioria aceita cartão de credito. Nos postos YPF voce vai ter a opção para o café da manha, de 55 pesos (R$11) café com leite e duas medialunas (croissant), para o almoço 160 pesos (R$32) um combo de hamburguesa, papas fritas e gaseosa 600 ml, e não adianta querer inverter a ordem, café é de manhã, e hamburguesa é no almoço. Hospedagem: Optamos a maioria pelo Booking a fim de não perder tempo com procura e ter um destino para o GPS e Aduanas (eles precisam preencher no sistema o seu próximo destino,então nas fronteiras é bom ter uma tela com endereço do hotel de seu próximo destino, e não correr o risco de ser deportado, rss). O Desayuno consiste em um café com leite, torrada com manteiga, e nos top vem um suco tipo tang, rss, então não fique dando preferencia por hotel com Desayuno incluído, não vale a pena, já na hospedagem a maioria NÃO aceita cartão de credito, tem que pesquisar bem, aproveitávamos na hora das paradas nos postos YPF. Rodovias: Agora em Dezembro estará liberado a duplicação da serra do cafezal, então até Porto Alegre tudo pista dupla, de Porto Alegre até Pelotas pista simples, Pelotas a Rio Grande pista dupla, Rio Grande a acesso punta del leste/URU pista simples, e após pista dupla até pertinho de Colonia del Sacramento/URU, ruta 3/ARG pista simples sem buracos ate Comodoro Rivadávia, após duplicação em andamento em Caleta Olivia, e após pista simples até Ushuaia (remanescem 15 km para liberar de pista asfaltada (cimentada, padrão Chile),e 25 km a fazer, de estrada no rípio na parte chilena, ou seja, falta pouquinho para 100% até Ushuaia. As rodovias são planas, rendem bem a viagem, anoitece pelas 20:00 21:00 hs, as cidades sãõ distantes umas das outras, portanto nada de deixar baixar de meio tanque de combustível, os postos só existem nas cidades, não se recomenda viajar a noite, pelas distancias das cidades e falta de apoio na rodovia (de assalto não se ouve falar nada, mas cuidado sempre é bom). Inimigo: O VENTO. o vento é extremamente forte, cruel e desumano, rss. Para se ter uma idéia, o volante fica aproximadamente 1 dedo de diferença para o lado esquerdo ou direito da centralização, dependendo do trecho, e de repente diminui o vento e voce tem corrigir rapidamente, pensa nos sustos. Quando voce para, o vento não te deixa abrir a porta ou quase arranca ela fora se não segurar. Nas aduanas guarde bem os papeis, pois ele está lá fora para voar a kilometro de distancia, sua autorização de ficar no país, rss. Ingressos: Acabou o negócio de Mercosul, ou seja, Argentino e Chileno pagam a metade em seus parques nacionais, e estrangeiros pagam o DOBRO, em resumo R$100 pila por cabeça, por parque, dinheiro em espécie. Aduanas: Basicamente há tres etapas, primeiro voce faz a sua imigração e dos passageiros (passaporte, Rg, endereço destino), depois a importação provisória de seu veiculo (DUT, carta verde, Soapex) e por último aquela vistoria para verificar a bagagem (nada de frutas, queijo, presunto, rss, e se tem mercadorias indevidas). Nas aduanas integradas, tudo isso é feito nas aduanas de entrada do pais. Então após tudo isso, certifique-se que voce tem os carimbos de entrada e saída de cada pais, e uma autorização de transitar naquele país, porque sempre tem muita gente e pode ocorrer de faltar algum detalhe. Pessoas: Todas as pessoas que conversamos, pedimos informação, sejam nas aduanas, policia, hotéis, restaurantes, supermercados, postos, ruas, sempre foram muito cordiais, educadas, prestativas, e tudo isso com nosso portunhol. O que pode-se observar na cultura, é que eles prezam pelos bons hábitos (bom dia, com licença, por favor, obrigado, sinalização, ordem de fila). Na medida do possível devo ir relatando os dias individualmente, e respondendo as dúvidas e perguntas, OK. DIA 01 Saímos de São Jose dos Campos via Dutra, marginal tietê, rodoanel, regis Bitencourt (Br116), trecho já habitual até Curitiba, com pit stop em Registro (graal buenos aires) ,chegada a tarde, enchemos o tanque a R$3,79, hospedagem casa de familiares. DIA 02 Saída as 07:00 hs pela br 101, trecho também já conhecido, abastecemos na última cidade de Santa Catarina R$3,79, pois ao entrar no RS o combustível já fica caro R$4,20, não paramos para almoço, continuamos, pista dupla até Porto Alegre, após pista simples BR 116 sentido Pelotas, em seguida pista dupla até Rio Grande. Hospedagem hotel costa doce, muito bom, ótimo custo beneficio, a beira da lagoa, próximo ao shoping onde decidimos jantar e descansar após os 1000 km. DIA 03 Aproveitamos bem o café da manhã, pois o dia seria longo e demoraria um próximo café caprichado. Enchemos o tanque pela (bagatela) de R$4,52 o litro e fomos em busca da cidade de Chui BR 471, fronteira Uruguai. O trecho é muito bonito pois passa pela reserva do Taim com sua exuberante fauna e no meio das lagoas Mirim e Mangueira. Chegando em Chui, completamos o tanque, pois no uruguai é bem mais caro, procedemos a aduana Uruguaia, e seguimos em direção a Montevideo ruta 9, estradas boas, pedágios a R$11,00 (sim, pode pagar em reais, porém com trocado, se der R$50, pelo cambio, o pedagio sai por R$16,00, e o troco vem em Pesos Uruguaios). Chegada em Montevideo, transito de cidade grande, estacionamos e fomos fazer uns cliques. Porém sem demora, porque ainda faltava alguns kilometros até Ushuaia, Rodamos pelas Rambias beira mar e em seguida ruta 1 até Colonia del Sacramento, chegando as 20hs. Procuramos hospedagem e ficamos no Hostel Celestino, 18 de Julio, 70000 Col Del Sacramento,Departamento de Colonia, Uruguai, U$13, beliche quarto compartilhado. O carro pode ficar estacionado em frente (na rua mesmo, a cidade é tranquila).Fomos jantar próximo. Buquebus - Conforme relatos, o esquema é voce comprar antecipado (2 dias) pela internet, pelo site do Uruguay, www.buquebus.uy, tem quatro partidas diarias, sendo a primeira as 07hs (hora local) a qual é o melhor preço, saiu R$ 470, o carro e 3 passageiros, excelente custo benefício. DIA 04 Saímos 06hs do hostel e em 2 minutos já estavamos no terminal portuário. Voce estaciona o carro na area de embarque de veiculos e retorna para fazer o check in no balcao, fazer a imigração, e sobe no 1o andar aguardar o horário de embarque. Quando chamado, os passageiros vão para o embarque e o motorista vai pela escada ao lado pegar o carro e embarcá-lo no porão do navio, tudo organizado e tranquilo, após é subir as escadas e encontrar com os passageiros. Esse horário é excelente, poucos veículos, poucos passageiros, vai com metade da capacidade, navegação tranquila, possui cambio no barco, não muito vantajoso, para não chegar zerado em Buenos Aires. Após 2 hs chegamos no porto de Buenos Aires, todos podem ir ao veículo para sair juntos. Após sair do barco já tem o controle imigratorio, onde pedem passaporte, DUT, e carta verde, conferem o porta malas e, ADELANTE. Quando for sair do terminal tem duas saidas, não faça que nem eu de pegar a primeira, pois o sentido da pista é para direita, e para ir ao centro deve-se ir sentido a esquerda sendo que a primeira voce tem que esperar o transito deixar voce entrar, e na segunda tem um confortável sinaleiro que voce aguarda e entra tranquilo, além do mais voce desembarca bem no horário de rush, mas sem emoção não tem graça, rss. Buenos Aires é uma cidade muito legal, tem amplas avenidas, que de tão amplas se voce ficar nas pistas do meio não enxerga o sinaleiro, por isso fique nas pistas da direita para evitar de furar o sinal, kkk. Achamos um estacionamento na Av Passeo Colon, após a Casa Rosada, excelente localização, fomos caminhando passando pelos principais pontos turísticos do centro em direção a mais famosa rua de Buenos Aires para brasileiros, rss, Calle Florida, para efetuar o cambio e sentir-se de bolso cheio, pegamos a cotação de R$1 = 5 pesos na agencia Gavitur, mas não adianta comemorar muito pois o custo de vida lá é caro. Para efetuar o cambio basta apresentar o passaporte nas agencias de turismo, mas nos bancos tem que ter um comprovante de endereço de buenos aires então, novamente, deixe sempre um print de tela do hotel da cidade, cartão. Feito isso, fomos de tradicional mesmo, mc donald´s tomar aquele café já que estavamos ricos, mas como bom brasileiro pagamos com cartão, kkk, tem outras lanchonetes, cafés e kioskos, no calçadão, é só escolher. Próximo passo, no calçadão mesmo comprar chip na loja Movistar, 50 pesos, 4 horas para ativar, quando receber SMS é só recarregar, aonde? kioskos e nos postos YPF Adelante, comprar um mapa rodoviario da Argentina 75 pesos na banca de revista, e um mapa da cidade de buenos aires para poder achar ruta 3, kkk. Aqui no Brasil baixamos os mapas para o GPS, mas ele é bom para o local em que se está, nada como um bom velho mapa para ter uma visão completa dos trajetos e atualização dos tipos de rodovias. (considero imprescindível e custo insignificante). Devidamente equipados de bolso, estomago e papel, as 12 hs, bora ao estacionamento pegar o carro e ir direto para..., o posto shell abastecer é claro, 24,52 pesos o litro, ou quase R$5 o litro. Pegamos dica com o Sr do estacionamento, então não deu 10 minutos e já estavamos na avenida em direção ao aeroporto e sequencia a famosa ruta 3, transito pesado, pedágios 20 pesos, 30 pesos, e uma placa dizendo que Ushuaia a 3000 kilometros, moleza. A ruta 3 é de pista simples e nos primeiros 300 km transito pesado de caminhoes puxando a safra Argentina, e cheio de caminhões antigos, lentos, ou seja demorado esse trecho como já estava ficando tarde, optamos por pernoitar em Tres Arroyos distante 500km de Buenos Aires, cidade tranquila, hotel Plaza, histórico porém mais ou menos, e pizzaria excelente, La Tabla, H Yrigoyen 157,Tres Arroyos, Buenos Aires, Argentina. DIA 05 Acordamos pelas 07 hs, fomos tomar o cafe da manhã incluido, uma xícara de café e uma medialuna, o qual possibilitou energia para ir até o próximo YPF a 1km e comprar um kit café para viagem, tanques cheio, o nosso e o do carro, bora pegar a ruta 3 ate Bahia Blaca, ruta 22 até La Adela, ruta 251 ate Santo Antonio Este, ruta 3 ate Puerto Madryn, percurso 750 km. Importantíssimo, coloque no GPS a cidade de General Conesa, pois ela fica as margens do rio Colorado que faz divisa entre as provincias de Buenos Aires e Chubut, então passou o rio já tem um posto com Super a 17,50 e seu bolso ficará feliz. passando por Bahia Blanca e chegando em Puerto Madryn, cidade balneária média, mas top, claro que frio e muuuuito vento. Se hospedamos na La casa de Silvia, Nueva León 761, Puerto Madryn, Chubut, Argentina, ótima anfritiã, quarto confortável, wifi, passou varias dicas do lugar, recomendo. DIA 06 Programamos ir conhecer a cidade de Puerto Madryn e seus miradores, a Peninsula Valdez, e seguir viagem. Tirando a parte do seguir viagem conseguimos fazer quase tudo, kkk. Segundo informações de nossa anfitriã, a região rege pela tabela de marés, maré cheia aumenta as possibilidades de ver as baleias jubarte, e para peninsula Valdez o principal seria o passeio de barco, caríssimo, e os miradores ficam distantes. Entãoooo, neste dia a maré cheia era das 04 as 06 hs, ou seja, já era, mas como bons brasileiros e já estavamos alí, levantamos tarde e fomos conhecer assim mesmo. Segue-se por estrada de ripio contornando o porto e por 10 km tem alguns miradores, onde voce deixa o carro e faz caminhada para observação e fotos, nessa brincadeira foi umas 2 horas. Retornamos até a porto e segue-se a esquerda po estrada asfaltada até o parque nacional entrada a 415 pesos por cabeça, e após estrada de asfalto até porto piramides (lugar do barco), e um pouco antes entrada para Punta Delgada e Punta norte, estrada de rípio no começo 20 km trafegável e após intrafegável (ou quebravel, como queiram), costeletas de vaca ao extremo, power, turbo, ou seja sem condiçoes, retornamos a puerto piramides ao mirador de puerto piramides, estrada de ripio de 5 km, porém boa. Excelente, visão da peninsula, loberia, altas fotos. Retornamos a Puerto madryn e já eram 17hs, então decidimos pernoitar por ali mesmo. Recomendo assim, separar 1 dia inteiro pelo menos para a região; deixar o carro e pegar uma Van pelas agencias da cidade para ir a Península. DIA 07 levantamos cedo, tomamos café no apartamento mesmo, e vamos para mais 800 km. Saimos de Puerto Madryn, após 440 km, pit stop no YPF de Comodoro Rivadavia, cidade grande, movimentada, polo da petrolera YPF, de Comodoro até Caleta Olivia, pista ruim esburacada, porém estão duplicando esses 60 km com pistas novas, e vao abandonar a velha (já está, kkk). Também após Comodoro tem uma barreira policial da provincia de Chubut, ali tem que fazer procedimentos quase identicos a imigração, mas tudo bem cortês, de boa para esticar as pernas, rss. Logo em seguida vem a dica principal, lembram dos 415 pesos da entrada da peninsula Valdez, na beira da estrada, tem uma placa, loberia, estacione e vai tirar selfie com os 1000 lobos, leoes, elefantes, marinhos, que ficam "lagarteando" na praia, e o principal, 0800, gratis, a um metro das crianças, ou seja, por que fomos pagar 415 pesos. Voce saindo de Madryn na região de Trelew, tem a pinguinera paga, e no caminho tem lugares para voce entrar e ir ver nos mirantes, nao fomos pelo tempo, mas se tiver dias sobrando, a região é bacana, vale a pena. Assim dirigimos por 800 km e fomos pernoitar em puerto San Julian. Paramos no YPF e conversando com o frentista, informou que o esquema é procurar por Cabanas ao inves de hotel pousada, é mais economico. Dito isso entramos no acesso a cidade e já tinha uma na beira do lago, preço legal, equipada, fomos no mercado la Anonima e compramos suprimentos para o cafe da manha e viagem. Decidimos conhecer um pouco a cidade e jantar no centro, preço qualidade ok, padrao Argentina. DIA 08 Novamente cedo, seguimos viagem pela ruta 3 e após 360 km, Rio Galegos, cidade grande, movimentada, paramos no YPF, pit stop completo, rss, e próxima parada, aduana Chilena, sim, como é aduana integrada, voce passa reto na da Argentina, e faz os procedimentos na Chilena, (saída/entrada), já mais demorada pela quantidade de pessoas, busão, caminhão, carimbo e papel para tudo que lado, vistoria do veiculo, e após uns 40 minutos, adelante, voce entra no sul do Chile, rodamos até o estreito de magalhães, estrada ótima, e aí, parou, parou por que, tempestade, rsss. Ao chegar no estreito de magalhães 15 hs, uma fila enorme, no acostamento caminhões, na pista automóveis, tudo parado, fomos verificar e a notícia oficial era que teria uma janela para a travessia, lá pelas 19 hs, kkk. Voce olhando pela janela, tempo ruim, mar agitado, frio, vento estilo tsunami, bem vindo ao extremo sul das Américas. Passa uma hora, abre um solzinho, acho que agora vai, vai, vai chover tempestade, granizo aos quilos, todos carros se abrigando pelos baú dos caminhões ao lado, voando de tudo um pouco, mas passou, isso era la pelas 17 hs, abriu outro sol, agora acho que vai, fomos verificar e, informaram que está vindo outra, mas com esse sol, e daki a pouco..., REPLAY, nossa, emocionante, os amortecedores e molas dos carros acho que nunca trabalharam tanto, rss, mas como os profetas falaram, chegou 19 hs, passou a tempestade, vimos as barcas ligarem os motores, foram até o meio do canal vazias verificar o mar, kkk, voltaram e chamaram os carros para entrar que nem em dia de promoção, rápido, tinham que entrar voando nas balsa, chegou a primeira, entrou tudo rápido, e partiu estilo Shumacker, na cola, encostou a segunda, entramos no mesmo ritmo, travado o carro, voce desce e vai pagar no caixa, tudo isso nao deu 2 minutos, e olhando pela janelinha, já estavamos surfando o mar, os carros tomando um banho das ondas do mar, altas ondas, mar revoltoso, estilo discovery channel, rss, mas após uns rápidos 50 minutinhos com muita emoção, chegamos do outro lado, a fila do outro lado estava maior ainda, não ia caber todo mundo nas duas balsas. Agora em terra firme, 20 hs, Patagônia, a viagem não pode parar, kkk, bora então. No chile estrada ótima, (concreto), sinalizada, saimos de bahia azul e a próxima cidade é Cerro Sombreiro, tem hostel, posto Copec até 20 hs, kkk, mas como estavamos descansados, partiu froteira San Sebatian. Estrada concretada, perfeita, falta 20 km finais para terminar a pavimentação até a fronteira san Sebatian. Na fronteira, do lado chileno há hostel, e após 5km, fronteira Argentina, há hostel e abastecimento, então já eram 22:30, fazer novamente todos os procedimentos de imigração, para saida Chilena, anda 5 km, para entrada Argentina, isso já era 23 hs, e o agente pergunta, vai pra onde, respondo agora, só até Rio Grande, e outra pergunta, tem reserva hotel, está muito lotado por causa do encontro de motociclistas, hã, como assim, não, forneceu uns mapas, ligou para uns hoteis, tudo lotado, ligou nesse do lado da fonteira, o tonto aki achou que tava caro, ia ver o outro que tambem havia vaga no centro, ou seja, viajamos mais 80 km até o centro e, no hay vagas, full, lotado, pergunta aki, ali,e nada, decidimos, vamos ao YPF abastecer e comer e depois, de estomago cheio, decidimos. Entramos na fila do posto as 01 hs da manha, cidade grande, lotada, abastecemos, conveniencia cerrada, perguntei e o frentista indicou uma pizzaria (Mostaza Planet Rock) que funcionava aquela hora. Chegamos lá, excelente, estilo fast food, saboreamos ela, resolvido o problema do estomago, conseguimos reservar pelo booking uma cabana para Ushuaia para o dia seguinte, problema resolvido, e agora o negócio é onde ficar hoje, isso já pelas 02:30hs, kkk. Nas procura pelas ruas tinha visto uma com balada e cheios de carros estacionado nas ruas no entorno, é aki mesmo,achamos uma vaga boa, com movimentação,bora dormir, kkk. DIA 09 Acordamos pelas 04:30hs, maior solzão na cara, após o excelente pernoite no hotel, lá bancada del coche, kkk, pegamos a ruta 3 e bora Ushuaia. Rodamos 110 km até Tholuin, pit stop no YPF, e ..., tudo congelado, caiu a maior Nevasca, 50 cm de neve para todo lado, poucos carros vindo, cade as cadenas, kkk. Sem cadenas, bora dormir mais um pouco e esperar o gelo derreter ou aumentar a movimentação na rodovia. Reacordamos novamente, o fluxo na rodovia melhorou, carros, caminhoes, então dá para rodar, rss. Superdica: esse trecho de 110 km de Tholui até Ushuaia é o ápice da viagem começa contornando o lago Fagnano, as montanhas todas nevadas, altos picos, rodovia com 50 cm de neve no acostamento, já tinham passado máquina e jogado sal, kkk, alguns miradores e suas vistas padrão windows, rodovia sinuosa, mas tudo muito top, imperdível. Finalmente as 09:30hs após alguns dias e kilometrozinhos do Brasil, chegamos finalmente no portal de Ushuaia ( nada é tão fácil como gostaríamos que fosse, porém nada tão impossível como está escrito nos manuais, kkk), pausa para fotos com muita neve, e fomos caminhar na cidade do fim del mundo em busca do café da manhã,(sim, ela existe, kkk) porém era domimgo, poucos lugares abertos, estacionamos na orla, achamos um lugar aberto, já estava cheio, advinhem, estava tendo além do encontro de motociclistas uma etapa da maratona da Argentina, alguns cruzeiros no porto, enfim cidade abarrotada, mas pela manhã transito tranquilo. Após café, fizemos o passeio pela orla e seus pontos turisticos, a neve constantemente caía e parava alternando com chuva. Questionamos os passeios, mas pela quantidade de chuva e neve, ficou inviável, e aliado ao cansaço, fomos para a cabana recuperar o sono da noite anterior. pelas 20 hs acordamos e saímos até..., a porta, a neve estava a todo vapor, os carros que estavam na rua todos congelados, por sorte nossa cabana tinha garagem coberta, senão..., estava impraticavel sair assim, visibildade quase zero, frio também, então o negócio era ficar entocado mesmo observando tudo pela janela, imaginando aquilo no inverno, tem que ter um trenó para circular por la, kkk. DIA 10 Dia amanheceu, a nevasca deu uma trégua, tentamos pesquisar e achar outro lugar para ficar, mas, tudo lotado, a nossa cabana só tinha vaga para 1 dia, a previsão era que a nevasca seria forte por mais alguns dias, visibilidade baixa, e decidimos que a missão Ushuaia estava definidamente cumprida, com toda plenitude da neve, e com receio de ficar com a estrada fechada, e comprometermos a próxima missão, a lendária ruta 40. Um pouco tristes por não poder aproveitar uns dias a mais, porém com gostinho de poder voltar brevemente, partimos, rodamos até.... o portal da saída, e na barreira policial fomos informados que a rodovia estava com muita neve, seria de bom senso, não arriscar ficar atolado congelado na neve, gritando help, help, kkk, aguardar pelo menos até 11hs, pois iriam passar a máquina e jogar sal para melhorar a trafegabilidade. Assim sendo, retornamos para a cabana e aguardar o horário e pontualmente, partimos novamente, e realmente a quantidade de Neve era impressionante, mas tinha uma rodovia no meio da neve, rss, novamente muito top o trecho, paisagens, miradores, muitas fotos, chegamos em Rio grande, estava acabando uma greve e protesto na rodovia, mas contornamos pela cidade que já tinha decorado pela noite anterior, abastecemos e partiu fronteira para procedimentos de imigração, saída/entrada, rodovia chilena, e novamente quem, o estreito de magalhães, que desta vez estava calminho, calminho, devia estar revoltado com alguma coisa no dia anterior, kkk, aguardamos um pouco a balsa chegar, embarcamos, fomos na segunda novamente, e na outra margem, a fila estava maior ainda, pois tinha um comboio de uns 30 motor home da europa para atravessar também, realmente é um destino muito procurado nacional e internacionalmente, roda-se mais um pouco, chega-se ao trevo que leva ou para Punta Arenas/Porto Natales ou Rio Galegos, nesse ponto voce deve decidir se quer ir fazer o parque torres del paine, no mínimo dois dias úteis para compensar os 21.000 pesos, R$115 pila de ingresso por cabeça, hoteis, alimentação e a infinita beleza do lugar, kkk, maaas, não foi dessa vez, seguimos a direita e novamente os procedimentos na aduana integrada, agora passa reto na Chilena e para na Argentina, lotada, mais uma hora de procedimentos, e partiu Rio Galegos, chegamos 19 hs, destino final do dia, fomos almojantar, abastecer, rápido city tour, fazer as reservas do dia seguinte. DIA 11 Café caprichado, esse fora do padrao Argentina, e vamos inaugurar a RUTA 40, palco de todo piloto que se preza, o resto é só motorista, kkk. Inicia-se pela Ruta 5 que após a metade do trecho encontra a Ruta 40. Esse trecho de Rio Galegos até El Calafate 300 km, continua com as paisagens do pampa Argentino, retas e retas, um monte de Guanácos atravessando a pista, quase nenhuma árvore, pássaro, bem desértico, até chegar próximo ao Lago Argentino, aí volta ao nível, top, plus, ultra, power, kkk, da cordilheira dos andes, e chega-se ao nosso próximo destino, El Calafate, cidade TOP com vários hoteis, pousadas, restaurantes, mercado, maaas, somente dois postos de combustíveis, ou seja, chegou, já entra na fila e encha o tanque, neste YPF, a conveniencia também é 10, tem empanadas e gaseosas a bom preço, pode-se fazer um estoque para jornada da geleira. DICA: a partir daki sempre tanque cheio antes de sair para qualquer destino, primeiro pelas distancias, e segundo pela possibilidade de escassez, não dá tempo de voltar para trás, kkk. Feito isso partimos para o parque los glaciares e sua geleira, Perito Moreno, 90 km, estrada maravilhosa, entrada 500 pesos, R$100 pila por cabeça, mas esse sim é barato e vale a pena, vá o mais cedo possível e volte a hora que te tocarem de lá, kkk, da entrada do parque percorre-se a estrada contornando o lago e frente para a geleira, dois miradores providenciais, cliks e cliks, chega-se ao estacionamento, pega-se a Van, free, que leva ao topo das passarelas, e aí prepare-se para caminhar e tirar fotos a cada minuto, pois, a cada angulo, voce descobre outro detalhe. Ela é imponente em tamanho e beleza, embaixo blocos de gelo flutuando, simplesmente ignorante. Após 17 hs retornamos para El Calafate, completamos o tanque de novo, achamos nossa pousada, e fomos caminhar pela cidade, o comércio principal ´fica na avenida central e suas transversais. Tendo dias disponíveis, recomendo o primeiro dia para conhecer a cidade e seus arredores, lago argentino, e outro inteiro para o parque e sua geleira para aproveitar o máximo posível e descansar intervalos de caminhada, pois o parque é grande. DIA 12 Missão cumprida El Calafate, partimos para El Chaltein, 200 km, retorna-se para a RUTA 40, e segue direção esquerda, estrada, paisagem continua top, na reta da estrada saindo da RU 40 até El Chaltein, é uma suave descida com vista das geleiras e lago, na chegada a cidade possui um mirador e em seguida o único posto de combustível, que fica fora da cidade, funciona a energia ..., das 06 as 22hs, 1 atendente, ou seja, sempre vai ter fila e demorar. Na entrada da cidade tem o centro de visitantes, para ter um breve conhecimento e pegar seu fundamental mapa, pois aki há várias trilhas e direções, escolha a sua, para montar o seu roteiro, basicamente é uma por dia, pela distancia e direção. A cidade é pequena ainda com pouca variedade de opções, hoteis, restaurantes, lojas, etc, porém, percebe-se que irá ficar igual ou maior que El Calafate em curto prazo, portante é ótimo aproveitar enquanto é recente, e sem taxa de ingresso para as trilhas, pois com certeza isso mudará pelo volume do fluxo de visitantes e pela beleza de suas trilhas no meio da cordilheira dos andes. Devidamente instalados, preparar-se para o amanhã de muita caminhada. Dia 13 O ideal é partir o quanto mais cedo possível, e é recomendável, não indispensável, estar em forma, pois a trilha é longa e cansativa, fomos em busca do fritz Roy, 10 km, a lingua vai ficando pelo caminho, as pernas no meio da montanha, paradas para recuperar o folego, enfim, daquele jeito, mas alguma hora voce chega lá. Tem vários pontos de coleta de aguá pelo caminho, voce vai precisar e muito, e cruéis placas de km em km indicando o que terá pela frente, vários cenários perfeitos contemplando os pés das geleiras, enfim imperdível. O ideal é ir de Van para reduzir um pouco a bronca e retornar pela trilha completa, para descer todo santo ajuda, mas não é massagista e nem amortecedor se escorregar nas pedras, kkk. Mas enfim, as 17hs conseguimos chegar de volta na cidade e a primeira lanchonete para comer e repor as energias, se é que tinha sobrado alguma, para conseguir chegar até a pousada e recobrar os sentidos dos viventes, kkk. Outro detalhe, que no dia anterior haviamos deixado nossa roupas em uma lavanderia a kilo, boa e barata, fundamental para a sequencia da viagem, a qual coletamos a noite antes do jantar. Então, vamos fazer outra trilha no dia seguinte ?.... Aí bateu aquela vontade de continuar a viagem, kkk. Mas, realmente, se tiver despreparado, ou descansa um dia para energizar, ou é melhor fazer uma só, não tem taxi nem ambulância na montanha, e o frio é implacável, cada um sabe seus limites, e o do cartão de crédito, kkk. DIA 14 Levantamos com a missão de rodar os próximos 590 km, com destino a cidade de Perito Moreno na RUTA 40. Nesse trecho só há dois postos de combustíveis, saindo de El Chaltein o primeiro fica 1 km antes da cidade de Tres Lagos, muito pequena, e depois somente em Gobernador Gregores. Após Tres Lagos pega-se um trecho de XX km ainda sem pavimentação, mas em bom estado, depois retorna o asfalto de chega-se em Governador Grebores, cidade para abastecimento e alimentação, posto YPF, tendo pela frente 360 km até a cidade de Perito Moreno, estrada boa, região desertica, vento constante, muito frio, pouco movimento, chegamos pelas 18 hs, enchemos o tanque como sempre, se instalamos e fomos em busca novamente de nosso almojantar, cidade simples sem muitas opções, mas resolveu o problema. Aqui cabe um parentesis, haviamos optado por essa cidade em função do custo do hotel, mas o dia posterior apresentou a cidade de Los Antiguos, com mais 60 km pela frente, como a mais indicada, pois fica a beira do lago Buenos Aires, com casas de veraneio (ou inverneio, kkk) com mais opções de restaurantes, enfim tem mais cara de cidade, e já fica na fronteira com o Chile, com várias cabanas para locação. DIA 15 Aqui novamente é um ponto de controle onde voce deve decidir o rumo em função do tempo e cascalho, rss. Dentro da meta, vamos em rumo agora da CARRETERA AUSTRAL no Chile, seguimos em direção a Los Antiguos que faz fronteira com Chile Chico no Chile. Aqui a fronteira da Argentina é rápida, mas a Chilena é demorada, pois além da papelada normal, tem que descer toda a bagagem, pegar aquele carrinho de aeroporto, passar pelo raio X, fazer caber tudo de novo no bagageiro, porém, conversar com várias pessoas e contar sua viagem, aguentar ainda os 7 x 1 da Alemanha, kkk, mas voce sobrevive, só que demora. Feito isso, chega-se ao centro da cidade de Chile Chico e precisamos agora fazer câmbio para enfrentar a parte chilena, porém era Sábado, e segundo informações, somente a loja do Martin pescador operava com este produto, achamos, trocamos um pouco, cambio nada favorável, mas melhor do que ficar liso em terras estrangeiras, não se pode ganhar sempre. Partimos pela carretera austral que é de rípio e sinuosa, mas com mirantes espetaculares. Se voce já rodou por lugares lindos, daqui em diante, papai do céu tirou nota 10 em tudo. Pegamos esse dia ensolarado, fundamental para apreciar sem moderação nenhuma a Cordilheira dos Andes. Voce inicia contornando o lago General Carrera que após o Lago Titicaca no Peru, é o maior da América, com sua coloração azul intensa, verde brilhante, montanhas com seus picos nevados, rios caudalosos de degelo, aki o cenário é Bruto, inúmeras paradas em seus miradores para cliks, fomos em busca das CAPILLAS DEL MÁRMOL, saída localizada em baía Mansa, uns 15 km antes de Rio Tranquilo (180 km de rípio). Tem placa na entrada, voce tem que descer uns 1000 mt montanha abaixo numa estradinha que não passa dois, deixa o carro estacionado e pega um barco (voadeira), com duração de 1 h (com certeza, essa será uma das melhores hora da sua vida), navegando pelo lago General Carrera, aquele mesmo que a umas horas atrás voce estava admirando em vários pontos lá de cima, e chega-se nas esculturas naturais na rocha em cima e abaixo dágua, o lugar é Animal, voce entra com o barco em algumas, depende do vento, o contato com a natureza é ao extremo. Nessa tarde estava ventando muuuito, então pensa na emoção. O ideal ´sair bem cedo, pois a estrada não ajuda, voce tem que ir a 40km/h se quiser chegar com seu carro inteiro, e fazer pela manhã para aproveitar a luz solar completa. Feito o passeio, a missão agora é ..., subir aquela estradinha, meu, carro 1.0 acho que não sobe, pois está cheio de pedras soltas para tracionar, na hora da saída, tinha algumas vans e uma teve que ser puxada, pois não subiu, tivemos que embalar desde lá de baixo e não diminuir nem nas curvas e pedras para todo lado, mas o guerreiro venceu, chegamos ao topo, então fica a dica, deixe o carro confortavelmente estacionado na placa da entrada e vá caminhando, sei que a volta é subidão, mas conserva o carro e a viagem no lugar, kkk. Próxima parada depois em Rio Tranquilo, tem posto Copec, abasteça, aki a cidade tem opções de hospedagem e alimentação, altamente recomendável pernoitar nela, pois o próximo destino é Cohialque e voce pega 120 km de rípio, ou seja 3hs tranquilo, e mais 100 km de asfalto até Cohialque, porém atravessando a cordilheira, assim fomos chegar quase 22:00 hs, esgotados, não tinhamos reservado hotel, a cidade é grande, aquele perrengue até achar um no padrão BBB, mas nós é brasileiro, achamos uma cabana excelente, os proprietários mais ainda, indicaram e pedimos um disk pizza excelente, inclusive no cartão, também depois do dia inteiro sem comer naquela hora, até papelão no espeto era prato principal, kkk, em resumo, é um trecho grande pelas dificuldades, deve-se dividir em dois dias no mínimo. DIA 16 Pela primeira vez depois da neve, choveu muito a madrugada inteira, mas não vimos nada, kkk. Acordamos mais tarde, aquele vento da Patagônia, mas agora tinhamos que cumprir o roteiro pois senão comprometia a sequencia da viagem em termos de data. Vamos indo devagarinho, a chuva parou, agora esse trecho da estrada está asfaltado, bora lá. Já havia dito que a paisagem é nota 10, mas pode considerar agora um 11, pois até então imagina-se que a cordilheira dos andes é uma barreira montanhosa intransponível que divide o Chile e Argentina. Nããão. Ela é um complexo, de vales com muito verde no meio das montanhas, com fazendas, sítios, belíssimos rios, embaixo, e no alto aquele picos nevados, geleiras, vulcões, é um contraste impressionante. Com certeza a CARRETERA AUSTRAL CHILENA é uma das estradas mais belas do mundo, claro que fora do inverno, pois deve congelar tudo nessa época, e a dificuldade ser enorme. Rodamos pelo asfalto 200 km, aí tem o trecho de subida de 15 km e descida de 10 km do parque Nacional Queluat, o de subida já prepararam a brita para o futuro asfalto, mas a descida ainda não, estão vindo de Puyuapi para cá, por isso tem que pegar um balsa para chegar em Puyuapi num trecho de 3 km, mas as carretas vao pela estrada mesmo, então em curto prazo esse trecho também ficará pronto. Puyuapi também é uma cidade pequena mas bem ajeitada e depois de finalizado o asfalto deve crescer bem, detalhe alí que voce tem o acesso ao ventisqueiro Queulat, dá para ver da rodovia, mas como já tinhamos pego o começo dele em El Calafate e a demora da Balsa, optamos por seguir em frente, pois já haviamos reservado cabana em Futaleufú, fronteira com a Argentina, mas compensa se tiver tempo em pernoitar ai e curtir todo o visual. Após a saida de Puyuapi, novamente pegamos um trecho de 15 km de ripio preparado para asfalto, ou seja um poeirão e muita brita solta, a tecnica consiste pelo jeito, em deixar os veiculos compactarem bem a base para eles passarem o asfalto, afff, cruzamos com as máquinas asfaltando em pleno domingo, então, essa hora devem estar acabando mais esse trecho de asfalto ate Puyuapi, passamos por Vila Santa Lucia, abastecemos, e aí voce deixa a carretera austral e vira a direita na 235 que é toda de ripio mas em bom estado, vai contornando as montanhas dos Andes, beirando o lago Yelcho, tudo TOP também, e após percorrido 200 km, estamos em Futaleufú, fronteira com a Argentina, terra das corredeiras e raffting, para os amantes do esporte, aqui é o lugar, estilo radical. Cidade pequena mas tem hotel, restaurante, combustível, mercado, etc. Toda essa região tem muita coisa para ver e fazer, haja tempo e dinheiro para poder aproveitar tudo, porque para nós brasileiros, o custo é meio caro. Achamos nossa cabana, após instalados, fomos caminhar nas ruas da cidade em busca de nosso merecido jantar. DIA 17 Embora rápido, pudemos conhecer um pouco da Patagônia Chilena, seus contrastes, na certeza de retornar para apreciar com mais calma, a magnitude da região. Como não ganhamos na mega ainda, partiu Argentina novamente. Fizemos os tramites aduaneiros, esse Paso é bem mais tranquilo e menos movimentado, rapidamente já estávamos em solo Argentino ainda no rípio, em busca da cidade de Trevelin, agora já asfalto, Esquel a 90 km, e Ruta 40. Esquel também já é bem estruturada, movimentada, pausa para lanche, abastecimento, posto YPF, e retomamos a ruta 40 para percorremos mais 300 km até BARILOCHE, nosso próximo destino, aqui esse trajeto já é bastante movimentado, com a cordilheira ao fundo e seus vulcões. Também tem a cidade de El Bolson no caminho para Bariloche, que também é bom ponto de hospedagem para os viajantes como alternativa a horário e custos, embora Bariloche, fora de temporada é bem tranquilo de achar lugar e com inúmeras opções. Chegamos no meio da tarde e fomos se acomodar, optamos por fazer um mercado para a janta e café, mas o mercado argentino não tem muitas opções como os nossos, e os preços não compensam, único ponto forte é os vinhos, tem desde R$7,00 aqueles que a gente paga R$30 aki, os intermediarios de R$ 25, que é os caríssimos daki, até os top de tudo quanto é preço, então dá-lhe comprar vinho, para comparação Coca Cola 2lt estava R$22, fizemos pequeno reconhecimento da cidade, mas deixamos para o dia seguinte para fazer o circuito completo. DIA 18 Bariloche também é um ponto alto da viagem, a cidade margeando o lago Nahuel Huapi com a cordilheira dos Andes com seus picos nevados emoldurando ao fundo, temperatura agradável, o pessoal estava até curtindo um bronze a beira do lago, cidade super movimentada com inúmeros hotéis, pousadas, restaurantes, supermercados, enfim, estruturada. Como já estavamos estasiados de tanta neve e paisagem exuberantes da viagem inteira, resolvemos não fazer os miradores tradicionais, fomos fazer o circuito chico mas sem subir o campanário, catedral, e sim conhecendo os atrativos diversos das ruas em si, passando pelo famoso hotel Lao Lao, contornando o lago Nahuel, e de repente uma movuca em uma colina, com vendedores ambulantes, carros parados, opa, aqui é lugar, estacionamos, e tivemos a grata surpresa de ser um mirador 0800, com vista de todo o lago, o dia estava perfeito, ensolarado, aquele tom de azul do majestoso lago, as montanhas com seus picos nevados, show, imperdível. Retornamos, aproveitando cada paisagem em direção ao centro, onde após percorremos a pé suas ruas, setor histórico, calçadão, várias lojas, completando o curriculum de turista, kkk. Inicialmente o roteiro estava na expectativa de seguir na sequencia em direção a Pucón e Santiago no Chile, e retornar pelos famosos caracoles, Aconcágua, e passar em Mendoza e suas vinicolas, porém o prazo já estava no limite ( a grana também, kkk), assim iniciariamos no dia seguinte a viagem de retorno. DIA 19 Com muito arrependimento por não ter ganho na Mega sena ainda, rss, fomos batendo em retirada de Bariloche e da surpreendente Cordilheira dos Andes. Voce inicia a saida contornando o lago Nahuel Huapi pela RN 40 em direçao a Vila La Angustura e prossegue reto pela RN 237 sentido a cidade de Neuquén, após alguns quilometros voce vai contornando o Embalse Alicura do rio Limay, que é um dos maiores diques da Argentina: (La represa de Alicurá, está equipada con cuatro turbinas Francis de eje vertical con una potencia instalada unitaria de 262,5 MW lo que totaliza 1.050 MW. Se ubica en la estepa patagónica, sobre el cauce del río Limay, 130 km al norte de la ciudad de Bariloche, El embalse se usa primariamente para generar hidroelectricidad. El reservorio se emplea para la cría de salmones y de truchas de río. Alicurá almacena de una cuenca hidrográfica de 67,5 km², su prof. media es de 48 m (máximo 110 m) y 327.000 hm³, fonte: wikipédia), ou seja, é enorme e excelente cenário com a Cordilheira ao fundo, se tiver tempo lá vai mais um album de fotos, kkk. Após percorrer 450 km por 5 hs chegamos a cidade de Neuquen, cidade enorme, transito intenso, e tava difícil de fazer uma pausa para o rango, pois os postos ficam nas vias marginais da Ruta 22, que estavam mais intensas ainda, como dia seria longo, continuamos, voce tem duas opções, continuar pela ruta 22, ou seguir a esquerda pela RN 151, foi o que fizemos para pegar menos transito, mas não tem jeito, também com muito movimento, e fomos conseguir parar no YPF na cidade de Veintecinco de Mayo as 15:01 hs, abastecemos, e fomos nas tradionais Hamburguesas, porém, só atende até 15hs, kkk, vamos lembrar disso na próxima viagem, kkk. Enchemos o estomago de ...agua e vamos em frente percorrer, agora pela RN 20, mais 300 km até a cidade de General Acha, ponto de apoio perfeito, cidade pequena mas com vários hotéis BBB e varias opçoes de restaurantes, ou seja, voce não perde tempo procurando e enfrentando transito desconhecido, decisão super acertada, pois a idéia inical era pernoitar na cidade de Santa Rosa, porém teriamos mais 110 km e a cidade é grande. DIA 20 Devidamente descansados, abastecidos e alimentados, continuamos pela RN 152 após a esquerda pela RN 35 até a cidade de Santa Rosa, grande, movimentada, e segue a direita pela RN 5 sentido Buenos Aires, até a cidade Trenque Lauquen, abastecemos, e novamente duas opções, continuar pela RN 5, ou seguir a esquerda pela RN 33, a qual definimos em função de possiveis ponto de apoio, e nossa meta neste dia era a grande cidade de Rosário. A estrada vai beirando grandes plantações de Arroz, ou seja agua dos dois lados da pista, então em temporadas de chuvas, deve ter alagamento em alguns trechos, tem que ficar esperto. O trecho até Rosário tem 750 km pelo pampa Argentino, com um mix de estâncias de Arroz, Trigo, cidades pequenas e médias, muito transito de caminhoes, pista simples, motorista Argentino andando a 130 km/h, o dia vai passando, e finalmente e anoitecendo a cidade de Rosário, agora sim, cidade Top, enorme, transito intenso, mas a cidade é planejada e voce se acha bem, lá pelas 20 hs estavamos em nosso hotel, em seguida no resturante alí perto. Rosário é uma cidade universitária, polo da região, e o pouco que conhecemos, se tiver disponibilidade, vale a pena conhecer bem, fica a beira do enorme Rio Paraná, temperatura quente, bem vinda após os frios intensos da Patagonia. DIA 21 Esse era o dia de fazer o trecho pela temível província de Entre Rios, assim utilizamos uma engenharia de rota para amenizar possíveis surpresas. Então cruzamos o rio Paraná pela majestosa ponte com vistas incriveis, pela RN 174 passamos por Victoria até Nagoya, após a direita utilizamos a RN 12 até Governador Solá, viramos a esquerda pela RN 6 até Paso de La Laguna, a direita pela RN 18 até Calabacilas na autoestrada RN 14. Uma boa rota, somente uma vez a polícia parou, pediu documentos, mas agora o espanhol já é mais enrolado, tinha pedido uma tal de caderneta, mas a que eu conheço e somente da Poupança da Caixa, kkk, aí resmungou não sei o que e foi parar outro carro deixando falar sozinho, então também vamos embora, depois que fui saber que a tal de caderneta é a Identidade ou passaporte, que é apresentada junto com a habilitação, mas como nóis é brasileiro, o queko, fica para a próxima, kkk. De CAbacitas até Paso de Los LIbres é praticamente uma reta sentido Norte, estrada excelente, que funciona assim, velocidade permitida até 130 km/h e de 80 km/h nos retornos e entrada de cidades, com radar funcionando nuns furgões descaracterizados, ou seja, ficar ligado, pois existem muitos retornos e cidadezinhas pequenas, muitos postos de policia, porém só estavam parando no sentido para Buenos Aires, em nosso sentido não vimos nada, perfeito. Após 610 km chegamos ao anoitecer em Paso de Los Libres onde aproveitamos fara fazer as compras de estoque de Alfajor, paramos na fronteira para fazer a saida da imigração Na Argentina, cruzamos a ponte sobre o rio Uruguay e estamos finalmente em solo brasileiro em Uruguaiana, onde pernoitamos. DIA 22 Agora em ritmo brasileiro, bora retornar para casa, aqui voce tem a opção mais longa de ir pela BR 290 até Porto Alegre e pegar BR 101 pista dupla e plana até a fronteira com o Paraná e subir a serra e seguir até curitiba, ou ir pela BR 285 até Passo Fundo e BR 153 até União da vitória no Paraná, foi o que fizemos, porém até São Borja a estrada está ruim, leva-se um bom tempo, paramos para almoço na terra de Getulio Vargas em São Borja, e também depois para conhecer as ruínas de São Miguel das Missões (somente interessante), e nessa brincadeira acabamos demorando mais tempo do que o previsto, que ao chegar em Erechim decidimos pernoitar para evitar rodar de noite e pegar chuva até Curitiba e assim faríamos com tranquilidade no dia seguinte. CONCLUSÃO Uma enorme experiência para o curriculum, tres países, tivemos a liberdade de conhecer muita coisa sem depender de pacotes engessados, conhecer muitas pessoas, cidades, lugares inesquecíveis, outras formas de viver e conviver, enfim, com um bom planejamento, disponibilidade de tempo e grana, o resultado é Excelente, e bora preparar a próxima, rss.
  19. Gostaria de deixar o meu primeiro relato com a certeza de que ainda viram muitos outro! Como nos concentramos apenas em Ushuaia, por questão de logística, pois não tinha voos diretos de Ushuaia para Calafate nesse período específico, decidi deixar meu relato do ponto de vista de alguém que tentou aproveitar ao máximo o que Ushuaia tem a oferecer. Poderia ter economizado muito mais do que o fiz, mas como a maioria das viagens de ultima hora, paguei um preço a mais. O fato de ter ido em baixa temporada, amenizou um pouco a situação. Minha viagem foi no começo de maio/2019 e durou uma semana. Comprei pacote aéreo (aerolíneas) + hotel pela decolar. O voo saia de São Paulo para Ushuaia com escala de 6h em Buenos Aires e com troca de aeroporto, pois voos internos são operados no Aeroparque. A aerolíneas disponibiliza transfer gratuito, é só entrar no site deles ir em: serviço ao cliente -> serviço de transfer -> preencher seu sobrenome, o código de reserva e e-mail, dai você recebe os vouchers por e-mail tanto o de ida quanto já o da volta em QR code, é só apresentar na hora de pegar o transfer. No site tem os horários que, se não me engano, é a cada hora, o transfer é operado pela empresa Manuel Tienda León. Os passeios que cotei ainda estando no Brasil estavam muito caros e decidimos olhar os preços quando chegamos lá, uma vez que, sendo baixa temporada, não teríamos o risco de ficar sem vaga. Negociando diretamente com a agência, o preço é totalmente diferente, muito mais barato, fechamos todos os passeios com a Brasileiros em Ushuaia que montou um roteiro de passeios de acordo com nossa disponibilidade. Com exceção da Expedição Off Road 4x4 + caiaque (que é opcional, mas vale a pena), dos outros passeios que fiz, não era realmente necessário fazer por agência. Lembrando que, certos passeios, são feitos em determinada época do ano e outro são feito o ano todo. 1. Letreiro 1º Dia - Chagamos as 8h e pegamos o transfer, que já estava incluso, até o hotel, ficamos no Hostal de Bosque, nos instalamos e fomos ver os passeios, fechamos tudo já no primeiro dia, mas lembrando que durante a viagem foi possível rever a ordem dos passeios para a que melhor nos atendesse. Devido ao cansaço, ficamos pela cidade conhecendo alguns ponto turísticos com o letreiro, a avenida San Martín que é a principal e é onde fica tudo e aproveitamos para visitar o museu marítimo e presídio. Para fazer a visita no Museu, é preciso pagar a entrada, estando la dentro pudemos explorar as galerias onde tinha as exposições e mais a frete o presídio, seus anexo e as selas. Cada sela conta um pouco da história do lugar com fatos, representações dos presidiários que passaram lá. Dentre os anexo, há um que esta preservado como foi deixo a anos e a sensação de entrar lá é surreal, vale muito a pena a visita. A noite fomos relaxar no pub Dublin que é sempre cheio de gente e um dos melhores bem estilo Irlandês. 2. Placa Ushuaia FIn del Mundo 3. Museo Maritimo y del Presidio de Ushuaia 2º Dia - Trem do Fim do mundo + Parque Nacional Terra del Fuego - Da pra pegar um táxi e ir para a plataforma do trem, comprar o ticket e fazer o passeio tudo por conta, depois para o parque precisa outra condução. O trem em si é bem simples mesmo, mas o que vale a pena é a paisagem pelo caminho, realmente parece que se esta dentro de um filme. O trem faz uma parada e é possível descer tirar fotos e explorar um pedacinho do lugar. Na entrada ganhamos um fone de ouvido e durante todo o trajeto, é possível escutar sobre a história dele, em vários idiomas. No parque nacional, vemos alguns lagos, entramos na floresta e caminhamos até um café que tem um pouco mais acima onde a vista é incrível e é possível degustar um chocolate quente maravilhoso. Nesse mesmo passeio, foi ao correio do fim do mundo, tem que dar sorte de ele estar aberto, pois os horários de funcionamento são meio bagunçados. Demos sorte de achar aberto e pudemos carimbar o passaporte com o selo de lá, o lugar é em interessante, vende cartão postal e funciona como um correio normal. 4. Passeio no trem do fim do mundo 5. Parque Nacional Terra do Fogo 6. Correio do Fim do Mundo 3º Dia - Glaciar Martial + Bar de gelo - Para o glaciar é só pedir um táxi até a casa de chá que fica no pé do glaciar e de lá da pra subir tranquilo. Como era outono, a pista de esqui na estava aberta, por isso dava para subir o glaciar por ela. A caminhada até a parte de cima não é pesada e é tranquila de fazer e mais uma vez a vista surpreende em cada cantinho daquele lugar. O bar de gelo é tipo uma câmara fria a -20ºC que server bebida durante 20 min, não achei muita graça, da pra passar sem, mas como fazia parte da experiência, la fomos nós. 7. Glaciar Martial 8. Bar de Gelo 4º Dia - Trekking Laguna Esmeralda - Para mim que nunca tinha feito trekking foi muito bom ter ido com a agência, mas pra quem já é acostumado, é o mesmo esquema, táxi ate a entrada e de la segue até a laguna. Esta sinalizado e sempre tem gente por conta fazendo o trajeto. É uma caminhada de 4h ida e volta, passamos perto de represa de castores, dentro do bosque, lugares com lama, riachos, até chegar na laguna é um pouco cansativo então é bom reservar um dia para esse passeio. 9. Laguna Esmeralda 5º Dia - Navegação Canal Beagle - No porto tem as empresas que vendem o ticket para a navegação, que se não me engano é de manhã e a tarde. Também tem que pagar uma taxa no porto na hora do embarque, não me lembro o valor mas não é nada absurdo. Vimos o O Farol Les Eclaireurs, conhecido com o farol do fim do mundo e ilhas com leões marinhos e aves, não era época dos pingues, então de 10. Farol Les Eclaireurs (Farol do Fim do Mundo) 11. Colonia de Aves no Canal Beagle 6º Dia - Expedição Off Road 4x4 + caiaque sunset - É uma passeio noturno, vale muito a pena, o caiaque como já disse, é opcional, mas é muito legal o passeio e vale a pena também. De dois em dois, entramos no caiaque e remamos no lago escondido seguindo o guia, o fundo do lago é cristalino e incrível, ficamos até o pôr do sol admirando a vista. Depois voltamos a rota adentrando a uma floresta já a noite e paramos perto do lago fagnano. O passeio termina com um churrasco numa clareira no meio do floresta, com direito a fogueira e marshmallow. É uma ótima maneira de fechar a viagem com chave de ouro. 12. Lago Escondido 13. Caiaque sunset, Lago Escondido 14. Lago Fagnano 15. Churrasco e Marshmallows 7º Dia - Foi o ultimo dia então tiramos para comprar algumas lembrancinhas, como tinha nevado nas montanhas, pegamos um táxi e voltamos ao glaciar para ver como estava e era outra paisagem tudo branquinho de neve. 8º Dia - Pegamos o transfer as 07h e fomos para o aeroporto pegar o voo de volta. Qualquer dúvida, estou as disposição! O Post ainda precisa ser melhorado, qualquer sugestão é bem vinda! 😃
  20. Tô passando pra avisar que mês que vem "fevereiro" vou fazer uma trip épica rumo ao Uruguai bem "mão de vaca" pegando caronas, barraca e etc .. Já te adianto que vai ser tri legal Fico pilhado? Ta afim de ir? van bora!!
  21. Patagônia - El Calafate, El Chaltén, Puerto Natales, Punta Arenas, Ushuaia - Fevereiro/2019 - 20 dias Planejamento para viagem Meu planejamento para a Patagônia aconteceu com uma antecedência de uns 6 meses, quando achei promoção de passagem pela Aerolíneas Argentinas. Comprei a chegada por El Calafate e a saída por Ushuaia, mas eu penso que o melhor itinerário para conhecer a região seja fazer o inverso, terminando por El Calafate. Acho interessante a viagem ir surpreendendo a gente cada vez mais de forma crescente, para a gente se encantar por cada lugar, sem achar que é mais do mesmo ou que o anterior tenha sido melhor. As hospedagens eu reservei pelo Booking, mas antes eu comparei com o Airbnb, mas não estavam assim tão vantajosos para compensar ficar em casa dos outros, tendo o trabalho de ter que combinar a chegada. De qualquer forma, achei essa parte de gastos um pouco alta, com diárias um pouco acima da média. E além disso, os lugares com melhor localização ou avaliação já não tinham mais vagas. Penso que a reserva para a região tenha que ser feita com maior antecedência. A melhor forma de se vestir na Patagônia, pelo menos para o período que fui, é usando umas 3 camadas. A primeira camada, com uma camiseta dry fit, porque ela absorve o suor e não fica encharcada, não deixando esfriar ainda mais em contato com a pele. A segunda camada, com uma blusa térmica (a minha preferida é um modelo que não seja tão aderente ao corpo, como a marca Wed’ze que encontrei na Decathlon). A terceira camada, um casaco que proteja por dentro e com material impermeável por fora, de preferência com capuz e que não seja tão volumoso, porque a gente tira em vários momentos e incomoda carregar na mão. Na parte de baixo, eu usava só a calça térmica primeiro e uma outra calça por cima. Não usei calça jeans nos passeios, levei essas com bolsos dos lados (achei uma que gostei demais numa loja de produtos para pesca). Levei também um par de luvas de couro fino, sem ser volumosas, gorro, cachecol, bota tipo tênis para trilha. Em alguns momentos eu pensei em comprar uma proteção para o rosto, estilo balaclava, mas eu fui adiando e depois já não compensava mais no final, mas eu tive muitas oportunidades para usar nos diversos passeios com vento gelado. Como eu faria conexão em Buenos Aires, a maior parte do dinheiro que levei foi o nosso real, para comprar pesos argentinos no banco do aeroporto. Algumas cédulas de reais que estavam com algum risco de caneta ou um leve rasgadinho eles não aceitaram e me devolveram. Eu também levei alguns dólares por precaução, para outros gastos que fossem necessários, que eu só usei para pagar algumas hospedagens (muitas cobravam 5% a mais se fosse pagar no cartão) e também para trocar por alguns pesos chilenos quando mudei de país. Para os passeios, é bom ter uma mochila para carregar lanche e água, além de ter as mãos livres quando a gente precisa se apoiar sempre durante as trilhas cotidianas. Óculos escuros também são essenciais para proteção do reflexo da neve. Quanto aos bastões para trilha, eu particularmente não tinha e não achei assim tão essenciais, mas muita gente que usa gosta, já que eles apoiam em caminhadas mais difíceis, além de diminuir um pouco o esforço dos joelhos. Na primeira cidade que cheguei, uma providência que tomei no primeiro dia foi comprar um chip para celular. Fiz um plano pré-pago para 20 dias na Claro, com 3gb por cerca de 30 reais. No entanto, não usei na viagem toda porque em El Chaltén não havia sinal (disseram que a Movistar poderia funcionar lá) e no Chile teria que pagar roaming. Para diminuir a quantidade de dinheiro que eu levaria, preferi reservar e pagar antecipadamente a maioria dos passeios que faria. Para um ou outro passeio, eu vi recomendação que era bom deixar reservado, podendo haver maior procura durante a alta temporada, correndo o risco de não ter vaga se comprado na véspera. Mas eu vi gente comprando lá mesmo, daí não sei se essa recomendação faz muito sentido. El Calafate Minitrekking Perito Moreno No primeiro dia, eu já havia deixado comprado o passeio do minitrekking ao Perito Moreno diretamente no site da Hielo & Aventura. Pelo que fiquei sabendo, somente esta empresa está autorizada a fazer o trekking no gelo. Quando outras empresas comercializam esse passeio, na verdade elas estão intermediando a venda, que terá a Hielo & Aventura como prestadora de serviços. Portanto, é bom comparar os preços para ver o melhor. No dia do passeio, a van da empresa passou no hotel no horário combinado e passou em alguns outros hotéis para pegar mais alguns turistas. Um tempinho depois, a van foi substituída por um ônibus com maior capacidade de pessoas e assim partimos para o Parque Nacional de Los Glaciares. Um funcionário do Parque entra no ônibus e faz a cobrança da taxa de visitação de todos os visitantes. Caso vá fazer outro passeio dentro do Parque outro dia, é concedido desconto, ficando mais barato comprar, por exemplo, para dois dias na mesma compra do que comprar separadamente a cada dia que for visitar. No dia em que fui no passeio, o grupo fez primeiramente o trekking na geleira e só depois que explorou as passarelas. No entanto, vi outras pessoas que fizeram o inverso, começando pelas passarelas e finalizando pelo trekking. Não sei dizer se é devido às condições climáticas, coisa que pode favorecer uma mudança na ordem das coisas, mas se trata do mesmo passeio e se vê a mesma coisa. Dentro do Parque, o ônibus estacionou e os turistas puderam usar o banheiro antes de pegar o barco para ir ao encontro do Perito Moreno. Enquanto o barco avança, a geleira vai se descortinando à frente e todo mundo quer ir para fora para fotografar de todos os ângulos porque realmente é lindo e não é todo dia que a gente vê esse cenário. Mas o vento gelado do lado de fora realmente é bem intenso. Chegando na outra margem, há uma edificação de madeira, com banheiro e área para se sentar, onde também podemos deixar nossos pertences enquanto dura a caminhada sobre o gelo. Depois de atravessar umas passarelas meio rústicas e andar um pouco nas margens do Lago Argentino, chegamos no lugar onde são colocados os crampones sob nosso calçado e começamos a caminhada na geleira, com algumas instruções do guia sobre a melhor forma de pisar. O circuito que fazemos no minitrekking não é difícil, não é cansativo, levando entre 1h30 e 2h. Todos andam em um ritmo parecido, em fila, com todos praticamente pisando um no rastro do outro. É necessário que todos usem luvas (de qualquer tipo serve) porque, se alguém escorrega e bate a mão no gelo, pode se cortar. Mais uma vez, a gente quer tirar foto de tudo quanto é jeito e a experiência é incrível. Ao final da trilha, os guias oferecem bombom e preparam uma bebida com gelo do glaciar para brindar àquele momento. Após retirar os crampones, retornamos ao local onde deixamos os pertences e ficamos um tempo livres para explorar o lugar e fazer um lanche. É importante frisar que na margem onde se encontra a geleira não são vendidos alimentos e o barco demora um pouco para retornar para o outro lado. Eu havia deixado guardado na geladeira da pousada desde o dia anterior um sanduíche para levar, além de bastante água. É bom levar também outras coisas para petiscar ao longo do dia, tipo barra de cereais, frutas ou biscoitos. No meio da tarde, o barco nos levou de volta para a outra margem para a continuação do passeio. Pegamos o mesmo ônibus do início e rumamos em direção às passarelas de contemplação do Perito Moreno. As passarelas são extensas e há bastante para andar por elas, num sobe e desce de escadas para tirar fotos em vários ângulos. Para quem já caminhou pelas passarelas das Cataratas do Iguaçu, vai ver certa semelhança. Nesses pontos também presenciamos momentos em que pedaços da geleira despencam na água, gerando um espetáculo bem estrondoso. Próximo das passarelas, existe estrutura com banheiro e venda de comida e bebida, mas o monopólio deixa sempre os preços um pouco salgados. No final, todos se reúnem no local e horário estipulados previamente e são levados aos respectivos hotéis ou ficam no centro, como preferirem. Navegação Rios de Gelo Para o segundo dia, eu havia comprado previamente o passeio pela empresa Patagónia Chic. A van passou na pousada e rumamos para o porto para fazer a navegação Rios de Gelo. Recomendo gravar bem a van e o motorista, porque quando a gente volta é uma confusão de vans que fica difícil saber qual é a nossa. Como eu já tinha a entrada do Parque Nacional, comprada no dia anterior para dois dias, não precisei pegar a fila para pagar e já fui direto para a embarcação. Pelo frio e chuva que estava lá fora, achei o interior do catamarã bem aconchegante, e no começo achei até meio monótono. Como é um passeio bem confortável, em que a gente não precisa andar ou se esforçar, achei bem numerosa a quantidade de pessoas idosas. Em alguns momentos, eu me senti numa espécie de cruzeiro da terceira idade, com velhinhos cochilando, enquanto a guia falava num ritmo que embalava feito canção de ninar. Um tempo depois de navegação, a gente começa a passar por icebergs e se aproxima de montanhas nevadas que deixam qualquer um extasiado. Já não havia mais chuva e muita gente já se arriscava a sair do conforto para tirar umas fotos do lado de fora. Como a embarcação diminui a velocidade em vários momentos, apesar do frio no exterior, dá para sair em alguns momentos e gastar espaço no cartão de memória. A navegação também se aproxima das grandes geleiras Upsala e Spegazzini, além de ir contando aspectos sobre a região, deixando o passeio bem informativo. É incrível a dimensão que essas geleiras alcançam e o espetáculo visual que produzem. A todo momento todos querem fotografar e tem hora que fica difícil achar um espaço sem ninguém para gente também levar recordações desse passeio incrível. O catamarã tem serviço de comida e bebida, mas muita gente leva o seu próprio lanche. Como é um passeio que dura a manhã toda e um pedaço da tarde, é bom estar preparado para isso. Glaciarium, Glaciobar, Laguna Nimez Saindo do estacionamento da Secretaria de Turismo Provincial, no Centro da cidade, há vans gratuitas de ida e volta ao Glaciarium com regularidade a cada meia hora a partir das 11h. Como a quantidade de assentos na van é limitada, é bom chegar um pouco antes para conseguir sentar, senão terá que esperar o próximo horário (aconteceu isso com os últimos da fila quando fui). O acesso é rápido e a visão do Lago Argentino pelo caminho é linda. O Glaciarium é um centro de interpretação com exposição de painéis, vídeos e outros recursos sobre as geleiras, com um arsenal de informações sobre o clima daquela região. De modo geral, a maioria das informações sobre o clima e as geleiras está distribuída em painéis e infográficos em espanhol e em inglês ao longo das paredes do lugar. Como vi muita gente falando bem das exposições, eu até achei que fosse gostar mais, mas a verdade é que achei meio monótono e de interesse para quem deseja conhecer de maneira mais a fundo do assunto. Como em alguns passeios a gente acaba ouvindo dos guias algumas informações sobre as geleiras, a ida ao Glaciarium acaba sendo repetitiva e, ouso dizer, até dispensável para quem não tem muito tempo na cidade. O Glaciobar fica no mesmo prédio do Glaciarium, com acesso na portaria do lado por uma pequena escada que leva ao subterrâneo. O ambiente é praticamente todo em gelo internamente, inclusive os copos em que as bebidas são servidas. A temperatura é perto de -10°C e na entrada são oferecidas roupas e luvas térmicas para suportar o frio intenso. O ingresso dá direito a consumir as bebidas disponíveis no local por 25 minutos. É uma experiência curiosa e talvez seja interessante só para fotos, mais do que pelas bebidas, já que eu procurei algumas vezes pelo garçom para repor a bebida e ele estava cuidando de outras coisas, demorando um pouco a reaparecer. Na volta da van do Glaciarium, fui a pé até a Laguna Nimez, que está próxima da região central. Trata-se de uma reserva natural, onde há uma trilha curta para percorrer ao redor da pequena lagoa. Lá se avistam pequenas aves e vegetação típica, com algumas placas informativas pelo caminho. Basicamente é isso e não achei interessante, já que nos outros passeios vi as mesmas coisas, mas em dimensões maiores. Para quem curte mais a contemplação de patos e algumas outras aves, talvez o passeio possa ser melhor proveitoso. El Chaltén Chegada na cidade Peguei o ônibus às 8h da manhã em El Calafate e cheguei a El Chaltén às 11h. Como eu havia feito a compra com antecedência pela internet no site da empresa Chaltén Travel (plim-plim! olha o merchandise), pude escolher a primeira poltrona na parte superior, de onde se tem uma bela e ampla visão. E o cenário quando está perto de chegar na cidade é mesmo de encher os olhos, já que El Chaltén fica cercada por montanhas nevadas. Já na entrada da cidade, antes do ônibus chegar no terminal, ele passa pelo Centro de Visitantes e todos descem para ouvir as instruções sobre as trilhas e a segurança dos visitantes. São separados dois grupos, cada um para um idioma (espanhol ou inglês), pega-se um mapa das trilhas ao final e daí todos estão liberados para voltar ao ônibus para finalmente chegar no terminal. El Chaltén é uma cidade pequena, onde se faz praticamente tudo a pé, então chegar nas hospedagens é rápido. Além disso, as trilhas são muito bem sinalizadas e não dependem de auxílio de guia, podendo qualquer pessoa fazê-las de forma independente. Como eu tinha uma tarde livre pela frente, resolvi fazer duas trilhas curtas, cujo ponto de partida é o Centro de Visitantes, na entrada da cidade. A caminhada mais curta é para o Mirador de los Cóndores, com 1 quilômetro para ser percorrido em cerca de 45 minutos (ida + volta = 2km, 1h30). O início da trilha é plano e fácil, mas depois vira uma subida em uma pequena montanha, que faz a gente se cansar um tantinho. No final, a gente é brindado com uma visão panorâmica da cidade, dos rios que passam por ela e das montanhas ao redor. Como no meio do caminho para o Mirador de los Cóndores havia uma bifurcação com uma placa indicativa para outra trilha, cheguei até esse ponto e daí parti para o Mirador de las Águilas. É uma trilha de 2 quilômetros a serem percorridos em cerca de 1 hora (ida + volta = 4km, 2h). Como sempre, a gente se cansa mais na última parte, subindo um pequeno morro. Lá de cima, a gente tem a visão dos montes mais famosos vizinhos da cidade, Cerro Torre e Fitz Roy, um pouco envolvidos nas nuvens, mas uma vista linda. Laguna Torre/Cerro Torre Para o segundo dia, minha intenção era pegar a van para a Hostería El Pilar e, a partir dali, fazer a trilha para a Laguna de los Tres, na base do Cerro Fitz Roy. Como não havia mais vaga na van, deixei comprado o bilhete para fazer essa trilha no dia seguinte. Então mudei os planos e parti para a trilha rumo à Laguna Torre, aos pés do Cerro Torre. São cerca de 9 quilômetros a serem percorridos em cerca de 3 horas (ida + volta = 18km, 6h). Munido de sanduíche, alguns bilisquetes e água na mochila, parti para o início da trilha no final da Av. Antonio Rojo, lado oposto à entrada da cidade. Depois de subir uma escadaria bem acessível, precisamos vencer uma subida bem íngreme num pequeno monte, de onde se inicia a sinalização para a Laguna Torre. Ao longo do caminho, vi mais turistas europeus do que latinos e muita gente simpática que sempre se cumprimenta quando se cruza. Perto do início da trilha, já precisamos dar a volta em algumas montanhas, passando por um caminho próximo ao despenhadeiro, onde vemos rios correndo lá embaixo. Os momentos mais difíceis são quando as subidas são insistentes, somadas com grande irregularidade do terreno, de forma que precisamos achar a pisada que nos impulsione cada vez mais para cima. Como em vários pontos das trilhas há riachos com água potável, é fácil repor a água que levamos. Quanto a banheiro, só em dois momentos: no Mirador del Torre e quando passamos pelo acampamento D’Agostini, que fica já bem próximo à Laguna Torre. O banheiro nada mais é que uma cabine fechada com um buraco no chão, bem nojentinho mesmo. Uns poucos minutinhos depois do acampamento, a gente já se depara com a Laguna Torre à nossa frente, emoldurada pela geleira que desce até a base das montanhas que a margeiam. Dentro da pequena lagoa, alguns blocos de gelo de vários tamanhos conferem uma maior beleza ao cenário. Ao redor da lagoa, pelo lado direito, a trilha sobre o monte leva ao Mirador Maestri, com mais 2 quilômetros a serem feitos em cerca de 1 hora. É uma caminhada puxada, com subida e bastante pedra de todo tamanho pelo caminho e a gente sua no frio para fazer. A vista nesse ponto é do fundo da lagoa, onde a gente consegue ter uma visão mais ampla da geleira tocando a água. Laguna de los Tres/Cerro Fitz Roy Com o transporte para a Hostería El Pilar já comprado, a van me pegou na pousada cerca de 8h da manhã e mais alguns turistas em outras hospedagens. Eram quase 9h quando desembarcamos no início da trilha, de onde começamos a caminhada rumo à Laguna de los Tres, aos pés do Cerro Fitz Roy, maior montanha de El Chaltén, um grande paredão de granito com inclinação vertical que desafia muitos escaladores. A trilha tradicional de El Chaltén até a Laguna de los Tres é de 10 quilômetros, com tempo estimado de 4 horas (ida + volta = 20km, 8h), sendo levemente abreviada quando partimos da Hostería El Pilar. Além disso, indo por um lugar e voltando pelo outro, o caminho proporciona duas visões diferentes para o passeio. Há mirantes distintos para o Fitz Roy em ambos os caminhos, então certamente haverá também lembranças fotográficas em maior quantidade de ângulos. Ambos os caminhos possuem subidas cansativas em alguns trechos que fazem a gente suar mesmo no frio. O ponto onde as duas trilhas se encontram é no acampamento Poincenot. Logo após o acampamento, identificamos uma placa no pé de uma subida, informando que a partir dali está o último quilômetro para a trilha em um nível difícil, com tempo estimado em 1 hora. À medida que caminhamos, a subida vai exigindo cada vez mais esforço, com degraus, pedras, inclinações variadas, neve, gelo, pequenos arbustos, água derretida da neve, enfim, precisamos tomar fôlego em vários momentos para continuar. Quando olhamos para trás, vemos que a inclinação do morro é bem íngreme, que dá certo medo. Mas ao mesmo tempo, a visão ao redor é linda e bem fotogênica, com toda a vegetação coberta por neve, cercada por montanhas também nevadas ali do lado. Depois de muito esforço e várias paradas, suando um tanto, a chegada ao topo proporciona uma das visões mais lindas que vi na viagem. Se eu fosse escolher apenas uma trilha para fazer, de todas as que fiz, essa é a que eu escolheria como preferida. A Laguna de los Tres tem uma cor linda e estava toda cercada pela neve. Do Mirador Maestri, que é o ponto onde chegamos após a cansativíssima subida, avistamos neve em todo o nosso redor. Adicionalmente, de todas as visões que tive do Fitz Roy dos diversos lugares na cidade, este foi onde consegui enxergá-lo inteiramente, sem o manto de neblina encobrindo parte dele. Após um tempo de deslumbramento, a descida do morro cansa um pouco, mas agora é mais rápido e a gente já sabe o que esperar no fim da caminhada de volta. Em certo ponto no caminho para El Chaltén, haverá uma bifurcação onde a gente pode escolher ir pelo mirador ou pela Laguna Capri. Escolhi a Laguna e achei linda a cor esmeralda de suas águas contrastando com o branco da neve das montanhas ao redor. Bem próximo da Laguna, está o acampamento Capri, onde também existe banheiro. Como não há ônibus saindo direto de El Chaltén para Puerto Natales, no dia seguinte voltei para El Calafate para ficar mais um dia na cidade e pegar o ônibus que saía para o meu próximo destino. Foi um dia perdido, que não quis fazer muito esforço, então me hospedei do lado do terminal para não ter muito trabalho. Puerto Natales Chegada na cidade Com passagem já comprada pela internet com antecedência na empresa Cootra, peguei o ônibus em El Calafate às 7h30 da manhã. Como a viagem atravessa a fronteira da Argentina para entrar no Chile, é necessário apresentar passaporte no guichê da empresa no terminal. A chegada em Puerto Natales estava prevista para às 13h, então levei também alguns belisquetes para não morrer de fome. Na fronteira do lado argentino, todos descem do ônibus para carimbar a saída do país na imigração. Como tem fila e nem todos cabem dentro do pequeno espaço de atendimento, a fila do lado de fora vai sofrendo com o vento gelado até terminar o processo. Com todos de volta ao ônibus, rapidamente chegamos no território chileno, em que todos descem novamente para carimbar o passaporte, mas desta vez a bagagem também é inspecionada. Após o atendimento no guichê, passamos malas e mochilas no raio-x e, se houver produtos in-natura de origem animal ou vegetal, não é autorizado levar. As pessoas têm que jogar fora inclusive frutas, mesmo que seja uma unidade para consumo imediato. Com todos devidamente autorizados, chegamos ao terminal de Puerto Natales no início da tarde. Após me instalar na pousada, saí com uns dólares em mão para trocar por pesos chilenos em alguma casa de câmbio no centro. Um fato que achei curioso na cidade foi que muitos estabelecimentos comerciais fecham para o almoço e só abrem às 15h, como foi o caso das casas de câmbio que me indicaram na hospedagem. E as refeições na cidade eu achei bastante caras, de modo que eu revezava entre pratos e comidas rápidas para ficar dentro do orçamento. Puerto Natales é uma cidade pequena, com um centro cujo ponto de referência é uma praça principal, a Plaza de Armas, e nos seus arredores estão algumas pequenas atrações turísticas, como a catedral, o museu histórico, a região portuária, uma ou outra escultura em pequenas praças ao longo da costa, o mercado de artesanato, que achei minúsculo e com muita pouca opção de produtos. É uma cidade tranquila, basta essa parte da tarde para conhecê-la, não mais que isso. Na verdade, o que me levou até ali foi ter a cidade como base para conhecer o Parque Nacional Torres del Paine, onde estão as famosas montanhas de mesmo nome. Full day Torres del Paine Para o primeiro dia, eu havia reservado pela internet com a empresa Patagonia Adventure o passeio Full day Torres del Paine. A van passou na pousada às 7h30 da manhã, pegou mais alguns turistas e iniciou o passeio com visita ao Monumento Natural Cueva del Milodón. Trata-se de uma grande caverna onde foram encontrados vestígios de um animal pré-histórico de cerca de 3 metros de altura, semelhante a uma preguiça gigante. É um passeio curto, onde recebemos informações sobre a fauna extinta da região, além de entrar na caverna e ver a estátua que reproduz o milodón. Logo após, a van ruma para o parque nacional, onde pagamos entrada e iniciamos a exploração aos principais atrativos naturais. Tivemos a sorte de encontrar um grupo de guanacos (parentes da lhama) e avestruzes na beira da estrada. O passeio passa por alguns mirantes com rios e lagoas emoldurados por belíssimas montanhas nevadas, faz uma parada numa área com mais estrutura, próximo ao Lago Grey, onde há restaurante, em que podemos comprar alimentos e bebidas, claro que um pouco mais caros do que na cidade, então muita gente leva o seu sanduíche. Nessa área do Lago Grey, ficamos livres durante um tempo para ir até a praia de areia grossa ou cascalho, passando por uma ponte de madeira e cordas, que balança um pouco, mas é bem segura e resistente, e podemos avistar o Glaciar Grey um pouco ao longe. Apesar de no dia eu não ter visto, podem aparecer blocos de gelo flutuando na água. Durante essa caminhada na praia de cascalhos, em vários momentos o vento era tão forte que muitas pessoas precisavam firmar os pés no chão para não ser derrubadas. As montanhas principais, que são as torres, com os três “cornos” verticais, a gente vê a uma certa distância, a partir de diversos pontos e mirantes, que eu achei melhor fazer um passeio no dia seguinte para complementar a visão mais de perto, com uma trilha exaustiva de um dia. Trekking mirador base das Torres del Paine No segundo dia na cidade, eu havia reservado com a mesma empresa do dia anterior (Patagonia Adventure) o tour guiado até a base das Torres del Paine. É um passeio de dia inteiro e com muita exigência de vigor para seguir o ritmo dos dois guias que lideram o grupo. Como não há lugar para comprar comida ou bebida pelo caminho, já deixei comprado meu sanduíche desde o dia anterior e guardei na geladeira da hospedagem. Água é bom levar bastante também, além de lanchinhos para aguentar o dia inteiro quase sem parar. Achei ótimo levar frutas secas e castanhas que encontrei no centro da cidade. A van passou na pousada às 6h30, pegou outros passageiros e rumou para o Parque Nacional. O ingresso que pagamos no dia anterior vale para esse dia também, mas é necessário colocar nome e número de documento quando fazemos a compra no primeiro dia, além de solicitar o carimbo na recepção do parque. Algumas pessoas que esqueceram de pegar o carimbo no dia anterior conseguiram mostrar que estiveram lá no dia mostrando fotos, mas é bom não correr o risco de se prejudicar tendo que pagar duas vezes. A van para no estacionamento do parque, onde há banheiros, e os guias oferecem bastões de trekking para quem quiser usar e daí iniciamos a caminhada de cerca de 11 quilômetros (ida + volta = 22km). Para não correr o risco de demorar demais a ir e voltar, eles impõem um ritmo moderado à trilha, indo um na frente e outro atrás do grupo. Em pouco tempo já estamos subindo ladeiras cansativas e praticamente sem parar durante um longo tempo. Ao longo do caminho, paramos no acampamento El Chileno, onde é possível usar o banheiro mediante pagamento (1 dólar/500 pesos chilenos). A caminhada tem momentos de terreno plano, ficando mais fácil seguir o mesmo ritmo da maioria, mas tem também momentos que a subida vai diminuindo nosso ritmo e a gente precisa recuperar o fôlego muitas vezes. A última parte da trilha é mais pesada, onde a gente vai serpenteando montanha acima, passando por muitas pedras de diversas alturas, servindo de degraus pra gente impulsionar a próxima pisada pra vencer os obstáculos. A dificuldade é alta nessa última parte, mas não é tão longa quanto o trekking para a Laguna de los Tres, na base do Fitz Roy. O visual das três torres de perto é muito lindo, e lá na sua base a gente encontra muitos mochileiros que se sacrificaram por dias em acampamentos para fazer os circuitos por todo o seu entorno. Esta é outra opção para conhecer o lugar e vivenciar por mais tempo aquela experiência, mas é bom estar muito bem equipado, porque as condições climáticas não são das mais fáceis de encarar. Em relação ao trekking guiado, comparando com as trilhas que a gente faz por conta própria em El Chaltén, eu achei um pouco mais pesado a que fiz em Torres del Paine, já que eu não ditava o meu ritmo e, por isso, permanecia cansado por mais tempo. Mas como o Parque Nacional fica distante de Puerto Natales, cerca de 2 horas de carro, a gente acaba precisando do transporte muito cedo para chegar até ali. Só por isso que eu achei vantajoso contratar o passeio, mas para quem está em grupo e aluga carro, pode ser interessante fazer a caminhada até a base das torres por conta própria, já que o caminho é sinalizado e a gente encontra muita gente fazendo o trajeto. Punta Arenas Atrações na cidade Peguei o ônibus de 8h30 saindo de Puerto Natales a Punta Arenas, com passagem comprada antecipadamente pela internet na empresa Bus-Sur. São 3 horas de viagem. O terminal da empresa fica no centro da cidade, bem próximo à Plaza de Armas, a principal praça da cidade. Então é fácil ir a pé até a hospedagem se estiver perto dessa região. Punta Arenas é uma cidade bem charmosinha, com um centro muito bem organizado e bonito, com algumas atrações interessantes para visitar. A Plaza de Armas tem uma enorme escultura do português Fernão de Magalhães, responsável pela primeira navegação ao estreito de Magalhães, onde está localizada a cidade. O índio que compõe a escultura no centro da praça é a maior atração entre os turistas, já que se acredita que tocar o seu pé traz sorte. Ao redor da praça, as edificações são muito bonitas, e dentre elas está o Museu Regional de Magalhães, um lugar suntuoso em que o piso original, para ser conservado, precisa que usemos sobre ele protetores de tecidos nos pés, oferecidos na entrada. O que achei muito ruim foi o horário de funcionamento do museu, somente até às 14h, quando tive que sair rapidamente de lá, quase expulso pelos funcionários impacientes em encerrar as atividades do dia. Próximo dali, está o Museu Maggiorino Borgatello, com uma grande quantidade de informações sobre a região e que vale a visita. Um pouco mais adiante, próximo ao cemitério da cidade, há o Monumento al Ovejero, uma obra em tamanho natural a céu aberto, representando um trabalhador rural com suas ovelhas, cavalo e cachorro. Algumas quadras acima da Plaza de Armas, está localizado o Cerro de la Cruz, um ponto mais alto que serve como mirante, acessível por uma grande escadaria. De lá, é possível ter uma vista panorâmica da cidade e do Estreito de Magalhães. Outra atração, mas um pouco mais distante, já na saída da cidade, é o Museo Nao Victoria, a réplica da embarcação usada por Fernão de Magalhães no século 16 para a primeira viagem de circunavegação feita pelo português no Estreito que recebeu seu nome. Achei a chegada ao lugar meio complicada porque a motorista do Uber se perdeu e teve que dar uma volta grande para finalmente conseguir localizar. É possível subir e explorar a embarcação por dentro, assim como outra réplica que está do lado, usada no século 19 para a tomada do Estreito de Magalhães. O vento lá em cima é forte e gelado. Em Punta Arenas, há uma região comercial com zona franca, livre de impostos, com shopping e alguns grandes mercados multidepartamentais. O shopping eu não achei grande coisa, apesar de livre de impostos, os produtos encarecem para chegar à cidade pelo transporte. Achei até interessante um grande mercado que entrei, onde há de tudo um pouco, inclusive souvenirs, mas comprei só umas poucas coisinhas pequenas e baratas para não sofrer com o peso na mala e no orçamento. Islas Marta e Magdalena O principal passeio que me levou à cidade foi a navegação até as ilhas Marta e Magdalena. Reservei o passeio pela internet na empresa Solo Expediciones, mas esse foi o único que o pagamento ficou para ser feito no próprio dia. Às 6h30 da manhã me apresentei no escritório da empresa, bem próximo à Plaza de Armas, fiz o pagamento e entrei no ônibus que levava ao porto, que fica próximo. Todos desembarcamos do ônibus e entramos no catamarã em um dia chuvoso, mas a chuva só estava na cidade e não durante a navegação. Ao longo da navegação pelo Estreito de Magalhães, o guia em espanhol e inglês dá algumas informações, enquanto podemos avistar o espetáculo das barbatanas das baleias subindo até a superfície da água para respirar. Como a água é mais escura, não dá para vê-las abaixo da superfície, então não dava para saber onde elas apareceriam para registrar o momento. Um tempo depois, chegamos próximo da margem da Isla Marta, que é bem pequena, um rochedo com uma enorme quantidade de leões marinhos. Nessa ilha, contemplamos somente à distância, não é autorizado desembarcar nela por razões de proteção do ambiente dos animais. Como a embarcação fica parada por um tempo em frente à ilha, é possível ir para fora, sem o incômodo do vento muito forte, para registrar os leões marinhos em seu descanso matinal. Na ilha os animais estão protegidos das baleias, seus predadores, e podem nadar no seu entorno, protegidos por uma camada de algas que envolve o ambiente. Em seguida, fomos para a ilha Magdalena, onde todos desembarcamos para uma caminhada de cerca de 1 quilômetro no ambiente dos pinguins. O caminho é delimitado por um corredor de cordas, para não ultrapassarmos, que leva até um farol mais adiante na ilha. Como temos 1 hora para explorar o lugar, é bem tranquilo, sobra tempo, além de ser uma caminhada bem leve e sem dificuldades. Há uma grande colônia de pinguins na ilha Magdalena, que passam cerca de 6 meses por ali, durante primavera e verão, a temporada mais quente para troca de penas. Uma ressalva: só é quente no ponto de vista deles. Uma grande quantidade de buracos no chão, usados como ninho pelos pinguins, está espalhada pelo caminho onde andamos. Além de se protegerem do frio com a troca da plumagem, os ninhos também deixam filhotes a salvo dos predadores que rondam a todo momento, pássaros oportunistas, esperando algum descuido de um pai desatento. O passeio termina cerca de 12h e o ônibus nos leva de volta ao ponto de partida, no centro da cidade. Achei muito agradável, além de leve e não durar um dia inteiro, não precisando sacrificar o almoço. Ushuaia Chegada na cidade A saída de Punta Arenas foi às 8h15 da manhã pela Bus-Sur, com bilhete comprado pela internet. Como iria sair da Argentina para entrar no Chile, necessário apresentar passaporte no guichê antes de embarcar no ônibus. A previsão de chegada em Ushuaia era às 20h15, mas chegou cerca de18h30, mesmo assim foi uma viagem muito cansativa. Como não há paradas em lugares onde há comida, é bom levar o arsenal porque é praticamente um dia inteiro na estrada. Cerca de 2 horas depois de sair de Punta Arenas, o ônibus chega na travessia de balsa no Estreito de Magalhães, todos descem e embarcam na balsa, assim como todos os veículos que estão em fila aguardando. A travessia foi tranquila e rápida, menos de 30 minutos, mas já ouvi falar que pode ser mais demorada, dependendo da agitação das águas. Ao embarcar novamente no ônibus, como pode haver vários outros parecidos, é bom saber diferenciar qual o nosso. Eu mesmo quase entrei em outro, imagina onde iria parar. Um bom tempo de viagem depois, chegamos na fronteira, onde recebemos o carimbo de saída do Chile. Um pouco mais adiante, pegamos mais uma vez o carimbo de entrada na Argentina. Diferentemente da imigração no Chile uns dias atrás, na Argentina não pediram para fiscalizar a bagagem, foi um processo burocrático mais rápido. Depois de um longo tempo, finalmente chegando próximo a Ushuaia, o ônibus vai passando por uma região de montanhas, com curvas fechadas, mas com um cenário lindo. Achei que o assento do lado direito é beneficiado com a melhor vista. A melhor localização para se hospedar em Ushuaia é o mais próximo possível da Av. San Martí, que é a rua principal, longa e plana. As ruas que cruzam a San Martí em direção contrária à costa ficam em subidas bem cansativas. Os passeios partem dessas proximidades, onde está a zona portuária, as agências de turismos, pontos de vans e táxis, alguns museus, a placa do “fim do mundo”, a Secretaria de Turismo, onde tem internet gratuita e informações diversas aos turistas, bem útil. Na Secretaria também podemos carimbar o passaporte com dois modelos de estampa, é grátis. Pinguinera e Navegação pelo Canal Beagle Deixei reservado com antecedência pela internet no site da empresa Piratour o passeio desse dia. A Piratour é a única empresa que tem autorização para desembarcar na Isla Martillo, então qualquer outra empresa que também ofereça a caminhada com os pinguins na ilha apenas intermedeia a venda, tendo como responsável pela prestação do serviço a Piratour. O passeio iniciava com os turistas se apresentando no quiosque da empresa às 7h30 no píer. Como dura até o meio da tarde, é bom levar um lanche reforçado. Pegamos o ônibus com guia em inglês e espanhol e tivemos uma parada junto à floresta de árvores que sofrem a ação do vento muito forte e crescem para um lado, por isso sendo chamadas de “árvores bandeiras”. Logo após, chegamos na Estancia Harberton, onde há um pequeno museu de ossos de baleias e outros animais marinhos. O grupo de turistas é dividido em duas partes, enquanto uns vão direto para a Pinguinera, os demais ficam na Estancia na visita guiada; logo depois, revezam os grupos. O bote para a Isla Martillo leva um grupo reduzido de cerca de 20 pessoas, não podendo haver grande quantidade de gente por vez na ilha. É uma travessia curta, logo desembarcamos na Isla Martillo. Como visto na Isla Magdalena, ali também é um lugar onde há grande quantidade de buracos que servem de ninhos para os pinguins e o caminho para os turistas percorrerem é delimitado. Mas diferentemente da Isla Magdalena, na Isla Martillo não há um caminho para seguir por conta própria até o final da visita. Durante todo o tempo, a guia estava com o grupo e sempre chamava atenção quando havia muita proximidade com os animais. Na Isla Martillo, eu vi uma quantidade maior de pinguins concentrados em grupos, seja descansando próximos aos ninhos, seja na beira da água para pescar peixes. Dá para ver mais de uma espécie de pinguins, todos muito simpáticos. O frio era intenso por causa do vento insistente, então depois de uma quantidade de fotos, acho que muita gente já estava pronta para voltar até mesmo antes da 1 hora disponível na ilha. No meu caso, como eu já havia feito a visita na Isla Magdalena anteriormente, comparando com a Isla Martillo, eu preferi a primeira porque tinha maior liberdade para explorar a área maior e usar o tempo andando e vendo um pouco além do que a guia mostrava. Logo que voltamos à Estancia Harberton, os dois pequenos grupos que revezaram na Isla Martillo se juntaram de novo em um só e todos embarcaram num catamarã para a navegação no Canal Beagle. Em alguns pontos do Canal, navegamos em águas que dividem Argentina e Chile, sendo possível enxergar inclusive o povoado mais austral do mundo, Porto Williams, no Chile, o último do hemisfério sul. O passeio guiado é bem informativo, passando por lugares de destaque, como a Isla de los Lobos, um rochedo em forma de ilha com enorme quantidade de lobos marinhos estirados ao sol. Passamos também pelo Farol les Eclaireurs, o “farol do fim do mundo”, em uma pequena ilha com muitos pássaros aquáticos. Nesses pontos, o catamarã fica parado por uns minutos para ser possível ir até o lado de fora sem um vento tão hostil. Parque Nacional Tierra del Fuego Contratei esse passeio em uma agência aleatória que entrei no dia anterior na Av. San Martí. Não me lembro do nome, mas o passeio é bem padrão entre todas as agências que vemos pela cidade. A duração é de apenas meio dia. A van passou na minha pousada às 8h da manhã e levou todos para a estação do “Trem do Fim do Mundo”. Para aqueles que iriam fazer o passeio de trem, esses pagaram algo como 120 reais para um trajeto de cerca 1 hora a uma velocidade de uns 20 km/h. Como eu achei bem desinteressante, segui com os demais que preferiram fazer o trajeto na van, conhecendo alguns recantos do Parque Nacional enquanto o trem não chegava. No passeio do Parque Nacional, fazemos algumas trilhas rápidas e fáceis com um guia com vistas para vários lugares, como lagos, bosques, montanhas, mar. Muitas das vezes, o guia deixa o grupo explorar por um tempo o lugar, até a van nos levar para o próximo. Há lugares bem bonitos, com mirantes para as belezas naturais da região, mas eu acho que eu apreciaria ainda mais se já não tivesse visto tantos outros lugares ainda mais lindos, daí a gente acaba comparando um pouco. É no Parque Nacional onde está o “Correio do Fim do Mundo”, uma casinha charmosa de madeira sobre estacas no Canal Beagle que funciona durante o verão. Lá são vendidos cartões postais, selos e outros souvenirs, sendo possível ao viajante enviar correspondência do correio mais austral do mundo. Pena que os itens vendidos no correio são sempre bem mais caros do que na cidade. Também no correio é possível ser atendido pelo “carteiro do fim do mundo” para levar estampado no passaporte o selo e o carimbo do lugar por 3 dólares. A foto contida no selo é do próprio carteiro que atende ali, mas a gente percebe que já se passaram muitos anos desde quando ele passou a figurar no souvenir que levamos com sua cara no fim do mundo. Trekking Laguna Esmeralda Nesse dia pela manhã, fui até a Secretaria de Turismo me informar sobre as formas de chegar até o início da trilha para a Laguna Esmeralda. Procurei também uma loja de aluguel de roupas e acessórios para os passeios no frio. Escolhi uma bota impermeável cano alto. Depois de ver o estado da trilha, cheia de lama por todos os lados, sem opção de desviar da sujeira, achei um ótimo investimento que salvou meu calçado. Os meios de transporte que considerei para chegar no início da trilha foram táxi ou van. O táxi cobrava um valor equivalente a uns 110 reais (somente ida), enquanto a van cobrava cerca de 45 reais (ida e volta), então fui para o ponto em que as vans saem e esperei por cerca de uma hora, já que o serviço funciona com no mínimo 3 passageiros. O trajeto até o início da trilha é na estrada, cerca de 18 km. Encontrei alguém anteriormente na cidade que havia falado que fez esse percurso inteiro saindo da cidade a pé, mas eu preferi poupar um pouco o esforço. O lugar onde chegamos para iniciar a trilha fica num ponto mais alto e nesse dia fui surpreendido pela neve caindo nesse lugar, um cenário lindo, com uma cobertura branca pelo chão e vegetação, numa temperatura de 2°C. A trilha tem cerca de 4 quilômetros, com tempo estimado de 2 horas (fiz em 1,5 hora). Grande parte da caminhada é feita dentro de um bosque, com marcações em azul nos troncos das árvores, indicando o caminho para que a gente não se perca. Ao longo do caminho, como havia chovido durante a noite anterior, era impossível fugir da lama. Há também alguns pontos de subidas que cansam um pouco, mas não são tão extensos, dá para andar em uma toada bem constante. Quando a gente sai do meio do bosque e começa a andar por um descampado, a marcação do caminho passa a ser por estacas amarelas. Nesse trajeto, a lama e a terra mais fofa estão por todo lado e não dá para contornar o caminho. Em alguns pontos, até afunda um pouco, daí é bom ter cuidado onde se pisa, sendo útil procurar troncos e pedras para dar maior segurança. Mas depois que a gente se livra, segue ao longo de um riacho e já está pertinho da lagoa. A Laguna Esmeralda fica bem no pé de montanhas nevadas e é muito bonita. A cor das águas no dia que fiz o passeio não estavam na cor esmeralda porque o sol não saiu hora nenhuma, mas com sorte de um pouco de sol no dia do passeio, o passeio será ainda mais fotogênico. Saí com a bota muito enlameada, aliviado por não precisar permanecer com ela pelo resto da viagem. Peguei o transporte de volta e fui devolver o calçado na loja e restituir o meu, que havia ficado por lá. Atrações para um dia tranquilo na cidade No último dia em Ushuaia, eu só partiria à noite, então deixei a mala pronta na pousada, fiz check-out e aproveitei para fazer passeios mais leves, que não precisavam de deslocamentos por carro. Fui ao museu do presídio, onde também funciona galeria de arte e museu marítimo, no final da Av. San Martí. O lugar funcionou como prisão, quando os presos argentinos eram enviados para trabalhar e construir a cidade, onde os cidadãos comuns não tinham interesse em morar, dado o seu isolamento e frio constante. Achei meio cara a entrada para o museu, em torno de 60 reais, acaba não sendo um estímulo para todos visitarem. A primeira parte do museu traz uma grande quantidade de maquetes de embarcações de países diversos, muito bem feitas e detalhadas, com suas histórias que as fizeram importantes para a navegação. A segunda ala é maior e lá constam a história do presídio, seus presos mais famosos e uma variedade de artigos que fazia parte daquela realidade. Existe visita guiada, mas não coincidiu com o horário que eu estava lá. Mais adiante, há também o museu de arte, mas essa ala só abriria às 16h, então não visitei. Perto dali, visitei a Galeria Temática de História Fueguina, um prédio bonitinho, onde funciona um bar, a galeria mesmo fica nos andares de cima. É um museu de visita rápida, com reprodução de cenários e pessoas em tamanho natural, numa sequência fácil de percorrer, ao mesmo tempo em que a gente vai ouvindo o audioguia (idioma a escolha, inclusive português). São histórias que envolvem os elementos que estamos visualizando, e sua relação com o mundo da época que o cenário retrata. Acaba sendo um bom resumo de muita coisa que a gente viu nos diversos passeios na região.
  22. Bom pessoal, há muito tempo venho querendo realizar essa aventura, porém historia normal que se segue, trabalho, dinheiro e tempo, acredito que essas são os principais contra tempos para realizar viagens deste porte. Porém recentemente surgiu a oportunidade de tirar 20 dias de ferias, então realizarei o sonho de viajar até o Ushuaia de carro. (barraca, camping, roots), em 20 dias, sozinho. Venho aqui compartilhar e pedir a vocês dicas de roteiros, viagem, estrada... Como so fiquei sabendo agora que vou conseguir ir (motivo este também de eu ir sozinho), estou montando o roteiro agora, tenho praticamente menos de 2 meses para ver tudo oque preciso e conto com ajuda de vocês. A ideia é sair de Uruguaiana dia 20/12/2019 e chegar sem muitas estadias em 3 ou 4 dias até o Ushuaia (3.700km), de lá ficar alguns dias pela região (creio eu que uns 5 dias), após isso, ir viajando em direção a Santiago no Chile, fazendo estadias nas cidades mais interessantes, de Santiago volto a Uruguaiana. Que são 1700km. Conforme vou atualizando o roteiro e coisas da viagem vou postando aqui.. Agradeço..
  23. Fala Mochileiros.. Procuro dicas para aperfeiçoar o meu roteiro e a quantidade de dias que se faz interessante para cada local. Planejo o roteiro entrando pela Argentina (buenos Aires), saindo pelo Chile (Santiago), em junho de 2020. Tenho 25 dias disponíveis. Vôo. Teresina & buenos Aires (buenos Aires 3 dias). Vôo. Buenos Aires & Bariloche (Bariloche + Villa la angostura 5 dias). Vôo. Bariloche & Buenos Aires e Buenos Aires Ushuaia. (Dia para viagem). Vôo. Ushuaia & El Calafate (4 dias El Calafate). Ônibus. El Calafate & Puerto Natales (5 dias Puerto Natales + Parque torres del paine). Ônibus. Puerto Natales & Puta Arena (2 dias Puta Arena). Vôo. Punta arenas & Santiago ( 4 dias Santiago) + VALLE NEVADO ou FARELLONES. Vôo. Santiago & Teresina. 1 dias para emprevisto. Quero aproveitar ao máximo o tempo em viagem. Desde já agradeço pela atenção. Bora Mochila..
  24. Olá pessoal! Vim dar uma pequena contribuição com uma trilha super recomendada. Muito se ouve falar em Ushuaia, Patagônia, etc. Acabei de voltar de uma viagem à Ushuaia/El Calafate/Torres del Paine com minha namorada, e acabou que descobri muita coisa legal, e o que eu achei que seria uma viagem de passeio, se tornou uma das aventuras mais difíceis que já fiz. Como tem muita coisa na net sobre os pontos mais turísticos, resolvi relatar sobre uma trilha que não li muito: o Vinciguerra. O Vinciguerra, se não me engano, é um glaciar, uma das montanhas ali em Ushuaia. Vc sobe desde a base, o chão, o nível da cidade mesmo, e chega até quase o topo de uma das montanhas, aquelas que vc vê branquinha lá da cidade. São cerca de 850m de desnível, subida que exige muita perna e fôlego. Nós compramos o passeio pela agência Brasileiros em Ushuaia, que fica na av. San Martin, com um pessoal super prestativo (brasileiros). No dia da trilha, uma van te leva até o início da trilha, numa estradinha de terra. Lá vc recebe um lanche e um stick (um daqueles apoios de metal usado para esquiar), é uma santa ajuda. Como fomos no final de abril, quando o inverno está quase chegando, é preciso ir de bota de trekking impermeável, calça de trilha, se possível impermeável, e jaqueta impermeável. Além do mais, é bom levar gorro, óculos de proteção (pode ser de sol mesmo) e luva. Além do mais, eu recomendo que apenas vista uma camiseta manga comprida leve, transpirável, e uma jaqueta quente por cima, pois apesar do frio e vento, a subida cansa e esquenta o corpo, e fará vc transpirar tanto que vai ter de tirar a jaqueta. Portanto, vá com pouca bagagem na mochila, pois terá de carregar a jaqueta. Mas se vc não é como eu, que sente bastante calor, então vai ter de levar algo a mais para se manter aquecido. A trilha começa com cerca de uns 45min de caminhada no plano sobre a terra e uma vegetação fofa e encharcada, pois naquela região fria, o solo não absorve bem a água, então, em muitos lugares, há várias pocinhas de água, e mesmo onde não há poça e vc pisar na grama, ela afunda e a água sobe. Ao começar a subir a montanha, vc estará cercado de árvores altas, então não venta, e aí é que vc começa a sentir calor. A subida é interminável, tem que andar devagarinho, passinho de pinguim, numa inclinação que se bobear nem jipe sobe. O bom é que a trilha às vezes caminha de lado, então não é sempre subida. Uma coisa legal de se presenciar, é que, chegando mais acima, a neva começa a aparecer, a vegetação fica coberta de branco e vc percebe que está num lugar alto e frio, onde o gelo não derrete. Os sticks são muito úteis, pois se sobe com o apoio deles,e não somente com as pernas. São úteis também na descida, pois os escorregões são frequentes, pois como eu já comentei, o terreno está quase sempre molhado. Chegando mais acima, começa uma nova subida tão forte quanto a primeira, só que agora ao ar livre, sem árvores, somente pedra, e uma queda que faz vc pensar que, um escorregão, te leva ladeira abaixo em poucos segundos, ajudado pelas pedras soltas. Nessa época, há bastante gelo e vento, portanto, não se esqueçam do gorro ou capuz. Depois de algumas horas subindo, chega-se ao lago Los Tempanos. É um lago verde muito bonito, em que a borda estava congelada. Toma-se um tempo para comer o lanche que o guia te dá, mas lembre que, ao parar, o corpo vai começar a esfriar, e por isso a caminhada começará logo. Dali para frente é só neve e pedra. Subimos mais um pouco e vamos margeando este lago, onde a trilha é tão perigosa quanto, pois novamente, qualquer escorregão, vc cai direto para o lago. Dali para frente, a trilha fica mais difícil, pois vc pisará somente sobre pedras soltas e neve. A neve não atrapalha, e sim o gelo sobre a neve, que escorrega, além das pedras que se mexem. Porém o que vc encontrará é ainda mais compensador que o lago. Há cavernas com um monte de neve dentro, há inclusive uma caverna feita de puro gelo! Vc vê as bolhinhas de água congeladas, dá até para lamber a parte da caverna. É muito interessante! Há também lagos congelados onde pode-se brincar de pinguim, escorregando de barriga (é claro que ninguém teve coragem). Posso dizer que, nesse trekking, há algumas coisas muito interessantes, bonitas, até impressionantes, mas nada que vc possa dizer que é maravilhoso. O legal dessa trilha é o final, o que se encontra lá (lagos verdes congelados, cavernas de gelo e de neve, geleiras), e ela em si, ou seja, vc saber que subiu a pé uma das montanhas da Cordilheira dos Andes. Para efeito de comparação, para quem já fez a trilha para Las Torres, em Torres del Paine, eu diria que é mais difícil que TdP, e mais perigoso também, pois em vários momentos eu sentia que, um escorregão maior, poderia me obrigar a voltar de lá só de helicóptero (se não estivesse congelado). Eu escorreguei uma vez na margem do lago los Tempanos, e só vi as pedras rolando ladeira abaixo e caindo no lago congelado (e quebrando sua fina camada de gelo). Por outro lado, achei TdP mais bonito, per ser um parque nacional, por toda a paisagem que se vê e muda a cada hora, etc. Como não estou totalmente a par das regras do forum, quem quiser algumas fotos e mais dicas, mandem MP que mando o link das fotos. Abs
  25. Olá, amigos do fórum. Entre os dias 22 e 29 de abril, fiz uma viagem de uma semana em Ushuaia, na Tierra del Fuego. Obtive muitas dicas importantes na internet sobre esta viagem e muitas delas eu consegui aqui, no mochileiros.com Por tanto, quero deixar uma pequena contribuição, que na verdade são apenas mais dicas e um relatinho sem vergonha, mas com algumas informações que eu não consegui encontrar sobre “Campings”. Sim, talvez, estas pequenas dicas sejam mais úteis para quem quer fazer uma trip mais “roots”, onde possa otimizar o maximo de custos possíveis. As fotos ainda não foram editadas. Estão totalmente "crus", então não se importem com a exposição, enquadramento e etc. Bom, vamos lá. Mas antes: É possível acampar em Ushuaia e fazer uma viagem com pouca grana? Sim. Explico na última dica, então se vc só está interessado nessa informação, pule tudo e vá direto até o último tópico. ________________________//___________________________ 1° Dica: Câmbio Leve sua grana em Dollar. A cotação do dólar para Pesos está mais atrativa do que a do Real, e em todos os relatos que li, mesmo nos mais antigos, diziam a mesma coisa. Eu paguei R$2,39 no dólar, em São Paulo, antes da Viagem. Onde fiz câmbio: Em um Cassino chamado Cassino Status. Ele fica em uma rua chamada Cômod. Augusto Lassere. Não me lembro o número, mas é uma travessa da San Martín (como quase todas as ruas da cidade), subindo. Você deve entrar no hall do cassino e dizer que quer fazer câmbio. Eles vão pedir para você entrar dentro do salao e seguir até o final, onde você encontrará dois caixas, e será acompanhado de uma mulher com cara coronel e de poucos amigos. Real: 4 Pesos para cada 1 real. Dólar: 10, 50 Pesos para cada 1 dólar. (*_*) Maravilhoso! Não achei nenhum lugar com estes valores. A maioria, inclusive o taxista cobravam 8 Pesos para 1 dólar. ___________________//______________________ 2° Dica: Hospedagem Na minha pesquisa, eu queria muito saber sobre campings. Não apenas porque é mais barato, mas porque eu realmente queria ficar acampado em Ushuaia, pelo menos metade dos dias em que estive lá. 1° para testar minha barraca. 2° para passar um friozinho e testar minhas roupas e meu saco de dormir. 3° porque me parecia ser animal acampar no fim do mundo. No final das contas, desisti, porque minha mochila estava pesada e eu estava levando quase 4 kg de equipamento, sem ter a certeza se na cidade eu conseguira um lugar para ficar acampado. Optei por um hostel. É a segunda opção mais barata. Escolhi o Antártica Hostel, depois de descobrir que este era o que mais parecia ser adepto a ideia de colocar as pessoas para se falarem dentro do Hostel. Lá existe uma área comum, com sofás onde você troca ideia com outras pessoas que estão hospedadas e acaba descolando alguns amigos, ou um romance, se esta for sua intenção. Onde fiquei: http://www.antarticahostel.com Diária: 140 Pesos (Café da manhã incluso – Ovos, Pães, Geléia, Doce de Leite, Manteiga, Suco, Café, Leite, Cereais), Toalhas para banho inclusas. Internet em um PC e Wi-Fi incluso. *Se você considerar que a diária está saindo por R$35,00 na nossa cotação, vale realmente a pena pensar se você quer mesmo acampar. Isto porque este café da manhã (se você for monstro como eu), elimina a necessidade do almoço, que pode ser simplesmente trocado por um lanche simples e alguma outra bobeira. *Além do café comum, eu incluía nessa refeição 3 ovos mexidos, fritos na manteiga, o que tornava meu café-da-manhã literalmente um “pequeno-almoço”. Isso me dava sustento para fazer os meus passeios durante todo o dia, comendo alguma coisa pra enganar até que eu chegasse no Hostel novamente no fim da tarde e preparasse meu jantar. Observações sobre o Hostel: Na minha opinião, vale muito a pena, mas considere o seguinte: - Não espere uma cozinha com utensílios novos e totalmente livres de gordura, mas no geral é limpo. - Você compartilhará duas geladeiras com outras pessoas. Apenas deixe suas coisas em um saco plástico em um cantinho e ninguém vai mexer. - Os banheiros são como um vestiário. Os chuveiros são quentes. As vezes BEM quentes. Você controla a saída de água fria e quente ao mesmo tempo, mas as vezes ele tem uns surtos e ferve mais do que deveria. Então, quando tiver conseguido o “ponto”, relaxe e goze (mas não literalmente, porque existe o pequeno problema de que sua cabine será inundada alguns minutos após o início do seu banho (acho que os ralos devem ter pouca vazão ou serem entupidos de cabelo) e você ficará com os pés cobertos de água. (Só de pensar nessa possibilidade, eu tenho vontade de por meus pés de molho em um balde com cândida) - Você precisará passar por uma área aberta, ao sair do chuveiro ou se quiser levantar a noite para fazer um Pip`s feroz. Isso porque os banheiros ficam na parte de baixo e os quartos na parte de cima. A cozinha dá acesso a uma porta que dá em uma varanda que é aberta e te leva aos três ou quatro quartos que há no andar de cima. Isso realmente não foi um problema pra mim, já que fiquei no primeiro quarto e o tempo de exposição ao frio eram só 3 segundos - As camas são beliches (3 em cada quarto) e não fazem nenhum barulho quando você se mexe. - Os quartos possuem calefação e você não passa o mínimo frio lá dentro. Dá até pra dormir de cueca. Mas eu estava indeciso se a Argentina que estava na cama da frente iria gostar disso, então resolvi não arriscar. - Acho que o preço de R$35 Dilmas e todos os pontos positivos desse Hostel, incluindo a atenção bacana que o pessoal, inclusive o Gabriel, o dono, realmente compensam todos os pontos negativos. ___________________//______________________ 3° Dica: Comida Acho que não contei que comprei minhas passagens com milhas acumuladas no meu cartão de crédito e que estava sem grana e que planejei uma viagem qualquer muito rápido, apenas porque meus pontos iriam vencer e eu perderia 3 anos de acúmulo. Então, eu sinceramente não estava preparado para essa viagem e não tinha dinheiro suficiente para fazê-la. Por tanto, a possibilidade de comer todos os dias fora estava totalmente fora de cogitação. Por isso, eu fui com uma missão: sobreviver uma semana de miojo, já que eu nunca tinha cozinhado na minha vida e tão pouco criado interesse de aprender nos dias antecedentes à viagem. Eu pensei, de verdade, que eu poderia me garantir no Miojão maroto e naquele arroz semi-pronto e temperado, que você só precisa botar para cozinhar (tipo Arroz-Tio-João) ou qualquer coisa assim que eu já tinha visto por aqui. O problema foi chegar lá e descobrir que não havia nem miojo, nem arroz semi-pronto no supermercado. Maluco do céu, bateu um desespero e por um segundo e eu me arrependi amargamente de nunca ter visto minha mãe cozinhar um macarrão. Mas eu não sou tão idiota quanto pensei, e numa mescla de coragem e determinação, comprei algumas coisas pra tentar cozinhar uma gororoba qualquer pra não morrer de inanição em Ushuaia, confiando no querido Google para me ensinar a preparar os alimentos. Onde comprei: Supermercado La Anonima *Fica no quarteirão de cima da rua do Antártica. 4 minutos de caminhada. O que comprei (Que eu me lembre / em duas visitas ao supermercado) 1 kg de arroz 1 pacote de macarrão 3 bifes de carne de vaca (não sei dizer que parte do boi era aquela carne, mas era bem saborosa.) 1 caixa com 4 ou 6 ovos (dispense, tem no hostel – basta esconder alguns no seu canto da geladeira, após o café da manhã) Uns 8 litros de Água entre garrafa grande e pequenas 2 caixas de suco 1 Água tônica 2 Cervejas de 500 ml 1 tempero para carne 1 tempero para arroz 1 Sal (dispense, obviamente tem no hostel, assim como óleo e etc) 1 Desodorante e um sabonete (Fui só com um mochilão dentro do avião, então jogaram meu sabonete líquido e meu aerossol fora, porque o imbecil aqui se esqueceu de que isso não podia embarcar, sem ser despachado) Preço: Não tenho certeza, mas tudo custou mais ou menos uns 200 Pesos (R$50) Bom, eu sou totalmente sem noção de cozinha, então minha comida ficou horrível. O arroz duro e o macarrão sem sal. Haha Mas eu sou bem despreendido e não me importei em seguir as receitas ou tentar incrementar minhas refeições com coisas tipo salada, ou temperos diferentes e blá blá blá. Eu chegava morto no hostel, jogava o arroz na panela, tacava sal, o temperinho que comprei, fritava um bife e mandava ver. Ficou tudo “engolível”, por assim dizer e eu não passei fome, pelo menos. Reservei 2 dias para comer fora. Queria experimentar dois pratos típicos da região. O cordeiro patagônico e a Centolla (o famoso Caranguejo gigante). Acabei provando apenas o cordeiro. Muito gostoso, mas a carne de boi estava melhor (eu dividi com uma mexicana que conheci e decidimos pedir cada um, um prato e comer metade do outro). Acho que custou uns 140 Pesos, o meu prato, em uma das dezenas de opções na San Martín ou na Maipú. A Centolla, acabei não comendo. A mexicana foi embora e eu pensei que ir sozinho ao restaurante seria chato, então resolvi comer no hostel mesmo, já que era meu último dia. Este prato custava mais ou menos uns 200 Pesos na maioria dos lugares onde olhei. Observação: *Não deixe de experimentar as empanadas. Não achei o tal do dieguito (sim, você vai ouvir o pessoal falando sobre a tal empanada do Dieguito), mas sendo bem sincero, eu nem procurei direito. Comprei as minhas no El Vagon ($9 e $11, dependendo do sabor), um restaurante que parece um vagão do trem que levava os prisioneiros da cidade para trabalhar no parque nacional. Peça a de presunto e queijo (não me lembro como se chama, mas no final está escrito “queso”) Elas explodem um sabor delicioso na boca. Uhmmm, delícia! ___________________//______________________ 4° Dica: Transporte e Passeios. Sobre o taxi, do aeroporto até o centro, você vai gastar mais ou menos $60 Pesos, ou $5 Dólares. Não aconselho a ir a pé, mochileiro selvagem. Isso vai te custar tempo e pernas. Sobre os passeios, eu resolvi que faria os seguinte: 1° Dia Conhecer a Cidade Tirei esse dia para conhecer a cidade, decidi o que eu ia fazer, ir ao mercado, e dar uma andada a pé. /// 2° Dia Canal de Beagle. Onde comprei o tícket: Ushuaia Extreme Travel (http://www.ushuaiaextremotravel.com) Fica na San Martín. Preço: $450 (ui) Pesos (Valor praticamente tabelado para todas as agências) Duração: 2,5 h mais ou menos Você vai falar com a Janaína. Ela, o marido e um cachorro se mudaram para a cidade a três meses e têm uma página no Facebook chamada “Brasileiros em Ushuaia” (https://www.facebook.com/BrasileirosemUshuaia?fref=ts) Pode fazer perguntas a vontade pra eles, que são super gentis, te respondem e te auxiliam em tudo. Quando você realmente estiver pronto para ir, eles poderão te recepcionar, te buscar no aeroporto, fechar passeios e etc. Trabalham em parceria com essa agência Extreme. Recomendo que você feche tudo com eles, até para dar uma força porque eles realmente merecem só pela simpatia. Não conheci o Mario pessoalmente, mas a Jana é super gente boa e trocamos uma boa ideia durante um bom tempo. Foi engraçado, quando cheguei no aeroporto e vi um cara pegando dois brasileiros e conversando com eles, no caminho até o carro. Eu imaginei que fosse o Mário, mas só descobri que realmente era depois, ao perguntar para sua esposa. Por tanto, vale a pena você trocar ideia com eles, se quer ter um auxílio no seu planejamento e chegada na cidade. Observação sobre o passeio: O passeio para andar com os pinguins não estava disponível, porque em abril eles já se foram fugindo do frio, então eu decidi ir no tal do barco Catamarã e paguei. Poxa, cara, foi legal, mas não sei se faria de novo. Eu estava sozinho, então acho que isso influencia um pouco porque você vê um monte de velhinhos e de casais e talvez não curta vibe do rolê realmente. Eles te levam bem perto de uma ilha com lobos marinhos, e outra com comorones, que são pássaros que se parecem com pinguins. Além, é claro, do farol Les Eclaireurs, que não, não é o último farol do continente, ou o farol do fim do mundo, ou farol do livro do Júlio Verne e etc. e tal., como você descobrirá em suas pesquisas. As paradas são bem rápidas, por tanto, a maior parte do tempo você passa navegando. Ah, você também desce em uma ilha, para caminhar durante uns 10 minutos. O ponto mais positivo foi que lá, eu conheci a Mexicana, que também estava sozinha . Nota: *Agasalhe-se bem. Faz frio pra caramba, na parte de fora do catamarã. *A ilha dos lobos e dos comorones tem um cheiro horrível de coco. *Você ganhará uma cópia bem infantil de um certificado de que navegou pelo canal de Beagle. (ooooohhhh) e ganhará um vale brinde para ir em uma loja de artigos para presentes pegar um mapa da Terra do Fogo. Isso é realmente legal. /// 3° Dia Glaciar Martial Tome um taxi e peça para ele te levar até o Glaciar. Custa em torno de $60 Pesos. Também sugiro que você não suba a pé, porque a subida é bruta. Leve um lanche e um suco. Observações sobre o passeio. *Show de Bola. A visão lá de cima é animal! * Os teleféricos não estavam funcionando. *A subida é puxadinha, mas mesmo que você seja gordo ou velho, você conseguirá chegar até o final, devagarzinho. * Esqueci de tomar o chá que todo mundo fala pra você tomar, na hora que você desce (nem ligo), porque desci discutindo a política do brasil com um casal muito gente boa de argentinos, e como eram professores e estavam na pindaíba que nem eu, decidimos rachar o taxi para descermos juntos até o centro novamente. Por isso, nem tive tempo de lembrar do tal chá. * Não quis me arriscar pela neve lá no topo. Dizem que você pode subir durante mais 1 hora, eu acho. Não foi por falta de coragem, foi por preguiça mesmo. Estava cansado. Mas se tiver disposto e se sentir seguro, vá! /// 4° Dia Laguna Esmeralda - A entrada fica na única estrada que liga Ushuaia ao resto do mundo. - Você pode ir de Taxi, o que te custará bem caro (O preço oficial da cooperativa dos taxistas é tabelado $300 Pesos, e você poderá negociar), ou pegar um transfer por $110 ida e volta (com direito a uma rosca recheada e um copo de chá bem quentinho). Você pode solicitar no seu hostel, ou ir até a av. Maipú, não me lembro ao certo onde, mas você com certeza verá o ponto dos Transfers, andando por esta avenida. Eles ficam todos no mesmo lugar. A Laguna está localizada ao final de um trilha que começa no Vale do Lobos. Existe a possibilidade de você começar uns 200 mts antes do parque, por uma trilha em que você não precisará pagar os $20 Pesos, que é a taxa para passar pela propriedade, que também conta com um lugarzinho aconchegante para você comer e tomar um chocolate. Você receberá um pequeno mapa e algumas dicas sobre a trilha. Verá também os cães que no inverno puxam o trenó naquele mesmo vale. Coitados. Ficam presos. Observações sobre o passeio. *Indispensável. Obrigatório para todos que vão a Ushuaia. *O caminho não é fácil. Sugiro um pouco de preparo ou pelo menos força de vontade. O terreno, em alguns lugares, é um charco de terra molhada, onde você com certeza, em algum momento, afundará seus pés e talvez canelas. Por isso, sugiro uma bota ipermeável para não sofrer tanto. Contudo, acrescento que vi pessoas fazendo com tênis comum. É claro que não estavam se importando com a maneira como terminariam aquele passeio, com relação a sujeira e pés molhados. *Dê a volta do lago e veja a vista do outro lado. É lindo! /// 5° Dia Aluguei uma Bike. Nesse dia, eu acabei acordando mais tarde do que planejei e estava em dúvida se iria para o Parque Nacional e dormiria no abrigo que tem lá, ou se apenas iria e voltaria para retornar no dia seguinte. Fiquei procurando na cidade barraca para camping e saco de dormir para alugar. O saco de dormir eu encontrei, mas a barraca não encontrei, então resolvi pegar uma bike e ir até lá para ver como era. Aluguei a bike na mesma agência em que fechei o Canal de Beagle, a Extreme Travel Ushuaia. $140 Pesos meio dia ou $200 Pesos 24 horas. Acabei conseguindo negociar para ficar mais horas do que metade do dia. Fui até a entrada do Parque Nacional Terra do Fogo, para ver as paisagens até lá. O caminho é basicamente por uma estrada em sua maior parte de terra. Então localize-se, pergunte o caminho e depois é só seguir em frente. Você verá coisas incríveis e poderá fazer um desvio para ir até a estação do fim do mundo, de onde fazem o passeio pelo parque de trem. Tomei um chocolate por lá. Bem caro! Mochileiros, não invente de fazer o passeio de trem. Totalmente fora de cogitação pra quem quer economizar. Sem contar, que não faz sentido você ir a um parque daqueles pra andar de trem. Na volta, dei uma andada nos arredores da cidade, passando por lagos, praças e etc. /// 6° Parque Nacional Terra do Fogo No domingo, fui conhecer o Parque Nacional. Acordei bem cedo e pedi para Staff solicitar que o Transfer me pegasse antes das 9h, porque queria ir na primeira partida (Eles partem, de onde saem os Transfers na av. Maipú de 1 em 1h). Paguei meu ticket em aproximadamente 30 minutos estávamos na entrada do parque. Para minha deliciosa surpresa, o primeiro transfer aos domingos entra de graça. Então, essa é mais uma dica pra você economizar $100 Pesos, organizando este passeio para esse dia. Você receberá um mapa com as trilhas que pode fazer dentro do parque. Eu não fiz todas (não é possível fazer muitas em um só dia, porque os transfers estão voltando com a última van as 17h, então se você ficar lá depois desse horário, vai ter que dar uma boa caminhada de volta, ou pedir uma carona. Escolhi fazer a Senda Costeira, que é a maior trilha do parque, com duração aproximada de 4h. Você andará boa parte da trilha margeando o Canal Beagle. Observações sobre o passeio: *Trilha bem demarcada. Você poderá se perder, mas nada grave. É só retornar um pouco e reencontrar seu caminho, seguindo as estacas amarelas. A dificuldade é média. A paisagem é show! *Leve Água É no início desta trilha que você pega o tão famoso carimbo do fim do mundo no seu passaporte (você lerá todo mundo mandando você não esquecer disso). Por tanto, não faça como eu, que levou o passaporte e esqueceu de passar na pequena agência de correios da argentina e pedir o tal do carimbo. Para quem se esquecer, existe uma agência de correios na av. San Martín que também dão o maldito carimbo de graça (uffa!! Quase vim sem meu carimbo.) Quando terminar esta trilha, você sairá na estrada por onde circulam os carros, transfers, bicicletas, motos e etc. É a única estrada que corta todo o parque. Na verdade, esta é o final da rota 3. A famosa estrada que corta a Argentina e liga o fim do mundo à Rota Panamericana, aquela que vai até o Alaska por toda a América. Por isso, você verá vários cicloturistas nessa estrada em sua peregrinação até o fim do mundo, já que o fim da rota 3 em Ushuaia é onde está a Baía Lapataia, onde fica aquela placa Marrom que todo mundo tira foto (inclusive eu, veja aí embaixo). - Ao sair da trilha Costeira, continue pela estrada ou siga seu mapinha de trilhas para continuar parte do caminho por outras trilhas menores que desviam o caminho da estrada principal e passam por mais um pouco de mato (achei desnecessário. Não havia nada demais, e em dado momento precisei escalar um pequeno paredão de rocha para voltar para trilha. Então talvez, os mais preguiçosos não curtam. - Não deixe de fazer o pequeno desvio para ver a Laguna Negra. É realmente show de bola! Foi ao continuar na estrada que conheci a pessoa que mudou todo meu conceito sobre viagem roots (não que eu tinha um). Conheci a Marion, uma francesa maluca que está viajando por toda a América do Sul de carona e andando. Ela estava vindo desde São Francisco nos EUA, assim. Ela viaja com duas mochilas pesadas e acampa todo tempo. Foi assim que eu descobri que poderia ter acampado facilmente no parque. Existem pontos para camping independente (encontrei a Marion em um desses) e outros organizados, onde você provavelmente paga uma taxa para ter acesso a luxos como chuveiro, pia e etc. Não cheguei a ver, mas com certeza é barato. Um funcionário me disse que para dormir em um abrigo, custava cerca de $100 Pesos, então imaginei que o camping fosse bem mais barato. A Marion estava desarmando suas coisas por volta das 13h, quando eu acenei para ela e ela acenou de volta. Fui até ela e começamos a conversar (eu me amarro em mochileiros! Imagina em MOCHILEIRAS!!! ). Ela me contou sobre sua viagem. Eu dei meu últimos 200 ml de água para ela e ela me agradeceu com um abraço apertado e muito sincero. Assim, ficamos amigos, ajudei ela a montar seu acampamento e continuamos juntos até a Baía Lapataia. Eu levei sua mochila (Não sei como uma menina daquele tamanho leva um chumbo daqueles por tanto tempo.) Ela me deu várias dicas de como fazer uma viagem assim, sem gastar muito ou quase nada, já que eu tenho um desejo reprimido de viajar pela América de mochilão nas costas, pouca grana no bolso e muito pé na estrada. Fomos até a Baia Lapataia e ficamos de bobeira trocando ideia e dando muitas risadas. Conversamos sobre várias coisas lindas. Eram umas 16h e eu teria que esperar meu transfer até as 17h, pois lá seria um dos pontos onde ele passaria para pegar quem quisesse voltar para a cidade. A Marion cogitou a possibilidade de pular a cerca que delimitava o fim da área onde se podia ir e continuar por uma trilha que ia baía a dentro. Um motorista disse que era possível, mas que aquela trilha, mesmo estando no mapa, estava fechada e que se algo acontecesse com ela por lá, ninguém a iria encontrar. (Uouuuuu!!!) Mas para a surpresa do motorista, a francesa abriu um sorriso e disse que mesmo assim iria, porque seria uma aventura e tanto (*_* Que menina legal!!!) O motorista do outro transfer deu 2 litros de água fechados para ela. Vocês não imaginam a festa que a garota fez. Eu me cocei para ir com ela. Queria muito ter tido mais tempo para conversar com a Marion e fazer uma bela amizade com ela, mas infelizmente eu enão teria como voltar a tempo para o transfer. Ela disse que eu poderia dividir a barraca, mas ela temia porque não caberíamos os dois em um só saco de dormir e que o frio era terrível a noite... (Que figura, aquela garota!!!) Eu sabia disso obviamente e desde o início sabia que não daria pra mim. Ajudei ela a colocar o protetor de chuva nas duas mochilas (começou a chuviscar), coloquei o Mochilão em suas costas. Tirei meu alfajor e um chocolate (minhas últimas comidas) e dei pra ela (mais um longo abraço de agradecimento) e antes de nos despedirmos, me lembrei que não havia pago os $100 Pesos de entrada no parque e quis retribuir aquela benção, abençoando a garota com uma graninha para ajudar na viagem. Ela quis recusar, porque insistiu que era muito dinheiro e etc. Hahaha Eu insisti que ela deveria pegar, porque eu tinha planejado gastar aquela grana então pra mim não faria diferença alguma. Ela finalmente aceitou. Nos despedimos com um longo abraço e trocamos nossos contatos. Fiquei observando aquela garota incrível ir sumindo da minha vista e entrando na natureza, com toda aquela força e coragem exibida em duas mochilas. Ela olhava para trás de quando em quando para acenar mais uma vez e gritar: “Adeus Thiago!”. E assim, ela sumiu das minhas vistas, e eu me virei, com uma mistura de nostalgia e alegria por ter conhecido uma pessoa tão incrível com ideias tão incríveis sobre a vida, para caminhar até o transfer que já tinha chegado. Por todo o restante da viagem eu lembraria da garota e pensaria seriamente em chegar em Sampa, vender meu carro, e partir para talvez me tornar alguém tão interessante quanto a Marion. Voltei para meu Hostel e fui descansar. O outro dia era livre e eu pretendia ir aos Museus. Acabei desistindo, e só fui até a entrada olhar como era a Base Naval, já que ficava do lado do Antártica hostel. Acabei me arrependendo depois. Apesar de não ser um mega passeio, eu gostaria de ter visto alguma história de cidade e visto informações interessantes no Museu do Presídio, principalmente. Bom este dia foi meio perdido. Fiquei mofando o dia todo no sofá do hostel conversando com alguns amigos que conheci lá, depois só saí para dar uma volta, comprar umas empanadas e passar na loja de lembrancinhas. Prepare-se. São bem caras, as coisinhas. No outro dia bem cedo, pedi um taxi para o Staff, paguei minha conta, tomei um café e fui para o Aeroporto esperar o horário do meu voo que era as 9h. ___________________//______________________ 5° Dica: Reconsidere seus passeios Existem muitas coisas para se fazer em Ushuaia, que você não vê todo mundo falando. Geralmente, todos te indicam o mesmo passeio. Se você, ao contrário de mim, está com uma grana sobrando para esta viagem, considere pesquisar sobre outros glaciares, sobre ir de ônibus até a cidadezinha de Tolhuin, outra cidade da província, e passar uma noite lá, sobrevor de avião a cidade (isso com certeza, custará mais de $2000 Pesos) e até mesmo de mergulhar em Ushuaia (http://www.ushuaiadivers.com.ar). Também não é barato, mas deve ser massa! ___________________//______________________ 6° Dica: Como gastar menos e fazer uma viagem realmente “Roots”, no estilo Marion, a francesa (entenda, lendo o tópico 4) Bom, baseado nas minhas próprias percepções e no que a Marion me contou, aí vão algumas dicas. Acampe: (Isto, claro, considerando que você não viaje no inverno) • Você pode ficar acampado no Camping Andino. O único camping com estrutura na cidade, que eu consegui achar. O dono é um cara chamado Fernando. O problema é que esse cara não responde email e nem sei nada sobre o lugar, já que fica um pouco afastado do centro e eu estava sem coragem de ir lá perguntar. • Fique acampado quando for até a Laguna Esmeralda. Eu teria ficado. Teria sido muito bom! O lugar é simplesmente incrível! Arme sua barraca um pouco mais a dentro da floresta e seja feliz. • Acampe no Parque Nacional. Sobre tudo, porque você vai economizar a segunda ida ao lugar. Aliás, fique pelo menos dois dias no parque para aproveitá-lo bem. • Acampe em qualquer lugar. Sério. Se você se afastar um pouco mais da cidade, você poderá acampar em qualquer lugar. O mundo lá fora, não é todo como o Brasil. Ninguém vai te fazer nenhum mal, mesmo porque a percepção do pessoal sobre esse tipo de coisa é totalmente diferente da nossa. Na área mais rural, eu vi realmente vários lugares onde eu poderia chegar e montar minha barraca, se eu quisesse, sem que ninguém me incomodasse por isso. É claro que em seu planejamento, você precisa considerar em seu roteiro, alternativas para intercalar entre campings com estrutura e campings sem, se não você vai se dar mal. Você também pode intercalar com alguns dias no hostel. É realmente barato e considerando isso, acampar só é necessidade para quem quer curtir uma trip com essa vibe, especificamente. Economize: • Não use taxi de jeito nenhum. Para a maioria do lugares dá pra ir de Transfer (vãs com itinerários fixos), então não caia na bobeira de pegar um taxi e ser estuprado pelo taxista. Para o parque e para a Laguna Esmeralda, eu enxerguei a possibilidade de ir de carona. Carona em países como Argentina, Chile e Uruguai são bem mais comuns do que por aqui. Pelo menos é isso que tenho ouvido de pessoas que andam de carona por lá. Além disso, a estrada que liga Ushuaia ao Parque Nacional, é uma só. O mesmo acontece com a Laguna, então, todos que passarem por você, a partir do momento que você estiver na estrada, passarão pelo seu lugar de destino. Isso aumenta significativamente sua chance de conseguir uma carona. • No trajeto do aeroporto até o centro, tente dividir o taxi com alguém que esteja indo para lá. Eu fiz isso e economizei uma merreca. Se você estiver realmente disposto, vá andando, mas dá uns 4 km. • Não leve fogareiro. Você corre o risco de não encontrar o combustível correto para seu modelo por lá, já que você não vai poder levar daqui, se for apenas com uma mochila e não estiver a fim de despachar no avião e correr o risco de perder suas coisas no meio da viagem e chegar lá sem nada. Esse foi meu medo. Aprenda a fazer um fogareiro, utilizando apenas álcool, na internet. A Marion fazia seu rango e fervia água com um desses. • Programe-se para entrar no Parque Nacional no domingo, no primeiro Transfer. Você vai economizar $100 Pesos. • Não faça passeios como o Bus Tour, por exemplo. Você não precisa pagar para conhecer os principais pontos de Ushuaia. Uma busca no google e algumas pernadas vão te garantir isso, sem gastar um tostão. • Considere se realmente quer fazer o passeio pelo Canal Beagle. Acho um pouco caro demais pelo que é, para quem não está a fim de gastar tanta grana. Existem outros passeios que eu acho que seriam mais interessante, pelo menos pra mim, e custariam bem menos ou quase nada. A Marion, por exemplo, chegou em Ushuaia sem roteiro algum. Ela não planeja seus destinos. Simplesmente chega, e decide o que conhecerá. Ela gostou muito da ideia de navegar pelo Beagle. Mas quando ouviu o preço, na hora descartou a possibilidade. Já sobre a Laguna Esmeralda, adorou saber que era grátis e que podia chegar até a trilha andando ou de carona. Então, invoque esse espírito Marion e se desprenda dos custos. • Não coma fora. Isso é de lei. Se você quer economizar, não tenha esse luxo. Não é tão necessário assim. Você vai economizar uma boa grana fazendo teu próprio rango. Bom amigos, acho que é isto. Acabou ficando mais extenso do que eu imaginei. É que você começa a escrever e aí, acaba perdendo a noção do tamanho do texto.. Espero que sirva para alguém. No que eu puder ajudar, me coloco a disposição de todos. Um grande abraço e boas trips!!!
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