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  1. Depois de 5 meses de planejamento, no primeiro dia do ano peguei um avião rumo à Patagônia! Eu deveria estar super feliz, mas ao invés disso eu estava triste e com um nó enorme na garganta. Foi minha primeira viagem sozinha. Desejei tanto essa viagem e no meu ímpeto de conhecer o mundo me esqueci que, na verdade, eu sou uma pessoa tímida. É uma luta brava ter que interagir com desconhecidos. Mas não tinha mais jeito. Bastaram 5 minutos de coragem insana. Fui. Ainda bem. A viagem durou 17 dias, que dividi - não proporcionalmente - entre a Patagônia Argentina e a Patagônia Chilena. Fiz o roteiro da seguinte forma: São Paulo ⇒ El Calafate ⇒ El Chaltén ⇒ Puerto Natales ⇒ Torres del Paine ⇒ Punta Arenas ⇒ Ushuaia ⇒ São Paulo. Cheguei em El Calafate pela manhã, peguei um transfer no aeroporto - que custou 180 pesos - deixei minha bagagem no hostel e fui conhecer a cidade. A cidade é pequena, a rua principal me lembrou Campos do Jordão, só que mais simples. Apesar disso, os preços são bem salgados por lá. Os mercados não tem tantas opções e os restaurantes, em grande variedade, também não tem preços muito convidativos. Li muito sobre cada um dos destinos e fui distribuindo os dias de acordo com os meus objetivos em cada um desses lugares. Na volta, almocei num restaurante chamado Rutini: sopa de abóbora, um filé a milanesa napolitano com fritas e uma Quilmes. Paguei 430 pesos. Algo em torno de 60 reais.Caminhei por aquelas ruas tranquilas até o Lago Argentino. Fiquei um bom tempo lá fotografando e sentindo o vento bater no rosto. Vi alguns flamingos de longe e também vi alguns canos de origem duvidosa desembocando no lago. Uma pena. Gastei mais 300 pesos no mercado comprando frutas, amendoim, suco, água, um pacote de pão, um pote de doce de leite e uma peça pequena de mortadela. Isso foi meu almoço, janta e lanche para os próximos dias. Em El Calafate meu principal - para não dizer único - objetivo era conhecer o Glaciar Perito Moreno, uma das maiores geleiras do mundo. Então comprei um passeio na própria recepção do hostel: Tour Alternativo Al Glaciar Perito Moreno. Esse passeio, além de levar ao parque, passa por um caminho "alternativo", vai por dentro da Estância Anita, atravessada pelo rio Mitre, a maior e mais importante da região. O tour é muito atrativo porque o ônibus vai parando na estrada, os turistas descem e tiram fotos à vontade e os guias vão contando histórias - muito interessantes, sobre a colonização da província - que você não saberia de outro modo. O tour custou 800 pesos e o ingresso do parque - pago somente em dinheiro, na entrada do parque - saiu por 500 pesos. Foi barato? Não. Valeu a pena? Muito! Esses passeios, e qualquer outro, são fáceis de encontrar. Há muitas opções de agências no centro da cidade. Se você for mais ansioso (a), também tem a opção de comprar antecipadamente, pela internet.Chegando no parque, a estrutura surpreende. São quilômetros de passarela, nos mais diferentes ângulos, para você apreciar o Glaciar Perito Moreno e toda a natureza daquele lugar fantástico. Foi uma das coisas mais incríveis que eu já vi na vida. Me faltam palavras para descrever. É majestoso. A natureza é maravilhosa. Fiz o passeio mais simples do parque: a pé, através das passarelas. Mas vale lembrar que existem passeios de barco e caminhadas em cima da geleira também. O que eu te digo sobre esse lugar: você precisa ver de perto. Não há foto ou vídeo capaz de reproduzir toda a sua grandiosidade. Os sons do gelo caindo, o sol refletindo naquela imensidão branca, os inúmeros tons de azul, os pássaros, o vento. Tudo. A natureza é perfeita. Cada pedacinho dela. Espero que esse relato tenha te deixado, no mínimo, curioso para ver com seus próprios olhos. Fico por aqui, mas logo eu volto para continuar contando a minha aventura pela Patagônia. O melhor ainda está por vir! Ah! E o que eu aprendi até aqui: encare seu medo. Até logo, aventureiro!
  2. Saravá, mochileiros! Me sinto na obrigação de fazer um relato completíssimo aqui no fórum da viagem que fiz na Patagônia Argentina sozinho em dezembro de 2017, uma vez que 98% da trip foi inspirada em dois relatos aqui do Mochileiros! Esses daqui: Carol (https://www.mochileiros.com/topic/54824-trilhas-em-el-chalténel-calafate-10-dias-sozinha-na-patagônia-argentina-out2016/) e Rezzende (https://www.mochileiros.com/topic/57467-imensa-patagônia-ushuaia-el-calafate-el-chaltén-e-bsas-em-15-dias-fev17/). Vale muito e leitura além do meu relato! Antes de tudo, assistam o vídeo compilado da viagem que eu fiz! Gastos Vamos começar com os gastos, questionamento mais frequente que eu tive. Fiquei 10 dias totais, sendo dois de deslocamento e 1 de descanso (essencial!). Aqui vão: Passagem Aérea LATAM: R$ 1396,00 Seguro Viagem Assist Card: R$ 139,00 Passeio Minitreking Perito Moreno (já com entrada do Parque): R$ 738,00 Hostels EL Calafate e El Chaltén: R$ 463,00 Comidas, Cartão de Crédito e Extras: R$ 1000,00 Total com passagem aérea: R$ 3736,00 Total sem passagem aérea: R$ 2340,00 Eu ainda gastei uma grana com roupas e afins, mas nem vou contar como gastos dessa viagem porque trato como um investimento pras próximas haha! Câmbio Fiz o câmbio R$ - US$ no Brasil (300 dólares) e troquei para ARG$ no Aeroparque em Buenos Aires. Péssima ideia! Perdi uns 100 reais nessa bagunça, então o que eu recomendo, caso o real esteja forte, é trocar os R$ em espécie no aeroporto direto pra pesos! Maaas tava tudo na paz! Hostels Em El Calafate fiquei 2 dias no Bla! Guesthouse. Ele é bem centralizado, pertinho da avenida principal, com mercado perto, correios, bares e restaurantes. No geral bem confortável, com um café da manhã muito bom e bem limpo. Recomendo! Em El Chaltén, optei por retornar todos dias para o hostel ao invés de acampar, já que não tinha experiência. Foi no Condor de Los Andes, hostel bem confortável também, no entanto com um café da manhã bem mais ou menos, mas pelo menos tava incluso! Recomendo! Condicionamento Físico A história dessa minha viagem é bem legal. Um dia estava no trabalho e já estava procurando coisas pela América Latina para viajar no fim do ano. Eis que me aparece um pop-up da Laguna Los Tres, um dos lugares mais incríveis que vi nessa viagem, e cliquei. E foi batata: No dia seguinte, após passar o resto do dia inteiro lendo sobre a Patagônia estava comprando passagem aérea na loucura! A ideia era fazer as trilhas e ver o Minitrekking. Depois que me dei conta: "Será que você consegue fazer as trilhas, Victor?". Eu estava estudando pra um concurso em setembro (tudo isso foi em junho) e estava desde fevereiro paradão (sempre gostei de correr!). Então, depois do concurso, passei outubro e novembro treinando todos os dias resistência, e consegui perder 4kg e ficar com uma resistência bem boa! Fiz uma média de 21,3km diários nos 10 dias de viagem, então é uma trip que requer sim um bom condicionamento. Mas dá! Só não vá sedentário haha. Roupas Li nos relatos que me baseei que uma roupa impermeável era essencial, além de um fleeche e um anorak. E realmente foram! A Patagônia é uma loucura, então o tempo muda de pato pra ganso...do tipo tá muito calor um dia e do nada começa a ventar, ainda com sol, mas o que te faz usar um corta-vento. Não usei luvas nem cachecol, e não peguei nenhum dia de chuva! Mas sempre bom se prevenir com um anorak impermeável. Usei bastante também bandana/protetor de pescoço, pra proteger orelha de queimar, cabeça. Sobre sapatos, peguei uma bota impermeável do meu pai, que durou UM DIA. Depois a sola começou a descolar, e tive que comprar aquelas colas de sapateiro. Mas não aguentou a viagem toda! Minha última trilha em Chaltén foi com um tênis emprestado, e fiz 3km da penúltima trilha de meia! Fiquei arrrependido de não ter levado um tênis de corrida, dava total! Comprei ainda um bastão de trekking que AJUDOU MUITO, principalmente nas descidas das trilhas de Chaltén! Só coprem! Não é necessário o par, um já basta, até para deixar uma das mãos livres! Roteiro A viagem aconteceu entre 4/dez e 13/dez de 2017. Aqui vai o roteiro: Dia 1 - 4/dez/2017: Deslocamento: 08h00 Voo SP-Buenos Aires 15h40 Voo Buenos Aires-El Calafate Cheguei umas 17h30 em Calafate, e já na semana anterior à viagem, o pessoal do hostel ofereceu um serviço de transfer do aeroporto pra lá poe 150 pesos! Foi ótimo e já tinha uma plaquinha me aguardando (mór daora). Nesse dia, ainda conheci o Steffen no transfer, um alemão que falava português fluentemente, e fomos tomar uma breja e comer uma pizza de boas, já que no próximo dia ia fazer o Minitrekking em Perito Moreno. Dia 2 - 5/dez/2017: Minitrekking Perito Moreno: 10,6km andados, dia inteiro Tinha reservado o passeio com a Hielo y Aventura duas semanas antes. Li nos relatos que o passeio lota, e como são grupos pequenos, é melhor reservar sim! A empresa tem o monopólio do turismo no Glaciar, então qualquer passeio que comprar de outras agências estará comprando deles! Melhor fazer diretão então, né? E como um bom monopólio, eles levam o preço láa em cima, devem ter visto nos gastos no início do texto! Mas como sabia que não voltaria pra Calafate tão cedo, achei que valia a pena. E valeu! Andar no gelo é sensacional. O passeio dura o dia inteiro, e você fica umas 2h horas andando na geleira. Mas ainda visita o parque, fica nas passarelas vendo os gelos caírem. E é SÓ no Minitrekking que eles servem o whisky na própria geleira! Fiquei sabendo que no Big Ice eles servem no barco apenas. O passeio é muito bunito e faz um barulhão da porra todo aquele gelo escorregando montanha abaixo! Eles te buscam e te deixam no hostel, então é show de bola! No fim do dia, ao voltar pro hostel, conheci três garotas de Brasília gente finíssimas! Fomos tomar uma breja junto com o alemão lá de noite e ainda iria encontrá-las em Chaltén no dia seguinte! Em Calafate, os bares que valem a pena são os de cerveja artesanal, mesmo preço da Quilmes de supermercado! Dia 3 - 6/dez/2017 - Ida para Chaltén + Miradores de Las Águilas e de Los Condores: 18,5km andados, 40min ida e 40min volta. Comprei o busão pra Chaltén de manhã, no próprio hostel, pra sair as 13h da rodoviária de Calafate. Paguei $600 pesos. E fui enganado! Descobri que tinha van por $450 pesos na própria rodoviária. Mas o busão que eu peguei era "de elite", tinha dois andares, lugar pra deitar...foi bem confortável, mas pegaria a van de boas. Tanto que na volta peguei. A empresa van é a Las Lengas! (http://www.transportelaslengas.com/es/). Antes de ir, passei a manhã na vila, mandei uns cartões postais e o mais importante: fiz compras. Fiquei sabendo que os mercados da vila de Chaltén são caríssimos, então comprei em Calafate 1 pacote de pão de forma, uma lata de atum, cream cheese, frutas e barrinhas de cereal. Basicamente essas foram as minhas refeições nos 6 dias de Chaltén! Melhor rolê! Chegando em Chaltén, umas 16h30, o busão para no centro de visitantes para explicar as regras da cidade, como a água é potável, cuidado com os animais (inclusive pumas!), etc. Fiz o check-in no hostel e já peguei minha mochila de ataque, bastão de trekking, a GoPro e parti pros Miradores Águilas e Condores, que ficam pertinho da cidade. Como era verão e anoitecia às 23h, tava suave para ir! Achei ótimo ter um panorama do que ia ver nos próximos dias de trilha, já que além da vila dava pra ver um aperitivo do Fitz Roy e do Cerro Torre. A noite ainda encontrei as meninas de Brasília e ficamos tomando vinho barato no hostel delas! Mirador de Los Condores! Mirador de Las Águilas! Dia 4 - 7/dez/2017 - Laguna Los Tres (Fitz Roy): 40,7 km andados, 4h ida e 6h volta (me perdi e fiz um caminho mais longo haha) E chegou o dia do graande motivo de ter escolhido a Patagônia de viagem! Aquele pop-up da Laguna Los Tres virou realidade! Fiz a ida pela Hosteria El Pilar, em que você pega uma van que sai do seu hostel e te deixa na Hosteria, onde tem o início de trilha. A volta foi na trilha que chega na cidade, só que eu consegui a proeza de ME PERDER e perceber depois de uns 8km andando na trilha alternativa. Calma, detalhes virão haha. O caminho na ida da Hosteria é muito bonito, você passa pelo Glaciar de Piedras Blancas, coisa que não faz quando vai pela vila. Além disso, o caminho é bem plano em comparação com a ida pelo caminho da vila, o que é essencial já que no fim da trilha, para subir até a Laguna Los Tres, é uma subidona do baralho! Cheio de pedras e beem íngrime. Então poupe energia! Aliás, aqui que percebi o quão o bastão de trekking foi ótimo. Parabéns aos envolvidos! Chegando na Laguna vem o baque: que lugar espetacular! O azul do lago é muito mais azul que o pop-up que eu vi! O tamanho do Fitz Roy é muito maior que a tela do laptop! E o lugar é o paraíso da calma. Claramente me emocionei ao bater o olho pela primeira vez, é inacreditável. Pensar que estava realizando aquele sonho, depois de um ano tão corrido, dando um presente pra mim, viajando sozinho...sem palavras. Fiquei das 13h às 17h30 naquele lugar, não dava vontade de sair! E como um bom brasileiro, apostei com uma garota da Nova Zelândia, a Lucy, que conheci lá em cima da Laguna que ela não nadava comigo naquela água gelada. E nenhuma surpresa: CHALLENGE ACCEPTED, a moça era tão sem noção quanto eu! E láa fomos nós nadar a 0º num dos lugares mais bunitos que já vi! Fiquei trocando ideia com um povo do hostel que encontrei lá também, todos viajando sozinho e eles começaram a voltar lá pelas 16h. Quis ficar um pouco mais, e como estava planejando 4h de trilha de volta, tava tranquilo, teoricamente chegaria às 21h, de dia ainda! Mas senta que lá vem história! Fiz a primeira parte da volta tranquilo, caminho certo. Até que tem uma bifurcação: de um lado, Chaltén pelo caminho da vila, do outro uma trilha que conecta a trilha pra Laguna Torre com a da Laguna Los Tres. E o que o panguão aqui fez? Claramente entrou errado. Só fui perceber que estava completamente perdido 2h depois, no meio do caminho do Cerro Torre. E isso eram 20h30...Ou seja, tinha 2,5h a mais de sol pra fazer um trecho de trilha que demora umas 3h haha. Imagina um maluco correndo, sozinho, descida abaixo no caminho de volta do Cerro Torre, morrendo de medo que um Puma aparecesse de noite haha. Graças aos deuses patagônicos, 22h50 estava chegando em Chaltén, num pôr-do-sol espetacular, de presente pro perrengue. Aí tá a explicação dos mais de 40km andados nesse dia! Salve o verão patagônico! O legal é que, por conta desse caminho alternas que eu fiz, acabei conhecendo duas lagunas que não estava planejando visitar! A Laguna Madre e Hija! E particularmente as achei muito mais maneiras que a Laguna Capri, que conheceria no dia seguinte! A noite encontrei o povo que conheci lá no pico e ficamos tomando umas cervejas e dando risada do perrengue haha. Bora descansar que no dia seguinte também tinha trilha! Caminho pela Hosteria El Pilar! Esse é o Glaciar Piedras Blancas Mergulho a 0º! Pensem num lugar da paz! Laguna Madre e Hija, que conheci só porque me perdi! Haha Pôr-do-sol às 22h50, pós perrengue! Dia 5 - 8/dez/2017 - Chorrilho del Salto + Laguna Capri: 24,5km andados, o dia inteiro andando. Depois da aventura dos 40km rodados no dia anterior, optei por algo mais leve: Primeiro fui com o pessoal que conheci na Los Tres pra Chorrilho del Salto, uma cachoeira que fica 1,5h de trilha da vila. Foi bem de boa, a cachoeira é bunita, mas nada espetacular. Mas vale a pena, principalmente algum dia que você quer pegar leve! O pessoal só fez ela no dia, mas eu, o panguão, como errei o caminho no dia anterior, ainda não tinha conhecido a Laguna Capri! Ela normalmente se faz na volta da Los Tres, já que fica no caminho pro Fitz Roy via trilha. E lá fui eu sozinho ver a dita cuja. A subida da trilha pela vila é realmente bem íngrime no início, por isso que o povo faz pela Hosteria. A Capri fica no meio do caminho do Fitz Roy. No geral foi uma trilha tranquila, muita gente voltando do Fitz Roy, poucas indo. Na volta, lá pelas 19h, estou passando cansadíssimo na avenida que sai da trilha e ouço uma garota começar a gritar no meio da rua "Victooooorrr". Era a Lucy, a neozelandeza que nadou comigo! Ela tinha feito a cachoeira de manhã comigo e tava com o Thomas, um belga, que também conheci no pico da Los Tres tomando uma breja no happy hour de um dos bares. Fui lá com eles, ficamos um pouco e ainda passamos no mercado, compramos um macarrão e comemos no hostel os três. Mais uma vez demos bastante risada do perrengue. Chorrillo del Salto! Laguna Capri! Nada demais, mas vale o passeio! Só não se perca! Dia 6 - 9/dez/2017 - Descanso e passeio pela vila: 4,1km andados Tantos km andados até então, me dei um dia de descanso, já planejado quando estava programando a viagem. Mas como me sentiria um inútil ficar no hostel o dia inteiro, dei um passeio de 1h na vila, atrás de uns souvenirs..mas acabei comprando uma bandana do Fitz Roy e um mapa topográfico da região pra enquadrar! Melhor souvenir! Foi o único haha. De resto, hibernei a partir das 20h. Dia 7 - 10/dez/2017 - Loma del Pliegue Tumbado: 27,5km andados, 4h ida e 4h volta. Aí tava o segundo lugar que queria mais ver! Saí cedinho no domingo dia 10 pra fazer o Pliegue Tumbado, que é um vale imenso que dá pra ver a Laguna Torre de cima, além de conseguir ver todas as montanhas de Chaltén. É espetacular! E a trilha é bem legal de se fazer. A ida é constantemente íngrime, mas nada de morrer. Apenas inclinada. Mas o mais louco é que você passa por váarios ecossistemas no caminho. Saí no deserto, passa por uns lagos, uma floresta cheio de árvore, um campo de pampas e termina numa área de montanha cheia de pedra. É muito legal mesmo! Gostei mais desse caminho do que o caminho para a Laguna Los Tres! O mais engraçado que o povo não bota muita fé nessa trilha por não ter uma própria laguna, mas pra mim foi pau a pau com a Laguna Los Tres! Por conta disso, o lugar é vazio. Fiquei sentado lá um tempão, almoçando, e tava um solão de invejar! Depois de 1,5h sozinho lá em cima, quem surge? O Thomas, o belga que conheci no Fitz Roy. Ficamos trocando uma ideia até umas 16h, quando resolvemos voltar. Nesse dia, fomos comer uma carne com um americano, o Ilan e duas amigas americanas dele, a Ellie e Christine! Não é que nos demos tão bem que a Ellie e a Chris foram fazer a Laguna Torre com a gente no dia seguinte! Pliegue Tumbado! "Pulo" Tumbado! Dia 8 - 11/dez/2017 - Laguna Torre: 23,1 km andados, 4h ida e 4h volta E chegou o último dia de trilha! Fomos eu, as duas americanas e o belga fazer a Laguna Torre. O dia tava sol, mas tinha uma nuvem bem em frente ao Cerro Torre! Então não dava para ver direito. Mas tudo bem, já que tinha visto o pico com uma clareza especular no dia anterior, do Pliegue Tumbado. Fazer a trilha com eles foi engraçado, as meninas eram divertidíssimas. A Laguna Torre não é tãaao massa quanto a Laguna Los Tres, tem uma cor diferente, mais opaca, mas o lugar é muito legal! Vale o passeio. O engraçado é que já tinha feito metade do caminho no dia que me perdi haha. E pude ver o QUÃO longe eu tava quando percebi que estava perdidão. Só alegria! E ahh, mais uma vez, virei pra americana, a Ellie e a desafiei para nadar comigo na Laguna Torre! Não deu outra, assim como a Lucy, a americanazinha do Colorado era doida também e láa fomos nós pular na água, cheio de icebergs! Sim, eu zerei as lagunas nadáveis de Chaltén! A noite fiz um jantar pra todos no hostel e ficamos tomando vinho de caixinha! Melhor rolê! Laguna Torre com icebergs e nuvem no Cerro Torre! Eu e Ellie no verão patagônico de 0º! Magnífica Chaltén! Dia 9 - 12/dez/2017 - Deslocamento para o aeroporto de Calafate + Voo pra BsAs: 2,6km andados De manhã um café da manhã show com o pessoal antes de pegar a van Las Lengas direto pro aeroporto de El Calafate. O voo saiu às 17h30! Cheguei em BsAs, no Aeroparque umas 20h30. Tinha que trocar de aeroporto, já que o voo pra São Paulo saía de Ezeiza, que é o aeroporto "longeparacaraleo" da cidade. Mas foi batata: 200 pesos (o que dá uns 40 reais) o busão entre os aeroportos, demora uns 50min a viagem. A cia que usei foi a ArBus, empresa que além do translados entre aeroportos, também faz translados dos aeroportos para o centro da cidade, entre outros bairros. Achei ótimo! Sei que o Tienda Leon também faz, mas é mais caro! Viagem bem confortável, e dá pra comprar na hora! Chegando em Ezeiza, já fui pro embarque e arranjei um cantinho para dormir até o voo sair às 4h da manhã. Dica: vá para os últimos portões, depois do portão 12, que tem umas cadeiras inclinadas e com encosto grande! Perfeito pra dormir! O dia "10" foi apenas a chegada em SP, nada além disso. Conclusão Essa viagem, até agora, foi a viagem da minha vida, com absoluta certeza. Foi minha primeira viagem sozinho pra turismo apenas, de contato com a natureza a todo momento, numa paz inexplicável e com um sentimento de dever cumprido após um ano MUITO corrido. Cada momento que passei por lá foi de reflexão e autoconhecimento, de forma que voltei alguém muito mais de boas com a vida. Voltei com um sentimento de querer conhecer mais lugares de natureza (Atacama, Salar, além da própria Patagônia Chilena e o resto da Patagônia Argentina, além dos inúmeros parques nacionais aqui do Brasil). Emagreci 2kg na viagem, me sinto muito mais disposto depois de andar tanto e voltei querendo tornar o trekking um hobby na minha vida. E vai acontecer! Já estou planejando um trekking pro Pico da Bandeira pra 2018. Espero que eu tenha ajudado a dar um norte pra viagem de vocês e cara, se estão nessa vibe de fazer trilha mas estão com medo de elas não terem guias, não terem condicionamento, medo de viajar sozinho, DESCONSTÓI, TREINE e SÓ VAI! Não se arrependerá!! E responde aqui postando o relato que vou ler com certeza! Aqueele abraço pros leitores e partiu mais uma viagem! Salve a Argentina e Salve a Patagônia!
  3. Olá Mochileiros e Mochileiras! Vim aqui deixar meu relato de viagem ao Chile e Patagônia por algumas razões. Uma delas é por conta de uma das minha cias de viagem, a minha avó. Acredito que muitas pessoas talvez tenham até vontade de fazer uma viagem dessas com pais, ou avós ou até mesmo crianças e tenham receio por acharem muito "selvagem". Mas tem como fazer uma viagem dessa ficar acessível a essas pessoas e ainda sim ser incrível para todos. A outra razão é para compartilhar algumas dicas e perrengues pelos quais passamos e ajudar outros viajantes. Escolhemos viajar em outubro pois li que era quando inicia a temporada de passeios na Patagônia. O bom é que o clima já está bem mais ameno comparado ao inverno, porém, ainda não é a alta temporada, o que torna os passeios menos caros (eu não disse baratos, ok?) e as atrações menos cheias de gente. Saímos de Brasília no dia 11 de outubro à noite, pela GOL e fizemos conexão no Rio de Janeiro. Como nosso voo para Santiago era só no dia 12 de manhã, dormimos em um hotel perto do Galeão. SANTIAGO 1º DIA - SEXTA-FEIRA O voo para Santiago foi bem tranquilo, acho que pelo RJ são 4h20 de duração. Nem tínhamos pousado na capital e já estávamos maravilhadas lá de cima com a majestosa Cordilheira dos Andes. Foi o primeiro (de muitos) contatos que tive com as paisagens de tirar o fôlego do Chile. Vai vendo... Como chegamos sem nenhum peso optei por trocar alguns no aeroporto, algo que desse para pegar uma condução até o nosso apartamento e outras despesas iniciais. A cotação do aeroporto é bem ruim, o ideal é trocar o resto depois no centro da cidade. Se bem me lembro, no dia que chegamos estava 1 real = 160 pesos. Pesos trocados, optei por pegar um táxi pois estava com a minha avó. Sei que dá para pegar Uber, porém, como ainda não é legalizado, fiquei com medo de não conseguir encontrar o ponto de embarque. Outra coisa que também é possível são os ônibus para o centro, mas deixarei para quando eu voltar sozinha. Ao chegar vários taxistas irão te abordar, nem olhe para o lado, vá direto para as empresas credenciadas de táxi. O preço para o bairro de Providência é de R$ 20.000 pesos (cerca de R$ 120 reais). Chegamos no nosso apartamento (aluguei pelo Air Bnb e achei um excelente custo benefício. A hospedagem saiu por R$ 1092 reais para 4 dias. Muito organizado, excelente localização, ótima receptividade e uma vista.....ah meu bem, veja por você mesmo....) Vou deixar o link aqui para quem se interessar: https://www.airbnb.com.br/rooms/21106715 Feito o check-in fomos direito para o centro de Santiago com dois objetivos: trocar pesos e comprar um chip de dados de internet para o meu celular. A Afex (a mesma casa de câmbio do aeroporto) fica na Rua Augustinas e estava com uma cotação boa. Trocamos por 1 real = 177 pesos, ou 1000 pesos = R$ 5,65, além de alguns pesos argentinos para a viagem até El Calafate. O chip eu comprei por R$ 2 mil pesos de um vendedor ambulante brazuca que estava no centro. Com o chip já instalado eu fui na farmácia Cruz Verde, fiz uma recarga de R$ 5 mil pesos. Depois fui na loja da Entel, que fica do lado e pedi orientações ao vendedor para a instalação do pacote de dados. Tudo configurado, fomos direto para o shopping Costanera Center almoçar e conhecer o mirante "Sky Costanera". Porém, aqui, vai mais uma dica importante: atente-se às condições meteorológicas para não jogar seu dinheiro fora. Como chegamos em um dia ensolarado, céu aberto, eu pensei: por que não? Porém, chegando lá em cima, percebi que as cordilheiras estavam todas encobertas por "Smog", que é aquela névoa de poluição comum em grandes metrópoles. Ou seja, pagamos salgados 15 mil pesos (cerca de R$ 90 reais) para ver prédios e carros, o que já dava pra ver bem legal da varanda do nosso apto. Terminada nossa experiência, fizemos umas comprinhas de comida no supermercado Jumbo (depois voltarei a falar desse mercado), pegamos um táxi no subsolo do shopping (mais seguro do que pegar na rua, pois os da rua são muito exploradores) e voltamos para casa. 2 DIA - SÁBADO Sábado de manhã fomos dar uma caminhada pelos bairros de Providência e Bellavista, para conhecer a região. Sugeri à minha vó que fôssemos caminhando até a famosa casa do Pablo Nerura, La Chascona, porém, chegando lá, percebemos que era impraticável entrarmos, pois são muitos degraus para conhecer tudo e seria muito cansativo para a minha avó. Retornamos ao nosso apartamento para encontrar a minha tia que havia acabado de chegar do Brasil e seguimos de metrô até o Bairro Paris-Londres. Lá é bem pitoresco, tem umas ruas de paralelepípedo e uma arquitetura diferente. É lá também que tem um memorial para as vítimas da Ditatura do Pinochet, mas quando chegamos, infelizmente, tinha acabado de fechar, então só fizemos umas fotos na entrada mesmo. Mais uma dica: se pretende trocar câmbio no sábado, fique atento, pois as casas fecham ao meio dia, ok? Seguimos andando pelo centro, com várias lojas e comércio variado até chegarmos na Plaza de armas. Conhecemos a Catedral e em seguida o Mercado Municipal. O prédio do mercado é bem bonito, entramos, demos uma olhada e saímos, pois achamos o cheiro de peixe um pouco desagradável...rsrsrs mas vimos muitas pessoas por lá comendo a famosa Centolla, o caranguejo gigante das águas geladas da Antártida. Colocamos na cabeça que não sairíamos do Chile sem provar essa iguaria, porém, em outro lugar. De lá, seguimos para o Bairro Bellas Artes, onde tomamos um café. Depois, voltamos para o apartamento para descansar um pouco e à noite fomos conhecer o famoso Pátio Bellavista, onde tem diversos bares e restaurantes e costuma ser bem movimentado à noite.reservar 3º DIA - DOMINGO Separamos o domingo para conhecer uma vinícola, por indicação de amigos fomos até à Santa Rita. Aqui vai mais uma dica: reserve com antecedência, para conseguir mesa no restaurante. Infelizmente, como deixei para comprar no dia, não havia mais vagas no restaurante e acabamos almoçando no café que fica dentro da vinícola, que tem uma comida bem mais ou menos. Para chegar até a vinícola fizemos uma simulação de quanto custaria se fôssemos de Uber. Cerca de 15 mil pesos, quase 90 reais. Então optamos por ir de metrô até a estação Las Mercedes e de lá pedimos um Uber, que nos custou 5 mil pesos. O passeio foi bem legal, compramos o tour em Português que tinha a degustação de 3 vinhos, além de alguns tipos de queijos. Acho que foi 16 mil pesos, se não me engano. A vinícola é bem bonita, os vinhos são muito gostosos e têm um bom preço. Saí de lá com apenas uma garrafa pois queria voltar para o Brasil com rótulos de várias vinícolas. O tour demorou cerca de 1h, almoçamos e pegamos uma charrete (carreta como eles chamam) até a porta da vinícola para tentar pegar um ônibus até a estação de metrô, pois como o lugar é meio fora de mão ficamos com receio de nenhum uber querer nos buscar. Por sorte, passou um táxi na porta pedindo 15 mil pesos para nos deixar na estação do metrô. Eu disse: "moço está muito caro". Ele respondeu: "10 mil pesos". Eu retruquei: "O uber nos deixou aqui por 5 mil". Depois de pechinchar ele acabou topando e voltamos até o metrô pelo mesmo preço da ida. Chegamos em Providência por volta de 17h e minha ideia era ainda subir o Cerro San Cristobal, pois tinha lido que lá é muito bonito, tem uma vista panorâmica da cidade e um por- do-sol divino. Porém, como era domingo estava lotado, uma fila imensa para entrar e o parque fecha às 18h. Por conta disso, acabamos não conseguindo conhecer o cerro, vai ter que ficar para uma próxima visita à cidade. À noite fomos jantar no restaurante famoso "Como água para chocolate", porém, não achei nada demais. O ambiente é bacana, mas a comida é bem sem tempero. Sou mais a minha...hehehehe 4º DIA - SEGUNDA-FEIRA Separamos esse dia para conhecer o Cajon del Maipo, mais precisamente a represa Embalse El Yeso. Optamos por alugar um carro e ir por conta própria, para termos a liberdade de decidir quanto tempo iríamos ficar e também pelo fato de eu ser traumatizada com excursão. Reservei com antecedência pela internet um carro na Chilean - United rent a car, no Bairro Bellavista, cerca de 500m a pé do nosso apartamento. O bom é que poderíamos retirar o carro lá e devolvê-lo no dia seguinte no aeroporto, onde precisaríamos ir para tomar nosso voo para Punta Arenas. Pegamos um carro comum, compacto, com ar condicionado. Deu conta legal do passeio, mas o clima ajudou bastante também. GPS do celular ligado, seguimos em direção ao Cajon del Maipo e o bom desse passeio é que não só o destino é lindo, mas todo o caminho também. E como estávamos por conta própria, podíamos parar na estrada para tirar fotos e admirar as belezas do caminho. De modo geral achei a estrada bem tranquila, mas como eu disse, o dia estava lindo e o clima ajudou muito. Depois de passar pela porta da represa a estrada fica um pouco pior, com curvas bem sinuosas e o chão de terra. Nesse trecho em especial é bom ir devagar e ficar bem atento, pois o espaço é bem estreito para dois carros passarem. Ao chegar mais perto da represa, para nossa surpresa: um grande engarrafamento. O lugar estava muito, mas muito cheio. E como têm trechos que não passam dois carros, você tem que esperar um monte de carro descer para conseguir subir. Muita gente já ia largando o carro pelo meio do caminho e subindo a pé, mas o sol estava muito forte e minha vó estava no carro, então esperamos cerca de 1h para conseguir subir. Depois, ficamos sabendo que aquele dia (15 de outubro) é feriado no Chile, então se eu puder te dar uma dica é: evite ir em domingos e feriados para não passar por isso. No dia em que fomos tinham vendedores ambulantes, banheiro químico, etc. Não sei se é assim todo dia ou se estava assim por conta do feriado. Então aproveite para tirar a aguinha do joelho no restaurante que tem antes da entrada de acesso à represa (El Tarro). Outra opção (bem mais barata) é levar seu próprio lanche. O clima lá é muito doido, estava quente, um sol de rachar e do nada dava uma rajada de vento congelante! Vá de roupas confortáveis, use muito protetor solar e leve um bom casaco para os momentos de vento. Perrengues à parte, o lugar é muito bonito e todo passeio valeu muito a pena. PUNTA ARENAS 5º DIA - TERÇA-FEIRA Saímos bem cedinho para o aeroporto rumo ao nosso primeiro destino da Patagônia chilena: Punta Arenas. E por que escolhemos essa cidade? Pois o sonho da minha avó (e confesso, meu também) era conhecer os pinguins de Magalhães, uma colônia que pode ser visitada de barco a cerca de 40 minutos da cidade. Mas vou contar dessa cilada passeio já já. Continuando, fomos até Punta Arenas de Sky Airlines, uma empresa low cost do Chile e a viagem foi ótima, sem nenhum contratempo. Chegando no aeroporto retirei o carro que havia reservado pela Avis, dessa vez um carro melhor, pois íamos pegar algumas estradas mais longas com ele. Detalhe importante: como iríamos cruzar a fronteira até a Argentina, foi preciso fazer uma solicitação à empresa com 10 dias de antecedência da viagem para que eles providenciassem a documentação necessária a ser apresentada. Sem isso você não consegue atravessar a fronteira. Segundo detalhe importante: ao chegar no nosso hotel (link para o hotel: https://www.booking.com/hotel/cl/finis-terrae.pt-br.html) me dei conta de que havia perdido o meu papel da PDI (que eles te dão na imigração quando você entra no país). Sem esse papel você pode ter problemas para sair do Chile. Por sorte, havia a poucas rua do hotel um prédio da PDI e foi bem fácil para eu tirar uma segunda via. Como não tínhamos nada programado para esse dia acabamos indo conhecer a famosa Zona Franca de Punta Arenas e achamos uma loja com preços incríveis para comprar casacos e roupas de frio. Não lembro o nome, mas é uma loja de departamento grande, é bem fácil de achar. Fizemos nossas compras e voltamos à cidade. À noite fomos jantar em um restaurante chamado La Marmita, bem aconchegante e perto do nosso hotel. Gostamos tanto de lá que voltamos no dia seguinte para almoçar. O Ceviche e a Centolla são bem gostosos! 6º DIA - QUARTA-FEIRA Esse, para mim, foi o dia mais marcante da viagem. Se por um lado, eu amei, por outro, odiei. Vou dizer por que. Contratamos o passeio até a Isla Magdalena com a empresa Solo Expediciones. Não é nem um pouco barato são 63 mil pesos por pessoa (Cerca de R$ 380 reais), mas para mim valia tudo para ver os pinguinzinhos em seu habitat natural. E lá fomos nós, às 6h30 da manhã até a agência para pegar o traslado. Um ônibus nos levou até um porto para tomar o barco bote até a Isla Magdalena. Juro, devia ter umas 30 pessoas e o barco era bem pequeno, parecia uma cápsula motorizada. Só de ver aquilo já me deu uma agonia, mas tudo bem, eu estava lá para me aventurar. Quem me conhece sabe que eu tenho problema com barco, pois enjoo muito fácil e por isso mesmo tomei um remédio antes de ir. Só que eu não tinha noção de como era o tal estreito de Magalhães. Parecia que o nosso barquinho estava participando do programa "Pesca mortal" do Discovery, ele pulava tanto, mas tanto, que eu não aguentei nem 10 minutos antes de perder a minha dignidade na frente de todos. Não teve jeito, fiquei os 40 minutos da ida passando muito, mas muito mal mesmo. O bom é que assim que o barco atracou e eu coloquei os dois pés em terra firme o enjoo passou na hora e pude curtir os meus tão sonhados pinguins. Dica: lá tava fazendo um dia lindo, muito sol, e mesmo assim a sensação términa era de -3º. Ou seja, vá bem agasalhado. Mesmo assim, a 1h que passei com os pinguins me fez esquecer todo o perrengue que eu passei, foi muito incrível a experiência. Na volta o barco circundou a Isla Marta para o pessoal ver e fotografar os Leões Marinhos, mas eu ainda estava muito nauseada e só conseguia pensar em voltar logo para terra firme e recuperar a minha dignidade. Esse dia foi a primeira aventura de verdade que a minha vó viveu na viagem, pois não foi fácil se segurar dentro daquele barco com um mar tão revolto. Se você gosta muito de pinguins e não curte barcos, uma opção é visitar a Pinguineira Otway, que tem acesso a partir do continente. Retornamos do passeio as 13h, almoçamos e já pegamos estrada até Puerto Natales. Sobre essa estrada: ela faz parte da Ruta del fim del mundo e foi a melhor que eu dirigi na minha vida. Muito bem pavimentada, pouco movimentada, muitas belezas pelo caminho. Dá vontade de meter o pé, hehe, mas tem que tomar cuidado com os ventos laterais que desestabilizam o carro. São pouco mais de 3h de Punta Arenas até a cidade que é a porta de entrada para o parque Torres del Paine. Dica importante: encha o tanque do carro antes de sair de Punta Arenas, pois não existe um posto sequer entre uma cidade e a outra. PUERTO NATALES Como essa época do ano no Chile demora bastante para escurecer, chegamos lá em Puerto Natales por volta das 18h e ainda conseguimos pegar um belo pôr-do-sol na praça da cidade. Fiquei impressionada com a quantidade de cachorros de rua que existem por lá e são todos muito lindos, dá vontade de levar pra casa. Fizemos o check-in no hotel (Link para do hotel: https://booki.ng/2T5VvVf), demos uma volta no centrinho e fomos jantar em um restaurante muito bom chamado Cafe Kaiken. Lá, experimentei o famoso prato chileno Lomo a lo pobre, que é uma carne de vaca com dois ovos fritos em cima, cebola e batata frita. Estava muito gostoso! 7 º DIA - QUINTA-FEIRA Seguindo a programação, reservamos todo o dia para conhecer o parque Torres del Paine. Na minha opinião, o segundo ponto alto da viagem, um dos lugares mais bonitos que já conheci. Existem inúmeras opções de conhecer o parque, seja a pé, seja de carro, seja de excursão. Como estava com a minha vó, optamos por ir de carro, no esquema bate e volta e, para mim, foi muito lindo e suficiente. Existem duas estradas que dão acesso ao parque, uma mais longa e uma mais curta. Nós fizemos a mais longa na ida (é bem mais bonita e também em melhor condições) e a mais curta na volta (depois percebemos que apesar de mais curta não é mais rápida, porque tem muita curva, é de terra e não é bem sinalizada). Na ida, além de ver as lindas montanhas de gelo no horizonte, vimos muitos animais, ovelhas, vacas, cavalos, tem um mirante lindíssimo do lago Sarmiento já perto da entrada do parque. Logo mais a frente, nos deparamos com a cena mais linda, um guanaco sozinho pastando na beira da estrada com as montanhas cobertas de gelo ao fundo. Emocionante! Seguimos direto em direção às Lagunas Amarga e Azul, pois além de muito bonitas são os trechos do parque com maior chance de ver os Guanacos, animais que parecem uma mistura de Lhama com camelo. E não foi diferente do esperado, tem muitos mesmo, inclusive tome cuidado pois eles correm no meio da rua e podem pular na frente do carro. Fizemos fotos incríveis e quando nos preparávamos para entrar na Portaria Sarmiento percebemos que o carro estava com 1/4 de tanque. Que amadorismo da nossa parte! Já tinham me alertado que lá não existem postos de gasolina, mas foi uma distração nossa mesmo. A única solução que encontramos para não inviabilizar nosso passeio foi voltar até Puerto Natales, abastecer e retornar ao Parque, desta vez direto para a portaria Sarmiento. Chegando lá de volta, pagamos o ingresso para entrar no parque (21 mil pesos por pessoa, vale ressaltar que pode ser pago no cartão de crédito) e nos deram um mapinha bem completo com todas as atrações do parque. De cara já vimos o trajeto que poderia ser feito de carro e seguimos em direção ao salto grande e ao lago Nordenskjöld. No meio do caminho, paramos para tirar fotos no mirador deste lago, que é maravilhoso e seguimos para a cafeteria Pudeto, onde fizemos um lanchinho (mais uma vez, se quiser economizar, leve seu próprio lanche). Em seguida subimos de carro para o mirante do salto grande, paramos o carro, fizemos uma caminhada rápida e já demos de cara com o paraíso. Desse ponto é possível fazer uma caminhada de aproximadamente 1h até o Mirador Cuernos, porém não fizemos pois estávamos com a minha vó e achamos melhor poupá-la pois ainda tinha muitas coisas para ver. Seguimos pela estrada de carro em direção ao lindíssimo lago Pehoé, onde também tem um mirante que nos rendeu mais um show de fotos e vista espetacular. Nossa próxima parada era o Lago Grey, então não perdemos tempo e rumamos para lá, pois já começava o cair da tarde. Estacionamos o carro e fizemos uma caminhada bem agradável de uns 30 minutos por um bosque que tem uma ponte bem bacana que passa por cima do rio Pingo. Seguimos em frente até chegar ao lago, que tem uma prainha toda de pedra. Contemplamos, fizemos fotos, porém decidimos não caminhar até o mirador Grey por dois motivos: já estava escurecendo e a vó já demonstrava sinais de cansaço, então como já íamos ver glaciares na Argentina, resolvemos voltar. Para otimizar nosso retorno a Puerto Natales voltamos pela estrada que passa pela sede administrativa do parque (aquela mais curta que eu falei antes). Foi um pouco tensa a volta, pois já era tarde, o sol começou a cair e a estrada é bem sinuosa, escura, tem muito coelho que se joga na frente do carro (ainda bem que não atropelamos nenhum) e é bem estreita, sem sinalização...enfim, a volta definitivamente não foi legal, talvez se não tivéssemos perdido tempo no passeio pela falta de combustível na ida a gente tivesse conseguido voltar mais cedo e não passar por isso. À noite, para recuperar as energias fomos direito para o restaurante comer. Desta vez escolhemos um chamado El Bote, que tem a melhor carne que eu já comi em toda a minha vida (carne mechada). Serve muito bem duas pessoas, sobrou bastante, e olha que eu comi muito! EL CALAFATE 8º DIA - SEXTA-FEIRA Escolhemos dar um pulo para conhecer a Patagônia Argentina, mais precisamente o Parque Nacional Los Glaciares, onde tem um dos glaciares mais bonitos do mundo, o Perito Moreno. Seguimos para El Calafate ainda de manhã e cruzamos a fronteira sem problemas, pois toda a documentação estava correta. Dica importante: existem dois caminhos para El Calafate, um mais curto e um mais longo. Tanto o pessoal da locadora de carros, quanto da fronteira nos alertou para evitarmos o mais curto, pela condição ruim da estrada. Então optamos, por segurança, pegar o caminho mais longo, que é cerca de 4h30 de viagem saindo de Puerto Natales. Não tem posto de gasolina durante um longo trecho, então encha o tanque antes de sair de Puerto Natales. Na entrada da província de Santa Cruz, já na argentina, os policiais pediram para abrirmos o porta-malas, mas só deram uma olhada por cima e já nos liberaram. Na primeira cidadezinha já paramos em uma loja para comprar um chip Argentino de celular para acesso de dados de internet. Não foi tão fácil configurar dessa vez pois precisava ligar na operadora e informar alguns dados, mas o rapaz da loja foi bem gente boa e nos ajudou. Apenas pediu para quebrarmos o chip quando terminasse a viagem, já que estava com os dados dele. Continuamos a viagem, mais longa e bem mais tediosa que as anteriores, pois são muitos trechos sem absolutamente nada para se ver, apenas campos de vegetação rasteira, trechos com retas sem fim, parecia que nunca ia chegar no nosso destino. Finalmente chegamos em El Calafate por volta de 15h e fomos direto para o hotel fazer o check-in e deixar as malas (Link do hotel: https://www.booking.com/hotel/ar/aca-el-calafate.pt-br.html) Logo na recepção nos informaram que se quiséssemos conhecer o Glaciar Perito Moreno ainda naquele dia teríamos que sair naquela hora. Então, apesar do cansaço foi o que fizemos, pois não teríamos outra oportunidade de fazê-lo. O acesso ao parque para o Perito Moreno é uns 80km de El Calafate, a estrada é bem tranquila. Logo na entrada do Parque você tem que pagar para entrar (custa 600 pesos o ingresso por pessoa, cerca de R$ 70 e é possível pagar com cartão de crédito). Dentro do parque a estrada também é bem bonita, apenas é preciso ficar atento às curvas. Chegamos no tão esperado Perito Moreno e para nossa surpresa era o horário em que as excursões estavam indo embora, o que eu achei ótimo, pois quanto menos gente, melhor. Lá, tem uma placa com todas as trilhas que podem ser feitas pelas Plataformas. Ao todo, são 5, com tempos e níveis de dificuldade diferentes. Independentemente da trilha, as vistas são espetaculares. Se fizer silêncio você consegue ouvir barulhos como se fossem explosões, do gelo se desprendendo e caindo na água. De arrepiar. Minha vó acabou não descendo com a gente pois ficou com medo de se cansar muito na volta, além disso, o pessoal do hotel foi sacana e fez um terrorismo com o lance das escadas, disseram que era muito exaustivo, etc. Então eu e minha tia descemos pela trilha central, de cerca de 1h enquanto minha vó ficou no mirante lá do alto, perto do restaurante. Quando estávamos voltando acabamos descobrindo que tem um acesso diferente para pessoas com mobilidade reduzida para um mirante que é um pouco mais abaixo e melhor, mas já era bem tarde quando descobrimos e ela acabou não conseguindo descer. À noite voltamos para a cidade para comprar chocolates artesanais no centrinho e jantar. Eu comi no pior lugar da minha vida, um restaurante chamado San Pedro. Além do atendimento péssimo, o bife era muito duro e sem gosto. Fiquei com uma péssima impressão da comida Argentina, pois vinha comendo muito bem no Chile. Quando retornamos ao hotel tivemos uma desagradável surpresa: o padrão de tomada deles é completamente diferente do nosso e do chileno! Nós não tínhamos adaptador, então tivemos que pedir para deixar nosso celulares carregando na recepção. 9º DIA - SÁBADO Fizemos uma reserva antecipada do passeio Rios de Hielo para conhecer mais glaciares do parque. Acordamos bem cedo, pegamos o carro e seguimos para o Puerto Punta Bandera, um acesso diferente do parque Los Glaciares de onde saem embarcações. Estávamos com poucos pesos argentinos e eu já sabia que a gente teria que pagar novamente a entrada do parque, mas não sabia se eles aceitavam cartão por essa outra entrada de acesso ao parque. Perguntei para a empresa que nos vendeu o passeio e eles não souberam nos informar (o que eu achei absurdo). Perguntei no hotel e eles nos disseram que aceitava. Pois bem, fomos até o tal porto e para nossa surpresa, a entrada do parque por esse acesso é apenas em dinheiro. Por conta disso, minha tia desistiu de fazer o passeio e voltou para a cidade, o que foi muito chato. O barco saiu do porto às 9h e foi navegando pelo lago argentino em direção ao primeiro glaciar, o Upsala. No caminho já é possivel ver vários icebergs enormes e todo mundo corre pra fora do barco para tirar foto, mas nesse dia estava nublado em bem frio, então tava difícil ficar muito tempo lá fora. Depois de um bom tempo de navegação chegamos ao Glaciar Upsala, ele é muito, mas muito grande. Não é permitido às embarcações chegar muito perto dele, pois ele está regredindo. Então o barco para em frente a um enorme bloco de gelo para as pessoas fotografarem. Em seguida, ele segue pelo outro braço do lago Argentino em direção ao glaciar Spegazzini, no caminho vemos mais diversos pedaços enormes de gelo até chegar bem pertinho do glaciar e para para mais um tempo de fotos. O passeio terminou por volta de 14h30 (sim, ele é bem longo e eu achei muito tempo de passeio, até um pouco cansativo). Depois descobri que tem um passeio de 1h de duração que visita outro glaciar, acho que teria sido melhor fazer este. Terminado o passeio retornamos ao centro de El Calafate para comermos e abastecermos o carro, pois voltaríamos no mesmo dia a Puerto Natales. Se eu já tinha achado a estrada cansativa na ida, a volta foi muito pior, pois choveu durante todo o trajeto. Para coroar nossa volta, o pessoal da fronteira do Chile nos pediu para tirar todas as malas do carro para passar no raio X, muito bom para quem já estava podre de cansada. rsrs Em Puerto Natales, já de noite, fomos direto para o restaurante comer (voltamos ao El Bote, pois gostamos muito da comida e do atendimento) e dormimos no mesmo hotel que havíamos nos hospedado antes. PUNTA ARENAS - SANTIAGO 10º DIA - DOMINGO Acordamos bem cedinho, abastecemos o carro e pegamos estrada para Punta Arenas, rumo ao aeroporto. Nosso voo para Santiago era meio dia e chegamos por volta de 15h30. Como nosso voo para o Brasil era no dia seguinte, optamos por ficar hospedadas perto do aeroporto (Link do hotel: https://www.booking.com/hotel/cl/lq-by-la-quinta-santiago-aeropuerto.pt-br.html) Como tínhamos tempo de sobra, fizemos o check in e fomos de uber para o supermerado Jumbo, que fica dentro do Costanera Center. Lá tem uma adega excelente, com muitas opções boas de vinhos a preços ótimos. Fizemos as nossas compras, até comprei uma malinha de mão para trazer as minhas garrafas (trouxe 7 no total na bagagem de mão). Eles também te dão plástico bolha de graça para embalar os vinhos. À noite voltamos ao hotel, jantamos e retornamos ao Brasil no dia seguinte às 15h muito cansadas, mas felizes pela grande experiência que tivemos no Chile. Com certeza algo que levarei por toda a minha vida! Gracias, Chile!
  4. PATAGÔNIA 2017 16/01/2017 A 22/02/2017 Patagônia 2017 (Ushuaia, Punta Arenas, Puerto Natales, Torres de Pàine, El Calafate e El Chalten) Tudo começou com aquela de vontade de ir a Patagônia de novo. No dia 16 de Janeiro parti para Ushuaia. Meu intuito a princípio era fazer umas trilhas e conhecer a terra do fim do mundo. Exatamente no dia 16 embarquei em Vix e fui a Ushuaia via Buenos Aires. Foi uma viagem e tanto. No dia 17 cheguei por volta das 9:hs e já enfrentando um frio de 4 graus. fui ao hostel e me instalei. No mesmo dia dei um role pela cidade. no outro dia 18 fui numa trip irada com a http://www.piratur.com uma empresa que te leva para ver pinguins e leões marinhos top. Fomos Fazenda Harberton, caminhada na ilha pinguineira (Ilha Martillo), ilha dos pássaros, Ilha dos Lobos Marinhos, Museu Harberton, Farol Les Eclaireus,Cruise do Zodíaco. No dia 19 fui ao Cerro Martial mas devido a ameaça de chuva descemos mas foi compensador, fizemos quase 15 km. de trekking. No dia 20 fui ao parque nacional tierra del fuego em Ushaia e fui ao correio no fim del mundo. Fiz a trilha de quase todo parque. Puerto Arias, laguna verde, laguna Roca, e a Trilha Costeira. No dia 21 embarquei com destino a punta arenas as pela http://www.bussur.com 08:hs e chegamos por volta das 19:hs. Passamos por San Sebatinan que é a fronteira entre Argentina e Chile. Passamos também pelo estreito de Magalhães mundialmente conhecido pelas suas histórias. Esta viagem foi muito legal pelos obstáculos a serem transpostos. Valeu a pena. Em Punta Arenas pude conhecer um pouco mais da história do estreito de Magalhães. A cidade é muito legal, com seu calçadão e seus monumentos. No dia 23 fui de ônibus para Puerto Natales, cidade de entrada do parque Torre Del Paine, lugar Maravilhoso e com pouco a oferecer aos turistas, mas que é de vital importância para o Paine. No dia 24 embarquei em direção ao Parque. TORRE DEL PAINE 1° dia. Entrada no parque. Hospedagem no Refúgio Las Torres. Início trilha 10:20 h, término 20:30hs. Saindo do refúgio Las torres, Refúgio Chileno. Área de acampar Torres e mirador Base Las Torres. Trilha punk com desnível de 875 metros. Distância. 18 km Tempo. 10:hs Elevação. 875 mts. 2°dia. Saída de do refúgio Las Torres, indo em direção ao Camping Serón as 09:30hs e x chegada as 13:30 h. Esta caminhada foi tranquila. Com Desnível de 475mts. Distância. 12 km Tempo. 4 hs Elevação. 475 mts 3° dia. Saída em direção a Guarderia de Coirón que fica há 3:hs de caminhada. Já que não tinha reservas no Refúgio Dickson, os guardas não me deixaram passar, no Percurso foi observada a presença de ventos de até 60 km/h em um lugar chamado Passo de Los Ventos. Vista do Lago Paine. Rio Paine e Vista do Lago Dickson. Ao retornar ao acampamento choveu bastante. Aumentando ainda mais o frio. Distância. 18 km Tempo 6:hs. Elevação. 250 mt 4°dia. Saída do camping Seron em direção ao acampamento Los Cuernos. Antes uma Passada no Refúgio las torres. Logo em seguida ida ao Refugio e Camping Los Cuernos. Pude observar vários animais no trajeto. o lago que me acompanhou até o refúgio. Foi uma caminhada sensacional. Cheguei no Refúgio e vi que se não tiver vaga acampa em qualquer lugar. Eu só tinha reserva no dia seguinte e acampei de graça . Distância. 23 km Tempo. 9:hs Elevação. 385 mts. 5°Dia. Saída do Refúgio e Camping Los Cuernos x Camping Francês x Camping Italiano x Britânico x Miraxor Britânico x Los Curenos. Caminhada top sem igual. Visual show de bola. Choveu bastante na ida, mas o visual do Mirador Francês e do Mirador Britânico foi sensacional. A trilha nem se fala irada. Vista geral do Glaciar Francês. Glaciar Los Gemelos. Ainda por cima fomos agraciados com várias avalanches que dão um barulho anormal. Distância. 18 km Tempo. 9:hs Elevação. 800 mts 6°Dia. Saída do Refúgio Los Cuernos em direção ao Refugio e Camping Paine Grande, passando pelo Camping do Francês, Camping do Italiano. Guarderia Pehoé e Paine Grande. Distância. 13 km Tempo. 4 horas. Com chuva direto. Elevação. 388 mts 7°Dia. Saída as 8:hs para Refúgio Gray e Glaciar De mesmo nome, subida no início, trecho o tempo todo chovendo, passamos por Laguna Los Patos. Lago Gray. 7°Dia. Saída as 8:hs do Camping Paine Grande para o Refúgio e mirador Gray. Subida no início, trecho o tempo todo chovendo, passamos por Laguna Los Patos. Lago Gray. Refugio Gray e Mirador Gray. O incrível foi ver blocos gigantes de gelo que se desprende do Glaciar. Distância. 25 km. Até o Mirador. Ida e Volta Tempo. 8:hs Elevação 300 mts. Assim encerro minha Expedição a Torres Del Paine. No dia 31 fiquei em Puerto Natales para ir a Caverna do Milondon foi o máximo. Pude também descansar dos dias em Torres del Paine. Irado o Monumento Natural Cueva Del Milodón. Na verdade, são 3 cavernas. Pequena, Média e Grande. A caverna principal é muito grande onde habitavam os Milondons. No dia 1° fui para El Calafate e em seguida para El Chalten. Onde quero concluir todas as trilhas que não fiz no ano de 2016. Peguei o ônibusas 14 hs com chegado em El Calafate às 19:hs. Onde ia tentar pegar um bus para El Chalten ainda neste dia. No dia 2 fui para El Chalten no bus das 08:hs chegando as 11:hs. Encontrei a Galerada Chapagonia. Foi o dia de descanso. No dia 3 amanheceu um tempo chovendo. Na verdade, esta temporada em Chalten pela previsão não vai ser das melhores. Muita chuva. PARQUE NACIONAL DE LOS GLACIARES. EL CHALTEN. ARGENTINA. 1°Dia. Saída às 4:hs da manhã em direção Piedra del Frade. Logo após ida a Acampamento base de Piedras Negras. Local de base para quem vai escalar o Fitz Roy e várias agulhas desta cadeia de montanhas. Aliás a maior da Patagônia. O bom desta trilha é que se tem uma visão extraordinária do Glaciar Marconi, do Lago Eléctrico. Subida é punk. As pedras soltas rolam a todo momento, mas vale a pena. Distancia. 13 km. Tempo. 5:hs. Elevação. 1000mts. 2°Dia. Saída do acampamento Piedras Negras em direção a Piedra del Frade e Rio Elétrico. Onde pegamos um Táxi até Chalten. Descida punk. Distância. 13 km Tempo. 5:hs. 3°Dia. Caminhada até o Mirador Las Aguilas. e Mirador Los Condores. E ida a base de escaladas do Paredão de Los Condores. Distancia. 10 km Tempo. 4 horas. Parada para ver amigos escalando. Elevação. 200mts. 4°Dia. Caminhada até a Cachoeira Chorillo Del Salto. Uma longa queda com água das geleiras do maciço do Fitz Roy. Distancia. 10 km Tempo. 3 horas. 5°Dia. Caminhada até o Camping Poicenot. No sendero Fitz Roy. Passando pelo Mirador do Rio de la Vuelta e Laguna Capri. Desta trilha se avista o Fitz Roy principal montanha da Patagônia. Acampamos no Camping Poicenot. Distancia. 13 km Tempo. 3 horas Elevação. 391mts 6°Dia. Amanheceu chovendo muito no Camping Poicenot. Esperei o tempo melhorar e fui a Laguna de Los Três e Laguna Sussia, o que é uma coisa fascinante. La de cima pude observar as Lagoas Madre e Hija. Lagoas estas que ficam numa intersecção entre o Sendero Fitz Roy e Laguna Torre. Retornei desarmei a barraca e fui para para Chalten. Distancia. 19 km Tempo. 6:hs Elevação. 598mts. 7°Dia. Saída de El Chalten as 16:hs em direção a Laguna Torre. Passamos por Mirador Margerita, Mirador Del Cerro Torre, entroncamento com as Lagoas Madre e Hija e Acampamos no Camping De Agostini. Aproveitei para ir a Laguna Torre. Muito linda e fascinante. Distância. 11 km Tempo. 4:hs. Elevação. 250mts 8° Dia. Amanheceu chovendo muito no Camping De Agostini. Sem opção ficamos esperando a chuva passar. As horas foram passando e agora já são 14 hs e nada da chuva passar. Sai as 14:30 h passando pelo mesmo trajeto da ida. Distância. 13 km. Tempo. 3:hs Elevação. 150mts. No dia 16 de fevereiro choveu a noite toda e o dia inteiro. A temporada 2017 realmente não está das melhores. 9°Dia. Saída de Chalten em direção a Laguna Toro. Passando pela conexão com Pilegue Tumbado, Margeando o Rio Tunel, Avistando o Glaciar Rio Tunel, e Lago Toro. Choveu todo o percurso. Punk e frio. Distância. 32 km Tempo. 8:hs Elevação. 650mts 10° Dia. Ida ao Lago Del Deserto. Passando pelo Rio Elétrico. Laguna Condor. Plaza Soberania. O point foi ver inúmeras cachoeiras que desaguam no Lago vindas direto da geleira e glaciares. A beleza do lugar me impressionou devido a clareza da água. https://www.facebook.com/pedraodobrasil
  5. Pessoal, fiz uma solicitação de reserva para o Refugio Grey, em TDP, para Janeiro. Recebi um email da Vertice Patagonia afirmando que receberam meu pedido e a equipe de vendas entraria em contato para dar continuidade na reserva. Já mandei email, já mandei msg no instagram e até agora nada. Fiz a solicitação dia 02/Set. Alguém sabe me dizer se essa "demora" deles é normal? Já passaram por isso? Obrigada!![emoji4]
  6. Caio Vinicius Aleixo

    Equipamentos Patagonia - Torres del paine

    Galera, pela primeira vez vou acamapar e fazer trilhas sozinho, vou para a patagonia em Out/2018 e queria um help de vocês quanto ao meu equipamento, vou listar o que pretendo comprar abaixo e gostaria de sugestões/feedbacks 1 - Saco de dormir, limite de -5 graus, quechua ( Esse saco de dormir é suficiente para o frio da patagonia em outubro) https://www.decathlon.com.br/trilha-e-trekking/equipamento-de-trekking-varios-dias-/sacos-de-dormir-de-trekking/saco-de-dormir-de-trekking-trek500-0-forclaz?skuId=2188620 2 - Bota, Quechua (A impermeabilidade é boa? a bota cobre a necessidade da trilha?) https://www.decathlon.com.br/trilha-e-trekking/homem-em-trilha-leve-de-1-dia/calcados/bota-de-trilha-intensiva-impermeavel-mh500-mid-masculina-quechua?skuId=2567125 3 - Meias, Quechua ARPENAZ WARM (Essas meias são suficientes para não passar frio nos pés?) https://www.decathlon.com.br/trilha-e-trekking/acessorios-de-vestuario-trilha-e-trekking/meias-adulto/meias-quentes-de-trilhas-arpenaz-warm-2-pares?skuId=241285 4 - Conjunto de blusas (Vou passar frio com esse conjunto?) Segunda pele https://www.decathlon.com.br/ski-e-snowboard/masculino/segunda-pele/blusa-segunda-pele-simple-warm-masculina-wedze?skuId=2302370 Segunda camada de fleece (não achei o link) Corta vento https://www.decathlon.com.br/trilha-e-trekking/homem-em-trekking-de-varios-dias/jaquetas-de-pluma-soft-shell/jaqueta-masculina-de-penas-para-trekking-x-light?skuId=392841 Qualquer ajuda é bem vinda. Valeuu!
  7. 17 DIAS PELA ARGENTINA! · Dia 1: Essa foi apenas nossa segunda experiência internacional, a primeira foi para o Chile. O diferencial é que nesta Sâmera e eu fizemos tudo por nossa conta, quer dizer, com o grande auxílio de vocês aqui do Mochileiros.com, claro!! Nossa jornada iniciou-se na segunda feira dia 10 de setembro na cidade de Paulínia/SP, quando a deixamos as 19h sentido Campinas de Uber para pegar o ônibus para o aeroporto de Guarulhos, partindo as 20H. Chegamos às 22:30 e a noite foi longa, nosso vôo partiria somente ás 06:41h (para ser exato). Optamos pela compra de Múltiplo destino pela companhia Aerolíneas Argentinas. Vôo saiu no horário marcado e 09:20h chegávamos ao Aeroparque. Tínhamos quase seis horas de espera pela conexão e aproveitamos para trocar nosso dinheiro. A cotação estava R$1,00 - $8,00 Pesos. Trocamos o máximo que conseguimos pois na Patagônia a cotação era desvantajosa, o que verificamos realmente depois! O segundo e longo vôo partiu também no horário exato 15:22h chegando em Ushuaia ás 19h. Optamos por ficar hospedados por AirBNB. Melhor coisa que fizemos!! Nosso Host, Sr. Oscar já nos aguardava no aeroporto de Ushuaia. Sabe daquelas pessoas que passam rapidamente por sua vida, mas deixam boas marcas para sempre? Então, ele e sua esposa Nora são dessas pessoas!! No caminho para a cabana, ele sugeriu se não gostaríamos de parar em um supermercado para comprar alimentos, água, etc. Nós estávamos tão cansado que não havíamos pensado nisso. Ponto para o sr. Oscar! Sua cabana é muito aconchegante e fica no pé da montanha. Tinha tudo para uma hospedagem tranquila. Combinamos que no dia seguinte ele nos levaria para alguma das opções em Ushuaia ainda a definir de acordo com o clima. Chegamos com chuva e gelo! Um frio e um vento absurdo! Patagônia nos dava boas-vindas...rs Apartamento Las Terrazas de Nora y Oscar: https://goo.gl/RHdFRV · Dia 2: Amanheceu, tomamos nosso café e saímos da cabana para aguardar nosso super host. A comunicação entre dois mineiros e um argentino nem sempre foi fácil, mas sempre divertida. Decidimos ir para o Parque Nacional Terra do Fogo. Queria subir a Laguna Esmeralda, mas como havia chovido muito na noite anterior, fomos desencorajados. Senhor Oscar nos cobrou $1.200,00 pesos para levar e para buscar. Para se ter uma ideia, as agências cobram não menos que $2 mil por pessoa!! Seguimos pela linda estrada de terra até a entrada do Parque. Nós dois já maravilhados pois havia muita neve nos cantos da pista. Paisagens, claro de tirar o fôlego. Primeira parada no mirador da Laguna Verde! Lindíssima. Em seguida fotos na famosa placa do fim da Ruta N.03! E caminhamos pelas passarelas que margeiam a baia Lapataia. Voltamos para o carro e o Senhor Oscar nos sugeriu uma trilha curta! Claro, topamos na hora. Confesso que para Ushuaia, pelo pouco tempo que ficamos, acabei sem saber o que fazer.. Ele nos deixou ao lado do Centro de Visitantes Alakush, próximo ao início da trilha. Combinamos que as 16h ele nos buscaria. Iniciamos nossa primeira trilha, super motivados pela paisagem, vegetação, clima, tudo diferente do que estamos acostumados. Trilha tranquila, margeando o lago de nome Roca. Ao nosso lado, uma montanha linda, coberta pela neve ia nos “vigiando”. Depois de 1:20h chegamos ao final da trilha que é onde fica a placa de divisa entre os Argentina e Chile! Que sensação da hora de estar ali entre dois países muito queridos! A trilha leva o nome da placa “Hito XXIV”. Recomendo muito. Trilha leve! Vale salientar o cuidado e o quão bem sinalizada é a trilha. Aliás, todas as que eu vi na Patagônia.. sonho isso para minha cidadezinha no sul de Minas (Caldas-MG)! Retornamos e entramos no Centro de Visitantes Alakush para comer, tomar um café e conhecer o local, faltavam 30 minutos para o sr. Oscar nos buscar. Ele claro, foi pontual! No caminho de volta ele nos sugeriu ir ao ponto de partida do “Tren Del Fin Del Mundo”. Achamos bem bonitinho, mas não é o tipo de passeio que nos interessou. Em seguida, de volta para Ushuaia ele, por conta, decidiu que nos levaria para conhecer a pista de esqui do Glaciar Martial. Uma grata e grátis surpresa! E para nossa alegria, nevou!! Haha – mineiro nunca tinha visto neve!! Estava muito liso, assim decidimos não subir até o Glaciar. Mas valeu muito a pena! Gracias Sr. Oscar!! · Dia 3: Nosso anjo em forma de Host disse que conseguia desconto para o passeio de Catamarã para o Canal de Beagle – 20%! Claro que aceitamos. Pagamos um total de $2.320,00 Pesos. Menos da metade que pagaríamos por intermédio de uma agência! – Dica, comprem direto nos quiosques!! Ainda compensará!! O passeio é turistão, mas as paisagens, sem palavras! Ushuaia é linda demais!!! O Farol é muito bonito, ali, pequeno no meio daquela imensidão entre a água do mar e as cordilheiras. Vimos uma espécie de pinguins que claro, não me lembro o nome, muitos pássaros e os escandalosos e muito fedidos leões marinhos. Sério, nunca senti um cheiro tão fedido na vida...kkk Retornando à Ushuaia, decidimos caminhar pela cidade, almoçar um belo Chorizo ($1.000,00), colocar um chip no celular e enviar uns postais. Em seguida fazer o tour pelo Museu do Presídio ($600,00 Pesos). Bastante interessante e confesso que a ala que continua intacta é bem pesada, sombria. Retornamos a pé para a cabana depois de andar muito por Ushuaia... pensa numa subida infinita. O importante foi achar!! Kkk · Dia 4: Dia de deixar Ushuaia. Nosso grande amigo e host Oscar nos levou, antes despedimos de sua muito simpática e atenciosa esposa, Sra. Nora. Confesso que nos emocionamos ao despedirmos. O bom de viajar é isso, além das paisagens, momentos, as boas pessoas que encontramos pelo caminho fazem valer muito a pena! Novamente, as Aerolíneas Argentinas foram pontualíssimas. Partiu exatamente no horário marcado, as 11:10h com destino a El Calafate. Continua...
  8. Mais uma vez graças a esse site, minha trip rumo à Patagônia Argentina saiu e foi mais que perfeito. Gostaria de compartilhar minhas experiências e mostrar a vocês um pouco do que esse canto do planeta nos reserva. É simplesmente mágico. Antes de iniciar, informo que fui no verão e nisso há uma particularidade: os dias são mais longos, ou seja, temos luz até quase 20h30. E isso foi um grande diferencial para essa viagem ser aproveitada ao extremo. Mesmo sendo verão, não significa que pegamos dias extremamente quentes, portanto, como boa mochileira que se preze, usei e abusei das roupas em camadas. Tendo roupas de boa qualidade, é possível estar confortável, quente e ao mesmo tempo fresca para curtir a trip, e principalmente, leve. O que faz toda diferença de peso numa caminhada. Declathon é nosso templo!! Itens do Mochilão: 3 fleeces; Jaqueta corta vento e à prova de água; 1 calça que vira bermuda e seca rápido; 2 calças segunda pele; 6 camisetas dry fit; 3 baby look de algodão; 8 pares de meias (diversificadas entre caminhadas leves e meias para lugares de neve); Bolsa de hidratação 2L; Toalha (daquelas que secam rápido); Higiene pessoal: sabonete, shampoo, condicionador, aerosol para pés, toalha umedecida e hidratante. Sugiro colocar na mala tb Bepantol (extremamente hidratante e não deixa a pele craquelar ou sagrar por conta dos ventos frios); Necessaire com itens de primeiros socorros: aí fica a critério de suas necessidades, na verdade, levei e não usei nada, com exceção do Dorflex e o gel para dores musculares (grandes amigos diários); Touca; Luva; Bota de trekking (a minha é da Timberland Chochorua GTX); Lanterna; Protetor para orelha de fleece (grata surpresa e aliado); Protetor auricular e venda para olhos; Óculos de sol; Carregador universal (pq as tomadas argentinas são diferentes das brasileiras); Câmeras e baterias reservas; Caderno para anotações e caneta; Bastão de caminhada (melhor parceiro da viagem). Levei tb um arsenal de mix de frutas secas, barras de cereais e um fardinho de todinho para garantir os lanchinhos. Cronograma: Dia 1: São Paulo - Buenos Aires Dia 2: Buenos Aires - El Calafate Dia 3: El Calafate: Glaciar Perito Moreno + Minitrekking Dia 4: El Calafate - El Chaltén Dia 05: El Chaltén: Chorrillo del Salto (6km) + Mirador de Los Cóndores (2km) y de las Águilas (4km) = 10 km ida e volta Dia 06: El Chaltén: Laguna Capri (8km) ida e volta Dia 07: El Chaltén: Laguna Torre (18km) + Laguna Madre y Hija (8km) = 26km ida e volta Dia 08: El Chaltén: Laguna de los Tres (18km) ida e volta Dia 09: El Chaltén: Descanso Dia 10: El Chaltén: Loma del Pliegue Tumbado (24km) ida e volta Dia 11: El Chaltén - El Calafate Dia 12: El Calafate: Ríos de Hielo Dia 13: El Calafate - Torres del Paine (Chile) Full day Dia 14: El Calafate - São Paulo Apesar de ser Patagônia, o foco principal foi conhecer com tranquilidade as trilhas que El Chaltén pode oferecer. Enfim, bora começar esse relato que é o que interessa. Dia 1: São Paulo - Buenos Aires Para quem nunca foi para o aeroporto de Guarulhos de ônibus é bem tranquilo e econômico: sai um buso da estação Tatuapé direto para GRU por R$ 6,15 num trajeto de aproximadamente 50 min. Meu vôo para BA levou umas 2h30 e como o voô para El Calafate sairia no dia seguinte pela manhã, optei em ficar num hostel na capital para tomar um banho e esticar as pernocas. Me hospedei no 7030 hostel e curti. É bem localizado no bairro de Palermo e a 9km do aeroporto. Fiz esse trajeto de transporte público: comprei um cartão SUBE (equivalente ao nosso bilhete único de SP) e paguei ARG 25 pelo cartão + ARG 10 pelo trajeto. Lá eles cobram por trecho. Depois de uma caminhada por algumas quadras, finalmente cheguei. Fiquei feliz por estar movimentado com ruas e bares cheios às 23h. Admito que estava receosa em andar sozinha à noite num país desconhecido. Mas foi tranquilo. Dia 2: Buenos Aires - El Calafate - Batendo perna + Glaciarium: Logo cedo voltei ao Aeroparque e fui rumo à El Calafate para enfim a trip começar. Contratei com a empresa Vespatagonia o transfer de ida e volta http://www.vespatagonia.com.ar/ custou ARS 280 e foram muitos responsáveis com horários e prestação de serviço. Ficam dentro do próprio aeroporto no box 6. O hostel que fiquei foi o Bla. Está muito próximo da avenida principal e tudo pode ser feito à pé. Era bem limpo e organizado, mas o staff pouco informado e não muito prestativo. Aproveitei meu dia livre para conhecer o Glaciarum http://glaciarium.com/es/ que é um centro de interpretação de Glaciares. A entrada custou ARG 330 e o transporte é gratuito a partir do centro de informações turísticas. O lugar é bem tecnológico e mostra de forma dinâmica as transformações que a terra passou, como são criados os glaciares e icebergs, a importância desses gigantes no planeta e curisidades sobre seus exploradores, que nomeam as famosas cadeias de montanhas da região. Acho válida a visita, para poder olhar com olhos mais aguçados para o gigante que iria conhecer no dia seguinte. Dia 3: El Calafate - Perito Moreno + Minitrekking: Fechei esse passeio direto no hostel por ARG 3300 com minitrekking e chegando no parque foi necessário desembolsar mais ARG 500 para entrar no parque. É meus amigos, vir para essas bandas significa desembolsar muitas moedinhas, portanto, organizem-se! Uma van nos busca no hostel e nos leva para o Parque Nacional Los Glaciares onde a guia nos explica sobre sua importância, que foi criado em 1937 e quais as razões de manutenção de flora e fauna, fora a delimitação de limites com o vizinho Chile. Dá detalhes sobre o gigante Perito Moreno e tivemos tempo livre para passear pelas passarelas, comer algo e depois marcamos um ponto de encontro para irmos ao porto para fazer o minitrekking. O dia estava nublado e chuvoso, mas não tirou a magnitude e a felicidade de conhecer pessoalmente o famoso paredão azul que eu namorava por fotos há anos. A imponência desse gigante de gelo é incrível e só estando lá percebi que ele é extremamente móvel. A água que o circunda é de uma força descomunal e isso o faz se movimentar e não é raro presenciar os famosos desprendimentos. São estrondos que impõem respeito e merecerem toda a nossa atenção. No horário combinado, nosso buso saiu rumo ao porto para nos levar ao minitrekking e do barco foi possível enxergar o glaciar de outro ângulo. Por conta da força das águas, a gelereira é constantemente modificada e formam-se cavernas e túneis. Na véspera de nossa ida, tinha uma espécie de ponte de gelo formada pelos contantes desprendimentos, mas quando foi nosso dia de visita essa ponte tinha caído, por isso na foto acima tem esse imenso vão. Fomos recebidos pela empresa Hielo y Aventura que é única autorizada a operar no minitrekking. Eles dispõe de dois passeios: minitrekking e big ice. A diferença entre eles é o tempo e a distância de percurso. Como a diferença de preço era muito grande, optamos por fazer o minitrekking mesmo, mas sem arrependimentos. Foi lindo. O passeio dura 1h30 e antes de iniciar o guia explica sobre gelos e glaciares, mas eu estava bem antenada por conta da minha pré aula no Glaciarium . Em seguida somos levados para colocar os grampones nas botas para que possamos ter uma melhor aderência no gelo. PS: Óculos de sol e luvas são obrigatórios! Depois das instruções de como andar usando os grampones com segurança e aproveitar melhor a caminhada, finalmente começa o passeio. Inicialmente é meio sujo porque muita gente passa por lá, mas depois nosso guia nos leva para partes mais altas, limpas, onde é possivel ver água cristalina (pode beber, é uma delícia) e por várias formações curiosas. Para finalizar o passeio, nos levam para uma gruta formada pela geleira onde é possível tomar água geladinha e cristalina e ver de perto a força dessa água que faz esse gigante ter a fama que tem. E o fechamento com chave de ouro é uma dose de whisky com gelo glaciar. Esse dia entrou pra história. É uma delíciar fazer "check" num lugar que estava na sua lista dos sonhos. Dia 4: El Calafate - El Chaltén Nosso buso rumo à capital nacional do trekking sairia no final da tarde, portanto, aproveitamos o dia para bater perna e conhecer um pouco El Calafate. Infelizmente Pedrão estava de torneirinha aberta e o tempo bem fechado, mas não desanimamos fotos fotografar as duas placas icônicas da cidade: Gosta de história? Passe na Intendência do Parque Nacional Los Glaciares. A entrada é gratuita: Está localizado no centro comercial, prédio construído em 1946, declarado Monumento Histórico Municipal. Você pode caminhar pela propriedade circundante, através de um caminho interpretativo, identificar a flora nativa, exótica ou introduzida. Também um caminho de interpretação histórica, amostras de máquinas antigas que foram usadas quando o Parque Nacional começou a operar, um evento que a transformou na instituição pioneira para o desenvolvimento da área. DICA DE OURO!! Seguindo dicas de outros amigos que fiz nesse site e que estavam antes de mim, fiz as compras de provisões de comida para o período em El Chaltén em El Calafate por dois motivos: preço e variedade. Compramos pacotes de pães de forma para fazermos lanches nas trilhas, mais provisões para complementar nosso café da manhã e fazermos nosso jantar, já que é extremamente caro comer fora todos os dias. Infelizmente a Argentina está passando por uma recessão violenta e mesmo nosso dinheirinho valendo 6x mais, os preços são tão inflados que nossa conta saiu mais cara que num mercado em SP. Mas quem converte não se diverte, então vamos que vamos. Depois de bater mais perna e almoçar, retornamos ao hostel para os ajustes finais e esperar o horário de nosso buso. A viagem até El Chaltén durou aproximadamente 3h sem paradas. Nossa pousada nos próximos sete dias foi o hostel Cóndor de los Andes. El Chaltén é muito pequena no quesito ocupação humana, mas é nela que fica a maior parte do Parque Nacional e diferente de El Calafate não se paga para entrar em nenhuma das trilhas. Por conta de sua extensão é que recebeu o título de Capital Nacional do Trekking. O hostel é limpo, bem climatizado, mas o café deles é bem ruinzinho, então usamos nossas compras complementares para nosso café como frutas, cereais e ovos para enriquecer nossa alimentação que seria meio prejudicada, pois sabíamos que iríamos gastar muita energia. P.S.: Sugiro colocarem na lista de comidas vindas do Brasil: cereais como aveia e linhaça (por estarmos acostumadas como nosso arroz e feijão de todos os dias, a comida dos vizinhos se baseia em carne e batata, portanto, muito seco para nós). Invistam em alimentos com fibras, é sucesso e água, muita água. Café solúvel (porque infelizmente o café de lá não tem muita cafeína). A variedade de frutas é limitada, mas dá pra se virar com o que tem por lá. Alimentação é uma das bases de sucesso de uma viagem como essa. Dia 05: El Chaltén: Chorrillo del Salto (6km) + Mirador de Los Cóndores (2km) y de las Águilas (4km) = 10 km ida e volta Nossa programação de trilhas de baseou em um formato progressivo. Iniciar com as trilhas mais tranquilas, fáceis e de pouca quilometragem para depois gradativamente aumentarmos o grau de dificuldade e exigência, e foi uma escolha bem acertada. Iniciamos com a cachoeira da região chamada Chorrillo del Salto. As trilhas são bem demarcadas e emplacadas, não tem como se perder ou se sentir insegura (no caso para nós mulheres que sempre temos que ter atenção redobrada em grandes cidades ou qualquer lugar). Essa cidade foi uma grata surpresa, pois em nenhum momento, andando pelas trilhas incríveis que vivenciei, senti minha segurança abalada. Portanto, MULHERADA, SE JOGA!!! É uma caminhada plana e tranquila e encontramos muitas pessoas da terceira idade pelo caminho. Aliás, isso é muito inspirador e estimulante. Muito bacana. Esse caminho é norteado pelo Río de las vueltas. São 3km do ponto inicial e como eu disse, bem tranquilo e sussa. A cachoeira é pequena, mas é um lugar bonito. Aproveitamos a vista para fazer nosso lanchinho. Animadas com a tranquilidade do percurso e que apesar de nublado, tínhamos aí mais tempo de luz, emendamos e fomos para a outra ponta do parque rumo às duas trilhas de nível fácil: Mirador de los Cóndores y de las Águilas. Sendo a qualidade de mirantes, o percurso era em forma de subida zigue e zague com vários pontos de paradas e para os cansados, bancos para descanso. No mirador de Los Cóndores vê-se El Chaltén em sua totalidade. E tivemos a sorte de ver um Cóndor dar show. É considerada a maior ave andina com envergadura de até 3m. Mesmo com o dia bem encoberto, a beleza de cadeia de montanhas que circunda a cidade é encantadora. Estava maravilhada com o pouco que pude ver, e torcia internamente para que os próximos dias fossem mais limpos. Esses caminhos foram nosso test drive com nossos bastões de caminhada que tiveram papel determinante para o sucesso da viagem. Já que infelizmente meus joelhos já não são tão 100%, mas esse bastão é salvador. Coloquem na lista de vocês, é um investimento mais que válido. Terminamos nossas contemplações e caminhadas bem no final da tarde, quase início de noite e foi sucesso. Dia 06: El Chaltén: Laguna Capri (8km) ida e volta O tempo infelizmente fechou de vez, mas não arruinou nossos planos de bater perna por aí. Tempo chuvoso, nublado e bem cinza. Frio, muito frio. Fomos conhecer a Laguna Capri. Durante minhas pesquisas vi fotos belíssimas desse local. Mas a neblina e o tempo fechado não nos deram essa sorte. De toda maneira, achei lindo. A vista de gelos glaciares, mesclado com o verde das árvores e o cinza das montanhas. A natureza é muito sábia. Referente ao clima isso era previsto, pois em todos os relatos nos diziam sobre essas oscilações. Fizemos uma caminhada tranquila, apesar do tempo gelado. Voltamos ao hostel para secar as roupas e ficar no quentinho. Pedrão, pregando uma peça fez questão de fechar a torneirinha e deixar o céu limpissimo. Mas aí estavamos no quentinho do hostel, bateu pregui de sair. Mas tínhamos a certeza de que o próximo dia seria mara! E foi!! Dia 07: El Chaltén: Laguna Torre (18km) + Laguna Madre y Hija (8km) = 26km ida e volta Como previsto no dia anterior, o clima estava melhorando e fomos rumo à Laguna Torre: Foi nosso primeiro longo trekking. O dia estava bem nublado, mas vimos melhoras no decorrer do dia. Essa trilha é muito bonita. Começa com uma subidinha para ver El Chaltén do alto e segue por uma reta sem fim. É um descampado margeado pelo rio e protegido pelas montanhas e seus picos nevados. Depois entra-se num bosque com árvores imensas e o rio sempre margeando. Portanto, se quiserem encher suas garrafinhas, é sucesso e água geladinha advinda dos glaciares garantida. Todas as trilhas que percorremos mostram a quantidade de km percorridos, então isso dá uma noção de espaço e tempo. Os dois km finais são de subida. Mas com nosso super bastão de caminhada, foi tranquilo. Antes de subir, se quiser, rola um banheiro. Subimos seguindo os demais grupos de pessoas que estavam por lá e antes de avistar o destino, a carinha das pessoas que lá já estavam eram de total felicidade e contemplação. Ao me virar para onde todos olhavam, tive certeza que tinham razão. É bonito. Apesar da montanha Cerro Torre estar encoberta, achei maravilhoso. Normalmente as pessoas emendam essa trilha com o Mirador Maestri que estava a 4km de lá. Mas por algum motivo minha amiga e eu não vimos placas que indicavam para lá e voltamos. No meio do retorno, o tempo abriu completamente e uma plaquinha nos chamou a atenção: Laguna Madre e Hija. Estávamos procurando por ela ontem, após a Laguna Capri, mas erramos alguma parte da trilha e voltamos para o ponto inicial. O tempo tb estava muito chatinho. Mas Pedrão como é nosso amigo, fechou torneirinha e nos proporcionou essa caminhada. Estávamos numa alegria e num pique master. Caminho reto e plano, mas para nossa alegria (SQN) vieram as subidas, que subidas!!! E diferente das outras trilhas essa não mostrava quantos km tinhamos percorrido, mas a panturrilha estava dizendo que foram muitos. Enfim, terminado o suplício das subidas sem fim, caminhamos por outra parte plana e mais fechada, de repente, abriu-se e vimos água! Todo o cansaço se foi. Era perfeito! Fizemos nossa parada para agradecimento e contemplação. Não sei precisar quanto tempo passamos por lá. Só olhando, admirando, sem pensar em nada e cumprimentando todos os viajantes que por lá passavam, já que era ponto de passagem para quem iria acampar e ficar próximo da Laguna de los tres. Voltamos muito felizes com esse dia produtivo e lindo. E finalmente pudemos ver a imponência de Cerro Torre pela primeira vez em sua totalidade. O parque nacional tem muitos moradores, fomos apresentados também a um pica pau. Esse dia foi memorável. Daqueles que nem dá vontade de ir embora. Mas lembramos que um longo trajeto de volta nos esperava, então partimos rumo à cidade. Dia 08: El Chaltén: Laguna de los Tres (18km) ida e volta Decididamente a trilha mais desafiadora de todas, e sem dúvida, uma das mais bonitas. O dia não poderia ser mais perfeito. Limpo, céu azul e o famoso mirador Fitz Roy na sua totalidade. O percurso foi bem lindo e tranquilo. Muitas montanhas, bosques, água, gente legal pelo caminho. . Cada lado que você olha, dá um encantamento sem fim. Até chegar o km final. Pensamos: 1h?! De boas!!! Mas era o senhor das subidas. Terreno íngrime e instável. Não conseguia ver o final, mas estava muito motivada a chegar logo. Foi quando vi uma parte mais plana e nevada e pensei: cheguei!!! Só que as pessoas que encontrava pelo caminho me diziam ao contrário. Mas incentivavam a continuar pq estava muito perto. 1h16 de subida depois e quase fôlego, entendi o que estava tão escondido: Finalmente a encontrei Laguna de Los Tres. Tão verde mesclada com o branco da neve. Linda!!!! Esforço que valeu a pena. Essa empreitada nos custou 9h. Sendo 5h de ida e 4h de volta. MIssão cumprida. Pela primeira vez pegamos o parque à noite, então deixem em suas mochilas uma lanterna pq ajudam nessas situações. Chegando no hostel, juntamos nossas últimas energias e fomos fazer nosso delicioso jantar regado a muita cerveja pq merecemos. Superamos totalmente nossas expectativas. Dia 09: El Chaltén: Descanso Depois da empreitada do dia anterior, decidimos tirar o dia de hoje para fazer absolutamente nada e dar ao corpo o descanso merecido. Coincidentemente o tempo virou e conhecemos os famosos ventos Patagônicos. Realmente são muito fortes e impossível fazer trilhas com eles porque desestabilizam qualquer pessoa. Dormimos até mais tarde, comemos com calma e ficamos só observando esse vento varrer tudo que vinha pelo caminho. Quando deu uma trégua, pela primeira vez fomos almoçar fora e nos demos de presente um bom churrasco e cerveja artesanal. Foi bem tranquilo e aproveitamos o dia livre para comprar nossas passagens de volta para El Calafate e fazer nossas últimas compras de mercado. Fizemos uma parada numa agência de viagens para tirar dúvidas e o dono muito prestativo nos brindou com uma boa conversa e aulas sobre diversos assuntos e tinha um programa mara que mostrava a quantidade de ventos da região e nos deu a boa notícia que o dia seguinte seria limpo, sem ventos e perfeito para um trekking e nos fez uma sugestão. Ansiosas para a chegada do dia seguinte e que a profecia do senhor da agência estivesse correta, fecharíamos El Chaltén em grande estilo. Esse day off foi essencial, necessário e produtivo. Dia 10: El Chaltén: Loma del Pliegue Tumbado (24km) ida e volta Corpo descansado e mega animada, corro para janela e tenho a seguinte visão: Era muito cedo e o sol já estava iluminando nossas queridas montanhas e a dúvida seguinte era: e os ventos?! Ficaram pra trás!! Portanto, seguindo a sugestão do dono da agência, fomos para a trilha de maior km da viagem: 24km ida e volta com uma visão 360º dos principais pontos de El Chaltén. É possível isso, produção? Vamos lá ver então com nossos próprios olhos. Antes de começar nossa empreitada, fizemos nossas provisões e alongamentos diários porque Laguna de los Tres tinha deixado nossas pernocas bem fadigadas. A entrada dessa trilha é a mesma dos miradores que fomos no primeiro dia, mas agora seguiríamos sentido contrário. Esse mirante tem uma altura de mais de 1400 metros, portanto, bora subir. Mas não há subidas íngremes pelo caminho. Aos poucos você El Chaltén se distanciando e se depara com um lindo bosque. Por conta do clima e dos ventos do dia anterior, esse bosque estava todo nevado. Muito legal. Terminado esse bosque vemos uma coisa maravilhosa e parecemos duas crianças: O mirante Loma del Pliegue Tumbado. Neve por todo canto e as montanhas em sua totalidade e céu perfeitamente limpo. Mas esse não é o fim do passeio. Afinal, a cereja do bolo é lá do alto. Tínhamos mais um tanto para caminhar. Nunca experimentamos neve na vida e foi tudo novidade e muito legal. Desse ponto até o final seriam 2km de caminhada. Os bastões foram grandes aliados, pois, apesar da neve fofa, haviam muitos pontos de gelo escorregadio e eles os deram firmeza para seguir a subida sem levar um capote, mas não nos livrou dos escorregões...rs. Esse foi o ligar que mais passei frio. Apesar da bota ser impermeável, ela não é feita pra neve, então, o frio entrava nos meu pés, isso me deixou meio desconfortável. Mas não desanimada. Corre que esquenta!! Finalmente chegamos: Que sensação, meus amigos!! Que beleza!! Vê-se a Laguna Torre de um ângulo lindo: Também é possível der o Lago Viedma: E o Río de la vueltas: Decididamente o lugar mais lindo de todas as trilhas que fizemos. Você olha pra todos os cantos e desacredita que chegou tão longe e não tem o que fazer senão agradecer, agradecer sempre pelas oportunidades que nos são dadas. Não sei por quanto tempo ficamos. Achamos um local abrigado do vento (que não era pouco), comemos e depois fizemos nosso caminho de volta com nossos melhores sorrisos: E na volta como passe de mágica, a neve tinha se desfeito. É impossível não ficar completamente apaixonada pelas montanhas que circundam o caminho. Tiramos muitas fotos, mas parece pouco. Elas são lindas demais. Não é à toa que essa cidade é a Capital Nacional do Trekking. Sabe receber muito bem viajantes de todas as partes do mundo com uma generosidade sem fim. Realmente um local que todo mochileiro se sente em casa e bem. Tudo isso foi possível por preparo no planejamento de roteiro e um preparo físico que nos foi cobrado e fizemos com louvor e não tivemos desistência em nenhuma das trilhas e nenhum acidente. Estávamos bem amparadas: Nossa última noite em El Chaltén foi nos esbaldar no happy hour com double beer e muitas empanadas para comemorar nosso feito. Cheers! Obrigada por nos proporcionar todas essas experiências, El Chaltén. Dia 11: El Chaltén - El Calafate Deixamos com muita alegria El Chaltén para fazermos a parte final de nossa viagem. Retornamos a El Calafate e tivemos um final de dia tranquilo. Nossa última hospedagem foi o America Del Sur Hostel. Definitivamente o hostel mais bonito que fiquei. Tem um deck de madeira gracinha com vista para o lago argentino e é muito arborizado e tem o melhor café da manhã ever. A galera é muito animada e toda noite tem uma temática diferente: noite da pizza, noite do churrasco, ladies night, open bar, música boa, gente bonita. Nossa última noite livre foi de caminhar tranquilamente pela orla do lago e ver o pôr do sol e conversar com as pessoas que por lá estavam. Afinal, seria a última oportunidade de contemplação plena. Os dois dias seguintes seriam de uma maneira que nos desacostumamos, mas que iríamos fazer já que estávamos tão longe: passeios estilo turistão. Daqueles que você não faz esforço de nada a não ser de estar pronto para te pegarem e te levarem de volta. Vejamos como será. Dia 12: El Calafate: Ríos de Hielo Fechamos diretamente no hostel esse passeio que custa umas boas moedas: ARG 2400 + 500 de entrada para o parque. Nós brasileiros, nunca ousaríamos pagar isso num passeio aqui no Brasil, mas quando estamos longe, fazemos cada coisa. Esse passeio consiste num passeio de barco pelo braço direito do Lago Argentino e conhecer os maiores glaciares do Parque Nacional: Spegazzini e Upsala. Disseram que há anos atrás também contemplava Perito Moreno, mas como mudou de operadora, ele hoje está fora do roteiro. É um passeio que começa bem cedo. Por volta das 7h passam no hostel para pegar o pessoal e levar até o Porto Bandeira A embarcação tem dois andares climatizados e com bancos muito confortáveis. Lá tem cafeteria e lanchonete, mas como tudo é muito caro, sugiro levar seu lanchinho e ser feliz. Para que não quer se preocupar, é só sentar e ver o passeio, mas como somos curiosas, ficamos no frio do lado de fora para ver melhor esses gigantes. A primeira parada é no glaciar Upsala: Apesar o dia cinza, a cor azul é muito prediminante e sua altura impressiona: pode ultrapassar 100 metros de altura. Em seguida entramos no braço Spegazzini e conhecemos o glaciar de mesmo nome, prestem atenção na proporção barco x altura do glaciar: E por fim o glaciar Seco: Às 15h o passeio retorna ao Porto Bandeira. Dia 13: El Calafate - Torres del Paine (Chile) Full day Durante as pesquisas de roteiros para essa viagem, apareceu em um dos posts sobre o parque do país vizinho: Torres del Paine. Fiquei encantadíssma, mas lendo os relatos para se fazer alguns dos circuitos de lá eu precisaria dispor de pelo menos quatro dias. Como priorizamos El Chaltén, infelizmente nos sobrou fazer o full day que eles oferecerem. Se me perguntarem se gostei, não vou dizer que não. Mas por ser um passeio estritamentente de ônibus com aquelas paradas de 10 minutos para ver, tirar foto correndo e sair, eu achei ruim. Quando se pega gosto por fazer coisas dentro do seu tempo e à sua maneira, fica meio difícil voltar a se encaixar nesses moldes turísticos. Falando sobre esse full day, o passeio também foi fechado no hostel por ARG 2700 e a entrada no parque era em peso chileno (não aceitam dólares e nenhuma outra moeda). A entrada custa CPL 6000. Como é uma longa viagem, eles nos buscam no hostel cedo: 5h30. Para quem não tem peso chileno, não se preocupe: eles têm um ponto de parada antes do parque onde você pode trocar dinheiro pelo valor que eles querem Mas se você não tem o raio do dinheiro deles, de nada adianta, você não entra no parque. Mas que me senti assaltada, ah, isso me senti. Então fica outra dica: se forem fazer esse passeio já levem o peso chileno daqui. O câmbio certamente será melhor. O ônibus é bem estilo turístico mesmo com um guia falando num microfone que não dava pra entender direito por conta da interferência. Logo na entrada do parque é possível se avistar de longe e com bom zoom o maciço das famosas Torres del Paine: O primeiro ponto de parada foi de frente com o Lago Sarmiento: Corre que vocês têm 15 min para fotos!! Em seguida o ônibus sobe e para no mirante Torres del Paine: E também avistamos muitos Guanacos de boas na paisagem: Ai o guia disse que desceríamos e faríamos uma trilha. Olhinhos brilharam! Finalmente uma caminhada por algum lugar. Mas para nossa tristeza era um percurso de 15 min por um caminho plano, mas do nada veio uma ventania que não deixava ninguém em pé. Resultado: tivemos que ficar sentados para não sermos levados Com a mesma rapidez que a ventania chegou, ela se foi. E então pudemos ficar em pé novamente, nossa caminhada miou e o nosso guia logo nos indicou o local onde almoçaríamos (incluso no valor do passeio com entrada + prato principal + bebida + sobremesa). Muito bonita a vista até lá com margem com Lago Pehoé: Terminado o almoço era hora de voltar para El Calafate. Chegamos no hostel depois das 23h esgotadas. Por ser final de trip as energias já estavam quase no fim, mas foi uma experiência muito boa. Mas agora revendo essa história, creio que aproveitaria muito mais dedicando dias completos e conhecer melhor esse vizinho e suas belezas. O full day dá pinceladas, mas não nos dá a oportunidade de aproveitar nada, já que todo o tempo é cronometrado. Agora é dormir, porque voltamos para casa amanhã. Considerações finais: A Patagônia é um lugar mágico e mostra o que melhor que nós temos. Nossa força, generosidade, curiosidade, amizade e a capacidade diária de aprender e ensinar algo. E, acima de tudo, a troca com os demais viajantes. Portanto, espero ter colaborado um pouco para as pessoas que colocaram esse destino em sua lista de desejos, e, qualquer dúvida, estou à disposição. Tenho as planilhas de organização e custos, caso desejem para nortearem seus planejamentos.
  9. Temos relatos lindos, interessantes e extremamente úteis como dicas para viajantes. Porém, o objetivo deste relato é mostrar que pessoas comuns, sem histórico de aventuras, sem preparo físico, sem muito dinheiro e sem estar com o peso ideal, podem viver e se apaixonar por esse mundo fantástico de trips em contato pleno com a natureza. Essa aventura foi realizada em outubro de 2016. Quando recebi o convite para essa viagem, nunca tinha feito nenhuma trilha, nunca tinha feito uma viagem internacional, minha atividade física era quase zero, estava acima do peso e não tinha ideia do que me esperava nessa viagem. Minha parceira de viagem e irmã de coração planejou tudo, li alguns relatos, mas de fato, a única coisa que eu sabia era que iríamos conhecer a Patagônia e que o nosso maior objetivo era fazer o Circuito W no Parque Nacional de Torres Del Paine. Então, farei um breve relato dessa aventura para provar a todos que é possível para qualquer pessoa viver essa experiência fantástica e se apaixonar por essa conexão com a natureza. 1ª Etapa – Ushuaia No início dessa trip, pegamos um voo Recife – São Paulo – Buenos Aires – Ushuaia. Ao chegar em Ushuaia, estávamos extremamente cansadas da viagem, porém antes de descer do avião já podíamos contemplar a beleza que nos esperava. Fomos recebidas por um nascer do sol avermelhado e um mar de montanhas cobertas de neve. Era tão lindo que finalmente tivemos a sensação de que a nossa viagem havia de fato começado. Chegamos ao Hostel Antarctica, porém ainda eram 9:00h da manhã e o check-in só era realizado as 13:00h. O hostel tem uma energia incrível. O recepcionista super simpático nos deixou guardar a bagagem no locker e nos convidou a tomar café da manhã. Durante o café da manhã conhecemos um casal de irmãos mexicanos que estavam indo fazer um passeio no Parque Nacional Tierra Del Fuego que fica a 20 km da cidade. Como ainda não podíamos fazer o check-in, resolvemos aproveitar a oportunidade e ir com eles. O Parque Nacional Tierra Del Fuego é maravilhoso e pôde nos dar um gostinho do que nos esperava em Torres Del Paine (Pelo menos era o que eu pensava). Caminhamos por cerca de duas horas e meia no parque. Paisagens incríveis, muito frio, poeira e o registro das primeiras fotos. Ao retornar, nossos amigos mexicanos optaram por ficar e fazer uma outra trilha e nós decidimos retornar pois ainda precisávamos comprar as passagens para Porto Natales em busca do nosso principal objetivo – Torres Del Paine. Eu apaguei na volta de ônibus e só acordei com o susto quando percebi que todos estavam descendo na cidade. Conseguimos depois de andar bastante, comprar nossa passagem de ônibus para Porto Natales e voltamos para o hostel, onde após quase 48 horas sem dormir e sem tomar banho, conseguimos finalmente descansar. No dia seguinte, com as energias renovadas, fomos conhecer melhor Ushuaia com os nossos amigos mexicanos. Caminhamos cerca de três horas, conhecendo a cidade de ponta a ponta, tiramos muitas fotos e sentimos as primeiras rajadas de vento da Patagonia, mas ainda não era nem de longe as rajadas que iríamos ver. O tempo em Ushuaia fechou e existia previsão de chuva com possibilidade de nevar. E eu, como boa brasileira, estava louca para ver a neve caindo, mas ainda não foi naquele dia. Deitamos cedo nesse dia, pois no dia seguinte iríamos ao nosso destino em Porto Natales. Acordamos cedo, descemos a pé até o ponto de ônibus e pegamos o chamado “ônibus semi cama” com destino a Punta Arenas / Porto Natales. Ao entrar no ônibus percebi que o semi-cama era mais apertado que os ônibus de linha urbanos do Brasil e fiquei preocupada, afinal, eram 13 horas de viagem pela frente. Como costumo enjoar em viagens de ônibus, tomei um remédio e acabei dormindo a maior parte da viagem. Mesmo assim, tive a oportunidade de viver algumas experiências como: atravessar a fronteira entre dois países via terrestre, fazer a travessia de balsa pelo Estreito de Magalhães e observar o comportamento de pessoas de diversas partes do mundo que se encontravam naquele ônibus. 2ª Etapa – Torres Del Paine Acordamos cedo, tomamos café e nos encontramos com um Português que estava no mesmo Hostel que o nosso em Ushuaia, veio no mesmo ônibus e por coincidência ficou hospedado novamente no mesmo Hostel que o nosso em Porto Natales. Ele também estava indo sozinho para Torres Del Paine. Então combinamos de ir juntos buscar informações e alugar equipamentos. Fizemos um pequeno planejamento de como faríamos o Circuito W e andamos pela cidade cerca de 10 horas fazendo as reservas nos campings, alugando equipamento, comprando comida, cambiando moeda, e buscando todas as dicas e orientações necessárias para nossa próxima aventura. A noite organizamos as mochilas para levar somente o necessário e deixamos o restante no locker do Hostel The Singing Lamb onde estávamos hospedados. Acordamos bem cedo, encontramos com nosso amigo português e seguimos para a rodoviária. Enquanto esperávamos pelo ônibus, finalmente começou a nevar e eu fiquei maravilhada com aquele espetáculo da natureza. Seguimos em direção ao Parque Nacional Torres Del Paine e nevou durante toda a viagem que durou cerca de 2 horas. Ao chegar no Parque fomos recebidos pela guarda-parque que nos orientou a começar pela entrada do Lago Grey, o que estava totalmente ao contrário do nosso planejamento. No entanto, seguimos a orientação dela, uma vez que devido as más condições do tempo a base das Torres estava fechada e não adiantaria iniciarmos por lá. Então, após registrarmos nossa entrada no Parque, voltamos para o ônibus até o Pudeto, onde pegaríamos uma balsa para o Acampamento Paine Grande. Ao esperar pela Balsa, sentimos as primeiras rajadas de vento verdadeiras da Patagônia. A sensação era que o vento iria nos derrubar e todos tentaram se proteger encostados em uma parede até a chegada da balsa. Após 30 minutos, chegamos ao Acampamento Paine Grande, foi tudo muito confuso e muito corrido. Deixamos nossas barracas e mochilas, colocamos nossos ponchos e mochila de ataque e seguimos em direção ao Lago Grey. O início da trilha para o Lago Grey era aparentemente tranquilo, porém, aos poucos começou a chover um pouco e as rajadas de vento eram muito fortes, a ponto de rasgar os nossos ponchos e nos deixar desprotegidas quanto a chuva e a neve, mesmo estando com os casacos impermeáveis. Lembrando que eu nunca tinha feito uma trilha na vida, e que não tinha praticamente nenhum preparo físico, comecei a ficar nervosa nas subidas pois o Português que estava conosco era muito rápido. Tinha muita chuva, muita neve, muito vento e confesso que pensei em desistir já nos primeiros 500 metros. Mas tomei fôlego, minha irmã do coração se mostrou tão parceira que resolvi tentar. Chegamos ao primeiro mirador. Era difícil até conseguir tirar foto pois os dedos congelavam sem a luva. Mesmo assim, valeu a trilha por ter conseguido tirar da minha irmã a melhor foto da viagem. Continuamos a trilha até o segundo mirador. As subidas e a trilha em si não são tão difíceis, a dificuldade realmente era o vento, a chuva e a neve que estavam intensos. Ao chegar no segundo mirador, minha irmã foi iluminada quando tomou a decisão de deixar o Português seguir e nós voltarmos, uma vez que, provavelmente não iríamos conseguir ver muita coisa com o tempo fechado, além do risco de escurecer e ficarmos no meio da trilha. Voltamos desse ponto, estávamos mais tranquilas em voltar, comemos, tiramos algumas fotos e percebemos o quanto já havia nevado em relação a ida, pois o chão estava completamente branco de neve. Já próximo ao Acampamento Paine Grande percebemos o quanto nossas roupas e botas estava encharcados e bateu um desespero de que pudéssemos perder nossos documentos, dinheiros, etc. Finalmente, após um total de quase seis horas de caminhada, chegamos ao acampamento, trocamos nossas roupas e observamos o caos que estava no local. Segundo um dos funcionários do Refúgio, aquela situação de tempo não era normal naquele período. Todos estavam disputando os aquecedores, tentando além de se aquecer, também secar as roupas que estavam todas molhadas, mesmo de alguns estrangeiros que víamos que eram experts nesse tipo de aventura. O frio era incontrolável, pois mesmo trocando de roupa ainda tinha algumas partes molhadas. A princípio tínhamos nos programado de montar nossa barraca, mas devido as más condições de tempo decidimos alugar uma barraca já montada do refúgio, pois assim iríamos nos sentir mais seguras. O alojamento do refúgio era muito caro, e estava fora da nossa programação financeira. Ficamos um pouco mais no refúgio e minha irmã decidiu nesse momento desistir de fazer o circuito W, voltaríamos no dia seguinte para Porto Natales, pois as previsões do tempo eram instáveis e não estávamos preparadas para seguir o circuito. Naquele ponto era possível retornar pela balsa, se arriscássemos seguir, teríamos que ir até o final, não tinha como retornar sem ser pela trilha a pé. Ficamos o máximo de tempo que podíamos no refúgio tentando nos aquecer, conhecemos alguns brasileiros e vimos várias pessoas tomando a mesma decisão que a nossa de não seguir adiante, com exceção do nosso amigo Português que optou por seguir. Finalmente fomos para nossa barraca, o frio continuava insuportável, mesmo no saco de dormir, com colcha, casacos, meias, etc... Passamos a noite praticamente em claro, com frio e com medo, pois o barulho do vento era assustador. Ao amanhecer o dia estava claro, sem chuva, sem vento, sem neve. Mesmo assim, continuamos com a decisão de retornar. Tomamos café, organizamos as mochilas, tiramos algumas fotos ao redor e pegamos a balsa/ônibus de volta a Porto Natales. Meu sentimento nesse momento era de frustração e profunda tristeza, principalmente pela minha irmã que tinha o sonho de ver as Torres. Estava me sentido culpada, pois pensei que ela só tinha tomado a decisão de retornar por estar preocupada comigo. Depois entendi, que ela ouviu o coração e teve a certeza de que ainda não era do nosso merecimento conhecer Torres Del Paine. Mesmo assim, o sentimento de frustração ainda persistia, pois aquele era o principal objetivo de nossa viagem. Retornamos a Porto Natales e nos organizamos para antecipar nossa ida para El Calafate. 3ª Etapa – Perito Moreno Chegamos pela manhã em El Calafate. A cidade é um charme, muito romântica, aconchegante e simpática. Deixamos nossas mochilas no Hostel e partimos para explorar a cidade. Compramos nossas passagens para Perito Moreno e fomos para o mirante ver o pôr do sol. A vista do mirante era linda, mas o pôr do sol ficou aquém das nossas expectativas, mas entendemos que cada lugar tem as suas belezas. No dia seguinte, seguimos para conhecer o Glaciar Perito Moreno. Um dos mais famosos do mundo. Ao chegar lá não consigo descrever para vocês tamanha beleza. O glaciar é cercado por passarelas gigantes, com muitas escadas e muitos turistas. Não existe nenhum lugar para onde se olhe que não seja incrivelmente lindo. As paisagens são fantásticas, o lugar é de uma energia incrível. Finalmente eu estava me sentindo confortável e maravilhada! O glacial é imenso, mas infelizmente podemos ver com nossos próprios olhos a ação do aquecimento global e a urgência de nós, seres humanos, nos preocuparmos com a preservação do meio ambiente. Tiramos muitas fotos, fizemos alguns vídeos, contemplamos imensamente aquele lugar com toda a sua magia e energia. O Glaciar é esplêndido, o barulho do gelo quebrando, o azul que avistamos nas frechas do gelo, tudo é incrivelmente magnífico!! Votamos para o hostel maravilhadas e dormimos com aquelas imagens lindas. Ao acordar, fomos comprar nossas passagens para El Chalten e explorar um pouco mais a cidade. Encontramos um parque das aves e resolvemos fazer o percurso de uma hora nele, onde era possível contemplar diversas aves da região, em um contato com a natureza de extrema contemplação. Voltamos para o Hostel e dividimos quarto com uma Alemã que tinha acabado de chegar de El Chalten e nos deu várias dicas de como eram as trilhas. Ela estava encantada e falou que nós iríamos amar. Tudo isso em uma tentativa de falar inglês já que ela não falava espanhol. Ah... nós também não falávamos espanhol, apenas Português e eu o básico de inglês. Mesmo assim, isso não nos impediu de curtir a nossa trip e de fazer novas amizades. 4 ª Etapa – El Chalten De El Calafate até El Chalten foram 03 horas de viagem. Ônibus super confortável, dois andares, leito e uma vista privilegiada. Mesmo antes de chegar na cidade, já conseguimos avistar o Fitz Roy, imponente e majestoso. As primeiras fotos começaram dentro do ônibus mesmo, e minha irmã estava emocionada por estar naquele lugar. Fizemos uma parada na entrada da cidade, na Administração do Parque Los Glaciares, para receber as devidas orientações sobre as trilhas e cuidados que devíamos tomar. O guarda-parque falou da dificuldade da trilha do Fitz Roy e eu fiquei mais uma vez bastante preocupada e angustiada. Mas nem de longe imaginava que o nosso merecimento estava ali naquele lugar. Descemos a pé da rodoviária até o hostel. A cidade é bem pequena e tudo é muito próximo. Almoçamos, fomos ao mercado, exploramos um pouco a cidade e fomos descansar pois no dia seguinte a primeira trilha seria exatamente a mais difícil: A Trilha da Laguna Los Três que fica na base do Fitz Roy. Eu estava muito angustiada, com medo de não conseguir, pensando nas dificuldades que podia encontrar na trilha. Entrei na internet, li vários relatos, e pedi para minha irmã prometer que se eu não conseguisse ela iria sozinha, pois não queria atrapalhar esse sonho dela. Ela me tranquilizou e disse que estávamos juntas e que tudo iria dar certo. Fomos dormir, mas eu continuava com receio da trilha. Afinal, eram 10 horas de caminhada, isso para quem era acostumado em fazer trekking, o que não era o meu caso. Iniciamos a trilha as 7:00h da manhã. O dia estava apenas amanhecendo. Na entrada da trilha rezamos, pedimos permissão a espiritualidade e proteção para nossa travessia. A primeira hora é de subida e se a pessoa não estiver na sintonia desiste ali mesmo. É uma subida cansativa, mas relativamente fácil, pois foram colocados troncos que formam uma escada e dão apoio. Fomos recepcionadas por dois Pica-Pau que faziam barulho bicando a madeira e eram lindos. A trilha é toda sinalizada, com indicativos de direção e quilometragem. Nos primeiros quilômetros encontramos meia dúzia de pessoas no sentido contrário. A partir daí até o acampamento Poicenot não encontramos mais ninguém. Nos 700 metros avistamos o 1º mirante que dá para o rio Los Curves. A trilha começou a ficar plana, andamos na mata fechada, ouvindo apenas o som do vento e dos pássaros. A trilha é linda e de uma energia indescritível. Passamos por vários portais, pontes feitas com tronco, caminhos estreitos dentro do bosque e chegamos no Mirador do Fitz Roy. A trilha vai ficando mais aberta, uma clareira, várias fontes de água até chegar em um bosque onde fica o Acampamento Paicenot. Esse camping não tem nenhuma estrutura, apenas um banheiro seco. Vimos algumas pessoas se alimentando e seguimos. A partir desse ponto a trilha passa a ficar mais pesada, mas no meu coração estava um sentimento de que mesmo assim eu conseguiria. Seguimos em frente, passamos por um rio que ficava no meio de uma pedreira. Senti uma energia tão forte que fiquei toda arrepiada. Chegamos na placa indicativa do último quilômetro. A placa era bem objetiva e dizia que era uma subida de alta complexidade apenas para pessoas com bom preparo físico. Mesmo sem preparo, o nosso desejo de chegar lá era tão grande que decidimos subir. No início parece apenas uma ladeira comum, depois vai ficando cada vez mais íngreme. A subida é muito difícil, mas eu me sentia segura, mesmo parando a cada cinco passos para respirar e retomar a força nas pernas que já estavam se esgotando. Estava todo tempo em oração, pedindo forças a espiritualidade para que me ajudassem a chegar até o pico. Nessa subida, de repente e do nada rsrsrs começou a aparecer um monte de gente subindo também, mas todos respeitando o tempo de cada um. Deixamos todo mundo passar na nossa frente e fomos subindo no nosso ritmo. Foi muito difícil e cansativo, mas finalmente chegamos ao cume. Lá vimos várias pessoas lanchando e tirando fotos. A paisagem era simplesmente espetacular. A Laguna Los Três estava completamente congelada e ao fundo, bem pertinho, víamos as torres imponentes do Fitz Roy. Tiramos várias fotos, encontramos por acaso com nosso amigo Português de Torres Del Paine, vimos uma raposa e após contemplar tanta beleza decidimos iniciar a descida que eu não fazia ideia de que seria milhões de vezes mais difícil do que a subida. O início da descida foi muito ruim, pois era uma descida com cascalho solto e ao tentar descer de lado acabei dando um jeito no joelho. Começamos a descer a parte das pedras, mas a dor no meu joelho já era insuportável. Minha expressão era de dor, angustia e desespero, mas não tinha o que fazer, tinha que suportar a dor e prosseguir, pois não tinha outra forma de retornar. Faltavam mais 5 ou 6 horas de caminhada. Na metade da descida paramos embaixo de uma árvore para beber água e nesse momento as lágrimas desceram de tanta dor. Continuamos a descida e conseguimos chegar ao final desse quilômetro que era o mais difícil. Lavei o joelho com água gelada do rio, comi um chocolate e continuamos. A dor tinha melhorado 50% e o caminho agora era mais fácil. Seguimos no nosso ritmo e na nossa contemplação, afinal de contas, fazer essa trilha correndo sem sentir e contemplar a natureza, para mim não fazia nenhum sentido. De vez em quando olhava para trás e via as torres nevadas e lindas. Sempre que tinha uma descida ou pisava de mau jeito meu joelho doía muito, eu fazia careta, gritava e me espremia para tentar suportar. Mesmo assim, estava o tempo todo em oração e agradecimento por ter conseguido chegar até lá. A energia do bosque na volta era ainda mais forte, senti a proteção de Deus e de toda espiritualidade de luz, e aquilo me deu forças para seguir adiante. A subida da primeira hora da ida, seria a descida da última hora da volta, e eu já estava usando os bastões praticamente como muletas, aliás, sem eles, provavelmente eu não teria conseguido. Minha amiga-irmã foi super carinhosa e paciente, conversava para me distrair e escondia que o joelho dela também estava doendo bastante. Fiz o último quilômetro praticamente arrastada pelos bastões e após quase doze horas de caminhada no total, chegamos a placa de início da trilha. Nesse momento, a emoção tomou conta de mim, as lágrimas desceram compulsivamente em gratidão por tamanha beleza, por tamanha superação. Me senti uma guerreira vitoriosa! Agora, já conseguia sorrir e achar engraçado o meu desespero anterior. Foram quase 12 horas de caminhada! A maior lição que tirei dessa trilha foi que o poder da mente e a força da natureza são inexplicáveis. Que o nosso merecimento não tinha sido em Torres Del Paine, e sim no Fitz Roy. E que, qualquer pessoa que tenha fé e disposição consegue fazer essa trilha, assim como eu fiz!!!! Ao chegar no Hostel não sentia meu corpo, só a dor no joelho. Mas a sensação era de vitória, superação e missão cumprida. Afinal de contas, eu que nunca tinha feito uma trilha na vida, consegui concluir uma trilha internacional com nível de alta complexidade. No dia seguinte, após muito analgésico, massagem e uma tala de proteção para o joelho, fizemos uma trilha bem leve. Apenas uma hora de caminhada para a Cachoeira Chorrilo Del Salto. Apesar de ser uma trilha leve, a recompensa e a beleza são igualmente incríveis. Contato com a natureza, sensação de paz e agradecimento por momentos tão incríveis. Voltamos e descansamos o resto do dia para recuperar as nossas forças, pois no dia seguinte faríamos a última trilha dessa viagem incrível. Novamente acordamos cedo e seguimos dessa vez para a Trilha do Cerro Torres. Uma trilha de média complexidade, com duração de mais ou menos seis horas. A trilha tinha umas subidas difíceis, mas depois do que passei no Fitz Roy, tudo era mais fácil. Cada trilha com sua beleza, durante o trajeto vimos paisagens incríveis, rios, cachoeiras, pássaros, tudo em perfeita harmonia. Ao chegar na Laguna Torres o encantamento foi imediato! A Laguna estava em degelo, com várias pedras de gelo boiando em sua superfície. O espelho d’água refletia as montanhas nevadas. Um verdadeiro espetáculo da natureza para fechar com chave de ouro essa viagem que marcou e transformou para sempre a minha vida. Com certeza não voltei para o Brasil a mesma pessoa que fui. Aprendi novos valores, mudei conceitos, aprendi a amar, aprendi a ter humildade, aprendi a ter respeito pela natureza, aprendi a contemplar, aprendi que o poder da mente é capaz de transformar o mundo. Aprendi que viajar renova todas as energias e nos transforma em pessoas melhores. Por isso, escrevi esse relato para encorajar as pessoas que como eu não são aventureiras de carteirinha, mas merecem a oportunidade de contemplar a natureza em sua mais sublime abundância!!! Se eu consegui, qualquer um consegue!!!!
  10. Oi pessoal! Vamos para mais um relato. Pontos importantes: * Vou dividir esse relato em duas partes, porque foi uma viagem que fiz em 2 estilos: pobre e luxo kkkk Igualmente luxo pra mim é alugar uma cabana barata e pagar passagem de barco para ter acesso a umas ilhas que somente sao possiveis nessa modalidade. Vamo lá! * Nao vou colocar enfase nos precos dessa vez, infelizmente, porque eu nao usei conversao do real para peso e como a inflacao na Argentina é alta, nao da para confiar muito. Meu foco é explicar o que é possível ou nao fazer e mostrar um destino que nao é muito conhecido por mochileiros brasileiros (os iniciantes). * Fiz essa viagem com meu marido que é iniciante, nao esta acostumado a mochilar, mas ele esta pegando o gostinho *Epoca boa para ir: marco PARTE 1 - EL BOLSÓN Trekking 3 dias: Refugio Hielo Azul - Cajon del Azul El Bolson é uma cidade que fica no estado Rio Negro - Argentina. Para chegar lá é só ir ate o aeroporto de Bariloche e depois no terminal rodoviario de Bariloche pegar o onibus direto. As opcoes de hospedagens sao diversas e muito baratas porque eles nao tem o mesmo nivel de turismo que Bariloche. Para fazer esse trekking optamos subir por Dueña Rosa e descer por Refugio Natación até Cajón del Azil e terminar na chacara do Wharton. Pela minha experiencia, recomendo ir por Dueña Rosa porque o contrario creio que exigiria mais preparo fisico para praticamente escalar por um caminho nao muito seguro. Para descer é mais facil, mas ja aviso que tem alguns trechos dificeis que tem que deitar e se arrastar literalmente kkkk. Tentem nao rir do caminho que desenhei, mas foi basicamente esse o caminho que fizemos: essa letra I é por onde subimos e depois descemos e caminhamos ate o lugar onde olhei pra tras e nao acreditei que eu tinha feito isso. DIA 1 DUEÑA ROSA - HIELO AZUL (DISTANCIA TOTAL 15 KM, ALTURA 1.300 METROS) Deixamos agendado um taxi para nos levar até o inicio do caminho e comecamos a subir as 6 da manha para chegar as 15 horas em Hielo Azul. Fuimos tranquilos e deu o tempo, com 2 paradas de 20 minutos cada uma. A trilha está bem sinalizada com fundos de latinha presos nas arvores que vao indicando o caminho. Preco noite no refugio: 300 pesos por pessoa. Deixo aqui o contato do refugio para avisar antes de ir e saber se estará aberto e essas coisas: https://www.facebook.com/Refugio-Hielo-Azul-1051938304846584/ DIA 2 - REFUGIO NATACION - LA PLAYITA + DIA 3 LA PLAYITA - WHARTON (DISTANCIA TOTAL 20 KM) Passamos a noite no refugio e nao foi possível ir ao Glaciar porque nao era seguro subir nesse dia. Fiquei super triste porque queria terminar de subir. Como ja tinhamos outras coisas planejadas, decidimos nao ficar mais um dia lá e comecamos a descer. Antes de descer tem que subir até o Refugio Natación e creio que é uma parte importante do trekking porque é uma subida bastante inclinada. A melhor parte desse trekking foi chegar no refugio La Playita e contemplar a beleza do lugar. A noite o dono do refugio fez pizza pra gente e tomamos cerveja pra relaxar. No terceiro dia caminhamos até a chacara do Wharton onde terminou o trekking. Deixo as fotos dessa parte e do caminho indicando onde eu estava e onde terminei (W) * A parte que mostra a altura 1.495 é quando tem que subir até o Natación* DIA 4- LAGO PUELO Dia para descansar do trekking. Na pracinha central de El Bolson tem o onibus de linha (15 pesos a passagem) super barato que vai até Lago Puelo e é divisa com o estado de Chubut FIM PARTE 1
  11. Paula (Mochilão Sabático)

    COCHAMÓ - o vale chileno que vale a pena

    Dois dias antes de chegar em Cochamó, nunca tínhamos ouvido falar nesta cidade chilena litorânea. Vimos um planfeto no Hostal em Pucón, e nos interessamos em uma travessia que começa no Chile e termina na Argentina, passando pelo vale de Cochamó. Fomos ver pessoalmente e não nos arrependemos. Cochamó é uma pequena cidade localizada na região dos Lagos, onde fica um lindo vale, com montanhas e grandes paredes de pedra, bordeando o claro rio Cochamó. Faz parte da Patagônia chilena, e as temperaturas oscilam entre 0 e 20°C. Resumo do trekking País: Chile Distância entre cidades: Santiago (1160 km), Puerto Montt (116 km) Área: Valle de Cochamó Distância percorrida: 46 km Duração: 5 dias Subida acumulada: 2113 metros Descida acumulada: 2044 metros Altitude máxima: 1121 metros Previsão do tempo: Windguru Sinal de celular: sem sinal de celular Período do trekking: início de novembro de 2017 Dificuldade: Moderada. Não indicada para iniciantes. Necessário bom condicionamento físico. Como chegamos Nossa última localização era Pucón. Saímos de Pucón e após uma viagem de 5 horas de ônibus chegamos em Puerto Montt. No terminal de Puerto Montt há duas empresas, que disponibilizam ônibus diariamente, passando por Cochamó. Segue a grade de horários, saindo de Puerto Montt: 2a feira a sábado: 7h45 / 11h30 / 12h15 / 14h00 / 15h30 / 16h00 domingos e feriados: 7h45 / 12h00 / 16h30 Quando entrar no ônibus, importante pedir para te deixarem em Valle de Cochamó. São 2h50min de viagem. O ônibus te deixa em uma ponte, que dá acesso a uma estrada de terra. Esta estrada termina no início da trilha. Campings No total foram 5 noites acampando: 1 noite no camping Campo Aventura, perto da ponte, na parada de ônibus 4 noites no camping La Junta, no vale Camping Campo Aventura Chegamos no final da tarde em Cochamó e optamos por dormir em algum camping perto da ponte. O motorista do ônibus nos indicou o camping Campo Aventura. No camping fomos recebidos por Miguel, um americano que vive 17 anos no Chile. Ele nos recomendou não tentarmos a travessia que estávamos planejando para Argentina. Nos deu dois motivos: havia muita neve dificultando a visualização da trilha e o nível de água dos rios pode subir, tornando-os perigosos ao tentar atravessá-los. O ideal é fazer essa travessia entre janeiro e fevereiro, que são meses mais secos e os rios estão mais baixos. O camping é simples e como o chuveiro não estava funcionando, nos deram $CLP 1000,00 de desconto por pessoa. O banheiro parecia ser novo e era bem limpinho. O Campo Aventura fica ao lado do rio Cochamó, no lado oposto à estrada de terra que leva à La Junta. Do camping à ponte são 15 minutos andando. Camping La Junta O camping La Junta fica bem no meio do vale. É um lugar muito lindo e vale a pena ser conhecido. Para chegar ao camping deve-se percorrer uma trilha de 5 horas. Também é possível chegar em cavalos. Foi o primeiro camping que passamos e o único aberto em novembro. Em novembro ainda é baixa temporada. No verão, na alta temporada, é necessário reservar com antecedência. O camping é bem espaçoso e conta com uma boa infraestrutura, levando em consideração que não há eletricidade e saneamento básico. Os banheiros são bem limpos e quase inodoros. Há um esquema para separar a urina das fezes, mantendo o ambiente sempre seco. Há chuveiro frio, pia para lavar roupa e local comunitário para refeições. O gramado está sempre aparado pelos cavalos. Se precisar de comida, são vendidas algumas verduras. Outro ponto positivo é que não é muito alto e as noites não são tão frias. Em La Junta, além do caminho que cruza a Argentina, também há algumas trilhas de 1 dia, para trekkers e escaladores. Trilhas [googlemaps https://www.google.com/maps/d/embed?mid=1ZvZzklNcc8y8Ga1y2sUSDdcY25hC0UFE&w=640&h=480] Ponte de Cochamó a La Junta Para chegar a La Junta há duas etapas para seguir: 1. Estrada de terra até início da trilha Resumo estrada terra Total percorrido Tempo Subida Descida Altitude máxima Dificuldade 6 km 1:30 47 metros 6 metros 50 metros Leve São 6 km de estrada de terra sempre subindo. Dessa vez não conseguimos carona e tivemos que encará-la caminhando. Foram 1,5 hora de subida. Na estrada há algumas opções de hospedagens e pelo que me informaram cada ano que passa, há cada vez mais construções. Em 2010 haviam somente 2 casas nesses 6 km que separam a ponte ao início da trilha. Mas o volume de turistas está crescendo rapidamente. 2. Trilha até La Junta Resumo La Junta Total percorrido Tempo Subida Descida Altitude máxima Dificuldade 12 km 5:30 377 metros 111 metros 328 metros Moderada A estrada de terra termina no início da trilha que vai até La Junta. A trilha percorre um bosque sempre ao lado esquerdo do rio e é bem protegida do Sol. Não é necessário carregar muita água, pois há vários lugares para coletar a água do rio. Até Las Juntas todos os grandes cruzamentos de rios há pontes. Também há alguns riachos para cruzar, mas com a ajuda de algumas pedras não se molha os pés. A trilha tem muita lama, que com um pouco de ginástica, sobrevive-se sem muitos estragos. Após 2h30 de trilha, há uma placa para nos lembrar que devemos descansar. Essa placa indica praticamente a metade do caminho. No total foram 5h30min de trilha para ir até La Junta. Para voltar fomos mais rápidos e fizemos o mesmo percurso em 4h15min. O caminho é bem demarcado e não tem como errar. Na dúvida é só seguir as pegadas de homens e cavalos. Ao chegar em La Junta há 4 opções de campings: La Junta, Trewe, outra unidade do Campo Aventura e Vista Hermosa. Para esses dois últimos é necessário cruzar o rio com um carrinho-tiroleza. Sendero Cerro Arco Íris Resumo Arco Íris Total percorrido Tempo Subida Descida Altitude máxima Dificuldade 5 km 2:30 555 metros 549 metros 853 metros Moderada Leve O objetivo do dia era chegar no mirante do cerro Arco Íris. A trilha começa atrás do camping e é totalmente dentro do bosque, protegido do Sol. Em alguns pontos era possível ver uma linda paisagem e o camping abaixo. Subimos 1h10 até chegarmos em uma parede com corda. A partir deste ponto achamos muito perigoso continuarmos e voltamos. Na volta passamos por uma cachoeira. Havia outra trilha saindo pela cachoeira, mas a ponte que atravessava o rio, caiu. Ida e volta resultou em 2h30min de caminhada. Tobogã A 10 minutos do camping fica uma queda d'água chamada Tobogã, onde o pessoal escorrega. O único problema é ter que atravessar o rio com água gelada pelas canelas, para chegar lá. Mas quem tiver o objetivo de se refrescar no tobogã, isso não será um problema. base cerro Trinidad Resumo Trinidad Total percorrido Tempo Subida Descida Altitude máxima Dificuldade 12 km 6:00 1023 metros 1001 metros 1121 metros Moderada Pesada Saindo do acampamento La Junta há um tipo de tiroleza com um carrinho pendurado para as pessoas atravessarem o rio. Do outro lado do rio há o camping Vista Hermosa e as trilhas que levam para os cerros Trinidad, Anfiteatro e cachoeiras. Fomos até a base do cerro Trinidad. É uma trilha no meio do bosque, sempre subindo. Fitas rosas e amarelas marcam o caminho. Mas mesmo assim, na primeira hora ficamos 45 minutos perdidos. Até que decidimos ignorar algumas fitas e seguir o GPS. E conseguimos encontrar o caminho novamente. Não é necessário carregar muita água, pois tem pontos de água no caminho. Após 3h00 de caminhada, saímos do bosque e um lindo paredão de rocha aparece. É a base do cerro Trinidad. Parecia que a trilha terminava por ali. Mas seguindo o vale à direita, encontramos a continuação do caminho. Subimos por um rio, passamos por uma placa, passamos ao lado de outro rio e a trilha não acabava. Andamos mais 50 minutos e como estava ficando tarde, voltamos sem chegar até o fim. No total foram 6 horas de caminhada. Outros atrativos Além da travessia para Argentina vimos outras placas indicando trilhas para outras montanhas e cachoeiras próximos. Poderíamos ficar mais 2 dias acampando para conhecer mais os arredores. Mas tivemos que ir embora por causa da chuva e estoque de comida. Custos Custos em pesos chilenos para 1 pessoa: Ônibus Puerto Montt a Cochamó, ida: $ 3500,00 Camping Campo Aventura, diária individual: $ 4000,00 Camping La Junta, diária individual: $ 4000,00 Cotação em 12/10/2017: US$ 1,00 = R$ 3,17 = $ chilenos 623,88 Dicas Em Cochamó não há caixas eletrônicos e são pouco os lugares que aceitam cartão de crédito. Leve dinheiro suficiente para sua viagem. Se for em alta temporada, entre janeiro e fevereiro, reserve sua estadia nos campings com antecedência. Para o trecho na estrada de terra, é possível pagar para te levarem de carro até o início da trilha. Se informe em Cochamó. Janeiro e fevereiro são os meses propícios para a travessia à Argentina, pelo paso El León. Dados sabáticos 560 km trilhados 54 noites acampando 22 cidades 14 áreas naturais 5 meses 2 países Quer mais? Nós, Paula Yamamura e Ramon Quevedo, estamos curtindo uma vida sabática, focando no que mais gostamos de fazer: viajar trilhando. Nos acompanhe também em: www.mochilaosabatico.com Facebook Instagram YouTube
  12. Olá Mochileiros, Depois de meses de planejamento consegui realizar o sonho de conhecer a Patagônia e de quebra uma boa parte do Chile. Fomos eu e minha esposa numa aventura de 33 dias e com muito trekking e cultura. Fizemos a viagem em boa parte no estilo mochilão, mas mesmo economizando e preparando as refeições nos hosteis não deixa de ser um destino caro, principalmente se compararmos com nosso ultimo mochilão: Bolívia e Peru (bem mais em conta). Vou postar aos poucos sobre a viagem porque é muita informação e 8 cartões microsd de fotografias para trabalhar. Roteiro Dia 1: 21/12 Voo Rio de Janeiro x Montevideo, Montevideo x Santiago Dia 2: 22/12 Voo Santiago x Punta Arenas. Conhecer o centro histórico, visitar a Zona Franca para fazer câmbio e viajar a tarde para Puerto Natales Dia 3: 23/12 ônibus Puerto Natales x El Calafate, cambio e supermercado em El Calafate. ônibus El Calafate x El Chalten Dia 4: 24/12 El Chalten: Sendero Fitz Roy e acampamento no Camping Poincenot Dia 5: 25/12 El Chalten: Mirador Piedras Blancas e Laguna Capri, camping Poincenot Dia 6: 26/12 El Chalten: Sendero Laguna Madre y Hija e Sendero Laguna Torre, acampamento no Camping Dagostini dia 7: 27/12El Chalten: Laguna Torre, Mirador Cerro Torre e Sendero Laguna Torre a El Chalten dia 8: 28/12 El Chalten: Mirador dos Condores e Mirador Aguillas dia 9: 29/12 Ônibus El Chalten x El Calafate. E passeio nas passarelas do Perito Moreno dia 10: 30/12 El Calafate: Passeio pelo centro e Laguna Nimez dia 11: 31/12 Ônibus El Calafate x Puerto Natales. Preparar mochila para o circuito W e ceia de ano novo no Hostel. dia 12: 01/01 W 1º dia: Ônibus para o Parque Torres del Paine e acampamento no Camping Torres Central dia 13: 02/01 W 2º dia: Sendero Mirador Las Torres e Camping Torres Central dia 14: 03/01 W 3º dia: Sendero Torres Central x Los Cuerno x Camping Francês com pernoite nele. dia 15: 04/01 W 4º dia: Caping Italiano, Vale do Francês, Mirador Vale do Francês e Mirador Britânico. Acampamento no Camping Paine Grande dia 16: 05/01 W 5º dia: Catamaran até o Pehoé e volta para Puerto Natales dia 17: 06/01 Puerto Natales: passeio de bike pela cidade e Museu Municipal dia 18: 07/01: ônibus Puerto Natales x Punta Arenas. Zona Franca para compras dia 19: 08/01 Vôo Punta Arenas x Puerto Montt. Ônibus Puerto Montt x Puerto Varas dia 20: 09/01 Puerto Varas: Laguna Verde, Saltos de Petrohué, Lago de Todos os Santos e Sendero Desolación dia 21: 10/01 Quenoir Bajo: passeio para observação de passáros em uma praia deserta. dia 22: 11/01 Frutillar Bajo e Casa de Té de lavanda. ônibus Puerto Varas x Pucon. dia 23: 12/01 Pucon: Centro Mapuche, Ojos de Caburga e Playa Blanca de Bike (40 km) dia 24: 13/01 Pucon: dia de descanso dia 25: 14/01 Pucon: Centro de Pucon, Plaza de Armas e voo de Parapente dia 26: 15/01 Pucon: Passeio de bike pelos arredores de Pucon e visita ao centro Mapuche. ônibus noturno para Santiago dia 27: 16/01 Santiago: Cambio, Supermercado e Plaza de Armas dia 28: 17/01 Santiago: Plaza Quinta Normal, Museu de História Natural, MAC e Museu de Ciências e Tecnologia dia 29: 18/01 Santiago: Shopping Costanera Center dia 30: 19/01 Santiago: citytour a pé e por conta: Museu Histórico Nacional, Plaza de Armas, Cerro Santa Isabel e Cerro San Cristóbal e teleférico dia 31: 20/01 Vina del Mar e Valparaíso: Palácio Riojas, Museu Fonck, Moai, Costanera, Castillo Wolf, relógio de Flores, Museu História Natural de Valparaíso, plazas e Funicular dia 32: 21/01 Vinicola Concha y Toro e Plaza Mirador dia 33: 22/01 Arrumar as malas e voo de volta para o Rio de Janeiro. IMG_6942.tif
  13. Oi galera!! Quem já viajou de mochilão sabe o quanto é importante saber quanto se vai gastar em uma viagem.. Esta foi uma viagem a Patagônia feita em Setembro/2017, com mais 3 pessoas do mochileiros. Fiquei 3 dias em Buenos Aires, e depois me encontrei com o restante do pessoal em Ushuaia. Foi uma viagem incrível e econômica, e gostaria muito de compartilhar com vocês. COTAÇÃO Pesos argentinos 1 real = 5 pesos argentinos 1 dólar = 17 pesos argentinos Pesos chilenos 1 real = 170 pesos chilenos 1 dólar = 610 pesos chilenos GASTOS GERAIS Aviões = R$2.118,00 Ônibus no Brasil = R$122,00 Reservas em hostels antecipadas = R$648,00 Argentina = R$1.582,00 09.09.2017 = 2153 = R$430,00 880 taxi aeroparque x hostel 870 3 noites hostel 50 cartão e passe bus 353 comidas 10.09.2017 = 1130 = R$226,00 300 entrada teatro colon 180 comida 150 entrada bombonera 500 entrada madero tango 11.09.2017 = 368 = R$73,00 25 bus 43 comida 300 transfer hostel x aeroparque 12.09.2017 = 511 = R$102,00 41 taxi aero x hostel div em 4 200 comida 90 taxi ida e volta cerro martial 180 grampones cerro martial 13.09.2017 = 572 = R$115,00 202 comida 375 taxi a parque nacional 14.09.2017 = 443 = R$89,00 325 taxi a esmeralda div 4 118 comida 15.09.2017 = 4510 = R$90,00 38 taxi hostel a aero div 4 120 aero a hostel calafate div 4 460 hostel hostel bla 2 dias 192 comida 3200 mini trekking 500 parque mini trekking 16.09.2017 = 245 = R$49,00 245 comida vários dias em calafate 17,18,19 e 20.09.2017 = 1189 = R$238,00 900 idae volta chalten+10tx embarq 279 comida vários dias em chalten 21.09.2017 = 850 = R$170,00 250 hostel bla 1 dia 600 bus porto natales Chile = R$1.114,00 22.09.2017 = 48000 = R$282,00 14000 comida 15000 ida e volta ao parque 11000 entrada parque nacional 5000 isolante aluguel 1250 panela aluguel div 4 3000 bus dentro do paque 23,24,25.09.2017 = 37500 = R$221,00 4500 pesos barraca torres central 33000 paine grande 26.09.2017 = 39000 = R$229,00 18000 catamarã retorno parque 6000 comida 15000 hostal alamo 27.09.2017 = 45900 = R$270,00 12500 comida 2000 guarda volumes p natales 24400 hostel p natales 2 noites 7000 bus natales a punta arenas 28.09.2017 = 19000 = R$112,00 3300 taxi p arenas a aero div 3 15700 comida TOTAL DE GASTOS: R$5.584,00 ROTEIRO 21dias - Buenos Aires, Ushuaia, El Calafate, El Chalten, Puerto Natales, Punta Arenas Transportes: (fizemos um roteiro onde não ficássemos passando pela fronteira ChilexArgentina várias vezes) Ida SP / Buenos Aires-Argentina em avião Buenos Aires / Ushuaia-Argentina em avião Ushuaia / Calafate-Argentina em avião Calafate / Chalten-Argentina em ônibus (4 horas) Chalten / Calafate-Argentina em ônibus (4 horas) Calafate / Puerto Natales - TORRES DEL PAINE-Chile em ônibus (6 horas) Puerto Natales / Punta Arenas-Chile em ônibus (3 horas) Volta Punta Arenas / Santiago/ SP em avião Dia a dia: Buenos Aires – 3 dias 07/09/2017 1° dia - Buenos Aires/Argentina 08/09/2017 2° dia - Buenos Aires/Argentina 09/09/2017 3° dia - Buenos Aires/Argentina Ushuaia – 3 dias 10/09/2017 4° dia - Vôo Buenos Aires a Ushuaia/Argentina Logo que chegamos, fomos ao Mirante do Cerro Glaciar Martial, e que devido ao vento forte e a neve, não foi possível subir até o Mirante, mas até parte dele. 11/09/2017 5° dia – Ushuaia/Argentina Neste dia fizemos o trekking pela Laguna Esmeralda, mas ela ainda estava congelada. Nos perdemos um pouco no caminho, pois a neve estava alta e cobria as placas, mas foi tranquilo chegar. 12/09/2017 6° dia – Ushuaia/Argentina Contratamos um transfer para o Parque Nacional Tierra Del Fuego um dia antes da ida – 30min. Fomos até Bahia Ensenada e o começo da trilha Senda Costera. Iniciar a trilha Senda Costera que tem um percurso de 8 km com uma duração de aproximadamente 3 horas de trilha fácil. Depois de exatamente 3 horas de trilha, seguir para o Lago Roca, que fica a 1 km do final da trilha Senda Costera, e o bosque que fica à beira desse lago. 13/09/2017 7° dia – Ushuaia/Argentina El Calafate – 2 dias 14/09/2017 8° dia – Vôo de Ushuaia a Calafate/Argentina Chegando em El Calafate, compramos o passeio ao Glaciar Perito Moreno-Big Ice no próprio hostel. Custo do Big ICE $4000,00 pesos ou $252,00 dolares ou R$800,00 reais Custo do Mini Trekking $2400,00 pesos ou 160,00 dolares ou R$460,00 reais 15/09/2017 9° dia – Calafate/Argentina Fizemos o Mini trekking no Glaciar Perito Moreno: Às 9h o ônibus pega no hostel e vai em direção ao Parque Nacional Los Glaciares onde chegamos por volta de 11h. Na entrada do parque o ônibus para e o guia desce para comprar as entradas, que tem preços diferentes dependendo de onde você é. Para turistas do Mercosul o valor é mais barato, portanto não esqueça de levar seu passaporte ou pagará um pouquinho mais caro. Após a entrada no parque o ônibus nos leva para um ponto de encontro onde tem uma lanchonete/refeitório e também é onde começam as passarelas do Perito Moreno. O guia estipulou que deveríamos estar de volta pro ônibus às 14h. Um dia meio nublado é perfeito para as fotos, já que num dia de muito sol a claridade reflete no gelo fazendo as fotos ficarem bem ruins. Embarcamos de novo no ônibus e fomos em direção ao porto para pegar o catamarã que nos levou pra margem oposta do lago, lugar onde começa o trekking no glaciar. Na chegada paramos em um ponto de apoio onde são passadas algumas instruções e é recomendável que quem esteja levando muita coisa deixei nos lockers que tem ali. Depois de 15 minutos começamos a caminhar através de um bosque para chegar ao ponto de início do trekking, lá colocamos os grampones nas botas e nos dividimos em dois grupos, um com guia em inglês e outro em espanhol. A experiência de andar no gelo é fantástica, mas apesar de achar meio inseguro no início, logo nos acostumamos a andar e também os grampones nos dão bastante segurança. Durante o passeio o guia vai explicando várias coisas sobre o glaciar e o campo de gelo patagônico, no final do trekking paramos em um ponto e os guias serviram whisky com gelo do próprio glaciar. O passeio durou cerca de 1:30h, é tranquilo e vale a pena pra qualquer pessoa.Ao fim do passeio retornamos ao ponto de encontro, lanchamos, retornamos ao catamarã e em seguida ao ônibus de volta pra El Calafate. Choveu muito e fez muito frio... foi legal, mas a chuva atrapalho muito o passeio. El Chalten – 5 dias 16/09/2017 10° dia – Ônibus de Calafate a El Chalten/Argentina (4 horas) Há duas empresas que fazem o trajeto, http://www.caltur.com.ar/ e http://www.chaltentravel.com/ ambas com o mesmo horário, às 8h, 13h e 18h.http://www.plataforma10.com/ Logo que chegamos, fizemos a trilha do Mirador de los condores, que tem uma vista muito bacana da cidade, o acesso à trilha é bem bonito, fica atrás do centro de visitantes na entrada da cidade, 30 minutos de caminhada e concluímos a trilha. 17/09/2017 11° dia – El Chalten/Argentina Trekking a Laguna de Los Três/Trilha ao Fitz Roy - A trilha começa com uma subida forte, de uns 30/40 minutos, depois a trilha fica sem muito desnível por um bom tempo. Depois de 2 horas de caminhada chegada a Laguna Capri, parada por alguns minutos para um pequeno lanche. Segue com o trekking em direção ao Campamento Poincenot que é a base para subir a Laguna de los três, leva aprox. 1h30 para concluir. A trilha é bem demarcada, basta você não sair da trilha que não há como se perder. Uma vez no poincenot descansar um pouco e começamos a tão temida “última hora da trilha”. O desnível é grande, cheio de pedras soltas que mais ao final da trilha se misturam a neve e escorrega pra caramba, o bastão de caminhada neste trecho do trekking é muito importante, porém o mais importante era os grampones, e por conta disso tivemos que parar na metade e retornar. Estava muito perigoso. 18/09/2017 12° dia – El Chalten/Argentina Trilha a Laguna Torre/Argentina - Trilha tranquila sem muito desnível, 22km, a realizamos em 3 horas ida, que é o tempo descrito no mapa. 19/09/2017 13° dia – El Chalten/Argentina Loma Del Pliegle Tumbado 20/09/2017 14° dia – El Chalten/Argentina Descanso El Calafate - 1 dia 21/09/2017 15° dia – Ônibus de El Chalten a Calafate/Argentina (4 horas) Puerto Natales – 6 dias 22/09/2017 16° dia – Ônibus de Calafate a Puerto Natales/Chile (6 horas) 23/09/2017 17° dia – Circuito W – Torres del Paine: Acampamento Torres Acordamos bem cedinho e o ônibus nos pega no hostel direção ao Parque Torres del Paine. Às 10:00h nós chegamos a administração do parque que fica na Laguna Amarga, ali todos descem para pagar a taxa de entrada do parque e assistir um vídeo informativo. Dali você escolhe se vai começar o circuito daquele ponto ou se continua até Pudeto e inicia pelo Paine Grande. Nós fizemos o circuito W, começando pelas torres e terminando no Paine Grande, então pegamos uma van que nos leva até a Hosteria Las Torres (economiza 1:30h a pé) e lá enfim começamos o nosso trekking pelo Parque Nacional Torres del Paine! Fizemos no Check in no acampamento (já tínhamos pago tudo antes), deixamos nossa mochila grande nas barracas e levamos somente a pequena, com coisas essenciais, a primeira parte da trilha é de uma subida que parecia infinita, até chegarmos ao Vale do Rio Ascencio. O vale é enorme, muito lindo e partir desse ponto é só descida até o Refúgio Chileno. A paisagem daquele lugar é linda. Continuamos até o Campamento Torres, logo depois dele a primeira parte da subida é “tranquila”, dentro de um bosque, com subida relativamente fácil, mas a segunda é bem tensa. Quando saímos do bosque começa uma trilha bem íngreme do lado de um abismo no meio de muitas pedras. Dá medinho, a neve congelada encorregava muito o pé. Mas ao chegar lá em cima, na base das torres, foi só alegria. Passamos pouco tempo lá em cima, estava um frio danado e depois comecei a descida de volta ao camping Torres del Paine. Chegamos já era quase noite, foi tomar banho (de água quente), fazer uma janta rapida e dormir. C NHORRRR, QUE NOITE!! Não lembro de ter passado tanto frio assim na vida. (na verdade lembro, foi na Bolívia, durante a Salar, era a ultima noite, 8 edredons e nenhuma calefação) Mas desta vez na Patagônia, estava na Barraca eu e Paty, e dava pra escutar o vento vindo lá de longe, VRUMMMM, eu só falava assim pra Paty "olha o vento, tá chegando, tá chegandooo" e VRUMMMM, balançava muito a barraca rsrsrs só rindo, por que dormir .. C NHORRRR, QUE NOITE!! 24/09/2017 18° dia – Circuito W – Torres del Paine: Base torres a Refugios no Cuernos Acordamos, fizemos nosso café da manhã, e começamos o segundo dia de trilha por volta de 9h, seguindo em direção ao Los Cuernos, subindo de volta o vale do Rio Ascencio. Apesar de ser longo o caminho até o Cuernos, ele é tranquilo, em sua maioria descida e sempre com o Lago Nordenskjold nos acompanhando ao fundo. MARAVILHOSO!! O engraçado nesse trajeto de poucos kms, é que o tempo mudava muito, chovia, depois ventava, depois nevava, e então saia sol, e começa tudo de novo... rsrsr. O Cuernos, por ser pago, tem uma estrutura muito grande grande. Nessa epoca que fomos, somente o albergue e com pensão completa estava incluso. Não foi barato, mas valeu a pena, pois dormimos em camas confortáveis, e a comida era feita por cozinheiros (muito fino/gourmet demais pro meu gosto), mas era o único jeito né. Dormi muito bem essa noite!! 25/09/2017 19° dia – Circuito W – Torres del Paine: Refugio Los Cuernos - Camp Italiano - Paine Grande Por volta das 9h deixamos o Cuernos em direção ao Campamento Italiano. Chegando no Italiano, nosso plano era deixar a mochila junto com o guarda parques, subir o vale do francês, ver o mirante, depois descer e continuar o caminho até o Paine Grande no mesmo dia, mas ao chegar lá o quarda parque nos disse que devido a nevasca da noite anterior, o caminho estava todo coberto, e não conseguiríamos chegar nem a metade do caminho. Então comemos nosso lanche/almoço que o Cuernos nos dá para viagem (pagamos pensão completa, lembra?) e fomos em direção a Paine Grande. Essa é a trilha mais de boa do parque, sem muitos altos e baixos, passa entre a área que sofreu o grande incêndio de 2011 que é bem sinistra e faz você perceber o por que a administração foca tanto nos alertas de utilização de fogo. Chegamos ao Refugio Paine Grande de tarde ainda. Foi quando eu e Paty, que íamos dividir a barraca novamente, descobrimos que nossa reserva não estava feita. Ficamos preocupadas, com medo de não ter lugar no albergue, mas como não era temporada, foi tranquilo. Até ficamos felizes de certa forma, pois não queríamos mais dormir na barraca, e lá ventava demais.. mais que na Base Torres rsrsrs.. Foi caro, mas valeu a pena. O quarto não tinha calefação, mas era quentinho. 26/09/2017 20° dia – Circuito W – Torres del Paine: Paine Grande Fizemos nosso café, e partimos até o Mirador Grey, queríamos continuar, mas ventava demais o caminho todo, e estávamos bem cansados. Então decidimos parar por aí, e não ir até o final, no Glaciar Grey. Foi então que eu e Paty decidimos voltar hoje mesmo, já que não tínhamos reservas, e mais uma diária lá sairia muito caro. Esperamos pra pegar o catamarã das 18:00h. Nosso passeio pelo Torres del Paine acabou ali, mas mesmo não tendo visitado o Grey até o final da trilha, estávamos emocionadas de ter conhecido aquele lugar incrivel. Chegamos em Puerto Natales já era bem tarde, e ainda tinhamos que achar um lugar para dormir, com calefação (por favor). Acabamos achando um quarto individual de um hotel, a um preço ótimo com um café da manhã dos Deuses (perto do que vinhamos comendo até então rs). Que noite maravilhosa!! Punta Arenas – 1 dia 27/09/2017 21° dia – Ônibus de Puerto Natales a Punta Arenas (4 horas) Voltamos pra Puerto Natales e fomos ao Hostel Vinnhaus, onde deixamos todas nossas coisas. De manhã aproveitamos para conhecer a cidade e de tarde fomos a Punta Arenas, conhecemos um pouquinho de lá. E de Punta Arenas sairia nosso vôo para Santiago e depois a São Paulo Fim de mais uma linda viagem feita com o pessoal dos mochileiros!! Abraços
  14. Esta viagem teve início em NOV/2017 - Trilhas pela Patagônia, Torres Del Paine, El Calafate, El Chaltén e Ushuaia, a busca de um sonho! Este é um relato longo, que eu expresso após 11 anos sonhando com esta viagem aqui para todos vocês. Preludio Esta história começou em São Paulo, no Brasil, quando em algum momento de 2005, sim, há mais de 11 anos, eu li um relato sobre quatro amigos que em Novembro de 1998 saíram com dois veículos Renault e desceram rumo a Ushuaia de carro. Km e mais km de rutas, 3 e 40, a mítica 40, e a partir deste momento, despertava em mim o desejo de conhecer o tal fim do mundo de qualquer forma, e inspirado por este relato, e depois por outros, inclusive que aqui li, desenhei o que seria a minha aventura perfeita a esta tal de Patagonia. Eu devo ter lido e relido esta e outras histórias umas 2000 vezes, e não me cansava, a cada ano eu programava e desenhava roteiros, estudava mapas, um ano eu queria ir de carro, outro de moto, no outro carro, e com isso alguns anos se passaram e eu não havia conseguido completar esta jornada, de nenhuma forma, até então. Em 2013, ainda em SP - Brasil, ja casado então, eu e minha esposa decidimos que iriamos em algum momento de nossas supostas férias, Dez/2013 - Jan/2014. Começamos o planejamento, desenhamos rotas, compramos mapas, tínhamos o carro, minha irmã iria trazer alguns equipamentos do Canadá para nós, ou seja, tudo planejado, nada poderia dar errado, se não fosse uma “certa" jogada do destino… Resumo: Meu cunhado e minha irmã nos convidaram para morar no Canadá, indo em Fev/2014 e nós aceitamos, cancelando mais uma vez a tão sonhada viagem……….. Passa ano, vira ano e sempre falando da viagem, até que em Outubro de 2017, sentado em uma conversa com a minha esposa, chegamos em um consenso de que não conseguiremos ir juntos para a Patagonia, não até meados de Ago/2018…. E em um rompante, minha esposa diz, vai sozinho, e depois vamos de novo juntos. Isto era 21 de Outubro de 2017. Dia 22 eu comprei as passagens e sai do Canada dia 31 de outubro de 2017, exatos 9 dias após a conversa com minha esposa. Como acampamos bastante aqui no Canada, eu tinha quase tudo referente a equipamentos, e de certo, ja havia todo o planejamento mental do que eu gostaria de fazer. Como foi uma viagem sem antecedência, voei com a mente aberta, sem desenhar roteiros, sem reservas de hostel, sem nada, somente com as datas fixas dos vôos, o resto seria desenhado ao bel prazer dos ventos patagônicos, como vocês lerão abaixo. Este era o único roteiro planejado: 01/NOV - Toronto > São Paulo 04/NOV - São Paulo > El Calafate 06, 07, 08/NOV - Reserva de campings em Torres Del Paine 19/NOV - El Calafate > Ushuaia 25/NOV - Ushuaia > São Paulo Todo o resto fora acontecendo conforme meus passos eram dados, dava vontade, eu fazia, tava cansado? Descansava, dava vontade? Eu ia…. E assim começa este relato. Sábado 04/11/2017 - Dia 01 - BRA -SP - ARG BsAs - ARG El Calafate Primeiro dia de viagem, meu Pai me levou para o aeroporto GRU, despachei as malas e meu Vôo saiu de SP as 07:35am rumo a Buenos Aires, 2 horas de vôo, rápido e tranquilo com um pequeno lanche a bordo. A chegada em BsAs foi um pouco conturbada, pois o primeiro vôo saiu um pouco depois do horário programado, com 30 min de delay, que a Aerolineas já havia me notificado por e-mail um dia antes, e me deixado um pouco preocupado, pois a minha próxima conexão seria bem apertada, visto que eu deveria descer do primeiro vôo, pegar a mochila, trocar $$$, (falarei mais disso a frente), e achar o portão para o próximo vôo…. Mas no final deu tudo certo e tudo se encaixou como uma luva. Mochilinha na mão, portão de embarque localizado, mochilona despachada de novo e agora era só esperar…. Saindo de BsAs para El Calafate as 11:15am, vôo lotado, bem diferente do primeiro que veio vazio, do meu lado duas senhoras que estavam voando pela primeira vez… rsrsrs Estavam reluzentes com a novidade!!! Tirei umas 200 fotos para elas, pois eu estava na janela e elas não sabiam usar direito o celular!!! Lol O Piloto anuncia, “Srs passageiros, sugiro fotografarem e filmarem bastante, este tempo lindo e aberto, sem absolutamente nuvens não é tão comum aqui, então aproveitem!!!” Recado dado e aceito, fotos e filmagem a rodo do avião !!! Rsrsrs Chegada as 02:30pm, super tranquila, peguei a mochila, tirei a capa de proteção, embalei tudo e perdi uns 15 minutos em êxtase por ter chego a Patagônia, por estar dentro do meu sonho, e também observando o aeroporto e as pessoas sairem e pegarem taxis ou vans em sentido a cidade. Depois destes minutos de êxtase, dei-me conta que não tinha reserva de nenhum hostel ou similar, e que deveria procurar algo pra começar… kkkkkkk Tentei conexão com a internet do aeroporto de El Calafate, mas como vim a descobrir depois, a internet na Patagônia não é lá muito funcional… e a net do aeroporto não estava funcionando. Bem, pedi um taxi.... taxista: “Para onde sr?” Eu: Não sei, me leva para a cidade….. Taxista:”Como assim? Vc não sabe par onde vai? Não tem reserva?” Eu: Não, não tenho…. Me leva para a cidade q está bom… vc me indica algum hostel? Taxista:”Chê, você é doido…kkk vamos então! Batemos um papo durante os 16km de distância entre o aeroporto e a cidade e acabei parando no America del Sur Hostel, paguei os absurdos ARG$480 pelo táxi, o preço é tabelado, e fui para a porta do hostel. Recepcionista me pergunta, tem reserva? Digo, eu não, tem cama? Recepcionista, tá é doido….kkkk mas tem sim… cama comprada, lá vamos nós começar a passear pelo hostel e arrumar as coisas e pegar informações. O staff do hostel foi muito bacana, me ajudaram com todas as informações que eu necessitei, o hostel em si é muito bonito e bem infra estruturado, por sinal posso dizer que foi o mais legal/bacana que eu fiquei durante esta trip. Paguei CAD$ 20 pelo quarto, este com 4 camas beliche e locker espaçoso o suficiente para colocar a mochila inteira dentro. Você tera que usar seu próprio cadeado para tal, não se esqueça. Banheiros dentro do quarto e água quente ok! Bem, passagem para Puerto Natales no Chile comprada, agora é só curtir um pouco o hostel e descansar. Domingo 05/11/2017 - Dia 2 - ARG El Calafate - CHL Puerto Natales De acordo com o staff do Hostel o ônibus passaria na porta do hostel as 5:45am, acordei mais cedo, empacotei tudo que precisava e sai para tomar meu desajuno. Café da manhã incluso na diária, e bem completo, com direito a pães, ovos, cream cheese, dulce de leche, café leite, sucos entre outras coisinhas. Conversei um pouco com uma Californiana que também iria para TDP e pegamos o ônibus. Viagem tranquila e sem percalços, com uma parada no meio do nada para café e WC. Alfândega tranquila e sem novidades, leva um tempinho para passar para o Chile, mas nada fora do normal. Aqui, se você tem algo proibido, você será revistado, inclusive eles tem raio-x para verificar sua bagagem. Você não pode carregar nada de frutas-verduras, mel, carnes, etc… inclusive carne seca. Foram 352km rodados em 04h30m, chegada em Puerto Natales tranquila, fui caminhando até o Hostel Last Hope, uns 10 quarteirões da rodoviária… Hostel bem honesto, CHL$13.800 pagos, quartos com 4 camas tipo beliches, e locker pequeno, serve para guardar valores e pequenos itens, a mochila não cabe e ficou no chão. Banheiro e chuveiros compartilhados e fora dos quartos, banho quente ok. Larguei tudo pelo hostel e fui passear na charmosa cidade de Puerto Natales para buscar algumas coisas que eu precisava. Lembrando que, na Patagonia, tudo fecha para almoço e só abre a tarde, tipo 4:30pm…kkkkkk e par piorar, ainda chegue no Domingo!! Bem, achei um mercado aberto, comprei algumas coisas tipo amendoim e chocolates para levar, e comida para minha janta. PS: Não espere muito dos mercados de Puerto Natales, não tem muita variedade, e se você der azar como eu de chegar em um Domingo, vai pegar todas as prateleiras vazias…. Bem compras feitas, fui em busca de álcool para meu fogareiro, no mercado não tinha, então a próxima parada foi em um posto de gasolina. Bem, no chile não tem álcool combustível, mas o anti congelante para carros é basicamente álcool e serve como tal. Cheguei no posto e perguntei sobre para o frentista, e o mesmo me informou que o anti congelante estava no armário do posto, o rapaz que estava com a chave do armário so voltaria no dia seguinte… como embarco amanha as 7am não daria para esperar, fui em busca do plano C = Farmácia. Lembra que era Domingo? Pois bem, tudo fechado kkkk mas descobri que uma farmácia tem q estar sempre aberta, então me disseram para bater na porta. Foi o que fiz e alguém abriu para mim!!!! Aleluia! Fui direto na prateleira e achei a última garrafa de álcool disponível na cidade, acredito!!! Kkkkk Álcool comprado, voltei ao hostel para jantar e descansar. Comprei a passagem para TDP no Hostel mesmo, o preço é o mesmo que na rodoviária, então sem problemas. Fui jantar e descansar. Segunda-Feira 06/11/2017 - Dia 3 - CHL Puerto Natales - CHL Torres del Paine Camping Las Torres Levantei bem cedo para arrumar tudo e tomar cafe, também incluso no preço, com Paes, queijos, presunto, sucos, leite, etc. Acabei me atrasando e tive que correr 10 quarteirões de subida até a rodoviária para não perder o ônibus. Detalhe, 19.5kg de mochila!!!! Kkkkkkk Peguei o ônibus e lá fui para Torres del Paine. 116km rodados em 1h35m, viagem rápida e tranquila. O ônibus para na portaria, la pagamos as entradas e assistimos o vídeo explicativo sobre as regras, na sequência pegamos o ônibus que faz o transfer do pessoal da entrada do parque para o Camping Las Torres. Ao chegar na portaria do hotel Torres, caminhei um pouco até a entrada do camping, aonde fiz meu check in e fui procurar um spot para montar minha barraca. Barraca montada e pronta, pequei a mochila de ataque com agua e lanche, alem das roupas impermeáveis e fui a caminho “das torres”!!!!! Eu estava empolgado, muito empolgado! Empolgado ao extremo!!!! Eu ja falei que estava empolgado? Kkkkk Afinal depois de mais de 11 anos vendo fotos e lendo relatos, eu estava lá! Indo, caminhando em TDP!!! Não cabia em mim de tanta felicidade! Por isso comecei a trilha para as Torres empolgadíssimo, indo a milhão montanha acima! Primeiro erro, isso iria cobrar um preço, que logo vocês saberão. Clima perfeito, céu azul, quase sem nuvens, temperatura super agradável, calor rolando, subi a montanha como se não houvesse amanhã, parei para um brevíssimo descanso, segundo erro, no camping Italiano, tomei agua, comi um snack e continuei subindo. Como era de se esperar, cheguei no último km quase morto, cansado, e o último KM é o pior, com uma subida de pedra horrível e chata, que eu ja sabia, mas a empolgação me cegou ate este momento. Meus joelhos começaram a reclamar, e a energia havia acabado, cada pedra escalada parecia que meu coração iria sair pela boca. O que ajudou foram as pessoas que estavam descendo, te dão a maior força! “Tá chegando”, “Vai que você consegue!”, “Não desiste, você está quase” e por ai vai, te dá o maior animo, e realmente me ajudou a chegar lá! Quando cruzei a última pedra e visualizei as torres e o lago, meus olhos marejaram, não aguentei. Parei por um minuto em um choro interno. Mas um choro de conquista, de realização, da pura felicidade. É engraçado mas não me conti, passado um minuto, caminhei em direção ao lago das torres e caminhei sem sentido batendo fotos e fazendo vídeos. Me dei conta que precisava descansar um pouco, e ao mesmo tempo começou um vento forte com chuva, tive que por a roupa impermeável, sentei e descansei, comi mais um snack, tomei agua, respirei um pouco e aproveitei a vista e o momento. Bati mais fotos, filmei e comecei a me preparar para a descida, afinal no topo da montanha o clima não estava mais muito amigável. Do camping Las torres até a base do mirador foram 10.30km, 3h40m, 812m de acensão. Iniciada a volta, logo no começo da descida de pedras, tomo um belo de um escorregão e caio sentado, como se não bastasse, um dos bastões escapa da minha mão, cai, bate em um pedra e ricocheteia no meu nariz!!!!! Além de cair tomo uma bastonada no nariz!! Kkkkkkk Vou falar que ficou doendo por 3 dias essa pancada! Kkkk Me levanto e continuo, a volta ocorre sem problemas ate a barraca. No camping torres, toda a infra estrutura estava funcional, WC, chuveiros, agua quente etc, tomo um belo banho, e vou preparar minha janta, fico ainda um pouco caminhando pelo camping e vou dormir na sequencia. Desnecessário dizer que simplesmente desmaiei. Terça-Feira 07/11/2017 - Dia 04 TDP Camping Las Torres - Camping Francés Acordo cedo, não lembro a hora, mas era bem cedo, preparo meu café da manhã de ovos mexidos com bacon e café preto que eu adoro, empacoto tudo e me preparo para caminhar até o Camping Francés. Começo a caminhada empolgado, localizo o inicio da trilha e meto o pé! Bem, vocês se lembram que no dia anterior falei que pagaria um preço por um erro cometido, pois bem, o preço começou a ser cobrado aqui, a apenas 1 hora de trilha iniciada…. Começo a sentir um incomodo na minha perna direita, para ser preciso no músculo da batata da perna direita, não precisa dizer que a distensão leve chegou apenas alguns minutos depois……………… A partir dai tudo se complicou, mochila pesada, trilha de pedra com bastante partes de agua, e por ai vai…. 2 horas depois não conseguia apoiar meu pé direito completo no chão, a trilha se tornou um pesadelo. No mapa do parque, o tempo de trilha é de 6h30m do camping torres até o camping Frances, levei 8h50m para percorrer os 17.04km de trilha. Parei bastante para fotos e vídeos também! Cheguei no camping Francés morto, exausto, só cheguei pois estava com bastões de caminhada, que me permitiram caminhar sem ter que apoiar todo o pé direito no chão. Honestamente se não fossem os bastões não teria chego. Localizei o check in do camping, e corri o mais rápido que eu pude para armar a barraca e tomar banho. Banho quentinho tomado, higiene feita, fui preparar a janta. Emocional recuperado, estômago apaziguado, hora de cuidar das pernas e pés. Tomei um anti inflamatório para meu músculo distendido, cuidei dos meus pés e desmaiei pela segunda noite consecutiva. Sono dos anjos. Quarta-Feira 08/11/2017 - TDP Camping Francés - Vale Francés Acordei recuperado, energias mil, afinal eu estava na Patagonia, caminhando em TDP! E hoje o dia prometia, eu tinha reservado duas noites no camping Frances, então hoje eu caminharia leve pelo vale do Francés ate o mirador Britânico, e foi exatamente isso que eu fiz. Abro um parênteses aqui, quanto acordei, percebi que o anti inflamatório fez efeito, e eu me sentia bem melhor das dores, o que significa que eu estava sim sentindo dores ruins, mas eu conseguia caminhar sem a ajuda dos bastões. Por isso, como iria só com mochila de ataque, paguei para ver como seria o dia. E o dia foi ótimo, clima perfeito como nos outros dias, sensação a mil de estar em TDP e um incomodo em meu calcanhar esquerdo…… Percorri os 7.36km para o mirador Britânico em 3h40m, vale ressaltar aqui que o último km também é uma bela subida de pedras ao melhor estilo Mirador Torres, mas menos pior por assim dizer. Um ponto interessante é que no camping Francés voce escuta o som de avalanches, e que do mirador Frances e mirador Britanico voce com sorte conseguira ver alguma, eu vi!!!! Kkkkkk Voltei ao camping Frances e como de costume, tomei um excelente banho quente, jantei, bati um pouco de papo com os outros caminhantes, cuidei dos meus pés e capotei. Quinta-Feira 09/11/2017 TDP Camping Francés - Camping Paine Grande - Puerto Natales Lembram do incomodo no meu calcanhar esquerdo? Pois bem, levantei, WC, cafe da manha e preparação para caminhar até o Camping Paine Grande. Aqui a história tem um desfecho, eu descobri que tinha bolhas de sangue em meus calcanhares…. Sim terríveis bolhas… explico: eu nasci com as pernas tortas, e levei meus primeiros 9 anos de vida usando botas ortopédicas para tentar corrigir o problema. Por isso, tenho calos “cronicos" nos dois calcanhares, que camuflaram as bolhas!!! Como eu machuquei a perna direita, sobrecarreguei o calcanhar esquerdo, de acordo com meu amigo médico…. Aqui vale outra ressalva: Eu só tinha reserva para os campings feita até hoje, 1 noite torres, 2 noites francês, eu não havia conseguido as reservas da (Terrivelmente péssima empresa), vértice patagonico, eles não atendem telefone e muito menos respondem e-mail, eu liguei para eles mais de 200x sem brincadeiras….. e sem sucesso. Seguindo as indicações do gerente do hostel, se eu chegasse e pedisse eles são obrigados a te “liberar" para acampar, mediante pagamento em especie, lógico. Ressalva feita, eu discuti comigo mesmo e as opções seriam, caminhar ate Paine Grande e ver como minha perna + calcanhar reagiria, se estivesse ok, acampava no Paine Grande, se não, pegava o catamarã para Pudeto e consequentemente voltaria para Puerto Natales antes do previsto. Desnecessário dizer que mal consegui chegar em Paine Grande com a bendita distensão e as bolhas. 9.44km percorridos em 3h, Fui direto para a fila do catamarã e embarquei no das 11h30am sentido Pudeto > Puerto Natales. Cheguei na cidade e parei no primeiro Hostel na frente da rodoviária, não me lembro o nome, a dor não me deixava pensar muito, e paguei caro pois não tinha mais quartos compartilhados, somente single, a dona até tentava ser simpatica, a internet não funcionava e a casa toda de madeira rangia ao menor passo que você desse. Não era ruim, mas o fato de pagar caro, estar sentido dores, e não ter internet, me deixaram puto da vida e descontente, sem contar que foi o café da manha mais fraco de todos os hostels ate agora. O fato de ficar sem internet por si so não era um problema, mas como minha esposa estava em casa, falar com ela um pouco seria muito bom, visto que ela estava a 10.000km de distância, e também seria interessante pesquisar meus próximos passos/hostels durante os próximos dias. Ponto bom, ficar em um quarto sozinho me deu certa liberdade, lavei roupas no WC e sequei no aquecedor do quarto, dormi a vontade e tive a liberdade de cuidar das minhas bolhas tranquilamente. Ou seja, tudo tem o seu lado bom, e estes próximos dois dias de descanso seriam fundamentais para o resto da viagem. Sexta-Feira 10/11/2017 - CHL Puerto Natales - ARG El Calafate - El Chaltén Sábado 11/11/2017 - El Chaltén - Camping Poincenot - Laguna de Los Três Acordei cedo, fui até um café em frente ao hostel, comi um tostado de queso e jamon, café e ovos, terminei meu desajuno e fui até os guarda parques pegar mais informações e partir para trilhas, como as trilhas são relativamente mais curtas, não me preocupei em sair super ultra cedo. Após conversar com os guarda parques, decidi subir para o camping Poincenot, rumo a laguna de los três. A trilha começou e terminou super tranquila, sem graus de dificuldade, e relativamente plana e sem percalços. Como de costume, a última milha sempre é a mais difícil, pedras, subidas, mais pedras e tal, mas nada fora do padrão patagonico de ser!! Kkkk Foram 10.70km caminhados em 03h11m com 401m de ascensão até o camping Poincenot, e depois mais 2.27km caminhados em 01h19m com 351m de acénsão em pedras, do Poincenot até a laguna de los três. Voltei, armei acampamento, preparei tudo, jantei, descansei, conversei com um casal de argentinos gente boa, conheci outro argentino muito gente boa também, papeamos e entrei para a barraca para descansar. No camping Poincenot é somente uma área para acampar, não possui nada, somente uma “casinha" que nada mais é do que um buraco no chão para fazer as suas necessidades, não possui chuveiros ou qualquer outro tipo de serviço. Neste dia o banho foi de toalhinha…kkkkkkk Domingo 12/11/2017 - Camping Poincenot - Camping De Agostini - Laguna Torre Como de costume, acordei cedo, tomei café, arrumei tudo e parti rumo ao próximo acampamento. Fora uma noite muito tranquila, sem novidades, um descanso providencial. Caminhei por uma trilha transversal, que liga as trilhas da Laguna de Los Três com a Laguna Torre. Trilha calma e tranquila, 10.85km, em 03h14m com 151m de elevação, trilha super plana e sossegada, encontrei um grupo de brasileiros, conversamos um pouco e segui caminho até o camping. Como de costume, arrumei o acmpamento, fui passear até a Laguna, voltei e descansei, dia calmo e sem novidades. Segunda-Feira 13/11/2017 - Camping De Agostini - El Chaltén Acordei, como de praxe tomei café debruçado nos mapas das trilhas e desenhei o que seria os meus próximos dias. A ida a Laguna Toro e a sequencia O “Passo Del Viento” !!!! Obrigatóriamente eu deveria voltar para a cidade, não se pode fazer esta trilha sem prévia autorização dos guarda parques, sob pena de tomar uma bela e cara multa se você for pego. Foram 9.71km de caminhada descendo a montanha em direção a cidade, feitos em 2h52m. Como não era a minha intenção, planejei a volta para a cidade, e neste dia voltei para o Hostel, tomei um delicioso e merecido banho quente e cai na rua para providenciar tudo o que eu precisaria para meu próximo dia. Para fazer a trilha da Laguna toro + Paso Del viento, você necessita de uma cadeirinha de rapel, com as respectivas cordas e mosquetões, pois em um determinado ponto desta trilha, existe uma tirolesa para cruzar o rio Tunel, e você devera possuir tudo isso para faze-la, sem este equipamento, você não consegue a autorização. Já seabendo destes requisitos, fui até uma loja de aluguel de equipamentos, aluguei tudo o necessário e voltei para o hostel para arrumar tudo, jantar e descansar para a próxima trilha. Terça-Feira 14/11/2017 - El Chaltén - Laguna Toro Acordei não muito cedo, pois antes de entrar na trilha precisava da minha autorização, e os guarda parques so começavam atender as 9am. O bom é que a trilha começa atrás da casa dos guarda parques….rsrsrrsr De posse de todo o meu equipamento, me apresentei, preenchi todos os papeis necessários, você é obrigado a mostrar para eles todo o seu equipamento, como, cinto de rapel com linha da vida e mosquetões, fogareiro com comida, bastões de caminhada, mapa de papel das região, GPS (não obrigatório mas recomendado), Radio VHF, (não obrigatório mas recomendado), barraca e saco de dormir, etc. Basicamente tudo para um camping. Tudo mostrado o guarda parques me disse que não recomenda que eu fizesse esta trilha solo, mas me autorizou. Ele me explicou que legalmente não pode me proibir de fazer sozinho, mas definitivamente não é recomendado. Ele ainda me disse que provavelmente eu ficaria bem por possuir experiência anterior em rapel e resgate em cordas, mas me recomendou muita atenção e cuidado, com bastante precaução. Observação importante aqui: Você assina sobre sua responsabilidade que qualquer problema que você tenha é sua a responsabilidade, e se eles tiverem que te resgatar, você ira arcar com todos os custos necessários e pertinentes ao resgate. Lembrando que é uma região bem difícil de resgate. Burocracia cumprida, segui montanha acima em direção a Laguna Toro. 16.74km caminhados em 5h37m, 698m de elevação, com um pico de subida de 1040m de altitude. É uma bela e cansativa subida, com uma bela descida na sequencia. Nestes dois dias de descanso que antecederam o dia de hoje, eu tive uma recuperação excepcional da distensão na perna, e uma excelente melhora nos meus calcanhares, (bolhas), e extremamente motivado para fazer esta trilha, a fiz em tempo recorde, rsrsrs. Esta não é propriamente uma trilha fácil, muito barro e água, muitas de subida lisa, muita descida lisa, vacas selvagens e muito pasto, pasto até não acabar mais, e por todo este pasto, charco e turba, muito charco e muita turba encharcada. É muito fácil se perder nesta trilha, e muito fácil atolar também, em algumas partes, o pasto turba é fundo, e você pode se enrascar sozinho….rsrsrs Nada de ruim aconteceu e cheguei tranqüilamente ao acampamento Lagura Toro. Escolhi um belo spot para montar minha barraca e como a dita laguna fica um pouco depois do camping, fui caminhar um pouco. Como de praxe, jantei me arrumei e fui descansar… so que não! Rsrsrs 3:30 da madrugada, acordo ouvindo algo no arredor da minha barraca….humano? Não… Sim um animal, meio distante ele começa a circundar minha barraca, 1, 2 voltas em torno…. Minha mente calcula possibilidades: Vaca? Veado? Não, eles tem casco e o barulho é diferente, eles não são animais noturnos…. Lebre? Acho q não, elas não espreitam…. Zorro ou Puma? Talvez……. Minha mente estava a milhão… estou acordadissimo e alerta, minha faca na mão, continuo deitado em silencio completo, só pressentindo e avaliando….. O suposto animal dá mais uma volta mais perto da minha barraca e “encosta" o focinho na minha cabeça e “respira”…. Uma bela de uma fungada na qual senti até o ar quente!!!! A barraca é diminuta, minha cabeça estava encostada na parede, nesta hora com a minha faca em mãos, bati com toda força a faca em uma frigideira que eu tinha, fazendo um estridente barulho, imediatamente abri o zíper da barraca e olhei ao redor…. Como era de se esperar não vi nada…. Acabou que acordei quatro pessoas que estavam também acampando, e nada vimos. Não conseguia mais dormir, ficava pensando na sensação do animal encostando o “nariz” na minha cabeça, e um pouco depois comecei a sentir o famoso vento patagonico. Sim amigos, ele faz barulho igual ao Godzilla, e bate forte, muito forte. Depois que começou a ventar foi mais difícil ainda voltar a dormir… Quarta-Feira 15/11/2017 - Laguna Toro - El Chalten A barraca aguentou super bem toda a pressão, entortou, balançou, chacoalhou mas aguentou excepcionalmente bem!!! Mas o pior eu descobri ao amanhecer… este vento todo rugindo, levanta muita poeira, um pó extremamente fino, que entrou em tudo, barraca, mochila, roupa, saco de dormir… em resumo, tudo! Eu tinha 3mm de pó dentro de tudo!!! Kkkkkkkk Com muito custo consegui fazer um café com pó….rsrsrrr mesmo depois do vento arremessar meu fogareiro com água e tudo a mais de 200m de distancia!!! Kkkkk Sim, não estou brincando, mas no final deu tudo certo. Uma nota: Em El Chalten não tem previsão do tempo, o mais perto que existe é a previsão de El Calafate, o que torna impreciso, você pode consultar o windguru mas também não é exato, e eu sabia que o dia de hoje existia uma previsão de piora com aumento significativo de ventos e tempo fechado. Tal qual previsto, o dia amanheceu terrível, ventos fortíssimos, chuva, nuvens fechando tudo…. A idéia de ir ao passo Del viento era a de justamente ver os gelos glaciares patagonicos, um dos três campos de gelo do mundo, os outros dois estão no polo sul e na Groenlândia. No acampamento os ventos estavam na ordem de 100km/h, tudo fechado por nuvens, chuva… imagina no passo Del viento, so para chegar lá são 6 horas de caminhada em pedras para ir, e mais 6 horas para voltar…. Visto que teria 48 horas de mau tempo, eu não teria esse tempo livre, a prudência me fez abortar a ideia de visitar o passo Del Viento, o pessoal que estava no camping junto comigo até tentaram me convencer, mas não aceitei a idéia e no final todos decidiram descer comigo. Seria a melhor decisão tomada, visto o mau tempo. O tempo de fato não melhorou este dia, e voltamos para a cidade para desfrutar de um bom banho quente e descansar mais um pouco. Quinta-Feira 16/11/2017 - El Chaltén - El Calafate Acordei, arrumei tudo, almocei e embarquei para El Calafate novamente, este dia foi sem novidades, somente aproveitando para caminhar a esmo e descansar… aproveitei para caminhar pelas ruas de El Calafate, coisa que até então não havia feito ainda. Sexta-Feira 17/11/2017 El Calafate - Glaciar Perito Moreno Na noite anterior comprei um pacote no próprio hostel, America Del sur, de passeio para o Glaciar Perito Moreno, com um extra de passear em uma estancia local com apoio de guia. Foram ARG$700 pesos pelo passeio que me pegou na porta do hostel as 7am. Ida tranquila, conhecemos uma estrada de rípio muito bonita, o clima realmente ajudou aqui, céu limpo e muitas belas paisagens. Conhecemos uma bela estancia gaucha, com seus costumes e animais de criação, tomamos café, ouvimos um pouco de história, passeamos pela propriedade e voltamos para o ônibus. Durante todo o percurso, a guia e o motorista explicam coisas sobre historia local e as paisagens, inclusive parando para fotos, recomendo este passeio. Chegamos no Glaciar, ouvimos as instruções da guia e seguimos cada um para seu lado, a caminhar e apreciar o glaciar. Tínhamos basicamente 3 horas livre de passeio. Passeei, filmei, fotografei, observei, vi gelo caindo, e realmente o Glaciar é muito grande… valeu cada minuto apreciando. Não achei que vale a pena navegar. O barco não chega perto do glaciar por segurança, e em alguns pontos a plataforma fica mais perto do glaciar do que o barco, então não fiz esta parte do passeio e economizei uns pesos!!! Kkkk Na hora combinada, todos se encontraram no ônibus e voltamos para a cidade, lembrando que o glaciar fica a 80km de distancia da cidade de El Calafate. O Resto do meu tempo livre gastei passeando pela cidade. Sábado 18/11/2017 - El Calafate Aqui mais um dia aproveitando a cidade de Calafate e comprando lembranças para a família. Aproveitei o tempo para um tour gastronômico e experimentando sorveterias deliciosas! Rsrs Dia calmo e sem novidade, aproveitei para organizar muitas coisas do equipamento, falar com a família, organizar finanças e descansar mais. Para ir ao aeroporto no dia seguinte, contratei um taxi no hostel mesmo, caríssimos ARG$300, imagina? Preço tabelado… Domingo 19/11/2017 - El Calafate - Ushuaia Ushuaia é uma cidade impar, cravada no final de tudo, aonde o vento faz a curva, e os mares se encontram, ela tem um charme especial, magnético, ela é simples, cravada no pé das montanhas, mas com charme único. Como em Ushuaia decidi não fazer trilhas para acampar, mudo aqui um pouco o estilo do relato, deixando de lado o dia a dia e focando na cidade. Conheci no Hostel um brasileiro, Bruno, e dois argentinos, Nicolas e Julian, pessoal gente muito boa, fizemos amizade e combinamos um passeio os 4 no Parque Nacional Tierra ele Fuego, ARG$500 pelo transfer ida e volta + ARG$300 de entrada do parque, passamos pelo correio do fim do mundo, caminhamos pelas trilhas do parque, circundando o canal de Beagle, visitando a Laguna Roca e finalizando no “final” da Ruta 3. Quando cheguei na mitica placa do final da ruta 3, aquela mesmo que eu tinha visto tanto em fotos, um sorriso não saia do meu rosto, um misto de alegria e felicidade por tel alcançado um sonho. Nem parecia verdade, mas era… Neste mesmo dia, combinamos de jantar uma Centolla, (pronuncia-se cem-tô-ja), no Chiko Restaurant, típico carangueijo gigante da patagonia, também conhecido como King crab. Fomos ao restaurante e experimentamos um Chupe de Centolla, servido com um creme delicioso de batata e queijo parmesão, valeu cada centavo, comemos e bebemos muito bem, saiu ARG$750 para cada um dos quatro, um pouco caro mas experimentem, realmente delicioso! Em minha exclusiva opinião, eu achei a Patagônia um pouco cara, mesmo morando no Canada, e gastando em dólar, achei tudo muito caro, o que me fez optar por alguns passeios e pular outros. Caminhei muito a pé, economizando para comer outro prato que eu gostaria de experimentar, o salmão com centolla e batatas noissetes. Desnecessário dizer que estava delicioso! Experimentem. Fui visitar o Museo Marítimo y Del Presidio de Ushuaia, ARG$300 pesos e vale para dois dias se assim você quiser, basta ao final do seu passeio solicitar o carimbo para poder voltar no outro dia. Passeio tranquilo, aonde você aprenderá sobre a história local e da prisão e conhecera um pavilhão intocado, todo original, recomendo. Tambem fiz a navegação do Canal de Beagle, ARG$1700, aproximadamente 6 horas de passeio ida e volta, você sai do porto, conhece o canal de beagle, o farol do fim do mundo, pequenas ilhas pelo canal, vê muitos pinguins e lobos marinhos, para na beira de uma ilha cheia de pinguins e volta. Todo o passeio tem guias explicando tudo em espanhol e inglês. Passeio bem tranquilo e agradável. Como previsto bastante vento, chuva e frio, vá agasalhado. Eu e o Julian fizemos a trilha da Laguna Esmeralda, o Bruno e o Nicolas ja tinham partido, trilha cheia de lama e barro. A trilha em si não é difícil, o problema é escapar do barro e da lama, sem dizer dos campos de turba, terríveis. Vi muita gente afundando a perna até o joelho no barro ou na turba, inclusive ajudamos uma menina com o namorado a sair da lama, ela estava presa na lama acima do joelho. Como estávamos usando bastões, fomos tateando o terreno antes de pisar e nos demos bem!!! Fica a dica. O pessoal que não estava usando literalmente se afundou na lama…. Rsrsrs Linda Laguna, verde emeralda, dai o nome, mas voltamos logo pois o tempo não ajudou muito. Avistamos também as castoreiras, mas nenhum castor Fui passear no shopping center Passeo del fuego, visitei o Museo del Fin del Mundo, andei pelos “duty frees” da cidade, conheci todas as ruas e avenidas, fui jantar um “tenedor libre”, (rodizio) de carnes argentinas! Kkkkkk Esta foi uma atração a parte, o Julian fez questão de me levar a uma churrascaria de rodízio para que eu experimentasse todas as carnes argentinas, inclusive o tão famoso cordeiro patagonico de Ushuaia, uma delicia a parte. Provei todos os cortes e sabores, realmente uma delicia, me apaixonei por uma costela, que infelizmente não me recordo o nome, mas fica a dica, experimentem!!!! Sábado 25/11/2017 - Ushuaia - São Paulo Dia de voltar, a última parte da minha trip acabou. Ficou a vontade e acampar no parque nacional, o tempo não ajudou, mas a aventura foi maravilhosa, gosto de quero mais. Se eu planejasse não teria sido tão perfeito, tudo tão acertado. Aproveitamento máximo, agora é so planejar a volta com a esposa, quem sabe o ano que vem!!!!! Resumão de dicas Dinheiro / Cartões de Crédito Eu levei cartões de crédito e US$700, que troquei uma parte por pesos no aeroporto de Buenos Aires. As cidades pequenas não tem casa de cambio oficial, você poderá trocar dinheiro com os comerciantes, muitas vezes não vale a pena. Esteja preparado para isso. Nem todos aceitam dólares, principalmente na alta temporada, aonde tem muita oferta. Tanto no Chile quanto na Argentina, você encontrara bancos e caixas eletronicos, você poderá sacar e moeda local sem problemas, no Chile esta foi a minha única opção, precisava de peso chilenos em pleno Domingo e iria sair as 7am da segunda. Na próxima viagem levo um mínimo de dólares e saco tudo no local, não tive problemas com cotações ou taxas abusivas, na verdade foi bem prático e simples sacar no cartão. Hostel / Hotel Não reservei praticamente nada, chegava e procurava, usei o aplicativo Hostelword, magnífico e funcional, não tive nenhum problema, usei e abusei, imprecindivel para a viagem. So tome cuidado com a alta temporada, você pode não ter a mesma sorte. Dias livres Programe dias livres entre as trips/cidades/passeios, como eu expliquei acima, se algo te acontece, você tem tempo para respirar e se ajeitar, os dias de decanso foram fundamentais para a minha recuperação e aproveitamento da viagem depois. Não abra mão disso, ou diminua o numero de passeios/cidades. Não corra riscos desnecessários correndo entre cidades, deixe algo para depois, é uma excelente desculpa para voltar! Comida Não abro mão de experimentar a culinária local em minhas viagens, mas normalmente sai caro, por isso, nos outros dias usei e abusei da cozinha do hostel e comprei comida em supermercados locais, você gasta menos e tem a chance de fazer muitos amigos!!!! Segurança Em todas as cidades que visitei pela Patagonia, não me senti inseguro em nenhum momento. Andei sozinho por tudo e sempre muito tranquilo. No hostel use o locker para coisas de valor, passaporte e eletronicos. Eu deixei várias vezes celular carregando na tomada sem estar perto e não tive problemas. Inclusive todo o meu equipamento, como mochila cargueira etc, ficava sempre no chão do quarto. Aeroporto Hoje em dia voar é super tranquilo, mas a segurança no aeroporto e muito maior e rigorosa, evite itens proibidos nas malas de mão, leve uma mala pequena ou mochila pequena com você e despache a mochila maior. Leve uma garrafa de água vazia e deixe para encher no bebedouro depois do raioX. Quanto mais leve no aeroporto melhor, e sempre confuso e so piora com as pessoas demorando para embarcar com suas mochilas gigantescas que não cabem no guarda volumes do avião, evite fila, todos vão entrar na aeronave, sem excessão, normalmente quem esta no fim do avião embarca primeiro, então fila é inútil. Dica pessoal Vá leve, indepente se você esta indo para turistar, ou indo para trilhar, vá leve. O máximo que você puder. Corte peso de tudo, roupas desnecessárias, objetos sem uso para viagem, corte tudo, ainda mais se você estiver indo para trilhas, lembre-se que você vai carregar isso por todo o tempo, inclusive no aeroporto! Kkk Equipamentos que eu levei Barraca The North Face Stormbreak 2 Colchão Big Agnes Insulated AirCore Ultra 3 season Saco de dormir The North Face Aleutian -7C Mochila Deuter ACT Lite 65 +10 Mochila de ataque ultralight Fogareiro Trangia 27-4 UL (otimizado para uma pessoa só) Bastões de caminhada Black Diamond Trail Poles Aluminum 460GR Lanterna de cabeça Petzl Zipka 200 lumens Lanterna de barraca Coghlan’s Led Micro Lantern Canivete suíço Victorinox com faca, e mais algumas funções 100 metros de paracord 550 2 Sacos de compressão Outdoor Research UL (1 para saco de dormir, 1 para roupas) 1 Filtro de água Sawyer mini 2 garrafas de água flexíveis platypus 1L e 500m 1 pá cat hole 1 Powerbank 20.000 mAh Aukey Mosquetões variados para múltiplos usos Sacos plásticos diversos (lixo, etc) Fita adesiva Gorilla Tape / Silver Tape Câmeras video/foto 1 Gopro Session com SD Card de 64GB 1 Iphone SE 64GB Comida 15 pacotes variados de comida liofilizada incluindo refeições, carne seca, (Jerk beef) e cafés da manhã Café solúvel Starbucks VIA Instant, embalados individualmente Pelas cidades que passava comprava sempre algo mais, doces/chocolates, amendoins, macarrão, etc. Roupas 2 calças segunda pele, sendo uma ventilada especial para esportes 2 camisetas de manga longa, sendo uma especifica para caminhadas e transpiração 2 camisetas manga curta dry fit 1 shorts curto dry fit 1 calca/bermuda nylon Columbia 1  fleece fino Mountain Warehouse 1 jaqueta ultralight Columbia 1 colete ultralight Patagonia 3 pares de meia liner isocool Mountain Warehouse 1 par de meia Columbia para frio intenso 2 pares de tenis ultralight para trekking Columbia, de cano baixo 1 Chinelo 1 Boné 1 Gorro de lã 1 luva liner (Bem fina) 1 luva (mais grossa 1 óculos de sol 100% uvAB filter 1 jaqueta ultralight impermeável Columbia 1 calça ultralight impermeável Mountain Warehouse 1 Neck Gaiter/Pescoçeira de fleece Quechua 1 Neck Gaiter/Pescoçeira dry fit Nike Farmácia pessoal Antibiótico Anti inflamatorio Anti Diarreia Anti Enjoo Anti Gases Pomada antibiotica Gases + Esparadrapo Colirio Carvão ativado (Diarreia leve, intoxicação alimentar/veneno) Protetor solar (imprescindível) Super cola/Superbonder (Serve para fechar pequenos cortes na pele, sem sangue) Aquatabs (para purificar água) Alfinete de segurança e agulha Palito de dente + Pinça pequena (Meu canivete suíço tem e sempre uso) Kit de Higiene pessoal Escova de dentes Fio dental Pente Aparelho de barbear Sabonete liquido biodegradável multi uso (serve para banho, cabelo e roupas) Condicionador de cabelo Gel para cabelo Lencos humidecidos Mini espelho APPs usados no celular (Iphone) Gaia GPS - Este app merece um tópico a parte, mas resumindo, GPS com mapas topográficos e trilhas do mundo todo offline, pago a assinatura anual e foi sem dúvida o que eu mais usei para tudo. XE Currency Pro - Sem dúvida o melhor app para converter moeda offline, ele usa seu ultimo acesso a internet como ref. Bem preciso, usei muito nas confusas conversões de pesos x dolares Google Maps - Fiz o download de mapas offline das cidades que iria caminhar. Google Translate - Com línguas offline just in case Hostelword - Para reservar hostels pelo mundo Airbnb Trivago Netflix - Com uns filmes offline para assistir durante os voos kkkkkk Lastpass - Carteira de senhas digitais
  15. Saudações mochileiros, Voltamos recentemente de um trekking de dezoito dias pela Patagônia (El Calafate, El Chaltén e Circuito W em Torres del Paine) e deixarei aqui um breve relato sobre a viagem. Falarei um pouco sobre o que levar, quais os lugares que visitamos e outras dicas sobre o nosso planejamento. Espero que, de alguma forma, a leitura possa ajudar / inspirar vocês no planejamento de um mochilão pelo Chile e pela Argentina. Boa leitura! Itinerário: 07/01 – El Calafate 08/01 - Deslocamento até El Chaltén. 09/01 - El Chaltén 10/01 - El Chaltén 11/01 - El Chaltén 12/01 - El Chaltén 13/01 - El Chaltén 14/01 - El Chaltén 15/01 – El Chaltén 16/01 - Deslocamento El Chaltén – El Calafate - Puerto Natales 17/01 – Puerto Natales 18/01 – Torres del Paine 19/01 - Torres del Paine 20/01 - Torres del Paine 21/01 - Torres del Paine 22/01 - Saída do Parque. Volta a Puerto Natales 23/01 – Deslocamento Puerto Natales – El Calafate 24/01 - El Calafate (minitrekking) Sobre a viagem: Embora muitos preferem conhecer a Patagônia de carro, moto, bicicleta, trailer…, esse tipo de viagem infelizmente demanda tempo de deslocamento e geralmente é feita por quem tem mais tempo para viajar. No nosso caso, tínhamos vinte dias e optamos por viajar de avião até El Calafate, fazendo conexão em Buenos Aires. Alguns preferem visitar a Patagônia vindo de avião pelo Chile, a partir de Santiago e depois Punta Arenas, mas, pelas pesquisas que fizemos, o preço da passagem aérea pela Argentina estava mais em conta. Como o valor das passagens costuma mudar, sugiro pesquisar as passagens pelos dois países. Planejando a nossa viagem, optamos por priorizar as cidades de El Chaltén e o Circuito W de Torres del Paine, principalmente porque são os lugares onde estão as trilhas mais conhecidas da Patagônia (apesar de haver vários outros lugares não tão famosos entre os mochileiros e que são tão bonitos quanto). Também reservamos dois dias em El Calafate e decidimos deixar Ushuaia para um outro momento. Como a nossa programação era acampar durante parte do roteiro, compramos os itens essenciais para a viagem ainda no Brasil, merecendo destaque para: - Barraca resistente ao vento: compramos uma Quickhiker 3 da Quechua, a qual suportou o vento da Patagônia, apesar de termos sentido frio em dois dias acampados. Não é a barraca mais indicada para esse tipo de lugar, mas ela tem uma boa relação custo-benefício; - Bastões de caminhada: fundamentais para quem vai caminhar por terrenos íngremes com aproximadamente quinze quilos nas costas; - Saco estanque: usamos ele para enchê-lo de água quando estávamos acampados, não precisando se deslocar toda hora até o rio para buscar água potável; - Roupas de frio e resistente ao vento. Sobre dinheiro, trocamos reais por pesos argentinos ainda no Brasil e levamos todo o nosso dinheiro em espécie (usamos o cartão apenas para reservar os hosteis). A maior parte da quantia que levamos já era em pesos argentinos, sendo que deixamos para comprar pesos chilenos apenas quando chegamos em Puerto Natales. A conversão foi de aproximadamente: AR$ 1 = R$ 0,15 R$ 1 = CLP 180 Dia 07 de Janeiro – El Calafate: Pousamos em El Calafate às 12:30 e pagamos AR$ 180 cada um no transfer do aeroporto até o nosso hostel. A cidade conta com diversos hostels e nos hospedamos no Nakel Yenu. Logo que chegamos na recepção e fizemos o check-in, o recepcionista quando soube que iríamos acampar nos ofereceu três cartuchos de gás para acampar que outros viajantes tinham deixado no hostel. Ele nos disse que é normal que os viajantes quando terminam seus acampamentos decidem não levar parte dos equipamentos que sobraram da viagem e acabam deixando na recepção. Como ainda não tínhamos comprado cartucho de gás para o nosso acampamento, acabamos aceitando dois dos três cartuchos que o recepcionista nos ofereceu e já economizamos alguns pesos argentinos logo no começo da viagem (fica a dica para aqueles que forem acampar: pesquisem na recepção do hostel se tem algum cartucho de gás sobrando). Feito o check-in, compramos nossa passagem de ônibus para El Chaltén para o dia seguinte (AR$ 600 por pessoa), fomos caminhar pelo centro da cidade e aproveitamos para passar no mercado comprar o que faltava para viagem. Dia 08 de Janeiro – Deslocamento para El Chaltén e caminhada até o mirador do Fitz Roy e Laguna Capri Saímos às 08:40 de El Calafate rumo a El Chaltén. O bom da viagem é que ao longo do trajeto de ônibus você já tem um pouco da noção das paisagens que vai encontrar quando chegar. Antes de desembarcar na rodoviária, o ônibus fez uma parada no centro administrativo do Parque, onde recebemos algumas recomendações sobre as trilhas. Ônibus chegou na rodoviária às 11:50, saímos procurar hostel e acabamos ficando no hostel Lago del Desierto por AR$ 320 por pessoa. Como tínhamos a tarde inteira livre, decidimos fazer uma caminhada por um trajeto que não estava incluído no nosso roteiro de acampamento e fomos até o Mirador Fitz Roy. Esse é um dos trajetos para quem vai até a Laguna de los Tres (base do Fitz Roy) e a trilha tem início onde termina a área urbana de El Chaltén. Nesse trajeto, os dois primeiros kms são de uma subida bastante íngreme, o que, em compensação, fornece um bom visual da cidade e das montanhas ao redor dela. Passados esses kms iniciais, a trilha se mostra menos inclinada e a caminhada começa a render mais. O mirador possui uma vista muito boa e já dá uma noção para o mochileiro da paisagem que ele vai encontrar pela frente. Continuamos nossa caminhada até a bifurcação que vai para a Laguna de los Tres e pegamos a esquerda indo em direção à Laguna Capri (a ida até a base do Fitz Roy estava programada para outro dia). O visual da Laguna Capri também é muito bom, mas se tivesse que escolher entre ir ao Fitz Roy passando pelo Mirador ou pela Laguna, eu escolheria o primeiro por fornecer uma vista panorâmica bem maior que a da Laguna Capri. Após quatro horas e meia de caminhada e 10 kms percorridos, estávamos de volta à cidade com uma boa noção do que nos esperava (em questão de trilha e vento) para os próximos dias. Tempo de caminhada: 4:30. Distância: 10 km com a mochila pequena. Desnível: 350 metros. Dia 09 de Janeiro – Laguna Torre e Camping Agostini Apesar de termos acordado cedo, o tempo em El Chaltén geralmente amanhece nublado e não costuma melhorar antes das dez horas da manhã. Com isso, tomamos nosso café com calma, fizemos o check-out do hostel (como tínhamos alguns itens que não usaríamos nos acampamentos, o hostel permitiu que deixássemos parte de nossa bagagem no depósito deles) e iniciamos a trilha às 11:00. O destino do dia era a Laguna Torre e dormir no Camping Agostini, trajeto esse que se inicia em El Chaltén, tem 10,5 kms de distância e que fizemos em quatro horas e meia de caminhada. O trecho inicial da caminhada é inclinado até o Mirador Cerro Torre, sendo que volta a ficar mais plano da metade do trajeto em diante. Em compensação, apesar de ser uma caminhada que demanda certo esforço físico, o visual compensa: ao longo da caminhada você terá uma boa visão das montanhas e do rio Fitz Roy que corre lá embaixo e também, nos últimos kms de caminhada, atravessará um bosque com uma típica paisagem patagônica. Chegamos no camping às 15:30 e, depois de montada a barraca, caminhamos mais dez minutos até chegarmos à Laguna Torre. Apesar de um vento bastante forte, o visual que se tem vale a pena. Após um tempo contemplando a paisagem do lugar, decidi caminhar mais 5 kms (ida e volta) por uma trilha inclinada e não muito bem demarcada e ir até o Mirador Maestri, onde se tem uma visão panorâmica das montanhas e principalmente do Glaciar Grande. A paisagem, sem dúvida, não é melhor do que aquela que encontramos ao longo do dia, mas, caso você não esteja cansado da trilha até a Laguna Torre e tenha tempo de sobra, é uma caminhada de uma hora e quarenta minutos que recomendo. Tempo de caminhada: 04:30 até o Camping Agostini + 01:40 até o Mirador Maestri. Distância: 10,5 kms até o Camping Agostini com a mochila grande + 5 kms até o Mirador com a mochila de ataque. Desnível até a Laguna Torre: 250 metros. Dia 10 de Janeiro – Camping Agostini – Laguna Madre e Hija – Camping Poincenot: Comentando um pouco sobre os campings de El Chaltén: os três campings (Agostini, Poincenot e Capri) são gratuitos e você não precisa pedir permissão / preencher algum documento para acampar nesses lugares, basta chegar, escolher o melhor lugar e montar sua barraca. A estrutura é bem simples: os campings são localizados dentro de bosques para proteger melhor do vento, possuem um banheiro químico e rios com água potável a poucos metros de distância, nada muito além disso. Nossa primeira noite acampando foi de muito frio. Apesar de ser verão, a temperatura a noite atingiu aproximadamente zero graus e não foram poucas as vezes que tivemos que acordar para colocar uma peça de roupa a mais (nada que não estava dentro do esperado para uma viagem à Patagônia). Com relação à barraca, ela aguentou bem o vento que fez de noite e, apesar de não ser tão resistente ao frio e à chuva, mostrou ter uma boa relação custo/benefício. Nesse dia, acordamos às 07:30 e mais uma vez o tempo não se mostrava propício para iniciarmos nossa caminhada tão cedo. Assim, fizemos nosso café e desarmamos o acampamento sem pressa e só iniciamos nossa caminhada às 10:00. A caminhada se iniciou percorrendo o trajeto que fizemos no dia anterior, até a bifurcação entre a trilha que vai em direção às Lagunas Hija e Madre e o trecho que passamos no dia anterior, que leva de volta à El Chaltén. Pegamos o primeiro trajeto e logo de cara uma subida razoavelmente íngreme e de aproximadamente uma hora de caminhada. Para quem está caminhando apenas com uma mochila de ataque talvez não é um grande desafio, mas o discurso muda quando você está levando quinze quilos de equipamento nas costas. Nessa hora, posso dizer que senti bastante a diferença de caminhar com bastões de caminhada. Em trechos inclinados eles se mostram uma boa ferramenta para os mochileiros e recomendo ele para quem for fazer esses trajetos, principalmente se for carregar todo o equipamento nas costas. Após esse primeiro trecho, deixamos a inclinação e a trilha em meio aos bosques para iniciarmos uma caminhada num trajeto mais plano e bastante aberto, trecho esse que margeia as Lagunas Madre e Hija e termina no Camping Poincenot. Posso dizer que a paisagem com as lagoas, o Fitz Roy ao fundo, somados com o dia de sol, nos proporcionou um dos melhores visuais de toda a nossa viagem. Depois que passamos pelo trecho que costeia as lagoas, o Arroyo del Salto continua acompanhando o mochileiro pela trilha até alcançar a bifurcação de quem vem da Laguna Capri e quem vai em direção a Laguna de los Tres. Pegamos o segundo trecho e depois de poucos minutos estávamos, às 15:20, no Poincenot. Barraca devidamente montada e saco estanque cheio de água mais uma vez, fizemos um carreteiro de charque e seleta de legumes para recompor as energias. O camping Poincenot fica próximo à subida que leva à Laguna de los Três, o que nos proporcionou um bom visual no final do dia. Tempo de caminhada: 05:20. Distância: 10,5 kms com a mochila grande. Desnível: 100 metros. Dia 11 de Janeiro – Poincenot – Laguna de los Tres: Como optamos por ficar mais tempo em El Chaltén e por termos sentido um pouco o cansaço dos três dias de caminhada, decidimos que dormiríamos mais um dia no Poincenot e que nesse dia faríamos apenas a subida até a Laguna de los Tres. Acordei um pouco depois das quatro da manhã e às quatro e meia iniciei minha subida à base do Fitz Roy para ver o nascer do sol, já que alguns mochileiros tinham comentado que o visual valia a pena. Coloquei minha headlamp e já no início da caminhada avistei ao longo da subida as luzes das headlamps de outros mochileiros, alguns quase no final do trajeto, o que indicava que eu provavelmente estava começando a caminhada com um pouco de atraso. Após caminhar quase quinhentos metros do camping, você chega numa cabana que os “guardaparques” costumam utilizar e ali se inicia a caminhada de um quilômetro até a base do Fitz Roy. Talvez essa tenha sido a caminhada mais exigente de todas, afinal é um quilômetro de trilha que é feito em aproximadamente uma hora e quinze minutos de caminhada num desnível de quatrocentos metros, ou seja, um trecho bastante inclinado num terreno com bastante pedra. Mesmo assim, fiz a caminhada no meu tempo, sem me apressar para chegar ao topo, caminhando no meu ritmo e sempre cuidando onde pisava. Com o passar o do tempo, a alvorada aparecia no horizonte e a claridade mostrou que já não era mais necessário o uso da lanterna para caminhar. Por volta das cinco e meia da manhã, com bastante vento e um clima que não parecia ser dos mais amigáveis, cheguei à Laguna de los Tres, procurei uma pedra para me abrigar do vento e aguardei o nascer do sol. Infelizmente o clima estava um pouco nublado e não pude ver o Fitz Roy naquele momento. Após vinte ou trinta minutos apreciando a paisagem, percebi que o clima realmente não estava disposto a colaborar naquela manhã (como falei, o tempo em El Chaltén costuma melhorar depois das dez da manhã, isso não é uma regra, mas na maior parte das vezes foi o que aconteceu) e com isso fiquei num dilema: esperar até o tempo melhorar ou então voltar para o camping e fazer uma segunda tentativa mais tarde. Percebi que o vento passou a soprar mais forte, o que no começo era uma garoa de leve começava a piorar e as nuvens negras davam a entender que vinha chuva pela frente, sem contar que, após o corpo esfriar da caminhada, a temperatura se mostrou outro inconveniente. Não tive escolha senão retornar ao camping. Depois de descansar mais um pouco na barraca e de um reforçado café da manhã, iniciamos nossa subida às onze horas da manhã. Fizemos o trajeto com várias paradas para descansar e depois de uma hora e quinze de caminhada estava novamente na Laguna de los Tres. A diferença do clima era gritante, o céu com algumas nuvens, mas sem nenhuma indicação de tempo ruim (na verdade, quase não dava para se dizer que aquele clima de chuva foi apenas a algumas horas atrás). Apenas o vento que tinha ficado ainda mais forte, o que fez com que muitos (inclusive nós) buscassem abrigo ao lado das pedras ou então ajoelhassem para não correr o risco de ser derrubado pelo vento (mais uma situação na qual os bastões de caminhada se mostraram indispensáveis). Ficamos mais de uma hora observando a paisagem. Além da Laguna de los Tres, o mochileiro pode caminhar aproximadamente cinco minutos a esquerda da lagoa onde encontrará outro ponto de observação o qual permite que se observe também a Laguna Sucia. Apesar do vento, o cenário vale a pena. Quando voltamos ao acampamento e estávamos quase dando os exercícios do dia por encerrados, eis que surge uma situação pela qual não esperávamos: todo o vento que pegamos lá em cima na base do Fitz Roy também passou pelo acampamento Poincenot e a nossa barraca, apesar de estar fechada, não conseguiu evitar que toda a poeira ao redor do camping entrasse dentro dela. O resultado: todos os equipamentos e roupas empoeirados, o que resultou em mais uma hora e meia limpando a barraca e lavando algumas roupas. Por sorte, muita coisa, inclusive a comida, estava bem fechada, o que nos rendeu um bom prato de macarrão com atum como janta antes que fossemos dormir. Tempo de caminhada: aprox. 01:15 até a Laguna de los Tres. Distância: 5,5 kms (duas subidas até a base do Fitz Roy) com a mochila pequena. Desnível: 400 metros. Dia 12 de janeiro – Poincenot – Hosteria Pilar – El Chaltén: Essa noite sim eu posso dizer que foi a noite mais fria de todo o mochilão. A temperatura facilmente alcançou zero graus, além do vento e de um pouco de chuva. Diferentemente da noite no camping Agostini em que, apesar do frio, o fato de termos colocado várias mudas de roupa ter sido o suficiente para dormirmos razoavelmente bem, nessa segunda noite no camping Poincenot não teve o que nos salvasse de uma noite de muito frio. Quando acordamos a chuva tinha dado uma trégua, o que nos permitiu “levantar” o acampamento e tomarmos um bom café da manhã. Contudo, foi só iniciarmos nossa caminhada rumo à Hosteria El Pilar que voltou a chover, não uma chuva forte, mas sim com muito vento e frio, a ponto de chover gelo fino durante parte do trajeto e até mesmo nevar, mesmo que por pouco tempo. Nessa hora uma boa jaqueta corta-vento, touca, capa de chuva e luvas impermeáveis fazem toda a diferença. Durante a caminhada, o tempo nublado não permitiu que avistássemos o Glaciar Piedras Blancas. Nosso objetivo nesse dia era caminhar até a Hosteria Pilar e, de lá, fazer a trilha que margeia o Rio Electrico e vai até o Camping Piedra del Fraile. Porém, após três dias acampando, uma noite mal dormida e com o tempo dando a entender que choveria por boa parte do dia, chegamos na Hosteria Pilar e optamos por chamar um transfer que nos levasse de volta até El Chaltén. Esperamos meia hora, dividimos (eu, meu pai e mais um casal de brasileiros) os AR$ 600 e depois de mais meia hora, estávamos em Chaltén. A trilha até Piedras del Fraile ficaria para outro dia. Aqui vai outra sugestão para quem vai para El Chaltén na alta temporada: se possível, reserve os hostels com antecedência. Sentimos isso na pele quando chegamos na cidade, fomos até o hostel no qual deixamos parte de nossa bagagem e fomos informados que não tinha vaga disponível. Nós não tínhamos feito reserva nesse dia porque nosso objetivo era ter ido até o Camping Piedras del Fraile mas, como imprevistos acontecem, tivemos que dar uma boa caminhada por El Chaltén até conseguirmos vaga no hostel La Comarca, próximo à rodoviária. Na verdade, o hostel tinha apenas uma vaga disponível, mas o recepcionista abriu uma exceção e disse que um de nós poderia dormir na sala de TV que tinha no hostel. A janta ficou por conta do restaurante Pancho Grande, que é um lugar com preço acessível e com uma janta considerável para quem caminhou bastante nos últimos dias. Outra informação: existem duas trilhas que levam ao Fitz Roy. Uma delas é a que começa pela cidade, passando pela Laguna Capri ou pelo Mirador Fitz Roy, chegando no camping Poincenot, enquanto que, para fazer a outra trilha, que sai da Hosteria Pilar, é necessário pagar por um transfer e se deslocar por pouco mais de meia hora. Ambas tem seus prós e contras: na primeira trilha a distância é um pouco maior e ela é mais íngreme, principalmente no início, em compensação, não é necessário pagar pelo deslocamento. Já a segunda trilha, o mochileiro vai gastar em deslocamento, mas, por outro lado, o nível de exigência é menor. Vai da escolha de cada um. Tempo de caminhada: não marquei o tempo, mas estimo que fizemos a caminhada do camping Poincenot até a Hosteria Pilar em pouco mais de duas horas. Distância: 7 kms com a mochila grande. Dia 13 de janeiro – Loma del Pliegue Tumbado: O objetivo desse dia foi fazer a trilha da Loma del Pliegue Tumbado, percurso que exige um pouco mais de preparo físico, uma vez que são dez quilômetros de ida e mais dez de volta, num trecho inclinado, com desnível de mil metros, ou seja, vá sem pressa e com bastante comida porque o dia será bastante longo. Saímos da cidade às 10:00 da manhã e retornamos às 17:30, ou seja, sete horas e meia de caminhada. O trajeto dessa trilha varia, inicia com um trecho de subida mais íngreme, depois mescla um pouco de caminhada dentro de bosques com terrenos de campos e com poucas árvores, mas sempre subindo, variando apenas a intensidade da inclinação. Por fim, o final da trilha passa a ser em terreno com pedras e chão batido. Depois de oito quilômetros de caminhada você chegará ao mirador Loma del Pliegue Tumbado, que tem uma vista panorâmica muito boa. Contudo, a melhor paisagem estará reservada àqueles que estiverem dispostos a caminhar os dois quilômetros finas da trilha. Esse último trecho de caminhada é feito por uma subida muito íngreme e com pouca sinalização. Minha sugestão é dar uma boa descansada no mirador antes de iniciar essa última parte. Depois, é só pegar a trilha, baixar a cabeça para não ver o quanto de caminhada terá pela frente e seguir no seu ritmo. O trecho é realmente cansativo de se fazer, mas o visual lá de cima vale a pena. Você estará a mil metros acima da cidade de El Chaltén e terá uma vista panorâmica de todo a região, avistando desde o Lago Viedma, até a cidade de El Chaltén ao fundo, Laguna Torre, Laguna Capri e as montanhas ao redor. Tempo de caminhada: 07:30 horas. Distância: 20 kms com a mochila de ataque. Desnível: 1000 metros. Dia 14 de Janeiro – Camping Piedra del Fraile e Lago Electrico: Agora sim, depois de sermos impedidos pelo tempo de continuarmos nossa trilha do camping Poincenot até o camping Piedra del Fraile no dia 12, saímos às 09:00 da manhã de El Chaltén, fomos até a estrada que dá acesso à trilha que vai até o Lago Electrico e, às 10:00, iniciamos nossa caminhada. Como sugestão, eu diria que essa trilha só deve ser feita depois que você já foi até a Laguna Torre, Laguna de los Tres e Loma del Pliegue Tumbado, ou seja, já tenha feito as três principais caminhadas de El Chaltén. Não que o visual dessa trilha não valha a pena, mas é aquele tipo de caminhada que a paisagem ao longo do percurso é que faz o passeio se tornar interessante e não o destino final. Ao longo do trajeto você caminhará num bosque que margeia o rio Electrico e que também permite que você veja as montanhas ao fundo. O terreno e a inclinação também são bem tranquilos, o que faz dessa trilha um passeio mais leve se comparado com as três principais trilhas de El Chaltén. São seis quilômetros e meio até o camping Piedra del Fraile. Esse camping está numa área particular, fora do parque, é pago e possui uma infraestrutura melhor que os demais campings de El Chaltén. Infelizmente não dormiríamos ali naquele dia, então continuamos a caminhada por mais dois quilômetros em direção ao Lago Electrico. Nesse trajeto, você terá uma vista para o Fitz Roy por outro ângulo, que sem dúvida alguma não se compara àquela da Laguna de los Tres, mas que mesmo assim não deixa de valer a pena. Chegamos no trecho final da caminhada e nos deparamos com uma bifurcação que não está sinalizada na trilha. Enquanto o Maps Me e um relato que eu li me diziam para a pegar a esquerda e iniciar uma subida pelo morro, o trajeto dava a entender que o correto seria pegar pela direita e contornar o morro. Fomos pela primeira opção, iniciamos uma subida e logo encontramos uma marcação do trajeto a percorrer. Mesmo estando mal sinalizado, com a ajuda do aplicativo é possível chegar até um lugar onde você terá uma boa visão do Lago Electrico. Após sete horas de caminhada, estávamos de volta à entrada da trilha, aguardamos nosso transfer por vinte minutos e depois de mais quarenta minutos estávamos de volta em El Chaltén. Conforme eu falei, essa trilha vale a pena caso você já tenha feito os principais trajetos de El Chaltén, ela é menos exigente e o principal atrativo dela é a paisagem ao longo da trilha entre a entrada e o camping Piedra del Fraile. Pode-se dizer que a ida até o Lago Electrico é apenas um complemento da viagem, de modo que caso o mochileiro opte por não fazê-la não perderá nada de formidável. Tempo de caminhada: 07:00. Distância: 13 kms até o camping + 4 kms até o Lago Electrico, ambos com a mochila de ataque. Dia 15 de Janeiro – Lago del Desierto: Por fim, após alguns quilômetros percorridos ao longo dos dias em El Chaltén, nos rendemos a um dia sem caminhadas e optamos por fazer o passeio de barco pelo Lago del Desierto. Não lembro do valor do passeio, mas sei que não foi um preço muito amigável, então deixo como sugestão mais para que já fez os outros passeios e queira um dia de descanso. Nosso transfer nos buscou às 07:30 no hostel para percorrer um trecho de aproximadamente uma hora de carro até a Punta Sur, lugar onde saem os barcos que fazem o passeio. De lá, nosso barco percorreu o lago por aproximadamente quarenta minutos até chegarmos a outra extremidade, lugar que tem uma aduana argentina, uma vez que a Punta Norte é local de entrada na Argentina de mochileiros que vieram do Chile, mais precisamente do parque O´Higgins. Depois de um tempo na Punta Norte, nosso barco se deslocou até a metade do lago e parou num refúgio, onde descemos e pudemos fazer uma caminhada de trinta minutos até um mirador para observar o Glaciar Vespignani. Às 14:30, já de volta à Punta Sur, pegamos nosso transfer de volta à cidade e assim demos por encerrado nossa estadia em El Chaltén. Partiríamos para Puerto Natales no dia seguinte. Resumo e dicas de El Chaltén: El Chaltén sem dúvida alguma é ponto de parada obrigatório para quem visita a Patagônia. A menos que você tenha um roteiro com poucos dias, que prioriza apenas uma cidade (fazer apenas algum dos circuitos em Torres del Paine, por exemplo), essa cidade deve estar no seu roteiro. Primeiramente, ela é uma cidade que se deve reservar pelo menos quatro dias nela para poder fazer as três principais caminhadas (Laguna Torre, Laguna de los Tres e Loma del Pliegue Tumbado), além de um dia de sobra por garantia em caso de mau tempo. Digo isso porque o clima em El Chaltén é muito imprevisível, o viajante pode ter a sorte de pegar uma semana inteira só de sol, assim como o contrário e passar todos os dias na cidade abaixo de chuva. Infelizmente é uma loteria. Com isso, ter um dia de sobra pode ser uma boa solução caso aquele dia que você se programou para ir para a base do Fitz Roy amanhecer chuvoso, uma vez que o passeio poderá ser remarcado para o dia seguinte. Além disso, lendo alguns relatos e também ouvindo alguns viajantes, a impressão que tive é que Ushuaia é uma cidade que conta com um perfil de turismo menos voltado para trilhas. Com isso, caso o seu roteiro não tenha tantos dias, deixo como sugestão deixar Ushuaia de lado (até mesmo por ser mais longe e envolver um tempo maior de deslocamento de ônibus ou então comprar uma passagem aérea) e passar alguns dias a mais em Chaltén. As trilhas de Chaltén (com exceção da Loma del Pliegue Tumbado) possuem a opção de você fazer bate e volta, dormindo todos os dias na cidade, ou então ficar nos acampamentos, o que envolve se programar mais e levar mais peso nas costas, mas que, em compensação, não obrigará o viajante a fazer os trajetos de ida e volta no mesmo dia. Outra dica com relação ao clima: as trilhas são afastadas umas das outras e a região é cercada por montanhas, ou seja, o tempo e as condições climáticas podem mudar conforme o local onde você estiver. O tempo costuma melhorar depois das dez horas da manhã, então, se possível, programe-se para começar os percursos depois desse horário. Além disso, consulte sempre a previsão do tempo, principalmente se você ficará alguns dias sem internet. Com relação à subida até a Laguna de los Tres, que é o atrativo principal da cidade, se você não estiver com tanta sorte e o tempo não estiver bom no dia que você fizer essa trilha, deixo como sugestão aguardar o tempo melhorar na cabana onde é ocupada pelos guardaparques no nono quilômetro de caminhada (comentei sobre ela no relato do dia 11 de janeiro), antes de começar o último quilômetro de subida. Pode ser que o tempo esteja ruim no momento que você esteja terminando o trajeto de ida para a base do Fitz Roy, o que não significa que ele não pode mudar dali uma ou duas horas. Então, caso você chegue quase ao final da trilha, quer subir até a Laguna de los Tres, mas não quer se frustrar, encontrar um tempo fechado e ter que voltar logo depois de chegar ao fim da trilha, sugiro esperar o tempo melhorar ali nessa área onde fica a cabana dos guardaparques, pois é um local que, apesar de ser bem simples, pega menos vento e que você poderá esperar o tempo melhorar. O camping Bonanza (entre a El Chaltén e a Hosteria Pilar) nos chamou a atenção por possuir uma infraestrutura melhor para receber casais com crianças. Caso seja esse o seu caso, talvez esse camping seja uma boa opção. Optamos por não fazer as caminhadas para o Chorrillo del Salto, Mirador de los Condores e Mirador de las Aguilas. Caso você tenha tempo sobrando, talvez elas sejam uma boa opção. Por fim, não só os destinos das trilhas de El Chaltén são bonitos de se ver, mas as próprias trilhas em si possuem uma paisagem que vale a pena apreciar. Com isso, programe-se para caminhar com calma, com várias paradas para descansar e sem pressa de chegar ao final do percurso. Dia 16 de Janeiro – Deslocamento El Chaltén – El Calafate – Puerto Natales: No dia anterior, pagamos AR$ 1100 por duas passagens de El Chaltén para El Calafate, saindo às 07:30 e chegando às 10:30. O problema foi que não conseguimos comprar em El Chaltén uma passagem de ônibus de El Calafate até Puerto Natales. O jeito foi chegar de viagem em El Calafate e sair pela rodoviária a procura de passagens para Puerto Natales. Apesar da preocupação de não encontrarmos mais passagens para aquele dia, não foi difícil encontrar empresas com horários disponíveis e compramos, por AR$ 1180, duas passagens de El Calafate para Puerto Natales saindo às 16:30. Após esperar seis horas na rodoviária e mais seis horas de viagem, nosso ônibus chegou em Puerto Natales às 22:30. Depois dez minutos de caminhada, estávamos no hostel que reservamos na noite anterior. Dia 17 de Janeiro – Puerto Natales: Quando ainda estávamos em El Chaltén, nós tentamos sem sucesso reservar por celular uma noite no camping do Lago Pehoe para o dia 17. Tentamos então encaminhar um e-mail para a empresa, e até hoje estamos esperando a resposta. Como não conseguimos reservar o camping para esse dia, estávamos programados para entrar no parque de Torres del Paine apenas no dia 18 e o tempo estava entre nublado e chuvoso, optamos por tirarmos mais um dia de descanso e fomos caminhar um pouco pelas ruas de Puerto Natales. A cidade é bastante simples e sem muitos atrativos. A região do porto é um lugar que valha a pena dar uma caminhada, mas com nada muito significativo. O dia se resumiu em caminhar pela cidade, comprar pesos chilenos, escolher um restaurante com uma boa refeição, descansar e brincar com o perro do hostel. Iniciaríamos o Circuito W no dia seguinte. Dia 18 de Janeiro – Torres del Paine – Paine Grande – Mirador Grey: Tomamos café bem cedo no hostel e às 07:20 nosso ônibus saiu da rodoviária em direção ao parque Torres del Paine. Pagamos CLP 13000 por pessoa para fazer o trajeto de ida e volta de Puerto Natales até o Parque, mais CLP 21000 por pessoa para a entrada. Após descermos na administração para pagar a entrada e assistirmos um vídeo com algumas recomendações, nosso ônibus se dirigiu até a Guarderia Pudeto, onde pagamos mais CLP 18000 por pessoa no catamarã que nos levaria até o camping Paine Grande. Nosso barco saiu às onze da manhã, mas ele tem outros horários, alguns mais cedo e outros ao longo da tarde. Às 13:00 já estávamos de barraca montada no camping e saímos em direção ao mirador do Lago Grey. Esse percurso começa com uma caminhada entre dois morros próximos um do outro, o que faz com que tenha uma corrente de vento nos quilômetros iniciais da trilha. Após um trecho caminhando em terreno plano, inicia-se uma subida, passando pela Lagoa Los Patos, terminando, após aproximadamente cinco quilômetros e meio num mirador voltado para o Glaciar e Lago Grey. Ali foi o lugar onde encontramos o vento mais forte em toda a viagem, o qual ultrapassou os 100 km/h, segundo informações do Parque. Como não tínhamos conseguido reserva para o camping Grey, fizemos mais cinco quilômetros e meio de volta em direção ao camping Paine Grande, chegando um pouco antes das 18:00. Sobre o camping, podemos dizer que ele tem uma boa estrutura, bons banheiros, chuveiros com água quente e uma área comum para cozinhar. Costuma ventar bastante no Paine Grande, então escolha um bom lugar para armar sua barraca. Tempo de caminhada: aproximadamente 05:00. Distância: 11 kms com a mochila de ataque. Dia 19 de Janeiro – Paine Grande – Camping Italiano – Mirador Britânico – Camping Francês: Tomamos o café da manhã e levantamos acampamento para, às 10:50, iniciarmos nossa caminhada rumo ao camping Francês. Logo no começo da caminhada, nos demos conta que esquecemos nosso fogareiro com o cartucho de gás na área comum do camping, onde as pessoas usam para cozinhar. Após alguns minutos de espera e já cogitando a possibilidade de ter que se virar sem fogareiro no resto do circuito, para a nossa sorte, o fogareiro estava lá, intocável, mesmo passadas duas horas que tínhamos esquecido ele. Retomada a caminhada, nosso trajeto se mostrou bastante tranquilo nos quilômetros iniciais, que margeiam o Lago Skottsberg, apenas com leves inclinações no terreno. Por volta da metade do trajeto entre o camping Paine Grande e o Italiano, decido por acelerar meu ritmo de caminhada e deixar meu pai para trás, uma vez que do camping Italiano eu subiria até o Mirador Britânico, enquanto que ele iria do Italiano direto para o camping Francês. Cheguei no camping Italiano por volta das 13:00, deixei minha mochila ao lado da cabana dos guardaparques (eles permitem que quem for fazer a subida até o Mirador Britânico deixe sua mochila cargueira no camping) e subi apenas com a mochila de ataque em direção ao mirador. Talvez esse tenha sido o dia mais cansativo de todo o trekking e isso se deve bastante aos 12 kms de trecho íngreme de ida e volta do camping Italiano ao mirador Britânico. Desnecessário dizer que é uma paisagem que compensa o esforço. Conforme você vai ganhando altura, surgem mais montanhas ao seu redor e a vista para o Lago Nordenskjöld fica cada vez melhor. Após aproximadamente um quilômetro e meio de caminhada a partir do camping Italiano, você chegará num mirador para o Glaciar Francês cuja vista é impressionante. Por isso, sugiro que, caso você não queira ir até o Mirador Britânico, pelo menos vá até o mirador para o Glaciar Francês para apreciar o visual. Continuando a caminhada, a paisagem vai ficando cada vez melhor até que, após algumas horas de subida, você chegará ao Mirador Britânico. Mais uma vez digo que o visual é indescritível e que você poderá desfrutar de uma bela paisagem enquanto descansa para a caminhada de volta. Às 18:00 estava novamente no camping Italiano, peguei minha mochila cargueira e fiz mais 2 kms até o Camping Francês. Nesse dia não conseguimos reservar apenas o espaço para acampar, então tivemos que pagar mais para reservar o camping com barraca da própria empresa, o que nos rendeu um gasto elevado, mas que, em contrapartida, nos proporcionou uma noite num colchão maior e numa barraca e saco de dormir mais resistentes ao vento e ao frio. Sobre o camping, ele também tem uma estrutura boa. A área para cozinhar é bem pequena, mas é coberta então você não correrá o risco de pegar chuva enquanto cozinha. Os banheiros e chuveiros também são bons. Acredito que as vagas para conseguir acampar nesse camping sem precisar reservar uma barraca são poucas, pois não observamos muitos lugares para armar uma barraca, de modo que a maior parte dos lugares disponíveis são em barracas da própria empresa, o que torna a estadia nesse camping uma opção cara e recomendável apenas caso você não tenha conseguido vaga no Camping Los Cuernos ou no Italianos. Tempo de caminhada: 08:00. Distância: 7,6 kms de mochila cargueira até o camping Italiano + 12 kms ida e volta do camping Italiano ao Mirador Britânico com a mochila pequena + 2 kms do Italiano ao Camping Francês com a mochila cargueira. Total: 21,6 kms. VID_20180119_141237727.mp4 Dia 20 de Janeiro – Camping Francês – Camping Central: Iniciamos a caminhada às 09:50 margeando o Lago Nordenskjöld rumo ao camping Central. Após 2 kms com descidas bastante inclinadas, chegamos ao camping Los Cuernos, o que nos rendeu apenas uma rápida parada para descansar e tirar fotos antes de retomar a caminhada. Percorremos mais 11 kms até chegarmos numa bifurcação que serve de atalho para quem vai ao Camping Chileno ou então para aqueles que irão ao Camping Central. Escolhemos a segunda opção e, após mais um quilômetro e meio estávamos no Camping. A paisagem desse dia é muito boa pois de um lado você margeia o Lago Nordenskjöld enquanto que do outro observa as montanhas Cuernos del Paine. Da metade em diante do trecho do Camping Los Cuernos a trilha começa a ficar menos íngreme e mais aberta. Mesmo assim, foi mais um dia puxado carregando a mochila cargueira nas costas durante todo o tempo. Após sete horas e quarenta minutos de caminhada, chegamos ao Camping Central. Esse camping se mostrou com uma estrutura mais simples que os outros, apesar de possuir um espaço bastante grande para escolher onde armar sua barraca. Tem bons banheiros e chuveiros, mas não dispõe de uma área comum para cozinhar, de modo que os mochileiros cozinham suas refeições nas mesas espalhadas ao longo do camping. Tempo de caminhada: 07:30. Distância: 14,5 kms com mochila cargueira. Dia 21 de Janeiro – Subida ao Mirador de Las Torres: Enfim, chegou o dia de subirmos o trecho até a base das Torres. Iniciamos o trajeto às 09:30 e durante quase todo o percurso caminhamos por um terreno acidentado. As subidas são constantes e apenas antes de chegar ao Camping Chileno é que tem um trecho de descida. Passando o Camping Chileno, o trajeto volta a ficar inclinado e, no momento que o mochileiro chega num trecho que dá acesso ao Camping Torres, inicia-se uma verdadeira subida com bastantes pedras ao longo do caminho até a base das Torres, ou seja, é subida atrás de subida. Por outro lado, o tempo estava bom e não havia previsão de chuva ou vento muito forte para aquele dia (sempre bom consultar com os guardaparques qual a previsão do tempo para o dia), o que nos permitiu que fizéssemos o percurso no nosso ritmo, sem pressa para chegar ao destino. Passadas mais de quatro horas e meia de trilha, chegamos à base das Torres. A partir daí foi só descansar e, mais uma vez, apreciar a paisagem. Como era nosso último dia em Torres del Paine, não tínhamos nenhuma pressa de ir embora. Até que o tempo começou a ventar mais forte e a nublar o topo das Torres. Com isso, decidimos que era hora de iniciar o percurso de volta até o Camping Central. Voltamos às 18:30. Tempo de caminhada: 09:00. Distância: 16 kms com a mochila de ataque. Dia 22 de Janeiro – Saída do Parque – Puerto Natales: Apenas no nosso quarto e último dia acampando em Torres del Paine é que tivemos uma noite com bastante frio e chuva. Acordamos com uma chuva leve tomando conta de boa parte do Parque e decidimos esperar o tempo melhorar para desmontarmos a barraca. Com isso, nosso café da manhã dessa vez foi dentro da barraca. Às onze horas, quando vimos que o tempo realmente não pretendia mudar pelas próximas horas, colocamos nossas capas de chuva e tivemos que desmontar a barraca embaixo de chuva. Acampamento devidamente levantado, fomos até o local de saída dos ônibus. Pagamos CLP 3000 para ir até o local de entrada e saída do Parque, onde aguardamos até as 14:30 para pegar nosso ônibus de volta a Puerto Natales. De volta à cidade, a dona do nosso hostel deixou que abríssemos a barraca no quintal do hostel e usássemos o varal para pôr algumas roupas para secar. Mais tarde saberíamos que nesse dia nevou na base das Torres e que a temperatura ficou abaixo de zero em alguns lugares, fato que, somado ao vento patagônico, não deve ser das melhores sensações. Tiramos o resto do dia para descansar. Partiríamos cedo para El Calafate na manhã seguinte. Distância total (El Chaltén + Circuito W em Torres del Paine): 148,6 kms. Resumo e Dicas Torres del Paine: Para fazer algum dos circuitos em Torres del Paine é preciso ter bastante planejamento com relação à reserva dos campings. Infelizmente, o turismo no Parque é grande e as vagas nos campings são limitadas. Com isso, as reservas nos campings devem ser feitas com bastante antecedência para que você não precise ficar tendo que adaptar o roteiro. No nosso caso, não tivemos escolha com relação aos dias que iríamos ficar em Torres del Paine. Os únicos dias que encontramos vagas nos acampamentos que nos permitiria fazer o Circuito W foi entre os dias 18 e 21 de janeiro. Os demais dias ou já estavam reservados ou então tinham vagas disponíveis em algum camping de forma isolada (que nos permitiria ficar num camping específico num dia, mas que não encontraríamos vagas no próximo camping do circuito no dia seguinte). Para reservar os campings, o mochileiro deve acessar os sites das empresas responsáveis pelos campings do parque (valendo lembrar que cada camping é gerido por apenas uma empresa): http://www.verticepatagonia.cl http://www.fantasticosur.com http://www.parquetorresdelpaine.cl Com relação aos valores dos campings, pagamos: - Paine Grande: US$ 20, para duas pessoas; - Francês: US$ 80, para duas pessoas (camping + barraca); - Central: US$ 42, para duas pessoas e por duas noites. Sobre as possibilidades de se fazer o Circuito O ou W, o mochileiro poderá optar por: - Levar uma mochila menor, sem barraca e/ou comida, carregando basicamente apenas roupas, sendo que a comida e a hospedagem em barracas ou cabanas ficarão por conta das empresas que gerenciam os campings. Essa hipótese é para aqueles que preferem carregar menos peso. Por outro lado, pela pesquisa que fiz nos sites das empresas, os valores que elas cobram para lhe fornecer comida e hospedagem são elevados e em dólares, o que faz dessa primeira opção viável apenas àqueles que estão dispostos a desembolsar uma razoável quantia em dinheiro. - Carregar a mochila com comida e equipamento para acampar, além da roupa para passar os dias no circuito. O ruim dessa opção é que o mochileiro carregará mais peso ao longo do circuito, terá que armar sua própria barraca e fazer sua comida. Por outro lado, o valor gasto no circuito será apenas aquele gasto para reservar um espaço no camping para acampar, fazendo dessa opção uma escolha viável em termos econômicos. Além disso, caso você escolha levar sua própria comida para as refeições ao longo do circuito, não deixe para comprar nada dentro do Parque. Isso porque, apesar de cada camping dispor de um minimercado, os valores que cobrados são muito altos (CLP 5000 por um pão caseiro e CLP 15000 por uma garrafa de vinho, por exemplo). Infelizmente o clima em Torres del Paine também costuma variar bastante. Talvez ele seja menos imprevisível que o de El Chaltén mas, mesmo assim, encontrar tempo bom ou ruim no Parque é uma questão de sorte e que não depende do mochileiro. Comparado à Argentina, o Chile é um país mais caro, então procure comprar sua comida para fazer os circuitos em Torres del Paine ainda na Argentina (não tivemos problemas para atravessar a aduana com produtos industrializados) e deixar para comprar no Chile apenas o necessário. Dia 23 de Janeiro – Deslocamento Puerto Natales – El Calafate: Nos despedimos cedo de Puerto Natales e do Chile e no começo da tarde estávamos fazendo o check-in no Hostel Inn Calafate, o qual recomendo para os futuros mochileiros. Fomos para o centro reservar o passeio do Minitrekking no Glaciar Perito Moreno para o dia seguinte e fechamos na Hielo y Aventura pelo valor de AR$ 3300 por pessoa. Tínhamos o resto do dia livre, então aproveitamos para caminhar um pouco pela cidade e nesse dia nos recolhemos cedo no hostel. Dia 24 de Janeiro – Minitrekking Perito Moreno: Por volta das nove horas da manhã a van da empresa veio ao nosso hostel para nos levar até o centro. De lá, com um ônibus, percorremos os oitenta quilômetros até o Parque Nacional Los Glaciares. Chegando ao Parque, pagamos uma taxa no valor de AR$ 500 para ingressar e, após alguns minutos, estávamos no mirador do Glaciar Perito Morento. Tivemos duas horas de tempo livre para caminhar pelas passarelas que ligam os diversos miradores do Glaciar. Depois, pegamos um barco que nos levou ao local onde faríamos o minitrekking. O trajeto de barco não chega a ser igual àquele do passeio que leva as pessoas bem próximas do Glaciar, mas durante o deslocamento no barco se pode ter uma noção do tamanho dos blocos de gelo a sua frente. Mais uma vez em terra firme, agora já próximo ao Glaciar, colocamos os grampones no calçado, recebemos algumas instruções dos guias da empresa e iniciamos nossa caminhada pelo gelo. Apesar de o preço ser elevado, posso dizer que fazer o minitrekking foi uma experiência bastante interessante. O guia nos levou glaciar adentro e quando você vê, está praticamente cercado de gelo. Alguns optam por fazer o Big Ice, que é um passeio em que as pessoas ficam mais tempo caminhando pelo Glaciar, mas o minitrekking para mim já foi o suficiente. Após uma hora e meia de subidas e descidas pelo gelo, nos despedimos do Perito Moreno, retiraram nossos grampones do calçado e tomamos o barco rumo ao ônibus que nos levaria de volta a El Calafate. Resumo e Dicas de El Calafate: De modo geral, El Calafate é a cidade que tem um pouco mais de infraestrutura com relação a lojas e restaurantes. Ela também é um pouco mais barata que El Chaltén, então talvez seja melhor comprar boa parte da comida e equipamento nessa cidade. Por outro lado nos limitamos a fazer apenas o passeio pelo Glaciar do Perito Moreno, de modo que não saberia dizer se a cidade possui alguma outra atração que valeria a pena de se conhecer. Dia 25 de Janeiro – El Calafate – Buenos Aires – Brasil: No dia anterior reservamos por AR$ 150 um transfer que nos levaria do hostel até o aeroporto de El Calafate. Meu voo de volta ainda fez escala em Ushuaia apenas como forma de me fazer passar vontade por não ter conhecido o lugar. De qualquer forma, não nos arrependemos do roteiro que fizemos. Pelo tempo que tínhamos, optamos por ficar mais tempo em menos lugares e Ushuaia infelizmente foi a cidade que decidimos deixar para, quem sabe, uma futura viagem. Deixo aqui os relatos que serviram de base para elaborar o meu roteiro: https://mydestinationanywhere.com/2014/11/09/torres-del-paine-como-chegar-visitar-trekking-hospedagem/ https://www.mochileiros.com/topic/55423-patag%C3%B4nia-em-26-dias-dez2015jan2016-circuito-o-em-7-planilha-de-custos/ https://www.mochileiros.com/blog/torres-del-paine-tudo-que-voce-precisa-saber-antes-de-iniciar-o-trekking http://paraondefomos.com.br/torres-del-paine-o-que-levar-para-o-trekking/ http://paraondefomos.com.br/torres-del-paine-quanto-custa/ http://paraondefomos.com.br/torres-del-paine-nosso-roteiro-circuito-o/ http://anaturezahumana.com/el-chalten/ Espero que tenham gostado da leitura e, qualquer dúvida que tiverem, não deixem de perguntar. Grande abraço.
  16. Vanilsa Potira

    CHILE: Do Atacama à Patagonia

    Olá, galera da mochila!!! Estou de volta ao Mochileiros para descrever em um breve relato a viagem que fiz com amigos ao Chile entre os dias 05 a 19 de janeiro passado. O Chile é bastante visitado e os lugares que conhecemos dispensam relatos com muitos detalhes. Por isso me atentarei nos valores que pagamos nos passeios, nos hostels e nos registros fotográficos dessa aventura linda que fizemos da Rota do Deserto à Rota do Fim do Mundo. Primeiramente, como sempre, a viagem de avião começou em Manaus porque passagens com saída de Boa Vista custam simplesmente “os olhos da cara”! Conseguimos passagens com um preço bom de 1700,00 reais ida e volta, mas, já vi passagens com tarifas bem mais baixas, mas para outro período, fora da alta estação. Ao chegarmos em Santiago, seguimos direto para o Atacama, onde ficamos cinco dias por lá e aproveitamos bem os passeios naquele incrível deserto. Mas, antes, conferimos a cotação do dólar que estava 1 dólar para 600,00 pesos e 1 real corresponde a 165 pesos, mais ou menos. Pegamos o voo da Sky, cuja tarifa foi de 50,00 dólares. Já tínhamos reservado antes pela internet. Voo tranquilo com duração de 1h40min mais ou menos. Do aeroporto seguimos de van da empresa Lincancabur. Fizemos um contato com um agente e agendamos a hora da chegada para ele nos pegar no aeroporto. Pagamos o transfer na chegada que custou 12 mil pesos (A reserva pode ser pelo site da empresa http://www.translicancabur.cl/). A van nos deixou no Hostel Ayny com a primeira diária já reservada pelo Booking. Esse hostel oferece quarto compartilhado com banheiro e cozinha também compartilhados. Também tem opção para casais e quarto com banheiro e cozinha privativo. Ou seja, tem para todas as preferências e bolsos. No dia seguinte, depois de pesquisarmos os preços em várias agências, decidimos pela Lithium Adventures. Dos dez passeios que a agência oferece fechamos um pacote com sete tours, por 172 mil pesos ou 287 dólares por pessoa, que foi mais ou menos uns mil reais sem as tarifas de entradas. Abaixo, um resumo do roteiro que realizamos: 1º dia: Laguna Cejar (entrada: 17 mil pesos); 2º dia: Piedras Rojas e lagunas altiplanicas - Full Day (Entrada: 5500,00 pesos); 3º dia: Valle del Arcoiris e Petrogrifos (entrada no Petrogrifos: 3000 pesos e no Valle de la Luna: 3000 pesos). 4º dia: Gêiser del Tatio, Termas del Puritama e Tour Astronômico (entrada nos gêiseres: 10 mil pesos para estrangeiros e nas Termas del Puritama foram 9 mil pesos) 5º dia: Salar de Tara e Monges de la Pakana - Full Day. Todos os passeios são feitos de vans e guias bilíngues. No dia do passeio a Piedras Rojas, houve um protesto dos indígenas contra o impacto ecológico e ambiental causado pelo turismo e, portanto, não pudemos visitar a região. Assim, foram nossos dias no Atacama, um lugar belíssimo, maravilhoso, que é quente durante o dia e muito frio a noite. San Pedro do Atacama é uma cidade pequena com cerca de 10 mil habitantes e uns 200 turistas para cada um! Rss. Muito legal encontrar gente de várias partes do mundo e sempre com alguém se inicia uma grande amizade. Quero destacar a atenção dos guias. Todos maravilhosos. Mas o Nicolás Yaru foi o mais incrível de todos. Detentor de um vasto conhecimento da área, explicou com segurança como é a vida das pessoas que vivem no Atacama, seus costumes e suas necessidades básicas de sobrevivência no deserto. É bastante comunicativo e interativo com as pessoas e além do mais não se importa em tirar fotos para os turistas, pois sabe o melhor ângulo para uma excelente fotografia!! É o melhor guia do Atacama!! Depois desses cinco dias intensivos no Atacama, segui de ônibus para Santiago, pela Rota do Deserto. Foi uma opção minha para conhecer a realidade daquela região. O deserto chega a ser hostil em certos trechos e ao mesmo tempo imponente e lindo. A passagem do ônibus pela TurBus custou 49 mil pesos Depois de um dia e uma noite viajando, cheguei em Santiago e segui direto ao aeroporto, onde encontrei minha amiga para irmos a Punta Arenas, o outro extremo do Chile. De Punta Arenas seguimos para Puerto Natales, com transfer em ônibus da empresa Busur. Que também foi agendado e pago pela internet por 30 dólares ida e volta (https://www.bussur.com/). Depois de mais ou menos três horas de viagem, pela chamada Rota do Fim do Mundo, chegamos na rodoviária da gelada Puerto Natales. Tomamos um táxi até o Hostel Chamango, onde ficamos hospedadas em um quarto com banheiro privativo, por 24 mil pesos a diária. No dia seguinte, fechamos com a agência o único passeio que fizemos no lugar: Parque Nacional Torres Del Paine que custou 35 mil pesos por pessoa, sem almoço e a entrada no parque que custa 21 mil pesos. Uma dica que dou é de as pessoas levarem seu próprio almoço ou almoçar nos caríssimos restaurantes localizados dentro do parque. O passeio no Parque Nacional Torres Del Paine é lindo, com muitas paisagens belíssimas, é um local ideal para trekking, de fato. Nesse passeio, avistamos as Torres Del Paine por diversos miradores espetaculares, conhecemos o Lago Grey e visitamos a Cueva do MIlodón (entrada 5000 pesos). Agendamos um passeio de barco pelo Glaciar Balmaceda y Serrano, mas, chuva e vento nos impediram de sair do hostel. Foi uma pena, pois ficamos na pequena cidade de Puerto Natales praticamente sem fazer muita coisa alternativa nesse dia chuvoso. E, após três dias curtindo o frio e o vento da patagônia chilena, retornamos a Santiago para encontrar um casal de amigos que fizeram passeios alternativos pelas vinícolas chilenas, pois estavam com uma bebê de colo e depois visitamos uma amiga chilena que morou em Roraima um tempo. Assim passamos as férias no Chile. Presenciamos tantas belezas que foram uma recompensa à distância que percorremos, ao calor e frio que sentimos, e claro, ao investimento $$$$$$$$$$$$ necessário. Afinal de contas a Patagônia, principalmente, não é um dos destinos mais baratos para viajar na América Latina. A média de preços de hospedagem e alimentação pode assustar os viajantes mais econômicos. Um simples café com leite e pão com manteiga podem custar uns 36,00 reais! um almoço simples, uns 42 reais... Já no Atacama, como já citei, tem para todos os gostos e bolsos. Mas, valeu a pena. Elegi o Atacama como meus destinos preferidos. Mas, também fiquei muito encantada com a beleza da Patagônia. Valeu tanto a pena que eu vou voltar para conhecer outros destinos do fim do mundo. Já pensando na Argentina... rss Abaixo seguem algumas fotos do maravilhoso passeio ao Chile.
  17. Informações preliminares Fiz essa viagem entre 05/12/17 e 30/12/17. E visitei Punta Arenas, Puerto Natales (com Rota W no Torres del Paine), El calafate (com big ice), El Chalten, Ushuaia (+pinguinera) .Não postarei mtas fotos pq a idéia é ser um relato, para aguçar a imaginação. Sempre que leio relatos aqui configuro o navegador para não abrir imagens. Acho que às vezes vemos tantas fotos dos lugares que vamos visitar que quando chegamos lá parece que já estivemos lá. Então a idéia é só postar fotos do que for necessário para ajuda nas andanças. As paisagens vocês podem ver com uma googlada. Escrevi isso quase como diário, durante a viagem, mas pensando nas dificuldades que as pessoas aqui poderiam ter ao fazer esse roteiro. Respostas paras dúvidas que eu não encontrei por aqui de forma tão fácil. Um dólar nesse momento que viajo vale aproximadamente r$ 3,30. Cem reais equivalem a 500 pesos argentinos (ar$) ou 20.000 pesos chilenos (CHL). Vou colocar os preços em moeda local e dólar quando infornarem. Sobre mim, tenho 32 anos, 1,75m e 75kg. Sou praticamente sedentário, não faço exercícios nem acadêmia, apenas vou para o trabalho de bicicleta, 2 km da minha casa. Ou seja, sou um pessoa comum em termos atléticos. Nada demais. Levei para essa viagem um fleece, um corta vento, um casaco 3x1 impermeável, uma calça impermeável, duas calças segunda pele, 3 blusas segunda pele, três calças bermudas, um par de luvas, 4 pares de meias para trekking, um gorro peruano, uma bota cano alto impermeável. É importante ter roupas impermeáveis para essa viagem. Praticamente tudo o que levei usei, então não recomendo improvisar nas vestimentas e acessórios. Senti falta também de um poncho. Por mais que as roupas sejam impermeáveis, a capacidade de reter água não é ilimitada e a umidade passa um pouco. Só um poncho te deixa completamente seco. A região patagônica em geral é muito úmida e pode chover a qualquer momento. Sobre o calçado, importante ser impermeável tb, há lugares como Parque Torres del Paine e Ushuaia que há trilhas onde é preciso cruzar rios a toda hora, passar por lama, brejo, tudo. Ir de calça jeans ou outro tipo de roupa permeável pode te deixar numa pior, molhar meia é melhor caminho para formar bolhas. 05/12 - Chegada em Punta Arenas e pernoite em Puerto Natales Cheguei na Patagônia por Punta Arenas, com escala em Santiago. Muita gente compra a passagem pela via argentina (aeroporto de El Calafate) mas achei a alternativa pela via chilena interessante por dois motivos. Primeiro pelo tempo de viagem, 12h ao todo o trecho mais longo, que é um duração muito boa. Via El Calafate dificilmente vc consegue vôo sem pernoite em Buenos Aires. Pela via chilena temos a LATAM opera mto vôos para a região sem necessidade de pernoite. Depois porque você pode começar a viagem por Punta Arenas ou Puerto Natales que, se vc planejar direitinho, pode ser o começo do seu roteiro. O preço é igual ou mais barato do que ida e volta por El Calafate. Então pode ser uma boa escolha começar pelo Chile, seja via Punta Arenas, seja via Puerto Natales com escala em Santiago. Deixei para conhecer Punta Arenas na volta, e cheguei indo direto para Puerto Natales para então chegar em El Calafate onde começa de fato meu roteiro. Um ônibus da BusSur passa pelo Aeroporto, na saída próxima do guichê de despacho de bagagem das cias aéreas. Os horários são programados, se informe pelo site da BusSur. Eu comprei pela Internet por 8 mil pesos chilenos (13 dólares) mas vendem na hora também. Passa por ali também ônibus que leva até o centro de Punta Arenas, já que fica um pouco distante do Aeroporto. Há um caixa eletrônico lá caso precise tirar moeda local, mas há aquelas muitas taxas a pagar. A viagem até Puerto Natales dura 3 horas, num cenário repleto de estepe e estancias de ovelhas e cordeiros. A estrada é muito boa e o ônibus da Bus Sur é bem confortável. Puerto Natales é uma cidade bonita, limpa e cheia de pessoas se protegendo do vento gélido que faz nessa época. Ninguém tá na rua de bobeira. Os ventos patagônicos são tudo isso que dizem e mais um pouco. Aqui tudo começa com uma lapada fria e dolorosa na cara de quem chega. É o cartão de boas vindas da região. É bom já chegar preparado pros ventos, vá se vestindo em Santiago se tiver tempo Assim que desembarquei no terminal fui ver passagens para El Calafate. Tentei comprar pela Internet mas não consegui pela BusSur e não consegui contato com as demais que operam o trecho. Cheguei a ficar preocupado de não conseguir para o dia seguinte, pois dizem que em alta temporada é bom ter tudo reservado. Mas foi bem tranquilo. Assim como há mta gente nessa época, há maior oferta de transporte também. A principal empresa que faz o trecho é a Turismo Zaahj. Cada época do ano há mais ou menos saídas por semana e por dia. A empresa possui um site que parece velho e desatualizado, mas as informações estão corretas. A passagem custou 17 mil pesos chilenos. Cheguei em Puerto Natales e fiz um pernoite num hostel bem ao lado do Terminal chamado El Fiodor. (Ao final do relato vou deixar minha avaliação das hospedagens que fiquei pra ficar mais organizado) Deixei as coisas o hostel e fui comer. Isso era próximo às 21h e ainda havia sol. Fui ao Picada del Carlitos. Um pouco longe do hostel, mas a comida é boa. Fazia um frio do diabo. Comi, voltei pro hostel e dormi. Dia 06/12 - De Puerto Natales a El Calafate Como minha viagem foi programada muito em cima da hora não consegui reservas para a Circuito W no mesmo período em que desembarquei no Chile. Isso aumentou meu número de deslocamentos e custo da viagem. É importante sempre começar o planejamento desta viagem por Torres del Paine!! Tudo com boa antecedência, principalmente se estará por lá em alta temporada (Novembro a Março). Nesse período os passeios tb são mais caro. De tudo li, a conclusão é que Março é uma boa época para fazer esse roteiro. É final de alta temporada e o ventos reduzem bastante. Por outro lado, o frio aumenta um pouco e o dia encurta. O problema maior são chuvas, que aumentam um pouco pelo gráfico que vi. Meu primeiro dia em Torres del Paine estava programado pra 17/12, mas aproveitei minha passagem por Puerto Natales para acertar as estadias e atividades que pretendia fazer no parque TdP. A programação de estadia no parque TdP é complicada pq vc tem que agendar as reservas contínuas de 3 a 4 noites com refúgios ou campings de duas empresas diferentes que operam dentro do parque (no meu caso o circuito W e não fiquei nos campings gratuitos). E se vc não fizer todas essas reservas, vai fazer a rota pela metade, pois não pode permanecer no parque sem reservas. A primeira empresa chamada Fantástico Sur é até mto tranquila pois tem um booking online no site , então na mesma hora vc sabe o que tem disponibilidade e quando. A segunda empresa, Vértice Patagônia estava sem booking online e foi um martírio fazer as reservas. Tirei uma manhã deste dia para ir pessoalmente confirmar essas reservas nas lojas das duas empresas e para fechar passeio de Kayak pelo Lago Grey, dentro do parque, com uma empresa chamada BigFoot. Fiz tudo isso e fui conhecer a Avenida Costanera e o centro da cidade. Nada demais mas vale a pena conhecer. Acabou ficando em cima da hora pra pegar o ônibus e não consegui fazer câmbio. Deixei para fazer na volta, já que só ia precisar de pesos chilenos pra pagar a entrada no TdP. Malas prontas, fui para a Terminal Rodoviário pegar um ônibus que saía às 14h. O ônibus da Turismo Zaahj é muito bom e moderno. Até El calafate são 5h com parada nas aduanas de Chile e Argentina para registro de saída e entrada. A rodoviária de El Calafate não fica mais no Centro da cidade, e é preciso andar de 10-20 minutos se for a pé. Não tem caixas automáticos no terminal lá. Meu hostal é o America del Sur, que fica bem perto da rodoviária então fui a pé mesmo. Após check in e mensagens a família já era tarde mas fui dar uma volta pra conhecer o centro. Voltei ao hostel e dormi. 07/12 - El calafate (1) - Museus e parques Reservei 4 dias em El Calafate. A cidade tem um ótima estrutura de restaurantes, lojas e hospedagens de todos os gostos, um bom supermercado (La Anonima, vc vai precisar dele). Não há casa de câmbio oficial, mas você pode cambiar em alguns estabelecimentos bancários. A melhor dele sem dúvidas é o Banco de La Nación, que faz a cotação oficial. Todos os outros locais vão fazer com algum desconto mas é bom saber deles pois o banco funciona em horário bem restrito (de 8h a13h) e principalmente porque há filas desalentadoras. O segundo lugar seguro para câmbio é a loja da western, na principal tb. A cotação é menor mas funciona até domingo. Há também um restaurante chamado Parrila e Assado (todo mundo chama de Casemiro) que faz câmbio, mas só qdo interessa a eles fazer. Fui lá duas vezes e não fizeram. Eu tinha dois planos para a manhã deste dia, a primeira era chegar bem cedo no Banco para fazer câmbio e fugir das filas e a segunda era ir na loja da Movistar conseguir um chip pré pago. Só não contava com uma surpresa: era feriado! Aniversário da cidade de El Calafate. Era uma quinta e como bons sul-americanos emedaram a sexta e só voltaria a funcionar na segunda feira, quando eu já não estaria por lá. Isso melou meus planos, pois em El Chalten - meu destino após El Calafate - não tem banco nem loja de celular. Enfim, acontece. Fui começar o roteiro programado pela Intendencia do Parque Nacional Los Glaciares. O espaço fica bem na rua principal e é dividido em dois espaços, o bosque com informações sobre plantas e árvores nativas e exóticas e o centro de exposição, com filme, totens digitais sobre a fauna e flora da região patagônica, sobre Francisco Moreno, os glaciares e uma exposição permanente sobre a história das estacias, do parque, etc. É interessante e de graça! Passei parte da manhã lá lendo sobre tudo. Depois fui na loja da Hielo e Aventura acertar minha reserva para fazer o Big Ice, o passeio que tinha maior expectativa lá.Dps almoçar fui ao Centro de Interpetación Museo. Recomendo muito! É um pequeno grande museu mantido por um professor de História. Além da exposição de réplicas idênticas de fósseis completos de espécies encontradas na região patagônica, é um museu crítico, questionador, que expõe com coragem o processo de genocídio de povos tradicionais da região, cometido pelo governo argentino e estancieiros para expansão da criação de gado e ovelhas (carne, couro e lã). O museu custa muito barato e tem desconto para estudantes. Vi todas as exposição e depois aproveitei a proximidade e passei na laguna Nimez. A laguna é um local de observação da fauna da região, especialmente de aves. Não é o melhor horário pra fazer o passeio, pois as aves estão mais à vontade pela manhã, mas aproveitei pra dar uma olhada já que havia uma promoção pelo aniversário da cidade. A entrada custa Ar$ 150 e o passeio é autoguiado. Vc recebe um guia em papel que explica os pontos numerados da caminhada em torno do lago. Vi bastante aves mesmo à tarde. Há, perto do mirante, uma passagem para o lindo lago Argentino que vale a pena conhecer! Fiz o circuito mais curto por causa da hora. Voltei para a avenida principal e passei na Ovejitas de la Patagônia, loja de sorvetes e chocolates. É indispensável provar o sorvete de calafate, fruta típica do local e que dá nome à cidade. Finalizei o dia (a noite por lá só cai umas 23h) comendo as recomendadas empanadas da Dona Mecha. Acho que é a mais barata que vi por lá, custava apenas ar$20. A de cordeiro era mto boa. Fui dormir cedo e me preparar pro Big Ice. 08/12 - El Calafate (2) - Big Ice Tudo preparado para fazer o Big Ice. Pra quem não sabe, esse é um dos passeios de trekking no glaciar Perito Moreno. Há apenas uma empresa autorizada a explorar esse tipo de passeio, chamada Hielo y Aventura, e ela vende bem caro os dois passeios: o Big Ice e o Mini Trekking. Basicamente a diferença entre os dois é o preço, o tempo do passeio e o esforço exigido. O Big Ice é uma experiência de trekking aprofundada no Glaciar, caminhando na parte mais interna do Glaciar. O Mini Trekking por sua vez é mais leve, apenas pra ter a experiência. O local é o mesmo, o glaciar perito moreno. Oque muda são os cenário, como vou descrever. O procedimento da empresa é: te buscar no hostel, levar todos para um ponto de encontro onde sai um ônibus até o parque, que fica a mais ou menos uma hora e meia de distância de El Calafate. Há um guia que explica várias coisas sobre o parque e os glaciares durante a ida. Chegando no parque temos a primeira visão do Glaciar ainda de dentro do ônibus. É incrível, das coisas mais lindas que já vi ! Depois descemos e temos 40 minutos pra observar o Glaciar das passarelas, de frente pro glaciar.. Voltamos e pegamos novamente o ônibus para descer para um porto, onde está nos esperando um catamarã que atravessa até o refúgio da Hielo.. De lá começamos uma trilha. Até aqui todos estão juntos. Só mais à frente há uma divisão de grupos em língua (inglês e espanhol). Aí sim começamos a trilha de 50 minutos beirando o glaciar pelo continente. Quem vai pro mini trekking não faz essa trilha, fica logo no começo. Passamos por paisagens lindas na trilha, no entorno do glaciar. É uma subida, mas achei tranquila. Até que em um momento paramos para medir os grampos (estruturas de ferro dentada que colocamos embaixo do calçado para andar no gelo sem escorregar) e logo mais a frente entramos no glaciar. Em cima do gelo mesmo paramos para colocar definitivamente os grampos e seguimos com eles o tempo todo. É uma experiência estranha. O meu estava amarrado com mta força na bota, mas achei que era assim mesmo. Nesse momento também eles pedem que coloquemos as luvas, pois cair e arrastar a mão no gelo é perigoso. Passadas as instruções começamos o trekking. Logo de início encontramos um túnel de gelo!! É inacreditável! Tiramos fotos cada uma uma vez em fila. Não pode atravessar pois é perigoso, podendo-se ceder a qualquer momento. Bom, todo o cenário a partir daqui é impressionante! Pequenos rios, lagoas azuis, sumidouros, fendas, são coisas que só no Big Ice você consegue ver. O túnel não é sempre, pois são formações temporárias e imprevisíveis. Depois de algumas horas de trekking, paramos para almoçar. Ali mesmo no glaciar. O trekking é cansativo principalmente porque não é fácil andar nos grampos. Preste bastante atenção nas instruções sobre subida, são muito importantes para evitar esforço desnecessário e lesões. Eu consegui uma bolha no calcanhar. No final estava incomodando bastante. Acho que tinha a ver com a amarração exageramente apertada fazendo meu calcanhar friccionar com a bota com mta força. Não sei. Mas dá uma canseira. No final tiramos os grampos (alívio!) retornamos pela trilha. Nessa hora, o dia que estava bem aberto e azul fechou bem e começou a chover pela região do parque. Voltamos ao refúgio já sob chuva. Aguardamos o barco para cruzar novamente o lago e pegar o ônibus. No barco eles dão umas lembranças e uma bebida para esquentar. Voltamos já no final do dia. Todos são unânimes em dizer que é um passeio muito caro. De fato, não é barato não. Além de pagar o tour, você paga a entrada do parque que é ar$ 500!!! Não tem refeição nenhuma. Eles são super profissionais, tem mta gente envolvida no passeio, mas ainda assim é bem caro. Daquele tipo de passeio que você paga pq sabe só vai fazer uma vez na vida. Se você não tem condições de fazer, vale muito a pena ir ao parque, explorar as passarelas e trilhas com calma . É um lugar incrível, mesmo sem fazer o trekking no gelo. Eu gostaria se ter tido mais tempo nas passarelas para poder ficar ali apenas escutando os estrondosos rompimentos do glaciar. Esse passeio sairá mais barato e será muito bom tb. Na volta nos deixam no hostel. Desci para comer um Chorizo Argentino e voltei já cansado. 09/12 - El Calafate (3) - Glaciarium de bicicleta e Yeti Bar El calafate não tem mtas opções interessante de passeios além do Parque e trekking no glaciar.. Pelo menos não me interessaram tanto. Há opções de full day em Torres del Paine que podem ser interessantes para quem não pretende fazer a rota W no TdP. Há cavalgadas, passeios em 4x4. Apenas dois passeios me chamaram atenção : estancia Cristina e Rios de hielo. Mas o preço pesou na decisão de não fazer. Sem ter muito o que fazer decidi alugar um bike no hostel e ir até o museu glaciarium de bike. Fui margendo o lago Argentino pela Avenida Kichner até quando pude. É lindo! O museu fica num desnível alto da RP 11, então se for de bike se prepara pra ladeira. A visita ao museu valeria apenas pela vista incrível do Lago Argentino. Mas além da vista, é um museu super interessante. Ele trata mais especificamente da glaciologia, a ciência que estuda os glaciares. Pra mim não rolou, mas achei que seria uma boa visitá-lo antes de ir ao parque ou fazer o trekking no glaciar. Muita coisa explicada lá você vai entender na prática durante o passeio. O museu custa 360 pesos (sim, bem caro) mas tem desconto pra estudante brasileiro (ar$ 280). Além do museu, há o Glaciarium bar, que nada mais é do que um bar de gelo. Você paga 240 e fica alguns minutos lá bebendo e tirando fotos num ambiente a -20 graus. Achei caro e fui fazer essa experiência no Yeti Bar qdo voltei pro Centro. No Yeti é ar$190 pesos. Mas voltando ao Glaciarium Museo, não precisa ir de bike como eu fiz. O Museu tem um serviço de transporte gratuito que sai de hora em hora de frente à Secretaria de turismo, na principal. Eu gostei bastante do museu. De bicicleta ainda mais. Na volta parei para comprar alfajores pra família. Tem mtas lojas de doce em El Calafate, mas segui a recomendação de comprar na Koonek. Provei um antes e realmente era mto bom. Por fim comprei uns souveneris pois seria o último dia. Acabei indo, como disse, conecher o tal bar de gelo da Yeti bar.. Eu fui mais pela bebida mesmo rs Queria provar o tal fernet com coca cola, bebida típica de Córdoba mas que foi adotada em toda Argentina. Provei, achei uma porcaria. Dps pedi um outro drink, e tirei umas fotos. Deu pra ficar alegrinho, e é isso. O bar de gelo não tem nada demais, é apenas uma brincadeira mesmo. Penso que as crianças devem se divertir um monte. Custa ar$ 190. Por fim fui pro hostel devolver a bicicleta. Arrumar as coisas e dormir. Avaliação de El calafate: El Calafate é uma cidade com bastante passeios a fazer, mas tudo pago (e caro). Certamente o parque nacional Los Glaciares (onde fica o Glaciar Perito Moreno) e o trekking no glaciar são os grandes passeios da cidade. Os museus e restaurantes são bons complementos na sua estadia lá. De 3 a 4 dias é o suficiente para conhecer bem a cidade. O melhor mercado é o La Anonima, logo na entrada da cidade. A alimentação simples como um cordeiro patagônico pra uma pessoa por lá fica por volta de ar$230-300. Não é mto barato e não tem muito pra onde fugir, a não ser fazer sua própria comida no hostel. No geral eu curti a cidade e curti muito o Big Ice, certamente melhor recordação do lugar. 10/12 - El Chaltén (1) - ida pra El Chaltén e trilha de los Miradores Há diversos formas de transporte e horários para chegar a El Chalten. O hostel fazia a reserva de vagas direto na recepção, como queria dar uma descansada dormi até mais tarde e fui no ônibus das 13h. Dei uma última volta pela cidade pela manhã e aguardei a hora de ir. Na ida, que dura 3h, há uma parada em um restaurante/hotel chamado La Leona. É um restaurante cheio de História pra contar, vale a pena descer e visitar. Na chegada à cidade o imponente Fitz Roy já dava as caras. O tempo estava mto bom aquele dia e fiquei um pouco frustrado de não ter ido cedo para já fazer uma trilha das de longa duração. Na entrada do parque todos somos obrigados a descer para escutar algumas recomendações e explicações sobre o parque. Qdo passar lá não esqueça de pedir um mapa. Cheguei em El Chaltén e fui direto pro hostel. Fiz check in e não sabia se fazia uma trilha curta ou ia almoçar. Um brasileiro que estava o meu quarto me convenceu a fazer as trilhas dos Miradores. São rápidas, mas com uma subida boa. Qdo subi, o Fitz Roy já tinha se encoberto e as nuvens já anunciavam o que ia ser o outro dia. Tirei umas fotos, desci e passei no mercado. As coisas em Chaltén são mais caras que em El calafate, desde o supermercado até restaurantes. Se você estiver economizando o máximo, cogite comprar sua alimentação em El calafate. Da mesma forma, vá de câmbio trocado. Comprei algumas coisas no mercado para não precisa comer na rua e dei uma volta na Av.San Martin para mapear o lugar. No hostel conversei com alguns brasileiros que conheci e fui dormir. 11/12 - El Chaltén (2) - Laguna Torre com tempo nublado Bom, como estava anunciando o dia anterior, este dia o tempo não estava nem um pouco favorável. E qdo o tempo não tá favorável em El Chatén é um saco. Passei no centro de informações para perguntar o que fazer tendo em vista o clima, ela sugeriu a Chorrillo del Salto, uma cachoeira bem pequena que fica perto da cidade. Não fiquei muito satisfeito com a sugestão e ao sair encontrei um brasileiro e fechamos de fazer a Laguna Torre mesmo com o tempo ruim. Não tinha idéia de como estaria, mas não queria fazer o mais simples. Pretendia guardar a cacocheira pro último dia pra descansar. Fomo nós então : 18km ida e volta, 6 horas ao total. A trilha começa no meio da Av San Martin. Tem uma grande placa indicando. A trilha é longa, mas tranquila. Sem muito desnível. Mas o tempo ruim desanimou bastante. E as moscas dessa região são um pé no saco tb. No primeiro mirador não dava pra ver nem o Cerro Torre, de onde há o degelo que forma a laguna. Frustração, mas segui mais algumas horas. No final da trilha, onde fica a laguna, dava pra ver só a laguna com sua cor meio acinzentada mesmo e um pouco do Glaciar Grande, que fica próximo. Parei para bater um marmitex na chegada e tirei algumas fotos só da laguna mesmo. Tudo bem a natureza quem manda por aqui. Encontrei alguns brasileiros por lá, conversamos um pouco e dps voltei pq o começou ventar e chover fininho. Na volta comecei a sentir meu calcanhar dolorido, já logo pensei que teria relação com a bolha que fiz no Big Ice. No final já nem tava aguentando mais, fui dando passadas mais curta, meio mancando, até chegar no hostal. No hostal vi que a coisa era tensa no meu calcanhar. A caminhada tinha piorado um tanto a ferida. Fui à farmácia comprar algo para passar e a farmacêutica me indicou um cicatrizante + bandaid. Comprei. Aproveitei para passar no mercado e complementar as compras. Fiz um jantar, cuidei do pé e fui dormir. O próximo dia prometia ser o melhor possível pela previsão do tempo. Já estava ansioso. 12/12 - El Chalten (3) - Laguna de los três com subida pela hosteria El Pillar A previsão do tempo se cumpriu, dia lindo e aberto, sem ventos, sem nuvens, Fitz Roy rindo pra gente. Nem tomei café da manhã direito, fui logo pro terminal de ônibus pegar o transfer para a Hosteria El Pilar para fazer a Laguna de los Tres. Explico: tem duas formas principais de chegar a essa laguna. A primeira delas é o pelo Sendero Fitz Roy, ao final da Av. San Martin, dentro da cidade. A segunda é pela famosa Hosteria El Pilar, um estabelecimento que fica no meio da estrada. Essa trilha começa a 6km do povoado de El Chalten. Qual a diferença? Pela Hosteria você tem acesso ao mirador Piedras Blancas, que tem vista pro glaciar de mesmo nome e dps vc volta pelo Sendero Fitz Roy. O contrário não é possível, ou seja, ir pelo Sendero Fitz Roy e voltar pela hosteria é desvantagem pq vc terminará trilha no meio da estrada e precisará andar mais 6km pra voltar a El Chalten. Então pela Hosteria vc consegue fazer o mesmo passeio com mais atrativos. Pra chegar na hosteria todos pegam um transfer com a empresa Las Lengas, que tem um guichê na rodoviária. Ela sai em 3 horários programados. Peguei o primeiro, que sai 8h. Como meu calcanhar ainda estava ruim arrisquei fazer todo percurso de havaianas! E coloquei a bota na mochila para urgências. Fui direto na rodoviária pegar a van da Las Lengas, pq era do lado do meu hostel. Mas se vc reservar com antecedência eles te buscam na porta do seu hostel. A trilha é super tranquila e relativamente bem marcada. No começo da trilha dá pra se confundir um pouco pq vai paralelo ao córrego do rio, mas cruzando-o de vez em quando. Dps que começa a subir fica bem fácil e bem traçado. A trilha é muito tranquila em 90% do trecho. O que pega nessa trilha é o último quilômetro. É meia hora de subida sem parar. Um pouco puxado, mas vi de tudo que era gente subindo: idoso, criança, cada um no seu tempo e todo mundo chega. E aí tem a recompensa. Se o dia está claro e aberto é um dos cenários mais lindo que você vai ver na vida. A imponência da cadeia do Fitz Roy é absurda. A água do lago é linda, extremamente convidativa. Pela margem direita do lago vc pode ter contato direto com neve acumulada, mesmo no verão. Dá até pra descer de skibunda!. Quando voltei não resisti e mergulhei na laguna. O tempo estava bom, sem vento e mto sol, então fui. Não recomendo fazer isso, a água é congelante mas queria ter essa experiência. Sequei um pouco no sol e fui pra na margem esquerda da laguna, onde há uma subida pro mirador Laguna Sucia, que é um super cenário tb. Enfim fiquei lá umas 3 ou 4 horas. O lugar tem uma paz incrível. Vale a pena se isolar em um canto e ficar ali só curtindo. Na volta passei um pouco de perrengue por causa das havaianas. É bastante escorregadio e só não cai algumas vezes por conta do bastão de trekking. A propósito minha melhor compra nessa viagem foi um par de bastão de trekking. É incrível a diferença em termos de equilíbrio e economia de joelho. Vi mta gente subindo a parte final da laguna quase engatinhando, sem qq postura de apoio. Com os bastões isso não era necessário. Eu subi o trecho final todo de uma vez só, e como disse no início não sou nenhum trilheiro habitual. Acredito que tenha a ver com a ajuda dos bastões pois ele ajuda mto na distribuição da força de subida. Na descida também. O caminho de volta te permite conhecer a Laguna Capri, ela fica no caminho de volta até El Chalten, via Sendero Fitz Roy. Não é tão bela, mas vale a pena conhecer. Também há alguns outros miradores no caminho do Sendero Fitz Roy. Desci feliz da vida, e aliviado de ter conseguido fazer a trilha de havaianas. Dia mais que especial. Passei no mercado mais uma vez, fiz janta e dormi cedo. Já apresentava bons sinais de cansaço no joelho e pernas. Foram quase 40km em dois dias. 13/12 - El Chalten (3) - Pliege Tombado com tempo nublado A segunda trilha mais interessante por aqui é o Lomo del Pliege Tumbado. Basicamente se consegue uma vista panorâmica das cadeias de montanhas Fitz Roy, Torre e demais por um ângulo bem atípico. Claro, desde que o tempo esteja limpo. Não era o caso. Não tava totalmente coberto, mas havia muita nuvem por detrás do Fitz Roy, onde fica o Cerro Torre. Ali que mora o problema. Essa é a trilha mais puxada para quem não vai acampar. São 10km e 1.000 metros de desnível. Estimam 4h horas de caminhada de ida. Tinha olhado no WindGuru (app que a maioria dos trilheiros usam para prever o tempo de El Chalten) que o tempo ficaria pior mais à tarde. De manhã estaria relativamente ok. Para ter certeza que valia a pena passei no centro de informações e a atendente disse que sim, poderia se ver algo. Sai de lá olhando pro céu e achei que ela estava equivocada, mas paguei pra ver. Diferentemente da laguna de los três, essa tem uma subida constante, alternada por estepes plana e depois mais subida. É uma subida lenta e gradual, mas que exige bastante esforço. Ela tb não é muito procurada, talvez pela dificuldade ou desconhecimento, não sei, mas cruzei com poucas pessoas esse dia. É uma trilha bem traçada. Ela começa atrás da Intendência do Parque Nacional, assim como a trilha dos miradores. As paisagens alternam entre florestas de lengas e campos de estepe. Senti um pouco de cansaço na trilha, acumulado dos dias anteriores, mas segui em frente até o primeiro mirador. De lá já deu pra ter idéia de que a subida foi em vão. Não se podia ver nada no horizonte. E essa trilha é essencialmente de vista, não há lagunas. Depois deste mirador ela segue, porém já cansado e sem possibilidade de melhora do tempo voltei dali mesmo. Foi o suficiente. Na volta parei na Intendência do Parque Nacional pra ver uma pequena exposição que fica lá. Tem uma parte interessante sobre a história das expedições de escalada dos cerros Torre e Fitz Roy. Dali voltei pro hostel. O tempo então piorou bastante. Os ventos começaram a soprar muito forte e uma chuva fininha desceu e não parou mais. Fiz um almoço por lá e esperei até à noite pra ver o jogo da final da copa sul americana. Fui num bar bem legal chamado Caytaneo, na Av San Martin. Pedi uma pinta (copo de cerveja) e me diverti vendo o flamengo perder o título no junto dos hermanos. Voltei pro hostel, jantei e fui dormir. 14/12 - El Chaltén (4) - Encontro com amigos do RJ e Chorillo del Salto O dia amanheceu tão ruim quanto terminou o anterior. Sem Fitz Roy, mto frio e chuva. Fiquei boa parte do dia no hostel lendo. Algumas pessoas do hostel impacientes com o tempo foram pra trilha assim e mesmo e voltaram com cara de arrependidos. Um coreano do meu quarto disse que foi apenas até a Laguna Capri e voltou. Para minha sorte um casal de amigos que moram no RJ e estão viajando pela América Latina chegaram em Chatén na noite anterior. Sem clima para trilhas, fomos comer algo no Restaurante Ahonikenk, na Av. Miguel Martin. Todos falaram mto bem desse restaurante. Pedimos uma pizza e estava mto bom. Parece que o carro chefe é o Ravioli de Cordeiro. Bebemos um pouco animamos de fazer a trilha mais tranquila, a Chorrillo del Salto. É uma pequena cachoeira que fica na estrada ao final da Av. San Martin. Fica pouco mais de 3km do centro e é mto bem sinalizado. Apesar de fácil, o vento, a chuva e o frio tornaram essa trilha uma grande aventura. Confesso que esperava pouco da cachoeira, já que no Brasil temos cachoeiras incríveis, mas ela é linda e super valeu a pena enfrentar as intempéries. E salvamos um dia que tinha como perdido. Passamos um tempo lá admirando a bela queda d’água, passamos no mercado e me despedi deles,. Fui para o hostel fazer check out e me preparar para seguir caminhada no outro dia. Resumo de El Chaltén Em 5 dias que fiquei lá, apenas um dia perfeito. El Chaltén não é para amadores! Sem céu limpo e bom tempo para ver o Fitz Roy e Cerro Torre a cidade perde completamente o sentido. Vi gente indo embora sem nem conseguir ver por um momento sequer o Fitz Roy, ainda que de longe. Dias perdidos mesmo, mta frustração no hostel. Então vá se preparando para contar com a sorte. Para não precisar contar tanto com a sorte, você pode deixar a programação de ida para El Chaltén em aberto e acompanhar a previsão do tempo. Claro, para isso vc terá que arrumar o que fazer por El Calafate ou Puerto Natales para passar os dias. Acompanhar o windguru seria uma forma de evitar a frustração de ir para Chaltén e não ver nada. Olhou a previsão, viu que tem bom tempo para os próximos dias, faça check out de onde estiver e vá pra El Chaltén! Do contrário, vá fazendo hora nas demais cidades até que o tempo se abra. Se eu soubesse disso antes teria aproveitado um dia a mais de sol em Chaltén que perdi pq resolvi pegar o ônibus mais tarde. Isso é minha primeira conclusão. Depois, se vc tem dúvida sobre que trilha fazer, vou repetir a sugestão que ouvi de todas as pessoas que conheci. Na verdade tudo depende de qts dias vc tem. Se tiver um dia, faça laguna de los três, seja começando pela hosteria el pilar, seja pelo sendero Fitz Roy. Não só pq é incrível, mas pq é o cartão postal do lugar. Se tem dois dias, faça laguna do los três e Pliege tombado. Se tem três dias faça laguna torre. É o top 3 do lugar. O resto são complementares, nada supera a imponência do Fitz Roy. O ideal seria alternar trilhas difíceis com fáceis, mas como o tempo é imprevisível é difícil seguir isso. Para quem não tem tempo contado e dinheiro sobrando, há algumas trilhas fora de El Chalten, como Estancia Huemules e Laguna del Desierto, Piedra de Frade, etc, todas precisam de um transfer ( a Las Lengas faz quase todas). Acho que pode valer a pena se você fez as principais trilhas da cidade e não tem mais atividades. 15/12 - Despedida de El Chaltén, volta para Puerto Natales e preparação para o Circuito W No meu roteiro original dia esse dia estava aberto para imprevistos climáticos. Como o clima estava ruim por todo canto, decidi voltar antes para Puerto Natales para me programar melhor para os 4 dias no Parque TdP. Confesso que essa é parte do roteiro que mais me preocupa, seja porque é o momento que estarei mais exposto já que serão dois dias de camping, seja porque é a parte mais exigente fisicamente. Pra piorar a previsão do tempo também não era das melhores por lá. O dia em El Chaltén continuou péssimo com muita chuva, havia pessoas entediadas por todo canto no hostel. No dia anterior tinha ido comprar minha volta na rodoviária.Não há ônibus direto para Puerto Natales de El Chalten. É preciso ir para El Calafate. Fui para El Calafate com a van das La Lengas por Ar$ 450 + 20(taxa rodoviária), pegando no hostel e deixando onde você quiser em El Calafate. É provável que em El Calafate ou no seu hostel digam que não há diferença de preço para El Chaltén, mas não é verdade. Além da Las Lengas, a Taqsa tem um preço melhor. Acho que quando vendem por ar$600 alguém está ganhando uma comissão aí. Se informe qdo estiver na rodoviária. Chegando em El Calafate teria duas horas livres até embarcar no ônibus para Puerto Natales. Reservei esse tempo para ir até o centro comprar pesos argentinos (já pensando em Ushuaia, para onde iria dps de Torres Del Paine) e alguns souvenirs. Procurei algum lugar para deixar meu mochilão na rodoviária e fui informado que no guichê da empresa Taqsa era possível deixar, mediante pagamento de ar$ 30 pesos. Ok, não tinha muita opção. Deixei lá e segui. Acontece que nesse dia decidi botar a bota pela primeira vez desde a trilha para a Laguna Torre, quando a ferida no calcanhar incomodou muito. Durante todos os dias até então fiz tudo de chinelo para deixar cicatrizar mais rápido possível. Parece que não adiantou muito. Andei alguns metros da Rodoviária em direção ao centro de El Calafate e a dor incômoda parecia que era a mesma. Achei melhor não insistir e fui pegar um táxi. Pegar táxi é sempre um problema em qualquer lugar do mundo, parece que todos eles querem te enganar de algum jeito. Eu precisei e não tinha pra onde fugir. Perguntei qto ficaria, ele disse que é taxímetro. Ok. Indiquei a parada no casemiro para fazer câmbio (aquele que não tinha conseguido duas vezes) pois o trajeto era o mais curto e dessa vez consegui rápido cambiar. Aproveitei e comprei um souvenir na loja em frente e pronto. Final da corrida: ar$180!! Detesto táxi, mas tudo bem esse pareceu honesto apesar de caro. Enfim tudo certo, a passagem para Puerto Natales foi mais uma vez pela Turismo Zaahj e custou ar$600. A volta foi bem chuvosa, Puerto Natales estava bem chuvosa e fria. A previsão do tempo para os próximos dias não era boa, mas não tinha muito o que fazer. Quando cheguei voltei para o El Fiodor hostel, que era muito próximo à rodoviária e barato. Depois vi que havia outras hospedagen boas por ali, mas na chuva foi o primeiro que recorri. Já eram quase 22h, fiz algo para comer e fui dormir 16/12 - Puerto Natales - Resolvendo pendências O dia estava livre para resolver tudo relativo ao Parque TdP.. Precisava de cambiar dólares para pagar o parque, de alguns itens de farmácia e informações sobre o parque em geral (como chegar e voltar, que horas ir, etc.). Sobre lugar para câmbio, segui conselhos de outros sites e fóruns e fui à Câmbio Sur. Enquanto a maioria dos lugares estava fazendo a CLP 600 por dólar, lá estava CLP 620. A Câmbio Sur, fica bem no centro, na rua Hermman Eberhard, rua da igreja principal. Os itens de farmácia comprei em um lugar farmácia do centro. As informações do parque e das hospedagens obtive na empresa Fantástico Sur, na Vértice Patagônia e na secretaria de turismo. Na secretaria te dão mapas e informações completas do parque, vale muito a pena pegá-los. Aproveitei e passei no mercado Unimarc, o maior da região e parei pra almoçar na rua. Por acaso vi restaurante dizendo que fazia comida caseira. Não resisti e fui conferir. Não me arrependi. Por 4 mil pesos comi entrada + prato principal, que é um ótimo preço. O Restaurante chama La Picada del Mercadito. Resolvido essas questões fui até à Rodoviária fechar as passagens para o Parque TdP. Observei que a rodoviária de Puerto Natales é muito bem estruturado. Tem local para câmbio (o câmbio tava $1/600CHP). Não é tão ruim numa situação de emergência. Lá também tem um local para guardar mala e mochilas por 1.500 ou 2.000 CHP por dia, dependendo do tamanho. Este serviço era algo que estava precisando pois não queria ir com mochilão inteiro para fazer o Circuito W. Comprei a passagem ida e volta por 13.000 CLP com uma empresa chamada Juan Ojeda. Na verdade errei o box, pois pretendia comprar da Buses Fernandez, uma empresa mais conhecida. Depois que comprei que vi o nome da empresa e o box errado. Em geral o preço de ida e volta é 15.000 CLP. Essa empresa fazia por 13.000 CLP. Desconfiei de princípio, mas desencanei e fui para o hostel. Conversei com o dono do hostel e ele liberou deixar meu mochilão lá até minha volta sem custo. Passei o resto do dia preparando o que ia ficar e o que ia levar, pois levaria uma mochila Deuter GoGo para passar os quatro dias. Tinha que caber tudo nela. No final das contas deu tudo certo, mas apertado. Tudo pronto, só esperar o grande dia. 17/12 - Torres del Paine (1) - mirador de las Torres e camping Chileno Como já devo ter dito, mas vale repetir. Nada foi mais trabalhoso no pré viagem do que preparar os dias que ficaria em TdP para fazendo o Circuito W . É preciso um estudo dedicado para escolher o que fazer, como fazer, onde pernoitar (se for dormir no parque) ,como chegar, como sair, fazer o Circuito ou não, reservar com quem, qto tempo tem cada trilha, calcular distância,etc. Tudo isso faz parte do planejamento. Eu vou escrever essa parte pensando que quem está lendo tem um mínimo de leitura e estudo do mapa e dos lugares para ficar, pois não tenho como partir do zero aqui. Ficaria muito grande. Para tanto recomendo ler o site oficial do parque, da Fantástico sur e da Vértice patagônia. É preciso dizer desde logo que não existe apenas uma forma de explorar o parque TdP. Por ser imenso, vc pode fazer de várias formas. Muita gente faz o Circuito W, o que fui fazer. Mas é possível fazer apenas o mirador de las Torres, o grande pico do lugar, e voltar no mesmo dia para Puerto Natales. Há opção também de alugar um carro e percorrer diversos caminhos diferentes e igualmente belos. Tem passeios a cavalo tb. Enfim, uma infinidade de lugares e formas de explorar. Tudo depende do quanto você tá disposto a pagar em dinheiro e gastar fisicamente. A entrada no parque custa CLP 21.000 para estrangeiros na alta temporada e te dá direito de entrar no parque por três dias contínuos além do dia da entrada. O que vc vai fazer com esses três dias é com você. Por isso recomendo passar na secretaria de turismo de Puerto Natales. Se vc está na cidade e não sabe como explorar o parque, e não tem reservas para dormir no parque, vá lá que eles vão fazer um roteiro legal pra você. Para quem quer fazer qualquer dos circuitos, se prepare antes para fazer as reservas, principalmente se for alta temporada. Apenas para ter uma idéia, resolvi que faria esta viagem com apenas dois meses de antecedência. Qdo fui pesquisar as hospedagens na Fantástico Sur, empresa que administra duas das hospedagens que precisaria ficar para fazer o Circuito W, praticamente estava tudo esgotado para Dezembro. Consegui apenas camping e era o último. Quem vai fazer o Circuito W precisa de pelo menos 3-4 noites no parque. Em geral as pessoas ficam uma noite no Chileno ou Las Torres( pertencentes à Fantástico Sur), uma noite no Los Cuernos ou Francês (Fantástico Sur), uma noite em Paine Grande e um noite no Grey (pertencentes à Vértice Patagônia) e no quarto dia pega um catamarã de Paine Grande para Zona Pudeto, onde passa o ônibus de volta pra Puerto Natales. Estou falando aqui de mochileiro gourmet, ok? Mochileiro raiz, aquele que sobe morro durante 4 horas com barraca, isolante, saco de dormir, comida, fogareiro, panela, etc. tem outras opções de camping, inclusive gratuitos da Conaf (órgão que cuida do parque). Se vc se enquadra no raiz, esse relato não vai te ajudar muito. Pois bem, dizia que você precisaria de 3-4 noites pagas. E ]bem caras. Devo dizer. Você pode economizar levando sua barraca e comida, tudo depende do seu planejamento. Eu fui no esquema preciso de tudo, então paga-se pela barraca, pelo saco de dormir, pelo isolante, pela pensão completa (jantar, café da manhã e lunch box pra levar pra trilha no outro dia). Cada dia na barraca com tudo alugado + pensão completa foi 500 reais (+- 150 dólares). Camping mais caro da vida. Esse é o preço que paguei pra Fantástico Sur. Dps falo da Vértice Patagônia, a outra empresa. Comecei o dia bem cedo. Os ônibus para o Parque partem essencialmente em dois horários 7h30 e 14h30. Comi dois pães que tinha preparado no dia anterior e fui pra rodoviária. Há uma quantidade imensa de pessoas indo para o Parque no mesmo horário essa època. Acho que não é impossível conseguir passagem na hora pois há muitos ônibus, mas não precisa arriscar. Logo que vi meu ônibus entendi porque era mais barato : era um cacareco velhinho. Mas foi cheio e deu conta do recado. São aproximadamente duas horas até a entrada Laguna Amarga (uma das entradas do Parque TdP). Como disse o parque tem várias entradas e o ônibus passa em todas, mas essa é a principal. Quem está indo pela primeira vez para o parque desce nesta entrada, preenche um formulário de registro, paga a entrada e entrega o formulário. Se estiver fazendo algum circuito é pedido comprovante de reservas, porque não pode ficar no parque sem reserva. Eu levei as minhas impressas, mas vi que serve o comprovante digital to. Depois todos são reunidos numa sala para ver um vídeo de orientações do parque. Liberados, há duas possibilidades. A primeira é voltar para o seu ônibus e ir para alguma outra entrada (caso de quem está voltando ao parque pela segunda vez ou de quem vai começar o Circuito W por Paine Grande). A segunda, que foi meu caso, é pegar um ônibus ou van para começar o Circuito W pelas base Torres. Há uma empresa que faz esse transfer, chamada Las Torres. Eles ficam logo depois da entrada onde você se registra. Custa CLP 3.000.Não é obrigado pegar esse transfer, você pode ir andando da entrada até a base Torres, onde começa a trilha de fato para o mirador de las Torres e o camping e refúgio Chileno. O caminho porém é longo. São quase 8 km. Eu peguei e em 15 min estava num posto do Hotel Las Torres onde há banheiros, café, centro de informações. Descubro até que é possível ter Internet dentro do parque. Há um rede paga nos refúgios e por 10 dólares vc tem 8 horas de Internet, ou 5 dólares por uma hora. Muito gourmet! A trilha começa atrás deste posto do Hotel. São 400m de subida de dificuldade média até o camping e refúgio Chileno, da Fantástico Sur, passando pelo lindo valle ascencio. No caminho dava pra ver a cadeia de montanhas Torres, um pouco nublado Esse dia foi de muito vento e em alguns lugares ele é tão forte que você não consegue andar pra frente e trava pra não ser levado pro precípuo, pra onde ele sopra! É meio tenso, mas ninguém é levado rs. Depois de algumas horas e uma oa subida, cheguei no camping. Era muito cedo e ainda não dava pra fazer check in. O check in do camping é a partir das 14h, do refúgio é um pouco mais cedo, tipo 12h30. O Chileno é bem pequeno, fica num canto da mata à beira do rio ascencio. Contei no máximo uns 20 espaços para camping. Como não podia fazer o check in, pedi para deixar minha mochila na guardador do refúgio e fui subir para as Torres. Ver as Torres era meu principal plano esse dia. A minha idéia inicial era chegar cedo para subir para as Torres, e se o tempo não estivesse bom teria a manhã do outro dia para fazer de novo. Seriam duas chances. Só não contava com uma coisa : a subida para o mirador das Torres tem mais um desnível de 400m, dessa vez difícil. Muito parecida inclusive com a subida da Laguna de los tres, em El Chaltén. Só que a primeira parte até o Chileno já foi cansativa. Subir mais 400m seria cruel. Fui assim mesmo. O tempo estava piorando e apesar do cansaço segui até o final para ver apenas a laguna. Os Torres estavam encobertas, infelizmente. Mais uma frustração nessa terra. Fiquei por lá pouco tempo porque além do vento, o frio também pegando e já começava a chover. Tirei algumas fotos e voltei. Agora chovia em toda parte. Essa parte foi bem difícil porque fica tudo bem escorregadio na chuva. E o cansaço te ajuda a ficar vulnerável quedas e escorregões. Mais uma vez os bastões foram essenciais. Voltei pro Chileno morto de cansaço. Fiz check in e ocupei minha barraca que estava já montada me esperando. O local para barracas é em uma estrutura de madeira no alto como se fosse um deck e cada espaço tem um número de identificação. Isso me tirou um grande medo que era alagamento por causa de chuva. O frio estava forte e a umidade parecia que molhava tudo. Fui tomar um banho antes de jantar. Antes tomei uns goles de vinho que eu trouxe de Puerto Natales para esquentar, e foi uma excelente idéia. O banheiro do camping Chileno é fora do refúgio, mas é muito bom. A água não era tão quente quanto aquele frio merecia, mas o box tinha sabão e shampoo e suficiente suporte para as roupas. Esse dia esqueci que a primeira refeição do dia seria a janta, então estava faminto. Lembre de levar algo para comer se fizer o mesmo que eu fiz. Algumas pessoas só chegam no Chileno na parte da tarde jantam, dormem e fazem o mirador Torres no outro dia de manhã. Isso será uma escolha que você deverá fazer. O que posso concluir até agora do que vi é que se o dia tá ruim pela manhã dificilmente ele melhora a tarde. Pelo contrário, piora. Então fazer os passeios pela manhã é sempre uma boa idéia. Não é nada científico, apenas constatação que tive. Eu mesmo não segui isso, mas me arrependi um pouco. Enfim, o jantar no Chileno é por ordem de chegada à mesa e ocorre em dois intervalos de uma hora cada. Isso é informado na hora. Se tens muita fome chegue 10 ou 15 antes para garantir o seu. Comem todos juntos no refúgio, mesmo os acampados. A comida é sensacional, entrada prato principal e sobremesa. Muito bem servido e preparado. Há opções vegetarianas também, basta avisar. Aproveitei que cheguei cedo e coloquei algumas roupas para secar na calefação, pois peguei muita chuva e com a umidade que fazia não havia outro jeito de secar. Muita gente fica em pé perto do calor para secar roupa. Comprei um hora de Internet para conversar com minha namorada e abri alguns textos para ler, pois não tinha levado livros para não pesar mais na mochila. A Internet do camping é melhor que tive em toda patagônia rs deve ser via satélite. Foi 5 dólares. Voltei pra barraca já escuro, ainda chovendo e fazendo muito frio. Arrumei as coisas, tomei mais um gole de vinho e fui dormir. 18/12 - Torres del Paine (2) - Das Torres a Los Cuernos Tenho impressão que no parque a manhã é a hora mais fria. No camping dentro da mata então… Parecia que tudo estava molhado, mas era apenas a umidade. Acordei cedo e já olhando pras Torres. Parecia menos nublado, mas ainda não justificativa uma subida pesada de duas horas. Fui pro refúgio onde é mais quentinho. Nesse dia o vento está bem forte mesmo. Aguardei o café da manhã bem quietinho lá. No Chileno não há qualquer tomada para você carregar celular. Na sala de refeições tem várias tomadas, todas desligada. Parte da energia elétrica vem de placas de energia solar e são acumuladas em baterias, portanto não podem oferecer energia aos clientes, nem do camping nem o refúgio. Vá provido de um bom carregador externo. Assim como o jantar, o café da manhã é muito bom. Você come à vontade dentro do turno, que também é por chegada. Comi e voltei ao camping pra arrumar as coisas. É recomendado começar as trilhas antes das 9 da manhã. Apesar do dia durar até muito tarde, a melhor parte do dia é o começo da manhã e tarde. Como eu dormia cedo todos os dias, antes das 6 da manhã já tava rolando no saco de dormir. Ajeitei as coisas e fui pegar o lunch box. Você pode pegar pra levar ou comer na volta da trilha ( para quem escolheu subir as Torres pela manhã). O lunch box é um pacote que eles entregam. Olhei para ver e tem um super sanduíche, uma maçã e cereais. Achei realmente incrível a qualidade da comida e do atendimento do Chileno. Tudo vem de longe e para chegar lá no meio do vale é preciso usar cavalos para transporte. A maçã que vai no lunch box vem de Santiago, percorre 8 mil quilômetros. É por isso que custa tão caro. Guardei o lanche e fiz o caminho de volta pelo vale Ascencio. A volta é tranquilo, descida firme. Eu fiquei atento para achar um tal atalho que existe entre o setor Chileno, onde estava, e o setor Cuernos, para onde ia. Os mapas mostram esse atalho, mas na descida não vi nenhuma sinalização. Acabei descendo até próximo da ponte sobre o Rio Ascencio quase no início da trilha e fazendo o caminho como quem chega pelo Hotel Las Torres. O dia esse estava bem aberto nessa parte. Após andar um pouco logo se alcança o imenso Lago Nordenskjold.A maior parte da trilha pelos Los Cuernos é beirando o lago, ainda que subindo e descendo o tempo todo. Los Cuernos em espanhol quer dizer “os chifres”. Assim são chamadas as cadeias montanhosas que nos acompanham nessa parte da trilha. Eles são imensos e incríveis no topo do maciço. A trilha até o camping e refúgio Los Cuernos, da Fantástico Sur, é longa e cansativa. São quase 5 horas de caminhada em 11km de trilha. Não é pesada mas cansa pela extensão. A principal barreira é o vento forte e constante que sopra do lago contra a trilha. Chega em certo momento que numa descida você solta o corpo que o vento te equilibra. Em determinado trecho da trilha vi uma placa de informações do tal atalho, mas era para quem vinha do setor Cuernos para o setor Chileno. O camping e refúgio Los Cuernos fica bem perto do lago e é bem maior do que o Chileno. Tem um bar além do salão de refeições e muito espaço para camping. Há outros tipos de hospedagens também, além do refúgio e do camping. Cheguei lá faminto e logo comi o lunch box. O sanduíche era se carne assada com tomate, alface e queijo. Tava bem seco, mas pelo tamanho foi um bom substituto pro almoço. Fiz check in, me levaram para minha barraca e dormi solenemente até que pudesse tomar banho. Segundo foi informado, só haveria água quente de 17h às 21h. Quando deu umas 17h acordei para tomar banho. O banheiro do camping também era fora do refúgio, e diferentemente do Chileno era uma porcaria. Sem ganchos para pendurar a roupa, não tinha dispenser de shampoo, e a água quente nunca senti. Fiquei puto com aquela merda. Queria ir pro banheiro do refúgio só pra ver se era ruim assim, mas já tava lá sem mil peças de roupas então tomei um banho de gato mesmo. Fiz hora para o jantar que começa às sete. O jantar estava ótimo mais uma vez. Terminei e fui dormir cedo. Dessa vez sem chuva. 19/12 - Torres del Paine (3) - De Los Cuernos para Paine Grande com parada no Valle Del Francês Dormi melhor nessa noite, acordei bem cedo e fui ver o dia amanhecendo do lago. O dia tava começando bem bonito. Fui pro refúgio esperar o café e depois partir pra trilha. O café era bom mas no Chileno era melhor. Terminei o café, ajeitei as coisas pra fazer check out e fui pegar meu lunch box. Antes de partir fiz questão de reclamar do banheiro no formulário de opinião da empresa. A vantagem de sair é ter a trilha mais “só sua”. Detesto trilha cheia, grupos imensos, é um saco. Qdo vc deixa tudo arrumado e toma café na primeira hora tem grande chance de sair sozinho. A trilha por Los Cuernos até o camping italiano é bem fechada, dentro de floresta mesmo. Há uma passagem por uma praia linda formada pelo Lago Nordensjork. Ninguém se atreve a entrar. Logo depois passamos pelo camping francês, da Fantástico Sur. Eu tentei vaga nesse camping, mas tava esgotado. Eles também têm domos. Fica mais próximo do Valle del Francês. Mais pra frente chegamos no camping italiano. Esse é administrado pela Conaf, e é gratuito mas bem disputado. Tem que reservar com muito tempo de antecedência. Lá é a base para visitar o Valle del Francês e o Mirador Britânico. O britânico fica quase tão alto quanto as Torres. Ou seja, subida pesada. Não sei se estava preparado pra isso. São 400 m de desnível até o Valle del Francês e mais 400m de desnível até o mirador britânico. Quase 4h até o topo. O tempo nesse momento já não estava muito bom. Deixei minha mochila na camping italiano (todos fazem isso) e comecei a subir até o Valle del Francês. Lá pensaria se subiria até o Mirador Britânico. Foi bem cansativo até o Valle del Francês. O mirador dá vista para o Glaciar del Francês que fica como que colado nas montanhas.. Não é grande coisa para quem veio do Perito Moreno mas tem seu valor. Dentro do vale, para onde continuava a trilha, estava muito nublado. Ouvi um guia dizer que com este tempo não haveria muito o que ver no mirador britânico e decidi ficar por lá mesmo. Nesse momento também começou uma chuva fina. Vi poucas pessoas seguindo para o Mirador Britânico. Depois de um tempo desci para seguir a trilha até Paine Grande. Peguei minha mochila de volta e segui. Não sei se perdi algo, mas não estava triste pelos joelho poupado sem saber se haveria alguma recompensa da natureza. No caminho que segue há uma paisagem muito linda à beira do lago Skottsberg com o Cuerno Central ao fundo. Deslumbrante! Depois de muitas horas andando eis que aparece no horizonte, lá no final da trilha, à beira do lago Pehoé, o Refugio e camping Paine Grande. É imenso! A partir daqui entramos na área da empresa Vértice Patagônia. Abro um parênteses pra falar deles. Depois que reservei com certa antecedência as hospedagens na Fantástico Sur, ficou faltando as reservas com a Vértice. Não dá pra fazer o Circuito W sem ter reservas em datas consecutivas nas duas empresas. A Vértice foi um problema. Como eles estavam sem reserva online pelo site, era necessário mandar email para algo como [email protected] Mas nunca que respondiam as mensagens. Fui procurando no Google e várias pessoas estavam na mesma situação, quase desesperados sem saber o que fazer, achando que não iam ter reservas para o Circuito W por causa deles. Eu vi no fórum do Trip Advisor que era preciso mandar vários e-mails para [email protected], [email protected], [email protected] e por aí vai. Mandei todas e até que um belo dia resolveram responder. Disse as datas para ficar em refúgio e paguei. Mas depois percebi que ficou faltando incluir a pensão completa. Mandei email pra incluir e nada de resposta de novo. Bom, pelo menos uma cama eu teria. Fiquei um dia em Puerto Natales para resolver isso (vide dia 06/12). Lá inclui as refeições e o atendente me pediu para confirmar se ia ficar com cama simples. Nem tinha visto a diferença, mas ele disse que cama simples é para quem tem saco de dormir. Como não tinha, inclui tb. Só aí fiquei tranquilo em relação às reservas com a Vértice. Ok, voltando para o dia do check-in então. Fiz check in no refúgio e apesar de cheio o refúgio tinha muitos quartos e camas vagas. Então logo percebi que dá pra chegar aqui e fechar uma cama na hora. Reservar é besteira para eles no Paine Grande, por isso não faziam questão de dar atenção aos e-mails. Bom, eu teria duas noites neste refúgio. Mas devo dizer que não é comum reservar dois dias aqui. Eu particularmente só o fiz pq a minha programação, além de ir até o Glaciar Grey (última perna do W) era fazer o Kayak no lago Grey com a Bigfoot patagônia. Esse passeio não daria tempo pra pegar o catamarã que leva para Pudeto, onde passa o ônibus para Puerto Natales. Na verdade é aqui que vc decide se vai fazer o circuito W em 3 noites ou 4 noites. A última perna do W para quem iniciou pelas Torres (como eu) é terminar no Mirador Grey , perto do camping e refúgio Grey (administrado pela Vértice). Quem faz em 4 dias vai do refúgio Paine Grande para o Grey, dorme por lá e volta no outro dia para pegar o catamarã para Pudeto e o ônibus para Puerto Natales. No entanto há uma opção econômica, poupando uma noite, mas gastando bastante energia, que é ir de Paine Grande ao Mirador Grey e voltar no mesmo dia a tempo de pegar o catamarã das 18h35. São 22km, quase 9h de caminhada. Fica a critério de cada um. O refúgio é bem agradável. Havia água quente e forneciam toalha. Curti! Descansei um pouco para fazer hora para o jantar. O jantar foi bem diferente da Fantástico Sur. Funciona como se fosse um bandejão mas também tem uma entrada + prato principal + sobremesa e um copo de refresco por pessoa. A comida era razoável. Tomei um vinho para esquentar, conversei um pouco com a namorada (Internet paga) e fui dormir logo depois. Qdo fui dormir percebi que não tinha roupa de cama e logo lembrei dos 30 dólares a mais que tinha pago para ter a tal cama armada. Fui na recepção reclamar e eles voltaram com lençóis e edredon fofinhos e limpos. Aí sim descobri a diferença entre a tal cama armada e a cama simples. Essa é só um colchão e uma manta por cima. Dia 20/12 - Torres del Paine (4) - fechando o Circuito W no Mirador Grey Acordei pelas 5 da manhã com uns estrondos fortes, como se alguém arrastasse um armário super pesado. Achei super estranho. Quando vi era o vento batendo no refúgio com mta força e chovia muito também. Foi assustador! Só tinha agradecer por não estar em camping esse dia. O tempo tava bem fechado e o lago Pehoé de águas mansas de ontem, tava numa revolta só. Achei que não ia nem conseguir sair do refúgio. Mas como tudo na patagônia é temporário e imprevisível, o tempo melhorou um pouco até a hora do café. Arrumei as coisas para partir e fazer a última perna do W. Fazia muito vento ainda, mas dava para seguir. O caminho até o mirador Grey é bem tortuoso, num sobe e desce sem fim. É cansativo porque ainda tem a volta, já que não havia vagas no refúgio Grey, eu ia precisar voltar tudo no mesmo dia.. É também o caminho mais enlameado. Difícil sair limpo desta trilha, principalmente se choveu algumas horas ou dias antes. Passam dois lagos, um pequeno e depois o lago Grey, bem maior. O lago Grey tem alguns icebergs nas margens e é muito bonito. Caminha-se uma hora e meia até o mirador lago Grey de onde é possível ver o glaciar ao fundo. Para chegar perto do Glaciar mesmo é preciso mais duas horas e meia. Quando chegamos damos de cara com o Refúgio e Camping Grey, da Vértice patagônia. Ele parece com o Chileno, bem pequeno. Por isso acabam rápido as reservas. Entrei para consultar sobre o passeio de Kayak que tinha reservado e me informaram que a BigFoot tinha uma base logo depois do refúgio. Caminhei até lá mas primeiro fui ver o mirador do Glaciar Grey. O tempo estava péssimo, pouco se podia ver e a chuva apertava. Tirei umas fotos e voltei para ir à base da BigFoot. Um atendente me informou que o Kayak das 11h tinha sido cancelado por causa do vento e que deveríamos esperar até 15 min antes para ver se o das 14h iria rolar. Como eram 12h, fui fazer hora. Parei na praia que fica perto da guarderia Grey e fiz um lanche. O tempo abriu lindamente nessa hora e subi para ver o mirador Grey novamente, agora com o tempo melhor. No que subi para voltar ao mirador vi um pica-pau negro, típico da região de Magalhães, lindo!. Consegui tirar umas fotos e depois vi um filhotinho dentro do tronco da árvore. Muito fofo! Quando voltei ao mirador estava céu aberto. O glaciar tava lindão lá atrás e deu pra tirar umas fotos melhores. Tive esperança de que ia rolar o kayak. Estava sem vento e sem chuva. Voltei para a base do BigFoot e parecia que estava tudo confirmado, assinei os papéis de responsabilidade e já ia pagar. Em poucos minutos, quando olho o tempo pelo janela começa a fechar, está tudo nublado de novo. Mais um minutos mais e faz chuva e vento. Um minuto mais e muitas ondas começam a se formar. Pronto, acabou minha esperança. Logo chegam dois rapazes responsáveis por verificar as condições climáticas e dizem que não será possível realizar o passeio. Oferecem como alternativa um passeio em barco fechado. Não me interessou e fui embora frustrado. Así es la Patagônia. O pior é que à noite que fechei em Paine Grande só fazia sentido por causa do Kayak. Fiz o caminho de volta a tempo de tentar cancelar a noite a mais,ver se rolava o reembolso e ir embora no mesmo dia. Bem difícil mas queria tentar pois seria uma boa economia. A minha conclusão é que as atividades com a BigFoot fazem mais sentido para quem está no refúgio e camping Grey, pq não precisa fazer hora para aguardar sua reserva e pode tentar fazer o passeio em vários horários já que a base é bem póximo do refúgio . Não lembro se comentei, mas eles fazem um passeio de trekking sobre o Glaciar Grey também. É uma alternativa interessante e mais barata do que o Big Ice no Perito Moreno. Quando voltei pro hostel ainda dava pra pegar o catamarã das 18h30. Conversei com alguém da recepção e me disseram que teria que ver isso na loja em Puerto Natales, mas que havia grande chance de não ser reembolsado. Preferi gastar a noite a correr o risco de não ser reembolsado. Fui tomar banho e depois vi que a lareira estava acesa. Aproveitei pra lavar umas meias e coloquei pra secar perto pra secar. Jantei, encontrei uns brasileiros aqui e ficamos de papo até tarde. Os brasileiros começaram o Circuito W um dia depois de mim e conseguiram ver as Torres em tempo aberto. Talvez se tivesse subido no outro dia pela manhã pegaria tempo bom.Foda! =\ Isso só confirma minha tese do melhor tempo é pela manhã sempre. Depois uma guia brasileira que trabalha no parque juntou com a gente e contou várias estórias. Disse que naquele dia duas pessoas do grupo dela que estavam fazendo o circuito W desistiram por dor ou cansaço e quando isso acontece é preciso chamar o táxi, que é um cavalo, para te levar até o ponto de saída do parque mais rápido. E se tens uma mochila pesada precisa de dois cavalos. Não preciso nem dizer que isso custa uma pequena fortuna, né? Terminamos um vinho e fomos dormir. 21/12 - Volta a Puerto Natales e ida a Punta Arenas Dessa vez dormi até mais tarde já que não tinha trilha a fazer e o horário do café ia até às 9 da manhã. O dia começou bem feio novamente. Parece que o vento que sobra do glaciar para refúgio leva sempre nuvens bem carregadas e o tempo é quase sempre chuvoso por ali. Arrumei as coisas primeiro e desci para tomar café da manhã. Para pegar o ônibus de volta a Puerto Natales há duas formas. Uma é econômica mas cansativa que é fazendo trilha do Refúgio Paine Grande até a entrada Sede Administrativa. São 14km, entre 4 a 5 horas de caminhada e você precisa chegar lá às 13h para pegar o ônibus. A trilha começa do lado do píer. A segunda opção é fácil porém cara. É pelo catamarã que sai no píer ao lado do refúgio Paine Grande. O catamarã é operado pela empresa Hielos Patagônicos e custa absurdos CLP18.000 por uma travessia de 30 minutos!! A frequência de saída e chegada é diferente em cada época do ano. Na alta temporada são 4 horários de chegada e saída de Paine Grande, porém só há conexão com ônibus para Puerto Natales em dois horários (já explico). O catamarã nos leva até um local chamado Pudeto. Por lá passa o ônibus de volta a Puerto Natales. Lembra que em Puerto Natales comprei ida e volta? Sim, a volta está paga! Porém, os ônibus só tem dois horários de saída do parque. Esses horários se integram com dois dos horários do catamarã. Meu horário era o primeiro com integração, às 11h30. Fiz hora até dar 11h20 e fui para o píer aguardar o catamarã. Ele é bem rápido e tem uma bela vista externa para os Los Cuernos. Você paga a passagem dentro catamarã mesmo, não precisa reservar. Em 30 minutos estamos lá do outro lado do Lago Pehoé e alguns ônibus já estão aguardando. O meu cacareco não tava lá ainda rs. Fiz um tempo na cafeteria próxima até ele chegar. Demorou uns dez minutos mais. Embarquei e ele foi em direção à entrada da Laguna Amarga. Lá ficou aguardando mais meia hora por pessoas até sair umas 14h20. Chegamos na rodoviária de Puerto Natales umas 16h00. Havia um ônibus pra Punta Arenas às 17h15. Fui ao hostel El Fiodor buscar o resto da minha bagagem, organizei umas coisas na mala, voltei pra rodoviária e comprei minha passagem de ida para Punta Arenas pela Bus Sur. Enquanto estava esperando por lá reparei algumas coisas. Primeiro que havia ônibus direto para Ushuaia de Puerto Natales. Não lembro de ver isso na Internet quando consultei. Estava indo para Punta Arenas apenas para pegar ônibus pra Ushuaia que, pensava eu, só tinha por de lá. Pensei em conversar com a atendente para ver se tinha como fazer a troca, mas até explicar tudo ia ser cansativo e provavelmente não ia certo por questões de sistema deles. Outra coisa que observei é que a Bus Sur é a única empresa com ônibus pro Parque Torres del Paine às 7h da manhã. Isso é muito bom porque todas as outras saem às 7h30 e gera uma fila imensa na entrada. Além de poder começar a trilha cedo com pouca gente. FIcam as dicas! Peguei o ônibus e segui pra Punta Arenas. Tinha reservado uma noite em um hostel lá. Quando chegamos já era 20h20 por aí. Fui pro hostel chamado Sol de Invierno, mensagens a todos da família e depois fui no mercado. Comprei uma pizza para levar e foi tudo. Arrumei as coisas para acordar semi pronto no outro dia e pegar ônibus pra Ushuaia. 22/12 - Ida para Ushuaia de ônibus (12h) O ônibus da Bus Sur sai da garagem da própria empresa, bem no centro de Punta Arenas. Acordei cedo já com tudo arrumado, tomei um café da manhã (pedi no hostel para adiantar o café naquele dia por conta do horário do meu ônibus) e parti umas 8h para pegar o ônibus para Ushuaia às 8h30. O ônibus da Bus Sur não era tão bom, parecia que estava desregulado, tremia muito. Bom, daí até chegada não tem muito o que falar. O ônibus vai direto, há uma travessia de balsa do Estreito de Magalhães já que a Tierra del Fuego é um ilha, metade pertencente ao Chile e outra metade à Argentina. Todos precisam descer do ônibus, há um lugar para os passageiros na balsa e o ônibus segue sozinho na mesma balsa junto com vários outros veículos. Paramos nas fronteiras depois e seguimos. Até chegar próximo a cidade de Ushuaia, a paisagem é a mesma, sempre estepe. Quando chegamos em Ushuaia começam a surgir vales, lagos,, florestas de lengas e ñires, etc. Há uma única parada para lanche em Tolhuin e nada mais. Prepare lanche ou algo pra comer porque é muito tempo de estrada. A chegada é pelo alto da cidade de Ushuaia e vamos descendo até o porto, onde é o ponto final, bem próximo ao centro de informações turísticas. Fazia um friozinho mas nada demais. Fui andando até o hostel, que não era muito longe do ponto final. No hostel fui recebido por um mineiro, o Marcelo. Ali comecei a ver quantidade absurda de brasileiros em Ushuaia. Fiz o check in com ele, paguei e deixei as coisas no quarto. Mandei os salves pra família e fui no mercado comprar algo para fazer. Assim como em El calafate, o La Anonima é o principal mercado da região. Há um Carrefour também, mas é distante. Fiz uma massa, comi e fui dormir cedo. 23/12 - Ushuaia (1) - Reconhecimento de território e museus O plano esse dia era fazer um reconhecimento do local que sempre faço, dar uma volta pelo entorno e ruas principais, passar nas agências de viagens para conferir os passeios reservados e ver outras opções. Acordei cedo, tomei café da manhã no hostel e fui bater perna. Tinha reservado um único passeio em Ushuaia até esse momento. Foi a navegação no Canal Beagle e caminhada com pinguins da Isla Martillo(tb conhecido como pinguinera) para o dia 24/12. Depois vou falar mais desse passeio. Comecei dando uma volta pela Av. Maipu, que é a rua do orla. Apesar de estar na orla, a Maipu não é a rua principal da cidade, mas ali ficam algumas coisas importantes como o centro de informações turísticas, os principais quiosques de venda de passeios de barco, o controle de passageiros, onde todos pagam uma taxa pra embarcar e as vans para diversos pontos como o parque nacional Tierra Del Fuego. Há alguns restaurantes e dois museus tb. Passei primeiro no centro de informações turísticas para pegar mapas e outras informações. Se estiver no seu roteiro ir ao parque, aproveite para pegar mapas e outras informações. Lá também carimbam seu passaporte com símbolos de Ushuaia. Peguei os mapas e informações e parti para a Av. San Martin. Essa é a principal rua do comércio da cidade. Praticamente em toda sua extensão você vai encontrar lojas e restaurantes. Fui até ao longe, na volta passei na agência Brasileiros em Ushuaia onde tinha reservado a pinguinera. Lá me apresentaram mil outros passeios, mas só olhei e deixei para decidir depois. Deixei as visitas dos museus para à tarde. Fui pro hostel, almocei a sobra da janta que tinha guardado e fiquei um tempo conversando com uma brasileira que tinha acabado de chegar no hostel. Em Usuhuia tem muito brasileiro. Não sei explicar porque, mas foi o destino que mais vi brasileiros. Inclusive o turismo local entende isso e quase tudo lá com tradução para português. Comecei os museus pelo Museu do Fim do Mundo, que é grátis e fica na Av Maipu. É um museu bem pequeno mas interessante, principalmente os vídeos. O museu tem duas seções principais, uma que trata da história dos povos originários das Tierra del Fuego e outra da fauna com diversos animais empalhados. O item mais interessante do museu, no entanto, é a imensa imagem de uma rainha da Inglaterra talhada madeira e que foi retirada de uma embarcação que naufragou no século XIX na Península Mitre, lugar de difícil acesso na Terra do Fogo. O Museu do Fim do Mundo tem um anexo duas quadras depois da sede principal, mas que não é tão interessante. De lá parti pro Museu do Presídio. A cidade de Ushuaia surgiu a partir da necessidade de viabilizar o presídio para reincidentes criado no início do século XX. O antigo presídio foi fechado em meados do século passado e alguns anos mais tarde virou o museu. Na verdade, por ser imenso, baseado no modelo panóptico, com cinco pavilhões unidos por um pátio central de onde se pode ver todos os cinco pavilhões, existem lá diversos museus. Cada um em um pavilhão. Há alas temáticas de naufrágios, sobre embarcações da marinha, Argentina, missões na Antártida, além de uma galeria de arte, uma réplica do farol de San Juan do Salvamento (o verdadeiro farol do fim do mundo) e uma ala de exposição temporária. Além, claro, do museu do presídio que é o maior e tem uma visita guiada de hora em hora. Um dos pavilhão está completamente preservado tal era na época do presídio. É bem sombrio! O museu tem um custo de AR$ 300 por aí, dá pra conseguir desconto pra estudante. Não é tão barato, mas pra quem gosta de história é bem legal. Depois passei no mercado e comprei algumas coisas pra fazer lanche do passeio aos pinguins do outro dia. Preparei tudo e fui dormir. 24/12 - Ushuaia (2) - Pinguinera e natal no Hard Rock Café A hora marcada no cais para pegar o catamarã era 9h. O passeio apesar de ser vendido na agência Brasileiros em Ushuaia, é operacionalizado pela Piratour. A agência apenas facilita a venda. Eles têm tem um bom site, parcela a compra e cobra em reais. Não cheguei a comparar a diferença de valores da compra direto pela Piratour e na Brasileiros, acho que eles colocam um lucro deles em cima mas não é muito. Como tem IOF na compra com a Piratour acaba ficando muito próximo. Esse passeio com a Brasileiros custou R$ 759,00. É importante dizer também que existem várias empresas fazendo diversos passeios pelo canal do Beagle. A maioria vai até as ilhas com comodores e leões marinhos, o farol de Ushuaia, fazem uma parada na estância Harberston (a primeira da região, de propriedade de um missionário inglês que veio converter nativos no final do século XIX) e isla martillo. É nesta ilha que ficam os pinguins. Apenas a Piratour tem autorização pra descer na ilha, que pertence aos herdeiros do missionário inglês. Fique atento a isso! O passeio deles é muito disputado e é preciso reservar com antecedência na alta temporada. Nos quiosques do porto há venda de passeios à ilha H, passagem a Puerto Williams (último povoado do continente, antes de Antártida, e que pertence ao Chile), passeios noturnos, e até ida pra Antártida! Vale a pena se informar. Bom, voltando então. Com o voucher em mãos, é preciso passar no quiosque da Piratour pra apresentá-lo e pegar um crachá de identificação da empresa. As crachás tem duas cores diferentes e cada cor forma grupos distintos por cor que fará sentido depois, já que há uma divisão do grupo. Antes de embarcar é necessário pagar a taxa portuária de AR$20. O passeio começa e deixamos para trás a Baía de Ushuaia. A saída rende fotos da cidade a partir do barco. A primeira parada é numa ilha cheia de comorones (espécie de ave que se parece muito com pinguins), depois vamos a uma ilha de leões marinhos próxima ao farol de Ushuaia. Nesses momentos há orientações e informações do guia que nos acompanha. Após isso há uma navegação de mais ou menos uma hora pelo canal do Beagle. Passamos pela Isla Navarino e Puerto Williams à nossa direita. Depois mais ao final passamos próximos à isla martillo, onde há a colônia de pinguins de magallanes, mas ainda não paramos nela. Antes aportarmos na estância Harberston. O guia estabelece um horário para ida à ilha de cada grupo. Na estância há uma casa de chá, um restaurante e um museu de aves e mamíferos. Temos uma hora para percorrer a estância e almoçar ou lanchar, quem quiser. Como levei lanche, não almocei no restaurante da estância mas comi um doce de Ruibarbo com sorvete de creme que tava muito bom! Com os grupos divididos pela cor do crachá, é hora de visitar a Isla Martillo. Não podem ir mais do que 20 pessoas por vez na ilha, por isso a divisão. Um grupo vai à ilha e o outro aguarda na estância fazendo uma visita guiada ao museu de aves e mamíferos. Depois os grupos se revezam. O tempo na ilha é de no máximo uma hora. Embarcamos em um bote mais rápido que o catamarã e em dez minutos estamos na ilha e já somos recebidos por vários pinguins. Essa época de dezembro é o mês de procriação, então vários pinguins bebês estavam lá sendo protegidos e alimentados pelas mães. O guia vai nos conduzindo pelos lugares, e em vários momentos eles estão muito perto pois seus ninhos são bem próximos ao caminho traçado. É bem legal! Na ilha vivem dois tipos de pinguins: o pinguim de magalhães (a grande maioria) e o pinguins papua (há uma pequena colônia desses). Havia também um belo pinguim-rei perdido entre os de magalhães. Finalizado o tempo, voltamos à estância para terminar o passeio. Agora de ônibus da Piratour que está aguardando na estancia. No caminho há uma breve parada para ver árvores bandeiras, que são esculpidas pelos fortes ventos da região. O dia foi muito bonito, demos muita sorte. É importante dizer que esse é um passeio de verão. Os pinguins não estão na ilha o ano todo. Eles são animais aquáticos, e apenas vêm ao continente para se reproduzir e se proteger de predadores. Então se quiser fazer, veja se é ainda é época. Quando cheguei no hostel não sabia se ia rolar algum tipo de ceia de natal coletiva. Era dia 24 de dezembro. O brasileiros que trabalham lá não falaram nada, então presumi que não teria. Resolvi me dar de presente uma centolla de ceia natalina.A centolla é o prato do mar mais típico da região da patagônia e Terra do Fogo. É uma espécie de caranguejo gigante. Ouvi dizer que num lugar chamado Cantina do Freddy, na Av. San Martin, tinha uma muito boa. Fui até lá e peguei uma mesa. Ao meu lado tinha duas mesas de brasileiros. Pedi a centolla a la cantina, que é a centolla com camarão e mariscos, especialidade da casa. É muito bom, mas um pouco caro AR$ 500. A centolla lembra muito a lagosta. Interagi um pouco com brasileiros do restaurante antes de ir pro hostel. Na volta encontrei a brasileira que tinha conhecido e ela junto com outros muitos brasileiros estavam planejando passar a virada do Natal no Hard Rock Café Ushuaia. O plano acabou vingando e fomos todos juntos para lá e foi bem legal. 25/12 - Ushuaia (3) - Laguna Esmeralda No dia anterior o grupo que passou a virada de Natal no Hard Rock havia combinado de fazer o trekking para a laguna esmeralda. Há diversas opções de trekking em Ushuaia, a maioria deles sai de algum ponto da estrada (RN 3). Por isso é quase sempre necessário fechar um transfer ida e volta. O nosso hostel tinha um contato de uma van que nos cobrou 250 pesos por pessoa. Acho que é o preço que cobram. Acordamos todos pelas 9 e saímos umas 11h20 por aí. Na van juntaram outros brasileiros e fomos. A laguna esmeralda é o trekking mais tranquilo de Ushuaia. Estimam a ida e volta em 3h. Trilha majoritariamente plana. O grande inconveniente dessa trilha são os lamaçais, que ficam piores quando chove no dia anterior. Essencial ter uma bota fechada e preferencialmente impermeável. Quando chegamos no início da trilha estava nevando um pouco. No verão é bastante comum nevar na parte dos vales e montanhas, onde ficam as trilhas, e chover de leve na cidade. Pagamos, combinamos a volta com o motorista e fomos pra trilha. A trilha é muito bem sinalizada durante a maior parte do tempo, com sinalização de cor azul colada nas árvores. Fizemos a trilha em uma hora e vinte por aí. O lago é deslumbrante com sua cor esmeralda incrível. Fizemos um lanche na chegada e descansamos . Um dos brasileiros que foi conosco havia lido que haveria um glaciar no alto das montanhas atrás da lagoa. Ninguém tinha a trilha certa para lá, mas como tínhamos mto tempo até o transfer voltar fomos ver o outro lado do lago. Chegamos em uma parte de floresta morta e seguimos um pequeno rio até uma uma parte meio alagadiça que molha bastante para quem tá de tênis simples. Passamos a uma floresta fechada e depois seguimos uns 30 minutos até começar a parte de subida, sempre seguindo o rio. Lá encontramos uma pessoa que estava descendo e ela nos confirmou que havia um pequeno lago e um pequeno glaciar, mas era subida forte. Alguns de nós desistimos ali, pq era mto íngreme a subida. Fui até um pouco mais acima e a vista da laguna com todo o vale estava incrível. Parei pra comer algo e resolvi ficar por ali mesmo. Um dos meninos seguiu em frente e disse que havia um lago congelado lá no topo. Enfim, depois descobri que esse lugar chama Glaciar Ojo del Albino. Voltamos para a lagoa pelo mesmo caminho e já estava ficando bem frio. Essa ida além da laguna tornou a caminhada um pouco cansativa. Voltamos e esperamos pelo carro até 19h, horário que marcamos. Fomos para o hostel e combinamos de jantar juntos naquele dia. Após um banho e descanso, fomos pra Cantina del Freddy novamente, algumas pessoas do grupo queriam provar a Centolla a la cantina. Aproveitei pra provar o outro prato típico, a merluza negra. Esse não me surpreendeu tanto. O peixe é bom, mas nada que justifique o preço. Depois fomos pro hostel, ficamos conversando lá e fomos dormir. 26/12 - Ushuaia (4) - Parque Nacional Tierra Del Fuego e check in no airbnb O parque nacional Tierra Del Fuego era o passeio que menos me interessou em Ushuaiai. Era bonito, mas nada demais. Como o tempo amanheceu muito feio e tinha um brasileiro no hostel interessado em fazer também, acabei indo pra lá. Preparei toda minha mala antes de ir pois ia fazer check out do hostel. Quando planejei a viagem fiz uma reserva de dois dias numa casa de uma moradora de Ushuaia. Tava um preço quase igual ao cobrado pelo hostel e teria um quarto só para mim. Para chegar ao parque fui informado de que teríamos que tomar uma van próximo às informações turísticas, na Av Maipu. Elas saem de hora em hora e cobram um valor absurdo de AR$ 500 ida e volta. Muito caro por um trajeto de 12km, mas não tinha opção. Talvez táxi com muitas pessoas compense. Não tive mto tempo para pesquisar melhor então foi isso mesmo. Além do transporte, o parque cobra algo entorno de AR$ 340 para entrada. No centro de informações turísticas você pode pegar um mapa e planejar seu tour. Do mesmo lugar tb sai uma van que te leva até o trem do fim do mundo, parte do antigo trem usado pelos presos para levar a lenha que abastecia a calefação do presídio. O trem faz um pequeno percurso da entrada do parque até um ponto dentro do parque. Não achei nada demais não, parece mais interessante para crianças. Pegamos van das 12h e em 20 min chegamos no portão principal do parque e pagamos a entrada. Um pouco depois o motorista nos deixou no início da trilha que escolhemos. Há diversas trilhas dentro do parque, a maioria bem simples. Há apenas trilha puxada que vai ao Cerro Guanaco, estimam em 4 horas apenas ida, por isso pedem que não comecem a trilha depois das 12h. Como chegamos tarde, fizemos a Trilha Costeira, que se inicia no famoso correio do fim mundo. Sim, há há um correio postal lá, mas não consegui mandar um postal pra minha namorada pq não tinha o endereço de cabeça rs. Mas é possível, inclusive dá pra carimbar seu passaporte lá tb, pagando alguns pesos. A trilha tem 8km e uma duração de 3 horas em média. A maior parte do tempo ela vai beirando a orla e é bem bonita. Passa por várias praias. Ao final da trilha nos afastamos da orla e após alguns quilômetros chegamos na estrada principal do parque, onde placas nos indicam que a poucos metros há um centro de conveniência. Nessa hora começou a chover bastante e fomos ao centro para comer algo e nos abrigar. Lá há um restaurante e pequeno museu interpretativo. Aguardamos um pouco e seguimos a caminhada para o lago Roca, um dos lugares mais bonitos do parque . Não estava tão bonito por causa do tempo nublado, mas foi legal. Por último, voltamos e fizemos o caminho até baía Lapataia. Nesse caminho há diversas trilhas numeradas no mapa. Acabou que estávamos sem tempo e fizemos apenas a última, que passa pelo mirador Lapataia e termina próximo à baía. De lá sairia a última van (às 19h). Achei o mirador da baia Lapataia o lugar mais bonito do parque. A van parte pontualmente às 19h e passa em outros dois pontos para pegar mais pessoas. Voltei pro hostel pra pegar meu mochilão, e segui pra casa de meus anfitriões no airbnb. Ficava uns 15 minutos do hostel, um pouco mais afastado do centro. A casa deles (era um jovem casal) era bem aconchegante e o quarto também. Deixei as coisas lá e fui jantar. Escolhi um restaurante chamado bodegon fueguino. Recomendo! Pedi um cordeiro e uma cerveja, tava mto bom e foi barato. Voltei pra casa e fui dormir. 27/12 - Ushuaia (5) - Dia de compras Nesse dia tinha deixado para fazer umas das trilha mais pesada de Ushuaia, que é a Laguna de los Tempanos e Glaciar Vinciguerra. Mas acordei com aquela preguiça de fazer qualquer coisa e já um pouco cansado de fazer trilhas. Afinal, estava há 22 dias só fazendo isso praticamente. Resolvi me dar um day off. O dia tava bem quente pra Ushuaia. Dormi até um pouco mais tarde e fiz tudo bem tranquilo. Andei um pouco pela orla, almocei e depois fui no Museu Temático, que havia esquecido de ir. É um museu bem legal, moderno. A história da região é contada por meio de cenários modelados com bonecos e objetos. Ao entrar recebemos um mp3player em que cada faixa explica a cena que estamos vendo. Custa algo como AR$ 280 com desconto de estudante sai a AR$ 220. Depois passei no Freddo, a famosa sorveteria de Buenos Aires. Comprei lembranças para família. Tem muitas lojas na Av. San Martin. Comprei doce de leite artesanal, cerveja regional, um pinguin de pelúcia e alfajor no mercado. Por fim comi numa pizzaria próxima à casa dos meus anfitriões. Deixei tudo pronto mais uma vez para voltar a Punta Arenas no outro dia. Resumo de Ushuaia : A cidade não é lá algo que se chame de bonita, é um grande porto com uma cidade que se vai ladeira acima. A primeira impressão não é boa. Mas há muita coisa legal para se fazer lá, no verão e no inverno (pelo que li). É uma cidade grande, muito turística principalmente para brasileiros, então você não terá problemas com câmbio, transporte, mercado, língua, etc. O tempo por lá é muito parecido com o resto da patagônia: muda rapidamente e está sempre instável. Nessa época a temperatura média é de 10 graus, mas com chuva e vento pode ficar abaixo disso. O preço das coisas em geral é próximo ao dos outros países da região. É possível um almoço completo com entrada + prato principal + sobremesa por uns AR$ 190. Como há mto o que fazer, é importante fazer um roteiro. As agências oferecem muitos passeios, vários deles podem ser feitos sem agências. Os principais são Glaciar Martial, Laguna Esmeralda, laguna de Los tempanos e glaciar vinciguerra, os passeios no canal do Beagle e os museus. A Brasileiros em Ushuaia tem um caderninho de passeios interessante. Nem tudo que tem lá você precisa da agência pra fazer, por isso vale a pena pegar esse caderninho. Pelo site tb é possível ver alguns deles. Acho que 4-5 dias é suficiente para Ushuaia. 28/12 - Volta a Punta Arenas A volta para Punta Arenas, assim como a ida, foi cansativa. O ônibus sai igualmente do porto, próximo ao controle de passageiros do cais. A volta foi bem mais cheia do que a ida. Acho que por isso colocaram um ônibus extra, com saída alguns minutos depois. Depois de mais 12 horas , estou de volta a Punta Arenas para fazer meus dois últimos dias antes de voltar ao Brasil. Antes de ir para minha estadia, procurei saber sobre ônibus para o aeroporto e descobri que não existe. Há uma linha da BusSur que vai do aeroporto para o centro de Punta Arenas, mas não há o contrário.Para passar esses dois dias, reservei um Airbnb bem barato e me lasquei. Barato demais pra ser verdade. O problema já começou pra achar o lugar. O endereço no Google Maps era um e na prática era outro. Como reservei no dia anterior, não deu tempo de ver a mensagem que o anfitrião me mandou indicando o endereço correto. Por sorte, no mesmo ônibus que o meu havia um casal que tinha locado um outro quarto com o mesmo anfitrião que eu. Reparei que eles estavam indo pro mesmo lugar que eu e questionei se era um quarto no Airbnb. Acabou que encontrei o local graças a eles, pois não tinha internet para ver a localização exata. Bom, de todo modo, o local era muito ruim, muito mesmo. O anfitrião se chamava Peter (guarde esse nome se for fechar algum airbnb em Punta Arenas) e era um bom guia da região. Mas o local era ruim, cama ruim, cozinha péssima, tudo muito improvisado. Realmente não vale a pena, apesar de ser muito barato. Fui o roteiro do próximo dia e fui dormir. 29/12 - Cemitério Municipal, Museus e city tour Como só teria esse dia para conhecer a cidade, fui fazer o passeio geral pelo centro da cidade. Comecei pelo Museu Salesiano Marggiorino Borgatello e devo dizer: de longe o melhor museu que conheci em toda região. Muito recomendável! É um museu muito rico, com muitas peças e exposições. Realmente incrível. Custa um valor simbólico. Sai de lá e fui até o maior atrativo da cidade: o cemitério municipal ! Pode parecer curioso, mas o cemitério de lá é um charme. Centenas de ciprestes podados dão um tão bem diferente ao cemitério e fez com que o local virasse atração turística. Fui até o mausoléu da família Braun (importante na cidade) e depois fui almoçar. Escolhi almoçar no restaurante famosinho chamado La Marmita. O local é mto bonito, decoração de ótimo bom gosto. Queria comer o guanaco, mas não tinha então fui de cordeiro novamente. A comida não é farta, mas é boa. Custo benefício é mediano. De lá fui até a Av Costanera ver os monumentos e sentir a brisa que vem do Estreito de Magalhães. Na verdade não fiquei muito pq o vento frio não permite ficar de bobeira. Na volta passei na praça Municipal e no palacio Sara Braun. Antes de voltar de vez, verifiquei a possibilidade de um transfer para o aeroporto. Encontrei a agência Fin del Mundo, no centro, e fechei com eles. Algo como CLP 5.000. Voltei para a estadia e arrumei as coisas. Tentei fazer o check in antecipado e tive problemas. Depois de muito tempo, resolvi que teria que cancelar o transfer e pegar um táxi para o aeroporto, pois achei que sem o check in pronto seria arriscado ir no transfer, já que o horário deles estava mto em cima do limite do voo. O anfitrião me indicou um taxista que cobrava CPL 7.000 para me levar até o aeroporto. Fechei com ele. Logo depois consegui fazer o check in pelo aplicativo, mas já havia cancelado o transfer então manti o combinado com o taxista. Dormi cedo já ansioso para voltar ao Brasil. 30/12 - Volta pra casa Vinte e cinco dias depois de pisar na patagônia, voltei para o aeroporto que havia chegado à Patagônia. O voo de volta foi tudo bem, sem maiores problemas, e assim me despedi da Patagônia, lugar incrível. Resumo de Punta Arenas: parece um pouco de cidade grande, muito táxi, pessoas estranhas, pichações. Punta Arenas é uma cidade passagem a meu ver. Há passeios por lá, como a ida à ilha Monumento Natural dos Pinguins, ir ao antigo Puerto del hambre ou cruzar o canal e ir até à histórica cidade Porvernir. Além disso, não vi nada muito interessante. Se meu voo não fosse por Punta Arenas, talvez não tivesse passado por lá. Mas se vc passar, vale o que fiz no roteiro. FIM!
  18. Vinicius Oliveira SIlva

    Ruta de los Siete Lagos de Bicicleta

    Neste relato vou contar como foi fazer a Ruta de los Siete Lagos na Argentina, no chamado jardim da Patagônia. Um roteiro de incríveis paisagens e com muito suporte para o cicloturista. Chegando ao ponto de início O início deste roteiro é na cidade de Bariloche, pegamos um voo de São Paulo até Buenos Aires com conexão até Bariloche. Levamos as bikes no avião embaladas em saco bolha com pedaços de papelão para proteger as partes sensíveis. Primeiro dia Ao chegar pela tarde, pegamos as bikes no desembarque de bagagens e usamos o próprio espaço do aeroporto para preparar tudo e montar os alforges. Não tivemos problema com os seguranças, mas recomendo usar um espaço que não atrapalhe a passagem e evite fazer muita bagunça espalhando muita coisa pelo chão. Começamos a pedalada dali mesmo em direção à cidade para achar um local para jantar e algum camping para passar a noite. Fomos recebidos com cara de chuva e algumas gotas, mas até que tivemos muita sorte e quase não pegamos chuva nos dias seguintes. A cidade de Bariloche é muito bonita, mas por ser bastante turística é um pouco cara para quem busca economizar, então sempre que puder use os campings para cozinhar. Como chegamos um pouco cansados da viagem, acabamos jantando na cidade mesmo. O camping da nossa primeira noite fica no final da cidade, chamado Camping Petunia. Ele é bem grande e tem uma ótima estrutura, como churrasqueiras, salas de jogos e etc. Também conta com hostel para quem desejar, nesta opção você pode utilizar a cozinha. Montamos rapidamente o acampamento para descansar, no próximo dia deveríamos pedalar em direção ao Puerto Pañuelo. Segundo dia Uma parte do trajeto deste dia é feita de barco, então nosso primeiro destino é o Porto Pañuelo onde vamos nevegar até o Bosque Arrayanes. Recomendo cautela neste trajeto, a estrada é um pouco estreita e os carros não respeitam muito. Há um acostamento de barro ao lado, não é muito confortável mas é mais seguro. Começamos do Camping Petunia na saída de Bariloche e pedalamos até o Porto Pañuelo. Você pode ficar nos restaurantes próximos enquanto aguarda o horário de partida. Este barco percorre o Lago Nahuel Huapi em direção ao Bosque Arrayanes em mais ou menos uma hora. Uma curiosidade interessante é que o barco Modesta Victoria é de 1937, foi construído em Amsterdan e trazida de trem até Bariloche. Deste então leva milhares de turistas e teve como passageiros Che Guevara, o Xá Mohammad Reza Pahlavi e Bill Clinton. Bosque Arrayanes Antes de iniciar a trilha que se percorre de bicicleta, você pode visitar a trilha de madeira do Bosque Arrayanes, o percurso dura mais ou menos meia hora. Durante a caminhada você verá o famoso cartão postal deste lugar, onde é possível ver o porto e o Lago Nahuel Huapi de cima. Depois de terminar a trilha de madeira, retornamos para as bikes e atravessamos o parque pela trilha. É uma das poucas partes do roteiro onde se pedala na terra. Durante o percurso podemos ver vários Arrayán, esta espécie só existe aqui e possuem aproximadamente 300 anos. O Arrayán chama atenção pelo seu tamanho, curvatura e a canela em sua tonalidade. Uma curiosidade é que você pode nevegar por toda a trilha pelo Google Maps caso queira ver como é. A trilha termina no Puerto Angostura, entrada da Vila Angostura, primeira cidade depois de Bariloche. Esta cidade é uma versão mais calma de Bariloche, uma cidade muito bonita e que nos surpreendeu com o suporte ao ciclista. Andando pela cidade você encontra grandes bicicletarias. Para acampar, escolhemos o camping Ojo Mayor, adminstrado por um senhor que morava lá mesmo. Nele montamos o acampamento e finalizamos mais um dia do roteiro. Terceiro dia Partimos da Vila Angostura pedalando pela Ruta 40, a rodovia mais extensa da Argentina. É uma rota com um acostamento bem confortável para pedalar, dando bastante segurança ao ciclista. Pouco tempo pedalado, já fomos surpreendidos com o Lago Correntoso, a grande área verde e a água azulada nos oferece um cenário incrível. Logo atrás você pode ver também a Puente Peatonal. Ruta 40 O interessante é que este trecho fica bem próximo da divisa com o Chile, até cogitamos atravessar a fronteira de bike, mas não tivemos tempo. Alguns minutos adiante encontramos Lago Espejo, este local é uma praia que também permite camping selvagem. Pensamos em acampar aqui porém estava muito frio e o local ventava muito. Ficamos com receio de passar muito frio pela noite, então decidimos seguir. Tenho que concordar que neve é legal, mas fazer este circuito na primavera nos proporcionou cenários incríveis nas estradas. Um pouco a frente encontramos a outra ponta do gigante lago correntoso. Foi um dia um pouco difícil, perdemos algumas horas com imprevistos e também foi um dia com bastante subida. A noite caiu rápido e ainda estávamos na estrada, mas a lua nos presenteou com esta incrível vista para o Lago Villariano. Chegamos ao Camping Falkner e estava tudo bem escuro, não estávamos esperando mas o camping foi desativado, tivemos que fazer camping selvagem. Chegamos bem tarde e cansados, montamos o acampamento rápido, preparamos algo para jantar e fomos descansar para o próximo dia. Quarto dia Acampar no Camping Falker foi uma das melhores experiência de camping que já tive. O lugar fica em frente ao Lago Falker com muito verde e montanhas. Foi bem bacana acordar e tomar café com toda aquela beleza. Lago Falkner Por estar esperando encontrar um camping com alguma estrutura, não tínhamos água o suficiente. Optamos por pegar água do rio e ferver para ter uma reserva de emergência até chegar em algum ponto com água. Tentamos consumir o mínimo possível pois a região é cercada por vulcões, e a água poderia estar contaminada com enxofre. Continuamos seguindo pelas longa Ruta 40, a próxima parada seria o Lago Hermoso. Neste dia, acampamos em uma fazenda de uma simpática família onde a entrada fica bem na beira da estrada. Quinto dia Depois de dormir junto aos cavalos e galinhas, recomeçamos nossa pedalada para o último destino, a cidade de San Martin de los Andes. Após uma boa pedalada e uma última grande subida, já era possível ver o Lago Lacar e a cidade. A cidade de San Martin de los Andes é aqueles lugares que dá vontade de morar. Um autêntico vilarejo de montanha. Aproveite para conhecer as lojas onde vendem alfajores e chocolates, encha o alforge deles heheheh. No inverno é a opção de muitas pessoas para esquiar. Nas proximidades há muitas opções de hiking e lugares naturais para visitar. Nos dias seguintes fizemos o Cerro Campanario a pé, a trilha para Islita de bicicleta. Custos Esta é uma viagem que da pra economizar muito! Os campings custam entre R$ 30 e R$ 40. O ônibus que volta para Bariloche custa mais ou menos R$ 70. Se você não quiser pedalar de Bariloche até o Aeroporto, nas três cidades você encontra transfer por mais ou menos R$ 150 A alimentação você pode levar snacks para comer durante o dia e preparar uma refeição quente durante a noite, nas cidades tem bastante opção de mercado e os preços são ok. Se quiser comer em restaurantes pode apertar um pouco, por serem cidades um pouco turísticas as opções mais baratas que encontramos estava a partir de R$ 30. Tracklog https://pt.wikiloc.com/trilhas-cicloturismo/ruta-de-los-7-lagos-23087618 Link do artigo no meu blog http://www.trilhei.com.br/ruta-de-los-siete-lagos/
  19. Eai pessoal, tudo bem ? Neste meu primeiro relato, irei detalhar o dia a dia e dar algumas dicas sobre o que passei na patagônia Chilena e Argentina.. Quem mergulhou nessa aventura comigo foi minha até então namorada, e agora noiva Mariana, fizemos quase tudo que desejávamos! .. lá vai.. Roteiro: Ushuaia(ARG) -> Puerto Natales(CHI) -> El Calafate(ARG) -> El Chalten(ARG) -> Buenos Aires(ARG). Período: Minha viagem ocorreu do dia 09/10/2017 até dia 22/10/2017 - Início de temporada, início de verão e fim de inverno. Informação dos Trekkings: Parque Nacional da Terra do Fogo: As trilhas são muito bem sinalizadas com tacos amarelos. Não tem como se perder. El Chaltén: Optamos por fazer a seguinte rota de um full day: Saímos da cidade e andamos 12,5km até chegar na Laguna de Los Tres, passando pela Laguna Capri e retornamos passando pelo Mirador Del Fitzroy, com uma paisagem incrível do monte Fitzroy. Retornamos no mesmo dia para nosso Hostel. Ao todo caminhamos uns 25 km. Torres del Paine: Pegamos 3 dias de muita chuva, e optamos por não fazer o circuito W(infelizmente).. Fizemos um trekking de full day.. Há 3 tipos de hospedagem no parque, os não pagos, os pagos(que te dão direito a banheiro e cozinha), e os hotéis(caros e confortáveis) que tem no decorrer do parque. OBS: Todos os caminhos são bem demarcados, não tem perigo de se perder. Não aconselho para quem não tem preparo físico bom, exige muito ! Relato do dia a dia: Dia 09/10: Pegamos um vôo de Maringá-PR para Curitiba-PR , onde no mesmo dia pegamos um vôo para Buenos Aires(ARG), chegando na cidade no fim da tarde. Pegamos um táxi no aeroporto e fomos ao nosso hostel B.A Stop(um hostel excelente custo benefício). Fizemos o check-in e por sorte o funcionário da recepção era brasileiro, e nos deu dicas de onde cambiar por um bom preço. Pegamos um mapa da cidade com ele e fomos então a pé a rua florida(uma rua que corta a Av. Corientes) e cambiamos por lá. Na volta tiramos algumas fotos no Obelisco e paramos para comer uma pizza na cidade. O pessoal é muito hospitaleiro e demos bastante risada., DICAS: Faça reserva de hostel antes de chegar na cidade. Em Buenos Aires, todos os hostels praticamente, só aceitam clientes que já fizeram reserva. Não pegue o taxi de dentro do aeroporto, lá eles cobram preço fechado. Pegue os táxis que passam por fora ou chame um uber, muito mais econômico. Dia 10/10: Pegamos um vôo pela manhã com destino ao Ushuaia(ARG), com escala em El Calafate(ARG). Chegamos em Ushuaia perto do meio dia. No próprio aeroporto, tem uma central de atendimento ao turista. Lá, pegamos o mapa da cidade, e as informações dos passeio que eram possíveis a fazer na cidade. Pegamos um táxi no aeroporto e fomos ao nosso hostel, La Posta Hostel(recomendo bastante) para fazer o check-in. Após isto fomos ao centro, almoçamos e compramos o passeio do canal do beagle, um passeio bem bacana onde você pega um catamarã e faz um passeio de aproximadamente 3 horas pelo mar, onde de um lado é o Chile, o outro a Argentina até chegar no farol. É possível ver várias montanhas cobertas com neve, além de vários animais marinhos. Não conseguimos ver os pinguins, pois a época de pinguim nas "pinguineiras" começa em novembro. Mas o passeio foi muito bonito, recomendo. Após o passeio, andamos no centro para conhecer um pouco a cidade e tiramos a famosa foto na placa de fim do mundo. DICAS: Não comprem o passeio do canal do beagle com pinguineira, antes de novembro. As empresas vão te oferecer, mas não é época de pinguin, será dinheiro a mais gasto. Este passeio do canal do beagle até o farol, saiu 900 pesos por pessoa + 10 para entrar no porto. Dia 11/10: Acordamos cedo e pegamos um transfer que o hostel nos ofereceu para o parque nacional da terra do fogo. Pagamos 500 pesos por pessoa(ida e volta), para a van nos buscar no hostel e nos deixar no parque, e fazer o trajeto de volta. Chegamos no parque no início da manhã, recebemos na entrada do parque um mapa, com as trilhas possíveis a se fazer (são 4), e então, escolhemos a que fazia a Bahía de Lapataia, porque era beirando o oceano(lindo demais !) e finalizava no lago Roca (local onde pedi a Mariana em casamento.. rsrs).. As paisagens são incríveis e o vento patagônico é incrivelmente forte ! Andamos aproximadamente uns 10km neste dia. No fim da tarde, o transfer nos buscou no ponto combinado perto do lago Rocca, e nos deixou no hostel. Dia 12/10: Logo pela manhã pegamos um táxi no hostel em direção ao Glaciar Marcial. Ele fica no morro perto da cidade, e o taxista nos deixou na entrada. Logo de cara nós vimos neve(pela primeira vez, foi lindo!), e fizemos uma caminhada de cerca de 1h até a estação de esqui. Ela estava desativada porque não estamos em temporada, era início do verão. Após passarmos a estação, continuamos seguindo o morro e começamos uma caminhada até o cume, mas não chegamos até o topo, pois estava muito ingrime e perigoso. Começou a nevar conforme fomos subindo, foi demais! Na volta, retornamos por um trilha que começa ao lado da casa de chá acompanha a estrada até a cidade. Esta trilha é muito bem sinalizada com sinais amarelos, você também não se perde ! Esta trilha é muito bonita também, vale muito a pena fazer, ela é extensa mas é decida, não cansa muito ! No fim tarde e noite, andamos pela cidade, compramos a passagem para ir a Puerto Natales(CHI) no outro dia cedo, pagamos 1250 pesos por pessoa, compramos algumas lembranças e jantamos no centro. DICA: Para economizar, preferimos fazer mercado e cozinhar no hostel, com isso conseguimos salvar muitos pesos. Uma refeição sai em torno de 250 pesos por pessoa, o prato + bebida. Dia 13/10: Pegamos o ônibus as 7h da manhã no Ushuaia e chegamos as 22h em Puerto Natales, no Chile. Fizemos check-in no Nikos Adventure II, nosso hostel. Estava chovendo bastante a noite. Dia 14/10: Este dia tiramos para nos planejar. Estava chovendo bastante e resolvemos não fazer o circuito W do parque nacional torres del paine. Fizemos o câmbio e compramos o transfer de ida e volta do parque, pagamos 15 mil pesos chilenos por pessoa. Compramos passagem para o dia 17 pela manhã para El Calafate, pagamos 11 mil pesos chilenos por pesoa. Após isso a chuva deu uma pequena trégua e então andamos pela pequena cidade, não tem muito o que fazer. Tiramos algumas fotos no monumento de la mano que há na cidade e no miladón, bicho pré histórico da região. Fizemos mercado para o parque e jantamos no hostel. Dia 15/10: Logo pela manhã pegamos o transfer para o parque, cerca de 1h e meia de translado. Estava chovendo pra caramba, para nossa frustração..(mais uma no Chile).. A entrada do parque é muito salgada, pagamos 21 mil pesos chilenos por pessoa para ter direito a 3 dias no parque.(quem faz os circuitos, não precisa de mais de uma entrada). Se você quiser acampar no parque, deve reservar o lugar para sua barraca na entrada no parque. Logo pela manhã começamos a fazer a trilha em baixo de chuva forte, e traçamos o roteiro para a base das torres del paine. Andamos cerca de 6km até o acampamento Chileno, quando fomos subir até a base, nos deram a informação que por causa da chuva forte estava fechado a passagem para as bases, apenas quem tinha guia passava. Andando um pouco pra frente do acampamento Chileno, a ponte que nos levava para a próxima "montanha" caiu, pois o rio elevou o nível e com a enxurrada levou a ponte. Decidimos retornar para o início, e demos por fim nosso trekking. (Um dia voltamos lá para fazer o circuito W). DICA: A cidade é muito pequena, não há a necessidade de pegar táxis. Dá para fazer caminhando. Dia 16/10: Pegamos o ônibus logo pela manhã rumo a El Calafate e chegamos após o almoço. Fizemos o check-in na nossa Hostería, Los Gnomos, é excelente, só que não sabíamos a diferença de uma hostería para o hostel, (não se usa a cozinha em uma hostería, eles servem janta que deve ser paga se quiser). Neste dia, compramos a passagem para o perito moreno, e passagem para o dia 18 para El Chalten, pagamos 1150 ida e volta para el calafate(aeroporto). Andamos muito pelo centro da cidade, a cidade é muito pequena e muito linda. É carinha as coisas por lá. Compramos algumas lembranças e jantamos no centro. DICAS: Assim como Puerto Natales, a cidade é muito pequena e não há a necessidade de se pegar táxi, fizemos tudo caminhando. Dia 17/10: Neste dia, logo cedo a empresa com quem fechamos o passeio perito moreno nos pegou na hostería, e nos levou ao parque. Pagamos 450 pesos por pessoa. Este é o único parque que se paga entrada nesta região. Pagamos 500 pesos por pessoa para entrar ao parque nacional dos glaciales, onde o perito moreno ficava. A imagem de ver uma geleira não sai da cabeça. É simplesmente do caral** . chegamos pela manhã e o passeio dura cerca de 4 horas. Neste local o tempo é muito doido, chove e para toda hora. É muito frio, muito mesmo ! Você consegue andar por todas as passarelas tranquilamente. No final da caminhada tem uma casa de chá muito boa para se esquentar. Neste passeio também tem a opção de você pegar um catamarã para chegar mais perto na geleira, por mais 500 pesos por pessoa. Você também pode fazer um mini trekking em cima da geleira, que dura cerca de 1 hora e meia. Este trekking custa 3200 pesos por pessoa, ou por fim você pode fazer um passei que dura umas 8 horas em cima da geleira, que é bem mais caro e não nos lembramos no preço. Chegamos na cidade do meio da tarde, e no fim da tarde pegamos o transfer para El Chalten. Fizemos check-in na nossa hosteria também (havíamos reservado antes, não sabíamos da diferença para hostel ainda), era Los Ñires, muito boa por sinal. Preparamos nossas malas para a trilha do outro dia. Dia 18/10: A cidade de El Chalten é conhecida como a capital do trekking. É pequena, e vive para os turistas e as trilhas. Logo pela manhã saímos em direção a Laguna de Los Tres. Andamos cerca de 25km este dia. Este dia foi um dos melhores da nossa viagem, as trilhas são lindas, o vento é único, vimos neve, lago congelado, paisagens sensacionais. Foi do caral**. No caminho, encontramos o lago Capri, um lago lindo demais ! O último quilometro antes de escalar o morro Fitzroy é uma subida de 3 mil pés até a laguna de los tres. Cansou demais. Mas valeu a pena, o espírito, a sensação de estar lá... é foda ! Você é recompensado... Para nossa frustração, a Laguna esta congelada rsrs.. mas mesmo assim foi ótimo. No retorno, passamos pelo Mirador do Fitzroy.. Uma visão única também.. foda ! Retornamos então no fim do dia para a cidade, e chegamos a nossa hosteria. Jantamos uma pizza que era servida lá, e tomamos uma merecida cerveja. Dia 19/10: Pela manhã retornamos a El Calafate, e o transfer nos deixou no aeroporto. Pegamos um vôo para Buenos Aires. Chegamos de tarde na cidade. Fizemos o check-in no mesmo hostel que haviamos parado na ida, o BA Stop. Passeamos a noite na cidade, vimos a Casa Rosada, caminhamos no porto madeiro, e tomamos uma cerveja nessa noite. Dia 20/10: Nosso último dia de viagem, andamos pelo centro, conhecemos o teatro colón, compramos umas lembranças, tiramos fotos no obelisco, diversas praças na cidade.. enfim.. fizemos um mini tour na cidade.. Compramos muito alfajor para trazer ao Brasil rsrsrs, gostoso demais ! Jantamos no hostel, tomamos umas cervejas, compramos vinho e comemos bastante empanada, gostoso pra caramba também! Dia 21/10: Pegamos pela manhã um vôo de volta ao Brasil. Essa foi nossas férias pessoal.. espero que possa dar uma ajuda no roteiro de quem procura fazer um passeio parecido... só digo uma coisa. Vale muito a pena !
  20. Aos pés da Cordilheira dos Andes, a cidade de El Calafate (Argentina) é a base para quem visita o Glaciar Perito Moreno, no Parque Nacional dos Glaciares. O Glaciar Perito Moreno é sem dúvida uma das paisagens mais impressionantes da Patagônia, localizado a 80km (1h30 de ônibus) de El Calafate. São 250 km² de formação e 19 km de comprimento, mas "apenas" 1 dos 48 glaciares do Campo de gelo do sul da Patagônia Veja todas as fotos do Glaciar Perito Moreno aqui. Eu tive que me beliscar para acreditar que sem muito (ou nenhum) esforço eu poderia chegar tão perto desta obra-prima da natureza. Isso mesmo, não precisa escalar nem fazer horas de trilha, nem ir de barco para chegar pertinho do glaciar. As trilhas pelo parque são suspensas, de fácil acesso e indicadas para todas as idades (mas com degraus) e existem várias rotas que nos levam a diferentes pontos de observação. São muito bem cuidadas e inclusive há rotas para cadeirantes. Nós optamos por descer do ônibus na segunda parada (a primeira é a entrada principal e início das trilhas por passarelas) e iniciarmos as trilhas pelo ponto mais alto. A vista é incrível e a sensação de ir chegando cada mais próximo ao paredão de gelo é indescritível. Nós optamos por fazer o passeio autônomo. Existem várias empresas que oferecem esta opção de passeio e você pode comprar direto com a empresa, no guichê na rodoviária. Existem outras opções de passeios com guias que podem ser muito interessante e enriquecedora também. Sugiro que aproveite o parque sem pressa, caminhando pelas diversas trilhas no seu tempo, assim terá o maior proveito de todos os ângulos. E prepare-se, a cada novo ângulo uma nova surpresa, um novo wow e mais fotos! Custo Entrada do parque 250 ARS (+- R$90, para portadores de passaporte de países do Mercosul). Consulte o site do parque AQUI para informações atualizadas. Transporte | Empresa Taqsa - 450 ARS (+- R$50) - compramos no dia anterior na rodoviária. Valores atualizados em Janeiro de 2017. Fizemos um galeria de fotos do Glaciar Perito Moreno AQUI. Fanpage: www.facebook.com/calangosviajantes Instagram: www.instagram.com/calangosviajantes/
  21. maizanara

    Glaciar Perito Moreno - imensidão de gelo

    Já pensou em chegar pertinho desta imensidão de gelo sem precisar pedalar, escalar ou navegar? É sim possível! O Glaciar Perito Moreno é sem dúvida uma das paisagens mais impressionantes da Patagônia, localizado a 80km (1h30 de ônibus) de El Calafate, cidade base para quem visita o Glaciar Perito Moreno e os arredores. É possível fazer diversas atividades como caminhada pelas trilhas suspensas, trekking no gelo ou navegar pelo Lago Argentino. Você também pode contratar um guia, comprar um tour com uma agência ou ir sozinho mesmo, já que tudo lá é super bem marcado. Foi desta maneira que eu fui e conto AQUI no blog como foi - com custos e tudo mais! Fizemos um galeria de fotos do Glaciar Perito Moreno AQUI. Fanpage: www.facebook.com/calangosviajantes Instagram: www.instagram.com/calangosviajantes/ Inspire-se!! Bons Ventos!
  22. Blz Adriano!! Fiz a viagem em 21 dias, cerca de 12.000 Km rodados e este foi o roteiro: - Porto Alegre a Buenos Aires via Colonia de Sacramento - Buenos Aires a Carmen de Patagones - Carmen de Patagones a Comodoro Rivadavia - Comodoro Rivadavia a Rio Gallegos - Rio Gallegos a Ushuaia - Ushuaia a Rio Grande - Rio Grande a Punta Arenas - Punta Arenas a Puerto Natales - Puerto Natales a Parque Torres del Paine - Torres del Paine a El Calafate (visita ao Glaciar Perito Moreno) - El Calafate a Comodoro Rivadavia - Comodoro Rivadavia a Puerto Madryn (visita a Peninsula Valdez) - Puerto Madryn a Buenos Aires - Buenos Aires a Colônia e de lá retorno ao Brasil por Santana do Livramento. Em Ushuaia ficamos 3 dias, 02 dias em Torres del Paine, 02 dias em El Calafate e 04 em Buenos Aires. As demais localidades foram só passagens rápidas e pernoites. Em termos de custo posso afirmar que gastei muito menos que gastaria numa viagem semelhante aqui pelo Brasil, mesmo me hospedando am alguns hoteis que estavam muito acima daquilo que esperava pagar. Abraço
  23. Com picos nevados, glaciares, lagoas azuis e parques nacionais para tudo que é lado, a Patagônia, região compartilhada pelo sul da Argentina e Chile, é um dos destinos mais procurados por quem busca aventura e paisagens incríveis. Muita gente tem dúvidas sobre o que fazer neste lugar, e por isso resolvemos montar alguns roteiros para vocês! Não importa qual você escolher, a experiência vai ser incrível. Caminhando pelo Parque Los Glaciares, na Argentina Quanto custa viajar pela Patagônia? Argentina e Chile são países caros, e quando se trata de patagônia, então, a coisa é pior ainda. Isso não quer dizer, necessariamente, que você vá gastar muito para viajar por lá. Pelo contrário – foi a região da América do Sul onde menos gastamos. Os hotéis e hostels são caros, mas em todo lugar há campings, e alguns deles são gratuitos. Os ônibus custam mais do que nos outros lugares, mas você pode viajar de carona tranquilamente . Os restaurantes são para gringos, mas se você cozinhar vai fazer uma boa economia. Enfim, você pode gastar desde 10 até 100 dólares por dia, dependendo do seu estilo de viagem! Mucuvinha pedindo carona pela Patagônia Segurança Praticamente toda a Patagônia é bastante segura, o que a torna um dos destinos favoritos para quem gosta de viajar de bicicleta. Você pode acampar em qualquer lado, pedir caronas, andar pela noite e raramente algo vai acontecer. Sua maior preocupação aqui deve ser com as roupas de frio para não congelar pela noite! Clima O clima na Patagônia é complicado. Nas regiões mais desérticas, você deve tomar cuidado com as fortes rajadas de vento e com o frio pela noite. No lado com mais vegetação (geralmente o lado chileno) esteja preparado para chuvas constantes. Nas montanhas, tudo é imprevisível: pode estar um sol de rachar e em poucos minutos começar a nevar. Se for acampar, não economize em equipamentos. Uma barraca boa, sacos de dormir para temperaturas negativas e um bom isolante térmico são fundamentais! Transporte A rede de transporte público na Patagônia é bem ampla nos dois países. Em algumas zonas, como a carretera austral chilena ou a região argentina entre Esquel e El Calafate, você poderá estar sujeito a ônibus que passam somente 1 vez ao dia ou a estradas fechadas por conta de tempestades ou neve. Isso é mais um ponto que torna a carona interessante. E procure viajar sem pressa. Afinal, como eles mesmo dizem: “Na Patagônia, quem tem pressa perde tempo”. Mucuvinha na caçamba de uma caminhonete – a maneira mais divertida – e econômica – para viajar pela Patagônia. Roteiros Ok, já falamos como é a Patagônia. Agora vamos para os roteiros! Você pode combinar vários deles ou fazer pequenas adaptações conforme sua necessidade. Procuramos separá-los para que você possa curtir a viagem em um período entre 15 dias e 1 mês, pois é o tempo que a maioria das pessoas têm de férias. Se tiver mais tempo, aproveite! Ah, também procuramos organizar os roteiros chegando e saindo de lugares onde há aeroportos ou transporte fácil para o restante do país. [*] Extremo sul – glaciares, lagos, picos nevados e muitas trilhas Melhor época: verão Tempo estimado: de 15 dias a 1 mês Circuito 1 – De El Calafate ao Ushuaia Este é o nosso roteiro favorito da região. Para realizá-lo, é importante ter uma barraca e estar preparado para acampar em lugares frios (espere pegar até -5° C à noite, no verão). Em sentido horário: Glacial Perito Moreno, El Chaltén, Ushuaia e Torres del Paine Comece sua viagem por El Calafate, na Argentina, e aproveite 1 dia para visitar o imenso glacial Perito Moreno. Se tiver dinheiro, faça o trekking sobre o gelo. De lá, siga para El Chaltén (pouco mais de 1h em ônibus), o paraíso para quem gosta de trilhas. Reserve pelo menos uns 4 dias para este lugar, e não deixe de fazer a trilha para o Fitz Roy (tanto a entrada no parque quanto os campings lá dentro são gratuitos). Depois de caminhar por uma das paisagens mais lindas do continente, pegue o ônibus de volta para El Calafate e de lá siga para Puerto Natales, no Chile (em torno de 7h de ônibus). Compre muita comida e siga para o Parque Nacional Torres del Paine, onde você poderá optar por fazer o circuito W (4 a 5 dias) ou o O (9 dias). Cabo Domingo, em Rio Grande, Terra do Fogo De Puerto Natales pegue um ônibus até Punta Arenas, onde poderá realizar excursões em barco pelo Canal de Magalhães, túmulo de milhares de piratas e marinheiros que se aventuravam rumo às Índias. Daqui você pode tomar um voo para Santiago, e de lá voltar para o Brasil. Se ainda tiver tempo, siga de ônibus até a Terra do Fogo e aproveite mais uns 4 dias no Ushuaia, a cidade mais austral do mundo, antes de pegar um voo de volta para casa. [*]Rafting e trilhas pelas paisagens da Disney Melhor época: ano todo (se quiser fazer rafting é melhor ir no verão). Tempo estimado: de 10 a 20 dias (30 se quiser incluir Chiloé e Puerto Varas). Circuito por paisagens da Disney na Patagônia Neste roteiro, você vai se sentir dentro de um desenho da Disney. E isso não vai ser por acaso: a coloração laranja dos troncos das árvores, os pinheiros e as lagoas azuis sugerem que Walt Disney tenha se inspirado nestas paisagens para criar o desenho Bambi. Se quiser aproveitar as trilhas ao máximo, mergulhar em lagoas e fazer rafting, procure viajar na primavera ou no verão. Se quiser curtir a neve, vá no inverno. Uma barraca pode te ajudar a economizar com hospedagem, mas não é fundamental. Em sentido horário: Bariloche, El Bolsón, Puerto Varas, Parque Los Alerces Inicie sua viagem por Bariloche, um dos principais destinos turísticos da região. Por aí, aproveite uns 4 dias para fazer suas inúmeras trilhas pelas montanhas, ou para esquiar na neve se for no inverno. Depois, desça até El Bolsón, uma pequena cidade hippie com belas lagoas e rios. Dali siga para o Parque Nacional Los Alerces, em Esquel, onde vale a pena passar pelo menos uma noite. De Esquel pegue um ônibus para Futaleufú, no Chile, um dos melhores lugares do continente para praticar rating. De Futaleufú siga para Chaitén, uma cidade que se tornou parcialmente fantasma por conta da erupção de um vulcão. Faça algumas trilhas, aproveite a natureza deslumbrante e, de acordo com o seu tempo, pegue um ônibus direto para Puerto Montt ou um barco para Chiloé (reserve com antecedência pelo site da Naviera Austral), onde você poderá aproveitar uns 4 dias para vivenciar uma cultura singular antes de pegar um ônibus para Puerto Montt. Mucuvinha em frente a uma das belas igrejas de madeira de Chiloé Sobrou tempo? Faça um bate-volta para a belíssima Puerto Varas, onde você poderá admirar o vulcão Osorno e fazer algumas pequenas trilhas no Parque Nacional Vicente Pérez Rosales. De Puerto Montt poderá pegar um voo para Santiago, e dali retornar ao Brasil. [*]Vulcões e os 7 lagos Melhor época: todo ano Tempo estimado: 10 a 20 dias Circuito pela belíssima Ruta de los 7 Lagos Comece sua viagem por Temuco, e de lá já siga diretamente à pequena cidade de Villarrica, onde poderá aproveitar para se banhar em uma praia de areias negras, se for no verão. De lá siga para a belíssima Pucón, e contrate um tour para subir o vulcão ativo Villarrica. Depois cruze para a Argentina até Junín de Los Andes onde, se ainda tiver pique, poderá contratar um tour para subir o vulcão Junín (este trekking já é mais puxado, para quem curte aventura mesmo). Em sentido horário: Praia de areias negras em Villarrica, Pucón, Bariloche e San Martín de los Andes De Junín desça sem pressa por uma das estradas mais bonitas do mundo, apreciando cada lagoa até Bariloche. No caminho, não deixe de tomar um delicioso chocolate quente em San Martín de los Andes e de visitar o parque Los Arrayanes em Villa La Angostura. Aproveite os dias que restarem para esquiar ou fazer as inúmeras trilhas de Bariloche antes de voltar para casa. [*]Chiloé e a Carretera austral Melhor época: todo o ano (espere alguns contratempos na estrada se for no inverno). Tempo estimado: 20 a 30 dias Circuito pela Carretera Austral nicie sua jornada por Puerto Montt, no Chile, e de lá siga pela bela Ilha de Chiloé, onde poderá apreciar uma culinária excelente (não deixe de comer o curanto), viver uma cultura única e ainda apreciar belas paisagens e igrejas tombadas como patrimônios da UNESCO. Divirta-se uns dias procurando essas igrejas, antes de descer até Quellón (onde termina a Panamericana, a estrada que liga toda a América) e cruzar em barco para Chaitén (confira os horários e datas no site da Naviera Austral). A partir daí, desça toda a Carretera Austral até O’Higgins, explorando uma das regiões mais remotas do Chile. Não deixe de conferir a belíssima Coihaique, de navegar no belíssimo lago General Carrera até as Capillas de Mármol e dar um pulo em Caleta Tortel, uma cidade sem ruas. Se puder, tente fazer alguns trechos na caçamba de uma caminhonete (carona nesta região é muito fácil) para apreciar esta que deve ser a estrada mais bonita do mundo. Em sentido horário: Casas típicas de Castro (Chiloé), Carretera Austral, Coyaique e a Capilla de Mármol Desde O’Higgins pegue um barco e cruze em uma aventura até El Chaltén, o paraíso de quem gosta de trilhas. Depois de uns dias apreciando o belíssimo Fitz Roy, siga para El Calafate e visite o imenso Glacial Perito Moreno, antes de voltar para o Brasil. Para mais lugares bacanas e acompanhar nosso mochilao de volta ao mundo, curtam nossa página no face: http://www.facebook.com/mundosemfimoficial
  24. Preparativos Em julho de 2014 decidi que, apesar de adorar o carnaval de Santa Catarina, faria uma coisa totalmente diferente nessa data no ano seguinte. Consegui 2 amigos para ir junto comigo e emiti as passagens nas Aerolíneas Argentinas (10k milhas Smiles POA-FTE, 270 reais FTE-USH, 10k milhas Smiles USH-POA). Como a viagem seria de apenas 9 dias, não cheguei a elaborar um roteiro, apenas um esboço do que fazer, além de reservar as hospedagens e o aluguel de carro. Este último saiu caro, mas dividindo em 3 compensou a comodidade e o melhor aproveitamento do tempo. Às vésperas da viagem consegui uns guias do meu colega de trabalho Fernando, e no 13 de fevereiro de 2015 finalmente peguei meu mochilão (dessa vez não esqueci da câmera) e segui para o aeroporto, com uma carona do meu vizinho Marco e outra carona no vagão refrigerado da Trensurb. Ao chegar a Buenos Aires tive que trocar de aeroporto, do Ezeiza para o Aeroparque. Quem tem conexão pela Aerolíneas pode usar o translado da empresa Manuel Tienda León de graça, mas tem que pegar um comprovante em uma sala da companhia no próprio aeroporto. Importante salientar que os horários que estão no site não são confiáveis. 1° dia No meio de uma madrugada mal dormida no aeroporto, partiu meu voo para El Calafate. Do alto era possível ver o lindo azul contrastando com as estepes patagônicas. Cheguei no começo da manhã, dividi um táxi com uns brasileiros, já que saiu o mesmo preço do único outro transporte disponível, uma van que custava 100 pesos, e um tempo depois cheguei na locadora da Hertz, para retirar o veículo. Subi o morro para uma panorâmica da cidade. De lá fui para a Reserva Laguna Nimez, paraíso das aves na beira do Lago Argentino, que envolve a pequena cidade. Paguei a razoável taxa de entrada e depois do trajeto inicial meio sem graça e uma chuva fraca que insistiu em incomodar, comecei a ver espécie após espécie em uma diversidade de ambientes. Entre as mais de 20 fotografadas em algumas horas, constavam gaviões bastante dóceis, tanto que cheguei a ficar a menos de 3 metros de um deles. Também tive o primeiro contato com a fruta típica da região, o calafate, embora meio murcha e pouco saborosa por já estar no fim da época de frutificação. Era para eu ter encontrado ali a minha amiga Raquele, que já tinha viajado para lá antes, mas por uma falta de sincronismo nos encontramos apenas no meio da tarde no hostel em que ficaríamos, o I Keu Ken. O único ponto negativo desse lugar é para quem está a pé, pois ele fica no alto de um morro. Pegamos a estrada sentido norte até chegar ao hotel La Leona mais de uma hora depois. No caminho havia diversos cicloturistas e os primeiros bandos de guanacos e emas. Depois de um lanche e do atendente dizer que não poderíamos ir sozinhos no lugar em que queríamos, fomos para lá do mesmo jeito. Seguindo orientações vagas encontradas pela internet, chegamos ao vale em meio aos morros Los Hornos, onde segundo o site havia uma “depressão profunda”. Literalmente, entramos em depressão. Caminhando, passamos por diversas ossadas e encontramos o que eu queria, fósseis! A floresta petrificada conta com troncos fósseis de 150 milhões de anos. Só vimos poucos troncos e nenhum dinossauro, mas já foi o suficiente para ter valido a excursão. No caminho de volta o sol apenas começava a baixar, apesar de já ser quase 21 h. À noite, durante toda a semana, estava tendo uma festa com shows e inclusive a presença da presidenta, talvez por isso os preços estivessem tão inflacionados. Tanto que tivemos que jantar sanduíches comprados no supermercado, enquanto ouvíamos o show que nem era tão bom assim. 2° dia Pela manhã chegou meu outro amigo, o Vinícius. Partimos para o Parque Nacional das Torres del Paine, no Chile. Primeiro, uma pausa para foto da paisagem insólita no mirante. Fizemos uma escala na metade do caminho em Esperanza, ainda na Argentina. Depois de mais uma refeição à base de sanduíche, tentamos abastecer o carro no único posto em um raio de 50 km, ou possivelmente o dobro, como nos informou o frentista que, assim como uma fila de carros, aguardava o combustível chegar sabe-se lá dentro de quantas horas. Como não tínhamos todo esse tempo, arriscamos seguir em direção ao parque. Os passageiros babavam no carro enquanto eu dirigia pela monótona estrada, quando passamos pelo vilarejo de Tapi Aike. Milagrosamente havia uma bomba de combustível ali, onde já tinha visto num relato que estava desativada. Como a esperança é a última que morre, decidimos bater na casa para ver se alguma alma nos atendia, apesar de todos os outros carros passarem direto. E não é que deu certo? Embora consideravelmente mais cara, foi nossa salvação. No meio da tarde chegamos às aduanas de fronteira. Como havia poucos carros e nenhum ônibus naquela hora, até que foi rápida a travessia. Não levei alimento algum pensando que teria problema, mas a única coisa confiscada foi os sachês de mel do Vini. Outro detalhe importante é que precisa de uma autorização providenciada pela locadora para cruzar a fronteira, a um custo adicional. O primeiro vilarejo no Chile é Cerro Castillo. Possui uns 4 comércios de mantimentos apenas. O primeiro e mais turístico é caríssimo, só o utilize para fazer o câmbio. Indico esse amarelo da foto, ali o preço cai pela metade e aceita cartão de crédito. Não leve água, pois há disponível e puríssima durante todo o circuito, e cada kg a menos é muito precioso. Depois do estoque feito e mais uns quilômetros à frente, entramos na área do parque, cercada por lagoas de diversas cores, como a Laguna Amarga, com alta salinidade e lar dos belos flamingos. Na portaria de mesmo nome, tivemos a péssima notícia de que havíamos chegado tarde demais para escalar as Torres del Paine. Dessa forma tivemos que acampar no camping da hostería Las Torres e replanejar o roteiro para compensar as cerca de 5 h perdidas que faríamos naquele dia. Os campings do parque custam todos em torno de 8000 pesos chilenos, nada se comparado ao preço dos alimentos, então leve o seu junto, nem que seja daquela lojinha na fronteira. Havia uma quantidade impressionante de gringos espalhados entre o camping, o refúgio e o hotel. Assim como nos demais campings pagos, havia água quente e eletricidade, mas não tive tempo para carregar minha câmera. Inauguramos a barraca de luxo da Raquele, enquanto o Vini ficou com minha toca do Gugu emprestada. E ali começou a aventura de se dormir em um chão pedregoso sem um isolante, ao menos em meu caso. 3° dia Iniciada a caminhada com a subida dos belos morros. Logo percebi que o vento forte traria algum estrago. Dito e feito, ele arrebentou a solda do painel solar que tinha levado para carregar a câmera e o celular. Ali começou o primeiro racionamento, o de energia elétrica (o de energia humana viria posteriormente). Conheci as duas frutinhas vermelhas que cresciam junto ao solo e que fariam parte da minha alimentação durante essa jornada, a chaura e a murtilla, levemente doces e ácidas. Logo percebi que o ritmo de um dos integrantes não seria o mesmo do meu, ainda mais com o peso extra na respectiva mochila. Começou a preocupação com o tempo, já que percorreríamos uma distância bem maior do que a praticada por outros visitantes em um dia. Continuamos subindo, passando pelo acampamento Chileno, onde trombamos com um casal carioca e com a placa oficial de entrada. Comi um cogumelo bege que achei no chão e após passar a entrada do acampamento Torres, segui com os cariocas até a parte mais exposta ao vento, onde fiquei descansando por uns minutos até meus amigos chegarem. Ao completar o trecho mais íngreme, avistamos a incrível paisagem do lago glacial e dos pilares graníticos com neve em suas bases. Não há como expressar em fotos a grandiosidade daquela cena. Ainda tivemos sorte de presenciar outro fenômeno, uma tromba d’água, que pegou todos desprevenidos. Almoçamos por ali enquanto contemplávamos a paisagem e depois descemos pelo mesmo caminho por algumas horas até a bifurcação para ir ao acampamento Los Cuernos. A trilha de todo o circuito é razoavelmente bem sinalizada, embora as placas estejam voltadas para quem faz o trajeto em sentido contrário (a grande maioria). Assim, quando havia uma bifurcação, só sabíamos o caminho certo ao chegar ao seu final. Ainda bem que tínhamos GPS no celular, e que a bateria dele durou todo o tempo necessário. Caminhamos por longas horas durante esse trecho quase plano de 11 km. Quando o dia ameaçava terminar, cruzamos o último morro e vimos o acampamento de um lado e outra tromba d’água no lado oposto. Com o atraso em nosso itinerário, tivemos que acampar novamente em um lugar pago. Assim que terminamos de armar as barracas, a noite chegou. Meus amigos jantaram seus miojos de copo enquanto eu fiquei com as sobras e um sanduíche de queijo e presunto. Depois de um banho quente e uma contemplada num dos céus mais bonitos que já vi na vida, parti para a cama, ou melhor, saco de dormir. Vini não teve tanta sorte, preocupado acompanhando um rato que apareceu atrás de sua barraca. Distância percorrida no dia: 26 km. 4° dia Amanheceu um dia chuvoso e mais frio que o anterior. Nesse momento meus lábios já haviam ressecado o suficiente para rachar, e a situação só foi piorando, já que não tinha nada para botar neles. Em virtude de nosso atraso, decidimos que somente eu percorreria a segunda perna do circuito W, os demais seguiriam ao acampamento Paine Grande a 13 km e nos encontraríamos lá no fim do dia. Com isso, enquanto eles descansavam, tomei um litro de leite e coloquei a roupa impermeável para a caminhada. Pouco depois surgiu o sol, que me obrigou a trocar as vestimentas novamente. Continuei ao longo do belo Lago Nordenskjöld, já mirando o Cerro Paine Grande. Passei o acampamento Italiano, onde começava a subida do Vale do Francês. A difícil ascensão margeava um rio, geleiras e o cume da montanha, de impressionantes 3050 metros, ligeiramente superior à mais alta montanha brasileira. Nessa hora tive que pôr novamente uma roupa mais propícia ao frio e vento que fazia. Parei para comer uma maçã no mirante intermediário, de onde a maioria dos caminhantes e seus bastões não passam, e continuei subindo. Já estava bastante cansado e até um pouco atrasado no horário, quando fui agraciado por uma precipitação diferente. Pela primeira vez na vida presenciei a neve caindo sobre mim! O êxtase me deu forças para o trecho final mais duro, até o Mirador Británico. Infelizmente o clima frio e nublado não ajudou nas fotos e esgotou a bateria da minha câmera novamente, restando o guerreiro celular. Paciência, mas fiquei bem de boa lá no topo enquanto almoçava e admirava a paisagem sem uma viva alma em volta. A possível continuação da trilha estava fechada, então tive que descer. Atravessei a extensa floresta carbonizada, resultado de um incêndio de grande proporção causado por um israelense em 2012, fato que motivou a proibição de fogueiras no parque. Novamente no final da tarde, cheguei ao acampamento. Depois do jantar provamos o excelente licor de calafate que tínhamos comprado na fronteira, recomendo! Como não havia árvores no camping, o vento soprava mais forte, tanto que praticamente destruiu nossa outra barraca. Distância percorrida no dia: 23 km. 5° dia Esgotado das noites mal dormidas e caminhadas sem fim, partimos para o terceiro e esperado último dia de trilhas. Um aviso de amigo, não experimentem brincar com a flor da foto abaixo. Isso me custou um bocado de tempo para conseguir remover os espinhos que grudam individualmente na roupa. Continuando, avistamos belos icebergs na borda do Lago Grey, sinal de que a geleira estava se aproximando. E foi bem isso. Um pouco depois chegamos ao mirador do Glaciar Grey, onde a longuíssima geleira avança sobre o lago de mesmo nome e sobre uma ilha que a contém. Naquele momento, decidimos que não iríamos até o refúgio Grey, pois o horário do barco não era compatível com o nosso. Assim, voltamos até o Paine Grande e descemos até o acampamento Las Carretas, um dos trechos menos frequentados do parque e já fora do circuito W. Apesar das belas paisagens iniciais, a maior parte dos 17 km seguintes seria bastante monótona, uma pradaria sem fim, com poucas aves passando. Ao menos o trajeto era plano. Ao chegar ao camping desprovido de qualquer infraestrutura, a decisão mais difícil: ter outra péssima noite ali ou arriscar seguir caminho e conseguir carona para voltar à outra portaria onde estava o carro, há quase 50 km dali? Escolhemos a segunda opção. Chegamos à sede do parque onde passava a estrada, mas os poucos veículos que passavam em sentido norte naquele fim de dia eram transportes dos hotéis. Com isso, tivemos que pedir clemência ao responsável pela sede, um senhor que nos deixou acampar ao lado do prédio que fica na margem do Lago Toro. O senhor foi tão gentil que até me passou a senha do wifi, e eu pude avisar para minha mãe que ainda estava vivo. Improvisamos um conserto para que a segunda barraca pudesse passar sua última noite conosco antes de ir dessa para melhor. Os únicos ruídos dessa noite foram dos ventos uivantes e dos roncos do Vini. Distância percorrida: 29 km. Total: Cerca de 78 km, com um baita peso nas costas e elevações constantes de 50 a 850 metros! 6° dia Começamos bem o dia. O segundo carro que passou, com um simpático casal de italianos, deu carona para nós e para nossas mochilas até a portaria do parque. Uma hora depois lá estávamos de volta. Juntamos os últimos 8 dólares que tínhamos para pagar o translado até o hotel para eu retirar o carro. No caminho até a fronteira, flagramos um bando de condores andinos. Depois do almoço e e da aduana, voltamos por um atalho de estrada de chão, frequentado mais por animais do que humanos. De volta à cidade no meio da tarde, fomos direto para o Parque Nacional Los Glaciares. O parque, pago, consiste em uma estrada que costeia um rio até a principal atração de El Calafate, o Glaciar Perito Moreno. Plataformas te deixam bem próximo da geleira, a ponto de ver e ouvir com clareza os pedaços de gelo se partindo e desabando na água. As colunas de gelo de 60 m de altura que se estendem por até 5 km e que crescem e se despedaçam constantemente, são mais uma paisagem indescritível, especialmente durante o pôr-do-sol. Quando saímos do parque já anoitecia. A quantidade de lebres que passa pela estrada é surpreendente. Especialmente pela rota 60, que é de chão em meio a fazendas. Cruzamos por dezenas delas, felizmente nenhuma atropelada. Eu e Vini dormimos no mesmo hostel de antes, enquanto que Raquele, que ficaria mais um dia na cidade, foi para outro. 7° dia Cedinho pegamos o voo para Ushuaia, ou “Uçuaia”, como dizem os argentinos. Peguei umas dicas valiosas no centro de informações do aeroporto e, claro, carimbei meu passaporte com o selo do fim do mundo. Como Ushuaia é uma zona franca, as coisas custam consideravelmente mais barato que em El Calafate. Sendo assim, consegui finalmente almoçar de verdade, no restaurante El Turco, que fica na principal avenida do centro, a San Martín. Ushuaia não tem o mesmo charme de El Calafate, mas ainda assim é agradável. Dentro das construções climatizadas, claro, pois os ventos e baixas temperaturas limitavam as caminhadas, sobretudo em dias nublados e à noite. Reservamos o passeio pelo Canal de Beagle, escolhendo o de 750 pesos, que passava pelas ilhas dos passeios padrão e mais a dos pinguins. Estava um pouco receoso pelo alto custo, mas posso dizer que valeu muito a pena. O passeio de quase 7 h começa passando por ilhotas cobertas de colônias de aves, principalmente o cormorão, que à distância parece um pinguim. Além destes, há gaivotas, trinta-réis, albatrozes, entre outras espécies menos frequentes. Pouco à frente fica a Ilha dos Lobos Marinhos, que abriga algumas dezenas desses animais tranquilos. Continuando, se passa pelo Farol Les Eclaireurs e mais outro bando de aves iguais continuando por um bom trecho sem ilhas, com raros povoados no lado argentino do canal e o vilarejo de Puerto Williams, que disputa com Ushuaia o título de cidade mais austral do mundo, e talvez não o seja pelo fato da população ter menos de 3000 habitantes, sendo a maioria militares e pescadores. Em seguida a embarcação passa por uma estrutura geológica formada na glaciação, e após contorná-la, chega ao destino final, a Ilha Martillo, mais conhecida como Pinguinera. Incontáveis pinguins-de-magalhães se reúnem nesse pedaço de terra como parte do seu ciclo de vida, e nos brindam com essa exibição incrível. Junto a eles aparecem algumas aves oportunistas, como escuas e urubus, além de 2 outras espécies de pinguim: o Papua, que é a ave mais veloz na água, e o Rei, que é mais raro e maior que os outros que passam por lá. Quem tem muita sorte, como a Raquele que foi no dia seguinte, consegue ver alguma baleia pelo meio do canal. Para os demais, resta o longo retorno assistindo documentários sobre a Terra do Fogo e os pinguins na cabine climatizada, ou então babando no sofá como meu amigo. À noite, eu e Vini jantamos em um lugar animado da Av. San Martín chamado Chester. Comi eu queria muito comer queijo Roquefort, uma iguaria barata na Argentina, pedi uma pizza de 4 queijos só para mim, já que ele não queria. Enquanto comíamos e tomávamos a ótima cerveja vermelha da marca local Beagle, passava um pot-pourri de clipes de rock das décadas passadas. É um bom lugar para um esquenta. Retornamos em seguida ao bom hostel Yakush para dormir em seus colchões moles. 8° dia Às 10 h pegamos o transporte que sai de hora em hora da estação rodoviária para o Parque Nacional da Terra do Fogo. Duzentos pesos para ida e volta e mais 100 para entrada no parque. Começamos pela trilha que segue pela costa da Baía Lapataia, em meio às 3 espécies de árvore do gênero Nothofagus, as mesmas que havia em Torres del Paine. Não possuía grandes novidades, além de alguns passarinhos, chumaços de algas-pardas, mexilhões e grãos de areia acinzentados. Em meio à trilha estávamos morrendo de calor pela quase ausência de vento, mas quando fomos para as demais o tempo virou. Veio uma brisa do capeta e uma chuva bem chata. Uma das trilhas levava até um observatório de aves, embora nenhuma nova naquele dia. A outra até uma turfeira gigante, causada pela matéria orgânica lentamente sendo decomposta no frio e umidade do lugar. A última trilha nos mostrava o estrago causado pelos castores, resultado de mais uma introdução de espécie exótica desastrosa. A castoreira represa a água em um ponto e alaga uma baita área, onde morrem essas árvores de lento crescimento. Retornando, ainda tivemos sorte de observar uma raposa se alimentando. Nosso transporte de volta sairia às 19 h, como ainda tinha um bom tempo fomos até a cafeteria que ficava um pouco distante. Chegamos às 18:05 h, e para nossa surpresa, já estava fechada! Assim, tivemos que aguardar na sarjeta junto com um chinês maluco que ficava fotografando cavalos em atividade de cópula a nossa frente. No retorno ao hostel conhecemos uma dupla de brasilienses, Edgar e Conceição. Tentamos ir a um pub, mas o lugar não aceitava cartão de crédito, estava cheio e era quente demais. Com isso, eu e Vini jantamos no mesmo lugar da outra noite e depois degustamos um bom vinho que a dupla nos ofereceu no albergue, enquanto o staff reclamava o tempo todo da nossa conversa que beirava uns 50 decibéis. Apesar desse cara chato, a ruiva da manhã é bastante simpática. 9° dia Vini partiu de manhã cedo de volta ao Rio. Depois de um café-da-manhã reforçado, lamentavelmente sem frutas como no albergue anterior, saí para uma caminhada. Infelizmente escolhi o dia errado para as compras, pois no domingo a maioria das lojas, inclusive as de equipamentos de aventura, estava fechada. Consegui apenas comprar souvenires e ir ao supermercado pegar um bocado de alfajores de 4 pesos cada. Na ida para o almoço, encontrei Raquele voltando de um passeio e ela encontrou outra brasileira que tinha conhecido na viagem. Fomos os 3 almoçar no Banana Bar. O lugar também sai bem em conta, mas precisa urgentemente de mais de uma garçonete para atender todo mundo. Provei a outra marca de cerva, a Cape Horn. Boa, mas ainda fico com a Beagle. No retorno, pausa para um chocolate quente. Depois disso fiquei matando o tempo no albergue, pois estava cansado para ainda visitar o Cerro Martial, a outra atração da cidade, e sem dinheiro vivo para os museus. Peguei o táxi e quando fui embarcar descobri que tinha uma maldita taxa de 28 pesos separada da passagem para pagar em dinheiro. USH-AEP, EZE-POA e finalmente de volta direto ao trabalho! Ps: Se você curtiu as dicas, quer economizar ainda mais, conhecer outros destinos e apoiar novas relatos, não deixe de conferir meu blog! http://www.rediscoveringtheworld.com
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