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  1. Ola pessoal. Esse aqui é um relato da travessia do Complexo Lagamar, localizado na divisa do litoral do SP/PR. Iniciamos essa trip no dia 01 de Maio por Paranaguá onde pegamos um barco até a vila principal do Parque Nacional do Superagui e de lá seguimos na caminhada até a Vila de Marujá, na Ilha do Cardoso, chegando no dia 04. O total dessa caminhada chegou a pouco mais de 40 km. Estavam na trip, eu, a Márcia e o Wilinha. Durante essa caminhada pegamos chuva intensa com frio e ventos e nos dois últimos dias um Sol muito forte. Fotos + imagens do Google Earth com trilha plotada estão no Google +: Feriado prolongado de 4 dias do 1º Maio chegando e o frio e a chuva (típicos do Outono) nada de dar as caras, então pensei numa trilha no litoral e como a Márcia já tinha comentado comigo sobre a llha do Cardoso, surgiu a idéia de fazermos a Travessia do Lagamar, começando pelo Parque Nacional do Superagui (PR) e terminando na Ilha do Cardoso (SP). Peguei algumas dicas da Revista do Beck e fiquei estudando a melhor opção para essa travessia e devido à logística, tanto da ida como da volta, optamos por iniciar em Paranaguá e terminando na Ilha do Cardoso. Algumas pessoas se mostraram interessadas, mas no final só o Wilinha que resolveu embarcar nessa empreitada comigo e com a Márcia, talvez em parte pela mudança no tempo que prometia chuvas intensas naquele final de semana do feriado. No final vimos que a chuva não chegou a atrapalhar, mas sim o Sol muito forte que apareceu nos últimos dias da travessia (esse sim, tornou o final da caminhada muito cansativo - se pegássemos Sol no 1º dia íamos sofrer muito). Marcamos de eu e a Márcia encontrarmos o Wilinha na Rodoviária do Tietê por volta das 23h30min de Quarta-feira (30/04) para embarcar as 23h45min em direção à Curitiba pela Viação Itapemirim. Nosso objetivo era chegar na cidade por volta das 06:00 hrs e com isso a tempo de embarcar no ônibus das 06h30min pela Viação Graciosa em direção a Paranaguá, mas não contávamos com um atraso do ônibus que só foi chegar em Curitiba por volta das 07:00 hrs. Por sorte tinha outro ônibus saindo as 07h30min, mas para nossa infelicidade já estava lotado e com isso restou a opção de comprar para o horário das 08h30min pela Viação Princesa dos Campos, chegando em Paranaguá pouco antes das 10:00 hrs com tempo bom e Sol. Agora nós tínhamos que procurar algum barco que seguisse para o Superagui e lá fomos em direção ao cais, próximo ao centro histórico da cidade. Lá um barqueiro estava juntando algumas pessoas (tinham + - 10), mas na opinião dele insuficiente para realizar a saída do barco. Torcíamos para que chegassem mais pessoas, mas em vão. Nossa alternativa era pegar um barco para Guaraqueçaba e de lá tomar outro para o Superagui, mas sem a certeza de chegar no Superagui naquele dia. Quando já estávamos com essa opção acertada, a Ana (uma das 10 pessoas que também iriam para o Superagui) veio com uma boa notícia. Ela tinha encontrado ali próximo o César (dono do barco Megatron e que sempre faz esse trecho) e já que ele estava de saída para o Superagui tudo se encaixou perfeitamente, marcando a saída para as 12:00 hrs e como tínhamos bastante tempo até lá, fomos conhecer uma parte da cidade, onde existem belos casarões e depois comer alguma coisa. O valor era de $35,00/pessoa e saímos pouco depois das 12:00 hrs e só restava uma dúvida: o mar estava agitado e talvez tínhamos que chegar no Superagui por Guaraqueçaba, a fim de evitar o mar aberto e suas ondas fortes, mas em contato por rádio com a ilha, disseram que dava para chegar por mar aberto. Mas não contávamos com a garoa que começou a cair assim que passamos próximo da Ilha das Peças, pois era um sinal de que poderíamos pegar ventos fortes e ondas quando chegássemos em mar aberto e foi o que aconteceu. Até o César avisou que o barco ia dar uma chacoalhada. Não demorou muito e logo o barco subia e descia onda e por pouco o que eu comi em Paranaguá não serviu de alimento para os peixes. A ânsia de vomito foi grande e em alguns momentos o barco teve de desligar o motor para esperar algumas ondas fortes passarem. Passamos apertado por esse trecho, mas conseguimos. Refeitos do susto, chegamos no Superagui as 14h20min com chuva e o tempo totalmente fechado. Para nossa tristeza, a chuva que a meteorologia tinha previsto estava chegando no litoral naquele dia. Depois do desembarque, fomos nos esconder da chuva até que ela diminuísse e depois seguimos para o Camping do Pacheco, que estava vazio. Um casal e mais uma pessoa (que vieram no barco) também foram para esse mesmo camping e com a trégua da chuva deu para montar as barracas e ainda cobri-las de lona, fornecida pelo Seu Pacheco. O local é plano e dispõe de energia elétrica e chuveiro quente. Existe até um fogão a gás com algumas panelas (ideal para quem não tem fogareiro). O valor era de $5,00/pessoa. Depois das barracas montadas, eu, a Márcia e o Wilinha fomos caminhar pela praia e procurar algum bom lugar para comer. Ainda passamos no Bar Akdov (local onde normalmente tem forró) e marcamos de jantar no restaurante em frente ao trapiche e aqui conhecemos um casal de Curitiba e ficamos conversando durante um bom tempo. Voltamos para o camping já de noite e por volta das 20:00 hrs todos os 3 já estavam dentro da barraca e só uma coisa nos deixou preocupados: pouco depois de começarmos a dormir a chuva voltou e mais forte ainda e não parou mais, chovendo a noite toda. Logo pela manhã, vimos que as lonas tinham resistido a intensa chuva e não deixaram entrar água nas barracas, mas percebemos que a chuva não ia parar e não tivemos alternativa senão o de desmontar as barracas e seguir na caminhada mesmo. Por volta das 09:00 hrs nos despedimos de Seu Pacheco e seguimos em direção à Vila de Barra de Ararapira, ainda acerca de 27 Km. Aqui a única opção é pegar uma trilha que segue por dentro da ilha, evitando com isso a travessia da foz de um rio que deságua na praia, que é muito difícil, ainda mais com as chuvas intensas. A trilha para a Praia Deserta sai próxima do camping (na dúvida é só perguntar ao Seu Pacheco) e depois de uns 5 minutos segue por uma bifurcação da direita e logo chegamos em algumas casas e aqui existe uma placa apontando trilha para o lado direito. Daqui para frente a chuva diminuiu e seguimos pela trilha sem erro. Depois de uns 40 minutos de trilha, chegamos ao primeiro obstáculo: a travessia de um pequeno rio com largura de uns 5 metros e pela cor escura da água parecia ser bem fundo. Eu e o Wilinha voltamos alguns metros e entramos na mata para tentarmos encontrar algum desvio para que pudéssemos atravessar o rio em um lugar seguro, mas em vão. Quando estávamos voltando, encontramos a Márcia tentando atravessar o rio e deu para ver que ali não era tão fundo, para sorte nossa. Com a ajuda de um galho todos atravessamos sem maiores problemas e seguindo a trilha ainda passamos por mais uns 3 rios, porém não tão fundo quanto o primeiro e quando já estávamos chegando perto da praia, a chuva voltou e aqui encontramos um casal de bikers que estava vindo de Barra de Ararapira. Disseram que teríamos problemas quando chegássemos na Vila, porque a maré estava alta e os rios que desaguavam perto da Vila estavam bem cheios (Seu Pacheco tinha passado para gente de que deveríamos pegar uma trilha na mata para evitar a região da praia onde a maré estava alta, então não ficamos preocupados com isso). O casal de bikers tinha tido dificuldades para encontrar o caminho, na qual a gente estava, pois eles não viram a trilha e tinham continuado pela praia, mas quando chegaram na foz do rio, tiveram que retornar, porque a travessia naquele ponto estava impossível. As 10h40min nos despedimos deles e mais alguns metros chegamos na areia da praia. Aqui o vento estava contra e o frio e a chuva dificultavam ainda mais a caminhada. De vez em quando a chuva diminuía, mas ela não parava. Devido à chuva e aos ventos, a maré estava alta e quase não sobrava espaço na areia da praia para a caminhada. Alguns trechos tivemos que seguir pelo barranco, onde havia vegetação e a areia não estava tão fofa. Pelo GPS do Wilinha, nosso ritmo de caminhada estava em 3,5 Km/h. Por volta das 13h30min a chuva e o vento cessaram e com isso paramos mais uma vez para descansar e fazer um lanche em frente a uma trilha que dá acesso a algumas casas de pescadores. Com as roupas encharcadas retomamos a caminhada, mas agora sem a chuva, o frio e o vento. Até aumentamos o ritmo da caminhada, Junto da areia encontrei uma bola de futebol infantil e fui chutando ela durante um bom tempo. Passamos ainda por alguns rios que desaguam na praia, mas todos de fácil travessia. A água desses rios é um pouco salobra devido a mistura com a água do mar, por isso traga água da Vila. As 15h20min paramos novamente na entrada de um pequeno sítio, marcado por um tanque de reservatório preto trazido pelo mar e enquanto estávamos comendo começaram a surgir os primeiros raios do Sol. Nesse momento a dona do sitio (D. Jandira) apareceu e ficamos conversando por um certo tempo. Dizia que sua família sobrevive da pesca, mas é um lugar longe de tudo. As 15h40min retomamos a caminhada, agora mais tranquilos porque já podíamos ver a Ilha do Cardoso ao fundo. Conforme íamos contornando a Ilha e adentrando pelo canal, percebemos que não ia ser tão fácil chegar na Vila. Nesse ponto da entrada do canal, a maré alta fez estragos na praia, derrubando inúmeras árvores e impedindo o acesso a Vila pela areia da praia. Agora era procurar a trilha que entrava na mata à esquerda informada pelo Sr. Pacheco, mas com as arvores caídas não ia ser fácil encontrar o início dela. Por sorte, quando estávamos chegando, encontramos um barqueiro que nos orientou sobre o local exato, onde a trilha se inicia e depois de uns 10 minutos avançando por entre as árvores caídas, achamos o início dela e aqui tivemos que subir o barranco que separa a mata da praia (as coordenadas geográficas desse ponto da entrada da trilha estão no final desse relato). Depois de uns 20 minutos seguindo por trilha no meio da vegetação alta, voltamos para a praia, mas saímos em um ponto onde a maré permitia a caminhada pela areia e daqui pra frente tivemos que atravessar alguns rios e em um certo trecho só foi possível com o barco do Reginaldo (o mesmo que nos orientou sobre a entrada da trilha), pois o rio estava bem fundo por causa das chuvas. Ainda caminhamos alguns minutos pela areia da praia e as 17h20min chegamos em frente ao Camping das Palmeiras que é uma das primeiras casas de Barra de Ararapira. O lugar estava vazio e sem ninguém para nos atender - o local não é gramado, mas pode ser uma boa opção para acampar. Seguimos Vila adentro até chegar na Igreja onde encontramos um orelhão que funcionava através de ondas de rádio (o único em um raio de vários kms). Perguntamos a um morador (Seu Coto) sobre a travessia do canal até a ilha do Cardoso e ele disse que poderia fazer e cobraria $5,00/pessoa, que estava ótimo para gente. Sobre o camping falou que poderíamos ficar em seu próprio quintal e que cobraria $5,00/pessoa também. Não pensamos 2x e montamos nossas barracas no mesmo local de outros mochileiros que tinham ficado por lá 5 dias. Eu e a Márcia usamos o chuveiro quente da casa e depois nós três ficamos conversando com Seu Coto durante um bom tempo e em seguida fomos preparar nosso jantar na varanda da casa. O que nos deixou muito contentes foi ver um céu totalmente estrelado sem uma nuvem sequer. A única coisa chata foi o furto de nosso salame por alguns gatos que estavam na varanda, que estavam mais famintos que a gente. Marcamos com Seu Coto que iríamos atravessar o canal por volta das 08:00 hrs e em seguida fomos dormir. Pouco antes das 07:00 hrs acordei com o Sol forte batendo na barraca e tirei algumas fotos desses primeiros raios. Ainda conseguimos ver alguns micos-leões da cara preta comendo coquinhos, próximos da casa. Era uma quantidade grande de micos. Dava para notar que os maiores carregavam alguns filhotes nas costas. Depois de vários clics fomos desmontar as barracas. Agora era se despedir de todos e cruzar o canal de barco em direção ao Pontal do Leste, já na Ilha do Cardoso onde desembarcamos depois de 10 minutos (as 09h30min). Aqui é o extremo sul do estado de SP e daqui seguimos por um caminho passando por algumas casas até chegar na praia onde iniciaríamos a longa caminhada de 15 km até a Vila de Marujá. Conforme avançávamos pela praia em direção a Vila, o Sol castigava mais e mais e o cansaço já era bem maior que o dia anterior mesmo sendo uns 12 km a menos de caminhada. O problema era encontrar trechos de sombra e o único estava a + - 1h30min de caminhada. Quando chegamos em alguns pinheiros paramos para descansar e comer alguma coisa e ficamos aqui por uns 40 minutos. Bem ao longe já conseguíamos ver alguns banhistas na praia, próximos de Marujá ainda a cerca de 1 hora. As 13h20min chegamos na Vila e a primeira coisa que fizemos foi procurar algum camping para montar a barraca e ainda conhecer a Praia da Lage. Ficamos no Camping da Débora e acertamos com ela o café da manhã para o dia seguinte. No local funciona também uma pousada, mas já estava lotada. Depois de instalados seguimos para a Praia da Lage que estava a cerca de 1 hora de caminhada, mas quando estávamos passando pelo costão eu e a Márcia resolvemos parar ali mesmo para apreciar o pôr do Sol. Logo voltamos para o camping e durante a noite ainda fomos procurar um local que vendesse a famosa cataia, que na verdade é uma pinga misturada com folhas da planta. A impressão que tivemos é de ser uma pinga mais forte, nada mais. Ainda passamos no Restaurante do Beto para acertar o barco em direção a Cananeia para o dia seguinte as 14:00 hrs. O mais difícil da noite foi aguentar o barulho de um forró e música ao vivo que estava próximo dali, que só foi terminar por volta das 02:00 hrs da madrugada. No dia seguinte o Wilinha seguiu com um amigo dele para levar um grupo de turistas a uma cachoeira próxima e eu e a Márcia fomos para a Praia da Lage onde ficamos até as 11h30min. Nessa praia quando estávamos atravessando o costão, uma onda muito forte (era a ressaca do ciclone que estava chegando) molhou a câmera fotográfica e dali em diante não pude tirar nenhuma outra foto. De volta ao camping arrumamos nossas coisas e seguimos para a frente do Restaurante do Beto de onde o barco iria sair. O barco na verdade é uma voadeira e só estávamos eu, a Márcia, o Wilinha, o Beto, um amigo e o filho dele. O valor ficou em $35,00/pessoa. A travessia de Marujá até Cananeia levou cerca de 50 minutos e o visual é lindo - vários outros pequenos canais vão aparecendo ao longo do trecho e tivemos a oportunidade de ver várias vezes golfinhos, tanto no canal quanto na chegada em Cananeia, onde aportamos pouco antes das 15h30min. Agora era comprar as passagens para São Paulo no horário da 16h30min o que não foi difícil, já que o ônibus estava relativamente vazio. O problema foi que ao longo do percurso foi parando várias vezes para pegar mais passageiros e quando chegamos em Registro, encontramos um outro ônibus que estava saindo em direção à São Paulo e tínhamos a informação de que esse outro ônibus iria chegar mais cedo em Sampa, então não pensamos 2x - trocamos de ônibus na hora e sem pagar nada a mais por isso, chegando no Terminal Barra Funda pouco depois das 22h30min. Depois eu posto algumas dicas e infos úteis Abcs
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