"Já fazia mais de hora que o sol havia nos abandonado, quando uma tempestade desabou sobre nossos ombros. A noite era tão escura , que eu mal enxergava o Thiaguinho que desembestou na dianteira, ladeira abaixo e quando tentei acionar os freios, as rodas trepidaram, balançaram de um lado para o outro e eu me vi totalmente desamparado , virei passageiro daquela geringonça dos anos 80. A velocidade só fazia aumentar, pensei em me jogar pro barranco, mas as valetas laterais teriam me moído no buraco. Tento manter a calma, mas as minhas energias depois de mais de 12 horas de pedalada, me levam a um transe de resiliência. Penso em pular, mas aí me vem a lembrança, o dia em que eu e meu irmão, numa infância distante, nos jogamos de cima de uma bicicleta sem freio, numa ladeira da nossa aldeia e acabamos sendo trucidados pelo chão. Enfio o tênis na roda traseira, mas o solado do maldito é daqueles tênis de atletismo e o atrito não resolve porra nenhuma. Mesmo assim, continuo tentando e quando vejo que o terreno se arrefeceu um pouco, boto os pés no chão e ao encontrar um amontoado de areia, pulo, como quem pula de um caminhão desgovernado, mas sem soltar as mão da bicicleta. Fico no cai, mas não cai, danço conforme a ondulação do terreno, até que quando me vejo estabilizado, largo mão daquela merda e me esparramo na areia molhada, enquanto o veículo do satanás, de duas rodas, segue seu caminho até se deter mais à frente. Eu não sou mais ninguém, o ciclista animado da manhã, agora parece um ser que não consegue se sustentar sobre as próprias pernas , estou acabado, a vontade é sentar e chorar."............................
No centro do Estado de São Paulo, a 200 km da sua capital, uma região de incontáveis atrações naturais, ainda se mantém muito longe do turismo de massa, ainda que sua cidade mais famosa, BROTAS, acabe por cooptar a maioria do turismo, se intitulando a Capital da Aventura no Estado. Mas a região vai muito mais além do que a sua cidade mais famosa, na verdade, são dezenas de cidade compondo uma grande região turística, mas que sinceramente, até para mim que vivo ao seu redor, me soa um pouco confuso. Costuma-se denominar algumas cidades como CHAPADA GUARANÍ, que seriam cidades encima de uma grande mesa basáltica, um incrível chapadão, uma espécie de, guardando as suas devidas proporções, Chapada Diamantina Paulista.
Acontece que, embaixo desses chapadões, também temos pequenas cidades de belezas muito cênicas, aliás, são cidades que recebem as águas que despencam das mesas e é por onde se pode acessar algumas cachoeiras. Mas não é só isso, são cavernas, formações rochosas, vilarejos charmosos, trilhas para motocross, jeep, bicicleta, formações rochosas, morros testemunhos, mirantes de perder o fôlego. Algumas dessas cidades compõe o CIRCUITO DA SERRA DO ITAQUERI e outras o circuito CHAPADA GUARANÍ, na verdade, uma salada difícil de compreender porque várias cidades acabam por fazer partes de todas as denominações e como a região é gigante, o governo do Estado e secretaria de turismo, ainda dividiu em outra região que chamou de circuito CUESTA PAULISTA.
Já fazia anos que o Thiaguinho me cobrava uma pedalada nessa região e como eu não me manifestava, colocando uma data, ele simplesmente me forçou a sair da moita e numa sexta-feira à tarde me informou que passaria na minha casa, sábado à noite e me pegaria com seu carro, porque já era hora da empreitada sair do papel. Coube a mim elaborar um roteiro, já que, apesar de frequentar muito a região, eu nunca tinha me aventurado sobre 2 rodas, então decidi que o nosso ponto de partida seria a minúscula e pacata IPEÚNA, uma charmosa cidadezinha de meia dúzia de habitantes, onde eu pretendia estacionar o carro e fazer um circuito tranquilo, de uns 60 km de pedaladas, subindo a chapada e voltando para o mesmo lugar.
Por volta das 8 da manhã, estacionamos na praça central de Ipeúna, bem da rua abaixo da sua igreja central, em frente da base policial. O Thiaguinho sacou logo sua bike de última geração e eu tomei posse de um trambolho fabricado na década de 80, uma bicicleta bem conservada, mas sem as tecnologias atuais, apenas algumas mudanças aqui e ali, mas no final do dia, eu iria descobrir que não havia sido suficiente.
O nosso caminho seguiu exatamente pela rua que estávamos e em poucos minutos, numa curva, deixamos o asfalto e ganhamos as estradas de terra junto à uma bifurcação. Logo o caminho desembesta para baixo e desce até um vale e aí a subida desafia nossa capacidade de pedalar, ainda com o corpo frio, mas eu logo arrego e empurro ladeira acima e quando se estabiliza, a estrada vira um amontoado de areia e logo à frente, uma bifurcação junto à uma placa, faz a gente parar e admirar os paredões avermelhados da Serra do Itaquerí, de frente para uma formação característica conhecida como CABEÇA DE ÍNDIO. É a primeira vez que o Thiaguinho tem contato com essa paisagem e realmente, é uma visão lindíssima e surpreendente por estar tão perto da capital e ser conhecida por poucos.
A previsão de mal tempo não se confirmou, o sol já queima sem piedade e na bifurcação, pegamos para a direita e vamos seguir como quem vai ao encontro da Cabeça de Índio e cerca de 6 km desde a cidade, uma porteira lateral nos chama a atenção para um mirante espetacular para a grande formação rochosa, então nos detivemos por um tempo para um gole de água e uma foto.
O terreno parece que vai se estabilizar, mas hora ou outra, nos deparamos com alguma ladeira e o calor inclemente da manhã, vai minando nossas energias. O cenário é muito bonito e nossa direção vai seguir o caminho que nos levará para a subida da serra. Antes de subir a serrinha, eu pretendia deixar as bikes escondidas e tentar reencontrar a Gruta da Boca do Sapo, mas achei que perderíamos muito tempo nela, haja visto que esse roteiro eu havia estabelecido para ser feito em 2 dias e estava apenas adaptando a quilometragem para um único dia, então passamos batidos e iniciamos a subida da serra, abandonaríamos a planície local e subiríamos de vez para os chapadões, era hora de ganharmos altitude.
Nossa pedalada inicial então chega ao km 12, que de bicicleta poderia significar absolutamente nada, mas diante do terreno arenoso e das primeiras subidas intermináveis sob um sol escaldante, já faz a gente começar a botar a língua de fora. No início da subida da serra o terreno vai se elevando lentamente, mas não dá nem 300 metros e pedalar já não é mais opção, não só pelo terreno inclinado, mas pelas grandes pedras que inviabilizam a progressão montado nas bikes . Empurrar bicicleta ladeira acima é um martírio que vamos absorvendo, um sofrimento que é preciso passar, sob o pretexto de que quando chegarmos lá encima, tudo vai ser diferente, e é vivendo nessa ilusão que nos apegamos à nossa força interior e quando atingimos uns dois terços do caminho, nos deparamos com um MIRANTE que nos faz voltar a sorrir novamente e continuar acreditando nas mentiras que a nossa cabeça criou.
Como não há sofrimento que dure para sempre, uma última curva da serra é deixada para trás e do nosso lado direito, meia dúzia de eucaliptos força a nossa parada e mesmo que ainda não seja definitivamente o fim da subida, será ali que abandonaremos provisoriamente a estrada, em favor de uma TRILHA que sai à direita e entra num capinzal alto, tão escondida que se não forçar passagem na alta vegetação inicial, quem não conhece e não tem nenhuma referência, passará batido.
Levamos cerca de 45 minutos empurrando as bicicletas para ganharmos quase todo o chapadão e agora, vamos abandoná-las no mato e ganharmos a trilha a pé, rumo a uma das grandes joias da Serra do Itaqueri . Então, forçando passagem no capim alto, uns 10 metros depois a trilha surgirá, aberta e bem consolidada, vai se curvar para a esquerda e descerá meio que em nível até começar a despencar de vez, curvar quase 90 graus para a direita, onde encontraremos uma arvore monstruosa e começar a percorrer um paredão de arenito que estará a nossa direita.
Não há erro, é preciso se manter quase que colado nos paredões, às vezes não mais que 5 metros de distância deles, passamos por um filete de água que despenca de cima do próprio paredão, onde poderemos abastecer os cantis, contornamos um terreno encharcado até que surpreendentemente, daremos de cara com a enorme boca da GRUTA DO FAZENDÃO.
Para quem chega, pode se surpreender com as pichações do passado, mas hoje praticamente essa prática cessou e mesmo não havendo nenhuma fiscalização, pelo estado que encontramos a trilha, percebemos que a gruta quase não está sendo visitada. Ao subir as pedras que antecedem a entrada da gruta, é possível sentir a grandiosidade do seu pórtico. A gruta do Fazendão é daqueles lugares que sempre gosto de levar os amigos e apresentar como sendo parte do meu quintal, já que a maioria do meu círculo de amizades, ligadas ao mundo de aventura, são de gente da Capital Paulista e eu acabo por me tornar um dos poucos representantes do interior. Uma vez inventei de trazer uns amigos na gruta, alguns deles jamais haviam entrada numa caverna antes, apesar de já serem exploradores que já rodaram meio mundo. E mesmo os que já estiveram em cavernas, nunca tinha entrado em cavidades areníticas, onde em algumas é preciso se rastejar feito um lagarto. E um desses amigos passou mal, deu pit, simplesmente teve uma crise de pânico e tivemos que evacuar a gruta às pressa, o que no final, rendeu muita zoeira e altas risadas.
Nos apossamos das nossas lanternas e subimos os blocos de pedras, que num passado muito distante, desmoronou do teto. No início, a impressão é que a gruta não passa de uma pequena cavidade, baixa e sem muito interesse, mas em um minuto a desconfiança da lugar a grandiosidade . Um corredor gigante se abre e o teto se eleva e nos surpreende, porque 2 minutos depois, a escuridão absoluta toma conta do lugar e quem não está familiarizado com esse tipo de ambiente, já começa a ter um desconforto. Num primeiro momento, a gruta é horizontal, anda-se em pé porque o espaço é amplo, com um grande corredor . O teto é alto , mas o chão apresenta irregularidades , onde algumas fendas vão deixando os visitantes de primeira viagem, um pouco desconfiádos.
Eu sigo à frente, fazendo as vezes de guia, mas já conhecedor dos caminhos que vão levar aos becos mais aventureiros, rapidamente abandono o caminho fácil e desimpedido , em favor de uma greta a direita do caminho, encostando na parede da caverna., onde desço por uma pequena rampa até me ver de frente à um buraco de rato.
É aqui que começa a brincadeira, num buraco de uns 50 centímetros de largura por uns 10 metros de comprimento, iremos adentrar no corredor de arenito, nos rastejando feito vermes, encostando nossas barrigas no chão e ganhando terreno metro à metro , até nos vermos dentro de um grande salão no centro da terra, com seu teto alto , sua temperatura gelada , uma cena iluminada pelas luz das nossas lanternas, como quem adentra nas histórias de Júlio Verne.
O Thiaguinho passou muito bem e parece se encantar com o novo ambiente e mesmo eu, acostumado à exploração de cavernas desde os primórdios da minha vida de aventura, ainda consigo me surpreender com esse mundo fascinante.
Uma nova passagem em formato de um pequeno pórtico, nos leva para outro salão, tão grande quando os 2 primeiros e a saída desse terceiro salão, é pela esquerda, subindo rastejando numa rampa , que vai passar por uma perigosa e profunda fenda e então virando para a direita, chegando ao salão dos morcegos , um amontoado de centenas deles, que estão agrupados no teto e ao sentirem nossa presença e nossas lanternas, tomam conta da caverna, voando de um lado para o outro, às vezes trombando nas nossas cabeças.
A saída é retornar para a esquerda, cruzando por uma passarela natural sobre a fenda que havíamos passado, com cuidado para não cair em outras cavidades, avançando lentamente, vagarosamente, até perceber ao longe, um facho de luz que nos indica a saída ou seja , o nosso ponto de partida. Foi uma exploração proveitosa e antes de deixarmos a gruta para trás, fizemos uma parada para um lanche e um gole de água.
Retornamos pelo mesmo caminho que viermos, agora subindo lentamente até reencontrarmos nossas bicicletas e ganharmos novamente a rua. Ainda iremos subir por uns 200 metros até que o terreno se estabiliza de vez, definitivamente agora, estamos em cina da CHAPADA PAULISTA, galgamos com dificuldade, mas enfim subimos à grande mesa . Logo à frente cruzamos por uma lagoinha à nossa esquerda, onde penso em me jogar , mas menos de 5 minutos , também à nossa esquerda, uma lagoa gigante desafia a minha capicidade de resistir, mas não resisto e não faço nenhuma questão. Jogo a bike no capim, tiro meu tênis e com roupa e tudo , saio correndo e me jogo na água. O calor tá de lascar e o Thiaguinho vem junto e em um minuto, somos dois moleques se regozijando nas aguas mornas .
Voltamos à estradinha até que ela chega a uma espécie de “T”, aí vamos pegar para a direita. Estamos agora indo ao encontro da Cachoeira da Lapinha e estradinha ao chegar a um cruzamento em forma de triangulo, nos obriga a viramos para a direita e aí vamos descer pra valer, tentando segurar os freios até quando ela se estabiliza, passa por uma floresta de eucalipto e aí temos que nos deter junto a um pequeno riacho que despenca no vazio, formando a cachoeira em questão.
A CACHOIERA DA LAPINHA, também é conhecida como Cachoeira do Carro Caído, devido a uma carcaça de um veículo que se encontra nos pés da queda. No passado, a gente explorou todo o vale vindo por baixo, mas a cachoeira estava com pouca água e não há propriamente uma trilha que se possa chegar partindo de cima, mas com um pouco de habilidade e sem medo dos riscos, é possível descer pela esquerda dela, desescalando uma parede perigosa, mas não ali onde a queda despenca, claro, tem que se afastar uns 300 metros, cair no leito do rio e subir até onde ela despenca.
Nos despedimos da Cachoeira, atravessamos a pontinha e seguimos adiante, apreciando as florestas de eucaliptos e sempre seguindo na principal, nosso rumo vai tomar a direção do Bar do Valentim, onde está a Cachoeira São José, sempre atentos as placas. Da Cachoeira da lapinha até a Cachoeira São José, serão exatos mais 6 km de pedalada e é um caminho belíssimo e agradável, por ser quase só descida e quando lá chegamos, nossa quilometragem vai bater exatos 25 km, pouca coisa, mas não se engane, a atividade não foi feita só de pedalar, então, já um tanto cansado, estacionamos junto ao bar, onde dezenas de pessoas se amontoam, gente de bike, de moto, de jeep, corredores de montanha, ali é parada para todas as tribos.
O bar é onde se pode tomar umas cervejas, uns sucos, comer alguma coisa ou somente descer as escadarias e ir tomar um bom banho na CACHOEIRA SÃO JOSÉ, porque a entrada é gratuita. A cachoeira não é muito alta e suas águas escuras são proveniente de terrenos areníticos com rochas basálticas, portanto, a água é avermelhada, meio cor de barro, mas com o calor que está fazendo, não vamos ficar de mi-mi-mi e não demorou muito pra gente se enfiar embaixo dela e lá ficar, aplacando o calor intenso dessa final de manhã.
Uns 15 anos atrás, eu havia chegado até aqui, mas vindo motorizado, foi quando nosso 4x4 atolou dentro de um rio e eu e minha filha ficamos horas tentando desatolá-lo, lutando contra o tempo e contra uma tempestade que se avizinhava, não levasse a gente embora caso enchesse o riacho. Acampamos próximo ao bar, mas não chegamos nem a conhecer a Cachoeira, que estava fechada. Então a partir de agora, todo o caminho à frente seria uma novidade também para mim.
Montamos nas bicicletas e prosseguimos, mas não deu nem 500 metros, fomos obrigados a desmontar novamente. O cenário que nos foi apresentado era surpreendente, sem aviso prévio, um cânion de proporções gigantescas surgiu à nossa frente. E não posso nem negar que desconhecia a sua existência, já que tinha ideia que havia uma cachoeira que despencava ali nas redondezas do bar, mas nunca que eu iria imaginar que seria daquela magnitude.
O CÂNION PASSA CINCO, me desconcertou, ainda que a grande cachoeira de mesmo nome, tivesse a sua vista muito prejudicada. Mas era mesmo surpreendente, um gigantesco abismo com bem mais de 100 metros de altura, de onde 2 quedas d’agua se precipitavam no vazio, emolduradas por uma floresta verdinha.
Claramente, por ali seria impossível descer ao fundo do cânion, então retomamos o arremedo de estrada e em mais 1,5 km, numa bifurcação tripla, vamos quebrar para esquerda e uns 150metros depois, vai surgir à direita, uma trilha que irá nos levar definitivamente para dentro do cânion. Estamos na TRILHA DO LISINHO, uma trilha somente para quem pratica motocross, com veículos especializados e com experiência vasta no assunto, evidentemente, não é nem de longe uma trilha para bicicletas, mas como ninguém havia nos dito nada, embicamos a nossa bike e fomos nos fuder naquela desgraça.
Logo no começo, já vimos que seria uma encrenca, mas sem conhecer, esperávamos que o terreno melhoraria mais à frente. Ledo engano, cada vez foi é piorando mais. As valetas eram capaz de engolir nossa bicicletas e era praticamente impossível pedalar e quando tentávamos, não era raro cairmos nos buracos e termos nossas canelas dilaceradas pelos pedais que batiam nas paredes laterais e voltavam nas nossas pernas. Aquilo foi um verdadeiro inferno, ainda que a gente se divertisse com a pataquada que acabamos nos metendo, a descida foi minando nossa energia, já que o calor ainda se mantinha insuportável.
Levamos uma meia hora ou mais para chegar ao fundo do cânion, mas mesmo assim, as trilhas ainda se mantinham confusas, parecia que não iam dar em lugar nenhum e empurrar as bicicletas já foi se tornando um verdadeiro martírio. Claro, a gente não se deu conta de que estávamos tomando decisões erradas e que deveríamos ter abandonado as bikes e seguido á pé por dentro do cânion, até conseguirmos interceptar as grandes cachoeiras. Mas chegou uma hora que a gente resolveu voltar, simplesmente o dia já começava a escorregar por entre os dedos e já havíamos passado das 14 horas e aí nos demos contas que não tínhamos mais tempo para explorações, era hora de voltar ao nosso roteiro original.
Dentro do cânion, junto ao rio que corta todo o vale, resolvemos que deveríamos atravessar para o outro lado, tentar achar um caminho que subisse as paredes opostas do vale, porque voltar pela trilha do Lisinho, estava fora de cogitação. Então atravessamos o rio com as bicicletas nas costas e ao chegarmos no centro do cânion, o horizonte se abriu e interceptamos uma sede de fazenda totalmente abandonada, um lugar lindíssimo, onde chegava uma estrada. Essa estrada ao chegar ao casarão abandonado, se transformava numa trilha que ia se enfiando para dentro do cânion, indo na direção do fundo dele, onde estavam as cachoeiras. Seguimos essa trilha por uns 5 minutos, mas logo desistimos de vez, o tempo urge, era chegado a hora de pular fora dali.
Analisamos o mapa, vislumbramos uma saída por uma perna do cânion, na verdade, outro cânion lateral. Então tomamos o rumo de quem vai em direção a entrada do vale, passamos por mais uma casa abandonada, subimos uma trilha pela sua esquerda até chegarmos ao outro cânion, onde uns bois mal-encarados nos deram as boas-vindas, louco para nos dar umas chifradas. Ali começamos a subir, na esperança que no seu final, houvesse um caminho que nos levasse para cima das paredes, ainda que tivéssemos que carregar as bikes nas costas.
Mas não adiantou, o caminho não tinha saída. Estávamos presos, não havia mais o que fazer, tínhamos que retornar, repensar nosso caminho, agora havia chegado a hora de achar uma rota de fuga. O Thiaguinho voltou rápido, eu já começava a capengar com aquela bicicleta pesada e na ânsia de alcançá-lo, meti marcha no meio da trilhinha junto ao pasto, mas um tronco estacionado fora das minhas vistas, foi o obstáculo que faltava para eu bater com a roda dianteira e ser catapultado barranco abaixo, eu de um lado, bike do outro, canela arrebentada e guidão entortado, o chão é o refúgio dos trouxas sobre 2 rodas.
Levanto-me, ainda puto, mas logo estou rindo sozinho da situação. Alcanço o Thiaguinho e tomamos o rumo da saída, passamos pelos bois, pulamos uma cerca de arame e ganhamos uma estrada larga, onde uma ponte decrepita, impede a passagem de carros. Em poucos minutos passamos por uma única casa que parecia ser habitada e ganhamos a estrada em definitivo, assim que cruzamos mais uma ponte, de onde era possível avistar sobre nossos cabeças, o MORRO DO GORILA, uma linda formação de arenito.
Verdade seja dita, a tarde praticamente já se foi e o dia já é capenga, apesar de ainda haver sol. Depois de atravessar a ponte , a estrada de areia vai seguir quase em nível, o que ajuda a gente a conseguir peladar um pouco mais forte, mas não demora muito, observo que o Thiaguinho para imediatamente à frente e sem perceber, desvio rapidamente de uma cascavel que por um pouco não picou a picou a perna dele, foi muita sorte. Dois quilômetros depois, passamos por um bar, que estava fechado , mas um senhor nos indicou que se quisessemos voltar pra Ipeúna, teríamos que virar a direira e seguir pedalando até o curral de uma fazenda, onde deveriamos contornar pela direita e nos apegarmos à estrada principal.
Como sol ja está bem baixo, os paredões do nosso lado direito, vão ficando belíssimos. Mas se o cenário é de tirar o fôlego, o caminho é de tirar a nossa paciência. O areião vai travando a gente , a pedalada não desenvolve, eu praticamente não tenho mais água, a comida acabou faz horas . Claro que poderiamos buscar socorro em algum sitio próximo, pelo menos pra buscar uma hidratação, mas a vontade é de chegar, de encerrar . As pernas já pedalam no modo automático, a minha bicicleta começa a dar sinais que o freio não quer mais funcionar e cada vez, preciso fazer mais força com as mãos.
E a gente pedala, e à frente dos nossos olhos, vão ficando para trás uma infinidade de pequenas propriedades rurais, choupanas jogadas à beira do caminho, matutos e seus animais de estimação, bois, vacas, cavalos, tratores, carroças, plantações, riachos , capões de mato, num sobe e desse sem parar, até que nem eu, nem equipamento aguentam mais . Os freios da bicicleta se foram, a minha capacidade de seguir pedalando , virou pó. Sou um homem entregue ao meu próprio sofrimento, ao meu desespero individual. Não consigo nem mensurar o que o Thiaguinho deve estar pensando de mim, também estou numa condição que nem me importo mais , sou só um homem morto que não caiu porque ainda me resta um brio interior, tentando resguardar o ultimo vestigio de dignidade que me sobrou.
Já fazia mais de hora que o sol havia nos abandonado, quando uma tempestade desabou sobre nossos ombros. A noite era tão escura , que eu mal enxergava o Thiaguinho , que desembestou na dianteira, ladeira abaixo e quando tentei acionar os freios, as rodas trepidaram, balançaram de um lado para o outro e eu me vi totalmente desamparado , virei passageiro daquela geringonça dos anos 80. A velocidade só fazia aumentar, pensei em me jogar pro barranco, mas as valetas laterais teriam me moído no buraco. Tento manter a calma, mas as minhas energias depois de mais de 12 horas de pedalada, me levam a um transe de resiliência. Penso em pular, mas aí me vem a lembrança, o dia em que eu e meu irmão, numa infância distante, nos jogamos de cima de uma bicicleta sem freio, numa ladeira da nossa aldeia e acabamos sendo trucidados pelo chão. Enfio o tênis na roda traseira, mas o solado do maldito é daqueles tênis de atletismo e o atrito não resolve porra nenhuma. Mesmo assim, continuo tentando e quando vejo que o terreno se arrefeceu um pouco, boto os pés no chão e ao encontrar um amontoado de areia, pulo, como quem pula de um caminhão desgovernado, mas sem soltar as mão da bicicleta. Fico no cai, mas não cai, danço conforme a ondulação do terreno, até que quando me vejo estabilizado, largo mão daquela merda e me esparramo na areia molhada, enquanto o veículo do satanás, de duas rodas, segue seu caminho até se deter mais à frente. Eu não sou mais ninguém, o ciclista animado da manhã, agora parece um ser que não consegue se sustentar sobre as próprias pernas , estou acabado, a vontade é sentar e chorar.
Agora a coisa ficou feia de vez. Até então, a minha capacidade de pedalar já não existia mais , só que agora, sem nada de freios, eu não conseguia nem descer as ladeiras montado, porque naquela escuridão avassaladora, não conseguia ver nada , saber se a ladeira era perigosa ou não. Então, eu subia empurrado e descia empurrando, enquanto a chuva fria castigava nossa cacunda. E nem quando o Thiaguinho me chamou a atenção para as luses da cidade, que se apresentou à nossa frente , eu me animei. Mas eu continuei, cabeça baixa , moral abaixo do volume morto . As cãibras surgirem , era algo inevitavel , a cada 15 ou 20 minutos, lá estava eu, jogado ao chão, com os musculos enriquecidos, dores tão fortes quanto a minha vergonha diante da situação.
Só quando passamos enfrente aos campings , foi que me dei conta que estavamos perto do asfalto e quando lá chegamos, minha vontade era de jogar a bicicleta fora , porque eu já não tinha mais forças nem pra pedalar no terreno plano e firme, por isso empurrei na maior parte do tempo, até que quase NOVE da noite, desembocamos em definitivo na PRAÇA CENTAL de Ipeúna, quase 13 horas de pedaladas e então , nos sentamos à frente da barraca de lanches e quando o sanduiche de costela atingiu a minha corrente sanguinia , uma lagrima escapou dos meus olhos.
Quando o Thiaguinho lançou o convite, pensei em recusar, eu estava fisicamente destruído por atividades ligadas a outros esportes tradicionais. Mas achei que seria deselegante deixá-lo na mão, já que era uma promessa antiga , que eu vinha adiando, mesmo assim , deixei bem claro que só iria com o intuito de fazer um belo passeio, apenas pra mostrar parte da região pra ele. O problema, é que a maldita palavra "passeio" jamais fez parte do nosso vocabulário, quando a gente inventa algo, será sempre acima da nossa capacidade de bom senso. O suposto passeio, se tornou numa jornada de quase 13 horas , um epopéia de achados e perdidos , que misturou montain bike com exploração de cavernas, mergulho em lagoas, descida à cânions, banho de cachoeira, pedaladas em trilhas e pastos sem caminhos . Saímos em busca de uma jornada tranquila, voltamos destruídos pela aventuda que encontramos pelo caminho.
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Olá viajantes!
Antes de tudo gostaria de agradecer a Maria Emilia, MI_GR e ao russo145, pois através dos seus relatos pude planejar minha trip.
Dessa vez, minha viagem foi curta, mas nem por isso não proveitosa. Como moro em Campo Grande, próximo da fronteira com o Paraguai, depois de ler os poucos relatos a respeito desse país onde poucos brasileiros se aventuram para além da fronteira, resolvi dar uma esticada até Assunção, capital do país e de lá até às cataratas do Iguaçu. O roteiro encaixou direitinho nos meus 10 dias de férias e no baixo orçamento disponível para a viagem.
Viajei sozinho, foi uma boa experiência. Conversei bastante com paraguaios, argentinos e gringos de diversas nacionalidades. Deu pra treinar o espanhol e o inglês também.
A minha rota foi a seguinte: Campo Grande - Assunção/PY - Encarnación/PY - Posadas/AR - Puerto Iguazu/AR - Foz do Iguaçu - Ciudad del Este/PY - Foz do Iguaçu - Belo Horizonte
O total gasto foi de R$592, contando a passagem de ônibus de Campo Grande para Assunção e demais viagens de ônibus, mais R$120,00 do voo de Foz do Iguaçu para Belo Horizonte, onde terminei minha viagem visitando a família.
Então vamos ao relato!
10/03/2011 - Campo Grande/MS x Assunção/PY
De Campo Grande para Assunção há duas opções de empresas de ônibus: Nacional Expresso e Cometa del Amambay. A primeira tem saídas três vezes por semana em ônibus um pouco mais confortáveis que a segunda com passagem por R$132,37(atualizado em set/2014). Os ônibus da Cometa del Amambay partem todos os dias às 16h e a passagem custa R$75,00 (valor em 2011), o ônibus possui ar condicionado, porém as poltronas reclinam bem pouco (talvez já tenham melhorado a frota). Como no dia que planejei para ser o início da minha viagem não havia partida da Nacional Expresso, acabei tendo que encarar o ônibus da Cometa del Amambay. A empresa é paraguaia, o ônibus tem placas do Paraguai e motorista e cobrador são paraguaios. Vai de Campo Grande para Assunção com paradas em Dourados e Ponta Porã. Por volta das 20h o ônibus para na Policia Federal brasileira em Ponta Porã para que os estrangeiros possam registrar a saída do Brasil em seus passaportes. Cinco minutos depois, na rodoviária de Pedro Juan Caballero, já no Paraguai, o motorista recolhe os passaportes e identidade dos brasileiros e passa para alguém, não me perguntem quem, para que seja feito o processo de entrada no Paraguai. Muitos paraguaios sobem no ônibus nessa cidade e quando o embarque acaba o motorista retorna com o documento de entrada no Paraguai. Daí por diante o motorista para para qualquer um que dê sinal na rodovia, chegando a transportar pessoas em pé. Normalmente eles sobem e logo descem, o que, aliado a poltrona desconfortável, me impediu quase que totalmente de dormir. Não há parada para lanches ou janta. O ônibus tem banheiro e água mineral.
11/03/2011 - Assunção/PY
Chegamos em Assunção cerca de 05h da manhã, horário local. Ainda estava escuro e resolvi esperar amanhecer. Existem diversos guinches de cambio abertos 24h no terminal. Troquei U$10 por G$42000 e R$20 por R$48000. Comprei uma chipa por G$3000 e fiquei vendo TV até amanhecer. Aqui no Mato Grosso do Sul há muita influência da cultura Paraguaia. Comemos chipa, que é parecida com o pão de queijo, mas com formato e sabor diferentes. Comemos também a sopa paraguaia, que não é uma sopa, mas algo parecido com uma torta de milho e tomamos o tereré, um mate parecido com o chimarrão mas que se toma com água gelada. A chipa sul matogrossense é ligeiramente diferente da original paraguaia, gostei da de lá, mas prefiro a daqui, rs!
Assim que amanheceu fui para o ponto de ônibus. Foi a primeira grande diferente que vi entre o Paraguai e o Brasil. Os ônibus, que são muitos, são todos velhos. Não tão velhos quanto os da Bolívia, mas bem velhos. As portas ficam sempre abertas e os motoristas praticamente não param para você subir, apenas diminuem a velocidade e você tem que se agarrar e subir. Para descer é a mesma coisa. Acho que somente para pessoas de idade e quando há muitos passageiros eles param totalmente. Outra diferença é que não há cobrador nem catraca. Você sobe, dá o dinheiro para o motorista e ele te dá um ticket que vale como recibo. Existem alguns fiscais que sobem nos ônibus e te pedem esse recibo. Se você não guardá-lo e ocorrer a fiscalização, terá que pagar a passagem novamente.
Demorou um pouco para passar um ônibus que não estivesse tão cheio, já que com a mochila era impossível pegar um lotado. Pedi ao motorista que me avisasse quando chegasse a Plaza Uruguaya, já que fiquei hospedado no Hotel Miami, conforme indicações aqui do fórum. Após algum tempo, percebi que passávamos pelo centro, mas nada dele me dizer algo. As pessoas foram descendo, até ficar apenas eu no ônibus, então perguntei para ele se já estava chegando. Então ele disse que já havia passado. Pedi para ele parar e perguntei qual ônibus devia pegar. Ele indicou a linha 12, diminuiu a velocidade e eu desci. Eu não sei se ele fez de sacanagem ou se tinha alguma outra intenção. Sei que não foi esquecimento, já que fiquei ao lado dele todo o tempo e ele me olhava sempre pelo retrovisor. Bom, tomei a linha 12 e pedi para o motorista me avisar. Dessa vez e em todas as outras que tomei ônibus no Paraguai não tive problemas. Chegando próximo a Plaza Uruguaya ele me avisou e indicou qual rua pegar para chegar lá.
Logo achei o Hotel e subi para tentar fazer logo o check in. Eram cerca de oito da manhã e a diária só começava a contar ao meio dia, mas me deixaram entrar sem problemas, já que o quarto já estava vazio. Aproveitei para dormir, já que não conseguir dormir bem na viagem. Dormi até meio dia.
Depois de descansar, tomei um banho e fui conhecer um pouco do centro e almoçar. A primeira impressão da cidade foi boa. Achei tudo muito parecido com o Brasil, claro que com algumas particularidades. A segunda, depois do que já disse dos ônibus, é que lá praticamente nenhum motoqueiro usa capacete, incluindo os policiais. Apesar disso achei o trânsito tranquilo. Almocei em um restaurante Self-Service, porém com uma metodologia diferente da daqui. Como não era com balança, você diz o que vai comer e o preço é dado de acordo com suas opções. Se vai comer só salada e carne o preço é um, se vai comer salada carne e massas é outro, se vai comer arroz é outro, etc. O meu almoço, já com um refrigerante ficou em G$13000, cerca de R$5,40.
Fui até uma agência do Banco Itaú sacar dinheiro. O banco Itaú é o maior banco no Paraguai. Tem agência para todo lado. Saquei dinheiro sem problemas, só tive que pagar uma taxa de R$9,00.
Fui ao Turista Róga, um órgão de informações turísticas. Lá é possível obter mapas e informações sobre as atrações de Assunção e de todo o Paraguai. Lá também é possível utilizar a internet de graça. Peguei um mapa da área central e fui conhecer os pontos turísticos indicados. Como não são muitos e estão todos em um raio não muito grande, é possível conhecê-los todos em uma tarde. Estava um calor insuportável, quase 40ºC. Andei bastante, tirei várias fotos. Conheci desde prédios históricos até o Palácio do Governo e Congresso Nacional. Esses somente por fora. Interessante é que bem de frente ao Congresso, às margens do Rio Paraguai, existe uma favela.
Vi alguns outros estrangeiros andando tranquilamente pelo centro de Assunção, alguns com câmeras caras nas mãos. Não fui incomodado nenhum vez. Nem mesmo esmola me pediram. Alias, isso não ocorreu em nenhum dos lugares que visitei no Paraguai. Realmente a visão que temos sobre este país é totalmente errada. É um país muito bonito, com gente honesta e trabalhadora. Tem sim os seus problemas. Mas como dizem por lá, são os brasileiros que vão lá plantar e comprar maconha. Dizem até que os assaltantes que existem por lá são brasileiros. Não sei se isso é verdade, mas a impressão que tive do povo paraguaio, ao menos das cidades que visitei, foi de um povo simpático, educado e que busca a construção de um país melhor.
A noite fui conhecer um shopping que existe na região central de Assunção. Não é muito grande. Aproveitei para lanchar no Burguer King pagando R$8,75 por um combo que no Brasil não sai por menos de R$20,00. Depois conheci alguns bares próximo ao hotel, nas Calles Azara e Cerro Cora. São muitas opções dos mais variados estilos. Porém todos estavam com pouco movimento e nenhum me chamou muita atenção, ainda mais estando sozinho e tendo a língua como empecilho. O grande detalhe é que a maioria dos paraguaios falam muito o guarani. Como falo espanhol, quando eu puxava papo, muitos me respondiam em guarani e eu não entendia nada. Percebi também que os que sempre falam o guarani, quando estão falando espanhol, falam com um sotaque muito carregado, dificultando o entendimento. O guarani lá é considerada língua oficial e é ensinado nas escolas.
12/03/2011 - Assunção/PY
Acordei às 08h e fui tomar café da manhã no hotel. Uma decepção. Pão, manteiga, chá e café. Acredito que seria melhor nem oferecerem desayuno. Apesar de muito indicado aqui pelo fórum, eu não recomendo o Hotel Miami. O quarto é grande, havia três camas no meu. Uma de casal e duas de solteiro. Mas os colchões e travesseiros eram péssimos. Além disso o banheiro não possui box e nem mesmo desnível para evitar que a água do chuveiro molhe ele todo. A ducha não esquentava direito (não foi problema já que estava fazendo muito calor). A TV do quarto tem "TV a gato" gritante! A qualidade da imagem é péssima, não tem um canal com imagem boa. Além disso, percebi que o hotel é usado como hotel de encontro de "casais", se é que vocês me entendem. Nesse dia, a noite, enquanto estava usando a internet, percebi a movimentação de alguns casais que chegavam sem bagagem e logo saiam com os cabelos molhados, pagando 30 mil guaranis pela utilização do quarto. Então, indo novamente a Assunção não ficarei no Hotel Miami e também não o indico para ninguém.
Depois do desayuno resolvi dormir um pouco mais, rs. Acordei meio dia novamente, tomei banho e fui conhecer a região onde ficam os melhores shoppings de Assunção. Tomei um ônibus que logo pegou a Avenida España. É uma região muito bonita. Muitas mansões, muitos prédios novos, muitos carrões, muitas mercedes. Alías, mercedes é o que mais tem em Assunção, muitas bem velhas, mas muitas novas também, assim como muitas BMWs e outros carros importados. Percebi que muitas mansões não tem muro, no estilo americano. Nas avenidas España e Mariscal López existem muitos bares também. Acho que é onde a noite é mais agitada. Não deu para tirar muitas fotos dessa região, mas é uma região bem moderna e bonita.
Desci no Shopping do Sol, shopping grande e bonito, com várias lojas de grifes famosas. Liguei para um amigo do site Couchsurfing que mora lá perto. Marcamos de nos encontrar e ele almoçou comigo. Almocei em outro restaurante Self-Service, mas nesse a metodologia era outra. Como era por peso, cada tipo de comida tem um peso. Você pega vários pratos e coloca cada tipo em um e pesa um por um. A salada tem um peso, as guarnições outro, a carne outro e a massa outro. Achei interessante, fora o fato de ficar com a bandeja cheia de pratos. O almoço com um refrigerante ficou em G$21000.
Meu amigo paraguaio é uma pessoa muito interessante. Bastante inteligente e culto. Sempre encontra com estrangeiros que visitam seu país, muitas vezes os hospedando. Depois de almoçar ele me levou até a sua casa, onde conheci sua família, que também são pessoas muito simpáticas. Ficamos conversando por algumas horas, fui ao mercado com eles e lanchei em sua casa. Deu para aprender um pouco sobre a cultura paraguaia, leis, salários, etc. Percebi que eles sabem muito mais sobre o Brasil do que nós sabemos sobre o Paraguai. Tomamos tereré, a única diferença da do tomado por aqui é que aqui uma pessoa serve a todos e lá cada um se serve, apesar de como aqui, compartilharem a cuia.
De lá tomei um ônibus para o outro shopping da região, o Mariscal López, maior que o primeiro e muito movimentado. Em frente a ele existe um shopping menor. Fiquei por lá até por volta das 18h quando voltei para o hotel.
Meus planos inicialmente eram ficar mais mais um dia em Assunção. Como seria domingo e todos me disseram que domingo não há nada para fazer em Assunção, tudo fecha, resolvi adiantar minha viagem e partir aquela noite mesmo para Encarnación, onde visitaria as ruínas Jesuítas.
Paguei o Hotel, peguei minhas coisas e peguei outro ônibus para o terminal.
Existem diversas opções de ônibus, desde G$40000 até G$66000. No Paraguai eles não fazem como na Bolívia, dizendo que o ônibus é ótimo, mas na verdade é péssimo. Na empresa onde a passagem custava G$40000 o atendente me disse que o ônibus era comum e era "pingua-pingua", já na de G$66000 que o ônibus era semi-cama, dois andares e direto. Escolhi a segunda. O ônibus realmente era muito bom, escolhi o andar inferior. Nessa noite consegui dormir toda a viagem. Só acordei quando chegamos em Encanación, às 05:30h da manhã.
13/03/2011 - Encarnación/Posadas/Puerto Iguazu
Cheguei 05:30h da manhã no terminal de Encarnación. Na porta do ônibus um paraguaio já anunciava ônibus para Trinidad. O ônibus partia às 06h e custava G$6000. Perguntei onde havia um Guarda Equipaje e deixei minha mochila lá por G$5000. O ônibus saiu do terminal às 6h, porém só foi sair da cidade já quase sete da manhã, quando alguns passageiros começaram a reclamar. É que o motorista ficou rodando a cidade, enquanto o cobrador ia em busca de mais passageiros. Só saiu mesmo quando estava com a lotação completa. Às 07:30h o motorista parou e avisou que ali era a entrada para as ruínas. Peça ao motorista para descer nas ruínas, diga que não conhece. Da rodovia basta andar uns 800m. O ingresso custaGR25000 e dá direito a visitar também as ruínas de Jesus, próximo dali e mais uma mais longe. Existe um centro de apoio ao vistante com banheiros. Também um hotel, restaurantes e lanchonetes.
Fui o primeiro a chegar naquele dia. Ainda havia neblina, que logo sumiu quando o sol começou a brilhar mais forte. As ruínas são realmente muito lindas e estão bem preservadas. O lugar também é muito bonito e é possível sentir uma sensação de paz. Todo chão é coberto por uma grama bem bonita. Fiquei mais ou menos uma hora ali contemplando e tirando fotos. Quando estava saindo chegou um ônibus lotado de turistas da terceira idade.
Para chegar a Jesus, basta voltar a rodovia e subir mais 200m. Um taxista fica por lá esperando turistas ou moradores. Me cobrou G$30000 para levar até as ruínas, esperar 30 minutos e trazer de volta até a rodovia. Se eu esperasse chegar mais alguém ficaria mais barato. Resolvi não esperar e pagar os 30 mil guaranis. São 12 km até lá em estrada asfaltada. Em Jesus está a igreja mais conservadas das ruínas jesuítas. Como ela estava inacabada quando eles foram expulsos pelos espanhóis, não foi saqueada, já que não havia ouro nem obras de arte em seu interior. Também muito bonita. Vale a pena a visita.
De volta ao ponto de ônibus me informaram que de hora em hora passava ônibus para Encarnación. Mas logo veio um ônibus com os moradores da região e ofereceram me levar por G$5000, aceitei. Cheguei em Encarnación por volta das 11h. Peguei minha mochila e vi do outro lado da rua, parado no ponto, o ônibus que ia para Posadas na Argentina. Encarnación fica na fronteira com a Argentina. Posadas é a cidade do lado argentina. Embarquei no ônibus, que é um ônibus circular. Paramos na imigração Paraguaia e um funcionário subiu no ônibus e recolhei as permissões. Logo em seguida parou na argentina e desci para fazer os procedimentos. O argentino me perguntou para onde ia e por que. Achei ele um pouco implicante, todos já estavam retornando para o ônibus e ele enrolando para me dar a permissão. Quando ele terminou o ônibus estava indo embora sem mim. Gritei e ele parou e consegui entrar. O rio Paraná divide o Paraguai da Argentina. A ponte que liga os dois países é muito bonita, assim como a cidade de Posadas.
Fui até o terminal para buscar informações a respeito das ruínas do lado Argentino e sobre os horários de ônibus para lá. Descobri que os ônibus que deixam em San Ignácio são os que vão para Puerto Iguazu. Peguei os horários para visitação noturna, lanchei e voltei para o centro. Era domingo. Tudo fechado, nenhum movimento. Procurei algum hotel, mas achei os preços muito altos. Resolvi voltar para o terminal e seguir logo para San Ignacio. Foi aí que me dei conta que ainda não havia feito cambio de Guaranis para Pesos. Em Posadas o guarani era aceito em todos os lugares, mas em San Ignacio eu não sabia se seriam. Até porque eu tinha poucos guaranis, tinha mais era reais. Não havia nenhuma casa de cambio aberta por ser domingo. Consegui trocar os guaranis que tinha com o cara da lanchonete e fui comprar a passagem para San Ignacio. Quando cheguei ao guichê me disseram que o ônibus estava saindo e que eu deveria pagar ao cobrador. Entrei no ônibus e quando ele veio me cobrar mudei de ideia mais uma vez e resolvi seguir direto para Puerto Iguazu. Estava muito cansado e meu plano era visitar às ruínas em San Ignacio durante a noite, ver os shows de luzes e seguir durante a madrugada para Puerto Iguazu ou domir em San Ignacio e seguir no outro dia de manhã. Porém não queria passar mais uma noite dormindo em ônibus e não sabia se havia hotéis em San Ignacio e se aceitariam meus Reais por lá. Então decidi ir logo para Puerto Iguazu, já que estava muito cansado e precisava dormir aquela noite bem, fato que não aconteceu, como direi mais adiante.
O ônibus também era muito bom, dois andares com monitores de LCD para ver filmes. Vi Tropa de Elite 2 e depois dormi até chegar em Puerto Iguazu. São cinco horas de viagem e a passagem custa 55 pesos.
Chegando em Puerto Iguazu fui procurar o Hostel Che Lagarto, onde tinha reserva para duas noites, mas a partir da noite seguinte. Para minha sorte ou azar havia vaga. Deixei minhas coisas no quarto coletivo com ar condicionado para 6 pessoas. A única cama disponível ficava bem de frente para a porta. Pensei, tudo bem, estou tão cansado que isso não vai me incomodar.
Sai para conhecer a cidade. É uma cidade que vive do turismo. Os hotéis e hosteis ficam em um centrinho turístico, onde existem vários restaurantes e lojas de artesanato e lembranças. As coisas acabam ficando baratas já que R$1=P$2,3, porém a maioria dos restaurantes são mais sofisticados. Paga-se a partir de R$25,00 por um bom prato de comida sofisticada. Coisa que no Brasil sairia por no mínimo R$50,00. Acabei comendo em uma lanchonete um pouco mais afastada, onde uma hamburguesa com refrigerante saia por R$8,00.
O Hostel Che Lagarto tem uma boa infraestrutura. Piscina, sinuca, totó, pingue-pongue, internet, tudo de graça. Tem bar e servem janta também. Não gostei do banheiro, a ducha estava toda entupida, não tinha box e também molhava o banheiro todo ao tomar banho. O ar condicionado funcionava bem, porém só a partir das 22h. A diária sai por meros U$7,20. Muitos estrangeiros, muita cerveja, churrasco e festa. Até aí tudo bem, meu problema na primeira noite nem foi esse. Fui dormir cedo, às 23h já estava na cama. Por volta de meia noite chegam meus colegas de quarto. Após algum tempo começa meu sofrimento. O que deita na cama ao meu lado roncou a noite toda. Roncou muito, mas muito alto. Tenho muita dificuldade de dormir com gente roncando ao meu lado. O pior é que ele roncava e peidava.
14/03/2011 - Cataratas lado argentino
Acordei cedo, aliás, desisti de dormir às 06h da manhã. Levantei, tomei banho e fui desayunar. O Café da manhã oferecido pelo Che Lagarto é bom. Há duas ou três opções de bolos, pão, manteiga, geleia, doce de leite, duas ou três variedades de frutas, biscoitos, dois sabores de sucos artificiais, leite, chocolate, café, dentre outras coisas. Pelo preço da diária achei ótimo. Bem próximo ao hotel, pega-se o ônibus prático cataratas, que custa sete pesos. Cheguei no parque por volta das 08h. A entrada no parque das cataratas do lado argentino fica em 70 pesos para pessoas do Mercosul. São três circuitos a percorrer: paseo inferior, paseo superior e garganta del diablo. Resolvi fazer primeiro o paseo inferior, já que iria fazer o passeio curte de bote até as cataratas. São alguns milhares de degraus, passando bem perto de algumas quedas até chegar a beira do Rio Iguaçu. O passeio curto de bote, de 12 minutos custa 110 pesos, mais ou menos 50 reais. O passeio equivalente do lado brasileiro custa R$120,00. O passeio é muito bom, chega-se bem embaixo de um das quedas. O ideal é ir com rouba de banho já que todos ficam encharcados. Adorei o passeio, mas infelizmente, foi nesse mesmo passeio que o bote virou essa semana e dois turistas americanos morreram. Acredito que acidentes podem ocorrer em qualquer lugar. Achei a empresa muito profissional, todos são obrigados a usar colete e um colete muito bom por sinal. Não é permitido ficar em pé, dentre outras regras de segurança. Eu faria de novo, mas realmente deu um friozinho na barriga quando vi a reportagem, já que havia feito o mesmo passeio dias antes.
Subi todos os degraus que havia descido e fui fazer o paseo superior. Também muito bonito. Nele você vai por cima do rio, tendo acesso a parte de cima das quedas. Esse é mais curto e praticamente plano. Muito tranquilo de ser feito, inclusive por portadores de mobilidade reduzida.
Depois para chegar a garganta do diabo, é necessário pegar um trenzinho que leva até a metade do caminho. De lá por passarelas suspensas sobre o rio, caminha-se mais um quilometro. Também é possível o acesso para pessoas com mobilidade reduzida. A garganta do diabo é uma das, se não a maior queda. O ponto final é um mirante bem no alto da queda, onde o rio vira catarata. Muito bonito o local. Só essa vista já vale a viagem.
Após andar todo o dia, retornei de trem até a entrada do parque e voltei para cidade. Fiquei no parque das 08h até às 15:30h.
Cheguei na cidade e fui procurar algo para comer, mas a maioria dos restaurante estavam fechados e os que estavam abertos eram aqueles mais requintados, mais caros. Voltei na lanchonete da noite anterior e me fizeram um prato com carne, ovo, pão e salada.
Fui para hostel curtir um pouco da piscina. A noite sai para jantar e caminhei até a parte da cidade "menos turística". Um centro onde a população local faz compras. Voltei para o hostel e por volta das 23h já estava na cama. Essa foi mais uma noite sem conseguir dormir. Os meus companheiros de quarto, com quem já havia conversado e descobrido que eram argentinos, resolveram fazer uma festa com alguns gringos e passaram a noite toda entrando e saindo do quarto aos berros. A festa só terminou às 05h da manhã e quando eles foram para o quarto ainda ficaram uns 30 minutos contando piadas e rindo. Resultado: mais uma noite sem dormir direito e às seis da manhã quando eles estavam deitados, levantei sem a menor preocupação com barulho, luzes, etc, tomei meu banho, arrumei minha coisas, bati a porta umas três vezes e fui tomar café da manhã, fechar a conta do hotel e partir para o Brasil. Não aguentava mais aqueles argentinos.
Sei que foi azar meu cair no mesmo quarto desses caras. Percebi que eles não estavam fazendo uma viagem como estamos acostumados. Eles estavam ali já há alguns dias. Não faziam nenhum passeio durante o dia, só dormiam e a noite quando a galera chegava dos passeios, se juntavam a eles para conversar, beber, fumar, etc. Eram todos já de alguma idade, mais ou menos uns 35 anos e ficavam se juntando a garotada de 20 anos. Bom, cada uma na sua, mas acredito que quem fica em albergues realmente quer fazer festas, conhecer gente, etc. Mas respeito é a base de tudo. Assim como me incomodaram, com certeza incomodaram também os que estavam nos demais quartos. O pior de tudo foi os empregados do Che Lagarto permitirem tudo isso. Resolvi ir para o Paldimar Falls em Foz, mesmo a diária lá sendo 3 vezes mais cara, R$35,00, o que no fim das contas foi uma decisão super acertada, já que lá o clima é outro e R$35,00 ainda é muito barato.
15/03/2011 - Foz do Iguaçu / Ciudad del Este/PY
Peguei o ônibus para o Brasil por R$3,50. O ônibus parou na Imigração Argentina, onde entreguei a permissão. Não parou na imigração brasileira e os estrangeiros entraram todos "ilegais" no Brasil. O que percebi é que tanto a imigração Paraguai quanto a Argentina são muito mais rigorosas e organizadas que a Brasileira, uma vergonha para nós. O ônibus tem uma parada perto do Mcdonald´s de Foz, de onde basta caminha três quadras até o Paudimar Falls centro. Deixei minha mochila, confirmei reserva para duas noites e fui direto para o Paraguai. Um dos meus objetivos nessa viagem era comprar uma câmera digital nova em Ciudad del Este, onde é possível encontrar preços até 3 vezes menores que no Brasil. O ônibus para no centro comercial de Ciudad del Este. Não é necessário fazer processo de entrada se vai apenas na zona franca fazer compras. Ciudad del Este é uma loucura, mas quem já foi fazer compras em São Paulo ou já entrou em algum shopping popular (camelódromo) em qualquer grande cidade, ou mesmo fez comprar no centro das grande capitais na época de natal, não vai achar nada de outro mundo. Falam muito da segurança, de não deixar objetos de valores a vista, dinheiro, etc. Fiquei pensando, por que alguém vai querer roubar minha câmera digital ou meu celular usados, ou mesmo meu dinheiro se é bem mais fácil esperar que eu faça compras e roubar todos os produtos novos? Então nem preocupei muito com segurança não, é claro, aquelas regras básicas devem ser seguidas como colocar a carteira no bolso da frente da calça, mulheres colocarem a bolsa na frente do corpo, etc. São muitas lojas com preços bastantes distintos para os mesmos produtos. Muitos vendedores quando você pergunta quanto custa responde com a pergunta "qual menor preço você já achou" e dão o preço cinco dólares a menos. Se você falar um preço muito baixo eles dizem, "você achou muito barato, compra lá"! Rodei o dia todo, fiquei com muito medo de comprar uma câmera recondicionado como sendo nova. Eles vendem eletrônicos recondicionados lá. Muitas lojas te dizem que é recondicionado e inclusive tem um adesivo na caixa do produto dizendo isso. Porém outras tantas vendem recondicionado dizendo que é novo. Acabei comprando em uma loja pequena em que o cara me de um desconto bom e acabei confiando nele. A dica é sempre testar o produto, pedir produtos em caixas lacradas e verificar os lacres. Ver se o número de série do produto bate com o da etiqueta da caixa, se a embalagem do manual também está lacrada, etc. Mas no final das contas, isso tudo dá pra ser refeito e podem sim te vender um produto recondicionado dizendo que é novo. Comprei uma câmera que aqui no Brasil custa 900 reais e paguei 350 reais já com o cartão de memória de 8GB e a capa. Peguei um ônibus de volta para o Brasil, desci na Receita Federal e declarei a compra. Isso é recomendado, já que no aeroporto de Foz, antes de entrar na área onde ficam os balcões das empresas, todos tem que passar a bagagem no raio-x da Receita Federal e Polícia Federal. Então se você chega lá sem a declaração podem implicar com você, já que pela legislação, mesmo dentro da cota, tem que ser feita a declaração, para controle do número de vezes que você utiliza da cota, que é restrita a uma por mês.
Retornei para o Hostel. Conheci meus colegas de quarto. Dois brasileiros, um japonês e um chinês. Caras realmente boa gente. Inclusive um dos brasileiros, o Felipe acessa o mochileiros, se ler esse relato dá um alô.
Conheci mais alguns brasileiros que estavam em uma casa do outro lado da rua, que pertence ao Pauldimar e que é usada para disponibilizar quartos de casal. O preço é praticamente o mesmo e é uma mansão. O banheiro do quarto de lá é literalmente maior que todo o quarto que eu estava. Não dá nem para acreditar. Fica a dica. Quem for com um grupo maior ou em casal pergunte sobre essa opção, não vão se arrepender. É melhor que muito hotel 4 estrelas.
A noite fomos em uma pizzaria perto do hotel onde o rodízio sai por R$13,50 e é muito bom! Outra dica valiosa.
Depois de algumas noites sem dormir direito, nessa eu dormi muito bem. A galera desse hostel era super educada. Tanto os brasileiros quanto os gringos. Além disso havia vários avisos sobre o dever de se respeitar o horário de silêncio, que é após a meia noite. O quarto do lado humilde do albergue é melhor do que o quarto do Che Lagarto, o banheiro é bom, só não gostei das divisórias que colocaram para várias pessoas poderem utilizar o mesmo banheiro ao mesmo tempo, uma no chuveiro, uma no vaso sanitário e outra na pia. Achei muito estranho, além de diminuir bastante o espaço, principalmente na área do vaso, onde uma pessoa mais alta ou gordinha vai ter problemas para se acomodar.
16/03/2011 - Hidrelétrica de Itaipu e Cataratas lado brasileiro
Depois de uma noite bem dormida, acordei cedo, tomei banho e fui tomar café da manhã. O café da manhã do Pauldimar é mais ou menos igual ao do Che Lagarto. Bom, dá pra armazenar bastante energia para os passeios, rs! Conversando com um funcionário do hostel, descobri que era melhor ir bem cedo para Itaipu, já que o último passeio lá é as 15:30h e de lá ir para as cataratas que ficam abertas até às 19h. Peguei um ônibus em frente ao mcdonald´s que vai até Itaipu. Fiquei impressionado com a infraestrutura montada para atender os turistas. Gente de todo mundo visita Itaipu. Havia muito mais estrangeiros que brasileiros por lá. Muitos japoneses de terceira idade. Escolhi fazer o circuito especial, que visita a parte externa e interna da hidrelétrica. O preço é R$50,00 mais estudantes, professores e doadores de sangue com carteirinha pagam meia. O passeio inicia-se com um vídeo bem interessante sobre a história de Itaipu. Depois todos deixam seus pertences de mão em um armário, não é permitido entrar com bolsas ou mochilas. Todos tem que passar pelo detector de metais. Foz do Iguaçu está em uma região de triplice fronteira. Muitos documentos dizem que ali estão presentes organizações terroristas e criminosas, então toda segurança é bem vinda. O passeio na parte externa é feito em um ônibus, parando nos principais pontos de interesse. Somos acompanhados por duas guias e as informações são repassadas em português e inglês. Tive muita sorte, pois duas das três comportas estavam abertas e isso só ocorre em 10% dos dias do ano. Depois visitamos a parte interior de Itaipu. Vale muito a pena. Quem gosta de engenharia e/ou história vai adorar. Todo o funcionamento da hidrelétrica é explicado, assim como detalhes de sua construção. Todo o passeio é muito bonito, tanto o externo quanto interno. Quem puder pagar os R$50,00 ou R$25,00 (meia) não vai se arrepender. Um detalhe interessante de Itaipu é que lá é território Brasileiro e Paraguaio. Existe inclusive uma linha que mostra essa divisão no chão de Itaipu. Tudo lá é dividido entre brasileiros e paraguaios: o número de turbinas, a quantidade de trabalhadores, etc. Existe dois presidentes, um brasileiro e um paraguaio, etc.
O passeio terminou meio dia. Peguei um ônibus de volta ao terminal e de lá outro para as cataratas do lado Brasileiro, pagando apenas uma passagem. A entrada no parque do lado brasileiro para brasileiros custa R$22,00, porém quem tem cartão de crédito ou débito do itaú paga meia. Paguei R$11,50. Logo depois da portaria pega-se um ônibus que para nos principais pontos de acesso às atrações. É possível, mas não interessante, ir direto às passarelas principais, há inclusive elevador para as pessoas com mobilidade reduzida. Desci no ponto de início das trilhas e logo após alguns passos já se tem a primeira vista das cataratas. Do lado brasileiro se tem uma visão ampla das cataratas, de longe. Não digo que é pior nem melhor que o lado argentino. Digo que se completam. Recomendo visitar os dois. A trilha do lado brasileiro é bem menor e bem mais tranquila que do lado argentino. No fim chega-se àquelas passarelas que todos estamos acostumados a ver na TV que dão acesso bem próximo a algumas das quedas e que no seu fim é impossível ir sem se molhar todo. Vale muito a pena também, muito bom! Depois sobe-se de elevador até a parte de cima de uma das quedas. Pode-se chegar bem perto também do leito do rio. Achei interessante que seria totalmente possível fazer uma passarela até a garganta do diabo, do lado brasileiro do rio. Não sei porque não fazem, deve haver um acordo entre os dois países.
Peguei o ônibus de volta a portaria do parque e de lá outro de volta ao hostel. Curti bastante a piscina nesse dia, fazia muito calor. Aproveitei bastante a hidromassagem da piscina, já que estava com as costas doloridas de tanto andar nos últimos dias. A noite voltamos a pizzaria da noite anterior.
Fui dormir mais de meia noite. Era o fim da minha viagem. Curta mais bastante proveitosa. Bastante econômica também. Contando tudo, menos o gasto com a camera digital e a passagem de Foz para Belo Horizonte de avião (R$120), gastei menos de R$600,00. Deixo em anexo minha planilha de gastos para consultas e planejamentos de quem quiser se aventurar pelo Paraguai ou pelas cataratas, ou quem sabe pelos dois, como eu fiz.
Espero que gostem do relato, apesar de longe e detalhista.
Adorei o Paraguai e pretendo voltar outras vezes, para treinar o espanhol, para conhecer melhor Assunção e as outras cidades do interior que não conheci. Gostei bastante da parte da Argentina que conheci, apesar dos argentinos malas colegas de quarto no Che Lagarto. A Argentina é um país que quero conhecer por inteiro no futuro.
Gostei muito de Foz do Iguaçu, uma cidade muito bonita e organizada, com gente bonita e educada. Fiquei surpreso, já que normalmente cidade fronteiriças são uma bagunça!
Um abraço e fico a disposição para dúvidas!
Roteiro viagem Paraguai alternativo.xls
http://mochilaobarato.com.br/conhecendo-o-paraguai/
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