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Elias D. Teixeira

Viagem à Bolivia - La Paz - Salar de Uyuni - Sucre - Copacabana - Rodovia da Morte

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Introdução

Quando pensei em minha viagem de férias para o ano de 2011, a Bolívia não estava em meus planos. Na verdade sempre que penso nesta região, o primeiro país de que me lembro é o Peru, no entanto desisti porque os preços da visita a Machu Picchu foram elevados pelo governo. Não sei qual foi o motivo do aumento de preços, se para restringir o número de turistas (que talvez estivesse muito alto e colocasse em risco o patrimônio histórico) ou para obter uma melhor rentabilidade, mas seja lá qual for o motivo, desisti porque existem diversas opções para se divertir nas férias. Visitar o Peru e não ver a jóia Inca, não é admissível, no entanto ao ler diversos relatos na internet, verifiquei que poderia fazer uma boa viagem de férias exclusivamente pela Bolívia e não me arrependi desta decisão.

Este relato é uma forma de agradecer a diversas outras pessoas, que me precederam relatando suas viagens a todos os interessados. Isso é muito importante porque assim podemos ter uma boa idéia do que iremos encontrar pela frente, é uma oportunidade de viajar com estas pessoas e uma excelente forma de fazermos um roteiro de nossa futura viagem. Assim contribuo com esta fantástica fonte de informação, que é a internet e tenho certeza de que em minha próxima viagem poderei contar com as informações que VOCÊ irá me prestar. Assim é a vida.

 

Documentos e informações iniciais

Os documentos mínimos necessários para ir à Bolívia são a carteira de identidade (RG) com menos de 10 anos de sua expedição e um certificado internacional de vacinação contra febre amarela. Deve-se tomar a vacina em qualquer posto de vacinação, nesta oportunidade lhe será fornecido um certificado de vacinação com validade nacional, após isso se dirija a um posto da ANVISA em um aeroporto ou porto, para que seja feito o certificado internacional. Faço duas observações com relação ao certificado, a primeira é que antes de ir ao posto da ANVISA é necessário fazer um cadastro antecipado no site da ANVISA e notei que pessoas que não o fizeram, tiveram que acessar a internet em frente ao posto para que fossem atendidas, portanto é melhor se informar antes. A segunda observação é que ninguém me solicitou o certificado de vacinação em momento algum da viagem, no entanto, como isso é necessário, eu não tentaria viajar sem ele.

Se você pretende viajar com sua maquina fotográfica cuja resolução seja igual ou inferior a 10M, saiba que a partir do último trimestre de 2010 foi adotada uma norma (ou algo assim) da Policia Federal Brasileira que dispensa a apresentação da mesma no posto da policia antes da viagem, no entanto leve a nota fiscal de compra da mesma ou então será necessário demonstrar que ela não foi comprada durante a viagem em curso. Neste segundo caso tire fotos do seu cartão de embarque e sua foto antes de embarcar, o objetivo é fazer uma “prova de uso” da mesma. Eu tirei uma foto do cartão de embarque em frente a um espelho, mas nada disso foi necessário porque minhas bagagens não foram vistoriadas na chegada ao Brasil, já que a Bolívia não é um destino de “sacoleiros”.

Apesar do descrito no parágrafo anterior, lá existem bons preços para materiais esportivos (tênis, agasalhos, calças, mochilas, barracas de camping, casacos e artigos de couro, etc). Acredito que tudo estava mais barato que no Brasil e existem produtos de boa qualidade, basta procurar. Li em um relato antes de minha viagem no qual o autor dizia que “da próxima vez iria pelado para a Bolívia e compraria tudo por lá”. Existem ocasiões em que uma frase transmite um sentimento mais preciso do que muitos parágrafos.

Com relação à forma de transferir nosso dinheiro para a moeda local (bolivianos) acredito que a melhor seja a de levar dólares em espécie. Cheques de viagem possuem uma boa conversão lá (nosso dinheiro compra mais em cheques de viagem e o valor de troca é bem vantajoso, já que é bem próximo do valor pago pelo dólar), mas sua troca está restrita a poucos locais. Trocar reais por bolivianos diretamente também é possível, mas geralmente costumam pagar menos do que se você tivesse comprado dólares e os pontos de troca também são mais restritos. Eu cheguei a fazer cambio de dólar para bolivianos até em cidades muito pequenas, coisa que seria muito difícil para cartões eletrônicos e cheques de viagem.

Outro ponto muito importante está ligado à segurança. Durante o vôo de ida, ouvi o relato de uma moça que recomendava a outros brasileiros para ter cuidado com os taxis, pois existem alguns que possuem apenas faixas quadriculadas nas laterais, são “taxis coletivos” e em um deste tipo, ela foi assaltada por um passageiro. Existem outros táxis que, além das faixas laterais, possuem um luminoso na parte de cima (como os nossos) e estes são mais seguros, pois atendem apenas a um passageiro por vez (ou a um mesmo grupo). Utilizei táxis coletivos e tradicionais, que são muito baratos, nunca me cobraram mais por ser turista e não tive nenhum problema de segurança relacionado a eles ou de qualquer outro tipo durante a viagem, tenho que ser sincero e dizer que em todas as ocasiões me senti mais seguro lá, que em minha cidade (São Paulo). Mesmo assim sempre adotei os procedimentos de segurança que utilizo aqui: levava apenas o dinheiro que pretendia gastar (se bem que em La Paz, sempre é recomendável levar um pouco a mais, pois não é difícil encontrar algo “irresistível” a ser comprado) e cópias em lugar dos documentos originais.

Falando neste assunto, de utilizar cópias em lugar dos documentos originais, isso é muito utilizado pelos mochileiros em geral. Não tive nenhum problema com isso, exceto quando fui à cidade de Copacabana, pois como ela fica próxima à fronteira, fomos parados pela polícia e não aceitaram as cópias. Eu, assim como diversos mochileiros, tive que “retirar do esconderijo” meus documentos originais. Vejo esta questão da fiscalização como algo positivo já que em nosso país é possível viajar grandes distâncias sem nunca ser “parado ou verificado” por nenhum agente de segurança, lá as estradas são fechadas por correntes, os motoristas precisam descer dos carros para apresentarem seus documentos. No caso dos coletivos eles apresentam também a lista de passageiros (que podem ser verificados) e só depois seguem viajem.

Se gasta pouco na Bolívia, um hotel simples, mas com boa higiene, aquecimento central, TV a cabo, banheiro privado facilmente será encontrado na faixa dos US$11. Se retirarmos o aquecimento de água central e a TV a cabo, mantendo os outros requisitos, será possível pagar algo em torno de US$7. Comer em um restaurante “a La carte” sairá em torno de uns US$7 por pessoa, se for fast food ou um restaurante popular divida este valor pela metade. Uma sopa no mercado popular custa B$3 (menos que US$0,50). Lá um litro de gasolina custa um pouco mais que US$0,50 o que torna as passagens de ônibus e o transporte em geral bastante baratos se comparados aos nossos, para ter uma idéia as passagens para Copacabana ou Oruro, me custaram algo em torno de US$3,60 cada. Uma excursão de quase um dia inteiro para visitar Tihuanaco custou US$23 (excursão com guia + entrada no parque + almoço).

 

Relato da minha viagem

Saí de Guarulhos em uma tarde de sábado num vôo da Aerosur com destino a La Paz e escala em Santa Cruz de La Sierra. A duração da primeira etapa foi de 2h30min. Não se esqueça de levar uma caneta esferográfica em seu bolso para poder preencher os papeis de imigração bolivianos. Ao chegar ao aeroporto você passará pela imigração, caso utilize o RG (que é muito bem aceito em qualquer parte da Bolívia, ao contrário do que dizem relatos mais antigos na internet) receberá um papel (na verdade você o preencheu durante o vôo) que deverá ser conservado consigo durante toda a viagem e devolvido em sua saída do país. No saguão deste aeroporto existe um guichê no qual se pode fazer câmbio, caso queira utilizá-lo troque apenas o necessário para sua chegada à cidade de destino, pois como sempre, os aeroportos não são bons locais para isso. Eu troquei apenas US$50 e apesar de ter comprado um pacote de turismo no dia seguinte, só precisei de mais bolivianos na segunda feira.

De Santa Cruz de La Sierra são mais uma hora de vôo até La Paz. O aeroporto está localizado na cidade de El Alto. Os bolivianos deveriam ser reconhecidos internacionalmente por sua habilidade inigualável de nomear cidades, pois nunca vi um nome tão acertado. Em Santa Cruz estava um calor abafado, mas ao sair do avião em El Alto a temperatura era de 7 graus. Bem-vindo ao altiplano, aqui quando há sol, há calor, mas é só ficar um momento à sombra que o frio já aperta. Como cheguei à noite, o frio é normal.

Após pegar o táxi, na descida para La Paz, já estava me vangloriando de meu excelente estado de saúde, pois apesar do ar ser "mais leve", por estar a quatro mil metros de altitude, eu estava me sentindo muito bem. Como já era tarde resolvi comer um lanche em frente ao hotel e já pedi um chá de coca (afinal de contas é melhor prevenir que remediar). Ele é um pouquinho amargo, porém está mais para chá de nada com coisa nenhuma. Como estava cansado fui logo dormir e aí o “bicho começou a pegar”, porque acordei várias vezes com falta de ar. Não que eu estivesse morrendo, mas acredito que alguma parte em meu organismo pensava que sim. O mal estar decorrente da altitude depende de pessoa para pessoa, está relacionado também com a idade (li relatos de que crianças não sentem nada), mas demora algum tempo para se manifestar, o contrário também é verdadeiro, de forma que mesmo que se desça a uma altitude menor, seu desempenho físico não melhorará instantaneamente. No meu caso senti uma dor de cabeça bem fraca, dificuldade para dormir e desempenho físico ridículo, mas que me permitia caminhar sem nenhum problema.

Após levantar no domingo (pois acordar não seria um termo muito adequado) fui tomar café e pedi mais um chá de coca. Era ruim como o anterior, mas este era preparado com folhas e não com saquinho de chá. Depois de tomá-lo masquei as folhas (teria comido também as raízes e quaisquer outras partes da mesma planta, se elas estivessem disponíveis). Bom não é, o gosto das folhas é um pouco amargo, mas adormece a boca e o efeito é imediato. É por isso que não se vê os indígenas e seus descendentes tomando chazinho (gente esperta).

Com esse “gás extra” resolvi fazer uma excursão a Tihuanaco (ou Tiwanaco), que são ruínas de uma civilização pré Incaica. Antes estava em dúvida, mas escolhi este porque era o passeio que iria a uma menor altitude. No grupo, de umas quinze pessoas, eu era o único brasileiro. O guia, de nome Fred, era boliviano e sem nenhuma classe, coçava a barriga e o saco a qualquer momento, mesmo que estivesse falando ao grupo. Entre uma apresentação e outra, quando estava em campo aberto, descansava na grama como se fosse um cachorro velho, no entanto era muitíssimo simpático e não se limitava a explicar, fazia demonstrações de como as coisas funcionavam. Fez um trabalho excepcional, cativou a todos, uma figura carimbada com certeza, eu o qualificaria como um verdadeiro ícone boliviano: sua aparência nos faz pensar que nosso contato com ele não será bom, mas sua simpatia e seus bons serviços nos convencem de que estávamos redondamente enganados.

Na segunda-feira aproveitei para fazer câmbio e comprar roupas, principalmente um agasalho de “goretex” que é perfeito para este clima de montanha, pois não é muito quente (permite a transpiração da pele) e protege muito bem contra o vento. Também aproveitei para conhecer melhor a cidade, caminhando por várias de suas ruas. Durante o inicio da noite, entre 19 e 21h é o horário de pico de movimento de pedestres, há uma verdadeira multidão nas ruas e nos restaurantes.

Na terça-feira de manhã viajei de ônibus até a cidade de Oruro. Minha intenção era a de embarcar no “Expreso Del Sur” que parte neste dia da semana às 15h30min de Oruro a Uyuni. Caso tenha a intenção de viajar nesta linha de trem, consulte as diversas opções de horários e demais condições em http://www.fca.com.bo/, ou então faça uma pesquisa com estes nomes e encontrará diversas informações. Do “terminal de buses” de Oruro até a estação ferroviária é necessário utilizar um táxi. Só para ter uma idéia de valores, paguei o equivalente a US$3,60 na passagem de ônibus, cuja viagem demorou 3h30min e US$1,44 no taxi, que demorou uns 8min em seu trajeto. O táxi foi necessário por causa da distância e do tempo, pois comprei minha passagem às 12h30min e só estavam disponíveis os assentos da classe executiva. Depois de uma hora não existiam mais passagens disponíveis, estavam todas esgotadas.

Quando comprei minha passagem pensei que o atendente estava de sacanagem comigo e só me vendeu aquela passagem porque se tratava de um turista, pois ao olhar aquele trem enorme parado na estação e procurar ao redor, onde a vista alcançava, de que lugar viria uma multidão capaz de ocupá-lo totalmente? É... eu estava enganado porque um pouco antes da partida, que foi pontualmente às 15h30min, parecia uma invasão de baratas. Se não tivesse visto, não imaginaria que havia tamanha quantidade de desocupados e vagabundos neste mundo e todos escondidos em algum canto daquela cidade. É certo que muitos bolivianos também estavam viajando, porém a maioria era de estrangeiros, assim como eu, e março não é um mês de férias.

A largura das poltronas do trem era a mesma da encontrada em qualquer ônibus de viagem, mas o espaço para as pernas era um pouco restrito, pois para um homem alto como eu (de 1,70m) já estava um pouco difícil, imagine para um de verdade. No entanto a paisagem é tão encantadora que compensa todos os males da viajem, isso é tão verdadeiro que somente quando escurece é que você se dá conta do quanto o trem é “muquifento”. Não há como não relacioná-lo a cavalos, em alguns momentos pelo som, em outros pela velocidade, mas principalmente pelos coices que eles costumam dar no final do vagão. Além disso, sei que seria impossível, mas há uns trechos em parece que ele estava utilizando rodas ovais. Foram 7 horas de viagem, ótima antes e desconfortável depois do anoitecer.

Mesmo assim eu repetiria este mesmo roteiro. Só tomaria o cuidado de utilizá-lo em um período majoritariamente diurno. Depois soube que a companhia que administra a ferrovia é chilena e eles não fazem a manutenção adequada dos trilhos, o que causa o enorme sacolejo e a baixa velocidade em alguns trechos. O melhor de tudo é que, como não existe muito movimento próximo aos trilhos, a vida selvagem está bem ali, a alguns metros, e quando o trem passa os pássaros começam a voar. É muito bonito.

Para se chegar à cidade de Uyuni a maior parte dos turistas se utiliza de linhas de ônibus que partem de várias cidades (La Paz, Sucre, Oruro, Tarija, Potosi, etc) então, caso não faça questão de viajar de trem, escolha esta outra opção. Como as estradas próximas à cidade são de terra, não espere algo muito confortável, no entanto eu penso que esta viagem é melhor. Li relatos de que o serviço de ônibus intermunicipal da Bolívia era ruim, mas não tive esta impressão. Os melhores que já utilizei foram os da Argentina, depois disso Chile, Brasil e Bolívia estão praticamente no mesmo nível, o que diferencia um pouco são as estradas e a rede de apoio. Se estivermos em uma estrada de terra o conforto não será bom, seja aqui ou em qualquer outro local.

A chegada à cidade de Uyuni ocorreu às 22h30min. Não gosto de chegar a um local desconhecido durante a noite, mas é sempre emocionante, pois não tenho idéia do que irei encontrar. Ao descer de meu vagão sabia que teria que retirar a minha mochila, que havia despachado na estação de embarque, mas não fazia idéia de como isso seria feito. Bem, com certeza eu não era o único e resolvi seguir a maior parte das pessoas que estavam apenas com bagagens de mão. Descobri que era em uma sala, no final da estação, onde estavam sendo descarregadas todas as mochilas e bagagens. Os movimentos dos funcionários eram seguidos com atenção por uma multidão que se adensava minuto a minuto. “Isso vai demorar”, pensei, e resolvi ir ao banheiro. Quando retornei, a plataforma estava vazia (e fui só fazer um xixizinho). Entrei na sala e só encontrei minha mochila, abandonada em um canto qualquer. Eles colocaram todas as mochilas na sala, depois permitiram que todas as pessoas entrassem e pegassem suas bagagens, ao sair eles conferiram os canhotos com as bagagens. Esse procedimento foi muito eficiente e rápido.

Uyuni é uma cidade voltada ao turismo, não é necessário se preocupar com hospedagem e alimentação, tenho certeza que você encontrará locais para isso. Esta cidade é porta de entrada ao Salar de Uyuni que pode ser conhecido em excursões de um ou três dias, em carros SUV 4x4. Diferentemente de locais de difícil acesso no Brasil, aqui os carros são relativamente novos e bons, o que é igual é a precariedade dos pontos de hospedagem, mesmo assim havia banho quente em todos os locais em que estive hospedado e os pontos ruins são ofuscados pela simpatia e boa comida caseira.

Contratei uma excursão de três dias (e duas noites) por US$108, saindo e voltando a Uyuni, que incluía hospedagem, refeições e o valor da entrada para o parque. Pode-se também contratar uma excursão de três dias, cujo destino final seja São Pedro de Atacama, no Chile. Ou uma excursão de apenas um dia, visitando somente o Salar de Uyuni.

Na verdade basta um dia para visitar o Salar, no restante do tempo são visitados os arredores da cidade com picos nevados, vulcões, lagoas de diversas tonalidades, gêiseres e diversos animais. Como março está no final da época chuvosa e o Salar é como uma espécie de bacia, toda a água das chuvas dos últimos meses estavam represadas nele. Os carros tiveram que trafegar sobre uma lâmina d’água de uns 30cm de profundidade por uma distância de uns 4km. É estranho, parecia que estávamos no mar, mas a bordo de um carro. Lá visitamos o Hotel de Sal, que está em um nível um pouco mais alto que os arredores (acima da água) e pode-se “andar sobre as águas” porque o local é quase plano, fazendo com que a profundidade aumente muito suavemente. Em tempos de seca deve ser possível visitar outros locais, que estão inacessíveis aos veículos durante este período de cheia.

O SUV em que viajei, assim como a maioria dos outros, possuía o motorista e lugares para mais seis turistas. Existem outros em que há o motorista e uma cozinheira. No nosso caso o motorista era quem disponibilizava as comidas prontas na porta traseira do automóvel e nós nos servíamos, com direito a uma garrafa de coca-cola (sem gelo) por refeição. Um dos cuidados que se deve tomar é verificar se já estão vendidas todas as passagens, pois a partida pode ser atrasada se ainda estiverem faltando pessoas. Apesar de saber disso, quando comprei minha passagem eu era o terceiro passageiro e deu tudo certo (afinal de contas não é possível que todos sejam o sexto).

Para fazer esta viagem a agência de turismo irá lhe obrigar a levar apenas uma mochila pequena com o que for necessário para estes três dias, o restante das bagagens ficará guardado no escritório da empresa até o seu retorno. Eu optei por levar meu saco de dormir, pois o havia utilizado até este momento em todos os hotéis nesta viagem e não seria neste momento que iria desistir dele. Ele foi produzido no Brasil, de forma que, não está preparado para baixas temperaturas, mas para minha surpresa, as temperaturas enfrentadas foram as mesmas que havia encontrado em La Paz. Mesmo quem não levou saco de dormir conseguiu dormir bem, somente com o fornecido pelas hospedagens.

Um dos pontos que me preocupava era ter que dividir um espaço tão restrito, como o carro e alojamentos coletivos, com pessoas desconhecidas, mas essa na verdade foi a melhor parte do passeio, pois todos foram muito atenciosos e gentis uns com os outros, o que faz com que sinceramente eu ainda sinta saudades de cada um deles. O idioma principal desta viagem, assim como na maioria dos outros automóveis, é o inglês, então se você pretende praticar este idioma, está aí uma excelente oportunidade.

De Uyuni fui de ônibus a Sucre, saí às 9h e cheguei às 19h. Um ponto interessante da viagem é que não existe uma rede de apoio nas estradas para os passageiros de forma que em determinado momento o motorista parou o ônibus e disse que era “parada para ir al bano”. Já havia ouvido falar sobre isso, mas esta era a primeira vez que presenciava. Os homens vão para um lado (não muito longe) e as mulheres vão para o outro (um pouco mais longe), mas como acima de 3.000m de altitude não existem árvores, apenas pedras, não dá para se ocultar totalmente. Mas sabe como é... quem está interessado nisso? Só observo este detalhe como algo curioso, peculiar. Outro ponto interessante é que em momento algum, após qualquer parada em que os passageiros desçam, o motorista confere se estão todos a bordo, no máximo ele dá uma perguntada se voltaram todos. Como eu estava viajando sozinho, esta sempre foi uma grande preocupação.

Ao chegar a Sucre, não gostei da cidade, embora seja um lugar bonito. Talvez seja por estar sentindo falta de meus amigos da excursão anterior. Após sentir como é bom viajar em grupo, se sentir parte de um grupo, a volta à solidão não é muito boa. Ou talvez seja porque o tempo não estava muito bom, parecendo que a chuva cairia nos próximos dias. Escolhi ficar próximo à rodoviária, já que não necessitaria de transporte algum para me hospedar. No dia seguinte tomei conhecimento de que o centro da cidade estava distante e teria que me utilizar de táxis para chegar lá. O preço do táxi era de B$4 (o equivalente à US$0,58) e perdi o medo deste tipo de transporte, porque antes tive problemas para sinalizar que desejava utilizá-lo, ocorre que se deve gesticular com mais vigor do que fazemos aqui e, as vezes, é necessário gritar “táxi” também. Nada que não se possa aprender.

Na praça mais importante da cidade a primeira coisa que fiz foi tomar um excelente café em uma loja especializada nisso. Para compensar a falta do prazer da companhia de amigos, desfrutei do prazer do paladar. Em uma das laterais da praça existia um grupo de turistas e acabei por comprar aquele pacote turístico de um pouco mais de meio dia para um local que eu não fazia a menor idéia do que seria. Na verdade o que me interessava nesta viagem era o Salar de Uyuni e um passeio de bicicleta à estrada da morte, o restante era tudo “lucro”, então não estava me importando com os detalhes, afinal de contas, se gostasse do país, a Bolívia sempre “estaria à mão” assim como já considero outros países da América do Sul.

A excursão era para a cidade de Tarabuco, onde acontece uma feira semanalmente aos domingos (creio) com artesanato e demais atrativos. Este dia era especial, pois haveria apresentação de grupos folclóricos e o presidente Evo Morales estaria presente. A cidade estava lotada e o ônibus foi obrigado a nos deixar longe do centro, de outra forma seria impossível que ele conseguisse sair, pois outros veículos estacionados “travariam” sua saída.

Depois do Salar de Uyuni fiquei destemido e resolvi provar umas comidas populares. Logicamente tomo o cuidado de saber onde está o banheiro mais próximo, pois sempre é melhor prevenir do que remediar. Nos mercados populares existe algo como “barracas de comida” que servem vários pratos, dentre os quais resolvi provar as sopas, principalmente por serem mais confiáveis, afinal de contas tudo que ferve tem menor probabilidade de contaminação. Não me arrependi, pois elas são deliciosas, não me deram nenhum problema e ainda me diverti com a reação dos locais ao me verem comer entre eles. Tudo só não foi perfeito porque as cozinheiras costumam segurar o prato fundo pelas bordas e enchê-lo até que a ponta de um, ou de vários dedos, fiquem submersos na sopa. Deve ser uma simpatia, ou algo tradicional, mas como já me considero bem simpático, tomo o cuidado de ficar de olho e pedir para que ela pare de encher antes do “nível crítico”.

De Sucre fui a Copacabana, uma cidade que fica nas margens do lago Titicaca. Na verdade eu peguei um ônibus leito de Sucre a La Paz e de lá, um microônibus até o destino final. Sempre preferi viajar durante o dia para ver a bela paisagem, mas como em viagens noturnas eu poderia contar com este “luxo”, não dispensei. Mesmo porque tive um pouco de azar nas duas últimas viagens, pois o assento ao lado do meu foi ocupado por mulheres com bebês de colo. Minha sorte é que eles são do tipo “ninja”, não vomitam (pelo menos nestas oportunidades nada ocorreu) e em uma das vezes dormiu o bebe e a mãe e, por incrível que pareça, ninguém caiu de seu lugar. Desta vez preferi não arriscar, afinal de contas quando certas coisas acontecem, todo mundo dorme, menos eu.

O ônibus leito possuía apenas três assentos em cada fila (e não quatro como era o comum) e reclinava um pouco mais. As estradas bolivianas não possuem muito movimento durante o dia e acredito que à noite deve ser mais tranqüilo. Acredito que seja assim, não posso garantir porque dormi bem durante toda a viagem.

Logo após descer do microônibus e caminhar pela primeira rua, já vi várias lojas de câmbio, de lembrancinhas, restaurantes e hotéis. Tudo de que necessita um turista. Entrei em um hostal pequeno, que possuía um restaurante na frente, perguntei por um quarto com banheiro e ducha quente. O atendente me informou o preço de B$30 (que são US$4,32). Eu ia agradecer e nem queria ver o quarto, mas ele foi tão simpático que lhe acompanhei. Ao subir notei que tudo no caminho estava bem limpo e o quarto era muito bom (bem simples, mas bom). Fiquei por ali mesmo e este foi o meu recorde de preço baixo em hotéis na Bolívia.

Copacabana e o lago Titicaca valem uma visita. Além dos belos visuais, ainda se pode fazer uma caminhada de 9km na ilha do Sol, que é muito linda. As altitudes ficam entre 3.600 e 4.000m, o que exige bastante esforço e, no meu caso, umas boas folhas de coca, mas como já estava bem adaptado à altitude, consegui fazer o trajeto sem muitos problemas (melhorei bastante).

De Copacabana voltei à minha cidade do coração na Bolívia, que é La Paz. Sim, gostei muito de La Paz, porque lá havia tudo de que necessitava em termos de hotéis, compras, comida e passeios. Dentre os vários passeios disponíveis, optei por um que já havia visto na internet durante o planejamento da viagem: descer de bicicleta a estrada da morte, que interliga La Paz à cidade de Coroico. São 65km de descida que começam em 4.600 e terminam em 1.700m de altitude, praticamente não é necessário pedalar, o que é fundamental nesta altitude, pois essa distância eu não garanto nem em São Paulo, imagine em um local de altitude.

Até 2006 só existia a estrada antiga, que é linda e é a utilizada pelos vários grupos de ciclistas, mas ela não está fechada aos carros, nós cruzamos com dois automóveis e um caminhão, não é muito, mas basta uma bobeada para transformar o passeio em uma tragédia. Com a abertura da nova estrada, esta passou a ser utilizada pela população em geral, pois é asfaltada e mais segura. Uma coisa muito interessante na estrada velha é que como o precipício está do lado esquerdo de quem desce, utiliza-se a mão inglesa para que o motorista que desce possa colocar a cabeça para fora do vidro e ver exatamente onde está o pneu de seu veículo quando tiver que dividir a estrada com algum carro que esteja subindo. Ultrapassagem é algo que não existe por lá, a não ser que seja de bicicleta (ainda assim é muito difícil) e, dependendo de onde e como ocorrer, o turista pode perder imediatamente o direito ao passeio.

Uma coisa boa para os católicos é que os precipícios são tão íngremes e profundos que se cair, pelo menos terá a chance de rezar uma ave-maria antes de morrer com o impacto. Quando comprei o pacote me foi recomendado fortemente que não levasse minha câmera fotográfica, já que eles tiram as fotos do grupo e depois fornecem um CD. Nesta “gentileza” está embutida uma boa dose de segurança, porque alguns turistas já morreram ao tentarem tirar fotos enquanto pedalavam, aliás, nem mesmo trocar de marchas é permitido, pois uma olhadinha para verificar se a corrente respondeu ao comando, pode ser o fim.

Falando em corrente, eu protagonizei a única “beijada de chão” do passeio, já que a corrente da minha bicicleta saltou, travou a roda traseira e, como estava um pouco acima da velocidade, o chão foi ficando cada vez mais próximo até ficarmos juntinhos. No inicio do passeio achei que era um preciosismo ter que vestir uma roupa inteira sobre a de cada um e ter que usar capacete, luvas, joelheiras e cotoveleiras, mas foi isso que me livrou de uns bons arranhões. O câmbio da minha bicicleta teve “perda total” e recebi outra para continuar o passeio. Outras duas foram trocadas em nosso grupo, por motivos diferentes. Pensando bem, essa estrada da morte, com seus buracos, mata muito mais as bicicletas que as pessoas.

Meu acidente foi uma imprudência, já que eu não precisava estar tão rápido naquele momento, mas estava em um trecho sem abismos e sabe como é... o grande filósofo Max diz: “se você está no inferno, o que custa dar um abraço no Capeta?” Então, por que não acrescentar um pouco de emoção ao passeio? As vezes passa um pouco da conta, mas isso faz parte do jogo.

Foi muito bom visitar a Bolívia e pretendo voltar outras vezes. É um destino relativamente pouco comentado e utilizado, mas isso tende a mudar com as facilidades criadas para facilitar o trânsito de brasileiros e bolivianos entre nossos países e esta é uma das chaves para a integração necessária e desejável entre nossos povos.

Caso queira ver mais fotos desta viagem, por favor acesse o site http://www.flickr.com/photos/cazuza1234/

Um abraço,

Elias D. Teixeira

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Oi Elias, muito bom o teu relato! Se vc puder postar umas fotos para ilustrar, ficaria melhor ainda!

 

Se vc me permitir, eu gostaria de fazer uns comentários, para contribuir também com os amigos mochileiros.

 

- quando eu fiz meu certificado internacional de vacinação, o funcionário da ANVISA fez meu cadastro na internet na hora, e da minha esposa também, mas não tinha mais ninguém no posto e acho que foi mais rápido por isso;

 

- Em relação à máquina fotográfica, o ideál é fazer a DBA (declaração de bagagem acompanhada) antes do embarque, pois assim não será necessária a apresentação da nota fiscal no retorno. O mesmo serve para celular, relógio, perfume, e outros itens. Para mais informações acesse: http://www.receita.fazenda.gov.br/Aduana/Viajantes/DBA.htm

 

- Como moro em MS, fronteira com a Bolívia, achei interessante corrigir uma informação: nessa semana a policia apreendeu mais de 40 toneladas de contrabando, em um único dia de fiscalização, pois a Bolívia é um destino de sacoleiros, não de equipamentos eletrônicos como o Paraguai (também aqui ao lado), mas principalmente de roupas e calçados, cujas apreensões em altíssima quantidade são frequentes.

 

Obrigado pelo espaço.

Abraços.

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David,

 

Eu até tentei colocar umas fotos no texto da viagem, mas não consegui. Acho que estou ficando burro demais, ou impaciente demais para conseguir publicar as informações como se deve. O mesmo texto está no Scribd com fotos, mas aqui não consegui. Vou tentar.

 

Um abraço,

 

Elias

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20110405212816.jpg 500 375 Legenda da Foto]Vamos ver se consigo publicar esta foto do deserto, do passeio de três dias nos arredores de Uyuni Parece que vai dar certo...[/picturethis]

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Elias a foto é belíssima!!!

Eu acho que os arquivos devem estar com mais de 1,5mb. Geralmente, quando dá problema pra publicar fotos é pq estão pesadas. Não sei se é o caso, mas se as outras fotos forem tão bonitas quanto esta então vale a pena continuar tentando!!!

Parabéns!!

 

Abraço.

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[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20110405221020.jpg 500 375 Legenda da Foto]Parada para o almoço. Apesar de estar morna, porque no passeio que escolhi não havia cozinheira, sempre gostei da comida oferecida.[/picturethis]

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[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20110405221412.jpg 500 375 Legenda da Foto]A maquina fotográfica do pessoal da excursão de bicicletas na estrada da morte, não era lá essas coisas, mas minha máquina ainda está "viva" graças a isso (graças a não ter levado ela na excursão, onde seria destruída na queda que tive).[/picturethis]

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    • Por Hélio José
      Essa viagem começou em setembro do ano passado, quando estava pesquisando destinos para viajar assim que eu terminasse a minha formatura. Bem, ate então não havia o voo direto de Recife a Bogotá, que foi inaugurado no mês de novembro, dois meses depois, seja como for, acredito que peguei uma boa promoção, afinal paguei 1200 reais saindo de recife, com conexão em são paulo para ir a Bogotá, e na volta, sai de Bogotá para o Rio onde tive conexão  para voltar ao Recife, tudo pela Avianca.
      As passagens a Medellín, também comprei pelo site da Avianca internacional, no mês de novembro e custou 400 reais a ida e volta, tratei de comprar um voo as 8 da manha, já que eu chegava em Bogotá as 5 e meia da manhã e tem todo aquele processo de achar o terminal nacional, retirar as bagagens, imigração e tal. Então vamos ao que interessa.
      Para começo de conversa a Avianca Brasil me trolou duas vezes, a primeira foi um mês antes da viagem, quando recebi um e-mail de alteração no trecho REC-GRU, antes eu sairia daqui as 20 hs e com três horas de voo, significava ficar pouto tempo lá em São Paulo, uma vez que meu voo saia as 1 da madrugada. A Avianca Brasil pôs meu voo REC-GRU para as 8 da manha do dia 28, ou seja, logo após o trecho São Paulo - Bogotá , eu teria um voo as 8 da manha Recife - São Paulo (What?) Bem, Uma coisa tem de ser dita, os atendentes da Avianca internacional são muito simpáticos no seu português cheio de sotaque espanhol (Valeu Davi). A segunda trolagem, vou deixar para falar sobre ela no trecho da volta.
      Despache de mala ok aqui em Recife, só iria pegar a mala la em Bogotá. Segue o Fluxo. Deixei meus fones de ouvido em casa, e já sabia que os fones que a Avianca Brasil dão, são meio capenga e só funciona bem nas mídias deles, e que eles recolhem no final do voo. Porem tudo mudou no voo da Avianca internacional , que mesmo indo em assento da classe econômica, valeu Avianca, me deram fones que me salvou ate Medellín. Uma coisa deve ser dita, entrar no voo em São paulo, significa, já era português, e eu tinha experiência sim com espanhol na Argentina e Uruguai, porem dessa vez era Eu e Deus, então todo o atendimento das aeromoças, foram em espanhol, um sofrimento para entender, embora que la pelas tantas da manha quando elas passaram dando agua, e acho que a cara feia que ela me fez significa que eu errei, em esperar ela me dar o copo, em vez de pegar o copo para ela por a agua (perdão, na volta eu aprendi). La pelas 4 e pouca da manha, depois de descobrir a técnica infalível de deitar numa cadeira de dois assentos, estavam servindo o café da manhã. Café da manhã bom, mas se me perguntar so me lembro dos "huevos" e gasosa de manzana ( Ta na hora de o Brasil exportar aquilo, porem acho que o guaraná Jesus é parente daquele refri, tenho certeza disso). Junto me deram um papel para preencher, era familiar aquilo, já peguei o mesmo quando a TAM me deu na entrada ao Uruguai, mas  e cade a caneta para preencher? Fato que teria bronca com isso mais na frente.
       
      Segue o fluxo para a imigração, a Imigração da Colômbia é bem de boa, mas uma dica, quase não entro na Colômbia, Culpa do Andrés, meu super amigo colombiano que sabe muito português, acho que sabe até demais. O Andrés não me disse sua Calle, nem o numero da sua casa onde eu iria ficar. E a moça da imigração foi bem clara, você não entra na Colombia se não disser onde vai ficar. Bem, ainda liguei pro danado, mas eram 6 da manha, e ate eu estaria dormindo ( exceto se fosse receber um amigo hahahahha) Mas... Deu tudo certo, ela pegou o numero dele, e carimbado, vamos a segunda bronca da manhã. A falta de Caneta. Bem, não existe nenhuma instrução de como preencher o papel de declaração que vc recebe la no avião, esta em inglês e espanhol, então se vire, o pessoal não empresta caneta ( obrigado ao americano que me emprestou e fiquei com ela), Entregue ao moço la, mais um raio X e sai do aeroporto internacional.
       
      Bogota é muito fria de Manhã, muito mesmo, e eu precisava agora achar o balcão da Avianca para despachar minha mala para MED, o aero não é tao gigante quanto o de São Paulo, pelo menos não achei. Mas eu tinha um amigo la me esperando (Henrique) que me ajudou no café da manha, porque estava sem nenhum peso colombiano. Comi huevos de novo. Despachei a mala e foi tudo muito tranquilo. Em setembro eu não sabia que iria viajar na semana santa, então estava tendo uma amostra das igrejas da cidade no aeroporto, deu tempo de treinar o espanhol. Muito lindo. Você tem duas horas de Wi-fi la, então da para se cadastrar e aproveitar.
       
      Medellin
       
      O voo pra Medellin é rapido, só da tempo de tomar um suco, literalmente. E quando voce chega la, o aeroporto é lindao. Vamos as dicas, tem casas de cambio boas no aeroporto ( na parte do embarque), entao chegou, sobe as escadas, e tem uma casa em especifica que fica por tras de uma escadas, é com a melhor cotação, percebi tanto na chegada quanto na volta. Troquei 20 dólares la, 53 mil pesos colombianos, o suficiente para pegar o busao que sai do aeroporto para o centro da cidade. O onibus fica na saída do desembarque nacional, saiu, segue em frente tem dois onibus, vc pega o primeiro que segue para o centro comercial San Diego, há dois onibus la, se ligue (Centro comecial San diego). 9500 pesos colombianos.
      Aproveita a viagem, e se quer curtir, senta no lado do motorista, que quando voce passar o pedagio, vai ter uma visão da chegada a  cidade que PQP, que cidade... Medellin me deixou enamorado desde a chegada. São 40 - 1 hora, não lembro quanto tempo durou, mas o suficiente pra curtir bem a paisagem. Muita gente desce no centro comercial, e o ponto é embaixo de um viaduto ( A Daniela estava la me esperando, a irmã do Andres). E quando voce chega, tem muuuuito taxis. Minha dica, se acalma e vai trocar tua grana. Precisa entender que o centro comercial é dividido em duas partes e separado por uma avenida, as casas de cambio ficam na segunda parte, entao voce vai atravessar a avenida, cruzar o centro por dentro e chegar na outra avenida, subir uma passarela e acho que no 2 andar tem duas casas de cambio, perto de uma lanchonete. Troquei la, 100 dolares, o que deu para os 4 dias em MED. Comi uma empanada com suco de maracuja e vamos pra casa, pra casa do Andres.

      Saindo de la pegamos um taxi,e os taxis são amarelinhos e pequenininhos, achei fofo, um monte de irmão do UP amarelinhos.
      Fiquei no Bairro de Buenos aires, não me pergunte melhor local de estadia, era a casa do meu amigo e foi maravilhoso.
      Almocei, e quando foi umas 16hs o Andres Chegou, fomos conhecer o centro.
      Basicamente MED faz voce ter certeza que a educação é a chave para fazer o sistema funcionar, eles tem um sistema de transporte de dar inveja a qualquer cidade, duas linhas de metro, o Transvia ( primo do VLT do Rio) e o metrocable ( a melhor aventura), alem dos onibus, e BRT que la tambem tem. MED tem muito a ensinar a Bogota.
      Fui conhecer o centro naquela tarde, pegamos o metrocable, por cima das comunas, e retornamos, e fomos andar de transvia ate certo ponto, descemos e fomos caminhando.

      Para construir o Transvia foram desocupados algumas casas pelo que entendi, e onde foi desocupado, puseram grafites, quadras poliesportivas, e foi toda repaginada a via, claro que com aquele VLT passando pra cima e pra baixo e vc não se pergunta como não mata um, porque ele passa pertinho de voce. E a galera tipo, nem ai...

      Tomei um sorvete muito gostoso, com raspa de gelo, leite condensado, não lembro o nome, e foi quando descobri que eles comem Manga verde com tudo cara, Muito foda o sabor. Delicioso. Mas isso é historia pra a pedra do Peñol.
      No centro perto das esculturas de Botero, tem umas loginhas pra comprar lembrancinhas barato, e aceita cartao de credito.
       Fomos ao pueblito paisa, pegamos metro e uber, subimos ao pueblito, com uma visão linda de Medellin a noite, lá tem uma maquete da cidade que voce entende bem como funciona a cidade, assim como entende como era o povo que fundou a cidade. Depois seguimos para encontrar umas amigas ( Ana e Carolina). Incrível como tem pessoas que estudam tao bem o português. Fomos comer num local (mercados del Rio), meio carinho la, aceita cartao de crédito, e tem culinária, penso eu, do mundo inteiro. Ficamos ao som do Regeanton, curtindo e tomando sangria, uma especie de esquenta para irmos ao parque Lleras (Cara, se voce curte balada, vai gostar desse parque). São muitas casas de shows e baladas, como eu estava sendo levado, não lembro a que fiquei e como fiquei sobre efeito de tequila, tambem muitas informações ficaram perdidas, tudo esta sendo dito olhando o historico do maps ( ). Mas em resumo, algumas informações importantes : 1 - Eles tomam cerveja com sal e limao ( não me pergunte porque), 2 - Tequila me fez falar muito bem espanhol, vale a pena voce tentar mesmo que não se lembre muita coisa no dia seguinte. E 3 - Eles escutam funk brasileiro mas como não sabe o que significam , dançam meio estranho, hahahahha. Eu acho que ensinei algo. Não lembro.

       
      Quinta feira 29/03 - Dia de ir a Guatapé. Para ir voce precisa ir ao terminal norte, existe muitas dicas de como chegar la aqui no site, procure e saberá. Mas fui de uber, de onde estava e pareceu barato ( na verdade achei o uber tanto em MED como em Bogota, muito barato). Chegando la me deparei com uma rodoviaria super abarrotada, era vespera de feriado da sexta santa, entao me ferrei. Só que o super Andres achou uma alternativa, que não me lembro bem... Mas que chegamos de 11 e pouco na pedra do peñol. Se estivessemos esperando o busão la , só iria ter horário depois de meio dia, e chegamos la as 9 da manha. Não sei como se comporta em dias normais, porém o que precisa saber é que vai se deparar com maior filão.
      Em resumo, pegamos um onibus ate Marinilla, de la um taxi  ate El peñol, e depois  ( olhe não sei como se chama aquilo la, mas fomos numa especie de toyota ate a base da pedra) e chegamos umas 11 e meia na pedra. Dicas mestre: independente de sua capacidade física e sabendo que vai enfrentar 700 degraus assim que chegar na base da pedra. VA ANDANDO. Vai ter uma porrada de gente oferecendo serviços pagos de uma espécie de moto estranha que tem la, cavalo, seja o que for, va andando, porque o transito que se forma subindo de onibus e carros é enorme e voce perde um tempo enorme. Ir andando alem de te preparar para a morte da subida, te dar uma visao linda da represa.

      Ok, ai voce não morreu, e chegou la em cima, depois de comprar o ingresso para subir e sofrer. Vai com Deus,. Os degraus vem numerados de 25 em 25, e acho que la pelos 400, tem um anexo onde vc vai ate uma imagem de nossa senhora, e aqueles degraus la não entrou na contagem, mas vale dar uma pausa pra respirar. Tirou a foto e sobe novamente. Quando chega la em cima, não se assuste com a fila pra descer e por favor, respeite-a. O mirante estava em reforma ( ou seja, la em cima vc sobe mais alguns degraus). Tem lojinha e picolé de manga verde la em cima. Com sal. Esse gelado que eles vendem ajuda bastante a refrescar, mas pra quem curte coisas exóticas, tem la em cima a cerveja com sal e limão e manga verde também pra quem curte.

      Acho que a pedra é um paradoxo, porque ela não respeita a lei universal do "pra descer todo santo ajuda", porque descer é pior, e mais estreito do que subir.
      Feito todo o percurso, e chegando la na base da ladeira. Pra comer, va a guatapé, que alem de ter um povoado lindo para otimas fotos. La a comida é barata. Mas pegue o onibus que passa na ladeira para a cidade, porque é barata a passagem, que voce acaba pagando caro se for por outro transporte, e tenha saco para aguentar o transito tambem.
      Chegando em guatape, pode ir explorar a vila, e almoçar nos milhares de restaurantes que tem por la, com almoços completos por cerca de 14500 pesos. Lembre tambem de ir comprar a passagem de volta a Medellin, no terminal e se ligar de estar la ate 10  minutos antes. O onibus é anunciado aos gritos, entao voce só perde se for surdo. Aproveita pra descansar nas 3 horas de volta.

      Na sexta do feriado, fomos ao parque Arvi. O parque Arvi é enorme, e não pense que tirar um dia voce vai conhecer ele todo, pelo que entendi, são varios parques e chegar ate ele em si já é uma aventura. Voce pega metro ate a estação Acevedo, e la faz transferencia pra o Metrocable e depois faz trasferencia para outro metrocable ( esse não é integrado, voce vai ter de pagar de novo), que tem estação terminal la no parque Arvi. Pra quem tem problema com altura , segura o coração, porque cara, voce sobe muito, e passa sobre os topos das arvores. E a cidade vai ficando para tras.
       No Arvi fomos fazer arborismo, Bem, o Andres sabe explicar melhor porque naquele dia tinha muita gente e ele é muito bom de conversa, é engenheiro quimico como eu, mas eu tenho a impressão de que ele é capaz de vender qualquer coisa com a conversa dele, em resumo, a gente não ia conseguir fazer o arborismo porque tinha chovido muito no dia anterior e la cai muito raios, mas ele conseguiu que a gente fizesse, sendo a ultima equipe do dia. Quando eles começam a falar rapido, a minha dica é entregar a Deus porque voce não entende nada, não importa o quanto peça para falar despacio (devagar). pressuponho que se voces quiserem procurar ele, ele ate faz esse trabalho de guia, agende e pergunte quando ele cobra. Alem de oferecer serviços fotograficos. Certamente ele ira comentar esse texto.
      No arvi há varias opções de lazer, assim que voce desse do metrocable tem uma feirinha la, e da pra comer muita coisa tipica, alem das frutas, sou apaixonado por frutas, mas as moras, fresas e a frutinha amarelinha que não sei o nome mas que com leite condensado fica muito bom, é inesquecível. De la voce pega um onibus que levam aos outros parques mas sem pagar nada mais. Só encarar a fila e aproveitar pra comer um doce feito da pata da vaca. É , eu tenho a impressão que eles se superam nas comidas exóticas. Mas a justificativa de que a jujuba seja feita da mesma patinha da vaca, não me fez achar uma coisa maravilhosa comer o doce, porem o se voce andar com o Andres esteja apto a comer todas as paradas.
       
      As atividades feitas no arborismo é incrivel e tem pra todo gosto, fiz uma com 18 atividades e consegui concluir antes de encerrar as atividades, porque tem de voltar para o metrocable antes das 17 que é quando eles fecham. Entao as 15-16 as atividades já estao sendo encerradas. Uma outra dica é comprar as passagens da volta já na ida, porque voces vao achar incrivel a fila de volta. Nós por exemplo, pegamos o metrocable mas em vez de seguir para o outro, pegamos um taxi e descemos na maior radicalidade da vida ... Medellim é uma cidade que cresceu num vale, entao imagina como é descer as ladeiras quando voce esta la nas montanhas. O taxista era um doido, mas sobrevivi.
       
      No sabado foi a despedida da familia que me acolheu, deixo um grande beijo em todos, em especial a tia do Andres que estava voltando a Bogota de busao ( e pra quem vai fazer esse percurso, segundo ela é muito confortavel), assim como a toda familia que me recebeu tao bem. O Andres me levou de uber de volta ao centro comercial San Diego, e dessa vez voce pega o busao pro aeroporto do outro lado da avenida. Não demorou e logo chegou, deixando para trás, um amor que levei da cidade. Cheguei no aeroporto, cheking, e voo para Bogota, para onde eu seguiria para a minha segunda cidade. Villavicencio.
       
      Villavicencio
       
      Quando eu estava no Brasil descobri que villavicencio tem aeroporto, mas ai já tinha comprado as passagens de MED para bogota, e iria fazer o trecho Bogota-Villavicencio de ônibus. Eu descobri que eles tem um voo a tarde, e talvez se eu estivesse descoberto antes teria optado para fazer esse trecho de voo. Era apenas 200 reais a mais e economia de horas. No fim, comprei as passagens de ônibus em Medellín mesmo, pela empresa Expresso bolivariano. Era semana santa e vai que não tivesse mais passagens, comprei para as 15 hs, porem cheguei em em bogota de meio dia. Peguei um taxi amarelinho na saida do aeroporto e fui para o terminal Salitre, a rodoviária deles. Talvez o preço mais caro que paguei, para algo tão próximo, 25 mil pesos. Pelo que andei lendo, taxi é a melhor forma de sair do aeroporto para ir a rodoviária.
      Chegando la, depois de comer um Subway e exercitar meu espanhol ótimo de viagem (rs), resolvi adiantar as passagens, e a menina queria apenas minhas passagens e uma fotocopia, que significa xerox, mas que para meu espanhol de viagem era apenas uma foto minha (rs). Bem, troquei e adiantei a passagem, para as 14 hs. E cai na estrada.
      O caminho ate Villavicencio faz voce repensar em sua vida, não me refiro as paisagens lindas, e aos rios que parecem sair de filmes com aquelas paisagens de montanhas. Mas por ter uma serie de viadutos que voce não enxerga o que esta embaixo de tao alto que são. Fui ate la me perguntando quantas pessoas já morreram fazendo aquele caminho. E quando não é viaduto, são tuneis, milhares de tuneis.
      A estrada esta sendo duplicada, entao há varios desvios e transito na ida, e meu ônibus sofreu um desvio pelo caminho antigo para chegar a cidade, o que me rendeu excelentes paisagens e quase enfartes.
      O povo de Medellin é chamado Paisa, o povo de Villavicencio Llanero, e se pronuncia em bom portugues (janero), tipo o primeiro mês do ano sem o i.
      Achei incrível a cidade, com sua simplicidade e com um povo tão receptivo e festeiro. Com uma rica historia e as comidas ( essa parte vai para toda a Colômbia e sua imensa variedade gastronômica).
      Quem me recebeu la foi o Alexander, debaixo de muita chuva e no português com sotaque de Carioca, ao som de Alcione.  Quero ressaltar que no quesito sonoridade o cara tem bom gosto. Depois de um pequeno city tour. E depois uma balada, a melhor e mais inesquecível que fui, "Los capachos" com tres ambientes enormes, e muito regeaton, funk também, quero ressaltar.
      Um resumo.
      A cidade esta crescendo muito, e tem um enorme parque, o parque malocas, que conta a historia da cidade e dos mitos que rondam por la. Foi inclusive onde o Papa Francisco foi recebido ao visitar a cidade. Eles tem uma especie de vaquejada nesse parque. E vale muito a visita, inclusive la voce pode ate ver apresentações da dança e musica tipica do povo, que é um som muito massa feitos por uma viola de 4 cordas, maracas e arpa. De la fomos a um parque que lembra muito o jardim botânico do Rio, que inclusive quero ressaltar a quantidade de verde que tem na cidade. Inclusive fomos a um shopping, centro comercial na língua deles, que tem cachoeira dentro. Pra mim aquilo foi impressionante.

      A noite seguimos a um mirante onde podemos tomar agua panela ( cara a primeira vez que escutei isso na casa do Andres achei que era agua de panela, ai já era demais, mas resumindo, agua de rapadura) com queijo para apreciar a vista. Um mirante que Só a misericórdia e uma tração muito boa pra subir, estava chovendo mas tiramos ótimas fotos da cidade; Aqui fica os meus agradecimentos ao Alexander assim como a seu irmão e cunhada que conheci nessa viagem. Adorei Villavicencio, e de boa, não conseguia pensar em mais nada na segunda feira a não ser sobreviver a volta. E não morrer.
       
      Na segunda, munido de uma fotocopia, adiantei novamente a passagem, e peguei meu ônibus de volta, pelo caminho original da coisa. E que aterrorizou tanto quanto o outro. Deu tempo de dormir e chegar a Bogota. Chegar a Bogotá era sinal que a viagem estava acabando () .
       
      Bogotá
       
      Cheguei em Bogotá, e com perdão dos Hermanos, tinha ido para escutar sim regeaton, mas não aguentava mais, e o taxista que me levou ate meu hostel, escutava nada mais nada menos que heavy metal. Pense! Hahahahhahaha
      Fiquei hospedado no Republica Hostel, no chapinero. De taxi da rodoviaria deu em torno de 12500. Não entendi mesmo como funcionava aquele taxímetro. Eles funcionam na base de números, por haver tantos zeros no dinheiro dos Hermanos, so que na tabelinha que fica atras do banco, só expressa valores ate o numero 185. E eu estava curioso e ao mesmo tempo com medo do que aconteceria depois do numero 185; bem, Graças a Deus que os números eram sempre ab aixo do 185.
      O hostel foi incrivel, no meu quarto alemao, ingles e belgos, ninguem sabia espanhol, estava ali pra aprender. Entao em terra de gente que não sabe espanhol. Yo fue Rei. Hahahahaaha
      De fato acabei ensinando portugues mesmo. Eles estavam seguindo para Medellin, dei dicas e sai pra explorar o bairro naquela segunda mesmo.
      Basicamente o que deve saber, o bairro é muito bom, farmacia, centro comercial e padaria perto do hostel, e o famoso transmilenio. Tinha tudo o que precisava e uma boa dose de frio. Bogota sofre de TPM, entao após meio dia ela mudava toda, e chovia muito, nem parecia que acordava com um sol lindo.
      Na terça, eu e meu colega de quarto, Sebastiam, saímos para o museu del oro. Lindo. Incrível a historia e a sacanagem do povo que levou a maior parte do ouro da Colombia.
      Abre as 9. Fecha na segunda. 4 mil pesos a entrada e mais 8 mil se quiser o sistema de audio.

       Mas como sou vida loca, vou tentando sem audio mesmo. O museu é basicamente, siga as setas e conheça a história. As 10 tem o free walking que sai da porta do museu, entao s evc chega as 9, da pra conhecer e ainda juntar ao free walking. De manha tem espanhol e ingles, e a tarde saindo do mesmo lugar, tem apenas em ingles. Fui para o de Espanhol, e o sebastiam que estava ali para aprender espanhol, foi para o de ingles. Vai saber né.
      Voce conhece muita coisa com o free walking e num determinado momento toma agua panela num bar que ela leva vc pra experimentar ( hahaha mas eu já sabia o que era a panela, não mais tenho susto raraaaa), e bem, como Bogota estava inconstante de meio dia caio um baita toró. Resultado, passamos pela plaza da independência no maior chuvão. E encerrou o free walking de 3 horas por ali mesmo. Foi onde conheci os uruguaios Guillerme e Julieta e a Mexicana Arantza. Inesqueciveis e muito simpaticos, e conhecem a musica  do Gustavo lima. Hahahahahah.

      Saimos para almoçar por ali mesmo, e por sinal , muito barato comer pelo centro. E aceita tarjeta ( hahahahah bato nessa tecla porque não são todos locais que aceitam cartoes de credito ta?)
      Depois de almoçar fomos caminhando ate o museu nacional, poe no google maps e ele te da a rota, a rota que te dar vai fazer vc passar pelo letreiro de Bogotá, assim como depois por um local que vende artesanato muito barato.
      O museu nacional também é barato a entrada, e conta a historia da colômbia. Depois vale tomar um café na cafeteria que eles tem internamente. Foi onde me despedi dos meus amigos de viagem e voltei de transmilenio no horario de pique para o hostel.
      A minha outra dica é voce baixar o app movit que te ajuda nas estacoes do transmilenio, e depois vai na fé, lendo, voce não entende e nem eles entendem tambem o sistema. Mas sei que peguei busao lotado, me lembrei do Recife. Juro.
      No final voce aprende a andar de boa, por mais que sejam lotados, vale a dica de segurança de manter a mochila e os pertences na frente, em qualquer grande cidade ne.
      A noite fui a uma balada no centro com o Henrique que me recebeu la no primeiro dia, e tive porre de Rum com coca, e prometi nunca mais na minha vida beber essa mistura. Por Deus, acho que não consegui dormir.
      Acordei, ou nem dormi na quarta feira, meu ultimo dia la. E seguindo as dicas dos amigos do dia anterior fui ao Cerro monserrat pela manha por causa do tempo de Bogota. Foi a melhor coisa, porque depois das 11 o tempo fechou.
      Chegar ao cerro do hostel é facinho, mas fomos encontrar mais dois colegas do Sebastian la no museu del oro e de la fomos andando. 20 minutos e voce chega ao local onde compra os tickets.
      20 mil pesos a subida e a descida. Mas os meninos preferiram descer a pé, tem essa opção, mas eu dispenso depois do peñol sabe.
      Subi de funicular e desci de teleferico.
      La em cima a visao é incrivel, mas não tente correr, devido a altura me senti com falta de ar e dar um mal estar enorme.
                                                                   
       
      Depois fomos almoçar perto da universidade de los andes, fica ali perto. Almoço baratinho nos restaurantes proximos.
      Nos despedimos e fomos a estacão universidades, que é a estação pra quem vem do chapinero e vai pra Monserrat. Pegamos o busao e segui de volta ao hostel, onde tomei banho, me arrumei e fui num supermercado comprar Suco de lulo, café e colombiana ( o refri de folha de coca deles). Aqui agradeço ao Esneider que me ajudou ainda com as compras.
      Voltei ao Hostel, me arrumei, chamei o uber e segui pro aeroporto.
      Procedimento de saida engraçado, quando a policia te aborda perguntando de onde veio, o que fez, e pra onde vai.
      Voo pro rio saiu as 22:30, cheguei as 6. e a Avianca Brasil trolou novamente, meu voo que estava la no app saia as 10, foi alterado para as 14 hs por altração de malha e ninguem me avisou ta? Mas já estava no Brasil, e indo pra casa. Enamorado pela colombia e com vontade de voltar.
       
      Uma dica - Compre um chip claro, e tenha internet muito boa, eles oferecem um pacote massa de 1 giga pra um mês que eu acabei em 4 dias por 21 mil pesos. Ai vc recarrega e vai comprando os pacotes la.
    • Por peter tofte
      Passo para vcs o relato de uma travessia Peterê, esperando que possa ser útil.
       
      Foi minha 2ª tentativa. Na minha primeira vez, junho passado, uma espessa neblina impediu de continuar a travessia a partir dos castelos do Açu. A névoa estava tão forte que várias pessoas, que já conheciam a trilha, desistiram de seguir em frente depois de se perder, sendo obrigados a retornar ao Açu.
       
      No final de semana de 13 e 14/09 tentei novamente. Sai da rodoviária Novo Rio 05:30 (1º ônibus para Petrópolis) e cheguei na rodoviária Bingen as 06:30. Depois o ônibus para o Terminal Correias seguido de outro para o Bonfim. Cheguei à portaria do IBAMA pouco antes das 09 hrs (impossível chegar antes se usar só ônibus).
       
      Desta vez deixei o GPS em casa. Só levei a xerox do livro “Trilhas de Petrópolis” do Waldyr Neto, na parte que trata do trecho Açu-Portaria Teresópolis. Tem uma boa descrição do caminho e esboços da trilha.
       
      Iniciei a subida pouco depois de 9 horas. Caminho fácil, que já havia trilhado. Mas estava quente e eu, ainda me recuperando de uma gripe, não estava em boa forma. Parava para recuperar o fôlego várias vezes, apesar de estar com uma mochila de apenas 13 kgs. O problema do primeiro dia da travessia não é se perder (a trilha é tranqüila e bem batida). O que pega é o grande desnível, creio que 1.200 metros. Logo antes da pedra do Queijo observei a derivação para a esquerda que desce e depois sobe para o morro do Alicate. A subida para o morro pela mata é bem íngreme. Imaginei o perêngue que o Ogum deve ter passado para subir para o cume do Alicate com uma mochila pesada. Cheguei na Pedra do Queijo e deitei um pouco para me recuperar. Acho que fiquei com hipertermia, pois demorei a recuperar o fôlego e diminuir os batimentos cardíacos com o descanso. Só depois de algum tempo segui para o Ájax. Lá enchi minhas garrafinhas de 500 ml. Só corria um filete de água. Sinal que esta é uma época seca.
       
      Cheguei 13:45 nos Castelos do Açu (~2.218 mts). Ou seja, 04:45da portaria até lá. Com bom preparo e pouco peso na mochila dá para fazer em 4 a 4,5 horas, possivelmente até menos. Os Castelos já fazem valer o passeio. Tem muita gente que só faz este trecho. A vista de noite do norte do Rio, iluminado, é muito bonita. Dá para ver também as luzes de Magé.
       
      Apesar de cedo já me preparava para armar acampamento, pois a previsão para o dia seguinte era de chuva. Preferia acampar ali para avaliar na manhã seguinte se haveria condição de atravessar. Não queria avançar sozinho e depois não ter visibilidade para voltar se a névoa fosse pesada amanhã. Porém surgiu um casal que ia fazer a travessia e pude acompanhá-los. Fiquei mais tranqüilo quando disseram que tinham previsão atualizada, mostrando que só haveria chuva no dia seguinte, pela tarde.
       
      Eram o Tacio e a Gerusa, escaladores experientes e muito safos em matéria de trilha. Estavam bem equipados.
       
      Retomamos a caminhada após encher os cantis na bica do Açu. O primeiro trecho é fácil de seguir, até a subida no cume do morro do Marco. Aí começa um trecho que muita gente se perde. Ao chegar no topo devemos virar a direita seguindo pela crista até achar uma mancha esbranquiçada na laje, onde ficava o marco. Descemos dali para o outro lado virando um pouco para a esquerda, descobrindo a trilha que se alterna entre lajes e terra. O caminho desce em direção ao Vale do Paraíso. Quase sempre descende em diagonal para a esquerda, como que mirando para o cume do Morro da Luva, a sua frente. Lá embaixo passa por uma pequena grota e sobe um morrete. Ao descer de novo vc já está na área de acampamento do Paraíso. Área bonita para acampar. Alguns conhecem o local por Geladeira. Embora Tacio quisesse seguir nem eu nem Gerusa estávamos com muita disposição. Ainda era cedo, 15:30, mas a subida para o Açu, desde o Bonfim, me deixou cansado. Além disso, o próximo lugar para acampar era depois do morro da Luva, ao lado de um pequeno riacho, onde não tinha certeza se haveria água.
       
      Ficamos por lá. O Tacio mostrou a barraca Quéchua da Decathlon. Fiquei bem impressionado com a qualidade dela. Era uma geodésica, baixa, não muito pesada e tinha pontos de fixação nas laterais. Parecia ser uma 4 estações.
       
      Preparamos a janta e jogamos conversa fiada. Falamos bastante de equipamentos e viagens. A lua estava quase cheia. O Paraíso é um lugar bonito. Pena que havia muito papel higiênico ao lado do caminho, obra de meninas sem a menor educação de trilha.
       
      Logo cedo choveu um pouco. Minha barraca amanheceu cheia de condensação no teto. Nada anormal para uma barraca de um só tecido. A Quéchua do Tacio estava com o sobreteto tb molhado por dentro. Estas montanhas são muito úmidas.
       
      Meus vizinhos fizeram um café da manhã numa sanduicheira em cima do fogareiro de benzina. Isto é que é gostar de sanduíche de queijo quente!
       
      Despertamos 5:30 e saímos 7 horas. Logo após o córrego a subida começa por uma belíssima mata nebular: árvores cheias de musgo e epífitas. Bromélias e orquídeas em profusão. Pequenas orquídeas com uma bonita flor vermelha enfeitavam a mata. Estas florestas são especiais. A alta umidade, deixada pelas nuvens de passagem, cria um belo ecossistema.
       
      Ao sair da mata uma bonita vista para trás do Açu. Na crista da Luva deixamos as mochilas e caminhamos para a esquerda para atingir o cume da Luva, envoltos pela névoa. Foi uma andada de cinco minutos. Tivemos sorte e as nuvens abriram um pouco permitindo uma vista do Sino. Descemos e continuamos a caminhada. Trilha fácil, bem marcada. Achamos o local de acampamento logo após a Luva. Ótimo local, com um riachinho correndo. Tem ótima vista em direção ao Sino. Mas é menos abrigado dos ventos.
       
      Enchi minhas garrafinhas e continuamos descendo. No lajeado, lindas Amarilis com sua grande flor vermelha. Não conhecia esta flor. Foi a Gerusa que me disse o nome. Nunca as vi na Chapada Diamantina. Parece que só brotam a alta altitude aqui no Sudeste (posteriormente, em trekking ao Pico das Almas, na Bahia, vi-as lá também).
       
      Seguimos pelas lajes até chegarmos ao fundo do vale onde se avista um corrimão de cabo de aço e dois pontilhões. Do outro lado o elevador. O elevador já é bem visível durante a descida rumo ao Morro do Dinossauro (como uma risca branca no morro). A subida do elevador não é assim puxada ou arriscada, pois a encosta não é vertical. Em vários pontos deixei de usar os degraus de ferro fincados na rocha porque achava que mais atrapalhavam do que ajudavam. O problema é que os degraus são muito projetados para fora.
       
      No topo novamente a névoa. Sorte que o Tacio estava com um ótimo GPS seguindo um track log. Quando desviávamos um metro da trilha o bicho avisava. Covardia! Perde um tanto o espírito esportivo, mas é muito confortável! Dá para confiar somente no GPS? Não. Ele pode quebrar. E outra coisa: aqui ele é útil seguindo um track log e não através de way points, pois entre dois way points pode haver um abismo...
       
      Seguimos até avistarmos o Vale das Antas. Belíssimo vale, mas quem chama a atenção mesmo é o Garrafão. Lá embaixo ótimo ponto para acampar, cercado por bambuzinhos. Lanchamos neste lugar.
       
      Lá soube que o Tacio ganhou de aniversário (que foi na véspera, comemorado acampados diante da Portaria do IBAMA), presente da Gerusa, a bonita mochila Deuter 70+15 Pro que usava (êta presentinho bom para ganhar da namorada!). Ela também estreava sua Deuter. Por isso estavam, ao meu ver, com uma mochila grande e pesada para a travessia (mais espaço que o necessário - elas são mochilas para travessias de uma semana): eles as estavam testando pela 1ª vez. Eu também faria a mesma coisa. Sempre somos fominhas para testar equipamentos novos.
       
      Atravessado um riacho (o maior da travessia) através de uma pequena ponte, começamos a subir por uma pequena mata. Quase no topo avistamos e passamos por cima da pedra da Baleia, que realmente lembra bem o dorso de uma Baleia.
       
      A vista do Garrafão a direita é espetacular. Um mar de nuvens cobria toda a vista abaixo de nós. Não avistávamos o Dedo de Deus. Apenas o gargalo e o tampo do Garrafão. Uma das coisas bonitas do montanhismo é a possibilidade de passear acima das nuvens.
       
      Depois começamos a descer para o último vale antes do Sino. Logo ali descolou o solado de minha bota Salomon. Sorte que estava com Silver Tape enrolado no bastão de caminhada. O remendo foi rápido.
       
      Começamos a subida íngreme.Em meio a névoa reconheci rapidamente o temido “cavalinho”, que havia visto em fotos. De longe assusta um pouco. Porém ao chegar perto percebemos que a inclinação não é tão acentuada e que possui agarras fáceis. É só não olhar para o abismo a esquerda. Para quem tem pernas compridas, como eu, é fácil fazer o movimento de montar um cavalo, para transpor a pedra (daí o nome cavalinho).
       
      Passado este ponto, continuamos a subir.Há uma escada de ferro adiante.Logo acima, quando descortinamos uma boa vista para um vale cheio de mata à esquerda, achamos a bifurcação que sobe para o cume do Sino.
       
      Lanchamos e subimos deixando as mochilas. Levamos os impermeáveis (utilíssimos nesta travessia). Os dois levaram máquina fotográfica. Após10 a 15 min o cume com um belo visual. Praticamente um tapete de nuvens encobria tudo que estivesse abaixo dos 1.800 –2.000 mts. Tiraram fotos. Lamentei não ter levado minha máquina. Não quis trazer pela previsão ruim do tempo e pelo peso. Um vento frio cortante chacoalhava meu poncho. Deve ser uma experiência e tanto acampar no topo do Sino (2.275 mts).
       
      Chegar no Abrigo 4 é fácil, visível do Sino. Ali reabasteci de água e descemos. Haja zig–zag até chegar à portaria em Teresópolis. É proposital para evitar a erosão. Porém apressadinhos fazem atalhos, cortando uma vertical. A erosão é evidente nestes locais. Pegamos bastante chuva na descida. Creio que não pegamos chuva até o abrigo 4 apenas porque ficamos acima das nuvens. A trilha é muito bonita e tranqüila.
       
      Ainda tive a mordomia de ter uma carona até a casa de minha tia no Rio, onde eu estava hospedado, gentilezas do Tacio e da Gerusa. Senão ia ficar num ponto de ônibus ainda esperando para ir para a rodoviária de Teresópolis e depois finalmente descer para o Rio. E estava num estado lamentável. Acho que nenhum ônibus iria parar pensando que se tratava de um vagabundo de beira de estrada...
       
      A travessia é belíssima. Comparável as mais bonitas que fiz na Chapada Diamantina. Sugiro evitar feriadões, pois fica muito muvucado, segundo relatos. E, também, ter uma boa experiência, mapa e prática de navegação (caso contrário, contrate um guia). Olhar a previsão do tempo, não só porque a trilha fica bem mais difícil com chuva e nuvens como também vc perde o espetáculo de ver o visual do Garrafão e o Dedo-de-Deus.
       
      Para evitar um impacto desnecessário aconselho deixar o banho para a volta, ou para o Abrigo 4, pois os córregos são pequenos e o sabão sempre polui a água. Além disso, a água normalmente é tão fria que vc não vai ter vontade de tomar banho mesmo. Evite lavar as panelas/pratos nos riachos. Lave-os a uma distância segura deles.
       
      Dá para fazer em dois dias. O pessoal de corrida de aventura faz até em um dia. O ideal é 3 dias, mais relaxado e com mais tempo para paradas e curtir as vistas.
       
      Tomo a liberdade de passar o link do site do Tacio e do blog da Gerusa, onde estão as fotos da travessia. Ele e Gerusa também tem relatos da caminhada nos seus blogs.
       
      www.tacio.com.br
       
      gerusapalhares.multiply.com
       
      Abraços, Peter
    • Por peter tofte
      Cachoeira do Rio das Lajes e do Mixila - Chapada Diamantina
       
      Um guia, amigo meu, o Miguel, mudou-se de Mucugê para Lençóis (Chapada Diamantina) e pediu-me para mostrar-lhe as trilhas para as cachoeiras do Mixila e do Rio das Lajes, que ele ainda não conhecia.
       
      Sábado, 21/03, saímos de Lençóis praticamente ao meio dia, atrasados por fortes chuvas que caíram desde a noite anterior. Para adiantar o lado, pegamos duas moto-táxi para foz do rio Piçarra, na estrada velha do garimpo, entre Lençóis e Andaraí. De lá subiríamos a Serra do Bode, começando a trilha. Devido à cheia, elas não conseguiram atravessar o rio Capivara. Os 20 minutos restantes do trajeto fizemos a pé. Mas valeu o adianto. Por 20 reais cada foi um passeio com emoção! Economizamos 2 horas de caminhada (8-10 km).
       
      Subimos a empinada serra do Bode em cerca de uma hora. No topo percorremos uma canaleta de garimpeiros, numa curva de nível ao longo da encosta do vale do Piçarra. Deixamos a canaleta no seu término (onde ela capta as águas do Piçarra) e com mais 10-15 minutos de trilha chegamos à tubulação abandonada. Andamos por cima desta e quase no final pegamos uma trilha a esquerda, seguindo o Piçarra, que também dobra a esquerda, rumo Sul.
       
      Com mais 25 minutos cruzamos o Piçarra e chegamos numa toca de garimpeiro bem estruturada, um bom lugar para acampar, onde dá para montar umas 5-6 barracas. Continuamos a seguir rumo Sul. A trilha recomeça atrás da toca. Com pouco tempo subimos para um lajeado extenso. A trilha não é difícil de seguir. Não há bifurcações que possam confundir. A única, meio apagada, vem bem depois do lajeado, à direita, e segue para o Morro Branco do Capão, normalmente só usada por garimpeiros. Foi uma das trilhas mais difíceis que fiz na Chapada, só que no sentido contrário, vindo do Capão. Mas, voltando a nossa caminhada, devemos pegar a trilha da esquerda, bem mais batida.
       
      Já pouco antes da toca do rio das Lajes, caminhávamos rapidamente, pelo adiantado da hora, com capinzal em ambos os lados da trilha. Quase piso numa cobra Coral. Ela cruzava o caminho e já estava com metade do corpo dentro do capinzal. Provavelmente como vínhamos rápido ela não teve tempo de se esconder totalmente. Os ofídios sentem a aproximação de pessoas pela vibração no solo. Minha pisada ficou a 10 cm da cobra. Parei em cima da bicha porque vinha rápido e o caminho em curva, com capim, não permitia ver muito adiante. A Coral não é uma cobra agressiva, mas se pisasse nela ela se defenderia me picando. O pior que estava estreando minha sandália e bermuda.Não teria nenhuma proteção contra a mordida! A maioria das picadas de cobra fica na altura do tornozelo ou abaixo, ponto para as botas de trekking. A sandália é muito mais leve e confortável (deliciosa se comparada a botas), porém tem esta desvantagem.
       
      Se, ao invés de uma Coral, fosse uma cascavel enrodilhada, tava ferrado. A 10 cm ela teria me dado um bote.
       
      Lição: sandália tem muitas vantagens sobre as botas, mas em terrenos de mato fechado e capinzal alto é preferível à bota, especialmente se vamos andar rápidos na trilha. Com sandália devemos ser mais cuidadosos e vagarosos na trilha.
       
      Cruzando um riachinho, escorreguei e na queda quebrei a seção inferior da minha Leki Makalu. Uma pena. Este excelente bastão já me prestou bons serviços em 2-3 anos de uso. O outro continuei usando como bastão de apoio.
       
      Perto da toca a vegetação cresce. Fiquei olhando para o chão preocupado com cobras e acabei metendo a cara numa grande teia de aranha que cruzava o caminho. Com a teia no rosto me virei para trás e perguntei ao Miguel se ele enxergava a aranha. Ele fez uma cara de espanto e rapidamente tirou o chapéu australiano dele e deu uma bofetada na minha cabeça, atirando longe a grande aranha que estava em cima do meu boné! Ainda bem que ela não parou no meu rosto.
       
      Antes de chegar na toca ainda atropelei com o rosto mais duas teias. Decidi usar o bastão na frente, erguido em riste, para evitar novas surpresas.
       
      A toca estava vazia. É uma das mais belas tocas da Chapada. Muito bonito o local e pertinho da cachoeira do rio das Lajes. Levamos 3 horas e pouco desde a estrada. Um bom pique!!
       
      Largamos as mochilas e descemos para o rio, subindo-o por 5 minutos até a cachoeira, para um banho e pegamos água para o jantar. A cachu tinha muita água devido às chuvas.
       
      A janta foi uma receita do Sergio Beck, de batatas e cebola com lingüiça calabresa (só precisa de uma panela). Fácil de fazer e gostoso. O saco é descascar batatas. O tempo de cozimento também é mais longo do que o tradicional macarrão.
       
      Montei a minha barraca em cima de um lajeado, debaixo do avarandado de pedras enquanto esperava cozinhar. O Miguel iria montar a dele na área que hora cozinhávamos. Nesta toca é possível dispensar as barracas
       
      Fizemos uma pequena fogueira para espantar os mosquitos (este é o lugar da Chapada que conheço que mais tem mosquitos). A fumaça e a noite espantaram os insetos. Infelizmente nem o paraíso é perfeito!
       
      Após a janta, já escuro, subimos para uma pedra e admiramos as redondezas sob céu noturno. Ao longe, direção leste, relâmpagos, para além dos Marimbus. Nosso céu, porém, estava estrelado sem nuvens.
       
      Durante a noite choveu um pouco, mas não percebemos debaixo do lajeado. O barulho da cachoeira não permitiu ouvir a chuva.
       
      Manhã de domingo nublada, mas no meio da manhã o tempo abriu. Mostrei ao Miguel onde continuava a trilha rumo ao rio Caldeirão (mais ao sul ainda). Após lavar os pratos e talheres com areia, subi o rio para tirar fotos e tomar um banho de cachoeira. O sol surgiu a tempo de me secar.
       
      Saímos tarde do acampamento, por volta de 11 horas, retornando pela mesma trilha. Rumamos para o cânion do Capivari, onde fica a cachoeira do Mixila. No dia anterior, quando deixamos a tubulação e viramos a esquerda, se tivéssemos ido em frente rumaríamos para o Mixila. Alguns mais velhos conhecem esta queda d’água como a cachoeira do Canto Escuro.
       
      Ao chegarmos na entrada do cânion, procuramos o bicano e nele seguimos pela margem direita (verdadeira) do Capivari. Ao final dele continuamos, a maior parte do tempo no leito do rio, num pula-pedra. Algumas vezes, em trechos curtos, íamos pelas margens. Observarmos marcas que mostravam que no dia anterior o rio estava bem mais alto devido às chuvas. Provavelmente teria sido impossível subir para a Mixila ontem.
       
      O Miguel foi à frente, pois ele é muito habilidoso em subir leito de rio (e não conheço a Mixila, apenas sei onde começa o cânion). Ele é um guia muito requisitado, um dos melhores da Chapada, aparecendo como guia em reportagens na revista Terra e Viagem.
       
      No caminho avistou uma cobra espada (não venenosa). Tentei fotografá-la, mas ela é muito rápida.
       
      O cânion fica estreito após 40 minutos de pula-pedra. Um paredão vertical não deixa espaço para as matas nas margens.Alias, não há margens!
       
      Avistamos uma grande queda d’água na parede lateral a nossa direita do cânion. Porém parecia algo criado pelas recentes chuvas, não uma queda perene.
       
      A partir de determinado ponto uma lagoa de águas cor de Coca-Cola. Só nadando dava para prosseguir. Largamos a mochila, coloquei o calção e segui nadando por 100 metros. Este poção termina numa pequena cachoeira com 6 a 8 metros de queda. Seria ela a Mixila? Fiquei decepcionado. Tentei subir pela pequena parede ao lado, mas estava molhada e escorregadia, cheia de limo e musgo. Não havia marcas de escalada (os pontos de apoio, as pegas na rocha, não têm musgo). Assumi que dali ninguém passava. Mas pude ver que o cânion continuava com mais duas cascatas acima.
       
      Voltamos e ainda demos uma parada num poção que fica logo antes da entrada do cânion. Descemos a serra do Bode, percorrendo agora a pé a estrada velha do garimpo. Alcançamos o rio Ribeirão já no escuro. Usamos as headlamps e chegamos em Lençóis quase 8 da noite, bem cansados.
       
      Passei numa agência e vi a foto da Mixila. Lembra um pouco a Cachoeira do Buracão em Ibicoara. Não chegamos nela. A cachoeira tem uma queda muito grande. Estava ainda a 30-40 minutos de onde chegamos. Não daria para ir e voltarmos antes do anoitecer.
       
      A Mixila ficará para outra vez, saindo mais cedo e com menos água no rio. É um trekking para 2 dias.
       
      Cachoeira do Rio das Lajes:
       

       
      Cachoeira lateral do canion, formada devido as chuvas (a caminho da Mixila)
       

    • Por peter tofte
      Relato do trekking na Quebrada Santa Cruz. Trekking fácil e tranquilo, mas que deve ser feito com alguns cuidados . Quem sabe incentive outros a fazer o mesmo roteiro conhecendo este país tão bonito que é o Peru.
       
      Antes de fazer o escrito, um relato fotográfico, para quem quer só imagens e não blá-blá-blá....
       
      Início da Quebrada Santa Cruz, em Cachapampa.
       

       
      Bonitas bromélias as margens do Rio Santa Cruz
       

       
      1º acampamento: Llama Corral.
       

       
      A bonita Laguna Jatuncocha, de água azul turquesa.
       

       
      Lupínios azuis. Exalam um perfume forte e agradável no meio do dia.
       

       
      Vou postando aos poucos, as fotos!
       
      Peter
    • Por peter tofte
      Pessoal:
       
      Segue um relato da caminhada à cachoeira Sertão Zen, em Alto Paraíso-GO. Para quem está em Brasília e tem o final de semana livre, é um bom programa. Foi sugestão do nosso trilheiro-mor, Jorge Soto.
       
      Peguei o busão da empresa Santo Antônio das 15:30 na rodoviária do Plano Piloto, sexta 16/07. Ônibus ruim, que lotou no trajeto, com muita gente no corredor. Pessoal quer ganhar dinheiro servindo mal a população (poucos horários, assim vai lotado). Num determinado momento alguns passageiros em pé gritaram “pneu, pneu motorista!”. Ferrou, pensei, furou o pneu. Na verdade era um ponto de ônibus que se chamava “pneu”, que o motorista já ia passar sem parar. Três pneus velhos presos numa estaca marcam o ponto na beira da estrada. Ri sozinho quando percebi minha conclusão apressada.
       
      Viagem chata, muita parada, só distraída pelo som do iPOD e pelo excelente “Matadouro 5”, livro de Kurt Vonnegut.
       
      Cheguei as 19 e pouco em Alto Paraíso, com frio e uma fina garoa. O recepcionista do Hotel Átrios – muito simples, perto da rodoviária, R$30 - disse que a garoa é típica desta época do ano, não era sinal de que iria chover.
       
      Comi uma pizza e fui dormir cedo.
       
      Levantei sábado às 05:30, pois o café começava às seis. Saí e só no meio da principal avenida da cidade, a Ary Valadão, descendo ladeira, percebi que havia esquecido a chave do quarto no bolso. E tome voltar ladeira acima para deixá-la na pousada.
       
      É fácil seguir para a trilha. Basta rumar em direção a Serra Paranã ao fundo, procurando por placas indicando “Loquinhas”.
       
      Planejei o caminho olhando no Google Earth. Acabei por pegar um atalho que subia direto, exatamente a Este da cidade (90º) meio que formando uma linha reta continuação da Avenida Ary Valadão, visível do alto do morro. A rota que a maioria do pessoal usa vai para a esquerda, seguindo a estrada (não ruma em direção as Loquinhas), e é bem mais longa, porém menos acidentada e com trilha bem mais fácil, visível.
       
      Chegando no topo da serra, avista-se um geralzão à frente, inclinado, descendo para o Norte, com uma cerca cruzando no meio do pasto (a cerca segue no sentido N-S). Não havia mais trilha. Andei até esta cerca, cruzei-a por baixo e segui para um morro solitário, um pouco à esquerda. Sabia que a cachoeira estaria mais adiante, a esquerda, atrás deste morro. Ao atingir o sopé do morro o terreno ficava pedregoso com mato baixo. Larguei a mochila e subi um pouco o morrete até umas pedras donde tirei o monóculo do bolso. Dava para avistar ao longe, Norte, um geralzão com mata ciliar e uma trilha clara. Era o caminho normal para a cachoeira. A mata ciliar que avistei protege um dos rios que vai cair na cachoeira. Tinha memorizado isto quando consultei o Google Earth.
       
      Eu estava entrando no vale de um riozinho seco (nesta época) que se juntaria ao outro avistado, formando um Y logo antes da cachoeira. Terreno chato, empedrado, com muita canela de ema e árvores retorcidas e espinhosas, típicas do cerrado. Como o terreno estava difícil e sem trilha resolvi sair deste valezinho, sair do leito do rio que agora tinha alguma água empoçada, e subi uma pequena crista para alcançar do outro lado o geralzão (ô coisa deliciosa de andar, um geralzão!). O que parecia perto foi um demorado e cansativo vara-mato, na verdade um campo pedregoso bem sujo.
       
      Quando cheguei na mata ciliar bebi avidamente água do córrego. Cruzei-o e subi o campo geral procurando a trilha, que achei 1 ou 2 minutos após. A trilha descia rumo Leste e cruzava mais abaixo o riozinho. Segui e mais adiante perdi a trilha. Tomei a direção que o relevo indicava ser a da cachoeira e fazendo zig-zag acabei achando novamente a trilha. Ela segue sem problemas até descer para o leito de um rio (o mesmo, seco, que havia encontrado antes, mas agora já com água corrente). Se eu tivesse continuado a descer naquele valezinho seco iria parar ali.
       
      Leito fácil de seguir com pouca água. Visual bonito. Em 20 minutos ou menos aparece uma “muralha” de pedra à direita do rio e observa-se uma trilha saindo do leito e passando a direita desta muralha. Sobe e, no que desce, cai já em cima do poção superior da Sertão Zen, de onde ela inicia sua queda. Poção bonito, ótimo para banho (sem tromba-dágua!). O visual é de uma piscina infinita, aquela que tem em alguns hotéis 5 estrelas e $$$$$. A diferença é que aqui é natural, mais bonita e não custa nada! Lindo local.
       
      Tirei a roupa e, como estava sozinho, mergulhei nu. Fotos e mais fotos. Um vento forte, vindo do vale dos Macacos, fazia gotas da cachoeira subirem. Algumas vezes olhei para o céu pensando que iria chover até descobrir que era apenas a força do vento fazendo a água vencer a gravidade.
       
      A arquitetura das rochas de ambos os lados e acima da cachoeira é muito interessante. Procurei a “sentinela” uma formação rochosa conhecida, mas não achei. Tome-lhe tirar fotos (depois em casa, olhando uma delas, acho que descobri a “sentinela”!).
       
      Procurei a descida para o vale dos macacos, mas não avistei (Jorge Soto tb não achou).
       
      Fiquei uma hora para duas horas curtindo aquele cenário e almocei. Lá havia apenas um pequeno espaço onde dava para montar a barraca, perto do poção. Mas como no dia seguinte teria que pegar o busão de volta para BSB às 15 horas, eu achei melhor voltar um pouco, pela rota normal, porque ainda era cedo e queria chegar rápido, domingo, em Alto Paraíso.
       
      Também um monte de gravetos perto do único lugar bom indicava que a água subia quase até lá (tromba d’água?). Não chove nesta época, mas quem garante! Quando era um trekker novato já acampei em bancos de rio. Mas já gastei toda a sorte dos tolos e não arrisco mais.
       
      Voltei e ao tomar o geralzão, após cruzar novamente o riacho, uma trilha fácil segue NO mantendo a mata ciliar a bombordo. Depois de 1 hora aproximadamente a trilha vira abruptamente à esquerda e segue Oeste. O caminho continua mantendo a mata ciliar à esquerda, se afastando a medida que avança pois o sendero sobe levemente enquanto a mata fica no vale pouco abaixo.
       
      Mais uma hora e cheguei num ponto mais alto, com árvores retorcidas onde avistei Alto Paraíso. Pronto, agora conhecia a rota normal e sabia quanto tempo necessitaria no dia seguinte para chegar a “Paradise”.
       
      Não é a toa que o pessoal prefere esta trilha para a Sertão Zen. Muito fácil e muito aprazível.
       
      Voltei e desci para a mata procurando água. Não gosto de acampar longe da água, por motivos óbvios. Além disso, meu estoque tava baixo. No ponto mais próximo de mata ciliar, tudo seco. Continuei descendo, desta vez seguindo por uma trilha do outro lado da mata, paralela a esta. Por mais duas vezes entrei na mata atrás de água. Nada. Fiquei chateado, pois estava voltando em direção a Zen. Mas sabia que cedo ou tarde apareceria água.
       
      Vi um ponto para onde a trilha seguia, sem mata, onde deveria estar o curso normal do córrego. Quando me aproximava um tucano levantou vôo de uma árvore próxima. Primeira vez que avisto este pássaro fora de um zôo! E logo abaixo o córrego, agora com água corrente.
       
      Tratei de tirar a mochila e escolher um local para acampar mais afastado do riacho. Capinzão bom para armar a barraca. Tirei os artigos de cozinha e fui fazer a minha comida liofilizada junto ao córrego. Primeiro uma sopa, depois o prato principal.
       
      Enquanto a água esquentava fui até o local da barraca, pisoteei o capim para procurar pedras e tocos e, satisfeito, armei a tenda.
       
      Após a janta um banho de panela. Pego a água, me afasto das margens e jogo em cima do corpo. Tem que repetir esta operação várias vezes. Depois ensaboar e fazer a mesma coisa. Mais importante ainda se afastar para não poluir o rio com sabão.
       
      Alimentado, limpo, assisti a um belo por do sol. Li e ouvi música um bocado antes de dormir. Noite com uma temperatura super agradável. Apenas um pouco de chuvisco. Estou gostando muito do colchão NeoAir da Therm-a-rest. Levíssimo e confortável.
       
      Domingo acordei bem cedo, por volta de 4:30 para 5 horas. Queria sair logo. Mas como tardou para clarear o dia! Esqueci que estava bem mais a Oeste que Salvador/Bahia.
       
      Após o café desarmei a barraca e tratei de recompor o capim amassado pela tenda. Este foi um dos lugares mais tranqüilos e bonitos que acampei aqui no Brasil.
       
      Voltei pelo caminho normal do dia anterior e depois de boa descida cheguei ao início da estrada de terra. Caminhando, um fusca 72 parou ao meu lado e um goiano muito gentil ofereceu carona. Agradecido subi no carro e o motorista além de me levar para a cidade saiu do caminho dele e me deixou em frente à pousada. Gentileza assim só no interior do Brasil!
       
      Cheguei bem cedo. Tive tempo de tomar um banho, almoçar e passear pela cidade. Visitei o Centro de Informações Turísticas. Descobri que a Sertão Zen praticamente é a única aberta a visitação sem exigir pagamento. As demais estão dentro de áreas particulares e cobram taxas. Parece um “pay-per-view”.
       
      Pior ainda é o P.N. da Chapada dos Veadeiros, proibindo acampar dentro do Parque. No P.N. da Chapada Diamantina isto não ocorre, por isso tem tanto fluxo turístico para lá!
       
      Parques muito melhores e muito mais conservados da Argentina e Chile não proíbem camping. Eles apenas indicam a área onde podemos acampar. Mesma coisa nos Estados Unidos. Na Europa quando limita é porque tem abrigos nas montanhas (refúgios) dentro do parque.
       
      Recomendo este passeio, muito fácil e tranqüilo, para um final de semana, se estiverem em Brasília. Dá para fazer bate e volta (Alto Paraíso-Sertão Zen) no mesmo dia, se não quiserem acampar.
       
      As fotos, postarei em seguida.
       
      Boa viagem e pé na estrada!
       
      Peter
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