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Jorge Soto

Da Pedra Grande até o Itaguacira... a pé!

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http://jorgebeer.multiply.com/photos/album/203/Travessia_Pedra_Grande_-_Itaguacira

 

TRAVESSIA PEDRA GRANDE - ITAGUACIRA

A Pedra Grande é um gigantesco e inconfundível bloco de granito encravado na Serra do Mar do distrito de Quatinga,

região de Mogi das Cruzes. De relativo fácil acesso e aproximadamente 1100m de altura, do seu cume é possível avistar

outro gde e imponente pico, situado a menos de 3km à nordeste. Pois este maciço atende pelo nome de Pico do Itaguacira

e, à diferença de sua ilustre vizinha, deste não se tem info ou know-how algum de acesso ao topo, 100m mais alto. No

entanto, ambas montanhas estão ligeiramente unidas por uma estreita e escarpada crista forrada de mata. Pronto, estava

lançado o desafio de unir estes cumes, resultando numa curta e perrengosa travessia pra andarilho nenhum botar defeito.

 

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Sempre acreditei q o Pico Itaguacira e Pedra Grande de Quatinga fossem a mesma montanha. Por situar-se na divisa de

Paranapiacaba e Mogi, ambas regiões reivindicam a “posse” da elegante montanha, recebendo assim denominações diferentes. Pois bem, estava errado. Foi graças à insistência do Carlos, q sobrepôs a carta da região com imagens precisas do Google Earth q chegamos a conclusão q eram picos diferentes, porém bem próximos! Sendo assim, nas duas ocasiões em q estive supostamente no Itaguacira na realidade estava com os pés sobre a Pda Gde! Essa constatação foi a gota dágua pra

realizar a união dos picos, algo q já cogitara desde a primeira vez q estivera na ilustre montanha, pois o Itaguacira é

visivelmente mais alto q a Pda Gde! Pra corrigir esta desfeita nos 2 relatos anteriores basta trocar apenas Itaguacira

por Pedra Grande; assim como em cia do Carlos resolvi finalmente fazer a travessia entre os dois picos avaliando as

possibilidades “in loco”, munidos apenas com meu conhecimento do local, uma carta e uma bússola.

Após um suculento pão-na-chapa da Padoca Barcelona, q nunca esteve tão delicioso, encontrei o Carlos em Rio Gde da Serra

naquela manhã fria de domingo pra logo embarcarmos no latão rumo Paranapiacaba, onde chegamos às 8:40. As brumas a mto

haviam se dispersado dando lugar a um sol radiante e um céu azul impar. Como nossa empreitada era incerta, apressamos

nosso passo afim de otimizar ao máximo a luz natural. Em tempo, a decisão de iniciar o acesso pela vila inglesa foi

puramente logístico.

 

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Assim, deixamos Paranapiacaba pra trás pra mergulhar no frescor da bucólica estrada do Taquarussú ate alcançar a vila do

mesmo nome as 9:30. Sempre descendo suavemente pela estrada de terra, serpenteamos um enorme reflorestamento de

eucaliptos ate dar no aberto, ignorando a bifurcação q dá pro Camping Simplão. Daqui já se tem um vislumbre da silhueta

do serrote q acolhe a Pda Gde, esta porém vista por “trás”. Sempre seguindo a passo ligeiro pela principal cruzando por

algumas chácara, onde latidos estridentes do “Sitio Cachoeira” quebram o silencio da jornada, as 10:15 topamos com o

famoso orelhão q serve como referência. Deixamos a estrada pra adentrar pela estreita estrada á direita, agora indo de

encontro ao miolo da Serra da Pda Gde, q agora exibe sim seu belo domo de granito reluzindo ao sol, a leste. Subindo e

descendo suavemente, nos deparamos com nova bifurcação com placa, onde tomamos á esquerda ignorando a q nos leva ao

Pesqueiro de Trutas Pedrinhas.

Visivelmente adentrando num vale q bordeja a encosta das montanhas, ganhamos altura de forma imperceptível um tempão ate deixar a estrada em favor de uma trilha de motos erodida, na qual nos poupamos de dar enorme volta pela esquerda. Mas às 11hrs topamos com a entrada da trilha da Pda Gde, sinalizada de forma discreta, ao lado da porteira de uma fazenda. Dali

não tem mais erro, pois basta tomar a picada, obvia e bem batida, q sobe uma crista ascendente de forma imperceptível

pra depois palmilhar em nível a encosta esquerda da montanha. Visivelmente bordejando a montanha, após passar um filete

dágua é q a subida aperta de vez e a piramba íngreme q se segue só é vencida mediante escalaminhada brava onde nos

firmando nos troncos ou qq apoio à mão, onde se ganha altura num piscar de olhos.

 

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Mas meia hora após entrar na trilha é q emergimos de fato no alto da Pedra Grande, com um forte vento frio soprando no

suor escorrendo pelo rosto, q nos obriga a trajar anorakes apesar do sol brilhar soberano no firmamento. Pausa

logicamente pra descanso e pra algum petisco, enqto apreciamos o belo visual q se descortina á nossa volta, do alto dos

quase 1140m daquele maciço granítico. Um vasto capinzal e alguns pequenos trechos lajotados dominam o topo, cuja vista

panorâmica é realmente soberba e permite um vislumbre geral em 360 graus, seja da Represa de Taiacupeba, das Cabeceiras

do Quilombo e de Cubatao, de td trecho feito desde Paranapiacaba, de Quatinga, etc..enfim, uma vista realmente

deslumbrante. Dali tb observamos claramente o selado de ligação q deve ser atingido, rumo sul, pra depois prosseguir

inipterruptamente pela crista, sentido o Pico Itaguacira, já a leste.

Após discutir a melhor tática de acesso e avaliar as demais possibilidade de fuga na carta, as 12:10 tomamos uma picada

q sai do topo e percorre a crista indo no sentido desejado, isto é, sentido sul, onde perdemos altitude as poucos. Eu já

havia percorrido esta crista noutra ocasião e sabia q dali havia condições de aceder o selado avistado, so não sabia se

havia trilha ate lá. Pois bem, aqui o trajeto é tranqüilo e desimpedido, com algumas brechas na vegetação q permitem

visualização da crista e selado q devemos atingir.

 

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Mas não dá nem meia hr q a vereda nos leva numa bifurcação em “T”, onde o sentido agora a tomar é obvio, o ramo da

esquerda, já q o da direita desce a serra sentido sudoeste e vai dar próximo do Camping Simplão. Mas após um bambuzal

logo minhas suspeitas de inexistência de trilha se confirmam pois não andamos nem 50m q a tal “trilha” some

definitivamente, nos obrigando a simplesmente descer a serra no vara-mato. Sem referencia, é aqui q a bússola tem papel

fundamental, sempre azimutando pro sul/sudeste. Por sorte o mato aqui não é espesso, bastando apenas ser contornado na

mesma medida q perdemos altitude.

Ao reparar q não havia mais o q descer e q o terreno estava nivelado, percebemos q já havíamos atingido o tão almejado

selado, por sinal encharcado e por onde corria um filete dágua. Dali foi só apontar a bussola pra nordeste ate ganhar a

encosta q viesse a surgir. Ai fomos varando-mato ate ganhar a encosta e subir sem gde declividade ou qq dificuldade a

mesma. Percebemos q estávamos na crista q nos levaria ao Itaguacira qdo nos vimos em nível, com mato caindo de ambos ao

lados.

 

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Uma vez na crista bastou só rumar sempre pra nordeste, sem sair da rota. A vegetação, formada por muita mata arbustiva

mas principalmente arvores de porte mediano, permite facil transito neste inicio de caminhada. Mas logo q surgem

voçorocas sucessivas de fina taquarinha q as coisas se complicam, uma vez q elas se agarram a qq saliência da mochila ou

em qq parte do corpo, como se fosse velcro. Em mais de uma ocasião desviamos da cristas pra andar pela encosta, onde a

abundancia destas maleditas taquarinhas era menor. Além delas havia muita mata caída, onde arvores tombadas formavam

verdadeiras clareiras na crista, as quais tb havia q desviar pelos flancos. E visu? Bem, nenhum, a não ser nas frestas

esparsas pela mata.

Assim fomos avançando pela abaulada crista na medida em q as condições se mostravam mais favoráveis pra caminhar, sempre de olho na bússola, subindo e descendo cocorutos com bastante freqüência. As vezes tínhamos a impressão de encontrar vestígios de uma precária trilha no alto, q logo desaparecia. Ate q após um gde bambuzal seguiu-se a subida derradeira ao alto do Itaguacira, ascenção esta ate bem facil. Até lá eu já estava td ralado pelas taquarinhas, q deixaram marcas tanto nos braços como pernas, alem de sujeira e mato por td canto do corpo.

 

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Pois bem, após cruzar uma espessa floresta de bambus secos, as 14hrs atingimos o alto dos 1.996m do topo do Pico

Itaguacira, pois já não havia mais pra onde subir, apenas descer. Nos chamou a atenção a mata bem alta, composta de

arvores enormes, onde um pica-pau fez questão de anunciar nossa tímida conquista. Pelas frestas da vegetação podíamos

avistar o monólito da Pedra Grande emoldurado do mais denso e espesso verde. Na verdade o topo do Itaguacira é meio q

decepcionante, pois à diferença de sua vizinha não possui nenhuma laje ou mirante rochoso, mas estávamos contentes por

concluir o desafio proposto. Por se situar no limite municipal imaginamos algum marco no topo, mas se ele existir deve

estar coberto de mato uma vez q não vimos nenhuma trilha de acesso ao cume ou algo q o valha. Ou seja, o Itaguacira deve

ser um pico q ninguém vai, algo corroborado pela inexistência de qq vestigio de lixo deixado por alguem.

Após breve descanso e goles do cantil, decidimos o q fazer. Sem qq trilha de acesso ao pico tínhamos q dar um jeito de

descer. Avaliamos rapidamente a carta e constatamos q seguindo pra nordeste a continuidade da crista nos levaria ate

próximo da estrada de Taiacupeba. Mas a opção mais pratica pra nós era rumar pra noroeste e cruzar com alguma estrada de

fazendinhas da região q fatalmente desembocariam em Quantinga, bem mais próxima q Taiaçupeba. E foi isso q fizemos,

começamos a descer a íngreme encosta no vara-mato, inicialmente com bastante facilidade bastando apenas se apoiar no

arvoredo ao redor onde perdemos altitude rapidamente. Mas não tardou pra ter de atravessar uma interminável encosta de

bambus secos onde o quebrantar dos mesmos diante nossa passagem forçada era o som reinante deste trecho. Passados os

bambus vieram os emaranhados de fino cipó, q repetiram o sufoco da travessia agoniante em meio das taquarinhas da

crista, e q me distanciou do Carlos.

 

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Sujos e ralados, as 15hrs desembocamos numa estrada calçada q coroou nossa navegação perfeita de forma impecável. Dali

bastou apenas acompanhar a estrada, q desceu cruzando por um enorme canil, onde a algazarra dos pulguentos (felizmente

presos) anunciou nossa presença. Um tempo depois nos vimos saindo do Sitio das Aguas e olhando por sobre o ombro,

dávamos adeus ao pico alcançado, sua crista soberba e à parede rochosa vertical da Pda Gde. O resto da andança é trivial

e sem maiores dificuldades.

 

Chegamos em Quatinga as 14hrs pra encostar num boteco e bebemorar a travessia com umas brejas geladas. O busão pra Mogi so tomamos meia hora depois, a tempo de chegar em Sampa inicio de noite. Contentes e conscientes do prazer proporcionado da missão cumprida e dos dois maiores cumes da região conquistados, fica ai a dica de mais um belo bate-volta adrenado. E q pra travessias legitimamente selvagens por cumes montanhosos não há necessidade de ir longe demais e mto menos da exigência da utilização do tal aparelhinho do GPS. Com pouca coisa e boa disposição é possível ter um domingão radical e aventureiro com conquistas genuínas e prazerosamente selvagens. E ai, que tal encarar a travessia por toda crista do

Itaguacira ate Taiacupeba?

 

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Fala Jorjão!!!

 

Muito massa seu relato, meu rei!

 

Rapaz, eu tenho tudo contra "vara mato" ô meu Deus!!!!! mas às vezes não tem jeito !! rsrsrsrs

 

Abraços!

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