Olá viajante!
Bora viajar?
China - 20 dias - Shanghai, Xian e Beijing - junho de 2011
- Respostas 42
- Visualizações 26k
- Criado
- Última resposta
Usuários Mais Ativos no Tópico
-
arnobionet 29 posts
-
F3rnanda 2 posts
-
Tete_vet 1 post
-
biancogdea 1 post
Este relato é uma cópia do que eu estou escrevendo no meu blog. As fotos eu só vou postar lá. Quem se interessar pode dar uma olhada. O link está no fim do post, na minha assinatura.
Primeiro dia. Sábado, 04 de junho de 2011.
Aqui em Shanghai agora são 05:00 horas da manhã de domingo (18:00 horas de sábado no Brasil), já está claro e estamos todos acordados. Dormi 14 horas seguidas desde ontem. A viagem até aqui é estafante.
Saímos de São Paulo às 17:30 de quinta-feira num voo com destino à Madrid. E que voo! Nunca tinha estado num avião que balançasse tanto. Foi a pior turbulência da minha vida. Claro que tanto sacolejo causou efeitos.
Estávamos eu, a Dani e o seu Chico juntos numa fileira de três poltronas lado a lado no fim do avião (Air China – Airbus A330). Para minha ”sorte”, sentei num poltrona que não reclinava tudo. Falei com a aeromoça e ela ficou de me arranjar uma poltrona que reclinasse tudo porque, afinal, seriam 10 horas até Madrid. Ela encontrou uma poltrona na fileira logo atrás de nós onde só viajava uma chinesa (que morava em Santa Catarina mas pouco falava português) com o seu bebê de colo que ia deitado na poltrona do meio. Aí peguei minha mochila, pulei para a poltrona de trás, coloquei os fones de ouvido e reclinei à vontade. Ficou melhor pra todo mundo. A Dani tinha mais espaço pois a poltrona que eu estava ficou vazia e eu fiquei ao lado de um bebê, em uma poltrona que reclinava bastante. Mal eu sabia o que me esperava…
Ainda sobre o território brasileiro passamos umas duas horas com muita turbulência e quedas bruscas no vazio. Justo na hora do serviço de bordo, o bebezinho começou a passar mal e deu umas três golfadas. Até aí tudo bem, a mãe dele se virou para limpar tudo e eu fingi que nem vi, apesar de ter perdido um pouco o apetite. Tinha colocado a minha mochila embaixo da poltrona do meio da frente, onde a Daniela estava sentada. Com o bebê passando mal e a mãe limpando com um lenço de papel a roupinha dele, resolvi tirar minha mochila de lá e dar para a Dani guardar na frente. Foi um momento iluminado.
Assim que recolheram a bandeja com a comida, abri um sachê com aqueles lenços umidecidos que tem um cheiro forte de alfazema (ainda caí na besteira de oferecer para a chinesa que estava mais amarela do que já era). Acho que foi a gota d´água para ela. A forte turbulência, o bebê passando mal e o cheiro da alfazema fizeram ela enjoar também. A pobre bem que tentou arranjar um saco de air sickness mas não deu tempo, começou a vomitar loucamente dentro do saquinho do fone de ouvido mesmo e eu desesperado procurando um saco de air sickness para ela. Quando o saco do fone de ouvido encheu ela começou a fazer tudo no chão mesmo, bem aonde minha mochila estava há dez minutos atrás! Aí não teve jeito, deixei minha solidariedade de lado, me soltei do cinto a mais de mil e fui lá atrás avisar as aeromoças. Chegando lá, disse que a moça estava passando mal e elas pensaram que era pouca coisa, mas aí eu insisti que era sério o negócio e elas foram olhar. A cara delas foi hilária. Para minha surpresa, até elas estavam enjoadas com tanta turbulência.
Fiquei em pé uns vinte minutos lá na área das aeromoças conversando com elas e pensando no meu azar (um avião com mais de 200 pessoas e eu, por escolha própria, sento justo do lado da chinesa que passa mal). Depois que as aeromoças limparam tudo, ainda em choque, voltei para a poltrona ao lado da Dani que, à essas alturas, apesar de não reclinar, parecia uma melhor opção. O resto do voo sobre o Oceano Atlântico até Madrid foi tranquilo, apesar de cansativo (não consegui nem cochilar).
Chegamos em Madrid, no início da manhã de lá. Todo mundo desembarcou para uma escala de 3 horas. Tomamos café no terminal (18 euros), olhamos as lojas e, quando vimos, já era hora de embarcar de novo. Como não tínhamos dormido nada ainda (com exceção do seu Chico), eu e a Dani resolvemos tomar um Dramin. Nunca tinha experimentado esse truque para dormir, mas agora sentia que ia precisar.
Esse sem dúvida seria o trecho mais exaustivo. Passamos 12 horas acompanhando no sistema de entretenimento o avião sobrevoar toda a Europa e mais todo o território russo e a Mongólia até pousar em Beijing. Nesse tempo todo dormimos umas 4 horas (graças ao bendito Dramin), o que já era alguma coisa. O serviço de bordo da Air China é muito bom (servem comida quente toda hora) e o avião é até confortável, mas depois de 25 horas já não aguentávamos mais.
Chegando em Beijing ficamos espantados com o aeroporto. Nunca tinha visto nada tão moderno, sofisticado e posso até dizer suntuoso. O aeroporto da capital chinesa é gigante e está novinho. Foi construído para as Olimpíadas de 2008. Faz a gente ter vergonha dos nossos aeroportos no Brasil.
Passamos mais umas 2 horas em Beijing. Como era a entrada no país, passamos pela imigração, recebemos o carimbo no visto que já tínhamos tirado no Brasil e, sem pergunta nenhuma, entramos. Aí fomos retirar a bagagem e fazer o reembraque para o trecho doméstico até Shanghai, nosso destino final nesse périplo.
Embarcamos em um Boeing 737-800 da Air China até contentes por saber que esse último voo duraria ”apenas” 2 horas. O pior já tinha passado.
Entre Beijing e Shanghai, como é um trecho doméstico (quase todos a bordo eram chineses), tínhamos a opção de pedir western breakfast ou chinese breakfast. A Dani e o seu Chico foram de café da manhã ocidental. A aeromoça ficou toda contente quando eu disse que queria provar o café da manhã chinês.
Não posso dizer que é ruim, é só diferente, bem diferente. Não tem leite nem café, tem chá. Tem um pão, iogurte, frutas e tem também conjee, um tipo de sopa de arroz bem aguada e sem sal ou qualquer tempero, que é a base do café da manhã deles. Junto vem um sachê com escabeche de pepino e outros legumes que tem um cheiro muito forte e serve para dar um gosto no conjee. Tem também um ovo cozido marrom e com ”veias” que vem num sachê em conserva com uma galinhazinha desenhada. Só provando para saber. O gosto é bem ”forte” e, pela voracidade com que o chinês do meu lado comeu o dele, eles devem gostar muito.
Chegamos em Shanghai às 10:00 horas da manhã de sábado (21:00 horas de sexta-feira no Brasil). Outra vez nos deparamos com um aeroporto monumental. O Shanghai Pudong é um aeroporto tão grande que chegamos a ver portão de embarque número 273! São sucessões de esteiras rolantes em corredores que não conseguíamos ver o fim. Tudo muito amplo, limpo e bem cuidado. Mas o que mais nos chamou a atenção (também no aeroporto de Beijing) foi a quantidade de lojas de todos os tipos. Muitas lojas de grifes de luxo e muitos free shops imensos! Nem nos Estados Unidos vimos tantas lojas nos aeroportos. Para um país comunista, a primeira impressão que tivemos foi que eles são mais capitalistas que nós.
Fomos então pegar nossa bagagem e finalmente ir para o hotel. Sabíamos que um taxi para o centro demoraria cerca de uma hora e custaria uns 300 Yuans (50 dólares). Graças ao nosso panejamento, pagamos apenas 7 Yuans cada e fomos de metrô, que tem uma estação dentro do aeroporto (por sinal o metrô é fantástico). Tínhamos também a opção de pegar o Maglev, o trem magnético que é o mais rápido do mundo atualmente (chega a 430 km/h), mas é muito mais caro. De metrô, depois de cerca de uma hora e dezessete estações, chegamos na estação mais próxima do nosso hotel, a East Nanjing Road.
Completamente desorientados, eu com a mochila nas costas e a Dani e o seu Chico puxando as malas, saímos por uma das 4 saídas da estação e nos vimos no meio da chuva em uma das ruas de comércio mais movimentadas da Ásia sem que ninguém conseguisse nos dar uma informação! Ninguém entendia inglês. Confesso que nessa hora ficamos com medo. Saímos andando, eu com meu guia da Lonely Planet na mão, até que achamos uma placa com o nome da rua. Constatamos que estávamos indo para o lado oposto. Aí, com a chuva engrossando, resolvemos pegar um taxi.
Mas a barreira da língua aqui é enorme. O taxista, apesar de muito risonho, não tinha ideia do que dizíamos (sequer a palavra ”hotel” eu acho que ele entendia) e encostou o taxi para que eu mostrasse para ele o mapa com nosso hotel marcado, mas ele não entendia as letras no alfabeto latino! Aí lembrei que rua em chinês é Lu e disse: ”Fuzhou Lu!” (Rua Fuzhou). Aí ele deu ares de que tinha entendido e foi dirigindo. A corrida até que foi longa (uns 10 minutos) mas custou só 12 Yuans (R$ 3). Ele nos deixou há uma quadra do hotel. Fomos andando até que achamos o Shanghai Baron Business Hotel. Nossa maratona estava terminando.
O hotel pareceu muito bom e só custou 5.745 Yuans por 9 noites em quato triplo, sem café da manhã. Depois do check-in, subimos e, finalmente, estávamos no nosso quarto! O seu Chico só fez desabar na cama e dormir tão pesado que não conseguimos acordá-lo. Eu e a Dani, depois de tomar banho, como sempre fazemos, saímos para ver os arredores. Mas a chuva não ajudava. Compramos uns pães numa padaria de luxo onde ninguém falava inglês também, uns refrigerantes e água na Nanjing Road, a Dani comprou um guarda-chuva de uma velhinha e voltamos para o hotel. Chegamos molhados e já era umas 15:00 horas. Aí não teve jeito, nos rendemos ao cansaço e dormimos também, ignorando o fato de que estávamos no meio da tarde. Pela primeira vez senti os efeitos de um jet lag. Estávamos completamente desorientados em relação aos horários e dormimos até agora. Acordamos renovados, mesmo que ainda fora dos horários. Aí resolvi escrever tudo isso.
Enquanto eu escrevia, a Dani e o seu Chico tomavam banho. Agora eu vou tomar o meu. Depois, vamos descer para tomar café da manhã. O dia será longo e, agora que estamos mais descansados, a empolgação voltou. Estamos na China!
Editado por Visitante