Dar dicas de viagem é fácil, faz isso, faz aquilo, faz aquilo outro, mas as vezes a gente precisa parar pra analizar se todos esses "fazes" fazem sentido, e nisso eu cheguei a 7 items que é do não-faz.
Claro que eles vão ser polêmicos e também sempre tem um grande MAS no fim, porque tudo depende da circunstância, mas, isso deixo pros outros comentarem.
Não peça conselho para locais
Uma comentário que as vezes escuto de um local é de que eu conheço mais lugares do que ele que nasceu na cidade. A verdade é que um local não tem idéia do que é atração turística na própria cidade, tudo para ele é comum, um parisiense acha a torre Eiffel comum, um berlinense acha o muro de Berlim comum, um toquinense (quem nasce em Tóquio é o quê?) acha o monte Fuji comum, porque eles veem aquilo todo dia, nasceram vendo aquilo, agora imagina as atrações menos famosas? Nem sabem que existe.
Um local apenas acha interessante o que é diferente da cidade, mas para quem não é da cidade, tudo é diferente, então aquela rua, aquele buteco, aquele lugar que ele acha legal, na verdade, num âmbito turístico, é só mais um de tantos lugares que não é tão atrativo assim para os de fora, pois o turista quer conhecer o comum daquela cidade, essa é literalmente a razão da viagem, se não nem teria viajado para lá.
Não coma em restaurantes super-indicados
Restaurantes indicados na sua grande maioria é caro, pode não ser uma fortuna, mas é um valor acima do padrão da cidade. Ir em uma viagem e conhecer só esses estabelecimentos é não conhecer a verdadeira culinária da cidade. O povo no dia a dia não come comida sofisticada, ele come daquele barzinho de esquina, da biboca, do restaurante perto do trabalho, essa é a verdadeira comida local. Imagina um gringo indo pra São Paulo e indo comer no Fogo de Chão, numa pizzaria na Vila Mariana que uma pizza custa 120 reais, no restaurante do cozinheiro 'isso é vergonha da proffissón', não há duvidar de que ele conheceu um pouco da culinária da cidade, mas certamente ele não conheceu a verdadeira culinária local.
Não use taxi (e carro de aplicativos)
Transporte público é a verdadeira experiência local de uma cidade, é como entrar em super mercado, é onde você vê o mais comum do comum, é o dia a dia, é o arroz com feijão, é onde os mortais andam. Além de economizar dinheiro (estamos num site de mochileiros, e não de viagem de luxo, né) você realmente entra em contato de quarto grau com o mundo afora, quanto mais o país é diferentes do nosso, como os da Ásia, maior é o desafio em entender como eles pensam e agem. E não tem souvenir mais legal (mentira, tem sim) do que os cartões de transporte. Deixe a preguiça de lado, pegue um transporte público e sinta a cidade.
Não viaje verão (e no inverno)
O aquecimento global já chegou faz tempo, tirando os extremos dos continentes, todo lugar é muito quente no verão. Na Europa bate 35-40 graus, na Ásia se soma com uma umidade de ver peixe nadar no ar, na América do Sul o sol é de lascar cano, isso sem contar a horda de locais e turistas indo pros lugares mais famosos. Evite esse sofrimento a toa, escolha um pouco antes ou depois do auge do verão, porque além de ser mais fresco, vai ter menos gente disputando o seu lugarzinho no sol (ou na sombra no caso).
E no outro extremo, como o Brasil não tem bem um inverno, então não estamos acostumados ao quão sofrível é viajar nessa época do ano em países onde existe um inverno de verdade. O sol nasce 8-9h da manhã, se põe 16-17h da tarde, o vento gelado não deixa nem bater uma foto sem fazer sua mão doer, você nem sente mais o seu rosto depois de meia hora andando pela rua. Se realmente pretende viajar no inverno pra ver neve, vá lá pro extremo norte ou sul do planeta, porque mesmo na Europa, não é muito fácil de ver neve nas grandes cidades, e as vezes nem a cidade se vê direito, porque a névoa é densa e constante.
Não pesquise muito sobre o destino
Quando você vai ver um filme, você lê todos os spoilers antes de ir ao cinema? Acredito que não, e recomendo fazer o mesmo para cidades. O trailer ajuda a ter uma ideia do que esperar de um filme, mas ficar pesquisando ostensivamente um lugar faz perder um pouco da magia da novidade e da surpresa. Pesquise o básico, mas não fique vendo vídeos de youtube, prefira ler blogs onde você fica apenas imaginando, sem estragar a surpresa. Uma frase comum de viajante é "achei aquele lugar incrível e eu não esperava nada dela", isso acontece pelo fato de não ter dado bola e pesquisado pouco pelo lugar, e acarreta aquela surpresa de ver ao vivo.
Não visite cidades muito pequenas
Poucas pessoas tem o privilégio de fazer uma viagem longa, de poder gastar o tempo que quiser em uma cidade, mas, isso não é a nossa realidade (viu Fabiano), temos férias curtas, dias marcados, então aproveite esse tempo para conhecer cidades maiores onde se tem uma maior gama de atrações. Ir a cidades pequenas, especialmente quando é longe, faz perder um tempo precioso fazendo nada, então, tire do roteiro aquela cidadezinha que te faria desviar 500km da rota e 1 dia de viagem e gaste em um lugar mais proveitoso.
Não existe must see
Em 2013 eu tive em Paris pela primeira vez e não entrei no museu do Louvre, eu consegui sobreviver a isso esse tempo todo, e apenas no ano passado quando voltei pela segunda vez a cidade da luz, fui finalmente conhecer o dito cujo. Foi legal? Foi, eu gosto de museu, mas você não precisa conhecer todo "must see" porque não lhe vai cair uma perna ou braço, principalmente quando não é do seu interesse. Eu mesmo nunca pisei num museu de arte moderna, não acho interessante, então eu pulo essa dica de todos as cidade, pode ser o MoMa, mas eu não entro. E além disso, tem aqueles pontos turísticos que é famoso porque tem gente que vai lá porque é famoso, que vai lá porque tem gente indo lá porque é famoso, ad infinitum. Pode até ter uma história interessante por trás, mas 99% das pessoas vão só pra dizer que foram, não perca seu tempo só pra fazer fotos pros outros, gaste seu tempo para si.
E mesmo para os lugares mais icônicos, as vezes por força do destino você não consegue ir, mas no fim não vai estragar tanto assim sua experiência, porque 99% do seu tempo você está passeando e vivenciando a cidade.
Bom, e é claro, reiterando, todos esses pontos tem seus 'mas..', mas...., não vim para isso.
Dar dicas de viagem é fácil, faz isso, faz aquilo, faz aquilo outro, mas as vezes a gente precisa parar pra analizar se todos esses "fazes" fazem sentido, e nisso eu cheguei a 7 items que é do não-faz.
Claro que eles vão ser polêmicos e também sempre tem um grande MAS no fim, porque tudo depende da circunstância, mas, isso deixo pros outros comentarem.
Uma comentário que as vezes escuto de um local é de que eu conheço mais lugares do que ele que nasceu na cidade. A verdade é que um local não tem idéia do que é atração turística na própria cidade, tudo para ele é comum, um parisiense acha a torre Eiffel comum, um berlinense acha o muro de Berlim comum, um toquinense (quem nasce em Tóquio é o quê?) acha o monte Fuji comum, porque eles veem aquilo todo dia, nasceram vendo aquilo, agora imagina as atrações menos famosas? Nem sabem que existe.
Um local apenas acha interessante o que é diferente da cidade, mas para quem não é da cidade, tudo é diferente, então aquela rua, aquele buteco, aquele lugar que ele acha legal, na verdade, num âmbito turístico, é só mais um de tantos lugares que não é tão atrativo assim para os de fora, pois o turista quer conhecer o comum daquela cidade, essa é literalmente a razão da viagem, se não nem teria viajado para lá.
Restaurantes indicados na sua grande maioria é caro, pode não ser uma fortuna, mas é um valor acima do padrão da cidade. Ir em uma viagem e conhecer só esses estabelecimentos é não conhecer a verdadeira culinária da cidade. O povo no dia a dia não come comida sofisticada, ele come daquele barzinho de esquina, da biboca, do restaurante perto do trabalho, essa é a verdadeira comida local. Imagina um gringo indo pra São Paulo e indo comer no Fogo de Chão, numa pizzaria na Vila Mariana que uma pizza custa 120 reais, no restaurante do cozinheiro 'isso é vergonha da proffissón', não há duvidar de que ele conheceu um pouco da culinária da cidade, mas certamente ele não conheceu a verdadeira culinária local.
Transporte público é a verdadeira experiência local de uma cidade, é como entrar em super mercado, é onde você vê o mais comum do comum, é o dia a dia, é o arroz com feijão, é onde os mortais andam. Além de economizar dinheiro (estamos num site de mochileiros, e não de viagem de luxo, né) você realmente entra em contato de quarto grau com o mundo afora, quanto mais o país é diferentes do nosso, como os da Ásia, maior é o desafio em entender como eles pensam e agem. E não tem souvenir mais legal (mentira, tem sim) do que os cartões de transporte. Deixe a preguiça de lado, pegue um transporte público e sinta a cidade.
O aquecimento global já chegou faz tempo, tirando os extremos dos continentes, todo lugar é muito quente no verão. Na Europa bate 35-40 graus, na Ásia se soma com uma umidade de ver peixe nadar no ar, na América do Sul o sol é de lascar cano, isso sem contar a horda de locais e turistas indo pros lugares mais famosos. Evite esse sofrimento a toa, escolha um pouco antes ou depois do auge do verão, porque além de ser mais fresco, vai ter menos gente disputando o seu lugarzinho no sol (ou na sombra no caso).
E no outro extremo, como o Brasil não tem bem um inverno, então não estamos acostumados ao quão sofrível é viajar nessa época do ano em países onde existe um inverno de verdade. O sol nasce 8-9h da manhã, se põe 16-17h da tarde, o vento gelado não deixa nem bater uma foto sem fazer sua mão doer, você nem sente mais o seu rosto depois de meia hora andando pela rua. Se realmente pretende viajar no inverno pra ver neve, vá lá pro extremo norte ou sul do planeta, porque mesmo na Europa, não é muito fácil de ver neve nas grandes cidades, e as vezes nem a cidade se vê direito, porque a névoa é densa e constante.
Quando você vai ver um filme, você lê todos os spoilers antes de ir ao cinema? Acredito que não, e recomendo fazer o mesmo para cidades. O trailer ajuda a ter uma ideia do que esperar de um filme, mas ficar pesquisando ostensivamente um lugar faz perder um pouco da magia da novidade e da surpresa. Pesquise o básico, mas não fique vendo vídeos de youtube, prefira ler blogs onde você fica apenas imaginando, sem estragar a surpresa. Uma frase comum de viajante é "achei aquele lugar incrível e eu não esperava nada dela", isso acontece pelo fato de não ter dado bola e pesquisado pouco pelo lugar, e acarreta aquela surpresa de ver ao vivo.
Poucas pessoas tem o privilégio de fazer uma viagem longa, de poder gastar o tempo que quiser em uma cidade, mas, isso não é a nossa realidade (viu Fabiano), temos férias curtas, dias marcados, então aproveite esse tempo para conhecer cidades maiores onde se tem uma maior gama de atrações. Ir a cidades pequenas, especialmente quando é longe, faz perder um tempo precioso fazendo nada, então, tire do roteiro aquela cidadezinha que te faria desviar 500km da rota e 1 dia de viagem e gaste em um lugar mais proveitoso.
Em 2013 eu tive em Paris pela primeira vez e não entrei no museu do Louvre, eu consegui sobreviver a isso esse tempo todo, e apenas no ano passado quando voltei pela segunda vez a cidade da luz, fui finalmente conhecer o dito cujo. Foi legal? Foi, eu gosto de museu, mas você não precisa conhecer todo "must see" porque não lhe vai cair uma perna ou braço, principalmente quando não é do seu interesse. Eu mesmo nunca pisei num museu de arte moderna, não acho interessante, então eu pulo essa dica de todos as cidade, pode ser o MoMa, mas eu não entro. E além disso, tem aqueles pontos turísticos que é famoso porque tem gente que vai lá porque é famoso, que vai lá porque tem gente indo lá porque é famoso, ad infinitum. Pode até ter uma história interessante por trás, mas 99% das pessoas vão só pra dizer que foram, não perca seu tempo só pra fazer fotos pros outros, gaste seu tempo para si.
E mesmo para os lugares mais icônicos, as vezes por força do destino você não consegue ir, mas no fim não vai estragar tanto assim sua experiência, porque 99% do seu tempo você está passeando e vivenciando a cidade.
Bom, e é claro, reiterando, todos esses pontos tem seus 'mas..', mas...., não vim para isso.