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pedra grande - parque da cantareira - sp


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não sei se um passeio de poucas horas vale o relato. todavia posto aqui, para eventuais novatos curiosos de um outro tipo de passeio que não o turismo tradicional possa ter um contato suave e bem preliminar com o gosto de andar em meio à mata, e se ter lindas vistas de belos horizontes. e mais, se james joyce conseguiu conseguiu transformar o 14 de junho de 1906 na vida de léopold blum num livro gigante ("ulysses"), eu consigo transformar menos de duas horas de caminhada num mini-relato.

 

mas vamos parodiar "os sertões", do euclides da cunha.

 

1. a terra.

a serra da cantareira tem esse nome em razão das inúmeras nascentes de água. os antigos tropeiros enchiam seus cântaros de água por ali, e cantareira é o nome das estantes onde se guardavam cântaros de água, nas casa antigas.

o parque da cantareira fica ao lado do horto florestal. o horto florestal é antigo, mas era mais voltado à preservação de algumas árvores e tb como local de plantio experimental de outras. é um parque, com laguinho com patos, gansos e etc, área para piqueniques, quadras de esportes, banheiros, e um local onde pode-se ver capivaras de perto. segundo uma colega veterinária, capivaras obesas que andam livremente pelo horto, normalmente se recolhendo em moitas do contato que as crianças querem fazer. é fácil vê-las, estão acostumadas à presença humana.

a entrada no horto florestal é gratuíta, se faz pela rua do horto, número 931. em frente há botecos e restaurantes simples. há tb barracas e coco verde, de cachorro quente, pipoca, caldo de cana, e sempre alguns ambulantes vendendo bexigas de gás e outras bugigangas pra crianças.

em frente à entrada do horto fica o ponto final da linha "horto florestal". tb tem a indefectível meia dúzia de vira-latas requenguelas que há em qualquer lugar de afluxo público.

 

o parque da cantareira é contíguo. entra-se pela mesma rua do horto, mas pelo número 1799. é o final da rua. paga-se pra entrar 2 reais. é uma área de preservação tombada pela unesco, e constitui a maior floresta urbana original do mundo. ou seja, sua mata é mata primária. ou pelo menos boa parte dela.

tem quatro núcleos: águas claras, cabuçu, engordador e pedra grande. os três primeiros com acesso pela rodovia fernão dias (e daí cada um tem uma entrada distinta). o núcleo da pedra grande com acesso pela rua do horto, pelo endereço colocado acima.

 

a pedra grande é um dos melhores mirantes de são paulo. dá para tranquilamente ver a mais de 10 kms de distância. quem conhece bem são paulo consegue ver as antenas da avenida paulista, o instituto da mulher na avenida doutor arnaldo.

 

neste núcleo a trilha pricipal (na verdade, uma estradinha asfaltada) leva até a pedra grande. lá em cima, ao lado do mirante tem um pequeno museu, ora em manutenção. há também sanitários. há diversas trilinhas de poucas centenas de metros saindo dessa estradinha. algumas delas permitem avistar-se parte da fauna local: bugios, quatis, pássaros.... a mata está muito bem preservada, com as espécies nativas locais da mata atlântica serrana

 

e a trilha principal, tem, da portaria do parque até a pedra grande, cerca de 3.200 metros. de subida. cerca de 100 metros é plano ou descendente na ida... o resto é subida pura. pra se fazer a pé. a trilha é toda florida, no entorno, com marias-sem-vergonha das mais diversas cores. é muito bonita.

 

2. o homem.

quem frequenta parques em são paulo? depende do parque, depende da localização, depende do acesso. o paulistano em geral em geral é uma média de todas as qualidades e defeitos do brasileiro. e o brasileiro, em geral, nem pouco apego ao meio ambiente, à sua preservação, então comumente joga lixo no chão, faz barulho assustando e estressando os bichos, depreda. vemos isso no parque do ibirapuera, por exemplo. no horto florestal, um pouco. e no parque da pedra grande,não vi nada disso, talvez em razão do pouco afluxo de pessoas pelo fato de se cobrar entradas, ou pq quem se mete a subir 3.200 metros de caminhada no meio da mata gosta do meio ambiente. ou simplesmente caiu tão de pára-quedas na situação que esqueceu de levar lanchinhos, balinhas e bebidas e outras coisas que geram lixo (não há lanchonete no núcleo, nem camelôs ou botecos à sua porta).

 

mas o que vi foi o padrão paulistano de sedentários, de diversos tamanhos, mas todos na mesma forma: redondos (essa descrição me inclui, ressalto). um japonês parecia estar subindo e descendo a estrada. casais de namorados adolescentes. orientais em geral. famílias perdidas onde as crianças reclamavam do cansaço e pais suavam às bicas. alguns casais de namorados. alguns adolescentes. a fauna humana normalmente mais bem comportada.

 

3. a guerra. excepcionalmente não viajei neste final de semana. sempre viajo a trabalho, meus domingos são gastos dentro de um bumba cometa na dobradinha bandeirantes-washington luís. desta vez fiquei, até pra sossegar um pouco, tentar colocar um pouco do trabalho em dia, e cuidar da garganta: tosse, tosse e mais tosse não é nada agradável, ainda mais se usa a voz pra trabalhar. vida de professor é um pouco mais difícil do que parece.

 

mas contrariando recomendações médica,s não aguentei ficar o terceiro dia seguido em casa. moro no tremembé. bairro residencial de são paulo, pacato, totalmente o inverso da minha moradia anterior, nos arredores da avenida paulista. agora tenho ar pra respirar, há beija-flores no quintal. e claro, muito mosquito também. do quintal avisto a serra da cantareira. da minha casa até a entrada do parque da cantareira, menos de 2 kms, isso se não se cortar caminho.

 

eu ainda não havia dado um pulo à pedra grande. sempre ouço os moradores locais dizendo que é uma "escalada" terrível - talvez pq os moradores locais com quem conversam estejam todos acima dos 60 anos, morem no bairro desde que nasceram e a última vez que deram um pulo lá a estrada devia ser de barro. isto sem falar nos relatos de ataques de animais (sim, no parque da cantareira a lista da fauna registrada inclui todas as aranhas possíveis, bugios, jaguatiricas e até a onça parda)..... ok, nenhum desses relatos tem menos de 30 anos....

 

bateu a ingrisia depois do almoço, botei um tênis que achei mais adequado pra andar, uma pochetinha com uma garrafa de água e mandei ver na caminhada. (claro, além do tênis e da pochete, eu usava outras peças de roupa, não foi uma caminhada nudista....).

 

já nos dois quilômetros de leve subida da minha casa à entrada do parque começou a suadeira e a imensa vontade de parar tudo e votlar pra casa que sempre me dá na primeira meia hora de qualquer exercício. sempre foi assim, desde crianaça, e só recentemente fui absolvido por um artigo do dráusio varella que diz que o ser humano, como qq outro animal, é dotado de comandos pra poupar energia. e só nós praticamos esportes, dada a nossa capacidade de ficarmos tão sedentários... afinal, onça não faz cooper, mas tem que correr atrás da comida, e a comida tb tem que correr dela. eu apenas me levanto e assalto a geladeira....

 

internamente fui xingando até a portaria do parque, pensando que valeria à pena apenas saber onde ficava a entrada.... afinal, sempre me diziam que subir a pedra grande era meio caminho par ao everest... hehehehe. mal deu 20 minutinhos de caminhada. paguei a entrada, e resolvi tentar chegar.

 

havia uma placa informativa dizendo que a trilha tinha 9.000 e tantos metros, de ida e volta, e recomendava 3 horas para tanto. acredito que seja esse percurso até o lago das carpas, que fica bem além da pedra grande.

 

mas fui subindo. esbaforido, suando, mas caminhando no meu ritmo normal, ou seja, rápido. sempre aindei muito rápido, sempre perdendo apenas para o meu irmão. bom, o ser humano dito "normal" caminha a uns 4 kms/h. o meu passo normal é entre 5,5 km/h e 6 km/h. meu irmão caminha a quase 7 kms/h normalmente, sem forçar. isso é normal em minha família, o professor de atletismo do meu irmão não se conformava de não ter nenhum praticante de marcha atlética na família....

 

mas nenhuma genética compensa o sedentarismo. fui caminhando, mas suando pácas. no começo estranhei cruzar com pessoas que desciam parecendo estar mais lentas do que eu subia. mas lá pela marca dos 1.000 metros da estradinha eu já tinha embalado no ritmo e fui subindo. subindo e observando a fauna humana que descia.

 

basicamente a classe média paulista. como falei, uma predominância de casais de namorados, alguns adolescentes em bando, um ou outro casal jovem carregando alguma criança que já estava cansada.

 

um casal de namorados me surpreendeu um pouco por algo que não vemos normalemnte em são paulo, que é o ato de se cumprimentar estranhos. o rapaz rapidamente me cumprimentou, e pela calça de trekking que usava (aquelas calças com aplicações de cordura, inconfundíveis) afora outros pequenos apetrechos parecia ser alguém que tá acostumado a fazer trekkings por aí, quando o paulistano aprende a cumprimentar as pessoas com quem cruza. são paulo é uma grande produtora de esquizofrênicos/autistas fechados em seu mundinhos, então a gente até estranha nesse ambiente quem não se comporte assim.

 

depois de cerca de 20 minutos de caminhada passei dois casal zinhos adolescentes (deu pra ouvir uma moça comentando que eu devia estar treinando, pq ela não andava tão rápido nem na descida...), e depois quatro mulheres,. deu pra perceber que eram as duas patroas com as suas empregadas, sendo que uma delas (das empregadas) empurrava o carrinho de bebês e a outra carregava um a criança, enquanto cerca de 10 metros atrás as duas patroas conversavam (advinhem, sobre uma loja no shopping iguatemi). chamaram-me a atenção pelos trajes: uma delas parecia usar as roupas da shakira em "suerte" - embora não tão bonita quanto... (pra quem quer ver o vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=o4KSz71fCxY ), além da maquiagem ultra pesada que não combinava lá muito com o ambiente árvore+macaco, além dos maiores saltos que eu já vi num parque.

 

e fui subindo e bufando. subindo e bufando. subindo e bufando.

 

claro que a garganta começou a querer fechar. um pouco antes de chegar à pedra grande eu tava expectorando algo que parecia ectoplasma de filme de fantasma em quantidade o suficiente pra causar um desastre ecológico no parque....

 

mas em míseros 45 minutos eu cheguei à pedra grande. sentei na pedra pra ver uma das melhores vistas que se pode ter de são paulo, meio a meia dúzia de casais de namorados e de famílias que pareciam fazer piquenique lá em cima. durante quinze minutos eu fique lá, sentadão, respirando, tossindo e recuperando o fôlego, vendo a skyline paulsita num dia nublado, enquanto bebia água. claro que nessas horas os vícios afloram, e senti muita falta de uma bela canecona de café com leite.... se não fosse proibido produzir fogo de qualquer maneira no parque, da próxima vez eu iria levar uma espiriteira e uma canequinha só pra fazer um café quente lá em cima, e tomá-lo olhando a belíssima vista.

 

15 minutos de descanso e resolvi descer.

 

o que levei 45 minutos pra subir desci em 34. a diferença não foi muita. e não crusei com muita gente, pois já se encerrava o horário de entrada. apenas uma família, em que um obeso, ofegante e suplicante pai me perguntou se já estavam na metade do caminho, enquanto a mulher ralhava "vai, fuma, bebe, come torresmo!", e as crianças pulavam em volta...

 

a sorte é que pra baixo todo santo ajuda, mesmo quando se está um pouco sem ar. às vezes o santo ajudava até demais, e eu acabava que ter que segurar um pouco pra não descer rápido demais, correndo.

 

chgguei à portaria e a entrada já estava encerrada. desci mais, até a entrada do horto florestal, passei pela muvuquinha.... e em pouco tempo já estava na padaria em frente de casa comprando pãozinho pra se comer com manteiga....

 

4. epílogo.

é um passeio que vale à pena para o paulistano com saudades de trilha. se não dá pra dar um pulo a uma trilha das boas, ou bate um desespero de mato num dia da semana, vale uma fuga ao parque da cantareira, e subir a pedra grande, para se ter um olhar sobre são paulo, mas um olhar de fora da cidade. é também um bom modo, suave por sim, de se iniciar alguma namorada ou namorado ao gosto de subir alguma trilha, alguma montanha. um modo não muito traumatizante, uma vez que se sobe tranquilamente em cerca de uma hora, e lá em cima há também sanitários e a linda vista.

 

pra quem quiser chegar: pegar algum ônibus com ponto final no horto florestal. descer no ponto final e subir a rua até o fim.

pra quem vem de carro: engenheiro caetano álvares, avenia santa inês, enge gnentil de laet, e quando cruzar a rua do horto, virar à esquerda, e ir até o final da rua.

quem quer pegar metrô, descer na estação santana, pegar ônibus vila rosa, pedir pra descer perto do horto florestal.

 

bom, é isso. :mrgreen:

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  • Membros de Honra

aí Ogum, já fui 2 vezes com minha namorada lá na Pedra Grande, adorei lá, a primeira vez paramos na pedra e ficamos por lá mesmo, da segunda vez seguimos para a Lagoa das Carpas, tem uma bifurcação um pouco antes de chegar na pedra, seguindo numa estrada de terra. Dá mais uns 30 min de caminhada, é bem tranquilo lá, bom pra ficar namorando e comer um lanche ( tem que levar, claro).

 

Concordo com vc sobre as pessoas que frequentam o local, não vi sujeira, lixo ou bagunça no local.

 

Recomendo a quem estiver a toa em Sampa e estiver a fim de queimar umas boas calorias, já que a subidinha lá não é mole não....

 

Celso

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  • Membros de Honra

Fala Ogum.

 

Esse nucleo é só um dos tres acessos ao Parque Estadual da Cantareira.

O acesso ao nucleo Aguas Claras é prooximo ao Lago das Carpas, que o Celso falou.

Têm algumas trilhas bem legais lá e vantagem é que elas não são asfaltadas, ao contrario do acesso a Pedra Grande.

Vc tá no meio do mato e caminhando no asfalto? O pessoal do parque deveria retirar, pelo menos o asfalto.

 

Um outro acesso um pouco mais selvagem ao Parque é o Nucleo Engordador. Pena que seu acesso fica lá na divisa com Guarulhos, mas eu acho melhor, porque lá existem algumas cachoeiras e cascatas.

Existem 2 trilhas lá e todas elas ficam no meio da mata mesmo. São trilhas mesmo e não estradas asfaltadas como lá na Pedra Grande.

 

Mas qqer passeio aqui em Sampa, em meio a natureza já vale um relato sim.

Não é sempre que podemos ter um privilégio de caminhar por entre mata atlantica e animais, como macacos e serelepes bem próximo de centros urbanos.

 

 

Abcs

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  • Membros de Honra

conversando com o povo aqui da área, descobri algumas coisas interessantes.

 

o asfalto é resto de uma estrada. o museusinho que tem lá em cima era um restaurante antigamente. até os anos 70, essa região era "motel" de muita gente. o povo ia de carro.

 

o núcleo engordador tem esse nome pq era uma antiga fazenda de engorda de gado.... o parque foi a soma das quatro áreas, foram sendo progressivamente tombadas e incorporadas ao parque. o núcleo cabuçu, por exemplo, parece q foi o resultado de uma troca de áreas com a klabin....

 

vou reservar um outro dia pra passar o dia inteiro lá dentro, explorando as outras trilhinhas.

 

[]s

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  • 7 meses depois...
  • Membros

Cara tu me confundiu.

 

Eu pensei que seu relato era sobre Pedra Grande, localizado no município de Atibaia - SP.

Fui lendo... lendo... "Lagoa das Carpas?" ... Bom... lendo, lendo... "Paulistanos?... Skaitista?... Gordos moles?"... Lendo... Lendo... "..Da para ver as antenas da Av. Paulista? "...tipo... como assim ??? Lá é alto mas nem tanto... LOL !!!

 

Vi que não tinha nada haver.

 

Existe um outra Pedra Grande, que por sinal... é MUITO "mais" GRANDE do que está que você esta que você está relatando.

 

Coordenadas

Latitude : 23°10'7.55"S

Longitude : 46°31'40.56"O

 

Estou indo para lá amanhã se tudo OK.

Vou fazer um set de fotos, depois eu publico aqui o relato.

 

Abraços.

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  • Membros de Honra

A Pedra Grande é tradicionalmente conehcida pela subida ao topo da mesma, seja de carro ou pelas 3 trilhas (minha deusa, bispo, mangueira) q partem de sua base, no condominio do lado da pista de pouso de paragliders. O q ninguem sabe é q do topo da Pedra Grande vc pode esticar duas caminhadas maiores pela crista da serra, q resultam em travessias interessantes de um dia: sentido sul, ate a Serra da Pedra Vermelha; e sentido nordeste, rumo Bom Jesus dos Perdoes. Sao programas q fogem do arroz-feijao-farofa q é subir ao topo, q requer apenas disposicao, bom senso, algum farejo (minimo) de trilha e q sao bem legais. É só meter as caras!

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