A Rota do Descobrimento é o trecho que liga Porto Seguro à mais ou menos Cumuruxatiba, na Bahia.
O plano inicial era completar a viagem de Trancoso à Cumuruxatiba em 3 dias, parando para dormir em hotéis baratos. Até cogitamos levar uma barraca, mas por motivos adversos desistimos. O que veio a ser um erro no final das contas.
Os preparativos para o trekking começaram com a compra de uma mochila apropriada. Depois de alguma pesquisa, fiquei com uma Transglobe 78 Lts da Trilha e Rumos. Tanto o tecido quanto a maneira com que ela se encaixa nas costas diferem dos outros modelos (as de 68 ou 60 Lts, por exemplo). Ainda não sei se fiz uma boa escolha, mas como não sabia o tamanho necessário para uma viagem de 3 dias, resolvi levá-la. Meu amigo também levou uma mochila da Trilhas e Rumos de 68 Lts. Na verdade, havia espaço de sobra nas duas.
Chegando em Trancoso, procuramos por uma espécie de albergue na praça do quadrado, o Café das Esmeraldas, que alugava um quarto para duas pessoas por não mais que R$80. Acontece que o lugar fechava às 17:00 e como já passava das 19:00, fomos para um hotél ao lado. Pagamos 70 reais por uma noite com ar condicionado, televisão e água quente (por 90 teríamos café da manhã). Saímos por volta das 6 para pegar a maré baixa.
Caminhamos algumas horas, passando por um orla cercada por uma reserva, até chegarmos no rio dos Frades, que inclusive dá nome à reserva. Para atravessar o rio tivemos que pagar cerca de 3 reais ao rapaz que, coincidentemente, estava lá com uma canoa. Perguntei se estávamos longe da famosa Praia do Espelho e se lá tinha algum hotel barato. Disse que ainda faltava 40 minutos e que não acharíamos diárias por menos de 400 reais.
A Praia do Espelho e a praia que a antecede são realmente bonitas. Não pegamos a melhor época, com céu sem nuvens e lua cheia, mas com certeza eram bonitas. Almoçamos na primeira barraquinha avistada, ficando lá por duas horas. Foi nesse intervalo que o meu cantil desapareceu misteriosamente. Ou fui roubado ou esqueci em algum canto da Bahia. Enfim, já havíamos percorrido cerca de 20 km.
O trecho entre a Praia do Espelho e Caraívas foi o segundo pior trecho. Isso porque envolveu subir falésias e andar num sertão sufocante de areia quente. Palmas para a mochila, meu pior inimigo naquele momento: ela ficava balançando em torno da minha coluna cervical, atrapalhando a aerodinâmica das minhas passadas. Passávamos por pontas e mais pontas e a cidade nunca chegava. Nesse trecho comecei a sentir o efeito das bolhas, assaduras e do chocolate que eu comi na noite anterior (nota para a próxima viagem: andar mais de tênis do que descalço, inclusive em praias). Tivemos que pagar outro canoeiro para nos levar à margem que fica Caraívas. Ele quase vira a canoa.
Em Caraívas, completando 32 km em cerca de 8 ou 9 horas, achamos um hotel de luxo por incríveis 25 reais por pessoa. Colchões de 5cm de espessura e um banheiro sem porta e só no reboco, com acesso via escada, seria o nosso lar por menos de 24 horas. O calor era brinde. Um preço justo. Enfim, na manhã seguinte o inferno nos aguardava. Com vocês, o último e pior trecho da viagem.
Eis o parque do diabo. O lugar em que o satanás revolveu a areia com o único e declarado intuito de sacanear aqueles que ousam caminhar por aquelas bandas. Um lugar feito de armadilhas. De um lado, areias quase movediças que fazem dos 12 km restantes até Corumbau parecerem fatídicos 733 km; do outro, uma estrada coberta por plantas cujas raízes são cipós capazes de te derrubar ao menor descuido. Quando a ponta que nunca chegava enfim chegou, sentamos numa barraquinha. Contemplávamos exaustos aquele mar verde que se estendia por muitos outros kilômetros.
Nesse ponto, devo fazer justiça. O cenário em Corumbau estava muito mais bonito que as praias caribenhas de areia branca e mar azul mostradas em fotografias (quase sempre alteradas no photoshop). A areia branca e fofa contrastava violentamente com a cor esverdeada do mar. Do outro lado da famosa ponta de areia, um rio desaguava no oceano, bagunçando as águas e pintando-as de roxo. A paisagem recebia os retoques finais com as árvores que salpicavam a região e as barraquinhas, que estendiam lençóis coloridos e improvisavam um teto para suas mesas.
Era o final do nosso trekking. Completamos cerca de 45 ou mais quilômetros. Não sabíamos quanto faltava para Cumuruxatiba (provavelmente estávamos a 25km de distância) e não tínhamos barracas. Não dava para continuar, a não ser que ficássemos um ou dois dias num hotel. Mas como os hotéis por lá são mais caros, preferimos ir embora. Pegamos carona com um caminhão de cerveja até Guarani e de lá fomos à Prado. No dia seguinte chegamos em Cumuruxatiba.
A Rota do Descobrimento é o trecho que liga Porto Seguro à mais ou menos Cumuruxatiba, na Bahia.
O plano inicial era completar a viagem de Trancoso à Cumuruxatiba em 3 dias, parando para dormir em hotéis baratos. Até cogitamos levar uma barraca, mas por motivos adversos desistimos. O que veio a ser um erro no final das contas.
Os preparativos para o trekking começaram com a compra de uma mochila apropriada. Depois de alguma pesquisa, fiquei com uma Transglobe 78 Lts da Trilha e Rumos. Tanto o tecido quanto a maneira com que ela se encaixa nas costas diferem dos outros modelos (as de 68 ou 60 Lts, por exemplo). Ainda não sei se fiz uma boa escolha, mas como não sabia o tamanho necessário para uma viagem de 3 dias, resolvi levá-la. Meu amigo também levou uma mochila da Trilhas e Rumos de 68 Lts. Na verdade, havia espaço de sobra nas duas.
Chegando em Trancoso, procuramos por uma espécie de albergue na praça do quadrado, o Café das Esmeraldas, que alugava um quarto para duas pessoas por não mais que R$80. Acontece que o lugar fechava às 17:00 e como já passava das 19:00, fomos para um hotél ao lado. Pagamos 70 reais por uma noite com ar condicionado, televisão e água quente (por 90 teríamos café da manhã). Saímos por volta das 6 para pegar a maré baixa.
Caminhamos algumas horas, passando por um orla cercada por uma reserva, até chegarmos no rio dos Frades, que inclusive dá nome à reserva. Para atravessar o rio tivemos que pagar cerca de 3 reais ao rapaz que, coincidentemente, estava lá com uma canoa. Perguntei se estávamos longe da famosa Praia do Espelho e se lá tinha algum hotel barato. Disse que ainda faltava 40 minutos e que não acharíamos diárias por menos de 400 reais.
A Praia do Espelho e a praia que a antecede são realmente bonitas. Não pegamos a melhor época, com céu sem nuvens e lua cheia, mas com certeza eram bonitas. Almoçamos na primeira barraquinha avistada, ficando lá por duas horas. Foi nesse intervalo que o meu cantil desapareceu misteriosamente. Ou fui roubado ou esqueci em algum canto da Bahia. Enfim, já havíamos percorrido cerca de 20 km.
O trecho entre a Praia do Espelho e Caraívas foi o segundo pior trecho. Isso porque envolveu subir falésias e andar num sertão sufocante de areia quente. Palmas para a mochila, meu pior inimigo naquele momento: ela ficava balançando em torno da minha coluna cervical, atrapalhando a aerodinâmica das minhas passadas. Passávamos por pontas e mais pontas e a cidade nunca chegava. Nesse trecho comecei a sentir o efeito das bolhas, assaduras e do chocolate que eu comi na noite anterior (nota para a próxima viagem: andar mais de tênis do que descalço, inclusive em praias). Tivemos que pagar outro canoeiro para nos levar à margem que fica Caraívas. Ele quase vira a canoa.
Em Caraívas, completando 32 km em cerca de 8 ou 9 horas, achamos um hotel de luxo por incríveis 25 reais por pessoa. Colchões de 5cm de espessura e um banheiro sem porta e só no reboco, com acesso via escada, seria o nosso lar por menos de 24 horas. O calor era brinde. Um preço justo. Enfim, na manhã seguinte o inferno nos aguardava. Com vocês, o último e pior trecho da viagem.
Eis o parque do diabo. O lugar em que o satanás revolveu a areia com o único e declarado intuito de sacanear aqueles que ousam caminhar por aquelas bandas. Um lugar feito de armadilhas. De um lado, areias quase movediças que fazem dos 12 km restantes até Corumbau parecerem fatídicos 733 km; do outro, uma estrada coberta por plantas cujas raízes são cipós capazes de te derrubar ao menor descuido. Quando a ponta que nunca chegava enfim chegou, sentamos numa barraquinha. Contemplávamos exaustos aquele mar verde que se estendia por muitos outros kilômetros.
Nesse ponto, devo fazer justiça. O cenário em Corumbau estava muito mais bonito que as praias caribenhas de areia branca e mar azul mostradas em fotografias (quase sempre alteradas no photoshop). A areia branca e fofa contrastava violentamente com a cor esverdeada do mar. Do outro lado da famosa ponta de areia, um rio desaguava no oceano, bagunçando as águas e pintando-as de roxo. A paisagem recebia os retoques finais com as árvores que salpicavam a região e as barraquinhas, que estendiam lençóis coloridos e improvisavam um teto para suas mesas.
Era o final do nosso trekking. Completamos cerca de 45 ou mais quilômetros. Não sabíamos quanto faltava para Cumuruxatiba (provavelmente estávamos a 25km de distância) e não tínhamos barracas. Não dava para continuar, a não ser que ficássemos um ou dois dias num hotel. Mas como os hotéis por lá são mais caros, preferimos ir embora. Pegamos carona com um caminhão de cerveja até Guarani e de lá fomos à Prado. No dia seguinte chegamos em Cumuruxatiba.
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