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  • 1 mês depois...

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Realizei a viagem que planejava para o Chile e a Argentina nos dia 14/10/2012 a 01/11/2012, incluindo a subida ao vulcão.

Gostaria de agradecer as informações que recebi, pois foram de grande valia.

Postei um relato da ascensão ao Licancabur no tópico abaixo:

http://www.mochileiros.com/relato-da-ascensao-ao-vulcao-licancabur-t76223.html

Espero ajudar a quem está planejando incluir o vulcão no roteiro.

 

Um grande abraço

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  • 1 ano depois...
  • 3 anos depois...
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Revivendo o post :D

 

Vou pra BOL agora em Setembro e o objetivo principal é subir o Licancabur.

 

Li alguns relatos aqui no fórum e pelo o que entendi não é necessário contratar serviço antecipadamente. Procede essa informação? Caso contrário, tem indicações de empresas/guias?

 

No relato do finado Parofes (http://altamontanha.com/Aventura/2187/licancabur-e-san-pedro-do-atacama) tem alguns nomes(possíveis indicações), porém o post é de 2010.

 

Agradeço pela ajuda.. :wink:

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    • Por Leandro Moda
      Realizei a ascensão a este vulcão em Outubro de 2012, durante uma viagem que incluiu o Norte do Chile e o Noroeste da Argentina.
       
      Dias 18 e 19/10/2012
       
      Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaroa
       
      O Licancabur é uma montanha muito alta (5930 m.s.n.m), mas o local seco de sua localização faz com que quase não tenha neve. Para subí-la é necessário pernoitar no abrigo de alta montanha da Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaroa (4340 m.s.n.m), poucos quilômetros após a fronteira do Chile com a Bolívia. É possível obter um guia local no próprio abrigo ou contratar uma excursão em San Pedro de Atacama. A segunda opção chega a ser algumas vezes mais cara, porém normalmente inclui toda a logística a partir do Chile.
       
      Optei pela primeira opção, e para maiores detalhes sobre o deslocamento até a reserva, segue o link do relato completo de minha viagem por Chile e Argentina, com os principais valores.
       
      http://www.mochileiros.com/santiago-atacama-vulcao-licancabur-jujuy-quebrada-de-humahuaca-salta-mendoza-t75972.html#p780225
       
      Cheguei à reserva cerca de 10:30 da manhã vindo de San Pedro de Atacama. Perguntei por Macario, guia que me fora recomendado em minhas pesquisas, porém o funcionário da reserva disse que ele não estava mais por lá. Havia um outro guia, de nome Ruben, que fica no abrigo e realiza as ascensões guiadas. Perguntei por ele no abrigo, mas soube que chegaria apenas no fim da tarde.
       
      Aproveitei a oportunidade para fazer uma caminhada de aclimatação ao longo da Laguna Blanca, saindo às 11:00 horas e retornando após as 15:00. Com o Sol a pino e nenhuma nuvem no céu, fazia até um pouco de calor. Passei por um pequeno grupo de casas na margem da laguna, seguindo no começo a trilha dos jipes, e depois caminhando pelo solo quebradiço da margem até o ponto onde os jipes das excursões se reúnem sobre um pequeno morro. Regressei pelo mesmo caminho, margeando o lago.
       

      Laguna Blanca
       

       

      Povoado próximo à margem da Laguna Blanca. Licancabur ao fundo.
       

       

       

       

       
      Encontrei Ruben no abrigo e acertamos os detalhes da ascensão. O valor cobrado foi CLP 75.000,00 incluindo o transporte em sua caminhonete até a base da montanha. Não haviam mais hóspedes no abrigo, apenas uma senhora boliviana e um rapaz que fica na recepção.
       
      Após um jantar preparado pela senhora boliviana (sopa de legumes e macarrão), fui ao quarto organizar o equipamento. Utilizei botas de couro impermeáveis (simples), uma calça térmica por baixo da calça de caminhada, uma blusa térmica fina e uma blusa de lã por baixo de um casaco impermeável, luvas e meias térmicas. Depois de separar tudo, deitei para dormir cedo, antes das 21:00 horas.
       
      A madrugada
       
      Despertei às 2:00 horas da manhã, 1:00 da manhã no horário boliviano. Não percebi a mudança de fuso quando cruzei a fronteira, o que me fez esperar um pouco. Coloquei uma lanterna de cabeça e vaguei pelos cômodos escuros do abrigo; sentei em um sofá e fiquei contemplando as sombras que a lanterna projetava nas paredes de pedra. Após muitos minutos, Ruben apareceu e me convidou para tomar um mate.
       
      Saímos em sua velha caminhonete e rodamos por alguns quilômetros pelas trilhas da planície irregular que leva até a base do vulcão. O veículo esquentou e começou a fazer barulhos com o vazamento do líquido do radiador. A mangueira do fluido estava com buracos, remendada porém ainda vazando. Ruben colocou água de uma garrafa que estava na parte de fora, e seguimos. Paramos mais umas duas vezes pelo mesmo motivo, até que o líquido reserva acabou. Mantive uma garrafa de dois litros para a subida, e fizemos a aproximação até a base caminhando cerca de dois quilômetros, passando por umas colinas de areia e pedra que não exigiram muito esforço.
       
      Gradualmente, as colinas acentuaram-se até transformarem-se em vias íngremes. O frio desapareceu em poucos minutos e o silêncio dominou o caminhar, quebrado apenas por minha respiração um pouco ofegante e pelo ruído da areia sob as botas. Não ventava - o ar estava parado. Acima, o céu mais limpo que já pude contemplar revelava todas as estrelas que podiam ser vistas no hemisfério sul. A lua estava crescente, uma linha fina que não iluminava. Às vezes parava e olhava para trás, para leste, procurando algum sinal do Sol aproximando-se. Nada ainda, o dia estava longe. Ao norte via uma fraca luminescência: eram as lagunas Blanca e Verde que refletiam as estrelas.
       
      Concentrei-me na subida, tentando aproveitar cada esforço. Era difícil pisar aquele terreno, que cedia alguns centímetros a cada passo, aumentando a taxa de cansaço paga por cada metro. Aprendi a pisar nas rochas maiores, e assim o terreno cedia menos. Paramos para descansar um pouco; tomei alguns goles d’água e masquei uma barra de cereal. Ruben tomou uma cerveja que trouxe na mochila e me ofereceu; agradeci e recusei, não queria relaxar daquela forma antes de chegar ao cume.
       
      O cume
       
      Quando o Sol começou a mostrar as cores do céu atrás de nós, eu apenas pisava e respirava, determinado a não desistir apesar do cansaço crescente. Essa postura pode ser perigosa neste terreno hostil, mas eu via uma espécie de necessidade em completar a subida. A presença do guia me tranquilizava um pouco, me permitindo ir um pouco além dos limites que normalmente colocaria para meu esforço. Ruben emprestou-me seus bastões de caminhada, que carregava na mochila e que não usaria. Segui com eles o restante do dia, e embora não havia utilizado o equipamento antes, logo percebi a vantagem de ter quatro apoios em um terreno tão instável.
       
      Nas próximas horas, o terreno acentuou-se, e agora caminhava em direção a uma série de cumes falsos que encobriam o cume verdadeiro. Como subia lentamente, o esforço não era intenso demais, porém prolongava-se por um tempo que parecia interminável, à medida que os falsos cumes eram atingidos e revelavam uma enorme distância ainda a percorrer. A via que utilizamos não revelou o cume verdadeiro até estarmos muito próximos. Quando já era possível avistá-lo, Ruben adiantou-se para descer e pegar água sob o gelo do lago da cratera.
       
      Concluí sozinho a última meia hora de subida. Já estava bastante cansado, mas contente com a proximidade do objetivo. Via então o mastro de madeira colocado para sinalizar o ponto mais alto, e descuidando um pouco de meus limites, caminhei as últimas centenas de metros em um ritmo para o qual não estava preparado o suficiente. Faltando uns 70 metros para chegar ao mastro, senti enjoo e botei para fora o pouco que tinha ingerido na subida. Parte disso foi devido à altitude e ao cansaço, parte devido à janta da noite anterior, que não me caiu muito bem. Passei alguns instantes me recuperando, e então voltei a caminhar, atingindo o topo vazio.
       
      Olhei em volta e não havia nenhuma umidade no ar para obstruir a visão. Ao norte, as altas montanhas da Bolívia preenchiam o horizonte. Antes delas, bem abaixo, as lagunas refletiam o Sol com suas cores únicas. Eram cerca de 10:20 da manhã, e o dia já havia atingido o ápice de sua luminosidade.
      Ao sul pude ver a enorme cratera, estendendo-se por centenas de metros de largura, e muito abaixo, o lago congelado que existe em seu fundo. Era uma grande caminhada descer até lá e voltar, e dada minhas condições, decidi permanecer no cume. Em pouco tempo voltei a sentir um pouco de frio, que era amenizado pelo sol absorvido pelas roupas escuras.
       

      Lagunas Blanca e Verde, muito abaixo
       

       

       

      Montanhas da Bolívia
       

      Lago congelado no fundo da cratera. Ao fundo, a região do Atacama
       
      A descida
       
      O guia me chamou de longe, já muito abaixo, na face sudeste da montanha. Iríamos descer por uma outra via, repleta de placas de gelo, porém diretamente até a base do vulcão. Ruben não conseguiu quebrar o gelo da cratera para pegar água, então voltou com um pouco de neve dentro de uma garrafa.
      Encontrei muita dificuldade em descer pelas placas de gelo, que eram irregulares e tinham buracos e frestas onde se podia apoiar a bota. Os bastões facilitavam o equilíbrio, mas às vezes o gelo rompia, fazendo-me cair sentado. A descida por ali pode representar algum risco nestas condições, e Ruben decidiu alterar a rota, fazendo um caminho um pouco mais longo para desviar do gelo.
       
      Desci muito devagar por horas, beirando à exaustão. Não sentia as dores de cabeça próprias do soroche, porém ainda tinha um pouco de enjoo, e não quis forçar-me a um ritmo mais forte. Ruben avançava até sumir da vista, mas o caminho dali já era óbvio e segui sem alterar minha velocidade.
       
      O solo de areia e pedras misturadas era o maior desafio. Toda pisada fazia o solo ceder, e um descuido maior provocava uma avalanche e um tombo considerável. As pedras estavam sempre tão soltas na areia que não me machuquei nem um pouco nos muitos tombos que contei durante a descida. Com o tempo acostumei-me, e passei a descer quase esquiando as dunas, utilizando os bastões para equilibrar as passadas. O Sol agora me fervia dentro da jaqueta, e tive que tirar as blusas que levava, ficando apenas com uma camiseta sob a jaqueta.
       
      Quando estávamos na metade da descida, Ruben esperou para me avisar que seguiria na frente até a caminhonete para trazê-la mais perto da base do vulcão. Continuei descendo sozinho em meu ritmo, já exausto, parando apenas umas poucas vezes para beber água.
       
      A descida ficou mais fácil quando cheguei a uma espécie de trilha nas areias, que descia em zigue-zague até um platô de onde eram visíveis as ruínas incas da base do vulcão. Segui sem me deter, e em mais 40 minutos estava na borda do platô, já avistando Ruben e a caminhonete, muitos metros abaixo. Fiz um caminho descendo através de pedras mais firmes da encosta, passando por alguma vegetação rala e musgos verdes que pareciam corais. Cheguei ao veículo por volta de 15:00 horas.
       
      Rodamos até a Laguna Blanca, onde coletamos água para o tanque do radiador. Após isso, voltamos chacoalhando até o abrigo. Com o atraso na descida, não pude chegar a tempo de tomar um dos últimos transportes até San Pedro. Combinei mais uma noite no abrigo e dormi até a manhã seguinte.
       
      Acordei às 7:00 horas e, após colocar tudo na mochila, aguardei no lado de fora a chegada de algum jipe que ia até a fronteira com o Chile. Consegui um transporte cerca de 9:00 horas, e pouco depois fazia a migração na aduana.
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