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França - 16 dias - Paris, Val de Loire, S.Malo, M.Saint-Michel, Rouen e Giverny - outubro de 2011
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Este relato é uma cópia do que eu estou escrevendo no meu blog e continuação de uma viagem que começou na Grã-Bretanha e cujo relato eu já postei aqui no Mochileiros.com (por isso já começa do décimo sexto dia). As fotos dessa viagem eu só vou postar no blog. Quem se interessar pode dar uma olhada. O link está no fim do post, na minha assinatura.
Décimo sexto dia. Segunda-feira, 17 de outubro de 2011.
Acordamos cedinho, ainda estava escuro. Nosso trem saía exatamente às 08:02 da manhã (depois de 15 dias na Grã-Bretanha, comprovamos a história da pontualidade britânica). Claro que já tínhamos organizado tudo na véspera, então foi só tomar banho, pôr a mochila nas costas e passar na recepção para devolver o cartão do quarto. Como pagamos tudo no check-in, nem perdemos tempo acertando a conta.
Fomos caminhando até a Victoria Station, nossa estação de metrô, em meio a tranquilidade do início da manhã. O metrô estava vazio e depois de apenas cinco estações na Victoria Line, sem precisar fazer nenhuma conexão, chegamos a estação King’s Cross-St. Pancras, de onde sai o Eurostar.
Compramos a passagem de trem para a França ainda no Brasil, com dois meses de antecedência, pelo site da RailEurope. O site é em português, pois é voltado para o Brasil, e os preços são em reais. Compramos cada passagem por R$ 130, mas os preços variam bastante, podendo até dobrar ou muito mais que isso. Comprar com antecedência é a melhor coisa, tanto por garantir a vaga quanto por conseguir melhores preços.
No voucher que imprimimos dizia que deveríamos estar pelo menos meia hora antes na estação para fazer o check-in. Chegando lá tínhamos que imprimir os cartões de embarque em uma máquina, mas acho que o sistema não estava funcionando e a moça só carimbou no nosso comprovante de compra das passagens e entramos na sala de embarque.
Depois, passamos pela imigração. Colocaram um carimbo nos nossos passaportes com um trenzinho desenhado. Não fizeram nenhuma pergunta sequer. Aliás, só percebi que aquilo era o controle de imigração da França depois, quando vi o carimbo e percebi que estava escrito ”Londres” (em francês) e não ”London” (em inglês). Nesse processo de embarque todo não pegamos fila nem uma vez sequer, mas a estação e a sala de embarque estavam cheias. Chegamos bem em cima da hora e se houvesse filas talvez tivéssemos tido problemas. Para não correr o risco de perder o trem o melhor mesmo é chegar cedo.
Logo que entramos no trem, colocamos nossas coisas no bagageiro que fica perto das portas e nos sentamos. Não demorou e o trem partiu, pontualmente. Como não tínhamos tomado café, fomos até o vagão restaurante. O vagão estava cheio e enquanto esperávamos ficamos olhando a paisagem do sul da Inglaterra passar pela janela. Pedimos cafés, sucos e sanduíches. Os preços para comer no trem não são dos melhores. Aproveitamos para gastar as últimas Libras. Comemos no vagão restaurante mesmo e depois voltamos para nossas poltronas. Pouco depois o trem entrou no túnel que passa por baixo do Canal da Mancha.
Essa era a primeira vez que andávamos em um trem de alta velocidade, o tal trem-bala. Mas até que a viagem foi bem normal. Não dá para sentir a velocidade e o trem é muito estável e silencioso. A poltrona é confortável e até chegamos a dormir grande parte da viagem. Os 492 km de trilhos por onde passa o Eurostar foram inaugurados em 1994, encurtando a distância entre duas das mais importantes capitais do mundo, Londres e Paris. O trajeto também passa por Bruxelas, capital da Bélgica, e Lille, uma importante cidade francesa, quase na fronteira belga.
Nossa viagem entre Londres e Paris pelo Eurostar durou 2 horas e 15 minutos. Escolhemos ir de trem pois, comparando, é muito mais barato e prático do que ir de avião, por vários fatores. Além do valor da passagem, que não nos pareceu cara (R$ 130), podemos ir de metrô para as estações, que ficam bem no centro das cidades (e não afastadas como os aeroportos), economizando com taxi. Ainda por cima não precisamos despachar bagagens, muito menos se preocupar com uma franquia de peso tão pequena e com as exorbitantes multas por excesso de bagagem que as companhias aéreas cobram.
Chegamos em Paris, na Gare du Nord, às 11:17 da manhã, no horário francês, que é uma hora a mais que o da Grã-Bretanha. Como o controle de imigração é feito em Londres, em Paris estamos livres, é só pegar a bagagem e sair da estação, sem nenhuma burocracia.
Na Gare du Nord me lembrei da minha primeira aula de francês na Alliance Française de Belém. O diálogo dessa minha primeira aula se passava justamente nessa estação. Passados 10 anos desde que eu comecei a estudar francês, finalmente conheceria Paris.
Fomos logo procurar o metrô da estação para ir para o hotel deixar as coisas. Quando encontramos, procuramos nos informar como funciona o sistema de metrô. Vimos um cartaz que mostrava as tarifas e fomos para a fila para comprar no guichê de atendimento. Foi aí que um negócio estranho aconteceu.
Um rapaz de mais ou menos uns 18 anos e ascendência árabe nos abordou e disse que para comprar o bilhete do metrô deveríamos ir às máquinas automáticas. Nós nem tínhamos reparado nas máquinas então fomos lá com ele. Aí é que mora o perigo. Se deixar guiar por um desconhecido é um erro que ninguém deve cometer mas nós, ainda meio desorientados com a chegada e na pressa para ir para o hotel e se livrar da bagagem, acabamos dando essa vacilada.
Na frente da máquina, enquanto eu pegava meu cartão, o cara foi logo se adiantando na minha frente e falando muito disse que fazia tudo para mim com o cartão dele e começou a apertar os botões bem rápido e, quando eu vi, meteu a mão no compartimento da máquina e pegou dois bilhetes de metrô e quis me dar.
Se o meu erro foi ter seguido um estranho, meu acerto foi desconfiar a tempo do excesso de “boa-vontade” do cara e prestar muita atenção ao que ele fazia. O fato de ele achar que eu não dominava o francês fez com que ele me subestimasse. Enquanto ele apertava os botões eu lia tudo que aparecia na tela e vi claramente quando o cartão dele foi recusado e o aviso de que a transação não tinha sido concluída. Então como ele conseguiu os bilhetes? Provavelmente já estavam lá! Com a certeza de que havia alguma coisa errada, agradeci e disse que não precisávamos de ajuda e saímos de perto. Ele nem insistiu também e continuou por lá. A Dani ficou meio sem entender e fomos de volta para a fila do guichê de atendimento, onde eu expliquei para ela minha desconfiança.
Na fila, começamos a olhar em volta e perceber que havia vários desses caras, pelo menos uns três, todos jovens e de origem árabe, abordando várias pessoas que vinham da estação de trem com malas. Achamos aquilo muito estranho pois eles não faziam nem questão de ser discretos, como se não estivessem fazendo nada de errado. Tivemos uma sensação de insegurança, mas não conseguimos entender o que estava acontecendo com certeza.
Em Paris, eles não tem um sistema como o do Oyster Card de Londres. Ou melhor, até tem, o cartão NaviGo, mas pelo o que eu entendi é só para quem mora em Paris (ele é parcialmente financiado pelo empregador e também voltado para quem tem direito a descontos nas passagens, como os estudantes). Nós, que não moramos na cidade, temos que comprar uns bilhetes de papel pouco menores que um cartão de visitas (idênticos aos bilhetes do metrô de São Paulo). A gente tem que pôr o bilhete na catraca quando entra e pegar logo em seguida pois tem que colocar de novo na catraca de saída. Cada bilhete comprado individualmente custa 1,70 Euros (R$ 4,25). Há também outras opções, mas como estávamos com pressa de chegar logo ao hotel nem olhamos com calma e compramos dois bilhetes individuais mesmo.
A primeira impressão do metrô de Paris não foi das melhores, com a história do cara que queria ”ajudar”. Mas outros problemas nos chamaram a atenção também. O metrô de Paris está um pouco mal conservado, com sinalização confusa, pichações e lixo jogado em alguns lugares. Fora que não vimos um segurança sequer. Os vagões também são um pouco antigos (ou melhor, rétro hehehe), com uma maçanetazinha para levantar quando o trem chega à estação, senão a porta não abre.
É verdade que eles estão há algum tempo se preparando para uma Olimpíada e isso influencia muito, mas foi inevitável lembrar do metrô de Londres, com vagões novinhos, tudo muito limpo e reformado. Mas mesmo com os problemas é impossível negar o charme do metrô parisiense. As paredes revestidas de ladrilhos brancos e com propagandas emolduradas, o teto côncavo das amplas plataformas, a maciez dos pneus em lugar das barulhentas rodas de aço…
O metrô estava bem tranquilo, apesar de ser quase meio-dia de uma segunda-feira, o que foi bom pois estávamos com bagagens e não tem nada pior do que pagar metrô lotado quando se está com malas. Seis estações e uma conexão depois nós chegamos à estação mais perto do nosso hotel, a Richelieu-Drout, na linha 4. A saída da estação fica exatamente no cruzamento do Boulevard des Italiens com o Boulevard Haussmann, no coração do Segundo Arrondissement. Paris é dividida em 20 arrondissements que são zonas que se organizam em espiral a partir de um ponto central, que é o Primeiro Arrondissement.
Saindo da estação, nos vimos no meio de Paris (até então só tínhamos visto a Gare du Nord e o metrô). É meio inexplicável a sensação de estar ali, no meio daquelas avenidas ladeadas por largas calçadas e edifícios da mais elegante arquitetura. Paris tem um clima muito especial, capaz de renovar os ânimos.
Andamos menos de uma quadra para chegar ao nosso hotel. Ficamos no Peletier Haussmann Opera Hotel, um pequeno e simples hotel instalado em um prédio antigo da Rue Le Peletier, quase esquina com o Boulevard Haussmann. Fizemos duas reservas. Uma para esse primeiro período na cidade e outra para quando voltássemos da viagem pelo interior da França. Por essa primeira parte pagamos 781,20 Euros (R$ 1.953) por sete diárias, sem café-da-manhã, incluindo a taxa de estadia (1,60 Euros por dia). A localização do hotel é excelente, além de já ser em uma área muito bonita da cidade, com vários pontos de interesse bem pertinho, nosso hotel ficava quase em frente a estação Richelieu-Drout do metrô, muito fácil de ir para qualquer lugar. Apesar de antigo, o hotel é bem cuidado, muito limpo e bem confortável. E o preço foi um achado para essa área da cidade, onde a maioria dos hotéis é de luxo. Recomendo.
Quando entramos a Dani foi ao banheiro e eu fiquei fazendo o check-in. Conversando com o rapaz da recepção, contei a história do cara na Gare du Nord e ele me explicou o que aconteceu. Esses caras que ficam por lá tem direito a comprar passagens com desconto pois são estudantes. Então eles compram por metade do preço e vendem pelo preço inteiro para turistas, ficando com a diferença. É claro que é ilegal, mas pelo menos os bilhetes provavelmente eram válidos. O problema é se algum fiscal pegar um turista usando bilhete de estudante.
Aproveitei também para perguntar para ele qual era a melhor forma de comprar os bilhetes do metrô. Foi então que ele explicou que o melhor era comprar um carnet, um conjunto de 10 bilhetes individuais que custa 12,70 Euros (R$ 31,75). Assim, cada passagem cai de 1,70 Euros (R$ 4,25) para 1,27 Euros (R$ 3,17).
Depois de fazer o check-in, subimos para o nosso quarto, que ficava no quinto andar. Antes, passamos pelo elevador do hotel, que é um caso a parte, mas isso depois eu conto. No quarto tínhamos uma cama de casal, dois criados-mudos, uma mesa maior e um frigobar bem pequeno. O banheiro era espaçoso e todo novo. Mas o melhor mesmo era nossa sacada com vista para a rua.
Depois de guardar as coisas, só tínhamos mais dois planos para o dia. O primeiro era almoçar. O segundo, claro, ir ver a Torre Eiffel, passeando sem rumo pela cidade. Querendo ou não essa torre é um marco. Acho que não tem quem chegue a Paris pela primeira vez e não tenha a visão da Torre Eiffel como prioridade absoluta.
Descemos e fomos andando pelo Boulevard Haussmann em busca de um restaurante para almoçar. E nessa avenida são muitas as opções, de fast food a restaurantes refinados. Escolhemos um bistro de comida italiana, que nos pareceu mais informal. Pedi uma lasanha de carne gratinada no forno e a Dani uma salade niçoise. Para beber pedimos refrigerantes e de sobremesa uma tarte tatin para mim e um crème caramel para ela. Tudo saiu por 40 Euros (R$ 100) já com a gorjeta do garçom. A comida, é claro, estava muito boa, afinal, é Paris, onde até a comida mais simples é muito boa.
Saímos do restaurante quase 3 horas da tarde e fomos pegar o metrô para ir ver a Torre Eiffel pela primeira vez. Pegamos a linha 8 com destino à estação École Militaire, que nos deixa bem perto do Champ de Mars, aquele enorme gramado em frente à torre. Na estação compramos o tal carnet com os dez bilhetes por 12,70 Euros (R$ 31,75), ou 1,27 Euros (R$ 3,17) por bilhete.
Quando saímos do metrô eu peguei o mapa para nos localizar e fomos caminhando até avistar o famoso ícone da cidade. A sensação de estar ali olhando tudo aquilo que nós já vimos milhões de vezes por fotos e pela televisão é indescritível. Nem parece verdade. O sentimento é de encantamento, de estar pessoalmente em um lugar que na verdade sempre esteve nos nossos pensamentos, que não nos é totalmente estranho.
Sentamos no gramado do Champ de Mars e ficamos vendo o movimento e o tempo passar, tirando muitas fotos, claro, como se aquela fosse a nossa primeira e última vez ali. Depois levantamos e continuamos nos aproximando da Torre até ficar sob o gigantesco vão. a estrutura realmente impressiona pelo gigantismo. Deixamos para subir um outro dia. Hoje só queríamos dar uma volta por Paris, sem pressa.
Continuamos andando até ter nossa primeira vista do rio Sena, bem ao lado da torre. Atravessamos a Pont D’Léna em direção aos Jardins du Trocadéro, que são um pouco mais elevados, de onde poderíamos ter uma vista de toda a esplanada onde fica a torre. De lá temos a vista mais clássica da Torre Eiffel (se é que pode haver uma só vista clássica, sendo aquele monumento bonito de qualquer ângulo). Muitas fotos depois, fomos caminhando pelas margens do Sena e tivemos o privilégio de começar a ver o pôr-do-sol dourado refletindo na Torre Eiffel.
Sabíamos que íamos voltar ali ainda muitas outras vezes nessa mesma viagem, então resolvemos voltar para o hotel para descansar e estar bem dispostos para o dia seguinte, quando começaríamos a explorar cada um dos cantos da cidade conforme planejamos. Pegamos o metrô na estação Bir-Hakeim na linha 6, fizemos conexão para a linha 8 e depois de 9 estações chegamos ao nosso hotel.
Quando saímos do metrô já estava escuro. Caminhando pelo Boulevard Haussmann, encontramos uma loja Franprix, que é uma rede de pequenos supermercados que há em toda a França. Eu e a Dani adoramos visitar feiras, mercados e supermercados de todos os lugares que visitamos para conhecer os produtos e ter uma ideia dos preços. A variedade dos supermercados daqui é enorme (de queijos então nem se fala…). Compramos três queijos, duas baguettes ainda quentes, refrigerante, água e chá gelado para mais tarde (17,29 Euros – R$ 43,22).
Uma das coisas que eu me ressinto nessa viagem é ter que evitar tomar vinho. Justo aqui na França! Estou com uns probleminhas no fígado e mesmo as poucas cervejas que eu tomei na Grã-Bretanha não me caíram muito bem. Mas na próxima vez, se Deus quiser já curado, eu vou tomar de tudo, nem que seja para ficar doente de novo!
No hotel, lá íamos nós pegar o elevador outra vez. Mas esse não era um elevador qualquer. Quando chegamos, de manhã, até nos assustamos. Era simplesmente o menor elevador que já tínhamos visto. Tivemos que subir separados pois não cabia nós dois e mais as bagagens de uma só vez. Já tínhamos lido nos comentários do hotel no Booking.com que o elevador era pequeno, mas não imaginávamos que seria desse jeito!
Como o prédio é antigo, o elevador foi instalado tempos depois, no pequeno vão central da escada. Tínhamos que entrar e ficar na mesmo posição até sair. Era todo um processo: entrar, encaixar, se encolher ainda mais para a porta poder fechar e só se mexer outra vez quando fosse para sair! Lagrimamos de tanto rir! Até tirar uma foto para explicar a inusitada situação depois era difícil! Mas com certeza é melhor usar esse elevador hilário do que subir 5 andares com a bagagem pela escada!
Tomamos banho, usamos a internet e comemos a baguette com os queijos. Muito delicioso. Tanto o pão como os queijos são especialidades deles e realmente são muito bons. O pão é crocante e, ao mesmo tempo, macio. Os queijos é até difícil de explicar. E olha que nem compramos marcas caras.
Depois de lanchar e usar a internet fomos dormir. O dia seguinte seria cheio.
Em menos de um dia em Paris, já podíamos dizer que adoramos essa cidade. É tudo tão bonito, tão bem cuidado, são tantos detalhes, tanta história, o clima é tão agradável, as pessoas tão elegantes… enfim, tudo fascina por aqui. Até esquecemos o cansaço acumulado nos últimos 15 dias de viagem. Estávamos empolgados e dispostos a passear o dia inteiro.
Só depois de ver com os próprios olhos é que entendemos completamente porque Paris é conhecida como La Ville-Lumière. Essa cidade tem luz própria.