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França - 16 dias - Paris, Val de Loire, S.Malo, M.Saint-Michel, Rouen e Giverny - outubro de 2011

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Este relato é uma cópia do que eu estou escrevendo no meu blog e continuação de uma viagem que começou na Grã-Bretanha e cujo relato eu já postei aqui no Mochileiros.com (por isso já começa do décimo sexto dia). As fotos dessa viagem eu só vou postar no blog. Quem se interessar pode dar uma olhada. O link está no fim do post, na minha assinatura.

 

Décimo sexto dia. Segunda-feira, 17 de outubro de 2011.

 

Acordamos cedinho, ainda estava escuro. Nosso trem saía exatamente às 08:02 da manhã (depois de 15 dias na Grã-Bretanha, comprovamos a história da pontualidade britânica). Claro que já tínhamos organizado tudo na véspera, então foi só tomar banho, pôr a mochila nas costas e passar na recepção para devolver o cartão do quarto. Como pagamos tudo no check-in, nem perdemos tempo acertando a conta.

 

Fomos caminhando até a Victoria Station, nossa estação de metrô, em meio a tranquilidade do início da manhã. O metrô estava vazio e depois de apenas cinco estações na Victoria Line, sem precisar fazer nenhuma conexão, chegamos a estação King’s Cross-St. Pancras, de onde sai o Eurostar.

 

Compramos a passagem de trem para a França ainda no Brasil, com dois meses de antecedência, pelo site da RailEurope. O site é em português, pois é voltado para o Brasil, e os preços são em reais. Compramos cada passagem por R$ 130, mas os preços variam bastante, podendo até dobrar ou muito mais que isso. Comprar com antecedência é a melhor coisa, tanto por garantir a vaga quanto por conseguir melhores preços.

 

No voucher que imprimimos dizia que deveríamos estar pelo menos meia hora antes na estação para fazer o check-in. Chegando lá tínhamos que imprimir os cartões de embarque em uma máquina, mas acho que o sistema não estava funcionando e a moça só carimbou no nosso comprovante de compra das passagens e entramos na sala de embarque.

 

Depois, passamos pela imigração. Colocaram um carimbo nos nossos passaportes com um trenzinho desenhado. Não fizeram nenhuma pergunta sequer. Aliás, só percebi que aquilo era o controle de imigração da França depois, quando vi o carimbo e percebi que estava escrito ”Londres” (em francês) e não ”London” (em inglês). Nesse processo de embarque todo não pegamos fila nem uma vez sequer, mas a estação e a sala de embarque estavam cheias. Chegamos bem em cima da hora e se houvesse filas talvez tivéssemos tido problemas. Para não correr o risco de perder o trem o melhor mesmo é chegar cedo.

 

Logo que entramos no trem, colocamos nossas coisas no bagageiro que fica perto das portas e nos sentamos. Não demorou e o trem partiu, pontualmente. Como não tínhamos tomado café, fomos até o vagão restaurante. O vagão estava cheio e enquanto esperávamos ficamos olhando a paisagem do sul da Inglaterra passar pela janela. Pedimos cafés, sucos e sanduíches. Os preços para comer no trem não são dos melhores. Aproveitamos para gastar as últimas Libras. Comemos no vagão restaurante mesmo e depois voltamos para nossas poltronas. Pouco depois o trem entrou no túnel que passa por baixo do Canal da Mancha.

 

Essa era a primeira vez que andávamos em um trem de alta velocidade, o tal trem-bala. Mas até que a viagem foi bem normal. Não dá para sentir a velocidade e o trem é muito estável e silencioso. A poltrona é confortável e até chegamos a dormir grande parte da viagem. Os 492 km de trilhos por onde passa o Eurostar foram inaugurados em 1994, encurtando a distância entre duas das mais importantes capitais do mundo, Londres e Paris. O trajeto também passa por Bruxelas, capital da Bélgica, e Lille, uma importante cidade francesa, quase na fronteira belga.

 

Nossa viagem entre Londres e Paris pelo Eurostar durou 2 horas e 15 minutos. Escolhemos ir de trem pois, comparando, é muito mais barato e prático do que ir de avião, por vários fatores. Além do valor da passagem, que não nos pareceu cara (R$ 130), podemos ir de metrô para as estações, que ficam bem no centro das cidades (e não afastadas como os aeroportos), economizando com taxi. Ainda por cima não precisamos despachar bagagens, muito menos se preocupar com uma franquia de peso tão pequena e com as exorbitantes multas por excesso de bagagem que as companhias aéreas cobram.

 

Chegamos em Paris, na Gare du Nord, às 11:17 da manhã, no horário francês, que é uma hora a mais que o da Grã-Bretanha. Como o controle de imigração é feito em Londres, em Paris estamos livres, é só pegar a bagagem e sair da estação, sem nenhuma burocracia.

 

Na Gare du Nord me lembrei da minha primeira aula de francês na Alliance Française de Belém. O diálogo dessa minha primeira aula se passava justamente nessa estação. Passados 10 anos desde que eu comecei a estudar francês, finalmente conheceria Paris.

 

Fomos logo procurar o metrô da estação para ir para o hotel deixar as coisas. Quando encontramos, procuramos nos informar como funciona o sistema de metrô. Vimos um cartaz que mostrava as tarifas e fomos para a fila para comprar no guichê de atendimento. Foi aí que um negócio estranho aconteceu.

 

Um rapaz de mais ou menos uns 18 anos e ascendência árabe nos abordou e disse que para comprar o bilhete do metrô deveríamos ir às máquinas automáticas. Nós nem tínhamos reparado nas máquinas então fomos lá com ele. Aí é que mora o perigo. Se deixar guiar por um desconhecido é um erro que ninguém deve cometer mas nós, ainda meio desorientados com a chegada e na pressa para ir para o hotel e se livrar da bagagem, acabamos dando essa vacilada.

 

Na frente da máquina, enquanto eu pegava meu cartão, o cara foi logo se adiantando na minha frente e falando muito disse que fazia tudo para mim com o cartão dele e começou a apertar os botões bem rápido e, quando eu vi, meteu a mão no compartimento da máquina e pegou dois bilhetes de metrô e quis me dar.

 

Se o meu erro foi ter seguido um estranho, meu acerto foi desconfiar a tempo do excesso de “boa-vontade” do cara e prestar muita atenção ao que ele fazia. O fato de ele achar que eu não dominava o francês fez com que ele me subestimasse. Enquanto ele apertava os botões eu lia tudo que aparecia na tela e vi claramente quando o cartão dele foi recusado e o aviso de que a transação não tinha sido concluída. Então como ele conseguiu os bilhetes? Provavelmente já estavam lá! Com a certeza de que havia alguma coisa errada, agradeci e disse que não precisávamos de ajuda e saímos de perto. Ele nem insistiu também e continuou por lá. A Dani ficou meio sem entender e fomos de volta para a fila do guichê de atendimento, onde eu expliquei para ela minha desconfiança.

 

Na fila, começamos a olhar em volta e perceber que havia vários desses caras, pelo menos uns três, todos jovens e de origem árabe, abordando várias pessoas que vinham da estação de trem com malas. Achamos aquilo muito estranho pois eles não faziam nem questão de ser discretos, como se não estivessem fazendo nada de errado. Tivemos uma sensação de insegurança, mas não conseguimos entender o que estava acontecendo com certeza.

 

Em Paris, eles não tem um sistema como o do Oyster Card de Londres. Ou melhor, até tem, o cartão NaviGo, mas pelo o que eu entendi é só para quem mora em Paris (ele é parcialmente financiado pelo empregador e também voltado para quem tem direito a descontos nas passagens, como os estudantes). Nós, que não moramos na cidade, temos que comprar uns bilhetes de papel pouco menores que um cartão de visitas (idênticos aos bilhetes do metrô de São Paulo). A gente tem que pôr o bilhete na catraca quando entra e pegar logo em seguida pois tem que colocar de novo na catraca de saída. Cada bilhete comprado individualmente custa 1,70 Euros (R$ 4,25). Há também outras opções, mas como estávamos com pressa de chegar logo ao hotel nem olhamos com calma e compramos dois bilhetes individuais mesmo.

 

A primeira impressão do metrô de Paris não foi das melhores, com a história do cara que queria ”ajudar”. Mas outros problemas nos chamaram a atenção também. O metrô de Paris está um pouco mal conservado, com sinalização confusa, pichações e lixo jogado em alguns lugares. Fora que não vimos um segurança sequer. Os vagões também são um pouco antigos (ou melhor, rétro hehehe), com uma maçanetazinha para levantar quando o trem chega à estação, senão a porta não abre.

 

É verdade que eles estão há algum tempo se preparando para uma Olimpíada e isso influencia muito, mas foi inevitável lembrar do metrô de Londres, com vagões novinhos, tudo muito limpo e reformado. Mas mesmo com os problemas é impossível negar o charme do metrô parisiense. As paredes revestidas de ladrilhos brancos e com propagandas emolduradas, o teto côncavo das amplas plataformas, a maciez dos pneus em lugar das barulhentas rodas de aço…

 

O metrô estava bem tranquilo, apesar de ser quase meio-dia de uma segunda-feira, o que foi bom pois estávamos com bagagens e não tem nada pior do que pagar metrô lotado quando se está com malas. Seis estações e uma conexão depois nós chegamos à estação mais perto do nosso hotel, a Richelieu-Drout, na linha 4. A saída da estação fica exatamente no cruzamento do Boulevard des Italiens com o Boulevard Haussmann, no coração do Segundo Arrondissement. Paris é dividida em 20 arrondissements que são zonas que se organizam em espiral a partir de um ponto central, que é o Primeiro Arrondissement.

 

Saindo da estação, nos vimos no meio de Paris (até então só tínhamos visto a Gare du Nord e o metrô). É meio inexplicável a sensação de estar ali, no meio daquelas avenidas ladeadas por largas calçadas e edifícios da mais elegante arquitetura. Paris tem um clima muito especial, capaz de renovar os ânimos.

 

Andamos menos de uma quadra para chegar ao nosso hotel. Ficamos no Peletier Haussmann Opera Hotel, um pequeno e simples hotel instalado em um prédio antigo da Rue Le Peletier, quase esquina com o Boulevard Haussmann. Fizemos duas reservas. Uma para esse primeiro período na cidade e outra para quando voltássemos da viagem pelo interior da França. Por essa primeira parte pagamos 781,20 Euros (R$ 1.953) por sete diárias, sem café-da-manhã, incluindo a taxa de estadia (1,60 Euros por dia). A localização do hotel é excelente, além de já ser em uma área muito bonita da cidade, com vários pontos de interesse bem pertinho, nosso hotel ficava quase em frente a estação Richelieu-Drout do metrô, muito fácil de ir para qualquer lugar. Apesar de antigo, o hotel é bem cuidado, muito limpo e bem confortável. E o preço foi um achado para essa área da cidade, onde a maioria dos hotéis é de luxo. Recomendo.

 

Quando entramos a Dani foi ao banheiro e eu fiquei fazendo o check-in. Conversando com o rapaz da recepção, contei a história do cara na Gare du Nord e ele me explicou o que aconteceu. Esses caras que ficam por lá tem direito a comprar passagens com desconto pois são estudantes. Então eles compram por metade do preço e vendem pelo preço inteiro para turistas, ficando com a diferença. É claro que é ilegal, mas pelo menos os bilhetes provavelmente eram válidos. O problema é se algum fiscal pegar um turista usando bilhete de estudante.

 

Aproveitei também para perguntar para ele qual era a melhor forma de comprar os bilhetes do metrô. Foi então que ele explicou que o melhor era comprar um carnet, um conjunto de 10 bilhetes individuais que custa 12,70 Euros (R$ 31,75). Assim, cada passagem cai de 1,70 Euros (R$ 4,25) para 1,27 Euros (R$ 3,17).

 

Depois de fazer o check-in, subimos para o nosso quarto, que ficava no quinto andar. Antes, passamos pelo elevador do hotel, que é um caso a parte, mas isso depois eu conto. No quarto tínhamos uma cama de casal, dois criados-mudos, uma mesa maior e um frigobar bem pequeno. O banheiro era espaçoso e todo novo. Mas o melhor mesmo era nossa sacada com vista para a rua.

 

Depois de guardar as coisas, só tínhamos mais dois planos para o dia. O primeiro era almoçar. O segundo, claro, ir ver a Torre Eiffel, passeando sem rumo pela cidade. Querendo ou não essa torre é um marco. Acho que não tem quem chegue a Paris pela primeira vez e não tenha a visão da Torre Eiffel como prioridade absoluta.

 

Descemos e fomos andando pelo Boulevard Haussmann em busca de um restaurante para almoçar. E nessa avenida são muitas as opções, de fast food a restaurantes refinados. Escolhemos um bistro de comida italiana, que nos pareceu mais informal. Pedi uma lasanha de carne gratinada no forno e a Dani uma salade niçoise. Para beber pedimos refrigerantes e de sobremesa uma tarte tatin para mim e um crème caramel para ela. Tudo saiu por 40 Euros (R$ 100) já com a gorjeta do garçom. A comida, é claro, estava muito boa, afinal, é Paris, onde até a comida mais simples é muito boa.

 

Saímos do restaurante quase 3 horas da tarde e fomos pegar o metrô para ir ver a Torre Eiffel pela primeira vez. Pegamos a linha 8 com destino à estação École Militaire, que nos deixa bem perto do Champ de Mars, aquele enorme gramado em frente à torre. Na estação compramos o tal carnet com os dez bilhetes por 12,70 Euros (R$ 31,75), ou 1,27 Euros (R$ 3,17) por bilhete.

 

Quando saímos do metrô eu peguei o mapa para nos localizar e fomos caminhando até avistar o famoso ícone da cidade. A sensação de estar ali olhando tudo aquilo que nós já vimos milhões de vezes por fotos e pela televisão é indescritível. Nem parece verdade. O sentimento é de encantamento, de estar pessoalmente em um lugar que na verdade sempre esteve nos nossos pensamentos, que não nos é totalmente estranho.

 

Sentamos no gramado do Champ de Mars e ficamos vendo o movimento e o tempo passar, tirando muitas fotos, claro, como se aquela fosse a nossa primeira e última vez ali. Depois levantamos e continuamos nos aproximando da Torre até ficar sob o gigantesco vão. a estrutura realmente impressiona pelo gigantismo. Deixamos para subir um outro dia. Hoje só queríamos dar uma volta por Paris, sem pressa.

 

Continuamos andando até ter nossa primeira vista do rio Sena, bem ao lado da torre. Atravessamos a Pont D’Léna em direção aos Jardins du Trocadéro, que são um pouco mais elevados, de onde poderíamos ter uma vista de toda a esplanada onde fica a torre. De lá temos a vista mais clássica da Torre Eiffel (se é que pode haver uma só vista clássica, sendo aquele monumento bonito de qualquer ângulo). Muitas fotos depois, fomos caminhando pelas margens do Sena e tivemos o privilégio de começar a ver o pôr-do-sol dourado refletindo na Torre Eiffel.

 

Sabíamos que íamos voltar ali ainda muitas outras vezes nessa mesma viagem, então resolvemos voltar para o hotel para descansar e estar bem dispostos para o dia seguinte, quando começaríamos a explorar cada um dos cantos da cidade conforme planejamos. Pegamos o metrô na estação Bir-Hakeim na linha 6, fizemos conexão para a linha 8 e depois de 9 estações chegamos ao nosso hotel.

 

Quando saímos do metrô já estava escuro. Caminhando pelo Boulevard Haussmann, encontramos uma loja Franprix, que é uma rede de pequenos supermercados que há em toda a França. Eu e a Dani adoramos visitar feiras, mercados e supermercados de todos os lugares que visitamos para conhecer os produtos e ter uma ideia dos preços. A variedade dos supermercados daqui é enorme (de queijos então nem se fala…). Compramos três queijos, duas baguettes ainda quentes, refrigerante, água e chá gelado para mais tarde (17,29 Euros – R$ 43,22).

 

Uma das coisas que eu me ressinto nessa viagem é ter que evitar tomar vinho. Justo aqui na França! Estou com uns probleminhas no fígado e mesmo as poucas cervejas que eu tomei na Grã-Bretanha não me caíram muito bem. Mas na próxima vez, se Deus quiser já curado, eu vou tomar de tudo, nem que seja para ficar doente de novo!

 

No hotel, lá íamos nós pegar o elevador outra vez. Mas esse não era um elevador qualquer. Quando chegamos, de manhã, até nos assustamos. Era simplesmente o menor elevador que já tínhamos visto. Tivemos que subir separados pois não cabia nós dois e mais as bagagens de uma só vez. Já tínhamos lido nos comentários do hotel no Booking.com que o elevador era pequeno, mas não imaginávamos que seria desse jeito!

 

Como o prédio é antigo, o elevador foi instalado tempos depois, no pequeno vão central da escada. Tínhamos que entrar e ficar na mesmo posição até sair. Era todo um processo: entrar, encaixar, se encolher ainda mais para a porta poder fechar e só se mexer outra vez quando fosse para sair! Lagrimamos de tanto rir! Até tirar uma foto para explicar a inusitada situação depois era difícil! Mas com certeza é melhor usar esse elevador hilário do que subir 5 andares com a bagagem pela escada!

 

Tomamos banho, usamos a internet e comemos a baguette com os queijos. Muito delicioso. Tanto o pão como os queijos são especialidades deles e realmente são muito bons. O pão é crocante e, ao mesmo tempo, macio. Os queijos é até difícil de explicar. E olha que nem compramos marcas caras.

 

Depois de lanchar e usar a internet fomos dormir. O dia seguinte seria cheio.

 

Em menos de um dia em Paris, já podíamos dizer que adoramos essa cidade. É tudo tão bonito, tão bem cuidado, são tantos detalhes, tanta história, o clima é tão agradável, as pessoas tão elegantes… enfim, tudo fascina por aqui. Até esquecemos o cansaço acumulado nos últimos 15 dias de viagem. Estávamos empolgados e dispostos a passear o dia inteiro.

 

Só depois de ver com os próprios olhos é que entendemos completamente porque Paris é conhecida como La Ville-Lumière. Essa cidade tem luz própria.

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Vigésimo nono dia. Domingo, 30 de outubro de 2011.

 

O dia ia ser longo. Neste nosso último domingo em Paris visitaríamos um dos mais importantes repositórios mundiais de tudo que a humanidade já fez de melhor, o Museu do Louvre. Aguardei muito tempo por esse momento. Muito mesmo. Para mim seria uma realização ver ao vivo obras que eu já tinha visto tantas vezes em livros. Ainda bem que esse dia chegou.

 

Para poupar tempo, resolvemos tomar café no hotel mesmo. E não nos arrependemos. Com o leite, o café e os pães franceses qualquer café da manhã fica bom. Depois de comer, pegamos o metrô na estação Richelieu-Drouot e descemos na estação Concorde, na Place de la Concorde. O dia estava agradável, com temperaturas em torno dos 18 graus. Tinha até um pouco de céu azul.

 

Fomos caminhando até o Jardin des Tuileries. Idealizado inicialmente em estilo italiano, o jardim foi remodelado por André Le Nôtre, o mesmo artista que criou os Jardins do Palácio de Versalhes, que o transformou em um jardim francês clássico, simétrico e ornamentado com fontes e esculturas. O Jardin de Tuileries se encontra entre a Place de la Concorde e o Museu do Louvre e faz parte do conjunto arquitetônico e artístico das margens do Sena, considerado patrimônio da humanidade desde 1991.

 

Ali ficava o antigo Palais des Tuileries, um enorme e luxuoso palácio que começou a ser construído no séc. XVI por Catarina de Médicis em um terreno antes ocupado por fábricas de telhas (em francês, tuiles, daí o nome Tuileries). Já no séc. XVII foi construída a grande ala de 700 metros que acompanha as margens do Sena e ligava o Palais des Tuileries ao mais antigo Palácio do Louvre. Até hoje essa ala está de pé, fazendo parte do atual Museu do Louvre. Infelizmente o Palais des Tuileries foi propositalmente incendiado pelos revoltosos da Comuna de Paris em 1871. Hoje não há nem sinal do antigo palácio, demolido totalmente em 1882. Restaram apenas os jardins.

 

Hoje o parque é muito frequentado pelos parisienses e, claro, também pelos turistas. Há um lago central bem grande em volta do qual muitos se sentam para admirar a paisagem emoldurada por edifícios históricos e estátuas, ler um livro ou apenas bater papo. Testemunhando o processo de invasão cultural do qual pelo visto nem a França escapa, mesmo sendo um país de cultura, tradições e história ricas, vimos muitas crianças fantasiadas no Jardin des Tuileries. Hoje era véspera de Halloween, o dia das bruxas americano.

 

Também nesse jardim se encontram duas galerias de arte. Uma delas é a Galerie Nationale du Jeu de Paume. Este pequeno prédio chegou a abrigar a coleção de arte impressionista que hoje está no Musée D’Orsay. Atualmente abriga uma coleção de arte contemporânea. Esse não visitamos, ficou para uma próxima oportunidade.

 

A outra galeria de arte é o Musée de L’Orangerie (que quer dizer estufa, em francês). Em volta desta galeria se encontram muitas esculturas de Rodin, inclusive O Beijo. A Dani queria muito visitar essa galeria por causa das enormes telas de Monet que estão lá. A vontade só fez aumentar depois do que vimos pessoalmente em Giverny. O museu é bem pequeno e podemos visitar tudo em cerca de meia hora. O ingresso do Musée de L’Orangerie custa 7,50 Euros (R$ 18,75).

 

No piso térreo há duas grandes salas ovais onde estão expostas as principais obras do Museu de L’Orangerie. Trata-se de oito grandes telas retratando o Jardin D’Eau da propriedade de Monet em Giverny que nós tínhamos visitado na véspera. As pinturas refletem a observação que Monet fez dos efeitos da luz do sol sobre a paisagem natural ao longo do dia. Essas obras são consideradas como testamentos artísticos dele e foram pintadas entre 1914 e 1926, ano de sua morte.

 

Essa exposição, nomeada Les Nymphéas, foi projetada pessoalmente por Monet e inaugurada em 1927, alguns meses após a sua morte. O curioso é que a recepção do público na época foi fria. Somente após a Segunda Guerra Mundial é que a exposição ganhou verdadeira notoriedade pois, para os estudiosos, ali, naquelas oito telas, estavam as raízes da arte abstrata.

 

Além de Les Nymphéas, que por si só já vale a visita ao Museu de L’Orangerie, o primeiro andar apresenta uma boa coleção de obras de vários artistas do classicismo moderno, do impressionismo e do pós-impressionismo. Ali estão pinturas de grandes artistas como Cézanne, Renoir, Modigliani, Matisse, Picasso, Derain, Utrillo, Gauguin e outras do próprio Monet que faziam parte da coleção de Paul Guillaume, um importante marchand, colecionador e mecenas da arte parisiense de vanguarda da década de 1920.

 

Ainda passamos pela loja do Musée de L’Orangerie e eu comprei dois imãs retratando obras de lá (7,40 Euros/R$ 18,50) para minha coleção. Como os horários e os preços variam, antes de visitar é bom ver o site oficial do Musée de L’Orangerie. Recomendo a visita. Quando saímos da Orangerie já passava de 11 e meia da manhã. Passeamos um pouco mais pelo Jardin des Tuileries, que é um lugar agradabilíssimo.

 

Já entrando no pátio do Louvre ficamos frente a frente com o Arco do Triunfo do Carrousel. Mandado construir por Napoleão em 1809 em comemoração à suas vitórias militares, ficava ‘escondido’ entre o Palais des Tuileries e o Palais du Louvre, até que o Palais des Tuileries foi destruído. Inspirado nos antigos arcos do Império Romano, esse arco é bem menor que o Arco do Triunfo da Champs Élysées, o famosão. Há inscrições e baixos-relevos exaltando os feitos do exército napoleônico em todas as faces do monumento.

 

A quadriga que se encontra no topo do arco tem uma história interessante. Quando o monumento foi construído foram colocados ali a quadriga com os cavalos de bronze que adornavam a fachada principal da Basílica de São Marcos, em Veneza. A escultura foi trazida de Veneza pelo exército francês quando Napoleão conquistou a cidade, como butim de guerra. Mas, quando Napoleão foi derrotado, a escultura foi devolvida aos austríacos, que na época controlavam Veneza, e eles restituíram a escultura à cidade. O que hoje vemos coroando o Arco do Triunfo do Carrousel é uma réplica da quadriga original.

 

Chegando em frente à pirâmide do Louvre ficamos impressionados com a fila. Estava dando voltas. Mas não tinha jeito. Se fôssemos esperar não haver fila não conheceríamos nunca o museu. Pelo menos o sistema é organizado. Há placas ao longo da fila informando a previsão de tempo de espera até chegarmos à bilheteria. Não ficamos muito tempo parados, a fila está sempre andando. Mesmo assim, até entrarmos na pirâmide para comprar os ingressos foi cerca de uma hora de espera.

 

O ingresso para visitação da coleção permanente do Museu do Louvre custa 10 Euros (R$ 25). Estava tendo uma exposição temporária sobre Alexandre, o Grande, mas era paga à parte e optamos por não visitar. Já era 13:00 horas quando começamos a visita. Como o Louvre fecha às 17:30 horas (com exceção das quartas-feiras e sextas-feiras, quando ele fecha às 21:30 horas), ainda tínhamos quatro horas para ver tudo o que queríamos.

 

O Museu do Louvre é um dos maiores museus do mundo, o tipo de lugar que não se conhece de uma vez só. Ficamos bem cientes disso desde que visitamos o Metropolitan de Nova York e os grandes museus de Londres, a National Gallery e o British Museum. Mas é inevitável a tentação de querer ver tudo que for possível logo na primeira visita. Tradicionalmente a ideia do Museu do Louvre é apresentar obras de arte e peças históricas da antiguidade e da idade média até cerca de meados do séc. XIX. Hoje o Museu do Louvre é um dos maiores e mais importantes museus do mundo (se não o maior e o mais importante), recebe mais de oito milhões de visitantes por ano e é um orgulho nacional.

 

O acervo do museu que fica permanentemente exposto conta com 35 mil peças, sendo 6 mil pinturas. Mas o acervo total, contando o que fica guardado na reserva técnica, é de quase 400 mil peças! São coleções de antiguidades orientais, antiguidades egípcias, antiguidades gregas e romanas, arte islâmica, pinturas de escolas europeias, esculturas e objetos de arte decorativa.

 

Há algumas preciosidades na coleção permanente. A primeira que nós vimos foi o Código de Hammurabi, o código de leis da antiga Babilônia, um dos primeiros da humanidade, entalhado em basalto negro, com mais de 4.000 anos de existência. Quem estudou Direito, como eu e a Dani, sabe o quanto essa peça é significativa.

 

A enorme coleção de egiptologia é fonte de uma interminável discussão da França com o Egito. É que a maior parte do acervo foi trazida por Napoleão quando de sua campanha no Egito no final do séc. XVII e início do séc. XVIII, na época em que ele ainda era general. É uma polêmica semelhante à que envolve Reino Unido e Grécia sobre a legitimidade da propriedade das esculturas decorativas e dos frisos do Parthenon que estão no British Museum de Londres e que eu já contei aqui no blog. Além das esfinges, sarcófagos com múmias e partes dos templos e palácios dessa antiga civilização, um dos maiores destaques da coleção egípcia do Louvre é a escultura do Escriba Sentado.

 

A seção de artefatos da Mesopotâmia é cheia de estruturas gigantes que adornavam os templos e palácios da região. A seção greco-romana também é muito rica e tem uma enorme coleção de esculturas clássicas. Entre as mais importantes e famosas esculturas clássicas do Louvre estão a Vênus de Milo e a Vitória de Samotrácia.

 

Mas foi só quando começaram a surgir as primeiras salas de pinturas que percebemos a grandiosidade do Louvre. Parece que não acabava mais. Todos os grandes mestres estão ali. Rafael, Michelângelo, Veronese, Caravaggio, Botticelli, Ticiano, Leonardo da Vinci, Delacroix, Ingres, Veermer, Jan Van Eyck, Rembrandt, Rubens, El Greco, Velásquez…

 

Já era 4 horas da tarde quando resolvemos fazer uma pausa para comer alguma coisa. A Dani já não se aguentava mais. Lá embaixo, logo que entramos, vimos um grande restaurante e um grande café, mas só de pensar em atravessar todo o museu já ficávamos cansados! Paramos no primeiro café que apareceu. Há vários dentro do museu. Não tinha muitas opções, então pedimos refrigerantes e duas taças de sorvete. Estava muito bom e a porção até que era grande, mas quando a conta chegou tivemos a certeza de que comer no Louvre não é nada econômico. Dois sorvetes e dois refrigerantes: 33,90 Euros! (R$ 84,65). Foi o sorvete mais caro da minha vida! O jeito foi invocar o dito do ‘quem converte não se diverte’ e seguir em frente.

 

A política de fotos do Louvre é bem amistosa. É permitido fotografar e filmar desde que sem flash. Mas chegou uma hora que desistimos de tirar fotos das “principais obras” pois todas parecem ser importantes! Eu sei que museu não é lugar para ficar tirando fotos. Eu mesmo às vezes me chateio com quem exagera. Mas é muito difícil resistir a levar de lembrança a imagem de obras que já vimos tantas vezes em livros.

 

Ainda faltava ver uma grande parte da coleção de pinturas e, claro, a tão querida Monalisa, também conhecida como La Gioconda. Quando chegamos ao salão onde ela está percebemos que é muito difícil realmente admirá-la como obra de arte que é, até porque não podemos chegar perto por causa de um cordão de isolamento vigiado por um guarda sempre ao lado e também por causa da multidão ensandecida que se desespera para passar na frente dos outros. Preferimos não participar dessa cena e ver o quadro só de longe.

 

No grande salão onde a Monalisa se encontra estão muitas outras obras também muito boas, mas que praticamente passam despercebidas à multidão de visitantes que se aglomera em frente ao quadro de Da Vinci como se fosse seu último dia de exposição. Tem muita gente se acotovelando para chegar mais perto, pais que levantam as crianças para ver o quadro por cima de todos, enfim… uma euforia desmedida. Muita gente só vem ao Louvre por causa desse quadro.

 

Acredito que isso tudo é fruto de um magistral golpe de marketing do Louvre em tempos de sociedade de massa em que tudo se consome e nada se assimila. Eles precisavam de um ícone, de um símbolo que representasse a instituição e trouxesse visitantes e dividendos. A Monalisa foi a escolhida, mas poderia ter sido outra obra também. Depois do que vimos lá, podemos dizer: a Monalisa é pop!

 

Não que a Monalisa não seja uma obra magnífica, digna de ser admirada por toda a humanidade, o problema é que do jeito que é, ninguém consegue fazer isto. Em 2010 vimos um outro retrato de mulher pintado por Da Vinci na Galeria Nacional de Washington, a Ginevra de Benci, a única obra dele em todas as Américas. Ela também é considerada a joia do museu. É um trabalho fantástico, nem parece uma pintura, coisa de gênio. E o melhor é que lá não há toda essa euforia que a Monalisa desperta. Podemos ver a obra bem de perto, em detalhes.

 

Conhecemos também uma parte do museu que acho que todos devem ir. Os salões de Napoleão III (appartements de Napoléon III) que são ricamente decoradas com mármores, afrescos, estuque, ouro, lustres de cristal e mobília de luxo. Acho que não há um só centímetro que não seja cheio de detalhes. Esses opulentos salões eram usados para recepções do Ministério de Estado francês e são só uma mostra de como era o interior do Palais des Tuileries antes de ser incendiado.

 

Em uma das galerias nos aproximamos de uma janela e tivemos uma vista incrível do pátio central onde está a pirâmide. De lá também pudemos ter a vista do Eixo Histórico de Paris (também conhecido por Voie Triomphale) que se inicia com o Arco du Carrousel, segue pela Avenue des Champs Elysées, passa pelo Arco do Triunfo e segue ainda em linha reta até o moderno Arco de La Défense.

 

O gigantesco edifício do museu por si só já é um atrativo. Com raízes no séc. XII, sua função era ser uma fortificação militar capaz de proteger Paris, então a maior cidade da Europa e capital do Reino da França, dos ingleses e normandos. Ao longo dos séculos o castelo inicial foi sendo aos poucos aumentado e adornado com os mais luxuosos materiais, perdendo suas características militares e tornando-se pouco a pouco um palácio. Muitos reis e nobres viveram ali, entre eles Francisco I e Luís XIV, monarcas que governaram a França no auge do absolutismo. A decoração do prédio é muito luxuosa. Há paredes cobertas de mármores e ouro, além de tetos trabalhados e com afrescos.

 

Desde o séc. XVII, quando a corte de Luís XIV se transferiu para Versalhes, o Palácio do Louvre começou a abrigar escolas artísticas. A Revolução Francesa de 1789 acelerou o processo de transformação do Louvre de centro de poder em centro de cultura. Aos poucos os espaços dedicados à exposição de obras de arte foram crescendo. Em 1882 os órgãos do governo deixaram definitivamente o palácio que foi então inteiramente consagrado às artes.

 

Quando deu 17:00 horas os guardas começaram a avisar que o museu estava fechando. Nosso périplo tinha chegado ao fim por livre e espontânea pressão. Foi só o tempo de passar em uma das várias lojinhas espalhadas pelo museu e comprar recordações dessa nossa primeira visita. Comprei um livro de fotografias com os destaques da coleção do museu e também imãs (13,70 Euros/R$ 34,25). As lojas têm excelentes livros de arte e os preços não são tão altos.

 

O Louvre é muito grande! Há corredores que não vemos o fim. Muitas vezes tínhamos que abrir o mapa para nos localizar e continuar seguindo na direção do que mais queríamos ver. Nós bem que tentamos passar por todas as áreas para ter uma boa noção geral, mas ainda assim não vimos tudo, longe disso. Como sempre digo, é bom visitar o site oficial do Museu do Louvre antes de ir, para conferir preços, exposições temporárias e horários.

 

Esse museu é um lugar único. É tudo que eu imaginava e mais um pouco. Com certeza o dia que voltarmos à Paris voltaremos ao Louvre, mas já sem a ânsia de querer vencê-lo em uma tarde. Esse é um lugar para ser visitado várias vezes, com muita calma. Para uma primeira vez, acho que aproveitamos bastante.

 

Depois de um dia inteiro só de museus, fomos caminhando meio que sem destino pela cidade. Paris é muito boa para se caminhar. Sempre surgem recantos interessantes e a arquitetura é linda.

 

Passamos em frente à famosa Opéra Garnier que, apesar de ser tão perto do nosso hotel, ainda não tínhamos visto. Fruto da remodelação urbana de Paris promovida pelo Barão Haussmann, essa casa de espetáculos foi referência para a construção de outros teatros mundo afora (como o Municipal do Rio e o Municipal de São Paulo) na época em que Paris era o centro da cultura global. Deixamos para conhecer o interior, que dizem ser muito luxuoso, em uma próxima oportunidade.

 

Seguimos caminhando mais alguns quarteirões rumo à famosa Galeries Lafayette do Bd. Haussmann. A Galeries Lafayette é uma das mais tradicionais e renomadas lojas de departamento do mundo. Não planejávamos comprar nada, só visitar mesmo. Mas, para nosso azar, a loja estava fechada. Ficamos só com a foto da fachada e combinamos de tentar voltar nos próximos dois últimos dias que tínhamos de viagem.

 

Como passamos o dia todo quase sem comer nada, estávamos muito esfomeados. Uma fome daquelas que não permite a procura por um bom restaurante ou a espera pelos pratos. Queríamos algo rápido: fast food. Continuamos andando pelas redondezas do Bd. Haussmann até que encontramos uma lanchonete da Quick, uma rede de fast food francesa. E por lá mesmo ficamos. Pedimos dois sanduíches Suprême Cheese com refrigerantes e batatas. As batatas (pommes rustiques) não são cortadas tão fininhas e são fritas com casca e tudo. Nós gostamos. Enchemos a barriga por 16,10 Euros (R$ 40,25).

 

Mais ou menos umas 8 horas da noite nos recolhemos ao nosso hotel. Nesse fim de viagem já estamos exaustos e apesar de não parecer, visitar museus cansa bastante pois ficamos muito tempo em pé. Mas sempre vale a pena. Ainda bem que eu e a Dani temos gostos muito parecidos nesse sentido. Conhecer os museus dos lugares que visitamos sempre está nos nossos planos.

  • 2 semanas depois...
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Trigésimo dia. Segunda-feira, 31 de outubro de 2011.

 

Acordamos por volta das 11 horas da manhã. Estávamos muito cansados e sair da cama foi um sacrifício. Fim de viagem é assim mesmo. Ainda mais uma viagem de 31 dias.

 

Resolvemos nem tomar café-da-manhã pois já estava muito tarde para isso. Quando finalmente saímos já fomos procurando por um lugar para almoçar. Pelas redondezas do nosso hotel havia muitas opções. Bem próximo, no Bd. de Montmartre, que é continuação do Bd. Haussmann, vimos que o Hard Rock estava tranquilo, sem fila de espera. Talvez por ser uma segunda-feira. Resolvemos ficar por ali mesmo.

 

De entrada pedimos o Jumbo Combo, prato que sempre pedimos nos Hard Rocks que visitamos. Esse prato é tão grande e variado que nós sempre pedimos só ele pois já é o suficiente para nós dois. Mas dessa vez resolvemos exagerar e pedir ainda mais. A Dani pediu uma massa e eu pedi um sanduíche enorme que veio com batatas fritas. Estava muito bom mas não demos conta de comer tudo. O garçom riu e brincou com a gente dizendo que ele sabia que era muito, mas não pôde impedir! O Hard Rock Café Paris fica no Bd. Montmartre, próximo ao cruzamento com a Rue Vivienne. Depois de comer tanto foi até difícil sair para andar outra vez.

 

Graças ao nosso planejamento, o tempo que deixamos para Paris foi suficiente para tudo o que queríamos ver nessa primeira visita. Tínhamos só mais dois dias na cidade, mas também só mais duas prioridades: subir a Torre Eiffel e ir ao Museu D’Orsay. Como fazia um bom dia de céu azul, hoje seria o dia da torre. Pegamos o metrô na estação mais próxima, a Richelieu-Drouot, e fomos até a estação École Militaire, no Champ de Mars, de frente para a torre.

 

Li na internet que é possível comprar ingressos para subir a torre online, evitando a fila da bilheteria. O problema é que comprando antecipado não temos a certeza de que no dia vai fazer sol, frio, chuva… Queríamos ter certeza que veríamos Paris do alto em um dia bonito e, de preferência, sem congelar. Já tínhamos tentado subir uns dias antes, mas desistimos justamente por causa do tamanho das filas e acabamos fazendo o passeio de barco no Sena, como já contei aqui no blog. Agora não tínhamos mais tempo para adiar. Acho até que as filas estavam um pouco menores do que no primeiro dia que viemos, que era um domingo, mas estavam longe de ser pequenas também.

 

Entramos na fila dos ingressos por volta das 13:00 horas e só conseguimos comprar às 15:10! Foram mais de duas horas de fila! Está certo que estávamos embaixo da tão famosa Torre Eiffel e que ali é muito bonito e tal, mas fila é fila e duas horas de fila é um desgaste. Acho que só não desistimos porque queríamos muito ver Paris lá do alto e não dava mais para adiar. Seria naquele dia ou só na próxima vez em Paris. Cada ingresso custou 13,40 Euros (R$ 33,50).

 

Depois da fila do ingresso vem a fila dos elevadores, mas essa é menor e bem mais rápida. A torre tem três estágios. É possível subir de escadas até o segundo, pagando mais barato, mas é muito alto, tem que estar muito disposto para isso. Ainda acho que ir de elevador vale mais a pena. Já desde o segundo estágio temos uma vista incrível da cidade. Estando ali, a 115 metros de altura, dá para entender o porquê deste monumento ser visitado por cerca de 7 milhões de pessoas por ano. Paris é fantástica.

 

A Torre Eiffel foi construída para a Exposição Universal de 1889, em homenagem ao centenário da Revolução Francesa. O objetivo era o de simbolizar a arte da engenharia moderna do séc. XIX, então entendido como um fruto direto da própria revolução de 1789 e nomeado ’século da indústria e da ciência’.

 

O francês Gustave Eiffel, arquiteto da torre, já era famoso como projetista de pontes com estruturas metálicas. Entre os mais de 100 projetos que participaram do concurso para escolher o monumento que serviria de marco e portal de entrada da Exposição Universal , o de Eiffel foi o escolhido. Nessa época a Exposição Universal era um evento tão importante quanto são as Olimpíadas atualmente.

 

Usando mais de 7.000 toneladas de aço, essa grandiosidade toda foi construída em apenas 2 anos e 2 meses. Isso no séc. XIX!

 

Ao chegar ao terceiro estágio, onde só se pode ir por meio do elevador (não há escadas), estamos literalmente no topo de Paris, a 276 metros de altura. Do alto da Torre Eiffel podemos ver todos os monumentos que visitamos na capital francesa. Todos mesmo. A vista é tão bonita que acho que o único ponto negativo é, obviamente, não poder ver a própria torre que é tão a cara de Paris.

 

Claro, por ser o topo, esse é o menor dos andares e fica bem lotado. Há um pequeno bar de champagne lá, mas acho que não estava aberto. Aliás, há várias opções para comer e beber nos três andares. Dá para fazer reserva pelo site oficial dos restaurantes da Torre Eiffel. Um desses restaurantes, Le Jules Verne, é bem conceituado.

 

Até hoje a Torre Eiffel é a maior construção de Paris e a segunda mais alta estrutura da França, só tendo sido ultrapassada recentemente pelo Viaduto de Millau, inaugurado em 2004. Aliás, nos quarenta anos após a sua inauguração a Torre Eiffel permaneceu na condição de mais alta construção do mundo. Só em 1930 é que ela foi ultrapassada pelo Chrysler Building, de New York, que é alguns metros mais alto.

 

Apesar de hoje ela ser um símbolo da cidade e do país, a Torre Eiffel nem sempre foi uma unanimidade. Muitos moradores de Paris na época da construção, inclusive arquitetos, engenheiros e outros artistas, não gostavam dela, achavam que a imensa estrutura de ferro era um elemento destoante em meio à elegante arquitetura da cidade. Construída para ser uma estrutura temporária, a torre quase foi desmontada em 1909, quando a vigência do contrato de cessão do terreno à Exposição Universal expirou. A torre só se salvou devido aos seus 324 metros de altura que a tornavam uma excelente base de transmissão para a nova tecnologia do rádio-telégrafo. Ou seja, se não fosse a pequena antena lá no alto, Paris não teria mais o seu maior ícone.

 

Desde sua inauguração, em 1889, até hoje, a Tour Eiffel recebeu mais de 250 milhões de pessoas de todas as partes do mundo.

 

Antes de descer passamos em uma das lojas e compramos algumas recordações desse dia. Descemos do segundo estágio para a base da torre pelas escadas. Descer não cansa muito e ainda podemos aproveitar os últimos minutos da vista.

 

Subir a Torre Eiffel foi um programa e tanto. As fotos falam por si mesmas (e pode ter certeza, não traduzem tudo o que vemos). O único problema realmente foi a espera. Mas, como eu disse, para quem quiser evitar as filas, o site oficial da Torre Eiffel vende ingressos online.

 

Da torre pegamos o metrô de volta para o hotel. Já estava escurecendo. Ainda passamos no Franprix da Bd. Haussmann e gastamos 12,82 Euros (R$ 32,05) com algumas coisas para comer. Às 7 e meia da noite já estávamos descansando. Eu escrevi um pouco o blog e cedinho fomos dormir. O dia seguinte seria o último dia da viagem. Já estávamos ficando meio tristes, entrando no ritmo da despedida.

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Trigésimo primeiro dia. Terça-feira, 01 de novembro de 2011.

 

Acordamos outra vez bem tarde, por volta das 11 horas. O céu estava escuro e chovia fino em Paris. Nosso ânimo também não era dos melhores. Esse seria nosso último dia de viagem e o último dia sempre é deprimente.

 

Comemos um pouco do que tínhamos comprado na véspera pois o hotel já não servia mais café-da-manhã a essa hora. Demos uma adiantada na arrumação da bagagem, tomamos banho e saímos.

 

Pelo menos tivemos a certeza de ter feito a coisa certa na véspera, quando aproveitamos o dia bonito para subir a Torre Eiffel, deixando o Musée D’Orsay para o último dia. Esse seria um típico dia de museu, chuvoso. Já tínhamos tentado conhecer o Musée D’Orsay alguns dias antes, mas fomos surpreendidos pela greve dos funcionários. Desse dia, com certeza, não podia passar!

 

Pegamos o metrô na Richelieu-Drouot, na estação Invalides trocamos para o RER (trem metropolitano) e descemos na estação Musée D’Orsay. Saindo da estação vimos que a chuva só estava piorando. E o pior é que não dava para correr para dentro do museu pois havia uma fila enorme para entrar. Apesar de não gostarmos muito de vendedores ambulantes, tive que me render e comprar um guarda-chuvas deles. A Dani já tinha o dela, comprado nessa mesma viagem, em Canterbury.

 

A fila foi longa, mais de uma hora. Deu tempo até de comprar um crêpes à nutella e chocolates quentes e comer enquanto esperávamos para entrar. Os ingressos custaram 8 Euros (R$ 20) cada.

 

O Museu D’Orsay fica às margens do Sena, bem em frente ao Jardin de Tuileries e ao Museu do Louvre, que ficam na outra margem. Naquele mesmo terreno já esteve um palácio, o Palais D’Orsay, que já não existe mais. No lugar do palácio foi construída uma elegante estação ferroviária de onde saíam trens rumo à Orléans. O prédio, que data de 1898, foi inaugurado para servir à Exposição Universal de 1900. Posteriormente, o prédio serviu de estação para os trens da rede metropolitana de Paris e também como centro de correios. Em 1973 a estação foi fechada e somente em 1986, depois de uma restauração e de adaptações, foi reaberta como museu, um dos mais importantes de Paris.

 

Ali está exposta a maior coleção da França de pinturas, esculturas e outros objetos de arte produzidos entre 1840 e 1914, incluindo os principais frutos dos movimentos Impressionista, Pós-Impressionista e Art Nouveau. Lá dentro ficamos até meio perdidos, sem saber por onde começar. Não usamos, mas há um áudio-guia em vários idiomas (não havia em português) que nos leva aos mais importantes trabalhos. Pegamos um mapa do museu e começamos a nos localizar.

 

No térreo estão algumas obras embrionárias do Impressionismo do início da carreira de artistas que posteriormente ficaram consagrados como Renoir, Manet, Monet e Pissarro. Mas são nos andares superiores onde estão as mais importantes obras do Impressionismo e do Pós-Impressionismo. Estão neste museu as mais importantes e famosas obras do auge da carreira de Manet, Monet, Renoir, Sisley, Degas, Pissarro, Cézanne, Van Gogh, Seurat, Toulouse-Lautrec, Gauguin, Matisse… Em um dos cantos do prédio (Pavillon Amont), divididas em vários andares, ficam salas decoradas inteiramente com mobília e peças de Art Nouveau, estilo que eu e a Dani adoramos.

 

Infelizmente fotos no interior do museu são proibidas e a fiscalização é bastante rigorosa. O único local onde acho que os guardas não se importam que tiremos fotos é do alto da galeria principal, de onde temos uma visão privilegiada do bonito interior do prédio.

 

O Musée D’Orsay é bem grande e tem um acervo muito interessante. Acho que é possível ver tudo com calma em cerca de duas horas. Assim como o Louvre, o D’Orsay é um museu para se voltar outras vezes. Obviamente não visitamos todos os museus de Paris, mas sem dúvida o Louvre e o D’Orsay estão entre os melhores. Para quem gosta de museus, de história e de arte, a visita aos dois é quase obrigatória!

 

Quando saímos do museu já era mais de 4 horas da tarde. Ficamos sem rumo, vagando pelas ruas chateados por ter que ir embora dentro de poucas horas. Pelo menos a chuva tinha passado. Atravessamos o rio pela Passarelle de Solférino, que é uma ponte só para pedestres que fica quase em frente ao D’Orsay. Assim como a Pont des Arts, essa ponte também é cheia de cadeados deixados por casais que os trancam e jogam a chave no Sena.

 

Fomos margeando o rio até a Place de la Concorde, onde pegamos o metrô de volta para o hotel. Descemos na estação Richelieu-Drouot, na Bd. Haussmann. Pela praticidade de ser bem perto do nosso hotel, fomos lanchar outra vez no Quick, o fast food francês. Pedimos o mesmo que comemos da outra vez: dois trios do Suprême Cheese com frites rustiques e refrigerantes grandes. A conta deu 16,10 Euros (R$ 40,25).

 

Saindo da lanchonete passamos em uma das lojas da La Cure Gourmande, que ficava no caminho. A Dani queria comprar alguns chocolates e biscoitos para levar de presente. Voltamos cedo para o hotel para descansar pois íamos ter que acordar no meio da madrugada para ir para o aeroporto. Fora que ainda não tínhamos acabado de arrumar nossa bagagem.

 

Antes de subir para o nosso quarto, perguntei ao recepcionista sobre os taxis para Orly. Ficou acertado que ele nos chamaria um às 4 horas manhã. A corrida do hotel, no centro de Paris, até o aeroporto de Orly custaria 40 Euros (R$ 100).

 

Trigésimo segundo dia. Quarta-feira, 02 de novembro de 2011.

 

Acordamos às 3 horas da manhã, nos arrumamos e fechamos as malas. Pontualmente às 4 horas o recepcionista ligou avisando que o taxista tinha chegado. Nosso taxi era uma van bem espaçosa dirigida por um simpático motorista que foi logo puxando papo de futebol comigo. Do centro de Paris até Orly a viagem durou cerca de meia hora pois não havia trânsito algum a essa hora da madrugada. Olhando pela janela eu via uma Paris coberta pela neblina de uma madrugada deserta e iluminada e só pensava como era uma pena ter que ir embora…

 

O aeroporto de Orly estava completamente vazio. Nenhuma loja ou guichê de companhia aérea estava aberto quando chegamos. Nosso voo de Paris-Orly para Lisboa foi às 7 horas da manhã e só às 5 horas a equipe da TAP chegou e pudemos fazer o check-in.

 

O primeiro voo, de Paris à Lisboa, foi bem rápido. Em Lisboa ficamos apenas duas horas esperando a conexão para São Paulo-Guarulhos, que era às 10:30 horas. O voo transatlântico foi muito tranquilo também. Fomos naquelas duas poltronas que ficam isoladas entre a janela e o corredor, só eu e a Dani. O avião era relativamente espaçoso. Estava tão confortável e nós estávamos tão cansados depois de tantos dias de viagem que dormimos umas 5 horas do voo que durou 8 horas. Nem vimos o tempo passar.

 

Passamos mais um tempo em São Paulo com os pais da Dani e depois voltamos para Belém, afinal, é preciso trabalhar para garantir as próximas viagens!

 

As férias acabaram, mas as lembranças ficarão para sempre. O Reino Unido e a França são dois grandes destinos para viagens e sempre foram prioridades para a gente. Apesar de ter sido uma longa viagem, ainda há muito para ver tanto no Reino Unido quanto na França. E nem podia ser diferente tendo em vista que estes países são dois dos mais importantes polos culturais da civilização ocidental.

 

Se quando saímos do Reino Unido o que nos consolava era estar indo para a França, agora só nos restava como consolo a esperança de um dia poder voltar. Espero que não demore muito!

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