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França - 16 dias - Paris, Val de Loire, S.Malo, M.Saint-Michel, Rouen e Giverny - outubro de 2011


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Vigésimo oitavo dia. Sábado, 29 de outubro de 2011.

 

Esse seria o nosso último dia de passeio pelo interior da França. Deixaríamos Rouen rumo a Giverny, onde passaríamos a tarde visitando os Jardins de Claude Monet. De lá voltaríamos à Paris para a reta final da nossa viagem.

 

Acordamos por volta das 10 e meia da manhã. Arrumamos nossas coisas e eu desci para pegar o carro no estacionamento. Estacionei em frente ao hotel, colocamos a bagagem e entramos para fazer o check-out.

 

Sempre levamos com a gente uma pasta com todos os comprovantes das reservas, só para garantir. O comprovante desse hotel em Rouen dizia claramente que o valor seria debitado no momento da reserva. Então estávamos tranquilos. Seria só entregar as chaves do quarto e ir embora.

 

O problema é que, segundo o recepcionista, a estadia ainda não tinha sido paga. Nós mostramos o comprovante e ele disse que era um engano do Booking.com, site onde fizemos a reserva. Os ânimos começaram a se exaltar. Para mim e para a Dani, aquele papel era como se fosse um recibo e portanto tinha que ser aceito como prova do pagamento integral da estadia no momento da reserva. Tanto era assim que aquela reserva não dava direito a cancelamento gratuito. O recepcionista chegou a dizer que não era ladrão e eu respondi que nós também não! Aí ele ligou para o gerente geral que confirmou que as reservas do Booking.com não eram pagas com antecedência. Foi então que ele perguntou se eu tinha a fatura do cartão comprovando o débito do valor. Claro que eu não tinha.

 

Por fim, desistimos da discussão e pagamos os 100 Euros (R$ 250,00). Saímos do hotel praguejando o recepcionista, aborrecidos com a discussão e mais ainda por ter a certeza de que saímos no prejuízo. (Só quando chegamos no Brasil é que percebemos que o recepcionista estava certo. Nosso erro foi confiar no comprovante de reserva sem confirmar o débito no cartão antes de embarcar. Verificando as faturas do meu cartão constatei que o valor não tinha sido debitado mesmo… prezado recepcionista francês, se você estiver lendo este relato, o que eu acho muito difícil, aceite nossas desculpas!).

 

Ainda indignados e nos achando cheios de razão, seguimos para Giverny. De Rouen para lá são cerca de 70 km rumo ao sul, trecho que percorremos em pouco mais de uma hora. No caminho nós paramos em um posto de gasolina para tomar o café da manhã. Os postos de gasolina de beira de estrada na França têm lojas de conveniência bastante completas, que são quase uns supermercados.

 

Compramos sanduíches naturais, um de frango com queijo e outro de bacon. Compramos também iogurtes (que aqui são excepcionalmente bons, como todos os derivados do leite) e a Dani pegou um café em uma máquina de bebidas automática que vende todo tipo de cafés, achocolatados, chás e sopas. Comemos no balcão mesmo e logo seguimos viagem.

 

Depois de passar por um pedágio de 3,40 Euros (R$ 8,50), saímos da autoestrada e percorremos um bom trecho em estradas menores, passando por vilarejos cheios de casas de pedra.

 

Giverny é uma pequena vila na região da Normandia e que tem cerca de 500 habitantes. O vilarejo, que tem origens na Idade Média, ficou mundialmente conhecido através das pinturas de Claude Monet, pintor francês que construiu sua casa e magníficos jardins ali, transformando o lugar em um ponto de peregrinação para os amantes do Impressionismo.

 

Chegamos em Giverny por volta das 13:00 horas. Estacionei o carro na rua da casa do famoso pintor. Não há mais do que umas quinze ruas na cidade. A principal delas é a Rue Claude Monet, claro. A maioria das construções do vilarejo é de casas bem antigas feitas de pedra. Muitas estavam fechadas, acredito que fossem casas de campo pois estavam bem cuidadas. Algumas delas ficam cobertas por trepadeiras.

 

Fomos direto visitar os mundialmente conhecidos jardins que serviram de inspiração ao pintor impressionista. Hoje a casa e os jardins são administrados pela Fondation Claude Monet. O ingresso, com acesso à toda a propriedade, custou 5 Euros (R$ 12,50), mas o preço muda conforme a época. E os horários também. É bom conferir tudo no site oficial da fundação antes de ir.

 

Monet viveu nesta casa por 43 anos, de 1883 até sua morte em 1926. Em 1980 a propriedade foi aberta à visitação pública e está tudo muito bem conservado.

 

Um dos maiores impressionistas, Monet foi um pioneiro na busca de retratar nas telas o que os olhos viam ao primeiro olhar. Seu objetivo era captar as cores, as luzes, as primeiras impressões. Por isso suas obras são compostas por pinceladas quase desleixadas, sem excessiva preocupação com a precisão do traço e com os detalhes.

 

As paisagens são o forte de Monet e com certeza não há paisagem melhor para um pintor impressionista que os próprios jardins criados por Monet ao redor de sua casa. Pessoalmente não sei dizer se esse lugar foi mais inspiração para o trabalho ou trabalho da inspiração deste grande mestre. Os jardins de Monet em Giverny são por si sós uma verdadeira obra de arte.

 

A propriedade é dividida ao meio por uma rua. De um lado fica a casa, o atelier e um jardim simétrico e florido chamado Clos Normand. Como era outono, o Clos Normand não estava em seu auge. Em alguns canteiros nem havia flores. Vimos muitas fotos de como fica na primavera e realmente fica muito colorido com muitas flores. Mesmo assim estava bonito. Há uma jardinagem específica para cada época do ano, com exceção do inverno, quando a propriedade fica fechada.

 

Antes de seguir para o outro lado fomos visitar a casa por dentro. Temos acesso aos dois andares, cozinha, sala de estar, sala de jantar, quartos e banheiros. Na verdade a casa, apesar de bastante espaçosa, é até bem simples, não há grandes luxos. A decoração é sem exageros ou excentricidades.

 

Monet era admirador da arte oriental e uma das coisas que mais me chamou a atenção foi a coleção pessoal de gravuras japonesas tradicionais que está espalhada pela casa. Também há alguns quadros do pintor em uma das salas. Eu e a Dani já tínhamos planejado visitar o Musée de L’Orangerie e o Musée D’Orsay assim que voltássemos a Paris. Nesses dois museus as principais obras de Monet estão em destaque.

 

Do outro lado da rua fica o Jardin D’Eau (Jardim das Águas), onde fica o lago das vitórias-régias, abastecido por um riacho que passa por dentro do terreno. Essa parte da propriedade foi comprada por Monet somente em 1895. Há um túnel que passa embaixo da rua e liga os dois terrenos.

 

O lago das vitórias-régias (em francês, nympheas) é, para mim, a imagem mais emblemática de todo o jardim. É quase impossível não associar imediatamente a paisagem que vemos com os quadros famosos de Monet que retratam aquela mesma cena. A ponte curva, tradicional nos jardins japoneses, denuncia a admiração de Monet pela cultura oriental e tem presença constante nos quadros dele.

 

Apesar da falta de flores, a variedade das cores das folhas das árvores era impressionante. Durante nossa visita o tempo estava bem fechado e em alguns momentos chegou a chuviscar. Mas mesmo assim duas foram as vantagens de visitar esse lugar no outono e não na primavera. A primeira é justamente a cor das árvores.

 

A segunda vantagem é que o lugar fica mais tranquilo do que na primavera, quando é alta estação e há muito mais visitantes. Nesse dia conseguíamos até tirar fotos só com a paisagem, sem ninguém aparecendo, captando a tranquilidade dos tempos em que o artista ainda morava ali.

 

O maior objetivo de Monet ao criar o seu próprio jardim inspirador era observar e reproduzir os diferentes efeitos da luz natural sobre as formas e as cores da natureza ao longo do tempo. De Giverny saíram séries de quadros retratando as mesmas paisagens em vários momentos do dia e em várias épocas do ano.

 

Na saída dos jardins passamos no atelier montado pelo artista para abrigar suas obras, o Atelier des Nympheas. Agora ali funciona a lojinha da fundação e há muitos produtos com a temática das obras de Monet. A Dani comprou um jogo americano, daqueles de pôr na mesa, com reproduções de obras de artistas impressionistas (10 Euros/R$ 25).

 

Confesso que a ideia de vir conhecer esse lugar não me animava muito porque eu achava que fora da primavera não valeria a pena. Se não fosse a insistência da Dani talvez nem tivéssemos vindo. Hoje eu tenho a certeza de que valeu muito a pena. Se na primavera as flores são a atração principal, no outono o espetáculo fica por contas das folhas das árvores. Tranquilamente passamos uma tarde ali. É um passeio imperdível.

 

Saindo dos jardins de Monet fomos almoçar. Há vários restaurantes e pequenos hotéis em Giverny. Escolhemos um restaurante arrumadinho que fica na própria Rue Claude Monet, o Terra Café.

 

A Dani pediu um plat du jour, que era um filé com molho madeira, acompanhado de arroz e salada verde. Eu pedi um escalope de vitela com batas fritas e salada verde. De sobremesa eu pedi um sorvete de maçã com calvados, mas tive que acabar trocando com a torta de queijo da Dani. É que eu não sabia exatamente o que era calvados (uma espécie de cachaça de maçã típica da região da Normadia) e quando dei a primeira colherada percebi que era muito forte. Depois do teste do bafômetro que eu tive que fazer no caminho para Saint-Malo eu preferi não arriscar. A conta saiu por 55 Euros (R$ 137,50).

 

Do restaurante fomos ver uma igrejinha dedicada a Santa Radegonde que ficava ali perto. A igreja é bastante antiga, data do séc. XII, mas é também bastante simples. Atrás dessa igreja está o túmulo da família de Claude Monet, onde ele e vários parentes estão sepultados.

 

Já era quase 5 horas da tarde quando fomos embora de Giverny. O caminho que o GPS indicava estava interditado por causa de obras e o vilarejo é tão pequeno que ele não conseguia encontrar outra rota. O jeito foi pedir informação para um morador de um sítio que nos indicou por onde ir para chegar à estrada. Passamos até por estradas de terra no meio do nada até que o GPS conseguiu se reprogramar.

 

De Giverny para Paris foram mais 75 km que percorremos em mais ou menos uma hora e meia. Ainda passamos por mais dois pedágios, um de 2,50 Euros (R$ 6,25) e outro de 7,80 Euros (R$ 19,50). Quanto mais perto de Paris chegávamos, mais o trânsito fica pesado. Passamos até pela rotatória em volta do Arco do Triunfo.

 

Paramos o carro em frente ao hotel e deixamos logo a bagagem lá. Estávamos em cima da hora para devolver o carro e tivemos que deixar o check-in para depois. A missão principal agora era encontrar um posto de gasolina próximo da Gare du Nord, onde tínhamos que entregar o carro com tanque cheio. Programamos o GPS e ele nos indicou um. Passamos duas vezes na frente até entender que o posto era dentro de um prédio, camuflado atrás de uma fachada antiga.

 

Depois de encher o tanque levamos o carro para o estacionamento subterrâneo da Gare du Nord e estacionamos na parte da Europcar. Depois subimos e entregamos a chave e o GPS no escritório. O recepcionista só agradeceu e guardou a chave e o GPS sem nem ver o carro. Prático e sem burocracia.

 

Essa foi a primeira vez que eu aluguei carro no exterior. Para mim foi bastante útil e para os passeios que fizemos foi essencial a flexibilidade que o carro deu. Por exemplo, para visitar Giverny a partir de Rouen e depois seguir para Paris em um mesmo dia, sem carro, teríamos que pegar um trem até Vernon e de lá um ônibus até Giverny, depois pegar o ônibus de Giverny até Vernon e de lá o trem até Paris. A mesma complicação seria para visitar os castelos do Vale do Loire. E ainda teríamos que nos preocupar com a bagagem. Com um bom planejamento seria até possível fazer tudo por transporte público, mas perderíamos muito tempo, ficaríamos muito mais cansados, seria mais desconfortável e nem seria tão mais barato assim. Alugar um carro foi uma boa.

 

Da Gare du Nord pegamos metrô e voltamos para o hotel. Outra vez ficamos no Peletier Haussmann Opera Hotel. Por essa segunda estada pagamos 440,00 Euros (R$ 1.100) por quatro diárias, sem café-da-manhã, incluindo a taxa de estadia (1,60 Euros por dia). Recomendo esse hotel. Ele é bem localizado, perto de estação de metrô (Richelieu-Drouot), limpo, confortável, o atendimento é simpático e apesar disso ainda é barato se comparado com outros hotéis na mesma área. Na primeira vez ficamos no quinto andar. Dessa vez nos colocaram no terceiro. O elevador é aquele minúsculo que eu já mostrei aqui no blog no post do nosso primeiro dia em Paris, mas é melhor que subir de escada.

 

Já era noite e estávamos cansados para qualquer outro passeio. Aproveitamos para levar a roupa suja para lavar. Fomos outra vez na Lav’ Club, lavanderia self-service (em francês, launderette libre service) que fica na Rue Geoffroy-Marie, entre a Rue du Faub. Montmartre e a Rue de la Boule Rouge, perto da antiga casa de espetáculos Folies Bergère. Falei dessa lavanderia e de como ela funciona em um outro post. Vale muito a pena. Para lavar e secar a nossa roupa suja de quase dez dias pagamos 14,40 Euros (R$ 36).

 

Na volta para o hotel compramos baguettes, queijos e bebidas no Franprix da Bd. Haussmann. Chegando no nosso quarto foi só guardar as roupas, comer e dormir. Estávamos bem cansados.

 

Nosso passeio pelo interior da França tinha terminado e nós tínhamos aproveitado cada cidade que conhecemos ao máximo. Nosso roteiro privilegiou as regiões mais ao norte da França. O restante do país ficou para uma próxima oportunidade. Tínhamos mais três dias inteiros para Paris e já falávamos como se tivéssemos certeza de que voltaríamos à França. Que assim seja.

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Vigésimo nono dia. Domingo, 30 de outubro de 2011.

 

O dia ia ser longo. Neste nosso último domingo em Paris visitaríamos um dos mais importantes repositórios mundiais de tudo que a humanidade já fez de melhor, o Museu do Louvre. Aguardei muito tempo por esse momento. Muito mesmo. Para mim seria uma realização ver ao vivo obras que eu já tinha visto tantas vezes em livros. Ainda bem que esse dia chegou.

 

Para poupar tempo, resolvemos tomar café no hotel mesmo. E não nos arrependemos. Com o leite, o café e os pães franceses qualquer café da manhã fica bom. Depois de comer, pegamos o metrô na estação Richelieu-Drouot e descemos na estação Concorde, na Place de la Concorde. O dia estava agradável, com temperaturas em torno dos 18 graus. Tinha até um pouco de céu azul.

 

Fomos caminhando até o Jardin des Tuileries. Idealizado inicialmente em estilo italiano, o jardim foi remodelado por André Le Nôtre, o mesmo artista que criou os Jardins do Palácio de Versalhes, que o transformou em um jardim francês clássico, simétrico e ornamentado com fontes e esculturas. O Jardin de Tuileries se encontra entre a Place de la Concorde e o Museu do Louvre e faz parte do conjunto arquitetônico e artístico das margens do Sena, considerado patrimônio da humanidade desde 1991.

 

Ali ficava o antigo Palais des Tuileries, um enorme e luxuoso palácio que começou a ser construído no séc. XVI por Catarina de Médicis em um terreno antes ocupado por fábricas de telhas (em francês, tuiles, daí o nome Tuileries). Já no séc. XVII foi construída a grande ala de 700 metros que acompanha as margens do Sena e ligava o Palais des Tuileries ao mais antigo Palácio do Louvre. Até hoje essa ala está de pé, fazendo parte do atual Museu do Louvre. Infelizmente o Palais des Tuileries foi propositalmente incendiado pelos revoltosos da Comuna de Paris em 1871. Hoje não há nem sinal do antigo palácio, demolido totalmente em 1882. Restaram apenas os jardins.

 

Hoje o parque é muito frequentado pelos parisienses e, claro, também pelos turistas. Há um lago central bem grande em volta do qual muitos se sentam para admirar a paisagem emoldurada por edifícios históricos e estátuas, ler um livro ou apenas bater papo. Testemunhando o processo de invasão cultural do qual pelo visto nem a França escapa, mesmo sendo um país de cultura, tradições e história ricas, vimos muitas crianças fantasiadas no Jardin des Tuileries. Hoje era véspera de Halloween, o dia das bruxas americano.

 

Também nesse jardim se encontram duas galerias de arte. Uma delas é a Galerie Nationale du Jeu de Paume. Este pequeno prédio chegou a abrigar a coleção de arte impressionista que hoje está no Musée D’Orsay. Atualmente abriga uma coleção de arte contemporânea. Esse não visitamos, ficou para uma próxima oportunidade.

 

A outra galeria de arte é o Musée de L’Orangerie (que quer dizer estufa, em francês). Em volta desta galeria se encontram muitas esculturas de Rodin, inclusive O Beijo. A Dani queria muito visitar essa galeria por causa das enormes telas de Monet que estão lá. A vontade só fez aumentar depois do que vimos pessoalmente em Giverny. O museu é bem pequeno e podemos visitar tudo em cerca de meia hora. O ingresso do Musée de L’Orangerie custa 7,50 Euros (R$ 18,75).

 

No piso térreo há duas grandes salas ovais onde estão expostas as principais obras do Museu de L’Orangerie. Trata-se de oito grandes telas retratando o Jardin D’Eau da propriedade de Monet em Giverny que nós tínhamos visitado na véspera. As pinturas refletem a observação que Monet fez dos efeitos da luz do sol sobre a paisagem natural ao longo do dia. Essas obras são consideradas como testamentos artísticos dele e foram pintadas entre 1914 e 1926, ano de sua morte.

 

Essa exposição, nomeada Les Nymphéas, foi projetada pessoalmente por Monet e inaugurada em 1927, alguns meses após a sua morte. O curioso é que a recepção do público na época foi fria. Somente após a Segunda Guerra Mundial é que a exposição ganhou verdadeira notoriedade pois, para os estudiosos, ali, naquelas oito telas, estavam as raízes da arte abstrata.

 

Além de Les Nymphéas, que por si só já vale a visita ao Museu de L’Orangerie, o primeiro andar apresenta uma boa coleção de obras de vários artistas do classicismo moderno, do impressionismo e do pós-impressionismo. Ali estão pinturas de grandes artistas como Cézanne, Renoir, Modigliani, Matisse, Picasso, Derain, Utrillo, Gauguin e outras do próprio Monet que faziam parte da coleção de Paul Guillaume, um importante marchand, colecionador e mecenas da arte parisiense de vanguarda da década de 1920.

 

Ainda passamos pela loja do Musée de L’Orangerie e eu comprei dois imãs retratando obras de lá (7,40 Euros/R$ 18,50) para minha coleção. Como os horários e os preços variam, antes de visitar é bom ver o site oficial do Musée de L’Orangerie. Recomendo a visita. Quando saímos da Orangerie já passava de 11 e meia da manhã. Passeamos um pouco mais pelo Jardin des Tuileries, que é um lugar agradabilíssimo.

 

Já entrando no pátio do Louvre ficamos frente a frente com o Arco do Triunfo do Carrousel. Mandado construir por Napoleão em 1809 em comemoração à suas vitórias militares, ficava ‘escondido’ entre o Palais des Tuileries e o Palais du Louvre, até que o Palais des Tuileries foi destruído. Inspirado nos antigos arcos do Império Romano, esse arco é bem menor que o Arco do Triunfo da Champs Élysées, o famosão. Há inscrições e baixos-relevos exaltando os feitos do exército napoleônico em todas as faces do monumento.

 

A quadriga que se encontra no topo do arco tem uma história interessante. Quando o monumento foi construído foram colocados ali a quadriga com os cavalos de bronze que adornavam a fachada principal da Basílica de São Marcos, em Veneza. A escultura foi trazida de Veneza pelo exército francês quando Napoleão conquistou a cidade, como butim de guerra. Mas, quando Napoleão foi derrotado, a escultura foi devolvida aos austríacos, que na época controlavam Veneza, e eles restituíram a escultura à cidade. O que hoje vemos coroando o Arco do Triunfo do Carrousel é uma réplica da quadriga original.

 

Chegando em frente à pirâmide do Louvre ficamos impressionados com a fila. Estava dando voltas. Mas não tinha jeito. Se fôssemos esperar não haver fila não conheceríamos nunca o museu. Pelo menos o sistema é organizado. Há placas ao longo da fila informando a previsão de tempo de espera até chegarmos à bilheteria. Não ficamos muito tempo parados, a fila está sempre andando. Mesmo assim, até entrarmos na pirâmide para comprar os ingressos foi cerca de uma hora de espera.

 

O ingresso para visitação da coleção permanente do Museu do Louvre custa 10 Euros (R$ 25). Estava tendo uma exposição temporária sobre Alexandre, o Grande, mas era paga à parte e optamos por não visitar. Já era 13:00 horas quando começamos a visita. Como o Louvre fecha às 17:30 horas (com exceção das quartas-feiras e sextas-feiras, quando ele fecha às 21:30 horas), ainda tínhamos quatro horas para ver tudo o que queríamos.

 

O Museu do Louvre é um dos maiores museus do mundo, o tipo de lugar que não se conhece de uma vez só. Ficamos bem cientes disso desde que visitamos o Metropolitan de Nova York e os grandes museus de Londres, a National Gallery e o British Museum. Mas é inevitável a tentação de querer ver tudo que for possível logo na primeira visita. Tradicionalmente a ideia do Museu do Louvre é apresentar obras de arte e peças históricas da antiguidade e da idade média até cerca de meados do séc. XIX. Hoje o Museu do Louvre é um dos maiores e mais importantes museus do mundo (se não o maior e o mais importante), recebe mais de oito milhões de visitantes por ano e é um orgulho nacional.

 

O acervo do museu que fica permanentemente exposto conta com 35 mil peças, sendo 6 mil pinturas. Mas o acervo total, contando o que fica guardado na reserva técnica, é de quase 400 mil peças! São coleções de antiguidades orientais, antiguidades egípcias, antiguidades gregas e romanas, arte islâmica, pinturas de escolas europeias, esculturas e objetos de arte decorativa.

 

Há algumas preciosidades na coleção permanente. A primeira que nós vimos foi o Código de Hammurabi, o código de leis da antiga Babilônia, um dos primeiros da humanidade, entalhado em basalto negro, com mais de 4.000 anos de existência. Quem estudou Direito, como eu e a Dani, sabe o quanto essa peça é significativa.

 

A enorme coleção de egiptologia é fonte de uma interminável discussão da França com o Egito. É que a maior parte do acervo foi trazida por Napoleão quando de sua campanha no Egito no final do séc. XVII e início do séc. XVIII, na época em que ele ainda era general. É uma polêmica semelhante à que envolve Reino Unido e Grécia sobre a legitimidade da propriedade das esculturas decorativas e dos frisos do Parthenon que estão no British Museum de Londres e que eu já contei aqui no blog. Além das esfinges, sarcófagos com múmias e partes dos templos e palácios dessa antiga civilização, um dos maiores destaques da coleção egípcia do Louvre é a escultura do Escriba Sentado.

 

A seção de artefatos da Mesopotâmia é cheia de estruturas gigantes que adornavam os templos e palácios da região. A seção greco-romana também é muito rica e tem uma enorme coleção de esculturas clássicas. Entre as mais importantes e famosas esculturas clássicas do Louvre estão a Vênus de Milo e a Vitória de Samotrácia.

 

Mas foi só quando começaram a surgir as primeiras salas de pinturas que percebemos a grandiosidade do Louvre. Parece que não acabava mais. Todos os grandes mestres estão ali. Rafael, Michelângelo, Veronese, Caravaggio, Botticelli, Ticiano, Leonardo da Vinci, Delacroix, Ingres, Veermer, Jan Van Eyck, Rembrandt, Rubens, El Greco, Velásquez…

 

Já era 4 horas da tarde quando resolvemos fazer uma pausa para comer alguma coisa. A Dani já não se aguentava mais. Lá embaixo, logo que entramos, vimos um grande restaurante e um grande café, mas só de pensar em atravessar todo o museu já ficávamos cansados! Paramos no primeiro café que apareceu. Há vários dentro do museu. Não tinha muitas opções, então pedimos refrigerantes e duas taças de sorvete. Estava muito bom e a porção até que era grande, mas quando a conta chegou tivemos a certeza de que comer no Louvre não é nada econômico. Dois sorvetes e dois refrigerantes: 33,90 Euros! (R$ 84,65). Foi o sorvete mais caro da minha vida! O jeito foi invocar o dito do ‘quem converte não se diverte’ e seguir em frente.

 

A política de fotos do Louvre é bem amistosa. É permitido fotografar e filmar desde que sem flash. Mas chegou uma hora que desistimos de tirar fotos das “principais obras” pois todas parecem ser importantes! Eu sei que museu não é lugar para ficar tirando fotos. Eu mesmo às vezes me chateio com quem exagera. Mas é muito difícil resistir a levar de lembrança a imagem de obras que já vimos tantas vezes em livros.

 

Ainda faltava ver uma grande parte da coleção de pinturas e, claro, a tão querida Monalisa, também conhecida como La Gioconda. Quando chegamos ao salão onde ela está percebemos que é muito difícil realmente admirá-la como obra de arte que é, até porque não podemos chegar perto por causa de um cordão de isolamento vigiado por um guarda sempre ao lado e também por causa da multidão ensandecida que se desespera para passar na frente dos outros. Preferimos não participar dessa cena e ver o quadro só de longe.

 

No grande salão onde a Monalisa se encontra estão muitas outras obras também muito boas, mas que praticamente passam despercebidas à multidão de visitantes que se aglomera em frente ao quadro de Da Vinci como se fosse seu último dia de exposição. Tem muita gente se acotovelando para chegar mais perto, pais que levantam as crianças para ver o quadro por cima de todos, enfim… uma euforia desmedida. Muita gente só vem ao Louvre por causa desse quadro.

 

Acredito que isso tudo é fruto de um magistral golpe de marketing do Louvre em tempos de sociedade de massa em que tudo se consome e nada se assimila. Eles precisavam de um ícone, de um símbolo que representasse a instituição e trouxesse visitantes e dividendos. A Monalisa foi a escolhida, mas poderia ter sido outra obra também. Depois do que vimos lá, podemos dizer: a Monalisa é pop!

 

Não que a Monalisa não seja uma obra magnífica, digna de ser admirada por toda a humanidade, o problema é que do jeito que é, ninguém consegue fazer isto. Em 2010 vimos um outro retrato de mulher pintado por Da Vinci na Galeria Nacional de Washington, a Ginevra de Benci, a única obra dele em todas as Américas. Ela também é considerada a joia do museu. É um trabalho fantástico, nem parece uma pintura, coisa de gênio. E o melhor é que lá não há toda essa euforia que a Monalisa desperta. Podemos ver a obra bem de perto, em detalhes.

 

Conhecemos também uma parte do museu que acho que todos devem ir. Os salões de Napoleão III (appartements de Napoléon III) que são ricamente decoradas com mármores, afrescos, estuque, ouro, lustres de cristal e mobília de luxo. Acho que não há um só centímetro que não seja cheio de detalhes. Esses opulentos salões eram usados para recepções do Ministério de Estado francês e são só uma mostra de como era o interior do Palais des Tuileries antes de ser incendiado.

 

Em uma das galerias nos aproximamos de uma janela e tivemos uma vista incrível do pátio central onde está a pirâmide. De lá também pudemos ter a vista do Eixo Histórico de Paris (também conhecido por Voie Triomphale) que se inicia com o Arco du Carrousel, segue pela Avenue des Champs Elysées, passa pelo Arco do Triunfo e segue ainda em linha reta até o moderno Arco de La Défense.

 

O gigantesco edifício do museu por si só já é um atrativo. Com raízes no séc. XII, sua função era ser uma fortificação militar capaz de proteger Paris, então a maior cidade da Europa e capital do Reino da França, dos ingleses e normandos. Ao longo dos séculos o castelo inicial foi sendo aos poucos aumentado e adornado com os mais luxuosos materiais, perdendo suas características militares e tornando-se pouco a pouco um palácio. Muitos reis e nobres viveram ali, entre eles Francisco I e Luís XIV, monarcas que governaram a França no auge do absolutismo. A decoração do prédio é muito luxuosa. Há paredes cobertas de mármores e ouro, além de tetos trabalhados e com afrescos.

 

Desde o séc. XVII, quando a corte de Luís XIV se transferiu para Versalhes, o Palácio do Louvre começou a abrigar escolas artísticas. A Revolução Francesa de 1789 acelerou o processo de transformação do Louvre de centro de poder em centro de cultura. Aos poucos os espaços dedicados à exposição de obras de arte foram crescendo. Em 1882 os órgãos do governo deixaram definitivamente o palácio que foi então inteiramente consagrado às artes.

 

Quando deu 17:00 horas os guardas começaram a avisar que o museu estava fechando. Nosso périplo tinha chegado ao fim por livre e espontânea pressão. Foi só o tempo de passar em uma das várias lojinhas espalhadas pelo museu e comprar recordações dessa nossa primeira visita. Comprei um livro de fotografias com os destaques da coleção do museu e também imãs (13,70 Euros/R$ 34,25). As lojas têm excelentes livros de arte e os preços não são tão altos.

 

O Louvre é muito grande! Há corredores que não vemos o fim. Muitas vezes tínhamos que abrir o mapa para nos localizar e continuar seguindo na direção do que mais queríamos ver. Nós bem que tentamos passar por todas as áreas para ter uma boa noção geral, mas ainda assim não vimos tudo, longe disso. Como sempre digo, é bom visitar o site oficial do Museu do Louvre antes de ir, para conferir preços, exposições temporárias e horários.

 

Esse museu é um lugar único. É tudo que eu imaginava e mais um pouco. Com certeza o dia que voltarmos à Paris voltaremos ao Louvre, mas já sem a ânsia de querer vencê-lo em uma tarde. Esse é um lugar para ser visitado várias vezes, com muita calma. Para uma primeira vez, acho que aproveitamos bastante.

 

Depois de um dia inteiro só de museus, fomos caminhando meio que sem destino pela cidade. Paris é muito boa para se caminhar. Sempre surgem recantos interessantes e a arquitetura é linda.

 

Passamos em frente à famosa Opéra Garnier que, apesar de ser tão perto do nosso hotel, ainda não tínhamos visto. Fruto da remodelação urbana de Paris promovida pelo Barão Haussmann, essa casa de espetáculos foi referência para a construção de outros teatros mundo afora (como o Municipal do Rio e o Municipal de São Paulo) na época em que Paris era o centro da cultura global. Deixamos para conhecer o interior, que dizem ser muito luxuoso, em uma próxima oportunidade.

 

Seguimos caminhando mais alguns quarteirões rumo à famosa Galeries Lafayette do Bd. Haussmann. A Galeries Lafayette é uma das mais tradicionais e renomadas lojas de departamento do mundo. Não planejávamos comprar nada, só visitar mesmo. Mas, para nosso azar, a loja estava fechada. Ficamos só com a foto da fachada e combinamos de tentar voltar nos próximos dois últimos dias que tínhamos de viagem.

 

Como passamos o dia todo quase sem comer nada, estávamos muito esfomeados. Uma fome daquelas que não permite a procura por um bom restaurante ou a espera pelos pratos. Queríamos algo rápido: fast food. Continuamos andando pelas redondezas do Bd. Haussmann até que encontramos uma lanchonete da Quick, uma rede de fast food francesa. E por lá mesmo ficamos. Pedimos dois sanduíches Suprême Cheese com refrigerantes e batatas. As batatas (pommes rustiques) não são cortadas tão fininhas e são fritas com casca e tudo. Nós gostamos. Enchemos a barriga por 16,10 Euros (R$ 40,25).

 

Mais ou menos umas 8 horas da noite nos recolhemos ao nosso hotel. Nesse fim de viagem já estamos exaustos e apesar de não parecer, visitar museus cansa bastante pois ficamos muito tempo em pé. Mas sempre vale a pena. Ainda bem que eu e a Dani temos gostos muito parecidos nesse sentido. Conhecer os museus dos lugares que visitamos sempre está nos nossos planos.

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Trigésimo dia. Segunda-feira, 31 de outubro de 2011.

 

Acordamos por volta das 11 horas da manhã. Estávamos muito cansados e sair da cama foi um sacrifício. Fim de viagem é assim mesmo. Ainda mais uma viagem de 31 dias.

 

Resolvemos nem tomar café-da-manhã pois já estava muito tarde para isso. Quando finalmente saímos já fomos procurando por um lugar para almoçar. Pelas redondezas do nosso hotel havia muitas opções. Bem próximo, no Bd. de Montmartre, que é continuação do Bd. Haussmann, vimos que o Hard Rock estava tranquilo, sem fila de espera. Talvez por ser uma segunda-feira. Resolvemos ficar por ali mesmo.

 

De entrada pedimos o Jumbo Combo, prato que sempre pedimos nos Hard Rocks que visitamos. Esse prato é tão grande e variado que nós sempre pedimos só ele pois já é o suficiente para nós dois. Mas dessa vez resolvemos exagerar e pedir ainda mais. A Dani pediu uma massa e eu pedi um sanduíche enorme que veio com batatas fritas. Estava muito bom mas não demos conta de comer tudo. O garçom riu e brincou com a gente dizendo que ele sabia que era muito, mas não pôde impedir! O Hard Rock Café Paris fica no Bd. Montmartre, próximo ao cruzamento com a Rue Vivienne. Depois de comer tanto foi até difícil sair para andar outra vez.

 

Graças ao nosso planejamento, o tempo que deixamos para Paris foi suficiente para tudo o que queríamos ver nessa primeira visita. Tínhamos só mais dois dias na cidade, mas também só mais duas prioridades: subir a Torre Eiffel e ir ao Museu D’Orsay. Como fazia um bom dia de céu azul, hoje seria o dia da torre. Pegamos o metrô na estação mais próxima, a Richelieu-Drouot, e fomos até a estação École Militaire, no Champ de Mars, de frente para a torre.

 

Li na internet que é possível comprar ingressos para subir a torre online, evitando a fila da bilheteria. O problema é que comprando antecipado não temos a certeza de que no dia vai fazer sol, frio, chuva… Queríamos ter certeza que veríamos Paris do alto em um dia bonito e, de preferência, sem congelar. Já tínhamos tentado subir uns dias antes, mas desistimos justamente por causa do tamanho das filas e acabamos fazendo o passeio de barco no Sena, como já contei aqui no blog. Agora não tínhamos mais tempo para adiar. Acho até que as filas estavam um pouco menores do que no primeiro dia que viemos, que era um domingo, mas estavam longe de ser pequenas também.

 

Entramos na fila dos ingressos por volta das 13:00 horas e só conseguimos comprar às 15:10! Foram mais de duas horas de fila! Está certo que estávamos embaixo da tão famosa Torre Eiffel e que ali é muito bonito e tal, mas fila é fila e duas horas de fila é um desgaste. Acho que só não desistimos porque queríamos muito ver Paris lá do alto e não dava mais para adiar. Seria naquele dia ou só na próxima vez em Paris. Cada ingresso custou 13,40 Euros (R$ 33,50).

 

Depois da fila do ingresso vem a fila dos elevadores, mas essa é menor e bem mais rápida. A torre tem três estágios. É possível subir de escadas até o segundo, pagando mais barato, mas é muito alto, tem que estar muito disposto para isso. Ainda acho que ir de elevador vale mais a pena. Já desde o segundo estágio temos uma vista incrível da cidade. Estando ali, a 115 metros de altura, dá para entender o porquê deste monumento ser visitado por cerca de 7 milhões de pessoas por ano. Paris é fantástica.

 

A Torre Eiffel foi construída para a Exposição Universal de 1889, em homenagem ao centenário da Revolução Francesa. O objetivo era o de simbolizar a arte da engenharia moderna do séc. XIX, então entendido como um fruto direto da própria revolução de 1789 e nomeado ’século da indústria e da ciência’.

 

O francês Gustave Eiffel, arquiteto da torre, já era famoso como projetista de pontes com estruturas metálicas. Entre os mais de 100 projetos que participaram do concurso para escolher o monumento que serviria de marco e portal de entrada da Exposição Universal , o de Eiffel foi o escolhido. Nessa época a Exposição Universal era um evento tão importante quanto são as Olimpíadas atualmente.

 

Usando mais de 7.000 toneladas de aço, essa grandiosidade toda foi construída em apenas 2 anos e 2 meses. Isso no séc. XIX!

 

Ao chegar ao terceiro estágio, onde só se pode ir por meio do elevador (não há escadas), estamos literalmente no topo de Paris, a 276 metros de altura. Do alto da Torre Eiffel podemos ver todos os monumentos que visitamos na capital francesa. Todos mesmo. A vista é tão bonita que acho que o único ponto negativo é, obviamente, não poder ver a própria torre que é tão a cara de Paris.

 

Claro, por ser o topo, esse é o menor dos andares e fica bem lotado. Há um pequeno bar de champagne lá, mas acho que não estava aberto. Aliás, há várias opções para comer e beber nos três andares. Dá para fazer reserva pelo site oficial dos restaurantes da Torre Eiffel. Um desses restaurantes, Le Jules Verne, é bem conceituado.

 

Até hoje a Torre Eiffel é a maior construção de Paris e a segunda mais alta estrutura da França, só tendo sido ultrapassada recentemente pelo Viaduto de Millau, inaugurado em 2004. Aliás, nos quarenta anos após a sua inauguração a Torre Eiffel permaneceu na condição de mais alta construção do mundo. Só em 1930 é que ela foi ultrapassada pelo Chrysler Building, de New York, que é alguns metros mais alto.

 

Apesar de hoje ela ser um símbolo da cidade e do país, a Torre Eiffel nem sempre foi uma unanimidade. Muitos moradores de Paris na época da construção, inclusive arquitetos, engenheiros e outros artistas, não gostavam dela, achavam que a imensa estrutura de ferro era um elemento destoante em meio à elegante arquitetura da cidade. Construída para ser uma estrutura temporária, a torre quase foi desmontada em 1909, quando a vigência do contrato de cessão do terreno à Exposição Universal expirou. A torre só se salvou devido aos seus 324 metros de altura que a tornavam uma excelente base de transmissão para a nova tecnologia do rádio-telégrafo. Ou seja, se não fosse a pequena antena lá no alto, Paris não teria mais o seu maior ícone.

 

Desde sua inauguração, em 1889, até hoje, a Tour Eiffel recebeu mais de 250 milhões de pessoas de todas as partes do mundo.

 

Antes de descer passamos em uma das lojas e compramos algumas recordações desse dia. Descemos do segundo estágio para a base da torre pelas escadas. Descer não cansa muito e ainda podemos aproveitar os últimos minutos da vista.

 

Subir a Torre Eiffel foi um programa e tanto. As fotos falam por si mesmas (e pode ter certeza, não traduzem tudo o que vemos). O único problema realmente foi a espera. Mas, como eu disse, para quem quiser evitar as filas, o site oficial da Torre Eiffel vende ingressos online.

 

Da torre pegamos o metrô de volta para o hotel. Já estava escurecendo. Ainda passamos no Franprix da Bd. Haussmann e gastamos 12,82 Euros (R$ 32,05) com algumas coisas para comer. Às 7 e meia da noite já estávamos descansando. Eu escrevi um pouco o blog e cedinho fomos dormir. O dia seguinte seria o último dia da viagem. Já estávamos ficando meio tristes, entrando no ritmo da despedida.

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Trigésimo primeiro dia. Terça-feira, 01 de novembro de 2011.

 

Acordamos outra vez bem tarde, por volta das 11 horas. O céu estava escuro e chovia fino em Paris. Nosso ânimo também não era dos melhores. Esse seria nosso último dia de viagem e o último dia sempre é deprimente.

 

Comemos um pouco do que tínhamos comprado na véspera pois o hotel já não servia mais café-da-manhã a essa hora. Demos uma adiantada na arrumação da bagagem, tomamos banho e saímos.

 

Pelo menos tivemos a certeza de ter feito a coisa certa na véspera, quando aproveitamos o dia bonito para subir a Torre Eiffel, deixando o Musée D’Orsay para o último dia. Esse seria um típico dia de museu, chuvoso. Já tínhamos tentado conhecer o Musée D’Orsay alguns dias antes, mas fomos surpreendidos pela greve dos funcionários. Desse dia, com certeza, não podia passar!

 

Pegamos o metrô na Richelieu-Drouot, na estação Invalides trocamos para o RER (trem metropolitano) e descemos na estação Musée D’Orsay. Saindo da estação vimos que a chuva só estava piorando. E o pior é que não dava para correr para dentro do museu pois havia uma fila enorme para entrar. Apesar de não gostarmos muito de vendedores ambulantes, tive que me render e comprar um guarda-chuvas deles. A Dani já tinha o dela, comprado nessa mesma viagem, em Canterbury.

 

A fila foi longa, mais de uma hora. Deu tempo até de comprar um crêpes à nutella e chocolates quentes e comer enquanto esperávamos para entrar. Os ingressos custaram 8 Euros (R$ 20) cada.

 

O Museu D’Orsay fica às margens do Sena, bem em frente ao Jardin de Tuileries e ao Museu do Louvre, que ficam na outra margem. Naquele mesmo terreno já esteve um palácio, o Palais D’Orsay, que já não existe mais. No lugar do palácio foi construída uma elegante estação ferroviária de onde saíam trens rumo à Orléans. O prédio, que data de 1898, foi inaugurado para servir à Exposição Universal de 1900. Posteriormente, o prédio serviu de estação para os trens da rede metropolitana de Paris e também como centro de correios. Em 1973 a estação foi fechada e somente em 1986, depois de uma restauração e de adaptações, foi reaberta como museu, um dos mais importantes de Paris.

 

Ali está exposta a maior coleção da França de pinturas, esculturas e outros objetos de arte produzidos entre 1840 e 1914, incluindo os principais frutos dos movimentos Impressionista, Pós-Impressionista e Art Nouveau. Lá dentro ficamos até meio perdidos, sem saber por onde começar. Não usamos, mas há um áudio-guia em vários idiomas (não havia em português) que nos leva aos mais importantes trabalhos. Pegamos um mapa do museu e começamos a nos localizar.

 

No térreo estão algumas obras embrionárias do Impressionismo do início da carreira de artistas que posteriormente ficaram consagrados como Renoir, Manet, Monet e Pissarro. Mas são nos andares superiores onde estão as mais importantes obras do Impressionismo e do Pós-Impressionismo. Estão neste museu as mais importantes e famosas obras do auge da carreira de Manet, Monet, Renoir, Sisley, Degas, Pissarro, Cézanne, Van Gogh, Seurat, Toulouse-Lautrec, Gauguin, Matisse… Em um dos cantos do prédio (Pavillon Amont), divididas em vários andares, ficam salas decoradas inteiramente com mobília e peças de Art Nouveau, estilo que eu e a Dani adoramos.

 

Infelizmente fotos no interior do museu são proibidas e a fiscalização é bastante rigorosa. O único local onde acho que os guardas não se importam que tiremos fotos é do alto da galeria principal, de onde temos uma visão privilegiada do bonito interior do prédio.

 

O Musée D’Orsay é bem grande e tem um acervo muito interessante. Acho que é possível ver tudo com calma em cerca de duas horas. Assim como o Louvre, o D’Orsay é um museu para se voltar outras vezes. Obviamente não visitamos todos os museus de Paris, mas sem dúvida o Louvre e o D’Orsay estão entre os melhores. Para quem gosta de museus, de história e de arte, a visita aos dois é quase obrigatória!

 

Quando saímos do museu já era mais de 4 horas da tarde. Ficamos sem rumo, vagando pelas ruas chateados por ter que ir embora dentro de poucas horas. Pelo menos a chuva tinha passado. Atravessamos o rio pela Passarelle de Solférino, que é uma ponte só para pedestres que fica quase em frente ao D’Orsay. Assim como a Pont des Arts, essa ponte também é cheia de cadeados deixados por casais que os trancam e jogam a chave no Sena.

 

Fomos margeando o rio até a Place de la Concorde, onde pegamos o metrô de volta para o hotel. Descemos na estação Richelieu-Drouot, na Bd. Haussmann. Pela praticidade de ser bem perto do nosso hotel, fomos lanchar outra vez no Quick, o fast food francês. Pedimos o mesmo que comemos da outra vez: dois trios do Suprême Cheese com frites rustiques e refrigerantes grandes. A conta deu 16,10 Euros (R$ 40,25).

 

Saindo da lanchonete passamos em uma das lojas da La Cure Gourmande, que ficava no caminho. A Dani queria comprar alguns chocolates e biscoitos para levar de presente. Voltamos cedo para o hotel para descansar pois íamos ter que acordar no meio da madrugada para ir para o aeroporto. Fora que ainda não tínhamos acabado de arrumar nossa bagagem.

 

Antes de subir para o nosso quarto, perguntei ao recepcionista sobre os taxis para Orly. Ficou acertado que ele nos chamaria um às 4 horas manhã. A corrida do hotel, no centro de Paris, até o aeroporto de Orly custaria 40 Euros (R$ 100).

 

Trigésimo segundo dia. Quarta-feira, 02 de novembro de 2011.

 

Acordamos às 3 horas da manhã, nos arrumamos e fechamos as malas. Pontualmente às 4 horas o recepcionista ligou avisando que o taxista tinha chegado. Nosso taxi era uma van bem espaçosa dirigida por um simpático motorista que foi logo puxando papo de futebol comigo. Do centro de Paris até Orly a viagem durou cerca de meia hora pois não havia trânsito algum a essa hora da madrugada. Olhando pela janela eu via uma Paris coberta pela neblina de uma madrugada deserta e iluminada e só pensava como era uma pena ter que ir embora…

 

O aeroporto de Orly estava completamente vazio. Nenhuma loja ou guichê de companhia aérea estava aberto quando chegamos. Nosso voo de Paris-Orly para Lisboa foi às 7 horas da manhã e só às 5 horas a equipe da TAP chegou e pudemos fazer o check-in.

 

O primeiro voo, de Paris à Lisboa, foi bem rápido. Em Lisboa ficamos apenas duas horas esperando a conexão para São Paulo-Guarulhos, que era às 10:30 horas. O voo transatlântico foi muito tranquilo também. Fomos naquelas duas poltronas que ficam isoladas entre a janela e o corredor, só eu e a Dani. O avião era relativamente espaçoso. Estava tão confortável e nós estávamos tão cansados depois de tantos dias de viagem que dormimos umas 5 horas do voo que durou 8 horas. Nem vimos o tempo passar.

 

Passamos mais um tempo em São Paulo com os pais da Dani e depois voltamos para Belém, afinal, é preciso trabalhar para garantir as próximas viagens!

 

As férias acabaram, mas as lembranças ficarão para sempre. O Reino Unido e a França são dois grandes destinos para viagens e sempre foram prioridades para a gente. Apesar de ter sido uma longa viagem, ainda há muito para ver tanto no Reino Unido quanto na França. E nem podia ser diferente tendo em vista que estes países são dois dos mais importantes polos culturais da civilização ocidental.

 

Se quando saímos do Reino Unido o que nos consolava era estar indo para a França, agora só nos restava como consolo a esperança de um dia poder voltar. Espero que não demore muito!

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