"Já fazia mais de hora que o sol havia nos abandonado, quando uma tempestade desabou sobre nossos ombros. A noite era tão escura , que eu mal enxergava o Thiaguinho que desembestou na dianteira, ladeira abaixo e quando tentei acionar os freios, as rodas trepidaram, balançaram de um lado para o outro e eu me vi totalmente desamparado , virei passageiro daquela geringonça dos anos 80. A velocidade só fazia aumentar, pensei em me jogar pro barranco, mas as valetas laterais teriam me moído no buraco. Tento manter a calma, mas as minhas energias depois de mais de 12 horas de pedalada, me levam a um transe de resiliência. Penso em pular, mas aí me vem a lembrança, o dia em que eu e meu irmão, numa infância distante, nos jogamos de cima de uma bicicleta sem freio, numa ladeira da nossa aldeia e acabamos sendo trucidados pelo chão. Enfio o tênis na roda traseira, mas o solado do maldito é daqueles tênis de atletismo e o atrito não resolve porra nenhuma. Mesmo assim, continuo tentando e quando vejo que o terreno se arrefeceu um pouco, boto os pés no chão e ao encontrar um amontoado de areia, pulo, como quem pula de um caminhão desgovernado, mas sem soltar as mão da bicicleta. Fico no cai, mas não cai, danço conforme a ondulação do terreno, até que quando me vejo estabilizado, largo mão daquela merda e me esparramo na areia molhada, enquanto o veículo do satanás, de duas rodas, segue seu caminho até se deter mais à frente. Eu não sou mais ninguém, o ciclista animado da manhã, agora parece um ser que não consegue se sustentar sobre as próprias pernas , estou acabado, a vontade é sentar e chorar."............................
No centro do Estado de São Paulo, a 200 km da sua capital, uma região de incontáveis atrações naturais, ainda se mantém muito longe do turismo de massa, ainda que sua cidade mais famosa, BROTAS, acabe por cooptar a maioria do turismo, se intitulando a Capital da Aventura no Estado. Mas a região vai muito mais além do que a sua cidade mais famosa, na verdade, são dezenas de cidade compondo uma grande região turística, mas que sinceramente, até para mim que vivo ao seu redor, me soa um pouco confuso. Costuma-se denominar algumas cidades como CHAPADA GUARANÍ, que seriam cidades encima de uma grande mesa basáltica, um incrível chapadão, uma espécie de, guardando as suas devidas proporções, Chapada Diamantina Paulista.
Acontece que, embaixo desses chapadões, também temos pequenas cidades de belezas muito cênicas, aliás, são cidades que recebem as águas que despencam das mesas e é por onde se pode acessar algumas cachoeiras. Mas não é só isso, são cavernas, formações rochosas, vilarejos charmosos, trilhas para motocross, jeep, bicicleta, formações rochosas, morros testemunhos, mirantes de perder o fôlego. Algumas dessas cidades compõe o CIRCUITO DA SERRA DO ITAQUERI e outras o circuito CHAPADA GUARANÍ, na verdade, uma salada difícil de compreender porque várias cidades acabam por fazer partes de todas as denominações e como a região é gigante, o governo do Estado e secretaria de turismo, ainda dividiu em outra região que chamou de circuito CUESTA PAULISTA.
Já fazia anos que o Thiaguinho me cobrava uma pedalada nessa região e como eu não me manifestava, colocando uma data, ele simplesmente me forçou a sair da moita e numa sexta-feira à tarde me informou que passaria na minha casa, sábado à noite e me pegaria com seu carro, porque já era hora da empreitada sair do papel. Coube a mim elaborar um roteiro, já que, apesar de frequentar muito a região, eu nunca tinha me aventurado sobre 2 rodas, então decidi que o nosso ponto de partida seria a minúscula e pacata IPEÚNA, uma charmosa cidadezinha de meia dúzia de habitantes, onde eu pretendia estacionar o carro e fazer um circuito tranquilo, de uns 60 km de pedaladas, subindo a chapada e voltando para o mesmo lugar.
Por volta das 8 da manhã, estacionamos na praça central de Ipeúna, bem da rua abaixo da sua igreja central, em frente da base policial. O Thiaguinho sacou logo sua bike de última geração e eu tomei posse de um trambolho fabricado na década de 80, uma bicicleta bem conservada, mas sem as tecnologias atuais, apenas algumas mudanças aqui e ali, mas no final do dia, eu iria descobrir que não havia sido suficiente.
O nosso caminho seguiu exatamente pela rua que estávamos e em poucos minutos, numa curva, deixamos o asfalto e ganhamos as estradas de terra junto à uma bifurcação. Logo o caminho desembesta para baixo e desce até um vale e aí a subida desafia nossa capacidade de pedalar, ainda com o corpo frio, mas eu logo arrego e empurro ladeira acima e quando se estabiliza, a estrada vira um amontoado de areia e logo à frente, uma bifurcação junto à uma placa, faz a gente parar e admirar os paredões avermelhados da Serra do Itaquerí, de frente para uma formação característica conhecida como CABEÇA DE ÍNDIO. É a primeira vez que o Thiaguinho tem contato com essa paisagem e realmente, é uma visão lindíssima e surpreendente por estar tão perto da capital e ser conhecida por poucos.
A previsão de mal tempo não se confirmou, o sol já queima sem piedade e na bifurcação, pegamos para a direita e vamos seguir como quem vai ao encontro da Cabeça de Índio e cerca de 6 km desde a cidade, uma porteira lateral nos chama a atenção para um mirante espetacular para a grande formação rochosa, então nos detivemos por um tempo para um gole de água e uma foto.
O terreno parece que vai se estabilizar, mas hora ou outra, nos deparamos com alguma ladeira e o calor inclemente da manhã, vai minando nossas energias. O cenário é muito bonito e nossa direção vai seguir o caminho que nos levará para a subida da serra. Antes de subir a serrinha, eu pretendia deixar as bikes escondidas e tentar reencontrar a Gruta da Boca do Sapo, mas achei que perderíamos muito tempo nela, haja visto que esse roteiro eu havia estabelecido para ser feito em 2 dias e estava apenas adaptando a quilometragem para um único dia, então passamos batidos e iniciamos a subida da serra, abandonaríamos a planície local e subiríamos de vez para os chapadões, era hora de ganharmos altitude.
Nossa pedalada inicial então chega ao km 12, que de bicicleta poderia significar absolutamente nada, mas diante do terreno arenoso e das primeiras subidas intermináveis sob um sol escaldante, já faz a gente começar a botar a língua de fora. No início da subida da serra o terreno vai se elevando lentamente, mas não dá nem 300 metros e pedalar já não é mais opção, não só pelo terreno inclinado, mas pelas grandes pedras que inviabilizam a progressão montado nas bikes . Empurrar bicicleta ladeira acima é um martírio que vamos absorvendo, um sofrimento que é preciso passar, sob o pretexto de que quando chegarmos lá encima, tudo vai ser diferente, e é vivendo nessa ilusão que nos apegamos à nossa força interior e quando atingimos uns dois terços do caminho, nos deparamos com um MIRANTE que nos faz voltar a sorrir novamente e continuar acreditando nas mentiras que a nossa cabeça criou.
Como não há sofrimento que dure para sempre, uma última curva da serra é deixada para trás e do nosso lado direito, meia dúzia de eucaliptos força a nossa parada e mesmo que ainda não seja definitivamente o fim da subida, será ali que abandonaremos provisoriamente a estrada, em favor de uma TRILHA que sai à direita e entra num capinzal alto, tão escondida que se não forçar passagem na alta vegetação inicial, quem não conhece e não tem nenhuma referência, passará batido.
Levamos cerca de 45 minutos empurrando as bicicletas para ganharmos quase todo o chapadão e agora, vamos abandoná-las no mato e ganharmos a trilha a pé, rumo a uma das grandes joias da Serra do Itaqueri . Então, forçando passagem no capim alto, uns 10 metros depois a trilha surgirá, aberta e bem consolidada, vai se curvar para a esquerda e descerá meio que em nível até começar a despencar de vez, curvar quase 90 graus para a direita, onde encontraremos uma arvore monstruosa e começar a percorrer um paredão de arenito que estará a nossa direita.
Não há erro, é preciso se manter quase que colado nos paredões, às vezes não mais que 5 metros de distância deles, passamos por um filete de água que despenca de cima do próprio paredão, onde poderemos abastecer os cantis, contornamos um terreno encharcado até que surpreendentemente, daremos de cara com a enorme boca da GRUTA DO FAZENDÃO.
Para quem chega, pode se surpreender com as pichações do passado, mas hoje praticamente essa prática cessou e mesmo não havendo nenhuma fiscalização, pelo estado que encontramos a trilha, percebemos que a gruta quase não está sendo visitada. Ao subir as pedras que antecedem a entrada da gruta, é possível sentir a grandiosidade do seu pórtico. A gruta do Fazendão é daqueles lugares que sempre gosto de levar os amigos e apresentar como sendo parte do meu quintal, já que a maioria do meu círculo de amizades, ligadas ao mundo de aventura, são de gente da Capital Paulista e eu acabo por me tornar um dos poucos representantes do interior. Uma vez inventei de trazer uns amigos na gruta, alguns deles jamais haviam entrada numa caverna antes, apesar de já serem exploradores que já rodaram meio mundo. E mesmo os que já estiveram em cavernas, nunca tinha entrado em cavidades areníticas, onde em algumas é preciso se rastejar feito um lagarto. E um desses amigos passou mal, deu pit, simplesmente teve uma crise de pânico e tivemos que evacuar a gruta às pressa, o que no final, rendeu muita zoeira e altas risadas.
Nos apossamos das nossas lanternas e subimos os blocos de pedras, que num passado muito distante, desmoronou do teto. No início, a impressão é que a gruta não passa de uma pequena cavidade, baixa e sem muito interesse, mas em um minuto a desconfiança da lugar a grandiosidade . Um corredor gigante se abre e o teto se eleva e nos surpreende, porque 2 minutos depois, a escuridão absoluta toma conta do lugar e quem não está familiarizado com esse tipo de ambiente, já começa a ter um desconforto. Num primeiro momento, a gruta é horizontal, anda-se em pé porque o espaço é amplo, com um grande corredor . O teto é alto , mas o chão apresenta irregularidades , onde algumas fendas vão deixando os visitantes de primeira viagem, um pouco desconfiádos.
Eu sigo à frente, fazendo as vezes de guia, mas já conhecedor dos caminhos que vão levar aos becos mais aventureiros, rapidamente abandono o caminho fácil e desimpedido , em favor de uma greta a direita do caminho, encostando na parede da caverna., onde desço por uma pequena rampa até me ver de frente à um buraco de rato.
É aqui que começa a brincadeira, num buraco de uns 50 centímetros de largura por uns 10 metros de comprimento, iremos adentrar no corredor de arenito, nos rastejando feito vermes, encostando nossas barrigas no chão e ganhando terreno metro à metro , até nos vermos dentro de um grande salão no centro da terra, com seu teto alto , sua temperatura gelada , uma cena iluminada pelas luz das nossas lanternas, como quem adentra nas histórias de Júlio Verne.
O Thiaguinho passou muito bem e parece se encantar com o novo ambiente e mesmo eu, acostumado à exploração de cavernas desde os primórdios da minha vida de aventura, ainda consigo me surpreender com esse mundo fascinante.
Uma nova passagem em formato de um pequeno pórtico, nos leva para outro salão, tão grande quando os 2 primeiros e a saída desse terceiro salão, é pela esquerda, subindo rastejando numa rampa , que vai passar por uma perigosa e profunda fenda e então virando para a direita, chegando ao salão dos morcegos , um amontoado de centenas deles, que estão agrupados no teto e ao sentirem nossa presença e nossas lanternas, tomam conta da caverna, voando de um lado para o outro, às vezes trombando nas nossas cabeças.
A saída é retornar para a esquerda, cruzando por uma passarela natural sobre a fenda que havíamos passado, com cuidado para não cair em outras cavidades, avançando lentamente, vagarosamente, até perceber ao longe, um facho de luz que nos indica a saída ou seja , o nosso ponto de partida. Foi uma exploração proveitosa e antes de deixarmos a gruta para trás, fizemos uma parada para um lanche e um gole de água.
Retornamos pelo mesmo caminho que viermos, agora subindo lentamente até reencontrarmos nossas bicicletas e ganharmos novamente a rua. Ainda iremos subir por uns 200 metros até que o terreno se estabiliza de vez, definitivamente agora, estamos em cina da CHAPADA PAULISTA, galgamos com dificuldade, mas enfim subimos à grande mesa . Logo à frente cruzamos por uma lagoinha à nossa esquerda, onde penso em me jogar , mas menos de 5 minutos , também à nossa esquerda, uma lagoa gigante desafia a minha capicidade de resistir, mas não resisto e não faço nenhuma questão. Jogo a bike no capim, tiro meu tênis e com roupa e tudo , saio correndo e me jogo na água. O calor tá de lascar e o Thiaguinho vem junto e em um minuto, somos dois moleques se regozijando nas aguas mornas .
Voltamos à estradinha até que ela chega a uma espécie de “T”, aí vamos pegar para a direita. Estamos agora indo ao encontro da Cachoeira da Lapinha e estradinha ao chegar a um cruzamento em forma de triangulo, nos obriga a viramos para a direita e aí vamos descer pra valer, tentando segurar os freios até quando ela se estabiliza, passa por uma floresta de eucalipto e aí temos que nos deter junto a um pequeno riacho que despenca no vazio, formando a cachoeira em questão.
A CACHOIERA DA LAPINHA, também é conhecida como Cachoeira do Carro Caído, devido a uma carcaça de um veículo que se encontra nos pés da queda. No passado, a gente explorou todo o vale vindo por baixo, mas a cachoeira estava com pouca água e não há propriamente uma trilha que se possa chegar partindo de cima, mas com um pouco de habilidade e sem medo dos riscos, é possível descer pela esquerda dela, desescalando uma parede perigosa, mas não ali onde a queda despenca, claro, tem que se afastar uns 300 metros, cair no leito do rio e subir até onde ela despenca.
Nos despedimos da Cachoeira, atravessamos a pontinha e seguimos adiante, apreciando as florestas de eucaliptos e sempre seguindo na principal, nosso rumo vai tomar a direção do Bar do Valentim, onde está a Cachoeira São José, sempre atentos as placas. Da Cachoeira da lapinha até a Cachoeira São José, serão exatos mais 6 km de pedalada e é um caminho belíssimo e agradável, por ser quase só descida e quando lá chegamos, nossa quilometragem vai bater exatos 25 km, pouca coisa, mas não se engane, a atividade não foi feita só de pedalar, então, já um tanto cansado, estacionamos junto ao bar, onde dezenas de pessoas se amontoam, gente de bike, de moto, de jeep, corredores de montanha, ali é parada para todas as tribos.
O bar é onde se pode tomar umas cervejas, uns sucos, comer alguma coisa ou somente descer as escadarias e ir tomar um bom banho na CACHOEIRA SÃO JOSÉ, porque a entrada é gratuita. A cachoeira não é muito alta e suas águas escuras são proveniente de terrenos areníticos com rochas basálticas, portanto, a água é avermelhada, meio cor de barro, mas com o calor que está fazendo, não vamos ficar de mi-mi-mi e não demorou muito pra gente se enfiar embaixo dela e lá ficar, aplacando o calor intenso dessa final de manhã.
Uns 15 anos atrás, eu havia chegado até aqui, mas vindo motorizado, foi quando nosso 4x4 atolou dentro de um rio e eu e minha filha ficamos horas tentando desatolá-lo, lutando contra o tempo e contra uma tempestade que se avizinhava, não levasse a gente embora caso enchesse o riacho. Acampamos próximo ao bar, mas não chegamos nem a conhecer a Cachoeira, que estava fechada. Então a partir de agora, todo o caminho à frente seria uma novidade também para mim.
Montamos nas bicicletas e prosseguimos, mas não deu nem 500 metros, fomos obrigados a desmontar novamente. O cenário que nos foi apresentado era surpreendente, sem aviso prévio, um cânion de proporções gigantescas surgiu à nossa frente. E não posso nem negar que desconhecia a sua existência, já que tinha ideia que havia uma cachoeira que despencava ali nas redondezas do bar, mas nunca que eu iria imaginar que seria daquela magnitude.
O CÂNION PASSA CINCO, me desconcertou, ainda que a grande cachoeira de mesmo nome, tivesse a sua vista muito prejudicada. Mas era mesmo surpreendente, um gigantesco abismo com bem mais de 100 metros de altura, de onde 2 quedas d’agua se precipitavam no vazio, emolduradas por uma floresta verdinha.
Claramente, por ali seria impossível descer ao fundo do cânion, então retomamos o arremedo de estrada e em mais 1,5 km, numa bifurcação tripla, vamos quebrar para esquerda e uns 150metros depois, vai surgir à direita, uma trilha que irá nos levar definitivamente para dentro do cânion. Estamos na TRILHA DO LISINHO, uma trilha somente para quem pratica motocross, com veículos especializados e com experiência vasta no assunto, evidentemente, não é nem de longe uma trilha para bicicletas, mas como ninguém havia nos dito nada, embicamos a nossa bike e fomos nos fuder naquela desgraça.
Logo no começo, já vimos que seria uma encrenca, mas sem conhecer, esperávamos que o terreno melhoraria mais à frente. Ledo engano, cada vez foi é piorando mais. As valetas eram capaz de engolir nossa bicicletas e era praticamente impossível pedalar e quando tentávamos, não era raro cairmos nos buracos e termos nossas canelas dilaceradas pelos pedais que batiam nas paredes laterais e voltavam nas nossas pernas. Aquilo foi um verdadeiro inferno, ainda que a gente se divertisse com a pataquada que acabamos nos metendo, a descida foi minando nossa energia, já que o calor ainda se mantinha insuportável.
Levamos uma meia hora ou mais para chegar ao fundo do cânion, mas mesmo assim, as trilhas ainda se mantinham confusas, parecia que não iam dar em lugar nenhum e empurrar as bicicletas já foi se tornando um verdadeiro martírio. Claro, a gente não se deu conta de que estávamos tomando decisões erradas e que deveríamos ter abandonado as bikes e seguido á pé por dentro do cânion, até conseguirmos interceptar as grandes cachoeiras. Mas chegou uma hora que a gente resolveu voltar, simplesmente o dia já começava a escorregar por entre os dedos e já havíamos passado das 14 horas e aí nos demos contas que não tínhamos mais tempo para explorações, era hora de voltar ao nosso roteiro original.
Dentro do cânion, junto ao rio que corta todo o vale, resolvemos que deveríamos atravessar para o outro lado, tentar achar um caminho que subisse as paredes opostas do vale, porque voltar pela trilha do Lisinho, estava fora de cogitação. Então atravessamos o rio com as bicicletas nas costas e ao chegarmos no centro do cânion, o horizonte se abriu e interceptamos uma sede de fazenda totalmente abandonada, um lugar lindíssimo, onde chegava uma estrada. Essa estrada ao chegar ao casarão abandonado, se transformava numa trilha que ia se enfiando para dentro do cânion, indo na direção do fundo dele, onde estavam as cachoeiras. Seguimos essa trilha por uns 5 minutos, mas logo desistimos de vez, o tempo urge, era chegado a hora de pular fora dali.
Analisamos o mapa, vislumbramos uma saída por uma perna do cânion, na verdade, outro cânion lateral. Então tomamos o rumo de quem vai em direção a entrada do vale, passamos por mais uma casa abandonada, subimos uma trilha pela sua esquerda até chegarmos ao outro cânion, onde uns bois mal-encarados nos deram as boas-vindas, louco para nos dar umas chifradas. Ali começamos a subir, na esperança que no seu final, houvesse um caminho que nos levasse para cima das paredes, ainda que tivéssemos que carregar as bikes nas costas.
Mas não adiantou, o caminho não tinha saída. Estávamos presos, não havia mais o que fazer, tínhamos que retornar, repensar nosso caminho, agora havia chegado a hora de achar uma rota de fuga. O Thiaguinho voltou rápido, eu já começava a capengar com aquela bicicleta pesada e na ânsia de alcançá-lo, meti marcha no meio da trilhinha junto ao pasto, mas um tronco estacionado fora das minhas vistas, foi o obstáculo que faltava para eu bater com a roda dianteira e ser catapultado barranco abaixo, eu de um lado, bike do outro, canela arrebentada e guidão entortado, o chão é o refúgio dos trouxas sobre 2 rodas.
Levanto-me, ainda puto, mas logo estou rindo sozinho da situação. Alcanço o Thiaguinho e tomamos o rumo da saída, passamos pelos bois, pulamos uma cerca de arame e ganhamos uma estrada larga, onde uma ponte decrepita, impede a passagem de carros. Em poucos minutos passamos por uma única casa que parecia ser habitada e ganhamos a estrada em definitivo, assim que cruzamos mais uma ponte, de onde era possível avistar sobre nossos cabeças, o MORRO DO GORILA, uma linda formação de arenito.
Verdade seja dita, a tarde praticamente já se foi e o dia já é capenga, apesar de ainda haver sol. Depois de atravessar a ponte , a estrada de areia vai seguir quase em nível, o que ajuda a gente a conseguir peladar um pouco mais forte, mas não demora muito, observo que o Thiaguinho para imediatamente à frente e sem perceber, desvio rapidamente de uma cascavel que por um pouco não picou a picou a perna dele, foi muita sorte. Dois quilômetros depois, passamos por um bar, que estava fechado , mas um senhor nos indicou que se quisessemos voltar pra Ipeúna, teríamos que virar a direira e seguir pedalando até o curral de uma fazenda, onde deveriamos contornar pela direita e nos apegarmos à estrada principal.
Como sol ja está bem baixo, os paredões do nosso lado direito, vão ficando belíssimos. Mas se o cenário é de tirar o fôlego, o caminho é de tirar a nossa paciência. O areião vai travando a gente , a pedalada não desenvolve, eu praticamente não tenho mais água, a comida acabou faz horas . Claro que poderiamos buscar socorro em algum sitio próximo, pelo menos pra buscar uma hidratação, mas a vontade é de chegar, de encerrar . As pernas já pedalam no modo automático, a minha bicicleta começa a dar sinais que o freio não quer mais funcionar e cada vez, preciso fazer mais força com as mãos.
E a gente pedala, e à frente dos nossos olhos, vão ficando para trás uma infinidade de pequenas propriedades rurais, choupanas jogadas à beira do caminho, matutos e seus animais de estimação, bois, vacas, cavalos, tratores, carroças, plantações, riachos , capões de mato, num sobe e desse sem parar, até que nem eu, nem equipamento aguentam mais . Os freios da bicicleta se foram, a minha capacidade de seguir pedalando , virou pó. Sou um homem entregue ao meu próprio sofrimento, ao meu desespero individual. Não consigo nem mensurar o que o Thiaguinho deve estar pensando de mim, também estou numa condição que nem me importo mais , sou só um homem morto que não caiu porque ainda me resta um brio interior, tentando resguardar o ultimo vestigio de dignidade que me sobrou.
Já fazia mais de hora que o sol havia nos abandonado, quando uma tempestade desabou sobre nossos ombros. A noite era tão escura , que eu mal enxergava o Thiaguinho , que desembestou na dianteira, ladeira abaixo e quando tentei acionar os freios, as rodas trepidaram, balançaram de um lado para o outro e eu me vi totalmente desamparado , virei passageiro daquela geringonça dos anos 80. A velocidade só fazia aumentar, pensei em me jogar pro barranco, mas as valetas laterais teriam me moído no buraco. Tento manter a calma, mas as minhas energias depois de mais de 12 horas de pedalada, me levam a um transe de resiliência. Penso em pular, mas aí me vem a lembrança, o dia em que eu e meu irmão, numa infância distante, nos jogamos de cima de uma bicicleta sem freio, numa ladeira da nossa aldeia e acabamos sendo trucidados pelo chão. Enfio o tênis na roda traseira, mas o solado do maldito é daqueles tênis de atletismo e o atrito não resolve porra nenhuma. Mesmo assim, continuo tentando e quando vejo que o terreno se arrefeceu um pouco, boto os pés no chão e ao encontrar um amontoado de areia, pulo, como quem pula de um caminhão desgovernado, mas sem soltar as mão da bicicleta. Fico no cai, mas não cai, danço conforme a ondulação do terreno, até que quando me vejo estabilizado, largo mão daquela merda e me esparramo na areia molhada, enquanto o veículo do satanás, de duas rodas, segue seu caminho até se deter mais à frente. Eu não sou mais ninguém, o ciclista animado da manhã, agora parece um ser que não consegue se sustentar sobre as próprias pernas , estou acabado, a vontade é sentar e chorar.
Agora a coisa ficou feia de vez. Até então, a minha capacidade de pedalar já não existia mais , só que agora, sem nada de freios, eu não conseguia nem descer as ladeiras montado, porque naquela escuridão avassaladora, não conseguia ver nada , saber se a ladeira era perigosa ou não. Então, eu subia empurrado e descia empurrando, enquanto a chuva fria castigava nossa cacunda. E nem quando o Thiaguinho me chamou a atenção para as luses da cidade, que se apresentou à nossa frente , eu me animei. Mas eu continuei, cabeça baixa , moral abaixo do volume morto . As cãibras surgirem , era algo inevitavel , a cada 15 ou 20 minutos, lá estava eu, jogado ao chão, com os musculos enriquecidos, dores tão fortes quanto a minha vergonha diante da situação.
Só quando passamos enfrente aos campings , foi que me dei conta que estavamos perto do asfalto e quando lá chegamos, minha vontade era de jogar a bicicleta fora , porque eu já não tinha mais forças nem pra pedalar no terreno plano e firme, por isso empurrei na maior parte do tempo, até que quase NOVE da noite, desembocamos em definitivo na PRAÇA CENTAL de Ipeúna, quase 13 horas de pedaladas e então , nos sentamos à frente da barraca de lanches e quando o sanduiche de costela atingiu a minha corrente sanguinia , uma lagrima escapou dos meus olhos.
Quando o Thiaguinho lançou o convite, pensei em recusar, eu estava fisicamente destruído por atividades ligadas a outros esportes tradicionais. Mas achei que seria deselegante deixá-lo na mão, já que era uma promessa antiga , que eu vinha adiando, mesmo assim , deixei bem claro que só iria com o intuito de fazer um belo passeio, apenas pra mostrar parte da região pra ele. O problema, é que a maldita palavra "passeio" jamais fez parte do nosso vocabulário, quando a gente inventa algo, será sempre acima da nossa capacidade de bom senso. O suposto passeio, se tornou numa jornada de quase 13 horas , um epopéia de achados e perdidos , que misturou montain bike com exploração de cavernas, mergulho em lagoas, descida à cânions, banho de cachoeira, pedaladas em trilhas e pastos sem caminhos . Saímos em busca de uma jornada tranquila, voltamos destruídos pela aventuda que encontramos pelo caminho.
....
Olá pessoal!
Bom, em Dezembro/2011 – Janeiro/2012, passei 20 dias viajando por esses dois incríveis países. Fiquei muito tempo pesquisando sobre o Peru e a Bolívia e achei que nada mais justo do que tentar de alguma forma contribuir com vcs. Já que o mochileiros foi fundamental para a realização desta viagem. Então, vamos ao que interessa... Em alguns momento vou penas colocar algumas dica, em outros farei um relato mais detalhado....
MATERIAL DE HIGIENE
Leve TODO o seu material de higiene nesta viagem. Não deixe pra comprar absolutamente nada do quesito higiene no Peru ou Bolívia. Para vcs terem uma ideia, paguei o equivalente a R$ 35,00 num pacote de absorvente Always. Tanto na Bolívia, quanto no Peru os artigos de higiene são bem mais caros do que no Brasil, isso já fazendo a conversão da moeda. Imagina pra quem mora lá?!Leve do Brasil pelo menos dois rolos de papel higiênico. Isso é muito sério! Na Bolívia, 60% dos lugares não terão este “luxo”, então leve na sua mala.
No Peru é bem mais tranquilo, mas na Bolívia... Para vcs terem uma ideia, na Bolívia, dependendo do local onde vc for, o papel higiênico é daquele rosa e sem picote. Quem tem mais de 30 anos vai saber do que estou falando, rss. Leve sempre com vc aonde vc for, pelo menos um pouco de papel higiênico no bolso. Não sei se é a altitude, água, ou comida, mas sempre nos hostels (depois de um certo entrosamento e conversa), percebi que muitas pessoas assim como eu, passaram por muitas diarreias. E acontece das vezes, quando vc chega no banheiro nas últimas, não tem papel (isso aconteceu comigo em La Paz, kkkkkkkkk).
PASSEIOS VALE DE LA LUNA E CHACALTAYA
Se vcs forem fazer esse passeio, podem ir preparados pra pegar temperaturas loucas. Normalmente as agências combinam os dois passeios. Isso é bom por um lado e ruim por outro. O lado bom é pq realmente dá pra fazer os dois passeios em um único dia, otimizando o tempo. Mas o ponto negativo é a temperatura. Primeiro vc vai pro Chacaltaya (neve) e depois pro Vale de la Luna, terrivelmente quente! Como não sabia e ninguém me avisou, não fui preparada. Só tinha levado roupa de frio... pro Chacaltaya foi perfeito. Meia calça, roupa impermeável, botinhas impermeáveis... Mas qd vc chega no segundo passeio.... Um calor fora na normalidade humana. Eu me ferrei pq estava vestindo somente uma segunda pele, por baixo dos dois casacos. Na verdade tinha uma blusa mas ela caiu na neve derretida, com isso, não podia ficar só de segunda pele. Então não preciso nem dizer que passei muito mal em função do calor. Dica: vá vestido como uma cebola, com camadas de roupas. Sabendo que de manhã vc pegará MUITO FRIO (no dia em que fui, estava nevando) e que a tarde fará MUITO CALOR, mas calor mesmo de uns 35 graus ou mais... Ahh muito importante. A caminho do Chacaltaya o motorista para em um comércio pro pessoal poder comprar salgadinhos ou bebidas. COMPREM E LEVEM CONSIGO ALGO PRA BEBER. Qd estava subindo o Chacaltaya quase morri, rss. Um cansaço muito grande, boca muito seca mesmo. Se não tivesse levado uma garrafinha de suco não teria conseguido... É muito cansativo, mas qd vc chega lá em cima vê que valeu muito a pena todo o cansaço...
CABELO E CUIDADO COM A PELE
Levem algum produto muito bom para o cabelo e para a pele. A água de lá (Bol/Peru) é lotada de cloro. Com isso, a pele falta rachar e o cabelo fica duro que nem Bombril, rss. Mulherada: levem ampolas de regeneração instantânea. Tipo Elseve, Dove, reparação profunda em 5 min... Qd vcs voltarem de lá, com certeza irão me agradecer. Qd vc toma banho, vc sente o cheiro do cloro na água. É tenso!!!
ROUPA DE FRIO
Não levem uma mochila lotada de roupas... Vc não usará todas e somente terá de percorrer uma das mais altas cidades do mundo com uma mochila pesada e agravando ainda mais a questão da altitude.
Quando vc viaja pra um lugar que faz frio, vc tem de levar um casaco realmente pro frio (temperaturas baixíssimas) e um casaco que te esquente.
Geralmente casacos pro frio são pesados. Dependendo do tamanho da mochila, vc não consegue levar dois. Assuma a situação: vc vai sair com a mesma cara em todas as fotos, rss. Mas faça isso de uma maneira diferente. Leve gorros coloridos, cachecóis que destaquem... Ou seja, tente disfarçar pra não sair com a mesma roupa em todas as fotos.
NATIVOS
De cara saberão que vc é turista. É como um brasileiro viajar pro Japão. Todos tem as mesmas carinhas. Claro que cada um com as suas particularidades, mas todos tem os traços indígenas. Então não vá na ilusão de passar por um boliviano ou peruano. Preste atenção, ele veem os turistas como máquinas de fazer dinheiro.
AMIGOS DE VIAGEM
Mais cedo ou mais tarde, vc vai acabar reencontrados várias pessoas ao longo do trajeto. A porta de entrada dos brasileiros à Bolívia é por Campo Grande, seguindo de Trem da Morte, ou por Santa Cruz. Sendo assim, quem chegar por uma dessas opções depois vai seguir pra La Paz, Copacabana, Isla Del Sol, Puno, Cuzco... Ou seja, vc sempre vai ter a opção de seguir a viagem – caso queira – acompanhado. O mais bacana, é que no final da viagem já está todo mundo falando na rua ou nos passeio: - Oi! Vc novamente, rsss. É muito engraçado. Isso é fato! Vc mais cedo ou mais tarde encontrará alguém no trajeto.... Assim, vc só ficará sozinho se quiser.
ANO NOVO
Passei o ano novo em Cuzco. De todas as cidades que eu fui, foi de longe a que eu mais gostei. Cuzco ferve 7 dias por semana. Pra quem gosta de noitadas irá ao lugar certo. Na Plaza de las Armas vc é quase arrastado a entrar nas “boliches”. É muito engraçado, não tem como não rir. Eles ali brigando pra vc entrar de graça e ainda pra ganhar um drink na faixa! Os caras ficam nas entradas dando cortesia com o primeiro drink grátis. Faça valer os seus direitos! Diga que só vai entrar se tiver o drink, eles te dão o papel na hora!!! È que tem alguns espertinhos que dão a entrada mas não querem dar a bebida... Bom, voltando ao assunto ano novo. Passei a virada em Cuzco no Mama Africa. Pra dizer a verdade, não gostei muito de lá. Tem um povinho feio......
Agora, eu ia sempre na Mitology que fica ao lado do Mama. Tem umas 4 boliches uma do lado da outra. Mas a Mitology.....Essa sim era muito bacana. Bem mais animada, pessoas bonitas, pessoas mais simpáticas. A Mama Africa é meio povão. Pois bem, sem perder o foco, rsss. Paguei 70 soles no ano novo no Mama Africa. E posso dizer que não gostei nada! Todos os dias a entrada é sempre free, mas como era ano novo, tive de pagar... Se vc estiver sozinho, tem muitos hosteles que fazem uma festa/ceia de ano novo. Vc paga, como e bebe. Paguei 30 soles por esse serviço. Retomando ao assunto, em Cuzco as pessoas ficam na Plaza das Armas, aguardam a virada e dão várias voltas na praça.
È muito engraçado. Por exemplo, em cidades de praia no ano novo as pessoas não pulam ondas? Em Cuzco as pessoas comemoram dando volta na praça. Ahhh E ele soltam muitas bombinhas. Mas não é do tipo estalinho, é uma bombinha mais profissional. E ele nem te ligam, jogam no seu pé vc querendo ou não. Ficava morrendo de medo de sei lá, de queimarem o meu pé. Achei isso um tanto quanto perigoso com relação as crianças. Mas sei lá, cada um comemora do forma como quer e pode. Bom, voltado novamente. Estou escrevendo tudo isso pra dizer que se pudesse, passaria o ano novo na Isla de sol. Lá é um lugar muito mágico e contam que no ano novo rola uma festa eletrônica bem bacana por lá. Depois de ter conhecido Cuzco e La Isla, se pudesse escolher, não escolheria passar o ano novo em Cuzco.
BEBIDAS
Pros cachaceiros de plantão: as cervejas são vendidas em temperatura ambiente. Ou melhor, tudo é servido em temperatura ambiente. Sucos, refris, cervejas. Se vc for na esperança de beber cerveja gelada se esqueça.
BARGANHA
No meu primeiro dia em Cuzco, tive a proeza de pagar 42 soles por uma corrida de táxi. Bom, pra quem mora em Brasília, chega num primeiro dia em uma cidade diferente e não está acostumada, essas coisas acontecem mesmo. Tinha chegado da Bolívia, não tinha muita moeda local e tb não tinha ideia do custo naquela cidade. Caí na proeza de dizer isso ao taxista e tb de dizer que só tinha 42 soles. Ele muito amigavelmente falou: não tem problema, eu fecho a corrida por 42 soles. Eu fiquei toda feliz, afinal, não teria de caminhar pq estava casada da viagem, da altitude e ainda tinha conseguido um táxi por SÓ 42 soles... Para minha surpresa, no mesmo dia descubro que a média de táxi em Cuzco é de 2, 3 ou soles. A partir de 5 soles é quando o local é de fato muito longe. Ou seja, fui literalmente roubada. Nos dias seguintes, sempre negociava e pagava no máximo 2 ou 2,5 soles em uma corrida.
ALTITUDE
Vou contar uma história pra vcs. Jamais poderia entender o que é de fato o mal da altitude sem antes te conhecido o Peru e a Bolívia. Quando vc chegar, já compre logo Soroche Phils e Grabol. O Soroche é para dor de cabeça e para não passar mal e o Grabol pra enjoos (o Grabol foi indicação de um taxista boliviano) . Eu cheguei e já comprei os meus. Graças ao meu bom pai não passei mal nenhum único dia. No dia em que fui no Chacaltaya, tinha muita gente passando mal, vomitando na neve, rss.
O mais engraçado de lembrar é que no meu último dia de viagem (20 dias ao todo), quando estava voltado na minha última noitada em Cuzco caminhava e parava pra poder respirar. Quando eu lia os relatos não acreditva, achava exagero. Mas é a mais pura verdade. Escadas em La Paz?! Vc sobe 4 degraus e para pq do contrário vc não consegue. Me sentia uma velhinha de 100 anos. Tb tomem e masquem a folha de coca. Só não comprem a bala pq o sabor não é nada palatável!
COMPRAS
Vá com a mochila vazia se vc for passar em La Paz. As roupas técnicas e de frio são muito baratas. O melhor lugar pra se comprar em La Paz é na Calle Sagarnaga. Lá tem de tudo e pra todos os bolsos. Pode saber que lá vc vai comprar tudo pagando no mínimo 1/3 do valor que pagaria aqui no Brasil. Mas cuidado, tem muita coisa falsificada também. Vale pena dar uma ida ao shopping aqui no Brasil ou lá mesmo pra vc poder o que é e o que não é fake. As roupas de alpaca tem em todas as ruas, e são muito baratas. La Paz é o melhor lugar pra se comprar presentes, tem muita opção . Qd for comprar roupa técnica leve dinheiro. Com o dinheiro ele dão mais descontos. E peça brindes, chore mesmo. Pode ter certeza que vc barganhando vai economizar no mínimo uns 20% do valor. Fale que é brasileiro, final de viagem, que quer comprar mas está com pouco dinheiro. Sempre dá certo. Essa dica vale não somente em La Paz, mas em toda Bolívia e Peru.
DICA: CIRURGIA PLÁSTICA
Quando cheguei em Santa Cruz, (estava hospedada na Calle Sarah, perto da praça principal, que por sinal é uma área hospitalar). Na verdade estava hospedada no hotel que tem o mesmo nome da rua. Cheguei no hotel por indicação de um taxista. Recomendo o hotel Sarah pra quem busca um preço justo e não visa luxo. O quarto é limpo, banheiro privativo e os funcionários são bem receptivos. Bom, voltando ao assunto, reparei um número alto de mulheres enfaixadas e sempre me perguntavam quando ia me operar. Inclusive, qd cheguei no aeroporto de Santa Cruz conheci um grupo de brasileiras que tinham ido fazer cirurgias plásticas e estavam de volta pro Brasil.
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Tanto é verdade, que quando no aeroporto o taxista me perguntou do que eu iria operar, rss. Somente dias depois fui descobrir que com R$4.000,00 (reais, ok?!) Vc coloca silicone em Santa Cruz. Pelo o que entendi, a cidade é referência e cirurgia plástica na Bolívia e a conversão da moeda, faz com que a mulherada vá em peso para se operar. Bom, fica a dica...
BUZINAÇO
O pior trânsito que já vi na minha vida foi em Santa Cruz de La Sierra. Moro em Brasília, diferente da grande maioria das outras cidades brasileiras, aqui não se usa a buzina. Mas meus conceitos mudaram quando conheci Santa Cruz. Todo mudo buzina: carros, motos. O carro anda, buzina. Para, buzina. Ultrapassa, buzina. É hilário no início, mas depois vai ficando desesperador. Em Santa Cruz vi a cena mais bizarra da minha vida. Estava na frente do hotel, vendo o tempo passar e esperando brisa, pq Santa Cruz é a sucursal do inferno no item calor, qd me deparo com uma bicicleta vendendo comida. Gente, foi muito engraçado, do nada a bicicleta começou a buzinar. Tipo tunaram a buzina da bicicleta, rss. Cara, não me contive, tive uma crise de risos qd vi a bicicletinha querendo reclamar o seu espaço junto a rua. Kkkkkkkkkkkkkkk
Coisas de Bolívia.....
DESLOCAMENTE ENTRE/CIDADES E PAÍSES
Sempre leve blusa de frio. Qd comprar uma passagem rodoviária, não precisa nem perguntar se o bus tem calefação. Perguntei isso em todos os buses. E todos me falaram que sim, mas qd chegava a noite, faltava congelar de frio. Se vc for passar perto da cordilheira vá, muito, mas muito agasalhado que é frio mesmo! Aquele frio que dói o osso. Outra coisa muito importante, em trajetos longos na Bolívia, tente não beber muitos líquidos. É tudo muito sujo. Sem preconceito, o país é de uma beleza incrível, mas as pessoas não tem a mínima noção de higiene.
Se vc compra uma passagem no bus cama, NUNCA compre no primeiro andar, perto do banheiro. Eu comprei a poltrona cama pensando que teria mais conforto, mas me enganei! O povo vai o tempo inteiro durante a noite ao banheiro. Sem contar que fica um fedor infernal. Eu estava no corredor tentando relaxar mas não tinha como. As cholas ficavam o tempo inteiro indo ao banheiro. Sem contar que elas usam dúzias de saias, assim como as baianas em Salvador. Agora vc imagina a saia de uma baiana dentro de uma banheiro todo mijado. As anáguas arrastando no mijo o tempo todo?! Pronto, era o que eu precisava pra não dormir mais e ficar atenta a viagem inteira, rss.
COMPRANDO GATO POR LEBRE
Nos dois países vc terá de pagar tudo adiantado, todos os passeios. Vc não paga nada na hora. Com isso, tente contratar agências que tenham lojas físicas. Pq se algo der errado, vc depois pode ira lá e reclamar. Outra, se vc tiver problemas, diga que vai fazer uma denúncia a Delegacia do Turista. Quando viajei da Bolívia a Cuzco, dentro do ônibus um rapaz ofereceu hospedagem com café a DUAS QUADRAS da Plaza de las Armas, num hotel 3 estrelas. Não se esqueça dessa oração: DUAS QUADRAS da Plaza de las Armas e 3 estrelas. O preço era U$D 50,00. Como não tinha nada reservado, e era dia 31/12 pela manhã, acabei aceitando. No valor estava incluso Tb o transfer. Tinha que pagar U$S 20,00 adiantado e o restante no check-in. Ahh isso tenho que contar, rss. Havia ficado acordado que quando eu chegasse em Cuzco haveria uma pessoas me esperando, mas isso não aconteceu.
Por sorte, tinha uns números no recibo do hotel e saí em busca de um orelhão pra poder fazer a ligação. Eram o3h da manhã, estava sozinha.. Mais do que rapidamente peguei umas moedas e comecei a minha saga. Não entendia como era pra fazer uma ligação, e as pessoas nem fizeram questão de me ajudar. E olha que os bolivianos/peruanos são bem solícitos. Não sei se foi má sorte, mas depois de ter perdido uns 8 soles (pq o orelhão estava comendo as minhas moedas), consegui ligar. Agora imagina a cena: vc já tentou falar em outro idioma nervoso?? Eu falo muito bem espanhol, mas depois de tantas horas de viagem, tanto estress não consegui formar uma frase direta. Só me lembro de ter dito: venha me buscar ou vou fazer uma denúncia a Delegacia do Turista..
Chegando perto da praça, encontrei uma cafeteria conde comi o melhor ovo mexido da minha vida. Ainda me lembro do sabor.. Ham, ham, ham.. Depois de passar fome na Bolívia, poder comer no Peru um ovo mexido era a melhor coisa do mundo. Dei uma volta e me supreendi com a Plaza, muito bonita e muitíssimo bem cuidada. Uma gracinha.. Fiquei ali um tempo aproveitando o momento pois sabia que teria de resolver problemas qd voltasse ao hotel a DUAS QUADRAS da Plaza de las Armas, 3 estrelas que ironicamente ficava numa favela, rss. Cheguei lá conversei e mostrei o recibo com as 3 estrelinhas impressas no papel, rss. Falei que era um absurdo e que não ia pagar pq já estava indo embora.
Não ia pagar por só tinha tomado banho, sequer tinha desarrumado a cama e que não tinha ficado nem duas horas (tempo para caminhar e tomar café).
A moça falou que alguém tinha de pagar e eu disse que não seria eu, pq já tinha pago uma parte e na verdade eles teriam era que devolver os U$D 20,00. Por fim a moça aceitou, disse que ia pagar do bolso dela e que eu podia ir embora sem pagar os 30 dólares restantes. Mas aí veio uma dor na consciência, sabe?! U$D 30,00 não faria falta pra mim, mas pra eles é muito dinheiro. Ohh povo sofrido, vc vê no olhar sabe?! Dá uma dó.. Mas na hora de fazer um cambalacho.... Por fim, falei que estava pagando pq diferente deles eu tinha palavra e era uma pessoa honrada. Peguei minha mochila e segui viagem.
VACINA FEBRE AMARELA
Tomei a vacina, terei o meu certificado internacional de vacinação (aqui em Brasília vc tira no posto da ANVISA no aeroporto) e não pediram em nenhum momento. Mas acho importante vc tomar. Não no caso de vc contaminar alguém, mas sim, o contrário....
MOCHILA
Nunca ponha a mochila cargueira no porta-malas pra depois entrar em um táxi ou algo assim. Principalmente se vc estiver sozinha. São vários os relatos de pessoas que colocam a mochila e o taxista simplesmente acelera e baú, baú tudo... Fique sempre atento. Tenha em mente que vc está em países pobres e que espertinhos tem em qq parte do mundo.
PERIGOS
Tudo de bacana e diferente que aconteceu comigo, ocorreu em Cuzco. Pessoal, agora é muito sério, vou relatar o que aconteceu comigo e a tentativa que sofri de assalto.
Estava caminhando em Cuzco – como de costume – e fui abordada por um grupo de umas 8 crianças. Eles fica te tocando, rindo e vc ali, encantado de ver aquelas criancinhas de 4 a 7 anos lindas, moreninhas, com a bochecha vermelhinha do frio, enfim... Fui rodeada por um grupo dessas crianças. A princípio, elas te tocam, falam rápido de uma forma que vc não entende e ficam nisso. O que vc não sabe, é que enquanto tem uns 6 meninos falando e estão te tocando, vem um que fica menos visado e tenta roubar o que vc tem de valor. E só não levaram pq eu sempre amarro a alça da câmera no viés da calça jeans (onde a gente passa o cinto). Só não levaram pq qd tiraram, a câmera caiu e bateu na minha coxa.
Qd percebi que ia ser assaltada, gritei pra que se afastassem e pra minha surpresa, uma criança que não devia nem ter 5 anos gritou: hija de puta! E saíram todos correndo. Se eles tivessem pego a câmera, já era. Pq em Cuszco vc não consegue nem andar direito por conta da altitude, imagine ter de correr atrás de um grupo de crianças. Realmente não ia alcançá-los nunca. Pense em tudo isso! Vou dar outro exemplo.. Qd cheguei na Isla de Sol novamente não consegui caminhar. Quer dizer, vc caminhar 10 mt e para. Como estava com a mochila cargueira, resolvi contratar um garoto pra carregar. A subida é muito íngreme, tentei, mas não consegui.
Consegui chegar no topo do Chacaltaya, mas não consegui chegar no cumbre da Isla. Quer dizer, depois de muito tempo, que já tinha descansado e comido, consegui. Mas qd cheguei a ilha mal podia andar. Vc puxa o ar e nada. O coração acelera.. Qd acontecia isso, sempre sentava no chão pra descansar...Pois então, imagina se o menino resolve correr com a mochila? Tente da melhor forma possível pensar em tudo isso pra que a sua viagem ocorra de forma bem tranquila.
UM P... PRA CHAMAR DE SEU
Não disse que tudo acontece em Cuzco? Bom, já falei que amei Cuzco? Que viveria pra lá pra sempre?
Então, de certo viram que eu gostei logo de cara da cidade de me presentearam com um relações públicas, um diplomata, um marechal. Kkkkkkkkkkkkk. Já explico, no meu primeiro dia em Cuzco estava procurando um lugar pra comer, qd um homem passa a minha frente, tira o pinto e começa a mijar ali, bem na minha frente. E ele não era mendigo, não estava bêbado, não estava querendo aliciar/sensualizar, nem nada.. Simplesmente tirou o pinto e começou a fazer xixi. Kkkkkkkkkkk. Creio em Deis pai! Na dúvida, apressei o passo e deixei o voyeur pra trás....
ALIMENTAÇÃO
Passei muita fome na Bolívia. Em Santa Cruz comi somente um dia. E em La Paz mais um outro dia. Todos os outros dias eu vivia de produtos industrializados. Sou uma mochileira nata. Não tenho o menor problema com nada. Mas sou bem chata com relação a limpeza. Limpeza com relação ao um restaurante pra poder comer, com relação a um hotel pra eu poder dormir, em uma lanchonete pra poder tomar um suco. Sou bem econômica mas nessas horas não tem como ser! Tenho de prezar pela minha saúde e integridade. De que adianta gastar pouco e perder a viagem, ou parte dela por conta de uma infecção alimentar. Qd cheguei a Cuzco todos meus problemas alimentares acabaram. A comida cusquenha é uma delícia. Arroz com alho, comida tepemradinha... Comi uma arroz na Bolivia que foi cozido somente na água. Sem sal sem nada. Mas então, em Cuzco comi muito bem. Tem muita opção! Mas o carro chefe são os pollos e as papas. Mas tem de tudo e pra todos os gostos, uma perdição...
SAÚDE
Conforme relatado acima, me privei de comer em certas ocasiões pra não correr o risco de passar mal durante a viagem. No hostel, qd formava a roda da brasileirada um dos assuntos que dominava era a diarreia e o cabelo que ficava duro com o passar dos dias, rss. No hostel onde estava, uma colombiana comeu um espetinho e passou dois dias acamada gemendo e chorando. Depois, foi um americano que estava no quarto ao lado. Eu estava no banheiro misto do hostel quando de repente uma pessoa entra correndo no box e começa a vomitar.
Bati na porta do banheiro e perguntei se estava tudo bem qd percebi era um americano do quarto ao lado faltando colocar as tripas pra fora. Isso pra vcs verem que não é coisa de mulher, nem nada. Gente, esse rapaz ficou muito mal. Ele não conseguia nem andar. Nisso fui correndo na cozinha e preparei um soro caseiro. Ele reclamou do sabor, mas acabou bebendo pq disse que ele tinha de se reidratar. No dia seguinte eu fui lá ver se ele estava bem e os outros dois amigos estavam cuidado dele. Ele tinha tido febre forte e teriam de ir a agência pra marcar uma nova data para ir a MP. Era de dar dó gente. Era deplorável a situação dos dois..
OBRIGADA, SUBMARINO VIAGEM
Minha passagem Santa Cruz – Brasília estava marcada para uma segunda-feira (coincidentemente um dia depois que terminavam as minhas férias) hushsauhsuasuahusa. Mas em função dos horários dos buses e horário da abertura da fronteira, teria de ir embora na sexta a noite. Como assim? Repete novamente.. Isso mesmo, teria de abrir mão do meu último final de semana em função do horário da abertura da fronteira. Fica da dica: fique atento a isso. Sempre verifique essas informações. Eu não sabia que fronteira fechava. Mas na Bolívia, ela fecha. Tentei comprar a passagem rodoviária para poder passar pelo menos a sexta em Cuzco. Imagina, ter de ir embora mais cedo por conta de horário de bus e fronteira. Minha investidura foi mal sucedida na agência de turismo do hostel e com isso fui diretamente ao terminal Rodv. de Cuzco. Lá comprovei que era exatamente como a moça da agência tinha falado para estar em Santa Cruz segunda, teria de sair na sexta a noite. De todo modo, paguei 80 soles na passagem rodv. Cuzco – La Paz, saindo naquele mesmo dia. Peguei um táxi e voltei pro hostel. Daí pensei: porra, qd vou voltar aqui novamente??? Quer saber, vou comprar uma passagem de avião e vou curtir o meu último final de semana.
Entrei no site da Aerosur, (ainda não tinha falido) e encontrei uma passagem por U$D 370,00. Achei o preço salgadinho, pq já tinha gasto a passagem rodoviária, pq estava em fim de viagem e pq do contrário sobraria pouco pra comprar meus Victoria’s Secrets no free shop. Simulei a compra, mas qd fui finalizar nada. Fui perguntar pro pessoal do staff do hostel e ele me falou que outros brasileiros tem o mesmo problema. Mas que isso era fácil de resolver. Eu só tinha de esperar o dia seguinte e ir na empresa pessoalmente comprar a passagem. Fiquei pensando: é nessas horas a gente ainda reclama do nosso Brasil. Mas tipo, eu já tinha garantida a passagem de bus. Mas não podia ficar sem uma outra garantia. Quer dizer, eu precisa comprar a passagem de avião e ter a certeza. Daí entrei no site submarino e tentei comprar a passagem novamente. Deu transação não aceita. Por fim, já estava revoltada e tinha terminado de socar o restante das roupas dentro da mochila. Nossa, estava irada! Tinha feito amizade com um grupo de BH e de VIX e era Tb o último final de semana deles em Cuzco. E todo mundo colocando pilha: borá curtir, borá curtir. Mas não tinha como. A outra opção de voo era pela Lan mas estava U$D 1100,00 (acho que era por conta da proximidade, por isso o valor estava tão caro).
Qd já tinha terminado de arrumar a mochila, me despedir pensei: vou entrar no meu e-mail pra dar notícias pro povo de lá de casa. Qd abro o e-mail estava o voucher da Aerosur. Na verdade, tentei duas vezes comprar a passagem. Nas duas deu negado (mas tinha limite no cartão), mas pra minha alegria a segunda compra tinha sido bem sucedida. E agora? Em quem acreditava? No site que disse compra recusada ou no voucher. Tentei ligar na central do cartão no Brasil, mas pelo horário e com o fuso, a central estava fechada. Fiquei pensando: e se der treta e se não der certo? Mas no final acabei ficando a sexta mais o sábado. Fui embora domingo ás 06h. Na hora de fazer o chenk-in fui rezando. Sei lá, fiquei com medo sabe? É que eu sou muito certinha com as minhas coisas. Mas deu tudo certo. Depois de aguardar um atraso de mais de 2h o voo partindo de Cuzco (com escala em La Paz), aterrizou e Santa Cruz, onde começaria o tormento da viagem....
DICA
Ahh na Bolívia é proibido levar doces/biscoitos na bagagem de mão. Tinha comprado vários torrones e vários doces. Mas ele ficaram todos retidos. Outra coisa, doce é muito barato na Bolívia. Compre bastante, despache na mochila e traga como souvenir para amigos.
As marcas na grande maioria das vezes é a mesma, mas os sabres são diferenciados. Por exemplo, trouxe halls de sabores diferentes. Chicletes de frutas típicas. Acho isso bem legal, além de ser uma lembrancinha barata. O kit Kat Tb tinha um preço imbatível. Bom sem rodeios vou falar do único incidente de toda viagem>>>>>
SALMONELLA
Na conexão de La Paz e Santa Cruz saímos pra darmos uma volta. O voo pra Santa Cruz ainda demoraria umas 3 horas... Digo descemos pq no aeroporto conheci 3 brasileiros e uma brasileiras. O casal ficaria em La Paz e eu e o outro brasileiro seguiríamos para nossa casas. Estava todo mundo morrendo de fome. O voo era ás 06h, mas como teve o atraso chegamos em La Paz perto da hora do almoço. Resolvemos comer numa famosa rede de lanchonetes/restaurantes. Pedi um strogonff com legumes no vapor. A comida estava uma delícia. Dali uns 30 de terminado o almoço comecei a sentir um certo desconforto. Estava no hotel dos brasileiros que iam ficar em La Paz.
Fui pra lá pra guardar a mochila pra não ter de ficar levando pra cima e pra baixo enquanto almoçava... Na volta do almoço, já não me aguentava de dores e resolvi pedir pra usar o banheiro. Como não estava hospedada, tinha de usar o banheiro dos funcionários... Qd cheguei no banheiro, vi que não tinha papel. Foi nessa hora que veio o desespero. Kkkkkkkkkkk. Fui lá no carinha e falei que era muito séria a situação e que precisava de papel pq do contrário iria acontecer uma catástrofe naquele banheiro. Agora vc imagina a situação?! Pq qd vc está com dor de barriga, qt mais perto do banheiro vc chega, mais a vontade aperta. Imagina vc ter de voltar e ainda conversar..
Quando cheguei em Guarulhos entreguei a alma, pq o corpo já tava encomendado. Kkkkkkkkkkkkk. Estava tão mal que as pessoas vinham perguntar se estava tudo bem, se podiam ajudar. Conversei com uma brasileira muito simpática que me deu um Imusec, mas nada surtia efeito. Ainda não sabia da gravidade da situação... Qd finalmente desembarquei em Brasília, cheguei em casa carregada. Não tinha forçar nas pernas. Defecava água e vomitava bílis. Fui direto ao médico. Lá fui diagnosticada com Salmonella e a minha resistência estava tão baixa, que de bônus peguei conjuntivite. Pronto, tava a merda feita, literalmente. Kkkkkkkkkkkkkkkkkkk. A minha ideia era sair do aeroporto e seguir direto pro trabalho com mochila e tudo na segunda. Mas nem rolou.. Depois que cheguei em Brasília fiquei 2 dias totalmente acamada. Com febrão e uma dor, uma dor fora da normalidade. A médica até pensou que fosse apendicite, mas era danada da Salmonella.
Resumindo a história perdi 4 kg em 5 dias. Quase um kilo por dia, não sabia que isso era possível, perder tanto peso assim tão rápido. Fiquei muito, mas muito debilitada. Nem ligava pela conjuntivite... Finalmente depois de 5 dias eu comecei a ter os primeiros sinais de melhora. Já conseguia comer algumas sopas e caldos, tomar sucos. Mas isso bem cautelosamente. Parecia uma trapo humano. Realmente já tinha ouvido falar, mas desconhecia e sequer podia imaginar que fosse acontecer comigo. A gente sempre se ilude pensando que tudo pode acontecer com o próximo, menos com a gente... E aqui fica o meu alerta!!!
No mais, posso dizer que fiquei encantada pela Bolívia. Ela tem as peculiaridades, mas tem belezas naturais fora no normal. Pessoas atenciosas, algumas com o sofrimento estampado na cara, mas assim como nós brasileiros não desistimos nunca!
O Peru apesar de estar ao lado é beeeeeeeeeeeem mais estruturado e preparado pra receber os seus turistas. O mais engraçado é que vc vê isso na fronteira mesmo. Enquanto que no Peru é mais organizado, rápido. Na Bolívia tá mais pro bolo doido, rss. A Bolívia é tipo o primo pobre.
No Peru, em função de ter um número muito grande de turistas, todos tentam o tempo inteiro te fazer de idiota e tirar proveito. Eu acho que tem que ser que nem o BB: bom pra todos! Sem ninguém enganar ninguém. Claro que o turista precisa pagar por uma prestação de serviço, mas daí a querer enganar assim na cara dura eu já acho um desrespeito.
Sempre fiquei muito receio de viajar sozinha por esses dois países, em função do que as pessoas falavam. Sempre diziam: É muito perigoso, tem a questão da violência, das drogas... Claro que vc tem de estar atenta o tempo inteiro, mas nada muito diferente dos grandes centros urbanos. Agora vou dizer uma coisa, as rodoviárias eu achei bem esquisitas. Principalmente a noite! Achei os terminais bem esquisitos, dos dois países. Sempre tente, da melhor forma possível, ir acompanhada as rodoviárias. No mais, é só ter a preocupação que vc tem nas grandes cidades brasileiras...
Outra coisa: nunca aceite levar nada para ninguém. Em um determinado trajeto da viagem uma moça pediu pra eu levar uma caixa pra ela. E olha que a gente vê direto em TV, noticiário, que não deve levar.. Mas na hora, vc nem lembra. Qd acordei de madrugada, a caixa tinha sumido e a mulher também. Imagina se ali tem drogas e entra uma fiscalização. Até eu explicar que foucinho de porco não é tomada...
Em 20 dias percorri: SANTA CRUZ, LA PAZ, COPACABANA, ISLA DE SOL, PUNO e CUSCO e claro, MP. Fora as passagens, gastei uns 1600,00. Nesse valor estão incluídos passeios, alimentação, buses, presentes, tudo, tudo.
Em janeiro a melhor cotação foi em Santa Cruz. Um real por 3.43. Tem uma rua na Plaza de las Armas onde ficam vários doleiros. Só tenha cuidado pra não pegar notas falsas. Em Cuzco tem uma rua perto da Plaza de las Armas tb que só tem casa de câmbio. São umas 10. Uma do lado da outra. Vc entra em todas e pergunta a cotação e vai na que tiver um preço mais competitivo.
Se precisarem de ajuda com relação a algo. Ou se tiver dúvidas estou á disposição. Só não perguntem valores nem preços de passagens que isso aí eu não lembro mesmo. Kkkkkkkkkk. Só posso dizer que é muito barato viajar no Peru. Na Bolívia? Me sentia uma rainha, me sentia rica pela primeira vez na vida, rss.
Aproveitem, deixem o preconceito de lado e conheçam esses dois países MARAVILHOSOS!!!
Bjs,
Vania
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