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Uma viagem de 6 meses: relato da Turquia


engand.andre

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Pessoal, essa é a continuação da viagem da Grécia, postada aqui: uma-viagem-de-6-meses-relato-da-grecia-t76800.html

 

Mudei o tópico pois sai da Europa e entrei na Ásia.

 

Reitero que não consigo postar fotos aqui. Faço apenas uma colagem do texto do meu blog (abaixo de minha assinatura) e retiro as legendas e reformato o texto. Perdoe-me alguma falha. Os links do texto original também não são copiados e para mim, que estou no meio da viagem, ficaria inviável de recolocar todos.

 

Abraços!

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Dia 15 - Bodrum, Turquia

 

A viagem de barco para Bodrum demorou pouco mais de uma hora e proporcionou um lindo espetáculo de um “quase” pôr-do-sol, interrompido por uma elevação no relevo próximo a chegada em Bodrum. Antes de começar a falar sobre a cidade, uma informação ao futuro viajante sobre as travessias de ferry da Grécia para Turquia: cuidado com os preços de agências de viagem. Eu comprei o meu antecipadamente, por motivos que relatei aqui, e paguei pela suposta segurança o valor de 126 euros para as três travessias. Achei razoável, visto que pagaria cerca de 100 euros pelo vôo low-cost Atenas-Istambul. Porém, os preços reais são bem menores. Perguntei o valor do ticket em cada viagem e o total deu 84 euros. Uma diferença que não é só comissão, e sim espoliação. Essa mesma agência queria me vender as passagens de ônibus dentro da Turquia. Só a primeira, de Bodrum para Selcuk, o valor seria de 18 euros. Eu paguei comprando na hora, pela empresa Turgutreis, 20 liras turcas, ou 8,5 euros. Menos de metade nesse caso.

 

Brasileiros não precisam de visto para Turquia e não existe nenhuma taxa. A passagem na imigração foi imediata. Logo na rua que liga o porto à cidade, sua atenção se volta para o nível de sofisticação dos iates ancorados na marina. Um mais belo que o outro e revela a vocação natural da cidade (assim como Kos) de ser um importante balneário de férias e com sua economia voltada para os produtos do mar, onde até os souvenir possuem esse tema. O hotel que escolhi foi o AA Hotel, que, embora agradável, estava em reforma e com um pouco de cheiro de tinta e cimento. Acho que devido a isso o proprietário, muito atencioso, fez um preço tão bom: 13 euros ao invés dos 22 euros do booking.com.

 

Até então, no caminho do hotel, a cidade não se parece com nada que espera-se para um país muçulmano, exceto pelo fato da noite do dia 24 de dezembro ser um dia completamente normal para a cidade. Claro que a Turquia não possui o mesmo rigor nos costumes que países mais tradicionais, porém, o extremo oposto chama a atenção. É, por exemplo, muito difícil encontrar uma mulher usando véu. Pelo contrário, as roupas utilizadas são totalmente ocidentais. Lojas de lingerie expõem nas vitrines manequins usando os modelos mais ousados e telões na rua divulgam propagandas em meio à videoclips de rock turco. No caminho do hotel percebe-se, entretanto, que há uma diferença na paisagem: a presença de inúmeras mesquitas na cidade. E após realizar o check-in no hotel e sair pela cidade, presenciei o chamado das mesquitas nos alto-falantes dos minaretes, o que cria a inconfundível sensação de estar, de fato, num país muçulmano. Eu gravei um vídeo desse momento, que será disponibilizado junto com as fotos.

 

A cidade em sua área portuária e turística é muito bem cuidada, incluindo calçadões de porcelanato em algumas ruas de pedestres. Porém, fora da área turística, apesar da simpatia do local, com muita arquitetura cicladiana (mais do que Kos, na minha impressão), falta uma melhor manutenção e cuidado das calçadas, das construções e do lixo nas ruas. Possui alguns pontos para destaque de visitação como o Castelo de Bodrum, o portão Mindus e um teatro helênico construído no século IV a.C., imponente e com uma linda vista da cidade, mas com uma acústica não tão perfeita quanto o teatro de Epidavrus. Chama também a atenção na cidade as inúmeras cisternas, construídas durante o império otomano para aproveitamento da água das chuvas. Consegui um tempinho para dar uma passeadinha na praia de pedregulhos (como todas que vi nas ilhas) pela manhã, aproveitando o dia um pouco mais quente.

 

De qualquer forma, apesar de Bodrum não ter sido um destino particular, e surgiu no roteiro apenas por ser a rota final da travessia de ferry da Grécia, foi uma cidade que valeu a pena ter conhecido e passou uma boa impressão inicial da Turquia. E como comentei no início do post, fui ao anoitecer a Selçuk, cidade usada como apoio para a visita da antiga cidade de Ephesus, antes de partir para a Capadócia.

 

Próximo post: Ephesus.

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Dia 16 - Éfeso

 

Para conhecer a antiga cidade de Éfeso, uma das maiores da antiguidade e situada em um dos maiores sítios arqueológicos de toda a região helênica, o viajante pode usar como base as cidades de Kusadasi, Izmir ou Selçuk. Usei essa última por ser a mais próxima, facilitando minha ida posterior à Capadócia. É, porém, a menor das três, embora ofereça alguns outros sítios para visitação caso haja tempo disponível. Cheguei a Selçuk já tarde em um ônibus com tela de LCD individual com cinco canais de televisão, 3 de filmes (dublados em turco) e uns 10 de música, além de uma câmera na frente do ônibus caso você quisesse acompanhar a viagem. Os ônibus da Turquia possuem um comissário, além do motorista. Sua função é cuidar das bagagens, oferecer álcool gel para você passar na mão e servir café, chá, água e bolinhos.

 

Fui direto ao hostel que havia reservado: ANZ, controlado por um casal de australianos. Bom café da manhã, mas cama um pouco desconfortável e o aquecimento do quarto estava com problemas. Dormi dentro do saco novamente embaixo das cobertas. Aliás, gostei dele... Está se tornando um instrumento indispensável para as próximas viagens. O outro é o GPS no celular. Saber onde você está em cada viagem, o nome das cidades que passam ao seu lado é muito enriquecedor. Bom, não voltaria lá novamente, mesmo pelos 12 euros gastos. Acordei, e após um café da manhã meio xoxo do hostel, cuja decisão de escolha foi a boa localização (perto da rodoviária e ao lado da estrada), fui a Ephesus a pé (menos de 3km).

 

 

Visão da entrada da cidade, já na parte interna

Após cerca de uns 300m à sua direita, já encontra-se a entrada para o sítio arqueológico do templo de Artemis, que é gratuita. Deixei para o retorno. Após menos de 2km de caminhada, você sai da estrada à esquerda e anda quase 1 km mais para chegar no portão principal. Existem bastante placas informativas, como percebi em todas as estradas turcas que tenho passado. Chegando na entrada, pude presenciar enfim, muitos ônibus e turistas no local, sendo mais de 90% orientais. A exploração comercial do sítio é intensa, com a presença de inúmeras lojas (mesmo sem haver com a temática histórica do sítio), restaurantes e vendedores ambulantes. Vão oferecer tudo o que podem a você antes até a cabine de compra do ticket, que não é barato: 25 liras turcas. Logo na entrada à direita existem os banheiros (melhor garantir) e um café à esquerda. Se não comprou água ainda, compre agora. O sítio tem, entre os os dois extremos, 1,5km, e você anda mais do que isso, pois entra nas contruções e ruas adjacentes. Na minha visita a temperatura estava em torno de 10ºC, mas li relatos que no verão, há dias que beiram o insuportável.

 

A região onde situa-se o sítio de Éfeso já acolheu diferentes civilizações. A primeira data de fixação da presença humana na região data de 6.000 a.C., e posteriormente fez parte do império hitita, e pelos jônios, em 1.000 a.C., seguidos pelo lídios, persas, gregos, macedônicos e romanos, em 133 a.C. As ruínas das cidades que vemos hoje datam dessa última era, quando era uma das mais importantes cidades romanas, com mais de 250mil habitantes, possuindo um porto estratégico e, desde os tempos gregos, um grande centro de produção filosófica. No período de início da pregação da fé cristã, Éfeso foi uma das cidades onde a nova religião mais se difundiu e, no mesmo sítio visitado, abriga a Igreja de Virgem Maria, que recebeu o primeiro Concílio de Éfeso em 431 d.C. e que foi declarada como o centro do cristianismo em 449 d.C.

 

A visita ao sítio, como comentei, é longa e dependendo do seu tempo e interesse, 3 horas podem não ser suficientes. Agora no inverno o horário de abertura é das 10 às 16hs. Existem muitas placas indicativas de cada local, não existindo a necessidade de contratar um guia, principalmente se estiver só, pois o preço não é barato (25 liras a hora). Existe, contudo, a possibilidade de alugar áudios, por 15 liras. E claro, sempre existe um jeitinho de ficar próximo aos grupos guiados e ouvir algumas dicas dos guias. As duas construções mais impressonantes é o Teatro, com espaço para 25mil pessoas, considerado o maior da antiguidade (para comparação, Epidavrus, que já era enorme, podia receber 15mil pessoas) e a biblioteca de Celso, cuja fachada foi reconstruída recentemente, na década de 70.

 

A visita à Éfeso, contudo impressiona mais não pelas construções em si, isoladas, e nem pela quantidade de gatos banhando-se ao sol nas pedras de mármore, mas sim pela sensação de caminhar em uma cidade romana da antiguidade como seus antigos habitantes. É possível apreciar as ruas e reconstruir mentalmente as construções que antes estavam em pé. Uma viagem ao passado. Infelizmente (ou felizmente, dependendo do ponto de vista), como venho comentado em outros posts, estamos imersos dentro de um processo histórico, e a cidade que vi provavelmente não será a cidade que o próximo viajante verá. Ainda existem muitas peças a serem encaixadas e muitos locais onde era proibida a passagem. Alguma estrutura ainda está sendo criada, como o calçamento da estrada que liga a rua de entrada com a Igreja da Virgem Maria. Enfim, faz parte em viver num mundo em plena transformação. E acho que esse é um bom tema para um próximo post de reflexão.

 

No retorno, encorajado pelo GPS fiz algo diferente. Após uma bifurcação a 500m, peguei uma estrada à direita para conhecer a gruta dos “seven sleepers” (a 1,4km), cujas histórias e lendas divergem entre historiadores (não prolongarei o post; “google it”). E, ao invés de voltar para a estrada principal, decidi seguir outro caminho à cidade (mais 2km até a rodoviária, onde comprei o ônibus noturno à Capadócia. A estrada parecia boa no começo, mas depois se estreitou e torci para que não aparecesse nenhuma cerca no meio do caminho. Mas esse retorno foi interessante para conhecer um pouco a área rural de Selçuk, com direito a contemplar um bando de ovelhas com sininhos caminhando nas montanhas, já que cabras e bodes são possíveis de serem vistos pela cidade mesmo.

 

O resto do dia foi preenchido com um passeio a Selçuk, visitando o local de alguns pontos históricos (Basílica de São João, cidadela de Ayasoluk e algumas ruínas nas áreas centrais) e sentindo a rotina da pequena cidade com um comércio nas ruas centrais bem movimentado. Visitei o interior de uma pequena mesquita. Não fiquei à vontade de tirar fotos, pois dois homens estavam rezando e achei falta de respeito. Quem sabe outra hora? Era um espaço circular bem pequeno e simples, acarpetado (entra-se sem sapatos) e sem decoração, apenas duas cadeiras, e uma escrivaninha com algumas anotações. No caminho para o hostel, passei no sítio do templo de Artemis e, como já havia lido na internet, o sentimento é um pouco decepcionante. O que sobrou do maior templo da antiguidade foi apenas uma coluna com um ninho de cegonha em seu topo. Difícil imaginar toda a expressão que o templo causava entre os povos antigos. Voltei para lanchar e pegar o ônibus posteriormente. A empresa de ônibus foi a Süha e passagem custou 60 liras turcas.

 

Próximo post: Capadócia.

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Dia 17 a 20 - Capadócia

 

Fiquei na Capadócia 4 dias e 3 noites. Escolhi a cidade de Goreme como base e não me arrependo. A estrutura é boa para passeios e é ao lado do ponto de saída dos balões. Como citei no post anterior de Éfeso, peguei um ônibus noturno para Goreme e cheguei na cidade às 07:30hs da manhã, já vendo bem de perto os balões subindo pelo horizonte. O check-in do hotel ocorre somente meio-dia, e aproveitei para tomar um café da manhã, ver preços de passeios e zanzar um pouco na cidade, que me pareceu turística demais para mim. Mais turistas do que habitantes locais. E esses sempre com a atenção voltada para os turistas. Muitas lojas de souvenirs, muitas agências de turismo, muitos restaurantes com preços dobrados em relação às duas cidades anteriores da Turquia que estive. Mas isso faz parte por estar localizada em uma das regiões únicas no mundo!

 

Cheguei no Coco Cave Hotel duas horas depois e após a negociação do quarto e passeios, Ekrem, o dono, permitiu que eu entrasse antes no quarto. Para quem vai se aventurar por lá, vou resumir o negócio que fiz com ele. Existem passeios mais baratos e mais curtos de balão, com companhias sem credenciamento e sem seguro, que podem custar até 80 euros. Mas no hotel ele fazia apenas com companhias credenciadas, cujo preço inicial pedido foi de 125 euros (ainda assim, menos do que eu havia visto na internet; talvez seja a temporada de inverno, com menos procura). Acabei fechando por 100 euros, pois incluí a compra do “Green Tour” por 90 liras. E como o hotel estava relativamente vazio, negociamos um quarto privativo no valor do dormitório, por 7 euros à noite e com um (bom) café da manhã. Acho que foi bom. Já no quarto, liguei imediatamente o aquecedor (quando cheguei a temperatura externa marcada no ônibus era de 2ºC) e só desliguei quando fiz o chek-out 3 dias depois. Tomei um banho e deitei para descansar da viagem noturna. Apaguei. Acordei só à noite para jantar. Deixei marcado o passeio de balão já no dia seguinte, onde eu teria que acordar às 05 da manhã. Primeiro dia na Capadócia se foi…

 

A van, quase cheia, passou atrasada para me pegar às 05:40hs e nos levou ao local do café-da-manhã (bem fraquinho), onde juntaram grupos vindos de várias vans da mesma empresa (Ürgup Baloons). Começamos a receber um adesivo com cores diferentes, que representavam o “cesto”, ou balão, que subiríamos. Contei 6 cores diferentes. Achei que perdemos tempo demais no local, pois o dia já estava começando a clarear, prejudicando a visão que tanto falam do horizonte com os primeiros raios de sol. E, de fato, fomos, mas foi um prejuízo coletivo, pois, entre todas as empresas, nosso balão foi um do primeiro grupo a subir ao céu. Perguntei ao “capitão” sobre o fato e ele disse que realmente houve um atraso de meia hora em função do vento. Bom, nesse quesito não fomos muito felizes, mas como sempre tentamos buscar saídas para uma melhor conformação aos fatos, aí vai a minha: o nascer do sol não seria muito bonito, pois o céu estava um tanto nublado no início. Além disso, deixar para o dia seguinte não seria uma boa ideia, pois garoou de manhã, e poderia ter sido pior…

 

Mas de qualquer forma, foi um show à parte. A expectativa do balão levantar, a entrada nos cestos (capacidade de 18 pessoas em cada balão) e a sensação da subida é fantástica. O vôo do balão é muito suave, vagaroso, uma verdadeira viagem lenta, no melhor sentido da expressão. No passeio, o capitão comanda algumas descidas perto das formações rochosas típicas da região e sobe novamente para uma visão mais panorâmica, sempre com o ruído e com o calor do fogo subindo pertinho de nossas cabeças. O altímetro marcou até 800m e em um mesmo momento, contei 78 balões no céu. Imaginem no verão como que isso fica! As fotos e o vídeo no YouTube falam por si só. O passeio durou 1h10’'. Descemos em uma caçamba, com o balão ainda em pé, que nos levou para uma clareira onde tomamos champagne, tradição local dedicado aos balonistas do passado, e recebemos um “certificado”. Após isso, nos levaram ao hotel. Deu tempo de tomar outro café da manhã, esse sim bem melhor, e precisei trabalhar um pouco nesse último dia útil do mercado financeiro do ano, para acertar alguns pontos. Saí só de noite para jantar um prato de cordeiro. E assim finalizou o segundo dia.

 

No terceiro dia, fizemos o passeio que é conhecido como “Green Tour”, e foi o meu escolhido através de análise de várias opiniões da internet. O passeio, que durou das 09:30hs às 18:00hs, custou 90 liras, e acho que foi razoável, pois inclui um bom almoço, as entradas de dois locais que somam 23 liras, o custo de deslocamento (calculo que andamos cerca de 250km) e a guia que falava um inglês meio estranho. Se eu fosse fazer todo o passeio individualmente, não iria conciliar horários de transporte dentro de um dia apenas. O passeio, que recomendo, incluiu a o Pingeon Valley, a cidade subterrânea de Derinkuyu, o pequeno hiking no Ihlara Valley, o monastério de Selime, palco de filmagem de Star Wars e uma visita em uma fábrica de produtos de ônix.

 

A primeira parte do passeio, o Pingeon Valley, é logo ao lado de Goreme, e eu já tinha avistado na andadinha da cidade do primeiro dia. Apenas a localização para as fotos foi um pouco melhor. A seguir, fomos na cidade subterrênea de Derinkuyu, que compôe-se realmente de uma cidade imensa, com igreja, salões de reunião, inúmeros quartos, cozinhas e até estábulos para animais, todos comunicados através de uma forma bem peculiar, com redes de ventilação e ligações subterrâneas com outras cidades semelhantes. Nessas cidades, podiam viver milhares de pessoas, que fugiam das perseguições anti-cristãs dos romanos. Apesar de possuir 12 andares, foi possível a descida até o 8º e segundo a guia, a 50m de profundidade, uma altura-padrão por andar alta em comparação aos edifícios residenciais… De qualquer forma, é surpreendente como em necessidades extremas, a capacidade de adaptação de uma sociedade pode ser desenvolvida. A necessidade de sobrevivência nos impõe uma saída da zona de conforto, e é interessante vivenciarmos essa capacidade de mudança, nem que por opção, algumas vezes na vida, tornando-nos mais flexíveis e maleáveis em condições adversas.

 

Depois da cidade subterrânea, fomos à Ihlara Valley, o maior cânion da região da Capadócia, e que concentra muitas igrejas esculpidas na rocha, como a igreja Ihlara, a principal que visitamos, com afrescos originais ainda realtivamente preservados. Fizemos um hiking de 4km ao longo do rio Melendiz. A caminhada é agradável e fácil, belas paisagens e ao final, um bom peixe de almoço em um restaurante ao lado do rio. Posteriormente, fomos ao complexo religioso em Selime, construído nas rochas no século 13 pelos monges, com afrescos ainda preservados. É o maior complexo religioso da região, composto, além das igrejas, de salões, residencias e locais de criação de

 

animais dos antigos habitantes da região. Por fim, já com o dia escurecido e voltando à Goreme, paramos em uma fábrica que produz objetos a partir do mineral ônix, um dos minérios mais abundantes da região e principal fonte econômica, além do turismo e indústria da cerâmica. O dono explanou sobre a matéria-prima de seu negócio e mostrou a fabricação de uma peça com o material. E é claro, nos apresentou sua loja para possíveis compras. There is no free lunch! Assim terminou o terceiro dia, indo à estação de ônibus para comprar a passagem a Istambul na noite seguinte (55 liras) e voltando para o hotel com a temperatura chegando a 0ºC.

 

No quarto dia, aluguei uma bike. Queria fazer um dos roteiros dedicados a hiking, mas não teria tempo de fazer a pé. Além disso, mudar um pouco o estímulo muscular é bom, como rege o Princípio da Variabilidade do Treinamento Físico. E alternar sensações também pode fazer bem! Bom, começando o passeio a uns 4ºC, conheci uma boa parte das redondezas de Goreme, porém, em alguns pontos, precisei recuar em algumas trilhas, em função da dificuldade de levar a bike comigo. Além da estrada enlameada, alguns trechos começaram a ficar estreitos demais para eu passar com a bike do lado e algumas subidas tornaram-se pesadas demais. Assim, acabei não subindo nos maiores platôs. Para compensar o

 

fato, fiz o retorno por uma estrada também dedicada a hiking, meio sem saber o que encontraria na frente. Caso a situação ficasse complicada eu teria que voltar tudo de novo, alongando uns 10km a distância de volta. Até complicou um pouco sim: em muitos locais, só empurrando foi possível a travessia, com o pior ocorrendo em degraus onde tiver que carregar a bike para poder subir. As fotos mostram as sensações vivenciadas, incluindo os inúmeros túneis escavados nas rochas que precisei atravessar. A Capadócia, a “terra dos belos cavalos”, realmente possui formações únicas. Eu calculei pelo gps que rodei cerca de 40km, sendo uns 25km em estrada de asfalto, outros 10km em trilha pedalando e outros 5km em trilha mais fechada, empurrando ou carregando a bike. Levei 6 horas no percurso. Para esse tempo de bike, o gasto foi de 15 liras.

 

As agências de Goreme oferecem muitos mais passeios para explorar a região. Eu havia pesquisado algo pela internet, e percebi que os demais locais guardam muitas semelhanças com os lugares que visitei. Existem mais cidades subterrâneas, mais vales, mas o padrão visual e a historicidade são praticamente os mesmos. Cabe o viajante decidir e escolher o que e quanto deseja conhecer. Ou pelos pacotes das agências, ou alugando uma moto, um quadriciclo ou um cavalo. Tem para todos os gostos!

 

Voltei ao hotel para descansar um pouco na recepção e escrever o rascunho desse post. O ônibus para Istambul sairia às 19hs. Voltei assistindo “P.S. I love you” em turco.

 

Próximo post: Istambul.

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  • 2 semanas depois...
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Istambul é uma cidade complexa, geograficamente e historicamente. Geograficamente pelo seu relevo irregular, divisões de terra através do estreito de Bósforo e pelo seu tamanho – sua região metropolitana rivaliza com Londres em população. E é a única cidade do mundo pertencente a dois continentes. Historicamente, pelas suas origens na antiguidade, ainda com o nome de Bizâncio e como capital de impérios culturalmente opostos, como o Império Romano-Bizantino (com o nome de Constantinopla) e Otomano. Em um período de 500 anos, foi a cidade que deu suporte ao avanço do cristianismo pelo mundo e posteriormente, após alguns séculos de decadência, foi conquistada pelos otomanos e tornou-se uma cidade islâmica. A história da cidade é épica, vale conhecer! Mas não vou me empolgar muito, pois em função do que comentei em Relatos de Viagem, aqui não é o espaço para a extensão do assunto. A internet já possui informações demais. :-)

 

A chegada em Istambul ocorreu pela manhã, e da rodoviária, peguei um metro à estação Aksaray (3 liras). Eu deveria fazer uma conexão para a linha de tram, mas como eu iria realizar check-out no hostel apenas ao meio-dia, resolvi ir andando para sentir a cidade no último dia do ano. O tempo estava nublado e no caminho que percorri, percebi uma cidade semelhante a metrópole qualquer do Brasil. Algumas belas construções, mas com sujeiras nas ruas, um trânsito absurdo com motoristas que ignoram completamente os pedestres e alguns pedintes nas calçadas (iria achar isso um paraíso depois que cheguei na Índia). Uma visão de cidade menos cosmopolita surgiu na forma de dezenas e dezenas de pescadores nas duas pontes que cruzam o canal do Chifre Dourado, que divide a porção ocidental da cidade. O principal peixe pescado aqui é o Hashi, o mesmo que comi em Bodrum, soube depois. Até o hostel, o caminho mostrou-se difícil para pedestres, com calçadas afuniladas e inexistentes, muitas construções ao longo do percurso que sujam as ruas de barro sem nenhuma cerimônia. Uma primeira impressão da Istambul não turística, portanto, não foi tão positiva. Esse foi o primeiro hostel de verdade que fiquei (Route39 – 11 euros por noite em média, com café da manhã). Não foi o hostel que gostaria de escolher, mas era o único que teria dias disponíveis em sequência para minha estadia. A cidade estava cheia em função do reveillon. Porém, eu simpatizei com o lugar, exceto pelo colchão, bem aquém do padrão normal, mas que não atrapalhou minhas noites de sono. Aliás, andar o dia inteiro é um ótimo remédio para problemas de demora ao pegar no sono. Desde que comecei a viagem, deito e durmo em menos de 5 minutos. O local do hostel achei ótimo e recomendo:

 

5-10min da praça Taskim, o centro do agito da cidade, 5-10min do “portinho” de Kabatas, de onde vc pode cruzar para o lado asiático ou fazer um cruzeiro pelo Bósforo e 30min do bairro histórico de Sultanahmet, onde estão as principais atrações da cidade. Para os incapacitados, existe um tram que sai de Findkli (a 2min do hostel) e pára em frente à Hagia Sophia. Descansei um pouco nesse dia e fui à festa de reveillon promovida pelo Couchsurfing, com uma colega do Brasil. A festa teve direito à músicas brasileiras de qualidade, como “tche tche rere” e “ai, se eu te pego”. Mas a festa foi ok, bem organizada!

 

No dia seguinte, me propûs a andar pelo norte da cidade para alcançar a primeira ponte que liga à Asia. Achei que seria um caminho agradável, ao longo do estreito, mas não foi bem assim. Existem muitas construções entre a avenida que caminhei e a costa do Bósforo. O mar estava pertinho, mas era impossível eu chegar ao seu lado. O único ponto “turístico” no caminho foi o Palácio de Dolmabahçe, residência oficial do sultão a partir do final do século XIX, mas fechado nesse dia primeiro de 2013. Chegando perto da ponte pela costa, percebi que seria difícil chegar até ela. Sua elevação inicia ao menos 1km antes do estreito, para dentro do continente, sobre um bairro inteiro de Istambul, situado em um ponto elevado da costa. Subindo esse bairro através de muitas curvas sinuosas, consegui ter uma visão melhor da ponte, que no entanto, não permite pedestres na travessia. Comecei a fazer o caminho de volta por outras avenida, que mostrou uma Istambul movimentada, mas não tive sorte para ver muitas pessoas, pois as avenidas eram mais residenciais e havia pouco comércio na volta. O primeiro dia, portanto, não foi muito produtivo. Andei cerca de 20km, mas as paisagens não me agradaram.

 

No dia seguinte, precisava resolver a situação da minha saída da Turquia. No dia que pretendia ir, as passagens haviam aumentado muito, mas achei uma por um bom preço no dia 06, pela Saudiairlines. Porém, seu website estava com problemas para passar o cartão VISA e resolvi ir até o escritório da empresa para comprá-la logo. Fui de metrô, pois era meio longe. Na saída da estação, a sensação é a mesma de sair do metrô da Paulista. Vários prédios envidraçados vão aparecendo acima de sua cabeça conforme a escada rolante avança. Saí na Av. Paulista de Istambul. Após subir na torre do escritório para comprar a passagem (385 dólares), resolvi voltar a pé. E esse dia foi bem mais agradável. O caminho escolhido passou por centros comerciais, um enorme shopping center (onde as pessoas são revistadas e seus pertences passam em máquinas de raio-X), ruas dedicadas a pedestres, enfim, onde Istambul na sua forma pura ocorria. Não mudou muito minha opinião da caminhada do primeiro dia, mas essa parte da cidade era uma região bem mais agradável de caminhar. Retratos de uma cidade imensa, com várias facetas.

 

No quarto dia, fui fazer um pouco de turismo com uma amiga do Brasil. Fomos a pé na Torre Gálata (13 liras), através da Rua Istiklal, em Beyoglu. Foi construída no ano de 1348 para proteção da cidade e permite uma linda vista, que seria mais linda se o tempo não estivesse com muita névoa. Fomos depois em Sultanahmet. Visitamos primeiro duas grandes mesquistas que estavam no caminho: Mahmut Pasa e Yeri Mosque. Chegamos um pouco tarde na praça principal de Sultanahmet, centro turístico do bairro. Havia muita fila na Hagia Sophia e resolvemos ir à Blue Mosque, onde a entrada é livre dentro dos horários estipulados. A mesquita foi construída no século XVII, possui 6 minaretes e é simplesmente linda e impressionante. Suas formas, seus vitrais, suas cerâmicas internas a tornam única. Visita imperdível! Posteriormente fomos ao Grande Bazar para se perder nas mais de 4000 lojas que ali se encontram. Vende-se de tudo por lá. Ao lado existe um enorme bazar culinário também. Mesmo se não pretende comprar nada, vá por curiosidade. E treine suas habilidades para se safar das abordagens dos vendedores.

 

A auto-proposta do quinto dia era visitar o Palácio Topkapi, a Hagia Sophia e depois fazer um tour no Bósforo. Mas os dois primeiros ocuparam praticamente todo o dia. O Palácio Topkapi (25 liras) é algo imenso e com curiosidade, é fácil demorar-se 4 horas por lá. Os pontos fortes do local são os tesouros do Sultão, que, entretando, não podem ser fotografados. Várias salas com pinturas (destaque para uma que compartilho aqui) jóias, roupas, armas, insígnias, todas da época do império, algumas com mais de 600 anos de existência. As principais peças são a adaga Topkapi, com 3 grandes esmeraldas, o trono de ouro do sultão e o Spoonmaker's Diamond, o quarto maior diamante do mundo. Mas, mesmo para as peças menos valiosas, é muito interessante ver o trabalho dos ourives da época, os detalhes que conseguiam cravar nos metais, com uma tecnologia muito inferior à atual. Para quem visitar o Palácio até Fevereiro, há uma exposição dos Tesouros da China em outro pavilhão, sem possibilidades de fotografar, entretanto. Mas não chega aos pés dos detalhes das joias do Palácio. Quando imaginamos os recursos que possuíam para confeccioná-las, damos ainda mais valor ao trabalho humano durante nossa existência. E isso ficou ainda mais claro na visita da Hagia Sophia (25 liras). O viajante treme quando entra no vão principal do (hoje) museu. A nave principal tem quase a altura de um prédio de 20 andares. E, pasmem, a construção atual data do século VI, e foi a maior igreja por mais de 1000 anos. É um colosso, possui um grande piso superior e convida você a ficar horas observando e sentindo as boas vibrações do local. Os afrescos não estão muito bem preservados, mas ainda mostram toda a riqueza e esplendor da construção. A igreja cristã foi transformada em mesquita após a conquista dos otomanos e desde a década de 30 do século passado, foi convertida em um museu.

 

No dia seguinte fiz um tour no Bósforo pela manhã. Existem duas opções de tour no Bósforo: o curto (12,50 liras) de cerca de uma hora e meia, e o longo (25 liras), de até 6 horas com parada para almoço. Em função do frio (tour marítimo é para ficar no deck, curtindo o ambiente e não ficar fechado na salinha envidraçada, penso eu) e do tempo, escolhi o primeiro. Foi um passeio agradável, passando por algumas construções belíssimas nas margens européia e asiática de Istambul. Vale a pena para relaxar um pouco. Apenas o frio e o vento gelado atrapalharam um pouco. Posteriormente, após mais um passeio na Istiklal e almoço, voltei ao hostel para acertar algumas coisas da vida real e para ler algo mais sobre a Índia. Estou atrasado nesse processo. O Domingo foi dedicado à viagem seguinte. Tinha que estar às 14:00hs no aeroporto e saí logo após o almoço.

 

Próximo post: Índia: Chennai e Mahabalipuram

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