Chegamos em Vitória (Espírito Santo), por volta das 7:00 da manhã e fomos direto para o Hotel “Camburi Praia Hotel” de ônibus circular nº 212. O Hotel era “sem vergonha”, de frente para a praia de Camburi, na Av. Dante Micheline. Pagamos R$73,00/diária com café da manhã, o valor cobrado é muito acima do que o Hotel oferece.
Dormimos um pouco e às 15 horas fomos de ônibus para a rodoviária. O transporte coletivo de Vitória é muito bom, os moradores são receptivos e passam as informações com grande satisfação. Chegamos na rodoviária e compramos as passagens para Guaçui, era uma das etapas para chegarmos à cidade de Dores do Rio Preto (cidade onde há principal entrada para o Parque Nacional do Caparaó, pelo lado do Espírito Santo). Com as passagens em mãos voltamos para o Hotel. Fizemos uma parada rápida no Centro de Vitória, até então todo o comércio estava fechado devido ao feriado de Corpus Christi. Chegamos no Hotel, descansamos mais um pouco e fomos a um quiosque em frente a praia. Pedimos uma porção de camarão, uma de batata frita (ambas muito bem servidas) e 2 cervejas, andamos na orla da praia e voltamos para o Hotel, pois na manhã seguinte, teríamos uma viagem de cinco horas e meia pela frente.
16/6/06
Pegamos um ônibus até a rodoviária, saímos sem café da manhã, o Hotel não cumpriu o combinado, chegando na rodoviária tomamos um café rápido e logo na seqüência, embarcamos. Após 5 horas de viagem, chegamos à pequena cidade de Guaçui no interior do Espírito Santo. A idéia inicial era nos hospedar em Dores do Rio Preto, mas decimos ir para Pedra Menina que é um sub-distrito de Dores, depois de uma conversa com um taxista da região. *Algo muito importante a ser relatado é o tempo de viagem de Guaçui até Dores que é de 1:20; de Dores à Pedra Menina é de 1 hora. A cidade de Pedra Menina é o melhor lugar para quem quer subir o Pico da Bandeira, embora super pequena (parece que existe só uma rua) fica 20 minutos “de carro” até a entrada do Parque Nacional do Caparaó.
Na própria rodoviária de Guaçui colhemos algumas informações e conseguimos o telefone de uma pousada em Pedra Menina, liguei para a Pousada dos Anjos, fui atendido por Sr. João Querubim, dono da pousada que me informou que seria impossível nos hospedar, pelo motivo de lotação, mas deu o telefone de uma simpática senhora “Dona Marlene”, que nos ofereceu uma hospedagem em sua casa (R$15,00 diária por pessoa). Esta é uma atividade comum por lá, pois a vila está iniciando o processo de exploração do turismo. Pegamos o ônibus para Dores, chegando na cidade, fomos almoçar no melhor restaurante “Restaurante da Dona Consuelo” (uma pensão), pagamos R$5,00 por pessoa, comida a vontade e sobremesa.
Terminamos nosso almoço e voltamos para a nossa jornada, como estávamos entediados e ansiosos, pegamos um táxi (R$50,00) para Pedra Menina, pois os ônibus tinham horários marcados, como perdemos o das 16h pegaríamos o próximo que era apenas às 18h e chegaríamos muito tarde para subir ao pico (detalhe: os ônibus em Pedra menina passam de duas em duas horas ou até mais).
Chegamos ao vilarejo de Pedra Menina, que possui uma única rua, mas é exatamente uma única rua, não foi nada difícil encontrar. D. Marlene que nos recebeu muito bem, nós deixamos as mochilas e começamos a nos preparar para a subida, sem descanso, sem banho, sem alimentação, resumindo: fiz tudo que não deveria fazer, até então a subida seria realizada à noite. Nós estávamos decidimos subir naquele momento, devido informações erradas, fui informado que a subida era fácil e rápida, tudo mentira. TOMEM CUIDADO, PARA NÃO CAIR NA MESMA ROUBADA QUE EU. O mesmo taxista fez mais uma corrida de 20 minutos até a um ponto de apoio que fica à 10 minutos do portão principal do parque (Guarita do IBAMA). Este ponto de apoio, nada mais é que uma casa de um Alemão, chamado Sasha que trabalha no transporte das pessoas, Pedra Menina/Acampamento Base e vice-versa, o acampamento Base do Pico da Bandeira (chama-se Casa Queimada, é uma área de camping, com sanitários e água encanada e um espaço de refeição, nada luxuoso, mas muito melhor do que se vê por aí). Chegamos na casa do Alemão, (eu e minha esposa), acertamos o transporte, R$60,00, em grupo é bem melhor porque o valor pode ser dividido entre as pessoas, como éramos em dois, acabou ficando caro.
Fomos embora, chegamos na entrada principal do Parque por volta das 20:30, é permitido entrar até às 22:00, o guarda não queria deixar a gente subir porque, contrariando todas as informações que eu havia coletado, era necessário fazer reserva antecipada para ingressar, bastava uma ligação. Esta dica é muito importante.
Depois de uma boa conversa, o guarda liberou a nossa entrada. Pagamos a taxa de R$9,00 por pessoa, e logo depois ele nos informou que lá na Casa Queimada era muito frio, mas eu nunca imaginei que fosse tão frio, eu achava que estava bem agasalhado. Negligenciei a dica do guarda, estava totalmente despreparado, e o pior, eu não levei nada para a subida: barraca, saco de dormir e etc, pois os nativos disseram que não era necessário. Levei somente a mochila de ataque, com algumas coisas dentro: água, chocolate, lanterna e mais um agasalho.
Passamos a cancela, o Alemão levou a gente até o acampamento, mais 50 minutos de estrada de terra, muito íngreme e perigosa.
Como a primeira idéia era subir o pico a noite, em uma conversa com o João Querubim, ele me garantiu que a subida para o Pico, era igual a uma romaria, tinha gente subindo que não acabava mais. Então eu achei que iria chegar no acampamento e iria subir na seqüência.
TUDO ERRADO !!!
Cheguei no acampamento, não tinha ninguém subindo naquela hora. Tinha um grupo do Rio de Janeiro muito bem preparado, que começaria a subida às 3:00 da manhã, eu cheguei ás 21:30, além de não ter onde esperar, eu não estava tão bem preparado assim. Pedi para o líder do grupo para que eu e minha esposa pudéssemos acompanhar o grupo, ele concordou, mas depois eu comecei a sentir medo. Todas as pessoas que estavam acampadas, tinham abrigo e estavam muito bem preparadas para passar a noite. A temperatura chegou a -8º, é um absurdo, para quem não tem tinha nem mesmo uma barraca.
Neste momento minha esposa começou a chorar, sentamos na porta do banheiro (vestiário) num frio que eu nunca havia imaginado. Ficamos ali por um momento, me senti culpado por toda aquela desgraça. Estávamos no relento da noite, sem abrigo, comida e roupa adequada, sem poder voltar para a casa da D. Marlene porque estávamos muito longe e não sabíamos como chegar por causa da mata fechada, minha garganta deu um nó. Não sabia o que fazer !
Até que chegou uma moça, perguntou o que estava acontecendo, contamos o ocorrido, ela chamou um amigo dela para nos ajudar. O grupo de pessoas acampadas que ela fazia parte era grande, e por um acaso estavam sobrando barracas. Ele simplesmente nos emprestou uma barraca! Já não estávamos mais no relento, tínhamos agora uma barraca!
Passamos a noite inteira cochilando em pequenos intervalos, só com a roupa do corpo, contando os minutos para a noite acabar! Foi uma noite tenebrosa, eu só pensava em ir embora!! Eu poderia facilmente ter morrido de hipotermia, isso é seriíssimo.
Combinei com minha esposa, que assim que o sol nascesse iríamos embora. Estava decidido!
17/6/06
Quando vi os primeiros raios de sol, me enchi de esperança, minha confiança havia retornado, estava decidido a ir embora!!
Eu e minha esposa saímos da barraca, não agüentávamos mais, ela olhou para mim e disse: -Depois do que passamos durante a noite, vamos embora?! Vamos subir esta porra!!! (SANTA FRASE).
- Então vamos! (Eu disse)
Logo em seguida o Leonardo apareceu, e veio nos auxiliar. Nos apresentou para o restante do grupo, fomos muito bem recebidos, nos forneceu café da manhã, lanche para a trilha e passou algumas boas dicas, “gente finíssima”, após este episodio, comecei a olhar com outros olhos a necessidade das pessoas.
Este grupo era de Colatina (Espírito Santo), foram sensacionais, inesquecíveis.
Uma dica muito importante para quem vai subir o pico de manhã, é partir logo cedo, para retornar cedo, no meio da mata escurece muito rápido.
Minha esposa conheceu na porta do banheiro uma moça chamada Tati, que iria subir o morro naquele horário, pedimos para irmos no seu grupo, ela concordou e fomos; detalhe eles são de Colatina. Ela estava com o seu marido (Faiçal), o Adolfo (era a 4º vez no mês que ele iria subir o pico), mais a esposa e os filhos do Adolfo, o mais novo tinha 9 anos.
Enfim começamos a subida, logo de início percebemos que o Adolfo e seus agregados estavam em uma forma muito melhor que à nossa, eles subiram muito mais rápido que nós. Eu, Vanessa, Tati e Faiçal, subimos no mesmo ritmo.
Passamos a longa subida juntos, foi bem legal.
A medida que íamos subindo, deslumbrávamos uma linda paisagem com um vento cortante; algo extremamente diferente de tudo que eu já havia feito. Estava curtindo cada momento da subida. Não é um percurso difícil e não é necessário uso de cordas. A trilha inteira é sinalizada, é só respeitar o caminho, aqui sim é fácil, mas é necessário preparo físico. Foi demais !
Ao chegar no cume da Montanha, tive a sensação de superação, em vista do que tinha acontecido, foi algo fantástico, ver todas aquelas nuvens, estar em um lugar pouco visitado, uma paisagem fantástica, foi um momento marcante na minha vida, que certamente não irei esquecer. Para quem gosta de trilhas, Pico da Bandeira tem que estar no topo da lista de lugares a conhecer.
Após uma seção de fotos (15 minutos), lá vamos nós novamente, agora no sentido contrário, é a parte mais perigosa, portanto cuidado, a firmeza das pernas não é mais a mesma.
E lá fomos nós, eu e a Vã, o Faiçal e a Tati, descemos sem maiores problemas, demoramos 3 horas para descer e quatro para subir.
Chegamos no acampamento base sem problemas, o Faiçal nos ofereceu uma carona para descermos até Pedra Menina e que foi muito bem aceita. Em Pedra Menina nos despedimos satisfeitos com a superação e felizes com os novos amigos.
Chegamos na pousada na D. Marlene, não fizemos mais nada a não ser tomar banho, jantar (R$5,00) e dormir. Fomos dormir por volta das 20:30.
18/6/06
Acordamos por volta das 9:00 da manhã demos uma volta pelo vilarejo e começamos o trajeto de volta. Quando era aproxidamente 20:30, chegamos em Vitória, tudo que havíamos passado, agora fazia parte do passado, nos hospedamos em um hotel legal, pedimos uma pizza que o slogan era “A verdadeira Pizza Paulistana”, de paulista não tinha nada, era muito ruim, para conseguir engolir, era necessário colocar catchup e maionese. Dormimos cedo, pois no dia seguinte era hora de voltar para casa.
19/6/06
Acordamos, fomos para o aeroporto; E o que aconteceu ?
Overbook de novo, ocorreu um overbook na ida também !
Saímos de Vitória às 11:00 da manhã, chegamos em São Paulo às 13:00, deixei a Vanessa no aeroporto e fui direto para o trabalho. Cheguei atrasado mas cheguei. Saí do trabalho, fui o mais rápido possível para a casa, não via a hora de rever a minha cama.
NOTA
Espero que este diário, possa ser de grande ajuda para todos aqueles que tenham a intenção de subir o Pico, não ficaria nenhum um pouco contente em saber que alguém passou, o que eu passei, todo o aperto que infelizmente eu vivi, foi devido a falta de informação e negligência, esta foi a minha 1º viagem, eu não tinha idéia de como preparar uma viagem deste estilo.
Hoje, sou mochileiro devido a esta viagem, orgulhosamente, posso dizer as viagens seguintes, tem sido perfeitamente realizadas.
15/6/06
Chegamos em Vitória (Espírito Santo), por volta das 7:00 da manhã e fomos direto para o Hotel “Camburi Praia Hotel” de ônibus circular nº 212. O Hotel era “sem vergonha”, de frente para a praia de Camburi, na Av. Dante Micheline. Pagamos R$73,00/diária com café da manhã, o valor cobrado é muito acima do que o Hotel oferece.
Dormimos um pouco e às 15 horas fomos de ônibus para a rodoviária. O transporte coletivo de Vitória é muito bom, os moradores são receptivos e passam as informações com grande satisfação. Chegamos na rodoviária e compramos as passagens para Guaçui, era uma das etapas para chegarmos à cidade de Dores do Rio Preto (cidade onde há principal entrada para o Parque Nacional do Caparaó, pelo lado do Espírito Santo). Com as passagens em mãos voltamos para o Hotel. Fizemos uma parada rápida no Centro de Vitória, até então todo o comércio estava fechado devido ao feriado de Corpus Christi. Chegamos no Hotel, descansamos mais um pouco e fomos a um quiosque em frente a praia. Pedimos uma porção de camarão, uma de batata frita (ambas muito bem servidas) e 2 cervejas, andamos na orla da praia e voltamos para o Hotel, pois na manhã seguinte, teríamos uma viagem de cinco horas e meia pela frente.
16/6/06
Pegamos um ônibus até a rodoviária, saímos sem café da manhã, o Hotel não cumpriu o combinado, chegando na rodoviária tomamos um café rápido e logo na seqüência, embarcamos. Após 5 horas de viagem, chegamos à pequena cidade de Guaçui no interior do Espírito Santo. A idéia inicial era nos hospedar em Dores do Rio Preto, mas decimos ir para Pedra Menina que é um sub-distrito de Dores, depois de uma conversa com um taxista da região. *Algo muito importante a ser relatado é o tempo de viagem de Guaçui até Dores que é de 1:20; de Dores à Pedra Menina é de 1 hora. A cidade de Pedra Menina é o melhor lugar para quem quer subir o Pico da Bandeira, embora super pequena (parece que existe só uma rua) fica 20 minutos “de carro” até a entrada do Parque Nacional do Caparaó.
Na própria rodoviária de Guaçui colhemos algumas informações e conseguimos o telefone de uma pousada em Pedra Menina, liguei para a Pousada dos Anjos, fui atendido por Sr. João Querubim, dono da pousada que me informou que seria impossível nos hospedar, pelo motivo de lotação, mas deu o telefone de uma simpática senhora “Dona Marlene”, que nos ofereceu uma hospedagem em sua casa (R$15,00 diária por pessoa). Esta é uma atividade comum por lá, pois a vila está iniciando o processo de exploração do turismo. Pegamos o ônibus para Dores, chegando na cidade, fomos almoçar no melhor restaurante “Restaurante da Dona Consuelo” (uma pensão), pagamos R$5,00 por pessoa, comida a vontade e sobremesa.
Terminamos nosso almoço e voltamos para a nossa jornada, como estávamos entediados e ansiosos, pegamos um táxi (R$50,00) para Pedra Menina, pois os ônibus tinham horários marcados, como perdemos o das 16h pegaríamos o próximo que era apenas às 18h e chegaríamos muito tarde para subir ao pico (detalhe: os ônibus em Pedra menina passam de duas em duas horas ou até mais).
Chegamos ao vilarejo de Pedra Menina, que possui uma única rua, mas é exatamente uma única rua, não foi nada difícil encontrar. D. Marlene que nos recebeu muito bem, nós deixamos as mochilas e começamos a nos preparar para a subida, sem descanso, sem banho, sem alimentação, resumindo: fiz tudo que não deveria fazer, até então a subida seria realizada à noite. Nós estávamos decidimos subir naquele momento, devido informações erradas, fui informado que a subida era fácil e rápida, tudo mentira. TOMEM CUIDADO, PARA NÃO CAIR NA MESMA ROUBADA QUE EU. O mesmo taxista fez mais uma corrida de 20 minutos até a um ponto de apoio que fica à 10 minutos do portão principal do parque (Guarita do IBAMA). Este ponto de apoio, nada mais é que uma casa de um Alemão, chamado Sasha que trabalha no transporte das pessoas, Pedra Menina/Acampamento Base e vice-versa, o acampamento Base do Pico da Bandeira (chama-se Casa Queimada, é uma área de camping, com sanitários e água encanada e um espaço de refeição, nada luxuoso, mas muito melhor do que se vê por aí). Chegamos na casa do Alemão, (eu e minha esposa), acertamos o transporte, R$60,00, em grupo é bem melhor porque o valor pode ser dividido entre as pessoas, como éramos em dois, acabou ficando caro.
Fomos embora, chegamos na entrada principal do Parque por volta das 20:30, é permitido entrar até às 22:00, o guarda não queria deixar a gente subir porque, contrariando todas as informações que eu havia coletado, era necessário fazer reserva antecipada para ingressar, bastava uma ligação. Esta dica é muito importante.
Depois de uma boa conversa, o guarda liberou a nossa entrada. Pagamos a taxa de R$9,00 por pessoa, e logo depois ele nos informou que lá na Casa Queimada era muito frio, mas eu nunca imaginei que fosse tão frio, eu achava que estava bem agasalhado. Negligenciei a dica do guarda, estava totalmente despreparado, e o pior, eu não levei nada para a subida: barraca, saco de dormir e etc, pois os nativos disseram que não era necessário. Levei somente a mochila de ataque, com algumas coisas dentro: água, chocolate, lanterna e mais um agasalho.
Passamos a cancela, o Alemão levou a gente até o acampamento, mais 50 minutos de estrada de terra, muito íngreme e perigosa.
Como a primeira idéia era subir o pico a noite, em uma conversa com o João Querubim, ele me garantiu que a subida para o Pico, era igual a uma romaria, tinha gente subindo que não acabava mais. Então eu achei que iria chegar no acampamento e iria subir na seqüência.
TUDO ERRADO !!!
Cheguei no acampamento, não tinha ninguém subindo naquela hora. Tinha um grupo do Rio de Janeiro muito bem preparado, que começaria a subida às 3:00 da manhã, eu cheguei ás 21:30, além de não ter onde esperar, eu não estava tão bem preparado assim. Pedi para o líder do grupo para que eu e minha esposa pudéssemos acompanhar o grupo, ele concordou, mas depois eu comecei a sentir medo. Todas as pessoas que estavam acampadas, tinham abrigo e estavam muito bem preparadas para passar a noite. A temperatura chegou a -8º, é um absurdo, para quem não tem tinha nem mesmo uma barraca.
Neste momento minha esposa começou a chorar, sentamos na porta do banheiro (vestiário) num frio que eu nunca havia imaginado. Ficamos ali por um momento, me senti culpado por toda aquela desgraça. Estávamos no relento da noite, sem abrigo, comida e roupa adequada, sem poder voltar para a casa da D. Marlene porque estávamos muito longe e não sabíamos como chegar por causa da mata fechada, minha garganta deu um nó. Não sabia o que fazer !
Até que chegou uma moça, perguntou o que estava acontecendo, contamos o ocorrido, ela chamou um amigo dela para nos ajudar. O grupo de pessoas acampadas que ela fazia parte era grande, e por um acaso estavam sobrando barracas. Ele simplesmente nos emprestou uma barraca! Já não estávamos mais no relento, tínhamos agora uma barraca!
Passamos a noite inteira cochilando em pequenos intervalos, só com a roupa do corpo, contando os minutos para a noite acabar! Foi uma noite tenebrosa, eu só pensava em ir embora!! Eu poderia facilmente ter morrido de hipotermia, isso é seriíssimo.
Combinei com minha esposa, que assim que o sol nascesse iríamos embora. Estava decidido!
17/6/06
Quando vi os primeiros raios de sol, me enchi de esperança, minha confiança havia retornado, estava decidido a ir embora!!
Eu e minha esposa saímos da barraca, não agüentávamos mais, ela olhou para mim e disse: -Depois do que passamos durante a noite, vamos embora?! Vamos subir esta porra!!! (SANTA FRASE).
- Então vamos! (Eu disse)
Logo em seguida o Leonardo apareceu, e veio nos auxiliar. Nos apresentou para o restante do grupo, fomos muito bem recebidos, nos forneceu café da manhã, lanche para a trilha e passou algumas boas dicas, “gente finíssima”, após este episodio, comecei a olhar com outros olhos a necessidade das pessoas.
Este grupo era de Colatina (Espírito Santo), foram sensacionais, inesquecíveis.
Uma dica muito importante para quem vai subir o pico de manhã, é partir logo cedo, para retornar cedo, no meio da mata escurece muito rápido.
Minha esposa conheceu na porta do banheiro uma moça chamada Tati, que iria subir o morro naquele horário, pedimos para irmos no seu grupo, ela concordou e fomos; detalhe eles são de Colatina. Ela estava com o seu marido (Faiçal), o Adolfo (era a 4º vez no mês que ele iria subir o pico), mais a esposa e os filhos do Adolfo, o mais novo tinha 9 anos.
Enfim começamos a subida, logo de início percebemos que o Adolfo e seus agregados estavam em uma forma muito melhor que à nossa, eles subiram muito mais rápido que nós. Eu, Vanessa, Tati e Faiçal, subimos no mesmo ritmo.
Passamos a longa subida juntos, foi bem legal.
A medida que íamos subindo, deslumbrávamos uma linda paisagem com um vento cortante; algo extremamente diferente de tudo que eu já havia feito. Estava curtindo cada momento da subida. Não é um percurso difícil e não é necessário uso de cordas. A trilha inteira é sinalizada, é só respeitar o caminho, aqui sim é fácil, mas é necessário preparo físico. Foi demais !
Ao chegar no cume da Montanha, tive a sensação de superação, em vista do que tinha acontecido, foi algo fantástico, ver todas aquelas nuvens, estar em um lugar pouco visitado, uma paisagem fantástica, foi um momento marcante na minha vida, que certamente não irei esquecer. Para quem gosta de trilhas, Pico da Bandeira tem que estar no topo da lista de lugares a conhecer.
Após uma seção de fotos (15 minutos), lá vamos nós novamente, agora no sentido contrário, é a parte mais perigosa, portanto cuidado, a firmeza das pernas não é mais a mesma.
E lá fomos nós, eu e a Vã, o Faiçal e a Tati, descemos sem maiores problemas, demoramos 3 horas para descer e quatro para subir.
Chegamos no acampamento base sem problemas, o Faiçal nos ofereceu uma carona para descermos até Pedra Menina e que foi muito bem aceita. Em Pedra Menina nos despedimos satisfeitos com a superação e felizes com os novos amigos.
Chegamos na pousada na D. Marlene, não fizemos mais nada a não ser tomar banho, jantar (R$5,00) e dormir. Fomos dormir por volta das 20:30.
18/6/06
Acordamos por volta das 9:00 da manhã demos uma volta pelo vilarejo e começamos o trajeto de volta. Quando era aproxidamente 20:30, chegamos em Vitória, tudo que havíamos passado, agora fazia parte do passado, nos hospedamos em um hotel legal, pedimos uma pizza que o slogan era “A verdadeira Pizza Paulistana”, de paulista não tinha nada, era muito ruim, para conseguir engolir, era necessário colocar catchup e maionese. Dormimos cedo, pois no dia seguinte era hora de voltar para casa.
19/6/06
Acordamos, fomos para o aeroporto; E o que aconteceu ?
Overbook de novo, ocorreu um overbook na ida também !
Saímos de Vitória às 11:00 da manhã, chegamos em São Paulo às 13:00, deixei a Vanessa no aeroporto e fui direto para o trabalho. Cheguei atrasado mas cheguei. Saí do trabalho, fui o mais rápido possível para a casa, não via a hora de rever a minha cama.
NOTA
Espero que este diário, possa ser de grande ajuda para todos aqueles que tenham a intenção de subir o Pico, não ficaria nenhum um pouco contente em saber que alguém passou, o que eu passei, todo o aperto que infelizmente eu vivi, foi devido a falta de informação e negligência, esta foi a minha 1º viagem, eu não tinha idéia de como preparar uma viagem deste estilo.
Hoje, sou mochileiro devido a esta viagem, orgulhosamente, posso dizer as viagens seguintes, tem sido perfeitamente realizadas.
Nunca mais eu passei frio em viagem.