"Já fazia mais de hora que o sol havia nos abandonado, quando uma tempestade desabou sobre nossos ombros. A noite era tão escura , que eu mal enxergava o Thiaguinho que desembestou na dianteira, ladeira abaixo e quando tentei acionar os freios, as rodas trepidaram, balançaram de um lado para o outro e eu me vi totalmente desamparado , virei passageiro daquela geringonça dos anos 80. A velocidade só fazia aumentar, pensei em me jogar pro barranco, mas as valetas laterais teriam me moído no buraco. Tento manter a calma, mas as minhas energias depois de mais de 12 horas de pedalada, me levam a um transe de resiliência. Penso em pular, mas aí me vem a lembrança, o dia em que eu e meu irmão, numa infância distante, nos jogamos de cima de uma bicicleta sem freio, numa ladeira da nossa aldeia e acabamos sendo trucidados pelo chão. Enfio o tênis na roda traseira, mas o solado do maldito é daqueles tênis de atletismo e o atrito não resolve porra nenhuma. Mesmo assim, continuo tentando e quando vejo que o terreno se arrefeceu um pouco, boto os pés no chão e ao encontrar um amontoado de areia, pulo, como quem pula de um caminhão desgovernado, mas sem soltar as mão da bicicleta. Fico no cai, mas não cai, danço conforme a ondulação do terreno, até que quando me vejo estabilizado, largo mão daquela merda e me esparramo na areia molhada, enquanto o veículo do satanás, de duas rodas, segue seu caminho até se deter mais à frente. Eu não sou mais ninguém, o ciclista animado da manhã, agora parece um ser que não consegue se sustentar sobre as próprias pernas , estou acabado, a vontade é sentar e chorar."............................
No centro do Estado de São Paulo, a 200 km da sua capital, uma região de incontáveis atrações naturais, ainda se mantém muito longe do turismo de massa, ainda que sua cidade mais famosa, BROTAS, acabe por cooptar a maioria do turismo, se intitulando a Capital da Aventura no Estado. Mas a região vai muito mais além do que a sua cidade mais famosa, na verdade, são dezenas de cidade compondo uma grande região turística, mas que sinceramente, até para mim que vivo ao seu redor, me soa um pouco confuso. Costuma-se denominar algumas cidades como CHAPADA GUARANÍ, que seriam cidades encima de uma grande mesa basáltica, um incrível chapadão, uma espécie de, guardando as suas devidas proporções, Chapada Diamantina Paulista.
Acontece que, embaixo desses chapadões, também temos pequenas cidades de belezas muito cênicas, aliás, são cidades que recebem as águas que despencam das mesas e é por onde se pode acessar algumas cachoeiras. Mas não é só isso, são cavernas, formações rochosas, vilarejos charmosos, trilhas para motocross, jeep, bicicleta, formações rochosas, morros testemunhos, mirantes de perder o fôlego. Algumas dessas cidades compõe o CIRCUITO DA SERRA DO ITAQUERI e outras o circuito CHAPADA GUARANÍ, na verdade, uma salada difícil de compreender porque várias cidades acabam por fazer partes de todas as denominações e como a região é gigante, o governo do Estado e secretaria de turismo, ainda dividiu em outra região que chamou de circuito CUESTA PAULISTA.
Já fazia anos que o Thiaguinho me cobrava uma pedalada nessa região e como eu não me manifestava, colocando uma data, ele simplesmente me forçou a sair da moita e numa sexta-feira à tarde me informou que passaria na minha casa, sábado à noite e me pegaria com seu carro, porque já era hora da empreitada sair do papel. Coube a mim elaborar um roteiro, já que, apesar de frequentar muito a região, eu nunca tinha me aventurado sobre 2 rodas, então decidi que o nosso ponto de partida seria a minúscula e pacata IPEÚNA, uma charmosa cidadezinha de meia dúzia de habitantes, onde eu pretendia estacionar o carro e fazer um circuito tranquilo, de uns 60 km de pedaladas, subindo a chapada e voltando para o mesmo lugar.
Por volta das 8 da manhã, estacionamos na praça central de Ipeúna, bem da rua abaixo da sua igreja central, em frente da base policial. O Thiaguinho sacou logo sua bike de última geração e eu tomei posse de um trambolho fabricado na década de 80, uma bicicleta bem conservada, mas sem as tecnologias atuais, apenas algumas mudanças aqui e ali, mas no final do dia, eu iria descobrir que não havia sido suficiente.
O nosso caminho seguiu exatamente pela rua que estávamos e em poucos minutos, numa curva, deixamos o asfalto e ganhamos as estradas de terra junto à uma bifurcação. Logo o caminho desembesta para baixo e desce até um vale e aí a subida desafia nossa capacidade de pedalar, ainda com o corpo frio, mas eu logo arrego e empurro ladeira acima e quando se estabiliza, a estrada vira um amontoado de areia e logo à frente, uma bifurcação junto à uma placa, faz a gente parar e admirar os paredões avermelhados da Serra do Itaquerí, de frente para uma formação característica conhecida como CABEÇA DE ÍNDIO. É a primeira vez que o Thiaguinho tem contato com essa paisagem e realmente, é uma visão lindíssima e surpreendente por estar tão perto da capital e ser conhecida por poucos.
A previsão de mal tempo não se confirmou, o sol já queima sem piedade e na bifurcação, pegamos para a direita e vamos seguir como quem vai ao encontro da Cabeça de Índio e cerca de 6 km desde a cidade, uma porteira lateral nos chama a atenção para um mirante espetacular para a grande formação rochosa, então nos detivemos por um tempo para um gole de água e uma foto.
O terreno parece que vai se estabilizar, mas hora ou outra, nos deparamos com alguma ladeira e o calor inclemente da manhã, vai minando nossas energias. O cenário é muito bonito e nossa direção vai seguir o caminho que nos levará para a subida da serra. Antes de subir a serrinha, eu pretendia deixar as bikes escondidas e tentar reencontrar a Gruta da Boca do Sapo, mas achei que perderíamos muito tempo nela, haja visto que esse roteiro eu havia estabelecido para ser feito em 2 dias e estava apenas adaptando a quilometragem para um único dia, então passamos batidos e iniciamos a subida da serra, abandonaríamos a planície local e subiríamos de vez para os chapadões, era hora de ganharmos altitude.
Nossa pedalada inicial então chega ao km 12, que de bicicleta poderia significar absolutamente nada, mas diante do terreno arenoso e das primeiras subidas intermináveis sob um sol escaldante, já faz a gente começar a botar a língua de fora. No início da subida da serra o terreno vai se elevando lentamente, mas não dá nem 300 metros e pedalar já não é mais opção, não só pelo terreno inclinado, mas pelas grandes pedras que inviabilizam a progressão montado nas bikes . Empurrar bicicleta ladeira acima é um martírio que vamos absorvendo, um sofrimento que é preciso passar, sob o pretexto de que quando chegarmos lá encima, tudo vai ser diferente, e é vivendo nessa ilusão que nos apegamos à nossa força interior e quando atingimos uns dois terços do caminho, nos deparamos com um MIRANTE que nos faz voltar a sorrir novamente e continuar acreditando nas mentiras que a nossa cabeça criou.
Como não há sofrimento que dure para sempre, uma última curva da serra é deixada para trás e do nosso lado direito, meia dúzia de eucaliptos força a nossa parada e mesmo que ainda não seja definitivamente o fim da subida, será ali que abandonaremos provisoriamente a estrada, em favor de uma TRILHA que sai à direita e entra num capinzal alto, tão escondida que se não forçar passagem na alta vegetação inicial, quem não conhece e não tem nenhuma referência, passará batido.
Levamos cerca de 45 minutos empurrando as bicicletas para ganharmos quase todo o chapadão e agora, vamos abandoná-las no mato e ganharmos a trilha a pé, rumo a uma das grandes joias da Serra do Itaqueri . Então, forçando passagem no capim alto, uns 10 metros depois a trilha surgirá, aberta e bem consolidada, vai se curvar para a esquerda e descerá meio que em nível até começar a despencar de vez, curvar quase 90 graus para a direita, onde encontraremos uma arvore monstruosa e começar a percorrer um paredão de arenito que estará a nossa direita.
Não há erro, é preciso se manter quase que colado nos paredões, às vezes não mais que 5 metros de distância deles, passamos por um filete de água que despenca de cima do próprio paredão, onde poderemos abastecer os cantis, contornamos um terreno encharcado até que surpreendentemente, daremos de cara com a enorme boca da GRUTA DO FAZENDÃO.
Para quem chega, pode se surpreender com as pichações do passado, mas hoje praticamente essa prática cessou e mesmo não havendo nenhuma fiscalização, pelo estado que encontramos a trilha, percebemos que a gruta quase não está sendo visitada. Ao subir as pedras que antecedem a entrada da gruta, é possível sentir a grandiosidade do seu pórtico. A gruta do Fazendão é daqueles lugares que sempre gosto de levar os amigos e apresentar como sendo parte do meu quintal, já que a maioria do meu círculo de amizades, ligadas ao mundo de aventura, são de gente da Capital Paulista e eu acabo por me tornar um dos poucos representantes do interior. Uma vez inventei de trazer uns amigos na gruta, alguns deles jamais haviam entrada numa caverna antes, apesar de já serem exploradores que já rodaram meio mundo. E mesmo os que já estiveram em cavernas, nunca tinha entrado em cavidades areníticas, onde em algumas é preciso se rastejar feito um lagarto. E um desses amigos passou mal, deu pit, simplesmente teve uma crise de pânico e tivemos que evacuar a gruta às pressa, o que no final, rendeu muita zoeira e altas risadas.
Nos apossamos das nossas lanternas e subimos os blocos de pedras, que num passado muito distante, desmoronou do teto. No início, a impressão é que a gruta não passa de uma pequena cavidade, baixa e sem muito interesse, mas em um minuto a desconfiança da lugar a grandiosidade . Um corredor gigante se abre e o teto se eleva e nos surpreende, porque 2 minutos depois, a escuridão absoluta toma conta do lugar e quem não está familiarizado com esse tipo de ambiente, já começa a ter um desconforto. Num primeiro momento, a gruta é horizontal, anda-se em pé porque o espaço é amplo, com um grande corredor . O teto é alto , mas o chão apresenta irregularidades , onde algumas fendas vão deixando os visitantes de primeira viagem, um pouco desconfiádos.
Eu sigo à frente, fazendo as vezes de guia, mas já conhecedor dos caminhos que vão levar aos becos mais aventureiros, rapidamente abandono o caminho fácil e desimpedido , em favor de uma greta a direita do caminho, encostando na parede da caverna., onde desço por uma pequena rampa até me ver de frente à um buraco de rato.
É aqui que começa a brincadeira, num buraco de uns 50 centímetros de largura por uns 10 metros de comprimento, iremos adentrar no corredor de arenito, nos rastejando feito vermes, encostando nossas barrigas no chão e ganhando terreno metro à metro , até nos vermos dentro de um grande salão no centro da terra, com seu teto alto , sua temperatura gelada , uma cena iluminada pelas luz das nossas lanternas, como quem adentra nas histórias de Júlio Verne.
O Thiaguinho passou muito bem e parece se encantar com o novo ambiente e mesmo eu, acostumado à exploração de cavernas desde os primórdios da minha vida de aventura, ainda consigo me surpreender com esse mundo fascinante.
Uma nova passagem em formato de um pequeno pórtico, nos leva para outro salão, tão grande quando os 2 primeiros e a saída desse terceiro salão, é pela esquerda, subindo rastejando numa rampa , que vai passar por uma perigosa e profunda fenda e então virando para a direita, chegando ao salão dos morcegos , um amontoado de centenas deles, que estão agrupados no teto e ao sentirem nossa presença e nossas lanternas, tomam conta da caverna, voando de um lado para o outro, às vezes trombando nas nossas cabeças.
A saída é retornar para a esquerda, cruzando por uma passarela natural sobre a fenda que havíamos passado, com cuidado para não cair em outras cavidades, avançando lentamente, vagarosamente, até perceber ao longe, um facho de luz que nos indica a saída ou seja , o nosso ponto de partida. Foi uma exploração proveitosa e antes de deixarmos a gruta para trás, fizemos uma parada para um lanche e um gole de água.
Retornamos pelo mesmo caminho que viermos, agora subindo lentamente até reencontrarmos nossas bicicletas e ganharmos novamente a rua. Ainda iremos subir por uns 200 metros até que o terreno se estabiliza de vez, definitivamente agora, estamos em cina da CHAPADA PAULISTA, galgamos com dificuldade, mas enfim subimos à grande mesa . Logo à frente cruzamos por uma lagoinha à nossa esquerda, onde penso em me jogar , mas menos de 5 minutos , também à nossa esquerda, uma lagoa gigante desafia a minha capicidade de resistir, mas não resisto e não faço nenhuma questão. Jogo a bike no capim, tiro meu tênis e com roupa e tudo , saio correndo e me jogo na água. O calor tá de lascar e o Thiaguinho vem junto e em um minuto, somos dois moleques se regozijando nas aguas mornas .
Voltamos à estradinha até que ela chega a uma espécie de “T”, aí vamos pegar para a direita. Estamos agora indo ao encontro da Cachoeira da Lapinha e estradinha ao chegar a um cruzamento em forma de triangulo, nos obriga a viramos para a direita e aí vamos descer pra valer, tentando segurar os freios até quando ela se estabiliza, passa por uma floresta de eucalipto e aí temos que nos deter junto a um pequeno riacho que despenca no vazio, formando a cachoeira em questão.
A CACHOIERA DA LAPINHA, também é conhecida como Cachoeira do Carro Caído, devido a uma carcaça de um veículo que se encontra nos pés da queda. No passado, a gente explorou todo o vale vindo por baixo, mas a cachoeira estava com pouca água e não há propriamente uma trilha que se possa chegar partindo de cima, mas com um pouco de habilidade e sem medo dos riscos, é possível descer pela esquerda dela, desescalando uma parede perigosa, mas não ali onde a queda despenca, claro, tem que se afastar uns 300 metros, cair no leito do rio e subir até onde ela despenca.
Nos despedimos da Cachoeira, atravessamos a pontinha e seguimos adiante, apreciando as florestas de eucaliptos e sempre seguindo na principal, nosso rumo vai tomar a direção do Bar do Valentim, onde está a Cachoeira São José, sempre atentos as placas. Da Cachoeira da lapinha até a Cachoeira São José, serão exatos mais 6 km de pedalada e é um caminho belíssimo e agradável, por ser quase só descida e quando lá chegamos, nossa quilometragem vai bater exatos 25 km, pouca coisa, mas não se engane, a atividade não foi feita só de pedalar, então, já um tanto cansado, estacionamos junto ao bar, onde dezenas de pessoas se amontoam, gente de bike, de moto, de jeep, corredores de montanha, ali é parada para todas as tribos.
O bar é onde se pode tomar umas cervejas, uns sucos, comer alguma coisa ou somente descer as escadarias e ir tomar um bom banho na CACHOEIRA SÃO JOSÉ, porque a entrada é gratuita. A cachoeira não é muito alta e suas águas escuras são proveniente de terrenos areníticos com rochas basálticas, portanto, a água é avermelhada, meio cor de barro, mas com o calor que está fazendo, não vamos ficar de mi-mi-mi e não demorou muito pra gente se enfiar embaixo dela e lá ficar, aplacando o calor intenso dessa final de manhã.
Uns 15 anos atrás, eu havia chegado até aqui, mas vindo motorizado, foi quando nosso 4x4 atolou dentro de um rio e eu e minha filha ficamos horas tentando desatolá-lo, lutando contra o tempo e contra uma tempestade que se avizinhava, não levasse a gente embora caso enchesse o riacho. Acampamos próximo ao bar, mas não chegamos nem a conhecer a Cachoeira, que estava fechada. Então a partir de agora, todo o caminho à frente seria uma novidade também para mim.
Montamos nas bicicletas e prosseguimos, mas não deu nem 500 metros, fomos obrigados a desmontar novamente. O cenário que nos foi apresentado era surpreendente, sem aviso prévio, um cânion de proporções gigantescas surgiu à nossa frente. E não posso nem negar que desconhecia a sua existência, já que tinha ideia que havia uma cachoeira que despencava ali nas redondezas do bar, mas nunca que eu iria imaginar que seria daquela magnitude.
O CÂNION PASSA CINCO, me desconcertou, ainda que a grande cachoeira de mesmo nome, tivesse a sua vista muito prejudicada. Mas era mesmo surpreendente, um gigantesco abismo com bem mais de 100 metros de altura, de onde 2 quedas d’agua se precipitavam no vazio, emolduradas por uma floresta verdinha.
Claramente, por ali seria impossível descer ao fundo do cânion, então retomamos o arremedo de estrada e em mais 1,5 km, numa bifurcação tripla, vamos quebrar para esquerda e uns 150metros depois, vai surgir à direita, uma trilha que irá nos levar definitivamente para dentro do cânion. Estamos na TRILHA DO LISINHO, uma trilha somente para quem pratica motocross, com veículos especializados e com experiência vasta no assunto, evidentemente, não é nem de longe uma trilha para bicicletas, mas como ninguém havia nos dito nada, embicamos a nossa bike e fomos nos fuder naquela desgraça.
Logo no começo, já vimos que seria uma encrenca, mas sem conhecer, esperávamos que o terreno melhoraria mais à frente. Ledo engano, cada vez foi é piorando mais. As valetas eram capaz de engolir nossa bicicletas e era praticamente impossível pedalar e quando tentávamos, não era raro cairmos nos buracos e termos nossas canelas dilaceradas pelos pedais que batiam nas paredes laterais e voltavam nas nossas pernas. Aquilo foi um verdadeiro inferno, ainda que a gente se divertisse com a pataquada que acabamos nos metendo, a descida foi minando nossa energia, já que o calor ainda se mantinha insuportável.
Levamos uma meia hora ou mais para chegar ao fundo do cânion, mas mesmo assim, as trilhas ainda se mantinham confusas, parecia que não iam dar em lugar nenhum e empurrar as bicicletas já foi se tornando um verdadeiro martírio. Claro, a gente não se deu conta de que estávamos tomando decisões erradas e que deveríamos ter abandonado as bikes e seguido á pé por dentro do cânion, até conseguirmos interceptar as grandes cachoeiras. Mas chegou uma hora que a gente resolveu voltar, simplesmente o dia já começava a escorregar por entre os dedos e já havíamos passado das 14 horas e aí nos demos contas que não tínhamos mais tempo para explorações, era hora de voltar ao nosso roteiro original.
Dentro do cânion, junto ao rio que corta todo o vale, resolvemos que deveríamos atravessar para o outro lado, tentar achar um caminho que subisse as paredes opostas do vale, porque voltar pela trilha do Lisinho, estava fora de cogitação. Então atravessamos o rio com as bicicletas nas costas e ao chegarmos no centro do cânion, o horizonte se abriu e interceptamos uma sede de fazenda totalmente abandonada, um lugar lindíssimo, onde chegava uma estrada. Essa estrada ao chegar ao casarão abandonado, se transformava numa trilha que ia se enfiando para dentro do cânion, indo na direção do fundo dele, onde estavam as cachoeiras. Seguimos essa trilha por uns 5 minutos, mas logo desistimos de vez, o tempo urge, era chegado a hora de pular fora dali.
Analisamos o mapa, vislumbramos uma saída por uma perna do cânion, na verdade, outro cânion lateral. Então tomamos o rumo de quem vai em direção a entrada do vale, passamos por mais uma casa abandonada, subimos uma trilha pela sua esquerda até chegarmos ao outro cânion, onde uns bois mal-encarados nos deram as boas-vindas, louco para nos dar umas chifradas. Ali começamos a subir, na esperança que no seu final, houvesse um caminho que nos levasse para cima das paredes, ainda que tivéssemos que carregar as bikes nas costas.
Mas não adiantou, o caminho não tinha saída. Estávamos presos, não havia mais o que fazer, tínhamos que retornar, repensar nosso caminho, agora havia chegado a hora de achar uma rota de fuga. O Thiaguinho voltou rápido, eu já começava a capengar com aquela bicicleta pesada e na ânsia de alcançá-lo, meti marcha no meio da trilhinha junto ao pasto, mas um tronco estacionado fora das minhas vistas, foi o obstáculo que faltava para eu bater com a roda dianteira e ser catapultado barranco abaixo, eu de um lado, bike do outro, canela arrebentada e guidão entortado, o chão é o refúgio dos trouxas sobre 2 rodas.
Levanto-me, ainda puto, mas logo estou rindo sozinho da situação. Alcanço o Thiaguinho e tomamos o rumo da saída, passamos pelos bois, pulamos uma cerca de arame e ganhamos uma estrada larga, onde uma ponte decrepita, impede a passagem de carros. Em poucos minutos passamos por uma única casa que parecia ser habitada e ganhamos a estrada em definitivo, assim que cruzamos mais uma ponte, de onde era possível avistar sobre nossos cabeças, o MORRO DO GORILA, uma linda formação de arenito.
Verdade seja dita, a tarde praticamente já se foi e o dia já é capenga, apesar de ainda haver sol. Depois de atravessar a ponte , a estrada de areia vai seguir quase em nível, o que ajuda a gente a conseguir peladar um pouco mais forte, mas não demora muito, observo que o Thiaguinho para imediatamente à frente e sem perceber, desvio rapidamente de uma cascavel que por um pouco não picou a picou a perna dele, foi muita sorte. Dois quilômetros depois, passamos por um bar, que estava fechado , mas um senhor nos indicou que se quisessemos voltar pra Ipeúna, teríamos que virar a direira e seguir pedalando até o curral de uma fazenda, onde deveriamos contornar pela direita e nos apegarmos à estrada principal.
Como sol ja está bem baixo, os paredões do nosso lado direito, vão ficando belíssimos. Mas se o cenário é de tirar o fôlego, o caminho é de tirar a nossa paciência. O areião vai travando a gente , a pedalada não desenvolve, eu praticamente não tenho mais água, a comida acabou faz horas . Claro que poderiamos buscar socorro em algum sitio próximo, pelo menos pra buscar uma hidratação, mas a vontade é de chegar, de encerrar . As pernas já pedalam no modo automático, a minha bicicleta começa a dar sinais que o freio não quer mais funcionar e cada vez, preciso fazer mais força com as mãos.
E a gente pedala, e à frente dos nossos olhos, vão ficando para trás uma infinidade de pequenas propriedades rurais, choupanas jogadas à beira do caminho, matutos e seus animais de estimação, bois, vacas, cavalos, tratores, carroças, plantações, riachos , capões de mato, num sobe e desse sem parar, até que nem eu, nem equipamento aguentam mais . Os freios da bicicleta se foram, a minha capacidade de seguir pedalando , virou pó. Sou um homem entregue ao meu próprio sofrimento, ao meu desespero individual. Não consigo nem mensurar o que o Thiaguinho deve estar pensando de mim, também estou numa condição que nem me importo mais , sou só um homem morto que não caiu porque ainda me resta um brio interior, tentando resguardar o ultimo vestigio de dignidade que me sobrou.
Já fazia mais de hora que o sol havia nos abandonado, quando uma tempestade desabou sobre nossos ombros. A noite era tão escura , que eu mal enxergava o Thiaguinho , que desembestou na dianteira, ladeira abaixo e quando tentei acionar os freios, as rodas trepidaram, balançaram de um lado para o outro e eu me vi totalmente desamparado , virei passageiro daquela geringonça dos anos 80. A velocidade só fazia aumentar, pensei em me jogar pro barranco, mas as valetas laterais teriam me moído no buraco. Tento manter a calma, mas as minhas energias depois de mais de 12 horas de pedalada, me levam a um transe de resiliência. Penso em pular, mas aí me vem a lembrança, o dia em que eu e meu irmão, numa infância distante, nos jogamos de cima de uma bicicleta sem freio, numa ladeira da nossa aldeia e acabamos sendo trucidados pelo chão. Enfio o tênis na roda traseira, mas o solado do maldito é daqueles tênis de atletismo e o atrito não resolve porra nenhuma. Mesmo assim, continuo tentando e quando vejo que o terreno se arrefeceu um pouco, boto os pés no chão e ao encontrar um amontoado de areia, pulo, como quem pula de um caminhão desgovernado, mas sem soltar as mão da bicicleta. Fico no cai, mas não cai, danço conforme a ondulação do terreno, até que quando me vejo estabilizado, largo mão daquela merda e me esparramo na areia molhada, enquanto o veículo do satanás, de duas rodas, segue seu caminho até se deter mais à frente. Eu não sou mais ninguém, o ciclista animado da manhã, agora parece um ser que não consegue se sustentar sobre as próprias pernas , estou acabado, a vontade é sentar e chorar.
Agora a coisa ficou feia de vez. Até então, a minha capacidade de pedalar já não existia mais , só que agora, sem nada de freios, eu não conseguia nem descer as ladeiras montado, porque naquela escuridão avassaladora, não conseguia ver nada , saber se a ladeira era perigosa ou não. Então, eu subia empurrado e descia empurrando, enquanto a chuva fria castigava nossa cacunda. E nem quando o Thiaguinho me chamou a atenção para as luses da cidade, que se apresentou à nossa frente , eu me animei. Mas eu continuei, cabeça baixa , moral abaixo do volume morto . As cãibras surgirem , era algo inevitavel , a cada 15 ou 20 minutos, lá estava eu, jogado ao chão, com os musculos enriquecidos, dores tão fortes quanto a minha vergonha diante da situação.
Só quando passamos enfrente aos campings , foi que me dei conta que estavamos perto do asfalto e quando lá chegamos, minha vontade era de jogar a bicicleta fora , porque eu já não tinha mais forças nem pra pedalar no terreno plano e firme, por isso empurrei na maior parte do tempo, até que quase NOVE da noite, desembocamos em definitivo na PRAÇA CENTAL de Ipeúna, quase 13 horas de pedaladas e então , nos sentamos à frente da barraca de lanches e quando o sanduiche de costela atingiu a minha corrente sanguinia , uma lagrima escapou dos meus olhos.
Quando o Thiaguinho lançou o convite, pensei em recusar, eu estava fisicamente destruído por atividades ligadas a outros esportes tradicionais. Mas achei que seria deselegante deixá-lo na mão, já que era uma promessa antiga , que eu vinha adiando, mesmo assim , deixei bem claro que só iria com o intuito de fazer um belo passeio, apenas pra mostrar parte da região pra ele. O problema, é que a maldita palavra "passeio" jamais fez parte do nosso vocabulário, quando a gente inventa algo, será sempre acima da nossa capacidade de bom senso. O suposto passeio, se tornou numa jornada de quase 13 horas , um epopéia de achados e perdidos , que misturou montain bike com exploração de cavernas, mergulho em lagoas, descida à cânions, banho de cachoeira, pedaladas em trilhas e pastos sem caminhos . Saímos em busca de uma jornada tranquila, voltamos destruídos pela aventuda que encontramos pelo caminho.
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Depois de quase um ano planejando conhecer os Lençóis Maranhenses, descobri a Rota das Emoções e 7 Cidades, e resolvi me arriscar em janeiro/13. Sozinha e com o orçamento “arrochado”, decidi estipular um valor para gastar e ver se conseguiria cumprir o combinado. Lendo alguns relatos e contando meu dinheiro, vi que poderia gastar R$160,00/dia.
Como eu tinha milhas da Tam, já iria economizar mto na passagem.
Li tbm sobre a seca q castigava o nordeste nessa época, mas lendo blogs e relatos de pessoas q viajaram nessa época, vi q não teria problemas, só não conseguiria sobrevoar os lençóis pois estava tudo seco.
05/01 – 00:55 vôo TAM milhas – Porto Velho /Teresina
Chegando no aeroporto em Teresina as 11:10. Pedi informações sobre os pontos turísticos para visitar e fui informada que não havia mto o que se ver. As opções eram: ponte estaiada, os shoppings, Poty Velho (cerâmica) e o por do sol no rio.
Andei uns 200 metros para ir ao ponto de ônibus para a rodoviária, onde iria guardar a bagagem e fazer o city tour na cidade, pois as 19:30 iria para Piripiri. No ponto, havia um rapaz q iria para o mesmo rumo que eu, então ele me ajudou com a mala e com quais ônibus deveria pegar, como era sábado, os ônibus demoravam mais para passar, então descemos no centro e pegamos outro para a rodoviária. A vantagem de andar de ônibus, é que vc conhece uma grande parte da cidade, inclusive as partes feias rsr.
Como não queria perder tempo, peguei um moto taxi e fui até a ponte estaiada .Uma vista realmente linda. Tem um mirante, sobe de elevador, e lá de cima, da pra ver a cidade toda.
Para ir ao shopping, onde pretendia almoçar, próximo a ponte, não me aconselharam ir andando, pois havia mtos assaltos a turistas em qualquer hora do dia ou da noite. Então, fui tomar uma água de coco, no pé da ponte, com esperança que passasse algum moto taxi por esse caminho, e a moça do coco, gentilmente, me chamou um moto taxi, pois de taxi era 20,00.
Saindo do Teresina shopping, peguei um ônibus para o Poty Velho. É uma rua onde tem algumas casas que vendem peças de cerâmica. São mto bonitos, bem feitos e mto baratos, por ex.: um jogo de 3 vasos, com +- 30 a 40cm de altura, custava 38,00, dependo do modelo, 35,00, isso sem chorar o desconto. Infelizmente não comprei nada, pois era a primeira cidade do roteiro e não teria como levar as cerâmicas na mala ate o fim da viagem, tbm, minha intenção não era comprar.
Como tinha algum tempo ainda, fui a outro shopping (não me lembro o nome), preferi ficar em shopping, pois fiquei com medo “de dar bobeira” e ser assaltada, pois mtas pessoas da própria cidade me alertaram sobre isso. Enfim, comprei um lanche pra viagem e fui pra rodoviária, de moto taxi, esperar o ônibus para Piripiri.
05/01 – Cheguei em Piripiri as 22h. Fui informada pela moça do hotel, que o valor do taxi era de 40 a 50 reais nesse horário. No entanto, na rodoviária, o taxista quis me cobrar 100,00, chorei desconto e falei q sabia do preço e ele baixou para 80,00. Achando caro ainda, ele caiu na bobeira de me falar q só moto taxi cobrava menos, então, perguntei pra um moto taxi ao lado, qnto ele me cobraria, e ele me disse q fechava por 25,00, daí o taxista disse q me levava por 50,00. Poxa! Por que ele não fez esse preço antes? Eu havia falado com a moça do hotel, ela me disse esse preço e ele não quis fechar, achei um abuso, uma exploração. Estava com uma mala um pouco grande e pesada rsr, mas achei tanto abuso do taxi q fui de moto taxi. Graças a Deus, o moto taxi foi super gente boa. Coloquei a mala nas costas, pois ela tbm tem alça de mochila, e escorei na traseira da moto e fomos devagar pelos 22 km ate o hotel.
Mas enfim, eu não poderia gastar mais do que o previsto. Infelizmente, estava tão cansada que esqueci de pegar o nome e telefone do moto taxi.
06/01 – Havia reservado o hotelfazendasetecidades pela internet. Amei o hotel, limpo, comida ótima e um super café da manha, piscina, mas não tem água quente.
Na noite anterior já havia verificado sobre o passeio. Na manhã seguinte, as 08h, peguei carona com o guia ate o parque. O valor seria R$5,00, mas o guia não me cobrou, pois era o caminho dele.
Chegando lá, o guia ficou de avisar um moto taxi para voltar ao hotel para pegar um casal q iria fazer o passeio de bicicleta. Logo o casal chegou com um rapaz de carro q tbm estava hospedado no hotel, conversamos e resolvemos fazer o passeio de carro pagando somente o guia. DETALHE: forme o grupo no hotel, pois chegamos no parque separados e a moça da recepção queria cobrar 50,00 de cada um, pois não éramos um grupo. Depois de mto conversar, conseguimos fechar por 50,00 para todos.
De carro vc para em todos os pontos, vê tudo sem problema algum. Acho q o passeio a pé ou de bicicleta é para quem tem um bom preparo físico, pois o sol é mto forte e o caminho não é nada fácil, pois mesmo de carro, tem trilhas pra fazer, algumas de 40 minutos.
O passeio todo é mto bonito e as pinturas mto interessantes. Pena que mtos brasileiros não tem conhecimento disso.
Terminamos o passeio por volta das 11h e retornamos ao hotel.
Pedi meio almoço, e mesmo assim sobrou comida para o jantar. Pedi para guardar e o garçom me disse q eles fazem isso e a noite “reformam” o que sobrou. Pedi carne de sol, estava divina! No jantar, eles esquentaram a sobra do arroz carreteiro, a carne, mandioca frita e ainda fizeram uma salada de tomate, alface e pepino e não me cobraram nada por isso.
As 21:30 fui pra rodoviária em Piripiri, pois iria de ônibus expressoguanabara até Fortaleza. Dessa vez, resolvi ir de taxi até a rodo rsr.
07/01 – cheguei em Fortaleza as 06:40
Jericoacoara – transfer fretcar – combinei de pegar o ônibus na rodoviária, pois estaria lá vindo de Piripiri. Saída as 08:00
Em Jeri, fiz a reserva na Pousada Tirol jericoacoarahostel em dezembro, quase não havia vagas. Quarto compartilhado, 8 camas, feminino, banheiro e água fria rsr. O café era mto bom. Fica uns 300 metros da praia. O dono da pousada, Gaucho, super gente fina, mto atencioso, organizou os passeios escolhendo mto bem os bugueiros.
DETALHE da pousada: a área do café fica em frente aos quartos, isso significa q a noite, qndo o pessoal chega da balada, mtos ficam conversando sentados nas redes ou em volta das mesas, isso significa q vc não consegue dormir rsrs. Solução: levante-se e vá participar da conversa, o pessoal é mto gente boa rsrs.
Conheci um rapaz que ficou na pousada capitaothomaz, ele tbm pagou R$40,00, mas tem um limite de quarto compartilhado. Ele fez a reserva quase 3 meses antes. A pousada é um show, de frente para o mar, perto de vários restaurante/bar, piscina, jardim, enfim, entrem no site e vejam, eu fui visitar a pousada e amei.
Chegando em Jeri, paguei um rapaz pra levar minha mala na pousada, tem mta gente fazendo esse serviço, pois as ruas são de areia, e eu não conseguiria carregar a mala pesada sozinha rsrs.
Deixei a mala na pousada, vesti um biquíni e já fui fazer o reconhecimento do local. A praia estava linda e limpa, mto sol, e logo subi na duna para ver o por do sol q é magnífico. Prepare-se para o vento, se ficar sentada na areia saiba q vai sair de lá á milanesa rsr. Na descida, tem uma roda de capoeira, o pessoal é fera.
A noite, saí com uma turma de italianos e uma portuguesa q estava no meu quarto. Ficamos em um barzinho bem típico italiano, um pouco pra baixo da pousada, (perdi o papel com o nome). Prepare o bolso, os barzinhos mais requintados são bem carinhos. A conta saiu um pouco cara, pois o pessoal bebeu um pouco de vinho e cervejas, e o petisco era pão italiano com patês, creio q por pessoa teria ficado uns 40,00 , mas eu paguei só R$15,00, questão de cavalheirismo rsr.
Depois encontramos o restante do pessoal da pousada e fomos para o Forró. Mto bom, dançamos ate quase de manhã, não deixe de ir.
Andar em Jeri me pareceu mto seguro.
08/01 – passeio lagoas Paraíso e Azul – imperdível! Vá no bugue rosa, o “Neguinho” é um excelente guia. As lagoas são lindas, mas, na minha opinião, prefiro a lagoa Paraíso, estava super clara. Almoçamos na lagoa Azul no Restaurante Lagoa Azul (aceita cartão).
Existe sim um lugar bom e barato pra comer em Jeri: Espaço Aberto, um restaurante bem legal, serviço tipo “bandejão”, a comida é ótima, recomendo.
Nesta noite, saímos pra jantar no Espaço Aberto e voltamos pra pousada pra tomar “uma” (cerveja) e conversar um pouco.
09/01 – passeio Tatajuba – solicite o guia Noca, pensa num cara bom no volante e tbm super gente boa rsr. Ouvi pessoas falando q não iriam fazer esse passeio, pois não era bom. Mas resolvi pagar pra ver e fiquei surpresa, o passeio é lindo! Não tem lagoas tão bonitas qnto a Azul e Paraíso, mas o percurso todo é um show. Mangues com raízes gigantes e praias, infelizmente a lagoa Tatajuba estava com a água escura, parecendo água suja, o guia nos informou q isso era devido a falta de chuva, mas isso não nos impediu de entrar na água. Almoçamos na lagoa, so tem um restaurante. Leve dinheiro, pois não aceitam cartão. Comemos peixe e camarão, claro q estava ótimo rsr.
10/01 - Transfer para Parnaíba – o Gaucho fez o agendamento em uma Toyota, q quebrou logo na saída,mas, o socorro chegou rápido e fomos até Camocim. De lá peguei uma van ate Parnaíba q nos deixou na rodoviária, até aki estava incluso no valor do transfer. Lanchei na rodoviária na Lanchonete Xerife. A rodo estava limpa, mas o banheiro, um verdadeiro horror. Peguei o ônibus pra Tutóia.
Taxi ate a Pousada Embarcação. Chegando já no fim da tarde, já procurei agendar o passei pelo Delta.
Tutóia é uma cidade com um grande potencial para o turismo, porem, sem apoio algum. Dona Maria do Espirito Santo e Sr. Luis, são os donos da pousada Embarcação. Eles são de uma educação, gentileza e atenção que raras vezes pude ver no ser humano. Fiquei impressionada como eles se esforçam para deixar o hospede a vontade, como se preocupam em organizar os passeios, até parece que éramos amigos de longa data rsr.
Por indicação da D. Maria, pedi uma pizza e fui dormir cedo, pois estava cansada dos agitos em Jeri rsr
11/01 – Enfim, fazer o tão esperado passeio pelo Delta com o Sr. Josias, outro ser humano admirável, conhece mto bem a área e sabe explicar tudo por onde passeamos. Ele mesmo foi pegar um cavalo marinho para observarmos. O passeio é um espetáculo da natureza! Recomendo sem erro!
Mesmo passando protetor solar, voltei com o lado esquerdo do corpo todo queimado, estava ate me dando febre. Logo, o Sr. Luis me levou na farmácia para comprar uma pomada chamada Caladryl (para queimaduras de sol), recomendada por D. Maria, e aproveitando a viagem, já comprei um lanche para comer no hotel, e claro, descansar, pois o passeio é o dia todo e estava um pouco cansada.
12/01 – Não consegui formar um grupo para conhecer a parte de praias e lagoas, esse passeio é pouco conhecido, a maior parte dos turistas procuram em Tutóia somente o passeio pelo Delta.
Não posso deixar de citar o Anderson (Agencia Wandestur), pelo q pude observar, tbm é uma das pessoas que desejam desenvolver o turismo nessa região.
Como não consegui pessoas para fazer o passeio pelas praias, o Anderson me levou, junto com um grupo privado, para conhecer a praia, sem custo por isso. O passeio foi divertido e só não foi melhor, pois a maré estava subindo, então não tínhamos mto tempo e tivemos q voltar. Mesmo assim, na volta tivemos q passar por cima das dunas, pois a maré estava mto alta, foi uma aventura rsr.
13/01 – Fiquei de boa no hotel, curtindo preguiça, andando pela praia, aproveitando mesmo o local. Fui andando até as dunas, um lugar mto bonito. Não aproveitei mto a água, pois havia mtas folhas .
Por recomendação da D. Maria, novamente rsr, pedi um marmitex no restaurante ao lado, pagando um valor beeemm menor do que se fosse pedir o mesmo prato pra comer no restaurante.
A noite, estava mto cansada para sair, então pedi um lanche.
14/01 – Pela manhã, tomei o café no hotel e a D. Maria e Sr. Luis, foram me levar até o ponto onde saem os carros para Paulino Neves, as 09h e 15h, e depois pegar uma van até Barreirinhas.
Hospedagem na Pousada da Deusa, bem centralizada, limpa, quarto com ar condicionado. Aprovada! Fui almoçar no Restaurante do Gaucho, por indicação do pessoal da pousada. Comi carne de sol, super boa e com um preço mto bom. A tarde, andei pela cidade, não tem mto o que ver, a parte bonita é ao lado do rio Preguiças, que tem um calçadão parecendo uma avenida beira mar. Lá tem mtos bares e restaurantes, a noite fica tudo lotado rsrs.
Jantei tbm no restaurante do Gaucho, pois queria experimentar a moqueca de peixe deles, e estava ótima!
15/01 – Passeio de meio dia pelos pequenos Lençóis. Infelizmente, percebi que o Maranhão não está mto preparado para receber o turista.
Janeiro, geralmente, é mês de férias escolares no Brasil, havia mtas pessoas, e mtos turistas europeus. Os guias não são preparados, não sabem passar as informações aos turistas. Se vc não perguntar, o passeio segue sem nenhum comentário ou explicação do local.
Devido a seca, não fiz o vôo sobre os Lençóis.
Outro fator que atrapalhou mto o passeio, é a seca que vem castigando novamente essa região por dois anos. Somente a Lagoa dos Peixes estava com água, as outras estavam todas secas.
Mas, a paisagem em si é linda, mtas dunas e a areia diferente de todas que já vi rsr. Qndo voltamos da lagoa, no fim da tarde, o sol estava se pondo, então, a sombra nas dunas tinha um formato especial e deixava a paisagem parecendo um deserto.
A noite resolvi jantar em um dos restaurantes do beira rio. Comi somente petiscos de caranguejo e foi o suficiente para matar a fome.
Voltando ao hotel, havia um grupo, que não especificava a religião de ninguém, onde fizeram uma apresentação sobre a vida e morte de Jesus, de uma forma bem simples, no estilo nordestino, achei um show, foi um espetáculo grátis rsr.
16/01 – Deixei a mala na pousada e segui com o necessário para fazer o passeio Caburé / Atins.
Todos os passeios que fiz em Barreirinhas, foram agendados pela pousada, por isso não peguei o nome das agencias.
Se for fazer o passeio Vassouras/Caburé e desejar ir até Atins, lembre-se de avisar a agencia na hora de fechar o passeio, assim o valor fica o mesmo, pois se for pagar a parte, saindo de Caburé, o valor será o mesmo cobrado até Caburé.
Um super passeio, recomendo! Havia vários barcos, todos mto animados, tentando fazer um “racha” rsrs. O pessoal todo se divertiu mto!
Faça um grande esforço, mas não deixe de subir até o topo do farol, a vista é um espetáculo.
Chegando em Caburé, os guias já vem com aquela velha conversa de agendar o almoço no restaurante indicado por eles, pois eles tem o melhor preço e o melhor preparo, pois já aconteceu de turistas que foram almoçar em outros restaurantes e acabaram passando mal e perderam o passeio. Pra mim, essa informação não procede! Todos os guias indicam restaurantes super caros. Como havia lido em um relato, aqui no Mochileiros, onde dizia para percorrer os restaurantes da praia, que são ótimos e mto mais baratos. E foi o que fizemos. Pagamos super barato, comemos um peixe ótimo, e detalhe, nossa barraca estava em frente ao mar, uma praia maravilhosa, gostaria de ter mais tempo para ficar um dia completo em Caburé, só curtindo praia rsr.
Lancha para Atins as 14:30. Lembre-se de avisar a pousada para ir buscá-los na praia. Não havia ninguém da minha pousada me esperando rsr. Por sorte, o Irmão ( da pousada Irmão) estava lá esperando outros hospedes, e com uma “choradinha” consegui uma carona até a pousada dele.
Depois q chegamos na pousada, vi q o caminho é curto, porém, com areia de atolar os pés rsrs.
Atins é super pequeno! Um lugar para quem quer descanso, quase não se houve barulho nem de carro, nem de TV e mto menos de celular, pois lá quase não tem torre para celulares.
Qndo via a pousada do Irmão, me encantei! toda colorida, mto limpo e organizado. Tem o restaurante da pousada que tbm atende a outros hospedes. Pedi algumas informações, e vi q a pousada do Irmão é a melhor centralizada. Então, decidi ficar por lá mesmo, já q havia feito amizade com alguns hospedes durante o curto trajeto da praia ate a pousada.
No restante da tarde, decidimos caminhar pela praia, fazer o reconhecimento do local.
Jantar na pousada, lembrando q a noite não tem badalação e q os motores de energia elétrica funcionam somente ate as 22:30 ou 23:00. Isso mesmo, vc passa a noite sem ventilador rsr, mas, deixe a janela aberta (pois a mesma tem tela para não entrar insetos) e o quarto fica fresco.
17/01 – Combinamos q no dia seguinte iríamos almoçar no Canto do Atins, no famoso restaurante da Luzia, ótima comida e preço rasoavel.
O trajeto é mto longe mesmo, então se decidir ir caminhando por dentro dos pastos, pois a maré estava alta, se prepare com água e vista algo mto confortável e proteja-se do sol.
Havia combinado com o Irmão de ir nos buscar depois do por do sol nas dunas, pois iria anoitecer e não estávamos preparadas para uma caminhada noturna rsr.
Jantar na pousada, dormir cedo pois o carro (estilo pau de arara) iria passar as 02:30 da manha seguindo para Barreirinhas.
18/01 – Chegando em Barreirinhas as 06:30 da manha, uma viagem longa e sofrida, fui para a Pousada da Deusa, pegar o restante da bagagem e seguir para Santo Amaro.
Fiquem mto atentos qnto a esse trajeto, vc tem q ir de ônibus ou van ate sangue, só q o pior, é q no meu caso os horários de toyotas q saiam de Sangue para Santo Amaro era até as 08:00 e cheguei em Sangue as 10:00.
Como eu, havia outras 04 pessoas aguardando uma “carona”, ou seja, alguém q estivesse indo para Santo Amaro e pudesse nos levar pelo mesmo valor das toyotas.
Passado uns 40 min, passou um rapaz de Toyota e resolveu nos levar. O trajeto tbm é curto, me disseram q eram 80 km, demoramos 3 horas para percorrer esse caminho. É mta areia, o carro quase atolava, mto sol, é um sofrimento para quem tem que fazer esse trajeto diariamente, e detalhe, o carro não tinha ar condicionado, e como andava mto devagar, quase derretemos de tanto calor kkkkk.
Enfim, chegamos em Santo Amaro na Pousada da Marineide (POUSADA HOSPEDARIA SÃO JOSE – 98 3369 1074), as 13:30.
Fui mto bem recebida, a Marineide preparou um almoço pra mim de cortesia, pois naquela hora já não iria encontrar mta coisa nos restaurantes.
Passei a tarde descansando, pois a viagem acabou comigo, e a Marineide já havia me convidado para ir a festa de São Gonçalo em um povoado visinho.
A noite, pegamos outra Toyota e fomos para festa, era a inauguração da Igreja de São Gonçalo. Havia barracas de bebida, comidas e a dança típica. Uma festa bem tradicional, cheia de alegria, o povo é mto animado e eu me arrisquei a dançar São Gonçalo. A missa tbm foi animada, na hora dos cantos, tem pandeiro e outros instrumentos q alegram a canção.
19/01 – A Marineide havia agendado um passeio, para mim e um casal, para a Lagoa da Betania. Mas, enquanto tomava o café da manha o casal ligou e desmarcou o passeio. Fiquei desesperada, pois com a seca severa, não havia mto o q se ver, mas a Marineide fez uns contatos e logo conseguiu um passeio “particular” pra mim ate Queimada dos Britos.
Um super passeio!!! Era um grupo de amigos que estavam com um legitimo “Brito” rsrs. Passeamos pelas dunas em uma 4x4 com muita “emoção”.
O restaurante é um local bem simples, mas que recebe mto bem as pessoas e sem contar que a galinha com arroz é imperdível.
Enquanto o almoço estava sendo preparado, fomos ate a praia, onde somente os nativos daquela região podem freqüentar, segundo fui informada. Uma praia deserta lindíssima!
Voltamos para a pousada no fim da tarde, e como havia feito amizade com o grupo, decidimos ir ate o povoado visinho para continuar a festa de São Gonçalo.
Paramos para comer um lanche e retornar a pousada, pois sairia na madrugada para São Luis.
20/01 – Chegada em São Luis as 11:00, Albergue Solar das Pedras, localizado no centro histórico.
Penso que esse hostel é conhecido e freqüentado somente por ser da rede HI!, pois a dona, infelizmente, não tem simpatia e tão pouco educação, observei isso comigo e com outros hospedes. O ambiente é limpo e os banheiros estão sempre limpos.
Já enturmada com os outros hospedes, fomos logo a praia e passamos a tarde por lá. Na volta, juntamos a turma para fazer sanduíche natural no jantar.
21/01 – Conhecer a cidade histórica de Alcantara.
DICA: se possível, compre a passagem de barco um dia antes, pois no mesmo dia vc tem q madrugar e olhe lá se não ficar sem passagem, como ocorreu com mtos turistas. Eu madruguei e quase fiquei sem passagem, pois havia mta gente querendo ir e nos guichês acabaram as passagens e pouco depois chegou uma moça vendendo outras passagens, e todo mundo se juntou em volta dela e foi mta bagunça rsr.
Vale a pena conhecer Alcantara. Vá, forme um grupo e contrate um guia, pois ele explicará toda a historia desse lugar. É um banho de cultura. A cidade é encantadora! Pretendo retornar e ficar pelo menos duas noites em Alcantara.
22/01 – tour pelo centro histórico de São Luis. DICA: se possível, faça o tour nos feriados ou nos fins de semana pois em dias úteis o centro esta lotado de carros e as fotos não tem a mesma beleza rsr. Vá ao centro de informações ao turista e pegue o mapa com a localização de todos os pontos, o resto é tranqüilo, mas, prepare as pernas rsrs.
Cheguei em São Luis no domingo, mas, segui o conselho do recepcionista no hostel, q dizia ser mto perigoso passear no centro no domingo, ainda mais sozinha, pois todo o comercio estava fechado e eu seria um alvo fácil para os ladrões . Conversei com outros moradores de lá e me disseram a mesma coisa, que há mtos assaltos no centro historico.
Ainda tem mtos casarões em bom estado, mtos estavam sendo restaurados, alguns totalmente abandonados, mas, não deixe de conhecer.
23/01 – levantei cedo, 07h, tomei o café o fui aproveitar os utimos momentos de praia. 15:50 retorno para casa.
planilha de gastos 1 1.pdf