"Já fazia mais de hora que o sol havia nos abandonado, quando uma tempestade desabou sobre nossos ombros. A noite era tão escura , que eu mal enxergava o Thiaguinho que desembestou na dianteira, ladeira abaixo e quando tentei acionar os freios, as rodas trepidaram, balançaram de um lado para o outro e eu me vi totalmente desamparado , virei passageiro daquela geringonça dos anos 80. A velocidade só fazia aumentar, pensei em me jogar pro barranco, mas as valetas laterais teriam me moído no buraco. Tento manter a calma, mas as minhas energias depois de mais de 12 horas de pedalada, me levam a um transe de resiliência. Penso em pular, mas aí me vem a lembrança, o dia em que eu e meu irmão, numa infância distante, nos jogamos de cima de uma bicicleta sem freio, numa ladeira da nossa aldeia e acabamos sendo trucidados pelo chão. Enfio o tênis na roda traseira, mas o solado do maldito é daqueles tênis de atletismo e o atrito não resolve porra nenhuma. Mesmo assim, continuo tentando e quando vejo que o terreno se arrefeceu um pouco, boto os pés no chão e ao encontrar um amontoado de areia, pulo, como quem pula de um caminhão desgovernado, mas sem soltar as mão da bicicleta. Fico no cai, mas não cai, danço conforme a ondulação do terreno, até que quando me vejo estabilizado, largo mão daquela merda e me esparramo na areia molhada, enquanto o veículo do satanás, de duas rodas, segue seu caminho até se deter mais à frente. Eu não sou mais ninguém, o ciclista animado da manhã, agora parece um ser que não consegue se sustentar sobre as próprias pernas , estou acabado, a vontade é sentar e chorar."............................
No centro do Estado de São Paulo, a 200 km da sua capital, uma região de incontáveis atrações naturais, ainda se mantém muito longe do turismo de massa, ainda que sua cidade mais famosa, BROTAS, acabe por cooptar a maioria do turismo, se intitulando a Capital da Aventura no Estado. Mas a região vai muito mais além do que a sua cidade mais famosa, na verdade, são dezenas de cidade compondo uma grande região turística, mas que sinceramente, até para mim que vivo ao seu redor, me soa um pouco confuso. Costuma-se denominar algumas cidades como CHAPADA GUARANÍ, que seriam cidades encima de uma grande mesa basáltica, um incrível chapadão, uma espécie de, guardando as suas devidas proporções, Chapada Diamantina Paulista.
Acontece que, embaixo desses chapadões, também temos pequenas cidades de belezas muito cênicas, aliás, são cidades que recebem as águas que despencam das mesas e é por onde se pode acessar algumas cachoeiras. Mas não é só isso, são cavernas, formações rochosas, vilarejos charmosos, trilhas para motocross, jeep, bicicleta, formações rochosas, morros testemunhos, mirantes de perder o fôlego. Algumas dessas cidades compõe o CIRCUITO DA SERRA DO ITAQUERI e outras o circuito CHAPADA GUARANÍ, na verdade, uma salada difícil de compreender porque várias cidades acabam por fazer partes de todas as denominações e como a região é gigante, o governo do Estado e secretaria de turismo, ainda dividiu em outra região que chamou de circuito CUESTA PAULISTA.
Já fazia anos que o Thiaguinho me cobrava uma pedalada nessa região e como eu não me manifestava, colocando uma data, ele simplesmente me forçou a sair da moita e numa sexta-feira à tarde me informou que passaria na minha casa, sábado à noite e me pegaria com seu carro, porque já era hora da empreitada sair do papel. Coube a mim elaborar um roteiro, já que, apesar de frequentar muito a região, eu nunca tinha me aventurado sobre 2 rodas, então decidi que o nosso ponto de partida seria a minúscula e pacata IPEÚNA, uma charmosa cidadezinha de meia dúzia de habitantes, onde eu pretendia estacionar o carro e fazer um circuito tranquilo, de uns 60 km de pedaladas, subindo a chapada e voltando para o mesmo lugar.
Por volta das 8 da manhã, estacionamos na praça central de Ipeúna, bem da rua abaixo da sua igreja central, em frente da base policial. O Thiaguinho sacou logo sua bike de última geração e eu tomei posse de um trambolho fabricado na década de 80, uma bicicleta bem conservada, mas sem as tecnologias atuais, apenas algumas mudanças aqui e ali, mas no final do dia, eu iria descobrir que não havia sido suficiente.
O nosso caminho seguiu exatamente pela rua que estávamos e em poucos minutos, numa curva, deixamos o asfalto e ganhamos as estradas de terra junto à uma bifurcação. Logo o caminho desembesta para baixo e desce até um vale e aí a subida desafia nossa capacidade de pedalar, ainda com o corpo frio, mas eu logo arrego e empurro ladeira acima e quando se estabiliza, a estrada vira um amontoado de areia e logo à frente, uma bifurcação junto à uma placa, faz a gente parar e admirar os paredões avermelhados da Serra do Itaquerí, de frente para uma formação característica conhecida como CABEÇA DE ÍNDIO. É a primeira vez que o Thiaguinho tem contato com essa paisagem e realmente, é uma visão lindíssima e surpreendente por estar tão perto da capital e ser conhecida por poucos.
A previsão de mal tempo não se confirmou, o sol já queima sem piedade e na bifurcação, pegamos para a direita e vamos seguir como quem vai ao encontro da Cabeça de Índio e cerca de 6 km desde a cidade, uma porteira lateral nos chama a atenção para um mirante espetacular para a grande formação rochosa, então nos detivemos por um tempo para um gole de água e uma foto.
O terreno parece que vai se estabilizar, mas hora ou outra, nos deparamos com alguma ladeira e o calor inclemente da manhã, vai minando nossas energias. O cenário é muito bonito e nossa direção vai seguir o caminho que nos levará para a subida da serra. Antes de subir a serrinha, eu pretendia deixar as bikes escondidas e tentar reencontrar a Gruta da Boca do Sapo, mas achei que perderíamos muito tempo nela, haja visto que esse roteiro eu havia estabelecido para ser feito em 2 dias e estava apenas adaptando a quilometragem para um único dia, então passamos batidos e iniciamos a subida da serra, abandonaríamos a planície local e subiríamos de vez para os chapadões, era hora de ganharmos altitude.
Nossa pedalada inicial então chega ao km 12, que de bicicleta poderia significar absolutamente nada, mas diante do terreno arenoso e das primeiras subidas intermináveis sob um sol escaldante, já faz a gente começar a botar a língua de fora. No início da subida da serra o terreno vai se elevando lentamente, mas não dá nem 300 metros e pedalar já não é mais opção, não só pelo terreno inclinado, mas pelas grandes pedras que inviabilizam a progressão montado nas bikes . Empurrar bicicleta ladeira acima é um martírio que vamos absorvendo, um sofrimento que é preciso passar, sob o pretexto de que quando chegarmos lá encima, tudo vai ser diferente, e é vivendo nessa ilusão que nos apegamos à nossa força interior e quando atingimos uns dois terços do caminho, nos deparamos com um MIRANTE que nos faz voltar a sorrir novamente e continuar acreditando nas mentiras que a nossa cabeça criou.
Como não há sofrimento que dure para sempre, uma última curva da serra é deixada para trás e do nosso lado direito, meia dúzia de eucaliptos força a nossa parada e mesmo que ainda não seja definitivamente o fim da subida, será ali que abandonaremos provisoriamente a estrada, em favor de uma TRILHA que sai à direita e entra num capinzal alto, tão escondida que se não forçar passagem na alta vegetação inicial, quem não conhece e não tem nenhuma referência, passará batido.
Levamos cerca de 45 minutos empurrando as bicicletas para ganharmos quase todo o chapadão e agora, vamos abandoná-las no mato e ganharmos a trilha a pé, rumo a uma das grandes joias da Serra do Itaqueri . Então, forçando passagem no capim alto, uns 10 metros depois a trilha surgirá, aberta e bem consolidada, vai se curvar para a esquerda e descerá meio que em nível até começar a despencar de vez, curvar quase 90 graus para a direita, onde encontraremos uma arvore monstruosa e começar a percorrer um paredão de arenito que estará a nossa direita.
Não há erro, é preciso se manter quase que colado nos paredões, às vezes não mais que 5 metros de distância deles, passamos por um filete de água que despenca de cima do próprio paredão, onde poderemos abastecer os cantis, contornamos um terreno encharcado até que surpreendentemente, daremos de cara com a enorme boca da GRUTA DO FAZENDÃO.
Para quem chega, pode se surpreender com as pichações do passado, mas hoje praticamente essa prática cessou e mesmo não havendo nenhuma fiscalização, pelo estado que encontramos a trilha, percebemos que a gruta quase não está sendo visitada. Ao subir as pedras que antecedem a entrada da gruta, é possível sentir a grandiosidade do seu pórtico. A gruta do Fazendão é daqueles lugares que sempre gosto de levar os amigos e apresentar como sendo parte do meu quintal, já que a maioria do meu círculo de amizades, ligadas ao mundo de aventura, são de gente da Capital Paulista e eu acabo por me tornar um dos poucos representantes do interior. Uma vez inventei de trazer uns amigos na gruta, alguns deles jamais haviam entrada numa caverna antes, apesar de já serem exploradores que já rodaram meio mundo. E mesmo os que já estiveram em cavernas, nunca tinha entrado em cavidades areníticas, onde em algumas é preciso se rastejar feito um lagarto. E um desses amigos passou mal, deu pit, simplesmente teve uma crise de pânico e tivemos que evacuar a gruta às pressa, o que no final, rendeu muita zoeira e altas risadas.
Nos apossamos das nossas lanternas e subimos os blocos de pedras, que num passado muito distante, desmoronou do teto. No início, a impressão é que a gruta não passa de uma pequena cavidade, baixa e sem muito interesse, mas em um minuto a desconfiança da lugar a grandiosidade . Um corredor gigante se abre e o teto se eleva e nos surpreende, porque 2 minutos depois, a escuridão absoluta toma conta do lugar e quem não está familiarizado com esse tipo de ambiente, já começa a ter um desconforto. Num primeiro momento, a gruta é horizontal, anda-se em pé porque o espaço é amplo, com um grande corredor . O teto é alto , mas o chão apresenta irregularidades , onde algumas fendas vão deixando os visitantes de primeira viagem, um pouco desconfiádos.
Eu sigo à frente, fazendo as vezes de guia, mas já conhecedor dos caminhos que vão levar aos becos mais aventureiros, rapidamente abandono o caminho fácil e desimpedido , em favor de uma greta a direita do caminho, encostando na parede da caverna., onde desço por uma pequena rampa até me ver de frente à um buraco de rato.
É aqui que começa a brincadeira, num buraco de uns 50 centímetros de largura por uns 10 metros de comprimento, iremos adentrar no corredor de arenito, nos rastejando feito vermes, encostando nossas barrigas no chão e ganhando terreno metro à metro , até nos vermos dentro de um grande salão no centro da terra, com seu teto alto , sua temperatura gelada , uma cena iluminada pelas luz das nossas lanternas, como quem adentra nas histórias de Júlio Verne.
O Thiaguinho passou muito bem e parece se encantar com o novo ambiente e mesmo eu, acostumado à exploração de cavernas desde os primórdios da minha vida de aventura, ainda consigo me surpreender com esse mundo fascinante.
Uma nova passagem em formato de um pequeno pórtico, nos leva para outro salão, tão grande quando os 2 primeiros e a saída desse terceiro salão, é pela esquerda, subindo rastejando numa rampa , que vai passar por uma perigosa e profunda fenda e então virando para a direita, chegando ao salão dos morcegos , um amontoado de centenas deles, que estão agrupados no teto e ao sentirem nossa presença e nossas lanternas, tomam conta da caverna, voando de um lado para o outro, às vezes trombando nas nossas cabeças.
A saída é retornar para a esquerda, cruzando por uma passarela natural sobre a fenda que havíamos passado, com cuidado para não cair em outras cavidades, avançando lentamente, vagarosamente, até perceber ao longe, um facho de luz que nos indica a saída ou seja , o nosso ponto de partida. Foi uma exploração proveitosa e antes de deixarmos a gruta para trás, fizemos uma parada para um lanche e um gole de água.
Retornamos pelo mesmo caminho que viermos, agora subindo lentamente até reencontrarmos nossas bicicletas e ganharmos novamente a rua. Ainda iremos subir por uns 200 metros até que o terreno se estabiliza de vez, definitivamente agora, estamos em cina da CHAPADA PAULISTA, galgamos com dificuldade, mas enfim subimos à grande mesa . Logo à frente cruzamos por uma lagoinha à nossa esquerda, onde penso em me jogar , mas menos de 5 minutos , também à nossa esquerda, uma lagoa gigante desafia a minha capicidade de resistir, mas não resisto e não faço nenhuma questão. Jogo a bike no capim, tiro meu tênis e com roupa e tudo , saio correndo e me jogo na água. O calor tá de lascar e o Thiaguinho vem junto e em um minuto, somos dois moleques se regozijando nas aguas mornas .
Voltamos à estradinha até que ela chega a uma espécie de “T”, aí vamos pegar para a direita. Estamos agora indo ao encontro da Cachoeira da Lapinha e estradinha ao chegar a um cruzamento em forma de triangulo, nos obriga a viramos para a direita e aí vamos descer pra valer, tentando segurar os freios até quando ela se estabiliza, passa por uma floresta de eucalipto e aí temos que nos deter junto a um pequeno riacho que despenca no vazio, formando a cachoeira em questão.
A CACHOIERA DA LAPINHA, também é conhecida como Cachoeira do Carro Caído, devido a uma carcaça de um veículo que se encontra nos pés da queda. No passado, a gente explorou todo o vale vindo por baixo, mas a cachoeira estava com pouca água e não há propriamente uma trilha que se possa chegar partindo de cima, mas com um pouco de habilidade e sem medo dos riscos, é possível descer pela esquerda dela, desescalando uma parede perigosa, mas não ali onde a queda despenca, claro, tem que se afastar uns 300 metros, cair no leito do rio e subir até onde ela despenca.
Nos despedimos da Cachoeira, atravessamos a pontinha e seguimos adiante, apreciando as florestas de eucaliptos e sempre seguindo na principal, nosso rumo vai tomar a direção do Bar do Valentim, onde está a Cachoeira São José, sempre atentos as placas. Da Cachoeira da lapinha até a Cachoeira São José, serão exatos mais 6 km de pedalada e é um caminho belíssimo e agradável, por ser quase só descida e quando lá chegamos, nossa quilometragem vai bater exatos 25 km, pouca coisa, mas não se engane, a atividade não foi feita só de pedalar, então, já um tanto cansado, estacionamos junto ao bar, onde dezenas de pessoas se amontoam, gente de bike, de moto, de jeep, corredores de montanha, ali é parada para todas as tribos.
O bar é onde se pode tomar umas cervejas, uns sucos, comer alguma coisa ou somente descer as escadarias e ir tomar um bom banho na CACHOEIRA SÃO JOSÉ, porque a entrada é gratuita. A cachoeira não é muito alta e suas águas escuras são proveniente de terrenos areníticos com rochas basálticas, portanto, a água é avermelhada, meio cor de barro, mas com o calor que está fazendo, não vamos ficar de mi-mi-mi e não demorou muito pra gente se enfiar embaixo dela e lá ficar, aplacando o calor intenso dessa final de manhã.
Uns 15 anos atrás, eu havia chegado até aqui, mas vindo motorizado, foi quando nosso 4x4 atolou dentro de um rio e eu e minha filha ficamos horas tentando desatolá-lo, lutando contra o tempo e contra uma tempestade que se avizinhava, não levasse a gente embora caso enchesse o riacho. Acampamos próximo ao bar, mas não chegamos nem a conhecer a Cachoeira, que estava fechada. Então a partir de agora, todo o caminho à frente seria uma novidade também para mim.
Montamos nas bicicletas e prosseguimos, mas não deu nem 500 metros, fomos obrigados a desmontar novamente. O cenário que nos foi apresentado era surpreendente, sem aviso prévio, um cânion de proporções gigantescas surgiu à nossa frente. E não posso nem negar que desconhecia a sua existência, já que tinha ideia que havia uma cachoeira que despencava ali nas redondezas do bar, mas nunca que eu iria imaginar que seria daquela magnitude.
O CÂNION PASSA CINCO, me desconcertou, ainda que a grande cachoeira de mesmo nome, tivesse a sua vista muito prejudicada. Mas era mesmo surpreendente, um gigantesco abismo com bem mais de 100 metros de altura, de onde 2 quedas d’agua se precipitavam no vazio, emolduradas por uma floresta verdinha.
Claramente, por ali seria impossível descer ao fundo do cânion, então retomamos o arremedo de estrada e em mais 1,5 km, numa bifurcação tripla, vamos quebrar para esquerda e uns 150metros depois, vai surgir à direita, uma trilha que irá nos levar definitivamente para dentro do cânion. Estamos na TRILHA DO LISINHO, uma trilha somente para quem pratica motocross, com veículos especializados e com experiência vasta no assunto, evidentemente, não é nem de longe uma trilha para bicicletas, mas como ninguém havia nos dito nada, embicamos a nossa bike e fomos nos fuder naquela desgraça.
Logo no começo, já vimos que seria uma encrenca, mas sem conhecer, esperávamos que o terreno melhoraria mais à frente. Ledo engano, cada vez foi é piorando mais. As valetas eram capaz de engolir nossa bicicletas e era praticamente impossível pedalar e quando tentávamos, não era raro cairmos nos buracos e termos nossas canelas dilaceradas pelos pedais que batiam nas paredes laterais e voltavam nas nossas pernas. Aquilo foi um verdadeiro inferno, ainda que a gente se divertisse com a pataquada que acabamos nos metendo, a descida foi minando nossa energia, já que o calor ainda se mantinha insuportável.
Levamos uma meia hora ou mais para chegar ao fundo do cânion, mas mesmo assim, as trilhas ainda se mantinham confusas, parecia que não iam dar em lugar nenhum e empurrar as bicicletas já foi se tornando um verdadeiro martírio. Claro, a gente não se deu conta de que estávamos tomando decisões erradas e que deveríamos ter abandonado as bikes e seguido á pé por dentro do cânion, até conseguirmos interceptar as grandes cachoeiras. Mas chegou uma hora que a gente resolveu voltar, simplesmente o dia já começava a escorregar por entre os dedos e já havíamos passado das 14 horas e aí nos demos contas que não tínhamos mais tempo para explorações, era hora de voltar ao nosso roteiro original.
Dentro do cânion, junto ao rio que corta todo o vale, resolvemos que deveríamos atravessar para o outro lado, tentar achar um caminho que subisse as paredes opostas do vale, porque voltar pela trilha do Lisinho, estava fora de cogitação. Então atravessamos o rio com as bicicletas nas costas e ao chegarmos no centro do cânion, o horizonte se abriu e interceptamos uma sede de fazenda totalmente abandonada, um lugar lindíssimo, onde chegava uma estrada. Essa estrada ao chegar ao casarão abandonado, se transformava numa trilha que ia se enfiando para dentro do cânion, indo na direção do fundo dele, onde estavam as cachoeiras. Seguimos essa trilha por uns 5 minutos, mas logo desistimos de vez, o tempo urge, era chegado a hora de pular fora dali.
Analisamos o mapa, vislumbramos uma saída por uma perna do cânion, na verdade, outro cânion lateral. Então tomamos o rumo de quem vai em direção a entrada do vale, passamos por mais uma casa abandonada, subimos uma trilha pela sua esquerda até chegarmos ao outro cânion, onde uns bois mal-encarados nos deram as boas-vindas, louco para nos dar umas chifradas. Ali começamos a subir, na esperança que no seu final, houvesse um caminho que nos levasse para cima das paredes, ainda que tivéssemos que carregar as bikes nas costas.
Mas não adiantou, o caminho não tinha saída. Estávamos presos, não havia mais o que fazer, tínhamos que retornar, repensar nosso caminho, agora havia chegado a hora de achar uma rota de fuga. O Thiaguinho voltou rápido, eu já começava a capengar com aquela bicicleta pesada e na ânsia de alcançá-lo, meti marcha no meio da trilhinha junto ao pasto, mas um tronco estacionado fora das minhas vistas, foi o obstáculo que faltava para eu bater com a roda dianteira e ser catapultado barranco abaixo, eu de um lado, bike do outro, canela arrebentada e guidão entortado, o chão é o refúgio dos trouxas sobre 2 rodas.
Levanto-me, ainda puto, mas logo estou rindo sozinho da situação. Alcanço o Thiaguinho e tomamos o rumo da saída, passamos pelos bois, pulamos uma cerca de arame e ganhamos uma estrada larga, onde uma ponte decrepita, impede a passagem de carros. Em poucos minutos passamos por uma única casa que parecia ser habitada e ganhamos a estrada em definitivo, assim que cruzamos mais uma ponte, de onde era possível avistar sobre nossos cabeças, o MORRO DO GORILA, uma linda formação de arenito.
Verdade seja dita, a tarde praticamente já se foi e o dia já é capenga, apesar de ainda haver sol. Depois de atravessar a ponte , a estrada de areia vai seguir quase em nível, o que ajuda a gente a conseguir peladar um pouco mais forte, mas não demora muito, observo que o Thiaguinho para imediatamente à frente e sem perceber, desvio rapidamente de uma cascavel que por um pouco não picou a picou a perna dele, foi muita sorte. Dois quilômetros depois, passamos por um bar, que estava fechado , mas um senhor nos indicou que se quisessemos voltar pra Ipeúna, teríamos que virar a direira e seguir pedalando até o curral de uma fazenda, onde deveriamos contornar pela direita e nos apegarmos à estrada principal.
Como sol ja está bem baixo, os paredões do nosso lado direito, vão ficando belíssimos. Mas se o cenário é de tirar o fôlego, o caminho é de tirar a nossa paciência. O areião vai travando a gente , a pedalada não desenvolve, eu praticamente não tenho mais água, a comida acabou faz horas . Claro que poderiamos buscar socorro em algum sitio próximo, pelo menos pra buscar uma hidratação, mas a vontade é de chegar, de encerrar . As pernas já pedalam no modo automático, a minha bicicleta começa a dar sinais que o freio não quer mais funcionar e cada vez, preciso fazer mais força com as mãos.
E a gente pedala, e à frente dos nossos olhos, vão ficando para trás uma infinidade de pequenas propriedades rurais, choupanas jogadas à beira do caminho, matutos e seus animais de estimação, bois, vacas, cavalos, tratores, carroças, plantações, riachos , capões de mato, num sobe e desse sem parar, até que nem eu, nem equipamento aguentam mais . Os freios da bicicleta se foram, a minha capacidade de seguir pedalando , virou pó. Sou um homem entregue ao meu próprio sofrimento, ao meu desespero individual. Não consigo nem mensurar o que o Thiaguinho deve estar pensando de mim, também estou numa condição que nem me importo mais , sou só um homem morto que não caiu porque ainda me resta um brio interior, tentando resguardar o ultimo vestigio de dignidade que me sobrou.
Já fazia mais de hora que o sol havia nos abandonado, quando uma tempestade desabou sobre nossos ombros. A noite era tão escura , que eu mal enxergava o Thiaguinho , que desembestou na dianteira, ladeira abaixo e quando tentei acionar os freios, as rodas trepidaram, balançaram de um lado para o outro e eu me vi totalmente desamparado , virei passageiro daquela geringonça dos anos 80. A velocidade só fazia aumentar, pensei em me jogar pro barranco, mas as valetas laterais teriam me moído no buraco. Tento manter a calma, mas as minhas energias depois de mais de 12 horas de pedalada, me levam a um transe de resiliência. Penso em pular, mas aí me vem a lembrança, o dia em que eu e meu irmão, numa infância distante, nos jogamos de cima de uma bicicleta sem freio, numa ladeira da nossa aldeia e acabamos sendo trucidados pelo chão. Enfio o tênis na roda traseira, mas o solado do maldito é daqueles tênis de atletismo e o atrito não resolve porra nenhuma. Mesmo assim, continuo tentando e quando vejo que o terreno se arrefeceu um pouco, boto os pés no chão e ao encontrar um amontoado de areia, pulo, como quem pula de um caminhão desgovernado, mas sem soltar as mão da bicicleta. Fico no cai, mas não cai, danço conforme a ondulação do terreno, até que quando me vejo estabilizado, largo mão daquela merda e me esparramo na areia molhada, enquanto o veículo do satanás, de duas rodas, segue seu caminho até se deter mais à frente. Eu não sou mais ninguém, o ciclista animado da manhã, agora parece um ser que não consegue se sustentar sobre as próprias pernas , estou acabado, a vontade é sentar e chorar.
Agora a coisa ficou feia de vez. Até então, a minha capacidade de pedalar já não existia mais , só que agora, sem nada de freios, eu não conseguia nem descer as ladeiras montado, porque naquela escuridão avassaladora, não conseguia ver nada , saber se a ladeira era perigosa ou não. Então, eu subia empurrado e descia empurrando, enquanto a chuva fria castigava nossa cacunda. E nem quando o Thiaguinho me chamou a atenção para as luses da cidade, que se apresentou à nossa frente , eu me animei. Mas eu continuei, cabeça baixa , moral abaixo do volume morto . As cãibras surgirem , era algo inevitavel , a cada 15 ou 20 minutos, lá estava eu, jogado ao chão, com os musculos enriquecidos, dores tão fortes quanto a minha vergonha diante da situação.
Só quando passamos enfrente aos campings , foi que me dei conta que estavamos perto do asfalto e quando lá chegamos, minha vontade era de jogar a bicicleta fora , porque eu já não tinha mais forças nem pra pedalar no terreno plano e firme, por isso empurrei na maior parte do tempo, até que quase NOVE da noite, desembocamos em definitivo na PRAÇA CENTAL de Ipeúna, quase 13 horas de pedaladas e então , nos sentamos à frente da barraca de lanches e quando o sanduiche de costela atingiu a minha corrente sanguinia , uma lagrima escapou dos meus olhos.
Quando o Thiaguinho lançou o convite, pensei em recusar, eu estava fisicamente destruído por atividades ligadas a outros esportes tradicionais. Mas achei que seria deselegante deixá-lo na mão, já que era uma promessa antiga , que eu vinha adiando, mesmo assim , deixei bem claro que só iria com o intuito de fazer um belo passeio, apenas pra mostrar parte da região pra ele. O problema, é que a maldita palavra "passeio" jamais fez parte do nosso vocabulário, quando a gente inventa algo, será sempre acima da nossa capacidade de bom senso. O suposto passeio, se tornou numa jornada de quase 13 horas , um epopéia de achados e perdidos , que misturou montain bike com exploração de cavernas, mergulho em lagoas, descida à cânions, banho de cachoeira, pedaladas em trilhas e pastos sem caminhos . Saímos em busca de uma jornada tranquila, voltamos destruídos pela aventuda que encontramos pelo caminho.
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A oportunidade de viajar para a Itália veio com a “promoção” da Ibéria no final de junho, com a qual pagamos R$1.250,00 na passagem ida-volta com as taxas, com saída de Foz do Iguaçu e destino a Roma.
Tivemos pouco mais de um mês para programar tudo. Os hotéis foram reservados ainda do Brasil, pelo Booking.com, depois de muita pesquisa aqui e no tripadvisor. O Roma Pass, ingresso para o Museu do Vaticano e os bilhetes de trem para viagens longas (entre cidades) também foram comprados do Brasil, pois viajamos em alta temporada e tínhamos receio do preço subir.
Li aqui no fórum que agosto não é um bom mês para viajar para a Itália pois é o mês em que os italianos saem de férias e as cidades ficam desertas. Mas constatamos isso em poucos momentos, como em Verona num domingo de manhã, e em alguns momentos em outras cidades, mas no geral tudo funcionava normalmente. Para quem ficar receoso de viajar em agosto para a Itália, para nós isso não foi um empecilho, o que incomodou mesmo foi o clima, pois estava muito quente.
Ah, nunca esqueçam de validar os bilhetes de trem antes da viagem, seja dentro da cidade seja para fora. Nos trens entre cidades eles conferiram nossas passagens, e quem não validou tem que pagar multa.
E quem não se importar, dá para andar com garrafinha de água porque em todas cidades tem fonte com água potável. Assim dá para economizar uma graninha com água e abastecer as garrafas na rua.
Aqui segue o relato dos nossos 15 dias na Itália, com informações sobre os passeios, pontos turísticos, hotéis e gastos diários. Espero que ajude na programação da viagem de vocês! Preparem-se para comer muito bem e ver lugares maravilhosos!
DIA 1 – Roma
Chegamos no aeroporto Fiumicino às 14 horas e, após pegar as bagagens, fomos até a loja do Roma Pass para validar nosso passe, pois já tínhamos comprado pela internet e depois compramos os bilhetes de ônibus no guichê da empresa Terravision para irmos do aeroporto até a estação Termini.
O serviço do ônibus é bastante desorganizado, tinham muitas pessoas aglomeradas e nenhuma fila e não tinha ninguém para colocar sua mala no bagageiro. Foi um empurra-empurra, mas colocamos e subimos no ônibus e em 40 minutos estávamos na Termini.
Reservamos o Hotel Ferrarese, que fica à 3 quadras da Termini. É um hotel bem simples, o banheiro estava um pouco sujo, mas o sinal da wifi era bom e gostamos bastante da localização, porque facilitava muito pegar trem/metrô a parti dali, além de terem vários restaurantes e lojinhas de souvenir na região.
Após um banho, saímos para comer nosso primeiro prato de massa italiana e conhecer a Igreja Santa Maria Maggiore e a Piazza Vittorio Emanuelle. A praça é bem simples, nada demais!
Gastos do dia (individual):
- 1 água 750ml: 2,10 euros.
- 1 bilhete de ônibus terravision: 5,00 euros.
- Roma Pass 3 dias: 34,00 euros.
- mapa da cidade: 3,00 euros.
- frutas, água e suco: 5,50 euros (para os dois).
- jantar (massa muito boa - restaurante elettra, ao lado do hotel Ferrarese): 10,00 euros.
DIA 2 – Vaticano
Pegamos o metrô na Termini e fomos até a estação Otaviano e de lá caminhamos até o Museu. A fila para quem não tinha ingresso era imeeeeensa, todos embaixo do sol numa fila interminável! Por sorte havíamos nos programado e comprado no Brasil os ingressos para o Museu do Vaticano para às 09h (primeiro horário de visita).
Começamos nossa visita pelo caminho mais curto, porque queríamos aproveitar para entrar na Capela Sistina quando ainda não estivesse lotada, então fomos direto até lá e deixamos para olhar as obras que estavam no caminho depois de visitar a Capela Sistina (ou seja, saímos da Capela e refizemos o caminho, mas agora olhando e tirando fotos). Quando chegamos na Capela Sistina já tinham algumas pessoas, mas estava praticamente vazio perto do que ficou depois. Conseguimos sentar e ficar admirando a obra, muito encantador! Depois fizemos o caminho completo pelo Museu.
Em seguida fomos à Praça de São Pedro, almoçamos e aguardamos nosso passeio à Necrópole do Vaticano (reservas feitas com antecedência através do email: uff.scavi@fabricsp.va; enviar email com nome, nacionalidade, número de participantes, dia de disponibilidade e idioma do tour – esse passeio evita a fila para entrar na Basílica). Foi muito legal esse passeio, com dados históricos interessantíssimos, e o término dele é dentro da Basílica de São Pedro. Optamos por não subir e apreciar a vista devido ao calor escaldante e ao cansaço que já nos consumia (estava insuportavelmente quente neste dia). Após visitar a Basílica fomos até o Castel Sant’ Agnello. De tardezinha (só escurece mesmo às 21h) fomos ao Coliseu ver o pôr do sol, foi muito bonito!
Gastos do dia (individual):
- Ingresso Museu do Vaticano: 20,00 euros.
- Internet e impressão do ingresso Necrópole do Vaticano: 0,75 euros.
- Ingresso Necrópole do Vaticano: 13,00 euros.
- Jantar: 9,00 euros.
DIA 3 – Roma
Outro dia com muito calor, no qual foi indispensável carregar uma sombrinha para se proteger do sol.
Visitamos o Coliseu logo cedo, depois o Palatino e o Fórum Romano. Para esses três pontos turísticos o Roma Passa valeu a pena demais! As filas eram muito longas e ficar esperando com aquele sol não deve ter sido fácil.. Nós chegávamos e já entrávamos no local. Passamos bem rápido pelo Palatino, estávamos exaustos por causa do calor e os locais que queríamos conhecer com mais atenção estavam fechadas para reforma!
Após o almoço fomos até a Igreja Santa Maria in Cosmedin onde fica a Boca della Veritá (conta a lenda que a boca mordia a mão dos mentirosos) e depois fomos para as Termas de Caracalla, onde me decepcionei muito! É preciso muita imaginação para recriar o que foram as Termas com as poucas ruínas que sobraram lá.
No final do dia fomos para a Fontana di Trevi e tinha muuuita gente! Ficamos um tempão lá apreciando e tirando fotos! Eu me surpreendi, achei que a Fontana fosse bem menor, é enorme e linda! E conforme foi anoitecendo as luzes da fonte foram ligando e deixando o monumento ainda mais bonito! Ali perto tem a sorveteria que aparece no filme Comer, Rezar e Amar: Il Gelato di San Crispino.
Para fechar a noite fomos até a Piazza Spagna, que tinha um clima bem gostoso com música ao ar livre. Na volta (22H) passamos na Fontana Di Trevi novamente, que continuava lotada.
Gastos do dia (individual):
- Almoço: 10,00 euros.
- Jantar: 7,00 euros.
DIA 4 – Roma -> Veneza
No final da tarde iríamos para Veneza, então levantamos, tomamos café e arrumamos nossas malas. Fomos novamente à Fontana di Trevi, que estava menos lotada de manhã mas também estava menos encantadora (gostei bastante do efeito das luzes). Em seguida fomos para a Piazza Veneza conhecer o enorme monumento Vittorio Emanuele, depois fomos para o Pantheon, que tem entrada gratuita, e para a Piazza Navonna, bem lindinha com exposição de telas e restaurantes bonitos.
Almoçamos em um dos muitos restaurantes espalhados pelas ruas, que tinha promoção de massas. Seguimos caminhando pela Via del Corso, onde estão várias lojas bacanas (Zara, Ferrari, GAP, Nike, Adidas, H&M..), e depois fomos até a Piazza Giuseppe Garibaldi. Não lembro até onde pegamos o metrô, sei que descemos na região do Vaticano e caminhamos rápido por uns 40 minutos até chegar na praça! Como a praça fica num lugar bem alto, a vista de lá é muito bonita, é um lugar gostoso para relaxar, mas nós tínhamos que pegar o trem para Veneza e não pudemos ficar muito. Na volta pegamos o ônibus 64 até a Termini.
Fomos ao hotel buscar as malas e de lá pegar o trem para Veneza-Mestre. A viagem durou cerca de 3 horas e foi bem confortável, tinha restaurante e wifi no trem. Para ficar tranquila, levei uma corrente tipo de bicicleta para prender as malas, pois li relato de pessoas que tiveram as malas furtadas.
Gastos do dia (individual):
- Hotel Ferrarese (3 noites com café da manhã + 12 de imposto + 15 de ar condicionado): 207,00 euros para os dois (quarto duplo).
- Almoço: 5,00 euros.
- Sorvete: 2,50 euros.
- Frutas e água no trem: 5,60 euros.
DIA 5 – Veneza
Ficamos em Mestre, nosso hotel era mais uma pousadinha, chamado Vila Teresa. Fica à 3-4 quadras da estação de trem e a recepcionista foi bem atenciosa. Avisamos por email que iríamos chegar após o horário do check-in e a recepcionista foi até o hotel no horário combinado.
Comi dois croissants de chocolates muito gostosos em uma padaria perto do hotel e depois pegamos o metrô para Veneza.
Veneza é linda! Achei muito encantadora! Caminhamos muito por lá, fomos até a Piazza San Marco, subimos no Campanário e vacilamos por não termos entrado na Basílica de San Marco e no Palácio Ducale! Ficamos pensando e o tempo passou, mas todos falaram que a Basílica é incrível por dentro!
Fomos até a Ponte Rialto, Ponte dos Suspiros, a Academia e fizemos o passeio de gôndola completo de 50 minutos com um casal e duas crianças russas, estávamos negociando com o gondoleiro um passeio de 30 minutos mas eles chegaram e resolvemos ir juntos e fazer o passeio mais longo.
Depois fomos atrás de souvenirs legais (comprei uma máscara pequena, mas linda) e voltamos para Mestre.
Gastos do dia (individual):
- Café da manhã: 3,00 euros.
- 2 bilhetes de metrô: 2,80 euros.
- Hotel Vila Teresa (2 noites sem café da manhã + imposto): 123,60 para os dois (quarto duplo).
- Ingresso Campanário (torre): 8,00 euros.
- Almoço: 6,00.
- Passeio de gôndola: 30,00 euros (130 no total).
- Souvenirs: 15,00 euros.
- Mercado (jantar): 4,20 euros.
DIA 6 – Veneza -> Verona -> Florença
Enquanto meu irmão foi para Modena conhecer o Museu e Fábrica da Ferrari, eu fui para Verona.
Já tínhamos as passagens de trem, e saímos bem cedo de Veneza. Eu cheguei em Verona +- uma hora depois. Era um domingo e estava deserto, tudo fechado.
Comecei a visita pelo Castelvechio e ponte do castelo, depois visitei a Arena, que achei meio decepcionante para quem já entrou no Coliseu, a casa de Julieta, onde coloquei o cadeado com a minha inicial e do meu namorado no mural dos cadeados. Também visitei a Piazza Bra, Piazza Erbe, andei uns 30 minutos procurando o jardim e não encontrei (e não tinha ninguém na rua para dar informação) e desisti de entrar no local para ver a tumba da Julieta porque custava 7 ou 8 euros e não achei que valesse a pena.
Meu trem para Florença era às 19h e eu tinha deixado a mala na estação de trem. O depósito de bagagem é grande e espaçoso, coube minha mala de rodinha nada pequena tranquilamente.
Cheguei em Florença já era noite e fui a pé da estação Santa Maria Novella até nosso hotel, chamado Novella House.
Gastos do dia (individual):
- Café da manhã: 1,80 euros.
- Almoço: 3,40 euros.
- Ingresso Arena: 6,00 euros.
- Tortelete de morango: 3,00 euros.
- Souvenirs: 2,00 euros.
- Mix de frutas: 2,70 euros.
- Depósito de bagagem: 8,50 euros.
- Banheiro estação do trem: 0,80 euros.
DIA 7 – Florença + Pisa
O Hotel Novella House é muito bom! Quarto bem espaçoso e com afresco no teto, a localização é ótima (perto da estação SM Novella), só o café da manhã que é fraquinho: um croissant e uma bebida, servido num bar perto do hotel.
Nosso primeiro dia em Florença foi uma segunda-feira, em que os museus e outros atrativos estão fechados. Começamos o dia com visita à Ponte Vecchio e queríamos visitar o Palácio Pitti, que estava fechado. De lá fomos para a fila gigantesca da Duomo (na qual ficamos por 2 horas, no solzão) e aqui vai um conselho: só entre se não tiver claustrofobia e bom condicionamento físico; são quase 500 degraus em escadaria circular. Eu achei a cúpula muito bonita, mas as 2 horas na fila tinham me animado para ver mais!
Quase em frente da entrada para a cúpula fica a loja da Lindt! Experimentem o sorvete, é bom demais!
Não entramos no Batistério, já ficamos satisfeitos com a cúpula e a catedral, e não subimos no Campanário porque vimos Florença do alto da cúpula.
O cansaço era tanto que almoçamos ali na praça da Duomo – onde não era tão barato, mas achei Florença mais cara que Roma para alimentação – e depois compramos uma passagem de trem e fomos para Pisa.
Caminhamos meia hora até a Torre de Pisa. Eu adorei, acho que de perto parece mais inclinada! É legal ver o desnível na base da torre. Depois de muitas fotos, aproveitamos para comprar uns souvenirs e voltamos para a estação para voltar para Florença, e chegamos lá bem de noite e fomos procurar um lugar para comer.
Ah, o Firenze Card custa 72 euros, não compramos porque não valera a pena para nós, mas para aqueles que pretendem visitar várias e várias atrações e que vão em alta temporada pode ser uma boa ideia por causa das filas!
Gastos do dia (individual):
- Hotel Novella House (4 noites + café da manhã + imposto): 292,00 para os dois (quarto duplo).
- complemento do café da manhã: 2,00 euros.
- ingresso para a Duomo: 8,00 euros.
- chocolate Lindt: 2,00 euros.
- almoço + suco: 10,00 euros.
- sorvete Lindt: 2,50 euros.
- passagem de trem para Pisa: 8,00 euros.
- passagem de trem para Florença: 7,90 euros.
- souvenirs: 3,00 euros.
- jantar: 11,00 euros.
DIA 8 – Florença
Neste dia o objetivo era visitar a Academia e a Uffizi, mas as filas eram imensas! Então meu irmão comprou ingresso para visitá-las no dia seguinte e nós fomos conhecer a Santa Croce, que abriga o túmulo do Galileu, Maquiavel, Michelangelo, dentre outros.
Fomos à Piazza San Marco pois a bilheteria da Academia fica bem pertinho, Piazza do Palácio Vecchio e no final do dia fomos caminhando (mas para quem quiser visitar a longa escadaria recomendo ir de ônibus – nº12 ou 13 do ponto de ônibus na estação de trem) até a Piazza Michelangelo para ver o pôr do sol. Vale muito ir até lá! A vista é linda demais, a mais bonita de Florença na minha opinião.
Para jantar fomos ao Restaurante Zázá, recomendado por uma brasileira que vive em Florença. Gostamos muito!! Fica próximo à Capela Médici, tem um ambiente super agradável e comida deliciosa. 1kg de bisteca fiorentina custa 38,00 euros.
Gastos do dia (individual):
- Croissant (café): 1,00 euro.
- Ingresso Santa Croce: 6,00 euros.
- Capa para cobrir as pernas na Santa Croce: 1,00 euro (estava de shorts).
- Almoço: 10,00 euros.
- Sorvete: 3,00 euros.
- Souvenirs: 27,50 euros.
- Frutas: 2,00 euros.
DIA 9 – San Gimignano + Siena
Como meu irão tinha agendado os ingressos para a Academia e Uffizi para o dia 15/08, aproveitamos para fazer um passeio pela Toscana.
Para ir à San Gimignano é preciso pegar um ônibus ou trem até Pogibonsi e de lá outro ônibus para San Gimignano. Optamos por fazer tudo de ônibus e compramos as passagens na hora, o terminal de ônibus fica ao lado da estação de trem, mas como a estação é gigantesca é bom pedir informações lá, pois é difícil explicar.
San Gimignano é uma gracinha! Um clima apaixonante percorre aquela cidadezinha. Chegamos perto da hora do almoço e sentamos em um restaurante na Piazza Cisterna. De sobremesa tomamos sorvete na Gelateria Dondoli, em que foi eleito o melhor sorvete do mundo (tem mais de uma sorveteria que anuncia ter o melhor do mundo, mas a correta é essa que eu indiquei; na entrada da sorveteria está escrito os anos em que ganharam o prêmio de melhor sorvete; é muito bom, tomei um de nutella incrível!). Passeamos mais um pouco pelas ruelas, passamos pela Piazza Duomo e fomos até o jardim da cidade para apreciar uma vista muito bonita da paisagem da Toscana.
Compramos as passagens de ônibus para ir a Siena em uma padaria logo na entrada da cidade. Não é difícil achar a rua pois San Gimignano é toda murada e a entrada à cidade é por uma única rua.
Chegamos em Siena e fomos direto para a Piazza del Campo, em seguida fomos conhecer a Duomo e lá aconteceu algo muito legal: começou um desfile com trajes medievais e bandeiras e de repente percebemos que era um dos eventos que antecede o Palio de Siena (nós estávamos em Siena numa quarta e a corrida ocorreria no domingo). Seguimos o desfile até a Piazza del Campo, onde já se aglomeravam muitas e muitas pessoas, e resolvemos ficar por ali para ver o que ia acontecer. Todas as sacadas estavam lotadas, assim como as praça e as arquibancadas. As contradas também estavam espalhadas pela praça, vestindo as cores da respectiva contrada, com bandeiras e gritando hinos. Depois chegaram os cavalos e teve uma espécie de corrida. Esperamos mais de uma hora e durou 60 segundos, mas eu amei participar dessa tradição tão importante! Não sei explicar muito bem o que foi esse evento, mas foi emocionante!
Já era bem tarde quando terminou e fomos a pé (cerca de 30min) até a estação de trem e compramos nossas passagens. O trem pára em Empoli e é preciso trocar de trem lá para chegar em Florença.
Gastos do dia (individual):
- Ônibus para San Gimignano: 6,80 euros.
- Almoço: 8,00 euros.
- Sorvete: 3,00 euros.
- Vinho de San Gimignano: 16,00 euros.
- Ônibus para Siena: 6,00 euros.
- Trem de Siena para Florença: 8,60 euros.
- Jantar: 7,50 euros.
DIA 10 – Florença -> Napoli -> Sant’Agnello
Acordei sem hora para levantar, primeira vez nos últimos 10 dias, arrumei as malas e dei uma última volta pela cidade enquanto meu irmão foi conhecer a Uffizi e a Academia.
De tardezinha partimos, de trem, para Napoli. Ao desembarcar, seguimos as placas que indicavam a linha “Circumvesuviana” e compramos nossas passagens para Sant’Agnello. Como bem alertado, é um choque andar com esses trens (sujos, velhos, pixados e sem ar-condicionado), depois das viagens com a Trenitalia, mas 2 horas de viagem não matam! Hehe
Em Sant’Agnello, fomos caminhando até nosso hostel, que ficava a 15 minutos de caminhada da estação. Sorrento é a última parada da linha, mas escolhemos Sant’ Agnello como nossa base para visitar Capri e a Costa Amalfitana, principalmente porque não encontramos hotéis dentro do nosso orçamento em Sorrento.
Ficamos no Hostel Seven Rooms e eu recomendo! Estávamos em um quarto para 6 pessoas e era bem organizado. O Hostel é muito bonito e decorado, no último andar tem um terraço onde fica o bar e “restaurante” que proporciona uma vista linda. É um lugar bem gostoso para fazer uma refeição no final do dia. Também adorei o café da manhã, o melhor dentre os que tivemos nos outros hotéis.
Gastos do dia (individual):
- Hostel Seven Rooms (3 noites + café da manhã + imposto): 192,00 euros para os dois (dormitório para 6 pessoas com banheiro dentro do quarto).
- Almoço: 9,50 euros.
- Sorvete: 3,50 euros.
- Chocolates Lindt: 3,00 euros.
- Lanche mc donalds: 4,35 euros.
- Passagem Napoli-> Sant’Agnello: não anotei.
DIA 11 – Costa Amalfitana
Após um café da manhã com muito croissant e nutella, pegamos o trem até Sorrento e logo na saída, do outro lado da rua, vimos uma fila para aguardar o ônibus que faz uma espécie de tour pela Costa Amalfitana: pára em várias cidades ao longo da Costa Amalfitana, assim é possível descer em uma e conhecer e depois pegar o ônibus para a próxima.
Dica: sentar do lado direito na ida e esquerdo na volta para apreciar a vista.
Compramos as passagens que nos davam direito a circular pela Costa o dia todo e nossa primeira parada foi Positano. Foi a cidade que eu mais gostei, onde aproveitamos para tomar banho de mar mediterrâneo (é lindo demais)! Em seguida fomos para Amalfi, que eu achei menos charmosa. A praia estava lotadíssima, assim passeamos um pouco e seguimos para Ravello. Demos uma volta bem grande em Ravello, tanto que visualizamos Amalfi de dois sentidos opostos e depois disso pegamos o ônibus para voltar para Positano, mas a viagem foi tão cansativa (ficamos de pé uma boa parte do percurso e o ar condicionado não funcionava) que acabamos indo direto para Sorrento, só que tinha muito congestionamento (estávamos lá no feriadão de Ferragosto – 15/08) e acabamos chegando no hostel bem mais tarde do que o previsto.
Ah, em Amalfi me informei sobre o passeio à Gruta Esmeralda, que fica um pouco antes de Amalfi. O passeio de barco até lá 10,00 euros + 5,00 euros para entrar na Gruta.
Gastos do dia (individual):
- Passagem de trem Sant’Agnello-Sorrento: 1,30 euros.
- Água: 2,00 euros.
- Almoço: 7,00 euros.
- Jantar: 6,00 euros.
DIA 12 – Capri
Outro passeio para o qual estava animadíssima: conhecer Capri.
Pegamos um trem até Sorrento e de lá fomos caminhando até o porto, é perto, uns 10 minutos de caminhada, a parte ruim é subir a escadaria que dá acesso ao porto na volta!
Compramos na hora as passagens do ferry para Capri e 40-60minutos depois estávamos lá. Logo que você desembarca tem uma banquinha vendendo o tour em Capri por 17,00 euros. Li recomendações para comprar ali mesmo e foi ótimo!
A dica que dou é para sentar no fundo do barco, nas laterais, posição estratégica para tirar fotos.
O passeio começou pela gruta azul e quem quisesse entrar era só trocar para um barquinho menor, além de pagar a taxa de entrada na gruta. Nós fomos e foi lindo! A cor do mar é incrível, parece que tem um canhão de led no fundo do mar. E os barqueiros ficam cantando músicas, é muito legal.
Quem não quer fazer o passeio de parco pode ir até a gruta de ônibus (não lembro qual) e descer uma escadaria que dá até na gruta e dali você pega um barquinho.
Em seguida passamos pela gruta branca e gruta verde e o barco ia bem pertinho para tirar fotos. Eles indicaram outras atrações menos importantes que esqueci de anotar.. Depois passamos pelos faragliones e voltamos para o porto. O passeio durou em torno de 1 hora.
Depois de almoçar ficamos um pouco na praia pública, ao lado do local em que compra as passagens de funicular e depois pegamos o funicular (o trenzinho vertical) para subir em Capri (a cidade mesmo) e de lá um ônibus para anacapri. A dica é ir até o Monte Solaro, a vista é alta mas muito bonita.
Depois pegamos um ônibus para marina picola, tem uma praia privativa lá, mas fomos para apreciar a vista dos faragliones. Enquanto em Anacapri a vista é beeem do alto, da marina picola é como se fosse no “térreo” e as rochas estão bem a vista, relativamente perto.
Rodamos mais um pouco e já era hora de voltar para Sorrento..
Gastos do dia (individual):
- Passagem de trem Sant’Agnello-Sorrento: 1,30 euros.
- Ferry ida/volta Capri-Sorrento: 27,90 euros.
- Tour de barco em Capri: 17,00 euros.
- Taxa de entrada na gruta azul: 12,50 euros.
- Gorjeta para o barqueiro: 2,00 euros.
- Almoço: 11,00 euros.
- Funicular: 3,60 euros.
- Ônibus: 5,40 euros.
- Sorvete: 2,50 euros.
- Salada + iogurte (foi o jantar): 4,20 euros.
DIA 13 – Pompeia e Napoli
Chegamos em Pompeia era quase meio dia e fazia muuuito calor. Nossa ideia era de visitar as ruínas em 2 horas, mas acabou passando de 4.
Indispensável levar sombrinha ou boné para quem vai no verão. É tudo aberto e muito calor. Até a água que saía da fonte vinha fervendo.
Apesar disso eu adorei o passeio. É uma história muito triste, mas foi a tragédia que nos permite conhecer e recriar na nossa imaginação o que era aquele lugar antes do Vesúvio derramar suas cinzas por ali..
Para organizar nossa visita pegamos um mapa que eles dão na entrada e circulamos o que achávamos mais importante (e foram várias coisas) e depois é caminhar! Chegamos no local e pegávamos o guia para saber exatamente o que era aquilo, para poder entender melhor. Para quem não vai alugar um áudio-guia, acho bem interessante ter um guia completinho em mãos.
Para almoçar tem um restaurante para cima do Fórum, preços normais, nada de exorbitante.
Em seguida fomos para Napoli e me assustei ao chegar lá! A cidade é muito feia, fiquei com bastante medo. Nosso hotel ficava bem perto da estação, pq só paramos lá para dormir, no outro dia iríamos cedinho para Roma.
Gastos do dia (individual):
- Passagem de trem Sant’Agnello-Pompeia: 2,20 euros.
- Depósito de bagagem em Pompeia: 3,00 euros.
- Ingresso Pompeia: 11,00 euros.
- Almoço + água: 5,50 euros.
- Trem para Napoli: 2,90 euros.
- Jantar: 10,00 euros.
- Hotel Ideal Napoli (1 noite com café da manhã + imposto): 41,00 euros.
DIA 14 – Roma
Tiramos esse dia para comprar souvenirs, passar mais uma vez pelo Coliseu e aproveitamos para visitar o Campidólio (mas o Museu Capitolino estava fechado – era segunda), fomos conhecer o Fórum de César, de Augusto e o Mercado Trajano.
Queríamos ir para o outlet Castel Romano, li várias indicações de que tem várias marcas legais com preços bons, chegamos a comprar a passagem de ônibus para ir e voltar (compra em frente ao terminal Termini, na mesma rua em que ficam os ônibus da Terravision, mas do outro lado da rua), mas desistimos depois que o ônibus chegou e as pessoas estavam brigando para conseguir entrar! O ônibus já estava lotado e só deixou uns 3 passageiros subirem. A desorganização me desanimou e passamos o dia caminhando sem rumo e comprando suvenirs.
Gastos do dia (individual):
- Hotel Ferrarese (1 noite com café da manhã + imposto): 69,00 euros para os dois.
- Almoço: 9,50 euros.
- Trem: 2,50 euros.
- Jantar: 12,00 euros.
- Sorvete: 2,00 euros.
DIA 15
Era hora de voltar para casa! Adeus massas e sorvetes deliciosos!
Como nosso voo era de tarde, passeamos na região ao redor do hotel para comprar mais umas coisinhas, comemos uma bela massa na hora do almoço e fomos para o aeroporto Fiumicino de ônibus, pegamos ali na Termini mesmo. Tinham ônibus de 2-3 empresas ofertando o transporte até lá por 4-5 euros, muito acessível.
Com isso encerramos nossos 15 dias muito bem aproveitados na Itália!
Espero que o relato ajude vocês a se programar, e qualquer dúvida é só perguntar! Tive o cuidado de anotar tudo durante a viagem para passar para vocês.
Gastos do dia (individual):
- Almoço: 10,00 euros.
- Ônibus para o aeroporto: 4,00 euros.
- Jantar aeroporto em Madrid: 6,00 euros.
- Café da manhã em São Paulo: 12,00 reais.
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