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Transiberiana - de Moscou a Beijing

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Olá pessoal!

Eu sempre uso o Mochileiros como minha "bilbia"para todo tipo de viagem, porém estou devendo contribuir mais por aqui.

Nesse exato momento estou na Mongólia nos útlimos dias da minha travessia de Moscou até Beijing pela Transiberiana/Transmongoliana.

 

Vou postar aqui o meu relato. Está bem grande porque estou copiando do blog que fiz para manter minha familia e amigos informados, mas espero que gostem! A galera tem gostado bastante dos videozinhos que estou mandando...Entao se tiver com preguiça, só assistir os videos (são bem curtos) também ajuda haha

Caso tenham dúvidas, fiquem a vontade para me contactar por aqui ou por email ([email protected]). É um prazer ajudar!

 

Moscou

 

Em Moscou fiquei hospedada no Chicago Hostel. Não é ruim, mas já fiquei em hostels melhores... Segundo a lenda que me foi contada por outro brasileiro quando cheguei lá, o hostel é comandado pela máfia russa. Não duvido muito, porque morava uma caraiada de russos no hostel e de turismo mesmo só tinham uns 6 brasileiros, uns 4 colombianos e um argentino. No meu quarto, estava o argentino com os colombianos. Ele falava português, tinha uma casa no Rio, mas atualmente morava na Itália e os colombianos eram seus alunos e estavam assistindo competição de esgrima. Mais tarde, depois de voltar do passeio à Praça Vermelha, cheguei no hostel e conheci os brasileiros. Eles estavam fazendo Ciências sem Fronteiras em Budapeste, alguns eram de BH e tinhamos conhecidos em comum (esse mundo é mesmo muito pequeno). Aproveitei a companhia deles e fomos para um pub/balada bem legal. A russaiada estava soltando a franga na dança e eu me achando conseguindo tomar shots de vodka pura sem fazer careta. A vodka aqui é mesmo DILIÇA e desce redondo e suave!

 

Muitas vezes as pessoas olham com espanto para mim quando vou viajar sozinha e pensam se não me sinto entediada ou só. Bem, basta ler acima e os posts anteriores para concluir por conta própria que brasileiro tem pra todo lado e além de nossos conterrâneos, também há muitos gringos muito gente boa por ai para nos fazer companhia! Viajar sozinha para mim é a oportunidade de conhecer mais a fundo os locais e outras culturas, pois querendo ou não, quando estamos acompanhados acabamos nos mantendo mais na zona de conforto e interagindo menos com outras pessoas. Claro que há os prós e contras de se viajar sozinha, mas para quem, como eu, prefere fazer turismo de verdade (e não só ir em busca de festas e baladas...) é uma ótima pedida.

 

Voltando ao assunto Moscou. Tudo em Moscou é muito grande. O centro de Moscou não é como no resto da Europa cheio de ruelas estreitas. Muito pelo contrário, as ruas são super largas e muitas até tem passagem subterrânea para atravessar de um lado para o outro. A Praça Vermelha é bem legal, mas esperava mais...Ela não é na verdade uma praça, é só um quadrado bem grande cercado pelo Kremilin, Catedral de São Basílio, Mausoléu do Lenin e um shopping e não tem bancos, fontes, jardins como praças comuns... A Catedral de São Basilio é bem bonita e gostei muito porque foge daquela arquitetura tipica de catedrais da europa que já cansei de ver em outros lugares. O Mausoleu do Lenin estava fechado no dia, então não entrei. O Kremilin também não entrei porque estava com o tempo muito corrido e preferi focar em ver mais coisas. Também visitei a Universidade de Moscou que é um prédio muito grande e muito bonito, o Izmailovsk Park/Market que é bom para comprar souvenirs, a Praça Lubyanka onde ficava a sede da antiga KGB e bati muita perna por vários lugares aleatórios de Moscou (eu adoro andar a esmo, apenas vendo como os locais vivem, etc). Fora isso também fui ao Bunker 42. Lenin construiu esse Bunker durante a Guerra Fria como refúgio para o caso de um ataque com bomba nuclear a Moscou. O Bunker está a 65 metros (18 andares) pro fundo da terra e tinha capacidade de abrigar até 2500 pessoas. Eu achei a visita bem interessante, porém com um preço muito salgado (RUB 1300 – quase 100 ronaldos).

 

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Chegada do trem do aeroporto

 

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Catedral de São Basílio (e meu gorro boniiiiiito)

 

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Praça Vermelha

 

 

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Izmaylovsk

 

 

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Vestígios de comunismo por toda parte..

 

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Bunker 42

 

 

As estações de metrô de Moscou são um passeio a parte e nisso o comunismo contribuiu muitissimo. Eles tem muitas estações e os trens passam, juro pro cês, de uns 30 em 30 segundos. É muito rápido mesmo o intervalo entre um trem e outro. As estações são lindas, com pinturas, estátuas, chão/paredes todas de mármore.

 

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Estação de metrô em Moscou

 

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Estação de metrô em Moscou

 

 

Alguns comentários sobre os russos. As russas são realmente muito bonitas e super vaidosas e arrumadas. O frio congelando e elas lá todas bonitonas com suas botas de salto alto, saia, meia calça e sobretudo. Esse é o dress code da Russia pro dia a dia e eu obviamente estava totalmente em desacordo ao andar de bota Timberland, calça verde e gorro super cheguei da Bolívia. Não é de impressionar porque todo mundo na rua olhava para mim como se fosse uma aberração vinda de Marte. Já os russos, bem, não foram presenteados com o mesmo tanto de beleza que as russas rsrs Não vi nenhum russo de tirar o chapéu até agora. Fora isso, russas e russos são muito gente boa. Sim, muito gente boa!!! Antes de vir para cá, me disseram que eles eram muito frios, ficavam encarando, etc, mas comigo todos foram gente boa ao extremo. Adorei mesmo o povo russo. Apesar de falarem inglês MUITO pior que o Joel Santana, eles se esforçam muito para comunicar e tentar ajudar. Quando estava perdida tentanto achar um bunker, parei uma moça que pegou o celular, olhou no Google maps, olhou no site, ligou no bunker, etc e me ajudou tanto que fiquei até sem graça. Nota 10 pro pessoal aqui!!

 

Moscou não é uma cidade muito preparada para turismo e realmente não há muitos turistas por aqui. Me desculpem o linguajar esdruxulo, mas essa porra de alfabeto cirilico é uma bosta do caraio!! Ficava maluca tentando usar minha memória fotográfica porque em lugar nenhum eles escrevem as coisas em letras romanas, ou seja, nao tinha menor ideia de como era o som das palavras e em inglês então, só em sonho mesmo. Quando eu apontava algo e a pessoa respondia o nome da rua/lugar em russo eu não tinha a menor idea do que significava, porque o escrito era simplesmente 100% diferente do falado, entao depois de um tempo até parei de perguntar pra economizar tempo rs. Fora isso, o pai dos turistas, meu querido Google Maps me f*** dessa vez. Antes de sair do hostel, eu coloque todos os trajetos que queria fazer e tirei os prints no celular para poder me locomover bem e fácil...Quando eu já estava caminhando há bastante tempo e precisei dar uma conferida foi que eu notei que os nomes das ruas estavam todos em letras romanas. Não serviu de bosta nenhuma... ::prestessao::

 

Eu só tive uma tarde, um dia inteiro e uma manhã para aproveitar Moscou, então com certeza faltou tempo para ver mais com calma. Não pude estender mais porque o trem que vai da Mongólia para a China só sai às quintas e domingos, e no meu esquema atual eu estou indo pegar o trem de domingo. Para ficar mais em Moscou eu teria que estender 4 dias para trocar o trem de domingo pelo da quinta feira seguinte, ai achei que era tempo demais e não valeria a pena.

 

 

Acabada a estadia em Moscou, é hora de seguir para o primeiro trecho da Transiberiana. Serão 27 horas de trem até Yekaterinburg. Vamo que vamo e até logo!

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TREM: Moscou - Yekaterinburg

Chegou a hora de começar a travessia!! Acordei bem cedinho para dar tempo de mais uma passeada por Moscou antes de pegar o trem por volta das 13:30.

 

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Fora isso, tenho uma dica para o trem que é super valiosa. Nunca compre a cama de cima! A cama de baixo é, sem exagero, pelo menos umas 50x melhor que a de cima. Na 3ª classe pelo menos, na cama de cima não tem espaço para sentar, só para deitar, então é bem desconfortável. Segundo a regra de etiqueta da Transiberiana, as pessoas das camas de baixo devem deixar as pessoas da cama de cima sentarem porque realmente é uma bosta ficar so deitada num espaço de mais ou menos uns 50-60 cm de altura. Porém, não é a mesma coisa sentar na beirada da cama dos outros e ficar a vontade na sua, né? Além disso, as camas de baixo tem acesso a uma mesinha para comer, etc., mas o povo que senta na beiradinha não consegue chegar perto da mesinha porque ela é pequena...Outra vantagem da cama de baixo é que ela é tipo um baú, então você guarda sua mala e dorme por cima – para roubarem é literalmente só passando por cima do seu cadáver. Já na cama de cima, o espaço para a mala é uma prateleira aberta em cima da cama, o que não é tão seguro. É muito fácil também comprar a cama de baixo: só pedir uma cama número impar. Todas as pares são de cima e todas as impares, de baixo.

Além disso, ao chegar no trem, você recebe um jogo de lençol e uma toalhinha de rostos limpinhos (se não tiver ja incluso no seu bilhete, pode pagar na hora...). Na hora de ir embora do trem, também faz parte da etiqueta deixar tudo arrumadinho, enrolar o colchonete (que se coloca por cima do banco para dormir) e devolver o lençol e toalha para a providinista. Se precisar, ela também empresta caneca para tomar café/chá/qualquer outra coisa.

 

 

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Enfim, as 27h de viagem foram bem bacanas e deu para curtir a Transiberiana à là russa. No próximo post, conto sobre Yekaterinburg!

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Yekaterinburg

 

 

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Estação de trem de Yekaterinburg

 

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Nevando só um pouquinho...

 

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"Que bonitinho...Parece natal..."

 

Ao descer do trem levei um susto porque tinha muita neve e eu realmente não estava esperando isso haha No entanto, o frio da Rússia é até agradável porque não venta e sol somente acaba lá pelas 21h, então da pra aproveitar muito o dia e não ficar sofrendo com o ventinho gelado entrando onde não deve rs. Foi minha primeira vez vendo tanta neve e ao descer do ônibus e caminhar até o hostel, eu confessso que sambei muito e em meus pensamentos agradeci muitissimo por ter adquirido um bom seguro-saude pois sentia que havia grandes chances de aparecer uma fratura ossea no meio do caminho!!! Teve uma hora que fiquei samabando, sem sacanagem, por uns 5 segundos com meu mochilão nas costas, mas consegui não cair haha

Ao chegar no endereço do hostel não achava nem a pau a entrada. Parei um russo que também tentou me ajudar e não achou. O russo parou uma russa que pegou o celular, olhou no google maps, tentou ligar e, juntamente com o primeiro russo, me caminharam até a entrada do prédio que era pela rua de trás. Tudo isso sem falar um “a “ em inglês. Mais uma vez a russaiada conquistando meu coração!

Chegando no albergue, uma grata surpresa: era a única hóspede ahahaha Fico impressionada como aqui na Russia não tem turista!! Tudo bem que é abril e não é a alta temporada, mas eu sempre sou a turista solitária... Achei bom ficar sozinha depois de tanta bagunça no hostel de Moscou e de 27 h papagaindo no trem. O hostel era super limpinho, novinho e o mais importante: sem carpete. Odeio carpete! O nome é Art Hostel on Lenina e a localização é bem boa porque a Lenina é a rua principal de Yekaterinburg.

Eu resolvi parar em Yekaterinburg porque achei muito longo o trajeto de Moscou até Irkutsk direto, que a maioria do pessoal faz. Além disso, queria conhecer mais uma cidade menos turística para poder ver a “verdadeira “ Russia. Acabou sendo uma ótima escolha. Eu cheguei em Yekaterinburg umas 18h de um dia e fui embora as 22 h do outro dia, então o tempo foi suficiente para passear. A cidade em si é bem bonitinha, estava cheia de neve – o que era novidade para mim – e dava pra fazer tudo a pé. Eu não consegui dormir direito a noite por causa do jet lag que ainda me rondava e as 5:45 já tava de pé e comecei a passear assim que o sol raiou.

Yekaterinburg é a 4ª maior cidade da Russia atrás de Moscou, São Petersburgo e Novo Sibirsk. Essa cidade é famosa pois foi onde aconteceu o assassinato dos Romanov. Bem, para quem não sabe a história (eu também não sabia nada disso antes de pesquisar para vir aqui), quando estava acontecendo a revolução bolchevique, os bolcheviques estavam mantendo czar e familia aprisionados e em 1918, depois de já terem passado um tempo em outro lugar, eles foram mandados para Yekaterinburg. Acontece que os tchecos resolveram rumar em direção à Yekaterinburg porque eles controlavam a Transiberiana e queriam marcar território. No entanto, a cagada toda foi que os bolcheviques não se ligaram nesse detalhe e acharam que os tchecos estavam vindo para pegar a familia do czar e ficaram meio desorientados porque se os tchecos levassem czar e familia, as outras nações poderiam se recusar a reconhecer o governo bolchevique como legítimo pois existia a familia real russa. O que eles fizeram então? Sentaram czar, czarina e filhos no porão da casa em Yekaterinburg e executaram todos de uma vez só e o resto da família mais tarde no mesmo dia. Muito triste né? A casa onde o assassinato aconteceu foi demolida para que não se tornasse um local de homenagens e “perigrinação” e no lugar dela foi construída uma igreja - Church on all Blood - em homenagem a familia.

 

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Church on all Blood

 

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Bem, tirando a igreja que é provavelmente o ponto turistico mais famoso de Yekaterinburg, também dei uma voltinha para ver o resto que estava marcado no mapa. Terminado o passeio pela cidade, resolvi então ir visitar a divisa entre Europa e Asia porque estava com tempo sobrando. Mais uma vez, que erro Erikita!! Que erro!! Fui para a rodoviaria de Yekaterinburg e depois de muito custo consegui explicar que queria ir na divisa da Europa com Asia onde tem o monumento e tal. Entrei num pau de arara de deixar qualquer pau de arara do Brasil com inveja, entupido de russo até o talo e fui... Já tinha visto na internet que existiam 2 monumentos, um mais perto e um mais longe e resolvi ir no mais perto mesmo pra ir mais rápido. Bem, chegando lá, tinha um monumento, que sem sacanagem, era dificil de visualizar a mais de 200 metros de distância. Ficava na beira de uma rodovia super movimentada, a porra toda nevando e nenhuma construção interessante em volta, com excessão de um botequim beira de estrada. Depois de passar 2 minutos e 33 segundos admirando o monumento – o que é um tempo mais que suficiente – e ver que a paisagem pro lado direito, Europa, era exatamente igual à paisagem do lado direito, Asia, e não compreendendo o por quê de tamanho esforço de me locomover até ali, resolvi entrar no boteco para perguntar como iria embora (não preciso falar que no boteco só tinha eu e que o cara não falava russo né?). Qual a minha surpresa ao ver o cidadão apontando e fazendo a mímica de que eu teria que sair correndo para atravessar a rodovia do lado dos carros indo, pular a mureta de contenção, atravessar o lado dos carros vindo e ficar ali, paradinha, em cima de um montinho de lama e neve esperando um busão passar. Com certeza esqueceram de contar esse detalhe lá no forum do Lonely Planet, se não tinha gastado esse tempo precioso bebendo uma cervejinha em algum pub na cidade!

 

 

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Precisei até tomar uma cervejinha para relaxar e bolar minha estratégia de travessia rs

 

Enfim, depois de fazer o em nome do Pai, sai correndo até chegar do outro lado. Enquanto eu esperava o bus, apareceu um cara oferecendo carona, mas nem a pau que eu aceitei. Continuei lá esperando e graças a Deus o bus passou rapidinho e cheguei sã e salva em Yekaterinburg.

 

 

Ao chegar de volta na cidade, claaaaaaaaaaaro que não ia dar a mesma manota que dei no primeiro trem. Já fui logo parando no melhor supermercado da cidade (eu assumo que era o melhor porque era dentro de um shopping que só tinha loja de grife rs) e comprando comida suficiente pra 56 horas sem miojo cru. Esbanjei no queijo, presunto, patê, pão, torrada, banana, maçã, água, muita água, biscoito, etc etc e fui felizona pro hostel pronta pra causar inveja na russaiada com o meu banquete in transit.

Depois de um banho muito bem tomado e tudo pronto para ir pegar o trem, resolvi esbanjar e ir de taxi para a estação porque agora, além do meu mochilão, eu também tinha que carregar na neve e conseguir sambar legal com a sacola dos meus mantimentos que pesavam uns bons kgs e o taxi sairia algo em torno de R$10 apenas. O moço do hostel era bem bonzinho e sabia falar inglês, então já fui logo aproveitando pra sair do mute e poder falar bastante enquanto esperava o taxi porque aqui na Russia nunca se sabe quando será a próxima oportunidade de desembolar uma conversa!

(Mãe, favor pular o próximo parágrafo....)

Quando o taxi chegou ele já foi logo percebendo que eu não era russa, afinal russas não calçam botina e jamais andariam de calça de moletom e mochilão as costas. Quando ele viu que eu não falava russo, foi pegando o celular e ligando pra alguém. A pessoa do outro lado da linha foi falando e ele tentando me perguntar “ere ari iu from?” e todas aquelas perguntinhas de introdução. Só que ai, meus caros, eu comecei a cagar nas calças e não vou negar. O cara começou a perguntar demais e não desligava a bosta do telefone e tava tentando perguntar tipo “du iu ravi monei?” e eu só imaginando porque ele queria saber isso e já rezando e pensando que eu tinha mais 3 dias de trem e que minha familia ja sabia que eu ia sumir por vários dias, então que só iam achar meus restos mortais daqui uma semana, etc. Foram uns 3 minutos de pânico interno, mas o cara me levou na estação normalmente e não cobrou a mais...Acho que ele só estava fazendo como os outros russos que olham para mim como se fosse um extraterrestre, mas confesso que do jeito que foi eu pensei que pudesse ser outra coisa!

 

Enfim, tudo certo e embarquei no trem mais uma vez, dessa vez, por 2 noites e um total de 56h. Depois tem mais

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Obrigada Claudia!! Que bom que está gostando!

 

 

Segue abaixo mais uma parte do relato...

 

TREM: Yekaterinburg - Irkutsk

 

Mais uma vez escolhi a terceira classe. Não sei se já expliquei ,mas eu escolhi a terceira classe porque queria ter bastante contato com o pessoal aqui e tal. A diferença da terceira e da segunda classe é que a terceira classe tem um monte de camas, agrupadas de 6 em 6 (um total de 54 camas, se não me engano), gente cheirosa, gente fedorenta, chulé, falação, bêbados, etc., enquanto que na segunda classe são 4 camas dentro de um compartimento com porta que pode ser trancada. Assim, na segunda classe o máximo que pode acontecer é ter que conviver com outros 3 bêbados ou 3 peidorreiros ou 1 bêbado, 1 fedido e 1 cheiroso, ou 2 bêbados e 1 peidorreiro, enfim....Os números são mais limitados rsrs Ambas as classes não tem chuveiro, ou seja, a segunda classe também corre o risco de exalar uma essência exótica após algumas horas! Já a diferença da primeira e da terceira classe, além do dinheiro que não tá tendo (é muito mais cara), é que lá sim se tem uma vida de rei. TV, chuveiro, cabine de 2 pessoas, porém, qual a graça??? Fazer a Transiberiana assim, na minha opinião, não é sentir de perto a verdadeira Transiberiana.

 

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Bem, voltando ao assunto. Cheguei nesse trem torcendo para encontrar gente bacana de novo e principalmente que falasse inglês para poder fazer as horas passarem rápido, se não seria realmente um porre ficar em silêncio por 3 dias. As minhas preces foram atendidas e nesse trem também deu para conhecer um pessoal bem bacana! Aqui o pessoal era menos cara de pau...No primeiro trem todo mundo sentava na cama de todo mundo, todo mundo falava alto enquanto todo mundo dormia – e o povo nao estava nem ai – enfim, eram muito abertos. Nesse segundo trem, eles eram menos bangunçados e um pouco mais calmos. Em vez de sentarem ao meu redor e ficarem fazendo as perguntas, eles chamavam cara que estava na cama em cima da minha e que falava inglês para contar pra eles de onde eu era, o que fazia, etc. De vez em quando eles chegavam perto para interagir e quando fui embora do trem depois de 3 dias todos foram me dar tchau! Haha Foi bem legal!

 

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Em uma das paradas...

 

Como disse, o moço que estava na cama em cima da minha era ucraniano e falava inglês bem. Pensa num menino bão!! Adorei ele, um amor de pessoa... Ele e mais outros 40 ucranianos que estavam divididos em vários vagões estavam indo para um cidade bem ao leste da Rússia fazer um trabalho temporário construindo ferrovias. A viagem total deles ia demorar em torno de 7 dias (e eu preocupada com as minhas 56h). Na cama em frente a dele tinha outro ucraniano do mesmo grupo que também era bem querido, mas não sabia falar inglês. A gente ficava comunicando por telefone sem fio e foi de boa também.

 

Eles também gostavam de futebol e aproveitei pra perguntar se lá na Ucrânia o meninin do Galo, Bernard, estava mostrando serviço e eles disseram que menos do que deveria.Aproveitei também para contar que o Ronaldinho estava jogando no maior de Minas, mas que ele tava levando uma vida muito sofrida aqui no Brasil e eles racharam os bicos na hora que mostrei a foto abaixo hahaha Além disso, conversamos muito sobre a Ucrânia e Brasil, costumes e tal, mas na hora que disse que o assunto do momento era Criméia eles fizeram uma cara de “Ah, legal, fodas...” O assunto para eles parecia meio indiferente como se fosse pra gente discutir os sem-terra no Acre rs.

 

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Ronaldinho sofrendo em terras tupiniquins...

 

Bem, essas 56 horas por incrível que pareça passaram bem rápido! Nesse meio tempo, além de conversar muito fiado, dormir, tomar umas cerveijinhas, comer bastante, tomar banho de lenço humidecido e depois de caneca, dormir de novo, também aproveitei para fazer o videozinho abaixo:

 

 

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Em 56h dá pra fazer muuuuita coisa rsrs

 

 

Chegando em Irkustsk meus fiéis escudeiros fizeram questão de me levar até a porta do trem para encontrar com o Leonid (dono do hostel) e que ia me levar pro albergue. É engraçado como a gente se apega a algumas pessoas em tão pouco tempo né? Fiquei triste de não vê-los mais, mas assim é a vida das viagens...Depois pelo menos podemos manter contato por email!

 

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No próximo post, Irkutsk!

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Irkutsk & Lago Baikal

 

Chegando em Irkutsk, como disse, Leonid estava me esperando na estação. Ele é um russo bem bacana (que novidade!) e fala bem inglês, então deu pra trocar uma ideia. O hostel era na verdade o apê dele e tinha um dormitório misto e um quarto privativo que ficou pra bonitona aqui!

Depois de entrar na internet, mandar noticias, lavar as roupas e tomar AQUEEEELE banho caprichado, fui dar uma voltinha na cidade. A cidade é bem legal até e confesso que não esperava que fosse assim interessante. Observação importante: se você não me conhece pode estar achando que Irkutsk é tipo Paris da Sibéria. Não é nada disso, é só que eu não sou a pessoa mais exigente do planeta e gosto de muitas coisas simples rsrs. A cidade tem muita gente na rua e eu realmente gosto de movimento. Tem muitas lojinhas, gente andando e uma partezinha historica totalmente reformada bem legal de passear e onde passei boas horas tomando umas cervejas num pub.

 

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A temperatura em Irkutsk tava mara, do jeitim que eu gosto...Devia ta na média de uns 28 graus, porém a russaiada só anda de casaco. Fico impressionada!! O sol rachando, e eles lá, sobretudo, cachecol e os trem tudo...Nunca vi! Acho que é psicológico porque moram na Sibéria, só pode!

 

 

No segundo dia de manhã tinha um tour para Olkhon Island que é no Lago Baikal. O tour dura 3 dias e 2 noites e não ouse você fazer tudo por conta própria pra economizar uma mixaria. Custou 3000 rublos que são 200 reais para o ônibus me buscar no hostel, me levar até o lago, para ter um “barco”para a travessia, depois outro ônibus para me levar na guesthouse, 2 noites na guesthouse que era bem arrumadinha, todas as refeições inclusas (e bem gostosinhas), 1 dia inteiro de passeio de carro pela ilha (que só isso separado custa 1500 rublos) e todo o trajeto de volta até Irkutsk. Não pegar um tour para fazer isso é uma furada, porque é um preço bem decente para 3 dias e na ilha ninguém fala inglês e é tudo muito simplezinho...

O trajeto demora umas 6 horas no total, sendo umas 4 h de van até a beira do lago, uns 15 minutos de “barco” (quando o lago está descongelado, de ferry), uma boa 1 hora de van na estrada de terra chacolejando até a vila, mais os tempos entre troca de meios de transporte. Dessa forma, não é possível fazer o passeio em menos de 3 dias porque praticamente se perde 1 dia indo e outro voltando.

Logo na primeira van conheci o meu companheiro para os próximos 3 dias. Fabrice é francês, tem 52 anos e já viajou o mundo inteiro. É uma pessoa super bacana e demos muita sorte de ficar na mesma guesthouse pois na ilha só tinham 4 turistas no total: nós 2 e um casal de chineses que estavam em outra guesthouse. Fez toda diferença ter alguém junto porque, como disse, ninguém fala inglês lá e a familia da guesthouse era bem boazinha, mas não interagia muito tempo com a gente (até mesmo porque é dificil interagir muito só por mímica)

 

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Casinha típica

 

Khuzir é muitissimo pacata e muitíssimo simples. Na vila não tem asfalto e até brinquei no video que não é um “não tem asfalto” chique que nem não ter asfalto em Jericoacoara. Claro que não queria que tivesse asfalto aqui, mas o que quero dizer é que aqui não é bem cuidado. Tem muita sujeira na rua, alguns canos expostos, etc. O charme com certeza é manter terra/areia, mas acho que poderiam caprichar um pouco mais. Além disso, aqui também não tem água encanada. Na nossa guesthouse até tinha um tanque de 400 L com uma bomba para tomar banho no chuveiro, mas nem sei como conseguem essa água e quanto tempo ela deve durar até que recebam mais, então fui muitissimo econômica do banho. E como não tem agua encanada, não tem privada, só uma fossa no fundo do quintal!! Rs Essa parte da fossa é realmente um porre porque além de ser longe – temos que atravessar uma casa, outra casa, a casa da Olga, o galinheiro e a horta até chegar nela – arregar as calças no frio não é legal né gente? Rsrs Além disso, não vimos praticamente ninguém na rua apesar de ver muitas vacas passeando pela cidade rs. Para mim 3 dias foram mais que suficientes pois eu sou uma pessoa que fica muito entediada sem nada pra fazer...Se você é do tipo que gosta de ficar sem fazer nada, pode ser que curta ficar mais.

 

 

 

 

Chegamos por volta das 16h e como na Russia em abril o sol dura até as 21, já fomos logo indo passear no lago. A vista me supreendeu muito!! Não tinha visto na internet fotos do que eu vi ao vivo....O lago todo branquinho, puro gelo, muito lindo!! Demos uma volta, andamos por cima do gelo, tiramos muitas fotos, andamos mais, vimos umas paradas xamânicas, etc. Foi bem legal. Não vimos nenhuma outra alma viva na rua a não ser o casal de chineses rsrs.

 

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Lago Baikal

 

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Fabrice e eu

 

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Pelos olhos da GoPro

 

No segundo dia fomos fazer um passeio de 4x4. O nosso carro, juro pro cês, era igualzinho um Fiat 147 com tração 4x4 da época que Lenin ainda devia estar na flor da idade. O carrango aguentou bem o tranco porque tem uns buracos bem, digamos, desafiadores no meio do caminho! O passeio foi sensacional e com vistas maravilhosas. Realmente Olkhon é uma parada imperdível na Transiberiana. As fotos não conseguem dar um gostinho do que eu vi ao vivo...Eu achei incrivel ver o lago todo congelado, e apesar de achar que no verão também deve ser bonito, acho que no inverno é mais diferente e especial. Afinal, estamos na Sibéria não é mesmo? Pra ver praia e biquini dá pra ver muito no Brasil rs.

 

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Bem, no tercerio dia passeamos de dia de novo no lago na parte próxima à vila porque estava um céu muito azul e um dia lindo. Deu para aproveitar bem até as 13h quando retornamos para Irkutsk.

 

 

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Depois de tanto andar no sol, realmente ficamos com calor mesmo no gelo!

 

Ao chegar em Irkutsk fomos de trem até o hotel do Fabrice. Para minha sorte, o hotel dele tinha banheiro compartilhado e me deixaram aproveitar para tomar um banhinho sem cobrar a mais antes de embarcar para a Mongólia. Nunca tinha parado pra pensar no quanto é bom ter água corrente!! Rsrs

 

Fim da minha estadia na Russia.. Na próxima vez, escreverei direto da Mongólia! Até, meus queridos!

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Não é seu aniversário, mas meus sinceros Parabéns ::otemo::

 

Qual foi seu percurso entre Brasil e Moscow?

 

A Rússia é um local que por toda sua história e pelo que vejo bela arquitetura é um destino ao qual pretendo realizar uma ''mochilada''

 

Porém pelo que já pesquisei sobre o Pais e pelo seu relato eu constatei as seguintes coisas: (me corrija se estiver errado)

 

O pais é relativamente caro tendo em vista que moro em São Paulo e sei que aqui a inflação é alta.

O idioma é complicadissimo

A estrutura para turistas não é tao forte quantos outros paises aos quais se pode visitar.

 

Enfim mesmo com tais dificuldades ainda é sem dúvidas o lugar a ser visitado.

 

Continuo acompanhando seu relato que sua espontaneidade nos atos do relato só fazer o leitor se sentir parte da viagem. ::love::

 

C

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Não é seu aniversário, mas meus sinceros Parabéns ::otemo::

 

Qual foi seu percurso entre Brasil e Moscow?

 

A Rússia é um local que por toda sua história e pelo que vejo bela arquitetura é um destino ao qual pretendo realizar uma ''mochilada''

 

Porém pelo que já pesquisei sobre o Pais e pelo seu relato eu constatei as seguintes coisas: (me corrija se estiver errado)

 

O pais é relativamente caro tendo em vista que moro em São Paulo e sei que aqui a inflação é alta.

O idioma é complicadissimo

A estrutura para turistas não é tao forte quantos outros paises aos quais se pode visitar.

 

Enfim mesmo com tais dificuldades ainda é sem dúvidas o lugar a ser visitado.

 

Continuo acompanhando seu relato que sua espontaneidade nos atos do relato só fazer o leitor se sentir parte da viagem. ::love::

 

C

 

 

Erika,

 

Ignora a pergunta do roteiro, pois agora consegui ver o video.

 

Baita caminhada até Moscow hein?

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