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De Morro de São Paulo-BA até Conceição da Barra-ES

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Sexta-Feira à 04/02/2005 - Belo Horizonte - Minas Gerais

 

Saio desesperado do serviço as seis da tarde e corro ( Mesmo) até minha casa, tomar banho o mais rápido possível e chegar na rodoviária a tempo. Cheguei faltando 15' para o Ônibus sair, quando entro no Busão são exatas 19 horas. Destino final : Valença, o que demorou 25 horas e passando por muito contratempos : estrada ruim, pneu furado. Descemos eu e três outros mineiros com rumos bem diferentes.

 

8 da noite chego a cidade de Valença, não conheço nada, olho pra parada do ônibus que é no Porto da cidade, acho tudo muito bonito e sei que pra chegar até Morro de São Paulo tenho que pegar um barquinho (R$ 4,00 o mais lento e R$ 15,00 a lancha rápida) com destino ao Povoado de Gamboa, alguns longos minutos de viagem, e aproveitei logo de me adentrar no ritmo local, uma cerveja pra começar e ouvir os locais conversarem, vez por outra eu olhava para o céu que me deixava completamente admirado e emocionado, as estrelas estavam com um brilho forte, muitas, a escuridão de breu me deixava com o coração na garganta, de medo do barco e pela beleza que certamente jamais havia visto uma noite tão estrelada quanto aquela.10 horas chegamos a praia de Gamboa, onde eu sabia que havia uma camping (Camping da Gamboa R$ 12,00); Cheguei, armei minha barraca e tomei aquele banho, e claro caí na Noite da vila, depois de umas cervejas voltei pra barraca e dormi muito bem, acordei bem cedinho e fui tomar café, perto do porto encontrei uma senhora que vendia um caldo doce de tapioca, tomei dois copos caprichados (R$3,00) pra começar caminhada. O sol estava bonito e maquina na mão para as primeiras fotos. Perguntei pra um senhor se dava pra ir até Morro pela praia, ele me disse que sim, sai sabendo que deveria ser rápido por conta da maré que iria subir e tirar o caminho. Uma hora depois chego no Portal de entrada para o Farol e a vila e a história do local se faz mais forte e é possível viajar no tempo. Prefiro conhecer primeiro o camping onde irei ficar (Camping Oxum R$ 10,00), de frente pra 2º praia, armei a barraca, tranquei e fui conhecer a ilha, cara que local bonito, mas pra minha pouca sorte o dia fica nublado e começa a garoar, mas depois do almoço abriu um sol e o mar ficou de uma cor que se assemelhava ao céu, azul intenso, Maquina na mão e muitas fotos: Ilha da saudade, 3º e 4º praia e suas águas mornas, a tirolesa (400 m de cabo e 57 mt do chão), Farol (1835), Igreja de N.Sra Da luz( Séc.XVII), Fonte Grande e o Forte ( 1630) em ruínas, que ainda impera com sua beleza, seus coqueiros dão um toque de nostalgia ao local, atraindo muitas pessoas, ávidas por beleza e com sorte vejo alguns golfinhos, Quando de tarde forma uma grande multidão para saborear o pôr-do-sol que com suas luzes nos deixa boquiabertos, o sol da lugar á um a luz bonita, que de mansinho toma conta da noite. E a noite trás magia ao Morro, com suas ruas estreitas e seus bares que tomam parte da rua, trazem os noturnos á vida, mas uma noite me vou aos bares e que decepção foi ver que a vila tem mais gringos do que brasileiros (muitos sem nenhuma noção de preservação), os preços são caros, a exploração ao turista é ridícula, todos querem só ganhar, e depois no outro dia as ruas estão sujas, e a dificuldade de se retirar o lixo da ilha é imenso, haja visto que não tem veiculo para recolher os entulhos a não ser o trator que passa com dificuldade. De tarde tive uma grata surpresa, estava fotografando a Igreja e o Portal, quando estava retornando ouço um barulho que logo me pareceu ser o carnaval, mas era uma bandinha da Ilha que dava seus passos em direção á fonte grande e em seu compasso arrastava uma imensa multidão ao som das melhores: " Ô lá lá ÔõôôÕÕ, Aí que calor ôÕõô". Fiquei em Morro até o meio dia, quando parto no mesmo barquinho ( R$4,00) que me trouxe até Bom Jardim, uma ilhazinha que fica de frente a Morro e tem praias de areias brancas e um mar lindo. Dessa ilha fui direto pra Valença, com destino a Camamu, Busão e Pouco tempo depois estava passando pela Graciosa, um local onde é fácil ir pra Biopeba, bateu aquela vontade de ir pra lá mais resisti, se não me perdia no roteiro já programado.

 

Cheguei em Camamu por volta das 17:00 hs, o sol estava manso me esperando e já estava com sede de fotografar, fui direto ao porto aproveitando a parada do ônibus, sentei na mureta e veio um barquinho em minha direção, nem pensei fiz uma foto muito linda. Como estava já de noite, dormi em Ubaitaba, e logo de manhã (6 hs)tomei um busão com destino a Itacaré, estradinha de terra , muitas curvas e serras e o sol começa a mostrar seus primeiros raios, nuvens baixas e resquícios de uma mata exuberante, os trabalhadores do cacau já estão na lida, Aquela região se mostra da mesma forma dos tempos em que os barões do cacau reinavam na Bahia, a fome bate forte e graça a deus paramos em Taboquinhas, um distritozinho, bem humilde onde sobem algumas pessoas e Novamente aprecio o caldo doce de tapioca, e ás 8 da manhã chego a bela cidade de Itacaré.

 

Em Itacaré (Nomeada em 1931), novamente não tinha a menor noção de onde ficar e desci em direção as praias, muitos hippies e surfistas, quando chego na Praça Santos Dumont, vejo uma pousada super bonitinha que tinha um camping (Pousada o Pharol), dei uma olhada e me agradei muito, Armei a barraca e de cara já conheci um carioca, o Rodrigo, muito maluco que chegou intimando pra uma festa com toda a galera do camping e da pousada, topei na hora e já fui conhecendo os habitantes: 6 Brasilienses, 4 mineiros, duas baianinhas show de bola, 1 carioca, 1 norte-americano ( Ciclist Nomad) que iria fazer de Salvador até o rio de janeiro em sua Bike. Depois de Enturmado, saímos de galera pra praia, primeiro a do Resende, que fica o dia inteiro quase deserta, paisagem fantástica, praia com muita onda e muito próximo tem a praia do Tiririca que é point de surfistas, toda proteção é necessária visto que tem muitas pedras, mas se bobear pode contar com os guarda vidas. Logo de tarde na praia da concha teve o carnaval das " caretas" , grupos de adolescentes e crianças que vestido a caráter saem as ruas com suas roupas coloridas e botas pretas e no rosto mascaras cobertas até a altura da boca, horrivelmente decoradas ( por isso caretas) que fazem o percurso até de frente a Igreja local ( Matriz de São Miguel). Nossa festa já estava iniciada, conheci a galera toda, muito gringo: Alemães, Irlandeses, Paraguaios, Israelenses e muitos outros, dando uma real noção de Albergue espanhol ao local. Quem sabia cozinhar já estava previamente escalado para o churrasco, a cerveja rolava solta e os papos rolavam na moral, ficamos até umas 11 horas, onde um banho tornou-se indispensável e a noite convidava para um Show de reggae na praia da concha e eu claro que não iria perder. No outro dia acordei moído, logo cedo fui pra praia da Costa, praia pequena de agradável lugar pra ver o mar e ler um bom livro. Cada pôr-do-sol em Itacaré é maravilhoso e toda tarde quando não ficava na praia observando longamente as ondas, ia direto para o mirante de onde era possível observar onde os barcos de pesca dormiam (Coroinha) e o farol ao longo da Praia, um lugar digno de muitas fotografias e de horas infindáveis de observações. Não poderia estar em Itacaré, e não conhecer suas cachoeiras, e suas lindas praias de Jeribucaçú (Particular e fica deserta quase o ano inteiro),Engenhoca, Camboinha, Piraganga ( 20 km), Hawaizinho, Itacarezinho, Prainha, essas com ajuda de vans pois é de difícil acesso e longe da cidade, graças a deus só pagávamos o ônibus pois o carioca (Rodrigo) trabalha como guia e tinha já trabalhado em Itacaré, gastávamos menos. Conheci uma galera muito maneira na cidade e apreciei demais o "ar" local, onde as pessoas são hospitaleiras, os lugares bonitos e a noite é inegavelmente convidativa, e pra quem gosta de sair é um prato cheio, pois variações que vão desde o vegetariano ao mexicano pode ser encontrado, foi com uma certa tristeza que fui embora de Itacaré, destino: Ilhéus.

 

Duas horas depois de sair, cheguei a Ilhéus ( Surgida a 465 anos), Cidade apadrinhada por São Jorge dos Ilhéus e por seu ilustre morador dos tempos de outrora, Jorge Amado, onde logo fui conhecer a central de abastecimento, onde de tudo um pouco pode ser encontrado, desde carne de bode seca até roupa de bebê, onde almocei um caldo divino de Pititinga, com suco natural de caju (Não tem nada melhor). Desci pra conhecer o centro da cidade onde sabia que tem casarões lindos, como os encontrados próximo a catedral de São Sebastião (1931) , na galeria Jorge Amado, o bar Vesúvio eu não poderia deixar de conhecer, pois, na época do cacau era ponto de encontro dos coronéis e originou o romance Gabriela , mais fotos eu fiz e com grata surpresa fotos encantadoras no convento e Igreja de Nossa Sra da Piedade.

 

Segui de Ilhéus no mesmo dia pra Porto seguro, cheguei debaixo de um pé d´agua, ainda bem que próximo da rodoviária tem Tabapiri country camping ( R$ 12,00), armei minha barraca e dormi um sono merecido, ao qual no outro dia acordei com vontade dobrada de conhecer a cidade, o primeiro local que tive o prazer de conhecer foi a cidade histórica de Porto seguro : capela de São Benedito - 1551- ( onde de uma frondosa arvore se vê o lindo mar ), Casa de câmara e cadeia, o Farol construído em 1916, Matriz de Nsra da Penha ( Onde tem a imagem de Santo mais antiga trazido para o Brasil - São Francisco de Assis - 1503), Matriz da Misericórdia. As casinhas abrigam centros culturais da cidade, lojinhas de artesanato, e pensar que algum índio poderia estar ali naquele local no exato momento que Cabral e sua Nau poderia estar chegando ao Brasil, a emoção que o local me provocou foi marcante demais e curti o momento em êxtase completo, saboreando cocada queimada. Como meu destino não era propriamente Porto Seguro, parti sem mesmo conhecer outros locais como a praia vermelha, mas me impressionou as casinhas do centro, com sua passarela do álcool, na noite anterior encontrava-se repleta de altos carros de som, além de uma gama de turistas em seu ultimo dia de farra e agora só alguns bebuns da noite anterior de carnaval, segui minha caminhada para a balsa(que me deu o maior medo, naquele balanço desengonçando) onde com uma carona atravessei para Arraial d´ajuda.

 

Em Arraial d´ajuda, já sabendo do percurso mais ou menos e segui os 4 km que me separavam da cidade, fui devagar, observando a mata e as mansões de muros altos, um puta de um Parque aquático da boas vindas na chegada da cidade e a fonte D´ajuda pode te refrescar e ainda dizem que trás bons fluidos ,depois do subidão cheguei ao meio dia na praça de Nsra d´ajuda, a felicidade foi imensa por estar na esquina do mundo, segui para minha pousada na praça da Broadway ( Pousada do Campo ), só deixei minhas coisas e fui direto pra praia de mucugê, a descida é repleta de vida, gente bonita, me impressionou a quantidade de lojas elegantes e bares que tem na estrada pra praia, e a praia é uma delicia. Quando voltava vi três chilenas que tinham acabado de serem assaltadas, dei um apoio moral, conversando com elas e levando-as até a delegacia que ficava perto de onde eu estava. Das praias legais, vale a pena conhecer: Mucuge, pitinga e parracho, e taipe ( esta com falésias imensas). Na praça aproveitei pra fazer as compras básicas, de camiseta até fitinha do senhor do Bonfim, mais fotos da cidade, da igreja e da fonte que veio a dar origem ao distrito, á noite é agitada e os noturnos novamente se divertem. O que chama muito minha atenção é a despreocupação de seu povo, que fala devagar e de suas muitas redes na varanda, um convite. Dos bares, quem vai tem que conhecer o manguti com seu "capetão-mor", de tirar o fôlego. Já tenho que me despedir desse impar local, onde as forças da natureza conspiram par que tudo seja bom, e não é a toa para tanto , localiza-se no paralelo 17º, o mesmo de Bali.

 

No outro dia Segui de ônibus para Trancoso (Séc.XVI), sem duvida um bom local para fugir da agitação da cidade, o verde do quadrado mistura diretamente com o azul do céu. E novamente sem local exato de ficar tive de me virar, felizmente encontrei o camping da pousada Miramar, que fica no Quadrado e do lado esquerdo da Igreja de São João Batista(1586), o local tem uma vista muito privilegiada para a praia dos coqueiros, minha barraca teve uma feliz vista e eu uma noite inteira de agito, pois no dia que cheguei era noite de Show e dormi ouvindo Elba ramalho " a bruma leve das paixões que vem de dentro..........." . Os locais de Trancoso são de fácil acesso e a pureza de seu povo contrasta com a beleza de suas lojas, o mirante entre a igreja e o cemitério tem uma vista impressionante por sua beleza, descendo por uma viela, você chega a praia dos coqueiros (onde tinha um velho píer), você passa por entre o mangue e chega de cara na praia com suas águas escura e praias desertas. As falésias são imensas e as praias quase desertas são procuradas tanto por naturistas quanto por tartarugas para por seus ovos. Vi uma sena estranha, quando me aproximei vi que era um cachorro brincando, é isso mesmo, brincando com um caranguejo que vez por outra conseguia beliscar o focinho de seu parceiro, que combatia com um latido, muitas fotos desse momento impar na viajem. Suas praias são atraentes e quem quiser caminhar poderá conhecer a dos nativos, de frente pra Trancoso, e a dos coqueiros onde tem muita barraca pra tomar aquele sol e se divertir com aquela cervejinha, por que ninguém é de ferro. Para os que querem e tem uma grana e tempo a mais a praia do espelho é bem famosa e faz seu próprio glamour, com praias quase pouco conhecidas por todos.

 

Despedindo de Trancoso com destino a Prado, faz-se necessário uma parada para trocar de ônibus, no distrito de Vale Verde, só um Barzinho e muita gente esperando o ônibus, enquanto esperava fiquei tomando umas cervejas, e tentando estabelecer um contato com dois mochileiros Noruegueses. Já estava findando o dia e tive que dormir em Itamaraju em um Muquifo que puta merda.

 

Logo pela manhã ( 6h) peguei o rumo de Prado que rápido encontrei um camping bem próximo da praia do centro, um lugar onde só via coqueiro e mosquito, e o calor fazia com que a vontade de tomar uma cerveja só crescesse, armei rapidamente a barraca e fui conhecer as belezas de Prado, As falésias atraem muita gente que em sua imensa e quase total maioria é mineira , caminhar pela praia trás uma sensação muito boa, ver o que ainda sobrou da restinga , tomar uma água de coco, é quando dou de cara com a barraca "Gil Mineiro", sentei e mais cerveja, papo vai e papo vem, o entardecer de Prado é muito bonito, suas falésias que com seus muitos tons de vermelho deixam qualquer um de boca aberta, na praia ainda alguns banhistas e um grupo que longe jogavam futebol, dando uma bela cena para fotos, sua praia estreita e de mar calmo e seus enormes coqueiros que dão um toque charmoso ao local, ainda fico na praia até de noite, curtindo cada momento ainda restante, pensando que por aquelas praias aconteceu o primeiro contato dos índios com a esquadra de Pedro Álvares Cabral.

 

Exatamente nesse ponto da viagem bate uma dúvida, para onde ir, Alcobaça eu já iria, mas e depois, deixa pra lá vou descendo e vamos ver no que dá. O busão até Alcobaça não demora mas a rodoviária fica meio longe do Camping Clube do Brasil (Onde iria ficar), que não é o melhor local pra ficar, primeiro fica muito longe (Perto do farol) e custa o preço absurdo de R$ 24,00 e isso fora de carnaval e tudo mais, nem morte iria pagar, fui até o Deck, um barzinho de praia e lá descolei uma pousada muito boa por R$ 20,00 e ainda bem localizada, até que uma cama não cai nada mal e depois de uma cochilada fui passear pela praia e como ainda estava bem ensolarado fiquei nas divagações que batem quando estou de frente pro marzão lindo, vendo os barquinhos retornando da labuta que lhes é ganha pão. Na praça, a matriz de são Bernardo impera sobre a cidade. Novamente penso o que farei, será que vou pra Mucuri?? Será que vou pra Costa Dourada? Vontade não me faltava, só que o tempo estava bem reduzido e a grana já estava acabando, decidir em meio as estrelas que nasciam e o lusco-fusco que me encantava nos seus vários tons de azul. Decidi com um aperto no coração que iria logo de manhã para Teixeira de Freitas com destino a Itaúnas no Espírito Santo.

 

Quando acabo de descer em Teixeira, pra minha felicidade já tinha um ônibus Direto pra São Mateus, resolvi não descer até a cidade e ficar no Trevo da Barra (Conceição da Barra), fiquei 1 hora esperando alguma carona, mas nada, quando passou já estava tarde e ainda queria chegar estar em Itaunas, desci em outro trevo, agora no de Itaunas, ufa só 20 km me separa do paraíso, e a espera por carona continua, quando fui me informar em um buteco nas margens da estrada, me disseram que não tinha mais ônibus pra Itaúnas e os carros eram raríssimos os que passavam, fiquei um bom tempo tomando umas e resolvi ir pra Barra. Peguei o primeiro ônibus que vi pra C. da Barra, como não conhecia patavina, mas tinha dicas,saí andando a procura de uma pousada legal, e tive a grata surpresa de encontrar um ótima pousada, perto da Rodoviária ( Pousada Itaunas) que fica em frente a um camping que estava fechado. Cara como é bom viajar fora da muvuca o preço é muito mais em conta, paguei R$ 20,00 e bem localizado fiquei. No outro dia antes do sol nascer eu já estava de pé com destino á tão sonhada Itaúnas.

 

Finalmente Itaúnas, este lindo povoado que já beira nos 300 anos desde que foi iniciado. Na procura por uma pousada, fui aproveitando para conhecer os locais ao quais já havia ouvido em músicas do "Chama chuva", a igrejinha do centro, o beco das cores, os bares e suas muitas pousadas, quando encontro a pousada logo deixo minhas coisas e saio com destino certo, as dunas. Cara, quando atravessei o rio, já dava pra ver as famosas areias que se movem, em sua cor meio branca, meio amarela, seus grãos finos e sua maciez são delicias para meus pés cansados e cheios de bolha, quando caminhei pelos imensos paredões, subindo-os, parece que poderia tocar o céu, olho pro lado, olho pro outro e a beleza que o local me impõe é digna de muitas musicas e de belas fotos, no horizonte que se estende a partir de mim, por todos os lados a única coisa que se vê é beleza, o azul-verde do mar, o marrom do rio, o verde da restinga na praia com a mata ao fundo, e sobre os meus pés encontra-se um povoado, encontra-se a cidade perdida, o vilarejo tão sonhado pelos primeiros moradores, que devido a degradação da restinga entre a vila e o mar , tiveram que estabelecer nova morada do outro lado do rio, deixaram pra trás seus sonhos e construiram para a posteridade o encantamento presente desse paraíso. Huuuuu, o mar, que maravilha e sapiência tem a natureza em criar algo de um esplendor que sobressai a qualquer maravilha criada pelas mãos humanas, de praias longas, mar calmo e sol escaldante, trazem ao seu local inúmeros turistas. Quando volto a vila presencio uma mácula ao paraíso, insanos turistas se vão e deixam sua pegada destruidora, levando do local as bromélias que nas margens de um regato dividindo as dunas e o mar, tinham sua morada e se vão nas mãos de mães embelezadoras de lares.

 

De volta a vila o que noto é a leveza e paz do local, saí para fazer umas fotos, nas margens do rio crianças felizes mergulham em águas frias e saem com seus sorrisos característos de suas idades, os aguapés dão naturalidade e contorno ao caminho que percorre o pescador em sua lida diária de prover sustento aos turistas e sua família, No final da tarde o pôr-do-sol é um convite para sentar e observar o longe, os pássaros que voltam aos seus ninhais, multicolorindo o céu em suas penas e o céu brinda quem o observa com cores impossíveis de serem criadas, e os quero-queros em seu meloso canto animam feito musica o conjunto da espetacular obra prima do Parque estadual de Itaunas. O parque foi criado em 1991, com o tombamento de suas dunas como patrimônio histórico, está entre dois rios, o Itaunas em C. da Barra e o Riacho Doce, no extremo norte do ES, fazendo divisa com a BA, concentra nesse parque o fascínio natural dos bichos, das flores, das arvores, sua restinga e seus manguezais, e vez por outra seus belos rios, e nada mais bonito que suas praias em noites claras, Nessas mesmas praias cedem espaço para uma das bases do projeto Tamar que desenvolve um bonito trabalho na pesquisa da desova das Tartarugas, além de servir de apoio a educação ambiental no parque e nas dunas,mas, quando via cena anterior de agressão ao parque não vi ninguém monitorando as dunas e quando fui na sede reclamar não encontrei ninguém pois o PQ estava fechando. Um absurdo!!!!! Acabou o dia e noto que pinta o céu de estrelas e os astros dão entrada na noite, que em Itaunas é agitada, e para os noturnos nada melhor que aquele forrózinho pé-de-serra no Buraco do tatu.

 

À noite já estava adiantada, quando saì da pousada e a Lua prateada e imensa apontava no céu, agora sua luz tornava a outras luzes meras coadjuvantes em beleza. Fui direto pra o Buraco do tatu, onde já estava animada com os moradores locais dançando o gostoso forró da cidade, embalado pela ginga faceira da música e do bom sabor do álcool presente no Cipó-cravo, uma mistura de cipó selvagem, mel e álcool, que é muito bom. Arrisquei-me no forró,mas nem se compara ao dançado pelos locais que merecem o titulo de capital do forró, mais cipó-cravo, o local é totalmente diferente, com seu visual meio hippie, meio místico e muito forrozeiro, fui dormir altas hora e bem chapadão, o cipó é docinho e se você embalar, depois sobe o álcool rapidamente, ainda bem que já sei e nas próximas eu me garanto.

 

Como é bom acordar com o barulho natural da vida, e os galos, as vaquinhas estavam com toda força ,pois, acordei cedo. Durante todo o dia fui explorar melhor as belezas do local, as delicias de sua cozinha ( Bobó de camarão, divino), mas quando chego no meio da praça me bate uma dúvida: O que é ou o que foi aquele tronco enorme em frente a igreja???. E de noite arrisquei o Buraco do tatu, agora com gosto de gás tomei todas, e salve a cachaça nossa de cada dia. Das boas conclusões que pude tirar, vai aqui a de que o turismo nesse local deve ser feito com muita consciência por parte de quem esta visitando Itaunas, pois, os moradores aprenderam que na natureza tudo que se faz a ela, pode ser revertido sem previsões precisas, por isso recebem a todos com simplicidade e respeito. Que pena que no outro dia eu estava de partida.

 

Com um aperto no coração deixo esta vila que perdurara em minha lembrança, e por entre os eucaliptos que margeiam a estrada que nos leva de volta a Barra, pequenos lagos ainda cheios com a ultima chuva, e crianças preparando-se para os afazeres escolar.Novamente cheguei a C. da Barra e agora iria conhecer meu ultimo paradeiro antes de retornar pra casa, me assustou muito a violência com quem o mar adentrou a praia, somou forças com o rio e manifestou-se, destruindo calçadas e deslocando pessoas de suas casas, sem ao menos avisar de ante-mão, suas longas praias eram atrativos fervorosos em carnavais passados e agora a cidade perdeu seus turistas e deu lugar a imensas praias sem banhistas. Como sou apaixonado pelas cores de um pôr-do-sol, fui observar no Porto, o azul do céu eu nunca havia visto como aquele e o alaranjado contrastavam com o verde das matas do outro lado do rio, os barquinhos em fila adentravam o rio, vindos do mar e traziam seus moradores ao contato de seus lares, a cena era maravilhosa para não fotografar. A beleza e a paz que o local nos dedica é algo que transcende o visual Propicio para se querer muito bem a natureza.

 

22 de março, 18 horas - Estou indo de volta pra Belo Horizonte.

 

Minha viajem terminou, e a caminho de casa segui. 14 horas depois chego, e já com muita saudade de todos os locais por onde passei. Não compensa ficar em casa e ver o mundo passar e outros viverem o que a gente esta destinado Se pudesse resumir em uma frase toda essa viagem, poderia ser escrita nessa " O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis".

 

Números da Viagem:

 

Mais de 3.000 km.

15 cidades bem conhecidas

Três bolhas no pé.

20 dias de Pé na trilha.

Muitas picadas de mosquito.

18 ônibus.

Muitos momentos pra se sonhar.

 

Grande abraço a todos,

 

Qualquer dica ou algo mais , favor contactar-me:

[email protected]

[email protected] ( msn ).

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Oi Rogério:

 

O relato está ótimo. Parabens. mandei um e-mail dizendo pra colocar no tópico relatos de viagens, mas depois vi que já estava nele. ´Valeu mesmo. Um abraço Odilio

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Fala Rogério!

 

Muito legal o relato... Pena que alguns picos passaram batidos, Boipeba, Barra Grande e Caraíva.

Mande umas fotos pra galera!

 

Abraços!

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Jeferson,

 

Com certeza faltou ter passado em Boipeba, quando passei em Graciosa ( Um povoado de pescadores, que é o melhor local para ir até lá), tomei aquele baita susto, queriam me cobrar R$ 50,00 para me levar, nem pensei em desistir, foi na hora, achei um abuso dos locais, mas fazer o que.

 

Barra grande, quando cheguei em Camamu a vontade foi forte, pois tinha dois amigos lá, mas não deu mesmo.

 

Rpg.

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Rogerio, muito legal essa sua experiência, tenho um amigo que morou em Itacaré e tenho muita vontade de conhecer esse paraíso! Obrigada por dividir suas experiências conosco!

 

Mil Beijos!!!

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Aew Rogério.... Massa a trip hein.... Soh faltou um numero da viagem.... o preço! aHIUAHahauHAUh.....

Mas ficou massa mesmo....

Qndo vc relatou sobre Itacaré, pareceu q eu estava lah junto.. muito doido memo....

Abraçaum aew Kra....

Positividade!!!!

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Oh Nando,

 

Itacaré eu não falei muito por que eu estava chapadaço[:P], brincadirinha. itacaré é tudo de bom[8D].

 

 

As luzes, o ambiente[8D], a musica[:D], tudo muito na paz, 1000% diferente[:0].

 

Amo esse local, amo Itacaréeeee[:)].

 

Gosto e quero sempre estar nesse local.

 

Rog.

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Visitante

Rogerio, faz um album para que possamos ver as fotos... Um relato legal desse não pode ficar sem a informação visual.

 

parabéns pelo espírito jornalístico!

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