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PERU EM 21 DIAS - CUSCO-MACHU PICCHU-PUNO-LAGO TITICACA-AREQUIPA-CANION DEL COLCA-PARACAS-HUACACHINA-LIMA
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Mayara Lacerda Cunha 1 post
Fizemos essa viagem em outubro/novembro de 2013, mas só agora tive a ideia de escrever um relato. Por essa demora talvez não lembre de alguns detalhes, como preços e nomes de ruas, praças, lugares, agências... mas vou me esforçar!
Comprei a passagem em junho de 2013, numa promoção da TAM. Paguei R$750,00, ida POA-CUZ e volta LIM-POA. Depois de comprar a passagem fui atrás de companhia e por sorte duas amigas (Fe e Elisa) toparam a parada! Elas também compraram na promoção e pagaram menos de R$800,00.
Tive um probleminha técnico e tive que adiar em um dia a minha viagem, então as gurias partiram um dia antes, e eu fui depois.
O voo saia de POA, com escala em GRU, LIM e destino final em Cusco.
Aqui cabe um breve relato da experiência assustadora que eu tive no aeroporto de POA: já estava na sala de embarque e já estavam chamando o meu voo. Foi quando eu percebi que não estava mais com a minha carteira. Entrei em desespero. O meu dinheiro (levei dólares) estava na doleira comigo, mas na carteira estavam todos os meus cartões, eu provavelmente não teria dinheiro suficiente até o fim da viagem. Saí da sala de embarque e fui correndo pro guichê de informações, já pensando em como tinha começado mal PRA CARAMBA a minha viagem. Chegando lá... lá estava a carteira! Alguém (um santo alguém, se tu estiver lendo isso, OBRIGADO) havia achado ela no aeroporto (até hoje não sei como perdi) e entregue na guichê de informações. ALÍVIO! Voltei correndo pra área de embarque, tira relógio, tira mochila, tira notebook, tira casaco, passa no raio-X, põe relógio, guarda notebook, põe casaco, coloca mochila, corre corre corre corre corre corre. Embarquei a tempo!
De resto a viagem correu sem sobressaltos, sem atrasos, tudo em paz!
[t1]Dia 1 - Cusco[/t1]
Cheguei em Cusco no dia seguinte pela manhã. Peguei um táxi para o hostel, custou S./40. Parece razoável para um trecho no Brasil, mas esse foi um dos táxis mais caros que eu peguei em toda a viagem. Depois tu descobre que táxi no Peru é algo inacreditavelmente barato.
No hostel encontrei as gurias, e esse primeiro dia foi de aclimatação à altitude. Tomei uma sorochi pill (se compra nas farmácias de lá mesmo) e muito chá de coca. Não senti nenhum desconforto, exceto o cansaço que dá para qualquer pequena caminhada. Mas resolvi prevenir: a Fe, no primeiro dia, quando eu ainda não tinha chegado, passou mal, desmaiou e bateu a cabeça.
Fiquei preocupado e decidi me precaver ao máximo. Passeamos pela cidade, fizemos algumas compras... enfim. Chilling out.
[t1]Dia 2 - Cusco[/t1]
Acordamos e pensamos: o que fazer hoje? Só íamos pra Machu Picchu no dia seguinte e tínhamos o dia inteiro em Cusco. Optamos pela AVENTURA.
Compramos, na agência do hostel mesmo, um passeio de cuatrimoto (quadriciclo) até Moray, naquela tarde mesmo. Custava S./180 por pessoa, mas pagamos um pouco menos porque decidimos pegar somente 2 quadriciclos, e fomos nos revezando ao longo do caminho.
Um cidadão, que seria nosso guia/instrutor, nos pegou no hostel no início da tarde.
Saímos com ele de táxi e fomos subindo os morros de Cusco, passando por umas ruas bem estreitas em um bairro bem pobre
. Chegando na "sede", um porãozinho de um casebre, preenchemos um cadastro, assinamos um termo de responsabilidade e deixamos nossos passaportes com eles por precaução (deles) 


Embarcamos em um outro carro, que nos levaria para o ponto de partida, onde estavam os quadriciclos. Aparentemente aquele carro não era exatamente legalizado, porque quando fomos passar por um carro de polícia o motorista ficou todo tenso e encostou o carro em um posto de gasolina.
Eu tentava fazer umas piadas pra quebrar o clima, mas as gurias temiam muito por seus órgãos. Confesso que eu também.
Meia hora depois, enfim chegamos na garagem dos quadriciclos. Mais tranquilos, fomos aos preparativos. Abastecer, capacetes, instruções, pequenos testes nos quadriciclos. Só. Pensando bem hoje, acho que é preciso carteira de habilitação pra dirigir um quadriciclo. Pensando melhor ainda, acho que os nossos seguros de viagem não cobriam acidentes em esportes radicais. Mas pensei nisso só hoje mesmo.
MAS O PASSEIO FOI DEMAIS!!!!!
O caminho passava por estradas de chão, no meio de campos, ovelhas, pastores, plantações de batata, montanhas, vacas (para o desespero da Fe), lagos, penhascos... vistas sensacionais! E a adrenalina também! Aquelas maquininhas podem ser bem perigosas, vimos a morte em várias curvas quando quase perdíamos o controle dos quadriciclos.
Chegamos em Moray, um sítio inca, em formato de escadarias circulares, que era usado como "laboratório de pesquisa agronômica" à época. Vale boas fotos! A entrada é à parte e custa S./10. Ficamos lá cerca de meia hora e voltamos com os quadriciclos.
Fomos levados de volta a Cusco e recebemos nossos passaportes de volta!
Vale muito a pena! Existem outras agências que oferecem passeios semelhantes de quadriciclo, embora não tenhamos encontrado mais ninguém no caminho...
Em Cusco, cobertos de poeira, cansados e felizes, tomamos umas Cusqueñas (melhor cerveja do Peru!) em um restaurante na Plaza de Armas e voltamos para hostel. Estávamos acabados e fomos dormir logo.
[t1]Dia 3 - Águas Calientes[/t1]
Saímos do hostel de manhã cedo para pegar o trem para Águas Calientes, vilarejo na base de Machu Picchu. O nosso trem saia da estação de Poroy, que fica dentro de Cusco, S./25 o táxi. A maioria das pessoas parte de Ollantaytambo, que fica a duas horas de Cusco, mas no nosso caso valia muito mais a pena partir de Poroy mesmo.
O trem Expedition da Peru Rail é ótimo (embora caro, cerca de US$70), tem janelas amplas, inclusive no teto. A viagem é muito agradável e chegamos ainda pela manhã em Águas Calientes.
Aqui cabe uma nota: queríamos muito ter feito a trilha inca, mas quando fomos comprar não havia mais vagas. Tivemos que reformular o roteiro e ir de trem mesmo. Eu definitivamente vou voltar para o Peru para fazer a trilha inca!
Haviam nos dito que não há muito o que fazer em Águas Calientes. De fato não há mesmo, mas a cidade é muito agradável. O dia estava mais quente, pois a cidade não é tão alta quanto Cusco, tem MUITOS restaurantes e bares e uma ótima vista das montanhas ao redor.
No final da tarde fomos para as águas calientes de fato, um recanto com algumas piscinas de águas termais.
Depois de uma longa subida, qual não foi a nossa decepção: as piscinas não eram exatamente o que nós imaginávamos. Eram rasas, pra ficar sentado, com pedrinhas e limo no fundo. E a água não tinha um bom fluxo, porque estava bem marrom. Voltamos pro hostel com medo da cólera.
PS.: talvez seja exagero nosso, conversamos com várias pessoas que gostaram. Você decide.
Tínhamos entradas para Machu Picchu no dia seguinte. A ideia era acordar bem cedo, pegar o primeiro ônibus, e ver o sol nascer lá de cima.
Dormimos só pensando no grande dia que estava por vir, Machu Picchu, e...
[t1]Dia 4 - Machu Picchu[/t1]
No meio da madrugada, por volta das 3h: RAIOS E TROVÕES.
Caiu muita chuva. Amanheceu chovendo também. Mais do que o normal para outubro. Pensa no azar? O dia anterior estava lindo e aquela manhã horrível! Acabamos saindo mais tarde, por volta das 9h30, já que não ia ter sol pra ver mesmo. O ônibus para subir custava US$18, ida e volta. Vestimos nossas capas de chuva, a Fe comprou uma galocha de borracha, e encaramos. Na entrada contratamos um guia por S./20. Tem vários por lá oferecendo os seus serviços, e é muito importante ir com um, pra poder entender melhor o significado de cada ruína. A chuva já tinha diminuído. Para a nossa alegria
não tinha muita neblina e dava pra ver a paisagem razoavelmente. Fizemos uma passagem meio corrida pelas ruínas, porque tínhamos que chegar para a entrada de Wayna Picchu às 11h. Mas o lugar é sensacional. Pensar naquela cidadela, no topo da montanha, viva e exuberante há mais de 500 anos é mind blowing!
Fomos os últimos a entrar na trilha para Wayna Picchu. Para quem não sabe, Wayna Picchu é aquela montanha que aparece no fundo das fotos clássicas de Machu Picchu. E dá pra subir lá no topo!!! Para subir tem que pagar um pouco mais e a quantidade de pessoas que podem entrar diariamente é limitada, então tem que comprar o ingresso com antecedência. Não adianta chegar no dia e argumentar que está com um câncer terminal e que esta é a sua última oportunidade na vida de subir. Não deixam entrar sem ingresso. (Sério. Tinha um pessoal usando esse argumento - de brincadeira, espero - na entrada da trilha. Ficaram na entrada mesmo).
O caminho estava molhado e escorregadio. Os degraus, quando há degraus, são altos. É bem cansativo. As gurias pensaram em desistir umas 3 vezes. Eu fui puxando a frente. Algumas partes são muito assustadoras. Tu está à beira de um penhasco, a sabe lá Deus quantos metros de altura, às vezes se segurando numa cordinha, um passo em falso e tu escorrega pra morte. "Escorregar para a morte", aliás, foi uma expressão muito usada por nós nos momentos mais tensos.
Do início ao fim, quando encontrávamos alguém voltando, todos diziam que era sensacional, recompensador, e que nós já estávamos pertinho do topo. Muitos "pertinhos" depois, chegamos enfim! Logo antes do topo é preciso passar por uma micro-caverna apertadíssima, definitivamente feita pra pessoas com menos de 1,90m. Quase entalei lá, foi a parte mais difícil pra mim.
Tudo o que nos disseram, exceto pelo "tão quase chegando", era verdade! A vista lá de cima é sensacional e recompensadora! E a sensação de ver Machu Picchu pequeninha lá de cima e pensar "EU CONSEGUIIIII" é ótima! O topo rende belas fotos, especialmente sentados na pedra à beira do precipício.
A volta é um tanto tensa também, são várias chances de escorregar pra morte. Mas é mais rápida. A Fe sequestrou o guia particular de um casal de americanos, que desceu de mãos dadas com ela e meio que se apaixonou. Subida e descida foram cerca de 3h. Chegamos inteiros. Mas suados, cansado e MOLHADOS. Não ficamos muito mais em Machu Picchu, pegamos o ônibus e voltamos para Águas Calientes. Tínhamos trem de volta para Cusco no meio da tarde. Passamos no hostel para pegar nossas mochilas e, mais um ponto positivo para o Ecobackpackers, a moça da recepção deixou as gurias tomarem um banho quente antes de irmos para a estação.
Pegamos o trem e descemos em Ollantaytambo quando já estava escuro. Tínhamos que voltar para Cusco mas não queríamos esperar por ônibus. Pegamos um táxi que custou S./60 POR UM TRAJETO DE 2 HORAS!!! Achamos muito em conta. S./20 cada um. O carro era bem confortável. Conversei com o motorista e ele me disse que mora em Cusco e trabalha em Ollantaytambo. Todas as noites, quando vai voltar para casa, faz um bico de taxista pros turistas. Por isso é tão barato. É um jeito de tirar uma graninha a mais no final do mês. Chegamos em Cusco, esgotados, obviamente. Voltamos para o Milhouse e fomos direto pra cama!
[t1]Dia 5 - Vale Sagrado[/t1]
Acordamos cedinho cheios de disposição para partir para mais uma passeio. Nesse dia faríamos um tour guiado pelo Vale Sagrado. Compramos na agência do hostel mesmo, mas não lembro exatamente quanto custou. Acho que algo na casa de S./40.
O tour é feito em um ônibus que vai parando em alguns pontos. Enquanto isso, o guia ia explicando tudo, em inglês e espanhol. O guia, a propósito, era uma figuraça. Jesus era o nome dele.
A primeira parada é Pisac. São ruinas incas cujo ponto alto são as tumbas construídas nos paredões, impressionante, parece um formigueiro gigante. A maior parte dessas tumbas foi violada há decadas, tendo os seus tesouros roubados. Ficamos cerca de uma hora lá. Sabíamos a hora de partir para o ônibus quando ouvíamos ressoando nas montanhas o grito constrangedor do nosso guia: “Grupo de Jesuuuuuuuuuuuuuus! Hora de partiiiiir”.
Almoçamos em um restaurante típico andino no caminho, buffet livre, mas um tanto caro, S./30. Mas não tem opção. De qualquer forma, é essencial provar as iguarias peruanas: carne de alpaca, rocoto relleno (uma pimenta grandalhona recheada com carne moída e especiarias, hmmmmm), lomo saltado, ají de galina... o único que não tive coragem de comer foi o cuy assado. Cuy, pra quem não sabe - e eu não sabia - é um porquinho da índia. Supercomum comer isso por lá. O problema é que o bicho vem inteirinho pra tua mesa, como se fosse um leitão assado com uma maçã na boca. Parece que tu está prestes a comer uma ratazana. Passei, não valia a experiência!
Depois fomos para Ollantaytambo (já havíamos passado de trem por lá no dia anterior). Muitas pessoas descem do tour ali e vão pegar o trem para Machu Picchu. Como já tínhamos ido, pudemos fazer o tour até o fim. Ollanta é um vilarejo bem agradável, diferente. As ruazinhas estreitas de terra batida parecem desertas. Subimos as ruínas, uma subida bem cansativa, e me perdi das gurias no caminho. Quando nos encontramos estávamos bem lá no alto. A vista é sensacional. Venta bastante por lá também. O vilarejo foi um importante complexo militar e religioso do império inca. Ficamos cerca de 1h e partimos de novo.
Já estava anoitecendo quando chegamos ao vilarejo de Chinchero. Um lugar pacato, ruas vazias, casinhas de pedra... No meio do nada! O ponto principal é a igreja. Um prédio escuro, não são permitidas fotografias, cheio de pinturas e esculturas. A igreja foi construída sobre alicerces incas, logo após a invasão espanhola. Mas, por ter sido construída por indígenas, entre os símbolos religiosos católicos podem ser vistas várias imagens que remetem à religiosidade indígena, algumas mais obscuras, outras muitos óbvias. Depois, algumas crianças locais apresentaram seus trabalhos artesanais e com lã de ovelha. Foi muito interessante ver como eles obtêm as cores para a lã a partir de folhas, frutos e sementes.
PS.: não se iluda: 99% das roupas de lã que estão à venda para os turistas no Peru provavelmente não são feitas desse jeitinho artesanal. Devem ser fiadas e costuradas em máquinas enormes e numa produção em massa em algum subúrbio de alguma metrópole peruana. Ou equatoriana.
Quando saímos o sol já havia se posto. E FOI AÍ QUE COMEÇOU A EMOÇÃO.
No caminho para o ônibus acabamos nos separando sem querer. Eu segui com o guia e com o pessoal do ônibus. E as gurias desapareceram, enquanto faziam compras.
Chegamos no ônibus e nada delas. Saí correndo pelas ruelas escuras da cidade, quase deserta, perguntando nas lojinhas e pros chicos na rua se tinham visto "dos chicas deste tamaño así?" (sinal de baixinha com a mão). Várias bibocas depois, encontrei uma moça que disse tê-las visto. Saí correndo e encontrei as duas no meio da rua, perdidas, andando assustadas pra lugar nenhum. Voltamos correndo pro ônibus, que já estava quase saindo. Que tal ter que passar a noite lá? 
No fim das contas, elas compraram três fitinhas de lã para amarrarmos no braço, uma pra cada um. Viraram os símbolos da viagem!
Chegamos a Cusco à noite e fomos para o hostel. Era nosso último dia em Cusco!
Decidimos ficar um pouco mais à noite no bar. Conheci vários viajantes lá, inclusive alguns brasileiros. Tínhamos que sair cedo no dia seguinte para Puno (o ônibus saia as 7h!), mas acabei me empolgando com as Cusqueñas (as cervejas, veja bem) e fiquei lá até tarde. Me sagrei campeão do torneio de beer pong (esse esporte deveria ir para as Olimpíadas!), tomei uns drinks (prêmio do torneio), e fui dormir às 2h. Quatro horinhas de sono...