Resolvi ir a Salvador no mês de setembro para vivenciar um pouco a cidade fora da alta temporada e para ver as baleias em Morro de São Paulo, mas de propósito não quis planejar muita coisa ou montar um roteiro. Primeira viagem em que pesquiso somente o básico, como transporte, segurança e condições climáticas. Li alguns relatos mas eles não tinham tanta informação.
Não reservei hostel porque sei que é tranqüilo nessa época. Fiquei no Barra Guest Hostel, que é muito bom. Recomendo. Pessoal muito amável e bacana, colchões bons, roupa de cama limpa, ambiente limpo, café da manhã maravilhoso. Me senti muito bem lá. Fica no bairro Barra. Antes de chegar nele, havia ido para o endereço de um muito bem conceituado no tripadvisor. Ao chegar, era um hostel design, chamado F Design, no bairro Rio Vermelho. Não gostei do ambiente da recepção nem do preço, mas eu estava cansada da viagem e acabei pegando uma diária e indo para o quarto. Fiquei cerca de uma ou duas horas por ali e depois conversei com a gerente que não queria ficar. Me senti muito mal naquele lugar, não sei explicar. Parecia um hotel, não um hostel. Tudo muito impessoal, arrumadinho demais, mobiliário caro. Não é, definitivamente, o ambiente que curto, e acredito que os mochileiros em geral tb não. Sem contar que era 15 reais mais caro. A gerente me devolveu o dinheiro. Mas conversando com ela, ela acabou dizendo que o tempo não estava bom pra ir para Morro (chuvoso e com previsão de mais chuva), e eu acabei caindo nessa história. PRIMEIRA LIÇÃO: não se importe com as previsões de chuva. Elas duram no máximo umas duas horas. Tem dia que chove meia hora, abre sol, chove mais meia hora, abre sol de novo... é uma região com muitos ventos e por isso é bem difícil prever o que vai acontecer, e percebi que as chuvas costumam ser rápidas. ARRISQUE. Eu infelizmente não tive ninguém pra me contar isso e deixei de ir a Morro.
PRIMEIRO DIA
Ao chegar em Salvador no fim da tarde de uma segunda-feira, pedi sugestões no hostel sobre o que fazer. Estava chovendo um pouco. Me sugeriram andar na orla. E eu fui. Obviamente andar numa orla com chuva à noite sozinha não é lá um programão. Hoje, sei que existe um espetáculo, o balé folclórico da Bahia, que eu poderia ter ido assistir, mas só soube dele no dia que estava indo embora.
SEGUNDO DIA
Na terça eu e dois amigos que fiz no hostel recebemos sugestōes de ver o pôr do Sol no farol da Barra e depois ir ao Pelourinho pois seria dia de ensaio do olodum. Não teve Olodum. Com muita sorte pegamos o finalzinho do bloco Didá. Mas por termos ido ver o pôr do sol, chegamos ao Pelourinho muito tarde e não vimos a tal da bênção, que na verdade tem uma simbologia. Nem vimos o tal do Jerônimo, que é a parte profana após o sagrado que é a bênção, pois nos disseram para ir depois do Pelourinho ao Rio Vermelho, num lugar chamado Casa da Mãe. Foi horrível. Péssimos cantores tocando músicas aleatórias nada a ver com a cultura baiana. Segundo soube depois, o dia ideal de ir à Casa da Mãe (que fica no Largo da Dinha) é a QUINTA-FEIRA. SEGUNDA LIÇÃO: tudo em Salvador tem um dia muito especifico pra acontecer, mas o pior é que as pessoas não sabem direito quais são.
Durante o dia eu e os amigos do hostel fomos ao Pelourinho e conhecer o Elevador Lacerda e o Mercado Modelo. Eu não sou de comprar coisas em viagem, fui porque achei que seria algo típico e popular. Na verdade o Mercado Modelo é uma acumulação de lojinhas de lembrancinhas caras, nada interessante. Nos recomendaram comer no Mercado Modelo. Foi o pior almoço e atendimento que tive em muito tempo. É o restaurante da parte de cima, à direita. Não conseguimos nem comer o peixe, de tão ruim. Não recomendo o Mercado. Na verdade depois eu soube que existe um mercado popular, que era o que eu achava se tratar o Mercado Modelo, que se chama Feira de São Joaquim. É um lugar onde 100 laranjas custa 6 reais, onde o coco custa 40 centavos e há diversos artigos de candomblé e artesanatos genuínos. Infelizmente acabei não indo também pois soube tarde sobre ele.
O Pelourinho foi interessante. As igrejas estavam fechadas e a única que entramos é naquele estilo Rococó tao parecido com Rio e Ouro Preto que já não me impressiona mais. Não sou muito ligada em igrejas. Um carrinha que fica "vendendo" axés (bênçãos), com um monte de mato na mão, me abordou na rua. Eu sorri e recusei agradecendo e dizendo que já sou abençoada (nem sou religiosa). Ele me fuzilou com evil eyes e começou a me xingar e desejar coisas ruins. Que bela recepção.
TERCEIRO DIA
Como havia previsão de sol apenas para quarta-feira mas teoricamente os outros dias seriam chuvosos, resolvi acordar na quarta de manhã e partir para Praia do Forte ao invés de Morro, pois não precisaria fazer travessia por mar. Praia do Forte fica a duas horas de ônibus e este custa R$8,60. Tranquilão. Gostei de ter passado a tarde sozinha na praia lá. Negociei um snorkel por 15 reais com o Miau, que é um vendedor de bebidas na praia que me levou até o Lucas e Júnior, que ficam perto do projeto Tamar com uma canga alugando os materiais de snorkel e nos acompanhando. O Júnior é gente boa e mergulhou comigo dando muita atenção. O Miau depois de seu expediente, antes do pôr do sol, me acompanhou mostrando a pequena vila e contando histórias. Gostei muito. À noite após conversar com Miau voltei para o único hostel que encontrei no tripadvisor em Praia do Forte. É outro que sinceramente não tem nada a ver com hostel. Cheio de famílias e crianças. A maioria dos quartos é privativa. Não há uma área de convivência legal pra agregar pessoas. E só tinhas duas meninas paulistas no meu quarto que não tinham muito meu estilo. A vila é morta à noite dia de semana. E no dia seguinte, na quinta, não haveria saída para ver baleias. Ou seja... achei melhor cair fora dali no dia seguinte de manhã.
QUARTO DIA
Completamente fora dos planos iniciais, voltei para Salvador. A previsão era de chuva direto e mais uma vez não fui pra Morro, até porque teria pouco tempo mesmo. Perdi a manhã viajando e à tarde voltei pro Barra Guest. O pessoal estava na preguiça e eu não tinha ideia do que fazer. Resolvemos descansar para curtir a night no Rio Vermelho pois eu soube que havia um tal de Quintas Dancehall. Eu adoro dancehall e raggajam e estava muito feliz que poderia arriscar uns passos e me divertir. Fomos em quatro pessoas então para o Rio Vermelho. Eu queria também comer o acarajé da Dinha. Não entendo por que é tão famoso. Foi o quarto e pior acarajé que já comi... fava frio, o camarão fava gelado, o tempero era sem graça. Até em Cuiabá e em Cabo Frio tinha acarajé melhor. E as baianas atendem de cara amarrada. ALIÁS...em todos os lugares que eu fui, os atendentes eram muito mal-humorados e mal educados. Sempre de cara amarrada, fazendo as coisas de má vontade. Detesto generalizações, essa foi minha experiência, mas todos no hostel tiveram a mesma má impressão sobre as pessoas. Isso me fazia me sentir muito mal naquela cidade. Nada receptivos. Completamente diferente da imagem que eu tinha de Salvador. Depois do acarajé e um pouco de papo numa mesinha do Largo, fomos arriscar dançar. No dancehall tentamos dois horários diferentes, mas as pessoas simplesmente NÃO DANÇAM. Elas ficam fumando na varanda. Muito desanimado. No dia seguinte conversei com pessoas que eram de Salvador que disseram que jà foram outras vezes e sempre foi assim. Muito chato e sem sentido. Tentamos então entrar num outro lugar na orla da praia que tem a fachada grafitada. Assim como no dancehall, eles não nos deixam ver o que tá rolando antes de pagar a entrada. Tinha um boliviano inventando uns passos malucos para musiquinha de flauta, com um microfone e completamente fora de ritmo. Coisa mais bizarra. Pessoas nos atenderam muito mal nesse lugar também. Nos arriscamos depois um outro bar mais pra frente próximo ao largo da Dinda, que teoricamente seria samba. Entramos e vi o funk mais bizarro da minha vida. Tava rolando "surra de bunda". Os gringos que tavam comigo ficaram horrorizados. Como sempre, tivemos que pagar antes de entrar e ver a merda que era. A noite no Rio vermelho é uma droga e não tinha nada de típico da Bahia. Sertanejo e funk dominavam. Eu não viajei pra ver isso. Com muita decepção, voltamos para o hostel para dormir.
QUINTO DIA
Já muito desapontada com a cidade e com a falta de informação das pessoas e sem conseguir achar muita informação na internet, resolvi contratar uma guia particular para me levar à Igreja do Bonfim, Ribeira e Solar do Unhão. Nunca havia usado guia na minha vida. A guia era boa, o problema é que não havia mesmo nada de muito interessante nesses lugares. Foi tipo... ok. O museu estava fechado, a Igreja do Bonfim não tem muito de sincretismo religioso dentro dela como achei que teria, o lance das fitinhas é uma criação recente visando turismo mesmo (antes era uma fita de seda que tinha o tamanho do braço da escultura da igreja, para pendurar no pescoço, mas depois foi feita a outra para atrair turismo) e a Ribeira tem uma vista bonita com uma igreja que mistura barroco e rococó, mas nada que tenha me feito sentir experimentar a cidade. O sorvete da Ribeira é gostoso mas já comi melhores, e o atendimento é tão ruim que não teve graça. Lembrei muito de eu sem fazer nada em Bananal-SP comendo um sorvete delicioso, com uma sensação boa andando pela praça. Não senti o mesmo ali em Salvador. Enfim, não precisava de uma guia para conhecer. O que salvou foi o discurso dela amoroso pela cidade. Vi que tem gente que gosta e enxerga coisa boa ali, e isso deu um certo consolo, apesar de eu não conseguir enxergar. Conheci um cara durante a visita guiada que era amigo da guia e que trabalha na tv local inclusive na parte de dicas sobre a cidade, avaliações de bares, etc, que me convidou para sair à noite. Nem ele sabia direito a programação. Tentou dois lugares: um havia acabado (era um jazz na rua) e o outro estava vazio e era um pub caro, nada a ver com a cidade. Foi uma droga. Ou seja, o cara que dá dicas sobre a cidade não sabe o que tem na cidade. Shame on me. A guia me recomendou também pra ir num lugar com uma feirinha que, segundo ela, era muito legal, e quando cheguei no lugar não havia feirinha nenhuma e fui à toa.
TERCEIRA LIÇÃO: as pessoas amam Salvador somente porque amam, mas não conseguem dar muitas dicas do que experimentar pela cidade. E as pessoas não são receptivas para conversar então nem assim consegui vivenciar um pouco da experiência dos moradores. As únicas pessoas locais que me deram atenção falaram muito mal da cidade, me colocavam medo dizendo que não deveria andar sozinha, que é extremamente perigoso, etc.
No sábado eu tinha um vôo à tarde e tentei ir à praia do Porto da Barra pela manhã mas infelizmente choveu.
SALDO FINAL
Saí de lá com uma impressão ruim e a certeza de que a Salvador divulgada é uma que é criada artificialmente apenas para as grandes festas de verão e carnaval ou a da Copa. Aquelas baianas só estão lá vestidas daquele jeito para os turistas tirar fotos ou vender acarajé, não porque faz um sentido para a cultura deles mais. Ninguém soube me dizer onde e como eu conseguiria visitar um terreiro de candomblé para ver algo genuíno. Senti muita falta disso. Na terça, na bêncao, talvez tivesse sido interessante para ver algo de sincretismo religioso, mas não vi e não sei dizer. As igrejas católicas são iguais as de outros lugares e não vi pessoas do candomblé dentro delas mesmo na sexta-feira onde havia pessoas dentro dela para rezar. Apenas do lado de fora tinham aqueles caras vestidos de pai de santo com bacia de comida na mao pra pegar dinheiro de turistas. O Olodum parece que agora é aos domingos, mas como tive tantas informações erradas, não sei se da pra confiar. No site do Filhos de Gandhi não é divulgado dia de ensaio e ninguém soube me dizer.
Gosto de passar bastante tempo em cada lugar para experimentar o dia a dia do local, mas sinceramente não recomendo mais do que um dia em Salvador. Escolha o que mais te interessa ou vá em função do dia. O resumo está aí abaixo (mas lembre-se, pode mudar ou podem ter me informado errado):
SEGUNDA - BALÉ FOLCLÓRICO no Pelourinho
TERÇA - Bênção e Jeronimo no Pelourinho
QUARTA - faço nem ideia
QUINTA - Casa da Mãe (não fui mas parece ser algo mais genuíno)
SEXTA - Samba tradicional de 15 em 15 dias num lugar que não souberam me explicar onde era
SÁBADO - nao faço ideia
DOMINGO - Olodum
NÃO recomendo: Acarajé da Dinha, bares pra dançar no Rio Vermelho (a não ser que você goste de sertanejo ou funk trash), Mercado Modelo.
Recomendo: Barra Guest Hostel (basicamente o que teve de bom foram as pessoas legais que convivi no hostel)
O usual eu nem vou comentar muito... ter cuidado com assaltos, não dar mole no Pelourinho, etc. Mas isso é fácil de contornar estando sempre em grupo e carregando pouca coisa. Não me senti segura para andar sozinha à noite, mas acho que isso é meio óbvio.
Resolvi ir a Salvador no mês de setembro para vivenciar um pouco a cidade fora da alta temporada e para ver as baleias em Morro de São Paulo, mas de propósito não quis planejar muita coisa ou montar um roteiro. Primeira viagem em que pesquiso somente o básico, como transporte, segurança e condições climáticas. Li alguns relatos mas eles não tinham tanta informação.
Não reservei hostel porque sei que é tranqüilo nessa época. Fiquei no Barra Guest Hostel, que é muito bom. Recomendo. Pessoal muito amável e bacana, colchões bons, roupa de cama limpa, ambiente limpo, café da manhã maravilhoso. Me senti muito bem lá. Fica no bairro Barra. Antes de chegar nele, havia ido para o endereço de um muito bem conceituado no tripadvisor. Ao chegar, era um hostel design, chamado F Design, no bairro Rio Vermelho. Não gostei do ambiente da recepção nem do preço, mas eu estava cansada da viagem e acabei pegando uma diária e indo para o quarto. Fiquei cerca de uma ou duas horas por ali e depois conversei com a gerente que não queria ficar. Me senti muito mal naquele lugar, não sei explicar. Parecia um hotel, não um hostel. Tudo muito impessoal, arrumadinho demais, mobiliário caro. Não é, definitivamente, o ambiente que curto, e acredito que os mochileiros em geral tb não. Sem contar que era 15 reais mais caro. A gerente me devolveu o dinheiro. Mas conversando com ela, ela acabou dizendo que o tempo não estava bom pra ir para Morro (chuvoso e com previsão de mais chuva), e eu acabei caindo nessa história. PRIMEIRA LIÇÃO: não se importe com as previsões de chuva. Elas duram no máximo umas duas horas. Tem dia que chove meia hora, abre sol, chove mais meia hora, abre sol de novo... é uma região com muitos ventos e por isso é bem difícil prever o que vai acontecer, e percebi que as chuvas costumam ser rápidas. ARRISQUE. Eu infelizmente não tive ninguém pra me contar isso e deixei de ir a Morro.
PRIMEIRO DIA
Ao chegar em Salvador no fim da tarde de uma segunda-feira, pedi sugestões no hostel sobre o que fazer. Estava chovendo um pouco. Me sugeriram andar na orla. E eu fui. Obviamente andar numa orla com chuva à noite sozinha não é lá um programão. Hoje, sei que existe um espetáculo, o balé folclórico da Bahia, que eu poderia ter ido assistir, mas só soube dele no dia que estava indo embora.
SEGUNDO DIA
Na terça eu e dois amigos que fiz no hostel recebemos sugestōes de ver o pôr do Sol no farol da Barra e depois ir ao Pelourinho pois seria dia de ensaio do olodum. Não teve Olodum. Com muita sorte pegamos o finalzinho do bloco Didá. Mas por termos ido ver o pôr do sol, chegamos ao Pelourinho muito tarde e não vimos a tal da bênção, que na verdade tem uma simbologia. Nem vimos o tal do Jerônimo, que é a parte profana após o sagrado que é a bênção, pois nos disseram para ir depois do Pelourinho ao Rio Vermelho, num lugar chamado Casa da Mãe. Foi horrível. Péssimos cantores tocando músicas aleatórias nada a ver com a cultura baiana. Segundo soube depois, o dia ideal de ir à Casa da Mãe (que fica no Largo da Dinha) é a QUINTA-FEIRA. SEGUNDA LIÇÃO: tudo em Salvador tem um dia muito especifico pra acontecer, mas o pior é que as pessoas não sabem direito quais são.
Durante o dia eu e os amigos do hostel fomos ao Pelourinho e conhecer o Elevador Lacerda e o Mercado Modelo. Eu não sou de comprar coisas em viagem, fui porque achei que seria algo típico e popular. Na verdade o Mercado Modelo é uma acumulação de lojinhas de lembrancinhas caras, nada interessante. Nos recomendaram comer no Mercado Modelo. Foi o pior almoço e atendimento que tive em muito tempo. É o restaurante da parte de cima, à direita. Não conseguimos nem comer o peixe, de tão ruim. Não recomendo o Mercado. Na verdade depois eu soube que existe um mercado popular, que era o que eu achava se tratar o Mercado Modelo, que se chama Feira de São Joaquim. É um lugar onde 100 laranjas custa 6 reais, onde o coco custa 40 centavos e há diversos artigos de candomblé e artesanatos genuínos. Infelizmente acabei não indo também pois soube tarde sobre ele.
O Pelourinho foi interessante. As igrejas estavam fechadas e a única que entramos é naquele estilo Rococó tao parecido com Rio e Ouro Preto que já não me impressiona mais. Não sou muito ligada em igrejas. Um carrinha que fica "vendendo" axés (bênçãos), com um monte de mato na mão, me abordou na rua. Eu sorri e recusei agradecendo e dizendo que já sou abençoada (nem sou religiosa). Ele me fuzilou com evil eyes
e começou a me xingar e desejar coisas ruins. Que bela recepção.
TERCEIRO DIA
Como havia previsão de sol apenas para quarta-feira mas teoricamente os outros dias seriam chuvosos, resolvi acordar na quarta de manhã e partir para Praia do Forte ao invés de Morro, pois não precisaria fazer travessia por mar. Praia do Forte fica a duas horas de ônibus e este custa R$8,60. Tranquilão. Gostei de ter passado a tarde sozinha na praia lá. Negociei um snorkel por 15 reais com o Miau, que é um vendedor de bebidas na praia que me levou até o Lucas e Júnior, que ficam perto do projeto Tamar com uma canga alugando os materiais de snorkel e nos acompanhando. O Júnior é gente boa e mergulhou comigo dando muita atenção. O Miau depois de seu expediente, antes do pôr do sol, me acompanhou mostrando a pequena vila e contando histórias. Gostei muito. À noite após conversar com Miau voltei para o único hostel que encontrei no tripadvisor em Praia do Forte. É outro que sinceramente não tem nada a ver com hostel. Cheio de famílias e crianças. A maioria dos quartos é privativa. Não há uma área de convivência legal pra agregar pessoas. E só tinhas duas meninas paulistas no meu quarto que não tinham muito meu estilo. A vila é morta à noite dia de semana. E no dia seguinte, na quinta, não haveria saída para ver baleias. Ou seja... achei melhor cair fora dali no dia seguinte de manhã.
QUARTO DIA
Completamente fora dos planos iniciais, voltei para Salvador. A previsão era de chuva direto e mais uma vez não fui pra Morro, até porque teria pouco tempo mesmo. Perdi a manhã viajando e à tarde voltei pro Barra Guest. O pessoal estava na preguiça e eu não tinha ideia do que fazer. Resolvemos descansar para curtir a night no Rio Vermelho pois eu soube que havia um tal de Quintas Dancehall. Eu adoro dancehall e raggajam e estava muito feliz que poderia arriscar uns passos e me divertir. Fomos em quatro pessoas então para o Rio Vermelho. Eu queria também comer o acarajé da Dinha. Não entendo por que é tão famoso. Foi o quarto e pior acarajé que já comi... fava frio, o camarão fava gelado, o tempero era sem graça. Até em Cuiabá e em Cabo Frio tinha acarajé melhor. E as baianas atendem de cara amarrada. ALIÁS...em todos os lugares que eu fui, os atendentes eram muito mal-humorados e mal educados. Sempre de cara amarrada, fazendo as coisas de má vontade. Detesto generalizações, essa foi minha experiência, mas todos no hostel tiveram a mesma má impressão sobre as pessoas. Isso me fazia me sentir muito mal naquela cidade. Nada receptivos. Completamente diferente da imagem que eu tinha de Salvador. Depois do acarajé e um pouco de papo numa mesinha do Largo, fomos arriscar dançar. No dancehall tentamos dois horários diferentes, mas as pessoas simplesmente NÃO DANÇAM. Elas ficam fumando na varanda. Muito desanimado. No dia seguinte conversei com pessoas que eram de Salvador que disseram que jà foram outras vezes e sempre foi assim. Muito chato e sem sentido. Tentamos então entrar num outro lugar na orla da praia que tem a fachada grafitada. Assim como no dancehall, eles não nos deixam ver o que tá rolando antes de pagar a entrada. Tinha um boliviano inventando uns passos malucos para musiquinha de flauta, com um microfone e completamente fora de ritmo. Coisa mais bizarra. Pessoas nos atenderam muito mal nesse lugar também. Nos arriscamos depois um outro bar mais pra frente próximo ao largo da Dinda, que teoricamente seria samba. Entramos e vi o funk mais bizarro da minha vida. Tava rolando "surra de bunda". Os gringos que tavam comigo ficaram horrorizados. Como sempre, tivemos que pagar antes de entrar e ver a merda que era. A noite no Rio vermelho é uma droga e não tinha nada de típico da Bahia. Sertanejo e funk dominavam. Eu não viajei pra ver isso. Com muita decepção, voltamos para o hostel para dormir.
QUINTO DIA
Já muito desapontada com a cidade e com a falta de informação das pessoas e sem conseguir achar muita informação na internet, resolvi contratar uma guia particular para me levar à Igreja do Bonfim, Ribeira e Solar do Unhão. Nunca havia usado guia na minha vida. A guia era boa, o problema é que não havia mesmo nada de muito interessante nesses lugares. Foi tipo... ok. O museu estava fechado, a Igreja do Bonfim não tem muito de sincretismo religioso dentro dela como achei que teria, o lance das fitinhas é uma criação recente visando turismo mesmo (antes era uma fita de seda que tinha o tamanho do braço da escultura da igreja, para pendurar no pescoço, mas depois foi feita a outra para atrair turismo) e a Ribeira tem uma vista bonita com uma igreja que mistura barroco e rococó, mas nada que tenha me feito sentir experimentar a cidade. O sorvete da Ribeira é gostoso mas já comi melhores, e o atendimento é tão ruim que não teve graça. Lembrei muito de eu sem fazer nada em Bananal-SP comendo um sorvete delicioso, com uma sensação boa andando pela praça. Não senti o mesmo ali em Salvador. Enfim, não precisava de uma guia para conhecer. O que salvou foi o discurso dela amoroso pela cidade. Vi que tem gente que gosta e enxerga coisa boa ali, e isso deu um certo consolo, apesar de eu não conseguir enxergar. Conheci um cara durante a visita guiada que era amigo da guia e que trabalha na tv local inclusive na parte de dicas sobre a cidade, avaliações de bares, etc, que me convidou para sair à noite. Nem ele sabia direito a programação. Tentou dois lugares: um havia acabado (era um jazz na rua) e o outro estava vazio e era um pub caro, nada a ver com a cidade. Foi uma droga. Ou seja, o cara que dá dicas sobre a cidade não sabe o que tem na cidade. Shame on me. A guia me recomendou também pra ir num lugar com uma feirinha que, segundo ela, era muito legal, e quando cheguei no lugar não havia feirinha nenhuma e fui à toa.
TERCEIRA LIÇÃO: as pessoas amam Salvador somente porque amam, mas não conseguem dar muitas dicas do que experimentar pela cidade. E as pessoas não são receptivas para conversar então nem assim consegui vivenciar um pouco da experiência dos moradores. As únicas pessoas locais que me deram atenção falaram muito mal da cidade, me colocavam medo dizendo que não deveria andar sozinha, que é extremamente perigoso, etc.
No sábado eu tinha um vôo à tarde e tentei ir à praia do Porto da Barra pela manhã mas infelizmente choveu.
SALDO FINAL
Saí de lá com uma impressão ruim e a certeza de que a Salvador divulgada é uma que é criada artificialmente apenas para as grandes festas de verão e carnaval ou a da Copa. Aquelas baianas só estão lá vestidas daquele jeito para os turistas tirar fotos ou vender acarajé, não porque faz um sentido para a cultura deles mais. Ninguém soube me dizer onde e como eu conseguiria visitar um terreiro de candomblé para ver algo genuíno. Senti muita falta disso. Na terça, na bêncao, talvez tivesse sido interessante para ver algo de sincretismo religioso, mas não vi e não sei dizer. As igrejas católicas são iguais as de outros lugares e não vi pessoas do candomblé dentro delas mesmo na sexta-feira onde havia pessoas dentro dela para rezar. Apenas do lado de fora tinham aqueles caras vestidos de pai de santo com bacia de comida na mao pra pegar dinheiro de turistas. O Olodum parece que agora é aos domingos, mas como tive tantas informações erradas, não sei se da pra confiar. No site do Filhos de Gandhi não é divulgado dia de ensaio e ninguém soube me dizer.
Gosto de passar bastante tempo em cada lugar para experimentar o dia a dia do local, mas sinceramente não recomendo mais do que um dia em Salvador. Escolha o que mais te interessa ou vá em função do dia. O resumo está aí abaixo (mas lembre-se, pode mudar ou podem ter me informado errado):
SEGUNDA - BALÉ FOLCLÓRICO no Pelourinho
TERÇA - Bênção e Jeronimo no Pelourinho
QUARTA - faço nem ideia
QUINTA - Casa da Mãe (não fui mas parece ser algo mais genuíno)
SEXTA - Samba tradicional de 15 em 15 dias num lugar que não souberam me explicar onde era
SÁBADO - nao faço ideia
DOMINGO - Olodum
NÃO recomendo: Acarajé da Dinha, bares pra dançar no Rio Vermelho (a não ser que você goste de sertanejo ou funk trash), Mercado Modelo.
Recomendo: Barra Guest Hostel (basicamente o que teve de bom foram as pessoas legais que convivi no hostel)
O usual eu nem vou comentar muito... ter cuidado com assaltos, não dar mole no Pelourinho, etc. Mas isso é fácil de contornar estando sempre em grupo e carregando pouca coisa. Não me senti segura para andar sozinha à noite, mas acho que isso é meio óbvio.