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Olá viajante!

Bora viajar?

Salvador 5 dias - leia para saber o que NÃO fazer

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Resolvi ir a Salvador no mês de setembro para vivenciar um pouco a cidade fora da alta temporada e para ver as baleias em Morro de São Paulo, mas de propósito não quis planejar muita coisa ou montar um roteiro. Primeira viagem em que pesquiso somente o básico, como transporte, segurança e condições climáticas. Li alguns relatos mas eles não tinham tanta informação.

 

Não reservei hostel porque sei que é tranqüilo nessa época. Fiquei no Barra Guest Hostel, que é muito bom. Recomendo. Pessoal muito amável e bacana, colchões bons, roupa de cama limpa, ambiente limpo, café da manhã maravilhoso. Me senti muito bem lá. Fica no bairro Barra. Antes de chegar nele, havia ido para o endereço de um muito bem conceituado no tripadvisor. Ao chegar, era um hostel design, chamado F Design, no bairro Rio Vermelho. Não gostei do ambiente da recepção nem do preço, mas eu estava cansada da viagem e acabei pegando uma diária e indo para o quarto. Fiquei cerca de uma ou duas horas por ali e depois conversei com a gerente que não queria ficar. Me senti muito mal naquele lugar, não sei explicar. Parecia um hotel, não um hostel. Tudo muito impessoal, arrumadinho demais, mobiliário caro. Não é, definitivamente, o ambiente que curto, e acredito que os mochileiros em geral tb não. Sem contar que era 15 reais mais caro. A gerente me devolveu o dinheiro. Mas conversando com ela, ela acabou dizendo que o tempo não estava bom pra ir para Morro (chuvoso e com previsão de mais chuva), e eu acabei caindo nessa história. PRIMEIRA LIÇÃO: não se importe com as previsões de chuva. Elas duram no máximo umas duas horas. Tem dia que chove meia hora, abre sol, chove mais meia hora, abre sol de novo... é uma região com muitos ventos e por isso é bem difícil prever o que vai acontecer, e percebi que as chuvas costumam ser rápidas. ARRISQUE. Eu infelizmente não tive ninguém pra me contar isso e deixei de ir a Morro.

 

PRIMEIRO DIA

Ao chegar em Salvador no fim da tarde de uma segunda-feira, pedi sugestões no hostel sobre o que fazer. Estava chovendo um pouco. Me sugeriram andar na orla. E eu fui. Obviamente andar numa orla com chuva à noite sozinha não é lá um programão. Hoje, sei que existe um espetáculo, o balé folclórico da Bahia, que eu poderia ter ido assistir, mas só soube dele no dia que estava indo embora.

 

SEGUNDO DIA

Na terça eu e dois amigos que fiz no hostel recebemos sugestōes de ver o pôr do Sol no farol da Barra e depois ir ao Pelourinho pois seria dia de ensaio do olodum. Não teve Olodum. Com muita sorte pegamos o finalzinho do bloco Didá. Mas por termos ido ver o pôr do sol, chegamos ao Pelourinho muito tarde e não vimos a tal da bênção, que na verdade tem uma simbologia. Nem vimos o tal do Jerônimo, que é a parte profana após o sagrado que é a bênção, pois nos disseram para ir depois do Pelourinho ao Rio Vermelho, num lugar chamado Casa da Mãe. Foi horrível. Péssimos cantores tocando músicas aleatórias nada a ver com a cultura baiana. Segundo soube depois, o dia ideal de ir à Casa da Mãe (que fica no Largo da Dinha) é a QUINTA-FEIRA. SEGUNDA LIÇÃO: tudo em Salvador tem um dia muito especifico pra acontecer, mas o pior é que as pessoas não sabem direito quais são.

 

Durante o dia eu e os amigos do hostel fomos ao Pelourinho e conhecer o Elevador Lacerda e o Mercado Modelo. Eu não sou de comprar coisas em viagem, fui porque achei que seria algo típico e popular. Na verdade o Mercado Modelo é uma acumulação de lojinhas de lembrancinhas caras, nada interessante. Nos recomendaram comer no Mercado Modelo. Foi o pior almoço e atendimento que tive em muito tempo. É o restaurante da parte de cima, à direita. Não conseguimos nem comer o peixe, de tão ruim. Não recomendo o Mercado. Na verdade depois eu soube que existe um mercado popular, que era o que eu achava se tratar o Mercado Modelo, que se chama Feira de São Joaquim. É um lugar onde 100 laranjas custa 6 reais, onde o coco custa 40 centavos e há diversos artigos de candomblé e artesanatos genuínos. Infelizmente acabei não indo também pois soube tarde sobre ele.

 

O Pelourinho foi interessante. As igrejas estavam fechadas e a única que entramos é naquele estilo Rococó tao parecido com Rio e Ouro Preto que já não me impressiona mais. Não sou muito ligada em igrejas. Um carrinha que fica "vendendo" axés (bênçãos), com um monte de mato na mão, me abordou na rua. Eu sorri e recusei agradecendo e dizendo que já sou abençoada (nem sou religiosa). Ele me fuzilou com evil eyes :evil: e começou a me xingar e desejar coisas ruins. Que bela recepção.

 

TERCEIRO DIA

 

Como havia previsão de sol apenas para quarta-feira mas teoricamente os outros dias seriam chuvosos, resolvi acordar na quarta de manhã e partir para Praia do Forte ao invés de Morro, pois não precisaria fazer travessia por mar. Praia do Forte fica a duas horas de ônibus e este custa R$8,60. Tranquilão. Gostei de ter passado a tarde sozinha na praia lá. Negociei um snorkel por 15 reais com o Miau, que é um vendedor de bebidas na praia que me levou até o Lucas e Júnior, que ficam perto do projeto Tamar com uma canga alugando os materiais de snorkel e nos acompanhando. O Júnior é gente boa e mergulhou comigo dando muita atenção. O Miau depois de seu expediente, antes do pôr do sol, me acompanhou mostrando a pequena vila e contando histórias. Gostei muito. À noite após conversar com Miau voltei para o único hostel que encontrei no tripadvisor em Praia do Forte. É outro que sinceramente não tem nada a ver com hostel. Cheio de famílias e crianças. A maioria dos quartos é privativa. Não há uma área de convivência legal pra agregar pessoas. E só tinhas duas meninas paulistas no meu quarto que não tinham muito meu estilo. A vila é morta à noite dia de semana. E no dia seguinte, na quinta, não haveria saída para ver baleias. Ou seja... achei melhor cair fora dali no dia seguinte de manhã.

 

QUARTO DIA

 

Completamente fora dos planos iniciais, voltei para Salvador. A previsão era de chuva direto e mais uma vez não fui pra Morro, até porque teria pouco tempo mesmo. Perdi a manhã viajando e à tarde voltei pro Barra Guest. O pessoal estava na preguiça e eu não tinha ideia do que fazer. Resolvemos descansar para curtir a night no Rio Vermelho pois eu soube que havia um tal de Quintas Dancehall. Eu adoro dancehall e raggajam e estava muito feliz que poderia arriscar uns passos e me divertir. Fomos em quatro pessoas então para o Rio Vermelho. Eu queria também comer o acarajé da Dinha. Não entendo por que é tão famoso. Foi o quarto e pior acarajé que já comi... fava frio, o camarão fava gelado, o tempero era sem graça. Até em Cuiabá e em Cabo Frio tinha acarajé melhor. E as baianas atendem de cara amarrada. ALIÁS...em todos os lugares que eu fui, os atendentes eram muito mal-humorados e mal educados. Sempre de cara amarrada, fazendo as coisas de má vontade. Detesto generalizações, essa foi minha experiência, mas todos no hostel tiveram a mesma má impressão sobre as pessoas. Isso me fazia me sentir muito mal naquela cidade. Nada receptivos. Completamente diferente da imagem que eu tinha de Salvador. Depois do acarajé e um pouco de papo numa mesinha do Largo, fomos arriscar dançar. No dancehall tentamos dois horários diferentes, mas as pessoas simplesmente NÃO DANÇAM. Elas ficam fumando na varanda. Muito desanimado. No dia seguinte conversei com pessoas que eram de Salvador que disseram que jà foram outras vezes e sempre foi assim. Muito chato e sem sentido. Tentamos então entrar num outro lugar na orla da praia que tem a fachada grafitada. Assim como no dancehall, eles não nos deixam ver o que tá rolando antes de pagar a entrada. Tinha um boliviano inventando uns passos malucos para musiquinha de flauta, com um microfone e completamente fora de ritmo. Coisa mais bizarra. Pessoas nos atenderam muito mal nesse lugar também. Nos arriscamos depois um outro bar mais pra frente próximo ao largo da Dinda, que teoricamente seria samba. Entramos e vi o funk mais bizarro da minha vida. Tava rolando "surra de bunda". Os gringos que tavam comigo ficaram horrorizados. Como sempre, tivemos que pagar antes de entrar e ver a merda que era. A noite no Rio vermelho é uma droga e não tinha nada de típico da Bahia. Sertanejo e funk dominavam. Eu não viajei pra ver isso. Com muita decepção, voltamos para o hostel para dormir.

 

QUINTO DIA

 

Já muito desapontada com a cidade e com a falta de informação das pessoas e sem conseguir achar muita informação na internet, resolvi contratar uma guia particular para me levar à Igreja do Bonfim, Ribeira e Solar do Unhão. Nunca havia usado guia na minha vida. A guia era boa, o problema é que não havia mesmo nada de muito interessante nesses lugares. Foi tipo... ok. O museu estava fechado, a Igreja do Bonfim não tem muito de sincretismo religioso dentro dela como achei que teria, o lance das fitinhas é uma criação recente visando turismo mesmo (antes era uma fita de seda que tinha o tamanho do braço da escultura da igreja, para pendurar no pescoço, mas depois foi feita a outra para atrair turismo) e a Ribeira tem uma vista bonita com uma igreja que mistura barroco e rococó, mas nada que tenha me feito sentir experimentar a cidade. O sorvete da Ribeira é gostoso mas já comi melhores, e o atendimento é tão ruim que não teve graça. Lembrei muito de eu sem fazer nada em Bananal-SP comendo um sorvete delicioso, com uma sensação boa andando pela praça. Não senti o mesmo ali em Salvador. Enfim, não precisava de uma guia para conhecer. O que salvou foi o discurso dela amoroso pela cidade. Vi que tem gente que gosta e enxerga coisa boa ali, e isso deu um certo consolo, apesar de eu não conseguir enxergar. Conheci um cara durante a visita guiada que era amigo da guia e que trabalha na tv local inclusive na parte de dicas sobre a cidade, avaliações de bares, etc, que me convidou para sair à noite. Nem ele sabia direito a programação. Tentou dois lugares: um havia acabado (era um jazz na rua) e o outro estava vazio e era um pub caro, nada a ver com a cidade. Foi uma droga. Ou seja, o cara que dá dicas sobre a cidade não sabe o que tem na cidade. Shame on me. A guia me recomendou também pra ir num lugar com uma feirinha que, segundo ela, era muito legal, e quando cheguei no lugar não havia feirinha nenhuma e fui à toa.

 

TERCEIRA LIÇÃO: as pessoas amam Salvador somente porque amam, mas não conseguem dar muitas dicas do que experimentar pela cidade. E as pessoas não são receptivas para conversar então nem assim consegui vivenciar um pouco da experiência dos moradores. As únicas pessoas locais que me deram atenção falaram muito mal da cidade, me colocavam medo dizendo que não deveria andar sozinha, que é extremamente perigoso, etc.

 

 

No sábado eu tinha um vôo à tarde e tentei ir à praia do Porto da Barra pela manhã mas infelizmente choveu.

 

SALDO FINAL

 

Saí de lá com uma impressão ruim e a certeza de que a Salvador divulgada é uma que é criada artificialmente apenas para as grandes festas de verão e carnaval ou a da Copa. Aquelas baianas só estão lá vestidas daquele jeito para os turistas tirar fotos ou vender acarajé, não porque faz um sentido para a cultura deles mais. Ninguém soube me dizer onde e como eu conseguiria visitar um terreiro de candomblé para ver algo genuíno. Senti muita falta disso. Na terça, na bêncao, talvez tivesse sido interessante para ver algo de sincretismo religioso, mas não vi e não sei dizer. As igrejas católicas são iguais as de outros lugares e não vi pessoas do candomblé dentro delas mesmo na sexta-feira onde havia pessoas dentro dela para rezar. Apenas do lado de fora tinham aqueles caras vestidos de pai de santo com bacia de comida na mao pra pegar dinheiro de turistas. O Olodum parece que agora é aos domingos, mas como tive tantas informações erradas, não sei se da pra confiar. No site do Filhos de Gandhi não é divulgado dia de ensaio e ninguém soube me dizer.

 

Gosto de passar bastante tempo em cada lugar para experimentar o dia a dia do local, mas sinceramente não recomendo mais do que um dia em Salvador. Escolha o que mais te interessa ou vá em função do dia. O resumo está aí abaixo (mas lembre-se, pode mudar ou podem ter me informado errado):

 

SEGUNDA - BALÉ FOLCLÓRICO no Pelourinho

TERÇA - Bênção e Jeronimo no Pelourinho

QUARTA - faço nem ideia

QUINTA - Casa da Mãe (não fui mas parece ser algo mais genuíno)

SEXTA - Samba tradicional de 15 em 15 dias num lugar que não souberam me explicar onde era

SÁBADO - nao faço ideia

DOMINGO - Olodum

 

NÃO recomendo: Acarajé da Dinha, bares pra dançar no Rio Vermelho (a não ser que você goste de sertanejo ou funk trash), Mercado Modelo.

Recomendo: Barra Guest Hostel (basicamente o que teve de bom foram as pessoas legais que convivi no hostel)

 

O usual eu nem vou comentar muito... ter cuidado com assaltos, não dar mole no Pelourinho, etc. Mas isso é fácil de contornar estando sempre em grupo e carregando pouca coisa. Não me senti segura para andar sozinha à noite, mas acho que isso é meio óbvio.

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Como bom baiano vou dar meu pitaco!

1 - Salvador tem três graves problemas: Transito, mal atendimento e segurança. O primeiro não tem solução, os dois últimos você tem que vir para cá com dinheiro para gastar... com certeza você não foi ao Bahia Marina, ao Amado, ao Mistura Fina e tantos outros locais bacanas e escondidos que existem na cidade para experimentar os pratos tipicos e um bom atendimento.  A pracinha do Imbui... não vi você falar de Itapuã também. A famosa barraca do Louro, Villas do Atlântico... 

Por aqui tem muito isso de não divulgar os lugares... para não popularizar demais. No rio vermelho tem lugares muito legais como o Ronchus pub, o espaço Echo, a boate Borracharia... o Commons Studio.... mas só a galera "in" da cidade vai conhecer esse points! Ali na Barra tem o Groove bar que abre quase todos os dias....

Tenha em mente que existem "duas" cidades de Salvador: Uma Salvador pobre que vive nos bairros mais populares e se viram para sobreviver e uma Salvador da elite de 15% população que não quer se misturar com o restante.... a mistura só rola na época do verão... ai todo mundo vira "meu brother" (é uma triste realidade...mas é assim que funciona).

2 - Você veio na época errada se buscava apreciar as manifestações culturais e as festas de largo/rua. No verão, a partir do início Dezembro os festejos iniciam com a Lavagem da Igreja da Conceição da praia e só terminam depois do carnaval. Destaque para a Lavagem do Bomfim e a Festa de Yemanjá. Porém, nesta época do ano tudo é mais caro na cidade! Outro dia estava lendo um artigo que dizia que um carnaval em Salvador sai pelo mesmo custo de um réveillon em Paris!

Durante o verão... todos os dias tem eventos musicais e não raro nos finais de semana os mega eventos. Sem contar com as festas de largo, festivais, lavagens...

Quanto ao Olodum na Terça da Benção... acontecem na 1ª e Ultima terça-feira do mês. Aos domingos somente no verão e não da um publico bacana... o dia bom e na Terça. Tenha em mente que o Olodum é uma banda que se apresenta mundialmente... nem sempre vão estar aqui...

Muito mais mágico que o Olodum...é o ensaio do Ile Aye... esse sim com muita tradição nas raízes africanas... porém, para chegar lá só com um local da cidade para te acompanhar.

3 - Acho que faltou planejamento na sua viagem. 

  • 2 semanas depois...
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@Rafael_Salvador tudo bem?

Estou em Serrinha e pretendia passar uns 2 dias em Salvador para conhecer os principais pontos e depois ir para Morro de SP. Mas a previsão do tempo para final de agosto está com chuva. Sabe me informar se a chuva fica o dia inteiro, se realmente estraga o passeio, ou se ainda dá para aproveitar a viagem? Tem alguma sugestão de roteiro para esses lugares? Queria pelo menos conhecer algum lugar da Bahia nessas férias. Mas em agosto parece ser meio difícil né? :/

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@Ellen TrinSan Salvador com chuva é muito complicado! Engarrafa tudo... alaga tudo... a cidade fica em estado de caos! É meio difícil se basear em uma previsão para o final do mês... acredito que deva seguir a previsão com uma antecedência menor. Existem frentes frias que chove o dia todo.... existem vezes que chove um período e para no outro... muito relativo.

Morro é essencialmente praia... e chovendo morre! Até mesmo a travessia fica complicada de Salvador até a Ilha de Itaparica e de Valença para Morro de São paulo. Ademais, na baixa estação não rolam baladas por lá... a temporada abre com o Festival da Primavera.

A depender da época que aparecer aqui me de um toque que posso te dar umas dicas mais especificas ou até mesmo te mostrar alguma coisa na cidade... Me manda um contato no privado. Mas volto a dizer, no geral, Bahia é para vir curtir no verão (praias, festas de largo, carnaval... baladinhas...). Ou então, especificamente na festa de São João. Até dezembro as coisas são meio mortas na cidade... no interior pior ainda. 

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