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Studart

relato Lima-Cuzco-Machu Picchu em 1 semana

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Ontem cheguei do Peru, onde fiz o circuito Lima-Cuzco-Machu Picchu, em uma semana. Os preparativos. Como eu obtive várias das informações úteis aqui no fórum, resolvi postar o que achei de interessante para auxiliar outros usuários que queiram visitar o país vizinho..

 

I – PREPARATIVOS

 

Há uns dois anos eu pensava em visitar o Peru, mas sempre adiava, por um motivo ou outro, viajando para outros locais. Desta vez resolvi aproveitar as milhas da TAM e tirar uma passagem para Lima (20000 pontos).

 

Adquiri diversos livros sobre o destino, tais como o Rough Guide, o da Publifolha, o GTB e o Guia do Viajante independente na América do Sul, do Zizo Asniz. Claro que bastaria um ou dois, mas aproveito as informações de todos e construo o meu próprio roteiro de visita às atrações.

Embora o Peru seja um país barato, a hospedagem é em dólar e pode custar mais que na Europa.

 

Por isso, financeiramente vale a pena reservá-los através de agências, ainda no Brasil, a não ser que queira arriscar a procurar hospedagem na hora, podendo perder muito tempo e ainda gastar mais qu e o necessário.

 

Com as milhas emitidas, basta ver que pacote atenderá às suas expectativas. Consultei três agências de Fortaleza. A CVC (sim, ela não trabalha só com excursão), a própria Tam Viagens e a Tour du Monde. A Casablanca deixei de consultar antes das viagens, simplesmente porque eles não se dignam a dar retorno, como se eu estivesse pedindo um favor.

 

A CVC cometeu o mesmo pecado, desta vez. Optei pela Tam Viagens porque era ligeiramente mais barata que a Tour du Monde e a emissão das milhas seria coordenada com a do pacote. O agente, Edson, é especializado neste destino.

 

O pacote padrão inclui duas noites em Lima e três noites em Cuzco (seis dias, cinco noites) e achei por bem adquirir uma noite extra em Lima. Saiu por pouco mais de mil dólares, mais os US$ 38,00 dólares da noite extra e R$ 211,00 da taxa de embarque.

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II – LIMA - O PRIMEIRO DIA

 

O vôo Fortaleza-São Paulo é de pouco mais de três horas. O trecho São Paulo-Lima demora outras cinco horas e vinte minutos. A empresa Viajes Pacifico é a que faz o receptivo naquela capital. A primeira impressão é boa, o aeroporto não é grande, mas aparenta ser novo e é limpo,(considerando o tamanho da cidade), as malas chegam rapidamente, a imigração não demora mais que cinco minutos, apesar de o avião estar lotado. O trânsito é muito ruim, por outro lado. Demoramos talvez uns 40 minutos para chegar ao hotel, no bairro Miraflores (em verdade não há bairros, há municipalidades, o que resulta em diversas ruas com o mesmo nome em Lima. 28 de julho existem aos montes. Por isso não esqueça de informar ao taxista que vai à rua "x" da municipalidad "y".

Para se ter uma idéia do tamanho de Lima, ela tem a população de Buenos Aires e Santiago juntas, somadas. A periferia, obviamente, não é bonita, mas os locais onde você certamente se hospedará são mais agradáveis. Miraflores, San Isidro e Centro são as principais opções. San Borja e Barranco também contam com atrações. Ficamos em Miraflores.

Após um breve almoço e já estávamos em campo, conhecendo a capital peruana.

Plaza San Martin, onde está uma estátua equestre do mesmo personagem, herói da libertação de diversos povos da América do Sul, ao lado de Bolívar. Depois a Plaza de Armas, a principal, onde está situada a catedral. Em seguida a Igreja de San Francisco, que possui um mosteiro ao lado. Nele estão as catacumbas, com a ossada de milhares de pessoas. O que impressiona mesmo é o poço onde estão os crânios, fêmures, etc, de uma forma bastante organizada

 

3658014833_103f6a85b0.jpgIgreja de San Francisco

 

 

 

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Perro Peruano

 

 

Continuamos do centro em direção a Miraflores. Neste está a escultura O Beijo, na praça dp amor. Aqui centenas de casais se beijam no dia dos namorados. Chegaram a quebrar o recorde mundial.

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Parque do Amor

 

 

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Pequeno peruano na Igreja São Francisco

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III - LIMA - SEGUNDO DIA

Começamos o dia passeando por Miraflores e depois fomos a dois sítios arqueológicos: Huaca Pucllana e Huaca Hualamarca. Ambos são anteriores aos próprios incas e no segundo (uma pirâmide) se encontrou uma múmia bem conservada. Repare nos cabelos....

 

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Huaca Pucllana[/align]

 

A seguir, fomos ao museu Ricardo Palma, em homenagem ao escritor peruano, que escreveu diversas obras, sendo a principal asTradições Peruanas. A entrada custou 5 soles.

 

Passamos pelo Bosque El Olivar, onde existem diversas espécies nativas de pássaros e terminamos a manhã almoçando no restaurante Rosa Náutica. A comida é muito boa e é caríssimo para os padrões limenhos. Mas não é caro para um brasileiro. O ambiente e a vista são impagáveis. Fica num pier, acima do mar. Muito bacana, como você pode ver na foto abaixo:

 

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A comida não só é boa, como é bonita....

 

 

À tarde fomos ao museu da Inquisição, que fica na frente do Congresso Nacional, onde existem algumas representações de formas de tortura utilizadas pelos Espanhóis, bem como textos sobre o tema, em painéis. A entrada também custou cinco soles.

 

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Museu da Inquisição

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IV - IMPRESSÕES GERAIS SOBRE LIMA

 

[align=]Há muitos locais bacanas, onde a elite trabalha, reside e se diverte, com ares europeus. Neles é que se concentra a maior parte dos turistas. Ficamos no hotel San Augustin, situado na Rua San Martin, bem próximo à Avenida Larco. Tal avenida é o eixo de Miraflores. No seu início o belo shopping Larcomar, situado em cima dos Rochedos de Miraflores. No seu final a praça onde o agito acontece no final de semana, com os cinemas (alguma cidade brasileira ainda tem cinema fora dos shoppings?) Também aqui estão Burger King, Mc Donalds e outros pontos de alimentação, e bem próximo começa a Avenida Petit Thouars. onde estão as lojas de souvenires.[/align]

 

É uma pena que o tráfego seja péssimo e os motoristas muito mal educados. Os taxistas são um show à parte. Não há taxímetro e eles podem te levar a algum lugar por 10 soles, enquanto outro te cobrou 40, mas deixou por 25 soles. Mas há dois aspectos interessantes. Em locais onde há taxímetro os taxistas nos enganam rodando a mais, pegando um caminho maior, e você não tem como saber antes quanto vai pagar. Em Lima você já entra no carro após negociar o valor. Depois de um tempo na cidade já terá noção de qual o valor justo. E, por fim, mesmo que te enganem, a tarifa é muito, muito barata. O normal entre o Centro e Miraflores, o maior roteiro que você fará, será de 10 soles, ou uns 7 reais (a não ser que visite atrações mais distantes, fora do eixo turístico. Outro aspecto negativo é o buzinaço dos motoristas em geral, como se isso fosse ajudar a superar o engarrafamento.

 

Um prato num restaurante chique custa de 30 a 50 soles por pessoa (tire 30% para chegar ao valor em reais). A oferta do Mc Donalds custa uns 12 soles, ou 8 reais, ou 4 dólares, ou 3 Euros, aproximadamente. Compare com os 14 Euros da Noruega e verá que aqui é um bom lugar para fazer turismo econômico.

 

Os souvenires devem ser comprados na Av. Petit Tours. Uma camisa custa cerca de 18 a 20 soles, já com a pechincha. Nunca compre nada pelo valor sugerido, nos mercados (claro que no shopping as coisas tem preços tabelados), pois o vendedor sempre coloca um sobrepreço significativo. Pechiche nas corridas de táxi, na compra das lembranças e tudo o mais, faz parte da cultura dos peruanos.

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V - CUZCO - PRIMEIRO DIA

Acordamos cedo para a viagem de Lima a Cuzco. Além de termos que chegar com uma hora de antecedência, ainda há o trânsito complicado até o aeroporto. Saímos com mais de duas horas e meia de antecedência do vôo mesmo assim ficou apertado. O percurso demorou quase uma hora. Depois enfrentamos a fila do ckeck-in, razoavelmente rápida e uma fila para o pagamento das taxas de embarque. Ao contrário do Brasil, onde as pagamos até no cartão de crédito, no momento da emissão da passagem, em diversos países da América Latina precisamos deixar nosso dinheiro lá mesmo no aeroporto, em dinheiro vivo. Cuidado para não gastar tudo nos passeios e correr o risco de não embarcar. No aeroporto de Ezeiza, na Argentina, o pagamento somente pode ser feito em dólares, mas no Peru quem tiver soles pode gastá-los. No trecho doméstico de Lima a Cuzco a taxa custa 18 soles ou 6 dólares. Na volta, 12 soles ou 4 dólares, aproximadamente. Eles podem dar o troco em dólares mesmo.

O vôo é rápido, cerca de uma hora, mais ou menos. O aeroporto é pequeno, até porque é uma cidade de 380 mil habitantes. Mas tem 6 portões de embarque, fingers que nos levam direto ao avião, etc...

Assim que desembarcar pensará que está tudo bem, que estará respirando normalmente, e que o mal da altitude - o temido soroche -, não lhe mete medo. Você mudará de opinião quando for carregar a sua mala até o estacionamento. Se não houver esforço físico não haverá muito sofrimento não, mas tente dar uma longa caminhada. A grande maioria das pessoas sente dor de cabeça, tontura, enjôo, e comigo foi assim.

Chegue logo no hotel e tome o chá de coca, aparentemente só água quente com as folhas, como você vê na foto abaixo:

 

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Sobrevoando os Andes Peruanos

 

 

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O imprescindível chá de coca

Não tome o chá à noite, pois terá dificuldades de dormir. No dia seguinte estará bem melhor e no terceiro esquecerá o transtorno. Guarde o primeiro dia para atividades levíssimas.

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Oi studart!!!

 

Parabens pelo sei relato, continue.... estou anciosa pela continuação.. Sou tambem de fortaleza, e irei agora em outubro para peru e bolivia, é muito bom encontrar outras pessoas da nossa cidade. Ano passado quando fui a argentina, nao consegui encontrar ninguem, mas neste ano.... já me deparei com 3 cearences.... É isso aí!!

Beijao

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Oi Erika, obrigado pela leitura. Vou já dar continuidade ao relato, aproveitando o final de semana. Terminei de postar as fotos no flickr, que é o que dá mais trabalho. O Peru tem sido o destino da vez para os brasileiros. Encontrei muitos por lá. Curiosamente, a maioria era de Minas Gerais. Vários amigos meus foram para o Peru este ano e me recomendaram, devendo-se levar em consideração que a passagem Lima-Fortaleza é caríssima, sendo a melhor economia do programa da TAM a emissão deste trecho (são apenas 20000 milhas gastas, mas economizamos o equivalente a uma passagem para a Europa).

Um abração

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continuando:

 

Quando chegamos em Cuzco, pelo menos duas pessoas, em momentos diferentes. tiraram nossa foto, sorrindo, sem permissão. Da primeira vez pensei que fosse algum louco, mas no mesmo dia fomos achados pelos caça-turistas, que nos ofereceram a foto, pequena, montada sobre uma espécie de postal com imagens da região. Custa apenas uns 5 soles e comprei da primeira vez. Da segunda não comprei apenas porque fizeram um preço alto para mim, 50% a mais do que cobraram da minha irmã. É um costume que ocorre até na Europa, embora, nesse caso, eles não peçam para tirar a foto.

 

Fomos diretamente ao Hotel El Puma, que fica na região correspondente ao rabo do animal. Para quem não sabe, Cuzco era, na visão dos incas, no formato de um puma. A cabeça fica fora dos limites atuais da cidade, nas ruínas de Sacsayhuaman.

 

Aparentemente você é obrigado a comprar o boleto turístico http://boletoturisticocusco.com/. Ele pode ser o global, ou dividido em três. O global inclui todas as 16 atrações de Cuzco e regiões vizinhas, por 130 soles, fora Machu Picchu. Cerca de 43 dólares. Os três setoriais custam 70 soles cada um, ou 23 dólares.

 

Em linhas genéricas, o circuito 1 engloba as ruínas ao redor de Cuzco, o circuito 2 as atrações urbanas e o circuito 3 as atrações de cidades vizinhas, no vale sagrado, como Pisac.

 

Ao invés de descansar, fizemos parte do circuito 2 e o circuito 3, poucas horas após a aterrisagem. Muito bacana, mas muito cansativo. As ruínas viistadas foram Sacsayhuaman, onde eram realizados rituais pelos incas.

 

Veja fotos em

http://cosituc.gob.pe/saqsaywaman.php

 

Fomos depois a Quenqo, onde, segundo o site, "La caverna semicircular y semi artificial, que existe en la parte interior posee una mesa o altar donde se realizaba ritos agrarios, en la parte superior de este roquedal existe una serie de asientos (tianas), gradas y escalinatas labradas, se observa un canal serpenteante el cual termina en una circunferencia siendo la representación de la serpiente (amaru), luego una cabeza de felino y un ave que son elementos de connotación religiosa".

 

Depois tambomachay, onde há uma fonte utilizada pelos incas e Puca pucara, onde estes descansavam, nas viagens pelo império.

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Em tempo, a parte do circuito 2 foi apenas o Qorikancha, pois a igreja catedral é parte de um outro boleto, que integra apenas as atrações religiosas e eu não o adquiri. Há duas igrejas na Plaza de Armas. A catedral, lindissima por dentro, cheia de altares dourados e com três neves distintas. Também há cripta no subsolo. Pena que seja proibido tirar fotos. Neste dia a catedral estava cheia de carros com os santos, todos enfeitados, que vieram, cada um deles, de distintas igrejas de Cuzco. Era parte das comemorações da semana santa e preparativo para o Inti Raymi, que ocorre no dia 24 de junho. Começava com o desfile de colégios da região, numa competição e, à noite, os santos passeavam com os fiéis pela praça, inteiramente lotada.

 

O Qorikancha era um templo utilizado pelos incas, e após a ocupação pelos espanhóis, foi transformado no Convento de Santo Domingo. Com um terremoto, as fundações incas vieram a tona novamente e hoje se visita ambos os locais, inca e colonial, sobrepostos, numa mescla interessante de culturas.

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VI - CUZCO - SEGUNDO DIA - O VALE SAGRADO.

 

Eu já estava bem melhor do soroche e decidimos passear numa cidade próxima, Pisac. Deixei de fazer o roteiro completo por considerá-lo bastante cansativo e porque parte dele eu veria na viagem a Machu Picchu.

 

Se você quiser ir ao Vale Sagrado, poderá contratar a Viajes Pacifico, por 64 dólares por pessoa, num passeio de dia inteiro. Começa 9h e termina 18h, pelo que me informaram. Inclui almoço e a entrada nas atrações do vale (isso seria 21 dólares, o circuito 3). Esta foi uma empresa que utilizamos, quicá a maior de lá, bastante confiável e conceituada. Vi que outras agências, menores, como a Dolivep Tours e Travel, cobra apenas 44 dólares. A Dona Olinda Pacheco, que me atendeu, disse que as mesmas coisas estavam inclusas. Ela está situada numa modesta sala comercial, em frente à Pacifico, do outro lado da rua. (Av. Sol, 814)

 

No final das contas decidi apenas ir a Pisac, para não perder os festejos de Cuzco. A Viajes Pacifico me ofereceu uma van, a 17 dólares por pessoa, para voltar ao meio dia, uma da tarde. Um taxista me ofereceu o mesmo por 10 dólares. Aceitei, sem pechinchar, porque estava já achando barato, mas ele ficaria lá nos esperando a manhã toda, à disposição. A decepção foi somente na volta, quando dei a ele 70 soles (dos 120 combinados, eles sempre pedem a metade antes, o que é justo) e ele fingiu não ter troco, até perceber que eu não deixaria o carro até aparecerem as moedas que ele escondia no painel... Nem tanto pelo dinheiro, mas por subestimar a minha inteligência, não deixei para lá.

 

Fomos a Pisac com a trilha sonora de uma cantora local, a Sally, uma senhora com voz de criança e letras melosas. O taxista adorava. Eu pensei em comprar um CD e trazer para o Brasil. Mas já achei várias canções dela no youtube, como você pode conferir no post abaixo deste.

 

Picac tem uma feira com produtos feitos por lá e no restante do Peru. Desde tabuleiros de xadrez cujas peças são feitas com as imagens talhadas de espanhóis e incas a porta copos, de jóias com pedras nativas (quartzo rosa, etc - aliás, se quiser comprar isso tem que ser aqui ou Cuzco, em Lima é bem mais caro) a variedades de milhos. Muito interessante. Você deve perder horas negociando um bom preço, pechichando.

 

Também há aqui aquelas peruanas, que cobram cerca de um sol para tirar fotografias com as suas crianças, todas vestidas com roupas típicas. Me lembrei das baianas que tiram foto em Salvador...

 

De qualquer forma, as crianças peruanas são bonitas e ela leva para casa uma renda muito maior do que se estivesse na lavoura. Nesta foto não dá para perceber, mas há uma terceira criança nas suas costas, amarrada dentro do lençol.

 

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http://www.youtube.com/watch?v=no-l05TM7tc&feature=related

 

Este é o clipe de uma das músicas que tocou com frequência. Embora não tenha gostado muito, é relevante ver o que os locais tem como música. isto faz parte de uma viagem verdadeira, fora das obviedades e dos circuitos turísticos, conhecer o gosto da população local...

 

 

 

http://www.elpumahotelcusco.com/espanol/01-ubicacion.html é a página do hotel de Cuzco.

 

 

 

 

Chama-se, como já citado, El Puma. É um três estrelas, bem situado, dá para ir à Plaza de Armas numa caminhada de dez minutos. O atendimento é batante cordial e tem chá de coca à vontade. Com uns 4 dólares dá para tomar uma sopa no próprio hotel. Como pontos fracos: a calefação é boa no quarto, mas inexistente no banheiro. E tome choque térmico, depois de um banho. Os quartos que dão para a avenida são extremamente barulhentos. Não sei porque, mas os peruanos também buzinam pela madrugada. Talvez precisem buzinar uma cota diária e quando não conseguem, entram pela madrugada... Na minha avaliação, um mero mais ou menos ::cool:::'> ::bad::

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VII - IMPRESSÕES GERAIS SOBRE CUZCO E INFORMAÇÕES.

 

Cuzco é uma cidade média,mas as atrações estão todas muito próximas uma das outras. O táxi custa cerca de 1 dólar, ou 3 soles, a não ser que você vá para a periferia, onde há muito o que ver, ou as ruínas. Andar a pé é o melhor, mas só depois de sua aclimatação.

 

Se quiser se hospedar no vale sagrado, eu estive num hotel, chamado pisacinn (http://www.pisacinn.com), onde as diárias custam cerca de 50 dólares por casal, em frente à praça onde ocorre a feira e há também quartos para seis ou mais pessoas, o que barateia a hospedagem em especial se você for num grupo maior. Se for, fale com a Roxana Calixto, a gerente, que ela cuidará, quem sabe, de lhe dar um descontinho.

 

O câmbio de moedas não é feito em todo lugar, como em Lima, mas você não terá dificuldades, pois há muitas lojas com anúncios na porta, afirmando que trocam as principais moedas por soles. De todo modo, em Lima a diferença é que você encontra gente no centro, vestida com coletes pintados com cifrões, que trocam o seu dinheiro no meio da rua, na esquina das grandes avenidas. Você, caro brasileiro, acha que alguém com alguns milhares de soles, dólares e euros poderia ficar gritando câmbio no meio de uma rua de Fortaleza, São Paulo ou Rio de janeiro por cinco minutos? Onde é mais seguro, o Peru ou o Brasil???

 

A comida é muito barata, mas há restaurantes de cozinha internacional, caros e que não ficam devendo nada aos brasileiros. Na Plaza de Armas tem até Mc Donalds. Para mim isso é um dos instrumentos para ver o padrão de vida e o custo da cidade. Uma oferta custa uns 12 soles, ou 4 dólares, ou ainda uns 3 euros. É barato para nós, mas para o norueguês que gasta 14 Euros, é uma barbada. De qualquer forma, não é este o restaurante que eu indicarei para vocês, mas o Cicciolina, na Calle Triunfo, 393 - 2º andar, a uma quadra da Plaza de Armas. A comida é muito, mas muiito boa mesmo. Ficou por volta de 50 dólares o casal, sem bebida, mas valeu cada centavo. Comemos truta e alpaca, e nossos acompanhantes carneiro e truta. Existe um prato típico em Cuzco, que é o Cuy, um porquinho da índia que é assado inteiro. O visual não agrada. Vou postar a foto como mera curiosidade.

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Abro um parêntesis para falar de uns desenhos feitos com temas peruanos. São de uma empresa chamada cuy-arts e utilizadas nos padmouses, camisetas, etc. Abaixo um exemplo. Todos os temas estão na página http://www.cuy-arts.com

 

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Vale salientar, por fim, que vi na minha entrada do Qorikancha o valor de 10 soles e o 25 soles na entrada da Catedral, dando a entender que existe possibilidade de compra dessas atrações de forma autônoma. Se alguém quiser opinar sobre isso, será bem vindo...

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VIII - VALE SAGRADO E MACHU PICCHU

O quinto dia foi inteiramente dedicado a Machu Picchu. Foi longo e cansativo. Fomos cedo à estação de trem, que fica nos arredores de Cuzco, numa estrada que leva ao Vale Sagrado. O trem partiu às 7h40min, e o percurso foi de cerca de três horas horas e vinte minutos. A altitude vai diminuindo aos poucos e a vegetação aumentando, até ficar exuberante, na região próxima a Águas Calientes.

O trem passa apenas por uma cidade do Vale Sagrado, Ollantaybambo. Para mais duas vezes, ao relento, para deixar os mochileiros que vão para a trilha inca, nos quilômetros 85 e 104, salvo engano.

De Cuzco são três categorias de trens por dia, o backpacker, mais barato, cerca de 41 dólares o trecho, o Vistadome, com o teto de vidro, para melhor apreciar a paisagem e com lanches e o Hiram Bingham, muito mais caro e luxuoso. O nosso foi o mais barato. Era limpo, porém apertado e cobravam o lanche à parte. Para percorrer, nesse período de tempo, apenas cento e poucos quilômetros, percebe-se que a velocidade gira em torno de 30km/h. De europeu ele tem o preço, apenas.

 

Chegamos na cidadezinha, Águas Calientes, ou Machu Picchu Pueblo, que fica na base da montanha. De lá ainda é necessário pegar um ônibus, que custaria 7 soles (pagamos previamente, no pacote). e demora 20 minutos. Há quem suba a pé, ou desça a pé. Os ônibus passam na beira de alguns precipícios e deixa o visitante num pátio quase na frente do hotel de luxo, da rede Orient Express. A poucos metros está a entrada do passe. o bilhete de ingresso custaria 120 soles, ou 40 dólares, aproximadamente. Os guias são à parte. Não são baratos, mas podem ser rachados por vários visitantes.

 

Entre Machu Picchu Pueblo e Ollantaybambo não existe estrada, só trem. É mais econômico ir de carro até esta última cidade, pegando apenas o último trecho de trem. Daqui existem várias opções de horário para Águas Calientes. Se optar por dormir nesta cidade, chegará em Machu Picchu tão logo o sol nasça, na abertura do parque. E antes da horda de turistas que só chegariam lá pelas 11h, vindo de Cuzco. Há uma feira entre a estação de trem e o local onde se pega os ônibus para o Parque.

 

A visita guiada terá a duração necessária para mostrar todo o Parque. Começa pela área rural e termina na área urbana, havendo uma nítida divisão entre elas. No meu caso, durou três horas. Praticamente não restou tempo para ficar passeando à toa por lá, pois era necessário almoçar (deram um almoço, buffet, na Toto's House. A comida era boa, mas não estava tão quente e em clima de final de festa, pois já eram quase quatro da tarde. Precisamos descer rapidamente para Águas Calientes, pois se perde meia hora neste trecho e o trem de volta a Cuzco sairia às 17h. O pior é enfrentar a viagem de volta, depois de almoçar. Se você for nesses grupos e ficar atrelado a almoçar tarde demais, recomendo levar algo para comer, pois lá em cima não há opção.

 

Cada janela, cada pedra, tudo parece ter um significado. Por mais que já saibamos que vamos ver, é magnífico o visual e o entorno de Machu Picchu. Se eu for lá novamente ficaria hospedado em Águas Calientes e faria a viagem sem pressa...

 

 

 

 

 

 

 

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Rio Urubamba - Vale Sagrado

 

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Machu Picchu

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IX - LIMA - O ULTIMO DIA E O RETORNO

 

Voltamos pela manhã de Cuzco, após uma hora e dez minutos de vôo. A taxa de embarque foi de cerca de quatro dólares. Não havia mais vaga no hotel San Augustin, por isso fomos ao La Hacienda. Por fora, o primeiro parece melhor, mas internamente e, em especial nos quartos, se nota a diferença. O quarto tinha duas camas imensas, de casal, banheiro espaçoso e a vista se descortinava para o litoral (não dá para ver o mar, fica a umas quatro quadras), para o lado do shopping Larcomar.

 

Este shopping é feito em vários níveis, como degraus nas falesias (rochedos) de Miraflores. Fica próximo ao restaurante Rosa Náutica. Algumas pessoas saltam de paraglider e ficam sobrevoando o local, sem pousar, aproveitando as correntes de ar. Depois disso fomos novamente na Av. Petit Thouars, ver o artesanato e comprar alguma coisa e, à noite, fomos ao parque das fontes, ver as "aguas dançantes".

 

Foi uma surpresa. O parque é antigo, mas as fontes foram colocadas em junho de 2008. São muitas fontes e algumas delas jorram acompanhando o ritmo de música clássica e com os efeitos especiais de feixes de laser. Muito bacana. Recomendo. De Miraflores são apenas 10 soles de táxi, em direção ao centro. Foi nesse passeio que percebi que várias municipalidades (bairros) repetem o nome das ruas. Daí que se é necessário dizer que vai à rua tal, do bairro tal.

 

Agências de turismo cobram 35 dólares pelo passeio noturno, mostrando a Plaza de Armas iluminada, etc, além do Parque (o ingresso está incluso). Mas fica bem mais barato ir por conta própria, já que a entrada do parque equivale a apenas dois dólares

 

X - A VOLTA E CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

O võo de volta atrasou mais de uma hora e meia, mas sem maiores problemas, porque ficaríamos esperando em São Paulo a conexão. Retirada de bagagem, e recolocação no balcão da TAM, que fica em frente ao desembarque internacional de Guarulhos. Sem percalços.

 

Deu para passar com muita tranquilidade a 500 dólares a semana inteira, para duas pessoas, ainda mais levando em consideração que quase 100 foram gastos em taxas aeroportuárias e outros 100 nos dois restaurantes "caros". De onde se conclui que o Peru é um destino mais barato que Argentina, Chile e, logicamente, bem mais barato que Europa e EUA. E lembre-se que com poucas milhas é possível tirar uma passagem para lá.

 

Outras atrações ficaram para o futuro, como as linhas de Nazca, Huaráz, Lago Titicaca. Espero um dia voltar lá e quem sabe, postar outro relato por aqui.

 

Quaisquer dúvidas, podem perguntar

 

 

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Fala mochileiros!!!!

 

Estou indo para Machu Picchu de avião e tenho algumas dúvidas. Será que alguém poderia me ajudar?

Comprei uma passagem pelo site decolar.com do Rio para Cuzco, com conexão na ida em São Paulo. Meu vôo que sai do Rio(operado pela TAM) chega em São Paulo às 16:10hs e o vôo de São Paulo (operado pela TACA) para Lima sai às 18:50hs. Portanto tenho 2:40hs entre a chegada do vôo e a partida do outro. Lembrando que o tempo para check-in nos vôos internacionais é de 2hs, tenho as seguintes dúvidas:

1)Se meu vôo do Rio para São Paulo atrasar, eu posso perder o próximo para Lima por não chegar no tempo previsto do check-in (duas horas de antecedência)?

2)Em caso de conexão, especificamente neste caso, minha bagagem vai direto para o outro avião ou eu tenho que pegá-la na esteira e passar pelo check-in com ela novamente?

3)E se cancelarem meu vôo que sai do Rio, eu perco minha viagem? A decolar arruma outro vôo?

 

Fico no aguardo, valeu!!!

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viagem ao Peru

 

Enviado em: 06 Jul 2009, 20:16

De: Flavia Borghi

Para: Studart

Olá, tudo bem? Adorei seu relato de viagem ao Peru. Eu e meu marido estamos querendo muito ir pra lá. Tinhamos viagem marcada para Bariloche-Buenos Aires, mas com essa gripe se alastrando cada vez mais por lá e dizem muitas linguas que a infra-estrutura nos hospitais da Argentina deixam a desejar, estamos querendo mudar nosso roteiro. Pensamos entao no Peru. Acreditamos que por lá a situação de gripe nao está tao feia (o que vc acha?).

Nossa duvida paira no seguinte: vamos precisar de passaporte? Em alguns sites dizem que sim e em outros dizem que nao, devido a acordo firmado entre Brasil e Peru em 2004 ou 2005 para a não obrigatoriedade deste documento. Como foi quando vc foi a Matchupichu? exigiram?

ah, outra coisa. Nossa viagem seria de no máximo 7 dias (8noites). Quanto levamos de $$ para poder almoçar e jantar todos os dias + comprar lembrancinhas baratinhas (onde é legal comprar?) + comprar ponchos para nos dois (quanto custa?).

Estamos pensando em ir para Lima - Cusco - MP

Queria muito conhecer as linhas de nazca, mas a diferença no pacote é tao grande que abortamos a ideia. Vale tanto assim a pena?

 

aguardamos seu email com várias ajudinhas......ABRAÇO ([email protected])

 

Flavia

 

Vou responder a pergunta por aqui, para que as respostas possam aproveitar a outros usuários.

 

Vi algumas pessoas utilizando as máscaras no Peru, em especial no aeroporto. Definitivamente não há a mesma gravidade que na Argentina e Chile. Não sei se e quando a situação vao se modificar.

 

Para ir ao Peru não é necessaŕio passaporte. Levei por costume, para ficar registrado o carimbo nele mesmo e não no papel avulso. Se você tiver leve. se não tiver, não se dê ao trabalho de tirar. Para entrar em Machu Picchu, especificamente, não creio que haja uma exigência a mais. Sei que algumas pessoas pedem para ter o passaporte carimbado lá, como uma espécie de lembrança da viagem. Leve comprovante de vacinação da febre amarela, por precaução. Para mim não pediram, mas não custa nada se prevenir.

 

Se o pacote com a inclusão de Nazca encarece muito, contrate dois dias livres a mais em Lima e faça o passeio por conta própria. Não sei quanto custa, mas você pode fazer o bate e volta direto de Lima, ou mesmo um passeio de dois dias. Recomendo a leitura do tópico específico de Nazca, pois não fiz o passeio.

 

Lembranças em Lima estão nas proximidades da Av. Petit Touars, como dito no relato. São baratas. Em Cuzco estão espalhadas nos arredores da Plaza de Armas. Há ponchos por lá também, mas não sei o preço...

 

Um casal que já tenha contatado os passeios no Brasil pode se virar com menos de 500 dólares a semana. Certamente terá gente que sobrevive com 200. E outros com 1000... Depende dos seus hábitos. Há restaurantes cujo almoço pode sair a 50 dólares em Cuzco.

 

Bom, é isso, caso haja necessidade de outros esclarecimentos, é só avisar...

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Fala mochileiros!!!!

 

Estou indo para Machu Picchu de avião e tenho algumas dúvidas. Será que alguém poderia me ajudar?

Comprei uma passagem pelo site decolar.com do Rio para Cuzco, com conexão na ida em São Paulo. Meu vôo que sai do Rio(operado pela TAM) chega em São Paulo às 16:10hs e o vôo de São Paulo (operado pela TACA) para Lima sai às 18:50hs. Portanto tenho 2:40hs entre a chegada do vôo e a partida do outro. Lembrando que o tempo para check-in nos vôos internacionais é de 2hs, tenho as seguintes dúvidas:

1)Se meu vôo do Rio para São Paulo atrasar, eu posso perder o próximo para Lima por não chegar no tempo previsto do check-in (duas horas de antecedência)?

2)Em caso de conexão, especificamente neste caso, minha bagagem vai direto para o outro avião ou eu tenho que pegá-la na esteira e passar pelo check-in com ela novamente?

3)E se cancelarem meu vôo que sai do Rio, eu perco minha viagem? A decolar arruma outro vôo?

 

Fico no aguardo, valeu!!!

 

1 - Não se preocupe tanto com as duas horas, pois você já terá feito o primeiro check-in e embarcado as malas. Já sairá com os cartões de embarque do trecho internacional e terá apenas que ir ao portão de embarque em SP (e polícia federal). Talvez em menos de 40 minutos você resolva tudo.

2 - A bagagem vai direto ao fim do voo, na ida. Isso de tirar as malas e reembarcá-las só acontece na volta. Passa pela Receita e Polícia Federal assim que finaliza o voo internacional. De SP ao RJ o vôo é doméstico.

3 - A responsável é a companhia aérea pela realocação. Se você comprou uma passagem única com os três trechos, tem direito a ser realocado no vôo seguinte. Se comprou os trechos separadamente, em tese a companhia seguinte não tem resposabilidade sobre um atraso do voo de uma outra empresa. Mas pense positivo.

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Valeuuu studart !!!

Voce tirou praticamente todas as minhas dúvidas.

Estou me precavendo, mas como voce falou vou pensar positivo que vai dar tudo certo.

Grande abraço!!! ::cool:::'>

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    • Por GUILHERME TOSETTO
      Olá, meus amigos!!!!
      Segue agora mais um relato de viagem, desta vez à cidade de Ubatuba nos últimos dias 27 e 28 de Abril, em companhia dos amigos André Petroni, Eduardo (nickname Umpdy), Francisco Lopes, Débora e Osmar Franco.
      Estávamos combinando essa viagem havia algum tempo, mas nunca conseguíamos encaixar as datas convenientes a todos, mas eis que calhou de um fim de semana "vazio" pra galera e marcamos a viagem.
      Eu, Eduardo, Chicão e Débora saímos de São Paulo na sexta-feira à noite, por volta das 19:45 e chegamos em Ubatuba às 23 horas. O André e o Franco tiveram que trabalhar e só foram pra lá no sábado bem cedinho, de ônibus. Seguimos pela Dutra até São José dos Campos e de lá pegamos a rodovia dos Tamoios, que está em obras em diversos trechos. Quem for pegar essa estrada, deverá ficar bastante atento, não paenas às obras, mas principalmente às curvas, muito fechadas e perigosas.
      Lá chegando, fomos para o Tribo Hostel, onde já havíamos feito reservas para o final de semana. Como nesse final de semana estava acontecendo um campeonato mundial de surf em prancha curta (não lembro o nome exatamente), o hostel estava cheio e acabamos ficando num de seus anexos...



       
      Feito o check in, fomos para os quartos, ficando eu e o eduardo em um e o Chicão e a Débora em outro.
      Algumas observações sobre o quarto onde ficamos eu, o Eduardo e o Franco: o teto é baixo e tem ventilador instalado junto à luminária. Como o Du ficou na cama superior, qualquer movimento da perna pra fora da cama já chutaria a porra do ventilador, além de bater a cabela no teto num levantar mais brusco!!!! rsrsrsrs...isso sem falar que o Du trancou a porta do quarto... e ainda havia mais um hóspede no nosso quarto, que chegou de madrugada e ficou esbravejando e xingando do lado de fora, enquanto a atendente do hostel vinha com a outra chave pra abrir...como eu tava morto de cansaço da viagem, não ouvi nada disso!!!!rsrsrsrrs.
      No dia seguinte, sabadão, ficamos esperando o André e o Franco chegarem pra podermos ir à Ilha de Anchieta. Chegaram por volta das 11 horas, também fizeram o check in e fomos arrumar as tralhas pra ir à ilha. Combinamos com o Renato, dono de um barco para nos levar até lá e ir nos buscar no final da tarde. Algumas fotos da ida, da Ilha e do retorno...









       
      Na Ilha de Anchieta há algumas trilhas, como a do Saco Grande e a Praia do Sul. Ambas constam do passaporte Trilhas de SP. Lá também há um antigo presídio, que foi desativado em 1955, três anos após a rebelião de 1952. No local, ainda trabalha um antigo vigia da época em que o presídio ainda era ativo!!! O local lembra um campo de concentração, várias ruínas...
      A ilha em si tem praias muito bonitas e praticamente desertas, talvez pela época do ano não ser a chamada "alta temporada", mas, mesmo assim, são excelentes... água muito limpa, peixes nadando ao nosso redor, quando ficamos numa das piscinas naturais formadas pelas rochas na parte norte da ilha.









       
      Ficamos na ilha até cerca de 16:15, fizemos a trilha da Praia do Sul, que é muito light e voltamos pra Ubatuba.
      À noite, fomos jantar numa pizzaria próxima ao hostel, a Pizza da Nonna...local bem aprazível, simples e comida de bom sabor...voltamos ao hostel, onde fizeram um churrasquinho pra galera...nessa hora, o sr. André cometeu a gafe-mancada da noite: sentou-se em cima de uma caixa de isopor, que servia de "geladeira" pra cerva do povo...o resultado não poderia ser outro, em poucos segundos a caixa estourou completamente de fora a fora... pior foi o que o André falou:
      - "Pô, eu pensei que fosse um puff!!!!"
      O que teve foi um "crash" and "pof" do André caindo!!!!
      Nem os gringos que estavam jogando uma sinuquinha aguentaram e racharam o bico também...
      Mas, gafes e foras à parte, o fim de semana foi excelente!!! No domingo, fomos para a praia da Lagoinha, onde começamos a fazer a trilha das 7 praias, chegando, ao final à praia da Fortaleza. São mais de 10 km de caminhada, passando pelas praias que dão o nome à trilha, com vários níveis de dificuldade, mas com paisagens muito compensadoras em sua beleza...seguem mais algumas fotos...








       
      Levamos cerca de 3 horas e meia pra finalizarmos a trilha, considerando-se que paramos algumas vezes pra descanso, pra um lanche e pra banho numa das praias.
      A fim de ganharmos algum tempo pra voltar onde deixamos o carro, na praia da Lagoinha, resolvemos subir os 7 quilômetros da estrada entre a Fortaleza e a BR101 a pé...chegando lá, pegamos um ônibus de volta à praia da Lagoinha e voltamos ao hostel pra arrumar nossas coisas, tomar um banho e retornar a Sampa...antes disso, ainda deixei o Franco na rodoviária, pois, como estávamos em seis pessoas, não havia espaço suficiente pra todos dentro do carro...saímos de Ubatuba por volta das 18:45 e chegamos à capital às 22:45, um pouco mais demorado do que na ida, mas ainda paramos pra comer um lanche e as curvas em subida requerem menor velocidade e mais atenção.
       
      Realmente foi um fim-de-semana ótimo, em companhia de amigos muito bacanas, sempre dispostos a tudo, sem reclamações, todos de muito bom-humor, enfim ,foi bastante divertido...deixo vocês agora com mais algumas paisagens, agradecendo a atenção de você, que está lendo, e aos amigos que lá estiveram, proporcionando mais uma excelente viagem!!!! Abração, galera!!!!
      Ah, pessoal ,se esqueci de alguma coisa, por favor, complementem o relato...











    • Por Schumacher
      Preparativos
       
      Em julho de 2014 decidi que, apesar de adorar o carnaval de Santa Catarina, faria uma coisa totalmente diferente nessa data no ano seguinte. Consegui 2 amigos para ir junto comigo e emiti as passagens nas Aerolíneas Argentinas (10k milhas Smiles POA-FTE, 270 reais FTE-USH, 10k milhas Smiles USH-POA).
       
      Como a viagem seria de apenas 9 dias, não cheguei a elaborar um roteiro, apenas um esboço do que fazer, além de reservar as hospedagens e o aluguel de carro. Este último saiu caro, mas dividindo em 3 compensou a comodidade e o melhor aproveitamento do tempo.
       
      Às vésperas da viagem consegui uns guias do meu colega de trabalho Fernando, e no 13 de fevereiro de 2015 finalmente peguei meu mochilão (dessa vez não esqueci da câmera) e segui para o aeroporto, com uma carona do meu vizinho Marco e outra carona no vagão refrigerado da Trensurb.
       
      Ao chegar a Buenos Aires tive que trocar de aeroporto, do Ezeiza para o Aeroparque. Quem tem conexão pela Aerolíneas pode usar o translado da empresa Manuel Tienda León de graça, mas tem que pegar um comprovante em uma sala da companhia no próprio aeroporto. Importante salientar que os horários que estão no site não são confiáveis.
       

       
      1° dia
       
      No meio de uma madrugada mal dormida no aeroporto, partiu meu voo para El Calafate. Do alto era possível ver o lindo azul contrastando com as estepes patagônicas. Cheguei no começo da manhã, dividi um táxi com uns brasileiros, já que saiu o mesmo preço do único outro transporte disponível, uma van que custava 100 pesos, e um tempo depois cheguei na locadora da Hertz, para retirar o veículo. Subi o morro para uma panorâmica da cidade.
       

       
      De lá fui para a Reserva Laguna Nimez, paraíso das aves na beira do Lago Argentino, que envolve a pequena cidade. Paguei a razoável taxa de entrada e depois do trajeto inicial meio sem graça e uma chuva fraca que insistiu em incomodar, comecei a ver espécie após espécie em uma diversidade de ambientes.
       

       
      Entre as mais de 20 fotografadas em algumas horas, constavam gaviões bastante dóceis, tanto que cheguei a ficar a menos de 3 metros de um deles.
       

       
      Também tive o primeiro contato com a fruta típica da região, o calafate, embora meio murcha e pouco saborosa por já estar no fim da época de frutificação.
       

       
      Era para eu ter encontrado ali a minha amiga Raquele, que já tinha viajado para lá antes, mas por uma falta de sincronismo nos encontramos apenas no meio da tarde no hostel em que ficaríamos, o I Keu Ken. O único ponto negativo desse lugar é para quem está a pé, pois ele fica no alto de um morro.
       
      Pegamos a estrada sentido norte até chegar ao hotel La Leona mais de uma hora depois. No caminho havia diversos cicloturistas e os primeiros bandos de guanacos e emas.
       

       
      Depois de um lanche e do atendente dizer que não poderíamos ir sozinhos no lugar em que queríamos, fomos para lá do mesmo jeito. Seguindo orientações vagas encontradas pela internet, chegamos ao vale em meio aos morros Los Hornos, onde segundo o site havia uma “depressão profunda”. Literalmente, entramos em depressão.
       

       
      Caminhando, passamos por diversas ossadas e encontramos o que eu queria, fósseis! A floresta petrificada conta com troncos fósseis de 150 milhões de anos. Só vimos poucos troncos e nenhum dinossauro, mas já foi o suficiente para ter valido a excursão.
       

       
      No caminho de volta o sol apenas começava a baixar, apesar de já ser quase 21 h.
       
      À noite, durante toda a semana, estava tendo uma festa com shows e inclusive a presença da presidenta, talvez por isso os preços estivessem tão inflacionados. Tanto que tivemos que jantar sanduíches comprados no supermercado, enquanto ouvíamos o show que nem era tão bom assim.
       
      2° dia
       
      Pela manhã chegou meu outro amigo, o Vinícius. Partimos para o Parque Nacional das Torres del Paine, no Chile. Primeiro, uma pausa para foto da paisagem insólita no mirante.
       

       
      Fizemos uma escala na metade do caminho em Esperanza, ainda na Argentina. Depois de mais uma refeição à base de sanduíche, tentamos abastecer o carro no único posto em um raio de 50 km, ou possivelmente o dobro, como nos informou o frentista que, assim como uma fila de carros, aguardava o combustível chegar sabe-se lá dentro de quantas horas. Como não tínhamos todo esse tempo, arriscamos seguir em direção ao parque.
       
      Os passageiros babavam no carro enquanto eu dirigia pela monótona estrada, quando passamos pelo vilarejo de Tapi Aike. Milagrosamente havia uma bomba de combustível ali, onde já tinha visto num relato que estava desativada. Como a esperança é a última que morre, decidimos bater na casa para ver se alguma alma nos atendia, apesar de todos os outros carros passarem direto. E não é que deu certo? Embora consideravelmente mais cara, foi nossa salvação.
       

       
      No meio da tarde chegamos às aduanas de fronteira. Como havia poucos carros e nenhum ônibus naquela hora, até que foi rápida a travessia. Não levei alimento algum pensando que teria problema, mas a única coisa confiscada foi os sachês de mel do Vini. Outro detalhe importante é que precisa de uma autorização providenciada pela locadora para cruzar a fronteira, a um custo adicional.
       

       
      O primeiro vilarejo no Chile é Cerro Castillo. Possui uns 4 comércios de mantimentos apenas. O primeiro e mais turístico é caríssimo, só o utilize para fazer o câmbio. Indico esse amarelo da foto, ali o preço cai pela metade e aceita cartão de crédito. Não leve água, pois há disponível e puríssima durante todo o circuito, e cada kg a menos é muito precioso.
       

       
      Depois do estoque feito e mais uns quilômetros à frente, entramos na área do parque, cercada por lagoas de diversas cores, como a Laguna Amarga, com alta salinidade e lar dos belos flamingos.
       

       
      Na portaria de mesmo nome, tivemos a péssima notícia de que havíamos chegado tarde demais para escalar as Torres del Paine. Dessa forma tivemos que acampar no camping da hostería Las Torres e replanejar o roteiro para compensar as cerca de 5 h perdidas que faríamos naquele dia. Os campings do parque custam todos em torno de 8000 pesos chilenos, nada se comparado ao preço dos alimentos, então leve o seu junto, nem que seja daquela lojinha na fronteira.
       
      Havia uma quantidade impressionante de gringos espalhados entre o camping, o refúgio e o hotel. Assim como nos demais campings pagos, havia água quente e eletricidade, mas não tive tempo para carregar minha câmera. Inauguramos a barraca de luxo da Raquele, enquanto o Vini ficou com minha toca do Gugu emprestada. E ali começou a aventura de se dormir em um chão pedregoso sem um isolante, ao menos em meu caso.
       
      3° dia
       
      Iniciada a caminhada com a subida dos belos morros. Logo percebi que o vento forte traria algum estrago. Dito e feito, ele arrebentou a solda do painel solar que tinha levado para carregar a câmera e o celular. Ali começou o primeiro racionamento, o de energia elétrica (o de energia humana viria posteriormente).
       

       
      Conheci as duas frutinhas vermelhas que cresciam junto ao solo e que fariam parte da minha alimentação durante essa jornada, a chaura e a murtilla, levemente doces e ácidas.
       

       
      Logo percebi que o ritmo de um dos integrantes não seria o mesmo do meu, ainda mais com o peso extra na respectiva mochila. Começou a preocupação com o tempo, já que percorreríamos uma distância bem maior do que a praticada por outros visitantes em um dia.
       
      Continuamos subindo, passando pelo acampamento Chileno, onde trombamos com um casal carioca e com a placa oficial de entrada.
       

       
      Comi um cogumelo bege que achei no chão e após passar a entrada do acampamento Torres, segui com os cariocas até a parte mais exposta ao vento, onde fiquei descansando por uns minutos até meus amigos chegarem. Ao completar o trecho mais íngreme, avistamos a incrível paisagem do lago glacial e dos pilares graníticos com neve em suas bases. Não há como expressar em fotos a grandiosidade daquela cena.
       

       
      Ainda tivemos sorte de presenciar outro fenômeno, uma tromba d’água, que pegou todos desprevenidos.
       
      Almoçamos por ali enquanto contemplávamos a paisagem e depois descemos pelo mesmo caminho por algumas horas até a bifurcação para ir ao acampamento Los Cuernos. A trilha de todo o circuito é razoavelmente bem sinalizada, embora as placas estejam voltadas para quem faz o trajeto em sentido contrário (a grande maioria). Assim, quando havia uma bifurcação, só sabíamos o caminho certo ao chegar ao seu final. Ainda bem que tínhamos GPS no celular, e que a bateria dele durou todo o tempo necessário.
       

       
      Caminhamos por longas horas durante esse trecho quase plano de 11 km. Quando o dia ameaçava terminar, cruzamos o último morro e vimos o acampamento de um lado e outra tromba d’água no lado oposto. Com o atraso em nosso itinerário, tivemos que acampar novamente em um lugar pago. Assim que terminamos de armar as barracas, a noite chegou. Meus amigos jantaram seus miojos de copo enquanto eu fiquei com as sobras e um sanduíche de queijo e presunto.
       
      Depois de um banho quente e uma contemplada num dos céus mais bonitos que já vi na vida, parti para a cama, ou melhor, saco de dormir. Vini não teve tanta sorte, preocupado acompanhando um rato que apareceu atrás de sua barraca.
       
      Distância percorrida no dia: 26 km.
       
      4° dia
       
      Amanheceu um dia chuvoso e mais frio que o anterior. Nesse momento meus lábios já haviam ressecado o suficiente para rachar, e a situação só foi piorando, já que não tinha nada para botar neles. Em virtude de nosso atraso, decidimos que somente eu percorreria a segunda perna do circuito W, os demais seguiriam ao acampamento Paine Grande a 13 km e nos encontraríamos lá no fim do dia.
       

       
      Com isso, enquanto eles descansavam, tomei um litro de leite e coloquei a roupa impermeável para a caminhada. Pouco depois surgiu o sol, que me obrigou a trocar as vestimentas novamente.
       
      Continuei ao longo do belo Lago Nordenskjöld, já mirando o Cerro Paine Grande.
       

       
      Passei o acampamento Italiano, onde começava a subida do Vale do Francês. A difícil ascensão margeava um rio, geleiras e o cume da montanha, de impressionantes 3050 metros, ligeiramente superior à mais alta montanha brasileira.
       

       
      Nessa hora tive que pôr novamente uma roupa mais propícia ao frio e vento que fazia. Parei para comer uma maçã no mirante intermediário, de onde a maioria dos caminhantes e seus bastões não passam, e continuei subindo. Já estava bastante cansado e até um pouco atrasado no horário, quando fui agraciado por uma precipitação diferente. Pela primeira vez na vida presenciei a neve caindo sobre mim!
       

       
      O êxtase me deu forças para o trecho final mais duro, até o Mirador Británico. Infelizmente o clima frio e nublado não ajudou nas fotos e esgotou a bateria da minha câmera novamente, restando o guerreiro celular. Paciência, mas fiquei bem de boa lá no topo enquanto almoçava e admirava a paisagem sem uma viva alma em volta.
       

       
      A possível continuação da trilha estava fechada, então tive que descer. Atravessei a extensa floresta carbonizada, resultado de um incêndio de grande proporção causado por um israelense em 2012, fato que motivou a proibição de fogueiras no parque.
       

       
      Novamente no final da tarde, cheguei ao acampamento. Depois do jantar provamos o excelente licor de calafate que tínhamos comprado na fronteira, recomendo!
       
      Como não havia árvores no camping, o vento soprava mais forte, tanto que praticamente destruiu nossa outra barraca.
       
      Distância percorrida no dia: 23 km.
       
      5° dia
       
      Esgotado das noites mal dormidas e caminhadas sem fim, partimos para o terceiro e esperado último dia de trilhas.
       
      Um aviso de amigo, não experimentem brincar com a flor da foto abaixo. Isso me custou um bocado de tempo para conseguir remover os espinhos que grudam individualmente na roupa.
       

       
      Continuando, avistamos belos icebergs na borda do Lago Grey, sinal de que a geleira estava se aproximando.
       

       
      E foi bem isso. Um pouco depois chegamos ao mirador do Glaciar Grey, onde a longuíssima geleira avança sobre o lago de mesmo nome e sobre uma ilha que a contém.
       

       
      Naquele momento, decidimos que não iríamos até o refúgio Grey, pois o horário do barco não era compatível com o nosso. Assim, voltamos até o Paine Grande e descemos até o acampamento Las Carretas, um dos trechos menos frequentados do parque e já fora do circuito W.
       

       
      Apesar das belas paisagens iniciais, a maior parte dos 17 km seguintes seria bastante monótona, uma pradaria sem fim, com poucas aves passando. Ao menos o trajeto era plano.
       

       
      Ao chegar ao camping desprovido de qualquer infraestrutura, a decisão mais difícil: ter outra péssima noite ali ou arriscar seguir caminho e conseguir carona para voltar à outra portaria onde estava o carro, há quase 50 km dali? Escolhemos a segunda opção. Chegamos à sede do parque onde passava a estrada, mas os poucos veículos que passavam em sentido norte naquele fim de dia eram transportes dos hotéis. Com isso, tivemos que pedir clemência ao responsável pela sede, um senhor que nos deixou acampar ao lado do prédio que fica na margem do Lago Toro. O senhor foi tão gentil que até me passou a senha do wifi, e eu pude avisar para minha mãe que ainda estava vivo.
       
      Improvisamos um conserto para que a segunda barraca pudesse passar sua última noite conosco antes de ir dessa para melhor. Os únicos ruídos dessa noite foram dos ventos uivantes e dos roncos do Vini.
       
      Distância percorrida: 29 km. Total: Cerca de 78 km, com um baita peso nas costas e elevações constantes de 50 a 850 metros!
       
      6° dia
       
      Começamos bem o dia. O segundo carro que passou, com um simpático casal de italianos, deu carona para nós e para nossas mochilas até a portaria do parque.
       
      Uma hora depois lá estávamos de volta. Juntamos os últimos 8 dólares que tínhamos para pagar o translado até o hotel para eu retirar o carro.
       
      No caminho até a fronteira, flagramos um bando de condores andinos.
       

       
      Depois do almoço e e da aduana, voltamos por um atalho de estrada de chão, frequentado mais por animais do que humanos.
       

       
      De volta à cidade no meio da tarde, fomos direto para o Parque Nacional Los Glaciares. O parque, pago, consiste em uma estrada que costeia um rio até a principal atração de El Calafate, o Glaciar Perito Moreno.
       
      Plataformas te deixam bem próximo da geleira, a ponto de ver e ouvir com clareza os pedaços de gelo se partindo e desabando na água.
       

       
      As colunas de gelo de 60 m de altura que se estendem por até 5 km e que crescem e se despedaçam constantemente, são mais uma paisagem indescritível, especialmente durante o pôr-do-sol.
       

       
      Quando saímos do parque já anoitecia. A quantidade de lebres que passa pela estrada é surpreendente. Especialmente pela rota 60, que é de chão em meio a fazendas. Cruzamos por dezenas delas, felizmente nenhuma atropelada.
       

       
      Eu e Vini dormimos no mesmo hostel de antes, enquanto que Raquele, que ficaria mais um dia na cidade, foi para outro.
       
      7° dia
       
      Cedinho pegamos o voo para Ushuaia, ou “Uçuaia”, como dizem os argentinos. Peguei umas dicas valiosas no centro de informações do aeroporto e, claro, carimbei meu passaporte com o selo do fim do mundo.
       
      Como Ushuaia é uma zona franca, as coisas custam consideravelmente mais barato que em El Calafate. Sendo assim, consegui finalmente almoçar de verdade, no restaurante El Turco, que fica na principal avenida do centro, a San Martín. Ushuaia não tem o mesmo charme de El Calafate, mas ainda assim é agradável. Dentro das construções climatizadas, claro, pois os ventos e baixas temperaturas limitavam as caminhadas, sobretudo em dias nublados e à noite.
       

       
      Reservamos o passeio pelo Canal de Beagle, escolhendo o de 750 pesos, que passava pelas ilhas dos passeios padrão e mais a dos pinguins. Estava um pouco receoso pelo alto custo, mas posso dizer que valeu muito a pena. O passeio de quase 7 h começa passando por ilhotas cobertas de colônias de aves, principalmente o cormorão, que à distância parece um pinguim. Além destes, há gaivotas, trinta-réis, albatrozes, entre outras espécies menos frequentes.
       

       
      Pouco à frente fica a Ilha dos Lobos Marinhos, que abriga algumas dezenas desses animais tranquilos.
       

       
      Continuando, se passa pelo Farol Les Eclaireurs e mais outro bando de aves iguais continuando por um bom trecho sem ilhas, com raros povoados no lado argentino do canal e o vilarejo de Puerto Williams, que disputa com Ushuaia o título de cidade mais austral do mundo, e talvez não o seja pelo fato da população ter menos de 3000 habitantes, sendo a maioria militares e pescadores.
       

       
      Em seguida a embarcação passa por uma estrutura geológica formada na glaciação, e após contorná-la, chega ao destino final, a Ilha Martillo, mais conhecida como Pinguinera.
       

       
      Incontáveis pinguins-de-magalhães se reúnem nesse pedaço de terra como parte do seu ciclo de vida, e nos brindam com essa exibição incrível. Junto a eles aparecem algumas aves oportunistas, como escuas e urubus, além de 2 outras espécies de pinguim: o Papua, que é a ave mais veloz na água, e o Rei, que é mais raro e maior que os outros que passam por lá.
       

       
      Quem tem muita sorte, como a Raquele que foi no dia seguinte, consegue ver alguma baleia pelo meio do canal. Para os demais, resta o longo retorno assistindo documentários sobre a Terra do Fogo e os pinguins na cabine climatizada, ou então babando no sofá como meu amigo.
       
      À noite, eu e Vini jantamos em um lugar animado da Av. San Martín chamado Chester. Comi eu queria muito comer queijo Roquefort, uma iguaria barata na Argentina, pedi uma pizza de 4 queijos só para mim, já que ele não queria. Enquanto comíamos e tomávamos a ótima cerveja vermelha da marca local Beagle, passava um pot-pourri de clipes de rock das décadas passadas. É um bom lugar para um esquenta.
       

       
      Retornamos em seguida ao bom hostel Yakush para dormir em seus colchões moles.
       
      8° dia
       
      Às 10 h pegamos o transporte que sai de hora em hora da estação rodoviária para o Parque Nacional da Terra do Fogo. Duzentos pesos para ida e volta e mais 100 para entrada no parque.
       
      Começamos pela trilha que segue pela costa da Baía Lapataia, em meio às 3 espécies de árvore do gênero Nothofagus, as mesmas que havia em Torres del Paine. Não possuía grandes novidades, além de alguns passarinhos, chumaços de algas-pardas, mexilhões e grãos de areia acinzentados.
       

       
      Em meio à trilha estávamos morrendo de calor pela quase ausência de vento, mas quando fomos para as demais o tempo virou. Veio uma brisa do capeta e uma chuva bem chata.
       
      Uma das trilhas levava até um observatório de aves, embora nenhuma nova naquele dia. A outra até uma turfeira gigante, causada pela matéria orgânica lentamente sendo decomposta no frio e umidade do lugar.
       

       
      A última trilha nos mostrava o estrago causado pelos castores, resultado de mais uma introdução de espécie exótica desastrosa. A castoreira represa a água em um ponto e alaga uma baita área, onde morrem essas árvores de lento crescimento.
       

       
      Retornando, ainda tivemos sorte de observar uma raposa se alimentando.
       

       
      Nosso transporte de volta sairia às 19 h, como ainda tinha um bom tempo fomos até a cafeteria que ficava um pouco distante. Chegamos às 18:05 h, e para nossa surpresa, já estava fechada! Assim, tivemos que aguardar na sarjeta junto com um chinês maluco que ficava fotografando cavalos em atividade de cópula a nossa frente.
       
      No retorno ao hostel conhecemos uma dupla de brasilienses, Edgar e Conceição. Tentamos ir a um pub, mas o lugar não aceitava cartão de crédito, estava cheio e era quente demais. Com isso, eu e Vini jantamos no mesmo lugar da outra noite e depois degustamos um bom vinho que a dupla nos ofereceu no albergue, enquanto o staff reclamava o tempo todo da nossa conversa que beirava uns 50 decibéis. Apesar desse cara chato, a ruiva da manhã é bastante simpática.
       
      9° dia
       
      Vini partiu de manhã cedo de volta ao Rio.
       
      Depois de um café-da-manhã reforçado, lamentavelmente sem frutas como no albergue anterior, saí para uma caminhada. Infelizmente escolhi o dia errado para as compras, pois no domingo a maioria das lojas, inclusive as de equipamentos de aventura, estava fechada. Consegui apenas comprar souvenires e ir ao supermercado pegar um bocado de alfajores de 4 pesos cada.
       
      Na ida para o almoço, encontrei Raquele voltando de um passeio e ela encontrou outra brasileira que tinha conhecido na viagem. Fomos os 3 almoçar no Banana Bar. O lugar também sai bem em conta, mas precisa urgentemente de mais de uma garçonete para atender todo mundo. Provei a outra marca de cerva, a Cape Horn. Boa, mas ainda fico com a Beagle.
       

       
      No retorno, pausa para um chocolate quente. Depois disso fiquei matando o tempo no albergue, pois estava cansado para ainda visitar o Cerro Martial, a outra atração da cidade, e sem dinheiro vivo para os museus. Peguei o táxi e quando fui embarcar descobri que tinha uma maldita taxa de 28 pesos separada da passagem para pagar em dinheiro.
       
      USH-AEP, EZE-POA e finalmente de volta direto ao trabalho!
       

       
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