Com uma altitude de 1181 metros, o acesso ao Corcovado se dá através da cidade de Ubatuba, litoral norte, por uma trilha pesada de aproximadamente 5 horas que começa ao nível do mar. Diferentemente do Corcovado do Rio, não há trens ou vans subindo até o topo e você terá que caminhar por uma selva cheia de cobras, onças e lagartos. Se só de saber isso, você já desaminou, saiba que a vista do topo compensa o esforço e deixa o outro Corcovado no chinelo.
Pois bem. A missão dessa vez foi feita com Léo, aqui de Sampa. Aproveitamos o feriado do dia 20/11 e saímos da capital na quinta-feira bem cedo rumo à Ubatuba. A viagem demorou cinco horas devido ao trânsito na Ayrton Senna. O fiestinha 96 aguentou bem a descida e não tivemos problemas para acessar o local. A trilha começa na casa do Senhor Tosaki, no bairro do Corcovado. Para acessá-lo, entre à esquerda no km 69 da rodovia Rio-Santos, sentido centro de Ubatuba. Após sair da rodovia, seguimos por 3 km de estrada asfaltada até avistar a placa indicando a trilha à direita. Então entramos em uma estrada de terra e passamos uma ponte. Depois dela, pegamos a segunda à direita e estacionamos o carro no final da estrada que termina em um campo de futebol. Ao lado esquerdo, está a casa do Sr. Tosaki, gente finíssina.
Chegamos lá 12h e decidimos começar a trilha imediatamente. Preparamos todo o equipo e seguimos selva adentro. Ao passar pelo campo, a trilha segue em frente até chegar a uma casa que estava fechada. Ali pegamos à direita e seguimos até uma pinguela. Ao cruzar a pinguela, deveríamos continuar por menos de um minuto e já virar à esquerda fora da “principal”. É ali que começa mesmo a trilha. Só que nós passamos direto e seguimos em frente até um rio. Cruzamos o rio, e mais à frente, cruzamos outro rio. A partir dali, a situação foi se complicando. Diversas bifurcações foram surgindo e nós na verdade se afastamos mais do caminho real. Após algum tempo, nos demos conta de que estávamos perdidos e deveríamos tentar uma aproximação à oeste. Achamos então uma clareira, com diversas garrafas, resquícios de uma fogueira bem feita e acampamentos. Eu julguei então que tínhamos achado a principal, só que não. Havia uma trilha seguindo em frente, mas que não ia a lugar algum e logo terminava. Após alguns momentos de reflexão e considerando o tempo que ainda tínhamos e o cansaço, decidimos adiar a expedição e retornar até a base. Só que não havia retorno de fato. Fizemos um super vara-mato rumo à base. Com o GPS em mãos, chegamos até uma clareira e de lá passamos a seguir os encanamentos que iam em direção às casas. Só que alguns trechos eram bem complicados: ora a vegetação estava bem fechada e com bambus venenosos, ora precisávamos cruzar rios. Em um desses rios, vimos pegadas recentes de onça e sentimos o odor forte da urina delas. Haja coração. Após 2 horas de vara-mato finalmente chegamos até a casa de um nativo e de lá até a estrada asfaltada. Respiramos aliviados. Depois ficamos sabendo que muita gente se perde por lá, às vezes, por dois ou mais dias, por isso é sempre bom ter GPS em mãos e estar preparado. Descansamos na praia e recarregamos a energia para o próximo dia.
Às 6h da manhã, o Sr. Tosaki, junto com uma de suas cadelas Bela, veio até o carro com uma garrafa de café quentinho. Nós estávamos maravilhados com a atitude dele e agradecemos. Ele também nos mostrou o trecho que tínhamos passado batido. De fato, havia uma fita amarrada em uma árvore indicando o caminho à esquerda, mas nós não vimos. Para evitar que futuros aventureiros se percam, nós amarramos uma sacola plástica justamente antes dessa entrada para que outros não se percam por lá. A trilha cruza apenas a pinguela, um rio e logo a seguir um pequeno riacho, então se você cruzar outros rios ou surgirem diversas bifurcações confusas pelo caminho, volte que você errou a entrada.
Começamos a trilha às 9h 30min. Ainda cansados tanto da viagem, quanto da aventura do dia anterior seguimos com tranquilidade. A 210 metros de altitude há uma bifurcação à esquerda que dá acesso a uma pequena corredeira. É possível tomar banho por lá e foi o que fizemos. Seguimos então até a famosa Igrejinha, a 440m, que é na verdade um conjunto de pedras. Léo estava se sentindo extremamente cansado da subida e achamos por bem que ele descansasse um pouco e tirasse até uma soneca. Havia tempo para isso. Eu escalei a pedra com o auxílio de um bambu deixado lá justamente para isso. Do alto dela, já foi possível ter uma idéia do visual que esperava lá no topo. Eu estava com o binóculo e de lá pude ver o carro estacionado, o campo de futebol, uma aldeia indígena e a vila do Corcovado. Após quase uma hora de parada, seguimos bem devagar. A partir dali a trilha vai ficando cada vez mais íngrime. A vegetação alta da Mata Atlântica ajuda a filtrar os raios solares, mas fazia um calor intenso. A 715 metros segundo o GPS, chegamos ao último ponto de água, também em uma bifurcação à esquerda. Fizemos uma parada de meia-hora. A partir dali, subimos direto até a clareira já na crista da montanha, a 1080 metros. Lá, há espaço para diversas barracas e a partir dali, a trilha segue menos inclinada, exceto pelo trecho final. Mais uma hora de caminhada e com um super esforço no último trecho, que é de fato uma escalaminhada, chegamos finalmente ao topo do pico do corcovado, a 1181 metros de altitude, às 16h 30 min, após 7 horas de trilha. Não ha como descrever a sensação de atingir o cume, mas o visual é fenomenal. De lá é possível avistar Ubatuba, Caraguatatuba, Ilha Bela, São Sebastiião, Guarujá, Ilha do Tamanduá, Ilha de Alcatrazes, Serra da Mantiqueira, Serra da Bocaína, Vale do Paraíba etc. Vale a pena ou não? Acampamos por lá, fizemos fogueira, cozinhamos um super macarrão integral com espinafre e orégano e dormimos naquele paraíso. Não havia mais ninguém no topo naquela noite. Apenas alguns lagartões atrás de comida. A volta também foi dura, já que estávamos com um cansaço acumulado de alguns dias. Mas fomos mais rápidos e em apenas 3 horas chegamos até o rio no qual eu simplesmente me joguei para comemorar o sucesso da empreitada. Mais tarde ainda tomamos novamente o café do Sr. Tozaki e por fim partimos rumo à capital já de madrugada.
A trilha exige bastante condicionamento físico e experiência, mas exceto pelo trecho inicial confuso, ela é de fácil navegabilidade já que você estará subindo praticamente o tempo inteiro. Há diversas espécies de cobras pela floresta, algumas venenosas como a Jararaca e a Cascavel, e outras do bem, como a Caninana. Nós vimos duas pelo caminho. Onças, pacas, tamanduás, lagartos e outros animais completam o cenário. Não se aventure por lá sozinho ou sem experiência já que os resultados podem ser desastrosos. A subida exige bastante técnica, já que em alguns trechos um escorregão pode ser fatal. E obviamente se o tempo estiver nublado ou chuvoso, nem pense em seguir em frente. Nós fícamos felizes por ter conseguido, mas Léo disse que não iria se soubesse como seria a trilha. Já eu sigo em frente, em preparo para as próximas que virão. Aquele abraço!
Com uma altitude de 1181 metros, o acesso ao Corcovado se dá através da cidade de Ubatuba, litoral norte, por uma trilha pesada de aproximadamente 5 horas que começa ao nível do mar. Diferentemente do Corcovado do Rio, não há trens ou vans subindo até o topo e você terá que caminhar por uma selva cheia de cobras, onças e lagartos. Se só de saber isso, você já desaminou, saiba que a vista do topo compensa o esforço e deixa o outro Corcovado no chinelo.
Pois bem. A missão dessa vez foi feita com Léo, aqui de Sampa. Aproveitamos o feriado do dia 20/11 e saímos da capital na quinta-feira bem cedo rumo à Ubatuba. A viagem demorou cinco horas devido ao trânsito na Ayrton Senna. O fiestinha 96 aguentou bem a descida e não tivemos problemas para acessar o local. A trilha começa na casa do Senhor Tosaki, no bairro do Corcovado. Para acessá-lo, entre à esquerda no km 69 da rodovia Rio-Santos, sentido centro de Ubatuba. Após sair da rodovia, seguimos por 3 km de estrada asfaltada até avistar a placa indicando a trilha à direita. Então entramos em uma estrada de terra e passamos uma ponte. Depois dela, pegamos a segunda à direita e estacionamos o carro no final da estrada que termina em um campo de futebol. Ao lado esquerdo, está a casa do Sr. Tosaki, gente finíssina.
Chegamos lá 12h e decidimos começar a trilha imediatamente. Preparamos todo o equipo e seguimos selva adentro. Ao passar pelo campo, a trilha segue em frente até chegar a uma casa que estava fechada. Ali pegamos à direita e seguimos até uma pinguela. Ao cruzar a pinguela, deveríamos continuar por menos de um minuto e já virar à esquerda fora da “principal”. É ali que começa mesmo a trilha. Só que nós passamos direto e seguimos em frente até um rio. Cruzamos o rio, e mais à frente, cruzamos outro rio. A partir dali, a situação foi se complicando. Diversas bifurcações foram surgindo e nós na verdade se afastamos mais do caminho real. Após algum tempo, nos demos conta de que estávamos perdidos e deveríamos tentar uma aproximação à oeste. Achamos então uma clareira, com diversas garrafas, resquícios de uma fogueira bem feita e acampamentos. Eu julguei então que tínhamos achado a principal, só que não. Havia uma trilha seguindo em frente, mas que não ia a lugar algum e logo terminava. Após alguns momentos de reflexão e considerando o tempo que ainda tínhamos e o cansaço, decidimos adiar a expedição e retornar até a base. Só que não havia retorno de fato. Fizemos um super vara-mato rumo à base. Com o GPS em mãos, chegamos até uma clareira e de lá passamos a seguir os encanamentos que iam em direção às casas. Só que alguns trechos eram bem complicados: ora a vegetação estava bem fechada e com bambus venenosos, ora precisávamos cruzar rios. Em um desses rios, vimos pegadas recentes de onça e sentimos o odor forte da urina delas. Haja coração. Após 2 horas de vara-mato finalmente chegamos até a casa de um nativo e de lá até a estrada asfaltada. Respiramos aliviados. Depois ficamos sabendo que muita gente se perde por lá, às vezes, por dois ou mais dias, por isso é sempre bom ter GPS em mãos e estar preparado. Descansamos na praia e recarregamos a energia para o próximo dia.
Às 6h da manhã, o Sr. Tosaki, junto com uma de suas cadelas Bela, veio até o carro com uma garrafa de café quentinho. Nós estávamos maravilhados com a atitude dele e agradecemos. Ele também nos mostrou o trecho que tínhamos passado batido. De fato, havia uma fita amarrada em uma árvore indicando o caminho à esquerda, mas nós não vimos. Para evitar que futuros aventureiros se percam, nós amarramos uma sacola plástica justamente antes dessa entrada para que outros não se percam por lá. A trilha cruza apenas a pinguela, um rio e logo a seguir um pequeno riacho, então se você cruzar outros rios ou surgirem diversas bifurcações confusas pelo caminho, volte que você errou a entrada.
Começamos a trilha às 9h 30min. Ainda cansados tanto da viagem, quanto da aventura do dia anterior seguimos com tranquilidade. A 210 metros de altitude há uma bifurcação à esquerda que dá acesso a uma pequena corredeira. É possível tomar banho por lá e foi o que fizemos. Seguimos então até a famosa Igrejinha, a 440m, que é na verdade um conjunto de pedras. Léo estava se sentindo extremamente cansado da subida e achamos por bem que ele descansasse um pouco e tirasse até uma soneca. Havia tempo para isso. Eu escalei a pedra com o auxílio de um bambu deixado lá justamente para isso. Do alto dela, já foi possível ter uma idéia do visual que esperava lá no topo. Eu estava com o binóculo e de lá pude ver o carro estacionado, o campo de futebol, uma aldeia indígena e a vila do Corcovado. Após quase uma hora de parada, seguimos bem devagar. A partir dali a trilha vai ficando cada vez mais íngrime. A vegetação alta da Mata Atlântica ajuda a filtrar os raios solares, mas fazia um calor intenso. A 715 metros segundo o GPS, chegamos ao último ponto de água, também em uma bifurcação à esquerda. Fizemos uma parada de meia-hora. A partir dali, subimos direto até a clareira já na crista da montanha, a 1080 metros. Lá, há espaço para diversas barracas e a partir dali, a trilha segue menos inclinada, exceto pelo trecho final. Mais uma hora de caminhada e com um super esforço no último trecho, que é de fato uma escalaminhada, chegamos finalmente ao topo do pico do corcovado, a 1181 metros de altitude, às 16h 30 min, após 7 horas de trilha. Não ha como descrever a sensação de atingir o cume, mas o visual é fenomenal. De lá é possível avistar Ubatuba, Caraguatatuba, Ilha Bela, São Sebastiião, Guarujá, Ilha do Tamanduá, Ilha de Alcatrazes, Serra da Mantiqueira, Serra da Bocaína, Vale do Paraíba etc. Vale a pena ou não? Acampamos por lá, fizemos fogueira, cozinhamos um super macarrão integral com espinafre e orégano e dormimos naquele paraíso. Não havia mais ninguém no topo naquela noite. Apenas alguns lagartões atrás de comida. A volta também foi dura, já que estávamos com um cansaço acumulado de alguns dias. Mas fomos mais rápidos e em apenas 3 horas chegamos até o rio no qual eu simplesmente me joguei para comemorar o sucesso da empreitada. Mais tarde ainda tomamos novamente o café do Sr. Tozaki e por fim partimos rumo à capital já de madrugada.
A trilha exige bastante condicionamento físico e experiência, mas exceto pelo trecho inicial confuso, ela é de fácil navegabilidade já que você estará subindo praticamente o tempo inteiro. Há diversas espécies de cobras pela floresta, algumas venenosas como a Jararaca e a Cascavel, e outras do bem, como a Caninana. Nós vimos duas pelo caminho. Onças, pacas, tamanduás, lagartos e outros animais completam o cenário. Não se aventure por lá sozinho ou sem experiência já que os resultados podem ser desastrosos. A subida exige bastante técnica, já que em alguns trechos um escorregão pode ser fatal. E obviamente se o tempo estiver nublado ou chuvoso, nem pense em seguir em frente. Nós fícamos felizes por ter conseguido, mas Léo disse que não iria se soubesse como seria a trilha. Já eu sigo em frente, em preparo para as próximas que virão. Aquele abraço!
Lucas Ramalho
Editado por Visitante