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Olá viajante!

Bora viajar?

Mochilão Peru-Bolívia 15 dias =)

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Queria agradecer imensamente a todas as dicas que os outros mochileiros deram sobre o Peru e a Bolívia as quais com certeza contribuíram, e muito, para o sucesso da minha viagem realizada agora em outubro. Eu pretendo retribuir com o seguinte relato para assim ajudar os próximos mochileiros que resolverem se embrenhar nas belezas e loucuras desses países vizinhos. Eu ainda não terminei mas espero que eu consiga colocar um pouco por dia para assim inspirar quem pretende se aventurar pela nossa América do Sul!

*

Lima

 

A ideia da viagem surgiu em uma conversa que tive com meu irmão Henrique em meados de março. Eu tinha umas milhas para vencer e então eu fiz a proposta: “E ai, vamos viajar?”. Ele não hesitou nem um segundo e ainda emendou: “Quero conhecer Machu Picchu”. Sempre quis conhecer o deserto do Atacama no Chile, mas como tínhamos apenas 15 dias resolvemos colocar a Bolívia no meio – por ser mais barata e mais perto de casa. Pensei que o Chile, com seus vinhos e charmes poderia ser visitado em uma próxima ocasião onde ele seria o único protagonista.

A primeira passagem que compramos foi a volta de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, para São Paulo que custou 20.000 milhas e uma taxa de R$ 350,00 pela Gol. Demorou uns dois meses para conseguimos juntar as 24.000 milhas necessárias para irmos para Lima pela TAM/LAN, também saindo de São Paulo, e no final completamos o que faltava com o programa “Quilômetros de vantagens” dos postos Ipiranga.

 

Então o começo e o fim estavam definidos faltava completar o meio. Sabia que seria bom ter Lima como ponto de partida e depois ir descendo rumo ao Brasil. De volta para casa.

O roteiro definido no final foi: Lima – Cusco – Águas Calientes – Cusco – Puno – Copacabana- La Paz- Uyuni - Sucre – Santa Cruz de La Sierra – São Paulo. Quase todas as passagens e hospedagens nós compramos daqui do Brasil o que foi um erro em alguns momentos e um acerto em outros.

 

Nós levamos 3,5 mil reais distribuídos e 340 dólares em dinheiro vivo que colocamos em 6 pacotes. O Henrique andava com uma doleira e eu colocava mais três pacotes, dois na bota e um em uma cinta embaixo do sutiã. Foi uma ótima estratégia. Eu fui furtada em Barcelona e depois disso prometi que para tirar algo que me pertencia ia ter que arrancar de mim. Eu fui um pouco neurótica, não larguei o dinheiro nem um segundo, mas no final deu certo. Com os passaportes idem. Também levamos RG porque é aceito caso acontecesse alguma coisa. E fizemos um seguro de viagem que não é obrigatório para viajar pela AL, mas mesmo assim achamos melhor. Não levamos cartão nem VTM então se acontecesse algo o plano era pedir asilo na embaixada... rs...

 

Quando chegamos a Lima encontramos um clima agradável e a primeira coisa que fez realmente falta foi uma caneta. O voo da LAN foi sensacional, empresa muito boa, chegamos pontualmente na hora prevista, mas a fila da imigração nos deixou uma hora em pé, principalmente porque resolvemos preencher o formulário de imigração depois de descermos do avião. A imigração é ok, mas é importantíssimo guardar o papel que eles te devolvem do formulário – se possível prendam de alguma forma no passaporte. Pelo menos no Peru te pedem passaporte em todos os lugares assim como esse cartão da imigração. Apesar de aceitar RG eu aconselho a levar o passaporte – menos dor de cabeça. Vimos um dos guardas da fronteira encrencando com um casal de brasileiros.

 

O primeiro contato com o Peru foi com o táxi assim que saímos do guichê. Chegamos perto da meia noite (são duas horas a mais) e a primeira oferta foi 45 dólares para irmos até Miraflores onde ficava nosso hostel. Ficava um pouco longe e eu me arrependi momentaneamente por não ter escolhido um local para ficar mais perto do aeroporto porque nosso voo para Cusco ia sair às 8h30 do dia seguinte. Mas no caminho eu vi que Callao, o distrito que fica na proximidade do aeroporto, era um bairro meio estranho e escuro. Achei que foi uma boa então.

 

Quando saímos um taxista nos abordou que fez por 77 solis e como estávamos cansados e loucos por uma cerveja e não discutimos muito. Realmente o caminho era longo e o Orlando, o motorista, foi um verdadeiro guia contando um pouco da história da capital. O câmbio que fizemos no aeroporto foi de R$ 1 para 1,03 Solis contando com os 3% da taxa de câmbio. Isso já deu uma assustada porque eu contava que o Real valesse mais.

DICA: No decorrer da viagem, percebi que a levar dólar em espécie com certeza é a melhor forma de viajar. Eu já sabia disso, mas deixamos para comprar os dólares bem próximo da viagem (dia 09 de outubro,) que por sua vez era muito próximo do primeiro turno então ele estava bem caro e levamos apenas alguns e o resto em Real. Um erro porque o Real varia muito de cidade para cidade enquanto o dólar é estável. Sem contar que muitas coisas podem ser pagas em dólar e vale a pena porque a cotação que eles usam na conversão é muito alta, cerca de 2,91 Solis para US$1.

 

Lima é uma cidade parecida com algumas capitais do Brasil que ficam no litoral. É grande, com ruas largas e construções históricas e tem mais ou menos 8,5 milhões de habitantes. É dividida em bairros que funcionam como distritos e possuem certa autonomia dentre si. Miraflores , onde ficamos, é um deles. É um lugar bem charmoso, com bons restaurantes e me disseram que tem um sítio arqueológico recém-descoberto bem no meio. O hostel que escolhemos foi o Pariwana (Av. Larco 189, Miraflores) e recomendo. Fica em um casarão histórico, muito confortável e tem cara de hostel mesmo: com cozinha e área de lazer. Infelizmente ficamos muito pouco e não podemos aproveitar. Combinamos com o Orlando para nos buscar as 6h00, queríamos marcar mais tarde, mas ele insistiu que deveríamos chegar duas horas antes.

 

Depois do check-in saímos para dar uma volta e eu me senti segura apesar de ser quase uma da manhã. Paramos em uma pizzaria e pedimos uma Cusqueña deliciosa e razoavelmente gelada. Achei cara: 15 Solis uma garrafa de 600ml.

 

No outro dia acordamos e o Orlando estava lá na porta. Ai quando chegamos ao aeroporto o Henrique deu 70 Solis e ele não disse nada apenas pegou. Acho que na realidade o valor era menor, mas estávamos no começo da viagem e ainda não tínhamos pegado o espírito da coisa e o Henrique é muito tranquilo “deixa para lá”. O lance é que no Peru é assim: eles não devolvem troco e eles vão te enganar com o preço. Mas partindo da máxima que turista nasceu para ser enganado, deixamos quieto. Dá um pouco de medo pegar táxi por lá. Não existe um padrão nem uma identificação e taxímetro – lenda. Comecei a achar que o Brasil era um país organizado. Nada como uma imersão em culturas diferentes.

 

No final eu até agradeci ao Orlando porque o guichê da Star Peru estava o verdadeiro caos e se não tivéssemos chegado duas horas antes com certeza tínhamos perdido o vôo. Nós compramos as passagens pela internet direto do site da Star Peru – custou US$ 85,00. Com as taxas de embarque, IOF... ficou mais ou menos R$ 300,00 na época (o dólar estava R$ 2,50). A companhia é aceitável. O avião era meio velho, mas pelo menos eles davam chá de coca e um salgadinho horrível feito de Abas que até hoje eu não sei o que é. O Henrique achou ‘de boa’ mas ele também não é parâmetro porque para ele TUDO sempre estava bem.

 

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Cusco

 

Tudo que eu contar aqui nesse relato eu ouvi da boca do povo peruano. Não fui atrás de saber se é verdade ou não. Cada um que eu encontrava tinha a sua própria versão dos fatos e eu fiquei realmente curiosa em saber com mais detalhes sobre oImpério Inca que se consolidou quando o nono imperador, o poderoso Pachakutic , que em quéchua, principal língua dos Incas, significa “aquele que move a terra” assumiu o trono. Pachakutic era gigante, tinha dois metros de altura, era sábio, um exímio arquiteto, um poderoso guerreiro e “muy mujerengo” como disse nosso guia. Disseram que ele teve mais de 100 filhos. Subjulgou os outros povos e assim ampliou as fronteiras do império Inca que em seu auge abrangia o Equador, a Colômbia, o Peru, uma parte da Bolívia, Argentina e do Chile. A capital desse vasto território ficava concentrada em Quosquo – o umbigo do mundo. Quando chegamos lá, demos de cara com a primeira das inúmeras estátuas do imperador. O taxista (todo taxista no Peru é um guia) começou o relato: Cusco foi construída em forma de um puma, um dos símbolos do Peru ao lado da serpente e do condor.

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Ao contrário do que eu pensei, o apogeu do Império Inca durou apenas cem anos – de 1430 a 1530 quando os espanhóis chegaram. Na época, o Imperador era Ataw Wallpa que caiu em uma cilada ao ser convidado para um jantar com o conquistador espanhol Franscisco Pizzaro encarregado de tornar a região em um vice-reinado da Espanha. Ali, no meio da Plaza de Armas, a praça central de Cusco, Ataw Wallpa jogou uma bíblia no chão ao ser coagido por um padre a se submeter às regras do Reinado da Espanha e aceitar a religião católica. Ele foi preso no Templo do Sol (La Quoricancha – Templo dourado, em quéchua) e condenado. Antes da sua execução, arrancaram os olhos e a língua diante de todo o povo. O nome para a Plaza das Armas em quéchua significa Choro.

 

Os espanhóis destruíram o Templo e hoje funciona uma igreja, o Convento São Domingos. Quem já foi para a Espanha vai notar a incrível semelhança das construções na praça principal a Plaza das Armas. A opressão corre no sangue do povo até hoje: eles são calados, taciturnos, não sorriem com facilidade. Trabalham de Sol a Sol, segunda a segunda. Os comércios sempre estão abertos mesmo aos domingos. Não vi um peruano fumando ou bebendo. É um povo pobre, sofrido, mas não vi uma prostituta, um boteco e muitos poucos mendigos.

 

Ficamos no Wild Rover em uma das ruas centrais. O taxista cobrou 20 Solis mas foi porque eu negociei ele queria cobrar 30. Tenho certeza que é mais barato ainda porque o site do hostel disse que custava de 5 a 8 Solis do aeroporto até lá. Como o check-in abre só as 14h00 nós resolvemos dar uma volta pela cidade e resolvermos a nossa ida para Machu Picchu. Primeiro fizemos o câmbio em um banco que fica nos arredores da Plaza das Armas e foi a melhor cotação do Peru para Real: 1,04. Se por acaso vocês levarem Real não caiam na besteira de trocar apenas uma parte do dinheiro que nem eu e o Henrique fizemos esperando achar um câmbio melhor. Se achar um valor razoável, troca uma quantia razoável porque vai ser difícil achar um valor mais alto.

Almoçamos em um restaurante na rua mesmo do hostel, comemos um ceviche maravilhoso e tomamos pela primeira vez chicha morada – a bebida típica feita de milho. Estava boa.

 

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Meu plano inicial era fechar com alguma agência de turismo o passeio do Vale Sagrado e depois ficar em Ollantaytambo e pegar o trem para Águas Calientes (AC) . Entramos em umas três agências que cobravam preços similares... mas como tudo no Peru era só chorar um pouco que rolava um desconto.

DICA: Um dos principais erros do meu roteiro foi ter reservado o hostel em Águas Calientes aqui no Brasil. As excursões oferecem a hospedagem inclusa no passeio e geralmente são bem baratas. Não sei se são bons ou não. Uma referência legal de hostel que nos disseram é um que chama Supertramp (o nome é de bom gosto...) que um amigo disse que tem um hambúrguer barato maravilhoso e revigorante para quem desce de MP.

 

 

Então eu descobri que existem vários e vários jeitos de chegar em MP e é engraçado que depois que fomos para lá, encontramos muitas e muitas pessoas que tinham chegado de todas as formas possíveis. O jeito mais cômodo, e claro o mais caro, é pagar a excursão padrão que inclui: translado até Ollantay + passagem de trem até AC + entrada para MP + guia + ônibus para chegar em MP +hospedagem. Custa cerca de US$ 250, mas achamos caro e então ficamos na dúvida.

Quando descemos no aeroporto fomos direto para uma barraquinha da Peru Rail que tinha lá e descobrimos que: 1º as passagens para a noite do dia que queríamos tinham acabado e 2º eles não aceitam dinheiro vivo, apenas cartão. Ou seja, a única coisa que merece ser comprada com antecedência do Brasil é a passagem de trem e foi também a única coisa que não fizemos com antecedência...rs.. mas tudo bem. Clima de festa.

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O trecho da estrada que liga Ollantay até AC é monopolizado por duas companhias férreas: a Perurail, um consórcio de uma empresa chilena com uma inglesa, ou a InkaRail que é peruana e mais em conta. Esse trem é caro e é pago em dólar.

Existem outros jeitos de chegar em MP: pela trilha inca de três dias, pela trilha inca de cinco dias, ir de trem descer na hidroelétrica e subir caminhando, pegar o trem até AC e subir caminhando...o jeito mais barato e mais roots é ir de carro até Santa Teresa, uma cidade que fica do outro lado de MP, em uma viagem que demora cerca de seis horas, depois pegar um ônibus ou um táxi até a hidroelétrica e subir caminhando... O que eu sei com certeza: no meio desse leque de possibilidades explicado em espanhol com o sotaque de “quero passar a perna em vocês”, o Henrique estava de saco cheio querendo cerveja. Ele não reclamava de nada apenas quando passava da hora de beber.

 

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Ai por causa do eminente mau humor da abstinência do meu irmão eu resolvemos cancelar a ida ao Vale Sagrado porque não tinha passagem mesmo para domingo à noite. Resolvermos fazer tudo por conta, fomos na PeruRail (fica na Plaza das Armas e é a única agência que aceita dinheiro vivo) porque não achamos a InkaRail (queríamos ter comprado para ajudar a indústria peruana) e compramos as passagens saindo de Ollantay 12h30 e a volta para terça às 8h30 da manhã porque eram os horários mais em conta. Melhor comprar a ida e a volta de uma só vez - custa mais ‘barato’ e foi US$ 114 para cada um. Achei caro. No final, se não tivéssemos reservado o hostel antes dava para pegar uma das excursões que acho que sairia o mesmo preço. A moça da PeruRail nos deu o nome de uma rua que saia as van de Cusco para Ollantay e custavam 10 solis.

Com tudo resolvido, rumo à cerveja.

 

Quando voltamos para o WildRover aconteceu a primeira coisa chata: eles colocaram a gente em um quarto menor e mais caro. Como era o começo da viagem, eu não reclamei. Mas achei chato eles terem mudado sem avisar e nem pedir permissão. O nosso quarto era de quatro camas e ficava bem no meio da área principal. O Wild Rover é um estilo de hostel que acho que ainda não existe no Brasil. Funciona mais como um party-hostel, na real é uma balada, com quartos ao redor. Não tem cozinha, por exemplo.

 

Eu fui dar uma deitada para descansar um pouco e o Henrique saiu para falar com a namorada. Depois de umas duas horas, eu me arrumei, tomei banho e quando estava saindo o desgraçado me aparece bêbado porque tinha começado o Happy Hour... tava tendo October Fest então tinha um milhão de gringos loucos, fantasiados com roupas ridículas fazendo idiotice, tipo se pendurando e dançando pelados no balcão. O Henrique foi dormir até começar o Happy Hour de novo...e eu fui beber umas com um dos nossos companheiros de quarto, um irlandês que até hoje eu não sei direito o nome. Eu me apresentei, me desculpei porque não falava inglês fazia tempo e ele simplesmente disse: “Tudo bem, eu não sei falar português”. Ele era bem legal.

 

Depois o Henrique acordou, conhecemos dois brasileiros, a Gisele e o Thiago, e resolvemos sair do hostel ver como que funciona a balada em Cusco. Quase todas ficam na Plaza das Armas e fomos ao Mama Africa porque ia ter salsa. Queria escutar música latina. Na verdade, queria achar um lugar onde tocasse música peruana ou onde eu descobrisse como eles festejam. Mas aparentemente os peruanos não saem e todas as baladas são voltadas para estrangeiros. Pelo menos as acessíveis. O Mama Africa estava fechado ainda então ficamos em um bar que fica embaixo chamado Mushrooms enchendo a cara de mojitos. A garçonete era argentina e ficava tirando com a nossa cara porque tínhamos achado muito estranho ela não anotar nada nunca. “Vocês, brasileiros, fazem umas perguntas estranhas. Eu estou anotando tudo de cabeça”. A gente que é estranho.

 

Ai ficamos bêbados e resolvemos tentar entrar em uma balada em um outro hostel e no final das contas saímos andando e fomos parar de novo no Wild Rover... era tipo uma da manhã e o ambiente tinha mudado totalmente. Os gringos malucos e pelados ainda estavam lá, mas estava muito mais animado do que estava. Ficamos lá bebendo e conversando e quando deu umas duas eu resolvi dormir. Estava com muito sono já que a gente tinha praticamente varado a noite anterior.

No meio da noite o Henrique me acorda e diz que o cara embaixo do meu beliche estava vomitando na cama. A coisa mais estranha é que não fedia a vômito. A gente pulou e virou o cara de lado. Não sabíamos se a gente o acordava ou não. Como ele estava razoavelmente melhor, a gente deixou ele lá. No dia seguinte, antes de levantar da cama, eu perguntei para o irlandês se o cara estava bem... e o cara respondeu com uma voz de desenho animado que estava muito bem. Parecia uma voz do South Park. Ele falava tipo 897 fucks por segundo e chamava Kevin. Ele era engraçado.

 

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Eu e o Henrique saímos por ai andando... comemos em um café perto do La Quoricancha que chama La Cholita que foi bem barato. Pedimos até uma torta de limão que custou 5 solis e foi eleita 5 vezes pela Revista Veja como a PIOR torta do mundo. Sério, era simplesmente horrorosa.

Resolvemos esperar pelo Free Walk Tour que estava sendo divulgado no hostel. O Kevin (o gringo que gorfava ) disse que não gostava muito dessas coisas mas que tinha achado tranquilo. Eu e o Henrique ficamos enrolando na Plaza das Armas ao lado daquele bando de gringo, sentados na fonte principal, esperando o guia que na teoria ia chegar a 12h50. Uma hora depois a gente estava quase desistindo quando o guia apareceu com o coletinho verde que nem o folheto dizia. Chamava Richard e a primeira parada foi uma igreja que fica no alto da cidade, e lá fomos nós subir uma escadaria de uns 78713897 degraus que dava canseira só de ver. E aquela altitude de boa. Mas foi tranquilo, um pouco de falta de ar, mas nada que umas folhas de coca não resolvam. Lá de cima, vista sensacional.

 

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Depois fomos andando no meio das ruas, da cidade e paramos em uma loja de instrumentos tipicamente peruanos. Que surpresa chegar na porta e ouvir nada menos que Garota de Ipanema! Tinha um brasileiro lá dando uma palinha para o pessoal. Na nossa vez, o dono da loja tocou várias músicas e explicou sobre cada instrumento. Muito muito interessante. Em um determinado momento, ele pegou uma das violinhas e tocou aquela música “Chorando se foi quem um dia só se viu chorar...”. Eu e o Henrique rimos e ele parou e disse meio bravo: “Essa é uma música peruana e vocês brasileiros pegaram e transformaram em uma lambada!”. Foi mal! A última parada foi em um hostel onde o Richard, o guia, ensinou como que fazia piscosaur e nos deu umas doses de graça.

 

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Voltando para o hostel ainda ficamos um tempo sentado na Praça San Braz onde estava rolando uma feira. Depois resolvemos passar na La Quoricancha para tentar entender um pouco dessa loucura de Inca com Espanhol com Quechua..enfim.. o museu é bem legal mas é triste ver que aquilo era um Templo e hoje em dia é uma igreja. Mas ok. Quando chegamos no hostel, o Henrique ficou na área comum e eu fiquei um tempo no quarto deitada.

 

Então o Kevin, o gringo maluco, entrou comendo um crepe. Ele pediu para as moças da limpeza trocarem os lençóis (que estavam vomitado até aquela hora). Ficamos um tempo de boa e ai ele levantou e começou a vomitar. Ficou gemendo no banheiro, falando uns "Oh my God" e voltou para a cama mas eu ouvi que ele estava sofrendo. Ai eu fui, coloquei a cabeça e perguntei " E ai cara está tudo bem?" e ele só me respondeu: "Claro que não está tudo bem. Eu estou me sentindo como um Tiranossauro Rex". As mãos dele estavam grudadas no peito, ele não conseguia esticar os braços e nem respirar. Começou a gritar pedindo ajuda.

Eu pulei da cama e fui até a recepção. Encontrei o Henrique no meio do caminho, só gesticulei algumas coisas, e ele foi buscar uma água enquanto eu e o recepcionista (um cara muito lesado) tentávamos acalmar o Kevin que não parava de gritar que não era mais um humano.

 

Chegaram algumas meninas de uma clínica com um balão de oxigênio que ajudou o Kevin a respirar melhor. Enquanto isso, o recepcionista nos falou que não existe hospital em Cusco (achei essa informação bem estranha maaas não dúvido) apenas clínicas particulares. Sorte que ele tinha seguro de saúde.

Não vi mais o Kevin mas o amigo dele (que tinha tatuado o próprio rosto na bunda no dia anterior) disse que ele tinha falta de potássio no sangue. E que tinha voltado a ser humano.

No dia seguinte, eu e meu irmão partimos rumo a famosa Águas Calientes.

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Tá muito bom esse relato!

E de todos que eu li acho que essa empresa que fez esse passeio pra vcs, parece ser muito boa, já ta tudo anotado aqui, pra quando eu for fazer essa trip!

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julirosacarvalho e RoxaneOliveira vc vão se apaixonar pela Bolívia. É a coisa mais insana que eu vivenciei... só tomar aquele cuidado que estamos habituados a ter que tudo vai sair bem!!! Ainda bem que vcs estão gostando...=) Vou correr para terminar antes que vocês viajem!!!!

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Deserto de Siloli - 2º dia

 

Cinco da manhã, o despertador toca para mais um dia de deserto e paisagens de outro mundo.

Acordamos atrasados porque no dia anterior o Rossando tinha atrasado mas dessa vez ele estava pontualmente ao lado do coche e de mau humor.

Comemos correndo e partimos para os geisêres Sol de Mañana que aparentemente tem esse nome porque ficam ativos apenas pela manhã.

 

Eles não pareciam nem perto de ficarem inativos, na real. O Henrique pirou nos geisêres - achou a coisa mais impressionante do mundo. O Rossando disse rosnando (acho que ele tava de ressaca de novo hahaha.. esqueci de comentar que uma das coisas que o 'Tiago" afirmou quando fomos contratar a empresa era que os motoristas não bebiam em serviço!! Que bom que isso é um diferencial não?) que uma das características do antiplano boliviano era a atividade vulcânica intensa e uma das mais "belas manifestações do Planeta Terra são esses geisêres dos Vulcões de Puna". Era um monte de piscina de barro fervendo, subindo e descendo, e várias fumaças meio estranhas e coloridas por causa dos minerais.

 

Ainda tava muito frio e ficar perto dos geisêres acalmou o coração.

 

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Depois disso, passamos pelos banhos termais mas eu não sei o qeu dizer sobre eles. Não entramos, não deu a menor vontade de entrar e tinha uns gringos malucos dando bombinha na água. E ai corremos porque o Caio ia ficar na fronteira do Chile e o transporte dele saia as 10h00 da manhã.

O Rossando queria nos convencer a não passar pelas lagoas porque elas estavam congeladas. Ele prometeu que ia mostrar outras coisas mais legais mas a gente não arredou o pé, queríamos as lagoas!!! Isso contribuiu para o mau humor dele.

 

Passamos ainda por umas pedras, umas paisagens estranhos e estávamos com fome porque o café tinha sido bem escasso. Em um momento ele parou o coche para ir ao baño e os meninos aproveitaram. Nisso, o bombeiro já estava tendo alucinações... que nem quando em desenho animado o cara vê alguém como um cachorro quente gigante. Ele olhou para umas moitinhas marrons, apontou e exclamou: nossa é um deserto de coxinhas!!!!

 

A gente realmente achou que ele ia sair correndo e tentar comer uma.Todos mundo caiu na gargalhada.... com gosto de saudades de casa e coxinha na boca.

 

Paramos em um lugar que ao meu ver foi a coisa mais incrível dessa viagem. Acho que talvez, seja o cenário mais sensacional que eu me deparei nesses 15 dias de trip, talvez na minha vida inteira. Chamava Deserto Dalí,

O nome segundo um Rossando carrancudo e lacônico foram os gringos que deram porque as montanhas parecem as pinturas do pintor espanhol. Eu sou apaixonada por Dalí e desde aquele dia, sou apaixonada pelo deserto no meio da Bolívia que leva seu nome. Não posso dizer mais e nem tenho palavras. Tem que ir lá e ver com os próprios olhos.

 

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Pausa para fotos... estava perto da hora de dizer adeus.

 

A penúltima parada da viagem foi nas Lagunas Blanca e Verde. Nós paramos em cima de um morro e teve muito pouco tempo para tirar mais fotos...mas as duas era maravilhosas. Coisa de louco, essas lagoas coloridas do deserto de Siloli.

 

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Andamos até a fronteira. Abraçamos o Caio e desejamos uma ótima viagem. E ele se foi... para o Chile.

 

E nós... ficamos entregues ao Rossando. Dentro do coche, ele arrumou o retrovisor e disse "Agora temos sete horas de viagem até Uyuni novamente. Com poucas paradas". Paramos apenas um um monte de pedras que ele achou que devíamos achar interessante. Era legal mas... nós queríamos pizza, cama e um banho quente!!!!!! Realmente, essa foi a hora de meditar, respirar fundo e segurar o cansaço, a vontade de tomar banho, de dormir, de fazer xixi em um lugar limpo, de trocar de roupa (acreditem, tinha esquentado nesse dia. DO NADA), de comer decentemente, de um guia bem humorado... enfim. Sete horas pelo deserto adentro. Ainda bem que estava em boa companhia.

 

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Olha, foi cruel essa viagem de volta. ::hein:

Lá pelas tantas a gente parou finalmente para comer. A comida foi virando precária... nesse almoço do último dia o Rossando nos deu um pouco de arroz duro, um pouco de legumes e uma lata de atum. UMA LATA DE ATUM para dividirmos em cinco! O Alessandro, o bombeiro, quase chorou. Juro, os olhos dele encheram de lágrimas. Ele e o Henrique tinham passado muito mal por causa da maionese que eles sabiamente tinham colcado um quilo no almoço do dia anterior. Mas só com muita maionese zuada e catchup aguado par engolir aquele arroz. Foi osso. ::mmm:

 

Não sabemos muito bem o porquê mas o Rossando começou a ficar felizinho. A gente acha que ele estava perto de voltar para casa ou encontrar com algumas das amantes dele. Só sei que na pressa dele de voltar a gente terminou chegando muito antes do tempo - a gente desenvolveu uma teoria de que ele tinha que retornar as 17h00. Resumo da ópera, 15h00 a gente estava muito perto de Uyuni. Então ele resolveu parar de boa, em uma vila chamada São Cristovão, para matarmos essas duas horas sem fazer absolutamente NADA! Ficamos parados, ao lado do coche, olhando por duas horas uns para a cara dos outros.

Quando estávamos voltando para Uyuni, acho que ele notou nosso mau humor. No nada ele freia, abre a porta, vai no porta malas e pega um saco de pirulito!

O cara sabia que nós éramos baratos. Ele comprou nossa felicidade com um pirulito. ::otemo::

 

Chegamos em Uyuni exaustos e com fome. Colocamos as mochilas nas costas (que estavam na sede do Tiago Tours... nós levamos apenas uma mochila para o deserto) e procuramos a pizzaria mais próxima. Os mineiros que encontramos em La Paz estava indo no sentido ao contrário do nosso e tinham recomendado uma pizzaria que servia carne de lhama. Estava louca para comer essa pizza mas meus companheiros de viagens, famintos e esgotados, só pensavam em peperonni.

Uyuni também só tem uma rua com 8 pizzarias e acho que todas tem o mesmo precinho meio salgado que nem o Salar. Justo.

Comemos em uma que estava no Trip Advisor. E comemos como ogros com grande canecas de cerveja.

Os bombeiros pegaram o ônibus para La Paz. Desejamos boa sorte para eles.

Recentemente, eu vi no Facebook que eles ficaram noivos. Comentei: "Aposto que depois de terem sobrevivido a Bolívia vocês viram que sobrevivem a tudo".

Eles riram.

 

 

Se tenho uma preciosa dica para um mochilão pela América Latina é: Pegue dicas com quem você encontra. Faça amigos. Fizemos um bom amigo naquela ida ao Salar: O Rafa ficou conosco alguns dias e ainda nos falamos todos os dias no whatsapp.

 

Nós seis, os sobreviventes do Salar, combinamos um dia de irmos para São Tomé das Letras. Espero que isso aconteça. Apesar de talvez nunca nos encontremos novamente, fica aquela máxima: três dias dentro de um coche sem revisão, com um guia boliviano de mau humor, vendo paisagens enigmáticas e estonteantes, passando frio, fome e cansaço é o suficiente para lembrar de alguém para sempre.

 

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Então, eu, Henrique e o Rafa fomos esperar em uma das esquinas o nosso ônibus para Sucre. Essa passagem nós compramos na hora (Aleluia!) e pagamos 60Bs para um.

A viagem era de 6 horas. Entramos no ônibus e em dez segundos estávamos dormindo. O descanso dos guerreiros.

 

E então...rumo a capital da Bolívia, que acreditem ou não, não é La Paz.

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Sucre

 

O cansaço era tanto que o que parecia seis horas foram na verdade 25 min. Chegamos pela manhã em Sucre, em uma rodoviária estranha e pequena e ficamos esperando o Rafa decidir o que ele queria da vida. O plano dele era pegar o trem da morte em Santa Cruz de La Sierra no dia seguinte, às 13h00. Ele não sabia muito bem o que fazer, se ia de ônibus, nem quais eram os horários.

 

Uma das melhores dicas que eu peguei aqui no mochileiros e que eu faço questão de passar é a seguinte: compre uma passagem de avião se deseja ir de Sucre para Santa Cruz de La Sierra. Eu comprei aqui no Brasil pela BOA (http://www.boa.bo/bienvenido) e foi a melhor coisa que eu fiz na vida. Custa cerca de R$ 100 e dá para comprar pela internet. O trajeto feito de avião dura 35 min. De ônibus são cerca de 15 horas. A estrada deve ser caótica e no meio daqueles penhascos. Essa dica não é apenas uma dica, é um conselho de sobrevivência!!!

 

Nós deixamos nosso número com o Rafa e fomos para o nosso hostel. Eu estava quase chorando querendo tomar um banho. Dividimos o táxi com 2 neozelandeses o que foi uma puta falta de sacanagem porque o taxista cobrou 5 Bs por pessoa! A corrida foi muito curta....!!!

Nosso hostel era o Hostal CasArte Takubamba (J.M.Serrano Nro 256, Sucre 001, Bolívia) que é um hostel bonito, arrumado, meio artístico... mais adequado para casais na real. Mas caiu que nem uma luva para mim e o Henrique porque a gente precisava muito de sossego. Ficamos em um quarto para 8 mas não tinha ninguém. O banheiro era limpo e organizado. Foi sensacional. A única reclamação que eu tenho foi na hora de pagar: eles não aceitavam dólares mas fomos cobrados em dólares. A moça usou a cotação 7 Bs para 1US$ apesar do hostelworld dizer que é combrado 6,9 Bs para 1 US$. Parece pouco mas no final deu uma diferença de uns 10Bs.

 

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Depois de um bom banho e escovar os dentes finalmente caímos na cama. Dormimos até quase 11 da manhã.

Ai o Rafa mandou mensagem que ele tinha comprado a passagem da Boa para Sucre no nosso vôo e que estava em um hostel alemão mais para o centro. Uma coisa legal de se saber: a loja da Boa no aeroporto não aceita dólar, somente a do centro. O Rafa teve que ir e voltar.

Eu e o Henrique nos arrumamos e saímos para fazer câmbio pela última vez antes de encontrar com ele.

 

Perguntamos para o amigo do hostel que nos deu algumas indicações. Lá em Sucre foi onde mais sentimos o peso de não termos levado dólares. Eles não queriam trocar poucos reais... nossas economias estavam ficando escassas e precisávamos dos dólares para irmos embora. Rodamos bastante até trocar em uma barraquinha por 1 real/2,60 Bs que aceitou trocar nossos reais. Depois, encontramos o Rafa. Ele tinha conhecido um taxista que parecia um guia e combinado com ele de nos levar no aeroporto... ia custar 60 Bs essa viagem.

 

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Sucre é uma cidade que não parece que faz parte da Bolívia. É linda, cheia de nuances, arrumada, com casinhas com reboco, ruas com calçada, gente diferente andando na rua... parece uma cidadezinha histórica.

Almoçamos no hostel dele mesmo, 25Bs a refeição que era o valor médio. Eu e o Henrique dividimos. Depois, subimos em direção a La Ricoletta.

Subimos bastante, eu fui arrastando o Henrique e o Rafa. Mas valeu a pena. Chegamos em um lugar bem legal, uma pracinha com a igreja La Ricoletta (nome comum nos países latinos americanos) com um pátio imenso na frente. Dava para ver Sucre inteira de lá, com suas 7879 igrejas.

Sentamos em um café super confortável, chama Café Mirador e pedimos uma Paceña. A moça surgiu com um copo geladinho, delícia. Quase choramos de felicidade.

 

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Depois andamos por ai, meio sem rumo. Sucre tem vários museus mas a gente só queria ficar de bobeira mesmo. Na praça principal chegamos na Casa da Liberdade que não entramos por falta de verba. Mas lá descobrimos que Sucre é a capital constitucional da Bolívia, onde foi assinada a independência! Oficialmente, a capital do país é Sucre!!! FIcamos boquiabertos. Pergunta do UM MILHÃO. ::ahhhh::

 

Nessa altura do campeonato já sabíamos que a Bolívia é um país um tando excêntrico. Mas isso já era demais hahaha como a sede do governo ficava em outra cidade e e ninguém nunca ouviu falar disso? Pois é, viajar realmente te mostra outros parâmetros!!! Afasta a ignorância.

 

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O cara do hostel tinha dito que tinha um mosteiro muito legal que tinha um Pôr do Sol muito louco. Queria mais aquele para a minha coleção de Pores do Sol magníficos bolivianos. Mas a gente simplesmente não conseguia achar o local. Subimos e descemos a rua umas 8712897 vezes e nada. Cansamos e sentamos em uma pracinha para descansar. Compramos uma batata e uma pipoca de um cara bizarro e com higiene altamente questionável e ficamos ali, observando um cara que estava sendo empurrado do banco por uma chola.

Descobrimos o mosteiro mas tinha que pagar para subir e naquele momento não tínhamos condição de pagar absolutamente nada. O Henrique estava muito puto que a gente tinha pago uns 350 reais de taxas para a Gol no vôo de volta para o Brasil. Se a gente tinha realmente de pagar aquela taxa de 24 dólares, para que servia esses 350 reais???

Resolvemos parar em uma agência de viagem e questionar. Qual foi a nossa alegria quando eles disseram que desde abril de 2014 a taxa de embarque estava inclusa nas nossas passagens? Ou seja, a gente já tinha pago esse valor????? (Detalhe que compramos nossa passagem no dia 01 de abril).

UHU tínhamos 50 dólares sobrando agora!!!!! Que alívio!!!! ::hahaha::

 

Então, demos uma sondada em qual bar íamos bebemorar. Resolvemos fazer um pub crawl em todos os bares da rua principal da cidade. Sucre não tem apenas uma rua, mas é bem pequena. De boa para ir e voltar a pé. Super charmosa e acolhedora. Lindinha, mesmo. Imperdível.

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Escolhemos alguns bares e voltamos para o nosso hostel para nos arrumarmos...e então, no meio do caminho, reencontramos a Annie, nossa amiga francesa que conhecemos em MP!!! Nos abraçamos e ela nos contou que estava esperando a roupa dela ficar pronta, que ela tinha mandado lavar em um estabelecimento e que os caras tinham marcado para ela buscar as 16h00 e não tinha ninguém!! E ela estava indo embora!!!

Esperamos com ela a moça da lavanderia contando empolgados sobre o passeio de Uyuni... ela estava indo para uma cidade conhecer a Amazonas Boliviana. Depois, fomos andando até o hostel em que ela estava hospedada. Ela nos contou um pouco sobre o Toni e o Nicco e depois pegou um táxi e foi embora de novo. :(

 

Eu e o Henrique voltamos para o nosso hostel, depois encontramos com o Rafa, jantamos em um bar, depois bebemos em outro e fechamos a noite em um terceiro. Umas 23h00, eu e meu irmão caminhamos (confesso que com certo receio) até o nosso hostel e dormimos.

No outro dia, as 6h00 o taxista estava nos esperando. Ele realmente era um guia.. contou a história de Sucre, como que teve um golpe que levou o governo para La Paz e que tiveram inúmeras revoltas para tentar resgatar o governo de volta. Disse que alguns guerrilheiros pró-Sucre pediram asilo em um seminário e os manisfestantes a favor do governo em La Paz entraram à noite e mataram todas as pessoas que estavam lá, inclusive, os padres. Cortaram as orelhas e os corpos estão todos enterrados em Sucre. "E o Bolíviar?" . Segundo o taxista, tanto ele quanto o General Sucre, que ajudou na independência da América espanhola, estão sepultados na Venezuela.

Fiquei com medo de não dar tempo de pegar o vôo mas deu. No aeroporto de Sucre, despachamos nossas malas e pagamos a taxa em um guichê separado (custa 11Bs) e voamos para Santa Cruz de La Sierra.

 

A BOA é bem confortável, visivelmente melhor do que a Star Peru. Deram um lanchinho de frango que demos para o Rafa que ia encarar ainda o trem da morte. E o vôo durou 35 minutos cravados.

 

Santa Cruz de La Sierra

 

Assim que chegamos em Santa Cruz fomos na Gol descobrir se realmente a taxa para sair da Bolívia estava inclusa nas taxas que já tínhamos pago e depois de uns 20 minutos disseram que SIM!!! FIcamos muito felizes!!! Pensamos até em comemorar no Hard Rock Café!

O táxi foi bem caro, cobraram 80 Bs para levarmos o Rafa no terminal intermodal e depois nós para nosso hostel. Dava para pegar ônibus mas como íamos ficar exatamente 24 horas em Santa Cruz achamos que valia a pena. Deixamos o Rafa, demos uma boa viagem dupla para ele, e fomos para nosso hostel.

 

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Fiquei em choque com Santa Cruz. Era visivelmente uma cidade perigosa. Perguntamos para o taxista qual era o nível de perigo e ele nos informou que não devíamos pegar táxi a noite. Esse nível de perigo.

Estava quente, muito quente. Fazia em torno de 37 graus...Foi uma viagem de extremos, do nível do mar em Lima para 5000 metros de altitude no meio do deserto de Siloli, de menos dois graus Celsius para o calor de Santa Cruz. Chegamos no nosso hostel, combinamos do taxista nos buscar no outro dia lá pelas 10 da manhã. Nosso hostel chamava Loro Loco (avenida Suarez Arana, 134 | Entre 1ro y 2do Anillo, Santa Cruz UV3, Bolívia) e era pouco para o quanto pagamos pelo quarto individual. Estava muito quente e não tinha sequer um ventilador no quarto. Admito que achei o clima meio estranho... parecia que estávamos em Porto Rico em uma cidade de praia. Os gringos todos andando de biquini... tinha uma piscina.... foi inusitado. Acho que devido a aproximação de Santa Cruz com o Brasil as pessoas lá parecem conosco. O café era Nescafé, tinha pão francês em vez daquele duro que normalmente comemos nos desayunos.

 

Nos arrumamos e saímos. Fomos até a Praça 24 de setembro, comemos em um restaurante muito muito legal e meio barato chamado Lorca (http://www.tripadvisor.com.br/Restaurant_Review-g297317-d1068090-Reviews-Lorca-Santa_Cruz_Santa_Cruz_Department.html) e tentamos comprar umas lembrancinhas já que a viagem estava acabando e nosso dinheiro estava sobrando.

Isso foi díficil porque tudo era caro e feio.

Nós entramos em uma feirinha e uma das lojas vendia umas cholinhas de barro bem bonitinhas... a moça disse que era 3 por 10 Bs e eu disse que queríamos comprar muitas e se não rolava um desconto. A moça disse que já era muito barato, qeu custava 0,25 dólares e que nós estrangeiros queríamos explorar o povo boliviano! Fiquei olhando, incrédula, apara a cara da mulher e disse "eu não ganho em dólar" e ela disse "isso é problema seu". Eu sou muito calma mas fiquei com muita raiva! Pensei em falar um monte de coisa mas avaliei e sinceramente, não valeria a pena. Então, fui na barraca ao lado, comprei exatamente as mesmas cholas e passei com a sacola na frente dela. ::vapapu::

 

Bom, nossa viagem estava chegando ao fim. Embaixo do sol causticante, voltamos para nosso hostel as 16h00 mas antes passamos no supermercado para comprar nossa janta. Compramos uns hamburgueres, pão e queijo animados com o primeiro hostel que ficamos que tinha cozinha. Ainda compramos algumas Passeñas para dar para nossos amigos aqui no Brasil e uma caixa de coca para levar para nossa mãe.

Comemos, reservamos os 60 Bs e decidimos que íamos encher a cara ali mesmo no hostel com o resto do dinheiro que nos restava. Afinal, nossa viagem tinha sido muito sensacional e perfeita para estragarmos nos 45. Eu peguei uma Passeña e o Henrique, saudosista, escolheu Brahma que já vendia por lá. Depois de analisamos os rótulos, descobrimos que todas as cervejas da Bolívia são produzidas pela....Ambev. Ai parti para a Brahma mesmo que era mais barata...

Fiquei feliz de ter tomado a decisão de ficar no hostel. Uns gringos resolveram dar uma volta e foram assaltados.... chegaram brancos por lá. ::hein:

 

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Quando fomos dormir, umas duas da manhã, deitamos na cama com a sensação de dever cumprido. Começamos a nos despedir mentalmente da Bolívia e ser inundado pela felicidade de voltar para casa, para nosso Brasil, ouvir português, sentir o cheiro de Campinas, comer feijão e pão de queijo. O outro dia, rumo ao aeroporto.

Depois dos trâmites da imigração, fomos preencher os cartões da embaixada boliviana que perguntam quais eram nossos objetos de valor e se estávamos levando mais de dez mil dólares em dinheiro. Nós resolvemos contar o que tínhamos: 20 dólares, uma caixa de coca, 9 Passeñas, dois gorros de Cusco e um pingente da Pacha Mama. Isso era o que restava de uma viagem incrível. Além de ótimas lembranças e muitas histórias para contarmos.

 

Dizem que viajar é a única forma de gastar dinheiro e enriquecer.

Para os futuros viajantes, eu fiquei com algumas pendências em relação a Bolívia e o Peru.

A costa do Peru é sensacional. Paracas é um refúgio no meio do nada. Nazca e suas linhas misteriosas tem um quê de imperdível. E Arequipa que poderia ter trocado por Puno. Na Bolívia, faltou Potosí - a cidade de prata mais alta do mundo.

 

O tempo nunca vai ser suficiente mas é uma desculpa para prometer que um dia íamos voltar.

 

Agora, próx mochilão: Leste europeu em agosto com mais dois amigos. Agora que terminei esse relato, vou começar as pesquisas. Quem quiser me ajudar, fique a vontade.

Editado por Visitante

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=) Fico feliz que você tenha gostado!!

Espero que ajude vocês e muitos outros!!! Um beijão e boa viagem!

  • 2 meses depois...

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