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Saint-Jean-Pied-de-Port SJPP – SANTIAGO DE COMPOSTELA Caminho Francês 07/09/2014 – 07/10/2014

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Decidi fazer o caminho muitos anos atrás quando li uma matéria sobre o assunto. No entanto, a oportunidade veio em agosto de 2014 quando eu tinha finalizado uma pós graduação e não estava trabalhando. Entre comprar as passagens para a Espanha e iniciar o caminho foram apenas 2 semanas, tudo muito rápido e sem preparação física. Como ideia do caminho utilizei o guia http://caminodesantiago.consumer.es/etapa-de-saint-jean-pied-de-port-a-roncesvalles , muito bom por sinal, possui mapas, ilustrações e um pouco de historias dos lugares, em espanhol.

Neste relato vou tentar ser o mais objetivo possível e explorar o lado mochileiro do caminho, durante minha jornada eu escrevia diariamente sobre os acontecimentos do dia e vou transmitir parte de minhas anotações aqui.

Resolvi comprar os itens necessários para o caminho em Madri pois estava muito mais barato que no Brasil, check list no final do relato. Também resolvi pedir a credencial do peregrino na associação de SP http://www.santiago.org.br/index.asp custou R$10 e chegou rápido em minha casa, no meu ponto de vista sair com esse documento do Brasil é mais garantia de não ter problemas na imigração no aeroporto em Madri.

 

Comprei um voo de Palmas - TO – Madri para o dia 03/09/2014 e cheguei na capital da Espanha dia 04 bem cedo, são 11 horas de voo direto a partir de Guarulhos pela TAM.

 

Madrid 04.09

 

Chegada tranquila, carimbo no passaporte sem nenhuma pergunta da imigração.

Não despachei bagagem no Brasil, estava apenas com minha mochila velha como bagagem de mão, meu canivete Suíço passou nos embarques, mas perdi um Rexona, um protetor solar e um frasco com Arnica que estavam em recipientes maiores que 100ml (proibido em voos internacionais).

Aeroporto de Barajas surpreende, foi o mais bonito que já conheci, uma estrutura super moderna com muita iluminação natural e um forro de madeira dando um toque de natural.

No aero conectei gratuitamente 15min de wifi para enviar noticias ao Brasil, me dirigi ao metro e comprei um bilhete para 2 dias em Madrid validos em todos os transportes públicos, 14 euros. Fui comprar os itens do caminho, peguei partindo do terminal 4 para a estação Columbia e passei para linha 9 em direção à Arganda, em puerta de Arganda é necessário trocar de metro para seguir na mesma linha, é o limite da zona A e B.

Desci na estação Rivas Futura e logo avistei a grande loja da Decathlon http://www.decathlon.es/ , fui as compras( lanterna de testa, calça/short para trilhas, anorak, meias para running...) tudo muito barato.

Obs: essa loja fica muito distante do centro de Madrid e existe loja no centro, não tão grande quanto essa que fui mas é possível encontrar tudo que comprei, somente depois.

Na volta, peguei um trem até a estação Atocha, de lá fui caminhando até o hostel http://madhostel.com/pt-br/# MAD, logo conheci meus companheiros de quarto, um americano, um australiano e um Espanhol. Hostal muito bem localizado, ambiente limpo e agradável, staff muito atencioso, internet boa também e somente 13 euros com café da manhã.

Sai para reconhecimento da região em volta do hostal e comer alguma coisa, existem muitos bares e restaurantes, todos lotados e bastante animados.

 

05.09

 

Fui vencido pelo relógio biológico e acordei depois das 10 e perdi o café do hostal. Fui a pé até a puerta do Sol e comprei uma bateria extra para recarga de smartphone na loja FNAC, 22 euros, super útil e tem uma pequena lanterna ideal para usar nos albergues e não incomodar outros peregrinos a noite. Segui de metro para loja Media Market para comprar uma Gopro (fantástica câmera) 200 euros.

Aproveitei que estava na via Castellana e fui até o estádio do Real Madrid, Santiago Bernadeu. A fome bateu e peguei um metro até a estação Servilla e fui conferir a dica do companheiro de hostal, um super almoço com uma caña por 2,50 euros, verdade!!! Foi na Sidreria El Tigre, Calle Infantas, 30.

Depois fui visitar o museu Reina Sofia, fica ao lado da estação Atocha e tem uma grande coleção de obras de Salvador Dalí museoreinasofia.es vale conferir. Final de dia no hostel tomando uma cerveja e conversando com o espanhol Juan Carlos e outro Brasileiro...

 

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06.09

 

Despedida rápida do amigo do hostal e segui a pé para estação de trem Atocha e 3h depois desembarquei em Pamplona, comprei essa pasaagem ainda no Brasil pelo site http://www.renfe.es. segui a pé até a estação de autobus onde comprei a passagem para Saint-Jean-Pied-de-Port SJPP de ônibus por 20 euros no local, empresa ALSA. Também tem as opções de Van http://www.expressbourricot.com/ ou taxi http://www.taxipamplona.com/

Meu primeiro grande erro! Separei uns 2 kg da minha bagagem para despachar pelos correios de Pamplona à Santiago em meu nome, prática comum entre os peregrinos, no entanto, era sábado e os correios estavam fechado!

Peguei um o ônibus por volta das 16h e percebi que praticamente todos os passageiros eram peregrinos, o clima de ansiedade e certa insegurança eram visíveis e todos se olhavam, mas poucos se falavam. Neste mesmo ônibus estavam 3 pessoas que mais tarde se tornariam meus amigos no caminho.

A descida dos Pirineus é muito bonita, íngreme e perigosa, em alguns trechos foi possível avistar peregrinos e em todo percurso fui me questionando como eu iria vencer aquela grande montanha a pé.

Chegada em SJPP todos sem saber que rumo tomar, mas essa cidade francesa é bem pequena e também muito bonita. Segui o fluxo de peregrinos na rua principal até a Oficina de Peregrinos (Rua La Citadelle, 39), no meu caso que já tinha a credencial deveria ter ido direto ao albergue que fica na mesma rua, mas fiquei na fila para carimbar a credencial, pegar a concha que é gratuita e um mapa dos Pirineus. Enquanto isso o albergue municipal lotou e saí junto com outros em busca de outro albergue, fiquei no Le Chemin (21, rue d’Espagne) por 29 euros inclusos jantar e café da manha. No jantar foi possível sentir o clima de confraternização do caminho, numa mesa com francesas, um japonês e húngaros comecei interagir mesmo sem falar a língua deles. O japa estava vindo de Tóquio para fazer o caminho de bike e só falava japonês, e na mesa ele falava algumas palavras em inglês e começava falar japonês e todos ficavam um olhando para o outro sem entender nada, mas no final todos estavam falando a mesma língua, a língua do caminho. Na mesa ao lado conheci o casal de brasileiros Olga e Simão, eles planejaram 10 anos fazer o caminho e já estavam bem treinados e tinham feitos vários caminhos no Brasil. Primeira noite foi muito emocionante.

 

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07.09 – SJPP - Roncesvalles

 

Acordei um pouco tarde e fui um dos últimos a sair do albergue, inseguro e com um pouco de medo saí sozinho em direção ao caminho, de fato, estava iniciando a grande caminhada, era o km 0 dos 800 que estavam pela frente. Logo depois da porta de entrada de SJPP surge a primeira divisão do caminho, à esquerda segue pelo asfalto (muito perigoso, por conta dos carros) e evita trechos íngremes da montanha e pela direita é o caminho original e deve-se subir os Pirineus. Peguei o original e segue sozinho em meio a neblina e cruzando com alguns peregrinos, o sol foi surgindo e a paisagem foi ficando deslumbrante. No inicio da subida encontrei o inglês Robert que mais tarde cruzaria varias vezes com ele na caminhada.

Chegada à Orisson muito difícil e eu estava muito cansado e um pouco tonto, estava passando mal e pedi um suco de laranja e fiquei muito tempo descansando por lá. Os 3 kg extra na minha mochila contribuíram muito para meu cansaço.

Segui sozinho, paisagem encantadora com muitos pastos verdes, vacas gordas, cavalos e ovelhas, maior parte do trajeto em estreitas vias rurais asfaltadas.

Existem 2 fontes de água nos Pirineus, muito boa e naturalmente gelada. No alto dos Pirineus existe um bar móvel onde se pode carimbar o ultimo selo francês. Comprei uma banana e fiquei sentado na grama descansando e apreciando a paisagem do alto.

Encontrei nessa parte do caminho com Glauco e seu pai Antônio, brasileiros de Alagoas, o filho estava com uma mochila muito grande e pesada, também se queixou da câmera profissional que com lentes e outros acessórios pesavam uns 2 kg. Pensei comigo, acertei em comprar a Gopro, no entanto, eu estava com 2 kg extras em minha mochila.

Na subida tem algumas mensagens bascas como “ Pilgrim you are in Basque country, welcome.” Na descida dos Pirineus não avistava ninguém nem pra frente nem pra trás, mas estava muito feliz por ter vencido a grande montanha. Chegando em Ibañeta perdi o caminho certo e ia seguindo pelo asfalto, mas depois avistei o caminho e retornei, chegada no albergue de Roncesvalles no fim da tarde, fiquei na parte antiga, onde era o antigo hospital de peregrinos, um grande galpão com mais de 100 camas, impressionante. Lavei roupas e depois fui jantar, conheci um grupo de pessoas das ilhas canárias e o grego George que também cruzou muitas vezes no meu caminho. Também um grupo de portugueses de Porto muito gente boa e que também iria reencontra-los muitas vezes, eles me indicaram utilizar o APP CAMINO PILGRIM, muito bom!

 

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08.09 – Roncesvalles - Larrasoñia

 

Partida as 7:20 em meio a mata a luz de lanternas, parada rápida em um supermercado para comprar frutas para o desayuno. Encontro com as espanholas Paquita e Sarah e fomos caminhando juntos até Zubiri. Elas ficaram nessa cidade e eu resolvi seguir, na saída da cidade encontrei Laura e Maria, uma argentina e uma espanhola. Nem imaginava que estava iniciando uma grande aventura com essa dupla. Seguimos até Larasoñia, onde nos hospedamos no albergue municipal. Fomos ao bar/minimercado para tomar uma cerveja e comprar os ingredientes para fazer a janta na cozinha do albergue, seria o primeiro jantar em conjunto.

No bar encontramos um polonês que nos conhecemos no primeiro dia, ele estava um pouco bêbado e disse para a argentina que estava de olho nela e queria arrumar uma esposa no caminho, foi muito divertido essa parte, todos entendiam mesmo sem ele falar inglês ou espanhol.

A noite no albergue outro episodio não foi divertido mas estupido, um jovem peregrino tinha bebido demais e quando chegou no albergue tarde da noite queria dormir junto com outra jovem peregrina que estava na parte de cima do beliche onde Maria estava dormindo, ele tentava subir “I love you” e ela tentava impedir “What are you doing?” e sei que todos acordaram até que um jovem esloveno agarrou ele e literalmente arremessou sobre a beliche que eu estava “dormindo”... no outro dia o cara não lembrava nada e todos falaram pra ele o que ele tinha feito e esse cara desapareceu... não vi mais ele no caminho.

 

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09.09 – Larrasoñia – Cizur Menor

 

Reencontrei no caminho com Robert, Antônio e Glauco e outros. Cheguei em Pamplona junto com Laura e Maria, estava querendo muito chegar nessa cidade para finalmente despachar os quilos extras da minha mochila. Fomos até um correios e despachei 2kg por 9,50 euros. Seguimos caminho juntos, chegamos em Czur menor onde ficamos no primeiro albergue, Ordem de Malta. Eu estava exausto!

Esse albergue é muito aconchegante e tem um clima bem fraterno por lá, na cozinha tinha muitos alimentos deixados por outros peregrinos e resolvemos fazer um jantar coletivo, compramos vinho e fizemos pasta. O jantar foi do lado de fora e no surgimento da full moon, foi fantástico. Nesse dia conheci o casal alemão Corina e Tomas, ela fala português muito bem, já morou no Brasil.

Nesse albergue resolvi abandonar o guia impresso que carregava, achei desnecessário seguir um guia, também eu tinha a versão digital em meu celular.

 

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10.09 - Cizur Menor-Puente La Reina

 

Iniciamos a caminhada cedo para encarar o Alto do Perdão, parecia um grande desafio mas de repente estávamos no alto, a descida é pior que a subida, pois é muito íngreme e com muitas pedras soltas. Paisagem muito bonita com torres de geração de energia eólica e o famoso monumento dedicado aos peregrinos, uma placa indicava a distancia para varias cidades do mundo, São Paulo, por exemplo estava 8500 km e Santiago a 700km.

Laura tinha reservado um albergue em Maneru, depois de passar +/- 1km de Puente ela ligou no albergue e disseram que não tinha mais vagas e não tinha reservas, ficamos decepcionados e retornamos. Logo encontramos o albergue Puente, novinho e ficamos em um quarto privado pra nos 3 e com varanda e vista pra igreja da cidade. Fiz o jantar e comemos no terraço sob a luz da lua novamente.

Antes do jantar, saímos pela cidade e reencontramos alguns companheiros de jornada, cidade muito bonita e histórica. Fomos até a ponte que dá nome a cidade e conhecida por ser o ponto de convergência de muitos caminhos que levam à Santiago.

 

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11.09 - Puente La Reina-Estella

 

Trecho de paisagens muito bonitas, muitos vinhedos, hortas e colinas. Reencontrei o inglês Robert, agora com sua família, seus três filhos adolescentes e sua esposa se juntaram a ele para acompanha-lo na caminhada por alguns dias, foi uma cena muito emocionante.

Eu pretendia ir a igreja de Eunate, uma caminhada a mais que vale a pena fazer, no entanto, vi numa placa que a igreja estava fechada naquele horário e resolvi segui junto com Laura e Maria.

Chegando em Estella fomos ao albergue paroquial, hospedagem gratuita, no entanto, um jovem estava assoprando um instrumento na porta e pareceu um pouco perturbador (foi preconceito, dias depois me tornei amigo desse cara). Resolvemos ficar no albergue Anfas, privado e muito bom.

Estella se revelou uma cidade muito bela e agradável, final do dia as ruas estreitas e históricas ficam lotadas. No rio que corta a cidade a água é transparente e cheia de patos e pontes antigas.

 

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12.09 – Estella-Torres del Rio

 

Saída de Estella uma subida um pouco árdua, no alto tem a famosa fonte de vinho Irache onde os peregrinos tomam vinho e agua a vontade. Do alto tem uma vista impressionante de uma montanha com paredões de pedra enormes.

A nossa ideia era dormir em Los Arcos, mas passamos e fomos dormir em Torres del Rio, cidade bem pequena e muito bonita. Ruas e casas históricas, ficamos no albergue Casa de Mari, novamente um quarto em comum para nos três, essa era a ultima noite para Laura e Maria que completavam uma semana no caminho e tinham que retornar à Madrid e continuar o caminho no próximo ano. Reencontrei a médica baiana Maili no restaurante principal da cidade, o menu do peregrino nesse foi muito rico e valeu a pena. Nesse dia o Pueblo estava em festa e ficamos um pouco vendo a população se divertir na praça.

 

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13.09 - Torres del Rio-Logroño

 

Logo cedo tomamos café juntos e minhas companheiras me acompanharam até a saída da cidade, nos despedimos e segui sozinho. Trecho com muitas frutas, figos, uvas e pera. Muito sol muitos vinhedos. Cheguei no albergue paroquial de Logroño no inicio da tarde. Esse horário de chegar nas cidades não é muito bom para sair pra conhecer, por que em toda Espanha existe a hora da Siesta e tudo fecha e só reabre as 16 ou 17 da tarde.

Depois de tomar banho e descansar no albergue, fui ao banco, a catedral e encontrei um bar onde comi pão com jamóm e uns mini sanduiches muito bom, com vinho da Rioja.

Existem 2 pontes bem grandes na cidade, uma de pedra e outra de ferro. Esse foi o maior rio que vi no caminho. Logroño é a capital da Rioja, cidade bastante grande e animada.

A noite no albergue fui assistir a missa e depois jantar com todos os outros peregrinos, comida muito boa e de graça, apenas donativos. Nesse dia fiz amizade com um grupo de jovens eslovenos, australianos, espanhola e alemã. Nesse dia aconteceu um fato interessante, um jovem coreano meio sem noção bebeu rapidamente seu copo de vinho e foi até a jarra e encheu novamente e o pessoal da igreja chamou sua atenção, vi muitos coreanos no caminho mas esse realmente foi o único sem noção, ele também ligou a luz do quarto coletivo pela madrugada e muitos reclamaram. Uma regra básica no caminho é saber compartilhar tudo e respeitar os demais peregrinos.

 

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14.09 - Logroño-Nájera

 

Acordei cedo e tomei café também free no albergue e segui sozinho ainda no escuro, nas ruas se via muitos jovens que estavam saindo das festas.

Na saída da cidade tem um grande parque e muito bonito, encontrei o jovem alemão JJ, o mesmo que estava soprando o instrumento na porta do albergue de Estella, comecei a conversar com ele e ele pergunta minha idade e diz em voz alta “you are so old” um grupo de francesas a nossa frente começaram a rir e eu também, depois seguimos caminhada todos juntos.

JJ de 18 anos fala além do alemão, inglês e francês fluente, ele terminou o ensino médio e resolveu viajar pelo mundo durante um ano. Sua mochila era enorme e pesava em torno de 20kg e carregava o trompete que ele tocava pelas praças pra arrecadar algum dinheiro pra se manter. Na saída da cidade passamos na tenda do famoso peregrino Marcelino e carimbamos a credencial.

Segui em ritmo acelerado e com poucas paradas, antes das 14h eu estava na porta do albergue municipal de Nájera. Sinalização da cidade é muito ruim, a dica é depois de cruzar a ponte no meio da cidade pegar pela esquerda margeando o rio e chega-se no albergue municipal.

Final da tarde sentado na grama à beira do rio e fazendo algumas anotações.

 

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15.09 – Nájera-Santo Domingo

 

Saída as 6:40 do albergue, ainda de noite e o céu estava estrelado e segui na luz da lua, foi um inicio de dia muito diferente, vale apena caminhar sob as estrelas. Antes de chegar a Azofra o tempo fechou, parei numa lanchonete para tomar o café da manha e fiquei usando o wi-fi por mais de 1h e conversando com o grego George. A chuva não parava e resolvemos seguir debaixo água, pela primeira vez usei as capas, luvas... muita lama e barro.

Meu calcâneo esquerdo começou a doer muito, no dia anterior estava um pouco inchado, era uma tendinite! Cheguei em Santo Domingo pensando em ficar parado no próximo dia para recuperar da lesão. Fui ao supermercado Dia %, muito barato e tem em varias cidades, comprei algumas coisas com o amigo e dividimos em um banco de praça e ele seguiu pra próxima cidade, eu não tinha condições de seguir. No Albergue paroquial, reencontrei o grupo de portugueses e eles me convidaram pra jantar, Polvo com batatas, uma delicia e me deram um anti-flamatório, Ibuprofeno 600mg pra tomar a cada 12 horas, esse é muito bom.

 

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16.09 - Santo Domingo – Belorado

 

Acordei sem sentir dor e decidi seguir, fui o ultimo a sair do albergue e na saída reencontrei a baiana Maili. No caminho conheci a inglesa Pila e fomos conversando por um bom trecho. Logo cheguei em Belorado, no caminho passou um carro distribuindo água como cortesia do albergue Cuatro Cantones, então decidi ficar nele e foi a melhor decisão. Albergue familiar e muito aconchegante, o menu servido foi umas das melhores comidas que experimentei no caminho, no jantar novo reencontro com a baiana e ela me falou da ideia de fazer de bike o trecho Belorado-Burgos, topei, pois queria aliviar o tornozelo e experimentar um trecho sobre rodas. Por 25 euros locamos a bike, pode pedir informação da empresa que loca no albergue, pois agora não lembro o nome e não anotei. Conheci a alemã Nora que também resolveu fazer o trecho conosco de bike.

 

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17.09 – Belorado-Burgos

 

Por volta das 8:50 partimos de bike, eu carregando minha mochila e minhas companheiras tinha despachado para Burgos suas mochilas (esse tipo de serviço existe em todo o caminho, não utilizei mas se soubesse antes teria utilizado nos Pirineus) uma experiência fantástica cruzar por vários amigos que seguiam à pé e ter uma outra dimensão do caminho, vale a pena! Reencontrei Robert e ele me abraçou e disse “Buen Camino”, e foi a ultima vez que vi ele.

Trecho bom pra bike, mas tem um pequeno trecho com muitas pedras e subidas, mas a maior parte vale a pena fazer de bike. Cheguei em Burgos por volta das 15h e fui ao local indicado para devolver a bike, passei em frente a catedral e fiquei surpreso com sua dimensão e beleza.

Albergue municipal lotado, muitos começam o caminho em Burgos. A cidade estava lotada de peregrinos, a procura de um hostal por acaso reencontro Maili e Nora de Bike, elas me avisaram que também estavam sem hospedagem, enquanto elas foram devolver a bike fui ao hostel onde se encontravam suas mochilas e peguei o ultimo quarto pra nos 3 por 15 euros pra cada. À noite fomos jantar próximo a catedral. Muitos peregrinos interrompem um dia de caminhada e ficam em Burgos pra descansar e conhecer melhor a cidade. Outros evitam cidades grandes e passam direto, acho uma boa Idea por que geralmente se gasta mais em cidades grandes.

 

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18.09 – Burgos-Hornillos

 

Acordamos bem tarde, tomamos café em um bar próximo e passamos na catedral para selar a credencial, fizemos algumas compras em um supermercado na saída da cidade, deixamos Burgos as 12:30 e reservamos o hostal Meeting Point em Hornillos. Depois de sair da cidade me dei conta que não tinha sacado dinheiro e estava sem grana, minha companheira Maili me ofereceu emprestado e aceitei.

Caminho com muitas áreas de plantio de grãos, também rodovias, trecho não muito atrativo, maior parte do trajeto fiz sozinho, pois eu caminhava mais rápido que as companheiras. Em Hornillos, o hostal foi muito bom, novo e ótimo atendimento, mas o café da manha de 3 euros não a pena.

 

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19.09 – Hornillos-Itero de La Vega

 

Novamente fomos os últimos a sair do albergue, por um lado sair tarde pega o caminho com menos peregrinos, por outro, chega-se tarde no próximo destino e corre o risco de não encontrar vagas nos albergues.

Começávamos juntos e durante o caminho naturalmente agente se separava e cada um seguia no seu ritmo. Foi nesse trecho que encontrei o primeiro peregrino que estava fazendo o caminho de volta, ou seja, tinha chego em Santiago e estava voltando à pé a SJPP, totalizando 1600km.

Esse trecho possui muitas áreas descampadas e campos de agricultura, no entanto, belas paisagens. Uma parada num vilarejo (Hontanas) pra tomar um café, encontrei um grupo de brasileiros que fazia o caminho de bike, logo depois chegou Nora e em seguida Maili com o novo companheiro brasileiro também, Cristian, ele tinha decidido fazer o caminho uma semana antes e estava com uma tendinite no tornozelo, lhe dei um anti-flamatório.

Seguimos juntos e encontramos um grupo de turistas que faziam trechos do caminho à pé e trechos de ônibus, sempre tinha um ônibus acompanhando o grupo.

Na chegada do convento de San Anton, as ruinas nos levam ao passado e a entrada da cidade de Castrojeriz é muito bonita, a cidade medieval fica num morro e no alto tem um belo castelo, uma cena épica.

Entramos no hospital das almas, um local bastante místico e com uma atmosfera muito boa. Depois fomos a um restaurante com uma vista panorâmica onde almoçamos e tomamos 2 garrafas de vinho, estava chegando uma tormenta e decidimos seguir caminho rumo ao temporal, e aos poucos a chuva foi desviando de nós, éramos os únicos no caminho, uma longa subida na saída e uma vista espetacular.

Já era noite quando chegamos no Hostal Fiteiro em Itero de La Veja, constava 6 euros na placa mas nos cobraram 10. Mas não tinha alternativa, um vilarejo muito pequeno e estava de noite, jantamos, tomamos vinho e fomos dormir. Nesse dia andamos 30km.

 

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20.09 - Itero de La Vega – Villalcázar de Sirga

 

Saímos por volta de 8:30, a paisagem desse trecho não é atrativa mas o dia estava bom pra caminhar. Passamos no em Boadilla e paramos pra um lanche no bar e restaurante TITAS na saída da vila, o dono foi extremamente grosseiro e nos disse que se não fosse consumir que saísse logo do bar, estávamos esperando por Maili e Cristian já estava tomando um café... único lugar que não fui bem tratado durante todo o caminho, por tanto, aconselho passar longe desse bar, despois também ouvi de outros peregrinos que também passaram por essa situação no mesmo bar.

Voltamos ao bar na entrada na vila e encontrei um grupo de brasileiros que estavam fazendo o caminho de bike, eles tem um blog e estavam com um Drone fazendo altas imagens, vale conferir no retrip.com.br http://retrip.com.br/site/o-caminho-de-santiago-sjpp-roncescalles/

 

Passamos no canal de Castilla, uma atração a parte. Fui tirar uma foto para o Cristian e esqueci meu bastão no chão, segui o resto do caminho sem bastão. Chegamos em Fromista que é uma cidade muito bonita e movimentada, finalmente um banco Santander para sacar dinheiro e pagar o tinha pego emprestado com Maili. Paramos para um lanche e Cristian resolve nos deixar no bar e seguir sozinho, foi a ultima vez que vi ele.

Em Poblacion de Campos existe uma bifurcação do caminho, segui pelo lado original. Nesse trajeto existem áreas de descanso para os peregrinos, o caminho é muito descampado, em alguns momentos me encontrava sozinho no meio do nada, olhava pra frente e pra trás e não avistava ninguém.

Cheguei em Villalcázar por volta das 18h e exausto, fui muito bem recebido no albergue municipal pelo o casal que trabalha voluntariamente lá, logo depois chegaram as companheiras e mais um amigo russo, nesse dia conheci o espanhol Luiz que sempre que me avistava no caminho gritava Brasiiiiiiilllllll.

Saímos pra passear na vila e fomos jantar no bar e restaurante Cantigas. Esse trecho é muito bom pra fazer de bike, muito plano.

 

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21.09 - Villalcázar de Sirga-Calzadilla de La Cueza

 

Últimos a sair do albergue pra variar! Carrion nos surpreende pela beleza e varias opções de bares, restaurantes e supermercados, muitos peregrinos escolhem essa cidade para dormir. Nessa cidade reencontrei com o jovem alemão JJ e ele me disse que precisava conseguir 6 euros pra garantir a hospedagem daquela noite, foi pra praça e começou a tocar o trompete, eu e Maili nos aproximamos dele tiramos fotos e deixamos algumas moedas, logo depois outras pessoas também fizeram o mesmo.

A seguir passei pelo mais exaustivo trecho depois dos Pirineus, 17km sem arvores, sem villas, sem casas, quase sem peregrinos e apenas 2 áreas de descansos sem água. Reencontrei nesse trecho algumas pessoas que faziam dias não os viam. Calzadilla surge der repente como um oásis, fui direto ao albergue municipal logo na entrada da cidade, muito bom por sinal e bem novo, logo depois chegam exaustas Nora e Maili.

Fomos ao único bar da villa, o dono Cezar viveu muito tempo no Brasil e adora os brasileiros, também conhecemos o baiano Sidney que trabalha a 11 anos por lá.

 

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22.09 - Calzadilla de la Cueza-Sahagun

 

Trecho muito bom pra fazer de bike. Na chegada a Sahagun quem não quiser passar na Ermita que tem o centro geodésico do caminho francês, basta seguir o pelo asfalto e chegar mais rápido a cidade. Passei pela Ermita mas acho que não vale a pena.

Cheguei no albergue municipal e não tinha ninguém na recepção, então descobri que os peregrinos chegavam se instalavam e só no final do dia chegava alguém pra fazer o check-in. O albergue funciona num prédio histórico, bem antigo por fora mas moderno por dentro, o wi-fi muito bom.

Cidade com muitas opções e boa para hospedar-se.

 

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23.09 – Sahagun-Reliegos

 

Na saída da cidade passsei por uma ponte histórica muito bonita e existem 2 caminhos, optei pelo original. Nada especial nesse trecho. Parada em El Burgo para almoço, não tínhamos costume de fazer isso durante a caminhada, sempre lanches e no jantar, geralmente o menu peregrino é muito bem servido e barato, algumas noites tive problemas pra dormir por comer demais.

Encaramos a tarde 13km com ameaça de chuva, sem casas ou vilas nesse trecho. Cheguei primeiro em Reliegos e fui ao albergue municipal, onde o hospitaleiro me recebeu muito bem e reencontrei alguns companheiros de caminhada.

Fui ao minimercado na entrada da cidade comprei frutas e queijo (um mix de leite de vaca e ovelha) muito bom!

Na volta encontrei Maili e Nora que decidiram ficar em outro albergue, jantamos juntos e presenteei elas com alguns adornos de capim dourado, bem típico do Tocantins.

 

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24.09 – Reliegos-Leon

 

Cheguei as 7:40 no albergue onde minhas companheiras estavam hospedadas mas estava tudo fechado, muito frio mas resolvi seguir sozinho.

Paisagem predominante de plantações de trigo. Já chegando a Leon conheci a alemã Rosa Maria, fomos conversando até Leon. Próximo à majestosa catedral, pedi informações para encontrar o albergue das freiras Beneditinas, o sr. a quem perguntei me levou até ao albergue. Impressionante como o peregrino é bem recebido e bem servido durante todo o caminho.

Leon foi uma das cidades mais bonitas que vi, muito acolhedora e com todas as opções, uma cidade grande. Por coincidência Nora e Maili estavam no mesmo albergue. Saímos para passear na cidade, visitar a catedral e resolvemos ter um jantar mais arrojado pra comemorar a chegada a Leon, fomos no restaurante Las Termas pertinho da catedral, 15 euros o prato mas vale muito a pena, fabuloso!

Retorno ao albergue, fomos assistir as freiras beneditinas cantar, muito lindo e uma simpática freira fez um discurso encorajando os peregrinos. Aconteceu algo muito engraçado, essa freira tinha pedido pra desligar os celulares, enquanto ela falava um barulho de grilo incomodava a todos, ela então parou e perguntou de onde vinha esse barulho, ninguém soube responder, então ela continuou e o barulho voltou, foi quando alguém disse que estava vindo do bolso dela, ela pôs a mão no bolso e era o seu celular, todos riram muito nessa hora e ela também,e ficou muito vermelha e perdeu o raciocínio do discurso.

 

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25.09 – Leon-S. Martin

 

Tomei café no albergue, oferecido gratuitamente, donativos são optativo. Minhas companheiras resolveram ficar mais tempo em Leon para reservar passagens e fazer outras coisas. O traçado do caminho dentro de Leon leva aos principais pontos turísticos da cidade, na saída de Leon parei num bar chamado Los Angeles, ótimo café da manha, barato e excelente atendimento e bom wifi.

Segui sozinho até S. Martin, passei pelo primeiro albergue, entrei no albergue Santana, não recomendo! Alias recomendo passar direto e não ficar nessa cidade. Comida ruim e cara, apenas um minimercado na cidade com poucas coisas também ruins e caras.

À noite no albergue reencontro com Nora e Maili e jantar com um grupo de senhoras francesas que só falavam francês, mesmo assim conversei com elas mesmo sem falar francês.

 

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26.09 – S. Martin-Astorga

 

Saída do albergue super tarde, tomamos café no albergue e saímos por volta das 10, trecho paralelo à rodovia até Orbigos, onde existe uma ponte medieval enorme e muito bonita. Compensava ter dormido naquela cidade. No caminho para Villares de Órbigos, nos deparamos com pomares repletos de maças e peras, na vila um senhor estava passando com um carrinho de mão cheio de ameixas frescas e doces e nos presenteou com muitas. Mais adiante outro morador nos convidou pra entrar em sua casa e nos presenteou um melão super doce também. Foi o dia das frutas!

Depois de Orbigos a paisagem se torna muito bonita. Parada no espantalho peregrino para um lanche com a Nora. Depois segui sozinho e me senti realmente só em meio a tanta natureza, não era possível avistar ninguém nem pra frente nem pra trás.

Antes de chegar a San Justo uma paisagem impressionante e repentina de uma cadeia de montanhas. Logo cheguei em um local a beira do caminho chamado Casa de Los Dios, encontrei um espanhol que fazia um documentário, ficamos conversando um pouco, nesse lugar também é possível carimbar a credencial e eles oferecem frutas, biscoitos e agua de graça, tem uma caixinha pra donativos. Isso é mantido por um peregrino que decidiu passar o resto de sua vida alí servindo outros peregrinos.

Também encontrei lá uma inglesa que ficou conversando um pouco comigo e me disse que naquele dia iria dormir por alí, em baixo de alguma arvore.

Na chegada á Astorga o albergue municipal estava lotado e o outro fechado, paramos em um bar para tomar café e pensar no que fazer, Nora foi buscar informações e uma pessoa lhe entregou um mapa explicando onde nos poderíamos encontrar abrigo, seguimos o mapa e ficamos hospedados no melhor lugar de todo o caminho! Quase de frente a linda catedral, uma das mais belas que vi e ao palácio de Galdi. Fiquei em suíte privada e tudo perfeitamente limpo como um hotel e as companheiras ficaram em outra suíte com varanda. Tudo isso mantido por freiras ......

Astorga merece ficar mais tempo, uma cidade muito bonita e cheia de historia. Também vale experimentar o bolinho típico da cidade que agora esqueci o nome.

 

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27.09 – Astorga-Rabanal

 

Passei sem perceber na entrada de Castrillo, a cidade de pedra que todos dizem valer a pena conhecer. Segui caminho a maior parte do tempo sozinho, trecho com belas paisagens. Em Rabanal cheguei ao albergue Pilar e reservei lugar para Nora e Maili, o albergue estava quase lotado. Conheci alguns italianos que dias depois me tornaria mais próximo deles.

 

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28.09 – Rabanal- Molinaseca

 

Trecho em subida, as meninas despacharam as mochilas, eu coloquei algumas coisas minhas na mochila da Maili, isso foi uma boa ideia, e reduzi uns 2 kg em minha mochila. Paisagens muito bonitas nesse trecho.

Ao avistar a cruz de ferro é impossível não se emocionar! Fiquei sabendo de uma peregrina que seguia próximo a nos que chegou na cruz deixou sua pedra e disse que pra ela o caminho terminava alí e retornou pra sua casa.

Deixei uma pequena pedra ao pé da cruz, levei de Taquaruçú, lugar onde moro em Palmas-TO, depois fiquei sentado ao longe observando os peregrinos chegarem e se emocionarem ao pé da lendária cruz.

Segui caminho, no topo da montanha existe um bar móvel chamado “La Parada”, funciona de maio-out, parada para um bocadilho de pão com jamón e uma coca.

Depois do bar peguei uma trilha cheia de pedras e debaixo de uma forte chuva, foi um pouco perigoso, um verdadeiro rio pela trilha, correnteza e muitas pedras, foi o dia mais sofrido no caminho. Deveria ter pego o asfalto!!!

Em Molinasseca ficamos no albergue Santa Marina, o dono é bem conhecido no caminho e possui estampado na parede varias matérias de jornais e revista falando sobre ele e seu trabalho no caminho. Nos albergues tem jonais para colocar dentro dos calçados molhados, excelente, no outro dia está seco.

Albergue muito bom por 7 euros. Fomos jantar no restaurante El Palacio ao pé da ponte na entrada da cidade, fabuloso.

 

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29.09 – Molinaseca-Cacabelos

 

Saímos juntos as 9:20, pegamos o caminho pelo asfalto, a trilha estava muito molhada devido as chuvas da madrugada. Chegada em Ponferrada foi rápida e fomos direto ao castelo dos Templários, um dos mais bonitos do caminho. Em frente tomamos um chocolate com churros no GODIVAH, um lugar fantástico, preço justo e atendimento sem igual, esse lugar tem o espirito do caminho.

Após isso, todos se separam, passei pela catedral e segui sozinho, falta sinalização na saída, no monumento aos Pimentos, não vi mais as setas amarelas mas segui em frente e estava no caminho certo.

Trecho suave, muitas hortas, fruteiras e casas, parada na Viña de Bierzo para uma taça de vinho e um petisco, foi quando reencontro os italianos, pai e filho que tinha conhecido em Rabanal. Logo depois entrou no bar um espanhol e começou a falar comigo, Fernando que mais adiante nos tornaria amigos.

Chegada em Cacabelos as 16:30, o albergue municipal fica na saída da cidade, depois da ponte, foi o mais diferente que fiquei, são pequenos quartos de madeira com duas camas cada ao redor da igreja, mas muito bem limpo e moderno.

Mais tarde encontrei Nora na rua sem Maili, fomos jantar e nesse dia tomamos quase 2 garrafas de vinho, pois no menu peregrino pra 2 pessoas inclui uma garrafa, no entanto, na mesa do lado sobrou uma garrafa quase cheia e fizemos a troca pela nossa vazia. Esse dia me aproximei de um grupos de Búlgaros que nos reencontravam a vários dias mas eles só falavam em búlgaro então a comunicação era difícil.

 

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30.10 – Cacabelos-Vega

 

Saída de Cacabelos as 8 com Nora, em Pieros, parada pra tomar café e foi quando conhecemos um casal porto riquenho e o Sírio Shafic que logo começou a conversar e pediu pra tirar uma foto comigo e Nora, pois nós representávamos Brasil e Alemanha e logo começamos a falar sobre copa do mundo.

No caminho acompanhei Shafic e fomos conversando sobre vários assuntos, ele é casado com uma mexicana e mora no Canadá, fala árabe, inglês, francês e espanhol fluente. Ele tinha decido fazer o caminho semanas atrás quando nunca tinha ouvido falar no caminho, viu alguma coisa na internet sobre o caminho e decidiu de imediato fazer. Shafic é uma pessoa do bem!

Na chegada a Villafranca del Bierzo, primeira pessoa que encontro Jesus Jato, http://www.caminhodesantiago.com.br/artigos/refugio_rato_xandi.htm eu queria muito conhece-lo, sem eu dizer nada, ele aponta o dedo pra mim e diz você é brasileiro! Falei um pouco com ele abracei e tirei fotos, Shafic também fez o mesmo. Minha ideia no dia anterior era ter caminhado até Villafranca pra dormir no albergue da família Jato, no entanto, pela manha encontra-lo foi uma grande coincidência e agradável surpresa.

Nesse trecho existe uma bifurcação, eu decidi seguir pelo caminho mais fácil, margeando uma rodovia e um rio, opção muito boa, por que existe muita natureza e é muito tranquilo, sempre se ouvi o barulho da água nas corredeiras. A outra opção era pelas montanhas, foi a opção de Nora, que depois me disse não valer a pena.

Estava passando na porta do bar e albergue Camynos http://www.camynos.es/ e avisto Chafic lá dentro, logo ele sai na porta e me grita e fui tomar um vinho com ele e os donos Gerrado e Javier adoram brasileiros e tiraram uma foto comigo e a bandeira do Brasil que eles tem.

Logo chegou Maili e ficamos numa festa nesse bar, tomamos ORUJO uma bebida típica destilada feita de casca de uva, é como nossa cachaça.

Eu e Maili resolvemos ficar em Vega e Chafic resolveu seguir pra próxima cidade, foi um dia especial. Nos não sabíamos do paradeiro de Nora.

 

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01.10 Vega-Fonfria

 

Logo cedo fomos a padaria artesanal da entrada da cidade e reencontro o casal de porto riquenhos, estávamos prontos pra encarar o Cebreiro, um pouco aflito pois todos falavam que era o segundo Pirineus do caminho. No sopé encontramos um grupo que estava preparado pra subir a cavalo, existe essa opção por 30 euros. Entre eese pessoal estava Chafic à cavalo.

A subida é íngreme, no entanto, rápida. Quando chegamos no topo, em uma vila reencontro com Nora e seguimos novamente nos 3 juntos e logo depois nos separamos todos novamente. Ao chegar ao Cebreiro, existe ao lado direito um mirante muito grande e bonito com mesas e bancos pra descanso.

O Cebreiro é ponto de dormida pra muitos peregrinos, mas resolvi seguir. Lá reencontro com o esloveno Mathei que me disse que seu amigo teve uma grave tendinite e estava em repouso em Ponferrada. Reencontrei vários outros amigos no Cebreiro.

Descida rumo à Fonfria muito linda, muito verde e muitos vales. No caminho reencontro Nora e seguimos juntos até o albergue Reboleira em Fonfria. É uma pequena vila, mas compensou muito ficar nesse albergue, um estilo rustico e muito confortável e familiar o jantar foi coletivo em uma casa de pedras em formato circular próximo ao albergue. Reencontro os búlgaros, agora conseguindo me comunicar melhor com eles, pois o Struman falava um pouco de inglês e as duas mulheres, Katia e Onka só falavam em Búlgaro.

 

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02.10 – Fonfria- Sarria

 

Trajeto longo com belas paisagens. Também tem uma bifurcação, optei pelo caminho original por Sanxil e valeu muito a pena. Acho que foi o trecho mais solitário e em meio a natureza, muito bonito mesmo. Em determinado ponto encontrei a húngara Nora 2, assim apelidamos ela, já tínhamos nos conhecido antes, caminhamos um pouco juntos e depois nos separamos e nos reencontramos novamente em um bar no meio do nada.

Sarria é muito mal sinalizada na entrada, na chegada encontrei um cara de Niterói muito maluco, ele estava acompanhado com outras brasileiras que tinha conhecido no caminho, ficamos no mesmo albergue, o municipal que é o pior que fiquei, não recomendo. No albergue conheci um chinês que estava iniciando o caminho em Sarria, alias muitos começam nessa cidade que está a pouco mais de 100 km de Santiago, percurso mínimo pra se obter a compostelana.

A noite reencontro com Maili e Nora que estavam em outro albergue, jantamos juntos e tomamos vinho.

 

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03.10 – Sarria-Gonzar

 

Sai bem cedo e sozinho, encontrei o maluco de Niterói que me disse que tinha caído da cama durante a noite e estava todo dolorido. Segui caminho a luz de lanterna, um subida íngreme logo na saída. Reencontro com o porto riquenho Rafaele e seguimos caminho juntos até encontrar com Fernando que eu tinha conhecido dias atrás, Rafaele e Fernando também já tinha se conhecido em algum momento atrás. Chegada em Portomarín é muito bonita e passa por uma porte muito alta, essa era cidade que eu planejava dormir, no entanto, após alguns chops com meus novos amigos e outros que foram chegando no bar, Beatriz, Andreas e Luciano, resolvemos todos partir naquele mesmo dia e dormir em outra cidade a 8km à frente. Chegando em Gonzar encontramos outros amigos e foi uma grande festa, ganhamos vinhos e ficamos tomando do lado de fora do albergue até a madrugada. Luciano um jovem de 18 anos e Andreas de 40 são italianos e faziam o caminho acampando numa pequena barraca, foram 2 personagens marcantes no caminho.

 

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04.10 – Gonzar-Palas de Rey

 

Saída cedo com Rafaele, os demais já tinham partido, eu estava num ritmo muito lendo e avisei o companheiro que podia seguir sem mim. Após as 10 tive uma grande ressaca, estava realmente mal e precisava parar um pouco. Reencontrei os Búlgaros e fomos comer um lanche juntos. Chegada em Palas debaixo de chuva fina, durante esse trajeto os amigos estavam colhendo cogumelos para o jantar no albergue. Fiquei no albergue Camino, muito bom e estava quase vazio, um quarto imenso para mim e mais outro.

À noite por caso reencontro Nora na rua, ela não tinha noticias de Maili. Depois de andar um pouco pela cidade, fomos ao supermercado, banco, comprei uma nova credencial, pois a minha já não tinha mais espaço pra carimbos. Importante depois de Sarria carimbar a credencial ao menos 2 vezes ao dia em lugares diferentes pra se obter a Compostelana em Santiago.

Fomos jantar pulpo (polvo) com batatas e vinho, perfeito. Depois do Cebreiro é a região da Galícia e se come muitos frutos do mar e o espanhol é mais parecido com o português.

 

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05.10 – Palas de Rey-Arzua

 

Sai sozinho, trajeto com muitos bosques, estava com a sensação de reta final do caminho, um misto de alegria e tristeza.

Cheguei à cidade de Melida, muito movimentada e com feiras e também mal sinalizada. Essa cidade é famosa pelo Pulpo à feira, logo na entrada se ver as Pulperias, locais onde se come polvo. Muito interessante e vale a pena experimentar.

Trecho com muitos morros e cansativo, reencontro com Eriberto, o maluco de Niterói, ele começou me contar sua historia no caminho, eu não parava de rir das maluquices que ele aprontou. Me disse que fazia dias que estava querendo se livrar de uma paulista enjoada que estava na cola dele... chegando em Arzua por azar dele a paulista chegou também no mesmo albergue e a hospitaleira entendeu que eles eram um casal e queria coloca-los no mesmo quarto, ele quase teve um infarto e desesperado pediu pra ficar em outro quarto... foi muito engraçado.

Reencontrei o casal brasileiro que tinha conhecido no primeiro dia, Simão e Olga, durante esses dias todos não os tinha visto, começamos juntos e iriamos terminar juntos.

 

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06.10 – Arzua-Monte do Gozo

 

Trecho com chuva, maior parte fiz sozinho e já não sabia de noticias da Nora e Maili. Ansiedade toma de conta, estava caminhando sem saber ao certo onde iria dormir, iria caminhar até cansar. Foi quando encontrei meus amigos JJ, Fernando, Andreas, Rafaele, Luciano e Beatriz. Depois nos separamos novamente e nos reencontramos em Monte do Gozo, estava finalmente na porta de Santiago. Eles insistiram pra eu seguir com eles até Santiago e comemorar o fim da caminhada, mas eu preferi dormir naquele lugar e seguir no outro dia e chegar descansado em Santiago, foi a melhor opção, pois a missa dos peregrinos é meio dia.

 

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07.10 – Monte do Gozo-Santiago de Compostela-Finisterra

 

Saída cedo com Simão e Olga, iria chegar a Santiago com o casal que conheci no meu primeiro dia de caminhada. A ansiedade é grande e não falávamos em outra coisa senão da nossa conquista em está chegando com saúde após um mês de caminhada, fomos contando sobre nossas historias do caminho.

De todos os pontos era possível avistar as torres da catedral de Santiago, quanto mais nos aproximávamos mais emocionados ficávamos, finalmente chegamos, a emoção é inevitável em ficar de frente pra catedral e ver centenas de peregrinos chegarem e alguns caírem em pranto diante do ponto final do caminho.

Fomos à oficina do peregrino para pegar a compostelana, ao lado da oficina tem um lugar pra guardar a mochila por 2 euros o dia, não pode entrar de mochila na catedral.

Depois reencontrei já dentro da catedral com os amigos Fernando, Andreas, Rafaele, Luciano, Beatriz e agora também Maria que tinha aderido ao grupo. A missa é um espetáculo a parte. O Botafumeiro espanhando a fumaça sobre os peregrinos foi como um presente pelos 800km de caminhanda.

Depois de visitar o tumulo do apostolo e passar pelo portal da glória, que estava interditado para reformas, fui para o lado de fora da catedral e reencontrei Rosa Maria, a alemã que conheci em Burgos. Reencontro com outros amigos do caminho e decidimos locar um carro e ir até Finesterra, eu, Fernando, Maria, Rafaele e Jessica os demais seguiram a pé, mais 3 dias de caminhada até Finesterra. Eu não tinha tempo de fazer a pé, pois tinha um voo dia 10 pra Madrid, então não achamos carro pra locar e eu e Maria fomos pra rodoviária pegar um ônibus e os demais seguiram de taxi, foi a ultima vez que os vi.

Viagem tranquila de ônibus, chegando em Finisterra ficamos no albergue Por Fim, 10 euros e muito bom! Atendimento cordial.

 

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08.10 – Finisterra-Santiago de Compostela

 

Fomos cedo em direção ao cabo de Finisterra que fica uns 4km da cidade, tinha a opção de ir de ônibus, mas optamos ir à pé debaixo de chuva com vento, no albergue pegamos um guarda chuva. Mas foi muito legal e divertido, chegando ao cabo a chuva parou e o céu ficou limpo, hora de fazer o ritual da queima de roupas, tinha comprado um álcool e separado algumas peças de roupas que tinha usado durante o caminho, então eu e Maria queimamos nossas roupas em meio as pedras.

No retorno reencontro o grupo de búlgaros, eles me chamam pra fazer um brinde, tinha vinho em uma garrafa Pet e alguns copos plásticos, fizemos um brinde ao pé da cruz de Santiago no Cabo Finisterra, alí comemoramos realmente o fim do caminho.

Na descida, reencontrei a coreana Jey e outro peregrino que não o conhecia até então, o Olivier. Despedimos-nos de forma emocionante. Tomamos o ônibus de volta a Santiago, fui ao correos para retirar meu pacote e tudo certo.

 

De volta a Santiago ficamos no albergue, Seminario Menor muito bem estruturado e enorme, por tanto, distante do centro e apenas um pouco mais barato. Não compensou ficar lá.

 

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09-10.10 -Santiago de Compostela-Madrid

 

Dia de ficar em Santiago e conhecer melhor a cidade. Fui pra a Catedral e reencontrei alguns amigos que estavam chegando. Alguns chegaram durante minha ida pra Finisterra e outros ainda estavam pelo caminho e outros já estavam em suas casas.

Encontrei Luiz, um espanhol de Estella que conheci no caminho, fomos ao museu do povo galego e fizemos o passeio no trem turístico, vale a pena.

Depois fui almoçar no famoso restaurante Manolo http://www.casamanolo.es/indexD.html , comida realmente boa e bem típica da Galícia e preço adequado para peregrinos, o restaurante tem fila de espera, em sua grande maioria são peregrinos famintos.

Dia seguinte peguei um ônibus as 6:30 da manha na praça de Galicia, em frente a loja ZARA direto para o aeroporto, chegando lá reencontro a Nora húngara e fomos no mesmo voo pra Madrid, chegando na capital fui ao encontro de Laura, argentina que conheci na primeira semana do caminho, logo depois encontramos com Maria também do caminho e fomos ao mercado São Miguel pra comer uns tapas (petiscos) e tomar umas cañas (chop).

Na verdade o caminho nunca terminou e nunca terminará, as amizades feitas durante o caminho são como uma irmandade, mantenho contatos com eles por email, facebook ou telefone, e já visitei alguns em suas cidades assim como aguardo visitas de alguns em minha casa. O caminho é algo impossível de descrever, tem que ser vivido. Além de uma jornada espiritual, é uma grande aventura, um grande desafio! Oportunidade única de fazer amigos de verdade e de se divertir muito também, para mim também foi uma viagem turística, passei por mais de 200 lugares!, viagem histórica/cultural, gastronômica e enóloga também, acima de tudo, uma viagem que conforta e ensina a alma e o mais importante é que qualquer um pode experimentar, por que é sem limites de idade, sexo, religião ou aptidão física.

Durante a caminhada vi de tudo! Por exemplo um homem que tinha iniciado o caminho em Barcelona de bicicleta carregando seus 4 cães em uma carrocinha adaptada na bike, um outro que tinha começado andar desde Paris, casal com criança de colo, senhoras e senhores com mais de 70 anos, alguns cegos acompanhados inclusive com cão guia, um casal de uma brasileira e um alemão que se conheceram no caminho a mais de 10 anos, casaram e todos os anos voltam ao caminho. Enfim, o caminho reflete bem a diversidade de pessoas de todo o planeta assim como as diferentes causas que motivam cada um fazer a caminhada, é um grande ensinamento percorrer o caminho de Santiago!

 

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Dicas:

• Comprar o que puder para o caminho em Madrid!!! Lojas Decathlon.

• Levar toalha OxDry Towel (não precisa secar e absorve 5x mais que as normais, comprei no Brasil loja Centauro).

• Frascos pra shampoo e condicionador (colocar em frascos pequenos pra diminuir o peso, é possível reabastecer nos banhos dos albergues).

• Frutas, pão e Jamón (lanche ideal pra fazer durante a caminhada, não é recomendável parar para almoçar e depois seguir caminhando).

• Compartilhar lavagem de roupas (nos albergues paga-se para usar a maquina de lavar e secadora, reunir 3 ou 4 peregrinos e dividir o valor e fazer tudo em uma única lavagem).

• Saco de dormir (necessário em muitos albergues que a higiene dos lenções de cama não são adequadas, comprar o mais leve possível, o meu comprei na Decathlon marca Quechua 700g).

• Vaselina para os pés (alivia muito a dor e evita bolhas).

• Meias de running (muito boas, usei durante todo o caminho e não tive uma bolha).

• Camel back (cantil utilizado por ciclistas, muito pratico pra tomar agua durante a caminhada).

• Fazer algum trecho de bike.

• Comprar tampão para os ouvidos ou colocar algodão, em alguns albergues as camas são muito próximas e alguns peregrinos roncam muito alto!!!

• Comprar comida em supermercado (sem dúvida a melhor maneira de economizar).

• Comprar vinho no supermercado (pode também colocar o vinho em garrafa PET pra levar na caminhada).

• Assistir ao filme The Way.

• Usar o APP Pilgrim Camino.

 

Erros

• Peso da mochila superior a 10% do meu peso corporal nos 3 primeiros dias do caminho.

• Não ter enviado a mochila nos trechos muito íngremes ou nos dias de corpo muito cansado.

• Chegar tarde em Burgos, poderia ter aproveitado mais a cidade.

• Não possuir uma capa de chuva leve, comprei uma cara e pesada no inicio do caminho.

• Não trazer o Floratil, umas 2 x senti que a comida não tinha feito bem.

 

Check-List mochila

 

• Tênis Timberland com mais de 1 ano de uso;

• 2 camisetas de secagem rápida;

• 1 manga longa fina marca Quechua;

• 2 calças shorts tactel, marca Quechua;

• 1 calção tipo surfista;

• 1 Anorak marca Quechua;

• 3 cuecas marca Quechua;

• 3 pares de meias;

• 1 canga/saída de banho;

• 1 boné com saia que protege o pescoço do sol, marca Quechua;

• 1 óculos de sol Rayban;

• 1 canivete suíço;

• 1 mochila 60 litros;

• 1 pochete (dinheiro, passaporte e credencial) levar inclusive para o banho;

• 1 capa de chuva para mochila;

• 1 capa de chuva para mim;

• 1 bateria extra com lanterna;

• 1 lanterna de testa;

• 1 smartphone Sansung S3;

• 1 Câmera Gopro;

• Alguns broches para pendurar roupas molhadas na mochila;

• 1 par de sandálias havaianas;

• Gorro e luvas de lã;

• Baton cacau;

• Agulha e linha de algodão (não usei, por que não tive bolhas)

• Remédios: Benegripe, Sorrisal, Antialérgico, Neuzadina, antiflamatorio, esparadrapos, gases, algodão, Salonpas e Pó antisséptico.

• Adaptador de tomadas (não é necessário, o padrão brasileiro serviu em todos os lugares)

 

A quantidade de coisas que você deve levar também é de acordo com a época do ano, fiz o caminho entre setembro e outubro, uma época muito boa e não estava quente e nem frio, minha roupas foram tipo Dryfit ou Tactel, nada de jeans ou agasalhos. Outra época muito boa é Maio/Junho que é a primavera e as temperaturas são agradáveis. Em julho e agosto é muito quente e dezendo e janeiro muito frio.

 

Gastos do dia 06/09 - 09/10 898 euros com uma média de gasto de 26 euros por dia de caminhada.

Todas as minhas despesas no caminho foram anotadas e estão distribuídas conforme o gráfico abaixo.

 

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A categoria outros do gráfico, inclui compra de Bastão, capa de chuva, aluguel de bike, correios, internet, taxi, passagem de ônibus pra Finisterra, compra da nova credencial, entrada em museu e trem turístico em Santiago.

A categoria lanche corresponde a lanches feitos em bares ou restaurantes.

O caminho pode ser feito gastando-se mais ou menos do que eu gastei, conheci pessoas que gastavam em torno de 40 euros por dia e também conheci outras que gastavam uma media de 15 euros por dia, no entanto, depende da quantia que você tem disponível e sua disposição em fazer comida nos albergues e dormir em albergues gratuitos ou mesmo acampar como foi o caso de alguns que conheci.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

DICAS DO CAMINHO FRANCÊS

 

http://www.santiago.org.br/camihnos-frances.asp

 

SITES UTEIS

 

(MUITO BOM!!!)

http://www.meucaminhodesantiago.com/category/super-dicas/

 

http://www.bicigrino.com/en/

 

http://www.urcamino.com/camino-frances/route

 

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/turismo/65956-sites-ajudam-peregrinacao-a-santiago-de-compostela.shtml

 

 

Outros comentários e dicas (post de outro mochileiro)

* O seguro viagem é obrigatório para entrar na Europa e eu precisei. Muito importante. http://www.mondialtravel.com.br

* Conheci peregrinos que quando machucados, faziam o trajeto de Ônibus. é uma opção para quem tem pouco tempo.

* Um horário bom para começar a caminhar são entre 6 e 7h. Se for primavera verão, recomendo até sair mais cedo por causa do calor.

* Se molhar as botas ou tênis, coloque jornal para ajudar a secar

* Bastão de caminhada ajuda a poupar seus joelhos em trechos com declive

* Na Espanha vende um adesivo chamado Compeed, muito bom para quem tem bolhas, mesmo assim o melhor ainda acho que é a agulha e linha.

* Empresa de ônibus que faz a maioria dos trajetos no Caminho: http://www.alsa.es

* Empresa aérea que faz voos domésticos na Espanha, barata, porém sua mochila tem que ter menos de 10kg e você tem que imprimir o bilhete antes: http://www.ryanair.com/pt - Útil para o trecho Santiago x Madrid

* Usei o cartão vtm feito através do http://www.cotacao.com.br (consultava o saldo por internet).

* Antes de subir os Pirineus, olhar a previsão do tempo é muito importante. Evite fazer esse trajeto sozinho, principalmente no inverno com neve.

* Os albergues municipais e alguns privados tem cozinhas, o que barateia muito seu Caminho. Antes de fazer as compras, sempre passe na cozinha, os peregrinos costumam deixar muitas coisas para os próximos. Assim como roupas e remédios. Não esqueça que você pode fazer isso também, exemplo deixe aquele pacote de cebolas ou molho que você teve que comprar e não usou todo.

* Durma com seu dinheiro e documentos dentro do saco de dormir.

* Refúgios com acolhida religiosa: Albergues do Caminho Francês, com acolhida religiosa (útil para o peregrino que vai com pouco dinheiro)

* Telefones celulares, esqueça-os ! Aproveite o caminho para desconectar do mundo ou desse vício moderno. A grande maioria dos refúgios tem internet ou telefone público (compre um cartão de ligação internacional).

* Sempre siga as setas amarelas, totens, a concha (vieira), postes de luz com símbolos da viera, placas nas estradas ou coladas nas calçadas e quando houver dúvida, descanse, sempre aparece algum peregrino

 

Outras dicas:

 

Telefone ao Brasil

Se estiver na Espanha, para fazer suas ligações à cobrar ao Brasil, ligue para o número 900 99 00 55. Você vai ter a grata surpresa de ser atendido em português.

 

Caso inicie seu Caminho por S. Jean, na França, para chamar o Brasil direto você terá que ligar para 0800 99 00 55.

 

Telefones Visa

Visa Electron - 900 991 124 / 900 991 216

Visa Internacional - 900 991 216

 

Embaixada do Brasil

Em Madrid: Fernando el Santo,6, tel. 91 700 46 50

Assistência a Brasileiros e Assuntos Consulares:

e-mail: [email protected]

Tel.: (+34) 91 702 12 20

Fax: (+34) 91 310 16 30

Banco do Brasil, S.A. - Madri

Calle José Ortega y Gasset, 29, 1ª planta

e-mail: [email protected]

Tels.: (+34) 91 423 25 00 / 91 423 25 20

Fax: (+34) 91 423 25 20

Horário: de 2ª a 6ª - 10h às 13hs.

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Mto legal KIRL. Eu já estive nem Santiago de Compostela, a passeio e ñ para fazer o caminho. A energia daquela cidade é indescritível. Mas tenho mta vontade de fazer um dia. O seguro viagem é realmente bem importante. Eu já tive problemas em viagens internacionais e precisei acionar. Já ouvi falar da Mondial. Mas eu fecho c/ esta empresa: www.touristcard.com.br Eles tem planos a partir de 23 dólares. Abç pessoal e espero ter contribuído tbm.

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KIRL, relato maravilhoso e detalhado. Muito obrigado por postar aqui.

 

Estou planejando ir em Setembro/2015 e já to pegando ótimas dicas.

 

Vou te perturbar bastante. :lol:

 

Abs

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fiquei na parte antiga, onde era o antigo hospital de peregrinos, um grande galpão com mais de 100 camas, impressionante.

 

Como foi essa dormida? Alojamento cheio? Foi tranquilo? ::hein:

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Esse dia foi muito cansativo, então dormi muito bem. Mas em outros dias que fiquei em grandes albergues lotados não foi boa a noite, principalmente pelos roncos de alguns.

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Antes de mais nada seu relato e de tirar o folego,e muito gratificante no campo espiritual e agrega conhecimento para toda vida, unica viagem mais longa que fiz foi ate o bandeira em Caparaó, amigo você disse que que não precisou enviar sua bagagem pois estava com sua mochila,quantos litros tem ela?e os itens descrito no check list você levou do Brasil ou adquiriu todos por la??desde já agradeço o contato.

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Obrigado amigo! Minha mochila tem mais de 10 anos de uso e é de 60 litros, o peso variou em torno de 9kg.

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    • Por Hélio José
      Essa viagem começou em setembro do ano passado, quando estava pesquisando destinos para viajar assim que eu terminasse a minha formatura. Bem, ate então não havia o voo direto de Recife a Bogotá, que foi inaugurado no mês de novembro, dois meses depois, seja como for, acredito que peguei uma boa promoção, afinal paguei 1200 reais saindo de recife, com conexão em são paulo para ir a Bogotá, e na volta, sai de Bogotá para o Rio onde tive conexão  para voltar ao Recife, tudo pela Avianca.
      As passagens a Medellín, também comprei pelo site da Avianca internacional, no mês de novembro e custou 400 reais a ida e volta, tratei de comprar um voo as 8 da manha, já que eu chegava em Bogotá as 5 e meia da manhã e tem todo aquele processo de achar o terminal nacional, retirar as bagagens, imigração e tal. Então vamos ao que interessa.
      Para começo de conversa a Avianca Brasil me trolou duas vezes, a primeira foi um mês antes da viagem, quando recebi um e-mail de alteração no trecho REC-GRU, antes eu sairia daqui as 20 hs e com três horas de voo, significava ficar pouto tempo lá em São Paulo, uma vez que meu voo saia as 1 da madrugada. A Avianca Brasil pôs meu voo REC-GRU para as 8 da manha do dia 28, ou seja, logo após o trecho São Paulo - Bogotá , eu teria um voo as 8 da manha Recife - São Paulo (What?) Bem, Uma coisa tem de ser dita, os atendentes da Avianca internacional são muito simpáticos no seu português cheio de sotaque espanhol (Valeu Davi). A segunda trolagem, vou deixar para falar sobre ela no trecho da volta.
      Despache de mala ok aqui em Recife, só iria pegar a mala la em Bogotá. Segue o Fluxo. Deixei meus fones de ouvido em casa, e já sabia que os fones que a Avianca Brasil dão, são meio capenga e só funciona bem nas mídias deles, e que eles recolhem no final do voo. Porem tudo mudou no voo da Avianca internacional , que mesmo indo em assento da classe econômica, valeu Avianca, me deram fones que me salvou ate Medellín. Uma coisa deve ser dita, entrar no voo em São paulo, significa, já era português, e eu tinha experiência sim com espanhol na Argentina e Uruguai, porem dessa vez era Eu e Deus, então todo o atendimento das aeromoças, foram em espanhol, um sofrimento para entender, embora que la pelas tantas da manha quando elas passaram dando agua, e acho que a cara feia que ela me fez significa que eu errei, em esperar ela me dar o copo, em vez de pegar o copo para ela por a agua (perdão, na volta eu aprendi). La pelas 4 e pouca da manha, depois de descobrir a técnica infalível de deitar numa cadeira de dois assentos, estavam servindo o café da manhã. Café da manhã bom, mas se me perguntar so me lembro dos "huevos" e gasosa de manzana ( Ta na hora de o Brasil exportar aquilo, porem acho que o guaraná Jesus é parente daquele refri, tenho certeza disso). Junto me deram um papel para preencher, era familiar aquilo, já peguei o mesmo quando a TAM me deu na entrada ao Uruguai, mas  e cade a caneta para preencher? Fato que teria bronca com isso mais na frente.
       
      Segue o fluxo para a imigração, a Imigração da Colômbia é bem de boa, mas uma dica, quase não entro na Colômbia, Culpa do Andrés, meu super amigo colombiano que sabe muito português, acho que sabe até demais. O Andrés não me disse sua Calle, nem o numero da sua casa onde eu iria ficar. E a moça da imigração foi bem clara, você não entra na Colombia se não disser onde vai ficar. Bem, ainda liguei pro danado, mas eram 6 da manha, e ate eu estaria dormindo ( exceto se fosse receber um amigo hahahahha) Mas... Deu tudo certo, ela pegou o numero dele, e carimbado, vamos a segunda bronca da manhã. A falta de Caneta. Bem, não existe nenhuma instrução de como preencher o papel de declaração que vc recebe la no avião, esta em inglês e espanhol, então se vire, o pessoal não empresta caneta ( obrigado ao americano que me emprestou e fiquei com ela), Entregue ao moço la, mais um raio X e sai do aeroporto internacional.
       
      Bogota é muito fria de Manhã, muito mesmo, e eu precisava agora achar o balcão da Avianca para despachar minha mala para MED, o aero não é tao gigante quanto o de São Paulo, pelo menos não achei. Mas eu tinha um amigo la me esperando (Henrique) que me ajudou no café da manha, porque estava sem nenhum peso colombiano. Comi huevos de novo. Despachei a mala e foi tudo muito tranquilo. Em setembro eu não sabia que iria viajar na semana santa, então estava tendo uma amostra das igrejas da cidade no aeroporto, deu tempo de treinar o espanhol. Muito lindo. Você tem duas horas de Wi-fi la, então da para se cadastrar e aproveitar.
       
      Medellin
       
      O voo pra Medellin é rapido, só da tempo de tomar um suco, literalmente. E quando voce chega la, o aeroporto é lindao. Vamos as dicas, tem casas de cambio boas no aeroporto ( na parte do embarque), entao chegou, sobe as escadas, e tem uma casa em especifica que fica por tras de uma escadas, é com a melhor cotação, percebi tanto na chegada quanto na volta. Troquei 20 dólares la, 53 mil pesos colombianos, o suficiente para pegar o busao que sai do aeroporto para o centro da cidade. O onibus fica na saída do desembarque nacional, saiu, segue em frente tem dois onibus, vc pega o primeiro que segue para o centro comercial San Diego, há dois onibus la, se ligue (Centro comecial San diego). 9500 pesos colombianos.
      Aproveita a viagem, e se quer curtir, senta no lado do motorista, que quando voce passar o pedagio, vai ter uma visão da chegada a  cidade que PQP, que cidade... Medellin me deixou enamorado desde a chegada. São 40 - 1 hora, não lembro quanto tempo durou, mas o suficiente pra curtir bem a paisagem. Muita gente desce no centro comercial, e o ponto é embaixo de um viaduto ( A Daniela estava la me esperando, a irmã do Andres). E quando voce chega, tem muuuuito taxis. Minha dica, se acalma e vai trocar tua grana. Precisa entender que o centro comercial é dividido em duas partes e separado por uma avenida, as casas de cambio ficam na segunda parte, entao voce vai atravessar a avenida, cruzar o centro por dentro e chegar na outra avenida, subir uma passarela e acho que no 2 andar tem duas casas de cambio, perto de uma lanchonete. Troquei la, 100 dolares, o que deu para os 4 dias em MED. Comi uma empanada com suco de maracuja e vamos pra casa, pra casa do Andres.

      Saindo de la pegamos um taxi,e os taxis são amarelinhos e pequenininhos, achei fofo, um monte de irmão do UP amarelinhos.
      Fiquei no Bairro de Buenos aires, não me pergunte melhor local de estadia, era a casa do meu amigo e foi maravilhoso.
      Almocei, e quando foi umas 16hs o Andres Chegou, fomos conhecer o centro.
      Basicamente MED faz voce ter certeza que a educação é a chave para fazer o sistema funcionar, eles tem um sistema de transporte de dar inveja a qualquer cidade, duas linhas de metro, o Transvia ( primo do VLT do Rio) e o metrocable ( a melhor aventura), alem dos onibus, e BRT que la tambem tem. MED tem muito a ensinar a Bogota.
      Fui conhecer o centro naquela tarde, pegamos o metrocable, por cima das comunas, e retornamos, e fomos andar de transvia ate certo ponto, descemos e fomos caminhando.

      Para construir o Transvia foram desocupados algumas casas pelo que entendi, e onde foi desocupado, puseram grafites, quadras poliesportivas, e foi toda repaginada a via, claro que com aquele VLT passando pra cima e pra baixo e vc não se pergunta como não mata um, porque ele passa pertinho de voce. E a galera tipo, nem ai...

      Tomei um sorvete muito gostoso, com raspa de gelo, leite condensado, não lembro o nome, e foi quando descobri que eles comem Manga verde com tudo cara, Muito foda o sabor. Delicioso. Mas isso é historia pra a pedra do Peñol.
      No centro perto das esculturas de Botero, tem umas loginhas pra comprar lembrancinhas barato, e aceita cartao de credito.
       Fomos ao pueblito paisa, pegamos metro e uber, subimos ao pueblito, com uma visão linda de Medellin a noite, lá tem uma maquete da cidade que voce entende bem como funciona a cidade, assim como entende como era o povo que fundou a cidade. Depois seguimos para encontrar umas amigas ( Ana e Carolina). Incrível como tem pessoas que estudam tao bem o português. Fomos comer num local (mercados del Rio), meio carinho la, aceita cartao de crédito, e tem culinária, penso eu, do mundo inteiro. Ficamos ao som do Regeanton, curtindo e tomando sangria, uma especie de esquenta para irmos ao parque Lleras (Cara, se voce curte balada, vai gostar desse parque). São muitas casas de shows e baladas, como eu estava sendo levado, não lembro a que fiquei e como fiquei sobre efeito de tequila, tambem muitas informações ficaram perdidas, tudo esta sendo dito olhando o historico do maps ( ). Mas em resumo, algumas informações importantes : 1 - Eles tomam cerveja com sal e limao ( não me pergunte porque), 2 - Tequila me fez falar muito bem espanhol, vale a pena voce tentar mesmo que não se lembre muita coisa no dia seguinte. E 3 - Eles escutam funk brasileiro mas como não sabe o que significam , dançam meio estranho, hahahahha. Eu acho que ensinei algo. Não lembro.

       
      Quinta feira 29/03 - Dia de ir a Guatapé. Para ir voce precisa ir ao terminal norte, existe muitas dicas de como chegar la aqui no site, procure e saberá. Mas fui de uber, de onde estava e pareceu barato ( na verdade achei o uber tanto em MED como em Bogota, muito barato). Chegando la me deparei com uma rodoviaria super abarrotada, era vespera de feriado da sexta santa, entao me ferrei. Só que o super Andres achou uma alternativa, que não me lembro bem... Mas que chegamos de 11 e pouco na pedra do peñol. Se estivessemos esperando o busão la , só iria ter horário depois de meio dia, e chegamos la as 9 da manha. Não sei como se comporta em dias normais, porém o que precisa saber é que vai se deparar com maior filão.
      Em resumo, pegamos um onibus ate Marinilla, de la um taxi  ate El peñol, e depois  ( olhe não sei como se chama aquilo la, mas fomos numa especie de toyota ate a base da pedra) e chegamos umas 11 e meia na pedra. Dicas mestre: independente de sua capacidade física e sabendo que vai enfrentar 700 degraus assim que chegar na base da pedra. VA ANDANDO. Vai ter uma porrada de gente oferecendo serviços pagos de uma espécie de moto estranha que tem la, cavalo, seja o que for, va andando, porque o transito que se forma subindo de onibus e carros é enorme e voce perde um tempo enorme. Ir andando alem de te preparar para a morte da subida, te dar uma visao linda da represa.

      Ok, ai voce não morreu, e chegou la em cima, depois de comprar o ingresso para subir e sofrer. Vai com Deus,. Os degraus vem numerados de 25 em 25, e acho que la pelos 400, tem um anexo onde vc vai ate uma imagem de nossa senhora, e aqueles degraus la não entrou na contagem, mas vale dar uma pausa pra respirar. Tirou a foto e sobe novamente. Quando chega la em cima, não se assuste com a fila pra descer e por favor, respeite-a. O mirante estava em reforma ( ou seja, la em cima vc sobe mais alguns degraus). Tem lojinha e picolé de manga verde la em cima. Com sal. Esse gelado que eles vendem ajuda bastante a refrescar, mas pra quem curte coisas exóticas, tem la em cima a cerveja com sal e limão e manga verde também pra quem curte.

      Acho que a pedra é um paradoxo, porque ela não respeita a lei universal do "pra descer todo santo ajuda", porque descer é pior, e mais estreito do que subir.
      Feito todo o percurso, e chegando la na base da ladeira. Pra comer, va a guatapé, que alem de ter um povoado lindo para otimas fotos. La a comida é barata. Mas pegue o onibus que passa na ladeira para a cidade, porque é barata a passagem, que voce acaba pagando caro se for por outro transporte, e tenha saco para aguentar o transito tambem.
      Chegando em guatape, pode ir explorar a vila, e almoçar nos milhares de restaurantes que tem por la, com almoços completos por cerca de 14500 pesos. Lembre tambem de ir comprar a passagem de volta a Medellin, no terminal e se ligar de estar la ate 10  minutos antes. O onibus é anunciado aos gritos, entao voce só perde se for surdo. Aproveita pra descansar nas 3 horas de volta.

      Na sexta do feriado, fomos ao parque Arvi. O parque Arvi é enorme, e não pense que tirar um dia voce vai conhecer ele todo, pelo que entendi, são varios parques e chegar ate ele em si já é uma aventura. Voce pega metro ate a estação Acevedo, e la faz transferencia pra o Metrocable e depois faz trasferencia para outro metrocable ( esse não é integrado, voce vai ter de pagar de novo), que tem estação terminal la no parque Arvi. Pra quem tem problema com altura , segura o coração, porque cara, voce sobe muito, e passa sobre os topos das arvores. E a cidade vai ficando para tras.
       No Arvi fomos fazer arborismo, Bem, o Andres sabe explicar melhor porque naquele dia tinha muita gente e ele é muito bom de conversa, é engenheiro quimico como eu, mas eu tenho a impressão de que ele é capaz de vender qualquer coisa com a conversa dele, em resumo, a gente não ia conseguir fazer o arborismo porque tinha chovido muito no dia anterior e la cai muito raios, mas ele conseguiu que a gente fizesse, sendo a ultima equipe do dia. Quando eles começam a falar rapido, a minha dica é entregar a Deus porque voce não entende nada, não importa o quanto peça para falar despacio (devagar). pressuponho que se voces quiserem procurar ele, ele ate faz esse trabalho de guia, agende e pergunte quando ele cobra. Alem de oferecer serviços fotograficos. Certamente ele ira comentar esse texto.
      No arvi há varias opções de lazer, assim que voce desse do metrocable tem uma feirinha la, e da pra comer muita coisa tipica, alem das frutas, sou apaixonado por frutas, mas as moras, fresas e a frutinha amarelinha que não sei o nome mas que com leite condensado fica muito bom, é inesquecível. De la voce pega um onibus que levam aos outros parques mas sem pagar nada mais. Só encarar a fila e aproveitar pra comer um doce feito da pata da vaca. É , eu tenho a impressão que eles se superam nas comidas exóticas. Mas a justificativa de que a jujuba seja feita da mesma patinha da vaca, não me fez achar uma coisa maravilhosa comer o doce, porem o se voce andar com o Andres esteja apto a comer todas as paradas.
       
      As atividades feitas no arborismo é incrivel e tem pra todo gosto, fiz uma com 18 atividades e consegui concluir antes de encerrar as atividades, porque tem de voltar para o metrocable antes das 17 que é quando eles fecham. Entao as 15-16 as atividades já estao sendo encerradas. Uma outra dica é comprar as passagens da volta já na ida, porque voces vao achar incrivel a fila de volta. Nós por exemplo, pegamos o metrocable mas em vez de seguir para o outro, pegamos um taxi e descemos na maior radicalidade da vida ... Medellim é uma cidade que cresceu num vale, entao imagina como é descer as ladeiras quando voce esta la nas montanhas. O taxista era um doido, mas sobrevivi.
       
      No sabado foi a despedida da familia que me acolheu, deixo um grande beijo em todos, em especial a tia do Andres que estava voltando a Bogota de busao ( e pra quem vai fazer esse percurso, segundo ela é muito confortavel), assim como a toda familia que me recebeu tao bem. O Andres me levou de uber de volta ao centro comercial San Diego, e dessa vez voce pega o busao pro aeroporto do outro lado da avenida. Não demorou e logo chegou, deixando para trás, um amor que levei da cidade. Cheguei no aeroporto, cheking, e voo para Bogota, para onde eu seguiria para a minha segunda cidade. Villavicencio.
       
      Villavicencio
       
      Quando eu estava no Brasil descobri que villavicencio tem aeroporto, mas ai já tinha comprado as passagens de MED para bogota, e iria fazer o trecho Bogota-Villavicencio de ônibus. Eu descobri que eles tem um voo a tarde, e talvez se eu estivesse descoberto antes teria optado para fazer esse trecho de voo. Era apenas 200 reais a mais e economia de horas. No fim, comprei as passagens de ônibus em Medellín mesmo, pela empresa Expresso bolivariano. Era semana santa e vai que não tivesse mais passagens, comprei para as 15 hs, porem cheguei em em bogota de meio dia. Peguei um taxi amarelinho na saida do aeroporto e fui para o terminal Salitre, a rodoviária deles. Talvez o preço mais caro que paguei, para algo tão próximo, 25 mil pesos. Pelo que andei lendo, taxi é a melhor forma de sair do aeroporto para ir a rodoviária.
      Chegando la, depois de comer um Subway e exercitar meu espanhol ótimo de viagem (rs), resolvi adiantar as passagens, e a menina queria apenas minhas passagens e uma fotocopia, que significa xerox, mas que para meu espanhol de viagem era apenas uma foto minha (rs). Bem, troquei e adiantei a passagem, para as 14 hs. E cai na estrada.
      O caminho ate Villavicencio faz voce repensar em sua vida, não me refiro as paisagens lindas, e aos rios que parecem sair de filmes com aquelas paisagens de montanhas. Mas por ter uma serie de viadutos que voce não enxerga o que esta embaixo de tao alto que são. Fui ate la me perguntando quantas pessoas já morreram fazendo aquele caminho. E quando não é viaduto, são tuneis, milhares de tuneis.
      A estrada esta sendo duplicada, entao há varios desvios e transito na ida, e meu ônibus sofreu um desvio pelo caminho antigo para chegar a cidade, o que me rendeu excelentes paisagens e quase enfartes.
      O povo de Medellin é chamado Paisa, o povo de Villavicencio Llanero, e se pronuncia em bom portugues (janero), tipo o primeiro mês do ano sem o i.
      Achei incrível a cidade, com sua simplicidade e com um povo tão receptivo e festeiro. Com uma rica historia e as comidas ( essa parte vai para toda a Colômbia e sua imensa variedade gastronômica).
      Quem me recebeu la foi o Alexander, debaixo de muita chuva e no português com sotaque de Carioca, ao som de Alcione.  Quero ressaltar que no quesito sonoridade o cara tem bom gosto. Depois de um pequeno city tour. E depois uma balada, a melhor e mais inesquecível que fui, "Los capachos" com tres ambientes enormes, e muito regeaton, funk também, quero ressaltar.
      Um resumo.
      A cidade esta crescendo muito, e tem um enorme parque, o parque malocas, que conta a historia da cidade e dos mitos que rondam por la. Foi inclusive onde o Papa Francisco foi recebido ao visitar a cidade. Eles tem uma especie de vaquejada nesse parque. E vale muito a visita, inclusive la voce pode ate ver apresentações da dança e musica tipica do povo, que é um som muito massa feitos por uma viola de 4 cordas, maracas e arpa. De la fomos a um parque que lembra muito o jardim botânico do Rio, que inclusive quero ressaltar a quantidade de verde que tem na cidade. Inclusive fomos a um shopping, centro comercial na língua deles, que tem cachoeira dentro. Pra mim aquilo foi impressionante.

      A noite seguimos a um mirante onde podemos tomar agua panela ( cara a primeira vez que escutei isso na casa do Andres achei que era agua de panela, ai já era demais, mas resumindo, agua de rapadura) com queijo para apreciar a vista. Um mirante que Só a misericórdia e uma tração muito boa pra subir, estava chovendo mas tiramos ótimas fotos da cidade; Aqui fica os meus agradecimentos ao Alexander assim como a seu irmão e cunhada que conheci nessa viagem. Adorei Villavicencio, e de boa, não conseguia pensar em mais nada na segunda feira a não ser sobreviver a volta. E não morrer.
       
      Na segunda, munido de uma fotocopia, adiantei novamente a passagem, e peguei meu ônibus de volta, pelo caminho original da coisa. E que aterrorizou tanto quanto o outro. Deu tempo de dormir e chegar a Bogota. Chegar a Bogotá era sinal que a viagem estava acabando () .
       
      Bogotá
       
      Cheguei em Bogotá, e com perdão dos Hermanos, tinha ido para escutar sim regeaton, mas não aguentava mais, e o taxista que me levou ate meu hostel, escutava nada mais nada menos que heavy metal. Pense! Hahahahhahaha
      Fiquei hospedado no Republica Hostel, no chapinero. De taxi da rodoviaria deu em torno de 12500. Não entendi mesmo como funcionava aquele taxímetro. Eles funcionam na base de números, por haver tantos zeros no dinheiro dos Hermanos, so que na tabelinha que fica atras do banco, só expressa valores ate o numero 185. E eu estava curioso e ao mesmo tempo com medo do que aconteceria depois do numero 185; bem, Graças a Deus que os números eram sempre ab aixo do 185.
      O hostel foi incrivel, no meu quarto alemao, ingles e belgos, ninguem sabia espanhol, estava ali pra aprender. Entao em terra de gente que não sabe espanhol. Yo fue Rei. Hahahahaaha
      De fato acabei ensinando portugues mesmo. Eles estavam seguindo para Medellin, dei dicas e sai pra explorar o bairro naquela segunda mesmo.
      Basicamente o que deve saber, o bairro é muito bom, farmacia, centro comercial e padaria perto do hostel, e o famoso transmilenio. Tinha tudo o que precisava e uma boa dose de frio. Bogota sofre de TPM, entao após meio dia ela mudava toda, e chovia muito, nem parecia que acordava com um sol lindo.
      Na terça, eu e meu colega de quarto, Sebastiam, saímos para o museu del oro. Lindo. Incrível a historia e a sacanagem do povo que levou a maior parte do ouro da Colombia.
      Abre as 9. Fecha na segunda. 4 mil pesos a entrada e mais 8 mil se quiser o sistema de audio.

       Mas como sou vida loca, vou tentando sem audio mesmo. O museu é basicamente, siga as setas e conheça a história. As 10 tem o free walking que sai da porta do museu, entao s evc chega as 9, da pra conhecer e ainda juntar ao free walking. De manha tem espanhol e ingles, e a tarde saindo do mesmo lugar, tem apenas em ingles. Fui para o de Espanhol, e o sebastiam que estava ali para aprender espanhol, foi para o de ingles. Vai saber né.
      Voce conhece muita coisa com o free walking e num determinado momento toma agua panela num bar que ela leva vc pra experimentar ( hahaha mas eu já sabia o que era a panela, não mais tenho susto raraaaa), e bem, como Bogota estava inconstante de meio dia caio um baita toró. Resultado, passamos pela plaza da independência no maior chuvão. E encerrou o free walking de 3 horas por ali mesmo. Foi onde conheci os uruguaios Guillerme e Julieta e a Mexicana Arantza. Inesqueciveis e muito simpaticos, e conhecem a musica  do Gustavo lima. Hahahahahah.

      Saimos para almoçar por ali mesmo, e por sinal , muito barato comer pelo centro. E aceita tarjeta ( hahahahah bato nessa tecla porque não são todos locais que aceitam cartoes de credito ta?)
      Depois de almoçar fomos caminhando ate o museu nacional, poe no google maps e ele te da a rota, a rota que te dar vai fazer vc passar pelo letreiro de Bogotá, assim como depois por um local que vende artesanato muito barato.
      O museu nacional também é barato a entrada, e conta a historia da colômbia. Depois vale tomar um café na cafeteria que eles tem internamente. Foi onde me despedi dos meus amigos de viagem e voltei de transmilenio no horario de pique para o hostel.
      A minha outra dica é voce baixar o app movit que te ajuda nas estacoes do transmilenio, e depois vai na fé, lendo, voce não entende e nem eles entendem tambem o sistema. Mas sei que peguei busao lotado, me lembrei do Recife. Juro.
      No final voce aprende a andar de boa, por mais que sejam lotados, vale a dica de segurança de manter a mochila e os pertences na frente, em qualquer grande cidade ne.
      A noite fui a uma balada no centro com o Henrique que me recebeu la no primeiro dia, e tive porre de Rum com coca, e prometi nunca mais na minha vida beber essa mistura. Por Deus, acho que não consegui dormir.
      Acordei, ou nem dormi na quarta feira, meu ultimo dia la. E seguindo as dicas dos amigos do dia anterior fui ao Cerro monserrat pela manha por causa do tempo de Bogota. Foi a melhor coisa, porque depois das 11 o tempo fechou.
      Chegar ao cerro do hostel é facinho, mas fomos encontrar mais dois colegas do Sebastian la no museu del oro e de la fomos andando. 20 minutos e voce chega ao local onde compra os tickets.
      20 mil pesos a subida e a descida. Mas os meninos preferiram descer a pé, tem essa opção, mas eu dispenso depois do peñol sabe.
      Subi de funicular e desci de teleferico.
      La em cima a visao é incrivel, mas não tente correr, devido a altura me senti com falta de ar e dar um mal estar enorme.
                                                                   
       
      Depois fomos almoçar perto da universidade de los andes, fica ali perto. Almoço baratinho nos restaurantes proximos.
      Nos despedimos e fomos a estacão universidades, que é a estação pra quem vem do chapinero e vai pra Monserrat. Pegamos o busao e segui de volta ao hostel, onde tomei banho, me arrumei e fui num supermercado comprar Suco de lulo, café e colombiana ( o refri de folha de coca deles). Aqui agradeço ao Esneider que me ajudou ainda com as compras.
      Voltei ao Hostel, me arrumei, chamei o uber e segui pro aeroporto.
      Procedimento de saida engraçado, quando a policia te aborda perguntando de onde veio, o que fez, e pra onde vai.
      Voo pro rio saiu as 22:30, cheguei as 6. e a Avianca Brasil trolou novamente, meu voo que estava la no app saia as 10, foi alterado para as 14 hs por altração de malha e ninguem me avisou ta? Mas já estava no Brasil, e indo pra casa. Enamorado pela colombia e com vontade de voltar.
       
      Uma dica - Compre um chip claro, e tenha internet muito boa, eles oferecem um pacote massa de 1 giga pra um mês que eu acabei em 4 dias por 21 mil pesos. Ai vc recarrega e vai comprando os pacotes la.
    • Por peter tofte
      Passo para vcs o relato de uma travessia Peterê, esperando que possa ser útil.
       
      Foi minha 2ª tentativa. Na minha primeira vez, junho passado, uma espessa neblina impediu de continuar a travessia a partir dos castelos do Açu. A névoa estava tão forte que várias pessoas, que já conheciam a trilha, desistiram de seguir em frente depois de se perder, sendo obrigados a retornar ao Açu.
       
      No final de semana de 13 e 14/09 tentei novamente. Sai da rodoviária Novo Rio 05:30 (1º ônibus para Petrópolis) e cheguei na rodoviária Bingen as 06:30. Depois o ônibus para o Terminal Correias seguido de outro para o Bonfim. Cheguei à portaria do IBAMA pouco antes das 09 hrs (impossível chegar antes se usar só ônibus).
       
      Desta vez deixei o GPS em casa. Só levei a xerox do livro “Trilhas de Petrópolis” do Waldyr Neto, na parte que trata do trecho Açu-Portaria Teresópolis. Tem uma boa descrição do caminho e esboços da trilha.
       
      Iniciei a subida pouco depois de 9 horas. Caminho fácil, que já havia trilhado. Mas estava quente e eu, ainda me recuperando de uma gripe, não estava em boa forma. Parava para recuperar o fôlego várias vezes, apesar de estar com uma mochila de apenas 13 kgs. O problema do primeiro dia da travessia não é se perder (a trilha é tranqüila e bem batida). O que pega é o grande desnível, creio que 1.200 metros. Logo antes da pedra do Queijo observei a derivação para a esquerda que desce e depois sobe para o morro do Alicate. A subida para o morro pela mata é bem íngreme. Imaginei o perêngue que o Ogum deve ter passado para subir para o cume do Alicate com uma mochila pesada. Cheguei na Pedra do Queijo e deitei um pouco para me recuperar. Acho que fiquei com hipertermia, pois demorei a recuperar o fôlego e diminuir os batimentos cardíacos com o descanso. Só depois de algum tempo segui para o Ájax. Lá enchi minhas garrafinhas de 500 ml. Só corria um filete de água. Sinal que esta é uma época seca.
       
      Cheguei 13:45 nos Castelos do Açu (~2.218 mts). Ou seja, 04:45da portaria até lá. Com bom preparo e pouco peso na mochila dá para fazer em 4 a 4,5 horas, possivelmente até menos. Os Castelos já fazem valer o passeio. Tem muita gente que só faz este trecho. A vista de noite do norte do Rio, iluminado, é muito bonita. Dá para ver também as luzes de Magé.
       
      Apesar de cedo já me preparava para armar acampamento, pois a previsão para o dia seguinte era de chuva. Preferia acampar ali para avaliar na manhã seguinte se haveria condição de atravessar. Não queria avançar sozinho e depois não ter visibilidade para voltar se a névoa fosse pesada amanhã. Porém surgiu um casal que ia fazer a travessia e pude acompanhá-los. Fiquei mais tranqüilo quando disseram que tinham previsão atualizada, mostrando que só haveria chuva no dia seguinte, pela tarde.
       
      Eram o Tacio e a Gerusa, escaladores experientes e muito safos em matéria de trilha. Estavam bem equipados.
       
      Retomamos a caminhada após encher os cantis na bica do Açu. O primeiro trecho é fácil de seguir, até a subida no cume do morro do Marco. Aí começa um trecho que muita gente se perde. Ao chegar no topo devemos virar a direita seguindo pela crista até achar uma mancha esbranquiçada na laje, onde ficava o marco. Descemos dali para o outro lado virando um pouco para a esquerda, descobrindo a trilha que se alterna entre lajes e terra. O caminho desce em direção ao Vale do Paraíso. Quase sempre descende em diagonal para a esquerda, como que mirando para o cume do Morro da Luva, a sua frente. Lá embaixo passa por uma pequena grota e sobe um morrete. Ao descer de novo vc já está na área de acampamento do Paraíso. Área bonita para acampar. Alguns conhecem o local por Geladeira. Embora Tacio quisesse seguir nem eu nem Gerusa estávamos com muita disposição. Ainda era cedo, 15:30, mas a subida para o Açu, desde o Bonfim, me deixou cansado. Além disso, o próximo lugar para acampar era depois do morro da Luva, ao lado de um pequeno riacho, onde não tinha certeza se haveria água.
       
      Ficamos por lá. O Tacio mostrou a barraca Quéchua da Decathlon. Fiquei bem impressionado com a qualidade dela. Era uma geodésica, baixa, não muito pesada e tinha pontos de fixação nas laterais. Parecia ser uma 4 estações.
       
      Preparamos a janta e jogamos conversa fiada. Falamos bastante de equipamentos e viagens. A lua estava quase cheia. O Paraíso é um lugar bonito. Pena que havia muito papel higiênico ao lado do caminho, obra de meninas sem a menor educação de trilha.
       
      Logo cedo choveu um pouco. Minha barraca amanheceu cheia de condensação no teto. Nada anormal para uma barraca de um só tecido. A Quéchua do Tacio estava com o sobreteto tb molhado por dentro. Estas montanhas são muito úmidas.
       
      Meus vizinhos fizeram um café da manhã numa sanduicheira em cima do fogareiro de benzina. Isto é que é gostar de sanduíche de queijo quente!
       
      Despertamos 5:30 e saímos 7 horas. Logo após o córrego a subida começa por uma belíssima mata nebular: árvores cheias de musgo e epífitas. Bromélias e orquídeas em profusão. Pequenas orquídeas com uma bonita flor vermelha enfeitavam a mata. Estas florestas são especiais. A alta umidade, deixada pelas nuvens de passagem, cria um belo ecossistema.
       
      Ao sair da mata uma bonita vista para trás do Açu. Na crista da Luva deixamos as mochilas e caminhamos para a esquerda para atingir o cume da Luva, envoltos pela névoa. Foi uma andada de cinco minutos. Tivemos sorte e as nuvens abriram um pouco permitindo uma vista do Sino. Descemos e continuamos a caminhada. Trilha fácil, bem marcada. Achamos o local de acampamento logo após a Luva. Ótimo local, com um riachinho correndo. Tem ótima vista em direção ao Sino. Mas é menos abrigado dos ventos.
       
      Enchi minhas garrafinhas e continuamos descendo. No lajeado, lindas Amarilis com sua grande flor vermelha. Não conhecia esta flor. Foi a Gerusa que me disse o nome. Nunca as vi na Chapada Diamantina. Parece que só brotam a alta altitude aqui no Sudeste (posteriormente, em trekking ao Pico das Almas, na Bahia, vi-as lá também).
       
      Seguimos pelas lajes até chegarmos ao fundo do vale onde se avista um corrimão de cabo de aço e dois pontilhões. Do outro lado o elevador. O elevador já é bem visível durante a descida rumo ao Morro do Dinossauro (como uma risca branca no morro). A subida do elevador não é assim puxada ou arriscada, pois a encosta não é vertical. Em vários pontos deixei de usar os degraus de ferro fincados na rocha porque achava que mais atrapalhavam do que ajudavam. O problema é que os degraus são muito projetados para fora.
       
      No topo novamente a névoa. Sorte que o Tacio estava com um ótimo GPS seguindo um track log. Quando desviávamos um metro da trilha o bicho avisava. Covardia! Perde um tanto o espírito esportivo, mas é muito confortável! Dá para confiar somente no GPS? Não. Ele pode quebrar. E outra coisa: aqui ele é útil seguindo um track log e não através de way points, pois entre dois way points pode haver um abismo...
       
      Seguimos até avistarmos o Vale das Antas. Belíssimo vale, mas quem chama a atenção mesmo é o Garrafão. Lá embaixo ótimo ponto para acampar, cercado por bambuzinhos. Lanchamos neste lugar.
       
      Lá soube que o Tacio ganhou de aniversário (que foi na véspera, comemorado acampados diante da Portaria do IBAMA), presente da Gerusa, a bonita mochila Deuter 70+15 Pro que usava (êta presentinho bom para ganhar da namorada!). Ela também estreava sua Deuter. Por isso estavam, ao meu ver, com uma mochila grande e pesada para a travessia (mais espaço que o necessário - elas são mochilas para travessias de uma semana): eles as estavam testando pela 1ª vez. Eu também faria a mesma coisa. Sempre somos fominhas para testar equipamentos novos.
       
      Atravessado um riacho (o maior da travessia) através de uma pequena ponte, começamos a subir por uma pequena mata. Quase no topo avistamos e passamos por cima da pedra da Baleia, que realmente lembra bem o dorso de uma Baleia.
       
      A vista do Garrafão a direita é espetacular. Um mar de nuvens cobria toda a vista abaixo de nós. Não avistávamos o Dedo de Deus. Apenas o gargalo e o tampo do Garrafão. Uma das coisas bonitas do montanhismo é a possibilidade de passear acima das nuvens.
       
      Depois começamos a descer para o último vale antes do Sino. Logo ali descolou o solado de minha bota Salomon. Sorte que estava com Silver Tape enrolado no bastão de caminhada. O remendo foi rápido.
       
      Começamos a subida íngreme.Em meio a névoa reconheci rapidamente o temido “cavalinho”, que havia visto em fotos. De longe assusta um pouco. Porém ao chegar perto percebemos que a inclinação não é tão acentuada e que possui agarras fáceis. É só não olhar para o abismo a esquerda. Para quem tem pernas compridas, como eu, é fácil fazer o movimento de montar um cavalo, para transpor a pedra (daí o nome cavalinho).
       
      Passado este ponto, continuamos a subir.Há uma escada de ferro adiante.Logo acima, quando descortinamos uma boa vista para um vale cheio de mata à esquerda, achamos a bifurcação que sobe para o cume do Sino.
       
      Lanchamos e subimos deixando as mochilas. Levamos os impermeáveis (utilíssimos nesta travessia). Os dois levaram máquina fotográfica. Após10 a 15 min o cume com um belo visual. Praticamente um tapete de nuvens encobria tudo que estivesse abaixo dos 1.800 –2.000 mts. Tiraram fotos. Lamentei não ter levado minha máquina. Não quis trazer pela previsão ruim do tempo e pelo peso. Um vento frio cortante chacoalhava meu poncho. Deve ser uma experiência e tanto acampar no topo do Sino (2.275 mts).
       
      Chegar no Abrigo 4 é fácil, visível do Sino. Ali reabasteci de água e descemos. Haja zig–zag até chegar à portaria em Teresópolis. É proposital para evitar a erosão. Porém apressadinhos fazem atalhos, cortando uma vertical. A erosão é evidente nestes locais. Pegamos bastante chuva na descida. Creio que não pegamos chuva até o abrigo 4 apenas porque ficamos acima das nuvens. A trilha é muito bonita e tranqüila.
       
      Ainda tive a mordomia de ter uma carona até a casa de minha tia no Rio, onde eu estava hospedado, gentilezas do Tacio e da Gerusa. Senão ia ficar num ponto de ônibus ainda esperando para ir para a rodoviária de Teresópolis e depois finalmente descer para o Rio. E estava num estado lamentável. Acho que nenhum ônibus iria parar pensando que se tratava de um vagabundo de beira de estrada...
       
      A travessia é belíssima. Comparável as mais bonitas que fiz na Chapada Diamantina. Sugiro evitar feriadões, pois fica muito muvucado, segundo relatos. E, também, ter uma boa experiência, mapa e prática de navegação (caso contrário, contrate um guia). Olhar a previsão do tempo, não só porque a trilha fica bem mais difícil com chuva e nuvens como também vc perde o espetáculo de ver o visual do Garrafão e o Dedo-de-Deus.
       
      Para evitar um impacto desnecessário aconselho deixar o banho para a volta, ou para o Abrigo 4, pois os córregos são pequenos e o sabão sempre polui a água. Além disso, a água normalmente é tão fria que vc não vai ter vontade de tomar banho mesmo. Evite lavar as panelas/pratos nos riachos. Lave-os a uma distância segura deles.
       
      Dá para fazer em dois dias. O pessoal de corrida de aventura faz até em um dia. O ideal é 3 dias, mais relaxado e com mais tempo para paradas e curtir as vistas.
       
      Tomo a liberdade de passar o link do site do Tacio e do blog da Gerusa, onde estão as fotos da travessia. Ele e Gerusa também tem relatos da caminhada nos seus blogs.
       
      www.tacio.com.br
       
      gerusapalhares.multiply.com
       
      Abraços, Peter
    • Por peter tofte
      Cachoeira do Rio das Lajes e do Mixila - Chapada Diamantina
       
      Um guia, amigo meu, o Miguel, mudou-se de Mucugê para Lençóis (Chapada Diamantina) e pediu-me para mostrar-lhe as trilhas para as cachoeiras do Mixila e do Rio das Lajes, que ele ainda não conhecia.
       
      Sábado, 21/03, saímos de Lençóis praticamente ao meio dia, atrasados por fortes chuvas que caíram desde a noite anterior. Para adiantar o lado, pegamos duas moto-táxi para foz do rio Piçarra, na estrada velha do garimpo, entre Lençóis e Andaraí. De lá subiríamos a Serra do Bode, começando a trilha. Devido à cheia, elas não conseguiram atravessar o rio Capivara. Os 20 minutos restantes do trajeto fizemos a pé. Mas valeu o adianto. Por 20 reais cada foi um passeio com emoção! Economizamos 2 horas de caminhada (8-10 km).
       
      Subimos a empinada serra do Bode em cerca de uma hora. No topo percorremos uma canaleta de garimpeiros, numa curva de nível ao longo da encosta do vale do Piçarra. Deixamos a canaleta no seu término (onde ela capta as águas do Piçarra) e com mais 10-15 minutos de trilha chegamos à tubulação abandonada. Andamos por cima desta e quase no final pegamos uma trilha a esquerda, seguindo o Piçarra, que também dobra a esquerda, rumo Sul.
       
      Com mais 25 minutos cruzamos o Piçarra e chegamos numa toca de garimpeiro bem estruturada, um bom lugar para acampar, onde dá para montar umas 5-6 barracas. Continuamos a seguir rumo Sul. A trilha recomeça atrás da toca. Com pouco tempo subimos para um lajeado extenso. A trilha não é difícil de seguir. Não há bifurcações que possam confundir. A única, meio apagada, vem bem depois do lajeado, à direita, e segue para o Morro Branco do Capão, normalmente só usada por garimpeiros. Foi uma das trilhas mais difíceis que fiz na Chapada, só que no sentido contrário, vindo do Capão. Mas, voltando a nossa caminhada, devemos pegar a trilha da esquerda, bem mais batida.
       
      Já pouco antes da toca do rio das Lajes, caminhávamos rapidamente, pelo adiantado da hora, com capinzal em ambos os lados da trilha. Quase piso numa cobra Coral. Ela cruzava o caminho e já estava com metade do corpo dentro do capinzal. Provavelmente como vínhamos rápido ela não teve tempo de se esconder totalmente. Os ofídios sentem a aproximação de pessoas pela vibração no solo. Minha pisada ficou a 10 cm da cobra. Parei em cima da bicha porque vinha rápido e o caminho em curva, com capim, não permitia ver muito adiante. A Coral não é uma cobra agressiva, mas se pisasse nela ela se defenderia me picando. O pior que estava estreando minha sandália e bermuda.Não teria nenhuma proteção contra a mordida! A maioria das picadas de cobra fica na altura do tornozelo ou abaixo, ponto para as botas de trekking. A sandália é muito mais leve e confortável (deliciosa se comparada a botas), porém tem esta desvantagem.
       
      Se, ao invés de uma Coral, fosse uma cascavel enrodilhada, tava ferrado. A 10 cm ela teria me dado um bote.
       
      Lição: sandália tem muitas vantagens sobre as botas, mas em terrenos de mato fechado e capinzal alto é preferível à bota, especialmente se vamos andar rápidos na trilha. Com sandália devemos ser mais cuidadosos e vagarosos na trilha.
       
      Cruzando um riachinho, escorreguei e na queda quebrei a seção inferior da minha Leki Makalu. Uma pena. Este excelente bastão já me prestou bons serviços em 2-3 anos de uso. O outro continuei usando como bastão de apoio.
       
      Perto da toca a vegetação cresce. Fiquei olhando para o chão preocupado com cobras e acabei metendo a cara numa grande teia de aranha que cruzava o caminho. Com a teia no rosto me virei para trás e perguntei ao Miguel se ele enxergava a aranha. Ele fez uma cara de espanto e rapidamente tirou o chapéu australiano dele e deu uma bofetada na minha cabeça, atirando longe a grande aranha que estava em cima do meu boné! Ainda bem que ela não parou no meu rosto.
       
      Antes de chegar na toca ainda atropelei com o rosto mais duas teias. Decidi usar o bastão na frente, erguido em riste, para evitar novas surpresas.
       
      A toca estava vazia. É uma das mais belas tocas da Chapada. Muito bonito o local e pertinho da cachoeira do rio das Lajes. Levamos 3 horas e pouco desde a estrada. Um bom pique!!
       
      Largamos as mochilas e descemos para o rio, subindo-o por 5 minutos até a cachoeira, para um banho e pegamos água para o jantar. A cachu tinha muita água devido às chuvas.
       
      A janta foi uma receita do Sergio Beck, de batatas e cebola com lingüiça calabresa (só precisa de uma panela). Fácil de fazer e gostoso. O saco é descascar batatas. O tempo de cozimento também é mais longo do que o tradicional macarrão.
       
      Montei a minha barraca em cima de um lajeado, debaixo do avarandado de pedras enquanto esperava cozinhar. O Miguel iria montar a dele na área que hora cozinhávamos. Nesta toca é possível dispensar as barracas
       
      Fizemos uma pequena fogueira para espantar os mosquitos (este é o lugar da Chapada que conheço que mais tem mosquitos). A fumaça e a noite espantaram os insetos. Infelizmente nem o paraíso é perfeito!
       
      Após a janta, já escuro, subimos para uma pedra e admiramos as redondezas sob céu noturno. Ao longe, direção leste, relâmpagos, para além dos Marimbus. Nosso céu, porém, estava estrelado sem nuvens.
       
      Durante a noite choveu um pouco, mas não percebemos debaixo do lajeado. O barulho da cachoeira não permitiu ouvir a chuva.
       
      Manhã de domingo nublada, mas no meio da manhã o tempo abriu. Mostrei ao Miguel onde continuava a trilha rumo ao rio Caldeirão (mais ao sul ainda). Após lavar os pratos e talheres com areia, subi o rio para tirar fotos e tomar um banho de cachoeira. O sol surgiu a tempo de me secar.
       
      Saímos tarde do acampamento, por volta de 11 horas, retornando pela mesma trilha. Rumamos para o cânion do Capivari, onde fica a cachoeira do Mixila. No dia anterior, quando deixamos a tubulação e viramos a esquerda, se tivéssemos ido em frente rumaríamos para o Mixila. Alguns mais velhos conhecem esta queda d’água como a cachoeira do Canto Escuro.
       
      Ao chegarmos na entrada do cânion, procuramos o bicano e nele seguimos pela margem direita (verdadeira) do Capivari. Ao final dele continuamos, a maior parte do tempo no leito do rio, num pula-pedra. Algumas vezes, em trechos curtos, íamos pelas margens. Observarmos marcas que mostravam que no dia anterior o rio estava bem mais alto devido às chuvas. Provavelmente teria sido impossível subir para a Mixila ontem.
       
      O Miguel foi à frente, pois ele é muito habilidoso em subir leito de rio (e não conheço a Mixila, apenas sei onde começa o cânion). Ele é um guia muito requisitado, um dos melhores da Chapada, aparecendo como guia em reportagens na revista Terra e Viagem.
       
      No caminho avistou uma cobra espada (não venenosa). Tentei fotografá-la, mas ela é muito rápida.
       
      O cânion fica estreito após 40 minutos de pula-pedra. Um paredão vertical não deixa espaço para as matas nas margens.Alias, não há margens!
       
      Avistamos uma grande queda d’água na parede lateral a nossa direita do cânion. Porém parecia algo criado pelas recentes chuvas, não uma queda perene.
       
      A partir de determinado ponto uma lagoa de águas cor de Coca-Cola. Só nadando dava para prosseguir. Largamos a mochila, coloquei o calção e segui nadando por 100 metros. Este poção termina numa pequena cachoeira com 6 a 8 metros de queda. Seria ela a Mixila? Fiquei decepcionado. Tentei subir pela pequena parede ao lado, mas estava molhada e escorregadia, cheia de limo e musgo. Não havia marcas de escalada (os pontos de apoio, as pegas na rocha, não têm musgo). Assumi que dali ninguém passava. Mas pude ver que o cânion continuava com mais duas cascatas acima.
       
      Voltamos e ainda demos uma parada num poção que fica logo antes da entrada do cânion. Descemos a serra do Bode, percorrendo agora a pé a estrada velha do garimpo. Alcançamos o rio Ribeirão já no escuro. Usamos as headlamps e chegamos em Lençóis quase 8 da noite, bem cansados.
       
      Passei numa agência e vi a foto da Mixila. Lembra um pouco a Cachoeira do Buracão em Ibicoara. Não chegamos nela. A cachoeira tem uma queda muito grande. Estava ainda a 30-40 minutos de onde chegamos. Não daria para ir e voltarmos antes do anoitecer.
       
      A Mixila ficará para outra vez, saindo mais cedo e com menos água no rio. É um trekking para 2 dias.
       
      Cachoeira do Rio das Lajes:
       

       
      Cachoeira lateral do canion, formada devido as chuvas (a caminho da Mixila)
       

    • Por peter tofte
      Relato do trekking na Quebrada Santa Cruz. Trekking fácil e tranquilo, mas que deve ser feito com alguns cuidados . Quem sabe incentive outros a fazer o mesmo roteiro conhecendo este país tão bonito que é o Peru.
       
      Antes de fazer o escrito, um relato fotográfico, para quem quer só imagens e não blá-blá-blá....
       
      Início da Quebrada Santa Cruz, em Cachapampa.
       

       
      Bonitas bromélias as margens do Rio Santa Cruz
       

       
      1º acampamento: Llama Corral.
       

       
      A bonita Laguna Jatuncocha, de água azul turquesa.
       

       
      Lupínios azuis. Exalam um perfume forte e agradável no meio do dia.
       

       
      Vou postando aos poucos, as fotos!
       
      Peter
    • Por peter tofte
      Pessoal:
       
      Segue um relato da caminhada à cachoeira Sertão Zen, em Alto Paraíso-GO. Para quem está em Brasília e tem o final de semana livre, é um bom programa. Foi sugestão do nosso trilheiro-mor, Jorge Soto.
       
      Peguei o busão da empresa Santo Antônio das 15:30 na rodoviária do Plano Piloto, sexta 16/07. Ônibus ruim, que lotou no trajeto, com muita gente no corredor. Pessoal quer ganhar dinheiro servindo mal a população (poucos horários, assim vai lotado). Num determinado momento alguns passageiros em pé gritaram “pneu, pneu motorista!”. Ferrou, pensei, furou o pneu. Na verdade era um ponto de ônibus que se chamava “pneu”, que o motorista já ia passar sem parar. Três pneus velhos presos numa estaca marcam o ponto na beira da estrada. Ri sozinho quando percebi minha conclusão apressada.
       
      Viagem chata, muita parada, só distraída pelo som do iPOD e pelo excelente “Matadouro 5”, livro de Kurt Vonnegut.
       
      Cheguei as 19 e pouco em Alto Paraíso, com frio e uma fina garoa. O recepcionista do Hotel Átrios – muito simples, perto da rodoviária, R$30 - disse que a garoa é típica desta época do ano, não era sinal de que iria chover.
       
      Comi uma pizza e fui dormir cedo.
       
      Levantei sábado às 05:30, pois o café começava às seis. Saí e só no meio da principal avenida da cidade, a Ary Valadão, descendo ladeira, percebi que havia esquecido a chave do quarto no bolso. E tome voltar ladeira acima para deixá-la na pousada.
       
      É fácil seguir para a trilha. Basta rumar em direção a Serra Paranã ao fundo, procurando por placas indicando “Loquinhas”.
       
      Planejei o caminho olhando no Google Earth. Acabei por pegar um atalho que subia direto, exatamente a Este da cidade (90º) meio que formando uma linha reta continuação da Avenida Ary Valadão, visível do alto do morro. A rota que a maioria do pessoal usa vai para a esquerda, seguindo a estrada (não ruma em direção as Loquinhas), e é bem mais longa, porém menos acidentada e com trilha bem mais fácil, visível.
       
      Chegando no topo da serra, avista-se um geralzão à frente, inclinado, descendo para o Norte, com uma cerca cruzando no meio do pasto (a cerca segue no sentido N-S). Não havia mais trilha. Andei até esta cerca, cruzei-a por baixo e segui para um morro solitário, um pouco à esquerda. Sabia que a cachoeira estaria mais adiante, a esquerda, atrás deste morro. Ao atingir o sopé do morro o terreno ficava pedregoso com mato baixo. Larguei a mochila e subi um pouco o morrete até umas pedras donde tirei o monóculo do bolso. Dava para avistar ao longe, Norte, um geralzão com mata ciliar e uma trilha clara. Era o caminho normal para a cachoeira. A mata ciliar que avistei protege um dos rios que vai cair na cachoeira. Tinha memorizado isto quando consultei o Google Earth.
       
      Eu estava entrando no vale de um riozinho seco (nesta época) que se juntaria ao outro avistado, formando um Y logo antes da cachoeira. Terreno chato, empedrado, com muita canela de ema e árvores retorcidas e espinhosas, típicas do cerrado. Como o terreno estava difícil e sem trilha resolvi sair deste valezinho, sair do leito do rio que agora tinha alguma água empoçada, e subi uma pequena crista para alcançar do outro lado o geralzão (ô coisa deliciosa de andar, um geralzão!). O que parecia perto foi um demorado e cansativo vara-mato, na verdade um campo pedregoso bem sujo.
       
      Quando cheguei na mata ciliar bebi avidamente água do córrego. Cruzei-o e subi o campo geral procurando a trilha, que achei 1 ou 2 minutos após. A trilha descia rumo Leste e cruzava mais abaixo o riozinho. Segui e mais adiante perdi a trilha. Tomei a direção que o relevo indicava ser a da cachoeira e fazendo zig-zag acabei achando novamente a trilha. Ela segue sem problemas até descer para o leito de um rio (o mesmo, seco, que havia encontrado antes, mas agora já com água corrente). Se eu tivesse continuado a descer naquele valezinho seco iria parar ali.
       
      Leito fácil de seguir com pouca água. Visual bonito. Em 20 minutos ou menos aparece uma “muralha” de pedra à direita do rio e observa-se uma trilha saindo do leito e passando a direita desta muralha. Sobe e, no que desce, cai já em cima do poção superior da Sertão Zen, de onde ela inicia sua queda. Poção bonito, ótimo para banho (sem tromba-dágua!). O visual é de uma piscina infinita, aquela que tem em alguns hotéis 5 estrelas e $$$$$. A diferença é que aqui é natural, mais bonita e não custa nada! Lindo local.
       
      Tirei a roupa e, como estava sozinho, mergulhei nu. Fotos e mais fotos. Um vento forte, vindo do vale dos Macacos, fazia gotas da cachoeira subirem. Algumas vezes olhei para o céu pensando que iria chover até descobrir que era apenas a força do vento fazendo a água vencer a gravidade.
       
      A arquitetura das rochas de ambos os lados e acima da cachoeira é muito interessante. Procurei a “sentinela” uma formação rochosa conhecida, mas não achei. Tome-lhe tirar fotos (depois em casa, olhando uma delas, acho que descobri a “sentinela”!).
       
      Procurei a descida para o vale dos macacos, mas não avistei (Jorge Soto tb não achou).
       
      Fiquei uma hora para duas horas curtindo aquele cenário e almocei. Lá havia apenas um pequeno espaço onde dava para montar a barraca, perto do poção. Mas como no dia seguinte teria que pegar o busão de volta para BSB às 15 horas, eu achei melhor voltar um pouco, pela rota normal, porque ainda era cedo e queria chegar rápido, domingo, em Alto Paraíso.
       
      Também um monte de gravetos perto do único lugar bom indicava que a água subia quase até lá (tromba d’água?). Não chove nesta época, mas quem garante! Quando era um trekker novato já acampei em bancos de rio. Mas já gastei toda a sorte dos tolos e não arrisco mais.
       
      Voltei e ao tomar o geralzão, após cruzar novamente o riacho, uma trilha fácil segue NO mantendo a mata ciliar a bombordo. Depois de 1 hora aproximadamente a trilha vira abruptamente à esquerda e segue Oeste. O caminho continua mantendo a mata ciliar à esquerda, se afastando a medida que avança pois o sendero sobe levemente enquanto a mata fica no vale pouco abaixo.
       
      Mais uma hora e cheguei num ponto mais alto, com árvores retorcidas onde avistei Alto Paraíso. Pronto, agora conhecia a rota normal e sabia quanto tempo necessitaria no dia seguinte para chegar a “Paradise”.
       
      Não é a toa que o pessoal prefere esta trilha para a Sertão Zen. Muito fácil e muito aprazível.
       
      Voltei e desci para a mata procurando água. Não gosto de acampar longe da água, por motivos óbvios. Além disso, meu estoque tava baixo. No ponto mais próximo de mata ciliar, tudo seco. Continuei descendo, desta vez seguindo por uma trilha do outro lado da mata, paralela a esta. Por mais duas vezes entrei na mata atrás de água. Nada. Fiquei chateado, pois estava voltando em direção a Zen. Mas sabia que cedo ou tarde apareceria água.
       
      Vi um ponto para onde a trilha seguia, sem mata, onde deveria estar o curso normal do córrego. Quando me aproximava um tucano levantou vôo de uma árvore próxima. Primeira vez que avisto este pássaro fora de um zôo! E logo abaixo o córrego, agora com água corrente.
       
      Tratei de tirar a mochila e escolher um local para acampar mais afastado do riacho. Capinzão bom para armar a barraca. Tirei os artigos de cozinha e fui fazer a minha comida liofilizada junto ao córrego. Primeiro uma sopa, depois o prato principal.
       
      Enquanto a água esquentava fui até o local da barraca, pisoteei o capim para procurar pedras e tocos e, satisfeito, armei a tenda.
       
      Após a janta um banho de panela. Pego a água, me afasto das margens e jogo em cima do corpo. Tem que repetir esta operação várias vezes. Depois ensaboar e fazer a mesma coisa. Mais importante ainda se afastar para não poluir o rio com sabão.
       
      Alimentado, limpo, assisti a um belo por do sol. Li e ouvi música um bocado antes de dormir. Noite com uma temperatura super agradável. Apenas um pouco de chuvisco. Estou gostando muito do colchão NeoAir da Therm-a-rest. Levíssimo e confortável.
       
      Domingo acordei bem cedo, por volta de 4:30 para 5 horas. Queria sair logo. Mas como tardou para clarear o dia! Esqueci que estava bem mais a Oeste que Salvador/Bahia.
       
      Após o café desarmei a barraca e tratei de recompor o capim amassado pela tenda. Este foi um dos lugares mais tranqüilos e bonitos que acampei aqui no Brasil.
       
      Voltei pelo caminho normal do dia anterior e depois de boa descida cheguei ao início da estrada de terra. Caminhando, um fusca 72 parou ao meu lado e um goiano muito gentil ofereceu carona. Agradecido subi no carro e o motorista além de me levar para a cidade saiu do caminho dele e me deixou em frente à pousada. Gentileza assim só no interior do Brasil!
       
      Cheguei bem cedo. Tive tempo de tomar um banho, almoçar e passear pela cidade. Visitei o Centro de Informações Turísticas. Descobri que a Sertão Zen praticamente é a única aberta a visitação sem exigir pagamento. As demais estão dentro de áreas particulares e cobram taxas. Parece um “pay-per-view”.
       
      Pior ainda é o P.N. da Chapada dos Veadeiros, proibindo acampar dentro do Parque. No P.N. da Chapada Diamantina isto não ocorre, por isso tem tanto fluxo turístico para lá!
       
      Parques muito melhores e muito mais conservados da Argentina e Chile não proíbem camping. Eles apenas indicam a área onde podemos acampar. Mesma coisa nos Estados Unidos. Na Europa quando limita é porque tem abrigos nas montanhas (refúgios) dentro do parque.
       
      Recomendo este passeio, muito fácil e tranqüilo, para um final de semana, se estiverem em Brasília. Dá para fazer bate e volta (Alto Paraíso-Sertão Zen) no mesmo dia, se não quiserem acampar.
       
      As fotos, postarei em seguida.
       
      Boa viagem e pé na estrada!
       
      Peter
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