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Wilson Iwazawa

Pico da Bandeira pelo lado mineiro – 20/06/2014 – Primeira trilha

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Oi pessoal.

Depois de mais de um ano postergando este relato, me forcei a finalmente escrever. Principalmente pelo fato do fórum ter sido um componente fundamental no planejamento. Os relatos, análises de equipamentos, etc, me ajudaram bastante e espero retribuir da mesma forma.

Sou de Belo Horizonte. Até então nunca havia pensado na possibilidade de fazer alguma trilha. Nunca tive vontade de acampar, andar na natureza. De repente alguns amigos que estavam planejando a subida me convidaram. Pela curiosidade (e por uma tentativa de mudança de comportamento, ao negar menos convites) resolvi encarar.

Iríamos no feriado de Corpus Christi. Nestes feriados prolongados o fluxo de pessoas subindo aumenta consideravelmente. Mas era mais uma questão de tempo mesmo. Chegaríamos com calma no dia anterior à subida e partiríamos no dia posterior à descida, sem correria.

Combinamos uma subida com guia, não havia ninguém no grupo com experiência. Pauso aqui para recomendar muito o Rogério, ótima pessoa e profissional. Dono também da pousada/hostel que ficamos, a Querência, que recomendo muito também.

http://www.picodabandeiratur.tur.br/

 

Sobre os preparativos: consultei bastante o fórum, acertei em algumas escolhas e vacilei principalmente em alugar os equipamentos. Listo abaixo algumas recomendações e observações.

 

O que comprei/levei:

- Fleeces Forclaz Quechua – Bons e baratos, passei a usar bastante no dia a dia no inverno.

- Bota Vento Finisterre – Gostei muito, resistente, com boa aderência e estabilização. Extremamente confortável, quase não precisa amaciar antes. Passei a usar no dia a dia também.

- Meias sintéticas – essencial para evitar bolhas. A grossura depende da resistência ao frio da pessoa.

- Segunda pele Quéchua – Bem “mais ou menos”. Barata, mas o material não é grande coisa. Ficou meio apertada, apesar de ter trocado de M para G.

- Toalha de alta absorção – Muito frio para banho. Só serviria para secar suor, mas isso acontecia naturalmente.

- Camisetas sintéticas

- Calça e bermuda sintética – redundantes, recomendo aquelas conversíveis.

- Chapéu – Na cidade vendem bonés/chapéus legionários a preços bons, recomendo.

 

O que aluguei:

- Mochila – baixa qualidade e pouco ergonômica. O que salvou foi que não carregamos as mesmas. Uma de 30 litros basta.

- Saco de dormir – Grande vilão. Não me informei muito bem e aluguei um qualquer. Provavelmente apropriado para 10-15 graus. Porém o acampamento chegou a -1º na madrugada. Mesmo com a segunda pele, os fleeces e até o anorak foi dureza. Não consegui dormir (todos os que não levaram um apropriado ficaram acordados).

- Gorro – De tricot/lã, ou seja, inútil com vento. Tive que sobrepor o chapéu, ficando meio ridículo.

- Luvas – De tricot/lã, inútil também. Minhas mãos gelaram bastante.

- Cachecol - De tricot/lã, nesse caso ficou ok.

- Anorak – básico, estava ok.

- Barraca – estava ok. Importante ter a lona isolante. Um dos meus amigos levou uma sem e improvisou uma cobertura com a capa da mochila, que amanheceu congelada.

- Isolante térmico – Basicamente uma borracha. Estava tão frio por conta do saco inapropriado que não sei se fez diferença. O chão irregular incomodava também.

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Chegamos à Alto Caparaó no dia 19. Ficamos hospedados na Pousada Querência. Bons preços, acomodações de acordo. Os donos, Solange e Rogério, muito atenciosos. Recomendo!

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Toca dali para almoçar em um restaurante na praça onde ficam os jipes que levam o pessoal. É um restaurante simples e barato e por experiências posteriores, melhor que alguns outros mais caros na cidade.

 

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Após o almoço, subimos de jipe (R$ 150,00 para 1 a 5 pessoas) até a portaria, onde é paga uma taxa de entrada e uma de camping (R$ 12,50 e R$ 6,00 respectivamente na época).

Dali, seguimos de jipe até a Tronqueira, onde há o primeiro camping e início de outras trilhas.

 

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Contratamos as mulas para carregar a bagagem (R$ 150,00 por mula). Todo mundo com pouca experiência alguma insegurança sobre a capacidade de carregar por conta (além das mochilas alugadas não serem grande coisa, o que resultaria em uma baita dor nas costas posteriormente).

 

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Iniciamos a caminhada de 3,7 km até o Terreirão por volta de 14h, bem tranquila.

 

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Há muita água no caminho, não sendo necessário um cantil ou garrafa muito grande. Uma ou duas de 500 ml é o suficiente.

 

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O guia faz paradas periódicas pelo caminho, para poupar a galera desacostumada.

 

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Detalhe para este senhor que estava no grupo. Que equipamento que nada! Subiu a trilha de Crocs e uma sacola de supermercado. E a gente preocupado com bota, etc...

 

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Chegamos ao Terreirão com em torno de 15:30h. Hora de montar as barracas. Uma névoa pairava sobre o mesmo. A mesma mantinha a temperatura em valores civilizados, até cerca de 22h, quando se dispersou e o frio bateu bonito.

É possível passar a noite na casa de pedra, bastando chegar primeiro. O camping conta com banheiros femininos e masculinos com chuveiros e também lavatórios externos. Há uma casa de apoio para os guias. Em casos extremos é permitido o pernoite na mesma, como foi o caso de um casal de australianos que não estava apropriadamente preparado para o frio da noite.

 

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Um pouco mais tarde fomos ver o pôr do sol em uma elevação próxima. O tempo colaborou, com o céu bem limpo.

 

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Reunião para um lanchinho. Assim que o sol se põe, não há mais nenhuma iluminação ao redor.

Há diversas mesas espalhadas pelo acampamento, que conta com latões de lixo também.

No nosso pacote dos guias, estava incluído um sopão à noite. Faz uma diferença bruta para dar uma aquecida.

Fomos dormir por volta das 20h. Ou tentar. Diversos motivos atrapalharam este objetivo:

1 – Temperatura. Quando a névoa se dispersou do acampamento, por volta de 22h, a temperatura caiu de cerca de 6º para -1º . Como citei no início, quem do grupo alugou saco de dormir passou bastante frio.

2 – Barulho. Feriado, muita gente subindo e acampando. Em especial um grupo de adolescentes que gritava incessantemente a noite inteira.

Lá pela 1:30 da madrugada, desisti e saí da barraca. Juntei o pessoal que não havia dormido também e ficamos esperando a hora de iniciar a caminhada.

 

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Antes da subida, os guias preparam um chocolate quente, que me descongelou igual ao desenho do Pica-Pau sendo reanimado por um cão São Bernardo.

Começamos a caminhada em torno de 3:00h. Uma das orientações do guia: após uns 200m, paramos e começamos a gradualmente retirar as camadas de roupa, para evitar encharcar as mesmas com suor, o que, no frio do pico, pode causar uma boa duma hipotermia. Logo estava caminhando apenas com a segunda pele. A subida requer atenção e lanternas. Levei uma de mão e foi tranquilo, mas há quem prefira as de cabeça. A caminhada foi um pouco mais pesada no final. Algumas pessoas iam ficando pelo caminho. Não sei se desistiram ou estavam dando um tempo apenas. Eu particularmente achei difícil me localizar na escuridão sem o guia ou o grupo. Com certeza não conseguiria seguir sem os guias. Claro que, dado o feriado, o grande fluxo de pessoas ajudava na localização. Dava para ver bem ao longe as pessoas muito à frente ou muito atrás. Mas pensando em uma subida com poucas pessoas e sem guia, acho que ficaria perdido fácil.

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Chegamos ao pico em torno de 5:40h. Muita gente já ocupando os espaços para aguardar o nascer do sol. Colocamos de volta as camadas de roupa. O céu estava muito bonito, bem limpo. O tempo ajudou bastante.

 

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Estava bem frio, cerca de 0º, mas não ventava muito e eu me sentia mais confortável do que na barraca.

 

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Pra baixo todo santo ajuda? Não o santo padroeiro dos joelhos. Como os meus sofreram! Fiquei travado 2 dias.

 

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Chegando ao Terreirão por volta de 9h, desarmar acampamento! Fui ao banheiro e ao me aproximar, escutei berros. Já dentro, vi que um doido resolveu tomar banho naquele frio. Parecia estar sob tortura.

 

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Descendo o restante do caminho até a Tronqueira, com o Gandalf puxando a fila (uma pessoa que cruzamos em sentido contrário até pediu bênçãos...).

Chegamos à Tronqueira, acho que por volta de 12:00. Aí é pegar os jipes e descer de volta à pousada.

 

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Depois de um bom descanso, fomos já bem tarde procurar algo para almoçar. Para comemorar resolvemos ir à um restaurante com aparência mais chique, o Estância Gourmet. Não sei se era o horário (16h) mas tive a impressão de que teria gostado mais do restaurante simples da praça, do dia anterior.

 

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No dia da partida, logo pela manhã, tomamos um café e ficamos batendo papo com o Rogério e a Solange. Eles produzem um café muito bom, à venda na pousada. Depois pegamos a estrada para BH.

No fim das contas acabei pegando gosto por trilhas. Agora com mais conhecimento. Estou partindo agora, dia 02/10/15 para o Peru, onde farei a trilha inca. Mais uma vez este fórum foi essencial para o planejamento. Muito grato aos que compartilham o conhecimento por aqui!

Bom, aí está. Espero que acrescente ao fórum. Coloco-me à disposição para complementar qualquer dúvida.

Grande abraço à todos!

 

Wilson Iwazawa

 

Valores (2014):

Guias Anjos da Montanha:

Subida Noturna

R$500,00 para grupo de 1 a 5 pessoas, acima desse número(5 pessoas) sairá a R$100,00/pessoa e inclui:Guia 24 horas(com até 3 rádios, se necessário), o Sopão da Montanha, refeição nutritiva quente que inclui macarrão, carne, legumes, proteína de soja, feijão e temperos, servido ao anoitecer. O Chocolate da madrugada, servido antes da última subida, o Certificado, um café orgânico de produção nossa na descida do Terreirão e um CD Room por pessoa/casal/família.

Pousada Querência:

Feriado 19 a 21

- Quarto para solteiro com pia R$230,00/pessoa

- Suíte com tv e wc para casal R$500,00

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