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Olá viajante!

Bora viajar?

Portugal: Porto, Evora e Lisboa (passando por Aveiro, Sintra e Obidos) sozinha. viagem incrível =)

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olá a todos!

só posso agradecer pela colaboração de todos nesse forum por ter me propiciado uma viagem mais do que incrível. fui sozinha e conheci um dos países mais incríveis com um povo hospitaleiro, comida deliciosa, ótimos vinhos e paisagens incríveis.

além do Mochileiros, me baseei nos foruns do Lonely Planet e Fodors Travel para montar o meu roteiro e saber mais ou menos o que ver em cada lugar.

destaco alguns blogs como o 360meridianos, oportoencanta, oportocool, lisbonlux entre outros. Enfim, pesquisei bastante e, por isso, consegui ver bastante coisa e ficar pouco tempo perdidona.

 

Vamos à vaca fria:

 

>>> por que Portugal?

já estive na Europa outras vezes e quis retornar. no entanto, minhas experiências anteriores me mostraram que vale muito mais gastar mais tempo em um lugar do que sair correndo igual gincana de um lado para o outro. Portugal é um país pequeno, conta com fácil locomoção entre as cidades, preços ainda convidativos, vôos diretos, culinária incrível e um povo muito hospitaleiro. e, ao que tudo parece, aos poucos vêm se consolidando como um destino mais popular. resolvi ir agora porque o país está estruturado para o turismo mas ainda não tão infestado de turistas (cito Praga e Barcelona como exemplos de cidades que me irritaram pelo excesso de gringos)

 

-roteiro

dia 01 - chegada no Porto

dia 02 - Porto

dia 03 - Porto, daytrip para Pinhão, no Douro

dia 04 - Porto

dia 05 - Porto - Aveiro - Evora. passar algumas horas em Aveiro e seguir viagem. Pernoite em Evora

dia 06 - Evora

dia 07 - Evora - Lisboa

dia 08 - Lisboa

dia 09 - Lisboa

dia 10 - Lisboa

dia 11 - Lisboa/Brasil

 

>> considerações sobre o roteiro

acredito que acertei em cheio. antes de viajar, vi muitas pessoas dizendo que 2/3 dias seriam suficientes em cada cidade. na minha opinião: não mesmo. mesmo as cidades sendo pequenas, anda-se muito e aos poucos fui descobrindo detalhes de cada lugar que preencheram cada minuto. a parada de 2 dias em Evora foi estratégica: a cidade é pacata e plana, uma boa pausa entre dois centros montanhosos.

 

>>meios de transporte

aéreo: vôo direto TAP. vejo muitos comentários sobre companhias aéreas aqui, mas pessoalmente, minhas únicas preocupações são: atrasos e pontuação de milhas. TAP nota 1000000

trem: comprei antecipadamente pelo site da companhia portuguesa de trens cp.pt os trechos Aveiro - Evora e Evora - Lisboa.

 

>>hospedagem

comecei a reservar os hostels com quatro meses de antecedência. com isso, garanti ótimos preços em ótimos hostels. fiz tudo pelo booking. peguei quarto

 

Porto: Hostel Gaia Porto

considerações: uma graça de hostel. super familiar, a ponto do pai do dono comprar o pão para o café da manhã e ele e a mulher arrumarem a sua cama. limpíssimo. tem três terraços, com vista para a Ribeira. o único ponto é que ele fica em Vila Nova de Gaia (do outro lado do rio) e não no Porto. mas ele está a 3 quadras do rio e outras 3 da estação de metrô General Torres.

 

Evora: Inn Murus

considerações: também agradabilíssimo. ele foi, há uns 300 anos, residência estudantil. o espaço é imenso e, quando cheguei, metade do hostel estava vazio: só eu usei o banheiro coletivo, por exemplo. quarto enorme. poucas quadras da praça principal. os donos eram uns amores também - passei a noite bebendo vinho com um deles, no terraço, com vista para a cidade.

 

Lisboa: Sunset Destination Hostel

considerações: o hostel fica NA ESTACAO DE METRO. sim, na parte de cima da estação Cais do Sodré. ele tem uma piscina com vista para o tejo. foi eleito um dos 5 melhores do mundo, e não é para menos. mas, cá entre nós, tem estrutura de hotel: muitos gringos, muitas regrinhas, precinho um pouco inflacionado nas bebidas. mas mesmo assim, incrível.

 

>>grana

é, o tal do euro, a tal da crise...assim que percebi que o euro estava disparando, resolvi pagar tudo que podia aqui no Brasil: hospedagem+transportes. também comprei aos poucos, e orcei 100 euros/dia. superestimei: gastei cerca de 50 euros/dia, comendo, bebendo e fazendo o que bem quis. ressalto apenas que não sou de comprar (não entrei em um shopping) e só uso transporte público.

 

>>viajar sozinha

já passei alguns dias avulsa fora do brasil. mas isso é muito diferente de fazer uma viagem 100% do tempo sozinha. vai por mim: é seguro, é incrível e você vai curtir e MUITO

 

>>malas

resolvi não despachar nada. como andaria em cidades que são pura pirambeira, levei uma mala de rodas pequena e fui lavando o que precisava no caminho.

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  • ...desci na estação e resolvi fazer o reconhecimento da região. A cidade é uma vilazinha de interior, sem afetações turísticas, que segue o seu ritmo pacato. Os lugares para comer são tranquilos e os

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poxa, Deb! pena mesmo que você não foi...você tava em Portugal na mesma época que eu, e o tempo no Porto tava maluquíssimo...no entanto, quanto mais você se afasta de lá, mais o tempo abre. dá uma chance pra esse passeio numa futura visita sim!

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dia 03 - Vinículas do Douro

 

Como disse, pesquisei bastante e cheguei ao meu roteiro "final" para este dia. comprei um docinho na padaria ao lado da estação e já entrei no trem. =)

 

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Ainda amanhecia no Porto.

 

A viagem é lindíssima. Aos poucos você sai da zona urbana e o cenário passa a ser rural. Casinhas com vinhas minúsculas no quintal, junto a repolhos, cenouras...Daí que, quando você menos espera, o rio surge. e nele, as montanhas todas dominadas com plantações de uvas.

 

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A gente sempre fala e escuta a frase "ao vivo é 30 vezes isso". Te digo: é 50 vezes. Por onde se olha, a paisagem é essa. O legal é que o trem vai BEIRANDO o rio Douro, então você consegue ter o máximo de visão de todo o vale, por todo o tempo.

Após a troca de trens (imediata) em Régua, o caminho ficou mais e mais bonito. Em pouco mais de 40 minutos, cheguei à estação de Pinhão.

 

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No meio do nada =)

 

Já era quase 10am, e eu havia agendado visita à vinícula Quinta do Popa 10h20. Por isso, tratei de arrumar um taxi. Nenhum problema: tinham uns 4 na frente da estação. Perguntei para o primeiro quanto ele faria para me levar lá e me buscar mais tarde, de volta ao Pinhão. Ele disse 30. Eu disse 20. Fechamos por 25 e eu fui com a mulher dele. "O local é muito longe", ele disse. De fato, foram uns 15 minutos no carro com a Fátima.

Fátima era uma fofa. Logo que ela via que eu tentava tirar uma foto, ela reduzia a velocidade e falava "vamos parar aqui, aqui a vista é mais legal".

 

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Sim, o caminho todo é assim. E quanto mais você sobe, mais você enxerga toda a região. Dentre outros motivos, escolhi a Quinta do Popa exatamente por estar numa região alta E por ser uma vinícula familiar.

Fátima me deixou lá dentro e combinou de me pegar de volta dali uma hora.

 

A Quinta do Popa é uma vinícula artesanal. Por 7,50 eu tive uma visita particular com a Leila. Foi uma experiência ótima: tive a oportunidade de perguntar tudo o que queria e de ouvir com atenção todos os detalhes do lugar.

 

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Uvas recém pisadas em processo de fermentação. As vindímias (colheita anual) tinham terminado na semana anterior. Em Portugal, o pessoal ainda segue essa tradição de pisa. O pessoal passa a noite toda pisando, alternando turnos, porque de dia o calor é de matar. A galera tem que estar no mesmo ritmo, então é muito comum o pessoal colocar uma música.

Não vou contar a história da vinícula nem a do Popa (o seu criador) para não estragar qualquer surpresa. Mas garanto que é linda: foi um sonho que conseguiu ser concretizado.

 

Após a visita, hora das provas. Não foi 1 vinho, não foram 2...foram 5! e com a vista aí embaixo, ó

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Teve um tinto recente, um reserva, um doce (exclusividade deles), um branco e o outro...putz...já não lembro mais =)

 

Fátima apareceu lá para me buscar e falou para eu aproveitar a vista e o vinho. Disse que sabe que o lugar era especial, então não precisava me incomodar com ela. Terminei a taça e me despedi daquele lugar lindo.

 

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Ela parou no meio das vinhas e me mostrou uma árvore.

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"Arranca-se esse casco e daí esta é a cortiça que faz a rolha. Olha, essas árvores já estão peladas..."

Fatima, melhor guia.

 

Ela me deixou novamente na estação e eu fui dar uma volta na cidade (e deixar o alcool baixar um pouco também...)

Como já havia conferido os horários de trem de volta, sabia que horas poder seguir para Pinhão: ou 12h15 ou 14h. Decidi ficar até as 14h. Não é qualquer dia que você tem a chance de estar num lugar desses.

 

(continua)

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...desci na estação e resolvi fazer o reconhecimento da região. A cidade é uma vilazinha de interior, sem afetações turísticas, que segue o seu ritmo pacato. Os lugares para comer são tranquilos e os preços não são inflacionados. O legal é que ela vive para o vinho: vi várias lojas vendendo equipamentos para as colheiras, para o plantio...

 

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Uma dica para quem não quiser fazer uma visita a uma vinícula tão ~distante~ quanto a que eu escolhi: tem diversas vinículas no entorno da cidade, que são possíveis a pé. Na verdade, tem algumas que são dentro mesmo. Super tranquilo. Outra coisa que pode-se fazer é um passeio de barco de uma hora (coisa de uns 10 euros) pelo rio. Eu não fiz porque preferi gastar o meu tempo andando.

Comi uma sardinha delícia, perambulei para cima e para baixo e contemplei aquilo tudo.

Meu objetivo agora era ir voltando ao Porto, mas com uma parada em Peso da Regua.

 

Pausa para a brasileirice: não havia lá uma bilheteria ou máquina de comprar bilhetes. Pensei "caramba, como que pego o trem? vão me parar e daí já era...uma baita multa". Vi na plataforma um botão escrito "ACIONE EM CASOS IMPORTANTES". Achei que o meu caso era importante.

- quem está lá?

- sou eu. err. seguinte: não tem como comprar tickets aqui.

- sim.

- e como eu compro?

- oras. se não tens como comprar, não compras!

- mas...mas...COMO EU FAçO?

- não compreendo!

- vão me parar no comboio e vão me multar.

- oras, não!

- o moço vende no comboio?

- claro, oras. se não há um gajo para vender aí...

 

Segui para a Regua. Sim, havia um gajo a vender. =)

Próxima parada: Peso da Régua!

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Que maravilha esse seu relato, juliad! Estou amando! Agradeço por compartilhar!

Antes da minha viagem eu só tinha lido relatos de pessoas que tinham feito o cruzeiro pelo rio Douro passando por essas cidades, mas esse passeio é caro e não dava pra gente fazer. Consegui poucas informações antes da viagem, a gente ia tentar ir de trem e ver no que ia dar quando chegaasse lá, mas mesmo assim não deu... Muito bom ler esse seu relato para quando eu conseguir voltar ir lá também! Ansiosa pela parte de Régua! ::love:: Abraços!

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dia 03 - Peso da Regua

 

em meia hora, eu havia chegado em Peso da Regua. minha ideia era visitar o Museu do Douro, que conta a história da região. Confesso que quando soube do museu fiquei com o pé atrás de "ihhh, armadilha de turista". Não sou mineira, mas vocês já devem ter percebido a minha desconfiança excessiva em relação a roubadas de viagem, né?

 

Peso da Regua é o QG da região do Douro. É a cidade base para todo mundo e, por isso, conta com uma infra maior do que Pinhão.

A cidade é adorável e mais "urbana" do que Pinhão. Resolvi dar uma volta e logo vi uma placa do tal museu. Fui seguindo.

 

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O caminho a beira-rio tem diversos restaurantes e lugares para relaxar e tirar uma foto e curtir o lugar.

 

Muitas pessoas falavam no TripAdvisor que o museu era completo e que contava com uma vista bonita da região. Fui nessa. Em menos de cinco minutos, cheguei na entrada do lugar. 5 euros para entrar, com direito a uma taça de Porto Ruby. Opa, tô dentro!

 

O museu é pequeno, mas muito interessante. Bem montado, estruturado, explicativo, moderno. Recomendo a todos. Foi muito legal ter lido sobre a história da região estando lá. Não vou dar nenhum spoiler porque acho que ter algumas infos in loco é muito mais válido.

Depois da visita (que durou cerca de uns 40 minutos, isso porque li tudo com calma, apreciei e tal...), ganhei a minha taça do Porto e curti a vista.

 

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tomando o meu Porto com esta vista e curtindo meus últimos momentos no Douro. Lá embaixo fica o bar do museu, que estava fechado no dia.

 

Saí de lá e fiquei curtindo um pouco a cidade. Tinha uma meia hora até o próximo trem para o Porto. Como a frequência de trens era horária, achei melhor não bobear.

 

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nas ruas de Peso da Regua

 

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Esperando o trem chegar

 

Voltei para o Porto, num trem cheio de franceses escandalosos no vagão. Já falei que peguei bode deles? Estive na França duas vezes e fui muito bem recebida, mas todos os franceses que encontrei nessa viagem me cansaram pela arrogância.

 

Depois de duas horas curtindo a paisagem e a viagem de volta (e ignorando a francesada berrando asneiras no vagão...), cheguei à Estação São Bento, no Porto.

Como já disse aqui (e costumo dizer quando tô "ajudando" a galera aqui no forum), eu gosto de saber o que tem na cidade, mas não deixo roteiros fechados - acabo decidindo na hora, de acordo com a minha vontade. No trem eu me lembrei que alguém havia me dito (ou eu li, sabe deus) sobre um bar mudernete no Passeio de Clerigos. Vocês vão notar nesse relato que a única OBRIGACAO que eu me dei era ter um por do sol num lugar bacana.

Explicando: o Porto está passando por um processo de modernização/gentrificação/hipsterização. E, nesse processo, alguns lugares surgem. Um deles é o Jardim das Oliveiras. Criaram um jardim suspenso com oliveiras e, junto a ele, um bar muderno com vista para a torre de Clerigos.

 

Fui até lá, peguei um fino (chopp em português) por cerca de 1 euro e curti a cidade anoitecendo. Não tirei fotos, mas vocês podem conferir o lugar aqui:

http://www.oportoencanta.com/2013/11/as-oliveiras-as-luzes-e-as-palavras-no.html

 

Comi um bacalhau com natas delícia por uns 4 euros na rua de trás. Procurei o nome de lá, mas não encontrei. Daí, fui perambular pela cidade.

O legal desta região central do Porto é que é difícil se perder: como você tem o rio lá embaixo, dá para se perder tranquilamente com parcimônia. E assim o fiz. Como já conhecia ALGUMA geografia local, andei para lá e para cá, perdidamente. Entrei em ruelas em que ouvia as crianças felizes que os pais voltavam do trabalho, senti o aroma de <3 sardinha <3 vindo do alto, ouvi pais dando broncas, vi gente simpática me cumprimentando, entrei em becos que davam para vistas SURPREENDENTES, fiquei de bituca vendo, do lado de fora, bares com fado.

 

parei numa vendinha e comprei um vinho verde por uns 2 euros. tinha um grupo de mochileiros alemães bebados na fila que esqueceram de pagar e fizeram a maior confusão. a portuguesada da fila ficou puta. O legal de estar em Portugal é que você participa destes pequenos eventos com os locais. Não interessa quantas linguas você fala (já ouvi muita gente dizer que Portugal é um destino facil porque a lingua é igual à nossa). Quando você escuta alguém reclamando na SUA LINGUA NATIVA, a experiência é muito mais intensa. O caboco da minha frente bradou um "ahhh mas vejas só!". A comunicação é imediata e o seu sentimento de empatia é muito maior.

 

curti um tempo sentada na Ribeira, vendo o movimento, atravessei a ponte para Vila Nova de Gaia, fui ao meu hostel tomar um banho e deixar gelar o meu vinho e daí fui curtir o meu vinho na beira do rio, do lado de Vila Nova de Gaia.

Conversei bastante com o pai do dono do hostel. Era um senhor português que dividiu inúmeras vivências comigo. Esse é um dos motivos para eu sempre escolher um hostel a um hotel: o contato direto com pessoas. Não é uma questão de u-huuuu balada apenas. Junto com dois amigos, ele toca a Real Companhia Velha (fundada por ninguém menos que Marques de Pombal) e me deu várias dicas de vinho. Falou sobre a crise em Portugal e fez alguns paralelos sobre a crise no Brasil.

segui meu planejamento e fui beber o meu vinho vendo o movimento de Vila. =)

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dia 04

 

último dia no Porto, bora matar as pendências! depois de 3 dias na cidade, muitos vinhos e até uma master experiência no Douro, eu ainda não havia visitado uma adega...e olha que eu estava em Vila Nova de Gaia, lugar que os turistas vão, em sua maioria, unicamente, visitar adegas.

Na realidade, eu havia planejado a minha visita para o primeiro dia. Entrei na Taylors, na Calem, na Kopke e na Croft. Desisti porque as visitas eram em francês ou inglês. Sou fluente (não é pra tanto, mas me viro bem) nas duas linguas, mas julguei um absurdo não existir nenhuma visita em português.

...mas agora era meu último dia e eu não podia me dar ao luxo de esnobar assim. Fui para a Taylor's (que era a duas quadras do meu hostel) e, para a minha sorte, tinha uma visita em português.

Foi ótimo porque a visita contou apenas comigo e com um casal de brasileiros, que é residente no Porto. Como eles estão no ramo de exportação de vinho português para o Brasil, tudo foi muito mais interessante.

Por 5 euros conhecemos a história da adega e tivemos uma prova de 4 vinhos.

...e claro, esta vista:

 

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mentira, essa vista é de graça. se quiser apenas caroçar no lugar, podes perfeitamente chegar nesse lugar e curtir o seu tempo.

com 4 taças de vinho do porto no organismo e apenas alguns pães no organismo, fui queimar o alcool até o metrô. tinha dois destinos certos no dia: casa da música e fundação Serralves, o museu de arte moderna.

 

...mas era o primeiro dia de sol que eu peguei na cidade. yay!

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=)))

 

cheguei à Casa da Música. edifício lindo, mas só tinha visita guiada às 16h =(

 

no entanto, vi na bilheteria que existia um bilhete combinado: Casa da Musica + Serralves. opa, bora!

lembrei que li algo sobre um café na região com uma comidinha delícia. arrumei um wifi e comi por lá: quiche de alheira e suco de groselha. nham.

(continua...)

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dia 4 - Porto

 

Teria a visita guiada para a Casa da Musica apenas 16h, então fui para o Serralves. O pessoal da cidade me falou que valia muito visitar e assim o fiz. Peguei um ônibus que andou dois pontos (me senti uma tonta...)

 

O Serralves é um museu de arte moderna que tem um prédio com algumas exposições e um jardim externo, enorme.

A exposição foi a que rolou na Bienal de São Paulo do ultimo ano. Como já conhecia, fui para os jardins.

 

Se pudesse definir o Serralves, diria que é uma espécie de Inhotim: um espaço arborizado que te faz esquecer onde está, com diversas instalações, jardins lindos e obras a céu aberto. Logo que percebi a distância entre tudo, me arrependi de não ter chegado mais cedo.

O lugar é super agradável. Dá para gastar umas duas horas lá, tranquilamente.

 

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Infelizmente, tive de partir. Resolvi ir a pé e rapaz...não era tão rápido assim.

Uma nota sobre os ônibus de Portugal: diferente dos metrôs, eles atrasam. Todas as vezes que "dependi" deles para algo, contando com o horário do letreiro, me arrependi.

 

Cheguei à Casa da Música para fazer a visita guiada. Não é possível visita-la FORA dos horários estipulados por eles. Por isso, é legal se planejar.

A visita foi muito interessante. A Casa da Música é um espaço moderno. Sua arquitetura é diferente das casas de música tradicionais da Europa: para se ter idéia, você vê a orquestra com o fundo da cidade.

Essa foto aqui dá pra ver melhor:

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Como havia prometido para mim mesma voltar aos Jardins do Palacio de Cristal, eu o fiz. e agora com o maior solão =D

Tanto Serralves quanto o Palacio são jardins que estão numa parte mais alta e vão "caindo" até o Douro. isso significa subir tudo de novo.

 

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Ali ao lado tem também o Museu Romântico. Não deu tempo de ir, mas pareceu interessante.

Fui andando na região e aproveitei a minha última noite na cidade.

Fica difícil sugerir roteiros da cidade. É cliche dizer isso, mas o legal de lá é se perder mesmo.

Um trecho que eu achei muito simpático é o que a Rua das Flores encontra o Largo São Domingos.

 

Fui arrumar minhas coisas para o dia seguinte. Comprei no Brasil o trecho Aveiro-Evora de comboio. Até Aveiro o plano seria pegar um comboio qualquer, porque a frequência é alta. Comentei com o pai do dono do hostel sobre o meu trajeto e perguntei qual estação em teria de ir: São Bento ou Campanhã. Para a minha sorte, o comboio para Aveiro passava a duas quadras do hostel, lá em Vila Nova de Gaia. Mão na roda!

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dia 05 - Porto/Aveiro/Evora

 

Quando comecei a aprofundar as minhas pesquisar sobre a minha viagem, fiquei muito interessada em Aveiro. Tentei bota-la de todas as formas no meu roteiro: até hostel por lá eu reservei. Depois, decidi que não iria e uma hora pensei "ah, se der tempo eu faço um bate e volta".

Daí um dia, vendo no site de comboios de portugal o itinerário entre Porto e Lisboa, vi que o Alfa Pendular (a versão tuga do TGV - o trem rapidão) fazia duas paradas apenas no trecho: Aveiro e Coimbra. Acendeu uma luz e decidi fazer um stopover.

Para quem não sabe: um stopover é quando você para em uma cidade que está no caminho do seu deslocamento. Na Europa isso é fácil de fazer, pois a frequência de trens é grande, tem muita coisa legal no caminho e...há bagageiros nas estações.

...mas não nas de Aveiro, como eu tinha descoberto nas minhas pesquisas. Mas quer saber? Dane-se! Vou arrastando a mala pela cidade, mas eu vou. Se for o caso, tento pagar uns euros para um hostel qualquer guardar. Fui com o endereço de um como garantia.

E assim o fiz. Comprei a saída de Aveiro 15h.

 

Cheguei na estação de comboios de Vila Nova de Gaia toda me sentindo local para comprar o ticket. E DAI QUE A MAQUINA SÓ ACEITAVA CARTAO DE CREDITO COMO PAGAMENTO. EITA! E AGORA, JOSE?

Minha sorte (?) era que tinha uma lojinha de docinhos e afins.

 

- ola, a máquina só aceita cartão de crédito. sabes como eu compro uma passagem para aveiro, sem cartão?

- ah pois. eu vendo!

- que ótimo! mê vê uma, então.

- 3 euros.

- tá aqui. ei, me diga algo...

- sim

- esta passagem é válida para todos os comboios?

- não, senhora! apenas para os de Aveiro.

- sim, isso eu sei! mas eu digo, eu posso pegar qualquer um?

- não, senhora! apenas os de Aveiro.

- tá, mas tem vários TIPOS de comboio: uns são mais caros que os outros. Por isso pergunto

- podes pegar os que dizem "Aveiro"

- obrigada.

 

Portugueses...

nota: fiquei com dúvida porque na Austria comprei um ticket (o Bayern Ticket) que dava direito a circular nos trens da região e fui expulsa de um, porque AQUELE tipo de trem não era válido. tenho trauma, poxa!

 

A viagem foi tranquila. Aveiro é uma cidade universitária, então tinham muitos jovens no trem, todos estudando. Um moço estudava mandarim, uma garota via um atlas de anatomia e um outro menino estava fazendo calculos diferenciais.

O caminho é muito bonito, a beira mar.

 

Logo que cheguei na estação, uma obra do artista Vhils

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Não tinha muitos objetivos na cidade. Ficaria poucas horas, o que eu queria era comer ovos moles, ver o museu de art nouveau, passear na praça do peixe e bobear. No dia anterior vi que tudo isso era mega perto, então nem me preocupei.

 

Liguei o maps-me e vi que tinha uma caminhada de 1,5km até a tal praça.

...e lá fui com a malinha. Senhoras portuguesas passavam ao meu lado reclamando do TECTECTEC das rodas naquele chão de paralelepípedo. Vergonha...

 

Uma hora vi um posto de turismo. Achei uma boa ir lá para pegar algum mapa ou sei lá.

Falei para o funcionário que tinha poucas horas na cidade e, por isso, queria alguma sugestão legal.

"Primeiro, livre-se desta mala. Deixe aqui conosco e busque-a quando seu comboio partir"

<3PORTUGAL.AMOR.ETERNO.AMOR.VERDADEIRO <3

 

Sem mala e com algumas dicas, fui correndo comer os meus primeiros ovos moles

(continua)

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dia 05 - Porto - Aveiro - Evora

 

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o stopover tá pago!

 

Os ovos moles são doces típicos de Aveiro. É uma espécie de gemada dentro de uma "embalagem" de hóstia. essa embalagem existe em diferentes formatos, todos com temas marítimos. Tem conchas, cavalos marinhos, estrelas do mar...É uma delícia, não custa mais do que 0,50 euros e tem em qualquer padaria por lá. O legal é que em alguns lugares o pessoal recheia na hora <3

 

A cidade de Aveiro é agradabilíssima. Tive a sorte de pegar este dia lindo de sol, claro. Ela é cercada por canais que tem barcos que parecem gôndolas (chamam por lá de

moliceiros

). Dá para fazer um passeio neles, dura uma hora. Achei bobagem faze-lo, pois não tinha tempo suficiente.

Diferente do Porto, ela é PLANA. Uma delícia de andar. Tem um esquema de pegar bike de graça, inclusive, que acabei não fazendo.

 

Foram poucas, mas ótimas e agrabilíssimas horas na cidade. Para quem tiver tempo, recomendo passar ao menos uma noite por lá: a cidade deve ser uma graça ao entardecer.

 

Algumas fotos:

 

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O centro é bem compacto e super bonitinho. Tem lugares muito gostosos para comer - eu escolhi um bacalhau com vinho branco.

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Recomendo também dar uma passada no Museu de Arte Nova (ou Art Nouveau, se preferir). A arquitetura é linda e no fundo tem um café super gostoso. Um lado do museu dá para o canal e a saída do café dá para a Praça do Peixe.

Comi mais uns 8798789789 ovos moles e, de coração quebrado, me despedi da cidade.

 

Fui para a estação de trem. Eu faria uma baldeação rápida em Lisboa e chegaria em Evora 18h30. Boura!

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dia 05 - Aveiro - Evora

 

A estação de Aveiro é super moderna e o trem, assim como todos os outros que eu utilizei na viagem chegou no horário.

 

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Estação de Trem Aveiro

 

O trem é a versão lusa do TGV: ele atinge velocidades de 250km/h, um arraso. Super moderno, tem poltronas confortáveis, serviço de bordo e wifi liberada. Super modernos, não devem nada aos trens alemães ou austríacos.

A única parada que ele fez até Lisboa foi em Coimbra. Tinham dois brasileiros na minha frente que falaram entre si que a Universidade de Coimbra conseguia ser vista do lado esquerdo do trem.

Deu um remorcinho não ter feito um stoppover lá também. A cidade parecia linda!

 

Em duas horas, cheguei na estação de Lisboa-Oriente, modernérrima.

 

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Estação Lisboa-Oriente. Para quem tem receio de pegar trem na Europa, ta aí a prova de que não há segredos: tudo é super sinalizado.

Foi o meu primeiro contato com o <3 Tejo <3. Azul e enorme! Dá para vê-lo dessa plataforma aí da foto.

 

Segui nesse trem até Evora.

Quando fiz meu planejamento, vi muita gente comentando que o ideal era pegar ônibus para Evora, e não trem. Ignorei solemente todos estes conselhos, porque achei mais fácil "baldear" apenas em trens. Além disso, o conforto era maior. Não me arrependo - podem fazer de trem SIM.

 

O trem passou por Lisboa toda e, vista de cima subjulguei a cidade. "Gente, mas que pequenina. Não pode ser tão montanhosa, olha só isso, é tudo muito baixinho". Mal sabia eu...

 

O caminho para Evora é lindíssimo. As paisagens mudam rapidamente e daí você percebe que já está no Alentejo.

 

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Diferente do Alfa Pendular (o trem espresso) que eu havia pegado de Aveiro para Lisboa, este era regional. Por isso, fazia várias paradas e era mais cheio/menos confortável. Mas nada de outro mundo.

 

Fun fact: no último dia que estava no Porto, contei para um português que estava no meu hostel que eu iria para Evora. "A cidade é linda. E o melhor: PLANA". Abri um sorrisão, porque o sobe e desce do Porto não é bolinho.

 

...daí que eu chego em Evora e desco na estação. Ok, mais uma estação de trem com azulejos lindos, mais uma cidade fofa. Já tô quase local me acostumando com as rotinas, haha. Até que a minha mala de rodinhas encontra o chão de paralelepípedos. Foi uma trepideira enorme. Cansativo pacas, depois de um dia puxado. "Mas que droga! Tá, deixa eu ligar o GPS e ver a distância até a cidade...OI Q 2 QUILOMETROS SOCORRRO"

Eu sabia que era uma pernada até a Praça Giraldo, ponto central da cidade. Mas esse chão inóspito não estava nos meus planos!

Foi um martírio. Só olhava para o chão procurando qualquer superfície LISA.

"Ok, Portugal definitivamente não é para iniciantes..."

 

O que salvava era o cenário, LINDO.

Deixa eu contar um pouco: Evora é uma cidade histórica que já teve invasão celta, moura e até foi um centro importante no império romano. A cidade é TOTALMENTE murada e, fora dela o que existe são campos e mais campos descampados com oliveiras. Cena linda de se ver. O dia estava caindo e a minha preocupação era estar em um lugar tranquilo para ver um por do sol lindo naquele cenário.

 

Finalmente a muralha apareceu e eu oficialmente ENTREI na cidade.

Fiquei tão maravilhada com aquela cidadezinha linda, toda branca e amarela com ruelas fofas que nem liguei mais para a mala (que continuava enfrentando um chão não liso), tampouco para o GPS. Evora lembra muito a nossa Ouro Preto, muito. A comparação é inevitável.

 

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Não precisei de GPS para encontrar a Praça Giraldo. Lá estava tendo uma concentração de estudantes da Universidade para arrecadar alimentos para os refugiados.

Inclusive, existiam MUITOS estudantes pela cidade. As semelhantes com Ouro Preto não paravam!

 

Como já havia encontrado o epicentro da cidade e a noite já caia, dei-me ao luxo de me perder pela cidade. Andei aqui e acolá e dei de cara com....

 

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Templo de Diana

 

Pois é, este é um templo romano DOC (hahaha). Sobreviveu a inúmeras coisas que a cidade passou e continua lá. De tirar o fôlego!

Elegi este lugar para eu curtir o por do sol. Tinha um quiosque que vendia cervejas, mas eles tinham acabado de encerrar. Pena. Decidi voltar lá no dia seguinte.

Na frente do Templo, tem um pequeno parque que dá em um mirante lindão. Sentei lá e vi o dia se encerrar.

 

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Voltei ao mundo real e me lembrei que queria me livrar da mala. Daí me lembrei também que cometi um erro primário: não anotei o endereço do hostel no mapa. Que absurdo...

Fui na fé e conversei com dois policiais: eles não conheciam o tal hostel (depois descobri que ele era recém aberto). Viram a rua, se confundiram. Daí que um sujeito estava passando na rua e os policiais abordaram.

- Ei, Jose, sabes a Rua dos Manços?

- Ah sim, pois!

- Leves a menina até lá, faz favor!

- Claro. Venhas comigo!

Fiquei ressabiada, oras. Ele se ofereceu para carregar a minha mala e eu, capiau que fui, recusei. Depois de uns 200m ele disse :

- Não fiques preocupada. Sou policial, estou na minha folga hoje. Dá cá a mala.

Fomos conversando até o hostel. O José adorava viajar e tinha acabado de retornar da Indonesia. Me contou sobre Jacarta e Bali.

 

Pausa.

A gente sempre lê em relatos sobre como "as coisas simplesmente acontecem" quando a gente viaja sozinho. Sobre como as pessoas são boas e nos ajudam. Sobre o mundo não ser essa coisa ameaçadora toda.

Foi isso que eu vi com o José. Ele me deixou na porta do hostel e me desejou boa viagem. Assim como o José, muita gente me ajudou nesta viagem. Porque viajar sozinho tem muito de se permitir viver algumas coisas e ter um feeling para roubadas.

 

Deixei minhas malas no quarto, conheci os donos do hostel e resolvi partir para beber algo. No entanto, os donos me alertaram sobre como a cidade estava barulhenta e confusa naquele dia. Pediram desculpas pelo barulho e explicaram que os estudantes da cidade estavam aplicando trotes e bebendo com os bixos pela cidade.

- Ah, normal. Isso acontece no Brasil também, tô acostumada.

- Mas é muito!

- Não tem problema! Gente, tem Carnaval no Brasil. Aqui tá tranquilo,sério.

Perguntei que horas os bares/restaurantes fechavam, e eles me disseram que coisa de 21/22h. COMASSIM? ONDE EU FUI ME METER?

 

Saí desesperada para comprar uma garrafa de vinho. Tinham sim, muitos estudantes. E o mais curioso: os veteranos usam capas tipo Harry Potter. Aqui embaixo tem um exemplo:

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Pois é: a cidade estava cheia destes Batmans perambulando bêbados. Não sei como é de fato porque só presenciei o movimento deles em uma noite mas, pelo que eu vi, parecia muito mais ingênuo do que os trotes de Ouro Preto, por exemplo. A molecada nem tava tão bêbada, nem mexia com ninguém, não quebrava nada, não jogava nada no chão...Super disciplinada, diferente de turistas americanos em Barcelona ou uma galera em Londres.

 

Ok, missão vinho: achei uma vendinha com um senhor AMOLANDO FACAS EM CIMA DE UMA BICICLETA. Tem coisas que só Portugal pode proporciar para você <3

Comprei um vinho por uns 2 euros, que ele me garantiu ser ótimo.

(No dia seguinte ele me viu na rua e perguntou se eu havia gostado do vinho. Portugal melhor Portugal 3x)

 

Já estava desistindo de arrumar algum lugar para comer quando encontrei o Art Cafe. O lugar era mega delicinha, com música francesa de fundo e este visual. Ele fica num patio, dentro do Museu do Relógio, e sempre está aberto.

 

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Eu sabia que a região tinha enchidos (frios) e queijos diferentes, então queria pedir uma tábua. No entanto, só tinha a opção de tabua mista para duas pessoas. Pedi para a garconete ver se era possível fazer uma tábua mista individual.

A moça voltou com uma tábua IMENSA e me disse:

- O patrão falou que tenxxx q' c'mer tud'!

- E TENXX MEEIXMM', o tal patrão berrou, ao fundo.

 

Fazer o que, né. Comi tudo porque ele mandou e porque tava uma delícia.

 

Voltei para o hostel feliz com aquela cidade encantadora. Abri minha garrafa de vinho na varanda e passei umas horas conversando com o dono, sobre a cidade, sobre Portugal, sobre os estudantes de lá, os hospedes malas e o povo francês esquisito.

Foi um dia e tanto. Evora já havia me encantado, e não fazia nem 5 horas que eu estava lá.

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