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De ônibus pela América do Sul - São Paulo , Argentina, Chile, Peru, Bolívia e norte do Brasil - em 23 dias
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Michelle, belos relatos. Já fui 3x para o Chile e estou pretendendo ir uma 4a vez agora em janeiro, porem, em pesquisas feitas ultimamente, está tudo mega caro, e em milhagens tb. Fiquei interessado
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Oi Michelle Qual foi o gasto total da viagem?
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Ola, Michelle! Obrigada pelo relato, esta ajudando muito nas minhas pesquisas. Vou viajar com meu namorado e o dinheiro também esta beeeem contado, então gostaria de saber qual o foi o gasto médio
Obrigada ao mochileiros.com
Esse é meu primeiro tópico e essas são as primeiras palavras que eu quis escrever, um agradecimento, pois sem os relatos que li por aqui, essa viagem não teria sido possível.
Em julho de 2015, eu e meu marido saímos de Santos, litoral sul de São Paulo e seguimos rumo à capital do estado, de onde sairia o ônibus que nos lavaria à Santiago, primeira cidade do nosso roteiro.
Estávamos realmente assustados porque nunca havíamos saído do país e não falavámos bem o espanhol.
Embarcamos na rodoviária do Tiête ainda em Sampa às 14h do dia 5, em um ônibus onde ninguém falava português direito.

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O ônibus era convencional, tinha tv, ar condicionado e banheiro (que era apenas para fazer o n° 1", como enfatizava a placa na porta).
Como compramos a passagem com atecedência, pudemos escolher os lugares da frente, onde deu para esticar as pernas e ter um pouco mais de conforto.
Nosso ônibus dispunha de um "rodomoço", um atendente chamado Juan e a gente não entendia uma só palavra do que ele dizia. Quando ele chegou até nós e soltou: "Basura ?" Eu e meu marido ficamos nos olhando com cara de tontos, sem saber do que se tratava.
até que, na quarta vez que ele nos perguntou isso, entendemos que ele estava perguntando se tínhamos lixo pra jogar fora. afffff
Assim seguimos, vendo filmes em espanhol, sem entender uma só palavra. Detalhe: o Juan era meio sanguinário e só curtia filme de morte e violência.
E como o nosso país é grande.
Na primeira grande parada, às 5 da manhã do dia seguinte, o frio era tão grande que descemos para tomar um banho, mas não tivemos coragem. Estávamos em alguma cidade do Rio Grande do Sul.
Atravessamos a fronteira com a Argentina um tempo depois, por Uruguaiana naquela tarde. Antes, como a temperatura já estava mais agradável, tomamos um banho e depois almoçamos.
Eu nunca havia passado por uma imigração antes e não tinha ideia do que fazer, então apenas seguimos a multidão, tanto no lado brasileiro e depois no lado argentino. Foi bem tranquilo.
Passamos 24 atravessando a Argentina, por cidades que eu nunca tinha ouvido falar antes. As paisagens eram de tirar o fôlego.
A visão do Aconcágua encheu meus olhos de lágrimas e a cordilheira dos Andes ao fundo emoldurava o percurso.
Rodamos por toda aquela noite, cortando a Argentina.
Na tarde seguinte, antes do esperado, chegamos à Mendoza onde faríamos nossa última parada para o almoço e banho, antes de iniciarmos a subida pelos Andes.
Todos no ônibus concordaram em seguir viagem, sem essa parada, pois assim, chegaríamos à Santiago antes do anoitecer.
Um acidente talvez, atrasou tudo. Ficamos parados por quase 4 horas nos Andes.
A previsão de chegada à Santiago voltou à ser por volta das 8 da noite.
Chegamos na Aduana Argentina/Chile e passamos por uma rigorosa revista de objetos pessoais e malas. Até cachorro cheirou nossas malas. Me senti a Sol da novela "América" tentando entrar nos EUA.
Um casal do nosso ônibus levava peças de roupas para revender , talvez sem declarar, ficou com os pertences retidos, sendo estes contados um à um, o que nos atrasou ainda mais.
Foi triste ver haitianos que viajavam conosco no ônibus serem recusados na aduana, por problemas de documentação e/ou dinheiro e obrigados à se virarem para voltar para sabe Deus, onde.
Saí da fila da imigração e tratei e voltar para o lado externo do edifício para ver a neve com mais calma. Era a primeira vez que víamos neve, que a tocávamos. Foi um momento inesquecível.
Meu marido estava bem, mas eu, estava quase morrendo sem ar e um pouco tonta, com os olhos ardendo.
Perguntei à um "Carabinero" (policial chileno, muito simpático por sinal) à que altura estávamos.
3.000 m foi sua resposta. Nossa, eu estava sentindo os primeiros efeitos da altitude no meu corpo. Fiquei peocupada, pois, eu iria enfrentar altitudes bem maiores ainda.
Voltamos para o ônibus e seguimos viagem. O hino Chileno começou à tocar e foi emocianate ver o patriotismo dos presentes. Todos cantavam e faziam festa, orgulhosos e felizes por retornarem ao seu país.
Descemos a temida estrada Los Caracoles, com neve acumulada no acostamento e sem nenhum "guard rail" que nos separasse do abismo lá embaixo. Curvas fechadíssimas de 45° ou menos. Foi um dos momentos mais assustadores da minha vida.
Chegamos à Santiago bem tarde da noite, quase 22h do dia 7.
Não tínhamos idéia de como chegar ao apartamento que tínhamos alugado pela internet e acabamos conhecendo na rodoviária, um senhor e sua esposa que nos ajudaram. Fomos todos de metrô, sem conseguir nos comunicar direito e eles fizeram a gentileza de desviar do caminho deles e nos deixar quase na porta do nosso apartamento. Fomos ouvindo histórias sobre Santiago, sobre a ditadura chilena e descobrimos que aquele senhor era um ex- prisioneiro da ditadura, preso por defender o fim desse regime político.
Chegamos ao nosso apartamento e como vimos o movimento das ruas do centro, comércios abertos, nos sentimos seguros e fomos bater perna. Fizemos compras em um mercadinho com nosso espanhol ridículo e comemos a melhor pizza de nossas vidas no Papa Jonh's.
Dormimos em seguida, pois nosso dia seguinte seria de muita bateção de perna.
Espero que esse relato inspire outros à fazerem o mesmo, assim como outros relatos escritos aqui no site me inspiraram. Obrigada por lerem.
Outros relatos meus ainda virão.
http://www.2demochila.blogspot.com
Editado por Visitante