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40 dias - Tailândia, Camboja, Mianmar e Malásia + stop em Dubai. Dez 2015/ Jan 2016

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Oi pessoal, este é meu primeiro post aqui. Desde minha viagem ao sudeste asiático eu comecei um blog. Estou copiando os textos aqui e lá ficaram as fotos. Espero que possa ser útil. https://detantoandarblog.wordpress.com/page/3/

 

Introdução

 

Chegar ao sudeste asiático é uma odisseia que pode ter “apenas” uma escala fora do Brasil, seja nos EUA, África, Europa ou Oriente Médio. Ou você pode fazer uma coisa louca e parar em Bogotá, Madri e Dubai como eu fiz. Eu, como sempre, escolhi as passagens pelo preço. Além disso, devido à distância, pensei em uma forma de fazer paradas estratégicas que me permitissem descansar e adaptar ao fuso horário. Em dezembro de 2015 fiz uma viagem à China que começou comigo derrotado pelo fuso horário e queria que desta vez fosse um pouco melhor. Comprei uma passagem saindo do Rio para Madri com escala em Bogotá com a Avianca e o trecho restante com a Emirates.

 

Estive em Bogotá por um tempo muito curto já que somente saí do aeroporto por algumas horas. Era um domingo, dia que costuma ser inimigo dos viajantes que gostam de ver movimento nas ruas. Não vou falar muito sobre Bogotá porque em julho irei à Colômbia e então poderei ter informações melhores. Madri também não será tema de um post separado por não ter sido o foco da viagem. O que posso dizer é que Madri é uma cidade deliciosa. O bom de voltar a algum lugar é que a ansiedade costuma ser menor e acabamos por prestar atenção a detalhes que antes pareciam nem estar ali. Dubai, entretanto, eu acho que merece um post (coceira nos dedinhos).

https://detantoandarblog.wordpress.com/page/3/

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Dubai entrou na lista por causa da passagem que obrigatoriamente faria uma escala lá. Pensei que poderia ficar um pouco e conhecer um lugar que não estava na minha lista de sonhos. No caminho, ainda no avião, conversava com uma aeromoça que dizia que não era apaixonada por seu trabalho, mas que amava o estilo de vida que o dinheiro que proporcionava. Acho que esse diálogo era um prenúncio de como eu veria minha curta passagem por Dubai. Muito glamour e um vazio que não sei se conseguirei explicar bem. É claro que gosto é particular. Conheço pessoas que amaram Dubai e penso que elas provavelmente também amam ou amariam Vegas.

 

Por sorte, fui no inverno e escapei de me sentir um camelo fritando no deserto. Como não me dou muito bem com temperaturas acima de 10 graus eu fico imaginando como seria muito pior caso não tivesse passado por lá em janeiro. Nessa época do ano a temperatura máxima é em média 23 graus.

 

É preciso tirar visto para ir pra lá. Pra quem comprou passagem com a Emirates, você pode fazer o processo pelo site na parte de gerir a reserva. Eu dei azar e meu processo deu muito trabalho. Você só pode pedir o visto depois que clicar em um link que eles devem te mandar por email quando você começa os procedimentos pelo site. Esse e-mail não chegou pra mim e tive que mandar vários e-mails cobrando até receber com cinco dias de atraso. Há mais de um tipo de visto. O valor menor, de aproximadamente 55 dólares, é para o visto de até 96 horas para quem está em trânsito, justamente o meu caso.

 

Eu gosto de cidades que são feitas para as pessoas e não para os carros. Grande parte de Dubai é cheia de largas rodovias que não são exatamente convidativas para andar, embora eu deva admitir que andar na rua com o calor do capeta que faz nesse lugar a maior parte do ano não deve ser muito legal. O transporte público é caríssimo e também são os hotéis e a comida. Uma passagem de metrô custa perto de dez reais. A praia pública de Jumeirah era linda, mas estava quase deserta e sem estrutura, já que eles estão fazendo uma grande obra por lá no momento. A principal atração da cidade era subir em um prédio altíssimo para poder ver até onde nós conseguimos modificar um ambiente quando há dinheiro e interesse suficientes. Também tem shoppings enormes e aquela palmeira construída no mar para abrigar milionários que conseguem evitar, com alguma sorte, contato ostensivo com mortais. Talvez a parte que eu tenha gostado um pouco mais seja o píer. Lá você pode cruzar o rio em embarcações rústicas e ver também trabalhadores descarregando navios. Há mercados com muitas ervas, tecidos e ouro na região mas eu os imaginava maiores como já vi no Marrocos. A tal da expectativa x realidade…

 

Fui ao show das fontes no shopping Dubai Mall que achei legal e é de graça. Basicamente, do lado de fora tem um espelho d’água enorme que jorra água acompanhando uma música. Não tive vontade de esquiar dentro de um shopping (Mall of the Emirates). É, lá tem um dos maiores parques de ski artificiais do mundo. Também tem passeio pelo deserto que não deu tempo de fazer. Ele deve ser interessante. Você pode também ir ver os hotéis cinco ou sete estrelas (sim, lá tem hotel sete estrelas) desde que não leve sua pobreza muito perto do hóspedes.

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DICAS:

Tem um passe de metrô que vale para o dia todo que geralmente vale a pena se você for fazer pelo menos três viagens. http://dubaimetro.eu/tickets-card

 

Você encontra opções de alimentação com preços razoáveis nos shoppings e supermercados (que ficam dentro do shopping também).

 

Se for pegar ônibus, compre um bilhete ou passe para o dia dentro da estação de metrô. Não pode pagar com dinheiro dentro do ônibus.

 

Não acredite se no hotel te disserem que não tem ônibus para alguma atração. Olhe no Google como eu fiz. Pra tudo as recepcionistas falavam pra pegar táxi.

 

Sexta é dia sagrado para os muçulmanos e por isso alguns lugares abrem mais tarde. O metrô, por exemplo, só funciona a partir de duas da tarde. http://www.rta.ae/dubai_metro/english/first-step4.html

 

Se você se cansar de Dubai, pode ser uma boa ideia ir visitar Abu Dhabi.

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Muitas pessoas vêm ao Camboja com a imagem de Angkor Wat na cabeça. Esse templo é realmente o maior e talvez o mais impressionante de um enorme complexo de templos que serviu como sede do império Khmer entre o século IX e XIII. Estamos falando de uma organização social singular e de um enorme grupo de pessoas ocupando uma área planejada e construída com uma precisão que até hoje intriga pesquisadores.

 

Estar aqui faz a gente perceber que aquele enorme livro de história do terceiro ano que parecia conter o mundo é pouca coisa. Também nos faz questionar o que julgamos conhecimento histórico relevante e o conceito de progresso. Até hoje nos arrastamos tentando controlar minimamente o crescimento de nossos centros urbanos e ver o que império Khmer fez há tanto tempo e com menos recursos coloca a gente para pensar um bocado.

 

A porta de entrada para essa maravilha é a cidade de Siem Reap, que tem voos baratos partindo de várias cidades do Sudeste Asiático. O tempo que você deve planejar para apreciar essa beleza toda depende do quão apaixonado por esse tipo de experiência você é. Em geral, três dias completos são suficientes para a maior parte das pessoas. Você pode reservar só dois para os templos e passar o terceiro curtindo as atrações da cidade como o Cambodia Landmine Museum ou o Angkor National Museum.

 

Para visitar os templos você terá basicamente três opções. A mais barata seria alugar uma bicicleta que eu só recomendo se você amar pedalar, estiver em ótima forma e não se importar com o calor porque será muito cansativo. As atrações são enormes e as vezes um pouco distantes uma das outras. As outras são contratar um motorista de tuk tuk ou de táxi. O taxi custa por volta de 35 dólares por dia e o tuk tuk 23. Tuk tuk é vida, dá um ventinho gostoso que deixa seu cabelo igual ao do Bozo mas te coloca em contato com o ambiente ao seu redor. Essa última opção é a que a maior parte das pessoas fazem. Infelizmente, não há transporte público para lá.

 

Geralmente, os motoristas oferecem um percurso padrão. Para o primeiro, ela te leva para alguns templos menores e lindos e um mais distante. No segundo, você vê outros maiores e o famoso Angkor Wat. Uma experiência linda que você provavelmente fará junto a outras milhões de pessoas será assistir ao nascer do sol em Angkor Wat. Você pode fazer isso no terceiro dia, mesmo que já tenha visto o templo no dia anterior, para tornar seu tour menos cansativo. O seu motorista não vai te cobrar 23 dólares só por isso, claro. Esse valor é para o dia todo. Fazer isso é bastante comum porque cada dia no complexo custa 20 dólares e, comprando dois, o terceiro vem de brinde. Outra possibilidade é não ir em dias consecutivos. Se informe sobre o período de validade do ticket na hora de comprar e como ele poderá ser usado.

 

Não tem como não ficar chocado com a beleza dos templos. Eles são imponentes, ricos em arte, com esculturas e paredes cuidadosamente entalhadas formando figuras intrigantes que revelam como era a cultura local. Tem gente que passa a semana inteira explorando com muita calma cada um deles. As fotos ficam lindas e podem ser divertidas. Siga os orientais e copie as poses deles e os locais que eles tiram as fotos. Eles sempre estão um passo à frente de nós.

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Mantenha o ticket com você em algum lugar seguro, mas fácil de pegar. Você terá que mostrá-lo ao entrar em cada templo.

 

Encontrar um motorista de tuk tuk não é difícil. Na recepção do hotel eles poderão fazer isso por você.

Geralmente, o motorista pega o turista que vai ver o nascer do sol em Angkor Wat às cinco. Avise ao hotel. Eles provavelmente poderão preparar um café da manhã leve para você levar e comer no escuro enquanto espera o sol aparecer.

 

Não espere um nascer do sol perfeito. Se tiver nuvens as cores não serão tão brilhantes. Foi o que aconteceu comigo.

Tenha paciência mas fuja de grupos enormes de chineses que bloqueiam as passagens estreitas do templo e destroem suas fotos.

 

Não gesticule como um louco no templo tentando fazer um guarda entender onde você quer ir. Você poderá acidentalmente estapear o nariz de um coleguinha desconhecido com extrema força e temer por dias que você o tenha quebrado. Sim, eu fiz isso e estou com peso na consciência.

 

Traga algum lanchinho na bolsa e compre frutas que são vendidas pelos locais por um dólar para manter a fome sob controle e não perder o humor (pelo menos eu tenho que me manter alimentado o tempo todo). Tem melancia, banana abacaxi e outras.

 

Na cidade tem aula de culinária local. Pode ser interessante se você gosta de cozinhar.

 

Muitos pratos levam erva cidreira. Eu particularmente detestei. Tudo fica com gosto doce. Pedi uma lasanha de berinjela que tinha folhas e folhas da bendita. Só dava para sentir o gosto doce. Se você não curte, peça para fazer sem (no lemongrass).

 

Você poderá almoçar em algum restaurante dentro do complexo, só não espere luxo ou os melhores preços. Um prato econômico na cidade custa por volta de 3.5 dólares e no complexo pelo menos seis.

 

Ao visitar Angkor, eles pedem que nos vistamos de forma modesta, ou seja, cobrindo joelho e ombros. Tem um templo no alto de um monte no qual você não entrará se não estiver vestido adequadamente. Ele é popular para assistir ao pôr do sol. Se esquecer a roupa certa, você poderá comprar alguma no local. Elas são leves e têm estampas lindas. Muitos turistas usam.

 

Não se esqueça de tomar bastante líquido. Água por um dólar tem pra todo lado.

 

NÃO compre NADA de crianças. Elas te abordam fora dos templos falando inglês e muitas outras línguas. Trabalho infantil NÃO é bacana, fofo ou bonitinho.

 

Não troque seus dólares no aeroporto. Aliás, não troque seus dólares. Eles são aceitos em toda parte. Às vezes você vai receber troco em Riel (moeda local) que também é aceito por todos.

 

Os hotéis aqui geralmente oferecem traslado do aeroporto. Não se esqueça de mandar e-mail para eles confirmando seu voo e horário caso o serviço seja oferecido.

 

Em alguns templos tem uma senhora ou monge que dá uma benção e amarra uma fitinha no seu pulso como amuleto. Tire fotos para fazer inveja nos amigos e dê uma gorjeta depois, claro.

 

Se quiser se arriscar e praticar o desapego de sua beleza, corte cabelo num salão local. Você pode acabar com um corte que não via desde o início dos anos 90. No nosso caso, meu marido ficou com cabelo de cuia. Reuni o que havia de melhor em mim e não ri de imediato para ele se acalmar. No final das contas, eu mesmo tentei arrumar com uma máquina de fazer a barba. Sorte que ele não olhou a nuca ainda.https://detantoandarblog.wordpress.com/2016/01/09/camboja-siem-reap/

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Se Siem Reap impressiona pela beleza de um passado distante e suntuoso, Phnom Penh mostra as cicatrizes de memórias tão próximas quanto deprimentes. Em uma busca rápida sobre as principais atrações da capital do Camboja no Tripadvisor, as duas primeiras são registros de um período de uma ditadura comunista megalomaníaca que deu novos contornos ao significado de crueldade e ausência de compaixão.

 

Parte da história do Camboja foi marcada pelo domínio francês e mais tarde pelo envolvimento na guerra do Vietnã. Quando os EUA estavam sendo eles mesmos e lutando a guerra que eles eventualmente perderiam, muitos suprimentos usados pelas tropas vietnamitas vinham de território cambojano. Insatisfeitos, eles resolveram bombardear territórios do Camboja forçando pessoas a fugirem da morte buscando abrigo na capital do país. Em meio ao caos, um homem de nome Pol Pot instaurou um regime comunista insano baseado na agricultura, escravização da população, morte e medo. Para concretizar sua visão de uma sociedade pura, ele expulsou a população das cidades para o interior, onde as pessoas se tornariam camponeses trabalhando na produção de arroz. Imaginemos agora essas pessoas assistindo ao exército tomando a cidade e forçando-as a abandonarem suas vidas sem nem mesmo entender o que estava acontecendo. Muitos nem mesmo conseguiram terminar a jornada.

 

O terror instaurado classificou como inimigos do estado pessoas que usavam óculos ou que tinham as mãos lisas. Mas como assim? Bem, fazia parte da concepção de nação do regime Khmer Rouge uma população camponesa e ignorante. Qualquer pessoa que tivesse uma educação acadêmica era considerada um perigo em potencial. Também eram ameaças os estrangeiros e pessoas que falavam línguas estrangeiras. Eles foram presos, forçados a confessar crimes que não haviam cometido, sistematicamente torturados e mortos.

 

Aqueles que não morreram a caminho do interior trabalhavam nos campos de cultivo de arroz enfrentavam jornadas de trabalho de doze horas ou mais na tentativa de atingir metas de produção impossíveis. A alimentação era escassa e consistia em uma sopa de arroz servida duas vezes ao dia. Ouvi uma história de uma mãe que viu seu bebê morrer porque ela somente podia estar com ele e alimentá-lo a noite. Seu corpo não tinha energia suficiente para produzir leite para amamentá-lo.

 

Fui primeiro a um campo de extermínio chamado de Choeung Ek Genocidal Center. Essa área é basicamente um cemitério de cidadãos cambojanos assassinados pelo regime. Pouco restou das construções que lá existiam. Quando o regime foi derrubado por uma coalisão de tropas cambojanas e vietnamitas, as pessoas revoltadas e empobrecidas destruíram o que puderam usando os materiais para outros fins. Você anda pelo local escutando a narrativa de como ele funcionava e sobre o que foi o regime. Algumas partes são narrativas de sobreviventes. Ainda é possível ver onde as pessoas foram enterradas e eles nos dizem que na época de chuvas ainda emergem restos dos corpos que foram despejados no local. Ali morreram aproximadamente 20000 pessoas. No centro do local, uma torre alta abriga crânios dos assassinados que podem ser vistos através das paredes de vidro. Você pode entrar se conseguir. Eu fiquei do lado de fora, fechei os olhos e pedi a Jesus perdão enquanto chorava. Você também terá a chance de ver uma árvore contra a qual bebês eram lançados para que morressem. O regime economizava balas e matava as pessoas de formas que fazem filmes de terror parecerem contos de fada.

 

No dia seguinte fui visitar a prisão de nome Tuol Sleng Genocide Museum. É simbólico que o regime tenha usado as instalações de uma escola para um de seus principais centros de tortura. Esse lugar mostra com exatidão o que foi o Khmer Rouge. Uma tentativa de obliterar qualquer conquista humana como a solidariedade e o conhecimento. Aqui, diferentemente do campo de extermínio, as construções ainda resistem dando testemunho dos horrores praticados. As salas de aula foram transformadas em celas e locais de tortura e guardam o mobiliário e instrumentos da época. Algumas delas são hoje usadas para a exibição de fotos de pessoas assassinadas e daqueles que serviram ao regime. Talvez o ambiente fechado das salas torne a visita ainda mais asfixiante que ao campo de extermínio. O calor úmido do Camboja envolve a história que vemos e ouvimos e falta ar. Eu não consegui fazer todo o percurso. Não consegui ver uma escola transformada num local de dor, medo, morte e tortura.

 

Estima-se que mais de dois milhões de pessoas morreram durante o regime que durou menos que quatro anos. A população da época era de oito milhões de pessoas. A ambição de formar uma nação autossuficiente tornou-se mais e mais insana durante o período. As suspeitas de traição cresciam sem parar aumentando as mortes e conflitos entre aqueles que detinham o poder. O regime terminou com a derrota do ditador por tropas vietnamitas e cambojanas 1979.

 

Existe o turismo que precisa ver a dor, saber que ser humano é uma tarefa que abraçamos em meio a tropeços e solavancos. Dói ainda mais pensar nos acontecimentos do presente que são similares e como eles raramente despertam compaixão no mundo. Por isso é necessário visitar antigos campos de concentração nazistas, o museu da bomba atômica em Kyoto e esses dois locais em Phnom Penh. Mas não podemos mentir. De nada adianta vê-los se nós não pensarmos em nossas próprias limitações em sermos humanos, na nossa crueldade e na tristeza que cerca nossa sociedade ainda hoje. Ao sair do museu eu pensava se um dia turistas poderão ir a uma prisão brasileira conservada como elas são hoje. Um memorial dedicado principalmente à nossa população negra pobre que tem sido cuidadosamente torturada em prisões que são ainda campos de tortura física e psicológica.

https://detantoandarblog.wordpress.com/2016/01/14/phnom-penh-1-viajar-para-ver-e-sentir-dor/

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O Choeung Ek Genocidal Center fica a 15 km do centro da capital. Você pode negociar uma corrida de tuk tuk por aproximadamente 11 dólares. O motorista vai te esperar para te levar de volta. O preço da entrada é de seis dólares e inclui o áudio em várias línguas. Embora não tenha português, há espanhol.

 

O Tuol Sleng Genocide Museum fica na cidade. A corrida de tuk tuk até o palácio real custou dois dólares. A entrada custa três dólares e mais três pelo guia de áudio. A carteira internacional de estudante te isenta da entrada.

 

Nós ficamos por volta de duas horas em cada local. Há muito para ouvir, ver e lamentar.

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Podemos começar esse post pelo trânsito de Phnom Penh. Basicamente, não há lei. Se há, elas não podem ser vistas. Você quer atravessar a rua? Se decidir esperar a rua ficar vazia pode ser que você nunca atravesse. O esquema é ir com calma e caminhar no meio dos carros olhando para todos os lados o tempo todo. Lembre-se de que qualquer metro quadrado de via é considerado mão dupla. As motos estão por todos os lados e os tuk tuks também. Grandes cruzamentos não têm sinal de trânsito e todos vão ao mesmo tempo. O mais interessante, para mim foi que eles não ficam bravos. Você escuta bastantes buzinas, mas não vê pessoas enfurecidas ou xingando.

 

Pegamos um ônibus de Siem Reap para Phnom Penh. A empresa é a Giant Ibis. Quando fomos comprar os bilhetes no próprio hotel onde estávamos, a recepcionista perguntou se gostaríamos de ir no primeiro ou segundo andar. Ao entramos no ônibus entendemos que há somente um andar, mas ele tem dois níveis com camas. Tipo beliches. Nunca tinha visto! Foi bem confortável e tinha tomada.

 

As pessoas foram gentis conosco a maior parte do tempo. Elas se mostraram genuinamente preocupadas em nos ajudar quando pedimos.

 

Passamos em frente a um lava jato. Tinha umas seis pessoas lavando um carro. Seis pessoas para um carro.

 

Grande parte da população é extremamente pobre. Falta saneamento básico, coleta de lixo e planejamento urbano. Siem Reap, possivelmente, não te dará a oportunidade de ter contato com esse lado do Camboja como Phnom Penh.

 

Os principais pontos turísticos da cidade são o campo de extermínio Choeung EK, a prisão do regime Khmer Rouge, o Palácio Real e o Museu Nacional. Tivemos dois dias completos e eles foram suficientes.

 

Outra atração é visitar ONGs. Com uma história marcada por acontecimentos tristes e um presente de muita pobreza, várias organizações atuam na capital para promover melhorias para a vida da população. Muitos deles têm restaurantes, cafés, lojas de artesanatos que dão oportunidades de emprego e novas profissões a cambojanxs. O mais famoso deles é a Daughters of Camboja. Eles se dedicam a ajudar mulheres vítimas do tráfico de pessoas e exploração sexual. Lá tem uma loja de artesanato e um café. Fica pertinho do Museu Nacional.

 

Numa noite especial, fomos a um restaurante chamado Dine in the Dark, que tem uma proposta muito interessante. Você come em absoluta escuridão. Ao chegar, o cliente é recebido pela hostess em um local iluminado onde ela te mostra um cardápio com preços e três opções de menu: ocidental, local ou vegetariano. Cada um deles tem entrada, prato principal e sobremesa, mas você não sabe exatamente o que vai comer. Você deve dizer se há alimentos que você não come. Eles pedem para deixar qualquer objeto que emita luz em uma caixa que o cliente tranca e fica com a chave. Um guia cego vem te buscar te leva até a mesa e serve os pratos. É incrível entrar em um ambiente totalmente escuro. No início meu deu ansiedade, mas depois achei ótimo. Os sentidos ficam aguçados e acabamos experimentando a comida de outra forma. Percebemos melhor os sabores e texturas. Recomendo levar um álcool para limpar a mão porque dá vontade de tocar para saber a forma e a textura do alimento ou ver se ainda tem alguma coisa no prato. A gente reflete sobre a vida de uma pessoa cega, nosso apego à visão e falta de disposição de ver o mundo de outros modos.

 

Eu não vou contar o que comemos porque pode ser que te sirvam algum prato igual. O que posso dizer é que a comida é muito boa, embora não seja espetacular. A experiência como um todo é fantástica. Recomendo que você procure em outras cidades do mundo caso não possa fazer aqui.

 

DICAS

De noite, é legal ir ao bairro BKK1, onde há muitos restaurantes legais.

 

Os lugares não aceitam cartões, assim como nos outros países que visitamos por aqui. Leve dinheiro ou saque nos caixas eletrônicos. Olhe com seu banco com muita antecedência se ele oferece saque no exterior e quais são os custos. Em geral, comprar a moeda em espécie é mais barato. Eu sempre trago a maior parte em espécie e faço alguns saques com meu cartão do Banco do Brasil.

 

O palácio requer roupas apropriadas. Ou seja, joelhos e ombros cobertos. ALIÁS, aquelas roupas reveladoras que adoramos usar no calor não são práticas na maior parte do sudeste asiático. Deixe-as para as praias.

 

Muitos locais fecham entre 11 e 14. Esse foi o caso do palácio real. Se você tiver pouco tempo na cidade isso pode atrapalhar muito. Tente se programar para visitar o campo de extermínio ou a prisão nesse horário.

 

O preço da comida foi 18 dólares por pessoa. O Dine in the Dark fica perto do Museu Nacional, na rua 19. Se eles servirem camarão, guarde o rabinho para jogar no colega no meio do jantar. Ele vai tomar um baita susto e você terá uma crise de riso daquelas memoráveis.

 

Deixe seu repelente de insetos em local acessível na mala quando foi para o aeroporto. Ele estava tomado por milhões de pernilongos famintos na área de check in. Depois, não se esqueça de colocá-lo na mala para que você não tenha que jogá-lo fora na hora de entrar para a sala de embarque.

 

O bilhete do Giant Bus custou 15 dólares.

 

O Colgate que comprei tem gosto de sal. Parece que você está comendo algo e não escovando os dentes. É um pesadelo.

https://detantoandarblog.wordpress.com/2016/01/29/phnom-pehn-2-pensamentos-sobre-o-camboja-e-jantar-no-escuro/

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Alguns sonhos são difíceis de dimensionar até que você de fato possa toca-lo, ver de perto e principalmente deixar a energia do local tomar conta. Eu me lembro de pegar uma revista de viagem com uma linda matéria sobre uma país que eu até então não conhecia. As fotos me deixaram sem fôlego. Os pagodas dourados e os sorrisos das pessoas não me saíram da cabeça desde então. Quando tivemos que decidir o roteiro, deixamos Laos e Vietnã para a próxima para ficar dez dias em Myanmar, também conhecido como Burma. A questão do nome vem de dias difíceis para o país, quando um regime militar extremamente opressivo mudou o nome do país de Burma para Myanmar. Somente no final de janeiro de 2016 Burma concluiu a transição democrática e conseguiu se livrar desses filhotes de cruz credo.

 

Chegamos a noite, trocamos 100 euros e saímos com 136 notas de mil Kyat. O dinheiro daqui vale pouco e andar com pilhas de notas não é incomum. Felizmente, a criminalidade é muito baixa.

 

No primeiro dia em Yangon começamos com um café da manhã tradicional em uma casa de chá que na verdade seria o que chamamos de restaurante. Aliás, o café deles mais parece um almoço. Muita gente come macarrão! Fui ao banheiro e me surpreendi quando meus olhos ficaram cheios de lágrimas e me arrepiei. Confesso que foi uma cena estúpida, eu não tinha visto nada de especial. Na verdade, chorar me atrapalhou na difícil tarefa de acertar o buraco da privada asiática sem molhar meu pé. Fiquei pensando o que havia de especial nesse país.

 

Outras vezes, durante os dez dias que passei aqui, senti uma energia diferente. Me arrepiei, me encantei incontáveis vezes com o povo mais alegre e simpático que já conheci.

 

A pérola de Yangon é o Shwedagon Pagoda. Esse templo grandioso e deve ser visto, estudado com toda calma. Escolhemos ir no meio da tarde e esperar o anoitecer. A mudança da luz revela novos detalhes e novas belezas. Em muito templos do país você pode comprar folhas de ouro para colar nas imagens de Buda. Uma mulher me deu algumas para eu colocar. Que povo lindo!

 

Conhecemos um birmanês que morou muitos anos nos EUA e tivemos a oportunidade de conversar sobre as grandes mudanças pelas quais o país está passando. Ele mesmo abriu seu próprio negócio, o primeiro food truck da cidade. Ele vende fast food no estilo americano, frango e batata frita. Depois de tanto tempo fechado para o mundo, não é difícil achar agora grandes empreendimentos imobiliários em fase inicial. Eles têm lindas fotos anunciando prédios modernos e luxuosos que terão todo os confortos que certamente atenderão à elite local.

 

Também fomos a outros templos. O buda deitado do Chauk Htat Gyi Buddha impressiona, assim como o Buda em pé do Ngahtatgyi. Eles estão muito próximos e o trajeto pode ser feito a pé. Ao visitarmos o Lago Kandawgyi, construído ainda na época da colonização britânica, nos surpreendemos com uma paisagem maravilhosa. O lago é cortado por lindas pontes de madeira. Lá presenciamos uma festa de fim de ano letivo de uma escola onde as crianças corriam felizes enquanto os pais faziam um pique nique celebrando a formatura. Do outro lado da festa uma turma recebia seus diplomas. Os jovens vinham alegres pedir para tirar selfies conosco, os únicos intrusos do local.

 

Quando chegamos para visitar o templo Botahtaung, presenciamos logo em frente, algo que define porque amo viajar. A maior parte da população de Myanmar é budista. Entretanto, eles conservam elementos de um culto a espíritos chamados de nats. Pelo que entendemos, eles celebravam o aniversário de um deles. Muito batuque, uma multidão na rua, cores, balões, gente saindo e entrando de uma casa onde estava a imagem sendo cultuada. Algumas vezes alguém jogava dinheiro para o alto e as pessoas se esticavam para pegar. O que mais impressionou foram as manifestações mediúnicas em público. Algumas mulheres dançavam com movimentos rápidos que acompanhavam o tambor influenciadas pelos espíritos que eles cultuam. As manifestações pareciam ser inconscientes e elas eram contidas para que não caíssem ou não machucassem as pessoas em volta. Eu havia lido no guia algo sobre festas chamadas de Pwe que poderiam acontecer por diversas razões como casamentos ou aniversários. A descrição era muito próxima disso. Fomos informados que essa celebração duraria três dias. Eu entrei na casa e as pessoas não pareceram se importar com a presença de um estrangeiro. Foi incrível!

 

Já dentro do templo Botahtaung, pela primeira vez pude, de fato, entrar dentro de um pagoda. Lá está uma relíquia muito importante para os budistas, fios de cabelo de Buda. Eles estão protegidos dentro de corredores de um dourado incrível. O local exato onde estão os fios de cabelo também é todo coberto de outro e é um foço onde as pessoas jogam dinheiro.

 

Uma maneira de ver mais da vida dos locais é pegar o trem chamado de Cicular Train. As 39 estações cortam a cidade e os subúrbios dando a chance de ver como vivem muitos birmaneses. O trem demora cerca de três horas para fazer a volta completa, te deixando na mesma estação onde você começou sua jornada. O que acontece dentro dele é tão interessante quanto a vida do lado de fora. Muitas das estações são próximas a mercados de vegetais. Algumas pessoas carregam sacolas enormes para dentro do trem tão rapidamente quanto possível. Imagino que elas revendam os vegetais ou abasteçam seus restaurantes com eles. Vimos também gente transportando móveis e vendendo comidas típicas. Alguns vendedores montavam pratos de macarrão com vários ingredientes frescos picados ali mesmo. Havia também frutas e outras coisas que não sabemos o que era. Você pode descer em qualquer estação e pegar o trem seguinte.

 

A gentileza dos locais me marcou muito. Pegamos o trem em uma estação distante do centro e por isso éramos os únicos turistas por lá. Ao chegarmos, pedimos informação numa vendinha onde havia um senhor falava inglês e nos ajudou. Na verdade, ele trouxe banquinhos para nós, pediu alguém para ir comprar nossos bilhetes e nos explicou como pegar o trem. Quando entramos na estação já sabíamos tudo e nosso bilhete já estava comprado.

 

Ainda no avião da Malásia para Burma, senti do lado de dois brasileiros muito bacanas. Eles moram no Japão e estavam indo encontrar uma amiga local e conhecer Yangon e Bagan. Enquanto conversávamos percebemos “algumas várias” coisas em comum e nos encontramos depois na cidade. A amiga deles nos tratou com muita gentileza e carinho e nos explicou muito sobre a vida no país dela. O saldo de Yangon foram memórias profundas e novas amizades!

 

DICAS

 

O transporte público em Yangon consiste em algumas estações de trem e ônibus muito velhos e lotados, mas, felizmente, os táxis são muito baratos e os taxistas gentis. Não há taxímetro, pergunte antes o valor da corrida. Eles não costumam baixar muito o preço.

 

Cartão de crédito? Esqueça. Como no resto dos lugares que visitamos nessa viagem, aqui o negócio é pagar com dinheiro mesmo. Saque nos ATMs ou troque euro ou dólares. AS NOTAS QUE SERÃO TROCADAS TÊM QUE SER PERFEITAS. Nada de amassado, manchas ou qualquer imperfeição.

 

De todos os países visitados, aqui gastamos menos com alimentação e atrações turísticas. O mesmo não pode ser dito quanto aos hotéis, que são mais caros que no resto do sudeste asiático.

 

Compramos um chip para o celular para usar a internet. Ele custou 2000 kyat e colocamos 5000 de crédito. A internet funcionou extremamente bem, foi suficiente para todos os dez dias em Myanmar e nos ajudou muito!

Muitas pessoas passam uma espécie de mistura de pó de madeira com água no rosto. Eles dizem que deixa a pele bonita e protegida do sol.

 

É comum ver pessoas mascando uma mistura de noz de betel e tabaco. Ela vicia, estraga os dentes e tem cheiro ruim. Depois de mastigada, ela fica com cor avermelhada forte muitos cospem no chão que fica todo marcado.

https://detantoandarblog.wordpress.com/2016/02/12/yangon-myanmar/

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O Inle Lake é um lago lindíssimo de 116 km quadrados. Ele tem fauna e flora exuberantes e moradores que têm um modo de vida peculiar. Além da pesca, lá são cultivados vegetais que são a base da alimentação das pessoas da região.

 

A forma mais fácil de se visitar essa maravilha é se hospedando na pequena Nyaung Shwe. Chegamos em um ônibus noturno da empresa JJ que foi muito curioso. Ele era limpo, confortável, tinha tela de entretenimento com alguns filmes e músicas (de divas e com letras para você cantar), tomadas, água, um lanchinho simples e um ar condicionado que tentava reproduzir as temperaturas dos invernos siberianos. Sabíamos da fama da empresa e levamos todas as roupas de frio que tínhamos na mala, nos cobrimos com duas mantas dadas no ônibus e mesmo assim passei um pouco de frio. Não posso imaginar a agonia de uns turistas vestidos com bermudas ou calças finíssimas usadas para visitar os templos no calor de 30 e poucos graus.

 

Em Nyaung Shew, tem um rio que está conectado ao lago, muitos hotéis e restaurantes para atender aos turistas. Em cada barco cabem até cinco pessoas. Você pode perguntar no hotel se tem gente que gostaria de dividir o barco que tem valor fixo, independentemente da quantidade de pessoas.

 

A embarcação é feita de madeira, é longa, rústica e motorizada. Já existe um roteiro padrão que você pode (e deve) adaptar ao seu gosto. Eu digo isso porque ele envolve algumas visitas a lojas na beira do lago onde você pode ver como são produzidos tecidos, prataria e cigarro. Tem, inclusive, uma lojinha onde estão algumas mulheres girafa. Depois de ter escapado da famigerada visita a essa tribo em Chiang Mai eu acabei as vendo em Inle Lake. Não sabia que seria parte do passeio e as duas francesas que foram conosco pareciam genuinamente interessadas. Confesso que ainda não sei muito bem o que pensar disso. Me incomodou profundamente ver os corpos deformados de mulheres que seguem uma tradição que hoje é atração turística. Eles mostram pra gente o peso dos anéis que são adicionados à medida que a criança cresce causando uma deformação nos ombros que dão a aparência de um pescoço longo. Nós vimos quatro mulheres. A mais nova ainda estava na adolescência. Os tecidos que elas produzem são lindos, as marcas de suas tradições não.

 

Nós visitamos um templo a beira do lago e também um monastério. O lugar que mais gostei, entretanto, foi o mercado local. Diferente dos outros mercados que havia visitado em Yangon, aqui o foco era a população da região que estava lá a procura de temperos, grãos vegetais e frutas. Havia também artesanato incrível para os turistas. Em Myanmar, encontramos, com facilidade, lindas marionetes de bonecos e bichos. Tem também cerâmica com pinturas delicadas, bijuterias e imagens budistas. Vale a pena passar pouquíssimo tempo nas lojinhas e um tempão no mercado. Claro que em um barco com quatro outros desconhecidos pode ficar difícil conciliar interesses. É melhor conversar com os coleguinhas no hotel para ver se a vibe é parecida.

 

Enquanto navegamos, vemos os pescadores da região que parecem executar uma coreografia intrincada e com preocupações muito mais estéticas que práticas. Cada barco longo e feito de madeira tem um pescador que se equilibra na ponta, em um pé, deixando o outro livre para remar. Dessa forma, as mãos ficam livres para manusear a rede. Muitos usam a rede tradicional, mas ainda há alguns que usavam a tradicional, uma espécie de cesto vazado. Daria para ficar horas observando os pescadores. Da vontade de saber muito mais sobre o estilo de vida deles e como é a pesca. Talvez valha a pena ter um guia. Nosso motorista não falava nada de inglês.

 

Nosso passeio saiu as 7:30 e voltou às 17. Paramos para almoçar em um restaurante tradicional construído sobre o lago. Comemos um arroz refogado delicioso, que é o que eu mais como pela Ásia. Não por falta de opção, mas porque eu gosto mesmo. Para a nossa surpresa, entretanto, o peixe local assado não havia sido feito na hora. Estava borrachudo e o tempero só tinha gosto de coentro.

 

No segundo dia na cidade, nós alugamos uma bicicleta e fizemos um passeio delicioso. Você pode fazer um percurso sugerido que dura pelo menos três horas. Claro que as paradas vão aumentar a duração do passeio que pode ser feito em uma manhã ou durante o dia todo. Nós pedalamos, primeiro, até uma estância de águas termais. Não é nada grandioso ou fantástico, mas foi bom para relaxar. Há duas áreas, uma para locais, com uma piscina grande para homens separada de outra para as mulheres, e outra com quatro piscinas pequenas para estrangeiros. Essa divisão já me fez torcer o nariz. Não entendi a necessidade. O bom é que você não é obrigado a usar a de estrangeiro. Depois de relaxar nas águas termais, nós pedalamos cinco minutos e pegamos um barco que nos levou ao outro lado do lago. O mapa que ganhamos indicava umas vilas da região e mercados. Parece que poderíamos ter ido mais longe e pegado o barco em uma vila, porém nosso tempo estava curto. Infelizmente, o mercado que tentamos visitar não estava funcionando no dia. Cruzar o lago nos deu mais uma chance de ver os lindos pássaros da região e os pescadores em sua curiosa dança. Já mais para o final do passeio, fomos a uma vinícola que fica em um morro que tem uma vista incrível. Além da degustação de vinhos, eles servem uma comida deliciosa. Ela está indicada no mapa e tem uma placa na estrada. Não posso dizer nada sobre a qualidade do vinho, porque disso eu não entendo bulhufas.

 

Quase em frente ao nosso hotel estava o restaurante Live Dim Sum House, avaliado como o segundo melhor da cidade no TripAdvisor. Como lidar com seu restaurante chinês favorito estar localizado no meio de Myanmar? Comi muito dumpling e lamentei profundamente a distância de casa. Também posso recomendar o chocolate quente divino do The French Touch. Perfeito para aquecer a manhã ou noite frias dessa época do ano.

 

DICAS

 

O passeio de bicicleta não foi muito pesado. Você não precisa de ser um mega atleta para fazer. O primeiro trecho foi pior, muito buraco na estrada e uma pequena subida. O resto foi tranquilo. Tem algumas placas no caminho, mas não deixe de pedir informações e usar o mapa.

 

Leve lanchinhos e água no passeio de barco.

 

O barco todo custava 20000 kyat pelo dia inteiro.

 

A travessia do lago para duas pessoas, com as bicicletas, custou 8000 kyat. Não demorou 30 minutos. Achei muito caro tendo em vista que o passeio do dia todo do dia anterior custou 20000, mas não teve jeito.

 

A degustação de quatro tipos de vinho foi 2000 por pessoa.

 

A entrada da piscina de águas termais era 7 dólares para a comum e 10 para a de estrangeiros.

 

Leve roupas de neve para o ônibus e roupas de frio para o passeio de barco, já que faz muito frio de manhã no lago. Eles te dão uma coberta no barco. Mesmo assim, tenha calça e blusa de frio para essa época do ano. (Fomos em janeiro)

https://detantoandarblog.wordpress.com/2016/03/09/o-belo-e-surreal-inle-lake-myanmar/

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aldair87    0

Fala Matheus, blz cara?

Ainda nem acabei de ler seu relato, mas parei para perguntar sobre o stopover. Eu já comprei as passagens, sem considerar uns 2 dias em Dubai.

O voo de Dubai para Bangkok parte 12h depois que eu pousar lá.

Como você fez? Também resolveu isso depois ou era preciso ter comprado o trecho dubai - bangkok já com essa diferença ai de 2 dias, que é o tempo que gostaria de ficar na cidade?

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Fala Matheus, blz cara?

Ainda nem acabei de ler seu relato, mas parei para perguntar sobre o stopover. Eu já comprei as passagens, sem considerar uns 2 dias em Dubai.

O voo de Dubai para Bangkok parte 12h depois que eu pousar lá.

Como você fez? Também resolveu isso depois ou era preciso ter comprado o trecho dubai - bangkok já com essa diferença ai de 2 dias, que é o tempo que gostaria de ficar na cidade?

Oi Aldair,

 

Que bom que está acompanhando. Pelo que entendi, vc comprou a passagem sem stop. Nesse caso, vc terá que entrar em contato com a Emirates e ver como pode fazer para mudar sua passagem, mas acredito que haverá multa. Eu já comprei a passagem com o stop desde o princípio.

 

Abç

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Pegamos um ônibus da empresa JJ de Inle Lake para Bagan às 20:00. Nesse não tinha tomada e as telas de entretenimento individual não ligaram. Já estava mal-acostumado. O bom foi que o frio ficou dentro de padrões toleráveis. As três da madrugada chegamos em Bagan, fizemos o check in e dormimos um pouco. De pé às 5:00 para assistir ao nascer do sol, eu esperava que realmente valesse a pena. Meu corpo não responde bem antes de 7 e acordei derrotado e tentando me convencer de que poderia valer a pena.

 

A aventura das bicicletinhas começou. Tão marcante quanto os templos, foi tentar domar as e-bikes. Eu pensava que alugaríamos uma bicicleta que tivesse um pequeno motor para ajudar nas partes mais difíceis, mas o que alugamos foi uma versão mais pobre da Honda Biz. Ainda no escuro, subi na minha e-bike e escutei as instruções. Os três ou quatro comandos eram muito mais que eu poderia assimilar naquela hora infame. Decorei a partida e o freio e saí cambaleando pela rua. Eu questionava minha sanidade de tentar aprender a pilotar um protótipo de moto no escuro, sem saber para onde eu ia e em ruas esburacadas. Isso sem falar no frio e na ausência de capacete. Os primeiros metros foram trágicos. Eu só conseguia pensar que fazer curvas seria impossível. Tentei evitar, sem sucesso, pensar se meu seguro do cartão de crédito cobriria uma fratura exposta e pinos.

 

Com a ajuda de Deus, Budah e dos Nats, chegamos ao Shwe-san-daw Pagoda. Ele é bastante popular para o nascer e pôr do sol por sua localização e altura. Você sobe no escuro, descalço e arruma um cantinho em meio a tripés e câmeras dos asiáticos que teimam em nos humilhar com seus equipamentos e habilidades superiores. A luz vai tomando conta da paisagem e o fôlego some. Você entende, embora não acredite muito bem, que está cercado por templos incríveis, de variados tamanhos e formas a perder de vista. Ao fundo, o cântico de um monge ecoa. Quando o sol aparece, o laranja do céu é salpicado de balões que aumentam a sensação de descolamento do mundo real que tanto experimentei em Bagan.

 

Tanta cultura e beleza de seus mais de 4000 templos são explicadas pelo fato de Bagan ter sido a capital de vários reinos de Mianmar. Os templos que vemos são feitos de tijolos, já que as estruturas de madeira não resistiram aos rigores do tempo e terremotos. Eles foram construídos entre o século 9 e 13.

 

De volta para o hotel, tomamos café e descansamos antes de sairmos novamente. Olhando o mapa, fica difícil escolher onde ir. Lá fora, fica claro que o mapa somente mostra uma fração dos templos e ver tudo não pode nem ser considerado. Por isso, muito alugam e-bikes. Elas ajudam a percorrer os labirintos de caminhos de Bagan. Se você preferir, poderá alugar bicicletas convencionai,s mas será extremamente pesado pedalar nas trilhas de areia.

 

Em alguns templos, há monges e alguns budistas praticando seus rituais. Na maior parte deles, entretanto, o que vemos são estátuas de Buda de vários tipos. Em muitos você estará sozinho. Os caminhos entre eles são, geralmente, trilhas de terra ou areia. Você vai derrapar e possivelmente cair. Se não se machucar seriamente, ria.

 

Nós planejamos os três dias aqui dividindo a cidade em três partes e focando cada dia em uma delas. Você pode usar o mapa para identificar os templos maiores. Muitos deles podem ser avistados facilmente e assim nós fomos seguindo na direção daquilo que nos chamava atenção.

 

Almoçamos um dia em New Bagan, no 7 Sisters. No outro, comemos no Be Kind to Animals, pertinho do Ananda Templo. Lá tem pratos vegetarianos deliciosos. No outro comemos no Weather’s Spoon. Ele fica numa rua na região noroeste da cidade, perto do templo Shwe zi gone. Lá há vários outros bons restaurantes. Uma noite jantamos no delicioso Star Beam que foi recomendado por uma amiga muito viajada. Ele tem duas filiais, uma em New e a outra em Old Bagan. A maior parte dos lugares em que comemos eram deliciosos e de estrutura muito simples. Muitos tinham bambo trançado no lugar das paredes e alguns não tinham nem pia no banheiro. Se você for mais sensível a cuidados de higiene, recomendo buscar os melhores restaurantes no Tripadvisor mas mesmo assim não olhar pra cozinha.

 

No nosso último nascer do sol, fomos premiados com uma nova amizade que tinha uma câmera linda e que tirou a única foto descente que temos desse momento. Já mencionei que perdi minha câmera na Malásia. Aqui fez falta demais. A câmera do telefone é muito ruinzinha. Eu tive certeza que poderia comprar uma no duty free shop de Kuala Lumpur, mas, pasmem, não havia nenhuma a venda. Essa nova amiga de viagens é colombiana, mora em Paris e já viveu em BH. Ela fez um curso de meditação de dez dias em Yangon. Dez dias, 10 mesmo, sem conversar, fazendo uma refeição às quatro e outra às onze da manhã e meditando o dia todo. A identificação foi forte quando ela falou que essa experiência era resumida pela música Survivor das Destiny’s Child. Soube naquele momento que seremos ótimos amigos. Além dessa alma gentil colombiana, quando estávamos indo embora, um ser de luz da Korea (como eu amo a Korea) resolveu testar sua câmera oriental conosco. Ele tirou várias fotos e prometeu nos mandar quando chegar em casa. Ele não falava quase nada de inglês. Não sei quando ele volta, mas aguardo por esse dia ansiosamente. (hoje, dia de concluir esse post as fotos chegaram!!!!!!)

 

Na manhã em que não fomos ver o nascer do sol, fui acordado com um som altíssimo que era como um dragão cuspindo fogo. Dei um pulo da cama pensando que o hotel estava em chamas. Acordei meu marido e corri pra fora de pijama pensando numa rota de fuga. Eram os balões que estavam pousando pertíssimo de nós. Por sorte, não gritei e não havia ninguém próximo. Voltei rapidamente para o quarto e respirei aliviado. Primeiro por não ter sido visto e segundo por não haver um incêndio.

 

Aqui há muito artesanato lindo. É tradicional do país o trabalho de pintura em cerâmica. Você pode ir em lojas chiques e caras como a Bagan House Lacquerware que fica em New Bagan. Lá é possível ver como as peças são feitas. Eu andei com o máximo de cuidado para não tocar em nada. Quando estava saindo eu relaxei e dei um bicudo caprichado em algo pesado. Pensei logo no pior e em cifras altíssimas em dólar. Era o peso que segurava a porta. Oh glória!

 

Voltando ao assunto das e-bikes, todos os dias nossa bateria acabou. No primeiro, demos sorte. Só tivemos que empurrar a diaba por dois quarteirões até o hotel. No segundo dia, nós não fazíamos ideia de onde estávamos. Liguei no número que estava na chave e passei o telefone para uma mulher local que não falava uma palavra de inglês. Depois de meia hora chegou um moço sorridente com novas baterias. Isso é corriqueiro. Não se estresse, não espere desculpas ou desconto na hora de pagar. No terceiro dia foi um pouco pior. O nível da bateria começou a cair rapidamente somente depois de uma hora de uso. Já estávamos no meio de umas trilhas de areia meio isoladas e tentamos alcançar um templo enorme de onde poderíamos ligar. Não deu para chegar até lá e foi preciso empurrar a danada durante 20 minutos pela areia.

 

DICAS

 

Alguns turistas com alguma noção alugam capacete. Seja um deles.

 

Vá com calma nas partes asfaltadas, aqui tudo é na base da buzina e arreda que eu tô passando.

 

Leve água e algum lanchinho. Em muitos lugares não será muito fácil de achar.

 

Se você for com um coleguinha, fique atrás dele para pode ver todas as manotas dele com a e-bike e proteger sua dignidade.

 

Fique de olho no nível de bateria no painel. Antes que ela acabe, vá para um templo conhecido e ligue para virem trocar. Ter um chip local ajuda muito. Obs: muitos templos pequenos não têm nome, por isso você terá que ir para um grandão.

 

Jeans e jaqueta ajudam a proteger de prováveis tombos.

 

Não se aflija, vá devagar e curta. Andar de e-bike é lindo.

 

Se você for ryka https://www.youtube.com/watch?v=8oIPg3-WPpQ, ande de balão. Custa por volta de 300 dólares e dizem ser incrível. Reserve com antecedência.

 

Alguns templos conservam pinturas lindas e muito antigas. Eles são os menores e estão concentrados na região leste de Bagan, perto do templo Thambula. O Nanda Pyin Nya é incrível e ao lado dele tem um monastério com uma parte antiguíssima subterrânea que pode ser visitada.

 

O templo Pya Tha Da é ótimo para o pôr do sol. Ele tem um terraço enorme e é super alto. O nascer do sol também deve ser ótimo por lá mas para chegar até ele tem que passar por caminhos de areia que não são muito bacanas no escuro.

https://detantoandarblog.wordpress.com/2016/03/13/bagan-e-sua-distancia-do-mundo-real/

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Qual é a vibe turístisca de Bangkok? Entenda isso olhando para os mochileiros na rua Kao San. É muita gente tatoada fazendo mais tattoos, tomando uns drinks (ou milhares), comprando camisetas com estampas de elefante ou cerveja, comendo comidas locais e com uma forma de andar e conversar que mostra que aquele é o endereço de férias dos “cool travellers”.

 

Ao chegar em banguecoc senti aquele calor que parece que está faltando ar. Pensei, ok, já era esperado. O bom foi que me adaptei mais fácil que pensava. Muita água e, se possível, usar uma sombrinha para esconder do sol geralmente conservam minimamente sua dignidade.

 

Eu havia lido que os tailandeses não gostam de ‘passar vergonha” e que conflitos devem ser evitados. Na dúvida, sorria. Aos poucos isso fez sentido, especialmente quando se trata das dificuldades para comunicar com os turistas. Gente, a língua deles é muito diferente do inglês. Os sons são muito difíceis e muitos não conseguiam falar números direito e se você não entende o preço das coisas eles ficam com raiva. Eu acredito que possa ser vergonha. Saindo do aeroporto, o taxista falava em uma língua que não consegui entender se era inglês ou tailandês. Eu não entendia nada e ele começou a ficar agressivo. Por fim, deduzi que era dinheiro e vi um posto de pedágio se aproximando. Mas devo dizer que em Banguecoque isso aconteceu com maior frequência que em outros lugares da Tailândia. O estereótipo do tailandês gentil e amável parece mais próximo da realidade em cidades menores.

 

Gente, os templos são incríveis, monumentais, coloridos, dourados… Neles podemos ver atos e cerimônias religiosas que fazem parte da vida dos budistas. Entramos descalços, podemos triar fotos, mas não podemos entrar com roupas curtas (ombros ou joelhos de fora). Em alguns lugares, eles emprestam uma capa para as pessoas despreparadas se cobrirem. Como não dá pra contar com isso, é bom levar roupas leves e que cubram joelho e ombro na bolsa de mão se você não quiser usa-las o tempo todo. Os rituais dos monges e dos fiéis nos lembram de nossa ignorância sobre o mundo do outro. Entrar em um templo budista tailandês pode trazer muitas sensações. Em alguns deles fui tomado de um sentimento de gratidão profunda por estar ali, por poder ver como vivem as pessoas em outros lugares, por poder me aproximar de uma forma de arte que até então não havia visto. O dourado, os pequenos pedaços de azulejo brilhantes que decoram as esculturas, os fiéis reverenciando buda com incensos e se curvando diante das estatuas te fazem entender o que significa estar do outro lado do planeta.

 

A comida é cheia de aromas diferentes e deliciosos. Muitos frutos do mar e pimenta! Curry tem de vários tipos e cores. Camarão de todo jeito! Frutas deliciosas e baratas como a dragon fruit que no Brasil é difícil de achar e é vendida a preço de ouro.

 

Mas quanto custa? Em Bangcoc há templos e atrações mais caras que em outras partes da Tailândia. O palácio real, por exemplo, foi o mais caro e custou 500 BHT. Na cotação atual dá mais que 50 reais. Outros templos custam apenas 20 BHT, 50 BHT ou nada. O táxi do aeroporto para o hotel custou 350 BHT mas não peguei muito trânsito. Outros percursos de média distância custaram 100 BHT. Acabamos usando mais táxis que de costume em nossas viagens por causa da limitação do metrô e do calor escaldante. No final do dia, na hora de voltar, falta energia para andar 30 min até o metrô. Se você se hospedar mais perto da região onde estão as atrações será mais fácil fazer os percursos a pé. A comida mais barata é um arroz ou macarrão deliciosamente temperados e que podem ter frango, carne de vaca, ovo, frutos do mar e vegetais. Em um restaurante, esse prato custaria por volta de 100 BHT e ainda menos nas barraquinhas de rua. Tem também as lojas de conveniência espalhadas por toda a cidade que vendem lanchinhos como sanduíches por algo como 70 BHT que eles esquentam na sanduicheira na hora. Fica bom! Hotéis, tem de todo preço. Em geral, você pode conseguir algo muito bom pagando muito menos que na Europa, EUA e Brasil. Lembre-se de que estar perto do metrô ou do trem suspenso não significa que você estará extremamente bem localizado.

 

DICAS

 

Ao chegar a Tailândia, passageiros sul americanos precisam de passar pelo health control ANTES de ir à imigração.

 

Lá eles vão olhar sua carteira internacional de vacinação contra a febre amarela. Se você não passar por lá será preciso voltar.

 

Um picolé de coco com pedaços de chocolate é tudo que você irá desejar no calor de Bangkok. Mas tome cuidado – o meu era de coco com feijão.

 

Peça educadamente para o taxista ligar o taxímetro e se ele não o fizer agradeça e saia.

 

Quando for andar de tuk tuk, negocie a corrida. Eles costumam dar um preço bem maior que o razoável.

 

Quando for visitar o palácio real, vá cedo. De preferência, chegue meia hora antes de abrir. Você será um dos primeiros a entrar e terá algum tempo antes do lugar ficar parecido com uma micareta. Além disso, não é tão quente de manhã.

 

Ande de barco pelo rio. É legal.

 

A massagem tailandesa é famosa e você encontra por todo lado. Custa por volta de 250 BHT e é ótima. Eu fiz em Chiang Mai (cidade sobre a qual falarei em breve) uma massagem em um local que treina massagistas cegos. Foi ótimo e ainda contribuí para uma causa de extrema importância. Se você preferir, por um preço parecido, você pode optar pelo fish spa. Você coloca os pés em um aquário e deixa os peixinhos comerem as partes podres da sua pele – esse aí eu não testei.

 

Muitos pratos têm pimenta e coentro. Se não gosta, peça sempre para não colocarem.

https://detantoandarblog.wordpress.com/2016/03/20/finalmente-tailandia-bangkok/

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Esta cidade data de 1350, já foi a capital da Tailândia e está localizada bem próxima à Banguecoque, o que a torna ideal para um bate e volta. Por volta de 1700, Ayuthaiya tinha se tornado a maior cidade do mundo e abrigava aproximadamente 1 milhão de pessoas. Sua localização contribuiu para que ela se tornasse um importante entreposto comercial. O que se vê hoje, na parte mais histórica, são ruínas, algumas mais preservadas e outras menos, já que a cidade foi invadida e destruída por birmaneses em 1767.

 

Embora a cidade não seja grande, muitos templos estão distantes uns dos outros (não dá pra fazer tudo a pé se for ficar um dia só). Nós alugamos bicicletas. Foi prático e barato. Tivemos que deixar alguma garantia que seria o passaporte ou 500 BHT. Meu passaporte eu não dou mesmo e não recomendo ninguém a dar! Então leve uma graninha extra para deixar lá e pegar depois que devolver a bicicleta.

 

A parte mais central da cidade é uma ilha cercada por três rios. Meus templos favoritos estavam fora dessa região e cruzamos os trechos de água de barco ou por pontes. Você poderá levar sua bicicleta no ferry mas isso exigirá algum esforço físico e destreza para carregá-la pelas escadas que dão acesso aos pequenos portos e para colocá-las e tirá-las das embarcações.

 

Os templos são lindos e bastante diferentes do que vimos no resto do país. Se em Bangkok predominam as telhado intrincados e as pedras preciosas, aqui você vê tons de marrom e templos que parecem ter sido feito de tijolo, terra e pedra. Eu recomendo que reserve um tempo para ir até o Wat Chai Wattanaram que está bem preservado e é imponente. Se for ficar até de noite ou passar a noite na cidade, você poderá deixá-lo para o final da tarde e assistir ao pôr do sol nele. Cruzando o rio de barco, visite o Wat Phanan Choeng e esqueça do tempo assistindo aos rituais nesse templo. Lá dentro tem uma estátua de quase vinte metros. Tivemos sorte e assistimos a um curioso ritual em que essa estrutura era coberta com tiras de panos amarelas muito compridas e que eram esticadas para que os fiéis pudessem tocá-las. Presenciamos também um grupo de monges andando em fila e tocando vários sinos alinhados na porta do templo. Outro templo que me marcou pela grandiosidade de suas construções foi o Wat Phra Si Sanphet, localizado dentro da ilha.

 

Você pode ir pra cidade de trem, ônibus ou van. Teoricamente, o trem demoraria uma hora e meia mas o que eu peguei foi tão veloz quanto uma lesma e demorou quase três horas. Fui de terceira classe por 15 BHT e vi a galera local vivendo seu dia a dia e comendo umas coisas meio loucas no trem. A demora atrapalhou curtir a cidade, porém, a experiência compensou. Acabamos voltando de van por causa do cansaço.

 

DICAS

 

Não se limite aos templos da parte mais central. Eles não são os melhores.

 

Se for alugar a bicicleta, lembre-se: a mão é inglesa e a galera não curte muito leis de trânsito. Cuidado.

 

Junto com a bicicleta você receberá um mapa com sugestões de pontos turísticos. Ele ajuda mas você não precisa de se limitar a ele. Informe-se antes. A lista de atrações do trip advisor é sempre útil.

 

Passar uma noite na cidade vai te dar mais tempo para curtir as coisas e de lá você pode ir de trem ou ônibus para chiang mai. Eu acabei ficando somente uma tarde e achei pouco.

https://detantoandarblog.wordpress.com/2016/03/27/ayuthaiya-tailandia/

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Chiang Mai está em quase todo roteiro pela Tailândia. Embora ela seja uma cidade grande, ela tem um ar de cidade menor, onde é mais fácil de se localizar e as coisas andam mais devagar. Você pode pegar um voo de Bangkok que dura aproximadamente uma hora e é bem baratinho. Só é preciso cuidado na hora de planejar, porque o valor inicial que você acha em sites como o skyscanner.com será acrescido de taxas, inclusive para despachar malas. Dá pra ir de ônibus ou de trem também se você topar as 11 ou 12 horas de viagem, respectivamente. A vantagem dessas duas opções mais longas pode ser ir de noite e aproveitar melhor cada minuto nesse país incrível.

 

Lá tem templos bacanas, comida boa e mais em conta que em Bangkok, mas, em geral, as pessoas buscam mesmo são as excursões para locais próximos. Há lugares que cuidam de elefantes resgatados de circos ou de atividades estúpidas, como levar turistas para dar a volta no quarteirão no lombo desses lindos animais. Se você tem alguma consciência, procure no trip advisor por algum lugar que realmente está comprometido como o bem-estar dos elefantes e onde eles não são usados como veículos de carga. Leia os comentários e fuja do show de horror que deve ser montar em um elefante enquanto o guia o espeta para fazer o animal andar. Eu fui ao Happy Elephant (http://www.happyelephanthome.com/), onde não andamos nos animais e nem os vimos serem maltratados em momento algum. Fiz a reserva pelo site e paguei somente depois do passeio o preço de 1800 Bath por um passeio de meio dia. Há também uma opção do dia todo por 2400. Eles vieram nos buscar no hotel e rolou um estresse básico porque eles se confundiram na hora de me dizer a hora por email e vieram uma hora antes do combinado. Nós os aguardávamos às 8:30, mas eles vieram 7:30. Quando bateram na porta, por sorte, já estávamos quase prontos para sair. O problema foi que não havíamos tomado café da manhã e eu, com fome, sou insuportável e nem mesmo uma viagem incrível pode me alegrar. Reuni tudo o que havia de bom em mim, sorri, expliquei o que havia acontecido e pedi para eles pararem numa loja de conveniência para eu comprar algo no caminho. Tudo deu certo!

 

Ao chegar no Happy Elephant, uma funcionária fofa nos explicou (o grupo tinha aproximadamente umas dez pessoas) como seria o dia e nos deram roupas de mahout (termo usado para designar os tratadores dos elefantes). Enchemos nossas bolsas com frutas e fomos, felizes da vida, conhecer os pacdermes. Você pode tocá-los, beijá-los e alimentá-los. Eles são lindos, inteligentes e extremamente fortes. É emocionante. Havia dois filhotes fofos e um pouco malcriados que queriam brincar subindo em cima do outro, mas o tratador tinha que interferir o tempo todo para o maior não machucar o pequenininho. Andamos com eles (não nas costas deles) e os levamos para tomar banho. Entrar na água e ajudar a dar banhos em criaturas tão maravilhosas é uma experiência que me deixou extasiado. Depois de tanto amor e diversão foi oferecido um almoço bem gostoso e voltamos ao hotel por volta de duas horas da tarde. Outro aspecto legal do passeio foi ter conhecido umas meninas americanas que viajavam juntas e também trabalham com educação. Tivemos tempo de trocar experiências sobre as dificuldades de trabalhar com crianças em situação de vulnerabilidade social e percebemos que há muita semelhança entre os nossos problemas e aqueles do lado de lá.

 

No dia do ano novo, nós ainda estávamos em Chiang Mai. Meu marido havia saído para fazer uma aula de culinária com a escola Asia Scenic que será assunto do próximo post. A aula acabaria no início da noite e não sabíamos se iríamos fazer qualquer coisa especial. Acabamos indo para o portão leste da cidade onde aconteceria uma celebração na rua. Valeu a pena! No ano novo, as pessoas soltam lanternas que iluminam o céu enchendo-o de alegria e vibrações de paz. Algumas eram coloridas e tinham uma carinha desenhada, mas a maior parte eram brancas. Elas pareciam ser feitas de um papel bem fino e são acesas queimando um material inflamável enrolado que fica na base. Compramos uma e fizemos nosso pedido de ano novo celebrando o amor e o crescimento espiritual.

 

Outra experiência marcante foi a massagem tailandesa que fizemos na cidade. É bem fácil encontrar opções de massagem tradicional por todo o país, mas nós resolvemos fugir do lugar comum e apoiar uma boa causa escolhendo o Association Massage Ching Mai of Blind. Como o nome sugere, os massagistas são cegos. Eu havia lido avaliações na internet que diziam que a massagem era maravilhosa mas que um massagista do local era muito bruto. Obviamente, desejei que ele fizesse massagem em meu marido para eu poder rir da cara dele. Obviamente, ele fez massagem em mim. A cada dois minutos eu implorava para que ele usasse menos força mas ele tinha a memória muito curta. De toda forma, para minha surpresa, saí de lá sem lesões e até mesmo sem dores. Recomendo! Eu também tive vontade de fazer o fish spa, mas deixei para Bangkok e acabei passando mal no dia e perdi a chance. Você coloca seus pés num aquário e deixa os peixinhos limparem as perebas de dias andando como aquele único par de tênis que você trouxe para não pagar excesso de bagagem

 

Perto de Chiang Mai há duas atrações bastante populares entre turistas, o Tiger Kingdom e a visita a uma tribo das mulheres girafas. Li sobre as duas e não quis ir. Não gosto de atrações com animais selvagens, carnívoros e perigosos aparentemente domesticados que são usados para tirar fotos com turistas. Tem um lugar parecido em Buenos Aires. Tenho sérias dúvidas quanto aos métodos utilizados para mantê-los sob controle. Quanto a tribo das mulheres girafas, não fui porque para mim parece um zoológico humano. Eles montaram essa atração que simula a vida na tribo e lá você pode ver essas mulheres e entender um pouco mais sobre seu etilo de vida. Você verá que o pescoço não cresce. O que acontece é que os anéis empurram o ombro para baixo causando uma deformação anatômica que dá a elas uma aparência peculiar e obviamente muita dor.

 

DICAS

 

Os taxis de chiang mai são pick ups vermelhas adaptadas. Eles colocam paredes e teto de metal na parte de trás e fazem umas rotas mais fixas mas podem desviar para te levar onde você quer ir. Dê sinal e pergunte se eles estão indo para o seu destino e combine o preço.

 

Eu comi em um restaurante vegetariano delicioso que é uma pequenina instalação despretensiosa e divina. Ele é o Bamboo Bee. Só havia uma funcionária que cozinhava na nossa frente e cuidava de tudo mais. Ela mal falava inglês, mas o cardápio estava traduzido. Há muitos outros restaurantes de comida vegetariana entre os melhores da cidade segundo a lista do Trip Advisor. Recomendo experimentar mesmo que você não tenha abolido a carne de sua vida.

 

Há um café delicioso na cidade chamado Fern Forest Cafe. Lá tem pratos tailandeses, cafés, chás, sucos, e doces divinos. Só de lembrar dá um desespero. Somente descobri esse lugar no último dia e fiquei muito triste. Para compensar, comi lá duas vezes em um intervalo de duas horas. ME JULGUEM.

https://detantoandarblog.wordpress.com/2016/03/30/chiang-mai-tailandia/

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Aquilo que se come e a forma de comer são parte da cultura local e essenciais em viagens. Eu sempre me lembro de um restaurante ou de um prato fantásticos tanto quanto daquele templo ou museu imperdíveis. Para tornar a experiência de viajar ainda mais rica, em algumas partes do mundo é muito comum fazer uma aula de culinária por um dia. Assim acontece em Chiang Mai, onde além dos templos lindíssimos, visitas a santuários de preservação e resgate de elefantes, há muitas opções de aulas de culinária. Você pode ver na lista do tripadvisor que o número de boas escolas é considerável.

 

Mas cada viajante tem suas idiossincrasias e eu acredito que nossas energias são passadas para nossos alimentos. Dessa forma, evito ao máximo cozinhar e intoxicar a mim mesmo e aqueles que eu amo com o meu desprazer por essa atividade. Por sorte, meu marido é o oposto e participou de uma aula no Asia Scenic Thai Cooking School (http://www.asiascenic.com/). Escolhemos essa escola porque estava muito bem avaliada e também porque eles tinham opção de aula por todo o dia, de manhã ou de noite. Ele optou pelo horário da noite (800 baht), de 17 às 21, e na hora marcada eles passaram no hotel e o pegaram.

 

A escola fica no centro e várias aulas acontecem ao mesmo tempo. A professora era local, fofa, fazia brincadeiras e foi muito paciente.Eles começaram com uma votação para decidir os pratos que seriam feitos. Em seguida, foi feita uma visita à horta da escola e ao mercado local. O objetivo dessa parte da aula é mostrar aos alunos como os ingredientes são cultivados na escola e vendidos no mercado local e não os comprar para usar nos pratos a serem feitos.

 

O grupo de alunos tinha mais ou menos dez pessoas e cada um tinha sua estação. Depois de cada prato, todos se reuniam em uma mesa grande para comerem. Para começar, os alunos puderam escolher duas receitas de saladas. Em seguida, foram feitos vários pratos principais, como spring roll frito ou feito em água quente, macarrão tailandês, arroz tailandês e macarrão de mamão verde. Teve também quatro tipos de curry no final. Segundo ele, foi muito bom entender melhor os pratos que estávamos comendo desde o início da viagem. Amamos a culinária tailandesa!

 

DICAS

 

Vá com fome. É muita comida

 

Não precisa de ter inglês excelente, a mímica ajuda.

 

Você pode volta na van deles, se preferir. Quando fizemos a reserva já combinamos isso.

 

Leve o celular ou a máquina para tirar foto e dinheiro para comprar alguma coisa no mercado.

 

Ter uma noção básica de cozinha ajuda, mas não é essencial. Não é como no Masterchef que você vai ser expulso se ficar tudo podre. Foque na experiência, ria e peça os restos dos coleguinhas para não ficar com fome se o seu estiver intragável.

 

Nesta escola, eles dão um livro de receitas ao final. Repita as experiências em casa e sonhe com as próximas viagens.

https://detantoandarblog.wordpress.com/2016/07/21/aula-de-culinaria-em-chiang-mai/

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Se você viu o filme A Praia, com o Leonardo di Caprio, você deve ter sonhado em ver aquele lugar de perto. Bem, ele está bem próximo da ilha de Phi Phi e se chama Maya Bay. Chegar a Phi Phi tem que ser de barco. Geralmente, as pessoas saem de Krabi ou Phuket, ambas com aeroportos servidos por companhias aéreas low cost. Você não precisa, necessariamente, dormir em Phi Phi para visitar a ilha, já que há excursões de um dia que saem de Krabi ou de Phuket. A Tailândia tem também muitas outras ilhas paradisíacas e muitos viajantes vão a mais de uma delas. Eu não sou muito fã de praias e por isso me restringi a uma.

 

Chegamos a Phi Phi de ferry depois de uma viagem de uma hora e meia saindo de Krabi. Até Krabi nós chegamos em um voo direto de Chiang Mai. Bem no píer tem muitos carregadores de malas que seguram placas com nomes de hotéis. A ilha é montanhosa e alguns hotéis são difíceis de chegar arrastando a mala ou com mochila nas costas. Por isso eles tem carregadores que usam carrinhos para puxar as malas morro acima. Alguns hotéis são mais isolados e é preciso pegar um barquinho que é chamado de long tail boat.

 

A ilha tem praias lindíssimas, de areia clara e água azul daquela que a gente acha que foi feita no photoshop. Lá também tem a maior concentração de mochileiros sarados segurando uma go pro que já vi na vida. As praias não ficam muito lotadas. Parece que durante o dia boa parte da galera dorme e tenta se recuperar da noitada. Por falar nisso, Phi Phi tem baladas peculiares. Tem três grandes bares na beira da praia que começam a noite com som ensurdecedor e um show de malabarismos com fogos de deixar qualquer pessoa sã com medo e pena dos artistas. Eles balançam bolas em chamas presas em correntes e bastões flamejantes com abilidade somente equiparada a de Jackie Chan e Bruce Lee.

 

Depois do show dos artistas, começa o show de horrores. Durante o dia é difícil não reparar que muitos andam com a perna enfaixada. Mas é muita gente pra ser só uma coincidência. De noite isso é explicado. Depois dos profissionais, pessoas _______________ (preencha com o adjetivo que você julgar adequado) participam de uma brincadeira que começa com um bastão longo em chamas paralelo ao chão apoiado por duas barras de ferro. Que quiser tenta passar tipo fazendo aquela coreografia da dança da cordinha da saudosa banda É o Tchan. Penso eu, que os brasileiros se saem bem nessa parte do show. Aos poucos eles vão descendo o bastão para aumentar o nível de dificuldade e a possibilidade de alguém atear fogo ao próprio cabelo. Mas se ninguém conseguir essa proeza, ainda há a chance de se queimar quando um pedaço do tecido em chamas enrolado ao bastão cai.

 

Para compor a cena, em volta desse espetáculo, ficam umas três ou quatro pessoas segurando placas que oferecem um balde de bebida à mulheres que mostrarem os seios ou a homens que ficarem totalmente nus. Sim, algumas pessoas fazem isso e ninguém parece notar. Mas o que é um pedaço de pano que tampa os seios de uma mulher ou a genitália masculina (não gosto dessa palavra, mas tenho classe) em meio a um grupo que está mesmo interessado no fogo (aqui no sentido literal mesmo)? Enfim, nada parece ser motivo para chocar ou causar espanto em Phi Phi.

 

Voltando ao fogo, ainda tem a parte em que as pessoas podem pular corda em chamas. Claro que quando você não pula direito você recebe uma chibatada nervosa e quente na perna. Mais de uma pessoa pode se divertir ao mesmo tempo e em dado momento eles colocam duas cordas, sendo que cada uma vai em um sentido para aumentar o número de feridos. Eu seriamente suspeito que há algum acordo entre os donos de bares e as clínicas da ilha.

 

Ninguém é obrigado a participar das brincadeiras, você pode só olhar e exercitar seu lado sádico. De qualquer forma, depois disso, esses mesmos bares tocam música eletrônica. Eu particularmente gosto do fato das baladas serem ao ar livre ou em bares abertos. Do tipo que entra quem quer, não paga nada e não tem galerinha vip. O povo vai de chinelo mesmo ou sem camisa até. Só não esqueça o kit de primeiros socorros.

 

A propósito, lá a bebida é servida em pequenos baldes que custas a partir de 200 BHT. Eu realmente não sei quantos uma pessoa normal conseguiria tomar, mas a parada tem muito conteúdo. Se você achar pouco as praias paradisíacas e as baladas inovadoras, você pode fazer algumas tatuagens nos vários estúdios que sempre parecem ter clientes. Sim, eles funcionam de noite.

 

O lado triste da ilha é que ela é explorada de forma desordenada e há um hotel enorme sendo construído na encosta de uma montanha. Também há muito lixo em várias partes que acabam cheirando mal. A impressão que dá é que a natureza está sendo destruída aos poucos. A água da praia onde acontece as baladas não é limpa, embora seja super clara. É melhor andar até a Long Beach.

 

DICAS

 

Perto do píer tem um lugar bacana para tomar shakes de frutas deliciosos chamado The Mango Garden. É mais caro que na rua mas é muito melhor. O preço é 110 BHT.

 

Também perto do píer, tem um restaurante francês muito bom de nome Grand Bleu. Eles servem comida local também. Embora os preços sejam muito superiores à média de outros restaurantes locais, ainda assim será muito mais barato que uma comida similar no Brasil. Lá tem, por exemplo, uma entrada de risoto de vieira que custa 180 BHT, um prato principal de camarões king com pesto por 350 BHT e um creme brulee de baunilha por 170 BHT.

 

Miga, sua louca. Seje menas. Não brinque com fogo.

https://detantoandarblog.wordpress.com/2016/07/21/phi-phi-e-a-galera-nervosa/

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De Phi Phi, você pode pegar excursões de mergulho ou para visitar praias e ilhas próximas. Elas geralmente incluem Maya Bay. O problema é que Maya Bay é muito pequena para a micareta que eles tentam fazer lá. Dá congestionamento de barcos e você vê mais pessoas que areia. Há duas alternativas. Você pode alugar seu próprio long tail boat, tipo um táxi mesmo e ir o mais cedo possível. De preferência, assim que amanhecer. Há também uma única agência autorizada (http://www.mayabaytours.com/) a levar um grupo por noite para ficar na praia até 22:00 e depois dormir em um barco atracado no paraíso. RESERVE ANTES. Eu fiz esse passeio e vou relatar como foi.

 

Você sai às três da tarde do píer de Phi Phi e eles te levam a um lugar que é uma pequena baía entre paredões de rocha onde você pode mergulhar e fazer caiaque. Depois você é levado à Maya Bay. Imagine que existe uma praia de areia branquíssima e água transparente cercada por paredões de pedra em forma de círculo que a envolvem e parecem protegê-la do mar aberto. Só estando lá para de fato entender. Você chegará no fim do dia e aos poucos a praia irá esvaziar. O grupo janta perto da praia em um local cercado pela natureza e antes de voltar para o barco é servido um churrasco de frango. Os sortudos também recebem jogos e são encorajados a interagir. Bem, no meu grupo, a galera se deu muito bem e ficou papeando e bebendo no lugar onde jantaram. Nós outros poucos preferimos ficar, de fato, na praia.

 

Imagine esse paraíso agora deserto e você deitado na areia vendo as estrelas. Nesse momento entendi mesmo onde estava. Você vê uma luz fraca que vem de trás dos paredões de pedras que evidenciam o contorno dessa fortaleza natural. É simplesmente fenomenal. Infelizmente não podemos dormir na praia e vamos para o barco que fica atracado na baia. Para coroar a noite, nós nadamos com o plâncton fluorescente que brilha quando movimentamos a água. Dormimos no barco em colchonetes do lado de dentro ou de fora apreciando as estrelas. Se você tiver o sono leve, dormirá muito pouco, porque muitos ficam curtindo o visual papeando. Nessa hora eu participei da interação com a galera e me diverti bastante. A tripulação e é bem bacana. Tinha inclusive um cidadão cujo nome é Coco Loco por razoes óbvias. Ele promove um show particular de piadas e toca violão e canta. Muito bom! As cozinheiras foram um amor, sempre sorrindo e fazendo comidas muito gostosas e típicas, como frango ao curry e vegetais refogados. Havia também uma mulher das Filipinas que eu apelidei de Diaba. A Diaba fala milhões de línguas e tem um senso de humor delicioso, afiado, ácido e rápido. Tudo que eu gosto.

 

No final, eles te acordam às seis e te levam de volta para a areia onde ficamos por mais uma hora. Depois retornamos para o barco já com a praia enchendo de gente. Lá, tomamos café da manhã e temos pouco menos que uma hora para fazer snorkling ou nadar. Chegamos em Phi Phi novamente às 10.

 

DICAS

 

Quando a galera quiser interagir, seja diferentona ou diferentão. Afaste-se, deite na areia, seja grato por tudo!

https://detantoandarblog.wordpress.com/2016/07/21/maya-bay-sem-micareta/

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Eu não costumo me dar muito bem com cidades cuja principal atração é um arranha-céu (vide post sobre Dubai). Felizmente, com Kuala Lumpur foi diferente.

 

Chegamos pelo aeroporto principal no voo vindo de Phnom Penh e pegamos um ônibus para a estação central onde passa a linha de metrô que fica perto de nossa hospedagem. Geralmente eu tiro um print da tela no celular com endereço e o mapa da região do hotel. Desta vez, entretanto, eu acho que meu celular se rebelou e resolveu apagar a tal da foto. Como eu tinha os dados da reserva, não foi difícil a atendente do balcão de informações localizar o hotel em um mapa turístico. Sai da estação e fui andando arrastando minha mala. Ela não é muito grande ou pesada, mas num calor de 35 graus e humidade amazônica ela parecia um trator. Depois de andar bastante, me arrepender de não ter optado pelo taxi, experimentar níveis de calor inéditos e suar feito uma chaleira eu cheguei.

 

Cheguei no hotel errado.

 

Há dois hotéis de mesmo nome. Um estava bem do lado da estação de metrô onde desci e era o meu. O outro demandava uma caminhada de 25 minutos em condições adversas. Respirei fundo e peguei um táxi.

 

Logo saí em busca de comida. Calor e fome eu não consigo gerenciar ao mesmo tempo. Estávamos hospedados em frente às Petronas Towers e lá tem um shopping. E shopping tem ar condicionado e comida. Comemos um frango com arroz numa chapa de pedra fumegante. Bom e barato! Comecei a melhorar. Depois fomos a uma livraria no último andar que era um sonho. Vi todos os guias da Lonely Planet que gostaria de comprar. Não comprei nenhum. Típico.

 

As torres em si são bem bonitas. De noite, ainda mais. Você pode pagar uma pequena fortuna para subir e ver a paisagem. Eu não sou fã de subir em prédio para ver a cidade, mas muita gente é. Lá perto também tem um aquário bem famoso.

 

De noite fomos jantar na Jalan Alor, uma rua cheia de barracas com comidas variadas e deliciosas. Comi dumplings chineses fantásticos. Na Malásia viajamos com minha prima e o namorado dela da Arábia Saudita. Ele achou um restaurante de comida árabe e lá fomos nós. Comi como se não houvesse amanhã. Kuala Lumpur é uma cidade cosmopolita, você pode encontrar comida de toda parte. Aproveite.

 

No dia seguinte, tivemos que gerenciar vontades diferentes. O namorado de minha prima queria muito ir a um parque aquático. Nós queríamos estar com eles, mas o parque era um pouco caro e só teríamos mais aquele dia para turistar. Conclusão, cada um para um lado. Companhia de viagem boa é assim. Começamos o dia nas Batu Caves. No norte da cidade há um complexo de cavernas e lá dentro tem um templo induísta. São 272 degraus até o topo. Parece muito, mas não foi tão difícil assim. Depois de tantos templos budistas foi muito bom ver rituais diferentes e novas cores e cheiros. Recebemos uma benção e ganhamos uma pintura na testa. Muito amor pelas religiões que fazem o bem!

 

Lá também tem uma caverna escura que você pode visitar acompanhado de um guia. Até um tempo atrás a entrada era liberada. Galera quebrou e rabiscou geral e a festa acabou. A visita durou 45 min. É lindo e grandioso. Deu pra ver uns insetos estranhos e aranhas.

 

Perto da começo da escadaria tem uma estação de trem que usamos para ir. O problema dele é que o intervalo entre os trens é de 30 mins e com o tempo corrido resolvemos pegar um táxi na volta. O primeiro motorista se negou a usar o taxímetro e queria cobrar 15 ringgits. Pensamos que o preço certo deveria ser por volta de 10 e procuramos outro que concordou em usar o taxímetro. O senhor deu umas voltas sinistras numa rodovia e passou até por pedágio. Ao questiona-lo, ele disse que o caminho normal estava engarrafado. Fiquei possesso. O cidadão tava dando uma de bacana, falando que torcia pelo futebol do Brasil, mas mal sabia ele que futebol não me sensibiliza. Fiquei reclamando, dizendo pra ele que aquilo não era certo. Conclusão, ao chegar, a conta já estava 35. Ele disse que não precisava pagar. Eu ofereci dez e ele jogou em mim. Recolhi meu dinheirinho e parti. Eu fiquei pensando depois se valeu a pena a discussão. A verdade é que se eu tivesse deixado pra lá eu teria me sentido ainda pior. É por essas e outras que eu não gosto de pegar taxi.

 

Nosso tour continuou na Merdeka Square, uma praça ampla com prédios lindos em volta (muitos no estilo islâmico). Tem também uma placa grande e vermelha “I love KL” legal pra fotos. Bem pertinho está a mesquita Masjid Negara que é linda, mas só pudemos ver um pouquinho do lado de fora já que ela estava em obras. Caminhamos bravamente sob o sol mais escaldante dessa jornada desejando ardentemente por uma sombrinha. A próxima parada foi uma mesquita muito grande de nome Masjid Negara. Quando não está havendo oração, turistas não muçulmanos podem visita-la. Os funcionários foram extremamente gentis. Eles nos emprestaram uma roupa longa e no final ganhamos até uma aguinha. Depois, bem pertinho, fomos ao museu de arte islâmico que é fenomenal. O acervo é impressionante e o prédio lindíssimo. Tem uma loja que vende souvenires e objetos artísticos que é de tirar o fôlego.

 

Havia mais coisas para fazer, porém o tempo era muito curto e fui embora da cidade surpreendido com o tanto que gostei das atrações, das pessoas e da comida!

 

DICAS

 

Se possível, use o Uber. Sempre, em qualquer lugar.

 

Prepare-se para o pior calor que senti no sudeste asiático. Tente sair cedo e fazer uma pausa bem longa no meio do dia.

 

Esteja aberto a experimentar a comida de rua. Escolha as barracas mais movimentadas e lembre-se que os padrões de higiene do país costumam ser muito rigorosos.

https://detantoandarblog.wordpress.com/2016/07/23/kuala-lumpur-alem-das-petronas-towers/

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