Olá viajante!
Bora viajar?
DE CARONA PELA AMÉRICA LATINA (2 Gurias - Muitas Dicas, Fotos e Vídeos - Trabalho em troca de hospedagem - Voluntariado)
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ellentsq 19 posts
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sara_izabeliza 1 post
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eduardo.johannes-metzger 1 post
Holaa!!
Começo pedindo perdao pela falta de acentos. O teclado argentino nao me permite escrever um portugues corretinho, mas nao é pra isso que a gente tá aqui né. Estou aqui para contar que nós (eu e a Cassiany, minha prima) largamos nossos empregos, deixamos família, amigos e Porto Alegre para viajar pela América Latina, de carona. E nao pretendemos voltar tao cedo.
Isso não veio do nada em uma mesa de bar ou, simplesmente, acordamos e decidimos... apesar de que tinha muitas chances de ter sido assim. A coisa foi se desenhando. E aqui estamos para contar o que aconteceu, os preparativos e como está sendo essa viagem.
ELLEN
Eu não sei exatamente quando surgiu essa vontade louca de conhecer o mundo, ou quando o que eu vivia passou a não ser suficiente, só sei que foi um processo, que, mesmo durando anos, foi rápido. Não sei como foi a tomada de consciência de que a vida podia ser mais do que nos dizem que ela é e de que podemos mais e melhor do que dizem (e insistem em mostrar) que somos capazes. Eu tinha tudo para seguir o caminho que muitos chamam de “comum”, aquele que nós vamos sendo preparados para trilhar (e talvez até trilhemos um dia): escola, faculdade (talvez um mestrado ou até doutorado), emprego, primeiro apartamento, casamento, filhos, aposentadoria, viver a vida. Sei lá, não sei porque precisamente tomei um desvio e não sei de mais um monte de coisas, mas sei que todos que inventaram que VIVER A VIDA deveria ser a última coisa que devemos fazer sabiam muito menos que eu. Fui abrindo tanto os olhos que não era mais possível voltar atrás. O momento decisivo foi quando fiz minha primeira viagem sozinha.
Aquilo me fez refletir e perceber que, mesmo não sabendo o que faria da minha vida profissional (e ainda não sei), na pessoal, o que eu queria (e ainda quero) era ser viajante e conhecer o máximo de lugares e pessoas possíveis. Eu tive a certeza que queria sentir aquele frio na barriga pelo desconhecido e aquela liberdade de novo e de novo, que queria me sentir capaz e suficiente daquele jeito, não para os outros, mas para mim mesma. Viajar seria minha prioridade na vida. Lembro de voltar daquela viagem muito feliz, mas também me lembro como a rotina e a sociedade do jeito que ela é estruturada foi acabando com tudo que eu construí naqueles 18 dias, toda a confiança em mim mesma. O sistema está aí para dizer que você não é capaz, e as pessoas acreditam nisso. Eu já acreditei várias vezes… até perceber que quem comandava, muitas vezes, era incompetente e/ou se aproveitava do esforço dos subordinados, ganhando às suas custas, às custas dos seus medos. Eu não queria participar mais disso. O jeito que encontrei foi, enquanto eu viver e não importa o quão difícil se torne, não trabalhar por uma empresa, não me importar com ela a ponto de dá-la trinta anos da minha vida se em algum momento eu não me sentir mais feliz de estar lá, a ponto de deixar ela tirar a minha saúde, roubar os meus pensamentos quando estou fora dela. O jeito que encontrei foi decidir trabalhar por mim, pelo que eu posso aprender, pelas pessoas que posso conhecer e ajudar. O jeito que encontrei foi descobrir e lembrar sempre o motivo maior de eu estar lá: a próxima viagem.
Depois dessas mudanças de pensamento e daquele mochilão por Uruguai, Argentina e Chile, percebi que precisava mudar também meu jeito de viajar. Aquela maneira já não me era profunda suficiente. Eu sentia que estava apenas passando pelos lugares sem conhecer a sua essência da forma devida. Eu sentia que tinha que entrar em contato mais direto com os nativos, com a realidade local, com a cultura e gastronomia de rua, sair da zona de conforto dos ônibus com destino certo, do roteiro planejado, da cama quente me esperando em um hostel (por mais que eu ame hostels), da viagem feita para entrar no orçamento. Decidi que precisava fazer o que muitos já estavam fazendo: sair por aí com mochila e barraca em mãos, de carona, pouco dinheiro, trabalhando (de forma social ou não) em troca de comida e alojamento e dizendo mais ‘sim’ às oportunidades que a estrada for apresentando. Decidi que tinha que ir ver, por mim e por quem serei, e que tinha que começar por aqui, pela nossa América Latina.
Há um pouco mais de 3 meses, essa jornada começou. E não saí sozinha como imaginei desde o início. Alguém decidiu, de última hora, também pegar um desvio.
CASSIANY
A necessidade de viajar começou a crescer após a minha primeira viagem. Foi uma experiência inesquecível! Sentir a liberdade de cada momento, conhecer culturas e pessoas diferentes, foram essas vivências maravilhosas que me fizeram enxergar que não era uma simples viagem a passeio, mas, sim, uma experiência de vida e de autoconhecimento. Então, já não bastava ficar na rotina do dia a dia, eu tinha que sair mundo afora para conhecer cada vez mais. Minha visão de viagem foi amadurecendo ao decorrer dos mochilões que fiz com as minhas primas e amiga. Muitas experiências envolvidas! Não queria mais parar hahaha! Só que o caminho que estava seguindo não tinha espaço para uma viagem tão grande como esta.
Então, como eu vim parar aqui?!
Bom… Caí praticamente de paraquedas nesta viagem! Quando a minha prima Ellen comentou que estava planejando fazer um mochilão pela América Latina para este ano, tive uma grande vontade de ir com ela, mas já tinha planos em mente. Esses planos seriam estudar para as provas da residência na área pediátrica (que é uma especialização clínica), que ocorreriam no final do ano de 2015. Nada deu certo hahaha… Já não sabia o que fazer no ano seguinte, talvez continuar estudando ou sei lá… Realmente, não tinha mais a mesma certeza do que eu queria. Isso me deixou um pouco perdida. Então, comecei a pensar na possibilidade de ir com a Ellen. Não lembro muito bem quando, definitivamente, decidi que iria, só lembro que a minha prima gostou da ideia.
Confesso que depois de ter confirmado, bateu um pouco de medo, pois ainda não tinha pensado em fazer uma viagem tão grande como esta e, muito menos, com pouco dinheiro. No início, achei complicado fazer uma viagem com pouquíssima grana, mas comecei a ficar um pouco mais tranquila depois de ver relatos de viajantes que mostraram que é possível viajar sem grana. Agora, é seguir o caminho e vivenciar esta nova aventura!
NÓS
Mesmo que já estejamos na estrada, continuamos sem ter ideia de como tudo vai ser, de como continuar realizando essa viagem, de que caminhos exatamente seguiremos, mas era isso que a gente queria, não é mesmo? Algumas pessoas já perguntaram o que vamos fazer quando voltarmos. Respondemos: Não sabemos nem da ida, que dirá da volta. E rimos. A ansiedade já nao toma mais conta, mas não vamos mentir para vocês e dizer que não tínhamos medo (ainda mais por sermos mulheres). Nao vamos dizer que sabemos muito bem o que estamos fazendo, que está sendo fácil sem muita grana, sem saber onde vamos dormir. Cara, no início, deu um nervoso do caramba, mas se tem duas coisas que quem quer fazer uma viagem dessas tem que ter em mente são que não vai ser fácil e que, mesmo assim, é possível. Não somos nem as primeiras, nem as últimas. Os outros estão aí para nos provar que é foda, que nem tudo é a maravilha que parece, mas que dá e vale a pena demaaais.
Quem estiver se planejando para ir, quem já estiver na estrada, quem tiver dicas para nos dar, perguntas/propostas a nos fazer, quem quiser nos encontrar, entre em contato, vamos conversar! Agora, estamos em Bariloche!
Vamos continuar postando relatos aqui, mas, para quem quiser, é possível seguir nossa história em http://foradoaquario.net, no Facebook (http://www.facebook.com/omundoforadoaquario/) e no Instagram (@fdaquario)! Temos também um canal no Youtube (https://www.youtube.com/channel/UCnbY9q6B__Ru5b_C_F95XwA, que nao é lá muito profissional, mas é divertido.
Esse é o caminho que já percorremos:
http://www.tripline.net/trip/Latinoamerica-57613614043710129E27CA13CBA91C94
Hasta luego!!