Olá viajante!
Bora viajar?
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lojudice 37 posts
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emargotto 5 posts
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MariaEmilia 2 posts
[align=justify]Viajar sozinho é muito bom e acho que a maior parte do pessoal que frequenta o fórum adora. Mas chega uma hora que o cecê do alemão do seu quarto coletivo ou a cueca do japonês esquecida no banheiro comum começam a incomodar. Isso para não falar em roncos e odores mais profundos que abundam nos quartos coletivos mundo afora.
É nessas horas que muita gente começa a procurar sua “mochila-metade”. A gente começa a se dar conta de como é confortável aquele quarto de casal com banheiro privado, como é bom ter alguém pra dividir aquele prato pra dois no restaurante típico, como é tranquilo poder dormir no ônibus sabendo que sua companheira de poltrona não vai te assaltar...
Mas o que fazer se de repente você inicia um relacionamento e depois de um tempo descobre que sua mochila-metade na verdade curte mesmo uma mala de rodinhas?
Resolvi escrever esse relato porque percebi que, apesar de chover relatos e informações sobre Bolívia e Chile aqui no fórum, tem muito mochileiro com anos de mochilagem que de repente começa a namorar alguém que quando houve a palavra albergue pensa em mendingos tomando a sopa da prefeitura.
Primeiro Passo
Quando resolvi fazer minha primeira viagem longa com minha namorada, antes de qualquer coisa, tive uma conversa franca eu diria até amendrontadora. Uma coisa meio Matrix. Ofereci a opção de “viagem vermelha”, na qual um novo mundo se abriria e a verdade seria revelada. Uma verdade dura, com europeus que não tomam banho, guias turísticos mal educados, pouca comida e vários outros tipos de privações. Porém, com paisagens diversas, possibidades mais amplas e viagem mais longa, enfim um mundo fantástico. Ou então ela poderia escolher a “viagem azul” e voltar para o seu mundinho CVC. Como 99,99% das mulheres são curiosas, a chance dela cair na armadilha era grande e deu certo.
A grande sacada foi atraí-la para o planejamento da viagem. Ela tinha que saber (e obviamente concordar, ainda que a contragosto) antecipadamente sobre tudo o que iria acontecer na viagem. Uma mochilada com uma namorada inexperiente nas artes dos perrengues pode acabar com um relacionamento promissor se no meio do deserto você vira pra ela e informa: “nosso almoço hoje será lhama frita, não tem chuveiro no abrigo que vamos ficar, a temperatura a noite vai cair a menos dez graus e amanhã vamos acordar às 4h da matina”.
Por isso, envolvê-la no planejamento era fundamental. Para que ela soubesse onde estaria entrando e até onde realmente conseguiria ir. Outro ponto importante do planejamento foi a negociação. Afinal a viagem era a dois, e se ela seria capaz de enfrentar as agruras de um salar, eu também poderia sobreviver por algumas horas numa feira hippie ou por uma tarde num shopping center.
Depois de muitas idas e vindas consegui enfim traçar uma linha reta para a viagem sem grandes estripulias ou correrias. Iríamos do Titicaca até Santiago. A idéia era conhecer a rústica Bolívia, mas depois relaxar no Chile. Justamente por isso, definimos um planejamento com mais dias em Santiago do que eu achava necessário, afinal era a parte da viagem pela qual ela estava mais ansiosa.[/align]
Editado por Visitante