"Já fazia mais de hora que o sol havia nos abandonado, quando uma tempestade desabou sobre nossos ombros. A noite era tão escura , que eu mal enxergava o Thiaguinho que desembestou na dianteira, ladeira abaixo e quando tentei acionar os freios, as rodas trepidaram, balançaram de um lado para o outro e eu me vi totalmente desamparado , virei passageiro daquela geringonça dos anos 80. A velocidade só fazia aumentar, pensei em me jogar pro barranco, mas as valetas laterais teriam me moído no buraco. Tento manter a calma, mas as minhas energias depois de mais de 12 horas de pedalada, me levam a um transe de resiliência. Penso em pular, mas aí me vem a lembrança, o dia em que eu e meu irmão, numa infância distante, nos jogamos de cima de uma bicicleta sem freio, numa ladeira da nossa aldeia e acabamos sendo trucidados pelo chão. Enfio o tênis na roda traseira, mas o solado do maldito é daqueles tênis de atletismo e o atrito não resolve porra nenhuma. Mesmo assim, continuo tentando e quando vejo que o terreno se arrefeceu um pouco, boto os pés no chão e ao encontrar um amontoado de areia, pulo, como quem pula de um caminhão desgovernado, mas sem soltar as mão da bicicleta. Fico no cai, mas não cai, danço conforme a ondulação do terreno, até que quando me vejo estabilizado, largo mão daquela merda e me esparramo na areia molhada, enquanto o veículo do satanás, de duas rodas, segue seu caminho até se deter mais à frente. Eu não sou mais ninguém, o ciclista animado da manhã, agora parece um ser que não consegue se sustentar sobre as próprias pernas , estou acabado, a vontade é sentar e chorar."............................
No centro do Estado de São Paulo, a 200 km da sua capital, uma região de incontáveis atrações naturais, ainda se mantém muito longe do turismo de massa, ainda que sua cidade mais famosa, BROTAS, acabe por cooptar a maioria do turismo, se intitulando a Capital da Aventura no Estado. Mas a região vai muito mais além do que a sua cidade mais famosa, na verdade, são dezenas de cidade compondo uma grande região turística, mas que sinceramente, até para mim que vivo ao seu redor, me soa um pouco confuso. Costuma-se denominar algumas cidades como CHAPADA GUARANÍ, que seriam cidades encima de uma grande mesa basáltica, um incrível chapadão, uma espécie de, guardando as suas devidas proporções, Chapada Diamantina Paulista.
Acontece que, embaixo desses chapadões, também temos pequenas cidades de belezas muito cênicas, aliás, são cidades que recebem as águas que despencam das mesas e é por onde se pode acessar algumas cachoeiras. Mas não é só isso, são cavernas, formações rochosas, vilarejos charmosos, trilhas para motocross, jeep, bicicleta, formações rochosas, morros testemunhos, mirantes de perder o fôlego. Algumas dessas cidades compõe o CIRCUITO DA SERRA DO ITAQUERI e outras o circuito CHAPADA GUARANÍ, na verdade, uma salada difícil de compreender porque várias cidades acabam por fazer partes de todas as denominações e como a região é gigante, o governo do Estado e secretaria de turismo, ainda dividiu em outra região que chamou de circuito CUESTA PAULISTA.
Já fazia anos que o Thiaguinho me cobrava uma pedalada nessa região e como eu não me manifestava, colocando uma data, ele simplesmente me forçou a sair da moita e numa sexta-feira à tarde me informou que passaria na minha casa, sábado à noite e me pegaria com seu carro, porque já era hora da empreitada sair do papel. Coube a mim elaborar um roteiro, já que, apesar de frequentar muito a região, eu nunca tinha me aventurado sobre 2 rodas, então decidi que o nosso ponto de partida seria a minúscula e pacata IPEÚNA, uma charmosa cidadezinha de meia dúzia de habitantes, onde eu pretendia estacionar o carro e fazer um circuito tranquilo, de uns 60 km de pedaladas, subindo a chapada e voltando para o mesmo lugar.
Por volta das 8 da manhã, estacionamos na praça central de Ipeúna, bem da rua abaixo da sua igreja central, em frente da base policial. O Thiaguinho sacou logo sua bike de última geração e eu tomei posse de um trambolho fabricado na década de 80, uma bicicleta bem conservada, mas sem as tecnologias atuais, apenas algumas mudanças aqui e ali, mas no final do dia, eu iria descobrir que não havia sido suficiente.
O nosso caminho seguiu exatamente pela rua que estávamos e em poucos minutos, numa curva, deixamos o asfalto e ganhamos as estradas de terra junto à uma bifurcação. Logo o caminho desembesta para baixo e desce até um vale e aí a subida desafia nossa capacidade de pedalar, ainda com o corpo frio, mas eu logo arrego e empurro ladeira acima e quando se estabiliza, a estrada vira um amontoado de areia e logo à frente, uma bifurcação junto à uma placa, faz a gente parar e admirar os paredões avermelhados da Serra do Itaquerí, de frente para uma formação característica conhecida como CABEÇA DE ÍNDIO. É a primeira vez que o Thiaguinho tem contato com essa paisagem e realmente, é uma visão lindíssima e surpreendente por estar tão perto da capital e ser conhecida por poucos.
A previsão de mal tempo não se confirmou, o sol já queima sem piedade e na bifurcação, pegamos para a direita e vamos seguir como quem vai ao encontro da Cabeça de Índio e cerca de 6 km desde a cidade, uma porteira lateral nos chama a atenção para um mirante espetacular para a grande formação rochosa, então nos detivemos por um tempo para um gole de água e uma foto.
O terreno parece que vai se estabilizar, mas hora ou outra, nos deparamos com alguma ladeira e o calor inclemente da manhã, vai minando nossas energias. O cenário é muito bonito e nossa direção vai seguir o caminho que nos levará para a subida da serra. Antes de subir a serrinha, eu pretendia deixar as bikes escondidas e tentar reencontrar a Gruta da Boca do Sapo, mas achei que perderíamos muito tempo nela, haja visto que esse roteiro eu havia estabelecido para ser feito em 2 dias e estava apenas adaptando a quilometragem para um único dia, então passamos batidos e iniciamos a subida da serra, abandonaríamos a planície local e subiríamos de vez para os chapadões, era hora de ganharmos altitude.
Nossa pedalada inicial então chega ao km 12, que de bicicleta poderia significar absolutamente nada, mas diante do terreno arenoso e das primeiras subidas intermináveis sob um sol escaldante, já faz a gente começar a botar a língua de fora. No início da subida da serra o terreno vai se elevando lentamente, mas não dá nem 300 metros e pedalar já não é mais opção, não só pelo terreno inclinado, mas pelas grandes pedras que inviabilizam a progressão montado nas bikes . Empurrar bicicleta ladeira acima é um martírio que vamos absorvendo, um sofrimento que é preciso passar, sob o pretexto de que quando chegarmos lá encima, tudo vai ser diferente, e é vivendo nessa ilusão que nos apegamos à nossa força interior e quando atingimos uns dois terços do caminho, nos deparamos com um MIRANTE que nos faz voltar a sorrir novamente e continuar acreditando nas mentiras que a nossa cabeça criou.
Como não há sofrimento que dure para sempre, uma última curva da serra é deixada para trás e do nosso lado direito, meia dúzia de eucaliptos força a nossa parada e mesmo que ainda não seja definitivamente o fim da subida, será ali que abandonaremos provisoriamente a estrada, em favor de uma TRILHA que sai à direita e entra num capinzal alto, tão escondida que se não forçar passagem na alta vegetação inicial, quem não conhece e não tem nenhuma referência, passará batido.
Levamos cerca de 45 minutos empurrando as bicicletas para ganharmos quase todo o chapadão e agora, vamos abandoná-las no mato e ganharmos a trilha a pé, rumo a uma das grandes joias da Serra do Itaqueri . Então, forçando passagem no capim alto, uns 10 metros depois a trilha surgirá, aberta e bem consolidada, vai se curvar para a esquerda e descerá meio que em nível até começar a despencar de vez, curvar quase 90 graus para a direita, onde encontraremos uma arvore monstruosa e começar a percorrer um paredão de arenito que estará a nossa direita.
Não há erro, é preciso se manter quase que colado nos paredões, às vezes não mais que 5 metros de distância deles, passamos por um filete de água que despenca de cima do próprio paredão, onde poderemos abastecer os cantis, contornamos um terreno encharcado até que surpreendentemente, daremos de cara com a enorme boca da GRUTA DO FAZENDÃO.
Para quem chega, pode se surpreender com as pichações do passado, mas hoje praticamente essa prática cessou e mesmo não havendo nenhuma fiscalização, pelo estado que encontramos a trilha, percebemos que a gruta quase não está sendo visitada. Ao subir as pedras que antecedem a entrada da gruta, é possível sentir a grandiosidade do seu pórtico. A gruta do Fazendão é daqueles lugares que sempre gosto de levar os amigos e apresentar como sendo parte do meu quintal, já que a maioria do meu círculo de amizades, ligadas ao mundo de aventura, são de gente da Capital Paulista e eu acabo por me tornar um dos poucos representantes do interior. Uma vez inventei de trazer uns amigos na gruta, alguns deles jamais haviam entrada numa caverna antes, apesar de já serem exploradores que já rodaram meio mundo. E mesmo os que já estiveram em cavernas, nunca tinha entrado em cavidades areníticas, onde em algumas é preciso se rastejar feito um lagarto. E um desses amigos passou mal, deu pit, simplesmente teve uma crise de pânico e tivemos que evacuar a gruta às pressa, o que no final, rendeu muita zoeira e altas risadas.
Nos apossamos das nossas lanternas e subimos os blocos de pedras, que num passado muito distante, desmoronou do teto. No início, a impressão é que a gruta não passa de uma pequena cavidade, baixa e sem muito interesse, mas em um minuto a desconfiança da lugar a grandiosidade . Um corredor gigante se abre e o teto se eleva e nos surpreende, porque 2 minutos depois, a escuridão absoluta toma conta do lugar e quem não está familiarizado com esse tipo de ambiente, já começa a ter um desconforto. Num primeiro momento, a gruta é horizontal, anda-se em pé porque o espaço é amplo, com um grande corredor . O teto é alto , mas o chão apresenta irregularidades , onde algumas fendas vão deixando os visitantes de primeira viagem, um pouco desconfiádos.
Eu sigo à frente, fazendo as vezes de guia, mas já conhecedor dos caminhos que vão levar aos becos mais aventureiros, rapidamente abandono o caminho fácil e desimpedido , em favor de uma greta a direita do caminho, encostando na parede da caverna., onde desço por uma pequena rampa até me ver de frente à um buraco de rato.
É aqui que começa a brincadeira, num buraco de uns 50 centímetros de largura por uns 10 metros de comprimento, iremos adentrar no corredor de arenito, nos rastejando feito vermes, encostando nossas barrigas no chão e ganhando terreno metro à metro , até nos vermos dentro de um grande salão no centro da terra, com seu teto alto , sua temperatura gelada , uma cena iluminada pelas luz das nossas lanternas, como quem adentra nas histórias de Júlio Verne.
O Thiaguinho passou muito bem e parece se encantar com o novo ambiente e mesmo eu, acostumado à exploração de cavernas desde os primórdios da minha vida de aventura, ainda consigo me surpreender com esse mundo fascinante.
Uma nova passagem em formato de um pequeno pórtico, nos leva para outro salão, tão grande quando os 2 primeiros e a saída desse terceiro salão, é pela esquerda, subindo rastejando numa rampa , que vai passar por uma perigosa e profunda fenda e então virando para a direita, chegando ao salão dos morcegos , um amontoado de centenas deles, que estão agrupados no teto e ao sentirem nossa presença e nossas lanternas, tomam conta da caverna, voando de um lado para o outro, às vezes trombando nas nossas cabeças.
A saída é retornar para a esquerda, cruzando por uma passarela natural sobre a fenda que havíamos passado, com cuidado para não cair em outras cavidades, avançando lentamente, vagarosamente, até perceber ao longe, um facho de luz que nos indica a saída ou seja , o nosso ponto de partida. Foi uma exploração proveitosa e antes de deixarmos a gruta para trás, fizemos uma parada para um lanche e um gole de água.
Retornamos pelo mesmo caminho que viermos, agora subindo lentamente até reencontrarmos nossas bicicletas e ganharmos novamente a rua. Ainda iremos subir por uns 200 metros até que o terreno se estabiliza de vez, definitivamente agora, estamos em cina da CHAPADA PAULISTA, galgamos com dificuldade, mas enfim subimos à grande mesa . Logo à frente cruzamos por uma lagoinha à nossa esquerda, onde penso em me jogar , mas menos de 5 minutos , também à nossa esquerda, uma lagoa gigante desafia a minha capicidade de resistir, mas não resisto e não faço nenhuma questão. Jogo a bike no capim, tiro meu tênis e com roupa e tudo , saio correndo e me jogo na água. O calor tá de lascar e o Thiaguinho vem junto e em um minuto, somos dois moleques se regozijando nas aguas mornas .
Voltamos à estradinha até que ela chega a uma espécie de “T”, aí vamos pegar para a direita. Estamos agora indo ao encontro da Cachoeira da Lapinha e estradinha ao chegar a um cruzamento em forma de triangulo, nos obriga a viramos para a direita e aí vamos descer pra valer, tentando segurar os freios até quando ela se estabiliza, passa por uma floresta de eucalipto e aí temos que nos deter junto a um pequeno riacho que despenca no vazio, formando a cachoeira em questão.
A CACHOIERA DA LAPINHA, também é conhecida como Cachoeira do Carro Caído, devido a uma carcaça de um veículo que se encontra nos pés da queda. No passado, a gente explorou todo o vale vindo por baixo, mas a cachoeira estava com pouca água e não há propriamente uma trilha que se possa chegar partindo de cima, mas com um pouco de habilidade e sem medo dos riscos, é possível descer pela esquerda dela, desescalando uma parede perigosa, mas não ali onde a queda despenca, claro, tem que se afastar uns 300 metros, cair no leito do rio e subir até onde ela despenca.
Nos despedimos da Cachoeira, atravessamos a pontinha e seguimos adiante, apreciando as florestas de eucaliptos e sempre seguindo na principal, nosso rumo vai tomar a direção do Bar do Valentim, onde está a Cachoeira São José, sempre atentos as placas. Da Cachoeira da lapinha até a Cachoeira São José, serão exatos mais 6 km de pedalada e é um caminho belíssimo e agradável, por ser quase só descida e quando lá chegamos, nossa quilometragem vai bater exatos 25 km, pouca coisa, mas não se engane, a atividade não foi feita só de pedalar, então, já um tanto cansado, estacionamos junto ao bar, onde dezenas de pessoas se amontoam, gente de bike, de moto, de jeep, corredores de montanha, ali é parada para todas as tribos.
O bar é onde se pode tomar umas cervejas, uns sucos, comer alguma coisa ou somente descer as escadarias e ir tomar um bom banho na CACHOEIRA SÃO JOSÉ, porque a entrada é gratuita. A cachoeira não é muito alta e suas águas escuras são proveniente de terrenos areníticos com rochas basálticas, portanto, a água é avermelhada, meio cor de barro, mas com o calor que está fazendo, não vamos ficar de mi-mi-mi e não demorou muito pra gente se enfiar embaixo dela e lá ficar, aplacando o calor intenso dessa final de manhã.
Uns 15 anos atrás, eu havia chegado até aqui, mas vindo motorizado, foi quando nosso 4x4 atolou dentro de um rio e eu e minha filha ficamos horas tentando desatolá-lo, lutando contra o tempo e contra uma tempestade que se avizinhava, não levasse a gente embora caso enchesse o riacho. Acampamos próximo ao bar, mas não chegamos nem a conhecer a Cachoeira, que estava fechada. Então a partir de agora, todo o caminho à frente seria uma novidade também para mim.
Montamos nas bicicletas e prosseguimos, mas não deu nem 500 metros, fomos obrigados a desmontar novamente. O cenário que nos foi apresentado era surpreendente, sem aviso prévio, um cânion de proporções gigantescas surgiu à nossa frente. E não posso nem negar que desconhecia a sua existência, já que tinha ideia que havia uma cachoeira que despencava ali nas redondezas do bar, mas nunca que eu iria imaginar que seria daquela magnitude.
O CÂNION PASSA CINCO, me desconcertou, ainda que a grande cachoeira de mesmo nome, tivesse a sua vista muito prejudicada. Mas era mesmo surpreendente, um gigantesco abismo com bem mais de 100 metros de altura, de onde 2 quedas d’agua se precipitavam no vazio, emolduradas por uma floresta verdinha.
Claramente, por ali seria impossível descer ao fundo do cânion, então retomamos o arremedo de estrada e em mais 1,5 km, numa bifurcação tripla, vamos quebrar para esquerda e uns 150metros depois, vai surgir à direita, uma trilha que irá nos levar definitivamente para dentro do cânion. Estamos na TRILHA DO LISINHO, uma trilha somente para quem pratica motocross, com veículos especializados e com experiência vasta no assunto, evidentemente, não é nem de longe uma trilha para bicicletas, mas como ninguém havia nos dito nada, embicamos a nossa bike e fomos nos fuder naquela desgraça.
Logo no começo, já vimos que seria uma encrenca, mas sem conhecer, esperávamos que o terreno melhoraria mais à frente. Ledo engano, cada vez foi é piorando mais. As valetas eram capaz de engolir nossa bicicletas e era praticamente impossível pedalar e quando tentávamos, não era raro cairmos nos buracos e termos nossas canelas dilaceradas pelos pedais que batiam nas paredes laterais e voltavam nas nossas pernas. Aquilo foi um verdadeiro inferno, ainda que a gente se divertisse com a pataquada que acabamos nos metendo, a descida foi minando nossa energia, já que o calor ainda se mantinha insuportável.
Levamos uma meia hora ou mais para chegar ao fundo do cânion, mas mesmo assim, as trilhas ainda se mantinham confusas, parecia que não iam dar em lugar nenhum e empurrar as bicicletas já foi se tornando um verdadeiro martírio. Claro, a gente não se deu conta de que estávamos tomando decisões erradas e que deveríamos ter abandonado as bikes e seguido á pé por dentro do cânion, até conseguirmos interceptar as grandes cachoeiras. Mas chegou uma hora que a gente resolveu voltar, simplesmente o dia já começava a escorregar por entre os dedos e já havíamos passado das 14 horas e aí nos demos contas que não tínhamos mais tempo para explorações, era hora de voltar ao nosso roteiro original.
Dentro do cânion, junto ao rio que corta todo o vale, resolvemos que deveríamos atravessar para o outro lado, tentar achar um caminho que subisse as paredes opostas do vale, porque voltar pela trilha do Lisinho, estava fora de cogitação. Então atravessamos o rio com as bicicletas nas costas e ao chegarmos no centro do cânion, o horizonte se abriu e interceptamos uma sede de fazenda totalmente abandonada, um lugar lindíssimo, onde chegava uma estrada. Essa estrada ao chegar ao casarão abandonado, se transformava numa trilha que ia se enfiando para dentro do cânion, indo na direção do fundo dele, onde estavam as cachoeiras. Seguimos essa trilha por uns 5 minutos, mas logo desistimos de vez, o tempo urge, era chegado a hora de pular fora dali.
Analisamos o mapa, vislumbramos uma saída por uma perna do cânion, na verdade, outro cânion lateral. Então tomamos o rumo de quem vai em direção a entrada do vale, passamos por mais uma casa abandonada, subimos uma trilha pela sua esquerda até chegarmos ao outro cânion, onde uns bois mal-encarados nos deram as boas-vindas, louco para nos dar umas chifradas. Ali começamos a subir, na esperança que no seu final, houvesse um caminho que nos levasse para cima das paredes, ainda que tivéssemos que carregar as bikes nas costas.
Mas não adiantou, o caminho não tinha saída. Estávamos presos, não havia mais o que fazer, tínhamos que retornar, repensar nosso caminho, agora havia chegado a hora de achar uma rota de fuga. O Thiaguinho voltou rápido, eu já começava a capengar com aquela bicicleta pesada e na ânsia de alcançá-lo, meti marcha no meio da trilhinha junto ao pasto, mas um tronco estacionado fora das minhas vistas, foi o obstáculo que faltava para eu bater com a roda dianteira e ser catapultado barranco abaixo, eu de um lado, bike do outro, canela arrebentada e guidão entortado, o chão é o refúgio dos trouxas sobre 2 rodas.
Levanto-me, ainda puto, mas logo estou rindo sozinho da situação. Alcanço o Thiaguinho e tomamos o rumo da saída, passamos pelos bois, pulamos uma cerca de arame e ganhamos uma estrada larga, onde uma ponte decrepita, impede a passagem de carros. Em poucos minutos passamos por uma única casa que parecia ser habitada e ganhamos a estrada em definitivo, assim que cruzamos mais uma ponte, de onde era possível avistar sobre nossos cabeças, o MORRO DO GORILA, uma linda formação de arenito.
Verdade seja dita, a tarde praticamente já se foi e o dia já é capenga, apesar de ainda haver sol. Depois de atravessar a ponte , a estrada de areia vai seguir quase em nível, o que ajuda a gente a conseguir peladar um pouco mais forte, mas não demora muito, observo que o Thiaguinho para imediatamente à frente e sem perceber, desvio rapidamente de uma cascavel que por um pouco não picou a picou a perna dele, foi muita sorte. Dois quilômetros depois, passamos por um bar, que estava fechado , mas um senhor nos indicou que se quisessemos voltar pra Ipeúna, teríamos que virar a direira e seguir pedalando até o curral de uma fazenda, onde deveriamos contornar pela direita e nos apegarmos à estrada principal.
Como sol ja está bem baixo, os paredões do nosso lado direito, vão ficando belíssimos. Mas se o cenário é de tirar o fôlego, o caminho é de tirar a nossa paciência. O areião vai travando a gente , a pedalada não desenvolve, eu praticamente não tenho mais água, a comida acabou faz horas . Claro que poderiamos buscar socorro em algum sitio próximo, pelo menos pra buscar uma hidratação, mas a vontade é de chegar, de encerrar . As pernas já pedalam no modo automático, a minha bicicleta começa a dar sinais que o freio não quer mais funcionar e cada vez, preciso fazer mais força com as mãos.
E a gente pedala, e à frente dos nossos olhos, vão ficando para trás uma infinidade de pequenas propriedades rurais, choupanas jogadas à beira do caminho, matutos e seus animais de estimação, bois, vacas, cavalos, tratores, carroças, plantações, riachos , capões de mato, num sobe e desse sem parar, até que nem eu, nem equipamento aguentam mais . Os freios da bicicleta se foram, a minha capacidade de seguir pedalando , virou pó. Sou um homem entregue ao meu próprio sofrimento, ao meu desespero individual. Não consigo nem mensurar o que o Thiaguinho deve estar pensando de mim, também estou numa condição que nem me importo mais , sou só um homem morto que não caiu porque ainda me resta um brio interior, tentando resguardar o ultimo vestigio de dignidade que me sobrou.
Já fazia mais de hora que o sol havia nos abandonado, quando uma tempestade desabou sobre nossos ombros. A noite era tão escura , que eu mal enxergava o Thiaguinho , que desembestou na dianteira, ladeira abaixo e quando tentei acionar os freios, as rodas trepidaram, balançaram de um lado para o outro e eu me vi totalmente desamparado , virei passageiro daquela geringonça dos anos 80. A velocidade só fazia aumentar, pensei em me jogar pro barranco, mas as valetas laterais teriam me moído no buraco. Tento manter a calma, mas as minhas energias depois de mais de 12 horas de pedalada, me levam a um transe de resiliência. Penso em pular, mas aí me vem a lembrança, o dia em que eu e meu irmão, numa infância distante, nos jogamos de cima de uma bicicleta sem freio, numa ladeira da nossa aldeia e acabamos sendo trucidados pelo chão. Enfio o tênis na roda traseira, mas o solado do maldito é daqueles tênis de atletismo e o atrito não resolve porra nenhuma. Mesmo assim, continuo tentando e quando vejo que o terreno se arrefeceu um pouco, boto os pés no chão e ao encontrar um amontoado de areia, pulo, como quem pula de um caminhão desgovernado, mas sem soltar as mão da bicicleta. Fico no cai, mas não cai, danço conforme a ondulação do terreno, até que quando me vejo estabilizado, largo mão daquela merda e me esparramo na areia molhada, enquanto o veículo do satanás, de duas rodas, segue seu caminho até se deter mais à frente. Eu não sou mais ninguém, o ciclista animado da manhã, agora parece um ser que não consegue se sustentar sobre as próprias pernas , estou acabado, a vontade é sentar e chorar.
Agora a coisa ficou feia de vez. Até então, a minha capacidade de pedalar já não existia mais , só que agora, sem nada de freios, eu não conseguia nem descer as ladeiras montado, porque naquela escuridão avassaladora, não conseguia ver nada , saber se a ladeira era perigosa ou não. Então, eu subia empurrado e descia empurrando, enquanto a chuva fria castigava nossa cacunda. E nem quando o Thiaguinho me chamou a atenção para as luses da cidade, que se apresentou à nossa frente , eu me animei. Mas eu continuei, cabeça baixa , moral abaixo do volume morto . As cãibras surgirem , era algo inevitavel , a cada 15 ou 20 minutos, lá estava eu, jogado ao chão, com os musculos enriquecidos, dores tão fortes quanto a minha vergonha diante da situação.
Só quando passamos enfrente aos campings , foi que me dei conta que estavamos perto do asfalto e quando lá chegamos, minha vontade era de jogar a bicicleta fora , porque eu já não tinha mais forças nem pra pedalar no terreno plano e firme, por isso empurrei na maior parte do tempo, até que quase NOVE da noite, desembocamos em definitivo na PRAÇA CENTAL de Ipeúna, quase 13 horas de pedaladas e então , nos sentamos à frente da barraca de lanches e quando o sanduiche de costela atingiu a minha corrente sanguinia , uma lagrima escapou dos meus olhos.
Quando o Thiaguinho lançou o convite, pensei em recusar, eu estava fisicamente destruído por atividades ligadas a outros esportes tradicionais. Mas achei que seria deselegante deixá-lo na mão, já que era uma promessa antiga , que eu vinha adiando, mesmo assim , deixei bem claro que só iria com o intuito de fazer um belo passeio, apenas pra mostrar parte da região pra ele. O problema, é que a maldita palavra "passeio" jamais fez parte do nosso vocabulário, quando a gente inventa algo, será sempre acima da nossa capacidade de bom senso. O suposto passeio, se tornou numa jornada de quase 13 horas , um epopéia de achados e perdidos , que misturou montain bike com exploração de cavernas, mergulho em lagoas, descida à cânions, banho de cachoeira, pedaladas em trilhas e pastos sem caminhos . Saímos em busca de uma jornada tranquila, voltamos destruídos pela aventuda que encontramos pelo caminho.
....
Opa! E aí, pessoal. Beleza??
Um chegado ae na comunidade do orkut sobre Los Roques me fez umas perguntas por e-mail, e eu respondi no capricho pra ele. Achei que vale a pena compartilhar. Sei que esse tópico aqui é de relatos de viagem, então quando a gente voltar, em março, eu complemento esse tópico aqui.
EDITADO!! Coloquei os relatós pós viagem em itálico, aqui nessa mensagem mesmo. Por enquanto só atualizei a parte de Los Roques. Depois coloco de Curaçao e Bonaire também. Abraços!!!
E outra coisa... Coloquei mais fotos no Picasa:
http://picasaweb.google.com/ivsontiago/
EDITADO 2 - 27/08/2010!! Coloquei mais algumas informações aí sobre Curaçau. Estão em itálico lá no trecho sobre Curaçau.
Também adicionei informações sobre Bonaire.
Já tem mais de um ano que eu estou planejando essa viagem, e retirei todas as informações que me ajudaram aqui do mochileiros.com e das comunidades no Orkut - "Los Roques" e "Aruba, Bonaire e Curaçao". Espero que minha contribuição também seja válida pra ajudar os futuros viajantes!!
Eu passo minhas milhas pra smiles e pro tam fidelidade, daí eu emiti a ida pra Caracas pela TAM e a volta pela Gol, pra não ter que dormir em Caracas. Se der pra você fazer isso, eu sugiro. Por tudo o que já li aqui na comunidade, Caracas não vale a pena. Ainda mais nesses dias tensos que eles estão passando recentemente.
A vantagem de emitir a ida pela TAM e a volta pela GOL são os horários dos voos. O da TAM chega lá por volta de 3:30 da madruga, e sai de lá às 9 da manhã. O da gol chega entre 16 e 17 horas, e sai no começo da noite. É importante dizer que a TAM não permite a emissão de somente um trecho internacional pela internet, e por conta disso essa emissão tem que ser feita em uma loja da TAM Viagens ou pelo atendimento via telefone. No site da Tam Viagens dá pra encontrar uma loja próxima - http://www.tamviagens.com.br" onclick="window.open(this.href);return false;
Já a GOL permite a emissão de um único trecho internacional pela internet.
<<<<<<<<<<<<<<< LOS ROQUES >>>>>>>>>>>>>>>
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<<<<<<<<<<<<<<< LOS ROQUES >>>>>>>>>>>>>>>
Daí as reservas dos voos de Caracas pra Los Roques eu fiz com o Eric, um brasileiro que trabalha com turismo lá na venezuela. Por pessoa, o preço saiu por uns 230 dolares, ida e volta. É mais ou menos a média do preço que todo mundo oferece pra fazer essa reserva antecipadamente. Segue o contato do Eric:
Eric Gutierrez - eric.gutierrez@avilatur.com.br
Outra opção, que pode sair mais barato, é fazer a compra diretamente pelo site da Aerotuy, que é a empresa que tem os "melhores" aviões que voam pra Los Roques. Por conta do novo câmbio estabelecido pelo Chaves (sem ser aquele do SBT) o preço pode ser mais vantajoso, mas pelo que eu andei lendo, há o risco de eles cancelarem o voo inadvertidamente e te deixarem na mão. Como já tem tanto tempo que eu tô planejando essa viagem, preferi não correr o risco.
http://www.tuy.com" onclick="window.open(this.href);return false;
Quando nós chegamos ao aeroporto e fizemos os procedimentos da imigração, fomos para o aeroporto nacional por dentro do próprio aeroporto. Isso é importante, por que tem gente que sai da área de desembarque do aeroporto internacional e depois tem que ir caminhando ao aeroporto nacional pelo lado de fora. Como esse avião da TAM chega na calada da noite, não é uma idéia muito bacana ir caminhando, e também não é uma idéia muito bacana gastar dinheiro com taxi se você tem a opção de fazer uma caminhada muito de boa por dentro do aeroporto - no máximo 10 minutos.
Outra coisa importante é a seguinte: se você for nesse voo da TAM e não tiver levado um casaco pra não pesar muito na bagagem, quando sair do avião leve consigo aquele cobertorzinho da TAM. O frio no aeroporto é absurdo! Acho que eles tão fazendo alguma experiência pra ver se conseguem atingir o zero absoluto. Curte só a foto ae!! usheiuasheiuasheiou
E essa aqui é do visual a partir do avião:
Dicas importantes sobre Los Roques. Se eu me lembrar de mais alguma que seja relevante, eu coloco aqui depois:
1. A distribuidora de bebidas é de longe o melhor lugar pra se comprar cervejas e outras bebidas, como sucos e gatorade. Cada latinha sai por 5 BSF, e 24 saem por 100 BSF. Eu gostei da Polar Pilsen. É uma cerveja bem levinha, legal de se tomar na praia e no calorzão. Gostei muito também da Solera Verde. Mas a latinha dela é um pouco menor. É do tamanho daquelas latinhas de Skol Beats.
2. Se você precisar de fazer câmbio na ilha, faça na vendinha que fica ao lado da pizzaria La Chuchera. Lá fizemos por 5,80, enquanto nos demais lugares o máximo que o pessoal fazia era 5,50.
3. Para fazer ligações internacionais, usem os orelhões. Um cartão custa 5 BSF, e dá pra fazer 8 minutos de ligação para o Brasil. Convertendo, sai por menos de R$ 0,20 o minuto. Duas coisas que são baratas por lá... Telefone e cerveja. Dá pra você abrir uma lata de frente pro mar do Caribe e ligar pros seus amigos e tirar uma ondinha. hehheasiuoheiouashe
Quanto às pousadas em Los Roques, vou deixar pra ver quando chegar lá. Já vai ser depois do carnaval, e baixa temporada... Então vai ser mais tranquilo.
O que eu tô reservando antes é uma estadia de uns 4 dias em um veleiro. Eu fiz o contato para a reserva do veleiro com o Boris, da yatchs explorer. Ele tem contato de vários veleiros, e pode passar um preço legal pra um bom veleiro (até 150 dolares por pessoal com tudo incluso, até cerveja e rum). O Boris é muito atencioso, e responde os e-mails bem rápido: boris@explorepartners.com
Na comunidade de Los Roques no orkut o pessoal recomenda muuuuito ficar em um veleiro. Especialmente o Beto. eheheheheheheh
A história é a seguinte... Ficando em uma pousada, você tem que ficar negociando e correndo atrás de barqueiros pra te levar para as praias, e esses passeios têm preços bem variados, que dependem da distância das ilhas pra onde você vai.
Além disso, eles te buscam na pousada por volta de 9:30 da manhã. Como o sol nasce bem mais cedo que isso, é um tempinho aí que você perde, ne?
Fora que quando vc tá numa praia isolada sabe-se lá aonde, o veleiro te dá todo o suporte. Já tem tudo incluso, café da manhã, almoço, janta, bebidas (geralmente alcoolicas também).
Se o dinheiro der, eu recomendo fortemente.
No meu caso, eu chego em Los Roques no dia 20, e só consegui reservar o veleiro a partir do dia 24. Então inicialmente vamos ficar em uma pousada. Vai ser legal também! Vamos poder conhecer a vila, jantar em alguns lugares diferentes....
Tô querendo ficar no Recanto del Sol.
Pousadas:
No fim das contas acabou que não conseguimos ficar no veleiro. Os que tinham preço mais acessível estavam cheios. Tinha uns lá, mas tavam absurdamente caros. Acabou que foi melhor assim. Gastei dinheiro demais nessa viagem, e teria gasto ainda mais se tivesse ficado no veleiro. Mas da próxima vez, quando eu voltar lá e se por acaso tiver mais dinheiro, eu vou ficar no veleiro.
As pousadas valeram muito a pena também. A gente teve mais contato com o povo de lá, que é muuuuito hospitaleiro. Então, como não tinha conseguido o veleiro, tivemos que procurar a pousada mesmo. Fizemos assim:
Na hora do checkin, conhecemos dois brasileiros na fila da Aerotuy, pai e filho: Marcão e Samuel. Eles ainda não tinham comprado as passagens pra Los Roques, e quase não conseguiram comprar no balcão da Aerotuy. E o preço pelo qual eles compraram também não compensou ter deixado pra comprar só lá. Então, mais um argumento a favor de se fazer a reserva antecipadamente.
Pra correr atrás das pousadas, quando chegamos em Los Roques, deixamos minha mulher e o pai do Samuel com as bagagens esperando na praça e fomos correr atrás das pousadas. Encontramos de tudo, desde 350 BSF até milhares de BSF por noite pra duas pessoas. Eu tinha ido até a Refugio del Sol, que o pessoal tava recomendando muito na comunidade do orkut e aqui no mochileiros, só que eles só teriam disponibilidade dois dias depois. Então eu pedi pro José - marido da Sol - reservar pra gente. E ficamos na pousada Sol y Luna no começo. Lá também é legal, fica na frente do Bodegón, e a mulher que cuida de lá, a Mariela, é bem hospitaleira. O preço lá era 400 BSF, sem café da manhã, sem janta e sem cava, e o preço na Recanto del Sol era 500 BSF, com café e janta.
Depois de dois dias, fomos pra Recanto del Sol. Nossa estadia lá foi excelente. Eles são muuuuito hospitaleiros e atenciosos. Sem falar na comida.... O José é cozinheiro de mão cheia! Todo dia tinha um rango excelente. O dia que eu mais me acabei no garfo foi quando ele fez como entrada um ceviche de barracuda, e o prato principal foi um spaghetti com frutos do mar.
Segue os contatos deles:
refugio.del.sol@hotmail.com
Telefone da Sol: 0414 7967527
Telefone do José: 0414 3032261
Deem uma olhada nas instalações deles e reparem que o quarto tem ar condicionado. Não têm chuveiro quente. Mas sinceramente... Chuveiro quente naquele lugar é a maior maluquice que uma pessoa pode almejar! ehehheheheh
Passeios:
Lá em Los Roques fizemos os seguintes passeios:
Primeiro dia: Francisky
Como terminamos de guardar nossas coisas na pousada as 10:30 da manhã, fomos pra Francisky, que é a ilha mais próxima de Gran Roque. Conversamos com um barqueiro que estava lá no pier e eles levou a gente lá. O lugar é maravilhoso, e lá nós comemos um pargo frito. Tava muito gostoso (ou estávamos com muita fome), não sobrou nada.
Sente só o drama:
Segundo dia: Madrisky
É uma ilha próxima a Francisky. É o mesmo preço que francisky. Lá é muito bom pra nadar, o mar é a coisa mais azul do mundo. Dando uma caminhada para o lado direito da ilha, dá pra se chegar até Cayo Pirata. A gente foi lá atrás de um restaurantezinho que o barqueiro tinha recomendado. Comemos uma lagosta muito boa! Depois eu fiz um snorkel em Cayo Pirata mesmo, um pouco depois do restaurantezinho. Vi uma moréia bem grande por lá, e ela não tava escondida igual a todas as moréias que a gente viu depois em Bonaire. Tava lá, inteirona com mais de um metro nadando pelo meio das algas.
Deem uma olhada no visual de Madrisky:
Terceiro dia: Crasky
Lugar lindo. Tem uns 2 ou 3 restaurantes, e dá pra fazer snorkel. Pra quem gosta de Kite Surf, parece ser o melhor lugar da ilha pra se praticar.
Ficamos lá de boa, tomando cerveja e jogando conversa fora... Depois fomos lá fazer o snorkel. O lugar é bacana, mas como lá tava ventando muito, a água tava meio agitada. Mas mesmo assim dava pra ver muita coisa. Depois almoçamos no Rancho don Lipe, e ficamos por lá algumas horinhas, tomando cerveja, comendo spaghetti com lagosta e pargos fritos.
Quarto dia: Cayo de Água
É a ilha mais distante de Gran Roque. Custa 150 BSF por pessoa para ir pra lá.
É a mais distante e também a mais linda. Dá pra fazer snorkel em alguns corais por lá. É só perguntar pro barqueiro que ele indica direitinho o melhor ponto.
A ilha é cheia de uns calanguinhos pretos que ficam te fazendo companhia enquanto você tá lá admirando toda aquela beleza.
Na volta a gente deu uma passadinha rápida em Noronsky. Não ficamos nem meia hora lá, mas vimos várias tartarugas. Na minha opinião, foi o mlehor lugar pra se fazer snorkel. Tão bom que no outro dia a gente voltou pra lá.
Deem uma olhada na beleza do lugar (Cayo de Água):
Quinto dia: Noronsky
Passamos o dia fazendo snorkel. O lugar é excelente pra isso. Tem uma parte rasa e sem corais onde ficam as tartarugas. E são várias delas!! E tem um lado que tem corais, onde dá pra ver muitos cardumes de peixes. Eu também vi um cardume de lulas.
Sexto dia: Skuba em Boca de Cote e Las Gatas
Mergulho muito bom. Fomos com a ecobuzos e recomendamos. Eles são muito profissionais. O preço é 90 dolares por pessoa. Foi ótimo pra entrar no ritmo e pra minha mulher perder um pouquinho do medo. =)
Vimos uma arraia e Las Gatas, mas não vimos as Gatas (tubarão lixa).
Sétimo dia: Sebastopol e Cayo Muerto
O visual é incrível!! Na ida o barco passa num lugar incrível, onde ficam as estrelas do mar. Tem muuuitas. A cor da água deixa qualquer um besta!
Depois a gente foi fazer snorkel num lugar muito legal. A água era um pouquinho funda (de 3 a 4 metros), então foi um snorkel muito bom, muito diferente. Não tinha areia, só coral. E como era fundo, não dava pra ficar sacudindo a suspensão no fundo, então a água ficava muito transparente. Achei bacana que o barqueiro - Rafael - foi o primeiro a cair na água pra fazer o snorkel. O lugar é tão bom que até o cara que vive lá se amarra pra caramba, não consegue enjoar. Nesse lugar, além dos vários peixes, a gente viu uma barracuda grande pra caramba, que só foi menor que a que a gente viu no Buddy Reef, em Bonaire, que parecia mais um tubarãozinho.
Depois eles deixaram a gente em Cayo Muerto, que é só um banco de areia, uma ilhazinha bem pequena. Ficamos lá trocando uma idéia e se esquecendo de todo o resto do mundo! heehhehehee
Nessa foto aí, o banco de areia onde ficamos foi esse mais ao fundo:
Oitavo dia: Cayo de Água e Espenky
Voltamos em Cayo de Água no último dia. O lugar é lindo, vale a pena. E também eu tinha me esquecido de carregar a máquina, e a bateria dela só deu pra tirar umas poucas fotos no primeiro dia.
Em Espenky fizemos snorkel. Lá tem uns peixes papagaio gigantescos. Você até vê as barbatanas deles saindo da água.
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Aí depois de 8 dias em Los Roques, voltaremos pra Caracas, e no mesmo dia já iremos pra Curaçao, no dia 28/02. Compramos os voos para Curaçao pela DAE. Dá para comprar diretamente pelo site deles - http://www.flydae.com/" onclick="window.open(this.href);return false;
Quando eu comprei, a parte de pagamento online estava com problema. Mas depois que é gerado o código da reserva, aparece na tela que vc deve entrar em contato com o departamento de reservas deles para efetuar o pagamento. Mandei um e-mail para eles - reservations@flydae.com -, e eles solicitaram que eu os enviasse uma cópia scaneada de um documento de identificação e uma cópia scaneada frente e verso do cartão de crédito.
Pode parecer meio estranho, mas dá certo. No outro dia minha reserva estava confirmada. Esse pessoal da DAE é mais sério do que as outras empresas que voam pra Los Roques, por exemplo.
O hotel em Curaçao eu reservei de antemão.
Pesquisei vários hotéis em vários sites. Acabei fazendo a reserva no Kura Hulanda. Parece ser um excelente hotel, e consegui fazer a reserva por um preço menor do que o que eu consegui no próprio site do hotel. Depois eu entrei em contato com o próprio hotel e eles me informaram que minha reserva está OK.
Aqui vai uma listinha desses sites que fazem a reserva de hoteis:
http://www.cheapcaribbean.com" onclick="window.open(this.href);return false; - Foi nesse que eu fiz a reserva do Kura Hulanda.
http://www.destinia.com" onclick="window.open(this.href);return false;
http://www.decolar.com" onclick="window.open(this.href);return false;
http://www.hoteis.com.br" onclick="window.open(this.href);return false;
http://www.mundi.com.br" onclick="window.open(this.href);return false;
http://www.booking.com" onclick="window.open(this.href);return false;
http://www.submarinoviagens.com.br" onclick="window.open(this.href);return false;
E a dica-mor... Pesquisa sobre o hotel desejado no http://www.tripadvisor.com" onclick="window.open(this.href);return false;
Lá o pessoal que já ficou nos hotéis dá uma nota e explica as razões da nota. =)
Lá em Curaçau também foi bom demais. Foi a parte relax da viagem. O Kura Hulanda correspondeu às expectativas.
Uma dica legal... Quando fiz a reserva, mandei um e-mail pra eles falando que estaria fazendo aniversário de casamento, e se eles poderiam nos colocar em um quarto legal. Não deu outra, ficamos em um quarto excelente. O atendimento deles é muito bom também.
Um ponto negativo lá foi quando eu aluguei um carro. Não lembro exatamente o nome da empresa, mas era algo como "Rida Rent a Car". Eles SABIAM que iam interromper o fornecimento de gasolina no dia seguinte, por conta de uma greve, e mesmo assim me entregaram um carro com só um quarto do tanque. Quase fiquei sem gasolina lá no meio da PQP, indo lá pra parte norte da ilha. Se não fosse por um holandês sangue bom que tava passando lá na hora, não sei nem o que eu ia fazer. Depois de pegar "emprestado" uns 5 litros de gasolina do carro dele (e depois de beber mais um litro) consegui voltar pro hotel. Então não aluguem carro com esses filhos da égua.
No mais, o resto da viagem foi bom demais. É legal demais caminhar ali por Punda e Otrobanda e tomar umas cervejas diferentes e tal. Tem muita loja boa, mas comprei só umas camisas da Tommy mesmo, que tavam com uma promoção bacana. Depois que fui pros outlets na Flórida, não acho mais roupa barata em lugar nenhum do mundo. hahhahahah
Coloquei algumas fotos aqui no Picasa: http://picasaweb.google.com/ivsontiago/Curacau#" onclick="window.open(this.href);return false;
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A ida de Curação - Bonaire também foi comprada pela DAE, no mesmo esquema, para o dia 06/03. É um voo direto, bem baratinho. Algo em torno de uns 40 dolares. Meia hora de voo.
Praticamente todo lugar em que a pessoa se hospeda em Bonaire tem o esquema Dive and Drive (mergulhar e dirigir). Nesse sistema, além da pousada, hotel, apartamento, ou qualquer coisa semelhante, também está incluído o aluguel de uma pickup (hilux, L200 ou alguma semelhante) e uso ilimitado de cilindros e aluguel de equipamentos de mergulho. Pra quem gosta de mergulhar, é só o ouro!! Como dizem, é a meca do mergulho. hehehehehe
Vou com a minha esposa. Ela ainda tem um pouquinho de insegurança pra mergulhar, então pra quebrar um pouco essa insegurança, a gente vai fazer mergulhos assistidos em Los Roques, na Ecobuzos. Entrando em contato com o Jesus ou com o Pablo Montoya (não é o piloto!!! hehehehe) dá pra ter uma idéia dos preços. O site deles é http://www.ecobuzos.com" onclick="window.open(this.href);return false; e os e-mails do Jesus e do Juan Pablo são, respectivamente, je_1971@hotmail.com e pablomontoya-buceo@hotmail.com
Lá em Bonaire eu fiquei em duvida entre dois lugares: Coco Palm e Caribbean Club:
http://www.cocopalmgarden.org/" onclick="window.open(this.href);return false;
http://www.caribbeanclubbonaire.com/" onclick="window.open(this.href);return false;
No Buddy Dive eu vi que ficava bem mais caro... Pra ser mais preciso, cerca de mil dolares mais caro. Como minha viagem vai ser meio longa, e eu não sou filho de nenhum deputado aqui em Brasília, não posso me dar a esses luxos... =P
Acabei fechando a reserva no Coco Palm. As donas são muito atenciosas, e o Glauber, da comunidade mochileiros.com disse que ficou lá e achou o lugar excelente. Elas respondem por esse e-mail aqui: info@cocopalmgarden.com
O Caribbean Club ficava uns 250 dolares mais caro. Mas parece ser um ótimo lugar, igualmente bem recomendado.
Quanto a Bonaire, não teve arrependimento nenhum. Foi tudo excelente!! Gostamos muito lá da Coco Palm, as donas são muito simpáticas, ótimas pessoas. Marion e Brigitte. São duas francesas gente finíssima. E ainda dei sorte, que pra ajustar as reservas lá delas, a Brigitte acabou em colocando em uma casinha ainda maior que a que eu tinha reservado. O esquema lá é assim, uma casinha (quarto, banheiro e cozinha, sem sala e sem tv, graças a Deus!). Daí a gente comprou um bocado de coisas em uns mercados bem grandes que tem lá perto, e fazíamos nossa própria comida. Ainda fizemos amizade com uns alemães que estavam na casinha ao lado e que estavam lá na ilha pra fazer windsurf. O lugar é bom demais, cheio de papagaios e iguanas, uma paz enorme.
Recomendo, e muito, a Coco Palm.
Quanto ao Buddy Dive, fomos lá pra fazer dois mergulhos. A estrutura deles é muito boa mesmo, mas fiquei contente de não ter desembolsado mil dólares a mais pra ficar lá.
Os pontos de mergulho que fizemos foram os seguintes:
1000 Steps
Oil Slick Leap
Andrea II
Buddy's Reef
Reef Scientifico
Bachelor's Beach
Hilma Hooker
Alice in Wonderland
Bari Reef (Sand Dollar)
Capt. Don's Reef (em Klein Bonaire, embarcado)
Leonora's Reef (em Klein Bonaire, embarcado)
Todos esses mergulhos foram excelentes. Cada um tem suas peculiaridades. O Hilma Hooker, por exemplo, é um naufrágio. Vi uma barracuda muito sinistra lá, parrudona. O Buddy Reef é bem tranquilão, tem um pier bacana, estacionamento lá no Buddy Dive. Até repetimos ele no último dia, perto do pôr do sol. Foi muito massa, os peixes todos alucinados pra encher a barriga e ir dormir. O Alice in Wonderland é um caminho de areia entre dois paredões de coral. É espetacular também. Os peixes maiores nós vimos mais para o norte da ilha, no Oil Slick Leap e no 1000 Steps, por exemplo. No de Bachelor's Beach vimos um cardume gigantesco quando já estávamos quase pra sair, muito doido também. No Leonora's Reef vimos cavalo marinho, e no Capt. Don's Reef vimos duas tartarugas muito de boa lá, batendo um rango no meio das algas.
Teve mais uns, mas não tô lembrando agora quais foram... Tenho que achar minhas anotações lá em casa. =)
Outra dica pra Bonaire: Comprar bastante queijo e cerveja. Depois de um dia mergulhando, chegar lá na casa e bater um gouda com guiness é só o ouro!! heheheheheh
É isso....
Se alguém precisar de mais algum detalhe, é só falar.
Abraço!
Editado por Visitante