A minha última viagem tinha sido há 18 meses e eu não consigo descrever o quanto eu tava ansioso pra conhecer Ushuaia, El Calafate e, depois que o Eduardo, Maithe e Sthéfanie resolveram se juntar a mim nessa aventura, Torres del Paine - Circuito W . Nós quatro estudamos medicina; eles na UFRGS, 2ª melhor faculdade de medicina do RS, e eu na UFCSPA, melhor faculdade do sul do Brasil. Fonte: eu mesmo . Acho que o fato de estarmos na época saturados de estudar e precisando fazer algo diferente pra renovar as energias facilitou muito que tudo acontecesse sem brigas ou discussões, como é comum ocorrer algumas vezes em viagens de grupo. Vocês irão perceber que escrevi esse relato com o máximo de detalhes possíveis, e eu fiz isso por duas causas: eu sempre me baseei em informações dos relatos de mochileiros pra planejar minhas viagens; e segundo, escrevendo dessa maneira, é muito mais fácil relembrar as sensações que eu tive ao passar por cada uma dessas cidades . Caso tu esteja interessado somente nos reviews dos hostels, eles estão ao fim do post. Os valores gastos diariamente estão no fim de cada ‘dia’, e quando eles estiverem divididos é porque eu dividi com outra pessoa o valor, quando não estiverem, é porque o valor foi gasto individualmente. Resolvi manter as moedas locais na maior parte das vezes pois seria errado realizar a conversão sendo que a taxa de câmbio varia muito.
Obs: vou editar em um futuro próximo o post e adicionar as fotos restantes, dicas, informações sobre o que levei pra lá, quais roupas, quanto dinheiro, gasto total e etc…
Dia 0 - Meu apartamento
Foram horas e horas e mais horas de planejamento. Lendo e relendo o roteiro para evitar o estresse no momento da viagem. Um milhão de opções de voos foram testadas, e no fim optamos por ir de ônibus de POA para Montevideo e de lá pegar um avião que faria Ushuaia-El Calafate-Montevideo, terminando com mais um ônibus de volta para POA. Essa foi a opção mais barata que encontramos e o trajeto aéreo, comprado com 4 meses de antecedência, custou R$ 1402,00 pela Argentina Aerolíneas. Além disso, aqui nos dias zero, também tivemos que pagar com antecedência os acampamentos em TDP e o Minitrekking, cujos valores estão especificados abaixo e na planilha que foi feita antes de sairmos, com uma previsão de todos os gastos (ou seja, ela não contém valores atualizados depois da viagem, apenas previsões). A data escolhida para partida foi dia 01 de fevereiro de 2017. Espero que vocês gostem do meu primeiro relato, quaisquer dúvidas, fiquem a vontade para perguntar, vou ficar feliz em responder. Have fun
Roteiro:
01/02 - Porto Alegre
02/02 - Montevideo
03/02 - Ushuaia
04/02 - Ushuaia - Laguna Esmeralda/Canal Beagle
05/02 - Ushuaia - Glaciar Martial
06/02 - Ushuaia - Parque Nacional Tierra del Fuego
07/02 - Ushuaia/El Calafate
08/02 - El Calafate - Minitrekking Perito Moreno
09/02 - El Calfate/Puerto Natales
10/02 - Puerto Natales
11/02 - TDP
12/02 - TDP
13/02 - TDP
14/02 - TDP
15/02 - Puerto Natales/El Calafate/Buenos Aires
16/02 - Montevideo
17/02 - Home, sweet home
Dia 01 - POA
O ônibus saiu de POA às 08:00 com previsão de chegada às 9:00 da manhã, sem paradas para lanche programadas. Porém ganhamos uns snacks de janta que não sabíamos que estavam inclusos, e por isso comemoramos como se não houvesse amanhã (free food ). Jogamos uma partida de fodinha (jogo com baralho espanhol bem conhecido entre o pessoal da UFRGS) até as 22:30. Os outros passageiros ficaram putos com a gente por causa do barulho e da luz, além da nossa caixinha de som, mas estávamos empolgados e felizes demais pra se importar com eles haha. Depois que eu ganhei de uma lavada de proporções bíblicas deles, fomos dormir e só acordamos no Uruguai
Ônibus POA-MVD: R$ 240,00
Dia 02 - Montevideo
Chegamos em Punta del Este por volta da 5:30 horário local (-1 em relação ao Brasil no verão). A estrada que liga Punta à Montevideo costeia o mar em alguns pontos e é bem bonita. Nela passamos por um morro com farol que eu fiquei curioso por conhecer, mas não encontrei o nome dele. A empresa também nos deu um lanche de café da manhã que não esperávamos; suco e uma barra de cereal (free food ). Na rodoviária de Montevideo pegamos um táxi até o hostel MVD Port. Chegando lá fomos recebidos pelo seu Luiz, recepcionista muito simpático, que nos ofereceu café da manhã de graça que incluía pão, margarina, mumu (mais conhecido como doce de leite fora do RS), leite, suco de laranja e café (free food ). Ele também abriu a recepção para deixarmos nossos mochilões até a hora de fazer check-in e pudemos ir mais leves andar pela Ciudad Vieja. Caminhamos por uns 10 minutos até chegarmos ao centro do bairro, onde encontramos o Câmbio Matriz, 1 real comprava 8.55 pesos (caminhando mais um pouco encontramos 8.75 , então vale a pena dar uma pesquisada melhor). Depois fomos ao Teatro Soles, parada clássica em Montevideo, e atravessamos a rua para conhecer o mausoléu do Artigas, que é muito bonito e resguardado por dois guardas estilo inglês que ficam imóveis um de cada lado do mausoléu, parecendo bonecos. Tirei uma foto com um deles, eu tava bem feliz, ele não parecia muito . Saindo de lá, resolvemos fazer a coisa mais turista de todas as coisas turistas: citytur de ônibus. Embarcamos nele bem em frente ao mausoléu. Andamos por todo o percurso, mas só descemos na parada 11 e tiramos algumas fotos na beira da praia , depois subimos nele de novo (tu pode subir e descer livremente em todas as paradas durante o dia que comprou a passagem, mas a maioria delas não achamos muito seguras ou movimentadas suficiente pra descermos) pra ir até o mercado público. Lá, primeiro andamos um pouco pra conhecer o lugar e ver a maneira como é feito o churrasco. Foi bastante diferente ver aquelas grelhas na vertical expostas assando todos os tipos de cortes de carne (pode me chamar de bairrista, mas o churrasco aqui do sul parece mais gostoso hahahah). Decidimos comer um pedaço de picanha acompanhado de papas e arroz na Estancia del Puerto. Não indico o lugar pois a vendedora que ficava na frente do local nos oferecendo os pratos não nos falou sobre a taxa dos cubiertos e ainda por cima disse que o prato vinha com dois acompanhamentos quando na verdade vinha com só um. Pra piorar não deram a mínima quando reclamamos disso com o dono do lugar. A pior coisa é pagar caro por um produto e não sair do lugar satisfeito ficamos bem chateados. Saindo do mercado passeamos um pouco pelos artesãos que ficam na rua e fomos agora sim fazer o check-in no hostel. Depois que largamos nossas coisas no quarto, compramos a janta da noite em um mercadinho de esquina. Tivemos a feliz ideia de tentar usar um cartão VTM muito antigo que eu e o Eduardo usamos na nossa viagem pra Bolívia em 2015 eee, funcionou! . Valeu pra economizar um pouco do prejuízo do almoço. Jantamos massa, atum e milho com um especial suco tang. Ficamos jogando fodinha, resolvendo enigmas e bebendo cerveja. Dado mais um show no fodinha por mim, fomos dormir porque amanhã iríamos pro que a gente chamava de real começo da viagem.
Táxi rodoviária - Hostel: 198 pesos/4 = 49,50 UR$
Citytur: 575 UR$
Picanha com papas: 655 pesos/2 = 327,50 UR$
Pilsen 1L: 80 UR$
Janta: free!
Dia 03 - Montevideo/Ushuaia
Acordamos às 7 da manhã pra tomar banho, arrumar as malas e irmos pra, finalmente, Ushuaia. Tomamos o café da manhã e partimos rumo ao glorioso ônibus que nos levaria até o outro lado da cidade. A estação de ônibus ficava a cinco quadras do nosso hostel, felizmente. O aeroporto de Montevideo é muito bonito, limpo e tem free wifi que funciona bem. Chegando em Buenos aires meu saco de dormir tinha se soltado da mochila e o colchonete e bastões ficaram pendurados por um fio quase caindo , mas deu pra catar tudo na esteira. O aeroporto de BA tava lotado de gente, demoramos um pouco pra encontrar a casa de cambio de lá. Tinha uma fila enorme e só um atendente, mas como precisávamos trocar alguns reais, decidimos esperar e essa foi uma das melhores decisões que tomamos, depois eu explico porque. Eles estavam pagando 5,10 pesos cada real, muuuuito melhor que os 4,00 que encontrávamos no brasil :'> .
Dia 03 em ushuaia: a paisagem do final do voo de BA-Ush é linda, melhor ainda pra quem consegue ver todas as monhtanhas rochosas com neve pela janela. Quem ficou do outro lado do avião (eu e o Virjuardo) conseguiu ver o canal do beagle e algumas montanhas também. Quem ficou pros primeiros assentos do vôo conseguiu ver o Guga que tava indo passar um tempo em Ushu com a família também . Pegamos um taxi do aeroporto até o Hostel Antartica. Infelizmente, chegando em Ush não encontramos nenhuma casa de câmbio aberta e muito menos os bancos, porque era sexta-feira 19hs. Tivemos que ir no Hotel Antartida trocar pela cotação de 1 real pra 4,80 pesos argentinos. Fato é que Ushuaia não possui casa de câmbio, portanto deveríamos ter trocado todo nosso dinheiro no aeroporto de BA por um valor muito melhor . Depois que conseguimos mais alguns pesos, fomos contratar o passeio do canal do beagle sem a pinguinera, incluso uma mini trilha pela ilha Bridge e café com biscoitos, bolacha, té e chimarrão. Optamos por fazer o passeio noturno, que na época era novidade, às 19 horas do dia 04, para podermos fazer a trilha pela Laguna Esmeralda antes dele tranquilos. Passamos então no mercado La Anonima, que fica a uns 2 minutos a pé do Antárctica, para comprar a janta e os lanches do dia seguinte. Voltamos pro hostel e o nosso quarto tava com um fedorão de cheetos porque uma mulher tinha deixado as meias molhadas secando lá dentro . Eu sei que o primeiro mandamento de um quarto coletivo é: você não mexe nas coisas das outras pessoas, não importa o que. Mas não tava dando pra aguentar, aquilo tava tóxico, insalubre, nojento e repugnante. Coloquei as meias pro lado de fora. Fomos jantar não Strogonoff que o Eduardo preparou muito bem, que homão (chupa Rodrigo Hilbert) . Nesse dia não teve jogo de cartas porque eles estavam cansados de perder, e eu tava exausto.
Ônibus Ciudad Vieja - Aeroporto: 55 UR$
Táxi aeroporto - Hostel Ushu: 165 AR$
Canal do Beagle: 1 100 AR$
Mercado: 440/4 = 110 AR$
Dia 04 - Ushuaia - Laguna Esmeralda e Canal do Beagle
Acordamos cedo e tomamos café da manhã com ovos, cereal, leite, café, chá quente e gelado. Pegamos um táxi com preço tabelado na calle San Martin até o início da trilha da Laguna Esmeralda (mais um erro da viagem. Com certeza deveríamos não ter pedido um preço antes da corrida e pedido pro taxista ligar o taxímetro, iria dar bem menos). Na ida pagamos 700 pesos e confiamos nele que voltaria no horário que marcamos, 17:00, pra nos pegar e receber mais 300. O tempo estava dublado/ensolarado e a trilha foi excelente . Ela é bem demarcada por plaquinhas azuis fáceis de ver. Em alguns pontos tem bastante lama, sendo difícil não entrar com o pé até o calcanhar as vezes, o que pode ser chato (se acontecer com você) e divertido (se acontecer com os outros) ao mesmo tempo. A Stefanie atolou até o joelho na ida, e o Eduardo caiu de bunda na volta, todos rimos, ele mereceu. Todo respeito do mundo por esse casal que nos proporcionou risadas nesse dia . É importante também ter uma bota impermeável pra que a água da lama não entre no calçado, mas se a tua não for impermeável não tem problema, só precisa tomar um pouco mais de cuidado. Além disso, a vista da lagoa é indescritível e supera qualquer inconveniência que um pé molhado possa causar. Levamos vários sanduíches na mochila e almoçamos na beira da lago sentados em uma das pedras costeiras. That’s life quality, baby . Na volta paramos pra tirar algumas fotos na represa construída pelos castores. É inacreditável o tamanho da represa comparada com o tamanho dos bichinhos e a quantidade de água que é represada pelo trabalho deles, são os engenheiros da patagônia, o governo brasileiro deveria contratar, seria mais barato e eficiente que o pessoal da Odebrecht. Ao terminar a trilha chegamos no estacionamento e nem sinal do táxi, mas tivemos que esperar porque chegamos às 16:20 e marcamos para as 17. Qual foi a nossa surpresa quando ele chegou as 16:30. Ao regressar da laguna fomos direto pro La anônima comprar os mantimentos para o Glaciar Martial e Parque Nacional, passeios de domingo e segunda, respectivamente, pois o La Anônima abre as 9:00 e fecha às 12:00 no domingo (sairíamos antes disso), e no dia do Parque Nacional sairíamos antes de abrir também.
Feitas as compras voltamos para o hostel para descansar um pouco e tomar um chá, e logo fomos para o porto iniciar nosso passeio no canal do Beagle. Pagamos o restante do passeio (na reserva tinhamos deixado só um sinal) e fomos logo comprar nosso ticket de entrada no porto por 20 pesos. Já embarcados, o passeio começou um pouco monótono com a ilha dos pássaros (que pra mim são iguais a pinguins), mas alguns minutos depois ao chegarmos no farol já ficou melhor, pois o farol Les Eclaireurs (aquele clássico mais ao Sul do mundo), juntamente com os lobos do mar que ficam na mesma ilha que ele, são muito bonitos . Tiradas um milhão de fotos, rumamos para a ilha Bridge, onde fizemos uma pequena caminhada de 30 minutos até o topo do morro, que tinha uma linda vista do pôr do sol e de Ushuaia, que fica mais linda ainda de noite com as luzes acesas. Durante o passeio o guia também contou um pouco da história local, mas eu não entendi muito do espanhol . Durante a volta para o porto foi servido chá com biscoitos, leite e nescau. E no final foi nos oferecido um copo de líquor de café produzido artesanalmente para comemorar o sucesso do passeio. Já no Hostel, onze horas passadas, nos atracamos a cozinhar o mais rápido possível, comer, tomar banho e dormir. Eita dia puxado.
Táxi ida e volta Laguna: 1 000/4 = 250 AR$
Entrada porto: 20 AR$
Mercado: 750/4 = 187,50 AR$
Dia 05 - Ushuaia - Glaciar Martial
Acordamos com os nossos colegas de quarto fazendo todo o barulho possível porque estavam saindo da cidade (a gente sabe que eles estavam se vingando por causa das meias). Tomamos café da manhã às 9 horas e às 11 pegamos o táxi na calle San Martin, que nos deixou na base do Glaciar. O começo da trilha foi bastante difícil, não sei porque, mas todos nós cansamos bem rápido. Depois parece que nos adaptamos e conseguimos estabelecer um ritmo melhor. Demoramos aproximadamente 2 horas pra chegar até as primeiras áreas de gelo no verão, inclusas paradas para fotos e descanso. Lá em cima tiramos duas horas pra almoçar e dormir naquela paz, com aquela vista espetacular . Os três dormiram fácil não sei como, deitados na pedra debaixo do Sol. Eu aproveitei pra pegar a gopro emprestada e tirar um milhão de fotos, a maioria ridículas, lá de cima. Foi a primeira vez que vi neve! se é que da pra chamar aquele gelo de neve hahaha, mas pra mim tava valendo. Quando todos acordaram, fizemos uma pilha de pedras (por que os turistas fazem isso?). Eduardo e eu subimos uma pequena área de neve e descemos no esquibunda, muito infantil e divertido demais pra não ser feito :'> . Na descida de volta pra base fomos por uma trilhazinha que leva ao antigo teleférico (que não funciona mais tem um bom tempo). Eu indico fazer essa trilha porque tem umas árvores bem bonitas no meio do caminho, mas a estação do teleférico em si não tem nada de mais. No final do passeio resolvemos nos presentear com um vinho na cafeteria do lugar que tem um teor alcoólico absurdo. Eu indico esse vinho. Ficamos bêbados, demos risada por nada, life quality . Pegamos um dos vários táxis que ficam lá na frente e voltamos ao hostel cozinhar um carreteiro especial. Antes de dormir ainda resolvemos finalmente experimentar o chopp e cervejas tradicionais da Patagônia que o hostel vende, mas não gostamos de nenhum hahaha, somos #TeamPilsen. Jogamos Escova e Imagem e Ação e fomos dormir, porque no próximo dia íamos ter que madrugar muito pra entrar sem pagar (olha a indiada que se segue) no Parque Nacional. (eu ganhei a escova e o imagem e ação, claro)
Táxi hostel - base glaciar: 175/4 = 43,75 AR$
Taça de vinho: 50 AR$
Táxi base glaciar - hostel: 183/4 = 45,75 AR$
2 x 50 chopp beagle = 100AR$/4 = 25 AR$
Cerveja 1L = 130/4 = 32,50 AR$
Dia 06 - Ushuaia - Parque Nacional Tierra del Fuego
Acordamos muito cedo pra tentarmos entrar de graça no parque. A ideia era que se chegássemos antes das 8 a entrada seria gratuita (informalmente). Tomamos café as 6:30 e fomos pra calle San Martin tomar o táxi. Chegamos às 7:45 mas como os funcionários já estavam lá para fazer a cobrança, tivemos que pagar . No fim isso acabou não sendo tão ruim porque só depois de pagar pudemos pegar o mapa que nos ajudou muito a não se perder no parque. Pra piorar, eu esqueci meu passaporte pra pegar o tradicional carimbo do fim do mundo que cabeça besta a minha. Começou a chover e nós naquele momento estávamos com frio, cansados, brabos porque tivemos que pagar a entrada e a Téfi ainda tava resfriada, o que resultou no pior dia da viagem até agora e o mais difícil também. Começamos fazendo a trilha que eu esqueci o nome (maldita cabeça besta [2]), que foi um saco porque no caminho inteiro só conseguimos ver algumas árvores altas e outras caídas . No fim dessa trilha chegamos ao correio mais austral do mundo, que é basicamente uma lojinha muito bonita na beira de um lago muito bonito. O carimbo de lá custa 50 pesos, mas não pegamos, já estávamos satisfeitos com o carimbo da entrada. Tiramos algumas fotos clássicas na frente do correio e seguimos para a Trilha Costeira. Ela é tão bonita quanto todos os outros relatos descrevem, foi uma pena que o dia estivesse tão ruim quanto estava. Além disso, eu considerei ela um pouco difícil porque tem muitas subidas e descidas, o que faz com que os 8km estimados pelas placas pareçam 260. A trilha terminou em um paradouro, onde tomamos um merecido e bom chocolate quente e fomos xingados por termos trazido comida de fora pra consumir lá (não pode ). Desse paradouro saem as vans para Ushuaia, que foi a única opção que encontramos para sair de lá sem precisar caminhar até a entrada de novo. Assim que sentamos na van, dormimos instantaneamente. Mais ou menos uma hora depois estávamos descendo no porto de Ushuaia. Voltamos ao hostel, tomamos banho e fomos pra mais um programa clássico da cidade: Irish Pub. Tem um excelente ambiente, quente e bem decorado, garçons educados. Pedimos de começo uma cerveja alemã que não anotei o nome (maldita cabeça besta 3) muito boa, e depois 5 chopps beagle 400mL - rojo, negro e rubia. O negro é o mais forte e achei ruim, a rubia é mais fraca e o rojo um meio termo. Pra comer pedimos duas saudosas pizzas sabor pepperoni e napolitana, que alimentaram 4 pessoas bem, mas não nos acabamos comendo (como poderia também, a Maithê é um saco sem fundo ). As reclamações do lugar ficam por conta do gerente/dono que nos mandou embora porque estávamos só bebendo e tinha gente na fila esperando pra comer (eu entendo o lado dele em nos pedir isso, mas foi a maneira deseducada como ele falou que incomodou). Os outro pontos negativos são que quando a casa lota os garçons não dão conta de atender todo mundo, e que na hora de pagar a conta tínhamos duas cervejas a mais na nossa comanda, mas foi só reclamar com o garçom e resolvemos isso sem complicações. Voltando pro hostel jogamos imagem e açao e eu finalmente perdi um jogo pra esses virjões . Bebemos 2 pints de beagle rojo e uma caixinha de água mineral do degelo glaciar (era o que dizia a embalagem ao menos) e desmaiamos na cama
Táxi calle San Martin - Parque Nacional: 186/4 = 46,50 AR$
Chocolate quente: 60 AR$
Van Parque Nacional - Porto Ushuaia: 200 AR$
Cerveja alemã 500mL: 100 AR$
Chopp Beagle 400mL: 75 AR$ (só tomei um)
Pizzas: 2 x 130/4 = 65 AR$
Pint Beagle Rojo (no hostel): 2 x 50/4 = 25 AR$
Água del Glaciar: 20/4 = 5 AR$
Dia 07 - Último dia em Ushuaia - El Calafate
Acordamos mais tarde porque recebemos no email que nosso voo das 14 horas tinha sido adiado pras 17 \o/. Pegamos nossas roupas que deixamos lavando no hostel e fomos fazer check-out. Fomos trocar dinheiro nos bancos locais (que só compram/vendem entre 10-15 horas) e óbvio que eles não aceitavam real, somente dólar. Mais uma vez nosso amigo Jackie Chan do hotel Antardida nos salvou a pele . Ainda tivemos tempo de passar no Hard Rock pra tirar algumas fotos, nas lojinhas de souvenir e de pegar o chocolate quente brinde do canal do Beagle antes de irmos pro Museu del fin del Mundo (vocês acharam que a gente não ia conhecer o presídio né? ). O museu foi bastante legal e tranquilo, ficamos cerca de 1 hora por lá e conhecemos tudo com bastante calma. A atendente do caixa fez o preço de estudante pra gente mesmo que não tenhamos conseguido comprovar. É impressionante as coisas que alguns dos presos conseguiam produzir nas celas, produtos artesanais extremamente bem detalhados que eram encomendados pela diretoria do presídio. O corredor que foi mantido em suas condições originais é definitivamente a melhor parte, e a gente consegue compreender bem pelo que passaram os presidiários na época. Depois do museu, infelizmente chegou a hora de dizer tchau pra Ushuaia, uma cidadezinha maravilhosa que vale a pena ser conhecida por todo mundo que tem condições, até o Guga concorda. Tiramos uma foto com a bandeira do Brasil do hostel e agradecemos o carinho da staff do Antártica, que tá de parabéns. Pontuais que só nós, chegamos atrasados pra fazer check-in no aeroporto e pra piorar resolveram implicar com nossos bastões do lado de fora da mochila e pediram pra colocarmos dentro. No fim deu tudo certo, os atendentes só queriam rir dos troxão que chegaram atrasados eu acho...
Em El Calafate não sei o que me deu e eu não fiz anotações (maldita cabeça besta [perdi as contas]). Mas lembro que fomos de van do aeroporto até a cidade e chegamos a tempo de fazer check-in, ir em um mercado no centrinho e comprar comida.
Lavanderia Hostel: 120 AR$
Museu (preço de estudante): 150 AR$
Táxi hostel - aeroporto Ushu: 150/4 = 37,50 AR$
Van aeroporto EC - Hostel Glaciar Pioneros: 160 AR$
Mercado EC: ???
Dia 08 - El Calafate - Perito Moreno
Acordamos muy temprano, comemos nossos sanduíches (foi muito ruim abandonar o café da manhã do Antártica pra fazermos nosso próprio hahaha) e esperamos a van da Hyelo y Aventura, que nos levaria até o Perito Moreno pra fazermos o mini trekking . A van nos levou a um ponto de encontro na cidade onde entramos o ônibus da empresa e fomos pro parque dos glaciares. Mais ou menos uma hora e meia depois estávamos dando entrada no parque, a qual só pode ser paga em dinheiro vivo e em moeda local (um dos passageiros teve problema porque tava só com o cartão de crédito. Não sei como ele fez, mas não foi barato). Fomos conduzidos para o catamarã, que nos levou rio adentro em direção à geleira e 20 minutos depois desembarcamos nas cabanas da HyA. Fomos divididos em hispanohablantes e english speakers, não sei porque também, nosso grupo só tinha brasileiros praticamente. Nos deram as instruções básicas: Usem luvas sempre. Usem luvas sempre. Usem luvas sempre. O gelo é abrasivo/cortante, e caso tu te desequilibre pode cortar feio as mãos em um local a um catamarã de distância de atendimento médico básico. Ao subir tente formar um V com os pés, posição que evita deslizamentos; distância mínima de 20 centímetros dos teus companheiros para que os crampões não enganchem um no outro. O resto das instruções nesse começo de trilha é bom senso: não corra, não pule, não tire fotos andando (embora eu tenha feito isso porque djo soy rebelde), avise se estiver sentindo algum desconforto, não saia da trilha. Iniciada a caminhada propriamente dita, os primeiros 20 minutos são sem crampões e fora do gelo. Depois desse tempo, fazemos uma fila e os instrutores colocam os crampões na gente e andamos cerca de 200m com eles na terra para adaptação. Seguindo para o gelo, caminhamos por cerca de 1,5horas em filas por trilhas demarcadas dando voltas no mesmo espaço da geleira (não adentramos muito fundo na geleira conforme eu pensava). Eles deixam fazermos algumas paradas no percurso para tirarmos fotos e beber água do degelo em uns mini riozinhos que tem por lá com a água incrivelmente azul. No fim da trilha oferecem o pior uísque do mundo e uns bombons. Os fortes beberam aquele negócio que desce queimando, eu preferi só a água mesmo . Voltando ao ponto de início, nós mesmos tiramos nossos crampões e somos liberados pra fica cerca de 1 hora livres na área sem gelo pra tirarmos fotos com o Perito Moreno no fundo. Depois pegamos o Catamarã de novo e nos levam para a área das plataformas de observação. Nas plataformas temos mais 1 hora para circular, mas infelizmente isso não é suficiente para conhecermos todos elas, então escolhemos somente a que nos indicaram e que pareceu ser a mais popular - a amarela, onde todo mundo fica esperando um desprendimento de gelo grande, afinal nessa hora ninguém pensa em aquecimento global e etc, a gente quer é emoção haha, porém vimos somente uns pequenos, que mesmo assim fizeram um barulho semelhante a um trovão quando caíram na água . Terminado nosso tempo ali, voltamos ao ônibus para El Calafate. Andar na geleira foi uma experiência única e que com certeza vale o valor (que é bem elevado por sinal), mas se o dinheiro estiver curto, conhecer as passarelas também é muito, muito, mas muito legal. Várias empresas na rodoviária de Calafate fazem o transporte desde o centro até o parque, mas só a HyA tem permissão pra andar sobre o Perito. Ah, já ia esquecer de dizer que no ônibus da HyA eu encontrei um cara com a camiseta da minha faculdade e acabei descobrindo que ele iria ser meu professor de cirurgia pediátrica esse ano , brasileiro tá em tudo que é canto mesmo. Já no centro da cidade, passamos em uma das várias lojas de souvenir que tem por lá, e depois fomos conhecer um dos pratos mais típicos da região: o cordeiro patagônico. Pedimos dois cordeiros acompanhados de papas fritas e estava absolutamente maravilhoso, isso que eu não sou muito fã de cordeiro. Para melhorar, os donos do restaurante ainda aceitavam pagamento em reais e davam o troco em pesos, então conseguimos trocar um pouco de dinheiro (El Calafate também não tem casa de câmbio e nem Jackie Chan salvador das pátrias). Voltamos pro hostel pra jogarmos nossas partidas clássicas de Fodinha e Escova, e não preciso dizer quem ganhou, o pai . Os três foram dormir e eu fiquei um pouco mais curtindo o hostel, bebendo quilmes e escrevendo o relato.
Minitreking: 2 400 AR$
Entrada parque Los Glaciares(moradores do mercosul): 250 AR$
Cordeiro Patagônico no restaurante Casimiro Biguá: 440/2 = 220 AR$
Meia porção de papas + refrigerante: 130 AR$
Quilmes 1L: 65 AR$
Dia 09 - El Calafate - Puerto Natales
Acordamos às 06:00, nos sepillamos, fizemos checkout correndo no Hostel e fomos com pressa para a rodoviária carregando os mochilões (até agora não tínhamos caminhado quase nada com o mochilão nas costas). Até que não foi difícil, apesar daquela escada super íngreme e grande que conecta a rodoviária ao centro de Calafate (aaah se na época que eu tava escrevendo esse relato eu soubesse o que me aguardava em Torres del Paine ). Fomos no terminal retirar nossos tickets e pagar a taxa rodoviária. Recebemos também o formulário de imigração pra irmos preenchendo no ônibus. Calafate com certeza vai deixar saudades. A cidade é muito linda, organizada e limpa, bastante semelhante a Gramado aqui no Rio Grande do Sul. Tem várias casas pequenas porém muito bem arrumadas, sem muitas cercas e portões, um padrão bem diferente do encontrado aqui no Brasil. Espero um dia voltar pra fazer todos os outros pa$$eio$ de lá e tirar um tempo pra conhecer também a laguna, que não tivemos tempo de visitar. Nossa primeira parada na viagem até o Chile foi na imigração argentina, pra darmos saída no país, bem rápida. A segunda foi para dar entrada no Chile e essa sim demorou 1 hora. Eles revistaram o ônibus com cachorros e por algum motivo não deixaram ninguém entrar com frutas e verduras no país. Várias pessoas tiveram que jogar fora/comer apressadas bananas, bergamotas e etc. Saímos por volta das 8:00 e chegamos às 14:00 em Puerto Natales. Aproveitamos e já compramos o ônibus ida e volta para TDP, que pagamos em reais (o que foi uma mão na roda, porque não tínhamos pesos chilenos conosco naquela hora). Fomos a pé até o Hostel Lilipatagônicos, cerca de 20 minutos caminhando. Assim que fizemos check-in, trocamos nosso dinheiro em um bazar que também funcionava como casa de câmbio na rua principal, perto do mercado. 1 real comprava 170 pesos, mas logo depois em outro local vimos 1:180, também na rua principal. Fomos ao mercado comprar os alimentos que levaríamos na trilha: chocolates, biscoitos, arroz, massa, purê em pó, manteiga, sopa em pó, café, açúcar, sal, comida pra nossa janta da noite e botijões de gás. Voltamos pro hostel e começamos a arrumar nossas mochilas, dividindo os alimentos e selecionando o que iríamos deixar pra trás e o que levaríamos. Também alugamos no hostel (a maioria dos hostels de PN tem equipamentos para alugar) o que precisaríamos: um fogareiro, panelas, colchonetes, canequinha, copos, pratos e, claro, a barraca para 4 pessoas. Não fazíamos a menor ideia de como montar uma barraca, felizmente a recepcionista nos explicou e meio que entendemos, mas só amanhã pra descobrirmos de fato . Nosso colega de quarto nos viu olhando a demonstração da recepcionista de montagem e disse que era visível que nunca tínhamos feito aquilo . Cozinhamos strogonoff (tava espetacular), fizemos uns enigmas e jogamos fodinha (eu ganhei). Dormimos tarde, a meia noite, porém animados pro dia seguinte
(Nesse dia não tem foto )
Ônibus EC - PN: ????
Taxa rodoviária: 10 AR$
Ônibus ida e volta PN - TDP: 13 000 CHI$ (pagamos 75 R$)
A minha última viagem tinha sido há 18 meses e eu não consigo descrever o quanto eu tava ansioso pra conhecer Ushuaia, El Calafate e, depois que o Eduardo, Maithe e Sthéfanie resolveram se juntar a mim nessa aventura, Torres del Paine - Circuito W
. Nós quatro estudamos medicina; eles na UFRGS, 2ª melhor faculdade de medicina do RS, e eu na UFCSPA, melhor faculdade do sul do Brasil. Fonte: eu mesmo
. Acho que o fato de estarmos na época saturados de estudar e precisando fazer algo diferente pra renovar as energias facilitou muito que tudo acontecesse sem brigas ou discussões, como é comum ocorrer algumas vezes em viagens de grupo. Vocês irão perceber que escrevi esse relato com o máximo de detalhes possíveis, e eu fiz isso por duas causas: eu sempre me baseei em informações dos relatos de mochileiros pra planejar minhas viagens; e segundo, escrevendo dessa maneira, é muito mais fácil relembrar as sensações que eu tive ao passar por cada uma dessas cidades
. Caso tu esteja interessado somente nos reviews dos hostels, eles estão ao fim do post. Os valores gastos diariamente estão no fim de cada ‘dia’, e quando eles estiverem divididos é porque eu dividi com outra pessoa o valor, quando não estiverem, é porque o valor foi gasto individualmente. Resolvi manter as moedas locais na maior parte das vezes pois seria errado realizar a conversão sendo que a taxa de câmbio varia muito.
Obs: vou editar em um futuro próximo o post e adicionar as fotos restantes, dicas, informações sobre o que levei pra lá, quais roupas, quanto dinheiro, gasto total e etc…
Dia 0 - Meu apartamento
Foram horas e horas e mais horas de planejamento. Lendo e relendo o roteiro para evitar o estresse no momento da viagem. Um milhão de opções de voos foram testadas, e no fim optamos por ir de ônibus de POA para Montevideo e de lá pegar um avião que faria Ushuaia-El Calafate-Montevideo, terminando com mais um ônibus de volta para POA. Essa foi a opção mais barata que encontramos e o trajeto aéreo, comprado com 4 meses de antecedência, custou R$ 1402,00 pela Argentina Aerolíneas. Além disso, aqui nos dias zero, também tivemos que pagar com antecedência os acampamentos em TDP e o Minitrekking, cujos valores estão especificados abaixo e na planilha que foi feita antes de sairmos, com uma previsão de todos os gastos (ou seja, ela não contém valores atualizados depois da viagem, apenas previsões). A data escolhida para partida foi dia 01 de fevereiro de 2017. Espero que vocês gostem do meu primeiro relato, quaisquer dúvidas, fiquem a vontade para perguntar, vou ficar feliz em responder. Have fun
Roteiro:
01/02 - Porto Alegre
02/02 - Montevideo
03/02 - Ushuaia
04/02 - Ushuaia - Laguna Esmeralda/Canal Beagle
05/02 - Ushuaia - Glaciar Martial
06/02 - Ushuaia - Parque Nacional Tierra del Fuego
07/02 - Ushuaia/El Calafate
08/02 - El Calafate - Minitrekking Perito Moreno
09/02 - El Calfate/Puerto Natales
10/02 - Puerto Natales
11/02 - TDP
12/02 - TDP
13/02 - TDP
14/02 - TDP
15/02 - Puerto Natales/El Calafate/Buenos Aires
16/02 - Montevideo
17/02 - Home, sweet home
Dia 01 - POA
O ônibus saiu de POA às 08:00 com previsão de chegada às 9:00 da manhã, sem paradas para lanche programadas. Porém ganhamos uns snacks de janta que não sabíamos que estavam inclusos, e por isso comemoramos como se não houvesse amanhã (free food
). Jogamos uma partida de fodinha (jogo com baralho espanhol bem conhecido entre o pessoal da UFRGS) até as 22:30. Os outros passageiros ficaram putos com a gente por causa do barulho e da luz, além da nossa caixinha de som, mas estávamos empolgados e felizes demais pra se importar com eles haha. Depois que eu ganhei de uma lavada de proporções bíblicas deles, fomos dormir e só acordamos no Uruguai
Ônibus POA-MVD: R$ 240,00
Dia 02 - Montevideo
Chegamos em Punta del Este por volta da 5:30 horário local (-1 em relação ao Brasil no verão). A estrada que liga Punta à Montevideo costeia o mar em alguns pontos e é bem bonita. Nela passamos por um morro com farol que eu fiquei curioso por conhecer, mas não encontrei o nome dele. A empresa também nos deu um lanche de café da manhã que não esperávamos; suco e uma barra de cereal (free food
). Na rodoviária de Montevideo pegamos um táxi até o hostel MVD Port. Chegando lá fomos recebidos pelo seu Luiz, recepcionista muito simpático, que nos ofereceu café da manhã de graça que incluía pão, margarina, mumu (mais conhecido como doce de leite fora do RS), leite, suco de laranja e café (free food
). Ele também abriu a recepção para deixarmos nossos mochilões até a hora de fazer check-in e pudemos ir mais leves andar pela Ciudad Vieja. Caminhamos por uns 10 minutos até chegarmos ao centro do bairro, onde encontramos o Câmbio Matriz, 1 real comprava 8.55 pesos (caminhando mais um pouco encontramos 8.75
, então vale a pena dar uma pesquisada melhor). Depois fomos ao Teatro Soles, parada clássica em Montevideo, e atravessamos a rua para conhecer o mausoléu do Artigas, que é muito bonito e resguardado por dois guardas estilo inglês que ficam imóveis um de cada lado do mausoléu, parecendo bonecos. Tirei uma foto com um deles, eu tava bem feliz, ele não parecia muito
. Saindo de lá, resolvemos fazer a coisa mais turista de todas as coisas turistas: citytur de ônibus. Embarcamos nele bem em frente ao mausoléu. Andamos por todo o percurso, mas só descemos na parada 11 e tiramos algumas fotos na beira da praia
, depois subimos nele de novo (tu pode subir e descer livremente em todas as paradas durante o dia que comprou a passagem, mas a maioria delas não achamos muito seguras ou movimentadas suficiente pra descermos) pra ir até o mercado público. Lá, primeiro andamos um pouco pra conhecer o lugar e ver a maneira como é feito o churrasco. Foi bastante diferente ver aquelas grelhas na vertical expostas assando todos os tipos de cortes de carne (pode me chamar de bairrista, mas o churrasco aqui do sul parece mais gostoso hahahah). Decidimos comer um pedaço de picanha acompanhado de papas e arroz na Estancia del Puerto. Não indico o lugar pois a vendedora que ficava na frente do local nos oferecendo os pratos não nos falou sobre a taxa dos cubiertos e ainda por cima disse que o prato vinha com dois acompanhamentos quando na verdade vinha com só um. Pra piorar não deram a mínima quando reclamamos disso com o dono do lugar. A pior coisa é pagar caro por um produto e não sair do lugar satisfeito
ficamos bem chateados. Saindo do mercado passeamos um pouco pelos artesãos que ficam na rua e fomos agora sim fazer o check-in no hostel. Depois que largamos nossas coisas no quarto, compramos a janta da noite em um mercadinho de esquina. Tivemos a feliz ideia de tentar usar um cartão VTM muito antigo que eu e o Eduardo usamos na nossa viagem pra Bolívia em 2015 eee, funcionou!
. Valeu pra economizar um pouco do prejuízo do almoço. Jantamos massa, atum e milho com um especial suco tang. Ficamos jogando fodinha, resolvendo enigmas e bebendo cerveja. Dado mais um show no fodinha por mim, fomos dormir porque amanhã iríamos pro que a gente chamava de real começo da viagem.
Táxi rodoviária - Hostel: 198 pesos/4 = 49,50 UR$
Citytur: 575 UR$
Picanha com papas: 655 pesos/2 = 327,50 UR$
Pilsen 1L: 80 UR$
Janta: free!
Dia 03 - Montevideo/Ushuaia
Acordamos às 7 da manhã pra tomar banho, arrumar as malas e irmos pra, finalmente, Ushuaia. Tomamos o café da manhã e partimos rumo ao glorioso ônibus que nos levaria até o outro lado da cidade. A estação de ônibus ficava a cinco quadras do nosso hostel, felizmente. O aeroporto de Montevideo é muito bonito, limpo e tem free wifi que funciona bem. Chegando em Buenos aires meu saco de dormir tinha se soltado da mochila e o colchonete e bastões ficaram pendurados por um fio quase caindo
, mas deu pra catar tudo na esteira. O aeroporto de BA tava lotado de gente, demoramos um pouco pra encontrar a casa de cambio de lá. Tinha uma fila enorme e só um atendente, mas como precisávamos trocar alguns reais, decidimos esperar e essa foi uma das melhores decisões que tomamos, depois eu explico porque. Eles estavam pagando 5,10 pesos cada real, muuuuito melhor que os 4,00 que encontrávamos no brasil
:'> .
Dia 03 em ushuaia: a paisagem do final do voo de BA-Ush é linda, melhor ainda pra quem consegue ver todas as monhtanhas rochosas com neve pela janela. Quem ficou do outro lado do avião (eu e o Virjuardo) conseguiu ver o canal do beagle e algumas montanhas também. Quem ficou pros primeiros assentos do vôo conseguiu ver o Guga que tava indo passar um tempo em Ushu com a família também
. Pegamos um taxi do aeroporto até o Hostel Antartica. Infelizmente, chegando em Ush não encontramos nenhuma casa de câmbio aberta e muito menos os bancos, porque era sexta-feira 19hs. Tivemos que ir no Hotel Antartida trocar pela cotação de 1 real pra 4,80 pesos argentinos. Fato é que Ushuaia não possui casa de câmbio, portanto deveríamos ter trocado todo nosso dinheiro no aeroporto de BA por um valor muito melhor
. Depois que conseguimos mais alguns pesos, fomos contratar o passeio do canal do beagle sem a pinguinera, incluso uma mini trilha pela ilha Bridge e café com biscoitos, bolacha, té e chimarrão. Optamos por fazer o passeio noturno, que na época era novidade, às 19 horas do dia 04, para podermos fazer a trilha pela Laguna Esmeralda antes dele tranquilos. Passamos então no mercado La Anonima, que fica a uns 2 minutos a pé do Antárctica, para comprar a janta e os lanches do dia seguinte. Voltamos pro hostel e o nosso quarto tava com um fedorão de cheetos porque uma mulher tinha deixado as meias molhadas secando lá dentro
. Eu sei que o primeiro mandamento de um quarto coletivo é: você não mexe nas coisas das outras pessoas, não importa o que. Mas não tava dando pra aguentar, aquilo tava tóxico, insalubre, nojento e repugnante. Coloquei as meias pro lado de fora. Fomos jantar não Strogonoff que o Eduardo preparou muito bem, que homão (chupa Rodrigo Hilbert)
. Nesse dia não teve jogo de cartas porque eles estavam cansados de perder, e eu tava exausto.
Ônibus Ciudad Vieja - Aeroporto: 55 UR$
Táxi aeroporto - Hostel Ushu: 165 AR$
Canal do Beagle: 1 100 AR$
Mercado: 440/4 = 110 AR$
Dia 04 - Ushuaia - Laguna Esmeralda e Canal do Beagle
Acordamos cedo e tomamos café da manhã com ovos, cereal, leite, café, chá quente e gelado. Pegamos um táxi com preço tabelado na calle San Martin até o início da trilha da Laguna Esmeralda
(mais um erro da viagem. Com certeza deveríamos não ter pedido um preço antes da corrida e pedido pro taxista ligar o taxímetro, iria dar bem menos). Na ida pagamos 700 pesos e confiamos nele que voltaria no horário que marcamos, 17:00, pra nos pegar e receber mais 300. O tempo estava dublado/ensolarado e a trilha foi excelente
. Ela é bem demarcada por plaquinhas azuis fáceis de ver. Em alguns pontos tem bastante lama, sendo difícil não entrar com o pé até o calcanhar as vezes, o que pode ser chato (se acontecer com você) e divertido (se acontecer com os outros) ao mesmo tempo. A Stefanie atolou até o joelho na ida, e o Eduardo caiu de bunda na volta, todos rimos, ele mereceu. Todo respeito do mundo por esse casal que nos proporcionou risadas nesse dia
. É importante também ter uma bota impermeável pra que a água da lama não entre no calçado, mas se a tua não for impermeável não tem problema, só precisa tomar um pouco mais de cuidado. Além disso, a vista da lagoa é indescritível e supera qualquer inconveniência que um pé molhado possa causar. Levamos vários sanduíches na mochila e almoçamos na beira da lago sentados em uma das pedras costeiras. That’s life quality, baby
. Na volta paramos pra tirar algumas fotos na represa construída pelos castores. É inacreditável o tamanho da represa comparada com o tamanho dos bichinhos e a quantidade de água que é represada pelo trabalho deles, são os engenheiros da patagônia, o governo brasileiro deveria contratar, seria mais barato e eficiente que o pessoal da Odebrecht. Ao terminar a trilha chegamos no estacionamento e nem sinal do táxi, mas tivemos que esperar porque chegamos às 16:20 e marcamos para as 17. Qual foi a nossa surpresa quando ele chegou as 16:30. Ao regressar da laguna fomos direto pro La anônima comprar os mantimentos para o Glaciar Martial e Parque Nacional, passeios de domingo e segunda, respectivamente, pois o La Anônima abre as 9:00 e fecha às 12:00 no domingo (sairíamos antes disso), e no dia do Parque Nacional sairíamos antes de abrir também.
Feitas as compras voltamos para o hostel para descansar um pouco e tomar um chá, e logo fomos para o porto iniciar nosso passeio no canal do Beagle. Pagamos o restante do passeio (na reserva tinhamos deixado só um sinal) e fomos logo comprar nosso ticket de entrada no porto por 20 pesos. Já embarcados, o passeio começou um pouco monótono com a ilha dos pássaros (que pra mim são iguais a pinguins), mas alguns minutos depois ao chegarmos no farol já ficou melhor, pois o farol Les Eclaireurs (aquele clássico mais ao Sul do mundo), juntamente com os lobos do mar que ficam na mesma ilha que ele, são muito bonitos
. Tiradas um milhão de fotos, rumamos para a ilha Bridge, onde fizemos uma pequena caminhada de 30 minutos até o topo do morro, que tinha uma linda vista do pôr do sol e de Ushuaia, que fica mais linda ainda de noite com as luzes acesas. Durante o passeio o guia também contou um pouco da história local, mas eu não entendi muito do espanhol
. Durante a volta para o porto foi servido chá com biscoitos, leite e nescau. E no final foi nos oferecido um copo de líquor de café produzido artesanalmente para comemorar o sucesso do passeio. Já no Hostel, onze horas passadas, nos atracamos a cozinhar o mais rápido possível, comer, tomar banho e dormir. Eita dia puxado.
Táxi ida e volta Laguna: 1 000/4 = 250 AR$
Entrada porto: 20 AR$
Mercado: 750/4 = 187,50 AR$
Dia 05 - Ushuaia - Glaciar Martial
Acordamos com os nossos colegas de quarto fazendo todo o barulho possível porque estavam saindo da cidade
(a gente sabe que eles estavam se vingando por causa das meias). Tomamos café da manhã às 9 horas e às 11 pegamos o táxi na calle San Martin, que nos deixou na base do Glaciar. O começo da trilha foi bastante difícil, não sei porque, mas todos nós cansamos bem rápido. Depois parece que nos adaptamos e conseguimos estabelecer um ritmo melhor. Demoramos aproximadamente 2 horas pra chegar até as primeiras áreas de gelo no verão, inclusas paradas para fotos e descanso. Lá em cima tiramos duas horas pra almoçar e dormir naquela paz, com aquela vista espetacular
. Os três dormiram fácil não sei como, deitados na pedra debaixo do Sol. Eu aproveitei pra pegar a gopro emprestada e tirar um milhão de fotos, a maioria ridículas, lá de cima. Foi a primeira vez que vi neve! se é que da pra chamar aquele gelo de neve hahaha, mas pra mim tava valendo. Quando todos acordaram, fizemos uma pilha de pedras (por que os turistas fazem isso?). Eduardo e eu subimos uma pequena área de neve e descemos no esquibunda, muito infantil e divertido demais pra não ser feito
:'> . Na descida de volta pra base fomos por uma trilhazinha que leva ao antigo teleférico (que não funciona mais tem um bom tempo). Eu indico fazer essa trilha porque tem umas árvores bem bonitas no meio do caminho, mas a estação do teleférico em si não tem nada de mais. No final do passeio resolvemos nos presentear com um vinho na cafeteria do lugar que tem um teor alcoólico absurdo. Eu indico esse vinho. Ficamos bêbados, demos risada por nada, life quality
. Pegamos um dos vários táxis que ficam lá na frente e voltamos ao hostel cozinhar um carreteiro especial. Antes de dormir ainda resolvemos finalmente experimentar o chopp e cervejas tradicionais da Patagônia que o hostel vende, mas não gostamos de nenhum hahaha, somos #TeamPilsen. Jogamos Escova e Imagem e Ação e fomos dormir, porque no próximo dia íamos ter que madrugar muito pra entrar sem pagar (olha a indiada que se segue) no Parque Nacional. (eu ganhei a escova e o imagem e ação, claro)
Táxi hostel - base glaciar: 175/4 = 43,75 AR$
Taça de vinho: 50 AR$
Táxi base glaciar - hostel: 183/4 = 45,75 AR$
2 x 50 chopp beagle = 100AR$/4 = 25 AR$
Cerveja 1L = 130/4 = 32,50 AR$
Dia 06 - Ushuaia - Parque Nacional Tierra del Fuego
Acordamos muito cedo pra tentarmos entrar de graça no parque. A ideia era que se chegássemos antes das 8 a entrada seria gratuita (informalmente). Tomamos café as 6:30 e fomos pra calle San Martin tomar o táxi. Chegamos às 7:45 mas como os funcionários já estavam lá para fazer a cobrança, tivemos que pagar
. No fim isso acabou não sendo tão ruim porque só depois de pagar pudemos pegar o mapa que nos ajudou muito a não se perder no parque. Pra piorar, eu esqueci meu passaporte pra pegar o tradicional carimbo do fim do mundo
que cabeça besta a minha. Começou a chover e nós naquele momento estávamos com frio, cansados, brabos porque tivemos que pagar a entrada e a Téfi ainda tava resfriada, o que resultou no pior dia da viagem até agora e o mais difícil também. Começamos fazendo a trilha que eu esqueci o nome (maldita cabeça besta [2]), que foi um saco porque no caminho inteiro só conseguimos ver algumas árvores altas e outras caídas
. No fim dessa trilha chegamos ao correio mais austral do mundo, que é basicamente uma lojinha muito bonita na beira de um lago muito bonito. O carimbo de lá custa 50 pesos, mas não pegamos, já estávamos satisfeitos com o carimbo da entrada. Tiramos algumas fotos clássicas na frente do correio e seguimos para a Trilha Costeira. Ela é tão bonita quanto todos os outros relatos descrevem, foi uma pena que o dia estivesse tão ruim quanto estava. Além disso, eu considerei ela um pouco difícil porque tem muitas subidas e descidas, o que faz com que os 8km estimados pelas placas pareçam 260. A trilha terminou em um paradouro, onde tomamos um merecido e bom chocolate quente e fomos xingados por termos trazido comida de fora pra consumir lá (não pode
). Desse paradouro saem as vans para Ushuaia, que foi a única opção que encontramos para sair de lá sem precisar caminhar até a entrada de novo. Assim que sentamos na van, dormimos instantaneamente. Mais ou menos uma hora depois estávamos descendo no porto de Ushuaia. Voltamos ao hostel, tomamos banho e fomos pra mais um programa clássico da cidade: Irish Pub. Tem um excelente ambiente, quente e bem decorado, garçons educados. Pedimos de começo uma cerveja alemã que não anotei o nome (maldita cabeça besta 3) muito boa, e depois 5 chopps beagle 400mL - rojo, negro e rubia. O negro é o mais forte e achei ruim, a rubia é mais fraca e o rojo um meio termo. Pra comer pedimos duas saudosas pizzas sabor pepperoni e napolitana, que alimentaram 4 pessoas bem, mas não nos acabamos comendo (como poderia também, a Maithê é um saco sem fundo
). As reclamações do lugar ficam por conta do gerente/dono que nos mandou embora porque estávamos só bebendo e tinha gente na fila esperando pra comer (eu entendo o lado dele em nos pedir isso, mas foi a maneira deseducada como ele falou que incomodou). Os outro pontos negativos são que quando a casa lota os garçons não dão conta de atender todo mundo, e que na hora de pagar a conta tínhamos duas cervejas a mais na nossa comanda, mas foi só reclamar com o garçom e resolvemos isso sem complicações. Voltando pro hostel jogamos imagem e açao e eu finalmente perdi um jogo pra esses virjões
. Bebemos 2 pints de beagle rojo e uma caixinha de água mineral do degelo glaciar (era o que dizia a embalagem ao menos) e desmaiamos na cama
Táxi calle San Martin - Parque Nacional: 186/4 = 46,50 AR$
Chocolate quente: 60 AR$
Van Parque Nacional - Porto Ushuaia: 200 AR$
Cerveja alemã 500mL: 100 AR$
Chopp Beagle 400mL: 75 AR$ (só tomei um)
Pizzas: 2 x 130/4 = 65 AR$
Pint Beagle Rojo (no hostel): 2 x 50/4 = 25 AR$
Água del Glaciar: 20/4 = 5 AR$
Dia 07 - Último dia em Ushuaia - El Calafate
Acordamos mais tarde porque recebemos no email que nosso voo das 14 horas tinha sido adiado pras 17 \o/. Pegamos nossas roupas que deixamos lavando no hostel e fomos fazer check-out. Fomos trocar dinheiro nos bancos locais (que só compram/vendem entre 10-15 horas) e óbvio que eles não aceitavam real, somente dólar. Mais uma vez nosso amigo Jackie Chan do hotel Antardida nos salvou a pele
. Ainda tivemos tempo de passar no Hard Rock pra tirar algumas fotos, nas lojinhas de souvenir e de pegar o chocolate quente brinde do canal do Beagle antes de irmos pro Museu del fin del Mundo (vocês acharam que a gente não ia conhecer o presídio né?
). O museu foi bastante legal e tranquilo, ficamos cerca de 1 hora por lá e conhecemos tudo com bastante calma. A atendente do caixa fez o preço de estudante pra gente mesmo que não tenhamos conseguido comprovar. É impressionante as coisas que alguns dos presos conseguiam produzir nas celas, produtos artesanais extremamente bem detalhados que eram encomendados pela diretoria do presídio. O corredor que foi mantido em suas condições originais é definitivamente a melhor parte, e a gente consegue compreender bem pelo que passaram os presidiários na época. Depois do museu, infelizmente chegou a hora de dizer tchau pra Ushuaia, uma cidadezinha maravilhosa que vale a pena ser conhecida por todo mundo que tem condições, até o Guga concorda. Tiramos uma foto com a bandeira do Brasil do hostel e agradecemos o carinho da staff do Antártica, que tá de parabéns. Pontuais que só nós, chegamos atrasados pra fazer check-in no aeroporto e pra piorar resolveram implicar com nossos bastões do lado de fora da mochila e pediram pra colocarmos dentro. No fim deu tudo certo, os atendentes só queriam rir dos troxão que chegaram atrasados eu acho...
Em El Calafate não sei o que me deu e eu não fiz anotações (maldita cabeça besta [perdi as contas]). Mas lembro que fomos de van do aeroporto até a cidade e chegamos a tempo de fazer check-in, ir em um mercado no centrinho e comprar comida.
Lavanderia Hostel: 120 AR$
Museu (preço de estudante): 150 AR$
Táxi hostel - aeroporto Ushu: 150/4 = 37,50 AR$
Van aeroporto EC - Hostel Glaciar Pioneros: 160 AR$
Mercado EC: ???
Dia 08 - El Calafate - Perito Moreno
Acordamos muy temprano, comemos nossos sanduíches (foi muito ruim abandonar o café da manhã do Antártica pra fazermos nosso próprio hahaha) e esperamos a van da Hyelo y Aventura, que nos levaria até o Perito Moreno pra fazermos o mini trekking
. A van nos levou a um ponto de encontro na cidade onde entramos o ônibus da empresa e fomos pro parque dos glaciares. Mais ou menos uma hora e meia depois estávamos dando entrada no parque, a qual só pode ser paga em dinheiro vivo e em moeda local (um dos passageiros teve problema porque tava só com o cartão de crédito. Não sei como ele fez, mas não foi barato). Fomos conduzidos para o catamarã, que nos levou rio adentro em direção à geleira e 20 minutos depois desembarcamos nas cabanas da HyA. Fomos divididos em hispanohablantes e english speakers, não sei porque também, nosso grupo só tinha brasileiros praticamente. Nos deram as instruções básicas: Usem luvas sempre. Usem luvas sempre. Usem luvas sempre. O gelo é abrasivo/cortante, e caso tu te desequilibre pode cortar feio as mãos em um local a um catamarã de distância de atendimento médico básico. Ao subir tente formar um V com os pés, posição que evita deslizamentos; distância mínima de 20 centímetros dos teus companheiros para que os crampões não enganchem um no outro. O resto das instruções nesse começo de trilha é bom senso: não corra, não pule, não tire fotos andando (embora eu tenha feito isso porque djo soy rebelde), avise se estiver sentindo algum desconforto, não saia da trilha. Iniciada a caminhada propriamente dita, os primeiros 20 minutos são sem crampões e fora do gelo. Depois desse tempo, fazemos uma fila e os instrutores colocam os crampões na gente e andamos cerca de 200m com eles na terra para adaptação. Seguindo para o gelo, caminhamos por cerca de 1,5horas em filas por trilhas demarcadas dando voltas no mesmo espaço da geleira (não adentramos muito fundo na geleira conforme eu pensava). Eles deixam fazermos algumas paradas no percurso para tirarmos fotos e beber água do degelo em uns mini riozinhos que tem por lá com a água incrivelmente azul. No fim da trilha oferecem o pior uísque do mundo e uns bombons. Os fortes beberam aquele negócio que desce queimando, eu preferi só a água mesmo
. Voltando ao ponto de início, nós mesmos tiramos nossos crampões e somos liberados pra fica cerca de 1 hora livres na área sem gelo pra tirarmos fotos com o Perito Moreno no fundo. Depois pegamos o Catamarã de novo e nos levam para a área das plataformas de observação. Nas plataformas temos mais 1 hora para circular, mas infelizmente isso não é suficiente para conhecermos todos elas, então escolhemos somente a que nos indicaram e que pareceu ser a mais popular - a amarela, onde todo mundo fica esperando um desprendimento de gelo grande, afinal nessa hora ninguém pensa em aquecimento global e etc, a gente quer é emoção haha, porém vimos somente uns pequenos, que mesmo assim fizeram um barulho semelhante a um trovão quando caíram na água
. Terminado nosso tempo ali, voltamos ao ônibus para El Calafate. Andar na geleira foi uma experiência única e que com certeza vale o valor (que é bem elevado por sinal), mas se o dinheiro estiver curto, conhecer as passarelas também é muito, muito, mas muito legal. Várias empresas na rodoviária de Calafate fazem o transporte desde o centro até o parque, mas só a HyA tem permissão pra andar sobre o Perito. Ah, já ia esquecer de dizer que no ônibus da HyA eu encontrei um cara com a camiseta da minha faculdade e acabei descobrindo que ele iria ser meu professor de cirurgia pediátrica esse ano
, brasileiro tá em tudo que é canto mesmo. Já no centro da cidade, passamos em uma das várias lojas de souvenir que tem por lá, e depois fomos conhecer um dos pratos mais típicos da região: o cordeiro patagônico. Pedimos dois cordeiros acompanhados de papas fritas e estava absolutamente maravilhoso, isso que eu não sou muito fã de cordeiro. Para melhorar, os donos do restaurante ainda aceitavam pagamento em reais e davam o troco em pesos, então conseguimos trocar um pouco de dinheiro (El Calafate também não tem casa de câmbio e nem Jackie Chan salvador das pátrias). Voltamos pro hostel pra jogarmos nossas partidas clássicas de Fodinha e Escova, e não preciso dizer quem ganhou, o pai
. Os três foram dormir e eu fiquei um pouco mais curtindo o hostel, bebendo quilmes e escrevendo o relato.
Minitreking: 2 400 AR$
Entrada parque Los Glaciares(moradores do mercosul): 250 AR$
Cordeiro Patagônico no restaurante Casimiro Biguá: 440/2 = 220 AR$
Meia porção de papas + refrigerante: 130 AR$
Quilmes 1L: 65 AR$
Dia 09 - El Calafate - Puerto Natales
Acordamos às 06:00, nos sepillamos, fizemos checkout correndo no Hostel e fomos com pressa para a rodoviária carregando os mochilões (até agora não tínhamos caminhado quase nada com o mochilão nas costas). Até que não foi difícil, apesar daquela escada super íngreme e grande que conecta a rodoviária ao centro de Calafate (aaah se na época que eu tava escrevendo esse relato eu soubesse o que me aguardava em Torres del Paine
). Fomos no terminal retirar nossos tickets e pagar a taxa rodoviária. Recebemos também o formulário de imigração pra irmos preenchendo no ônibus. Calafate com certeza vai deixar saudades. A cidade é muito linda, organizada e limpa, bastante semelhante a Gramado aqui no Rio Grande do Sul. Tem várias casas pequenas porém muito bem arrumadas, sem muitas cercas e portões, um padrão bem diferente do encontrado aqui no Brasil. Espero um dia voltar pra fazer todos os outros pa$$eio$ de lá e tirar um tempo pra conhecer também a laguna, que não tivemos tempo de visitar. Nossa primeira parada na viagem até o Chile foi na imigração argentina, pra darmos saída no país, bem rápida. A segunda foi para dar entrada no Chile e essa sim demorou 1 hora. Eles revistaram o ônibus com cachorros e por algum motivo não deixaram ninguém entrar com frutas e verduras no país. Várias pessoas tiveram que jogar fora/comer apressadas bananas, bergamotas e etc. Saímos por volta das 8:00 e chegamos às 14:00 em Puerto Natales. Aproveitamos e já compramos o ônibus ida e volta para TDP, que pagamos em reais (o que foi uma mão na roda, porque não tínhamos pesos chilenos conosco naquela hora). Fomos a pé até o Hostel Lilipatagônicos, cerca de 20 minutos caminhando. Assim que fizemos check-in, trocamos nosso dinheiro em um bazar que também funcionava como casa de câmbio na rua principal, perto do mercado. 1 real comprava 170 pesos, mas logo depois em outro local vimos 1:180, também na rua principal. Fomos ao mercado comprar os alimentos que levaríamos na trilha: chocolates, biscoitos, arroz, massa, purê em pó, manteiga, sopa em pó, café, açúcar, sal, comida pra nossa janta da noite e botijões de gás. Voltamos pro hostel e começamos a arrumar nossas mochilas, dividindo os alimentos e selecionando o que iríamos deixar pra trás e o que levaríamos. Também alugamos no hostel (a maioria dos hostels de PN tem equipamentos para alugar) o que precisaríamos: um fogareiro, panelas, colchonetes, canequinha, copos, pratos e, claro, a barraca para 4 pessoas. Não fazíamos a menor ideia de como montar uma barraca, felizmente a recepcionista nos explicou e meio que entendemos, mas só amanhã pra descobrirmos de fato
. Nosso colega de quarto nos viu olhando a demonstração da recepcionista de montagem e disse que era visível que nunca tínhamos feito aquilo
. Cozinhamos strogonoff (tava espetacular), fizemos uns enigmas e jogamos fodinha (eu ganhei). Dormimos tarde, a meia noite, porém animados pro dia seguinte
(Nesse dia não tem foto
)
Ônibus EC - PN: ????
Taxa rodoviária: 10 AR$
Ônibus ida e volta PN - TDP: 13 000 CHI$ (pagamos 75 R$)
Mercado: 48 000/4 = 12 000 CHI$
Botijões gás: 2 x 8 000/4 = 4 000 CHI$
Editado por Visitante