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      Nossa aventura começou na madrugada do dia 21/03/18, depois de muito se discutir decidimos fazer um bate volta. Iriamos ao parque fazer o Agulhas e retornar no mesmo dia.

     Antes de ir pesquisei com amigos que já fizeram a respeito da trilha, além de ver diversos vídeos no youtube e relatos aqui no blog mesmo. Apesar de ser um pouco orgulhoso e já ter
alguma experiência em trilhas já quero ressaltar no começo do relato a importância de um guia para subir o agulhas. Explicarei mais durante o relato.

 

     Saímos de São Paulo as 3 da madrugada, a ideia era algo em torno de 4 horas de viagem podendo mudar um pouco de acordo com o tempo e as paradas.
Para quem também tiver pensando em fazer um bate volta, trabalhe sempre com uma margem, mesmo que vá de madrugada, pois pegamos um engarrafamento na estrada que sai da Dutra
em direção ao parque com vários caminhões em marcha lenta que nos atrasou pelo menos 40 minutos.

     O caminho não tem segredos, você seguirá pela Dutra, e assim que entrar no Rio pegará uma saída a direita, se não me engano é a saída 317 em direção a Itatiaia. Você fará uma espécie de balão por cima da Dutra, como se fosse voltar para São Paulo, mas assim que pegar esse retorno entrará a direita em direção ao Parque Nacional.

     Você seguirá em torno de 26 quilômetros por essa estrada até a garganta do registro, nesse ponto todos os celulares pararam de funcionar, porém será difícil de errar, marque no hodômetro do carro, e em 25/26 km você verá muito bem sinalizado a "Garganta do Registro" e a indicação de entrar a direita para a parte alta do parque. Dai mais 14 km e você chega no parque. A estrada não é nenhuma Brastemp rsrs, mas se você pegar um tempo razoavelmente bom não tem motivo para se preocupar, diferente do Pico dos Marins kkk.

Obs: Durante o caminho já é possível ver toda a beleza dessa região !

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     Você chegará então no Posto  Marcão, lá você fará o registro de entrada no parque, encontrará seu guia provavelmente, e também irá parar o carro. ( Para quem pretende ficar hospedado no abrigo rebouças, possivelmente poderá ir mais 3km de carro até o abrigo, eu esqueci de perguntar, mas um amigo ja chegou a ir de carro até o abrigo, para quem não for se hospedar lá, o carro fica no Posto Marcão ). No posto tem bons banheiros, hora de trocar de roupa se for o caso, passar o protetor, apertar a mochila e começar a aventura.

     A primeira caminhada é de 3 km até o abrigo Rebouças, a estrada é larga e a caminhada sem muita alteração de nível  ou qualquer dificuldade. Durante essa caminhada você pode ver outras atrações do parque como as prateleiras, o início da trilha dos cinco lagos, etc...

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     Depois que você passar do abrigo Rebouças, mais uma pequena caminhada e inicia a subida de 800 metros para o Pico, durante o trajeto você poderá ver algumas plaquinhas no chão que marcam de 100 em 100 metros até o a plaquinha 8.

     A subida para o agulhas até a parte de pedra é bem tranquila, quando você chega na parte de pedra já existe um ponto onde será necessário a corda. Os mais corajosos podem tentar subir sem corda, como os guias fazem, porém, existe uma séria chance de um braço quebrado, ou algo do tipo, mesmo os guias tem uma certa dificuldade nessa parte. Admito que nessa parte quis tentar subir sem o auxílio de equipamento, porém travei na metade, e precisei me apoiar pela corda para subir o resto. Óbvio que a galera não perdoou e tive que ouvir bastante zuação nessa hora, hahahaha.

     O resto da subida é relativamente  tranquila, se você já está acostumado, ou já subiu alguma montanha com certa exposição, e subida em pedra, não irá ter grandes surpresas, alguns trechos com bastante exposição, aqueles pedaços que você precisa subir meio que engatinhando para conseguir se fixar bem na rocha, ou usando fendas para fixar bem o pé. Alguns outros pontos de corda em que o uso é relativo. Mas tem o ponto para fazer a segurança.

     A subida para o Agulhas não é tão demorada, em torno de 2 horas e meia a 3 horas. Se seu grupo é pequeno, e você não quiser fazer muitas fotos, é possível iniciar bem cedo e quem sabe ainda curtir algum outro atrativo do parque. Porém se estiver com um grupo grande ou quiser aproveitar o passeio ao máximo, reserve um dia inteiro para fazer essa caminhada, até porque você provavelmente estará bem cansado no final.

     OBS: Fomos durante a semana, era uma terça feira, e éramos os únicos privilegiados no parque, durante todo o tempo que ficamos lá, ninguém entrou e nem havia ninguém de saída, se você for  final de semana chegue cedo, pois com certeza encontrará muitos grupos e o parque tem um controle de números de pessoas que eles liberam para fazer a subida ao pico. Então vá cedo para garantir um passeio bem agradável.

   

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Enfim...

O CUME

     Todo o esforço, arranhões, medo, obstáculos e toda a subida compensa automaticamente assim que você chega ao cume, a vista é realmente sensacional sem contar a satisfação por ter completado essa jornada, você ficará realmente orgulhoso por ter enfrentado tudo isso e ter tido a força para chegar até o final...

OU QUASE...

O cume ainda não é o cume !!

Como assim ?

Haha, é isso mesmo, ao chegar ao pico, é possível ainda atravessar um desfiladeiro para um segundo cume, onde se encontra o famoso Livro. Existe um livro lá, para que você deixe sua assinatura, mensagem ou registro dessa passagem por aquele lugar maravilhoso. É importante dizer mais uma vez, até aqui, é muito indicado o guia, porém pessoas bem experientes (bem experientes mesmo) em subida em pedra podem tentar se aventurar. Porém, para fazer a passagem para o livro, é fundamental o uso de equipamentos e conhecimento de técnicas além do conhecimento de como lidar com os equipamentos. Isso não é brincadeira, e o risco nesse ponto é extremamente alto. Sei que estou sendo chato, porém antes de ir eu cogitei várias vezes ir sem o guia, e fazer eu mesmo a passagem por esses trechos, com alguns equipamentos que um amigo me emprestaria, por fim achamos por bem contratar o guia. Já tive o prazer de fazer algumas travessias como Petro x Tere, Marins x itagaré, subir o pico dos marins, pedra da gávea. Em todas essas ocasiões fizemos por nossa conta, e isso me levou a ter uma falsa ilusão de que eu tinha o conhecimento necessário, por isso estou falando bastante desse ponto, subir montanhas é realmente algo incrível e que te embarca em sentimentos maravilhosos de superação, auto conhecimento, alegria. Porém devemos estar ciente que nosso esporte é radical e de risco. Então temos de conhecer nossos limites também !

 

      Voltando ao foco, a passagem para esse outro pico onde tem o livro é feita com os equipamentos, a descida deve ter em torno de uns 7, 8 metros para depois subir também com a cadeirinha para o livro. Aproveite o momento, registre sua passagem da melhor maneira e comece a segunda parte de subir a montanha que é DESCER.

    A hora que estávamos assinando o livro o tempo mudou repentinamente, e começou a chover e ventar bastante, mesmo que você pegue um dia de sol, leve algum tipo de agasalho e se possível um poncho ou capa de chuva. Assim que voltamos para o cume principal o sol saiu, hehe, assim é o tempo na montanha. Tiramos uns minutos para fazer uma boquinha e iniciamos a descida.

A via para voltar é mesma para subir e você pode aproveitar a volta para ter outros ângulos e fazer mais fotos.

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Com todas as paradas, fotos e tudo mais levamos em torno de 7 horas no passeio. E confesso que a caminhada do abrigo Rebouças até o Posto Marcão acaba se tornando infinita rsrsrs.

Voltamos para São Paulo satisfeitos e com sensação de quero mais.

O parque de Itatiaia é simplesmente sensacional, e tem as mais diversas opções de passeio, desde cachoeiras, travessias na parte baixa como a Ruy Braga, Couto-Prateleiras entre outras.

Espero que todos tenham a oportunidade de ir lá um dia que seja !

CONSIDERAÇÕES FINAIS

1         -  Quantos aos valores, o guia nos cobrou R$ 80,00 por pessoa e mais R$ 15,00 por pessoa a entrada no parque. Nosso grupo era de cinco pessoas e o total saiu menos de R$ 250 por pessoa, mesmo considerando os gastos com comida. Então ressalto que mesmo que as coisas estejam apertadas, existem belas possibilidades de passeio que valem muito pena, sendo que as vezes gastamos esse valor num final de semana que não nos trará tantas lembranças positivas !

 

 

Nosso Guia foi o IVAN, pessoa muito gente fina, profissional e ótimo guia, vou deixar aqui o contato dele: (35) 9927 - 1676

 

 

2         – Antes de entrar no Rio, já no final da Dutra SP, tem um graal que é uma boa opção para comer antes de entrar em Itatiaia.

 

3         – Eu tentei ser bastante didático no texto pensando em pessoas que nunca fizeram nenhuma trilha parecida que possam ler. Foi mal se fui repetitivo hehe.

 

4         – Quem ainda não conhece use o app WIKIROTA ( Esse faz todos os cálculos de combustível e pedágio para o seu destino), outro app muito bom é o WIKILOC que serve para gravar e seguir trilhas. Aqui está a minha gravação dessa trilha: https://pt.wikiloc.com/wikiloc/spatialArtifacts.do?event=setCurrentSpatialArtifact&id=23392290

5 - https://www.instagram.com/joaopaulosarja/?hl=af

 

Valeu até a próxima !

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    • Por Ronaldo Paixão
      Caminho da Fé – Pedra do Baú – Travessia da Serra Fina – Agulhas Negras e Prateleiras (PNI).
      Estou escrevendo este relato um ano depois que fiz esse passeio. Talvez eu esqueça alguma coisa.
      Eu estava precisando me desligar da vida que eu vinha levando. Estava precisando fazer o que eu mais gostava, caminhar bastante, travessias em trilhas, subir montanhas, me isolar do mundo “civilizado”.
      Tinha decidido que eu iria “largar tudo” e sair, sem saber até onde eu iria ou quando voltaria. Tinha uma grana guardada (cinco mil) e deveria ser suficiente para eu viver por pelo menos uns 3 meses.
      Falei com meu irmão que ele teria que se virar sozinho em nosso comércio. Falei com minha família que eu estava indo por não sei quanto tempo, mas que eu voltaria qualquer dia.
      Trabalhei até 31 de agosto, quase meia-noite. No dia 01 de setembro fui para um apartamento onde fiquei por 4 dias planejando lugares que queria conhecer, vendo preço de ônibus, tracklogs, etc. Na manhã de 4 de setembro parti para São Paulo e naquela noite para águas da Prata, onde minha jornada começaria.
      Como eu iria para vários lugares, diferentes um do outro, tive que levar muita coisa na mochila. Coisas que usaria em algum passeio, mas que seriam dispensáveis  em outro. Ainda assim tentei levar o mínimo possível.
      Ítens que levei:
      -    Mochila Osprey Kestrel 48 litros com Camel Back de 2 litros
      -    Dois cantis de 900 ml. Um com caneca de alumínio.
      -    Rede Amazon e tarp Amazon da Guepardo.
      -    Saco de dormir Deuter 0º
      -    4 camisas dry fit
      -    2 blusas finas de fleece.
      -    2 calças quechua de secagem rápida
      -    6 cuecas
      -    3 pares de meia
      -    1 boné
      -    1 touca
      -    1 par de luvas (daquelas de pedreiro)
      -    1 par de sandálias Quechua
      -    1 par de botas La Sportiva
      -    Kit Fogareiro + panela pequena
      -    2 isqueiros
      -    1 canivete
      -    1 colher plástica
      -    1 botija de gás Nautika pequena
      -    GPS
      -    Celular (para fotografias)
      -    Caderneta e caneta
      -    1 Anorak
      -    Corda e cordelete
      -    Bolsa de nylon (para transportar a mochila no ônibus)
       
      Caminho da Fé. Águas da Prata até Aparecida.
      Caminho da Fé – 1º dia. 30Km
      05-09-2018
      Águas da Prata (SP) até Andradas (MG).
      Início 05:15 horas e chegada 12:55 horas
      Almoço : Pavilhão hamburgueria
      Jantar: bolachas e sanduba no hotel.
      Pernoite: Palace Hotel.
      Seguindo o conselho de um cara que desceu comigo e iria fazer o caminho de bike eu iniciei cedo para evitar o sol. Só que por esse motivo fui sem comida. Só comi uns pedacinhos de rapadura que ele me deu e uma banana que ganhei de um ciclista.
      Pelo longo tempo inativo, eu senti um pouco o peso dos 17Kg que estava levando na mochila.
      Caminho da Fé – 2º dia. 36 Km
       06-09-2018.
      Andradas (MG) até Crisólia (MG).
      Partida às 08:00 horas e chegada às 17:40 horas.
      Almoço: salgadinho no Bar Constantino, comunidade da Barra.
      Jantar: miojo num banco ao lado da rede.
      Pernoite: rede 
      Subidas cavernosas. Serra dos Lima, Barra, Taguá e Crisólia. 
      Cheguei tarde, fui numa pousada carimbar a credencial e depois procurei duas árvores para esticar a rede, fazer o rango e dormir. Nesse dia não teve banho.
      Caminho da Fé – 3º dia. 38 Km
      07-09-2018
      Crisólia (MG) até Borda da Mata(MG). 
      Partida às 07:30 e chegada às 18:00 horas.
      Almoço: pastel no Bar do Maurão em Inconfidentes
      Jantar: x-salada em lanchonete perto do hotel.
      Pernoite: Hotel Virgínia.
      Feriado da Independência. Fui acordado às 6 da manhã com queima de fogos e hinos. Passagem por Ouro Fino e Inconfidentes. Desfile cívico em todas as cidades.
      No hotel em borda da mata conheci um casal de cicloturistas que estava com um carro de apoio. Consegui que levassem um pouco das minhas coisas até Estiva. Foram 6 Kg a menos para carregar.
       
      Caminho da Fé – 4º dia. 17,5 Km.
      08-09-2018.
      Borda da Mata(MG) até Tocos do Mogi (MG).
      Início às 08:00 horas e chegada às 12:40 horas.
      Almoço: um pouco de morangos colhidos no caminho.
      Jantar: Lanche na festa da padroeira.
      Pernoite: Pousada do Zé Dito. (muito boa e barata)
      Dia mais curto. A pousada ficava no calçadão principal, onde estava acontecendo a festa da padroeira. Estava difícil dormir. O jeito foi sair para a festa e tomar umas, apesar do frio que fazia de noite.
        
      Caminho da Fé – 5º dia. 21,5 Km
      09-09-2018
      Tocos do Mogi (MG) até Estiva (MG).
      Início às 09:00 horas e chegada às 14:20 horas.
      Almoço: moranguinhos (quase 1 Kg) e queijo fresco com caldo de cana.
      Jantar: Restaurante perto da pousada.
      Pernoite: Pousada Poka.
      Trecho muito bonito. Muitas plantações de morango. Muitos pássaros.
      Na pousada eu recuperei minhas coisas que haviam sido deixadas ali e já consegui ajeitar um novo transporte delas até Potim, já pertinho de Aparecida.
      Caminho da Fé – 6º dia. 20 Km
      10-09-2018
      Estiva (MG) até Consolação (MG).
      Partida às 07:30 e chegada às 12:45 horas.
      Almoço, jantar e pernoite: Pousada Casarão
      Destaques deste dia. Cervejinha gelada num bar onde um piá gordinho queria tirar uma selfie comigo. E também queria meu bastão de selfie de qualquer jeito.
      Também destaque para o canto da seriema, triste e ao mesmo tempo bonito, que se fez presente muitas vezes. Também tem a subida da serra do Caçador, cavernosa.
      Além disso, nesse trajeto é comum vermos carros de boi e também “canteiros”onde os agricultores esparramam o polvilho para secar.


      Caminho da Fé -  7ºdia. 22,5 Km
      11-09-2018.
      Consolação (MG) até Paraisópolis (MG).
      Início às 07:00 e chegada às 12:30 horas.
      Almoço: Restaurante Sabor de Minas. Muito bom e barato. Comi pra danar.
      Janta: coxinha na praça.
      Pernoite: Hotel Central
      Foi um dia especialmente marcado pela presença dos pássaros ao longo do caminho, canários, sabiás, pássaros pretos, coleirinhas, gralhas, joões-de-barro, tucanos, maritacas. E aves maiores, como gaviões, seriemas e garças brancas.
      Também vale destacar a grande quantidade de flores, principalmente nos portões das casas dos sítios.
      Caminho da Fé – 8º dia. 28,5 Km.
      12-09-2018
      Paraisópolis (MG) até A pousada da Dona Inês, que fica 4 Km depois do distrito de Luminosa, município de  Brazópolis.
      Início às 07:55 e chegada às 15:15 horas.
      Almoço: Salgadinho e coca numa mercearia em Brazópolis.
      Jantar e Pernoite: Pousada da Dona Inês.
      Foi o dia mais quente desde o início do caminho. Era meu aniversário de 52 anos e ficou marcado porque depois do jantar na Pousada, uma amiga de caminho, a Fabiana, puxou um parabéns a você, junto com as outras cerca de 20 pessoas que estavam ali. Fiquei bem emocionado.
       
      Caminho da Fé – 9º dia. 33 Km
      13-09-2018
      Pousada Dona Inês (Luminosa-MG) até Campos do Jordão (SP).
      Início às 05:45 e chegada às 18:45 horas.
      Almoço: Restaurante Araucária. Fica perto da placa que indica a entrada para a pousada da Dona Rose e da madeireira Marmelo. Comida muito boa.
      Jantar: Caldo de Mandioca com carne. NIX Caldos e lanches.
      Pernoite: Refúgio dos Peregrinos
      Na verdade, a quilometragem total desse dia foi de 51 Km porque no meio do caminho decidi que iria subir a Pedra do Baú. Isso me custou várias horas e me fez chegar em Campos do Jordão já de noite. Mas valeu muito a pena.
      O dia amanheceu lindo. Logo de cara a temida subida da Luminosa, mas que não é nada de tão difícil.
      Depois é asfalto até o fim do dia.
      A pousada Refúgio dos Peregrinos é bem diferente. Tem uma tabela de preços na parede. Você anota o que consumiu, faz as contas, paga e faz o troco. Tudo na base da confiança.

      Caminho da Fé - 10º dia. 52 Km
      14-09-2018
      Campos do Jordão(SP) até Pindamonhangaba(SP).
      Início às 06:00 horas e chegada às 17:45 horas.
      Almoço: Sanduíche em Piracuama.
      Jantar e pernoite: Pousada Chácara Dois Leões.
      Nesse dia todos os que estavam no refúgio dos peregrinos foram por Guaratinguetá, menos eu que fui por Pindamonhangaba. Descida pela linha do trem até próximo a Piracuama, com uma garoa fininha que de vez em quando virava um chuvisco.
      De tarde foi só asfalto e chuva. Cheguei na pousada já escurecendo. Foi o dia mais cansativo, pela quilometragem, pela chuva e principalmente pelo asfalto.

      Caminho da Fé - 11º dia. 24 Km.
      15-09-2018.
      Pindamonhangaba(SP) até Aparecida(SP).
      Início às 09:00 horas e chegada às 15:15 horas.
      Almoço: Pesqueiro Potim. Comida muito boa. Comi feito um louco. Aqui eu recuperei o restante de minhas coisas que tinham vindo no carro de apoio de amigos.
      Pernoite: Hotel em Aparecida.
      Esse era o último dia no caminho. Um misto de ansiedade por chegar e de nostalgia antecipada das experiências vividas e das paisagens do caminho.
      A chegada na basílica é emocionante, não importa em que você acredita, ou se acredita em algo.
      Fica a saudade dos lugares. Dos amigos. Dos passarinhos.


      Fiquei em Aparecida até segunda-feira, quando fui ao correio e despachei para casa algumas lembrancinhas que tinha comprado e coisas que tinha levado e que vi que não ia usar. A calça jeans e a camisa de passeio. Umas cordas. Um dos fleeces e a bolsa de transporte.
       
      A Vida e o Caminho da Fé.
      Durante esse derradeiro dia de caminhada me veio à mente uma analogia entre a vida e o  “caminho da fé”.
      O caminho da fé cada um começa de onde quiser, mas todos com o mesmo destino. No caminho o destino é a basílica de Aparecida, na vida a gente sabe o destino.
      No caminho as pessoas vão chegando, amizades vão sendo feitas. Uns mais lentos outros mais apressados. Uns madrugadores outros nem tanto. Uns alegres e comunicativos, outros mais quietos e introspectivos. Muitos de bike, passam pela gente voando, só dá tempo para um “bom dia”. Assim também é a vida e os amigos que vamos fazendo. Uns continuam por perto, outros se distanciam, mas continuam amigos
      No caminho não importa sua classe social, sua cor, opção sexual, grau de instrução ou idade. O destino é o mesmo para todos. Assim também é na vida.
      No caminho a jornada é longa, alguns dias são mais difíceis, parecendo que não vão terminar. Outros passam leves e agradáveis, a gente nem queria que terminassem. Igualzinho a nossa vida
      Temos que superar o cansaço, as bolhas, os pés inchados, joelhos e tornozelos doendo, a mochila pesada que nos deixa com os ombros marcados. Enfrentar as subidas, as descidas, os buracos, as pedras, a fome e a sede em alguns momentos.
      Por mais difíceis que sejam esses obstáculos, eles são superados. Ficam para trás. Igualzinho na vida.
      O caminho também nos oferece muitas coisas boas. Simples, mas inesquecíveis. Os pássaros cantando ao lado da estrada. A beleza e o perfume das flores. Os riachos que nos permitem um banho refrescante depois de uma subida cansativa. As conversas com os amigos. O pôr do sol por trás das montanhas. A janta e a cama quente que nos restabelecem para o dia seguinte. O nascer do sol de um novo dia, nos lembrando que sempre nos é dada uma nova chance de sermos felizes. Assim também acontece na nossa vida.
      Seja no caminho da fé, ou na vida, o destino a gente sabe qual é. O importante é deixar para trás o que para trás ficou. E aproveitar ao máximo a jornada.
       
      Pedra do Baú.
      Eu sempre gosto de planejar meus passeios, travessias. Mas sobre a Pedra do Baú eu não sabia nada. Só de ouvir falar, de ler alguma coisa de relance. Mesmo assim era uma coisa que eu tinha vontade de fazer algum dia, se desse certo.
      Era o dia 13-09-2018, meu nono dia no caminho da Fé. Era de manhã e eu caminhava pela rodovia, junto com um peregrino de nome Donizete, que eu conhecera na pousada da Dona Inez. Passamos por uma placa que indicava a entrada para o Parque Estadual da Pedra do Baú.
      Eu falei para ele: - Donizete, vai em frente que eu vou subir a Pedra do Baú.
      Ele disse: - Cara, isso vai demorar. Você só vai chegar em Campos do Jordão de noite. Isso se der tudo certo.
      Daí eu disse:- Tem que ser hoje. Não sei se vou ter outra chance. Quem sabe eu nunca mais passe por aqui.
      Me despedi dele e entrei na estradinha que levava ao parque. Escondi minha mochila e fui só de ataque, levando água, uma rapadura, uma paçoca, o GPS e o celular para tirar as fotografias.
      Depois de uns 4 Km cheguei onde começavam as trilhas e entrei na que indicava Pedra do Baú, face norte. Passei por uns caras que eram guias e estavam levando equipamentos de escalada. Depois de um tempo cheguei num local que tinha uma escada amarela grande, fixada na parede de pedra. Não pensei duas vezes. Subi aquela escada e depois continuei uma escalaminhada, com misto de escalada em alguns pontos, até que já estava bem alto e não tinha mais para onde subir. Estava pensando até em desistir e voltar embora, quando avistei uns caras no cume de um morro que eu julguei ser o Baú, mas acho que era o Bauzinho.

      Gritei para eles e eles responderam de volta. Perguntei como chegava na Pedra do Baú e eles me disseram para descer de novo e seguir mais em frente.
      Desci e estava chegando ao ponto em que tinha começado a subida quando vi eles vindo. Esperei por eles. Conversamos por um tempo e eles me deram as informações sobre como chegar até onde a subida começava realmente.
      Segui em frente pela trilha e pouco depois eu chegava na base da Pedra do Baú, onde um guia estava terminando os preparativos para iniciar a subida com um casal de clientes. Capacetes, corda, mosquetões, etc.
      Eu estava ali de bermuda, boné e botina.
      Eu vi aquela parede enorme e aquela sequência de grampos na pedra que eu não sabia onde terminaria. Pensei: - vou esperar ele começar a subida e assim pego uma carona. Se o negócio apertar eu peço arrego para ele.
      Foi quando ele virou pra mim e perguntou: - Vai subir?
      Falei que sim e ele disse:- Pode ir na frente então. A gente ainda vai demorar uns minutos.
      Eu pensei:- já era minha carona. 
      Era uma parede de pedra quase vertical e muito exposta, que devia ter mais de 300 metros de altura.
      O jeito foi encher o peito de ar, mirar para cima e começar a subida.
      Subi meio que com medo no começo, mas também com muita confiança Parei algumas vezes no meio para tirar fotos. Passei por mais dois guias com clientes antes de chegar ao cume. Um deles foi bem legal e me deu umas dicas sobre o percurso que faltava.
      Muitos trechos com vento forte e eu pensava: - se eu parar agora eu travo. E ia em frente. Os últimos grampos, quando se está chegando no cume são especialmente complicados, porque você tem que abandonar a “segurança” que os grampos te dão para poder chegar no cume.
      Mas depois de uns 20 minutos de subida, lá estava eu no cume da Pedra do Baú. 
      Foi um momento mágico. Bem mais do que eu esperava. O visual era incrível. Tirei foto de tudo que é jeito. Deitado sobre a beira do abismo, em pé, etc.

      Aqui vou abrir um parênteses. Apesar de estar no caminho da Fé, um caminho católico, onde se passa por muitas igrejas, as únicas vezes na vida que eu senti realmente uma presença muito forte, do que alguns podem chamar de Deus, foi quando estive no cume de alguma montanha ou embaixo de uma cachoeira. Nunca em uma igreja. Deixei de frequentá-las faz muito tempo. 
      Me lembro de ter me encontrado com “Deus”, no cume do Alcobaça (2013), em Petrópolis. Embaixo da cachoeira do Tabuleiro, literalmente, em 2013 (e agora em 2019 de novo). Nos Portais de Hércules, Travessia Petro-Tere, em 2014. No cume do Pico Paraná em 2015 (não encontrei quando retornei em 2017). Na base das Torres  e no Mirante Francês, no Parque Nacional Torres del Paine, em 2016. E agora, na Pedra do Baú.
      É uma sensação difícil de explicar. É como se você se sentisse realmente parte de um todo, de uma coisa muito maior. Se sentisse nada e tudo ao mesmo tempo. Uma paz muito grande torna conta da gente. E em todas essas vezes eu senti a presença do meu pai, já falecido.
      Restava agora a descida, que metia mais medo que a subida. Principalmente os primeiros grampos, onde tinha que se virar de costas para o abismo para alcançar os grampos. A
      Mesmo assim a  descida foi rápida e durou cerca de 15 minutos.
      Cheguei na base e peguei o caminho de volta pela trilha. Pouco tempo depois quase pisei em uma jararaca de cerca de um metro de comprimento. Ela estava junto a uma pedra onde eu iria colocar meu pé. Ela se mexeu e eu a vi. Consegui dar um pulinho e evitei pisar nela. Foi por muito pouco.
      Segui rápido pela trilha e tempo depois eu já estava de volta à rodovia, rumo a Campos do Jordão.
      A Pedra do Baú foi muito gratificante. Mais do que eu esperava. Mais do que eu merecia.
       
       
      Serra Fina.
      Fiquei em Aparecida até na segunda-feira, 17-09-2018 e daí fui para Passa Quatro (MG), onde cheguei já escuro na rodoviária local. Peguei um ônibus circular e fui para o hostel Serra Fina, do Felipe, onde fiquei até na sexta-feira quando comecei a travessia. Choveu na terça, quarta e quinta, mas na sexta a previsão era de tempo limpo que duraria tempo mais que suficiente para a travessia e por isso decidi esperar e aproveitar para descansar e ler. Mesmo assim fui até a toca do lobo, pra passear e conhecer o Ingazeiro gigante. Também fui conhecer o centro da cidade.
      A região estava em alvoroço. Dois rapazes cariocas estavam perdidos em algum ponto da travessia e vários bombeiros, guias e montanhistas estavam à procura deles. Por sorte conseguiram um ponto onde tinha sinal de celular e conseguiram passar a localização e foram resgatados. Se bem que já estavam próximos de uma propriedade rural.
      Passa Quatro é uma cidadezinha linda e é um lugar onde eu moraria tranquilamente.
      O Hostel Serra Fina também é muito bom e o Felipe é um cara nota dez. Eu me senti em casa.
      Todas as travessias que eu faço eu vou sozinho. Não que não goste de pessoas. É que eu gosto de ir no meu rítmo. Gosto de ficar sozinho. Andar sozinho. Pensar na vida, etc. A intenção era fazer essa travessia também de modo solitário.
      Mas na quinta-feira de noite chegou ao hostel uma gaúcha baixinha, menor que eu até, que iria começar a travessia na sexta também, então decidimos começar juntos. A mochila dela era enorme e certamente tinha coisa que não precisava.
       
      Começamos o primeiro dia da travessia, 21-09-2018, uma sexta-feira, mais tarde do que eu queria. Saímos da toca do lobo já era meio-dia.
      Logo no começo da travessia, primeira subida, eu percebi que ela iria me atrasar, mas já que estávamos juntos, seguiríamos juntos. Foi quando ele me disse:- Vai na frente, você anda mais rápido. Eu disse que não, mas ela insistiu. Disse que ficaria bem. Eu então dei um até logo e disse que a reencontraria no Capim Amarelo..A subida é intensa e o ganho de altitude é rápido.
      Talvez pelo “treino” feito no Caminho da Fé eu não senti muito e passei por mais gente no caminho. Primeiro por 3 mineiros (que depois se tornariam grandes amigos) e depois por outros dois caras que pareciam ser militares.
      Cheguei ao cume do Capim Amarelo eram 15:15 horas. Praticamente 3 horas só de subida. Montei minha “barraca”, que era na verdade a minha rede estendida sob a lona que tinha sido disposta como se fosse uma barraca canadense. Fiz um rango e fiquei apreciando a paisagem. Como sabia da falta de água eu decidi que não levaria comida que precisasse de água no preparo, então comi basicamente tapioca de queijo, ou de nutella, ou de salaminho, paçoca, geléia de Mocotó e castanhas, durante toda a travessia.
      Os mineiros chegaram um pouco mais tarde e armaram suas tendas. Os militares chegaram quando já estava começando a escurecer. Eles não traziam barracas, dormiram de bivaque.
      Quando já estava quase escuro chegou um grupo que iria passar direto pelo Capim Amarelo e acampar no Maracanã. Perguntei pela gauchinha e me disseram que ela tinha montado acampamento em algum local no meio do caminho. Depois disso fiquei sabendo que ela desistiu e retornou para Passa Quatro. E que depois reiniciou a travessia na segunda-feira, tendo que ser resgatada de helicóptero no cume dos 3 Estados. E que depois disso voltou mais uma vez, acompanhada de um escoteiro, só que mais uma vez desistiram, abortando a travessia na Pedra da Mina, via Paiolinho.
      Estávamos a 2490 m de altitude e o pôr do sol e a noite foram lindos e gelados. Meu termômetro marcou a mínima de 3,5ºC.

       
      O dia 22-09-2018 era o segundo dia da travessia. A intenção era dormir no cume da Pedra da Mina.
      Depois do café da manhã, junto com os mineiros, desarmei e guardei toda a tralha e deixei o Capim Amarelo para trás às 10:20 horas.
      Logo no começo encontrei uma garrafa de uísque que tinha sido esquecida pelos militares. Voltei até onde os mineiros estavam e depois de bebermos uns goles eu retornei para a trilha, levando a garrafa para devolvê-la assim que encontrasse os rapazes. Não demorou muito para encontrá-los porque eles tinham pegado uma trilha errada logo na saída do Capim Amarelo.
      Depois de muito sobe e desce, mata fechada, bambuzal, escalaminhada, trepa pedra, cheguei na cachoeira vermelha e no ponto de abastecimento de água. Estava cedo e daria para pernoitar no cume. Foi o que fiz e cheguei ao cume eram 16:40 horas.
      Chegando ao cume estendi a minha lona fazendo um teto que ligava uma parede de pedras empilhadas até o chão Estendi ali embaixo o isolante e joguei o saco de dormir por cima. Essa noite não teria o mosquiteiro. Deixei a rede guardada.
      Comi meu jantar, assinei o livro de cume e fui apreciar o fim da tarde, o pôr do sol e as estrelas aparecendo. A noite estava bem fria.
      Os 3 mineiros chegaram quando a noite já tinha caído. Ajudei eles a montarem as barracas e depois ficamos conversando até altas horas. Os militares chegaram ainda mais tarde e no dia seguinte abandonariam a travessia, descendo pelo Paioloinho.
      Essa noite teve como temperatura mínima 3,7º C, mas a sensação foi de que era uma noite muito mais fria que a anterior. Talvez pela exposição ao vento, o que não tinha acontecido pela proteção que o capim elefante fornecera na noite anterior.
      A noite foi linda, repleta de estrelas e prometia um amanhecer incrível, fato que aconteceu. O único porém foi a grande quantidade de pessoas que estavam na Mina, quase todos fazendo bate-volta, o que trouxe muito barulho até algumas horas da noite. Apesar disso dormi muito bem e acordei bem disposto. A água até aqui não tinha sido problema.

      O dia 23-09-2018 era o terceiro dia da travessia e amanheceu espetacular, apesar de muito frio. Acordei antes do sol nascer e escolhi um bom lugar para apreciar o espetáculo. Depois disso o café da manhã (sem café) e desmontar acampamento. A surpresa foi quando levantei o saco de dormir e vi que uma aranha bem grande tinha vindo se aquecer embaixo dele. Peguei a bichinha com cuidado e a levei para perto de uma moitinha de capim.
      A travessia começou mesmo já eram 10:50 horas da manhã e daí para frente decidi caminhar junto com os 3 mineiros, afinal a gente combinava bastante. E assim saímos nós 4 da Pedra da Mina, eu , o Vinícius (Vini), o Daniel (boy) e o Nelson (Bozó). E assim passamos pelo Vale do Ruah, onde abastecemos os cantis pela última vez, com água que deveria ser suficiente até as 16 horas do dia seguinte. Daí foi uma grande sequência de morros até chegarmos ao Pico dos Três Estados às 17:20 horas.
      Mais uma vez montei a lona no estilo canadense, dispus a rede com mosquiteiro dentro e esparramei minhas coisas. De noite nos reunimos junto ao triângulo de ferro que representa a divisa dos 3 estados para a janta.
      Os caras já tinham pouca água. Eu ainda tinha meus dois cantis cheios e mais um bom tanto no camelback. Dessa maneira cedi um cantil para que eles fizessem a janta e bebessem o que sobrasse. Essa noite foi a mais fria, com o termômetro marcando 2,7º C, mas o capim elefante nos protegeu bem dos ventos e deu para dormir muito bem.


      No dia seguinte pela manhã, o Bozó sugeriu que fizéssemos café. Lá se foram mais 500 ml de água. Mas foi muito bom aquele cafezinho e aquela vista que se tinha lá de cima. De lá dava para ver Prateleiras e Agulhas Negras, minha próxima empreitada.
      Era o dia 24-09-2018, nosso quarto e último dia de travessia.
      Deixamos o 3 Estados às 09:40 da manhã. 
      Esse foi um dia bem sofrido. Uma sequência de morros. Sobe e desce. Muitos trechos de mata, e bambuzal. Mas o principal obstáculo era a falta de água. Minha água era para dar tranquilamente, mas depois da janta, café e dividir com os amigos, eu tinha deixado o 3 Estados somente com a água que restava no camelback, que era pouco mais de meio litro.
      Fomos racionando, mas quando chegamos no Alto dos Ivos, todos bebemos o que nos restava de água. Foram mais 3 horas até encontrarmos água de novo.
      A falta de água aliada ao esforço físico fez com que o Vini começasse a passar mal. Mesmo assim tocamos em frente.Chegamos inclusive a beber água acumulada nas bromélias.
      Eu e o Bozó, que estávamos melhor, seguimos mais rápido enquanto Daniel ficou para trás acompanhando o Vini. Chegamos ao ponto de água e enchemos os cantis e o Bozó voltou correndo para encontrá-los e matar a sede dos amigos.
      Já eram 16:50 horas quando chegamos na rodovia BR-354, onde o resgate que eles tinham combinado estava esperando. A Patrícia, que era a dona da caminhonete de resgate me deu uma carona até Itamonte, onde seria meu pernoite. 
      Por coincidência, a Patrícia era o resgate dos rapazes que estavam perdidos quando cheguei em Passa Quatro. Como eles não chegaram no ponto de resgate no dia combinado, ela entrou em contato com os bombeiros e com a família dos rapazes.
      Era o fim da travessia. Uma das mais puxadas e mais bonitas que já fiz. Foi também a última vez que vi os amigos Daniel e Vinícius. O Bozó eu encontrei de novo em Belo Horizonte agora em maio de 2019.

      Foi uma travessia que exigiu muito, mas que ofereceu muito mais em troca. Alvoradas e crepúsculos inesquecíveis. Paisagens sem igual, amizade, companheirismo. E que deixou uma vontade enorme de retornar e fazê-la novamente.

       
      Parque Nacional de Itatiaia.
      Agulhas Negras e Prateleiras.
      Desde que eu estava no hostel em Passa Quatro, eu já estava procurando um guia para o Parque Nacional de Itatiaia. Sabia que se tudo desse certo eu terminaria a travessia na segunda-feira 24-09 e na terça-feira 25-09 queria ir para o PNI, para subir o Agulhas Negras e o Prateleiras. Durante os telefonemas para casa, eu vi que teria que voltar logo. Dessa maneira, eu teria que fazer os dois cumes no mesmo dia.
      Entrei em contato com vários guias, mas ninguém queria fazer os dois cumes em um único dia. Uns disseram que não dava. Outros disseram que não era permitido. Até que encontrei um cara. Tudo isso pela internet e pelo tal de whats app, que eu nunca tinha usado antes disso.
      Deixamos mais ou menos combinado. Ele me cobraria 300 reais pela guiada. Eu sabia que o PNI exigia equipamentos para a subida aos cumes. Eu não tinha esses equipamentos. Após o PNI eu teria que voltar para casa, minha jornada terminaria ali, portanto não precisaria mais ficar regulando a grana.
      Durante a travessia da Serra Fina a gente ficou sem contato.
      No final da travessia, o resgate dos mineiros me deu uma carona. Eu tinha planejado ficar no Hostel Picus, ou no Yellow House, mas ambos estavam fechados. Dessa forma fui com eles até Itamonte, onde me deixaram e seguiram rumo a Passa Quatro. Saí procurando hotel ou pousada e acabei ficando no Hotel Thomaz. O Hotel era bom e tinha um restaurante onde eu jantei. Só que fica bem na rodovia e eu peguei um quarto de frente para a rodovia e o barulho dos caminhões e carros freando durante toda a noite incomodou um pouco e prejudicou o sono.
      Na manhã do dia 25-09-2018, terça-feira, acordei bem cedo, tomei banho, preparei as coisas que levaria para o Parque, entrei em contato com o guia e desci para tomar o café da manhã no Hotel. Por volta das 7 horas o guia chegava de carro para me pegar e seguirmos para o parque. Durante o caminho fomos conversando e falei pra ele sobre a travessia e sobre o caminho da fé e pedra do Baú, que tinha feito recentemente. Ele também é guia na travessia da Serra Fina.
      Chegamos ao parque fizemos os procedimentos de entrada, onde um guarda-parque alertou que caso não começássemos a subida do Prateleiras até as 14 horas, não deveríamos continuar. Desse modo, às 08:45 da manhã iniciamos nossa caminhada rumo a base do Agulhas Negras. Ele apertou o passo, acho que querendo me testar. Eu fui acompanhando de boa. Paramos num riozinho para abastecer a água e fazer um lanchinho, já próximo da base.  A conversa ia progredindo e ele me falou que achava que eu era um cara que parecia estar preparado e que normalmente ele guiava por uma via conhecida como Via Normal ou Via Pontão, mas que se eu quisesse a gente poderia tentar uma via diferente, pra se divertir um pouco. Falei pra ele que ele é quem estava guiando e que por mim tudo bem. Dessa maneira subimos por uma via menos utilizada, que passa por dentro de uma espécie de chaminé que é conhecida como útero. Na verdade quando você emerge dessa “chaminé” é como se você estivesse nascendo. Não levamos capacete, nem cadeirinha, apenas uma corda e uma fita. Usamos a corda somente duas vezes, uma delas para rapelar e depois subir um lance de rocha que fica entre o falso cume e o cume verdadeiro onde fica o livro de cume. Atingimos o cume verdadeiro às 10:40 horas.


      Comemos, descansamos um pouco, apreciamos a paisagem, tiramos várias fotos e depois iniciamos a descida. Dessa vez por uma via diferente, a Via Bira.
      No início da descida um rapel de uns 40 metros por uma descida bem íngreme junto a uma fenda e uma parede. Bem legal. Foi uma descida bem bacana. Uma via bem mais interessante que a tradicional.
      Eram 12:40 quando chegamos de volta ao ponto onde tínhamos iniciado a caminhada. Fizemos um lanche rápido e às 13:00 horas partimos em direção ao Prateleiras. Desta vez sem mochila, sem corda, sem água. Só levamos uma fita de escalada, que foi usada uma única vez. Achei bem mais tenso que o Agulhas, apesar de mais rápido. Muita fenda, muito lance exposto, muito salto de uma pedra para outra com abismos logo embaixo.
      No ataque final, nos últimos 15 minutos, o cara me salvou por duas vezes. A primeira em um lance de escalada livre onde se tem que fazer uma força contrária. Como não tem "pega", a gente sobe com os pés numa face da fenda, empurrando a outra face para baixo. Complicado. Eu tava a abrindo o bico de cansaço aí ele me deu a mão e a puxada final. Depois disso, num paredão bem inclinado, tinha que começar a subir quase correndo agarrando na pedra para conseguir chegar ao fim. Faltando um meio metro para o fim dessa rampa minha bota começou a escorregar na pedra e eu fiquei sem força. Gritei ele e novamente me deu a mão ajudando a chegar. Muito tenso.
      Atingimos o cume às 13:50 e depois de alguns minutos começamos a descida. Paramos para comer uma bananinha e paçoca e descemos mais tranquilos. Às 14:58 estávamos de volta ao local onde tinha ficado o carro.
      Daí o cara olha pra mim e fala: - Agulhas e Prateleiras em 6 horas. Nada mal.
      E rachamos o bico de dar risada.

      Tinha acabado de subir dois cumes que sempre tinha sonhado. Agulhas Negras e Prateleiras. Os dois em cerca de 6 horas. Eu estava muito feliz. 
      O visual de cima dessas montanhas é incrível. Mas a experiência da subida é demais. A adrenalina a mil. Saber que um escorregão e já era. Isso não tem preço que pague.
      Acabei ficando amigo do guia e ele me deu uma carona para Itanhandu no dia seguinte, onde pegaria o ônibus de volta pra minha terra.
      Dormi mais uma noite no mesmo hotel, dessa vez num quarto de fundos e o sono foi muito melhor. Desci para comer um sanduíche de pernil numa lanchonete próxima e bebi uma coca-cola de 1 litro. Depois de todo aquele esforço eu merecia.
       

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      Na manhã da quarta-feira, 26-09, eu parti de volta para Maringá, com uma parada longa em São Paulo, de onde saí de noite e cheguei em casa na manhã de 27-09-2018.
      Decidi ir pra casa a pé. Pra caminhar um pouco. rsrsrs.
      Logo depois do almoço eu estava em casa e na manhã do dia seguinte tudo voltaria à mesma rotina de antes.
      Mas eu não era o mesmo cara que tinha saído 23 dias antes. 
      Eu tinha caminhado mais de 420 Km. Tinha estado em 3 dos dez pontos mais altos do país. Tinha visto o sol nascer e se por proporcionando espetáculos inesquecíveis. Tinha conhecido gente da melhor qualidade, o povo bom e humilde do interior de Minas Gerais.
      Dá para aguentar essa rotina por mais um tempo, numa boa.
       
    • Por Marlon Escoteiro
      Travessia do Parque Nacional do Itatiaia - junho/2019
      Foram aproximadamente 70 km m 5 dias de caminhada passando pelos seguintes pontos:
      Dia 1- Travessia Rui Braga subindo - Maromba (parte baixa PNI) – Abrigo Massena
      Dia 2- Travessia Couto Prateleiras – camping Rebouças
      Dia 3 – Agulhas Negras – Pedra do Altar – Camping Rebouças
      Dia 4 – Travessia Rancho Caído – Cachoeira do Aiuruoca – Ovos da Galinha – Pedra do Sino de Itatiaia – Rancho Caído
      Dia 5 – descida do Rancho caído até a cachoeira do escorrega do Maromba

      Nossa aventura começa na rodoviária Tiete com destino a Itatiaia. Saímos as 11h45 e por volta das 16h chegamos em Itatiaia. No caminho vim observando os contornos da serra do Itaguaré, Serra Fina e já imaginando a próxima aventura. Na rodoviária nosso anfitrião já nos esperava, passamos pela portaria do parque para o check in e pagamento de ingresso, porem já tinham fechado e falaram para que fizessemos todo o pagamento e check in no posto do Marcão. Fomos nos hospedar no quarto Gaia já dentro do PNI da parte baixa, uma casa dos anos 40 que hoje os moradores alugam os quartos para hospedagem. Um lugar muito aconchegante e bacana em total contraste com os próximos dias de trilha, uma noite bem dormida e corpo descansado. Inclusive a trilha começa ali mesmo, começamos as 7h30 e pegamos já um caminho por entre a mata passando pelas ruinas de uma imponente casa de outrora, seguindo pela rua de terra até o posto do Maromba onde chegamos as 8h e haviam nos informado que ali teria um guarda para checar a autorização da travessia Rui Braga. O homem não estava lá. Tinha um pessoal de colete amarelo do ICMBIO que estavam roçando a trilha e nos disseram para seguir adiante.

      Quarto Gaia

      Posto Maromba

      Começo da Ruy Braga

       
      E assim fomos, por uma trilha bem aberta no começo e recém roçada, em pouco tempo a trilha foi estreitando, mas ainda assim muito limpa, chamou a atenção alguns “guard rails” de concreto que encontramos no caminho, ali passou uma estrada antigamente, muito provavelmente para descer madeira que viraria carvão para os trens do Barão de Visconde de Mauá. Era um sigue zague de pouco aclive e fomos contornando as curvas de nível por entre a mata e passando por diversos riachos nas veredas que desciam. Ao meio dia em ponto chegamos no abrigo Macieiras, vários pinheiros europeus e araucárias o circundavam, uma casa de madeira bem antiga porem mal conservada, ainda assim se mantinha em pé, dava para imaginar que lugarzinho bucólico foi antigamente, com montanhistas e aventureiros se hospedando na casa. Ali fizemos nosso lanche do almoço e um breve descanso. As 12h45 seguimos adiante e logo mais alcançamos os campos de altitude e a primeira visão do Pico das Agulhas Negras e da serra das Prateleiras e para o outro lado do vale do Paraíba e da cidade de Resende.

      Abrigo Macieiras

       
      Mais um pouco de caminhada chegamos no Abrigo Massena as 14h45. Uma subida muito leve e tranquila. Imaginava que fosse mais pesada. O abrigo é imponente todo feito de pedra e muito deteriorado, sobrando somente as paredes de pedra maciça e uma parte do telhado do que deveria ser a sala principal do chalé, pois ali havia uma grande lareira em perfeitas condições. Tratamos de montar a barraca em frente e explorar a casa. Logo atrás subimos uma trilha até uma outra casa também abandonada no topo do morro que parecia ter tido uma antena pois havia uma base de ferro cortada e muito entulho de ferro em um buraco por ali. Atrás dela tinha uma linda vista do vale, da represa, da Serra do Mar e da Serra FIna. Eu havia lido em um relato aqui no mochileiros.com que tinha ainda uma terceira ruina em um morro aqui perto e por ali também seria a fonte de água próxima do Massena. Seguimos a trilha adiante e uns minutos depois achamos um fio de água que cruzava a trilha. Fomos em busca das ruinas seguindo a trilha mas não encontramos, quando resolvemos voltar vejo a ruina logo acima de um morro com uma araucária solitária visto de quem desce a Rui Braga. E para lá seguimos. Toda de pedra e tijolo maciço sem o telhado e todas as paredes em pé, havia ainda uma pia e parte do fogão a lenha. Estava aos pés das Prateleiras.

      Massena


      outras ruina com as prateleiras ao fundo

      Serra Fina
      Depois da exploração retornamos ao acampamento. Preparamos nossas coisas para jantar e com alguns galhos fizemos uma pequena fogueira na lareira. A fome apertava e fizemos a nossa janta. Com a noite veio o frio e as estrelas que brilhavam além de uma lua cheia intensa no céu. Tinha algumas nuvens, mas nada que incomodasse. Deitamos cedo.
      No dia seguinte acordamos as 5h a barraca estava coberta por uma fina camada de gelo, na hora de desmontar chegou a doer as mãos de frio para enrolar a lona. Café tomado e mochila pronta saímos as 6h30  subindo ainda mais um pouco até alcançar o vale do Rio Campo Belo tendo sempre as Agulhas Negras nos acompanhando, essa na realidade foi uma constante, pois a imponência deste Pico era vista de todo o parque em todas as trilhas que fizemos.  Nessa altura do vale nos encontramos com talvez a continuação da estrada, isso se elas se encontrassem no passado, ali havia até alguns trechos com asfalto e diziam ser a BR mais alta do Brasil mandada construir por Getulio Vargas. Passamos pela placa que marcava o inicio/fim da Rui Braga (seriam 21km entre este ponto e o posto do Maromba) e o acesso a base das Prateleiras, logo adiante a cachoeira das Flores e enfim o camping Rebouças onde chegamos as 9h, aproveitamos e já escolhemos um bom lugar para montar nossa barraca e deixar nossas coisas. Fomos conhecer o abrigo e os arredores do camping.



       

      Abrigo Rebouças

      camping Rebouças
      E logo partimos em direção ao posto do Marcão, passamos pela nascente do Rio Campo Belo. Ali na entrada fizemos os procedimentos de check in, o pessoal do PNI falou que havia abaixado de zero a noite anterior, e também pediu para guardarmos bem a comida pois havia um Logo Guará que estava rondando o camping durante a noite. Feito o pagamento de ingresso, fomos comunicar as trilhas que iriamos fazer, já passava das 11h e o pessoal do ICMBIO não autorizou fazermos a travessia do Couto-Prateleiras, somente o Morro do Couto, ficamos um pouco decepcionados. Ainda pela posto do Marcão tentamos fazer umas ligações para avisar a família que pela aquela área era a única que pegava celular. Falamos com a família para dizer que tudo estava bem e que ainda teríamos 3 dias sem celular pela frente. Lá pelo meio dia começamos nossa subida ao Morro do Couto, levamos mais ou menos 1h, chegando lá fizemos nosso lanche com a companhia dos tico tico sempre rodeando por uma migalha de pão. Ali decidimos seguir para as Prateleiras, mesmo sem autorização. Fizemos a travessia em 1h30min passando pelo Mirante, toca do índio, até a base do Prateleiras a 2450m, curtimos o visual por ali, apesar da neblina que vinha e ia. Depois uma esticada até a pedra da maça e da tartaruga próximo a pedra assentada. Depois retornamos e descemos a trilha para o camping Rebouças. Essa mesma trilha que tínhamos cruzado hoje cedo pela manhã. Passamos novamente pela cachoeira das Flores, mas agora descemos até ao poço e o Bernard arriscou um mergulho. Tava muito friiiio!! Eu me contentei com um banho de gato na quedinha de água.



      Morro do Couto

      Toca do Indio

      Base das Prateleiras


      Pedra Assentada e da Maça

      Cachoeira das Flores
       

       
      De volta ao acampamento nos preparamos para o jantar e de nos aquecer com algumas camadas de roupa. Fomos ate  o quiosque e começamos a fritar o bacon e preparar um delicioso arroz com curry, cogumelos, tomate seco e claro BACON. Junto no quiosque conhecemos três caras muito bacanas de Passa Quatro – MG o Igor, Natanael e a esposa dele. Eles trabalhavam como guia de montanha no Itatiaia, Itaguaré e Serra Fina. Estavam fazendo um verdadeiro banquete, e junto bebemos uma pinga com mel para esquentar. O papo tava bom e ficamos um bom tempo contando os causos de montanha. Depois fui dormir, pois o dia seguinte estava reservado para o Agulhas Negras. A noite foi fria beirando os zero grau. De manha cedo acordamos e tomamos nosso café tínhamos combinado com o Guia Willian Gammino as 8h, ele iria nos levar para o Pico das Agulhas Negras já que não tínhamos equipamento e não conhecíamos a via. Logo que ele chegou partimos rumo ao 5° maior pico do Brasil. Uma trilha leve e bem bonita, passamos pela famosa ponte pênsil, logo depois a trilha bifurcava sendo a esquerda o caminho para a Travessia do Rancho caído que passava pela Pedra do Altar e Asa de Hermes, a direita seguia nosso caminho, logo em seguida um riacho para abastecer nossos cantis e mais adiante já começava a subida. Primeiro uma rampa de laje inclinado onde ia seguindo pelas “agulhas” canaletas de água, passamos por um degrau grande onde os guias colocavam uma corda para subir, outra rampa íngreme e depois passamos por uma fenda de uns 3 metros de largura com muitas pedras caídas e fomos escalaminhando até uma pequena gruta e subimos no topo desta. Ali os guias armaram uma corda guia para ir subindo, apesar de bem fácil havia uma certa exposição.


      Prateleiras visto das Agulhas

      Primeiro ponto de corda




      E logo acima já estávamos no topo das Agulhas Negras, uma visão de 360° de toda a região sendo possível avistar o vale do Paraiba, as cidades lá embaixo, a serra do mar, as Prateleiras, Pedra do Sino a nascente do Airuoca, vale dos Dinossauros, Rancho Caido, Serra Negra... porem ali ainda não era o ponto culminante, para chegar lá tinha que descer um rapel de uns 8 metros numa fenda se apoiar numa pedra e escalar outro monólito de pedra até o cume do Itatiaçu com seus 2791,50m de altitude, ali estava o livro cume. Levamos menos de 3h no total para subir. No topo fizemos nosso lanche, como era sábado tinha muita gente, nós fomos uns dos primeiros a subir, isso é uma vantagem muito grande, pois quando começamos a descer de volta havia uma fila enorme esperando para subir, nosso guia foi bem esperto e bacana e montou um rapel para desviarmos a galera e ir descendo ate a fenda que formava o corredor de acesso. Depois só descida livre chegamos no córrego devia ser umas 13h30min, como tínhamos a tarde toda, resolvemos ir até a pedra do Altar que estava ali a uns 30 min, um visual e tanto lá de cima e sua posição estratégica era possível avistar longe, inclusive o caminho do Rancho Caido que iriamos fazer no dia seguinte, e a Pedra do Sino de Itatiaia. Ficamos pensando se não teria como fazer a travessia pela crista, demos uma olhada, aparentemente sim daria para fazer, mas isso vai ficar para uma próxima tentativa.


      Subida do Itatiaçu

      Cume das Agulhas Negras






       
      Retornamos para o acampamento e o mesmo já estava lotado, bem diferente da noite anterior. Naquele momento vimos um resgate vindo das prateleiras, uma menina parece que havia quebrado o pé e estava sendo descida de maca da montanha. Nesse dia o banho foi de chuveiro do camping, mas pensa numa água fria, meu Deus!!! Foi aquele banho de gato, só para tirar o grosso mesmo. E em seguida vesti todas as roupas que tinha. O frio pegou neste dia.
      Nos reunimos novamente com os amigos de Passa Quatro, tudo que ofereciam e não oferecesse o Bernard aceitava, virou o tico-tico só rodeando e beliscando um pouco de cada um. Tomamos uma pinga com mel e neste dia saiu uma macarronada a carbonara. Neste dia não nos demoramos muito pois estávamos cansados e o dia seguinte prometia muita caminhada. Já na barraca fomos dormir, estava muito frio.
      Lá pela meia noite tive que ir regar uma moita, quando sai da barraca quase congelei, a lua brilhava no alto. Enquanto estava ali na moita escutei um barulho de panela em uma barraca próxima, percebi que não havia ninguém e vi um rastro de lixo espalhado, pensei, será que o tal do Lobo? Não deu outra vi um vulto saindo dos vassourões e mexendo de novo na tralha de cozinha, dei a volta para tentar interceptar o “gatuno” ou seria o canino? Não o vi, fui pelo outro lado e me abaixei e assim vi  na contra luz da lua umas pernas indo e vindo, derrepente ele parou a uns 3m do outro lado da moita de vassouras, pensei se eu estiver abaixado e o bixo vir e der um bote, então levantei e dei de cara com o Lobo Guara, ficamos nos encarando, ele era enorme quase do meu tamanho, umas orelhas grandes, arredondas e apontadas para cima, permanecemos uns minutos assim até que ele rosnou para mim, ai pensei: “pode crê mano, vou te deixar em paz...” kkkkkkkk e voltei para minha barraca para dormir. Passado mais uns 30 minutos o Lobo começa a uivar, na realidade parecia um latido engasgado e lá de longe se ouvia outro responder, nisso acordou o acampamento inteiro, levantei novamente e o cara da barraca do lado havia sido “assaltado” e ficou preocupado, começou a conversar, fez fogo, ficou fazendo barulho... e eu voltei ao meu leito. Havia um casal com 2 crianças pequenas e os meninos começaram a chorar, pensa num choro. E assim foi nosso restante de noite.... uivos, choros, conversas...

       
      Acordamos cedo com todo o acampamento, havia uma fina camada de gelo nas barracas, tinha feito 1 grau negativo. Desmontamos a barraca com dificuldade pois ela estava congelada e gelava os dedos da mão. Logo depois fizemos uns pães de queijo de frigideira, um café nos arrumamos e as 8h com certo atraso do previsto começamos nossa trilha, na mesma direção das agulhas depois viramos a esquerda no rumo da  Pedra do Altar e depois mantivemos a esquerda para o Aiuruoca.
      Ainda pegamos gelo na trilha e lá pelas 9h30 passamos num pequeno riacho e as 10h30 chegamos na cachoeira do Aiuruoca, tiramos umas fotos e já saímos 11h15 já estávamos nos Ovos de Galinha uma formação rochosa muito curiosa e interessante, exploramos o complexo de pedra, tiramos umas fotos e deixamos nossas cargueiras por ali e partimos rumo a Pedra do Sino de Itatiaia. Fomos subindo suas rampas de pedra seguindo os vários totens pelo caminho em menos de 1h alcançamos o topo. Tiramos as fotos de praxe, fizemos um lanche e já iniciamos nossa descida até a base para resgatar nossas mochilas e seguir rumo ao Rancho caído.

      Airuoca

      Ovos da Galinha

      Pedra do Sino de Itatiaia
       
      Logo subimos uma crista e no topo estava todo queimado, percebi que era um acero, fogo controlado, pois dava para ver que se estendia por toda a crista com uma largura de uns 20m e as laterais estavam roçadas. Logo abaixo estava o vale dos dinossauros, o pico do Maromba a frente as Agulhas a nossa direita. Fizemos uma curva em direção a Serra Negra e fomos descendo e contornando o grande vale abaixo, pois parecia um grande banhado. Passamos por uns charcos e encontramos um formoção rochosa muito curiosa que emoldurava o Pico das Agulhas Negras e parecia uma miniatura dela. Mais uma pequena subida e uma descida por entre bambus e uma matinha nebular, havia uma trilha bem erodida pela agua. Logo abaixo a nascente do Rio Preto, e logo ali o Rancho Caido, pensamos em pegar agua, mas ouvimos mais adiante mais barulho de água e decidimos ir até o acampamento. Lá procuramos por um bom lugar para acampar. Era 15h30 achei que estávamos bem adiantados do previsto. Barraca montada, saímos atrás do barulho de água e encontramos uma pequena gruta onde o riacho passava por baixo. Cantil cheio, decidimos explorar o local e ir um pouco adiante na trilha.



       
      O Rancho caído esta num pequeno morro numa área de mata com algumas araucárias perdidas naquela área. Logo acima do morro havia algumas grandes pedras e fomos até lá. Quando voltamos para a barraca, fizemos uma pequena fogueira, preparamos nossa janta. Logo depois o Bernard foi dormir, fiquei ainda um tempo por ali curtindo o fogo e a lua cheia. Logo fui dormir. Acordamos as 5h e 6h30 com café tomado e acampamento desmontado iniciamos nossa trilha, ainda caminhamos por uma mata na lateral abaixo da crista do Maromba e Marombinha até a crista conhecida como mata cavalo e de lá vimos o vale abaixo do Rio Preto e a Serra Negra.

      Começamos a descer, depois já alcançamos uma mata nebular e por fim uma mata mais densa com grandes árvores, passamos algumas vezes por um rio até que a trilha foi alargando como uma estrada e achamos uma casa. Mais uns minutos pela estrada chegamos na cachoeira do escorrega do maromba as 10h e ali terminava nossa travessia oficial.



       

      O ônibus saia as 11h da Vila da Maromba, perguntamos aos hippies que estavam ali vendendo seu artesanato e disseram que tinha mais 30min de caminhada até a vila. Não pensei duas vezes e resolvi tomar uma banho de cachoeira antes de continuar. Pensa num banho delicioso, agua gelada, mas foi ótimos para relaxar e se lavar bem antes de enfrentar o ônibus para são Paulo e Posteriormente para Itajai, ainda mais depois de 5 dias de banhos de gato. Enfim aqui termina nossa jornada. Foram 5 dias incríveis que superaram minhas expectativas em relação ao Itatiaia. Tive uma parceria muito bacana do Bernard, altos papos durante a trilha e um ótimo companheiro. Escalamos várias montanhas, sendo que algumas delas estão entre as 10 maiores do Brasil. Pegamos muito frio a noite e calor de dia, muito sol. Encontro com Lobo e conhecemos pessoas bacanas no caminho. Agora já estou planejando voltar e fazer os picos secundários e curtir um pouco mais deste lugar.


    • Por divanei
      A GRANDE TRAVESSIA DE ITATIAIA
       
      No vale em que me encontro agora, vejo sobre minha cabeça um paredão de quase 600 metros. Estou a quase 1800 metros de altitude, meus pés estão destruídos, também pudera, já faz pelo menos uns seis meses que não caminho em lugar nenhum, o trabalho e outros afazeres tomaram quase todo o meu tempo este ano. Aqui é o vale do Rio Aiuruoca e para chegar até aqui tive que caminhar quase 10 horas, mas valeu muito a pena. Este lugar é belíssimo, a cor da água é impressionante, poucas vezes vi algo igual. Enquanto minha janta cozinha, aproveito para montar minha barraca, tirar minhas botas e colocar meus pés na gélida água deste rio. Apesar de sozinho, me sinto imensamente feliz de estar aqui, já não agüentava mais a pressão do trabalho, da casa, e de tudo mais que aos pouco vai minando a energia da gente. E não se trata de recarregar as baterias, é exatamente o contrário, estou aqui para me livrar delas. Sem celular, computador e qualquer outro aparelho que possa dar “pau”. Carrego comigo apenas minha máquina fotográfica digital e mais nada. Estando aqui consigo sentir como a vida simples é maravilhosa. Ouço apenas o barulho do rio, dos pássaros e dos pequenos animais que rondam minha barraca. Ao meu lado tem uma cabana de madeira, uma verdadeira tapera, abandonada sabe se lá quando. Este local hoje pertence ao Parque Nacional de Itatiaia, mas outrora era habitado por caboclos corajosos que não se importavam em levar uma vida extremamente simples e sem se contaminar com a mediocridade da nossa civilização .Apesar de estarmos no horário de verão a noite cai rápido por estas bandas devido a quantidade de montanhas.Por isso mesmo antes das 7 da noite já me recolho, afinal de contas foi um dia intenso, e amanhã logo de cara tenho 600 metros de desnível para conquistar até chegar a portaria superior do Itatiaia,já no planalto desta fantástica cadeia de montanhas . Mas é claro, minha história não começa aqui, vamos voltar no tempo um pouco, mais precisamente na tarde de ontem, que foi quando eu sai de casa para chegar até aqui.
       
      É muito engraçado ver a cara dos meus vizinhos ao me ver com minha enorme mochila nas costas e trajando roupas largas, que eles julgam ser de vagabundo. Eles sempre me vêem com cara meio de mauricinho, bom pai, bom filho, bom vizinho, mas acham estranho alguém largar sua casa, jogar uma mochilona nas costas e ir sozinho para o mato e para as montanhas. Mas não os culpo, minha própria família às vezes acha que as minhas faculdades mentais estão comprometidas. Dou muita risada disso tudo. Já me acostumei a dar uma banana para o pensamento hipócrita da sociedade que me cerca. Quase todos me condenam, mas sei que a maioria deles vive suas vidinha infelizes, se apegando a coisas que aos pouco os destrói e rouba sua liberdade e sei que a maioria nunca terá coragem de se livrar de velhos pré-conceitos e viverão presos para sempre num mundinho de aparências , tentando manter seus estátus sociais, mas respeito o modo de pensar de cada um, apenas tenho um pouco de pena.
       
      Subo no ônibus e logo enfrento o olhar dos passageiros. Encontro um ex- amigo de escola que havia passado uma temporada hospedado em uma penitenciaria. Ele estava trajando um terno preto e em suas mãos levava uma bíblia. Quando digo a ele o que pretendo fazer, ele me diz que sou louco e que tenho muita coragem. Coragem tem ele, vender drogas e praticar assalto a mão armada não é pra qualquer um.Desembarco na rodoviária de Campinas e logo em seguida pego o ônibus para S. José dos Campos . Em duas horas e meia chego ao meu destino, de onde embarco quase imediatamente para a cidade de Resende, já no estado do Rio de Janeiro. Durmo durante toda a viagem e quase sem perceber ao abrir os olhos já estou no lugar pretendido. São duas da manhã e o ônibus que deveria me levar para o vilarejo de Visconde de Mauá só sairá às cinco e meia. Aproveito para tentar dormir um pouco ali mesmo na rodoviária, mas é claro, os seguranças não permitem. As quinze para as seis encosta o coletivo. Ele não vai só até Mauá e sim até Maromba, outro vilarejo 10 km a frente, justamente meu destino.
       
      O ônibus toma o caminho no sentido oeste e por 50 km serpenteia este braço da Serra da Mantiqueira. São tantas curvas que chego quase a vomitar, mas o caminho é lindo e o sol nascendo por trás das montanhas dá um brilho todo especial a viagem. Passamos por Visconde de Mauá. Apenas uma rua de terra e mais nada. Ao lado corre um riacho de águas cristalinas que dá ao lugar um charme todo especial. Depois vem Maringá e logo em seguida a estrada acaba no bucólico vilarejo de Maromba. Lugarejo muito interessante, meio fim de mundo, simplesmente adorável. Vou até uma padaria para tomar café e me informar sobre a travessia conhecida com Serra Negra. A padaria é bem estilizada, têm fotos do Che Guevara por todos os lados, símbolos de sindicatos e de órgãos de defesa humanitária. Pergunto ao dono sobre a trilha e ele me diz que ali é um parque nacional e que ninguém pode passar sem autorização e aquelas balelas todas. Vejo logo que se trata de um hipócrita, mando logo este porco a merda e vou me informar em outro lugar.Encontro um “bicho grilo’ muito gente boa que me da logo todas as informações que preciso. O cara tem um pensamento revolucionário sobre a civilização, um pouco maluco admito, mas consegui aprender muita coisa com ele.
       
      A minha intenção é partir de Maromba, cruzar por dentro do Parque Nacional de Itatiaia por uma montanha conhecida por Serra Negra, descer até o vale do Rio Aiuruoca e depois subir até a parte alta do parque, onde fica o Pico das Agulhas Negras e de lá descer até a sede, já na cidade de Itatiaia. Este trajeto terá que ser feito em três dias, que é o tempo que eu tenho de folga do trabalho.
       
      Atravesso o rio Maromba e entro de cara logo no Estado de Minas Gerais. Aliás, lindo rio, se não fosse tão cedo e a água não estivesse tão fria eu arriscaria tomar logo um banho. Tomo logo a estradinha depois da ponte e em 5 minutos pulo a porteira de um sítio. Procuro pela trilha depois de uma ponte de madeira, mas nada encontro. Não demora muito percebo logo o erro,entrei no lado errado da estrada.Volto, pego a estradinha a direita, mas não consigo perceber trilha alguma.Estou seguindo um mapa muito antigo desta trilha e as coisas mudaram muito por aqui.Cercas foram colocadas, porteiras mudaram de lugar. Fiquei por quase uma hora rodando atrás da trilha e finalmente a encontrei subindo a encosta quase no rumo contrário ao que eu havia chegado até aqui. É uma subida enorme que passa por dentro de algumas samambaias e curvando-se para a direita, passa por uma bica onde aproveito para encher o meu cantil e logo ela desemboca no alto da serra dando visão para toda a extensão da Mantiqueira. Consegue se contar dezenas de cachoeiras despencando do alto das montanhas, uma visão realmente de encher os olhos.
       
      Sigo meu caminho a passos largos, parando de vez enquanto para tomar fôlego e arrefecer a temperatura interna com um gole de água. Esta trilha é bem larga e muito usada pelo povo da região. Na verdade pode se dizer que é uma trilha histórica, usado pelos agricultores para abastecer com alimentos os vilarejos que acabei de passar. Eles usam as mulas para fazer este transporte. É de se admirar que em pleno século 21 este tipo de comércio ainda sobreviva, ainda mais por estarmos em um local que fica entre as duas maiores cidades do Brasil, Rio e São Paulo. Eu esperava encontrar com os tropeiros, mas infelizmente não vi viva alma por onde passei nesta serra.
       
      O caminho é penoso, só subida. Conforme vamos subindo a serra vai ficando mais espetacular. Não é possível avistar daqui as Agulhas Negras, escondida e que só será vista no segundo dia de caminhada. A trilha em alguns momentos vai se perdendo nos vastos campos de altitude e é preciso tomar cuidado com a direção a tomar, ou então se corre o risco de perder-se nos vales abaixo. Por várias vezes tive que me sentar ,tomar fôlego e estudar o caminho a seguir.Depois de umas cinco horas de caminhada montanha acima,finalmente chego ao topo desta serra.São 2400 metros de altitude ou até menos,não muito alto se compararmos com as montanhas que nos cercam , mas não dá para negar que o desnível vencido até aqui não é para qualquer um.Em mais uma hora chego a borda do grande vale do Aiuruoca .Será uma descida vertiginosa até o rio.Este é o local que eles chamam de subida da misericórdia.Bom,isso para quem faz a trilha no sentido contrário, mas para min é descida,a minha misericórdia já ficou para trás.A descida é terrível,acaba com os joelhos e o tornozelo da gente.A mochila já está pesando uma tonelada.Desço de pressa,mas sempre parando para fotografar a paisagem ,as plantas e flores e é claro, as fantásticas montanhas ao meu redor.Passo por florestas e dezenas de riachos até que a trilha desemboca em um pequeno amontoado de casas.Não sei ao certo ,mas parece que este é o lugar que eles chamam de Fragária.Estou muito cansado e com muita fome, mas como ainda tenho umas duas hora de sol,
      decido seguir em frente. Pergunto em um lugar que parece ser uma pousada meio abandonada e logo me informam o caminho a seguir. Pego uma pequena estrada de terra e em 5 minutos quebro a esquerda em um caminho que morre em uma casa. Pergunto pela trilha que pode me levar até o Hotel Alsene, que fica na estrada que da acesso a portaria do parque, uma mulher me dá a dica.Fiquei sabendo no outro dia que esta mulher é a mãe de um dos guarda- parque,Pulo o riozinho logo abaixo da casa e encontro a trilha que procuro,e em meia hora ou menos chego em um riacho que penso ser o Aiuruoca.Paro para descansar um pouco e beliscar alguma coisa, aproveito para tirar a bota e descansar um pouco os pés.Tento tomar um banho,mas a água está extremamente fria e congela até os ossos.
       
      Tomo de novo a trilha montanha acima. Na serra começam a surgir várias cachoeiras de dezenas de metros, fico fascinado com tanta beleza. Fico também preocupado com o rumo que esta trilha começa a tomar. Estou entrando em uma zona de completo abandono, pouca gente passa por aqui. A trilha atravessa florestas e mais florestas, cruza por vários rios e vales. Ando, Ando muito e não chego a lugar algum. Será que estou perdido? Penso eu. Em uma curva da trilha tropeço no maior cupinzeiro que já vi na vida. Tinha mais de 3 metros de altura por uns 2 metros de largura, de tão grande chegou a tombar na trilha. Passo por mais cachoeiras gigantes e também por alguns ranchos abandonados e é exatamente em um destes abrigos rústicos que acabo perdendo a trilha. Procurei, procurei e nada encontrei. Agora sim eu estava perdido!! Desci quase todo o vale a direita, mas nada .Subi em uma árvore e consegui localizar o hotel encravado em um selado a uns 700 metros de desnível acima de mim,acertei o meu rumo,voltei até o rancho e localizei a trilha novamente e quando menos espero, chego ao verdadeiro Rio Aiuruoca. Fiquei decepcionado no começo, pois esperava chegar à estrada do parque hoje ainda e vi que estava muito longe. Mas depois que botei meus olhos neste fabuloso rio, não tive a menor dúvida, joguei minha mochila no chão e dei por encerrado meu primeiro dia de caminhada. Tanta beleza merecia ser explorada com calma, eu iria acampar ali mesmo, iria passar a noite reverenciando este espetáculo da natureza.
       
      Acordo às seis da manhã. O céu está perfeito, nenhuma nuvem. Dormi muito bem, como poucas vezes dormira em minha vida. Meus pés ainda doem um pouco, mas a vontade de seguir viagem compensa qualquer sofrimento. Enquanto o fogareiro ferve a água do café,aproveito para desmontar a barraca e arrumar minha mochila.Vou até o rio escovar os dentes e lavar o rosto,aproveito também para localizar a continuação da trilha do outro lado,desço um pouco pelo rio para visitar as cachoeiras e os poços .Tomo café,jogo novamente a mochila nas costa e tomo meu rumo.Atravesso o rio com a água quase pela cintura.A água é tão fria que mal consigo chegar do outro lado.O rio Aiuruoca nasce a 2500 metros de altitude,por isso as suas águas são tão geladas.A trilha continua subindo sem piedade.O paredão sobre minha cabeça vai ficando cada vez mais perto.Atrás de mim vão surgindo vales e gargantas profundas e consigo ver outras serras da qual já tive o prazer de caminhar. Duas horas se passam e finalmente alcanço a estradinha de terra que me levará até a portaria do Parque Nacional de Itatiaia. Ao lado do lugar onde acabei saindo está o famoso Hotel Alsene. Na verdade uma rústica construção de montanha que anda meio jogado as traças. Completamente vazio. Ouvi dizer que o prédio foi vendido para a Associação de Atletismo para treinamento dos nossos atletas olímpicos.
      A estradinha onde estou na verdade é uma BR a mais alta do Brasil. Estamos a 2400 metros de altitude. Conta a história que ela teria sido construída a mando do então Presidente Getulio Vargas.Se alguma coisa desse errado na revolução constitucionalista de 1932,Getulio poderia vir para cá com sua comitiva.
       
      Sigo caminhando e paro apenas para apreciar a visão espetacular da Serra Fina, uma gigantesca cadeia de montanhas que abriga o topo da serra, a Pedra da Mina com seus 2798 metros de altitude. Sinto-me orgulhoso de também já ter explorado todas estas montanhas. Consigo localizar também o Pico dos 3 Estados , o Cupim de Boi, O Marins e o Itaguaré. Em quarenta minutos finalmente chego à portaria superior do Itatiaia.
      Estamos na entrada do famoso planalto de Itatiaia. Esta parte abriga uns dos recantos de montanha mais belos de todo o país. Aqui está o Pico das Agulhas Negras, um fantástico gigante de pedra com seu cume a 2791 metros de altitude. Para a segunda parte da minha travessia tive que conseguir uma autorização especial da administração do parque. A trilha que pretendo seguir está interditada ao público a vários anos.Tive que assinar um monte de documentos me responsabilizando por minha segurança.Claro que inventaram um monte de empecilho para que eu não seguisse na trilha sem guia,mas me mantive firme na minha convicção de seguir enfrente sem ter que me pendurar a pessoas que talvez tivessem muito menos experiência que eu, e não teve jeito,tiveram que me liberar.Paguei as devidas taxas e segui em frente,com passos firmes e decididos rumo ao meu objetivo.
       
      Já estive aqui a uns 10 anos atrás, onde consegui escalar o Agulhas Negras e visitar a nascente do rio Aiuruoca.Sigo caminhando e me encantando com estas montanhas com vários afloramentos rochosos. Vejo do meu lado direito surgir o Pico do Couto com mais de 2600 metros de altitude. A estradinha continua em nível e em menos de meia hora de caminhada aparece no horizonte,ainda meio escondido o Agulhas Negras.Paro para descansar um pouco,beber uma água e apreciar a vegetação de altitude. Que lugar lindo!!!Espero em breve poder voltar aqui trazendo minha filha. A vontade que tenho é de ficar aqui por muito tempo apreciando esta paisagem, mas o tempo passa e tenho que alcançar o abrigo Macieiras antes do anoitecer. Quarenta minutos é o tempo que levo para chegar até o abrigo Rebouças,uma construção de pedra aos pés do Agulhas Negras.Me desvio do meu caminho,subo uma montanha 100 meros acima da estradinha. Aqui posso apreciar em todo o seu esplendor o Agulhas. Que montanha fascinante!!! Hipnotiza a gente. Faz nos sentir pequenos diante de tanta beleza. Tiro várias fotos e volto para estradinha.
       
      Não demora muito e a estradinha vira trilha, que vai descendo acompanhando o Rio Campo Belo. Passo pela cachoeira das Flores e sigo descendo até a bifurcação para o Pico das Prateleiras. Gostaria muito de ir as Prateleiras, mas o tempo é curto e decido seguir enfrente. Daqui para frente entro em um caminho proibido para os turistas.Por um dia e meio estarei sozinho,entregue a minha própria sorte e a minha própria competência.Se algo me acontecer será problema meu, não poderei contar com ninguém.Aqui não pega celular, o terreno é hostil e perigoso,não sei porque mas isso me fascina muito,aqui me sinto dono do meu próprio destino,me sinto livre como nunca me senti antes,me sinto selvagem,parece que estou de volta aos tempos em que o homem só podia contar consigo mesmo e com o poder da natureza.
       
      No início a trilha é confusa. Corre por dentro das canaletas de pedra, fico sem saber se é trilha ou rio. Tenho que usar toda a minha experiência de trilheiro para localizar o caminho. Sigo descendo até o vale entre estas duas gigantescas montanhas, quando derrepente o caminho acaba em uma pedra. No mapa topográfico que peguei na portaria do parque aparece um pedaço desta trilha e ele indicava uma curva a direita. Foi o que fiz, mas não encontrei trilha alguma. Caminhei em um charco com água e lama na altura da cintura e nada encontrei. Rodei perdido pelo brejo durante quase hora e meia e nada de encontrar a tal trilha. Voltei de novo ao local onde a trilha sumiu. Sentei-me em uma grande pedra, tomei fôlego, comi algo e voltei a procurar. O caminho que deveria ser o obviou era apenas um pequeno rio. Coloquei de novo minha mochila nas costas e encarei a água gelada e depois de 20 metros com a água pela cintura, localizei de novo minha trilha.Ufa !!!! Que sufoco!!!
       
      Meu próximo objetivo é encontrar o antigo abrigo Massena. Desço até um vale onde sou obrigado de novo a enfiar o pé na lama. Avisto do outro lado a continuação desta trilha. Aperto o passo até chegar a uma bifurcação. Para onde ir? Desconfio que a trilha que vem da direita seja uma trilha que á muitos anos atrás tentei alcançar, partindo de Engenheiro Passos, mas tive que desistir por causa do mau tempo. Decido tomar a esquerda e depois de atravessar por uma floresta de arbustos dou de cara com o Abrigo Massena.
      Fico espantado com o tamanho desta construção. Toda feita de pedra, dizem que foi construída a uns 40 anos atrás para ser uma pousada.Aqui existia uma estrada,mas a floresta tomou de volta.A construção está em ruínas,o teto está quase todo no chão. Só sobrou praticamente a sala da lareira, onde outrora montanhistas usavam o local para esticar seus sacos de dormir. Minha vontade é de fazer o mesmo. Mas resolvo tentar alcançar o Abrigo Macieiras antes do anoitecer. Procuro feito louco a continuação da trilha, mas não encontro. Daqui sai trilhas para todos os lados, mas nenhuma parece levar a lugar algum. Distancio-me uns 200 metros do abrigo e faço um circulo até interceptar o caminho que seguia na direção norte, totalmente do lado oposto de onde pensei que a encontraria, praticamente voltando.
       
      O dia praticamente já está no fim, por isso resolvo apertar o passo e praticamente corro na trilha. Ela fez uma curva para direita e seguiu firme no rumo leste, sempre descendo. Por algumas vezes fazia alguns desvios em locais onde gigantescos desmoronamentos a engolia. O local é realmente perigoso e por um triz não caio em um grande buraco. Estou realmente exausto, preciso chegar logo para poder comer alguma coisa quente e descansar. Cruzo vários capões de mata e muitos riachos. Do meu lado esquerdo vejo um vale gigantesco, que provavelmente o acompanharei até o final da viagem. Finalmente às 05 da tarde avisto o telhado do Abrigo Macieiras. Fico muito feliz e eufórico. Ando os últimos metros até tropeçar na porta do meu “hotel” de selva. Largo minha mochila e desabo de cansado.
      O abrigo Macieiras, a exemplo do abrigo Massena, não passa de uma tapera. Parte do assoalho afundou. Existem infiltrações por todos os lados,não há mais água nas torneiras,por isso sou obrigado a procura-la trinta metros a baixo junto a um riacho . O lugar é realmente macabro, lembra as casas de filmes de terror. Poderia servir muito bem de morada para espíritos malíguinos,demônios,assombrações,exus alados,seres extra-terrestre e aventureiros céticos ,como eu .
       
      Por ser minha última noite na travessia, resolvo fazer um banquete. Enquanto meu fogareiro faz sua parte, aproveito para dar uma organizada na casa. Encontro um velho cobertor pendurado na parede e uso-o para forrar minha cama. Estendo meu saco de dormir e acendo uma vela. Fico sentado na varanda olhando para floresta escura e pensando nas coisas de ruim que poderia ter me acontecido. Poderia ter quebrado uma perna,ser picado por uma cobra,ser arrastado pelo rio,atingido por um raio,cair no abismo,atacado por um enxame de vespas,sofrido um ataque cardíaco,ter sido estraçalhado por uma onça,me engasgado com a comida,ser atingido pela queda de uma árvore, escorregado e batido a cabeça no chão,ter morrido de hipotermia, etc..A relação de perigos imaginários ou reais são bastante grandes. Estar sozinho requer muito cuidado e uma boa dose de experiência no que se está fazendo. Sei que ainda tenho muito a aprender , mas depois de quase vinte anos perambulando por quase todo tipo de lugar, consegui adquirir um conhecimento que me faz caminhar por lugares ermos como se estivesse no quintal de casa.
       
      Janto a luz de velas e vou dormir. De madrugada ouço um barulho de alguma coisa andando no assoalho da casa. Coberto dos pés a cabeça por causa do frio, percebo que o invasor começa a se aproximar do meu quarto,tento me levantar para ver do que se trata mas como está muito escuro,não consegui nem chegar até a porta.A coisa ou seja lá o que for, voltou para a floresta.Poderia ter sido uma onça atraída pelo cheiro da minha comida,mas prefiro acreditar que tenha sido mesmo um pequeno cervo ou porco do mato,mas infelizmente nunca saberei o que realmente veio me visitar.
       
      O dia amanhece lindo. Como alguma coisa e volto para a trilha. O orvalho da manhã me deixa todo molhado. Como é prazeroso caminhar por esta floresta preservada. São centenas de flôres diferentes, algumas só existem nesta região. Insetos são de incontáveis números. No meio da trilha encontro um lagarto tomando seu banho de sol matinal. O caminho segue sempre para baixo e vai ficando cada vez mais fechado. Sou obrigado a abrir o mato no peito. Já faz muito tempo que ninguém passa por aqui, sou um privilegiado de poder reabrir esta trilha e dar passagem para outros aventureiros que terão , como eu, o prazer de conhecer este paraíso. Em alguns momentos a trilha simplesmente desaparece. A floresta tomou de volta o espaço que sempre lhe pertenceu. Árvores, bambus, cipós, tombarão sobre a trilha. Em alguns lugares sou obrigado a me rastejar e me livrar de incontáveis espinhos. Depois de quase quatro horas finalmente consegui emergir desta floresta e alcanço a estradinha de terra que me levará a sede do Parque Nacional.
       
      Quarenta minutos é o tempo que gasto para chegar ao primeiro posto de controle, que fica junto do poço do maromba. Ao se aproximar de mim o guarda parque pediu para ver minha autorização. Ele me perguntou quem era o meu guia e se ele ainda estava para trás. Foi muito engraçado ver a cara que ele fez quando disse que não havia guia algum e que eu estava sozinho, alias esta cara se repetiu várias vezes em todos os postos de fiscalização em que passei.
      Sai da trilha todo sujo, com a roupa rasgada, todo arranhado. resolvo descer a trilha até o poço do maromba. É inacreditável a beleza deste lugar. A cachoeira não é muito alta, mas na sua base forma-se um poço extremamente verde e profundo, um prêmio para coroar esta linda travessia. A água estava gelada, mas seria um pecado ir embora sem dar um mergulho. Tiro a roupa e nem penso muito, subo em uma grande pedra e me atiro de ponta. È um prazer que não da para descrever, lavei a alma e tudo mais que estivesse sujo. Saio da água renovado e pronto para seguir enfrente, já que ainda tenho umas três ou quatro horas de caminhada até o final. Atravesso a ponte sobre o rio e vou conhecer a cachoeira véu de noivas, a mais alta da parte baixa do parque,uma bela queda de uns cinqüenta metros. Volto para estrada e em duas horas passo pela sede do Parque Nacional de Itatiaia que hoje por ser segunda-feira,está fechado. Na portaria depois do centro de visitantes consigo uma carona até a rodoviária de Itatiaia, esta pequena cidade as margens da Via Dutra .
       
      Compro a passagem de volta par casa e como o ônibus vai demorar mais de duas horas, resolvo comer alguma coisa do outro lado da rodovia Dutra. Subo na passarela e é de lá que consigo avistar toda extensão da serra e do parque por onde caminhei durante todos estes dias. Avisto o cume do Pico das Agulhas Negras. Sinto-me muito cansado, mas imensamente feliz de poder ter tido a oportunidade de trilhar estes caminhos e estas trilhas que a muito tempo parece não receber a presença de outros aventureiros. Durante três dias estive praticamente sozinho, mas nunca me senti só. Maravilhei-me com a beleza deste lugar, cruzei por montanhas imensas e florestas espetaculares, atravessei rios de águas cristalinas e acampei em lugares mágicos. Perigos, sei que corri muitos, mas viver já um perigo . Alias como diz a letra da música que projetou o grupo de rock inglês Queem para o mundo, keep yoursel aline , que em bom português quer dizer: mantenha-se vivo. E foi o que tentei fazer durante todos estes dias, manter me vivo. Sentir o cheiro da natureza, ouvir o barulho das águas correndo sobre as pedras, ver o por do sol, redescobrir para que foram feitas as pernas, tocar a terra, deitar na grama,nadar no rio,subir nas árvores,comer frutas silvestres, atolar o pé na lama, cheirar as flores do campo, me pendurar nas pedras, contemplar o céu estrelado, beber a mais pura das águas, me encantar com os pássaros e os animais da floresta, escalar montanha.
       
      Despeço-me deste lugar com a promessa de voltar um dia, mas desta vez arrastando atrás de mim minha filha .Eu que sempre detestei andar com guia, pretendo guia-la, na esperança que ela também aprenda a MANTER-SE VIVA.
       
       
       
      DIVANEI / dezembro - 2008
    • Por Silvana_23
      Esse é o relato da viagem em que os planos deram errado, mas mesmo assim foi maravilhosa!
       
      Planejamento inicial era:
      - chegar dia 21/4 pela manhã no Parque Nacional de Itatiaia e fazer alguma trilha curta
      - dia 22/4 fazer o circuito Couto- Prateleiras (talvez subir ao topo das Prateleiras)
      - dia 23/4 fazer alguma trilha pela manhã, almoçar em Penedo e voltar para São Paulo.
       
      O realizado foi:
       
      21/4/17: viajei 5h de São Paulo até o Hostel Picus, em Itamonte. Fui sozinha, meus amigos saíram de Campinas e chegaram mais tarde, perto de 12h. Para ir ao parque àquela hora não seria possível ver nada além do que já iríamos ver no dia seguinte, não compensava ver duas vezes....então andamos pelo bairro do hostel. Almoçamos no restaurante Pinhão Assado, chegamos a uma fonte ferruginosa (disseram que princesa Isabel já tomou daquela água para ter boa saúde...nenhum de nós teve coragem). Passamos por uma cachoeira simples, mas que já dava a graça de estar no mato. Pelo caminho, era possível avistar a Pedra do Picú.

       
      O dia estava lindo! Na volta ao hostel conhecemos seu dono que também era o guia que iria conosco na trilha planejada: Felipe. Teríamos que estar às 7h na entrada do Parque (Portaria do Marcão). Preparamos o lanche para o dia seguinte e o jantar: risotto de funghi com queijo. Não tinha estrelas no céu, mau sinal.
       
      22/4/17: Durante a noite acordei com barulho de chuva, choveu praticamente a noite toda. Mesmo assim levantamos e saímos para encontrar o Felipe conforme combinado. O hostel fica na beira da estrada que leva à Garganta do Registro, 5km de distância. Chegando na Garganta do Registro precisa pegar uma estrada de terra à esquerda e após cerca de 15 km chegamos na portaria do parque. Demora cerca de 50 min. A chuva não parou. Com aquele tempo não compensava fazer a trilha e havia risco de acidentes. Voltamos para o hostel para dormir! Às 11:30 a chuva havia parado e esboçavam raios de sol. Decidimos voltar ao parque e fazer qualquer caminhada possível. A Tatá, esposa do Felipe, indicou ir à Cachoeira das Flores ou ir ao Morro do Couto onde era possível chegar sem guia (até antena). Decidimos fazer Morro do Couto, já que não sabíamos se o tempo estaria bom no dia seguinte para qualquer caminhada. Foram 2h40 min ida e volta. Tempo nublado, lama no chão, mas com paisagens bonitas mesmo assim! Era possível avistar Agulhas Negras, Asa de Hermes lá longe...


       
      Na volta compramos pinhão, queijo, vinho e licor de Prestígio nas lojinhas que ficam na estrada (Garganta do Registro). Jantamos no hostel, tomamos vinho e essa noite já dava mais esperança: céu estrelado! Combinamos com Felipe que se pela manhã não estivesse chovendo queríamos ir a Prateleiras!
       
      23/4/17: às 5:30 não chovia e o chão estava seco. Fomos para o parque e encontramos o Felipe e Tatá para finalmente conhecermos as Prateleiras. Chegamos na portaria umas 7:40, entramos com o carro até o abrigo Rebouças (estrada ruim para carro pequeno) assim ganhamos tempo e passamos na frente de um grupo de 30 pessoas que ia fazer o mesmo caminho que o nosso, mas estava caminhando da portaria até o abrigo. Saindo do Abrigo Rebouças, caminhamos por uma estradinha e avistamos a Cachoeira das Flores, passamos por um ponto onde se fazem fotos clássicas das Prateleiras, mas com as nuvens não ficaram muito boas. Passamos por um ponto para pegar água e depois de cerca de 1h 30 chegamos na Base das Prateleiras (2460m). Nesse local eu já estava muito feliz: paisagem maravilhosa!!!






       
       
      Olhei para cima e fiquei pensando: o topo deve ser muito legal, mas tenho medo e aqui está muito bom! Um dos meus amigos não ia subir, dois iriam e eu estava indecisa. A Tatá disse que da base ao topo pode levar de 20 min a 3 h, dependendo do grupo. Pelo que nós havíamos caminhado ela achava que levaríamos 40 min. Decidi subir! A parte boa é que a mochila podia deixar na base, com F. que não subiu. Só coloquei uma bolacha e garrafinha de água na mochila do T. E a câmera no bolso. Esse trajeto foi uma escalaminhada que dá medo pela altura, mas as pedras não são escorregadias e a Tatá foi me dando superdicas e demonstrando como se encaixar na pedra. Eu comecei com luvas (de musculação), pra não machucar a mão, mas elas atrapalham, melhor segurar direto nas pedras (e não me machuquei). O guia e os meninos iam em pé em vários trechos em que fui sentada. Eu só queria chegar! Houve um trecho em que usamos cadeirinha, corda e o Felipe fez a segurança para descer uma pedra e depois seguramos na corda para subir até o topo (altitude 2539) e assinar o livro de visitas que fica lá para os corajosos que alcançam. Na subida ficava pensando que na volta também teria que passar por ali...e como disse Felipe: "pensa na volta quando estiver voltando". Descer foi mais fácil que eu pensei! Levamos 1 hora. Tempo total (subida, tempo de descanso e descida) igual 3h. Depois da base fizemos um pequeno desvio para tirar fotos na Pedra da Tartaruga e Pedra da Maçã. Valeu muito a pena! A caminhada durou total de 6 h ida e volta, conforme orientam na entrada do parque.


       
       
      Voltamos para o hostel, tomei banho e às 16:30 estava pegando estrada para voltar a São Paulo. Como era volta de feriado foram 6 horas até São Paulo. Mas não sentia cansaço, pelo contrário, caminhada nas montanhas aumentou minha disposição pra semana!!! Quero voltar!!!!
      Dicas:
      Hostel picus: (35) 991142525; (35) 99119-9153
      http://www.picus.com.br
      http://www.icmbio.gov.br/parnaitatiaia


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