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Bolívia econômica - 15 dias - Com fotos e preços - Finalizado
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Olá,
Depois de alguns meses enrolando, resolvi fazer o meu relato, para ajudar àqueles que pretendem conhecer a Bolívia, assim como tantos outros relatos me ajudaram.
Minha viagem foi restrita a Bolívia, devido a restrições financeiras e de tempo. Fomos eu e um amigo, com U$1.000,00 para os dois, mais o cartão de crédito para alguma emergência (pouco usado). Tínhamos apenas 15 dias, desde a saída até o retorno ao Brasil. Moramos em Campo Grande/MS, o que encurta a viagem. Saímos de Campo Grande no dia 25 de junho de 2010 e chegamos em casa no dia 09 de julho. Anotei quase todos os gastos, porém não consigo encontrar o papel, então vou colocar os que lembrar de cabeça e outros aproximados.
01 Dia:
Pegamos o ônibus da empresa Andorinha em Campo Grande a meia noite, R$71,70. Chegamos a Corumbá por volta das 06h. Ficamos um tempo na rodoviária, já que a fronteira só abre às 08h. Pegamos um taxi até a fronteira, custou R$30,00. Não paguem mais que isso, é tabelado. Alguns espertos querem cobrar mais, fale que custa R$30,00 e que vai pagar isso, se o cara não aceitar o próximo da fila aceita. Para quem quer economizar tem um ônibus circular que passar perto da rodoviária e vai até a fronteira, passa de hora em hora.
Chegando à fronteira, fomos direto para imigração boliviana. Viajamos com identidade, não levamos passaporte. Foi tudo tranquilo e rápido. Ali mesmo trocamos um pouco de dólares por bolivianos, coisa de vinte dólares, só para pagar a alimentação dentro do trem. Pegamos um taxi boliviano, caindo as pedaços, como quase todos na Bolívia, BOB20,00, até o Shopping China, na zona franca perto da fronteira. Era dia de jogo do Brasil. Já estávamos com as passagens do trem compradas por BOB117,00, na classe pullman, já que naquele dia não iria sair o superpullman. Compramos alguns alimentos (chocolates, salgadinhos, etc) no shopping china (metade do preço do Brasil) e fomos assistir o jogo. Tivemos que sair uns 15 min antes de acabar para ir para estação, pois nosso trem saía às 16h30min. Um taxista boliviano queria nos cobrar BOB10,00 até a estação, coisa de 500m. Fomos andando mesmo.
Na estação tudo muito tranquilo também. Levamos nossas mochilas no vagão mesmo. O espaço é enorme e os bolivianos levam malas muito grandes lá em cima. Não despache suas mochilas, levem elas no vagão. O trem estava vazio. É confortável, apesar de o Pullman não ter ar condicionado, nem televisão. Se puderem deixem para chegar à fronteira no dia que sai o Superpullman, já que a diferença de preço é mínima e tem ar condiciona e TV, não para toda hora e não entra gente vendendo alimentos a todo o momento, mas sobre isso vou falar adiante.
O trem saiu na hora marcada, no meu vagão não tinha mais ninguém além de nós dois. Vai um policial armado no trem e ele fica circulando pelos vagões. Como o meu estava vazio ficou boa parte da viagem nele.
Bom, vamos ao começo do sofrimento. O Pullman não tem restaurante e como não tem ar condicionado as janelas tem que ficar abertas. No início da viagem, como ainda é dia, faz muito calor. O trem para a todo o momento. A impressão que tive é que se alguém no meio do nada der a mão, ele para e o cara sobe. De vez em quando vem o fiscal e confere as passagens. A cada parada, sobe um batalhão de crianças e adultos também, vendendo os mais variados tipos de comida. O cheiro é insuportável. A cada parada o trem foi enchendo mais, até em certo momento, lá pelo meio da viagem, ficar lotado. Os bolivianos falam muito, no início chega a ser insuportável. Além disso, como aqui no Brasil, tem muitos que não tomam banho e exalam um cheiro horrível. É claro que lá a proporção é maior, principalmente em La Paz. Outra coisa é a musica que colocam no início você até acha graça, diversos cantores brasileiros cantando em espanhol. Rolou sertanejo, axé, Roberto Carlos, Paralamas do Sucesso, etc. O problema é que depois vem à música boliviana. Pensa em uma musiquinha chata e multiplica por 10. O pior é que já eram 23h e a música continuava alta. Então pedi o fiscal para abaixar. Não é que ele me atendeu e desligou.
A dica é levar tampão de ouvido, para conseguir dormir. Além disso, leve comida, pois a maioria dos brasileiros não tem estômago para comer as comidas que são vendidas no trem Pullman.
02 Dia:
Chegamos a Santa Cruz de La Sierra por volta das 08h30min. Estávamos muito cansados e sujos. Dentro do terminal tem caixa automático para sacar dinheiro e gente fazendo cambio. Trocamos mais alguns dólares. Como seguiríamos para La Paz naquele mesmo dia, fomos direto ao guichê da empresa Copacabana comprar a passagem. Não me recordo agora, mas tem duas empresas Copacabana. Uma é ME e outra não lembro. Pesquisem, pois somente uma das duas é boa. Além disso, perguntem se o ônibus que você vai pegar tem calefação (aquecimento), pois faz muito frio na viagem. Peguei o horário das 15h30min, parece que era um horário novo. Ônibus de três fileiras, BOB150. Segundo a atendente, com calefação.
Resolvemos tomar um banho, deixar as mochilas no guarda volumes e dar uma volta na cidade. O banheiro do terminal bi modal é imundo. Acostumem-se com a ideia, a maioria na Bolívia vai ser assim. Com o fato também de não haver papel higiênico nos banheiros. Quando você entra, eles te dão um pedacinho que não dá pra nada. Então sempre levem o seu na mochila. Pagamos para usar o baño e para ducharnos. Baño BOB2 e ducha BOB5. Vou inserindo algumas palavras em espanhol, que quem não sabe a língua tem que saber. Baño = banheiro, privada. Ducha = chuveiro. Ir al baño = fazer o número 1 ou 2. Duchar = tomar banho.
Banho tomado, fomos guardar as mochilas, BOB10. Dentro do terminal tem um balcão de atendimento ao turista. A atendente, super atenciosa, nos ensinou como chegar Praça Principal, inclusive falando qual ônibus pegar. Isso mesmo, ônibus. Super tranquilo, sempre que puderem optem por pegar ônibus. Além de super barato, você se insere na cultura local. Os ônibus tem letreiro na frente falando os principais pontos onde passam. Mesmo assim confirmei com o motorista e pedi que ele me avisasse quando estivesse chegando. Custou BOB1,50. Descemos a umas 3 quadras e tanto o motorista, quanto algumas pessoas que estavam no ônibus, nos indicaram a direção que deveríamos seguir.
A cidade é bonita, moderna. Parece com algumas cidades médias do Brasil. O que muda é a grande quantidade de carros velhos. Apesar de haver muitos carrões. Além disso, o trânsito não tem muita regra, mas ainda é bem melhor que o de La Paz. Visitamos a Igreja, muito bonita por sinal. Depois ficamos um pouco na praça, andamos pelas ruas ao redor. Fomos procurar algum lugar para almoçar. Rodamos um pouco até achar um restaurante que nos agradasse. Apesar da viagem ser econômica, não economizamos com comida. Sempre procuramos bons restaurantes. E apesar disso tivemos um grande problema decorrente da comida, mas isso é mais pra frente, em Copacabana. A alimentação em Santa Cruz não é tão barata quanto o resto da Bolívia, mas ainda assim pagamos o equivalente a uns R$10,00, BOB35 por um bom almoço. Depois entramos em algumas lojas. Os preços aqui não são tão bons como La Paz, mas melhores que do Brasil. Para quem ainda estiver com reais, Santa Cruz é a última cidade onde ele vale alguma coisa. A cotação para Real era praticamente o equivalente a trocar reais por dólares no Brasil e dólares em bolivianos lá. Do dólar para o boliviano também estava boa a cotação, BOB7,05 x U$1, isso no centro, no terminal não é tão boa assim não. Fomos então fazer um lanche em uma lanchonete perto da Igreja. Muito bom e barato. Os salgados de lá são totalmente diferentes dos encontrados no Brasil. Até a saltenha, que aqui no MS é comum, tem um gosto totalmente diferente lá. Eles têm tipo um pão de queijo, porém é bem doce. Gastamos mais ou menos uns BOB20 os dois.
Voltamos ao ponto de ônibus, pagamos mais BOB1,50 cada um na passagem e desembarcamos em frente ao terminal Bimodal. Pegamos nossas mochilas, sem nenhum problema e ficamos esperando o horário do ônibus. Em todas as rodoviárias da Bolívia, tem que pagar pelo uso do terminal. Se não me engano nessa custou BOB2 e é pago em um guichê a parte, não é como aqui no Brasil que já vem embutido no valor da passagem. Embarcamos e para nossa surpresa, o ônibus não tinha nem ar condicionado, nem calefação. No início da viagem faz muito calor, então passamos bastante calor. Quando começa a subir a cordilheira dos Andes, faz muito frio, muito, muito frio. Ainda bem que levei minha mochila lá em cima. Isso mesmo tem bastante espaço, então levem a sua com vocês sempre que possível. Já que na Bolívia não etiquetam as mochilas. Então quando começou a fazer frio, fui vestindo roupa, coloquei segunda pele, calça, jaqueta, etc. Por fim, usei o saco de dormir que levei comigo. Outra dica é se tiver, leve um saco de dormir, pois vai ser útil várias vezes durante a viagem. O ônibus só faz uma parada nas 14h de viagem. Lá pelo início, mais ou menos 6 da tarde. Para em um lugar onde os bolivianos jantam. Alias, só havia nós dois de estrangeiros no ônibus. Não encaramos a comida. Compramos uns biscoitos caseiros, que estavam bons e voltamos para o ônibus. A viagem passa por estradas muito sinuosas e perigosas. O motorista não respeita nenhuma regra de trânsito. Então é adrenalina o tempo todo. Só consegui dormir lá pelas 3 da manhã.
03 Dia:
Chegamos em La Paz mais ou menos 6 da manhã. Já tinha reserva no Hostal Copacabana. Pegamos um táxi, BOB8. A rodoviária fica perto do centro. No hotel tudo certo, havia um papel com nossos nomes, junto da chave do quarto. E não precisamos fazer deposito antecipado ou coisa parecida. O hostal é confortável. Pagamos BOB140 a diária do quarto duplo com banheiro interno, com água caliente (quente). Sempre perguntem se a água é caliente, porque faz muito frio em La Paz. O hostal disponibiliza 3 computadores "lentium" para uso, com internet mais lenta ainda. Porém, já quebra o galho. O desayuno é simples, chá de coca (beba muito), torrada, manteiga, geleia e suco de laranja. Eles fazem cambio por lá, BOB7xU$1 e existe uma agência de turismo, porém não recomendo, já que cobra preços acima do mercado.
O primeiro dia em La Paz tiramos para descansar um pouco, conhecer um pouco da cidade e fechar os passeios dos dias seguintes. Era domingo, algumas lojas não abrem, outras abrem só pela manhã e outras só pela tarde. As agências de turismo abrem. Primeiro fomos a uma feirinha no final da Calle Lampu, que é a rua do hotel. Lá você pode encontrar todo dia pode roupa de frio. Compramos alguma coisa e voltamos ao hotel. Na hora do almoço resolver experimentar o Pollo deles (frango). O que eles mais comem é Pollo. Você vai cansar de ouvir essa palavra. Fomos a uma das redes de fast food bolivianos especializadas em Pollo. Cada prato de Pollo frito, arroz, salada e papas (batata) fritas, ficou em torno de BOB17, com direito a um copo de suco.
Depois do almoço fomos atrás de fechar os passeios para os próximos dias. Os preços são praticamente tabelados, algumas vezes jogam um pouco para cima, mas basta chorar um desconto (o que deve sempre ser feito na Bolívia, mesmo se você achar que o preço já está baixo) que eles fazem o preço normal. Fechamos com uma agência em frente ao Hostal, já que a do Hostal, por incrível que pareça, não abaixa o preço de forma alguma, isso já cobrando mais que as outras pedem no início da negociação. Fechamos para o 4º dia a visita ao Tiahuanaco, BOB130, para o 5º downhill de montain bike de La Paz para Coroico, BOB350 e para o 6º dia a subida ao Chacaltaya, BOB65 (acabamos tendo um custo a mais, mas falarei sobre isso depois).
Depois fomos andar pela avenida principal de La Paz, visitamos a igreja principal, não lembro o nome, e a praça do governo, onde fica o palácio presidencial e a residência do Evo. Deparamos-nos com algo que pensamos ser Carnaval, mas que descobrimos ser uma procissão religiosa. Depois foi voltar para o hostel para enfim descansar e dormir em uma cama. Antes disso saímos para jantar e acabamos comendo uma pizza perto do Hostal, cerca de BOB40, bem grande, suficiente para 3 pessoas, mas que comemos toda nós dois, e muito boa por sinal.
Vale lembra que La Paz fica a 3600m de altitude. Assim, nossos corpos já estavam sentindo os efeitos da altitude. Dificuldade para respirar, cansaço com pequenos esforços e no caso do meu amigo, muita dor de cabeça. Isso porque já estávamos tomando remédio para o mal da altitude desde Santa Cruz. Essa primeira noite foi horrível, apesar do cansaço, foi muito difícil dormir, já que quase não conseguia respirar.
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