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Bolívia econômica - 15 dias - Com fotos e preços - Finalizado


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Olá,

 

Depois de alguns meses enrolando, resolvi fazer o meu relato, para ajudar àqueles que pretendem conhecer a Bolívia, assim como tantos outros relatos me ajudaram.

Minha viagem foi restrita a Bolívia, devido a restrições financeiras e de tempo. Fomos eu e um amigo, com U$1.000,00 para os dois, mais o cartão de crédito para alguma emergência (pouco usado). Tínhamos apenas 15 dias, desde a saída até o retorno ao Brasil. Moramos em Campo Grande/MS, o que encurta a viagem. Saímos de Campo Grande no dia 25 de junho de 2010 e chegamos em casa no dia 09 de julho. Anotei quase todos os gastos, porém não consigo encontrar o papel, então vou colocar os que lembrar de cabeça e outros aproximados.

 

01 Dia:

 

Pegamos o ônibus da empresa Andorinha em Campo Grande a meia noite, R$71,70. Chegamos a Corumbá por volta das 06h. Ficamos um tempo na rodoviária, já que a fronteira só abre às 08h. Pegamos um taxi até a fronteira, custou R$30,00. Não paguem mais que isso, é tabelado. Alguns espertos querem cobrar mais, fale que custa R$30,00 e que vai pagar isso, se o cara não aceitar o próximo da fila aceita. Para quem quer economizar tem um ônibus circular que passar perto da rodoviária e vai até a fronteira, passa de hora em hora.

 

Chegando à fronteira, fomos direto para imigração boliviana. Viajamos com identidade, não levamos passaporte. Foi tudo tranquilo e rápido. Ali mesmo trocamos um pouco de dólares por bolivianos, coisa de vinte dólares, só para pagar a alimentação dentro do trem. Pegamos um taxi boliviano, caindo as pedaços, como quase todos na Bolívia, BOB20,00, até o Shopping China, na zona franca perto da fronteira. Era dia de jogo do Brasil. Já estávamos com as passagens do trem compradas por BOB117,00, na classe pullman, já que naquele dia não iria sair o superpullman. Compramos alguns alimentos (chocolates, salgadinhos, etc) no shopping china (metade do preço do Brasil) e fomos assistir o jogo. Tivemos que sair uns 15 min antes de acabar para ir para estação, pois nosso trem saía às 16h30min. Um taxista boliviano queria nos cobrar BOB10,00 até a estação, coisa de 500m. Fomos andando mesmo.

 

Na estação tudo muito tranquilo também. Levamos nossas mochilas no vagão mesmo. O espaço é enorme e os bolivianos levam malas muito grandes lá em cima. Não despache suas mochilas, levem elas no vagão. O trem estava vazio. É confortável, apesar de o Pullman não ter ar condicionado, nem televisão. Se puderem deixem para chegar à fronteira no dia que sai o Superpullman, já que a diferença de preço é mínima e tem ar condiciona e TV, não para toda hora e não entra gente vendendo alimentos a todo o momento, mas sobre isso vou falar adiante.

 

O trem saiu na hora marcada, no meu vagão não tinha mais ninguém além de nós dois. Vai um policial armado no trem e ele fica circulando pelos vagões. Como o meu estava vazio ficou boa parte da viagem nele.

Bom, vamos ao começo do sofrimento. O Pullman não tem restaurante e como não tem ar condicionado as janelas tem que ficar abertas. No início da viagem, como ainda é dia, faz muito calor. O trem para a todo o momento. A impressão que tive é que se alguém no meio do nada der a mão, ele para e o cara sobe. De vez em quando vem o fiscal e confere as passagens. A cada parada, sobe um batalhão de crianças e adultos também, vendendo os mais variados tipos de comida. O cheiro é insuportável. A cada parada o trem foi enchendo mais, até em certo momento, lá pelo meio da viagem, ficar lotado. Os bolivianos falam muito, no início chega a ser insuportável. Além disso, como aqui no Brasil, tem muitos que não tomam banho e exalam um cheiro horrível. É claro que lá a proporção é maior, principalmente em La Paz. Outra coisa é a musica que colocam no início você até acha graça, diversos cantores brasileiros cantando em espanhol. Rolou sertanejo, axé, Roberto Carlos, Paralamas do Sucesso, etc. O problema é que depois vem à música boliviana. Pensa em uma musiquinha chata e multiplica por 10. O pior é que já eram 23h e a música continuava alta. Então pedi o fiscal para abaixar. Não é que ele me atendeu e desligou.

A dica é levar tampão de ouvido, para conseguir dormir. Além disso, leve comida, pois a maioria dos brasileiros não tem estômago para comer as comidas que são vendidas no trem Pullman.

 

 

 

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02 Dia:

 

 

Chegamos a Santa Cruz de La Sierra por volta das 08h30min. Estávamos muito cansados e sujos. Dentro do terminal tem caixa automático para sacar dinheiro e gente fazendo cambio. Trocamos mais alguns dólares. Como seguiríamos para La Paz naquele mesmo dia, fomos direto ao guichê da empresa Copacabana comprar a passagem. Não me recordo agora, mas tem duas empresas Copacabana. Uma é ME e outra não lembro. Pesquisem, pois somente uma das duas é boa. Além disso, perguntem se o ônibus que você vai pegar tem calefação (aquecimento), pois faz muito frio na viagem. Peguei o horário das 15h30min, parece que era um horário novo. Ônibus de três fileiras, BOB150. Segundo a atendente, com calefação.

 

Resolvemos tomar um banho, deixar as mochilas no guarda volumes e dar uma volta na cidade. O banheiro do terminal bi modal é imundo. Acostumem-se com a ideia, a maioria na Bolívia vai ser assim. Com o fato também de não haver papel higiênico nos banheiros. Quando você entra, eles te dão um pedacinho que não dá pra nada. Então sempre levem o seu na mochila. Pagamos para usar o baño e para ducharnos. Baño BOB2 e ducha BOB5. Vou inserindo algumas palavras em espanhol, que quem não sabe a língua tem que saber. Baño = banheiro, privada. Ducha = chuveiro. Ir al baño = fazer o número 1 ou 2. Duchar = tomar banho.

 

Banho tomado, fomos guardar as mochilas, BOB10. Dentro do terminal tem um balcão de atendimento ao turista. A atendente, super atenciosa, nos ensinou como chegar Praça Principal, inclusive falando qual ônibus pegar. Isso mesmo, ônibus. Super tranquilo, sempre que puderem optem por pegar ônibus. Além de super barato, você se insere na cultura local. Os ônibus tem letreiro na frente falando os principais pontos onde passam. Mesmo assim confirmei com o motorista e pedi que ele me avisasse quando estivesse chegando. Custou BOB1,50. Descemos a umas 3 quadras e tanto o motorista, quanto algumas pessoas que estavam no ônibus, nos indicaram a direção que deveríamos seguir.

 

A cidade é bonita, moderna. Parece com algumas cidades médias do Brasil. O que muda é a grande quantidade de carros velhos. Apesar de haver muitos carrões. Além disso, o trânsito não tem muita regra, mas ainda é bem melhor que o de La Paz. Visitamos a Igreja, muito bonita por sinal. Depois ficamos um pouco na praça, andamos pelas ruas ao redor. Fomos procurar algum lugar para almoçar. Rodamos um pouco até achar um restaurante que nos agradasse. Apesar da viagem ser econômica, não economizamos com comida. Sempre procuramos bons restaurantes. E apesar disso tivemos um grande problema decorrente da comida, mas isso é mais pra frente, em Copacabana. A alimentação em Santa Cruz não é tão barata quanto o resto da Bolívia, mas ainda assim pagamos o equivalente a uns R$10,00, BOB35 por um bom almoço. Depois entramos em algumas lojas. Os preços aqui não são tão bons como La Paz, mas melhores que do Brasil. Para quem ainda estiver com reais, Santa Cruz é a última cidade onde ele vale alguma coisa. A cotação para Real era praticamente o equivalente a trocar reais por dólares no Brasil e dólares em bolivianos lá. Do dólar para o boliviano também estava boa a cotação, BOB7,05 x U$1, isso no centro, no terminal não é tão boa assim não. Fomos então fazer um lanche em uma lanchonete perto da Igreja. Muito bom e barato. Os salgados de lá são totalmente diferentes dos encontrados no Brasil. Até a saltenha, que aqui no MS é comum, tem um gosto totalmente diferente lá. Eles têm tipo um pão de queijo, porém é bem doce. Gastamos mais ou menos uns BOB20 os dois.

 

Voltamos ao ponto de ônibus, pagamos mais BOB1,50 cada um na passagem e desembarcamos em frente ao terminal Bimodal. Pegamos nossas mochilas, sem nenhum problema e ficamos esperando o horário do ônibus. Em todas as rodoviárias da Bolívia, tem que pagar pelo uso do terminal. Se não me engano nessa custou BOB2 e é pago em um guichê a parte, não é como aqui no Brasil que já vem embutido no valor da passagem. Embarcamos e para nossa surpresa, o ônibus não tinha nem ar condicionado, nem calefação. No início da viagem faz muito calor, então passamos bastante calor. Quando começa a subir a cordilheira dos Andes, faz muito frio, muito, muito frio. Ainda bem que levei minha mochila lá em cima. Isso mesmo tem bastante espaço, então levem a sua com vocês sempre que possível. Já que na Bolívia não etiquetam as mochilas. Então quando começou a fazer frio, fui vestindo roupa, coloquei segunda pele, calça, jaqueta, etc. Por fim, usei o saco de dormir que levei comigo. Outra dica é se tiver, leve um saco de dormir, pois vai ser útil várias vezes durante a viagem. O ônibus só faz uma parada nas 14h de viagem. Lá pelo início, mais ou menos 6 da tarde. Para em um lugar onde os bolivianos jantam. Alias, só havia nós dois de estrangeiros no ônibus. Não encaramos a comida. Compramos uns biscoitos caseiros, que estavam bons e voltamos para o ônibus. A viagem passa por estradas muito sinuosas e perigosas. O motorista não respeita nenhuma regra de trânsito. Então é adrenalina o tempo todo. Só consegui dormir lá pelas 3 da manhã.

 

 

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03 Dia:

 

Chegamos em La Paz mais ou menos 6 da manhã. Já tinha reserva no Hostal Copacabana. Pegamos um táxi, BOB8. A rodoviária fica perto do centro. No hotel tudo certo, havia um papel com nossos nomes, junto da chave do quarto. E não precisamos fazer deposito antecipado ou coisa parecida. O hostal é confortável. Pagamos BOB140 a diária do quarto duplo com banheiro interno, com água caliente (quente). Sempre perguntem se a água é caliente, porque faz muito frio em La Paz. O hostal disponibiliza 3 computadores "lentium" para uso, com internet mais lenta ainda. Porém, já quebra o galho. O desayuno é simples, chá de coca (beba muito), torrada, manteiga, geleia e suco de laranja. Eles fazem cambio por lá, BOB7xU$1 e existe uma agência de turismo, porém não recomendo, já que cobra preços acima do mercado.

 

O primeiro dia em La Paz tiramos para descansar um pouco, conhecer um pouco da cidade e fechar os passeios dos dias seguintes. Era domingo, algumas lojas não abrem, outras abrem só pela manhã e outras só pela tarde. As agências de turismo abrem. Primeiro fomos a uma feirinha no final da Calle Lampu, que é a rua do hotel. Lá você pode encontrar todo dia pode roupa de frio. Compramos alguma coisa e voltamos ao hotel. Na hora do almoço resolver experimentar o Pollo deles (frango). O que eles mais comem é Pollo. Você vai cansar de ouvir essa palavra. Fomos a uma das redes de fast food bolivianos especializadas em Pollo. Cada prato de Pollo frito, arroz, salada e papas (batata) fritas, ficou em torno de BOB17, com direito a um copo de suco.

 

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Depois do almoço fomos atrás de fechar os passeios para os próximos dias. Os preços são praticamente tabelados, algumas vezes jogam um pouco para cima, mas basta chorar um desconto (o que deve sempre ser feito na Bolívia, mesmo se você achar que o preço já está baixo) que eles fazem o preço normal. Fechamos com uma agência em frente ao Hostal, já que a do Hostal, por incrível que pareça, não abaixa o preço de forma alguma, isso já cobrando mais que as outras pedem no início da negociação. Fechamos para o 4º dia a visita ao Tiahuanaco, BOB130, para o 5º downhill de montain bike de La Paz para Coroico, BOB350 e para o 6º dia a subida ao Chacaltaya, BOB65 (acabamos tendo um custo a mais, mas falarei sobre isso depois).

 

Depois fomos andar pela avenida principal de La Paz, visitamos a igreja principal, não lembro o nome, e a praça do governo, onde fica o palácio presidencial e a residência do Evo. Deparamos-nos com algo que pensamos ser Carnaval, mas que descobrimos ser uma procissão religiosa. Depois foi voltar para o hostel para enfim descansar e dormir em uma cama. Antes disso saímos para jantar e acabamos comendo uma pizza perto do Hostal, cerca de BOB40, bem grande, suficiente para 3 pessoas, mas que comemos toda nós dois, e muito boa por sinal.

 

Vale lembra que La Paz fica a 3600m de altitude. Assim, nossos corpos já estavam sentindo os efeitos da altitude. Dificuldade para respirar, cansaço com pequenos esforços e no caso do meu amigo, muita dor de cabeça. Isso porque já estávamos tomando remédio para o mal da altitude desde Santa Cruz. Essa primeira noite foi horrível, apesar do cansaço, foi muito difícil dormir, já que quase não conseguia respirar.

 

 

 

 

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http://mochilaobarato.com.br/mochilando-pela-bolivia-por-15-dias-com-500-dolares-em-2010/

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4º dia:

 

Acordamos bem cedo, já que a van que leva ao passeio passa no hotel por volta das 07h. Desayunamos e logo chegou o guia do nosso passeio. A van pega outros turistas em outros hoteis e depois segue para Tiahuanaco. São cerca de 2h de viagem, passando por belas paisagens. O guia para algumas vezes para que possamos tirar fotos. Em alguns pontos tem-se uma vista de boa parte da cordilheira dos Andes.

 

Tiahuanaco é a ruína de uma cidade pré-inca. Primeiro visitamos um museu, muito legal. Lá pode-se ver desde as ferramentas e utensílios utilizados por esse povo, até uma múmia. Depois vamos para as ruínas. Ventava muito e fazia muito frio, apesar do céu aberto, com poucas nuvens. As ruínas são muito interessantes, principalmente o portal del sol e os monolitos. Apesar de eu ter achado que a guia valorizava um pouco demais o local, dizendo que as escavações ainda estavam no início e muita coisa estava em baixo da terra. O que percebi é que muita coisa lá foi refeita, já que os espanhóis destruirão boa parte da cidade, para utilizar dos blocos de pedra em suas construções, inclusive tem uma igreja no povoado, que foi toda construída com pedras retiradas de lá. Acredito que quase tudo já está descoberto por lá e não tem muito em baixo da terra não, até por que quem faz as escavações são Chollas e pelo que vi por lá de "qualquer jeito". Acredito que se houvesse muito a ser descoberto, americanos, ingleses, etc, estariam por lá ajudando nas escavações. Bom, não entendo nada de arqueológica, essa foi apenas minha impressão. De toda forma, gostei muito da visita.

 

Após a visita as ruínas, temos um tempo para comprar artesanato feito no povoado. Atenção, é o lugar onde se encontra os menores preços, não faça como eu, que estava com os bolivianos contados, leve um dinheiro extra para esse passeio e aproveite os preços. Depois almoçamos em um restaurante no vilarejo. Trucha, BOB30, se não me engano. O Brasil estava jogando nesse dia, vi parte do jogo na TV da cozinha do restaurante. Depois do almoço, retornamos a La Paz.

 

A noite demos mais algumas voltas pela cidade, fizemos algumas compras, principalmente tênis. Em La Paz tem uma rede de lojas que se chama Flair Play, vende tênis originais da nike, adidas, etc. Comprei um nike shox que no Brasil custa R$500 pelo equivalente a R$160. Vale muito a pena. É original mesmo. Com certeza. O que rola é que não tem os lançamentos daqui, normalmente são tênis que já saíram de linha no Brasil.

 

 

 

 

 

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5º dia:

 

Nesse dia também acordamos cedo. O passeio foi o downhill de montain bike de La Paz até Coroico. É uma descida de 4700m até 1200m de altitude, em mais ou menos 5h. Tirando o Salar, foi o melhor passeio que fiz na viagem. Para quem gosta de montain bike é show, mas mesmo quem não costuma andar de bike, ou até mal sabe andar, consegue fazer. É claro, tem que tomar muito cuidado, já que o passeio passa pela temida "carretera de la muerte", em português, estrada da morte, que é a antiga estrada que ligava La Paz a Coroico. É uma estrada de terra, onde mal passa um carro, margeada todo o tempo por precipícios enormes, que podem chegar a 800m e muitas vezes não é possível nem ver seu fim. Existem diversas cruzes pelo caminho, em lembrança as pessoas que morreram no local, muitas vítimas de acidentes automotivos, mas algumas de quedas de bicicleta. Um mês antes, uma israelita havia passado direto em uma curva com sua bike e morrei na hora. Havia uma placa escrita em hebraico em sua homenagem.

 

O passeio começa em um local chamado "El Cumbre", que é uma montanha a 4700m de altitude, com presença de neve. Inclusive na estrada (que no início é asfaltada), havia bastante gelo. Vamos até esse local em uma van da agência de turismo e lá recebemos nossas bikes e equipamentos (capacete, luva, roupa impermeável e de proteção, joelheira). Eu paguei por uma bicicleta mediana e recebe uma top, coisas da Bolívia. Faz muito frio na primeira metade do passeio, então é conveniente ir com segunda pele, luvas de frio (já que a que eles emprestam apenas protegem, não aquecem), óculos escuro, cachecol e eu também usei uma bala clava. Enquanto a estrada é asfaltada a descida é bem tranquila e dá pra apreciar bem a paisagem. Depois pegamos a verdadeira estrada da morte, e aí a coisa fica mais complicada. É preciso tomar muito cuidado para não cair e um tombo pode ser fatal. Mas a verdade é que indo com cuidado, em uma velocidade tranquila, no final dá tudo certo. Com o tempo o cenário vai mudando, das montanhas nevadas passa-se a uma paisagem de floresta, com direito a cachoeiras no meio do caminho. Já pelo fim da descida, faz bastante calor. No final paramos em um sítio, onde almoçamos e podemos curtir uma piscina, algo inimaginável horas antes. Depois de descansar, voltamos para a van e retornamos para La Paz pela estrada nova.

 

O nosso guia, apesar de ser atencioso, não tirou nenhuma foto que prestasse. Ainda bem que levei minha câmera e consegui tirar algumas fotos. Eles dão uma camisa maneira, dizendo "yo sobrevivi a la carretera mas peligrosa del mundo". O retorno a La Paz ocorre por volta das 18h. Nesse dia comemos um super hamburguer em uma rede de fast food bolivia, acompanhado de papas fritas e um suco enorme. Tomamos um capuccino antes e depois ainda comemos uma torta deliciosa. Tudo saiu mais ou menos uns 50 bolivianos por pessoa. Depois foi voltar ao hostal e dormir bastante, já que o dia foi realmente cansativo.

 

 

 

 

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6º dia:

 

Nesse dia tivemos o primeiro problema na Bolívia. Por volta das 06h da manhã o telefone do quarto do hostal toca, era o dono da agência de turismo. Segundo ele, não havia fechado grupo para subir a montanha Chacaltaya. O que ele "podia fazer por nós" era devolver o dinheiro ou então conseguir um táxi que levasse apenas nós dois até lá. Bom, queriamos muito conhecer o Chacaltaya, então perguntei quanto ficaria o táxi. Ele disse que como foi culpa da agência pagaria metade do táxi, que ficaria 300BOB, descontando os 100BOB que haviamos pago pelo passeio, ele pagaria 100BOB e nós pagariamos mais 100BOB. Aceitei, acreditando que ele estava dizendo a verdade e sendo honesto. Alguns minutos depois o taxi chegou. Até que não era tão velho com é o padrão dos táxis bolivianos. O motorista, apesar do odor que exalava, era gente boa. O primeiro problema é que não passava de 15km/h. Isso mesmo! Para não estragar o carro, já que a estrada realmente é muito ruim.

 

O caminho até lá e muito bonito, passamos por lugares maravilhosos e algumas vezes ele parava para fotos. O segundo problema é que, quase chegando no alto do Chacaltaya, já que dá para chegar até 5000m de altitude de carro, vimos um van vindo, em uma velocidade muito maior que o carro havia desenvolvido durante toda a viagem. Para nossa surpresa, era a van da agência que tinhamos contratado. Pelo que entendi, apareceram alguns europeus lá e ele deve ter cobrado um valor bem superior ao que cobrou de nós brasileiros e então como lotou a van, resolveu nos tirar dela. Havia até algumas meninas brasileiras que haviamos conhecido no dia anterior e que pagaram bem mais que nós pelo passeio. Não fiquei puto na hora para não atrapalhar o passeio, respirei fundo e curti o momento.

 

Chegando na base da antiga estação de esqui, temos que subir os 300m de altitude restantes a pé, deve dar uma distância de 2km mais ou menos. O problema é que ai que o mal da altitude pega mesmo. Meu amigo, que ainda estava sentido dores de cabeça, no 6º dia na Bolívia, teve sua dor de cabeça triplicada e só conseguiu subir metade do caminho. Isso é claro, além da falta de ar, já que era impossível andar mais que 10 passos e não parar para descansar. Eu apesar do cansaço resolvi tentar chegar ao cume. Foi um pouco puxado, mas cheguei lá. A vista é linda, pode-se ver bem de perto o hayana potosi, que é uma montanha de 6088m de altitude e também toda cordilheira ao redor de La Paz, incluindo o Illimani, que é a montanha mais alta de La Paz, com 6462m de altitude. Ao longe, pode-se ver também um vulção sajama, 6542m de altitude, a montanha mais alta da Bolívia, já na froteira com o Chile. Depois de muitas fotos, foi fazer o percurso contrário e pegar o táxi de volta a La Paz. Pelo caminho a van nos ultrapassou e nós deixou bem para trás, já que o taxista continuava a 15km/h. Chegando em La Paz, ele veio me cobrar os 100BOB, até pensei em não pagar e ir tirar satisfação na agência. Mas pensei melhor, já que ele não tinha nada haver com a falta de caráter do cara da agência e 100BOB para ele é muita coisa, já que as corridas em La Paz não ultrapassam 8BOB e para nós, seria R$25, R$12,5 para cada um, então não quis me estressar, paguei, fui na agência e falei com o dono que sabia que ele tinha me passado a perna, porém aquele dinheiro não ia me fazer falta e que não iria recomendar a agência dele para ninguém.

 

Chegamos no Hostal mais ou menos 13h. Almoçamos um pollo frito super barato em um das redes bolivianos de frango frito e fomos comprar nossa passagem para Copacabana no dia seguinte. Tem uma empresa que faz o trajeto apenas com turistas, cobra 25BOB e pega no hotel. Fechamos com eles, saia às 07 da manhã e deveria chegar em Copacabana no máximo até às 11h.

 

A noite fomos comer outro hamburguer, agora no Burguer King. Não há mcdonald´s na Bolívia, mas tem Burguer King que é muito melhor. O maior sanduíche, com tudo grande ficou em torno de R$10,00. Depois foi caminha até o hostal e novamente dormir bastante, já que no outro dia tinhamos outra aventura para curtir.

 

 

 

 

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7º dia:

 

Mais uma vez acordamos cedo e por volta das 07h o ônibus nos buscou no hotel. Passou também para pegar vários outros turistas, o problema é que alguns não estavam prontos e tivemos que ficar esperando por algum tempo na frente dos hotéis em que eles estavam hospedados. Saímos de La Paz por volta das 08h. A viagem passa por El Alto, que é uma cidade vizinha a La Paz e fica a 4000m de altitude. O trânsito lá e caótico, nos atrasando mais ainda. Afastando de El Alto, começam as lindas paisagens. Pode-se ver a cordilheira e também ao longe o Lago Titicaca. Como nem tudo é perfeito, apesar de escolhermos ônibus turístico, alguns gringos que insistem em não tomar banho, conseguiam aproximar-se dos nativos no quesito cheiro e outros no quesito língua grande, os caras não paravam de falar um só instante, era insuportável. Havia um grupo de judeus ortodoxos que falavam o tempo todo em hebraico e ninguém aguentava mais. Em certo momento, é necessário atravessar um canal do lago. É necessário descer do ônibus e pegar um barco, enquanto o ônibus vai em balsa. Paga-se coisa de 5BOB. O barco chega do outro lado bem antes da balsa, então dá tempo de tirar algumas fotos e comer algo. O problema é que quando nosso ônibus chegou e todo mundo entrou, aqueles judeus ortodoxos não apareceram. O guia saiu louco atrás deles e nada. Ficamos simplesmente 1h esperando eles aparecerem. Primeiro apareceu um ou dois, que não se importaram em ir procurar os outros, depois veio mais um, até que o guia descobriu onde eles estavam. Tinham ido calmamente almoçar. E pra acabar. E quando voltaram, fingiram que nada tinha acontecido.

 

Deveríamos chegar em Copacabana 11h, mas chegamos já por volta de 12h15min. O barco para o passeio de meio dia sai por volta das 13h, então foi o tempo de comprar o ingresso 20BOB, deixar nossas mochilas em uma agência, engolir algo e correr para o barco. Fizemos apenas o passeio na parte sul da Isla del Sol. É recomendado que se passe uma noite por lá e conheça tanto o lado norte, onde ficam às ruínas incas e o lado sul. Porém como não nosso tempo estava contato, só nós restou essa opção. A viagem até a ilha é bem lenta, já que o barco vai bem devagar. A paisagem é bem bonita, mas a certo momento você está doido para que chegue logo, já que demora umas 2h para chegar lá. Um nativo que foi com agente no barco, ofereceu serviço de guia, acho que cobrou 10BOB por pessoal. Aceitamos. Chegando na ilha, pagamos mais uns 10BOB para entrar. É interessante contratar o guia, já que ele passa informações interessantes a respeito de tudo que vemos. Subimos la escalera inca, passamos pela fonte da juventude, conhecemos o modo de plantação inca e depois visitamos um templo de mais de 1000 anos. No caminho passamos bem perto de várias llamas. Perto desse templo existe um deque onde o barco nos espera. Outra trabalhada boliviana quase aconteceu. O piloto do barco achou que estávamos demorando demais e resolveu partir sem nós. O guia quase enlouqueceu de tanto gritar e então ele resolveu voltar. Vê se pode? Estávamos dentro do tempo estabelecidos. Depois ficamos sabendo que alguns turistas tinham passagem comprada para seguir para Puno às 18h e "conversaram" com o piloto, que resolveu agilizar o retorno. Gostei bastante de conhecer o local, quero voltar um dia para passar a noite e conhecer o lado norte da ilha.

 

Voltamos a Cocapacaba, pegamos nossas mochilas e fomos procurar um hotel. Gostamos do primeiro que entramos, tinha água quente, tv a cabo, e a vista era para o lago. O único problema é que o quarto era no 4º andar e subir as escadas com as mochilas foi um sacrifício. O quarto duplo ficou por 80BOB, bem mais em conta que La Paz.

 

O maior problema que tivemos na Bolívia iria começar agora. Após dar algumas voltas e conhecer a magnífica igreja da cidade, fomos jantar. Procuramos um bom restaurante e nos indicaram o melhor da cidade. Escolhemos cada um, um prato de peixe truta, eu grelhado e meu amigo ao forno com legumes. O restaurante realmente era muito acolhedor, tinha lareira, música ao vivo, o garçom muito educado e atencioso, um telão enorme, parecia que seria a melhor janta da viagem. Comemos, estava muito bom, mas estava um pouco salgado demais. Achamos que era o tempero. Voltamos ao hotel e fomos dormir. Duas horas depois meu amigo acorda vomitando. Passou a noite inteira vomitando e indo ao banheiro.

 

 

 

 

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7º, 8º, 9º dias:

 

No outro dia pela manhã ele já estava quase sem forças, não podia nem beber água que vomitava. Compramos passagem no primeiro ônibus para La Paz, 7h eu acho. Ele foi vomitando toda a viagem, mesmo sem ter o que vomitar. Chegamos em La Paz mais ou menos 11h, pegamos um táxi e pedimos que ele nos levasse até um bom hospital. Meu amigo não conseguia nem mesmo ficar em pé sozinho, já que também sentia fortes dores no corpo. Fomos atendidos rapidamente por um médico boliviano e sua tropa de alunos. Foi solicitado exame de sangue e de fezes e diagnosticado infecção por Salmonela. O médico queria interná-lo. Falou que com 3 dias internado ficava bom. Falei que não, que se fosse tão grave iríamos voltar no mesmo dia para o Brasil. Ele disse que não era necessário, que se não quisesse internar, poderia ser feito o tratamento no hotel e em 7 dias ele ficaria bom. Pedi que passasse a medicação e iríamos para o hotel. Ele aplicou uma injeção para cortar o vômito, remédio para matar a salmonela e soro para uso oral. Voltamos ao hostal Copacabana. Combinamos que se em 2 dias ele não estivesse melhor, voltaríamos para o Brasil. Ele começou a tomar os remédios, ainda sem conseguir se alimentar. Tomou muito soro. No dia seguinte já estava conseguindo comer alguma coisa, mais ainda com muita diarréia, já tendo as dores diminuído. Segundo um farmacêutico que conversei, a salmonela deveria estar nos legumes que acompanhavam a truta que ele comeu, já que truta foi ao forno, que mata a salmonela, porém os legumes estavam crus. Então a dica é só comer salada e legumes na Bolívia, cozidos ou refogados. No terceiro dia já estava melhor, conseguiu se alimentar e não estava mais com diarréia. Resolvemos então seguir viagem para nosso próximo destino, o deserto de sal.

 

Havíamos comprado passagem de La Paz para Uyuni para o 7º dia da viagem. Iríamos voltar de Copacabana no início da tarde, já que nesse dia aconteceu o jogo em que o Brasil foi desclassificado na copa, iríamos ver em Copacabana e depois seguir para La Paz e de lá às 21h seguir para Uyuni. Compramos passagem na empresa Todo Turismo, que oferece o serviço em um ônibus executivo, com aquecimento, televisão, janta e café da manhã, U$$25. O ônibus saiu de La Paz às 21h e chega às 06 da manhã. Assim que saímos do hospital e do meu amigo estar medicado, fui até a empresa, com o atestado médico, exames e receitas na mão para remarcar a passagem. Chegando lá, a atendente, que no dia da compra da passagem foi super educada e atenciosa, não me atendeu da mesma forma. Disse que estava no contrato que não havia devolução do valor pago. Falei que não queria devolução e sim viajar em outro dia, depois que meu amigo melhorasse. Mostrei o exame, a receita, o atestado e disse que não havia sido culpa nossa, que foi uma doença adquirida na Bolívia e que eles deveriam levar isso em conta. Ela falou que não podia fazer nada por mim. Então disse que no Brasil não era assim, que até uma hora antes da viagem era possível devolução do valor pago ou remarcação da passagem. Que se ela tivesse algum problema no Brasil parecido com esse, teria um tratamento diferente. Ela disse que na Bolívia não era assim. então perguntei se ela tinha certeza disso, porque iria agora mesmo até a Polícia Turística fazer uma reclamação. Aí as coisas mudaram, ela pediu um momento, ligou para a dona da empresa e voltou com um sorriso no rosto, dizendo que iria nos ajudar, só teríamos que pagar uma multa de U$$5 pela remarcação. Achei justo. A passagem ficaria em aberto até o dia que ele estivesse bem para viajar. Assim no nosso 9º dia na Bolívia, retornei lá e remarquei para o mesmo dia. Então a dica é não coma legumes ou verduras crus e qualquer problema que tiver diga que vai procurar ou procura a Polícia Turística.

 

Às 21h saímos de La Paz, o ônibus realmente é muito bom, servem uma janta quente no início da viagem, além do aquecimento te dão um coberto limpo e passam uns clipes e depois um filme, meia noite tudo é desligado para todos descansarem. O aquecimento realmente funciona. O trajeto corta o deserto e as temperaturas externas ficam em torno de -20ºC, então é totalmente recomendado que ou utilizem o serviço dessa empresa de ônibus ou vão até Oururo e de lá sigam de trêm, já que os ônibus comum não tem aquecimento e vão sentir muito frio durante a viagem.

 

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10º dia:

 

Chegamos em Uyuni por volta das 06h da manhã. Fazia muito, muito, muito frio mesmo. Nunca tinha sentido tanto frio. Mais ou menos -10ºC. O que não disse até então, é que o inverno boliviano, além de ser muito frio, é muito seco. O tempo todo você tem que ter uma pomada que eles vende lá para passar nos lábios (manteiga de cacau não adianta) e soro para pinga no nariz. Uyuni fica a 3650m de altitude, no salar chegamos a mais de 5000m de altitude. Já na porta do ônibus haviam várias pessoas vendendo pacotes para o passeio no salar. Acho que mais por causa do frio que passávamos, resolvemos ir com um desses caras até sua agência. Ele nos ofereceu o passeio de 3 dias, com uma noite em um hotel de sal e alimentação incluída por U$85,00. Demos uma chorada, falamos que somos brasileiros e no final das contas ficou U$80, já com o aluguel de um saco de dormir para meu amigo incluído. Logo depois chegaram mais dois brasileiros e acabaram pagando U$90, mais U$5 do saco de dormir. Quer dizer, como em tudo na Bolívia, vale a pena o choro e dizer que é brasileiro, que não tem dinheiro, etc. Sempre sai desconto. Teríamos 2 horas até a saída do jipe, fomos então até um hotel em frente tomar café da manhã e usar o banheiro. Compramos água para levar no passeio e algumas guloseimas. No nosso jipe foram um argentino e uma argentina, um irlandês, um japonês e nos dois brasileiros. A princípio iria uma cozinheira também, porém reclamei, já que além do banco da frente para duas pessoas além do motorista, no banco do meio cabem três e no de trás apenas duas, porém com a cozinheira, três pessoas teriam que ir nesse banco e não foi isso o combinado na agência. Reclamei e ele retirou a cozinheira. Pelo que percebi, ela era mulher do motorista e iria mais para acompanhá-lo, já que ele fez nossos almoços sem nenhuma dificuldade e a noite nos locais onde dormirmos, havia cozinheiras que faziam a janta.

 

O passeio começa passando pelo cemitério de trens. Achei legal mas nada demais. Havia muito lixo lá, parece ser o lixão da cidade. Depois seguimos até um local onde pode-ser comprar artesanato de sal, atenção, é o único lugar durante todo passeio que vende e não achei na cidade, nem nas demais cidades que passei. Então não faça como eu, compre logo seu artesanato de sal, ou vai ficar igual eu, sem. Depois vamos em direção ao Deserto de Sal. A primeira parada é no antigo Hotel de Sal, que hoje é um museu. O local é muito interessante, todo feito de blocos de sal, até a liga é feita de uma mistura de sal, não é usado cimento. O salar é muito bonito, é possível fazer boas fotos. É necessário usar sempre óculos escuro, pois o reflexo do sol no sal pode queimar a retina. O céu ficou aberto durante os três dias, o sol brilhando forte, o que não espantava o frio.

 

A próxima parada é na Isla del pescado. De longe ela tem forma de um peixe. Nela existem cactus gigantes, muito bonitos. Do alto do morro tem-se uma vista linda do salar. Paga-se entrada, não lembro ao certo, mas bem pouco. É aí que almoçamos. O guia mesmo prepara o almoço. Carne de llama, quinua e salada. Depois temos mais tempo para fotos. De lá seguimos para o hotel onde passamos a primeira noite, que também é de sal, muito aconchegante, apesar de ter um único banheiro para todos os hospedes, que apesar de ter água quente, estar bastante sujo. Foi servida uma janta quente, não me lembro o que foi, mas estava muito bom. Uma garrafa de vinho também foi servida ao grupo. Estavam hospedados por lá um grupo de ingleses (não muito simpáticos) e uma família espanhola (bastante simpáticos). A noite estava linda, o céu estrelado como nenhum de nós havia visto antes. Nessa noite fez frio, mas não tanto quanto que nos esperava na segunda noite.

 

 

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rpn,

 

Legal o seu relato, sinto pela saúde de seu amigo, mais na Bolívia estamos sujeitos a esses perrengues.

 

Adorei as suas fotos, principalmente as da Entrada, na calle Illampu.

 

No mais parabens pela trip e estou esperando você se cadastrar como Colaborador do Fórum Mato Grosso do Sul.

 

Maria Emilia

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11º dia:

 

Tomamos um café da manhã caprichado e seguimos viagem. Nesse dia passamos pelo deserto, não mais o de sal, mas deserto "tradicional", com muita terra, quase nenhuma vegetação, depois chegamos a região das lagunas coloradas, que são lagos que devido a grande concentração de minerais, tem variadas cores e também passamos bem perto de diversos vulcões. Mesmo durante o dia faz muito frio e em boa parte dos lagos que passamos havia água congelada. Almoçamos às margens da laguna de los flamingos, onde como o próprio nome diz e possível ver muitos flamingos. Ao meio dia fazia muito frio, com a temperatura abaixo de 0ºC. Após o almoço entramos na região do parque da Laguna Colorada e é preciso pagar uma taxa de visitação que teve aumento recentemente e está em 150BOB. A laguna Colorada é belíssima. Pernoitamos em um hotel próximo a essa laguna. Essa noite sim foi muito fria. Dizem que chegou a -20ºC. Ninguém arriscou sair do abrigo. Havia vários grupos de diversas nacionalidades. Jantamos e depois ficamos batendo papo com o povo. Algumas pessoas tocavam violão. Antes da meia noite já estava deitado, já que teríamos que acordar às 5 da manhã. Nessa noite dormi com todas as roupas de frio que tinha, incluindo o casaco pesado de fibra de pluma, saco de dormir e vários cobertores por cima. Ainda sim senti frio. Conversei com uns brasileiros desavisados que não estavam com saco de dormir, nem com roupas adequadas para o frio, que disseram que quase morreram de frio a noite, passaram ela toda ao lado da lareira que tem no abrigo. Tem um relato aqui no fórum de uma pessoa que passou muito mal nessa noite por causa do frio e quase morreu de hipotermia. Então levem a serio, principalmente se forem no inverno, levem agasalho adequado e saco de dormir, se não tiverem, as agências alugam por U$5.

 

 

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12º dia:

 

Acordamos às 05h para o último dia do passeio. Nosso primeiro destinos foi o local onde existem os Geysers. São vapores de origem vulcânica que são lançados no início da manhã para fora da terra, por isso tivemos que acordar tão cedo. O café da manhã seria tomado nas águas termais. Os geysers são magníficos. O problema é que a temperatura era de -15ºC e estávamos a um pouco mais de 5000m de altitude. Era um gelo só. Tirar a mão da luva para conseguir fotografar era um sacrifício. De lá fomos até as águas termais, que são águas aquecidas pela atividade vulcânica. Ninguém do nosso grupo teve coragem de encarar o choque térmico. Mas os gringos de outros grupos aproveitaram para tomar banho, já que durante os dois dias anteriores, das pessoas que tive contato, somente eu e meu amigo tomamos banho. A galera do meu grupo no primeiro dia disse que não ia tomar banho porque a água não estava muito boa, no segundo, apesar de haver uma super ducha, super quente, falaram que não iam tomar porque no outro dia haveria o banho nas águas térmicas, e quando chegamos nas águas térmicas, não entraram na água, rs. Fazer o que né? Cada um com sua cultura. O resto do dia foi praticamente o percurso de volta. Ainda fomos até a fronteira com o chile deixar o nosso amigo japonês, passamos por algumas formações rochosas bem interessantes e depois foi só esperar chegar em Uyuni.

 

O passeio vale muito apena, apesar de todos os perrengues que passamos. Aviso que banheiro limpo só encontrei em dois lugares durante todo o passeio. Em um barzinho que param no primeiro dia e no alojamento da segunda noite. O banheiro das águas termais, que precisei usar, foi o banheiro mais nojento que entrei em toda a minha vida. Era melhor ter ido no mato mesmo. Mas foi o melhor passeio que fiz nessa viagem, vale muito a pena.

 

Chegamos em Uyuni por volta das 17h. Nosso ônibus para Potosi saia às 19h. O dono da agência havia ficado me devendo U$10. Quando fui cobrar ele fingiu que não lembrava, fez de tudo para não pagar, até que apertei ele e ele pagou. Depois de embarcar no ônibus, quando já estava todo mundo lá dentro, veio duas pessoas querendo sentar no nossos lugares. Eles chamaram a menina que vende as passagem e ela veio nos dizer que nosso nome não estava na lista. Porém compramos a passagem 3 dias antes, no dia que chegamos em Uyuni, 35BOB, e eles pedem para colocar o nome em um lista, na poltrona que quiser sentar. A lista estava vazia, nossos nomes foram os primeiros. Ela disse que nosso nome não estava na lista e não poderíamos viajar. Mostrei as passagens, falei com ela que fomos os primeiros a comprar passagem para aquela viagem e que dali não iríamos sair. Ela ficou sem saber o que fazer, conversou com os dois bolivianos que queriam sentar no nosso lugar e eles aceitaram ir lá na cabine do motorista. Não haviam outros horários ou outros ônibus indo para Postosi naquele dia, somente às 19h do outro dia. Então eles concordaram. Fica aí outra dica, não deixem que te passem para trás pela falta de organização deles. Provavelmente ela enfiou a lista que assinamos não sei onde e iniciou uma nova, e esqueceu que havia vendido passagem para nós.

 

A viagem para Potosi dura 7 horas em uma estrada de terra que não existe. O tempo todo na beira de barranco. Param uma vez em um lugar que nem banheiro tem, vai todo mundo para o mato mesmo. Faz bastante frio. O pior é que o motorista coloca uma música horrível durante toda a viagem, a uma altura insuportável. Levem tampão de ouvido, foi o que me salvou. Chegamos em Potosi 2h da manhã. Pegamos um táxi. Não tinha reservado hotel. Pedi ao taxista que nos levasse até um hotel bom. Ele nos deixou na praça principal e fomos batendo de porta em porta. O primeiro era extremamente caro. No segundo achamos o preço ainda alto, mas o cansaço nos fez ficar lá mesmo, 120BOB o quarto para duas, pessoas, com banheiro compartilhado. Foi o tempo de entrar no quarto e apagar.

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