Olá viajante!
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Fale galera!
Esse é o meu primeiro post. Considerando que grande parte do meu roteiro de viagem foi decidido lendo esse fórum, nada mais justo que eu deixasse a preguiça de lado e fizesse meu relato por aqui.
Ficou meio grandinho. Se quiserem, podem pular lá pro resumo no final, ok?
Um abraço,
Fábio
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Tinha que viajar para o Uruguai a serviço, para participar de um seminário em Montevidéu nos dias 17 e 18/04/08. Porém, como esses dias eram respectivamente quinta e sexta-feira, e dia 21/04 (segunda) era feriado de Tiradentes, resolvi esticar a viagem e aproveitar ainda um dia de folga a que tinha direito após o feriado.
Viajei de Tam em um horário bem tenebroso, mas o mais viável para quem sai de Brasília. Saí daqui as 5:30h, fazendo conexão em Guarulhos e chegando em Montevidéu as 11:50h. Esse vôo internacional da Tam é feito nos mesmos Airbus A320 lata de sardinha que servem os vôos regionais.
EM MONTEVIDEO
De cara, me espantei com o aeroporto de Carrasco, que é bem acanhadinho (tem outro terminal em construção). Ele fica em um departamento (um estado) diferente de Montevidéu e não conta com opção além do táxi e do ônibus para transporte. Como não conhecia a cidade, paguei um táxi no aeroporto e fui para a minha primeira estadia. O céu sem nuvens e a beleza do passeio pelas Ramblas (avenidas à beira rio) já começaram a valer o passeio.
Na primeira etapa de viagens (a negócios), fiquei hospedado no Hotel Meliá Confort Montevideo que fica em Punta Carretas, a uma quadra do Shopping Punta Carretas. O bairro é residencial, extremamente calmo, e acho que esse era o melhor shopping da cidade. Achei o bairro recomendável para quem vai se hospedar em uma viagem menos aventureira (romântica?). Sentia que o lugar era bastante seguro. Gostava de passear à noite pelas ruas e pela Rambla. Engraçado era ver o pessoal correndo e jogando bola até altas horas da noite.
Como tinha a tarde livre, resolvi pegar um ônibus e conhecer a Ciudad Vieja, que era onde eu iria me hospedar depois. Existe bastante opções de ônibus para andar pela cidade. Sempre pedi ajuda para as pessoas na rua e fui relativamente bem atendido. A exceção foram algumas moças sozinhas que talvez desconfiassem do meu sotaque “brasilero” (ali eles não falam brasileño). Escolhi ficar no albergue Che Lagarto, bem em frente à Plaza Independencia. Vi também o Ciudad Vieja Hostel, que fica perto da Plaza Matriz. Acabei escolhendo o Che Lagarto por causa da localização e por causa da amplidão. Achei o Ciudad Vieja muito apertadinho. Questão de gosto! Aproveitei e tomei logo um café no Café Brasileiro, bastante citado por aqui. O lugar é realmente pitoresco. Mas não gostei do café. Aliás, não tomei nenhum café bom pelo Uruguai. Nenhum que se aproximasse dos que a gente toma pelas esquinas brasileiras.
Bares por Punta Carretas (e pela vizinha Pocitos) eu recomendo o Tranquilo Bar e o El Tigre. O primeiro foi recomendação do recepcionista do hotel e era um bar mais society, onde eu descobri os encantos da Patrícia (cerveja uruguaia vendida normalmente em garrafa de 1 litro) que eu estou praticamente viciado e um traço diferente da culinária uruguaia (além da tradicional parrilla): eles adoram comer porcaria! Tipo, provei lá uma coisa chamada Gramajo. Um ninho (!!!) de batatas fritas meio molengas servidas com presunto, ovo, cebola e mais um catatal de coisas. Muito gostoso! Já o El Tigre eu descobri andando pelas ruas e vi que era um dos poucos bares que tinha movimento numa quinta-feira as 19h. Recomendo a parrilla de lá, especialmente o choripan, pão com a lingüiça da parrila. As garçonetes são extremamente simpáticas! E o preço é mais baixo do que no Tranqüilo (mesmo considerando que eu não consegui gastar mais do que R$ 30,00 em nenhuma refeição pelo Uruguai, mesmo em lugares mais chiques. Viva o Real forte!) Depois descobri que o El Tigre é relativamente tradicional em Montevidéu e que o horário típico de jantar dos uruguaios é entre 22h e 23h.
Me mudei pro albergue no sábado de manhã. Antes de ir, passei pela feira de Villa Biarritz lá em Punta Carretas/Pocitos mesmo. Muito legal, mas funciona só no sábado e no domingo pela manhã. Almocei no Mercado Central (recomendo o Maestranza que fica dentro do mercado e o seu filé de vacio – fraldão, mesmo sendo um pouco mais caro do que outros lugares por lá). Ruim só por que os brasileiros estavam começando a invadir para aproveitar o feriado. Agora todas as contas vinham com os 10% de taxa de serviço. Normalmente, a gorjeta (ou propina, em espanhol) não é cobrada na conta, mas é esperada. Não necessariamente 10%, mas um valor fixo que seja condizente com o local.
Fiquei perambulando no sábado à tarde pela Ciudad Vieja. Só fiquei um pouco ressabiado de andar pela região do porto naquele dia que, logo depois eu descobri, era feriado nacional. Não tinha uma viva alma. Mas mesmo assim nada aconteceu. Voltei pro coração da Ciudad Vieja e aproveitei para conhecer o Cabildo, o Teatro Solís, as praças e a programação cultural de shows e danças. Além da feirinha brechó da Plaza Matriz que só funciona no sábado a tarde.
Ainda na Ciudad Vieja, me vi no meio de uma procissão. Um monte de gente vestida com trajes típicos gaúchos, saindo lá da Peatonal (em espanhol, rua de pedestres) Sarandí carregando estandartes, e fazendo arruaça (no bom sentido). Perguntei a uma senhora que parecia acompanhar os netos na procissão sobre o que era aquilo. E ela toda atenciosa e simpática me explicou que era a procissão que representava o “desembarco de los 33 orientales”, motivo do feriado. Sabe o que esses 33 carinhas fizeram? Livraram o Uruguai da dominação do Império de Portugal, Brasil e Algarves. Ou seja, vieram pra chutar a coroa portuguesa que tinha anexado a Província Cisplatina. Ahhh tá!
Aliás, falando em história, li na lista telefônica de lá (sim, eu tenho esse vício estranho, mas que já me rendeu informações úteis
) que uma das possíveis origens do nome Montevideo (que não quer dizer nada em espanhol ou em outra língua) vem das antigas cartas de navegação, onde o lugar em que fica a cidade era apontado como Monte VI De Este a Oeste, ou seja, o sexto monte navegando de leste a oeste pelo Rio da Prata a partir do Oceano. Bacana né?!
Sentar nos bancos de praça para bater papo com pessoas mais idosas (ancianos) acabou virando um hobby pra mim. Escutei muitas histórias legais. Bati papos bem animados. A essa altura meu ouvido já estava se acostumando com o espanhol falado, bem diferente do que a gente estuda em sala de aula. Outra coisa que eu curti muito foi escutar rádio. Levei meu MP3zinho xing ling e fica zapeando entre as zilhões de rádios que pegam por lá (a maioria é de Buenos Aires). Era outro universo musical. Em países de língua espanhola, vi que não tem muito preconceito. Tocam desde músicas espanholas, até colombianas, etc. Bem diferente daqui.
Voltei pro Che Lagarto e conheci logo um grupo de 4 brasileiros que tinham se conhecido lá mesmo, além de outros 3 que moravam lá por estarem fazendo faculdade em Montevidéu. Era noite de paella uruguaia feita pelo gerente do albergue. Aliás, o ambiente é bem legal. Foi minha primeira vez num albergue, e optei por ficar em um dormitório com 4 camas e banheiro interno. Acabei ficando sozinho no quarto! Ah, pra mim a melhor dica do fórum foi a toalhinha esportiva fast dry. Quebrou um galhão. O albergue tinha armário de ferro para objetos de valor perto da recepção e lockers embaixo das camas para bagagem. O problema é que esses lockers só são separados dos beliches por uma folha de compensado. No meu quarto, uma delas estava com os pregos soltos. Logo, alguém poderia vir por cima e ter acesso às bagagens. Como eu sempre andei com os valores comigo e a mala ficava fechada no cadeado, não tive problema. Mas outro brasileiro que esteve lá acabou sendo assaltado no dinheiro que guardava na mala. Uma lástima. O pessoal do albergue disse que nunca tinha acontecido aquilo e acabou desconfiando de algum morador do próprio albergue.
A noite ferve em Montevidéu é nos boliches (não se esqueça, no Uruguai boate é boliche, boliche é bowling e o verbo coger significa uma coisa muito feia – conheci um espanhol lá no albergue que estava quase deprimido por não poder usar o verbo mais completo da língua espanhola). Ouvi falar muito dos que ficam lá na Ciudad Vieja mesmo, como o Fun Fun e o El Pony Pisador, passei na frente e principalmente o primeiro parecia estar bem animado no sábado. Só que os meus colegas brasileiros do albergue falaram que na sexta não tinha ninguém por lá. E resolvemos ir pra W. Lounge, que fica no Parque Rodo (perto de Punta Carretas). É o maior boliche da cidade, mas logo na entrada uma gurizada numa fila sem fim. Fui conversar com um porteiro e ele, aos nos reconhecer como brasileiros, nos convidou a entrar direito, sem fila! A gurizada parece que se reproduzia. O lugar era muito bacana, mas não era exatamente a melhor noite pra ir. Nada contra a molecada, mas cada um na sua. Fiquei imaginado que seria melhor estar na Ciudad Vieja mesmo. Engraçado é que no meio da noite, num dos ambientes subiu uma banda meio estranha pra fazer um show. A molecada em peso lá cantando as músicas da banda e eu achando que as músicas lembravam as do Roberto Carlos (!!!). Nada contra o Rei, mas não imagino ele cantando para uma audiência daquelas.
INDO PARA PUNTA DEL ESTE
De manhã, corri, meio de ressaca, pro terminal Três Cruces (http://www.trescruces.com.uy). Aliás, um luxo só em matéria de terminal rodoviário. Fui acompanhado de um dos brasileiros que conheci no albergue que ia ficar num albergue em Punta mesmo. Eu decidi fazer viagens de bate e volta no mesmo dia pra Punta e pra Colonia, já que ficam em direções opostas e Montevidéu no meio.
Pegamos um ônibus da companhia COT. Meio gastadinho, mas com ar condicionado e aproveitando para ver as paisagens da saída da cidade e notar a qualidade das estradas uruguaias. Em pouco mais de duas horas estávamos em Punta. Sinceramente, não achei a cidade nada disso. Talvez porque não tenha ficado para vê-la à noite. Talvez porque não tivesse quase ninguém na cidade (os que estavam, eram todos “brasileros”). Só o que fizemos foi andar por toda a orla (essa sim, vale bem a pena) de um lado a outro da cidade, batendo papo, passando pela marina. Até entrei num cassino, mas não era a minha praia.
Resolvemos tentar ver o famoso pôr-do-sol (puesta del sol) na Casa Pueblo. Passamos na rodoviária e eu desmembrei a minha passagem de volta de Montevidéu para ter uma parada em Portezuelo. O problema é que, ao chegarmos lá, descobrimos que a Casa Pueblo ficava a pelo menos 5km do posto da COT e que um táxi demoraria pelo menos uma hora para chegar. Ficamos pela praia observando a Casa Pueblo de longe. Mesmo assim, tomando uma Patrícia foi um belo pôr-do-sol no meio do nada. Pelo menos registrei uma das melhores fotos da viagem. A quem quiser ver a Casa Pueblo, recomendo que ou se programe para ir mais cedo a Portezuelo ou que se pegue um táxi desde Punta, que afinal não deve ser tão caro assim.
DE VOLTA À MONTEVIDÉU
Únicos registros da noite são o showzinho de tango e uma mini-orquestra na praça em frente ao albergue, em comemoração ao aniversário do La Cumparsita, o tango mais famoso do mundo, made in Uruguay pero executado na Argentina. Muito bacana ver casais de todas as idades em cima do palco.
Na saída, provei o Chivito. O carro chefe da culinária “alternativa” Uruguaia. Uma espécie de X-tudo com carne de filé (eu acho), presunto, queijo, ovo, alface, tomate e mais outro catatal de coisa. Excelente. Comi num restaurante relativamente chique da rede Don Pepperoni. Custo da refeição (porque chamar de sanduíche é menosprezar o tamanho) mais refrigerante? 221 pesos uruguaios. Na época, dava R$ 11,26!
COLONIA DEL SACRAMENTO
Acordei mais cedo que esperava. Aproveitei e saí correndo de novo pra Três Cruces para pegar o ônibus das 10h para Colônia. O próximo sairia às 11:30h! Dessa vez, peguei um ônibus da companhia Turil. Muuuito melhor que o da COT, embora seja a COT que tenha a maior freqüência para Colônia. Ônibus novinhos e mais confortáveis. Antes um contratempo. Não consegui sacar dinheiro em nenhum caixa (cajero) do terminal. Por sorte, a Turil aceitava cartão. Me certifiquei que em Colônia ela também aceitaria, pois corria o risco de passar o dia inteiro sem um tostão no bolso. Fui na guerra mesmo. E deu certo. No primeiro caixa que passei em Colônia eu consegui sacar dinheiro, na rodoviária mesmo. Isso sem contar que tem vários bancos pela cidade.
A cidade de Colônia é muito bacana. Quer dizer, a cidade é normalzinha, o que é espetacular é o centro histórico. Passei o dia inteiro caminhando pelas ruas de pedra, passando pelos museus (em qualquer um deles você pode pagar um ticket com desconto para entrar em todos eles). O que eu mais gostei foi o Museu Português. Não recomendo nenhum restaurante por lá porque achei todos caros. E cuidado que a maioria só aceita dinheiro.
DE VOLTA A MONTEVIDÉU II – A MISSÃO
Hora de arrumar as malas pra voltar. Antes as compras daquelas lembrancinhas básicas. Camiseta, artesanato, imãs de geladeira, etc. O melhor lugar para essas compras é mesmo a Rua 18 de Julio, que começa na Plaza Independencia. Maior opção de lojas e preços mais em conta.
Para ir ao aeroporto do centro eu até que procurei um ônibus. Mas conversando com o pessoal do albergue, eles me aconselharam a pegar um táxi, já que teria que andar para pegar o ônibus e ele demoraria cerca de 2 horas para chegar no aeroporto. Peguei um táxi na Plaza Independencia mesmo e negociei com o taxista a corrida por 300,00 pesos uruguaios.
A última dica fica no aeroporto. Tem que pagar a taxa de embarque de US$ 31,00 diretamente em um quiosque no meio do terminal e não na compra do bilhete aéreo. Sem o comprovante dessa taxa você não tem acesso à sala de embarque.
Ufa! Acho que é isso.
Abs,
Fábio
Editado por Visitante