LA PAZ - TITICACA - CUSCO - MACHU PICCHU
Bolívia e Peru, de 18 de setembro a 7 de outubro de 200805 de agosto a 18 de setembro
OS PREPARATIVOSO primeiro passo, depois do “eu vou!”, é pesquisar sobre como se preparar pra viagem, começar o planejamento.
No nosso caso, conversando durante um almoço no dia 05 de agosto de 2008, o Desembarga soltou que queria ir pra Machu Picchu lá por meados de outubro, numa viagem de uns 15 dias. Na mesma hora topei ir com ele e na tarde desse mesmo dia já estávamos pesquisando sobre a viagem na internet.
Foi assim que em um ou dois dias descobrimos que não havia mais vagas pra trilha inca até novembro, e devido ao trabalho só tínhamos possibilidade de viajar em setembro ou outubro. Frustração, afinal a trilha inca e Machu Picchu até então eram tidos como o ponto máximo da viagem. Mas não desistimos!! Mesmo sem trilha inca decidimos manter a viagem, deixando em aberto essa parte do roteiro, pra quem sabe conseguir duas vagas em cima da hora ou então fazermos uma das outras tantas trilhas que levam a Machu Picchu.
Assim, faltava definirmos o período da viagem pra, a partir das datas, planejarmos todo o resto. Eu poderia pegar meus 13 dias de férias quando quisesse, mas o Ferdinand dependia de uma definição das férias do Bigode – o chefe dele, um Desembargador também conhecido pela alcunha de Musta (contração aportuguesada para moustache que, pra quem não sabe ou não lembra, nada mais é do que bigode em inglês) – pra saber quando poderia viajar.
Caraca, e como demorou pro Bigode decidir quando sairia de férias!! Como não podíamos ficar esperando a boa vontade do Musta pra correr atrás de todo o resto, continuamos com os preparativos.
Até então (uns 5 dias depois do “dia do vou”) já havíamos reunido bastante informação: o clima (tempo) que encontraríamos durante a viagem; as maneiras de chegarmos até os destinos; o que poderíamos fazer por lá; onde dormir; o que teríamos que indispensavelmente levar; quanto esperávamos gastar; dicas de segurança, alimentação e saúde; etc.
Com base em tudo isso, montei (no Word) um esboço de roteiro que a partir de então seria trabalhado até chegar a sua forma final. No roteiro fui colocando tudo que queríamos fazer em cada lugar. Também fiz uma lista de tudo que teria que levar, e fui acrescentando ou tirando coisas à medida que obtinha mais e melhores informações.
Agosto foi o mês em que resolvemos quase todas as pendências pra poder viajar. Tomei a vacina contra a febre amarela. Comprei um par de botas de hiking/trekking. Comprei dólares americanos e um money belt. Fiz um Visa Travel Money. Solicitei um cartão de crédito internacional. Habilitei meu cartão do banco pra poder fazer saques e usar o débito no exterior. Pedi pra um dos meus melhores amigos, que tava morando em NY e é fotógrafo profissional, escolher, comprar e me trazer uma câmera digital de responsa (valeu, Peixe!!). O Ferdinand, claro, também fez tudo que precisava, ao tempo e modo dele.
Mas as grandes notícias vieram quase no final do mês, lá pelo dia 22.
A primeira foi que finalmente o Musta (na verdade a mulher dele) decidiu quando sairia de férias, e assim pudemos definir as datas da nossa viagem e requerer nossas férias. Partiríamos de Curitiba no dia 18 de setembro à noite e estaríamos de volta no dia O7 de outubro pela manhã. 18 dias inteiros, mais uma noite e uma madruga!! Massa!!
A segunda foi que “descobri” uma trilha alternativa pra chegar a Machu Picchu gastando menos de um quarto da grana que gastaríamos pra chegar pela trilha inca. Essa foi dica de uma amiga minha que tinha ido pra lá em julho de 2007 (boooaaa, Caro!!). Depois, pesquisando, acabei achando um roteiro dessa trilha alternativa em inglês (fiz uma tradução livre que postarei no momento oportuno).
Aí o problema passou a ser colocar na cabeça do Desembarga, que queria fazer a Salcantay, que pelo tempo e pela grana esta trilha alternativa era nossa melhor opção. Depois de um tempo consegui convencer o guri. Show de bola!! O roteiro aos poucos ia se definindo.
Mas o mais foda de toda essa confusão das datas é que por causa da demora da mulher do Bigode em decidir pra onde iriam nas férias, acabamos perdendo uma passagem de Lima a Curitiba, pela Gol, que tava pela metade do preço e nos daria uns dois dias a mais no Peru. Pô, Musta!! Sacanagem, hein?!
A idéia inicial era fazer toda a viagem por terra (ônibus, trens, táxis, vans, caminhões, motos, bikes, cavalos, burros, lhamas e caminhadas), mas com as pesquisas descobri que tínhamos pouco tempo pra isso, então tivemos que colocar alguns trechos aéreos no roteiro, sempre procurando o melhor custo-benefício, ganhando o maior tempo com o menor gasto possíveis.
Com datas e trechos definidos, nosso itinerário seria o seguinte:
- 18/09 – Curitiba/Campo Grande/Corumbá (avião e bus);
- 19/09 – Corumbá/Puerto Quijarro/Santa Cruz de la Sierra (táxi e trem);
- 20/09 – Santa Cruz de la Sierra/La Paz (busão);
- 23/09 – La Paz/Copacabana (van);
- 24/09 – Copacabana/Puno/Cusco (van e bus);
- 28/09 – Cusco/Águas Calientes (busão, van e caminhada);
- 30/09 – Águas Calientes/Cusco (caminhada, van e bus);
- 02/10 – Cusco/La Paz (ônibus);
- 06/10 – La Paz/Puerto Suarez/Corumbá/Campo Grande (avião, táxi e bus);
- 07/10 – Campo Grande/Curitiba (avião).
Putz, no nosso roteiro não colocamos o Salar de Uyuni nem as Líneas de Nazca. Também ficaram de fora cidades como Cochabamba, Potosí e Sucre, na Bolívia, e Arequipa e Lima, no Peru. E ainda San Pedro de Atacama e o deserto, já no Chile. Fazer o quê?! Pra ver e fazer tudo que gostaríamos por aquelas bandas seriam necessários uns 30 dias e um punhado de dólares a mais, e só tínhamos 20 dias e no bolso grana contada.
E assim continuamos arrumando o que ainda faltava pra que pudéssemos nos mandar no dia 18. Mas ali pelo início de setembro estourou a crise política na Bolívia. E com a crise vieram os protestos e conflitos nas ruas e o fechamento das fronteiras e estradas. Foda!!
O que entendi dessa zona toda, em resumo, foi o seguinte: a Bolívia pobre, representada pelo governo federal (Evo e sua turma) e por uma boa parte da população mais humilde, de origem andina, concentrada no Departamento de La Paz, a oeste do país, querendo uma nova Constituição com maior centralização do poder nas mãos do governo federal, e a Bolívia rica, representada por grandes produtores e pelos governos departamentais do norte e do leste boliviano, querendo manter e até aumentar a autonomia dos Departamentos ameaçada pela nova Constituição proposta por Evo e, obviamente, querendo “Evito” fora do poder!!
Apesar das péssimas notícias, novamente decidimos manter os planos. Fomos acompanhando a crise e ao mesmo tempo seguindo com a correria pra deixar tudo pronto. Todas as passagens foram compradas. O cartão de crédito e minha camereta chegaram. Fiz um seguro de viagem. Ganhei mais umas doletas de presente. Emprestei de um amigão uma mochila (grande Samuca!!). Com outro consegui o livro As Veias Abertas da América Latina, do uruguaio Eduardo Galeano (muchas gracias, Gilberto!!). E da namorada perfeita peguei uma lanterna, toalha super absorvente e protetor solar labial.
Tive ainda que trocar a bota, porque um dos engates do cadarço veio quebrado. E desisti dos Lonely Planet que tinha pensado em comprar, já que não mais seriam necessários depois de todas as informações que consegui juntar com as pesquisas na internet. Na 4ª à noite, um dia antes da viagem, fui selecionar as músicas que queria levar comigo. Acabei colocando no iPod tudo que eu tinha, mas sabendo que, com exceção de uma única música de outra banda, que já tinha lugar cativo na viagem, dificilmente iria escutar algo que não fosse dos bons e velhos Stones!!
Só faltou pegar a famosa “amarela”, a imprescindível carteira internacional de vacinação. Enrolei, enrolei e quando vi já era 5ª feira, 18 de setembro. Tive que ir pela manhã ao mesmo aeroporto em que à noite sairia nosso vôo só por causa da “amarela”, que é branca!!
À noite, já de volta ao Afonso Pena (aeroporto internacional de Curitiba localizado em São José dos Pinhais!!) e com a crise boliviana num momento mais tranqüilo, fizemos o check in, comemos um lanche, compramos umas palavras cruzadas e às 21:55 (com 10 minutos de atraso) nosso aviãozinho da TRIP decolou rumo a Campo Grande. Tesão!! Começou a trip!!
DICA
TRILHA INCA: Se quiser fazer a trilha inca tradicional, se ligue que nela são permitidas apenas 500 pessoas, incluindo guias, ajudantes e carregadores (isso deixa + ou – 150 vagas pra turistas). Então, pra conseguir uma vaguinha é preciso reservar com bastante antecedência (de 1 a 3 meses, dependendo da época do ano). Ah, e custa caro, de 160 a 220 doletas!!
Veja a disponibilidade de vagas pra trilha inca neste site:
http://www.incatrailreservations.com/in ... 4days.htmlDICA
VACINA CONTRA A FEBRE AMARELA: A vacina contra a febre amarela é obrigatória pra viajar ao Peru e a Bolívia. Tem prazo de validade de 10 anos, mas deve ser tomada com no mínimo 10 dias de antecedência à entrada em qualquer destes países. Vale o dia da vacina, e não o dia em que se faz a carteira internacional.
Veja onde conseguir sua “branquela” neste site:
http://www.anvisa.gov.br/paf/mapa/lista_postos_.pdf