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La Paz, Titicaca, Cusco e Machu Picchu - Set./Out. de 2008


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Bolívia e Peru, de 18 de setembro a 7 de outubro de 2008

 

Fala, galera!!

Meu nome é Tobias (apelido Totô), tenho 27 anos (26 durante a viagem), moro em Curitiba e tô aqui pra contar sobre a viagem que eu e meu amigo Fernando (vulgo Desembarga ou Ferdinand), também com seus 26 (hoje também já um véio de 27) e de Curitiba, fizemos recentemente pela Bolívia e Peru.

E faço isso por dois motivos:

1º) pra deixar registrado também em palavras tudo que rolou na viagem e assim ter mais uma forma de lembrança de toda a experiência vivida durante esses 20 dias;

2º) pra deixar minha mais que devida contribuição em forma de agradecimento a todos que fazem este site ser o que é: um verdadeiro e ótimo guia de viagem.

Já adianto que vou escrever e postar aos poucos, em capítulos, porque pretendo inserir no texto, além do relato-diário propriamente dito, todas as dicas e informações - incluindo preços atualizados - que conseguir lembrar.

Outra coisa é que somente vou apontar dados históricos quando julgar indispensáveis pro entendimento do trecho em questão. A idéia não é, definitivamente, produzir uma mini-aula de história.

Também quero desde já pedir desculpas pelos palavrões (tentarei evitar), pelos inevitáveis apontamentos pessoais que muita gente vai ficar sem entender (afinal, como já dito, isto é também uma lembrança pessoal) e pelo tamanho do relato, que já percebi que não vai ser dos menores. Tomara que tenham saco de ler.

Enfim, espero conseguir fazer um texto detalhista e informativo, mas ao mesmo tempo bem dinâmico e divertido. Vamos ver o que vai sair aqui.

Foi pensando naquele segundo motivo ali de cima que desde o início do planejamento da viagem já fui deixando anotado todo tipo de informação que poderia repassar quando chegasse a hora de fazer minha parte por aqui, ajudando futuros mochileiros com destino a Bolívia e Peru da mesma maneira como outros tantos me ajudaram quando eu precisei.

A verdade é que quase toda a nossa viagem foi montada com base no conteúdo então existente neste site. Por isso, a partir de agora, começo a pagar pelos serviços que me foram tão bem prestados aqui.

 

DICA :arrow: A MELHOR DICA DE TODAS: A grande dica da viagem, por isso também a primeira. Fale com o povo, com os outros turistas, com os vendedores, com os guias e com todo mundo que encontrar. Não sabe espanhol? Nem inglês? Não dá nada!! É tímido? Dê um jeito de esquecer a timidez no Brasil!! Seja sempre educado, simpático, alegre e atencioso. Vá por mim, converse, troque idéias, faça amigos e depois veja como isso terá feito toda a diferença na tua viagem e na tua vida!!

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Bolívia e Peru, de 18 de setembro a 7 de outubro de 2008

 

05 de agosto a 18 de setembro

OS PREPARATIVOS

 

O primeiro passo, depois do “eu vou!”, é pesquisar sobre como se preparar pra viagem, começar o planejamento.

No nosso caso, conversando durante um almoço no dia 05 de agosto de 2008, o Desembarga soltou que queria ir pra Machu Picchu lá por meados de outubro, numa viagem de uns 15 dias. Na mesma hora topei ir com ele e na tarde desse mesmo dia já estávamos pesquisando sobre a viagem na internet.

Foi assim que em um ou dois dias descobrimos que não havia mais vagas pra famosa trilha inca até novembro, e devido ao trabalho só tínhamos possibilidade de viajar em setembro ou outubro. Frustração, afinal a trilha inca e Machu Picchu até então eram tidos como o ponto máximo da viagem. Mas não desistimos!! Mesmo sem trilha inca decidimos manter a viagem, deixando em aberto essa parte do roteiro, pra quem sabe conseguir duas vagas em cima da hora ou então fazermos uma das outras tantas trilhas que levam a Machu Picchu.

Assim, faltava definirmos o período da viagem pra, a partir das datas, planejarmos todo o resto. Eu poderia pegar meus 13 dias de férias quando quisesse, mas o Ferdinand dependia de uma definição das férias do Bigode – o chefe dele, um Desembargador também conhecido pela alcunha de Musta (contração aportuguesada para moustache que, pra quem não sabe ou não lembra, nada mais é do que bigode em inglês) – pra saber quando poderia viajar.

Caraca, e como demorou pro Bigode decidir quando sairia de férias!! Como não podíamos ficar esperando a boa vontade do Musta pra correr atrás de todo o resto, continuamos com os preparativos.

Até então (uns 5 dias depois do “dia do vou”) já havíamos reunido bastante informação: o clima (tempo) que provavelmente encontraríamos durante a viagem; as maneiras de chegarmos até os destinos; o que poderíamos fazer por lá; onde dormir; o que teríamos que indispensavelmente levar; quanto esperávamos gastar; dicas de segurança, alimentação e saúde; etc.

Com base em tudo isso, montei (no Word) um esboço de roteiro que a partir de então seria trabalhado até chegar a sua forma final. No roteiro fui colocando tudo que queríamos fazer em cada lugar. Também fiz uma lista de tudo que teria que levar, e fui acrescentando ou tirando coisas à medida que obtinha mais e melhores informações.

Agosto foi o mês em que resolvemos quase todas as pendências pra poder viajar. Tomei a vacina contra a febre amarela. Comprei um par de botas de hiking/trekking. Comprei dólares americanos e um money belt. Fiz um Visa Travel Money. Solicitei um cartão de crédito internacional. Habilitei meu cartão do banco pra poder fazer saques e usar o débito no exterior. Pedi pra um dos meus melhores amigos, que tava morando em NY e é fotógrafo profissional, escolher, comprar e me trazer uma câmera digital de responsa (valeu, Peixe!!). O Ferdinand, claro, também fez tudo que precisava, ao tempo e modo dele.

Mas as grandes notícias vieram quase no final do mês, lá pelo dia 22.

A primeira foi que finalmente o Musta (na verdade a mulher dele) decidiu quando sairia de férias, e assim pudemos definir as datas da nossa viagem e requerer nossas férias. Partiríamos de Curitiba no dia 18 de setembro à noite e estaríamos de volta no dia O7 de outubro pela manhã. 18 dias inteiros, mais uma noite e uma madruga!! Massa!!

A segunda foi que “descobri” uma trilha alternativa pra chegar a Machu Picchu gastando menos de um quarto da grana que gastaríamos pra chegar pela trilha inca. Essa foi dica de uma amiga minha que tinha ido pra lá em julho de 2007 (boooaaa, Caro!!). Depois, pesquisando, acabei achando um roteiro dessa trilha alternativa em inglês (fiz uma tradução livre que postarei no momento oportuno).

Aí o problema passou a ser colocar na cabeça do Desembarga, que queria fazer a Salcantay, que pelo tempo e pela grana esta trilha alternativa era nossa melhor opção. Depois de um tempo consegui convencer o guri. Show de bola!! O roteiro aos poucos ia se definindo.

Mas o mais foda de toda essa confusão das datas é que por causa da demora da mulher do Bigode em decidir pra onde iriam nas férias, acabamos perdendo uma passagem de Lima a Curitiba, pela Gol, que tava pela metade do preço e nos daria uns dois dias a mais no Peru. Pô, Musta!! ::carai:: Sacanagem, hein?!

A idéia inicial era fazer toda a viagem por terra (ônibus, trens, táxis, vans, caminhões, motos, bikes, cavalos, burros, lhamas e caminhadas), mas com as pesquisas descobrimos que tínhamos pouco tempo pra isso, então tivemos que colocar alguns trechos aéreos no roteiro, sempre procurando o melhor custo-benefício, ganhando o maior tempo com o menor gasto possíveis.

Com datas e trechos definidos, nosso itinerário seria o seguinte:

- 18/09 – Curitiba/Campo Grande/Corumbá (avião e bus);

- 19/09 – Corumbá/Puerto Quijarro/Santa Cruz de la Sierra (táxi e trem);

- 20/09 – Santa Cruz de la Sierra/La Paz (busão);

- 23/09 – La Paz/Copacabana (van);

- 24/09 – Copacabana/Puno/Cusco (van e bus);

- 28/09 – Cusco/Águas Calientes (busão, van e caminhada);

- 30/09 – Águas Calientes/Cusco (caminhada, van e bus);

- 02/10 – Cusco/La Paz (ônibus);

- 06/10 – La Paz/Puerto Suarez/Corumbá/Campo Grande (avião, táxi e bus);

- 07/10 – Campo Grande/Curitiba (avião).

Putz, no nosso roteiro não colocamos o Salar de Uyuni nem as Líneas de Nazca. Também ficaram de fora cidades como Cochabamba, Potosí e Sucre, na Bolívia, e Arequipa e Lima, no Peru. E ainda San Pedro de Atacama e o deserto, já no Chile. Fazer o quê?! Pra ver e fazer tudo que gostaríamos por aquelas bandas seriam necessários uns 30 dias e um punhado de dólares a mais, e só tínhamos 20 dias e, no bolso, grana contada!! :(

E assim continuamos arrumando o que ainda faltava pra que pudéssemos nos mandar dia 18. Mas ali pelo início de setembro estourou a crise política na Bolívia. E com a crise vieram os protestos e conflitos nas ruas e o fechamento das fronteiras e estradas. Fueda!!

O que entendi dessa zona toda, em resumo, foi o seguinte: a Bolívia pobre, representada pelo governo federal (Evo e sua turma) e por uma boa parte da população mais humilde, de origem andina, concentrada no Departamento de La Paz, a oeste do país, querendo uma nova Constituição com maior centralização do poder nas mãos do governo federal, e a Bolívia rica, representada por grandes produtores e pelos governos departamentais do norte e do leste boliviano, querendo manter e até aumentar a autonomia dos Departamentos ameaçada pela nova Constituição proposta por Evo e, obviamente, querendo “Evito” fora do poder!!

Apesar das péssimas notícias, novamente decidimos manter os planos. Fomos acompanhando a crise e ao mesmo tempo seguindo com a correria pra deixar tudo pronto. Todas as passagens foram compradas.O cartão de crédito e minha camereta chegaram. Fiz um seguro de viagem. Ganhei mais umas doletas de presente. Emprestei de um amigão uma mochila (grande Samuca!!). Com outro consegui o livro As Veias Abertas da América Latina, do uruguaio Eduardo Galeano (muchas gracias, Gilberto!!). E da namorada perfeita peguei uma lanterna power, toalha super absorvente e protetor solar labial.

Tive ainda que trocar a bota, porque um dos engates do cadarço veio quebrado. E desisti dos Lonely Planet que tinha pensado em comprar, já que não mais seriam necessários depois de todas as informações que consegui juntar com as pesquisas na internet. Na 4ª à noite, um dia antes da viagem, fui selecionar as músicas que queria levar comigo. Acabei colocando no iPod tudo que eu tinha, mas sabendo que, com exceção de uma única música de outra banda, que já tinha lugar cativo na viagem, dificilmente iria escutar algo que não fosse dos bons e velhos Stones!!

Só faltou pegar a famosa “amarela”, a imprescindível carteira internacional de vacinação. Enrolei, enrolei e quando vi já era 5ª feira, 18 de setembro. Tive que ir pela manhã ao mesmo aeroporto em que à noite sairia nosso vôo só por causa da “amarela”, que é branca!!

À noite, já de volta ao Afonso Pena (aeroporto internacional de Curitiba localizado em São José dos Pinhais!!) e com a crise boliviana num momento mais tranqüilo, fizemos o check in, comemos um lanche, compramos umas palavras cruzadas e às 21:55 (com 10 minutos de atraso) nosso aviãozinho da TRIP decolou rumo a Campo Grande. Tesão!! Começou a trip!!

 

DICA :arrow: TRILHA INCA: Se quiser fazer a trilha inca tradicional, se ligue que nela são permitidas apenas 500 pessoas, incluindo guias, ajudantes e carregadores (isso deixa + ou – 150 vagas pra turistas). Então, pra conseguir uma vaguinha é preciso reservar com bastante antecedência (de 1 a 3 meses, dependendo da época do ano). Ah, e custa caro, de 160 a 220 doletas!!

Veja a disponibilidade de vagas pra trilha inca neste site:

http://www.incatrailreservations.com/inca_trail/inca_trail_permits_4days.html

 

DICA :arrow: VACINA CONTRA A FEBRE AMARELA: A vacina contra a febre amarela é obrigatória pra viajar ao Peru e a Bolívia. Tem prazo de validade de 10 anos, mas deve ser tomada com no mínimo 10 dias de antecedência à entrada em qualquer destes países. Vale o dia da vacina, e não o dia em que se faz a carteira internacional.

Veja onde conseguir sua “branquela” neste site:

http://www.anvisa.gov.br/paf/mapa/lista_postos_.pdf

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Bolívia e Peru, de 18 de setembro a 7 de outubro de 2008

 

18 e 19 de setembro, 5ª e 6ª feira

DO SUL DO BRASIL À FRONTEIRA BRASIL/BOLÍVIA

 

O aviãozinho da TRIP até que foi bem. Barulhento demais, só assustou na aterrissagem, quando antes mesmo de tocar a pista começou a dançar bastante de um lado pro outro, como se fosse um barco no mar. Sinistro mesmo!! Mas assim que tocou a pista já estabilizou e desembarcamos em Campo Grande lá pelas 23:00 (horário local, 1 hora a menos que Brasília).

No saguão, um amigão de infância que tá morando em Campo Grande tava nos esperando. Tinha ligado pro Jeff na 4ª pra ver se ia conseguir encontrar a peça por lá e ele, brother como sempre, quis nos pegar no aeroporto e nos levar pra rodoviária. Recusei, o filho da mãe insistiu e acabei deixando-o fazer isso por nós (mandou muito bem, Jeff!!). Sorte nossa, porque nosso ônibus pra Corumbá sairia às 23:59, então nem tivemos tempo de conversar muito. Fomos no galeto até a rodoviária e chegando lá corremos pro guichê da Andorinha retirar as passagens, que já estavam compradas. Aí agradecemos a carona, combinamos de nos encontrar na volta e nos despedimos do Jeff, porque nosso bus já ia partir.

A rodoviária de Campo Grande foi o marco inicial da trip. Ali percebemos que estávamos saindo da rotina de Curitiba e entrando num outro mundo. O ar ali já é diferente, seco. E a própria rodoviária tem um “ar” meio sinistro. Ao embarcarmos pras primeiras 6 horas de busão da viagem, perguntei ao motorista se era possível descer na Bolívia, mas ele disse que o ônibus não iria atravessar a fronteira, e que o ponto final seria mesmo a rodoviária de Corumbá.

Desse trecho não posso falar nada. Viajamos à noite e aproveitamos pra dormir, então não vi o Pantanal. A viagem deve ter sido tranqüila, porque só acordei quando o ônibus parou e se acenderam as luzes, às 6:15 da manhã.

Descemos, esticamos as pernas e fomos fazer nossa primeira negociação da viagem: o preço do táxi da rodoviária até a fronteira. Eu tinha pesquisado tudo quanto é tipo de preço, pra viagem inteira. Tinha uma boa idéia de quanto era justo pagar por cada serviço que fôssemos utilizar.

Assim, o taxista abriu a negociação com uma oferta salgada de 30 reais. Na minha vez já comecei batendo na cara e disse que nossa primeira e última oferta era de 20 reais, o que era bem justo pra ambos os lados. Negócio fechado, em poucos minutos estávamos na fronteira, do lado brasileiro, e já realizando a segunda negociação: o táxi até a estação de trem.

Primeira oferta do primeiro taxista boliviano, ainda no Brasil: 20 salgadíssimos bolivianos (BOL$). Pô, eu sabia que o preço de um táxi dali até a estação não saia por mais de 3 BOL$ por pessoa. Resolvemos atravessar a fronteira e ver o preço do outro lado. Como o posto da polícia de migração boliviana ainda tava fechado, atravessamos ilegalmente, sem carimbar documentos. Faríamos a entrada legal e oficial mais tarde, depois que estivéssemos com as passagens pro trem da morte compradas.

Do outro lado sobravam táxis caindo aos pedaços. Aliás, em Puerto Quijarro todo carro é táxi!! Na pressa acabamos pagando “caro”: 1 real por pessoa. Isso dava mais que 3 BOL$ por cabeça. Tudo bem, afinal queríamos garantir nossas passagens e precisávamos ser bem rápidos.

Chegando ao Terminal Ferroviaria Puerto Quijarro, que não é assim tão perto da fronteira, fomos imediatamente abordados por um cabrón que veio com a velha e conhecida história: “Acabaram as passagens pra hoje, mas veja que sorte a de vocês... eu tenho duas e tô vendendo.”

Educadamente recusamos a "generosa" oferta e mostramos que não éramos trouxas. Havia uma pequena fila (umas 4 pessoas) no portão do terminal, que ainda tava fechado. Obviamente a fila era pra comprar passagens, mas a estação só abriria lá pelas 7:30. Como ainda eram umas 6:50, entrei na fila e o Fernando foi trocar uns dólares.

 

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O Terminal Ferroviaria Puerto Quijarro

 

Em frente à estação e também nos seus arredores ficam várias mulheres cambistas com seus montes de BOL$ pra serem trocados por dólares e outras moedas. Quanto mais longe da estação, melhor o preço. Conseguimos 6,90 BOL$ por dólar. Às 7:45 abriu a estação. Fomos comprar a passagem e só dava pra pagar com BOL$. Tivemos que correr trocar mais algumas doletas, porque não tínhamos BOL$ suficientes pras duas passagens. Mas deu tudo certo. Pagamos 115 BOL$ por cada lugar no vagão da categoria Pullman. O trem sairia às 12:45.

Passagens na mão, agora tínhamos que voltar até a fronteira pra realizar os trâmites legais de entrada no país. Mais um táxi: desta vez, 3 BOL$ por cabeça. Tivemos que aguardar um pouco, porque a Migración ainda tava fechada. Logo abriu e, lá dentro, tudo correu tranqüilamente; carimbamos os passaportes e pegamos o recibo de entrada no país. Estávamos oficialmente na Bolívia, e com tempo pra ir conhecer a tal zona franca antes de embarcarmos rumo a Santa Cruz de la Sierra.

 

DICA :arrow: OS TÁXIS: Sempre acerte o preço antes. Além do preço, deixe bem claras mais duas coisas antes de entrar no carro: o endereço aonde quer chegar e a moeda em que está combinando o valor. E isso vale pra todos os lugares que passamos na Bolívia e também no Peru. Ah, e sempre que puder, pra ficar mais barato divida o táxi com outras pessoas. Só não confie em qualquer um, né? Se achar qualquer coisa estranha, procure outro táxi ou outra companhia.

 

DICA :arrow: PASSAGEM PRO TREM DA MORTE: Não acredite em qualquer um que chegue dizendo que não há mais passagens. Vá direto à fonte oficial e segura, que é o próprio atendente do guichê de vendas. As passagens existem e são vendidas nesse guichê, que fica dentro do terminal. E, muito importante: as passagens são nominais, e somente são emitidas após a apresentação de documento pessoal do passageiro. Como esse documento também é solicitado pra embarcar, não acho que seja uma boa idéia comprar, fora do guichê, passagens já emitidas (apesar de já ter ouvido e lido vários relatos de pessoas que conseguiram comprar e embarcar nesse esquema).

Veja horários e preços de passagens pro trem neste site:

http://www.ferroviariaoriental.com/Pasajeros/Itinerariosytarifas/tabid/59/Default.aspx

 

DICA :arrow: DOCUMENTO E RECIBO DE ENTRADA NO PAÍS: Parece que é possível, tanto na Bolívia como no Peru, a entrada com o documento de identidade (RG). Mas vimos uns argentinos que passaram por maus momentos (os oficiais peruanos pediram grana pra liberá-los!!) na fronteira Bolívia/Peru porque estavam sem o passaporte. Na dúvida, vá de passaporte!! Se possível, leve os dois documentos. Ao realizar os trâmites oficiais de entrada no país (vale pra Bolívia e Peru), não se esqueça de solicitar (e se necessário exigir) o recibo de entrada, o qual deverá ser obrigatoriamente apresentado também na saída. Guarde bem esse documento a viagem toda!!

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Bolívia e Peru, de 18 de setembro a 7 de outubro de 2008

 

19 e 20 de setembro, 6ª feira e sábado

A ZONA FRANCA E O TREM DE LA MUERTE

 

Mais um táxi, este da fronteira até a Zona Franca de Puerto Aguirre, que fica uns 200 metros depois do Terminal Ferroviaria Puerto Quijarro. Já mais habituados aos preços e negociações bolivianos, desta vez pagamos 2,75 BOL$ per capita. Assim que chegamos na zona franca, aproveitamos pra tomar um café numa lanchonete que fica no piso inferior. Ali os preços eram em reais. E preço de Brasil, mas a qualidade também era brasileira.

Essa zona franca é uma boa pra comprar produtos importados baratos. Lá vimos muitos brasileiros, comprando e trabalhando. Rodamos o lugar por umas 2 ou 3 horas, mas não compramos nada pra não ter que carregar peso extra durante a viagem.

No piso superior encontrei uma loja bem legal de souvenires de guerra. Tem desde sobretudos de uniformes alemães até mochilas pessoais do exército francês. E de várias épocas, inclusive da 2ª guerra mundial. Tudo velho, claro, mas tudo muito bem conservado. Fiquei de olho numa mochila italiana muito massa, mas pelo motivo acima já mencionado acabei desistindo da compra. As outras lojas são de bebidas, de perfumes, de eletrônicos, ou de tudo isso junto. Preços em dólar. Planejamos passar por ali novamente na volta, se desse tempo e tivéssemos grana.

Mas antes de irmos pro terminal do trem, voltamos, lá por 11:40, àquela mesma lanchonete do café pra almoçar. Agora havia um buffet por quilo bem servido, com saladas, arroz, feijão e carnes variadas, inclusive jacaré. É claro que comi jacaré com arroz e feijão!! Jacaré tem uma carne muito saborosa!! Aí colocamos bermudas, pra agüentar o calor do trem, e caminhamos até a estação.

No caminho lembramos que precisávamos de água e comida pro passeio de trenzinho, que seria bem demorado. Em cima da hora do embarque, corremos de novo até as lojas da rua e compramos cada um uma garrafa de 2 litros de água e um cacho de bananas pra nós dois. Também trocamos mais uns dólares pra não ficar sem grana no trem.

Chegamos ao portão de embarque com o trem quase saindo, então mal deu pra tirar uma foto e já pulamos pra dentro do nosso vagão. A primeira impressão foi muito boa. Os assentos são reclináveis, mas não muito espaçosos. Como havia poucos passageiros, pudemos ficar cada um com dois assentos e um bom espaço. 12:50: “Yeah, the train left the station, it had two lights on behind…”

Apesar da barulheira dos trilhos e do balanço lateral, no início da viagem a surpresa é pelo conforto. Com as janelas (que são bem grandes no vagão da categoria Pullman) totalmente abertas, o vento no rosto ajuda bastante a aliviar o calor e você pensa que não haveria como estar mais bem acomodado.

A velocidade do trem varia de incríveis 20 km/h até "inacreditáveis" 60 ou 70 km/h!! O que muda bem pouco durante todo o trajeto é a paisagem: um mato verde, mas seco, que lembra a vegetação do nosso cerrado. E muitas queimadas ao longo da ferrovia.

No caminho são feitas inúmeras paradas, umas em pequenos vilarejos, pra embarque de passageiros, e outras no meio do nada mesmo, pra conferência ou troca da direção dos trilhos.

Nessas paradas nos vilarejos, os vagões são invadidos por muitas crianças e algumas cholas vendendo comidas e bebidas. A comida é basicamente pollo (frango) frito e um PF (prato feito) muito roots que é servido num saco plástico. As bebidas são refrigerantes locais (às vezes víamos uma garrafinha de Coca-Cola) e sucos caseiros de tamarindo e de limão que vêm ou em sacos plásticos ou em garrafas descartáveis de 500 ml já usadas. Numa dessas paradas pudemos conhecer o método de envasamento dos sucos: “coisa de primeira”!! Mas com o calor que faz dentro do trem parado, você fica muito tentado a experimentar a limonada geladinha. Desta vez, no entanto, em início de viagem, preferimos não arriscar (se fosse hoje, depois de tudo que vimos e comemos na viagem inteira, eu com certeza tomaria várias limonadas).

O povo que viaja no trem é muito simples. Não vimos nenhum outro mochileiro. Só bolivianos. Apesar das várias tentativas de contato com as pessoas, não conseguimos conversar muito. Além de o povo boliviano ser muito reservado em comparação com os brasileiros (e até com os peruanos, como veríamos depois), muita dessa gente que viaja no trem fala somente aymara ou outros dialetos locais. Então, por mais que tenhamos tentado, não rolou aquele entrosamento que esperávamos que fosse acontecer.

Grande destaque do trem da morte, que, aliás, de mortal não tem nada, é o diferenciado serviço de música ambiente que começa a ser prestado lá pelas tantas horas da tarde. “Clássicos” do cancioneiro popular boliviano intercalados com alguns “hits” sertanejos brasileiros. E “o melhor”: este serviço não é interrompido nem com o apagar das luzes para o descanso noturno.

Lá pelas 20:30 o trem fez uma parada em um vilarejo grandinho (o maior de todos os que paramos). Ali conhecemos um morador local que nos disse ter aprendido português assistindo novelas. Quando perguntamos se era pró ou contra Evo, respondeu-nos perguntando em tom debochado e brincalhão se estávamos querendo ofendê-lo. Por aí já tivemos uma boa idéia de como o pessoal de Santa Cruz gosta do Evito.

E foi nessa parada que o trem lotou. O Ferdinand então teve que sentar do meu lado e atrás de nós sentou uma mulher que exalava um cheiro bem ruim. O próximo trecho (mais da metade de todo o trajeto) não ia ser muito agradável, já que viajaríamos à noite, sem espaço, apertados, e com aquele fedor que já tomava conta do vagão. Depois de uns 40 minutos o trenzão partiu e lá pelas 21:20 as luzes se apagaram. Mais meia hora rodada e o trem parou no meio do nada e começou a voltar de ré. Então o serviço de rádio anunciou alguma coisa cuja tradução livre pro português coloquial seria: “Fodeu o motor do trem!! Tamo voltando de ré pra última estação pra ver o que vai rolar.” Beleeeeeeeza!!

Depois de uns 20 minutos em marcha a ré, o negócio parou de vez: não ia nem pra frente nem pra trás. E só escuridão e mato dos dois lados. Descemos um pouco esticar as pernas, mas logo cansamos de apreciar a fascinante vista do mato no escuro e fomos tentar dormir. E eu dormi. Lembro vagamente de certa hora ter acordado por uns segundos, com o trem ainda parado, e visto nos trilhos do lado outro trem igual o nosso também parado.

Deve ter rolado um help, porque quando acordei de novo já estávamos rodando e uma ventania entrava no vagão pelas janelas abertas. De um calor infernal pra um frio bem considerável em questão de minutos!! Fechamos as janelas e voltei a dormir um sono ruim até quase chegar a Santa Cruz de la Sierra.

Já tinham nos avisado que o trem não iria até o famoso terminal bimodal de Santa Cruz, que tava tomado pelos rebeldes que há dias vinham protestando. Também já tínhamos ouvido falar que as estradas estavam fechadas e que por isso teríamos que pegar um avião, que não estava nos planos, para chegar a La Paz.

E de fato não pudemos conhecer a rodo-ferroviária. Lá pelas 10:00, o trem parou em um terreno descampado na periferia da cidade, um verdadeiro lamaçal onde uma multidão esperava o desembarque de parentes e amigos. Também muitos táxis aguardavam a chegada do trem pra conseguir uma corrida dali até o centro da cidade.

Já seguros em terra firme, ainda vivos, mas imundos depois de + ou – 21 horas dentro do trem, concordamos que, como primeira grande atração programada da viagem, o passeio no trenzinho da morte merecia uma nota 4!!

 

DICA :arrow: O TREM DE LA MUERTE: Essa dica é fruto de uma opinião muito pessoal, mas o Desembarga concorda comigo. É o seguinte: não perca seu tempo com esse trem!! A experiência não é tão marcante assim. É dispensável. Só vá de trem se não tiver grana pro avião. Ok, você pode argumentar que depois poderá contar que andou no trem da morte e tudo mais. O que eu te digo é que se um amigo meu me pedisse uma opinião, eu não pensaria duas vezes em sugerir que ele pegasse um avião do Brasil até Santa Cruz de la Sierra ou mesmo até La Paz ao invés do trem. O troço é muito demorado. Com o tempo que se leva pra cobrir o trecho ferroviário, pelo ar é possível chegar muito mais perto do seu destino, seja este La Paz ou o próprio Peru. Mas se resolver encarar a parada, leve muita água (uns 3 litros)!!

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Bolívia e Peru, de 18 de setembro a 7 de outubro de 2008

 

20 de setembro, sábado

SANTA CRUZ DE LA SIERRA E A CHEGADA EM LA PAZ

 

Como o Ferdinand ajudou uma senhora a tirar a bagagem do vagão, ela e outro cara que viera buscá-la (devia ser o filho dela) nos orientaram a pegar um táxi até um tal de Cine Center, onde poderíamos comprar passagens de avião, porque las carreteras estavam mesmo cerradas. Pagamos 20 BOL$ (preço justo, segundo o amigo que nos ajudou) pelo táxi até o Cine Center, que é um shopping da cidade onde, além de lojas e de algumas salas de cinema, também existe um guichê da Aerosur.

Não conseguimos comprar as passagens ali, porque a máquina de cartão tava fora de combate, então decidimos ir até o centro, pra conhecer e comprar as passagens na loja da Aerosur que fica na praça principal. Pegamos uma van a 1,50 BOL$ cada e, chegando lá, fomos direto comer alguma coisa. Entramos numa salteñaria onde comemos a melhor salteña de toda a viagem. Infelizmente vou ficar devendo o nome e o endereço do lugar, porque não me lembrei de anotar.

De estômago forrado, fomos até a loja da Aerosur e tentamos pagar as passagens com o cartão de crédito do pai do Fernando, porque o desfalque seria grande: 123 dólares pra cada um!! Como a máquina não aceitou o pagamento (não bateu o nome com o nº do passaporte), a mulher que tava nos atendendo de repente passou da simpatia incontida à total filhadaputice. Enfim, sendo cartão de crédito e dinheiro as únicas opções de pagamento aceitáveis pela nossa nova amiga, tivemos que desembolsar essa grana em espécie (doletas, espécie já em extinção no nosso bolso).

Apesar da facada recebida e de todo o resto (o Desembarga ficou puto da cara com a mulher!!), ficamos felizes pelo tempo ganho. Nessa brincadeira ganhamos mais um dia inteiro em La Paz, Cusco ou Titicaca, a escolher!! Além disso, como ainda eram 13:00 e o avião sairia só às 19:00, tínhamos bastante tempo pra almoçar e dar um rolê por Santa Cruz de la Sierra.

Não conhecemos muita coisa. Andamos um pouco procurando farmácias, pra conhecer e quem sabe comprar as Sorojche Pills, pois iríamos chegar em La Paz de avião e talvez elas fossem necessárias. Encontramos, mas não compramos. Desde o início eu tava a fim de encarar La Paz na raça, e o Ferdinand já tava há uns dias tomando uns remédios pra aliviar os efeitos da altitude, indicação de um médico mochileiro (em algum lugar aqui no site).

Continuamos caminhando, passamos por uma feirinha de artesanato e tomamos a primeira Paceña da viagem, que apesar de estar na geladeira não tava gelada - como é de costume por lá. Quando a fome bateu de novo já eram umas 14:00. Fomos procurar nosso almoço, mas como era sábado já tava quase tudo fechado, inclusive a salteñaria das hoje legendárias salteñas. Tivemos que nos contentar com um cafézão de 16 BOL$ por cabeça num café do centro da cidade.

Com o café-almoço na barriga e a mochila pesando bastante nas costas, tínhamos agora que chegar até um antigo terminal rodoviário de onde saem os ônibus que levam até o Aeroporto Internacional Viru-Viru. Pra chegar até esse terminal antigo, outra van daquelas de BOL$ 1,50.

Andar nessa van foi uma das coisas de mais adrenalina de toda a trip. De verdade!! O trânsito de Santa Cruz é uma zona indescritível. Só pra dar uma idéia do que normalmente se vê por lá: nós dois em pé dentro da van a caminho da antiga rodoviária e, de repente, o motora joga a van pra cima de outro carro que tentou pegar a frente, empurrando-o pro canteiro central; o motora do carro, claro, não abriu mão da cobiçada vaga e, sentando o pé no pedal da direita, completou a “belíssima” ultrapassagem radical pelo canteiro. Muito doido!!

Achamos o ponto do “ônibus do aeroporto”, que fica nos arredores da rodoviária velha, e pagamos os 5 BOL$ cobrados. Em alguns minutos chegamos ao Viru-Viru e tivemos que aguardar um tempo pra fazer o check in (era cedo ainda). Ficamos no aeroporto por + ou – umas 2 horas, então aproveitamos pra descansar um pouco depois de passar a tarde inteira caminhando com a mochila nas costas.

No Viru-Viru fizemos o primeiro amigo da viagem. Primeiro amigo, primeiro brasileiro, primeiro mochileiro. Nós ainda não tínhamos encontrado nenhum brasileiro e nenhum mochileiro. O Rogério foi o primeiro. Conhecemos o sujeito enquanto aguardávamos na sala de embarque. Professor de Porto Alegre, tava indo sozinho e de mochila conhecer Machu Picchu. Porque me entretive com umas palavras cruzadas, acabei não participando muito da conversa, mas o Ferdinand continuou o papo até entrar no avião e acabou combinando um jantar em La Paz praquela mesma noite.

No avião, o segundo amigo. Desta vez um boliviano de nome Gonzalo Terrazas, gerente de vendas da Cerveceria Boliviana Nacional S.A., a fabricante da boa, mas quente, cerveja Paceña. Voltando de Buenos Aires, onde tinha ido a trabalho, conversamos o vôo todo e peguei mais algumas dicas sobre o que conhecer e fazer em La Paz. Pouco antes de aterrissar no Aeroporto Internacional de El Alto, cidade vizinha a La Paz, já escuro, deu pra ver nitidamente o degrau de luzes que se forma entre as duas cidades: El Alto em cima, no altiplano que rodeia a cratera onde, lá embaixo, está La Paz.

Em terra firme novamente, lá pelas 20:15 o Gonzalo, grande figura, ainda nos ajudou a negociar o táxi até a Avenida Illampu, onde fica o Hostal Copacabana, nossa primeira opção de hospedagem. Dividimos os 50 BOL$ do táxi com o Rogério, que também ficaria na Illampu, mas num hotel.

Chegando ao “Copacabana Palace”, pedimos pra ver um quarto. Não curti e, desconfiado de que haveria quartos melhores, pedi pra ver outro (cara chato!!). Bem que fiz. O segundo quarto era 10 vezes melhor que o primeiro, que devia ser o pior de todo o hostal. Sem ânimo pra sairmos à busca de outro hostal, negociamos o preço e acabamos fechando um quarto com 3 camas por 154 BOL$, 77 BOL$ por pessoa, com desayuno incluído.

Depois de nos acomodarmos e tomarmos o primeiro e mais necessário banho da viagem, fomos atrás do Rogério pra sairmos jantar. Como já tava tarde, e nosotros cansados, acabamos na Pizzeria Italia, na Illampu mesmo. Pizza boa. Satisfeitos, voltamos pro Copa e logo fomos dormir.

 

DICA :arrow: ÁGUA E O SOROJCHE (MAL DA ALTURA): Chegando a La Paz compre uma garrafa de 2 litros de água. Carregue ela pra tudo quanto é canto durante o dia, e durante a noite deixe-a ao lado da cama. O único efeito da altitude que senti, na viagem inteira, foi uma leve dor de cabeça à noite, enquanto dormia, nos dois primeiros dias. Nessas duas noites, acordei de madrugada com muita sede e com essa fraca dor de cabeça, mas assim que matei a sede a dor passou e voltei a dormir. É claro que cansava durante as subidas, mas nada que tivesse que parar pra respirar, somente um cansaço normal. O problema é que os efeitos da altitude variam de vivente pra vivente. Por isso e por não ter feito uso, não posso falar que as Sorojche Pills não são necessárias.

 

DICA :arrow: PREÇO DOS HOSTALS: Negocie!! Não aceite o primeiro preço que te passam. Fale que é brasileiro e que quer desconto; que não tem condições financeiras de pagar o mesmo que os europeus. Se baixarem o preço de primeira, peça mais desconto. Se não, insista. E sempre fale que é brasileiro. Todo mundo que encontramos (bolivianos, peruanos e gringos em geral) gostava de brasileiros e do nosso país, então aproveite essa simpatia de todos pelo Brasil pra pagar o que é justo pra ambos os lados.

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LA PAZ - TITICACA - CUSCO - MACHU PICCHU

Bolívia e Peru, de 18 de setembro a 7 de outubro de 2008

 

21 de setembro, domingão

LA PAZ EM DIA DE CLÁSSICO

 

Primeiro dia livre (sem estrada)!! Acordamos às 8:30 e descemos pro desayuno (desjejum). O desayuno é exatamente isso, um mero desjejum. Passa longe de um café da manhã, mas pelo menos engana a fome: chá ou café, suco e um pão com manteiga e geléia.

No desayuno decidimos que sairíamos dar uma volta pela cidade e procurar as lojas de esportes e de roupas de frio que tanto foram aconselhadas (pelos preços e qualidade) aqui no site. Na saída já paramos na Combi Tours, agência que fica dentro do Copa. Falamos com a Teresa e deixamos pré-agendado pro dia seguinte um passeio a Tiwanaku.

Depois caminhamos pela região da Avenida Illampu e Calle Sagarnaga, que se cruzam. Nessa manhã conhecemos toda essa parte da cidade, inclusive a famosa Calle de las Brujas (oficialmente Calle Linares) e a Iglesia de San Francisco. O problema é que era domingo, então, com exceção de algumas tiendas da rua das bruxas, as lojas estavam fechadas, assim como o Museo de la Coca, que também fica na vizinhança.

 

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Calle de las Brujas

 

Na frente da Iglesia de San Francisco vimos uma cena forte. Em cima de um viaduto, na parte de pedestres, estava uma família de cholas vendendo seus produtos pra sobreviver. De repente, um cara que tava junto, provavelmente da mesma família, meteu dois tapões na cabeça de uma das cholas que estavam sentadas. Uma chola mais velha tentou argumentar pra frear a agressão, mas, como se não tivessem sido suficientes os dois tapões, o filho da puta mandou ver mais dois chutes na cabeça da coitada. Mas não dois chutinhos, e sim duas senhoras bicudas, com toda força. Aí o covarde se deu por satisfeito e parou.

Como não deu tempo de fazer nada pra impedir a surra (nem a polícia viu a cena!!), continuamos andando, e a certa altura entramos numa feira de comida bizarra, onde se podia encontrar de tudo. O cheiro de carne crua recém abatida e cortada é bem forte nesse lugar. Até quase tive vontade de experimentar as tripas de boi fritas. De acordo com uma das cholas vendedoras das irresistíveis guloseimas, “tudo delicioso e feito na hora!!”

E mais uma vez o trânsito boliviano surpreendendo. Uma loucura!! Parecido com o de Santa Cruz de la Sierra, só que ainda mais bagunçado. Mas uma bagunça organizada. Organizada pelas buzinas, que parecem ser o único sinal de trânsito que os motoristas respeitam em La Paz. Ali quem buzina antes tem o direito de passagem. A média é de uma buzinada por carro a cada 20 segundos. A buzinada e toda a zona que é o trânsito paceño já estão institucionalizadas. Todo mundo que dirige lá sabe que é assim que o trânsito funciona, então não há problemas. A primeira impressão é de que existe uma falta de educação total, com todo mundo se fechando, mas o impressionante é que todo mundo se entende, ninguém se xinga e não há acidentes. Não vimos nenhum durante todo o tempo em que estivemos na Bolívia. Uma verdadeira aula prática de civilidade!!

Já no caminho de volta ao hostal, quase meio-dia, descobri que era dia de jogão na cidade. Bolivar vs. The Strongest, grande clássico paceño e boliviano!! Ah, mas que dúvida que eu iria ao jogo.

No hostal nos informamos sobre como chegar ao estádio, e foi neste momento que recebemos a propaganda da grande luta livre de cholas, que rola todo domingo - e somente aos domingos - em El Alto. E aí veio a dúvida: ir ao jogo ou ao imperdível wrestling de las cholitas? Então lembramos que havíamos ganhado um dia a mais de viagem por causa do vôo de Santa Cruz até La Paz, e por isso mantivemos a programação do dia, deixando em aberto a possibilidade de regressar a La Paz um dia antes do previsto pra poder testemunhar a famigerada lucha libre.

Decisão tomada, saímos novamente. Almoçamos no El Lobo, um menu (salada + sopa + prato principal + sobremesa) por 15 BOL$. Pra beber, dividimos uma Coca-Cola (500 ml) de 5 BOL$. A sopa e o pãozinho de alho até que tavam bons, mas eu não aconselho o El Lobo. Entretanto, se você procura um lugar barato e roots pra comer, lá é o canal.

Depois do almuerzo no El Lobo, fomos até o “terminal” que fica em frente à Iglesia San Francisco pra pegar a van que nos levaria ao estádio. 1,50 BOL$ e 5 minutos depois, chegamos ao Estadio Hernando Siles às 15:15.

Na bilheteria fiquei sabendo que era rodada dupla: Bolivar vs. The Strongest às 16:00 e, já no início do 2º tempo, La Paz vs. Real Potosí. Pagamos 15 BOL$ (o equivalente a 4 reais) pra ficar na geral na torcida do Bolivar, que era o mandante do jogo. Entramos no estádio e ainda pudemos ver quase todo o 2º tempo da preliminar. E o gol de honra do Real Potosí, que perdeu de 2 a 1.

Ir a um estádio de futebol e ficar na geral sempre é muito bom pra conhecer o povão. Na Bolívia, muitas crianças vão com os pais assistir aos jogos. E muitas mulheres. Muito mais que no Brasil. O mais interessante foi observar a venda de comida dentro do estádio. Muito sorvete e, como não poderia faltar, pollo frito. O sorvete é caseirão mesmo. O pollo frito, então, nem se fala. Quando alguém queria um, o dinheiro passava de mão em mão até chegar ao vendedor. E depois o frangão fazia o caminho inverso, também de mão em mão, sem nenhum guardanapo ou qualquer outra frescura do tipo.

Com as arquibancadas praticamente lotadas (umas 40 mil pessoas), começou o clássico. Pelo início morno não dava pra imaginar que seria uma das melhores partidas que já assisti na vida. Mas lá pelos 12 minutos El Tigre abriu o placar. Depois de quase ampliar, aos 19 o Bolivar empatou. E dois minutos depois veio a virada celeste. Aos 25 foi a vez do The Strongest marcar o gol do empate. Ainda no 1º tempo teve um pênalti claro não marcado em favor do El Tigre e uma bola do Bolivar no travessão da meta adversária. Altas emoções para os dois lados!!

O 2º tempo foi mais fraco, com poucos lances de perigo, mas o melhor ainda estava por vir. Aos 46 minutos, quando todo mundo já se conformava com os 2 a 2, resultado péssimo pros dois times, El Tigre arruma um pênalti salvador. Depois de uns 3 minutos de reclamações, a bola estufou as redes do Bolívar: 3 a 2!! Mas não parou por aí. Na saída de bola, depois do gol, o time da casa partiu com tudo pra cima do The Strongest e conseguiu uma falta na entrada da área. 50 do 2º tempo, só havia tempo pra bater a falta e o juiz apitaria o final do jogo. E que cobrança de falta!! Golaço!! Silêncio do outro lado do estádio e festa da massa celeste: BO – LI – VAR!! BO – LI – VAR!!

 

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A massa celeste embaixo do bandeirão

 

Jogão!! Nossa segunda grande atração da viagem, desta vez não programada. Eu, que “quase não gosto” de futebol, dei nota 9, mas o Ferdinand deu só 8, por isso a média 8,5.

Saindo do estádio, resolvemos voltar a pé, então seguimos o fluxo de torcedores, que pelo nosso mapa estavam indo pro centro. No caminho, passamos por um mirante (mirador) de onde tivemos uma vista alucinante do Illimani, o vulcão extinto que serve de plano de fundo pra La Paz e cujo ponto mais alto (chamado Nevado Illimani) atinge 6462 metros sobre o nível do mar. Eu não sou muito de apreciar paisagens, mas essa foi de babar: puta que la mierda, que montanha tesão!!

 

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O "pequeno" Illimani!!

 

Antes de voltarmos ao hostal, empolgados com o Illimani, resolvemos passar no restaurante da cobertura do Hotel Gloria pra conferir o visual que alguém (não lembro quem) aqui no site disse ter sido a melhor vista que teve de La Paz. Não vimos nada de especial lá de cima, então voltamos pro Copa e fechamos com a Teresa, da Combi Tours, um pacote que incluía Tiwanaku no dia seguinte e todo o trajeto de La Paz até Cusco (passando por Copacabana e Puno) num busão vermelho arregado, o tal do Tour Peru. Tiwanaku (transporte e guia) ficou em 50 BOL$ e o trajeto até Cusco ficou em 160 BOL$ (caro!!), ambos os preços por pessoa.

Nessa noite saímos jantar no El Prado, uma região da cidade que fica numa baixada e onde há bancos e diversas opções de restaurantes, incluindo fast food (a loja do Burger King fica lá), além de outras atrações, como cinemas e pequenos cassinos. Comemos uma salada com frango no Brosso, um dos vários restaurantes de fast food com logotipo de animal (no caso do Brosso um urso com cara de bobo, muito engraçado). Pagamos 25 BOL$, mas tava tudo muito bom!!

Voltamos pro hostal do mesmo jeito que fomos a El Prado, a pé. No outro dia acordaríamos cedo pra ir a Tiwanaku, então subi pro quarto e capotei.

 

DICA :arrow: O AR SECO: Não saia do Brasil sem um protetor solar pros lábios ou uma manteiga de cacau. Talvez este seja o item mais importante da mochila. Não pode faltar!! Em La Paz o ar é muito seco. Os lábios racham e começam a descascar, e a mucosa dentro do nariz também fica ressecada, inclusive fazendo feridas e causando eventuais sangramentos. Um colírio também pode ser útil pra quem tem muita sensibilidade nos olhos.

 

DICA :arrow: PREÇO DAS AGÊNCIAS: Aqui vale a mesma dica sobre o preço dos hostals. Negocie!! Não aceite o primeiro preço que te passam. Fale que é brasileiro e que quer desconto; que não pode pagar o mesmo que os europeus. Se baixarem o preço de primeira, peça mais desconto. Se não, insista que eles acabam cedendo.

 

DICA :arrow: USO DE CARTÃO DE CRÉDITO E DÉBITO: Praticamente todo lugar (loja, restaurante ou agência) cobra uma taxa pra pagamentos com cartão de crédito ou débito, inclusive Visa Travel Money. A taxa varia de 3 a 20%, então o valor do produto ou serviço pode, dependendo do caso, ter um aumento considerável. Esta regra vale na Bolívia e especialmente no Peru. O melhor mesmo é pagar em grana e pedir desconto. Acaba saindo bem mais barato.

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