Relatos de Viagens por 2 ou mais países da América do Sul
#882771 por mmClarissa
25 Set 2013, 10:55
Muita, muita estrada. Esse pode ser o resumo desse mochilão com o roteiro que escolhi.
Estradas espetaculares, com vulcões, montanhas, desertos, picos nevados, tem para todos os gostos nesses trajetos entre Argentina-Bolívia-Chile.
Iniciei a viagem por Córdoba por ter conseguido uma promoção da Gol (R$ 470 desde SP, já com taxas) e por um motivo especial que conto abaixo. Fui acompanhada da Sabrina, uma amiga que conheci aqui mesmo no mochileiros.com, em uma viagem há alguns anos atrás.

O roteiro, todo feito via terrestre, foi o seguinte:
Córdoba – Salta – Humauaca – La Quiaca (ARG)
Villazón – Tupiza – Uyuni (BOL)
S. P. Atacama (CH)

e voltando por Atacama, Salta e Córdoba.
A viagem foi feita em set/2013, durou 17 dias e custou R$ 3.300, inclusas passagens.

Córdoba
O ingrato único horário do voo da Gol chega às 3 da manhã na cidade. Eu tinha reservado por email o hostel Babilônia http://www.babiloniahostel.com/, e quando chegamos lá, não tinham nossa reserva ... Tivemos que dormir somente essa noite e logo cedo já fazer o check out, porque não tinha mais vagas. Uma pena, porque gostei do hostel, do ambiente, do staff, da localização. Recomendo (mas façam uma reserva de verdade!). Pagamos 75 pesos no quarto espaçoso com 6 camas.
No primeiro dia, fizemos um reconhecimento do terreno. Fomos ao centro da cidade, que fica a algumas quadras de distância do hostel. Comemos as primeiras empanadas e os primeiros alfajores de muitos.
No centro, trocamos dinheiro na melhor cotação que já encontrei, 1 real = 2,70 pesos http://www.transatlantica.com.ar/cambio/index.php.
Vimos as igrejas, as universidades, as praças. Tudo bem pertinho, pode-se conhecer o "essencial" da cidade a pé em uma tarde.
Fizemos check-out do hostel Babilonia e lá mesmo aproveitamos para comprar passagem para Salta no dia seguinte (já havia pesquisado preços e horários no plataforma10.com).
Achamos outro hostel pertinho dali, The One. Apesar de também ser perto do centro, fica em uma avenida barulhenta, os quartos são pequenos, atulhados e quentes. Não recomendo. Pagamos 70 pesos no quarto com 6 camas.

À noite, o motivo pelo qual fui para Córdoba: concierto de rock!
Quando vi que ia ter o show dessa banda argentina que gosto, não tive dúvidas, arrumei a data da viagem para poder ir. O show era do Ciro y los Persas (ex Los Piojos), totalmente na moda agora, esgotado e cheio de molecada. Me diverti horrores pulando e cantando sozinha no meio dos pibes, tomando Quilmes de litrão para aliviar o calor absurdo que fazia.

phpBB [video]

Trilha sonora da trip: Tan Solo, Los Piojos

Depois do show, voltei pro hostel, encontrei minha amiga e ainda fomos tentar pegar a noite e os boliches cordobeses.
Fomos para a região do centro, que, como típica cidade universitária, tinha várias casas noturnas, muita gente pelas ruas se esquentando pras baladas ... mas nenhuma balada realmente acontecendo. Como em toda a Argentina, a noite realmente bomba lá pelas 2, 3 da manhã.
Passamos Paseo Buen Pastor, uma construção bonita que é uma igreja, uma escola e à noite vira barzinho louge e balada (?), muita gente fica por lá se reunindo. Tentei comprar uma long neck no kiosko e, surpresa! Não se pode vender depois da meia noite, nem tomar nas ruas. Difícil essa noite cordobesa!
Depois de várias voltas paramos no Maria Maria, um restaurante-balada que estava mais animado. Do lado tinha também o Petalas del Sol, rock nacional, música ao vivo, parecia bom. Mas já era umas 3 da manhã e o cara da porta falou que "está enchendo", desistimos.
No dia seguinte fomos tentar ir para alguma das várias cidadezinhas ao redor de Córdoba. Acordamos tarde, fomos para o terminalzinho de bus que fica no centro (pertinho, tem um terminal maior que fica mais longe).
Chegando lá, descobrimos que não tem tantos horários de bus assim, ou que as cidades mais legais demoram um pouco. Fica a dica: ao tentar ir para as outras cidades, programe-se no horário de ir e voltar!
Escolhemos aleatoriamente o próximo bus para uma das cidades que pareciam legais: Villa Carlos Paz, famoso balneário de verão. Só que, duh, não era verão. A cidade estava completamente vazia e desanimada. Demos uma volta pelo centrinho e pelo lago que supostamente fica cheio durante o verão. Sem muito mais que fazer, fomos comer em um dos restaurantes na beira do lago. A Sabrina almoçou uma parrilla e eu, uma garrafa de vinho branco geladinho :)
Lá pelo fim da tarde, quando o dono gentilmente nos expulsou ao fechar o restaurante (o vinho incentivou discussões existenciais longas...), resolvemos voltar pra 'casa'. O lago já estava mais cheio de gente, adolescentes se reunindo, casais, gente passeando com o cachorro, realmente deve ser bastante agradável no verão.
A noite foi dedicada à longa viagem Córdoba-Salta. Compramos um assento semicama no Flecha Bus por $458 que na viagem de 11 horas foi bastante confortável. Passou filme, serviu lanchinho e tinha café liberado na máquina (melhor que a Gol, rsrs). Saímos de Córdoba às 21h e chegamos logo pela manhã em Salta.
Editado pela última vez por mmClarissa em 02 Out 2013, 19:08, em um total de 3 vezes.

#882810 por Pedrada
25 Set 2013, 13:04
esse roteiro é bem massa mesmo, dá-lhe Clarissa !!
estivemos pela argentina neste mesmo período e acompanhei de longe a loucura do show "del Indio Solari" em mendoça, viu isso?!?!? sempre é bom acompanhar a cena musical local, outra vez em buenos aires estivemos no festival "ciudad emergente", muito bom!!
sigo acompanhando o relato, valeu !!
#882834 por Edu Alves
25 Set 2013, 14:05
Oi mmClarissa está muito bom o seu relato! Parabéns e continue! E gostei da iniciativa de explorar o sul da Bolívia, na região próxima a fronteira com a Argentina, porque aqui no Mochileiros.com esta região é pouco difundida. A propósito, de Tupiza a Uyuni você pagou quanto? Como estão as estradas neste trecho? Levou quanto tempo em média?
#882839 por mmClarissa
25 Set 2013, 14:19
Oi Pedrada, que legal que você compartilha do meu gosto em conhecer o cenário musical dos lugares que viajamos! E sim, também percebi a obsessão geral por Indio Solari, perguntei pra algumas pessoas qualé daquilo, mas não saquei...

Já vou continuar os próximos capítulos do relato, mas adianto sobre a Bolívia: a idéia original era pegar o trem direto Villazon-Uyuni, mas o trecho inicial não estava funcionando, assim tivemos que ir para Tupiza pegar o trem. Custou 47 bol e o trajeto demora 5 horas.
Em breve mais, abraços! ;-)
#882926 por camilalisboa
25 Set 2013, 18:17
Oi Clarissa!

Continua o relato aí que tenho muito interesse pessoal envolvido! rs... Vou fazer um mochilão parecido em dezembro e estou recolhendo mais ideias pra ajudar (e/ou atrapalhar mais a minha cabeça... rs).

Beijos!
#883415 por camilalisboa
27 Set 2013, 12:55
ricardorgmusic escreveu:Muito bom o relato :otemo, eu estou ansioso para a continuação, ainda mais que essa rota é pouco difundida aqui, quanto mais informação melhor. Em dezembro eu e mais 03 amigas (os) vamos fazer um roteiro parecido com o seu, La Paz /Yunir /SPA/SALTA e arredores/TUPIZA E TARIJA.


Ricardo, to planejando o meu pra mais ou menos isso aí... dá uma olhada (o link tá na assinatura) e veja se alguma rota bate :)
#883511 por mmClarissa
27 Set 2013, 19:57
eita que esse roteiro tá na moda! :-p

Salta
Chegamos cedinho e fomos direto para o hostel La Prisa Mata. Eu já tinha reservado por email (e dessa vez liguei para confirmar). Pagamos 70 pesos quarto com 7 camas (vazio), casarão bonito estilo antigo, cozinha boa, chuveiros bons, gostei. Fica a 1 quarteirão do Paseo Balcarce (rua dos restaurantes e baladinhas), mas a uns 5 do centro.
Era domingão, tudo fechado no centro, fomos no teleférico. Fica um pouco afastado (do lado do terminal de ônibus, aliás), mas dá pra ir caminhando. Pagamos 50 pesos pra subir e descer de bondinho (pode-se fazer um dos trechos a pé, sem chance). A vista lá de cima é bem legal e o lugar é todo arrumadinho, tem umas quedinhas d’agua, jardins, lojinhas e tal.

Na volta, passamos pela Cl. Buenos Aires, onde ficam a maioria das agências. Várias estavam fechadas mas encontramos a La Posada, que já havia lido recomendações aqui no fórum. Fechamos com eles dois passeios: Cafayate + Quebradas e Purmamarca + Tilcara + Humauaca, ficando nesta última cidade. Os dois saíram por 400p, e comprados separados eram mais caros.
Voltamos pro hostel, compramos comida (tem um mercado bem na esquina), descansamos e voltamos para a praça no fim da tarde. Conhecemos a Catedral símbolo da cidade, os vários prédios históricos bonitos. Estava rolando alguma novena importante, então a praça estava lotada. Saindo da praça tem algumas ruas com calçadões que também ficam cheios de gente lanchando, passeando etc. Bem agradável.
Esperamos a hora do tour guiado e fomos ver o Museu de Alta Montanha (40p). É interessante ver os objetos, as explicações sobre a estrutura futurística de pesquisa e conservação, a múmia de uma das criancinhas, mas meh. Não achei tanta graça assim.
Na volta andamos pelo Paseo Balcarce, que nos domingos vira uma feira de artesanatos, com bazares modernos e tal. Comemos por ali mesmo e encerramos o dia.

Tour Cafayate
Foram nos buscar às 7 da manhã no hostel. A grande graça desse tour não é o destino, e sim o caminho. A estrada é espetacular, e fazemos várias paradas para ver as formações rochosas da Quebrada de Las Conchas, Garganta Del Diablo, El Anfiteatro. O guia, muito gente boa, vai explicando sobre a região, os lugares em que passamos.
Lá pelas 2 da tarde chegamos em Cafayate e todo o grupo foi almoçar em um lugar indicado pelo guia. Lugar cheio, comida ruim e atendimento péssimo.
Depois do almoço, tivemos um tempo livre para caminhar pela praça, fazer comprinhas. Aproveitei pra tomar o tal sorvete de vinho. Experimentei o da uva branca típica da região, torrontés, e tomei o de Malbec. Gostoso, e realmente tem gosto de vinho! :)
No horário combinado, nos encontramos e fomos visitar uma bodega. Essa parte me decepcionou bastante. Fomos a uma bodega bem fraquinha (Família Domingues), a visita foi corrida e a explicação bem superficial. Provamos os vinhos (torrontés e “vinho tinto” genérico) e comemos alguns queijos.
O legal é que as bodegas ficam várias perto umas das outras, bem na entrada da cidade. Dá para ir a pé ou alugar uma bike e percorrer tudo. Uma dica que eu daria para quem quiser aproveitar melhor a cidade: ir um dia com a excursão e ficar uma noite em Cafayate. No dia seguinte, aproveitar a cidade, as bodegas e voltar com a excursão no fim da tarde (as agências permitem que se faça isso).


Tour Purmamarca – Tilcara – Humauaca
Para esse tour, saímos já com as mochilas, que ficaram no fundo da van. Ao contrário do outro dia, nessa viagem não fazemos paradas pelo caminho. O guia vai explicando sobre os lugares, sobre o costume da folha de coca que já começa a ser usada nessa região, e avisa que se alguém pode passar mal por causa da altitude (que nem é tanta assim, mas como nosso grupo eram basicamente velhinhos...)
A primeira parada foi em Purmamarca. Vilazinha pequena e simpática, rodeada pelos cerros coloridos, com uma pracinha e várias banquinhas de artesanos. Tivemos um tempinho para andar, e no fim, uma parada rápida para tirar fotos do Cerro de Siete Colores que fica na entrada da cidade.
A próxima parada foi em Pucará de Tilcara, umas ruínas arqueológicas incas no topo de uma montanha. Nem paramos na cidade de Tilcara, que parece ser um pouco maiorzinha e dizem ser agradável também.
Eu não subi até as ruínas, estava com preguiça (calor de meio dia) e com os ombros ardidos de sol dos dias anteriores. Fiquei lá embaixo vendo as lojinhas e conversando com o povo. Precisa-se pagar um valor para entrar, acho que 15p.
No caminho, passamos pela cidade de Jujuy (capital da província), mas não paramos. A parada é feita na volta, mas dizem que a cidade é bem feinha e sem atrativos.
Passamos também pela Paleta do Pintor, uma formação rochosa de várias cores que pode ser vista da estrada. O guia apontou o lugar mas a parada para fotos seria feita na volta, hora em que a luz ficaria melhor.
A próxima parada era o nosso destino do dia, Humauaca. Enquanto o grupo foi almoçar no restaurante indicado pelo guia (dessa vez fugimos dessa roubada), nós fomos procurar um hostel. Tarefa difícil, muitos lugares fechados, ou com pinta de casa de vó, tipo fechado e mofado. A cidade é um pouco maior, mas ainda bastante simples, já no ritmo quase-Bolívia. Vários restaurantes e lugares para ficar eram realmente rústicos. Por fim, achamos uma rua mais “turística” do lado da igreja, Cl. Buenos Aires. Lá, um achado: Hostal Humauaca, 60p o quarto compartido com café da manhã e wifi! Bem do lado, ainda encontramos um restaurante que adorei (e também com wifi!), chamado Pac Manca (ou algo do tipo). Lá comi pela primeira vez a quinua, adorei! Finalmente algo para os vegetarianos fugirem da variação papas-pasta :)
Pegamos nossas mochilas na van e levamos para para o hostel. Aqui um comentário: essa excursão não valeu a pena. As paradas nas cidades foram muito rápidas, e o guia, bastante dispensável. O melhor teria sido pegar um bus direto de cidade em cidade (sairia tipo metade do valor – só não sei o que faria com as mochilas...)
Encontrei um amigo que tinha conhecido em Salta, passamos o resto do dia andando pela cidade, vendo as criancinhas – que já são escoladas a pedir monedas para os turistas por fotos, vendo as lojinhas de artesanato (que já são mais baratas, mas ainda o dobro da Bolívia). Fomos no terminal de bus, a umas 2 quadras da praça principal e comprei passagens para a fronteira: o bus Huma-La Quiaca (última cidade na Argentina) saía às 10 da manhã, custou 44p e demora 2h30m, o que nos daria tempo de pegar o trem na Bolívia, que teoricamente saía às 15h... (a ver nos próximos capítulos : )
Anexos
ruta.JPG
en la ruta - estrada para Cafayate
#884893 por mmClarissa
02 Out 2013, 19:25
Humauaca --> Bolívia
No café da manhã do hostel (bem razoável, aliás), conheci o Dardo, um uruguayo mais velho que estava viajando sozinho. Trocamos informações e, como ele também ia pro Salar de Uyuni, resolveu juntar-se a nós. Só para confirmar a impressão que tenho dos uruguayos ::love:: , ele era gente finíssima, muy buena onda.
Compramos algumas comidas e coisinhas úteis (tipo: papel higiênico, essencial na Bolívia), sacamos dinheiro (tem um caixa na praça!) e fomos pegar o bus.
A empresa era Balut, e na hora, percebi o motivo de terem me recomendado especificamente essa: bem melhor que as outras, bus de 2 andares, confortável, passando filminho.
A viagem inteira vai passando por paisagens lindas, montanhas, áreas meio desérticas com algumas lhamas/guanacas pastando...
Chegamos rapidinho em La Quiaca (lado argentino) e pegamos um taxi para a fronteira (era perto, custou tipo uns 20 pesos). Esperamos na filinha, carimbamos passaporte e entramos em Villazón, Bolíva: pessoas passando com comida, cholas com produtos na cabeça, camelôs, gente comendo sentado nas ruas (nota-se que a minha percepção da Bolívia não era das melhores). Achamos uma das várias casas de câmbio para trocar a grana.
*Aqui uma observação: eu me enrolei muito nesse negócio de grana. Viajei bem nos dias de dólar alto (estava a R2,40) e acabei levando só reais (e peso chileno, que já tinha comprado no aeroporto). Grande erro. Mesmo com o dólar alto, ainda valia a pena para trocar por bolivianos. Tudo que eu ganhei na troca reaisXpesos, eu perdi trocando pesosXbolivianos. E, quanto mais se sobe para longe da fronteira, pior fica a cotação para trocar. O peso argentino aqui valia 0,75 bol; em Tupiza e Uyuni estava tipo uns 0,10 menos.
O dólar valia oito e poucos, mas em Uyuni, aceitaram por nove no pagamento.

Perguntamos sobre a estação de trem, e nos informaram que a estação não estava funcionando... só em Tupiza. Corremos até um ponto de saída de ônibus e vans e negociamos nossa ida para Tupiza: 15 bol, supostamente 1 hora de van até lá.
E fomos em uma van lotada apertada, ouvindo cumbia e com uma chola quase sentada no colo da minha amiga, por 2 horas até Tupiza. A estrada parecia ser bem bonita (do tipo que seria legal ver do trem...:( , mas eu nem vi direito porque mal podia me mexer pra olhar.
Chegamos em Tupiza e fomos logo ver o trem, que era perto de onde a van parava.
No caminho, passamos por um hostel e agência de turismo e aproveitamos para pesquisar o passeio pro Salar desde lá. A agência parecia bem confiável, mas o tour não compensava para a gente: demora 4 dias e o roteiro dá uma volta gigante, que não fazia sentido para nós que íamos ficar no Atacama. Sem contar que custava o dobro do que eu havia pesquisado: 1200bol. Seguimos para a estação e fomos comprar os tickets de trem, que saiam as 18h, por 47 bol no vagão comum (bastante aceitável).
Nota: os trens não saem todos os dias; dá para pesquisar preços e horários no site http://www.fca.com.bo/ , mas não vendem online.
E finalmente, conseguimos despachar as mochilas e dar uma relaxada... fomos dar uma volta na cidade para “almoçar” (já era umas 16h). Eita cidade feinha! Procuramos pelo centro e demoramos para achar um lugar decente para comer. Achamos um restaurante mais turístico e comemos nossos primeiros pollo com papas. Compramos lanchinhos pra viagem e voltamos para pegar o trem já bem na hora. Ao contrário do que eu imaginava, o trem, mesmo no vagão econômico, é bastante confortável. Assentos bons, passou filminho, tinha aquecimento e até um tiozinho vestido de garçom vendendo comidas (melhor que a Gol² rsrs).
Chegamos em Uyuni quase 1 da manhã. Um frio de lascar, sem noção de onde dormir, cidade totalmente vazia. Por sorte, a estação é bem no centro da cidade, e logo na próxima rua achamos um hostel perfeito: 35 bol o quarto duplo com ducha caliente (só de manhã...) Teríamos aceitado até pelo dobro àquela hora.
Mas dormimos quentinhos, e a ducha caliente realmente funcionou de manhã :) Fica a recomendação: Hostel Cactus, bem na ruazinha principal de Uyuni.
#885392 por Pedrada
04 Out 2013, 13:13
que pernada pra chegar até uyuni !! mas bom q até agora deu certo heheheh
é, sempre bom saber da cena musical local... além dele tem la renga, los cafres, nairobi etc. essa pira sobre "el indio" vem desde qdo fazia parte da banda "los redonditos", clássica do rock argentino, com musicas de contestação social. fizemos um parelelo dele com o q seria hoje ter renato russo ou raul seixas de volta aqui no brasil, imagina a doidera!
agora no aguardo da finalera do relato...
#885755 por elperegrinno
05 Out 2013, 22:13
Menina do céu, como foi que voês conseguiram fazer essa viagem com apenas R$3300,00?????????????????????????? ::essa::
Acabei de voltar de um giro pela Argentina e Chile, incluindo Puerto Iguazu, Córdoba, Mendoza, Santiago e San Pedro de Atacama, tudo de Bus, mas gastei (exatos) U$$2000,00 ou quase R$5200,00!!! Veja meu Blog com a aventura abaixo:
https://viagemefotografia.wordpress.com ... de-onibus/
Onde foi que eu errei no meu planejamento??? ::putz::
Passei por alguns "perrengues", mas tive algum conforto em alguns ônibus e em alguns albergues, mas você conseguiu gastar menos vendo mais coisas que eu. Pode me dar uma ajuda sobre isso? É que com a greve dos bancos meu trabalho ficará emperrado por mais uns 3 meses, e acho que vou voltar ao mochilão.
Grande abraço e parabéns pelo relato, e pela incrível economia de uma mochileira profissional....rsssss ::otemo::
#886139 por camilalisboa
07 Out 2013, 12:47
Exato... to fazendo a minha 'previsão' de gastos pro mochilão de 30 dias e tá beirando os R$5k também (isso porque coloquei R$1k pra emergências, que normalmente são convertidos em cervejas, mas enfim... kkkk). Quero entender o segredo financeiro! =)
#886363 por mmClarissa
07 Out 2013, 22:48
Nossa, até achei q essa viagem saiu bem cara, por conta do tanto de bus q peguei ...
Mas meu planejamento mochileiro econômico geralmente segue o seguinte: despesas gerais = R$ 50/dia (varia de país, claro); hostel, na média R$ 35. Somo a isso os gastos maiores, que já sei mais ou menos os preços (tours, transportes caros), sempre arredondando pra cima, pra ter uma previsão do custo total. Dessa vez eu dei muita sorte na cotação da moeda na Argentina, mas em compensação, no Chile ficou mais caro do que eu esperava.
E não foi uma trip cheia de comprinhas e baladas, que geralmente é onde os gastos saem do controle.
Pra vocês terem uma noção melhor, segue meu planejamento em excel (não sei mexer nisso direito, não reparem, tá muito feio hehe)
Anexos
Roteiro e planejamento do mochilão
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#891682 por mmClarissa
26 Out 2013, 14:36
Tour Uyuni
Logo pela manhã, fomos procurar uma agência para fazer o passeio do Salar de Uyuni. Eu tinha uma lista de agências recomendadas aqui no Mochileiros, e por sorte, elas ficam praticamente uma do lado da outra. Mesmo não sendo alta temporada, estava tudo aberto logo cedinho e cheio de turistas. Pesquisamos algumas e decidimos pela que nos pareceu mais simpática: Coquesa Tours. O tour saiu por 600bol, depois daquele chorinho básico (e depois descobrimos que o pessoal que estava com a gente pagou 700!) Ao contrário dos relatos de terror que leio por aqui, o serviço que pegamos foi perfeito. Carro ótimo, motorista muito profissional, comida e alojamentos bons (na medida do possível pro passeio, claro.) Recomendo com força.
O tour saía 10:30 e foi só o tempo de buscar nossas malas e fazer comprinhas. Comprei água, chocolates, uns regalitos bolivianos e um pacote de bolachinhas de nata no mercado, por um preço ridículo tipo 5bol. Ah, passei também no lugar pra carimbar meu passaporte com a saída da Bolívia, fica pertinho, na mesma rua das agências.

Uyuni 1 dia
Na hora marcada fomos pra agência formar nosso tour: Uma família de peruanos com pais e filha, além de nós três.
O nosso motorista-guia-cozinheiro era um rapaz típico boliviano, sério, fechado, mas bastante bonzinho e solícito.
A primeira parada do passeio é pertinho de Uyuni (dava até pra ir a pé, aliás), o Cementério de Trenes. As carcaças de trem enferrujadas dão algumas fotos bem bonitas, mas nada de mais. Logo depois passamos em um vilarejozinho em que um senhor nos explica o processo de extração de sal, que como tudo por lá, é absurdamente precário e mal-remunerado. Lá tem alguns artesanatos simpáticos e baratos. Continuamos nosso passeio no meio do sal, parando nos montes de sal empilhado, em um lugar que o guia faz um buraco para vermos a água embaixo da camada de sal e por fim, almoço! Paramos em um museu do lado da ilhazinha com as bandeiras, e enquanto ficamos tirando fotos, o guia vai aprontar nosso almoço. O primeiro almoço foi dentro do museu, com salada, carne de lhama (quem comeu teve dúvidas sobre o animal), quinoa e coca, bem gostosinho. Depois do almoço ainda paramos no meio do sal para tirar aquelas fotos clássicas e por fim, a Isla do Pescado. Lá temos que pagar 30 bol para subir e temos um tempo pra caminhar. Eu subi e andei a ilha toda (com esforço, diga-se), o visual é bonito lá de cima.
A última parada antes de encerramos o dia é para ver o pôr do sol .... gostei muito de poder ver o pôr do sol no meio do sal, as formações de sal no chão ficam muito legais e a luz deu pra fazer umas fotos lindas. Por fim, umas 7, 8 horas chegamos no nosso alojamento. O primeiro dia era em um hotel de sal incrível, tudo feito de sal, camas, mesas e cadeiras, e estava vazio, só para nós. Muito legal mesmo o lugar. Tivemos um tempo pra tomar banho (eu fui a última, sobrou só um restinho de água :-/) e logo apareceu um chá com biscoitinhos de preparação para a janta. Tomamos chá e ficamos conversando, e logo apareceu uma sopa (ah, e nem fazia tanto frio, nesse primeiro dia todo eu fiquei só de camiseta). Todo mundo pensou que a sopa fosse a janta mas ainda teve comida de verdade, rsrs. Fomos dormir totalmente confortáveis e bem alimentados :)


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Car-litos




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Hotel de sal - sim, eu lambi as paredes para provar!


Uyuni 2 dia
Acordamos uma hora boa e tomamos o desayuno (gostoso) para logo sair. O guia Carlitos (ninguém sabia o nome dele, ficou sendo Carlitos sei lá porque...) nos deu a opção de ir em uma tal Caverna Universo, que ficava lá perto, ou seguir o caminho normal que os outros tours faziam, que supostamente não tinha nada de mais para ver. Resolvemos ir nas Cavernas que ele tinha dito serem incríveis, mas, chegando lá... bem sem graça. Era só uma caverna pequena feita por algas de milhões (?) de anos atrás e algumas tumbas. Ah, e tivemos que pagar 20 bol. por isso. Esse 2 dia é bem puxado, muito tempo no carro, com poucas paradas e com a altitude aumentando. Fui na frente do carro pra botar um som. O nosso guia era meio quietão, mas depois foi até se soltando e brincando com a gente. Eu sou aquela típica turista mala curiosa que faz perguntas sobre política, sistema educacional, sistema carcerário etc. do país. Ele me contava tudo com vários elogios pro governo, dizendo que o Evo Morales ia fazer tal coisa, que não ia aceitar exploração das empresas estrangeiras, e por um momento, vendo aqueles lugares lindos durante todo o dia, eu realmente pensei “uau, a Bolívia é o país do futuro!”.
Depois de algumas paradas, eu já estava explodindo de vontade de ir ao banheiro (sim, isso é um problema lá...) paramos para almoçar na Laguna algumacoisa. Não tem banheiro, então tem que ser escondido, ao natural. Todos os carros param lá pro almoço, e temos um tempo pra confraternizar com os outros tours e fazer uma caminhadinha. A comida nesse dia foi macarrão, carne de avestruz (há duvidas sobre o animal²), salada e coca, comendo no carro mesmo.
Depois do almoço andamos bastante e temos algumas paradas. O Carlitos gostava de fazer uns caminhos alternativos longe dos outros carros, e pudemos ver a importância de um bom carro e um bom condutor. Passamos por umas pedras, uns caminhos com gelo e umas partes bem tensas. Paramos na Laguna dos Flamingos, onde tem um parador com lanchonete, no Deserto de Siloli e na Laguna Hedionda (nesses dois últimos estava um p*** vento, mal saímos do carro). Ao entrar na Reserva Nacional, temos que pagar 150bol. Nesse dia a altitude aumenta bastante e eu senti um pouco de dor de cabeça. No fim da tarde, o guia nos perguntou se preferíamos ir aos geisers agora ou logo cedinho, mas aí teríamos que acordar 4 da manhã no frio. Eu já tinha ouvido falar que nessa noite o frio e a altitude são pesados, e todos concordaram em ir agora. Conseguimos chegar nos geisers no finzinho da tarde e descemos pra ver as pedras expelindo água e vapor. Foi só uma caminhadinha do carro até os geisers, mas pareceu uma aventura! Muito vento, muito frio, e todo mundo apanhando pra caminhar com a altitude. A senhora peruana até passou um pouco mal pra voltar, que era uma subidinha. Saindo dos geisers o caminho era bem difícil, com umas partes cheias de gelo ou gelo derretido, até que passamos por um buraco com tipo 1 metro de água e... o carro deu pau. Parou totalmente e não queria andar mais. Por sorte, tinha outros 2 carros perto e eles pararam pra nos ajudar. Eu saí do carro pra tirar uma foto do perrengue clássico e mal consegui ficar 1 minuto fora, muito frio e vento. Os guias ficaram lá consertando a rebimboca da parafuseta e, com muito custo, conseguimos andar de novo. Puxei as palmas e um “viva Carlitos!”, mas ele estava meio tenso com a situação. Nosso grupo, por sorte, era tranquilíssimo e estavam todos bem calmos e de boa, durante todo o passeio. Andamos só mais um tempinho e chegamos no alojamento. Nessa noite a hospedagem era um lugar bem tosco, com gente de mais alguns tours e um quarto para todos nós juntos. Não tinha água e o banheiro era um buraco bizarro no chão ::essa::
Demos um tempinho e logo fomos jantar, com direito a uma garrafa de vinho. Chamamos o Carlitos (a essa altura já sabíamos que o nome dele era Beymar, mas enfim) pra tomar e comemorar com a gente e depois da janta, meio alegrinhos, fomos fechar a noite: mergulho nas águas termais! O alojamento era do lado de uma piscina de águas quentinhas, e ignoramos os 5 graus negativos que faziam lá fora pra tomar um banho agradável.
Confesso que pra chegar até a piscina de shortinho e top foi o frio foi dureza, mas entrando lá, muito delícia! Água quentinha, relaxante, com uma galera conversando e brincando e tomando vinho, perfeito pra encerrar a noite... Ficamos um tempão e na hora de sair, eu passei mal. Saí da água e imediatamente caiu minha pressão, quase apaguei. Voltei pro alojamento escorada na amiga peruana, mas depois fiquei bem. Nessa noite ninguém conseguiu dormir direito, sei lá se pela altitude, mas pelo menos eu não passei nenhum frio e dormi contente com meu banho improvisado.

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Banheiro. Pois é.


Uyuni 3 dia
Levantei muito cedo e fui ver o sol nascer na beira do lago na frente da casa .... estava frio, mas nada insuportável. (Aliás, já tinha uma galera de outros tours nadando nas águas termais). Fomos tomar o último desayuno, com direito a pipoca, iogurte e panquecas! Logo saímos pro fim da viagem... tínhamos que estar na divisa com o Chile às 10:30h. Fizemos uma parada no Deserto de Dali e depois na Laguna Verde, onde já podemos ver o vulcão Licancabur que tem um lado na Bolívia e outro no Chile.
E afinal chegamos na divisa, hora de despedir dos nossos novos amigos e da Bolívia.
Gostei demais desse passeio. Passamos por lugares lindos e diferentes, mas fiquei feliz principalmente por ter acabado com a péssima impressão que eu tinha do país (ok que quando eu fui da primeira vez eu era só uma aprendiz de mochileira, cair sozinha em La Paz é dureza). Todas as pessoas com quem tive contato eram humildes, simpáticas e prestativas, todos os serviços funcionaram bem e só tenho boas lembranças dessa experiência.
Segui caminho pro Atacama com uma leve dor no coração de não participar desse restinho de Uyuni.

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phpBB [video]

Trilha sonora para o deserto.
Editado pela última vez por mmClarissa em 22 Mar 2014, 10:49, em um total de 3 vezes.

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