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Fala pessoal,

Vou deixar aqui um relato de uma viagem que eu fiz ao Equador em 2019, com uma passadinha na Colômbia. Pra não virar um textão que ninguém lê até o fim 🤣, vou postar alguns dias. Ah, e quem quiser conferir o relato completo (e várias outras aventuras), deixei meu livro/ebook Destino Vulcões totalmente grátis por um tempo no amazon.com.br (link: https://a.co/d/agKaeNM)

Instagram: www.instagram.com/destinovulcoes

Youtube: www.youtube.com/@destinovulcoes

Resumo do Roteiro, Equador

Figura V34: Roteiro Equador e Colômbia

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O roteiro escolhido foi:

Dia 1 -> São Paulo –> Quito

Dia 2 -> Mitad del Mundo

Dia 3 -> Santuário Las Lajas

Dia 4 -> Quito

(obs: vou postar até aqui....)

Dia 5 -> Cotopaxi

Dia 6 -> Laguna Quilotoa

Dia 7 -> Baños

Dia 8 -> Baños

Dia 9 -> Galápagos (Ilha San Cristobal)

Dia 10 -> Tour 360

Dia 11 -> Ilha Santa Cruz

Dia 12 -> Tour Bartolomé

Dia 13 -> Ilha Santa Cruz –> Quito -> SP

Relato dia a dia, Equador e Colômbia

Dia 1 -> São Paulo –> Quito

Assim como aconteceu na ida viagem para o Chile, eu já estava com as minhas férias inteiras programadas, passagens aéreas compradas, hotéis reservados...., até que, um mês antes da viagem, começaram uns mega protestos no Equador! Os protestos ocorreram porque o presidente Lenin Moreno pegou um empréstimo com o FMI e implantou medidas de austeridade, especialmente aumentando preço da gasolina, alegando que esta seria uma das condições impostas pelo FMI.

O Equador é um país exportador de petróleo e, tradicionalmente, pratica preços abaixo do valor internacional de mercado para o mercado interno. O aumento dos combustíveis enfureceu taxistas, caminhoneiros e motoristas de ônibus, que iniciaram os protestos. Aí foi aquela história.... Os protestos, que começaram não tão grandes, logo ganharam a aderência de estudantes, grupos indígenas e sindicatos, e as manifestações foram escalando. Bloqueio das principais estradas, confronto com exército e polícia, toque de recolher, mortes....

Fiquei bastante preocupado, mas ainda bem que, depois que o presidente revogou o aumento da gasolina, as coisas acalmaram um pouco, umas duas semanas antes da minha ida (novembro de 2019).

Chegar até o Santuário de Las Lajas, na Colômbia, era a parte mais cansativa, achei melhor começar a viagem por lá. Pegaria um ônibus até a fronteira da Colômbia no Terminal Carcelén, ao norte de Quito, relativamente perto da Mitad del Mundo, mas longe do centro histórico, que fica na zona sul. Como meu voo chegava quase meia-noite, decidi conhecer Mitad Del Mundo pela manhã e seguir para a Colômbia à tarde. Fiquei em um hotelzinho a duas quadras da Mitad del Mundo, o mais barato possível. Era bem simples, mas o banheiro era zoado... Minha esposa ia me matar se tivesse junto, mas eu até que achei bacaninha 🤣. Enfim, deu para o gasto e, no dia seguinte, era hora de conhecer o meio do mundo! 

Dia 2 -> Mitad del Mundo

Meu primeiro passeio era na Ciudad Mitad Del Mundo, a 26 km do centro de Quito. Mitad del Mundo fica no ponto onde se acreditava que a Linha do Equador atravessava o país e foi construído um monumento de 30 metros que hoje abriga algumas exposições.

No século XVIII, houve um debate significativo na comunidade científica sobre o formato da Terra e o achatamento nos polos. Debatia-se se a circunferência da Terra era maior em torno do Equador ou em torno dos polos. Louis XV, o rei da França e da Academia Francesa de Ciências, enviou duas expedições para determinar a resposta: um foi enviado para Lapônia, perto do Círculo Polar Ártico, sob liderança do sueco Anders Celsius, o mesmo que foi homenageado com a unidade de temperatura em seu nome, e outra para o Equador.

A missão do Equador começou em 1736 com Bouguer, La Condamine, Godin e seus colegas, que mediram arcos de curvatura da Terra, das planícies perto de Quito para o sul da cidade de Cuenca. Estas medidas permitiram a primeira determinação precisa do tamanho da Terra, o que levou ao estabelecimento do sistema internacional métrico de medição. A missão geodésica francesa foi uma das primeiras missões geodésicas realizadas sob os princípios científicos modernos, e a primeira grande expedição científica internacional. E por que escolheram o Equador? Como era colônia espanhola, era considerada mais acessível e segura do que os outros países que cruzam o Equador, principalmente os africanos.

Cheguei em Mitad del Mundo bem cedo e, em frente à entrada, impossível não notar a arquitetura do prédio que foi construído para ser a sede da Unasul, muito bonito.

Figura V35: Sede da Unasul

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Ao lado do prédio da Unasul, está a bilheteria e a entrada para o parque Ciudad Mitad del Mundo. Depois de uma curta caminhada pela via principal, chamada a avenida dos Geodésicos, chega-se à praça central com o Monumento a la Mitad del Mundo. Vale a pena dar uma volta no monumento, é bem bonito, com algumas belas montanhas de fundo. Não poderia faltar, é claro, a foto clássica sobre a Linha do Equador.

Figura V36: Avenida dos Geodésicos

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Figura V37: Foto clássica na Linha do Equador

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E depois de duas viagens frustradas tentando usar o drone novo, no Equador era bem tranquilo usar o drone! Só em Galápagos que é proibido, mas não vão confiscar o seu drone no aeroporto, retê-lo, etc.

Figura V38: Monumento a la Mitad del Mundo

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Salvei dois vídeos da Mitad del Mundo no no canal do livro (youtube.com/@destinovulcoes), Cap V8 e Cap V9.

O Monumento é a principal atração da Mitad Del Mundo, vale muito a pena subir lá, ver as exposições e as belas vistas das montanhas ao redor. Normalmente, você sobe de elevador e desce pelas escadas, e em cada andar tem várias exposições, como um museu. Essas exposições falam sobre o Equador, suas regiões geográficas, a população original e sobre os geodésicos. Há também uma seção dedicada à ciência, magnetismo e curiosidades sobre a linha do Equador. De forma geral, achei bem bacana as exposições do monumento, com muitos textos explicativos e alguns experimentos interessantes, não deixem de visitar.

Além do monumento, a Ciudad Mitad del Mundo oferece outras atrações, como museus, planetário, lojas e exposições. Tem uma praça central, lojinhas e uma capelinha bacaninhas. Também tem diversos tipos de relógio solar espalhados pela Mitad del Mundo. Ao fundo, há uma réplica (meia-boca...) de uma pirâmide inspirada no complexo arqueológico de Cochasquí, uma cultura pré-inca que habitava a região.

Antes de seguir para a Colômbia, ainda queria conhecer um outro museu, o Museu Intiñan, a cerca de 600 m da entrada do Mitad Del Mundo (uns dez minutos a pé). Você começa pela avenida principal, e, no final, vira em uma ruazinha deserta e até meio sinistra.... Durante o dia, não parece ter muito problema. A entrada, na época, custava 4 $USD e incluía uma visita guiada. Embora eu não goste muito de visitas guiadas, essa valeu a pena. O museu é pequeno e poderia ser explorado sozinho, mas o roteiro e os guias são ótimos e tornam a visita mais interessante, explicando tudo em cerca de uma hora.

O grande destaque do Museu Intiñan é que ele realmente fica no local exato onde passa a linha do Equador! Ou seja, a Linha do Equador, na verdade, passa a uns 200 metros do local marcado na Mitad del Mundo. Eles dizem que só recentemente, utilizando medidas de GPS mais precisas que os geodésicos, foi possível determinar o local exato onde passa a Linha do Equador. Mesmo assim, os equatorianos também mantiveram a linha menos precisa no Mitad del Mundo com o monumento, o parque etc.

Figura V39: Foto clássica, agora na verdadeira Linha do Equador

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A parte mais legal do museu é a seção dedicada à Linha do Equador, especialmente a demonstração do Efeito de Coriolis, aquele que a água começa a girar ao descer pelo ralo da pia no sentido horário, no Hemisfério Sul, e no sentido anti-horário, no Hemisfério Norte. A guia faz um experimento com uma piazinha e um balde d’água três vezes. Na primeira demonstração, posiciona a pia exatamente na Linha do Equador, e a água desce praticamente reta. Em seguida, coloca a pia no Hemisfério Sul, onde a água escoa girando no sentido horário. Por último, ao posicionar a pia no Hemisfério Norte, a água girou, claramente, no sentido anti-horário.

Não sei se tem algum truque, já ouvi gente dizendo que é fake, mas, ao vivo, parecia bem convincente. Salvei os vídeos com as 3 demonstrações no canal (Cap V10, Cap V11 e Cap V12), tirem suas próprias conclusões!

Além disso, tem um experimento que a guia equilibra um ovo no prego. Supostamente, devido aos líquidos contidos no ovo, seria mais fácil equilibrá-lo na Linha do Equador do que fora dela. Também coloquei o vídeo no canal (Cap V13). Depois eles pedem para gente tentar equilibrar o ovo no prego, eu tentei, e não consegui. Até na Linha do Equador, achei difícil para caramba 🤣 .

Além das curiosidades sobre a Linha do Equador, o museu tem outras atrações interessantes. Tem uma parte muito legal sobre a Amazônia equatoriana e suas populações indígenas, com destaque para a tribo Shuar, que tinha um ritual bem macabro. Eles matavam os inimigos, decapitavam, encolhiam a cabeça deles e depois faziam um colar “amuleto” com as cabeças reduzidas dos inimigos (chamadas tsantsa)! Eles acreditavam que assim iriam reter os espíritos e o poder dos inimigos. As fotos a seguir ilustram esse processo: o guerreiro cortava a cabeça do inimigo, depois, cuidadosamente, retirava os crânios, mantendo a pele. Em seguida, ele tampava os orifícios, colocava umas plantas para manter a forma e fervia a pele. Depois eles costuravam a boca (acreditavam que era para o espírito do inimigo não fugir e se vingar deles), enchiam com umas pedras e/ou madeiras, e faziam um colar com a cabeça do inimigo. Também coloquei um vídeo do painel no canal (Cap V14).

Figura V40: Painel mostrando a preparação do tsantsa (parte 1)

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Figura V41: Painel mostrando a preparação do tsantsa (parte 2)

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Sinistro.... Hoje em dia eles continuam fazendo o ritual, mas apenas com animais, para manter a tradição. A foto a seguir seria de um tsantsa de humano de 170 anos, exposto no museu.

Figura V42: Tsantsa da tribo Shuar

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No museu, também tinha uma réplica de uma tumba ancestral, onde eram mumificados os mortos de algum povo indígena que vivia nos Andes. Nessa tribo (que eu esqueci o nome....), quando o marido morria, a esposa tomava um veneno extraído de um tipo de cactos e morria junto com o marido! Mas quando a esposa morria...., o marido se casava com outra, nada de tomar veneno! Espertinhos esses indígenas, né? 🤣🤣🤣.

Havia outra parte onde ficam uns nativos fazendo artesanatos e um chapéu, mas, infelizmente, não era o famoso Chapéu Panamá. Para quem não sabe, os Chapéus Panamá, na verdade, são equatorianos. Durante a construção do Canal do Panamá, muitos trabalhadores estrangeiros compraram chapéus para se protegerem do calor, e não sabiam que o chapéu era importado do Equador, por isso ficou com esse nome.

Há também uma seção que fala tudo sobre chocolate. Segundo eles, os melhores chocolates suíços e belgas eram feitos com cacau vindo de fora, principalmente do Equador (e também do Brasil). O Equador exportava o melhor cacau do mundo, mas não fazia nenhum chocolate de qualidade. Porém, nos últimos anos, começaram a fazer chocolates muito bons no Equador, alguns premiados como melhores do mundo.

Nessa parte, é explicado todo o processo de transformação do cacau em chocolate. Experimentamos um pedacinho da fruta (achei o gosto bem estranho...), e depois explicam como a fruta é seca, torrada e triturada. Também experimentamos os pózinhos que saem deste processo antes de se tornarem chocolate, bem interessante.

No final, tem uma degustaçãozinha de um chocolate equatoriano premiado e uma vendedora, é claro. Os chocolates equatorianos são realmente muito bons, quem gosta de amargo vai adorar!

Achei o Museu Intinan muito bacana, um complemento para a visita do Mitad del Mundo. Não deixem de ir aos dois.

Terminei meu passeio no Intinan lá pelo meio-dia. Fiz tudo com um pouco mais de pressa do que eu gostaria porque eu ainda precisava chegar na Colômbia (em Ipiales) a tempo de ver a belíssima iluminação noturna do Santuário de Las Lajas. Segundo o pessoal do meu hotel em Ipiales, as luzes do santuário desligavam às 21h, então eu tinha que sair logo.

Peguei minhas coisas no hotel e comecei minha jornada com um Uber até o terminal Carcelen, onde consegui um ônibus para cidade da fronteira (Tulcan), saindo 13h (só deu tempo de “almoçar” uns sanduíches em cinco minutos). Cheguei em Tulcan 18h30, rachei um táxi com outro passageiro até a fronteira, passei as imigrações do Equador e Colômbia, peguei outro táxi até o centro de Ipiales, e acabei de fazer check-in a jato no hotel lá pelas 19h40. Não comi nada e já pedi um táxi para o Santuário de Las Lajas. Ufa, cansei só de escrever 🤣🤣🤣. Eu estava batendo perna desde 12h só para chegar a tempo de ver a iluminação do santuário, mas o planejamento estava indo bem.

No caminho, estava conversando com o taxista sobre a minha saga para ver a iluminação do santuário, e ele me tranquilizou, falando que as luzes apagavam às 22h. O táxi chegou no estacionamento umas 20h, e foram uns dez minutos de caminhada para finalmente chegar ao Santuário de Las Lajas, e foi... sensacional! Peguei o celular para tirar a primeira foto:

Figura V43: Iluminação na Basílica

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Eu estava exausto, não tinha comido nada, mas estava feliz que tinha dado certo meu planejamento: eu tinha conseguido chegar a tempo. A gente chega por trás da igreja, é um dos piores ângulos como nessa foto acima, dando para ver só uma parte da fachada lateral e traseira da igreja iluminada, mas já deu para ver como era linda! Percebi que a iluminação fica mudando de cor, às vezes mais para o vermelho, às vezes mais para o azul, mais para o verde.

Então resolvi tirar uma foto panorâmica com o celular para enquadrar a fachada completa do Santuário. Mas..., “ni qui” eu estava tirando essa segunda foto......, todas as luzes simplesmente se apagaram🤡 !

Figura V44: Panorâmica na hora que desligaram a iluminação

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🤡 🤡 🤡 Reparem na foto anterior que, quando comecei a panorâmica de cima para baixo, as luzes ainda estavam acesas, mas, durante o movimento do celular para baixo, elas sumiram! Que raiva... Uma tremenda correria para chegar antes das 21h, quando supostamente apagariam as luzes, mas sei lá por que nesse dia resolveram apagar as luzes às 20h12! Só consegui tirar uma foto do celular, e do pior ângulo, não deu tempo de tirar nem uma fotinho com minha câmera boa para fotos noturnas.

Fiquei um tempão rodando por lá, procurando alguém que trabalhasse no local. Notei algumas luzes acesas dentro da basílica, mas ela estava totalmente fechada. Não consegui achar um funcionário do lado de fora. Estava meio escuro e vazio, só tinha uns 9 ou 10 turistas por perto.

Fracassado e faminto, não tive outra opção a não ser voltar para o centro de Ipiales. O taxista que estava me aguardava também achou muito estranho: não desligaram as luzes às 20h, nem às 20h30, nem às 21h, mas sim às 20h12! Como assim? No dia seguinte, conversei com uma funcionária do museu do santuário, que também me disse que a iluminação normalmente era desligada às 22h. Enfim, ninguém entendeu nada...

Naquela correria para chegar ao santuário, acabei não fazendo o câmbio de pesos colombianos. E quem disse que seria fácil achar um restaurante aberto às 20h45, e que aceitasse cartão de crédito? No centro, estava difícil... Depois de um bom tempo, achei uma pizza horrível, mas ao menos aceitava cartão e quebrou um galho. Em Ipiales, o pessoal assava a pizza inteira e depois vendia pedaços reaquecidos, normalmente de algum sabor que a gente não gosta, muitas com abacaxi no queijo. Estava difícil achar uma muçarela ou uma margheritazinha.... No dia seguinte, procurando algo rápido para comer, só achei pizza ruim de novo. Pelo menos era barata.

Fui dormir frustrado por não ter conseguido ver a iluminação do santuário como gostaria, mas, no dia seguinte, teria a chance de conhecê-lo de dia.

Falando um pouco das minhas impressões sobre Ipiales, achei as ruas do centro bem trevas, meio escuras e vazias, mesmo as ruas principais. No centro, não tinha nada muito turístico, bares, restaurantes, lojinhas de souvenir, pracinhas bacanas... Por ser uma cidade de fronteira, tinha muito comércio, muita loja vendendo roupa, celular, eletrônicos, calçado, tudo que é tranqueira. Enfim, nada muito bacana para turistas.

No final da tarde, tinha movimento, mas, quando fechavam as lojas, a cidade ficava meio estranha, bem deserta, quase tudo fechado. Por volta das 21h, já estava bem sinistro. Enfim, não me senti tão seguro assim, especialmente à noite.

Na verdade, à noite, eu só vi uma pequena concentração de restaurantes “Asaderos de Cuy” no meio do caminho entre o centro e Las Lajas. O cuy assado é um prato típico da região. Segundo o tradutor, este animal é chamado cobaia em português, um tipo de roedor, maior que um rato. Colocavam o cuy inteiro no espeto para assar, estilo frango assado, e o pessoal servia o bicho inteiro, com cabeça, perninha e tudo.... Geralmente eu gosto de experimentar pratos típicos locais, mas essa iguaria, eu achei meio trevas, não quis arriscar. Coloquei uma foto da internet só para vocês também ficarem com um pouco de nojinho 🤣🤣🤣:

Figura V45: Cuy asado

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Fonte: De Kaldari, via Wikimedia Commons

Mitad del Mundo e Museu Intiñan: #valeapena

Dia 3 -> Santuário Las Lajas

Era dia de conhecer o magnífico Santuário de Las Lajas, que parece uma “igreja-castelo” medieval, construída à beira de um lindo penhasco. O cenário é muito bonito, seja pela construção, seja pela paisagem natural onde a basílica está inserida. A linda basílica de pedra de 50 metros de altura fica localizada no cânion do rio Guaitara, rodeada por cachoeiras e com uma riqueza de detalhes impressionante, que incluem arcos, mosaicos, torres e paredes de pedra natural.

O Santuário de Las Lajas foi construído nesse local por causa de uma imagem da Virgem do Rosário, descoberta naquele rio. A história mais aceita atualmente conta que, por volta de 1754, a imagem da Virgem do Rosário foi descoberta por uma indígena com sua filha quando se dirigiam para sua casa. Surpreendidas por um forte temporal, buscaram abrigo em uma das muitas grutas naturais, comuns nessa zona do cânion do rio. E, para surpresa da mãe, a criança, que até aquele momento era considerada surda-muda, chama sua atenção, falando: "Mamãe, a mestiça me chama...", mostrando a pintura certamente iluminada de forma sugestiva pelos relâmpagos.

Existem outras versões que falam de outros milagres e outras idas à gruta. De qualquer forma, depois de que as autoridades eclesiásticas e os habitantes da região comprovaram a veracidade dos fatos em 1754, o lugar foi convertido numa referência. No mesmo lugar da aparição, alguns anos mais tarde, foi realizada a primeira missa e se iniciou a construção de uma capela de palha. Posteriormente, em maio de 1794, começa a ser construído o primeiro templo à base de cimento e tijolo. Em 1862, uma capela maior foi inaugurada. E em 1916 até 1949, foi construído o atual edifício, o quarto desde o século XVIII, uma igreja de pedra cinza e branca, com estilo gótico do final do século XIV. O local, que começou como um centro de peregrinação muito importante na Colômbia e norte do Equador, depois de sucessivas construções, acabou se transformando em uma belíssima atração turística!

Já na estrada que chega até o santuário, tem um mirante, que dá para ver a construção lá embaixo, bem no meio do belo cânion.

Figura V46: Santuário, vista da estrada

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Reparem que construíram recentemente um teleférico próximo a esse mirante, mas achei que não vale o preço, já que a vista ao redor da igreja é linda. A próxima foto foi tirada da ponte em frente à basílica, com uma vista do cânion, do rio Guaitara, das cachoeiras e de uma estátua branca no morro (que não aparece bem na foto). Passei umas 3h explorando os caminhos ao redor do santuário: fui até a cachoeira, subi perto da estátua e desci até o rio. Chega de falar, são muitas fotos incríveis dessa basílica!

Figura V47: Cânion do rio Guaitara

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Figura V48: Santuário Las Lajas

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Figura V49: Santuário, vista lateral próxima à cachoeira

O ângulo que mais gostei foi este da foto a seguir, do outro lado da ponte, pegando-a quase de frente. Alguns detalhes da fachada impressionam, super bem trabalhados.

Figura V50: Santuário Las Lajas

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Figura V51: Estátua na fachada

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Algumas medidas do santuário: a ponte tem 50 metros de altura por 17 metros de largura e 20 metros de comprimento. A altura, de sua base até a torre, é de 100 metros. O edifício principal mede 27,50 m de comprimento por 15 m de largura.

Por dentro, ela também é bonita, com destaque para o fundo que é uma parede de pedra natural da garganta do cânion! E, na nave central, se vê em destaque a imagem da Virgem do Rosário, pintada por um autor desconhecido em uma laje de pedra.

O altar está construído sobre a mesma pedra da cova em que Rosa (filha indígena surda-muda) teve a visão. Destaque também para o belo teto e para os belíssimos vitrais.

Figura V52: Altar e parede de pedra ao fundo

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Figura V53: Vitrais e arcos no teto

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No canal, salvei um vídeo da vista do Santuário e do cânion, e um vídeo do interior da Basílica (Cap V15 e Cap V16).

Ainda tem um museu no andar debaixo do santuário, ao lado dos arcos da ponte. Eu fui na esperança de conhecer um pouco mais sobre a história do santuário, porque a entrada era barata e tinha ouvido muitos elogios de viajantes, mas achei que não vale a pena. Tinha uma área do museu fechada, na parte que estava aberta, só tinha objetos antigos dos padres, uns quadros e fotos, nada iterativo, e nada de informação sobre a história da Virgem do Rosário.

Embaixo da igreja, ainda tem uma cripta, com uma bonita iluminação. Se eu perdi a iluminação noturna, pelo menos peguei a iluminação da cripta....

Figura V54: Bonita iluminação da cripta

No final, ainda tentei botar drone para voar. Tinha visto que, na Colômbia, tem um milhão de restrições para drone, mas chegando lá, eu perguntei para os funcionários se eu poderia usar um drone, e eles disseram que não tinha problema. Porém, estava ventando muito e com sinal de GPS muito fraco (o que desabilita vários modos de segurança do drone). Ainda tentei levantar o drone na raça, mas o vento estava muito arisco, jogando-o longe. Tive que desistir, infelizmente... E ainda penei para conseguir trazê-lo de volta.

Depois de conhecer esse incrível santuário, era hora de voltar para o centro, almoçar mais uma pizza horrível de abacaxi e fazer todo o trajeto de volta para Quito. Às 12h40, começou a saga: táxi até a fronteira, cruzei fronteira, táxi coletivo até a rodoviária de Tulcan e ônibus para Quito.

Meu plano era ir de ônibus até o Terminal Quitumbe, que fica mais ao sul de Quito, para ir de transporte coletivo para o meu hostel, no centro. Mas meu ônibus só foi chegar no Terminal Carcelen (norte de Quito) às 20h, tarde para caramba, então resolvi tirar o escorpião do bolso, descer lá mesmo e ir de táxi até o hostel. Só não imaginava que ia contratar um taxista que se achava o verdadeiro Ayrton Senna equatoriano. Caramba, como o maldito corria!

Quando ele pegou uma avenida expressa (dentro da cidade, que já tinha limite de velocidade alto de 80 km/h), a todo instante ele ultrapassava os 120 km/h, costurando no meio dos carros. Ele ainda ficava nervosinho com quem dirigia normalmente a 80 km/h, saía cortando todo mundo e, quando não dava para cortar, colava na traseira dos carros... Enfim, só fazia barbeiragem. Mas sobrevivi, e quase 8h depois que saí de Ipiales, cheguei no hostel em Quito.

Apesar do trabalhão que foi ir até Las Lajas, valeu muito a pena. Eu só fiquei frustrado porque não consegui ver a iluminação noturna. Agora que entendi como funciona, faria um roteiro diferente (explico no final do capítulo).

Por fim, eu queria falar um pouco viajar de ônibus no Equador. Os ônibus interurbanos são bem baratos e confortáveis: muitos contam com ar condicionado, wi-fi (alguns melhores, outros piores), filme etc. E tinham pinturas mega coloridas e espalhafatosas, lembrando os famosos chicken-bus da América Central.

Figura V55: Pintura dos ônibus no Equador

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Mas o transporte rodoviário lá é um pouco confuso, o ônibus vai parando em tudo que é canto. Além do motorista, todo ônibus sempre tem um funcionário “tipo” um cobrador, que se senta ao lado do motorista e vai cobrando os passageiros que entram e saem frequentemente, o pagamento é sempre no dinheiro e na moedinha. A todo instante, o pessoal acena para o busão no meio da estrada e não para de entrar passageiros. Eles podem ficar até o final, ou andar só alguns quilômetros e logo descer. Às vezes lota, às vezes esvazia, enfim, altíssima rotatividade.

Além disso, a todo instante, entram vendedores ambulantes oferecendo todo tipo de tranqueira, principalmente comida. Vendiam tudo por um “dolarito”. Em toda parada programada do ônibus, seja rodoviária, seja ponto de movimento das cidades, seja um “postinho”, sempre entrava um monte de vendedor. Às vezes, vendedores entravam em pontos no meio do nada e desciam logo depois.

Com o busão parando em tudo que é canto, parece que não vai chegar nunca... Ao menos tinha wi-fi. Eu me lembro que, nos anos 2000, tinha um seriado do Miguel Falabella chamado “Toma lá dá cá”, com o Condomínio Jambalaya, que era a maior confusão... Os “busões” no Equador me lembravam o Jambalaya.

Na volta, em uma parada mais longa em um posto policial, eu contei uns 8 vendedores de tranqueiras ao mesmo tempo dentro do busão! Fiz um vídeo curto dessa parada (Cap V17 no canal), olha só a galera entrando e saindo. O vídeo ficou uma porcaria porque eu tentei filmar bem disfarçadamente, mas espero dê para ter uma ideia da confusão no busão.

Pelo menos as lindas vistas do trecho da Avenida de los Vulcanes, ao norte de Quito, compensava. As melhores paisagens e a maioria dos vulcões estavam do lado direito (de quem segue no sentido norte). Destaque para o Vulcão Imbabura (inativo, 4630 m), que pode ser visto das belas lagoas de Ibarra e Otavalo, e para o Vulcão Cayambe (inativo, 5790 m), que fica um pouco mais longe da estrada, mas tem um belo pico nevado.

Figura V56: Linda paisagem

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Figura V57: Vulcão Imbabura

Figura V58: Vulcão Cayambe

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Santuario Las Lajas: #imperdível

Dia 4 -> Quito

Era dia de conhecer o centro colonial de Quito. Depois do café da manhã, comecei a visitar as belas igrejas de Quito. Tudo estava indo bem, mas..., “ni qui” eu estava saindo da igreja El Sagrario..., tomei um belo jato de cocô de pombo na cabeça! Na hora, eu senti o jato e achei estranho porque a m*rda pegou na minha cabeça e espalhou bastante: pegou nas costas, camiseta, mochila, e até em partes da minha bermuda.... Acho que o maldito pombo estava com diarreia 🤣 .

Quando tomei a bela jateada, eu estava com minha mochila nas costas e minha câmera DSLR pendurada no pescoço. Na mesma hora, um senhor simpático, com cara de turista equatoriano, viu a cena e começou a me ajudar. Ele tinha uns lenços de papel e me emprestou.

Entramos novamente na igreja para eu poder me limpar melhor. Nesse momento, ele falou para eu lavar a mão em uma "cumbuca" que ficava na entrada da igreja, cimentada na parede, parece um lugar onde os padres colocam água para os fiéis lavarem a mão ao entrar na igreja. Mas, pelo menos nesse dia, estava sem água.

Nessa foto que eu fiz de dentro da igreja, dá para ver a “cumbuca” que ele falou para eu lavar a mão:

Figura V59: “Cumbuca” onde teria água

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Dentro da igreja, comecei a me limpar com calma, com a ajuda daquele senhorzinho simpático. Nós encostamos em um cantinho ao lado de uma pilastra, que ficava uns quatro metros ao lado da “cumbuca” da entrada igreja, mais ou menos no local da seta a seguir:

Figura V60: Cantinho onde comecei a me limpar

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Enquanto estava me limpando, o senhorzinho sugeriu que eu tirasse minha câmera do pescoço e mochila para poder limpar melhor, já que eu estava muito sujo. E foi isso que eu fiz, deixei a mochila e a máquina no chão daquele cantinho da igreja onde eu estava.

Enquanto eu me limpava com os lencinhos, o senhorzinho, para me ajudar, pegou a minha câmera no chão e começou a coloca-la na minha mochila, inclusive tentando guardá-la no lugar errado. Achei isso um pouco invasivo, mas como o senhorzinho simpático estava me ajudando, limpou um pouco minhas costas e me arrumou um monte de lencinho salvador, ok...

Coloquei a câmera no lugar certo e deixei a mochila no chão enquanto continuava me limpando no cantinho da igreja. Até que o senhorzinho me disse novamente para lavar a mão naquela "cumbuca" na parede da igreja. Como ele falou para ir lá de novo, achei que alguém tinha colocado água lá.... Ele foi andando comigo, se despediu, e eu fui tentar me limpar na "cumbuca". Mas estava sem água de novo!

"Ni qui" eu voltei para o cantinho onde eu estava me limpando, cadê minha mochila??? Minha mochila, com carteira, câmera DSLR, lentes, cabos, GoPro e mais um monte de coisa, tinha sumido!!! Pqp, olhei no cantinho, fiquei procurando para todos os lados, não achei, fui ficando nervoso. Não sei ao certo quanto tempo eu demorei para perceber, algo entre uns 10 e 30 segundos, sei lá..., mas logo me dei conta de que aquele senhorzinho "simpático", que supostamente me "ajudava", na verdade, tinha me levado para aquela “cumbuca” só para que algum comparsa dele roubasse a minha mochila!

Saí da igreja pilhado, correndo e gritando "ladron, ladron, ladron”, as pessoas em volta começaram a olhar para mim, e eu procurando alguém com a minha mochila. Ele não poderia estar longe, e logo um cara que vendia velas na porta da igreja apontou para um cara que estava andando rápido demais na rua, suspeito, e saímos correndo atrás dele! Corri pilhado talvez uns 40-50 metros com o vendedor, e, juntos, pegamos o outro senhorzinho que estava roubando minha mochila!!!

Estava P️ de raiva, mas, na hora, só apertei forte o braço do cara e peguei minha mochila de volta. Logo vi que estava com tudo dentro, carteira, dinheiro, equipamentos, até a minha garrafinha d’água! Depois, o cara que vende velas me explicou que desconfiou daquele senhorzinho porque tinha saído andando rápido e usando minha mochila na frente do corpo, e não nas costas, como os turistas normalmente usam. Detalhe: essa Igreja El Sagrario divide parede com a Catedral de Quito, que fica na praça principal da cidade, onde ficam também palácio presidencial e a prefeitura. Lá é cheio de polícia, exército, olha onde eu quase fui roubado!

Logo depois que eu peguei o cara, chegaram uns dois soldados (ou policiais, não lembro), que devem ter visto a correria no centro. Eu contei do roubo da minha mochila, mas eles “cagaram” para mim... Interesse zero. Perguntei o que fazer, disseram que eu poderia ir até uma delegacia e abrir alguma ocorrência (depois de tomar um chá de cadeira) e que provavelmente eles iriam fichar o senhorzinho e liberá-lo em seguida. Que raiva.... Acabei pegando as minhas coisas, o ladrão foi embora, e voltei para igreja para terminar de me limpar (sozinho, dessa vez...).

E você pensa que esses ladrões eram mendigos, ou aqueles caras mal-vestidos? Nada, os dois estavam bem-vestidos, cinquenta e poucos anos, o primeiro com mochila e câmera no pescoço “tipo” turista equatoriano. Todo "simpático", perguntou se eu era americano, eu disse que era brasileiro, puxou papo, enquanto me arrumava um monte de lencinhos.

Depois de tudo que aconteceu, pensando bem, lembrei que ele ficava na igreja com a máquina fotográfica, mas não tirava nenhuma foto... Olhando depois um vídeo que eu fiz do interior da igreja (salvei no canal, Cap V18), vi que o lazarento apareceu, era esse o FDP:

Figura V61: Ladrão #1 (o que me “ajudou” com lencinhos)

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Na hora eu ainda fiquei pensando: que azar o meu, um pombo foi cagar bem na minha cabeça.... De fato, estava cheio de pombos na entrada da igreja. Inclusive quando passei novamente nessa igreja e tirei a foto da fachada a seguir, tinha um pombo bem em cima da porta de entrada. Será que o pombo estava mancomunado com os dois safados? 🤣🤣🤣.

Brincadeiras à parte, provavelmente essa “cagada” foi algo planejado, só não descobri ao certo como eles fizeram para simular essa jateada... O golpe estava bem armado, eles não iam ficar esperando um pombo cagar em alguém para dar esse golpe. Alguns dias depois, eu li que em vários lugares o pessoal simula cagada de pombo para dar golpe em turista.

A foto a seguir foi tirada umas 2h depois, quando voltei nessa igreja para tentar descobrir como eles faziam essa parte do golpe. Fiquei um tempo observando de longe, mas não descobri...

Figura V62: Pombo em cima da entrada, e vendedor de velas

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Na foto, também indiquei com uma seta o cara que vendia velas, bem ao lado da porta da igreja. Não sei se ele tinha algo a ver com isso, ele estava muito perto da porta da igreja onde eu tomei a “jateada”. Esse cara, a princípio, me ajudou e correu atrás do ladrão, mas não sei se ele só fez aquilo porque viu que eu percebi logo o golpe... Não sei, desconfio de tudo, mas prefiro acreditar que o vendedor de velas não teve nada a ver com isso. Além disso, eu não sei se eu teria achado o senhorzinho ladrão #2 (que pegou a mochila) sem a ajuda dele.

Ainda bem que recuperei a mochila, porque seria um baita prejuízo; câmeras, acessórios, carteira e, principalmente, as fotos da viagem. Foi um susto e tanto, mas no final, deu tudo certo. Depois de uns 20 minutos me acalmando e me limpando, era hora de seguir viagem.

Comecei o relato do dia abrindo um parêntese com esse fatídico episódio da tentativa de assalto, agora vamos falar da parte boa. O centro de Quito é tombado pela Unesco e é bem bonitinho, colonial, tem algumas quadras bem conservadas e ruas só para pedestre. E tem algumas ruas mais interessantes, como a apelidada de Calle de Las 7 Cruces (sete cruzes, porque atravessa sete igrejas em umas 10 quadras), e a Calle De La Ronda, com um monte de restaurantes bacanas e lojinhas bem turísticas.

O principal atrativo do centro de Quito são as igrejas. São muitas igrejas, algumas incríveis, e a maioria fica muito próxima, ótimo para conhecer a pé. Talvez seja o centro histórico mais ajeitado das capitais sul-americanas (achei Havana mais legal). Mas, só para alinhar as expectativas: embora o centro de Quito seja legal, na minha opinião, não se compara a cidade históricas da Europa em termos de construções, monumentos, praças, limpeza e conservação. E tem que ficar de olho nos golpes das pombinhas que cagam na sua cabeça 🤣🤣🤣.

Conheci 13 igrejas no centro de Quito, mas nem todas são imperdíveis. Gostei mais de 7, que vou descrever na ordem que as conheci e, no final do relato, eu deixei meu ranking das melhores igrejas de Quito.

1 - Igreja São domingos (posição no ranking #6)

A primeira que eu conheci foi a Igreja São Domingos. Só comecei por ela porque ficava em frente ao meu hotel, por isso também tirei foto noturna dela. Como não era uma das igrejas principais, só tirei uma foto na frente e segui para a próxima. Deixei para entrar nela depois, mas ficou fechada o dia todo, não consegui conhecer seu interior. Mesmo sendo a sexta igreja no meu ranking, tem uma bela fachada, uma linda torre e fica bem bonita iluminada à noite.

Figura V63: Igreja São Domingos

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Figura V64: Igreja São Domingos à noite

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2 – Igreja São Francisco (posição no ranking #3)

A segunda igreja que visitei foi a São Francisco. Ela é bonita por fora, mas o destaque é o seu interior, muito bonito e cheio de ouro. Ela também tem uma iluminação bacana à noite. Por causa do lindo interior, ganhou a terceira posição no meu ranking.

Pena que não pode fotografar por dentro dessa igreja. A foto do interior, a seguir, não ficou tão boa pois foi tirada da porta de entrada. Vale a pena conferir mais imagens do interior na internet, é muito bonito. Aliás, infelizmente, as igrejas com interior mais bonito de Quito não permitem fotografias em seu interior.

Figura V65: Igreja São Francisco

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Figura V66: Interior Igreja São Francisco

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Figura V67: Vista noturna

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3 - Igreja Companhia de Jesus (posição no ranking #1)

A igreja que ocupa o primeiro lugar no meu ranking é a Companhia de Jesus, cujo interior é simplesmente espetacular. A fachada é bem simples, não dá nem para ter ideia do tamanho da igreja, mas o interior é deslumbrante. A entrada custava 5 $USD, mas não é permitido tirar fotos ou vídeos. Por isso, resolvi incluir uma foto da internet para ilustrar melhor. É realmente linda, com muito ouro mesmo!

Figura V68: Interior Igreja Companhia de Jesus

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Figura V69: Fachada da Igreja companhia de Jesus

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Figura V70: Igreja Companhia de Jesus

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Fonte: De Diego Delso, delso.photo, via Wikimedia Commons

4 – Igreja El Sagrario (posição no ranking #5)

A próxima igreja que eu conheci foi a El Sagrario, onde ocorreu a fatídica “cagada de pombo”.... A igreja também é bonita por dentro, não tanto quanto a Cia de Jesus ou São Francisco, mas pelo menos é permitido tirar foto e vídeo do interior e não paga entrada. Também gostei da iluminação noturna. A torre maior do lado da entrada é da Catedral Metropolitana de Quito, que divide parede com a Igreja El Sagrario.

Figura V71: Igreja El Sagrario, ao lado da Catedral Metropolitana

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Figura V72: Igreja El Sagrario

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5 – Catedral Metropolitana (posição no ranking #4), palácio presidencial e Plaza de La Independência

Depois de recuperado do susto do “quase roubo”, cheguei na praça principal do centro de Quito, a Plaza de La independência, circundada pela Catedral Metropolitana de Quito, Palacio Presidencial, Arcadia municipal (prefeitura) e uns prédios bonitos que viraram centro comercial. A praça é até bonitinha, mas digamos que, por ser a principal praça da capital do país, eu esperava um pouco mais....

Lembrando que, como ocorreram grandes protestos contra o pacote de austeridade até poucos dias antes da minha visita, o palácio presidencial estava cheio de cercas e com muito policiamento. Eu já não tinha achado o palácio muito bonito, com as cercas então.... O prédio da prefeitura é tão comum que ninguém nem tira foto dele.

O que eu achei mais legal foi a Catedral, principalmente por fora. Ela é bem grande, tem uma bela torre e, por isso, ficou em quarto lugar no meu ranking. Ela também tem uma bela iluminação noturna. A entrada custava 2 $USD. Seu interior, ao contrário da Cia de Jesus e São Francisco, não tinha aquele estilo todo ornamentado com ouro, mas era bonito e tinha mais obras de arte (também não era permitido tirar fotos). Se destaca também o túmulo do general Sucre, que, junto com Simon Bolívar, foi um dos grandes heróis da independência do Equador e dos outros países andinos.

Figura V73: Plaza, Catedral e Palácio Presidencial

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Figura V74: Palácio presidencial

Figura V75: Plaza de La independência e Arcadia Municipal

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Figura V76: Catedral Metropolitana de Quito

Figura V77: Torre da Catedral

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6 – Igreja Nuestra Señora de La Merced (posição no ranking #7)

Duas quadras ao norte da Plaza, encontra-se a Igreja Nuestra Señora de Las Mercedes. Como eu estava com tempo, fui conhecê-la. É impressionante quantas igrejas bonitas existem em um raio de 2 kms em Quito. E essas que não são tão famosas pelo menos deixam tirar foto e não cobram entrada. As cúpulas e a torre da igreja são belas e, para variar, ela tem uma linda iluminação noturna. A seguir, uma foto noturna dela, tirada da praça em frente à Igreja São Francisco.

Figura V78: Igreja Nuestra Señora de Las Mercedes

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7 – Basílica do Voto Nacional (posição no ranking #2)

Finalmente cheguei na Basílica do Voto Nacional, que é a única das igrejas principais que fica um pouquinho mais afastada do centro. Ainda assim, a apenas sete quadras da Praça da Independência.

Se, até então, o destaque das minhas outras igrejas favoritas de Quito, como a Cia de Jesus, era a ornamentação interna, o destaque da basílica era sua grandiosidade e a ornamentação da parte externa, que lhe garantiu o segundo lugar no meu ranking.

Figura V79: Basílica do Voto Nacional

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Figura V80: Muito bonita....

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Um detalhe bem bacana: as gárgulas, que ficam nas fachadas laterais da igreja, foram inspiradas em animais típicos do Equador, olha que incrível:

Figura V81: “Gárgulas-tartaruga”

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A entrada na basílica é paga. Eles vendem 2 “pacotes”: a entrada principal, que dá acesso ao interior, à área das missas e ao altar, custava 2 $USD. Eu gravei um vídeo do interior no canal, Cap V19. O acesso às torres também custava 2 $USD. Eu paguei primeiro para conhecer o interior, depois para ir nas torres, mas já fica a dica: recomendo fazer o contrário, ou ir só nas torres.

A igreja é muito grande, o interior não é muito rebuscado, só chama atenção pelo tamanho e pelos arcos do teto. Já a subida na torre é muito legal, tem uma bela vista da cidade e, também, dá para subir no pináculo do meio que fica na cúpula da igreja. E ainda termina na parte atrás do mosaico principal, onde fica o órgão, um lugar que também oferece uma vista do interior da igreja (vide foto a seguir).

Figura V82: Interior da basílica

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A subida nas torres é bem tranquila, começa de elevador e termina com algumas escadinhas meio apertadas. Já a subida até o pináculo da basílica (primeira foto a seguir), é mais divertida. Para chegar lá, você precisa atravessar por um telhado meio estreito (segunda foto), e, em seguida, passar por escadas mais inclinadas. Especialmente a da terceira foto, que ainda fica do lado de fora do prédio, exposta e protegida só por aqueles corrimãozinhos!

Na primeira foto do pináculo, se der zoom, é possível ver pessoas em dois andares do pináculo e, à esquerda, dá para ver o corrimão do último lance da escadinha trevas que leva ao segundo andar. A escada dá um certo friozinho na barriga, mas não tem perigo e o pináculo rende belas vistas, principalmente das próprias torres da basílica.

Figura V83: Pináculo da basílica

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Figura V84: Atravessando o telhado até o pináculo

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Figura V85: Escadinha para o segundo andar

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Figura V86: Torres (vista do pináculo)

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A vista das torres da basílica também é muito bonita, especialmente pela proximidade com o centro. Destacam-se a Virgem del Panecillo, no alto da montanha, e as igrejas do centro de Quito. Nessa foto, é possível ver as outras 12 igrejas que eu conheci (e mais algumas...), com o morro da Virgem del Panecillo ao fundo.

Figura V87: Vista da torre da basílica

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Além das belas igrejas, Quito possui mirantes que oferecem lindas vistas da cidade. O mirante de La Virgem del Panecillo fica no morro ao lado do centro, e abriga uma estátua dessa virgem. Não fui até lá, mas da frente do meu hostel, já dava para vê-la.

Figura V88: La virgem del Panecillo

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Outro local com lindas vistas é o teleférico, que sai do centro de Quito (2800 m) até uma montanha com 4200 m. Dizem que a vista do centro é meio distante, mas a vista dos vulcões ao redor, especialmente do Cotopaxi, é incrível. Do alto do teleférico, também é possível fazer um trekking no vulcão inativo Pichincha (4784 m).

Eu planejava ir ao teleférico depois do almoço, dependendo do clima. Em Quito, os dias amanheciam com o céu bem aberto, mas, depois do meio-dia, as nuvens começavam a aparecer. Como estava ficando mais nublado depois do almoço, desencanei de ir ao teleférico.

Com tempo sobrando, resolvi bater perna até o bairro Mariscal. A Plaza Foch, no coração do bairro, ficava a uns 50 minutos a pé. No caminho, passei pelo belo Teatro Sucre, monumentos, parques e praças. Me chamou a atenção um bonito monumento em homenagem a Simon Bolivar, na praça de mesmo nome.

Figura V89: Teatro Sucre

Finalmente cheguei à Plaza Foch, aonde havia um palco montado e várias bandas tocando. Achei o bairro Mariscal bem bacana, muitas opções de restaurantes, bares, fiquei com uma impressão muito boa de lá.

Depois do jantar, voltei para o hostel a pé para talvez tirar umas fotos noturnas do centro, mas logo percebi que, à noite (~20h) já não era tão tranquilo “turistar” pelo centro de Quito. Não aconteceu nada, mas só quando cheguei na parte mais turística que voltei a ter uma sensação de segurança maior. Para quem planeja passar mais dias em Quito, recomendo ficar no bairro de Mariscal, que parece mais tranquilo para andar à noite e ainda é próximo do centro. Para quem tem pouco tempo e prefere o centro, não esqueça de se hospedar perto da Calle De La Ronda.

Para finalizar, o prometido ranking as igrejas. Com certeza, as quatro primeiras são imperdíveis, não dá para ir para Quito e não conhecer! As próximas três não são imperdíveis, mas são bonitas e estão tão perto das outras, eu acho que vale a pena conhecer. As outras não vão fazer falta, é muita igreja bonita....

RANKING DAS IGREJAS DE QUITO:

1 – Igreja Companhia de Jesus

2 – Basílica do Voto Nacional

3 – Igreja São Francisco

4 – Catedral Metropolitana

5 – Igreja El Sagrario

6 – Igreja São Domingos

7 – Igreja Nuestra Señora de la Merced

Segundo patamar:

8 – Igreja de San Agustin

9 – Igreja de La Inmaculada Concepcion

10 – Igreja Santa Barbara

11 – Igreja Carmen Bajo

12 – Igreja Carmen Alto

13 – Igreja San Blas

Quito: #valeapena

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Pessoal, esse relato é parte do capítulo V do livro/ebook. Os relatos das viagens de cada continente estão no livro Destino Vulcões, que consegui deixar o livro inteiramente grátis no amazon.com.br (não sei por quanto tempo...). É só entrar lá e baixar (link: https://a.co/d/agKaeNM)! Dá para ler direto no site, mas eu recomendo usar o aplicativo “Kindle”, disponível para celular (Android ou iPhone), laptop (Windows), ou no próprio Kindle, claro.

Sinopse do livro: 

Nesta obra, compartilho minhas aventuras em busca dos vulcões mais espetaculares do planeta. É um relato pessoal de mais de 90 dias de viagens, ao longo de 10 anos, explorando 15 países em 6 continentes, ilustrado com fotos e vídeos do próprio autor.

Expressões absolutas da força da natureza, os vulcões fascinam na mesma medida em que amedrontam. Quem já assistiu a uma erupção com lava pode confirmar que os vulcões oferecem uma das cenas mais impressionantes da natureza.

E não é preciso ser um aventureiro radical para explorar esses destinos — basta estar disposto a viver experiências inesquecíveis. Além de paisagens vulcânicas impressionantes, descobri culturas vibrantes e outras belezas naturais que tornaram essa jornada ainda mais enriquecedora.

Convido você a me acompanhar nessa aventura, repleta de histórias fascinantes e paisagens deslumbrantes ao redor do mundo. 

Capa:

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Estive por 90 dias no Ecuador em 2015,sai porque não podia ficar mais.Nao existia violência,só em Guayaquil,mas sim um excelente governo que estava colocando o país nos eixos, que nunca entendi o porque do Correa viver asilado nos dias atuais.Ou melhor, entendi sim,motivos não faltaram as oligarquias quererem aquele país de joelhos aos yanki, o que o governo combatia na  época. 

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10 horas atrás, D FABIANO disse:

Estive por 90 dias no Ecuador em 2015,sai porque não podia ficar mais.Nao existia violência,só em Guayaquil,mas sim um excelente governo que estava colocando o país nos eixos, que nunca entendi o porque do Correa viver asilado nos dias atuais.Ou melhor, entendi sim,motivos não faltaram as oligarquias quererem aquele país de joelhos aos yanki, o que o governo combatia na  época. 

Qdo eu fui, a situação estava uma pouco tensa por causa de protestos, mas eu não diria q tinha problemas de violência não. Pickpocket, pequenos golpes em turistas, alguns lugares pra evitar, especialmente a noite e nas cidades grandes, enfim, cuidados parecido com os outros países da América Latina. Até menos q as cidades grandes do Brasil. Vale a pena demais. Obs: não estive em guayaquil....

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