Exagero e grandeza não são palavras para definirem o Uruguai. É um país pequeno de hábitos e monumentos menores. Aconchego e hospitalidade combinam bem mais.
Na sexta-feira, a chegada no bonito e simples aeroporto de Carrasco te leva a 3 opções: pegar o táxi branco de lá, bonito (Mercedes) e caro...900 pesos; andar um pouco e pegar o táxi preto e amarelo, que são os simples (300 a 400 pesos); ou pegar um bus que passa em frente ao aeroporto e tem vários destinos, incluindo o centro e dá uns 29 pesos, muito barato. Essa última foi a escolhida.
O medo de perder-se ou ter entrado em um ônibus errado logo no início da viagem ajudou a quebrar o gelo, e gerou a interação inicial com o povo uruguaio. Eles são tão solícitos que não precisava nem perguntar: enxergavam a dúvida em nossa cara e já se dispunham a dar informação.
A Plaza Independencia é o ponto de partida para todos os lugares ali. O hostel localizava-se nela. No centro, a estátua do libertador Artigas e abaixo dela um grande salão com suas cinzas. Não chega a ser um museu e a visita é bem rápida.
São 2 caminhos os principais: Avenida 18 de Julio e Rua Sarandi. Ande o quanto aguentar em ambas.
Na primeira noite, preferimos comprar algum lanche e vinho Tannat (o mais comum) em um simples mercado e dormir cedo para a ida a Colônia do Sacramento. Depois de tanto análise, preferiu-se um passeio fechado de agência de turismo a ida com direta com ônibus confortável. Bastante acertada a decisão, pois mesmo sendo mais caro, o ônibus parou em lugares muito interessantes, como o Hotel Nirvana, que "ofereceu" um café e medialunas (claramente uma jogada de marketing, mas muito bem bolada) e depois na Granja Arinos. O Nirvana fica em Colônia Suiça, local que talvez seja um dos mais pacatos do planeta. Para casais e para quem quer sossego é muito recomendável. Já a granja tem como atrativos um pequeno museu de lápis e pequenos objetos. O dono do local é um senhor que gosta de contar histórias e bem humorado. Existem também nessa granja uma loja com vários quitutes locais, como o famoso doce de leite e várias geléias. Tem como provar tudo antes de levar.
Enfim, Colônia de Sacramento. Uma cidade antiga e simples. Tinhamos pouco tempo para explorar tudo, então creio que seria legal ficar na cidade por um dia todo, até dormindo. Alugamos um carrinho de golfe para ir a Plaza de Touros. Subimos no farol, andamos pelas ruas e logo fomos embora para Montevídeo.
Era Sábado, dia de bar. Tinhamos várias opções, como o Bar for Fun, o El Poney Pisador e o Shanon Irish Pub, todos bem pertos um do outro. O pub irlandês foi escolhido pelo repertório musical da noite e pela variedade em cervejas disponíveis. Provamos várias do mundo todo. Ainda sinto um arrependimento de não ter conhecido os outros bares, mas tudo bem. O mais famoso e antigo é o For fun, que parece priorizar tango e música local.
Uma chuva muito forte caiu na noite de Sábado e continuou pela manhã de Domingo, infelizmente causando o impedimento de irmos a feira de Tristan Navarro. Seria um dos pontos altos, ao menos no roteiro. No final da mesma manhã, ainda perguntamos se poderia haver a feira, mas a atendente do hostel disse que não. Confiamos.
Da sacada do albergue ouvimos um som: era uma banda militar, com poucos integrantes. Pensamos que poderia ser uma simples troca de bandeira da praça ou algo de menor importância. Bem, já que ainda faltava um tempo para o almoço, fomos olhar, não custaria nada, pois eram alguns metros. Quando chegamos, vimos algum movimento de militares e a banda (realmente com poucos integrantes, mas bem organizada e esforçada) tocava várias coisas, entre marchinhas e música clássica. Uma hora tocaram o hino nacional e aí veio um senhor com algumas câmeras o cercando. Não poderia ser uma grande celebridade, já que não havia um aparato de segurança e por mais que tivesse um pequeno movimento ao redor do grisalho senhor, não era nada de tão incomum. Pois bem, depois de alguma movimentação, esse senhor foi embora, sem dar atenção a um pequeno protesto que aproveitou-se do momento cívico para mostrar alguns cartazes, relativos a uma causa bem específica. Quando digo que o protesto era pequeno, não é com o intuito de diminuí-lo ou ridicularizá-lo, mas comparando com o que vi nas ruas de Buenos Aires...dava para dizer que é minusculo!
O senhor não era prefeito, deputado ou candidato, mas sim o próprio presidente da república, o famoso Mujica. Ficamos pasmos com a simplicidade da cerimônia, sem helicópteros, carros imponentes, homens com terno e fone de ouvido. O ministro da Economia (outro que olhando e analisando, nunca daria para chutar sua “profissão”) para falar com os protestantes. A negociação era quase um debate com mediação da imprensa que, na figura do tranquilo repórter com uma garrafa alocada na axila, pergunta ordeiramente e recebia as respostas de forma ainda mais cordial, com cada um respeitando o momento certo de falar, cortando apenas quando sentiam que o outro já havia terminado de responder aos questionamentos. Enfim, em uma viagem espera-se não aprender apenas de pontos turísticos, comidas ou compras, mas também sobre o povo.
E a fome bateu: Mercado del Porto e a parrillada no El Peregrino. São vários restaurantes, não parece haver tanta diferença, depois voltamos lá em outro dia para o almoço, para poder provas outras carnes específicas. Tudo muito bom! Provem medio y medio no lugar de vinho em alguma das refeições, principalmente almoço, pois é servido geladinho.
Na segunda-feira partimos para o Estadio Centenario para apreciar o Museo del Futbol. Boas fotos, troféus, objetos, memórias. Não sei comparar o material daqui com outro museu de esporte, mas esse foi especial por causa da Copa de 1950. Chega a parecer que o Uruguai mereceu mesmo e que querer tirar isso deles é egoísmo. A entrada do museu é menos de 10 reais. O estadio estava imundo, pois a final da Copa Libertadores da America de 2011 tinha sido ali disputada há poucos dias. Santos e Peñarol. A cidade respirava esse jogo e os taxistas e habitantes logo queriam conversar sobre isso e o futebol brasileiro.
Compras foram feitas na Indian Outlet. Como é a minha parte mais delicada ($) não vi uma grande vantagem. Queria comprar algo nos sebos e por algum motivo quase cabalístico, estavam os 3 que vi fechados. Percorremos a 18 de Julio conhecendo muita coisa. Feiras de artesanato, praças, prédios, monumentos, lojas...
Depois conhecendo alguns parques e ruas de bairro vimos como o povo adora cachorro e é meio solitário, hehe. Raramente havia grupos de 3 ou mais pessoas. Gostei dessa auto-suficiência aparente.
Depois mais turismo de comes e bebes e compras no Carrasco Duty Free, que é aquela coisa de sempre: bebidas, perfumes e chocolates valem tanto a pena que parece que viajar só para isso não seria prejuízo. No aeroporto estávamos cercados por roupas pretas e amarelas e canto incessante: a torcida do Peñarol, louca e animada, comprava vodka, whisky e bebia ali mesmo no saguão esperando o voo para São Paulo. Chegaram a “invadir” o sistema de som que avisa sobre os voos e fizeram aquilo para serem pessoas que vivem intensamente.
Finalizando: se quiser calma, simplicidade, bucolismo, carnes, vinhos, simpatia e passarem um friozinho, Montevideo pode ser o lugar ideal: isso tudo é o mínimo que há nesse bonito lugar. Espero que o texto motive quem precisa de um leve empurrão.
Bonito.
Sente-se. Mar del Plata.
Farol de Colônia do Sacramento, fundada por portugueses.
Aniversário de Artigas.
-pero tiene que... que...
Arquitetura.
Dizem que já foi o prédio mais alto da América do Sul.
Cervermelha.
Bicicletas, motonetas, carrinhos de golfe e outros tipos de veículo para passear em Colônia.
Exagero e grandeza não são palavras para definirem o Uruguai. É um país pequeno de hábitos e monumentos menores. Aconchego e hospitalidade combinam bem mais.
Na sexta-feira, a chegada no bonito e simples aeroporto de Carrasco te leva a 3 opções: pegar o táxi branco de lá, bonito (Mercedes) e caro...900 pesos; andar um pouco e pegar o táxi preto e amarelo, que são os simples (300 a 400 pesos); ou pegar um bus que passa em frente ao aeroporto e tem vários destinos, incluindo o centro e dá uns 29 pesos, muito barato. Essa última foi a escolhida.
O medo de perder-se ou ter entrado em um ônibus errado logo no início da viagem ajudou a quebrar o gelo, e gerou a interação inicial com o povo uruguaio. Eles são tão solícitos que não precisava nem perguntar: enxergavam a dúvida em nossa cara e já se dispunham a dar informação.
A Plaza Independencia é o ponto de partida para todos os lugares ali. O hostel localizava-se nela. No centro, a estátua do libertador Artigas e abaixo dela um grande salão com suas cinzas. Não chega a ser um museu e a visita é bem rápida.
São 2 caminhos os principais: Avenida 18 de Julio e Rua Sarandi. Ande o quanto aguentar em ambas.
Na primeira noite, preferimos comprar algum lanche e vinho Tannat (o mais comum) em um simples mercado e dormir cedo para a ida a Colônia do Sacramento. Depois de tanto análise, preferiu-se um passeio fechado de agência de turismo a ida com direta com ônibus confortável. Bastante acertada a decisão, pois mesmo sendo mais caro, o ônibus parou em lugares muito interessantes, como o Hotel Nirvana, que "ofereceu" um café e medialunas (claramente uma jogada de marketing, mas muito bem bolada) e depois na Granja Arinos. O Nirvana fica em Colônia Suiça, local que talvez seja um dos mais pacatos do planeta. Para casais e para quem quer sossego é muito recomendável. Já a granja tem como atrativos um pequeno museu de lápis e pequenos objetos. O dono do local é um senhor que gosta de contar histórias e bem humorado. Existem também nessa granja uma loja com vários quitutes locais, como o famoso doce de leite e várias geléias. Tem como provar tudo antes de levar.
Enfim, Colônia de Sacramento. Uma cidade antiga e simples. Tinhamos pouco tempo para explorar tudo, então creio que seria legal ficar na cidade por um dia todo, até dormindo. Alugamos um carrinho de golfe para ir a Plaza de Touros. Subimos no farol, andamos pelas ruas e logo fomos embora para Montevídeo.
Era Sábado, dia de bar. Tinhamos várias opções, como o Bar for Fun, o El Poney Pisador e o Shanon Irish Pub, todos bem pertos um do outro. O pub irlandês foi escolhido pelo repertório musical da noite e pela variedade em cervejas disponíveis. Provamos várias do mundo todo. Ainda sinto um arrependimento de não ter conhecido os outros bares, mas tudo bem. O mais famoso e antigo é o For fun, que parece priorizar tango e música local.
Uma chuva muito forte caiu na noite de Sábado e continuou pela manhã de Domingo, infelizmente causando o impedimento de irmos a feira de Tristan Navarro. Seria um dos pontos altos, ao menos no roteiro. No final da mesma manhã, ainda perguntamos se poderia haver a feira, mas a atendente do hostel disse que não. Confiamos.
Da sacada do albergue ouvimos um som: era uma banda militar, com poucos integrantes. Pensamos que poderia ser uma simples troca de bandeira da praça ou algo de menor importância. Bem, já que ainda faltava um tempo para o almoço, fomos olhar, não custaria nada, pois eram alguns metros. Quando chegamos, vimos algum movimento de militares e a banda (realmente com poucos integrantes, mas bem organizada e esforçada) tocava várias coisas, entre marchinhas e música clássica. Uma hora tocaram o hino nacional e aí veio um senhor com algumas câmeras o cercando. Não poderia ser uma grande celebridade, já que não havia um aparato de segurança e por mais que tivesse um pequeno movimento ao redor do grisalho senhor, não era nada de tão incomum. Pois bem, depois de alguma movimentação, esse senhor foi embora, sem dar atenção a um pequeno protesto que aproveitou-se do momento cívico para mostrar alguns cartazes, relativos a uma causa bem específica. Quando digo que o protesto era pequeno, não é com o intuito de diminuí-lo ou ridicularizá-lo, mas comparando com o que vi nas ruas de Buenos Aires...dava para dizer que é minusculo!
O senhor não era prefeito, deputado ou candidato, mas sim o próprio presidente da república, o famoso Mujica. Ficamos pasmos com a simplicidade da cerimônia, sem helicópteros, carros imponentes, homens com terno e fone de ouvido. O ministro da Economia (outro que olhando e analisando, nunca daria para chutar sua “profissão”) para falar com os protestantes. A negociação era quase um debate com mediação da imprensa que, na figura do tranquilo repórter com uma garrafa alocada na axila, pergunta ordeiramente e recebia as respostas de forma ainda mais cordial, com cada um respeitando o momento certo de falar, cortando apenas quando sentiam que o outro já havia terminado de responder aos questionamentos. Enfim, em uma viagem espera-se não aprender apenas de pontos turísticos, comidas ou compras, mas também sobre o povo.
E a fome bateu: Mercado del Porto e a parrillada no El Peregrino. São vários restaurantes, não parece haver tanta diferença, depois voltamos lá em outro dia para o almoço, para poder provas outras carnes específicas. Tudo muito bom! Provem medio y medio no lugar de vinho em alguma das refeições, principalmente almoço, pois é servido geladinho.
Na segunda-feira partimos para o Estadio Centenario para apreciar o Museo del Futbol. Boas fotos, troféus, objetos, memórias. Não sei comparar o material daqui com outro museu de esporte, mas esse foi especial por causa da Copa de 1950. Chega a parecer que o Uruguai mereceu mesmo e que querer tirar isso deles é egoísmo. A entrada do museu é menos de 10 reais. O estadio estava imundo, pois a final da Copa Libertadores da America de 2011 tinha sido ali disputada há poucos dias. Santos e Peñarol. A cidade respirava esse jogo e os taxistas e habitantes logo queriam conversar sobre isso e o futebol brasileiro.
Compras foram feitas na Indian Outlet. Como é a minha parte mais delicada ($) não vi uma grande vantagem. Queria comprar algo nos sebos e por algum motivo quase cabalístico, estavam os 3 que vi fechados. Percorremos a 18 de Julio conhecendo muita coisa. Feiras de artesanato, praças, prédios, monumentos, lojas...
Depois conhecendo alguns parques e ruas de bairro vimos como o povo adora cachorro e é meio solitário, hehe. Raramente havia grupos de 3 ou mais pessoas. Gostei dessa auto-suficiência aparente.
Depois mais turismo de comes e bebes e compras no Carrasco Duty Free, que é aquela coisa de sempre: bebidas, perfumes e chocolates valem tanto a pena que parece que viajar só para isso não seria prejuízo. No aeroporto estávamos cercados por roupas pretas e amarelas e canto incessante: a torcida do Peñarol, louca e animada, comprava vodka, whisky e bebia ali mesmo no saguão esperando o voo para São Paulo. Chegaram a “invadir” o sistema de som que avisa sobre os voos e fizeram aquilo para serem pessoas que vivem intensamente.
Finalizando: se quiser calma, simplicidade, bucolismo, carnes, vinhos, simpatia e passarem um friozinho, Montevideo pode ser o lugar ideal: isso tudo é o mínimo que há nesse bonito lugar. Espero que o texto motive quem precisa de um leve empurrão.
Bonito.
Sente-se. Mar del Plata.
Farol de Colônia do Sacramento, fundada por portugueses.
Aniversário de Artigas.
-pero tiene que... que...
Arquitetura.
Dizem que já foi o prédio mais alto da América do Sul.
Cervermelha.
Bicicletas, motonetas, carrinhos de golfe e outros tipos de veículo para passear em Colônia.
Idolatria.
Acontecerá novamente.
ramblas.
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