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Lua de mel, 28 dias, outubro 2011 - Lisboa, cidades italianas, Vale do Loire e Estrasburgo
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Faço o relato como forma de agradecer aos membros deste forum e tentar retribuir um pouco do que recebi ao longo de seis meses de pesquisa. Sem dúvida alguma o forum Mochileiros foi a melhor fonte de informação das várias de que eu dispunha.
Eu também fiz um blog da viagem, o que me deu um trabalho enorme. O foco dele foi relatar com um pouco mais de fidelidade o dia a dia da viagem e colocar o máximo possível de fotos, como um verdadeiro diário. Deixarei o link na assinatura (por favor, avisem se houver problema) para aqueles que se interessarem por um relato mais rico visualmente. Minha ideia era deixar esse relato o mais objetivo possível, com poucas fotos, mas não sei fazer isso. Fotos por si só contam histórias, então botei muita foto aqui também
[t3]1 - Planejamento[/t3]
Como disse, foram seis meses de pesquisa e considero esta fase indispensável. Fiz uma curta viagem pela América do Sul no meio do ano e não tivemos tempo para planejamento. A consequência disso é que tivemos um bocado de perrengues. Já na nossa viagem de lua de mel não poderia haver espaço para muitos aborrecimentos, afinal, o foco é ter uma experiência que deixe saudades. E posso dizer que tudo deu certo, tivemos um aborrecimento que relatarei mais a frente e conseguimos cumprir uns 80 % do planejado.
Ficou corrido (e muitos aqui avisaram que ficaria), mas eu precisava passar pela experiência para saber. E não me arrependo. Na primeira viagem intercontinental você não conhece ainda seu perfil de viajante, então fica difícil saber exatamente como distribuir o roteiro. Uma pergunta muito comum aqui é "quantos dias no lugar x". Pra responder a isso você precisa responder a diversas outras perguntas. Então nossa estratégia foi ficar um número mínimo de dias em cada cidade, que chamarei de "base" e procurar conhecer os arredores. Este número mínimo foi de 3 dias, com algumas exceções. Fizemos bastantes daytrips e houve muitos deslocamentos, mas uns 90 % deles de trem, tentando evitar o estresse de chegar muito cedo para check-in e demorar para pegar bagagem.
Digo que não me arrependo de ser tão corrido porque se você passou rapidamente por um lugar legal e não o aproveitou, sempre poderá voltar. Mas ruim mesmo é você ficar vários dias num lugar não tão legal, desperdiçando tempo valioso de viagem e não ter alternativas. Foi o caso de Roma, 3 dias teriam sido suficientes (foram 3, mas apenas 2 deles completos, depois explico).
O perfil de nossa viagem não foi mochilão, mas também não foi luxuosa. Diria que foi uma "mochilinha", mesmo porque eu literalmente carreguei uma nas costas a viagem inteira. Procuramos sempre quartos duplos, com banheiro privado, tendo por foco boa localização (segura, próxima de metrôs, restaurantes e supermercados), limpos e com preços razoavelmente acessíveis. Organizava os hoteis por nota de usuário e os filtrava por faixa de preço, sempre abaixo dos 100 euros diários.
Mudamos o roteiro inúmeras vezes, pois conforme você vai pesquisando, descobre que outros lugares te seduzem mais e outros não mais parecem ser tão prioritários. Um grande erro que tivemos foi reservar logo a passagem com 6 meses de antecedência. Isso aconteceu porque ficamos com medo do preço disparar, ainda mais porque o euro estava barato na época. Mas por outro lado perdemos não só várias oportunidades de promoção, como a flexibilidade de poder mudar datas e lugares. O mesmo aconteceu com alguns hoteis, reservamos e ficamos engessados. Mas como tudo há prós e contras, tivemos a conveniência de contar com algumas verdadeiras pechinchas. O segredo de reservar hotel é pegar aqueles com cancelamento grátis, especialmente se você reserva pelo site Booking, que foi o nosso caso.
Reservamos com antecedência todos os deslocamentos entre cidades. Creio que isto seja essencial para quem quer economizar, pois na maioria das vezes há descontos enormes. Na Itália cheguei a viajar por 22 euros na tarifa "mini" o trecho Nápoles-Florença, ao passo que um sujeito do meu lado estava com o bilhete "Nápoles-Roma", ou seja, mais curto, por 90 euros ! Não sei a que se deve esta diferença, pois a mini supostamente seria no máximo 60 % mais barata, mas veja como a economia foi grande. Na França, da mesma forma, você economiza reservando antes. Mas o pulo do gato é entrar no site em francês. Pois os malandros não deixam você comprar com antecedência no site em inglês.
Falando em línguas, aproveitei que tenho gosto por aprender línguas novas e resolvi aprender italiano e francês por conta própria. Para saber mais, veja a parte oculta. Caso contrário, siga adiante.
[mostrar-esconder]Comecei o italiano pelo Berlitz (italiano passo a passo) e pelo Rosetta Stone e dediquei uns 3 meses a isso. O estudo não foi muito regular, era quando eu tinha tempo. No terceiro mês comecei a pegar o francês em paralelo. Bem, não gostei do Rosetta. É bom como pontapé inicial, mas depois você vê que o aprendizado não evolui pela deficiência do método - não há contexto mas, sim, muita repetição. O Berlitz é melhor, te dá estruturas gramaticais aos poucos e os diálogos são mais divertidos, além de focar mais em palavras mais usadas no dia-a-dia, mas possui a inconveniência de não ter áudio.
Um amigo meu me falou do Assimil, método que tem por premissas o aprendizado intuitivo da língua através de lições diárias assimiladas aos poucos, com textos divertidos acompanhados por áudio. Achei o melhor método. Meu aprendizado de italiano melhorou muito e já conseguia ler o "Corriere de la Sera", jornal italiano, sem muita dificuldade e o francês, embora mais deficiente, dava pra entender alguma coisa do "Le Figaro", jornal francês. No pouco tempo que tive para estudar, foi o suficiente para ter conversas intermediárias em italiano e ler grande parte de textos. Em francês eu conseguia entender uns 80 % do que era falado devagar e uns 30 % quando falado rápido. Tinha dificuldade pra me expressar, mas o suficiente pra pedir informação. Conseguia ler o suficiente pra me virar.[/mostrar-esconder]
Considero o aprendizado de línguas algo que não é indispensável, mas muito importante. Muita gente fala que você se vira só com o inglês e isso é parcialmente verdade. De fato, muitos falam inglês. Mas nem todos falam bem o suficiente. Nem todos sabem falar ao menos o mínimo. E o principal, nem todos querem falar. Você está visitando a casa dos outros, não pode esperar os outros se adaptem a você. Por muitas vezes estivemos em situações específicas que ou você falava a língua local ou teria que perder tempo caçando alguém que fale inglês. E esse tempo perdido pode ser a diferença entre pegar aquele trem que você quer, ou visitar a atração que você gostaria. Por fim, o tratamento é outro quando as pessoas te vêem se esforçando para falar a língua deles. Muito se fala aqui da antipatia dos franceses, mas foram raras as vezes em que tivemos problemas com isso. A maioria foi simpática e prestativa. E olha que meu francês é bem basicão, não tive tempo de aprender a me comunicar direito.
Voltando a falar do planejamento, evitamos inúmeros problemas com isso e principalmente, economizamos tempo e dinheiro. Mas nem tudo são flores. É preciso tomar cuidado com o extremo oposto, o "overplanning". Você querer colocar data e hora pra tudo e se obrigar a seguir. A ideia de se planejar é te dar opções que talvez você não saberia que existem na hora, não restringí-las. Creio que o roteiro ideal seja o aberto à flexibilidade, mas que você saiba o que está fazendo ao escolher.
Trabalhamos com orçamento relativamente apertado, por razões particulares não poderei entrar em detalhes. Mas posso adiantar que praticamente nenhuma hospedagem passou dos 100 euros e tudo que podia gerar economia foi reservado com antecedência. Alimentação pro casal creio ter ficado entre 30 e 50 euros diários, com muitas idas ao supermercado, fast foods e, vez ou outra, restaurantes baratos. Supermercado é a grande jogada, de modo que recomendo reservar ao menos algo com frigobar. Ideal mesmo é pelo menos frigobar e microondas e, se você puder pagar, um apartamento com cozinha. Tudo lá é caro (e muitas vezes mal servido) e comprando no supermercado sai muito mais barato.
Darei mais dicas específicas ao longo do relato. Vamos ao cronograma:
Perdemos dois dias inteiros em Paris por causa de deslocamentos durante o dia e pelas compras de presentes e acabamos não indo a Versailles por conta disso. Também não conseguimos fazer a excursão Chambord-Cheverny no dia 16, mas no lugar tivemos uma ótima tarde em Amboise.
Legenda: daytrip significa viagem de ida e volta no mesmo dia. Stopover significa parada em algo no caminho, enquanto nos deslocávamos para a cidade de destino.
[t3]2 - Cronograma[/t3]
23/09 – Chegada em Lisboa às 12h
24/09 – Lisboa
25/09 – Chegada em Veneza às 12h
26/09 – Veneza
27/09 – Chegada em Roma às 11h
28/09 – Roma
29/09 – Roma (Vaticano)
30/09 – Chegada em Sant’agnello às 11h. Ida para Herculano
1/10 – Costa Amalfitana (Amalfi e Ravello)
2/10 – Capri e Sorrento
3/10 – Pompeia e chegada em Florença (noite)
4/10 – Florença
5/10 – Daytrip Siena e San Gimignano
6/10 – Stopover Pisa e chegada em Levanto às 15h
7/10 – Daytrip Lucca
8/10 – Cinque Terre
9/10 – Stopover Milão, chegada em Paris (noite)
10/10 – Paris dia 1 (Cluny, Pantheon, Quartier Latin, Saint Germain)
11/10 – Paris dia 2 (L’invalides, Escola Militar, Campo de Marte, Torre Eiffel (só por baixo)
12/10 – Paris dia 3 (Notre Dame, St Chapelle, Conciergerie, Marais)
13/10 – Paris dia 4 (Louvre, Tuleries, Concorde, Champs-Élysées, Arco do Triunfo (só por baixo)
14/10 – Paris dia 5 (D’orsay, L’orangerie, Pont Alexandre III, passeio de barco
15/10 – Tours (Vale do Loire) – excursão para Villandry e Azay le Rideau, ida para Chenonceau por conta própria
16/10 – Amboise (Vale do Loire)
17/10 – Paris – Shopping Place d’Italie, compras de presentes
18/10 – Paris (Opera e Montmartre – Sacre Coeur, Dali, Place du Tertre)
19/10 – Estrasburgo
20/10 – Paris - Republique, Compras de dia, passeio pelas margens do Sena de noite. Volta para o Rio de Janeiro de madrugada
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