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Olá viajante!

Bora viajar?

Lua de mel, 28 dias, outubro 2011 - Lisboa, cidades italianas, Vale do Loire e Estrasburgo

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Faço o relato como forma de agradecer aos membros deste forum e tentar retribuir um pouco do que recebi ao longo de seis meses de pesquisa. Sem dúvida alguma o forum Mochileiros foi a melhor fonte de informação das várias de que eu dispunha.

 

Eu também fiz um blog da viagem, o que me deu um trabalho enorme. O foco dele foi relatar com um pouco mais de fidelidade o dia a dia da viagem e colocar o máximo possível de fotos, como um verdadeiro diário. Deixarei o link na assinatura (por favor, avisem se houver problema) para aqueles que se interessarem por um relato mais rico visualmente. Minha ideia era deixar esse relato o mais objetivo possível, com poucas fotos, mas não sei fazer isso. Fotos por si só contam histórias, então botei muita foto aqui também ::hãã2::

 

[t3]1 - Planejamento[/t3]

 

Como disse, foram seis meses de pesquisa e considero esta fase indispensável. Fiz uma curta viagem pela América do Sul no meio do ano e não tivemos tempo para planejamento. A consequência disso é que tivemos um bocado de perrengues. Já na nossa viagem de lua de mel não poderia haver espaço para muitos aborrecimentos, afinal, o foco é ter uma experiência que deixe saudades. E posso dizer que tudo deu certo, tivemos um aborrecimento que relatarei mais a frente e conseguimos cumprir uns 80 % do planejado.

 

Ficou corrido (e muitos aqui avisaram que ficaria), mas eu precisava passar pela experiência para saber. E não me arrependo. Na primeira viagem intercontinental você não conhece ainda seu perfil de viajante, então fica difícil saber exatamente como distribuir o roteiro. Uma pergunta muito comum aqui é "quantos dias no lugar x". Pra responder a isso você precisa responder a diversas outras perguntas. Então nossa estratégia foi ficar um número mínimo de dias em cada cidade, que chamarei de "base" e procurar conhecer os arredores. Este número mínimo foi de 3 dias, com algumas exceções. Fizemos bastantes daytrips e houve muitos deslocamentos, mas uns 90 % deles de trem, tentando evitar o estresse de chegar muito cedo para check-in e demorar para pegar bagagem.

 

Digo que não me arrependo de ser tão corrido porque se você passou rapidamente por um lugar legal e não o aproveitou, sempre poderá voltar. Mas ruim mesmo é você ficar vários dias num lugar não tão legal, desperdiçando tempo valioso de viagem e não ter alternativas. Foi o caso de Roma, 3 dias teriam sido suficientes (foram 3, mas apenas 2 deles completos, depois explico).

 

O perfil de nossa viagem não foi mochilão, mas também não foi luxuosa. Diria que foi uma "mochilinha", mesmo porque eu literalmente carreguei uma nas costas a viagem inteira. Procuramos sempre quartos duplos, com banheiro privado, tendo por foco boa localização (segura, próxima de metrôs, restaurantes e supermercados), limpos e com preços razoavelmente acessíveis. Organizava os hoteis por nota de usuário e os filtrava por faixa de preço, sempre abaixo dos 100 euros diários.

 

Mudamos o roteiro inúmeras vezes, pois conforme você vai pesquisando, descobre que outros lugares te seduzem mais e outros não mais parecem ser tão prioritários. Um grande erro que tivemos foi reservar logo a passagem com 6 meses de antecedência. Isso aconteceu porque ficamos com medo do preço disparar, ainda mais porque o euro estava barato na época. Mas por outro lado perdemos não só várias oportunidades de promoção, como a flexibilidade de poder mudar datas e lugares. O mesmo aconteceu com alguns hoteis, reservamos e ficamos engessados. Mas como tudo há prós e contras, tivemos a conveniência de contar com algumas verdadeiras pechinchas. O segredo de reservar hotel é pegar aqueles com cancelamento grátis, especialmente se você reserva pelo site Booking, que foi o nosso caso.

 

Reservamos com antecedência todos os deslocamentos entre cidades. Creio que isto seja essencial para quem quer economizar, pois na maioria das vezes há descontos enormes. Na Itália cheguei a viajar por 22 euros na tarifa "mini" o trecho Nápoles-Florença, ao passo que um sujeito do meu lado estava com o bilhete "Nápoles-Roma", ou seja, mais curto, por 90 euros ! Não sei a que se deve esta diferença, pois a mini supostamente seria no máximo 60 % mais barata, mas veja como a economia foi grande. Na França, da mesma forma, você economiza reservando antes. Mas o pulo do gato é entrar no site em francês. Pois os malandros não deixam você comprar com antecedência no site em inglês.

 

Falando em línguas, aproveitei que tenho gosto por aprender línguas novas e resolvi aprender italiano e francês por conta própria. Para saber mais, veja a parte oculta. Caso contrário, siga adiante.

 

[mostrar-esconder]Comecei o italiano pelo Berlitz (italiano passo a passo) e pelo Rosetta Stone e dediquei uns 3 meses a isso. O estudo não foi muito regular, era quando eu tinha tempo. No terceiro mês comecei a pegar o francês em paralelo. Bem, não gostei do Rosetta. É bom como pontapé inicial, mas depois você vê que o aprendizado não evolui pela deficiência do método - não há contexto mas, sim, muita repetição. O Berlitz é melhor, te dá estruturas gramaticais aos poucos e os diálogos são mais divertidos, além de focar mais em palavras mais usadas no dia-a-dia, mas possui a inconveniência de não ter áudio.

 

Um amigo meu me falou do Assimil, método que tem por premissas o aprendizado intuitivo da língua através de lições diárias assimiladas aos poucos, com textos divertidos acompanhados por áudio. Achei o melhor método. Meu aprendizado de italiano melhorou muito e já conseguia ler o "Corriere de la Sera", jornal italiano, sem muita dificuldade e o francês, embora mais deficiente, dava pra entender alguma coisa do "Le Figaro", jornal francês. No pouco tempo que tive para estudar, foi o suficiente para ter conversas intermediárias em italiano e ler grande parte de textos. Em francês eu conseguia entender uns 80 % do que era falado devagar e uns 30 % quando falado rápido. Tinha dificuldade pra me expressar, mas o suficiente pra pedir informação. Conseguia ler o suficiente pra me virar.[/mostrar-esconder]

 

Considero o aprendizado de línguas algo que não é indispensável, mas muito importante. Muita gente fala que você se vira só com o inglês e isso é parcialmente verdade. De fato, muitos falam inglês. Mas nem todos falam bem o suficiente. Nem todos sabem falar ao menos o mínimo. E o principal, nem todos querem falar. Você está visitando a casa dos outros, não pode esperar os outros se adaptem a você. Por muitas vezes estivemos em situações específicas que ou você falava a língua local ou teria que perder tempo caçando alguém que fale inglês. E esse tempo perdido pode ser a diferença entre pegar aquele trem que você quer, ou visitar a atração que você gostaria. Por fim, o tratamento é outro quando as pessoas te vêem se esforçando para falar a língua deles. Muito se fala aqui da antipatia dos franceses, mas foram raras as vezes em que tivemos problemas com isso. A maioria foi simpática e prestativa. E olha que meu francês é bem basicão, não tive tempo de aprender a me comunicar direito.

 

Voltando a falar do planejamento, evitamos inúmeros problemas com isso e principalmente, economizamos tempo e dinheiro. Mas nem tudo são flores. É preciso tomar cuidado com o extremo oposto, o "overplanning". Você querer colocar data e hora pra tudo e se obrigar a seguir. A ideia de se planejar é te dar opções que talvez você não saberia que existem na hora, não restringí-las. Creio que o roteiro ideal seja o aberto à flexibilidade, mas que você saiba o que está fazendo ao escolher.

 

Trabalhamos com orçamento relativamente apertado, por razões particulares não poderei entrar em detalhes. Mas posso adiantar que praticamente nenhuma hospedagem passou dos 100 euros e tudo que podia gerar economia foi reservado com antecedência. Alimentação pro casal creio ter ficado entre 30 e 50 euros diários, com muitas idas ao supermercado, fast foods e, vez ou outra, restaurantes baratos. Supermercado é a grande jogada, de modo que recomendo reservar ao menos algo com frigobar. Ideal mesmo é pelo menos frigobar e microondas e, se você puder pagar, um apartamento com cozinha. Tudo lá é caro (e muitas vezes mal servido) e comprando no supermercado sai muito mais barato.

 

Darei mais dicas específicas ao longo do relato. Vamos ao cronograma:

 

Perdemos dois dias inteiros em Paris por causa de deslocamentos durante o dia e pelas compras de presentes e acabamos não indo a Versailles por conta disso. Também não conseguimos fazer a excursão Chambord-Cheverny no dia 16, mas no lugar tivemos uma ótima tarde em Amboise.

 

Legenda: daytrip significa viagem de ida e volta no mesmo dia. Stopover significa parada em algo no caminho, enquanto nos deslocávamos para a cidade de destino.

 

[t3]2 - Cronograma[/t3]

 

23/09 – Chegada em Lisboa às 12h

24/09 – Lisboa

25/09 – Chegada em Veneza às 12h

26/09 – Veneza

27/09 – Chegada em Roma às 11h

28/09 – Roma

29/09 – Roma (Vaticano)

30/09 – Chegada em Sant’agnello às 11h. Ida para Herculano

1/10 – Costa Amalfitana (Amalfi e Ravello)

2/10 – Capri e Sorrento

3/10 – Pompeia e chegada em Florença (noite)

4/10 – Florença

5/10 – Daytrip Siena e San Gimignano

6/10 – Stopover Pisa e chegada em Levanto às 15h

7/10 – Daytrip Lucca

8/10 – Cinque Terre

9/10 – Stopover Milão, chegada em Paris (noite)

10/10 – Paris dia 1 (Cluny, Pantheon, Quartier Latin, Saint Germain)

11/10 – Paris dia 2 (L’invalides, Escola Militar, Campo de Marte, Torre Eiffel (só por baixo)

12/10 – Paris dia 3 (Notre Dame, St Chapelle, Conciergerie, Marais)

13/10 – Paris dia 4 (Louvre, Tuleries, Concorde, Champs-Élysées, Arco do Triunfo (só por baixo)

14/10 – Paris dia 5 (D’orsay, L’orangerie, Pont Alexandre III, passeio de barco

15/10 – Tours (Vale do Loire) – excursão para Villandry e Azay le Rideau, ida para Chenonceau por conta própria

16/10 – Amboise (Vale do Loire)

17/10 – Paris – Shopping Place d’Italie, compras de presentes

18/10 – Paris (Opera e Montmartre – Sacre Coeur, Dali, Place du Tertre)

19/10 – Estrasburgo

20/10 – Paris - Republique, Compras de dia, passeio pelas margens do Sena de noite. Volta para o Rio de Janeiro de madrugada

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Oi, Renata. Legal que tenha gostado. De fato, foi muito boa essa viagem, mesmo com os problemas que passamos.

 

Lisboa nem estava no roteiro. Como fomos pela TAP, aproveitamos o stopover grátis e resolvemos "quebrar" um pouco a viagem por lá. Mas mesmo sem muitas expectativas eu me decepcionei. Se você tá falando que Porto é ainda pior, nem quero saber de lá.

 

Já Roma é bagunçada, mas também tivemos boas experiências por lá. O Coliseu e a Fontana di Trevi são monumentos muito impressionantes. Não me arrependo de ter ido pra lá, apenas acho que perto de outros destinos que conhecemos não está entre os melhores. Acho que você tem que conhecer um dia. Mas como falou aquilo de Londres, apenas recomendo que não faça de Roma uma prioridade. Creio que Alemanha e França façam mais o seu gosto, onde verá mais organização, limpeza, conservação geral e o principal, educação. As cidades do norte da Itália também me pareceram bem estruturadas o suficiente.

  • 2 meses depois...
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Txi, é tudo mau.

 

O sotaque é horrível, não tomam banho, não há funcionários, a vista é fraquinha, a máquina de bilhetes não funciona, a comida de shopping não presta, a tartaruga é sacana, o atendimento é horrível, o castelo não é castelo, o português de lá é quase língua diferente... :(

 

Para que serve ser mochileiro quando se diz "sotaque é horrível"? Pensei que viajar fosse conhecer coisas diferentes de nós, por isso não compreendo essa adjetivação agressiva e este dizer mal de tudo.

 

Essa ideia de dizer que vai ver "mais organização, limpeza, conservação geral e o principal, educação" é tudo ideia pré-concebida... cada país tem a sua própria cultura, isto é, organização, limpeza, conservação geral e educação. Sem falar que a Alemanha e a França foram muito reconstruídas após a segunda guerra mundial.

 

Roma é bagunçada porquê? É suposto o fórum de Roma estar destruído... por isso lhe chamam ruínas. Ninguém hoje em dia vai reconstruír em cima de ruínas, por questões de preservação de património arqueológico.

 

Também é sinal que Roma é uma cidade muito antiga e muito importante e que muita coisa aconteceu lá. Guerras e pilhagens e isso... entender a História de um país é compreender também isso. Não basta apenas visitar monumentos e estar só à espera de coisas grandiosas e perfeitinhas.

 

Roma é uma das cidades mais importantes da Europa, talvez até a mais importante, do ponto de vista histórico. É claro que deve ser recomendado.

 

Aliás, quanto mais perfeito for um sítio, mais recente é. Para mim a piada está exatamente no oposto...

 

Veja que uma cidade quanto mais antiga for, significa que teve construção em cima de construção em cima de construção em cima de construção, sem falar em desastres naturais, e o planejamento vai variando, mais para aqui, mais para ali, etc. Isso implica destruir ou mudar o que havia e substituir por outras coisas. Às vezes mais corretas, às vezes menos corretas.

 

As cidades são estruturadas de acordo com o seu tempo. Ou sejam, não páram, e não podem parar ou mudar só por causa da curiosidade dos turistas.

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Bem-vindo ao mundo dos relatos :). São experiências pessoais, subjetivas, carregadas de emoção. Uns preferem a linguagem jornalística, apenas informativa e imparcial. Eu prefiro descrever o sentimento, que na parte que você leu foi de uma experiência ruim, ao passo que em outras partes a descrição é de experiências boas. Se existe ser humano que só teve experiências boas na viagem toda, eu quero conhecê-lo.

 

Fomos muito mal tratados em Lisboa. Esse é um fato. Me reservo ao direito de não tomar cuidados politicamente corretos e falar que o lugar é cheio de pessoas legais e gentis, porque isso não aconteceu. Eu ainda omiti o diálogo com um taxista, vou reproduzi-lo aqui:

 

"Chegamos no hotel e tivemos um aborrecimento com um problema causado por eles. O cartão de acesso ao quarto não funcionava e eu estava passando mal. Avisei que estava passando mal e simplesmente me mandaram esperar, sem prestar nenhum atendimento, nem dar prioridade para resolver o problema. No dia seguinte pedimos um táxi. O taxista não ajudou com as malas e mudou a bandeira do taxímetro de 1 (a mais barata) pra 3 (a mais cara) sem nos avisar. Eu já sabia que isso poderia se dever ao fato da localização do hotel ser em Loures, que não é considerado (por eles) como sendo em Lisboa, apesar de ficar a menos de 5 minutos do aeroporto. Mas resolvi perguntar educadamente por que a tarifa foi mudada, pois queria ter certeza. O cara ficou agressivo, disse que ali “não era como o Brasil”, que lá as coisas funcionam e que o carro dele poderia ser preso se ele cobrasse a tarifa 1, que não sei o que. Eu disse que estava apenas pedindo uma informação, já que a mudança foi sem aviso e que não estava me negando a pagar nada. O cara ficou sem graça, começou a mudar o tom, repetiu sem parar a história do carro poder ser preso (como se alguém fosse realmente checar isso) e falou que eu “fiz bem de perguntar”. Sabia que aquilo era um roubo, pois o hotel fica a menos de 1 km do aeroporto e no dia anterior pegamos um táxi de Lisboa a Loures, percorrendo uma distância muito maior por uma corrida muito mais barata, mas fazer o que. Era um roubo “legalizado” pela máfia dos taxistas."

 

Essa de dizer "aqui não é como o Brasil" só porque fiz uma pergunta já mostra bem quem é que possui essa mentalidade xenófoba.

 

E o que mais nos chocou é que a entrada por Portugal foi escolhida justamente por acharmos que o tratamento com brasileiros seria melhor. Infelizmente ocorreu o oposto. Se você se incomodou, faça como eu faço, cobre dos seus conterrâneos um melhor tratamento ao turista, em vez de criticar o viajante que foi vítima de maus tratos.

 

Quanto ao "castelo não ser castelo", isso é verdade. Não é um castelo completo, mas, sim, suas ruínas e nisso não houve nenhuma conotação pejorativa, é apenas uma constatação. Da mesma forma que quando falo sobre Roma ser bagunçada, não me refiro às ruínas, obviamente ! Falo de lixo no chão, motos avançando na calçada, motoristas usando buzina sem necessidade o tempo todo, enfim, falo de fatos. Será que há alguém que gosta disso ? Esse tipo de bagunça já existe no Rio de Janeiro e não me beneficio em nada de ver novamente quando viajo. O comentário sobre as ruínas foi comparativo com outros tipos de ruínas que tivemos a oportunidade de visitar. Vimos as de Pompeia e Herculano, preservadas o suficiente para que você tenha uma ideia de como foi o lugar original.

 

Em Roma por exemplo eu citei uma pessoa que nos tratou mal, mas foi exceção. Felizmente encontramos majoritariamente pessoas gentis, mesmo com a barreira de linguagem, ao contrário do que ocorreu em Lisboa.

 

Então, meu amigo (já sei, você vai dizer que não sou seu amigo), eis outra diferença cultural - vocês interpretam tudo de forma literal e se ofendem, levando para o lado pessoal. Não tenho raiva de todos os portugueses, não falei mal de Lisboa (na verdade, se você prestar bem atenção, eu falei bem da cidade). Apenas não gostei do tratamento de quase 100 % dos portugueses com quem tivemos contato.

 

A França tem fama de maus tratos aos turistas. Felizmente, não passamos por isso, mas muita gente passa e reclama. O que os franceses resolveram fazer ? Ao contrário de criticarem ainda mais os turistas que reclamam, lançaram cartilhas orientando como receber melhor seus convidados.

 

Por fim, deixo o relato do Seth Kugel, respeitado jornalista norte-americano, comparando a sua experiência pessoal com a experiência dos brasileiros em Portugal. Verá muitas "coincidências" do texto dele com o meu, seja pelo que ele passou, seja pelo que ele ouve outros brasileiros dizendo que passaram:

 

http://colunistas.ig.com.br/viagens/2012/01/18/o-que-os-brasileiros-me-ensinaram-sobre-portugal-e-a-realidade/

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Caro Marcos Pereira, longe de mim querer que você seja politicamente correto e não estou a cobrar nada em relação ao turista. É óbvio que eu acho que o turista deve ser bem tratado. Também não gosto nada de sorrisos falsos e gente que gosta de agradar a todos. Não é isso que está em causa.

 

Só me incomodou porque comecei a ler e você escreveu "sotaque horrível" e pareceu preconceito, tal como o que disse sobre Roma, e depois falou de superioridade alemã, pareceu que estava a dizer que o norte da Europa era bom e superior e o sul era mau e inferior... Já se sabe há mais de 50 anos que a superioridade alemã é falsa e não dá grandes resultados... ::cool:::'>

 

Em relação ao taxista, bem, xenofobia e igorância há em todo o lado, infelizmente. Aviso desde já que também não gosto muito de taxistas (raramente uso) e é mais do que sabido que gostam de enganar. Podia ter achado um taxista mais simpático que não cobrasse essa curta distância, ou que avisasse da mudança da bandeira, mas esta acaba por ser natural. Loures, efetivamente, não é Lisboa.

 

Em relação ao sentido literal e ofensa, quer dizer, acho que qualquer pessoa se senteria ofendido se eu também fizesse generalizações sobre outros povos. Acho que o você escreveu foi até bastante objetivo, quando disse que não éramos dados a banhos e por aí fora. Acho que pode ser emocional sem esse tipo de exageros.

 

Quanto ao texto de Seth Kugel, me parece que peca pelo erro de sempre, que é o do pre-conceito. Não perceber o português de Portugal, o fado, o bacalhau, o "não produzir nada", os velhos, ou seja, não compreende na essência o que é Portugal, porque só o tenta compreender numa certa perspetiva brasileira. Parece reduzir o país a uma dúzia de coisas muito gerais e sem grande lógica. Concluindo, nada sabe de Portugal.

 

Podia tentar perceber ao menos que em Portugal há muita forma de falar a língua e também há muitos regionalismos. Eu, por exemplo, não me custa nada entender o que os brasileiros falam. É muito mais difícil ouvir os açorianos falarem. Pela minha experiência, é tudo uma questão de hábito auditivo. Nós somos mais abertos à cultura brasileira do que o Brasil à cultura portuguesa. Repare que isso também é uma excelente prova contra a tão falada xenofobia: se fóssemos assim tão xenófobos, não podiamos gostar de novela. :lol:

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É que você citou tantas coisas no meu relato como sendo negativas (algumas injustas, coisas que eu falei de positivo e você classificou como negativas, como os comentários sobre a cidade em si), que pareceu que você estava ofendido com tudo. Quanto ao sotaque, há uma dose de exagero, é claro ... como disse, relatos são escritos com emoção e no caso particular da parte de Lisboa, estava mal humorado. O sotaque é apenas difícil de entender e isso é um fato, pois nós pronunciamos a palavra como um todo e vocês pronunciam pouco as vogais. Não leve muito a sério essa opinião sobre sotaques, pois nós no Brasil frequentemente comentamos um sobre o sotaque do outro. Os paulistas odeiam o sotaque carioca e vice-versa :). Mas não deixo de ter amigos paulistas por causa disso.

 

Acho que você se confundiu, não me lembro de ter falado sobre a Alemanha. Até mesmo porque não passamos pelo país. O que me lembro de ter dito é que fomos mais bem tratados na França e que achei o país em geral mais organizado do que a Itália. Uma mera impressão de viajante, só isso.

 

De fato, taxistas no mundo todo são famosos pelos problemas que causam aos turistas e os brasileiros não são exceção. O que me chamou a atenção não foi a mudança de tarifa, mas a forma que ele usou para se dirigir aos brasileiros: "aqui não é como o Brasil, aqui funciona". Mais preconceituoso, impossível. Lembre-se que somos ex-colônia de Portugal e pelo que parece alguns devem achar que ainda são metrópole.

 

O que parece generalização precisa ser entendido dentro de todo o contexto. Quando falo dos portugueses, é claro que não estou falando de todos os portugueses que existem no planeta. A referência é aos que fizeram parte da nossa experiência e se fiz extrapolações, novamente foi pela emoção do momento (escrevo relatos imediatamente após voltar de viagem). Mas reconheço que o comentário do banho pode incomodar, não se ofenda por isso.

 

Quanto ao Seth Kugel, sugiro também não levar para o lado pessoal. O estilo dele é parecido com o meu, direto, mais preocupado com o que quer transmitir do que querer agradar. Ele também tem um texto polêmico sobre brasileiros e não me senti ofendido por isso, tomei como uma crítica construtiva:

 

http://colunistas.ig.com.br/viagens/2011/07/27/seth-erros-edicao-especial-como-ser-brasileiro-mas-nao-demais-no-exterior/

 

Outros, se ofenderam. Ele ainda tem uma obrigação maior de ser politicamente correto e usar construções que não sejam interpretadas de forma negativa, pois é jornalista e vive do que escreve. Mas nós, meros participantes de um fórum, acho que podemos nos expressar da forma que mais nos convém. Em um fórum de viagens, ruim mesmo é não haver relato, é não compartilhar.

 

Paz, amigo :) (mesmo se você não me considerar um).

 

Abraços.

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Bem infelizmente a viagem do nosso amigo não saiu como o esperado (como já li em outro tópico), mas só divagando um pouco aqui...

 

O povo português inegavelmente é diferente do brasileiro. Isso para um viajante é muito bom, eu mesmo viajo menos pelo Brasil por 2 motivos, primeiro pelos preços abusivos praticados aqui e falta de estrutura (no geral), segundo é que conhecer culturas bem diferentes "abre" nossa mente.

 

Um ponto negativo é que nós viajantes já saímos daqui com esse tal pré-conceito, que pode ser um pré-conceito bom ou um verdadeiro preconceito. E quando se fala em Portugal então... só queria ajudar o debate aqui no sentido de que o português não tem "problema" somente com o brasileiro, engana-se quem acha que o "português médio" tem uma mente colonizadora ainda, isso é lenda. O grande problema foi a forte imigração principalmente de 1990 para cá, estes imigrantes, geralmente pessoas pouco qualificadas iam para funções que o povo português não mais tinha tanto interesse, como trabalhos na construção civil, vendedores, garçons, etc. Isso sem contar o número absurdo de prostitutas brasileiras que há em Portugal. Tudo isso contribuiu para uma imagem ruim dos brasileiros, que antes gozavam, ao meu ver, de status de um povo irmão (agora na crise esse sentimento tem voltado).

Não estou aqui para defender este preconceito, que de fato existe, mas que não é assim "gritante". Estou só querendo mostrar que quando existe é em relação a maioria dos estrangeiros e não somente aos brasileiros. Pior ainda é a situação dos europeus do leste e dos africanos, que por incrível que pareça, sofrem mais do que nós.

 

Agora infelizmente casos como esse do taxista existem, comigo nunca aconteceu em nenhuma viagem a nenhum país, com exceção de de Angola, onde vivi durante 3 anos. Só que isso não deveria estragar a viagem, e de fato me parece que não estragou, mas já ajudou o Marcos a ter um sentimento pior desta parte da Lua de Mel.

 

Outro ponto, aí é por desconhecimento mesmo, é que Portugal não é um país sem graça, como acham uma boa parte dos brasileiros. É um país excelente para o turismo, inclusive por diversas vezes os próprios europeus o elegem como destino do ano. Interessante isto não? Pessoas que vivem em Paris, Londres, Estocolmo, etc...elegerem Portugal como destino ideal. Lógico que tem lá seus exageros, mas para quem conhece uma pouco mais do país logo percebe-se que há alguma verdade nisso. Locomover-se no geral é muito fácil, hospedar-se então quase sempre é bom. Atrações não faltam, de neve e ski (sim há!) a praias com as maiores ondas do mundo! De viagens gastronômicas a ruínas romanas, Portugal tem um pouco de tudo.

 

Só que viagem é muito de gosto e este tal pré-conceito que nos segue. Difícil mudarmos as impressões que temos das páginas de revistas quando visitamos Paris e verificamos que aquela cidade na verdade é muito mais do que pensamos, e Portugal.... bem é aquele pequeno país, quase pertencente a Espanha onde tem um povo burro e mal-educado. Até chegar lar e ver... só fazendo uma observação, eu n sei a população de Paris por exemplo, mas Lisboa salvo engano está em torno de 600 mil habitantes, e mesmo assim consegue ter um sistema de metro dos melhores que já usei. Perde em pontualidade, claro, para o de Londres, porém ganha em limpeza e beleza fácil. As estações mais novas são uma obra-de-arte. Só que isso ninguém comenta, simplesmente porque é Portugal...aquele tal país....

 

Vejo muito dessa injustiça com nosso hermanos vizinhos. Vejo "doutores do saber" que nunca saíram de sua vizinhança falarem mal dos argentinos. Dizem que são uns metidos, sem educação, chatos.... quando na verdade deveriam e lar e vê, só isso.... o argentino é um povo fantástico e ao contrário dessa "raiva" infundada que os brasileiros têm (muita culpa disso tem o Galvão Bueno rssss), nos adoram e somos muito bem tratados quando lá estamos.

 

Marcos, essa crítica não foi pra você, pelo contrário é muito bem vindo os relatos que só nos enriquecem. A crítica é para o povo em geral, não defendo apenas Portugal, só sou contra "imagens" montadas de lugares que nem mesmo conhecemos.

 

E para deixar claro aqui, não sou português nem tenho nenhum laço familiar, acho que nem de 5º geração rs... apenas fui lá e vi...e gostei.

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Sem problemas, Filipe. No meu caso, fui sem nenhum pré-conceito. Grosseria eu esperava dos parisienses, ou dos portenhos, como dizem por aí. Portugal sequer era o destino que queríamos visitar, só entrou Lisboa no roteiro porque o stopover pela TAP era gratuito e aproveitamos para conhecer a cidade. O caso do taxista foi só um exemplo ... tivemos vários problemas, não foram um, ou dois, mesmo sendo educados com todos com quem interagimos. Não vimos isso na França, na Itália, no Uruguai, no Chile, nem mesmo na Argentina. Por que isso, não sei, talvez seja a crise, ou simplesmente azar ... só sei que para lá não voltaremos mais. O mundo é muito grande para eu voltar a um lugar em que nos receberam mal.

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Oi Marcos

 

Tenho usado muito seu relato para viagem que pretendo fazer, mas tenho uma dúvida:

Porque você optou ir de Veneza para Roma e depois voltou para Florença, não poderia a partir de Veneza ir para Florença, Costa Amalfitana, e então ir de Roma para Paris?

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Oi, ldauer.

 

De Roma para Paris eu teria que ir de avião e minha ideia era usar o trem o máximo possível, por ser um excelente meio de transporte, sem a frescura dos aeroportos. Só o tempo que a gente perde se deslocando até aeroporto (quase sempre são afastados dos centros), esperando o embarque, esperando as malas, se deslocando da periferia onde está o aeroporto até o hotel de destino, bote isso no papel e em muitos casos o que parecia rapidinho de avião acaba sendo muito demorado e chato. Então Florença ficou depois de Roma porque de Florença eu iria a Cinque Terre. De Cinque Terre iria para Milão. De Milão iria para Paris. Tudo de trem.

 

Mas você faz bem de perguntar. Esse roteiro tem falhas que hoje eu repito para as pessoas não cometerem, pois agora eu tenho consideravelmente mais experiência em fazer roteiros. Uma delas é comprar passagem ou hospedagem antes de ter o roteiro 100 % fechado. Então a hospedagem de Roma eu já tinha fechado e não podia mudar mais, por ser não-reembolsável. Tive que ajeitar todo o roteiro considerando isso. Se eu pudesse voltar no tempo, teria buscado ir de Lisboa para Nápoles, ou ao menos de Lisboa a Roma. Aí conheceria o sul e subiria toda a Itália até chegar em Paris. Como isso não foi possível, eu desci e subi a Itália toda ! Fui de Veneza a Nápoles e de Nápoles a Milão. Graças aos trens de alta velocidade, isso não foi muito problemático. Mas se puder evitar, evite.

 

Outra falha é que eu fui de Veneza a Roma de avião, quando teria sido MUITO melhor ir de trem. Isso aconteceu porque, como disse, logo assim que tivemos a ideia de viajar nos precipitamos e fechamos algumas coisas, seja por medo de aumentarem os preços, seja porque simplesmente o roteiro não estava maduro o suficiente e ignoramos isso. Então todo aquele raciocínio do trem, que falei acima, eu só fui ter conforme fui me aprofundando nas pesquisas. Aí quando parei pra pensar que aqueles 40 min de vôo se transformariam em horas de espera no aeroporto, espera por mala, enfim, tudo aquilo que falei acima, o trem teria sido mais barato e mais eficiente. E de fato foi o que aconteceu. Peguei um vôo bem cedo de Veneza pra Roma que nos fez acordar de madrugada e chegamos muito detonados em Roma, o que nos obrigou a tirar boa parte do dia para descansar. Mesmo que o trem fosse cedo, nas 3h de trem eu teria vindo dormindo. Melhor ainda, teria pego o trem na noite anterior, para chegar em Roma só para dormir.

 

O melhor do fórum é isso, você aprende não só dicas, mas também com os erros dos outros. Se tivesse lido sobre isso antes da viagem, teria aproveitado mais e gastado menos.

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