A minha viagem ao Monte Roraima concretizou-se agora entre os dias 7/12/2011 e 23/12/2011. Tomei conhecimento do local há mais ou menos 10 anos, quando meu amigo George Flushing, venezuelano, me enviou algumas fotos da sua viagem para lá.
Aproveitei o grande deslocamento [a partir de Salvador] para conhecer também o famoso Salto Angel e a capital do Estado de Roraima, Boa Vista.
Consegui formar um grupo de 4 para a trip [Luis, Aureni, Ademir e eu], todos de Salvador.
Este relato se restringirá ao Monte Roraima. Quanto ao Salto Angel e Boa Vista, postarei em breve.
O Monte Roraima, no Brasil, faz parte do Parque Nacional do Monte Roraima, criado no ano de 1989; já na Venezuela, encontra-se dentro do Parque Nacional Canaima, com aproximadamente 4 milhões de hectares, é considerado o maior Parque Nacional da Venezuela.
Sair de Salvador para a Região Norte é uma verdadeira Via Crucis, já que não há voos diretos para nenhuma cidade da região. A ida foi pela Gol [com milhas] por volta das 18h do dia 7/12, com conexão em Brasília + escala em Manaus para, finalmente, chegar a Boa Vista por volta de 1 da madruga, já do dia seguinte [horário local, cujo fuso é de duas horas a menos em relação a Brasília]. Como saí de casa por volta das 15h30min, contabilizei um total de quase 12 horas envolvido com o deslocamento.
O aeroporto de Boa Vista é muito próximo do centro da cidade, porém, apesar desta curta distância, o valor da tarifa do táxi normal é de R$30,00 [valor fixo da zona].
Resolvemos dormir em Boa Vista para, só às 10h do dia 8/12, seguirmos para Santa Elena de Uairén. Ficamos no Hotel Barrudada [tel. (95) 2121-1700], que por sinal foi muito bom [excelente café da manhã] = R$120,00 quarto duplo. Para quem quiser economizar, há a opção do Hotel Ideal, cuja tarifa é de R$60,00 para duas pessoas.
No dia 8/12, conforme combinado, chegou o nosso taxista [Rivaldo – tel.: (95) 9115-3190]. Consegui este contato, se eu não estou enganado, aqui mesmo no site mochileiros. Cobrou-nos R$150,00 até Santa Elena [R$37,50 pp]. Como tínhamos 4 grandes mochilas cargueiras, o carro do Rivaldo que era amplo e com ar-condicionado, tornou a viagem de 230km até Santa Elena bastante confortável.
Chegando à fronteira, carimbamos o passaporte tanto na saída do Brasil quanto na entrada na Venezuela e seguimos finalmente já em terras do Senhor Hugo Chávez.
A cidade de Santa Elena, segundo o taxista, fica a +-17 Km do posto de fronteira.
Por volta das 13h já estávamos na Agência do Sr. Roberto Marreto [MYSTIC TOUR – TEL.: (58) (289) 4160558 OU 4160686 – http://www.mystictours.com.ve] para acertarmos os detalhes finais da viagem. Esta Agência se mostrou muito profissional durante todas as fases da viagem [cotação de preços, dúvidas que surgiam etc]. Inclusive, mesmo quando solicitava esclarecimento de alguma dúvida desde o Brasil, sempre respondia com celeridade e de forma detalhada.
O valor combinado para o trekking ao Monte Roraima [8 DIAS] foi de BsF 3.640,00 [com um câmbio de 1 Real = 4,6 BsF] = R$791,30. Este valor, se comparado às agências do Brasil, é bastante convidativo.
Às 18h, no briefing [santa Elena possui fuso de 30min a menos em relação a Boa Vista], descobrimos que o nosso grupo de 4 acabava de ganhar mais 2 membros – Anselmo e Danilo, ambos de São Paulo.
Como o trekking só se iniciou no dia seguinte [9/12], procuramos um local para dormir. Inicialmente fomos ao Hotel Michelli, porém, apesar do baixo custo [R$45,00 para duas pessoas], não ficamos, pois o único quarto disponível não nos agradou. Escolhemos, então, a Pousada L' Auberge – tel.: (58) (0289) 995-1567 ou (58)(0416) 628-0836 – http://www.lauberge.net [ar-condicionado, quartos limpos etc], que saiu por R$72,00 para duas pessoas sem café da manhã]. O dono da pousada foi bastante gentil e a estada foi muito prazerosa.
Acordamos cedo e tomamos café numa padaria com bastantes opções [fica bem no centro da cidade e é bastante conhecida e frequentada por brasileiros].
Turisticamente, a cidade de Santa Elena é desprezível.
1º DIA:
O início do trekking se dá na Comunidade Indígena de Paraitepuy [ +-87km de Santa Elena de Uairen, sendo 65km de estrada asfaltada e os 22km restantes de terra].
A chegada à Comunidade já nos sinaliza o quão especial será o trekking. Lá fazemos o registro de entrada no Parque com a apresentação dos passaportes; também se contratam os porteadores [carregadores] que não foram fornecidos pelas agências para as pessoas que optarem em pagar por este serviço adicional [ custo em dezembro/2011: BsF 200,00 por dia OU +- R$ 44,00 por dia].
Realizados os trâmites com todos do grupo, pisamos rumo ao primeiro acampamento [Rio Tek]. Neste dia, o visual é o mais singelo, porém também interessante. A nossa frente, sempre os imponentes Montes Roraima e Kukenán. Olhando para trás, visualizamos a Gran Savana se agigantando.
Como iniciamos a caminhada apenas por volta das 12h, só chegamos ao acampamento às 17h.
O trajeto de 13km pode ser vencido entre 4 e 5 horas de caminhada, com pausas para fotos, descansos e alimentação. São poucas subidas. Grau de dificuldade do dia = BAIXO
Ao chegarmos, o primeiro que fizemos foi cairmos no Rio Tek para um bom banho.
Para a nossa sorte, nesta noite a lua estava cheia e rendeu esta bela foto.
A lua nascendo por trás do Monte Roraima.
Jantamos uma bela macarronada feita pelo guia Roberto, que por sinal estava fantástica.
Fiquei impressionado com o vigor da turma que nos levou. Além de carregaram mais peso que todos [barracas, alimentação etc], chegavam aos acampamentos e iam direto para preparar o rango da galera. Haja disposição.
Como não tinha o que se fazer no acampamento, o sono vinha cedo [sempre antes das 20h].
2º DIA:
Foi tranquilo.
São +-10km [4,5 horas de caminhada] até o acampamento base [próximo ao grande paredão]. Poucas subidas marcaram este dia. Aqui estamos a 1.870m.
O legal deste dia é que o imponente Monte Roraima está cada vez mais perto; por outro lado, também se aproxima a grande subida [ Paso de las Lágrimas], que é a mais temida pelos trekkers.
Amanhecer no acamapamento do Rio Tek:
Fotos do dia antes de chegar ao acampamento base:
Chegando ao acampamento, caiu um pé d’água violento. Coisa rápida, comum na região.
Quando o cenário abriu, foi possível contemplar as belas vistas do local: de frente, a muralha do Monte Roraima; à esquerda o Salto Kukenán, com seus 610 metros [5ª maior do mundo], se mostrava espetacular com o grande volume de água que se formou após a chuva.
3º DIA:
Este foi o grande dia: a conquista do cume. O 2º mais difícil na minha opinião. Foram apenas 4 km [medidos pelo GPS do Danilo], vencidos em quase 4 horas [em média se faz em 5 horas], com um desnível de 930m.
Realmente foi punk, principalmente quando temos de passar pelo Paso de Las Lágrimas, vencendo inclinações de até 65º, pedras soltas e escorregadias, uma queda d’ água no meio do caminho para aumentar ainda mais a adrenalina neste trecho etc.
Paso de Las Lágrimas [tente localizar um grupo subindo]:
Passado o “perigo”, finalmente chegamos ao cume do Monte.
A primeira visão foi de arrepiar: formações rochosas incríveis que nos obrigavam a viajar num mundo cheio de visões inéditas; jardins com flores, pequenos arbustos avermelhados [floresta de Bonnetias] etc. Caminhamos mais uns 15min para conhecermos o nosso primeiro “Hotel” – São Fransciso. Era bastante pequeno, porém confortável. Pelo que vi, para quem valoriza uma bela vista, o melhor hotel no topo é o Índio, que possibilita apreciar a Gran Savana, o Monte Kukenán e o belo pôr-do-sol. A escolha do hotel, pelo que eu entendi, é feita na Comunidade Paraitepuy [início do treking]. O Hotel Índio ficou nesta noite com uma galera da Suíça e da Austrália.
Caminhando no topo rumo ao Hotel são Francisco fui recepcionado pelo ilustre morador do local, o Sr. Oreophrynella Quelchii – sapinho preto do tamanho de 1/3 de um dedo indicador adulto.
Neste dia, dei uma volta rápida para ver o pôr-do-sol e tirar algumas fotos.
No topo, um dos problemas é o banho. Como encarar a água gelada num ambiente também gelado?
Outro problema para este primeiro dia no topo é a água para beber. Não há rios, apenas alguns pequenos lagos. Esta carência é minimizada quando seguimos para outras regiões do topo [Ex. Sentido norte]. Do nosso grupo, três tiveram diarréia, e um outro, após o 11º dia de contato com a água da região, apresentou sintomas relacionados com vermes.
4º DIA:
O destino era chegar ao Hotel Coati [ficamos duas noites], já no lado brasileiro. A caminhada é de aproximadamente 13km, sendo vencida em torno de 5 horas, com paradas para descanso e fotos.
Durante o trajeto, passamos por lugares incríveis. Um show de pedras esculpidas e o belo Vale dos Cristais.
Neste dia, vivenciamos momentos de muito sol e de muita névoa, dando ao ambiente o ar misterioso que predomina na região.
Após o almoço, já no Hotel Coati, fomos até a um mirante que nos permite apreciar o Monte Roraiminha e parte da floresta da Guiana [+-1,5km, ida e volta]. Espetacular!!! Demos sorte, pois na hora o céu estava azul, com algumas nuvens, que deixaram o paraíso ainda mais grandioso.
E o belo pôr-do-sol [formações rochosas da Tríplice Fronteira]:
De todos os hotéis que ficamos, o Hotel Coati foi o mais confortável.
Foto dentro do Hotel:
Arredores do Hotel Coati:
5º DIA:
Era para mim um dia muito especial, pois iria estar frente a frente com o lendário Lago Gladys, que fica na Guiana Inglesa.
Saímos cedo para concluirmos o trajeto de apenas 5,5km até o lago [11km ida e volta]. O dia amanheceu bastante ensolarado, mas em pouco tempo, o “russo” chegou forte, tornando a caminhada mais lenta e mais perigosa, já que a cerração faz com que as pedras fiquem bastante escorregadias.
Passamos numa área muito bonita, cheia de pequenos arbustos avermelhados [Floresta de Bonnetias] antes de chegarmos ao Lago. Tentamos também apreciar o abismo da Guiana, mas, infelizmente, não demos sorte, pois tudo estava fechado. Fica para a próxima.....
Chegando ao Lago, o tempo continuou fechado, mas, por questão de alguns segundos, conseguimos vê-lo... O lugar realmente é incrível... transmite a essência do Monte Roraima, que é nos sentirmos num mundo muito distante, cercado de mistérios, silêncio e, sem dúvida, de muita paz espiritual... Valeu demais!!
Lago Gladys:
Floresta de Bonnetias [várias foram vistas no trajeto até o Lago gladys]:
A poucos metros do local, fomos ver os destroços de um helicóptero da Rede Globo que caiu por lá há alguns anos. Esta parte do Monte é considerada de difícil acesso por via aérea, segundo Roberto Marrero, dono da Mystic Tours, em função das correntes de ventos que se formam. Nós, inclusive, mostramos interesse em irmos até a Proa, mas não foi possível...
Retorno ao Hotel Coati:
6º DIA:
Seguimos para o Hotel Índio [ 13km de caminhada até o hotel + 4km Jakuzzis e Ventana] = 17km].
Saímos cedo, por volta das 7h30min, e seguimos rumo à Fronteira Tríplice. Em menos de 40 min já estávamos diante das belas formações do local.
Mais uma hora de caminhada chegamos ao El Fosso, que mostra a queda de um rio dentro de um buraco, formando uma bela cachoeira.
Antes da chegada ao Hotel Índio:
Por já ser o sexto dia do trekking, alguns colegas do grupo se mostravam cansados ao ponto de 2 deles desistirem de caminhar mais 4 km [ida e volta] a partir do Hotel Índio para conhecer 3 grandes atrações do Monte: Abismo, La Ventada e os Jakuzzi.
Valeu cada pernada... Inicialmente, passamos pelos Jakuzzis [poços de água que se formaram dentro do rio que corta o local]; depois seguimos para apreciar o abismo... Ao chegarmos ao local, o tempo fechou geral, não dando qualquer chance de se ver nada. Mas, como tínhamos tempo de sobra, esperamos a boa vontade da mãe natureza. Nada. Pelo contrário, caiu um pé d’ água violento... Nos acomodamos debaixo de uma pedra já próximos à Ventana e ficamos aguardando o tempo melhorar. Da mesma forma que a chuva veio, surgiu um belo arco-iris e o tempo abriu, nos proporcionando um dos grandes espetáculos do Monte Roraima: a vista para o Monte Kukenán, repleto de cachoeiras.... sem comentários.. Ficamos lá paralisados para apreciarmos a grandiosidade do lugar.
Jakuzzi:
Região da Ventana:
Região do Abismo:
Vista do Pôr-do-sol a partir do Hotel Índio:
7º DIA:
Este sim, foi para mim o dia mais cansativo. Tivemos de enfrentar a descida de 4km [alguns dizem que são 6km] até o acampamento base. De lá, após o almoço, mais 10km até o Rio Tek, onde dormimos na primeira noite, totalizando, neste dia, pelo menos 14km...
Monte Kukenán visto do Hotel Índio [primeiras horas do dia]:
Descida do Paso de Las Lágrimas:
Chegando ao acampamento, todos mortos, jantamos e fomos dormir...
8º DIA:
[ Foram mais 13km]
Neste dia, restava apenas nos despedirmos do local e agradecer a Deus por nos ter proporcionado momentos tão especiais... Ao caminhar, de vez em quando, dávamos uma olhada para trás, sentindo que, aos poucos, perdíamos a vista do grande Monte Roraima.
RESUMOS:
I. DISTÂNCIAS PERCORRIDAS:
1º dia = 13km
2º dia = 10km
3º dia = 4km [pura subida]
4º dia = 13km
5º dia = 11km
6º dia = 17km
7º dia = 14km
8º dia = 13km
Mirante Roraiminha = 3km [fui duas vezes]
TOTAL DO TREKKING = 98km
II. DETALHES FINAIS:
1º os puri-puris: são mesmo terríveis. Não respeitam nada. Parece que não há repelente no mercado capaz de inibir a ação dos danados. A trégua só é dada no topo;
2º banho no topo: difícil demais encarar as águas geladas;
3º dormida no Hotel Índio: compensa a vista e a “arquitetura” do lugar, mas o terreno para dormir foi o mais ondulado. Nem mesmo usando o isolante térmico inflável da THERMAREST [Pro Plus REC 18634778]] consegui dormir bem;
4º. cuidado com a bateria das câmeras: como não há como recarregá-las, leve reserva e economize um pouco nos dois primeiros dias. Quando chegarem ao topo vão entender o porquê;
5º. confirmo o que falaram alguns colegas: para curtir bem o Monte Roraima, de fato necessitamos de, no mínimo, 4 noites no topo, totalizando 8 dias de trekking.
6º. se você pensar em não usar mais algum item que levou consigo para a viagem e não tiver um destino certo, a doação aos indígenas é muito bem vinda;
7º. para o bem de todos [viajante e moradores da região], as regras do Parque Nacional, quanto ao fazer o nº 2, devem ser respeitadas rigorosamente, pois no topo, devido à escassez de solo, há grande risco de as fezes contaminarem os lagos e riachos. Síntese: as fezes devem ser transportadas do topo para a cidade. Para facilitar, adicione cal ao “chocolate”.
8º lembre-se que a vacinação contra a febre amarela para entrar na Venezuela é obrigatória [até 10 dias antes de entrar no país];
9º. para quem quer fazer o Salto Angel, dezembro me pareceu um excelente mês para combinar as duas viagens – pouca chuva no Monte Roraima e água suficiente na queda para ver o espetáculo e curtir uma viagem de canoa de 4 horas cheia de adrenalina;
10º. para quem for viajar pelo interior da Venezuela, prepare-se para ser parado diversas vezes pela guarda nacional para ser interrogado.
A minha viagem ao Monte Roraima concretizou-se agora entre os dias 7/12/2011 e 23/12/2011. Tomei conhecimento do local há mais ou menos 10 anos, quando meu amigo George Flushing, venezuelano, me enviou algumas fotos da sua viagem para lá.
Aproveitei o grande deslocamento [a partir de Salvador] para conhecer também o famoso Salto Angel e a capital do Estado de Roraima, Boa Vista.
Consegui formar um grupo de 4 para a trip [Luis, Aureni, Ademir e eu], todos de Salvador.
Este relato se restringirá ao Monte Roraima. Quanto ao Salto Angel e Boa Vista, postarei em breve.
O Monte Roraima, no Brasil, faz parte do Parque Nacional do Monte Roraima, criado no ano de 1989; já na Venezuela, encontra-se dentro do Parque Nacional Canaima, com aproximadamente 4 milhões de hectares, é considerado o maior Parque Nacional da Venezuela.
Sair de Salvador para a Região Norte é uma verdadeira Via Crucis, já que não há voos diretos para nenhuma cidade da região. A ida foi pela Gol [com milhas] por volta das 18h do dia 7/12, com conexão em Brasília + escala em Manaus para, finalmente, chegar a Boa Vista por volta de 1 da madruga, já do dia seguinte [horário local, cujo fuso é de duas horas a menos em relação a Brasília]. Como saí de casa por volta das 15h30min, contabilizei um total de quase 12 horas envolvido com o deslocamento.
O aeroporto de Boa Vista é muito próximo do centro da cidade, porém, apesar desta curta distância, o valor da tarifa do táxi normal é de R$30,00 [valor fixo da zona].
Resolvemos dormir em Boa Vista para, só às 10h do dia 8/12, seguirmos para Santa Elena de Uairén. Ficamos no Hotel Barrudada [tel. (95) 2121-1700], que por sinal foi muito bom [excelente café da manhã] = R$120,00 quarto duplo. Para quem quiser economizar, há a opção do Hotel Ideal, cuja tarifa é de R$60,00 para duas pessoas.
No dia 8/12, conforme combinado, chegou o nosso taxista [Rivaldo – tel.: (95) 9115-3190]. Consegui este contato, se eu não estou enganado, aqui mesmo no site mochileiros. Cobrou-nos R$150,00 até Santa Elena [R$37,50 pp]. Como tínhamos 4 grandes mochilas cargueiras, o carro do Rivaldo que era amplo e com ar-condicionado, tornou a viagem de 230km até Santa Elena bastante confortável.
Chegando à fronteira, carimbamos o passaporte tanto na saída do Brasil quanto na entrada na Venezuela e seguimos finalmente já em terras do Senhor Hugo Chávez.
A cidade de Santa Elena, segundo o taxista, fica a +-17 Km do posto de fronteira.
Por volta das 13h já estávamos na Agência do Sr. Roberto Marreto [MYSTIC TOUR – TEL.: (58) (289) 4160558 OU 4160686 – http://www.mystictours.com.ve] para acertarmos os detalhes finais da viagem. Esta Agência se mostrou muito profissional durante todas as fases da viagem [cotação de preços, dúvidas que surgiam etc]. Inclusive, mesmo quando solicitava esclarecimento de alguma dúvida desde o Brasil, sempre respondia com celeridade e de forma detalhada.
O valor combinado para o trekking ao Monte Roraima [8 DIAS] foi de BsF 3.640,00 [com um câmbio de 1 Real = 4,6 BsF] = R$791,30. Este valor, se comparado às agências do Brasil, é bastante convidativo.
Às 18h, no briefing [santa Elena possui fuso de 30min a menos em relação a Boa Vista], descobrimos que o nosso grupo de 4 acabava de ganhar mais 2 membros – Anselmo e Danilo, ambos de São Paulo.
Como o trekking só se iniciou no dia seguinte [9/12], procuramos um local para dormir. Inicialmente fomos ao Hotel Michelli, porém, apesar do baixo custo [R$45,00 para duas pessoas], não ficamos, pois o único quarto disponível não nos agradou. Escolhemos, então, a Pousada L' Auberge – tel.: (58) (0289) 995-1567 ou (58)(0416) 628-0836 – http://www.lauberge.net [ar-condicionado, quartos limpos etc], que saiu por R$72,00 para duas pessoas sem café da manhã]. O dono da pousada foi bastante gentil e a estada foi muito prazerosa.
Acordamos cedo e tomamos café numa padaria com bastantes opções [fica bem no centro da cidade e é bastante conhecida e frequentada por brasileiros].
Turisticamente, a cidade de Santa Elena é desprezível.
1º DIA:
O início do trekking se dá na Comunidade Indígena de Paraitepuy [ +-87km de Santa Elena de Uairen, sendo 65km de estrada asfaltada e os 22km restantes de terra].
A chegada à Comunidade já nos sinaliza o quão especial será o trekking. Lá fazemos o registro de entrada no Parque com a apresentação dos passaportes; também se contratam os porteadores [carregadores] que não foram fornecidos pelas agências para as pessoas que optarem em pagar por este serviço adicional [ custo em dezembro/2011: BsF 200,00 por dia OU +- R$ 44,00 por dia].
Realizados os trâmites com todos do grupo, pisamos rumo ao primeiro acampamento [Rio Tek]. Neste dia, o visual é o mais singelo, porém também interessante. A nossa frente, sempre os imponentes Montes Roraima e Kukenán. Olhando para trás, visualizamos a Gran Savana se agigantando.
Como iniciamos a caminhada apenas por volta das 12h, só chegamos ao acampamento às 17h.
O trajeto de 13km pode ser vencido entre 4 e 5 horas de caminhada, com pausas para fotos, descansos e alimentação. São poucas subidas. Grau de dificuldade do dia = BAIXO
Ao chegarmos, o primeiro que fizemos foi cairmos no Rio Tek para um bom banho.
Para a nossa sorte, nesta noite a lua estava cheia e rendeu esta bela foto.
A lua nascendo por trás do Monte Roraima.
Jantamos uma bela macarronada feita pelo guia Roberto, que por sinal estava fantástica.
Fiquei impressionado com o vigor da turma que nos levou. Além de carregaram mais peso que todos [barracas, alimentação etc], chegavam aos acampamentos e iam direto para preparar o rango da galera. Haja disposição.
Como não tinha o que se fazer no acampamento, o sono vinha cedo [sempre antes das 20h].
2º DIA:
Foi tranquilo.
São +-10km [4,5 horas de caminhada] até o acampamento base [próximo ao grande paredão]. Poucas subidas marcaram este dia. Aqui estamos a 1.870m.
O legal deste dia é que o imponente Monte Roraima está cada vez mais perto; por outro lado, também se aproxima a grande subida [ Paso de las Lágrimas], que é a mais temida pelos trekkers.
Amanhecer no acamapamento do Rio Tek:
Fotos do dia antes de chegar ao acampamento base:
Chegando ao acampamento, caiu um pé d’água violento. Coisa rápida, comum na região.
Quando o cenário abriu, foi possível contemplar as belas vistas do local: de frente, a muralha do Monte Roraima; à esquerda o Salto Kukenán, com seus 610 metros [5ª maior do mundo], se mostrava espetacular com o grande volume de água que se formou após a chuva.
3º DIA:
Este foi o grande dia: a conquista do cume. O 2º mais difícil na minha opinião. Foram apenas 4 km [medidos pelo GPS do Danilo], vencidos em quase 4 horas [em média se faz em 5 horas], com um desnível de 930m.
Realmente foi punk, principalmente quando temos de passar pelo Paso de Las Lágrimas, vencendo inclinações de até 65º, pedras soltas e escorregadias, uma queda d’ água no meio do caminho para aumentar ainda mais a adrenalina neste trecho etc.
Paso de Las Lágrimas [tente localizar um grupo subindo]:
Passado o “perigo”, finalmente chegamos ao cume do Monte.
A primeira visão foi de arrepiar: formações rochosas incríveis que nos obrigavam a viajar num mundo cheio de visões inéditas; jardins com flores, pequenos arbustos avermelhados [floresta de Bonnetias] etc. Caminhamos mais uns 15min para conhecermos o nosso primeiro “Hotel” – São Fransciso. Era bastante pequeno, porém confortável. Pelo que vi, para quem valoriza uma bela vista, o melhor hotel no topo é o Índio, que possibilita apreciar a Gran Savana, o Monte Kukenán e o belo pôr-do-sol. A escolha do hotel, pelo que eu entendi, é feita na Comunidade Paraitepuy [início do treking]. O Hotel Índio ficou nesta noite com uma galera da Suíça e da Austrália.
Caminhando no topo rumo ao Hotel são Francisco fui recepcionado pelo ilustre morador do local, o Sr. Oreophrynella Quelchii – sapinho preto do tamanho de 1/3 de um dedo indicador adulto.
Neste dia, dei uma volta rápida para ver o pôr-do-sol e tirar algumas fotos.
No topo, um dos problemas é o banho. Como encarar a água gelada num ambiente também gelado?
Outro problema para este primeiro dia no topo é a água para beber. Não há rios, apenas alguns pequenos lagos. Esta carência é minimizada quando seguimos para outras regiões do topo [Ex. Sentido norte]. Do nosso grupo, três tiveram diarréia, e um outro, após o 11º dia de contato com a água da região, apresentou sintomas relacionados com vermes.
4º DIA:
O destino era chegar ao Hotel Coati [ficamos duas noites], já no lado brasileiro. A caminhada é de aproximadamente 13km, sendo vencida em torno de 5 horas, com paradas para descanso e fotos.
Durante o trajeto, passamos por lugares incríveis. Um show de pedras esculpidas e o belo Vale dos Cristais.
Neste dia, vivenciamos momentos de muito sol e de muita névoa, dando ao ambiente o ar misterioso que predomina na região.
Após o almoço, já no Hotel Coati, fomos até a um mirante que nos permite apreciar o Monte Roraiminha e parte da floresta da Guiana [+-1,5km, ida e volta]. Espetacular!!! Demos sorte, pois na hora o céu estava azul, com algumas nuvens, que deixaram o paraíso ainda mais grandioso.
E o belo pôr-do-sol [formações rochosas da Tríplice Fronteira]:
De todos os hotéis que ficamos, o Hotel Coati foi o mais confortável.
Foto dentro do Hotel:
Arredores do Hotel Coati:
5º DIA:
Era para mim um dia muito especial, pois iria estar frente a frente com o lendário Lago Gladys, que fica na Guiana Inglesa.
Saímos cedo para concluirmos o trajeto de apenas 5,5km até o lago [11km ida e volta]. O dia amanheceu bastante ensolarado, mas em pouco tempo, o “russo” chegou forte, tornando a caminhada mais lenta e mais perigosa, já que a cerração faz com que as pedras fiquem bastante escorregadias.
Passamos numa área muito bonita, cheia de pequenos arbustos avermelhados [Floresta de Bonnetias] antes de chegarmos ao Lago. Tentamos também apreciar o abismo da Guiana, mas, infelizmente, não demos sorte, pois tudo estava fechado. Fica para a próxima.....
Chegando ao Lago, o tempo continuou fechado, mas, por questão de alguns segundos, conseguimos vê-lo... O lugar realmente é incrível... transmite a essência do Monte Roraima, que é nos sentirmos num mundo muito distante, cercado de mistérios, silêncio e, sem dúvida, de muita paz espiritual... Valeu demais!!
Lago Gladys:
Floresta de Bonnetias [várias foram vistas no trajeto até o Lago gladys]:
A poucos metros do local, fomos ver os destroços de um helicóptero da Rede Globo que caiu por lá há alguns anos. Esta parte do Monte é considerada de difícil acesso por via aérea, segundo Roberto Marrero, dono da Mystic Tours, em função das correntes de ventos que se formam. Nós, inclusive, mostramos interesse em irmos até a Proa, mas não foi possível...
Retorno ao Hotel Coati:
6º DIA:
Seguimos para o Hotel Índio [ 13km de caminhada até o hotel + 4km Jakuzzis e Ventana] = 17km].
Saímos cedo, por volta das 7h30min, e seguimos rumo à Fronteira Tríplice. Em menos de 40 min já estávamos diante das belas formações do local.
Mais uma hora de caminhada chegamos ao El Fosso, que mostra a queda de um rio dentro de um buraco, formando uma bela cachoeira.
Antes da chegada ao Hotel Índio:
Por já ser o sexto dia do trekking, alguns colegas do grupo se mostravam cansados ao ponto de 2 deles desistirem de caminhar mais 4 km [ida e volta] a partir do Hotel Índio para conhecer 3 grandes atrações do Monte: Abismo, La Ventada e os Jakuzzi.
Valeu cada pernada... Inicialmente, passamos pelos Jakuzzis [poços de água que se formaram dentro do rio que corta o local]; depois seguimos para apreciar o abismo... Ao chegarmos ao local, o tempo fechou geral, não dando qualquer chance de se ver nada. Mas, como tínhamos tempo de sobra, esperamos a boa vontade da mãe natureza. Nada. Pelo contrário, caiu um pé d’ água violento... Nos acomodamos debaixo de uma pedra já próximos à Ventana e ficamos aguardando o tempo melhorar. Da mesma forma que a chuva veio, surgiu um belo arco-iris e o tempo abriu, nos proporcionando um dos grandes espetáculos do Monte Roraima: a vista para o Monte Kukenán, repleto de cachoeiras.... sem comentários.. Ficamos lá paralisados para apreciarmos a grandiosidade do lugar.
Jakuzzi:
Região da Ventana:
Região do Abismo:
Vista do Pôr-do-sol a partir do Hotel Índio:
7º DIA:
Este sim, foi para mim o dia mais cansativo. Tivemos de enfrentar a descida de 4km [alguns dizem que são 6km] até o acampamento base. De lá, após o almoço, mais 10km até o Rio Tek, onde dormimos na primeira noite, totalizando, neste dia, pelo menos 14km...
Monte Kukenán visto do Hotel Índio [primeiras horas do dia]:
Descida do Paso de Las Lágrimas:
Chegando ao acampamento, todos mortos, jantamos e fomos dormir...
8º DIA:
[ Foram mais 13km]
Neste dia, restava apenas nos despedirmos do local e agradecer a Deus por nos ter proporcionado momentos tão especiais... Ao caminhar, de vez em quando, dávamos uma olhada para trás, sentindo que, aos poucos, perdíamos a vista do grande Monte Roraima.
RESUMOS:
I. DISTÂNCIAS PERCORRIDAS:
1º dia = 13km
2º dia = 10km
3º dia = 4km [pura subida]
4º dia = 13km
5º dia = 11km
6º dia = 17km
7º dia = 14km
8º dia = 13km
Mirante Roraiminha = 3km [fui duas vezes]
TOTAL DO TREKKING = 98km
II. DETALHES FINAIS:
1º os puri-puris: são mesmo terríveis. Não respeitam nada. Parece que não há repelente no mercado capaz de inibir a ação dos danados. A trégua só é dada no topo;
2º banho no topo: difícil demais encarar as águas geladas;
3º dormida no Hotel Índio: compensa a vista e a “arquitetura” do lugar, mas o terreno para dormir foi o mais ondulado. Nem mesmo usando o isolante térmico inflável da THERMAREST [Pro Plus REC 18634778]] consegui dormir bem;
4º. cuidado com a bateria das câmeras: como não há como recarregá-las, leve reserva e economize um pouco nos dois primeiros dias. Quando chegarem ao topo vão entender o porquê;
5º. confirmo o que falaram alguns colegas: para curtir bem o Monte Roraima, de fato necessitamos de, no mínimo, 4 noites no topo, totalizando 8 dias de trekking.
6º. se você pensar em não usar mais algum item que levou consigo para a viagem e não tiver um destino certo, a doação aos indígenas é muito bem vinda;
7º. para o bem de todos [viajante e moradores da região], as regras do Parque Nacional, quanto ao fazer o nº 2, devem ser respeitadas rigorosamente, pois no topo, devido à escassez de solo, há grande risco de as fezes contaminarem os lagos e riachos. Síntese: as fezes devem ser transportadas do topo para a cidade. Para facilitar, adicione cal ao “chocolate”.
8º lembre-se que a vacinação contra a febre amarela para entrar na Venezuela é obrigatória [até 10 dias antes de entrar no país];
9º. para quem quer fazer o Salto Angel, dezembro me pareceu um excelente mês para combinar as duas viagens – pouca chuva no Monte Roraima e água suficiente na queda para ver o espetáculo e curtir uma viagem de canoa de 4 horas cheia de adrenalina;
10º. para quem for viajar pelo interior da Venezuela, prepare-se para ser parado diversas vezes pela guarda nacional para ser interrogado.
Boa Viagem
Marcos
Editado por Visitante