Na última semana, tinha dois dias de folga e aproveitei pra matar a fissura de dormir no mato. Programei uma trilha na Serra da Aranha, a pouco mais de 50km daqui, pra conhecer e curtir um ponto mais selvagem do município de Niquelândia. Na terça-feira, 06 de junho, estava arrumando a mochila quando meu pai me indagou sobre o que iria fazer. Contei que iria pra uma trilha na quarta e retornaria na quinta-feira. No mesmo instante, ele se prontificou a me fazer companhia, indagando que fica receoso quando vou pra trilha sozinho e que queria ver o que tem de tão interessante em acampar em montanhas. Adorei a ideia de ter meu velho pai numa trilha comigo, e já peguei outra mochila pra arrumar as coisas que ele levaria. Como seria sua primeira vez, resolvemos mudar o itinerário, afinal, pegar um trecho mais pesado, poderia atrapalhar nosso “passeio”. Escolhemos as serras da região de Dois Irmãos, a 95km de Uruaçu, pois além de serem formadas por vegetação rasteira, facilitando o deslocamento, conheço alguns trechos daquelas serras. Tínhamos marcado de sair na quarta às 12:00h, mas como tive que resolver uns probleminhas no banco e na empresa, acabei me atrasando bastante, saindo após às 15:30. O trajeto foi tranquilo, com pouco movimento e, às 16:40h já tínhamos deixado o carro numa estrada vicinal e estávamos com as mochilas nas costas.
O início da trilha é bem fácil, com pouca inclinação, por um campo baixo, até o alto da serra são cerca de 4km com uns 500m de desnível. Devido o adiantado da hora, apertamos o passo para chegar ao cume da serra ainda com luz natural. Iríamos subir pelo “ombro” direito da montanha. O primeiro monte é bastante inclinado e pouco depois da metade, meu velho pai já abriu o bico.
Depois do início puxado, a inclinação diminui, mas segue constante por uns 1.000 metros até o primeiro cucuruto do lado esquerdo do cume. Um caminho repleto de flores do cerrado. A caminhada rendia bem, mas a noite começava a cair. Depois de 1:30h tínhamos percorrido aproximadamente a metade do caminho, quando a inclinação aumenta abrubtamente.
Passamos pelo primeiro cucuruto e seguimos em direção ao segundo. A luminosidade já estava bastante comprometida. Papai seguia cansado, mas animado. Entreguei-lhe minha lanterna de cabeça e continuei à frente seguindo os últimos raios de luz. Alcancei o segundo cucuruto e sentei-me em uma pedra para esperar meu velho companheiro. Aproveitei pra me hidratar e repor as energias com um chocolate. Nesse instante meu pai me leva ao riso ao chegar ao cucuruto e dizer: “Meu Deus, ainda falta tudo isso, achei que estava no final!”. Disse isso de uma maneira tão dramática e com uma cara de cansaço ao ver que ainda faltava uns 600 metros com uma inclinação razoável, que não segurei e caí na gargalhada.
Escureceu de vez e tive que usar minha lanterna de mão pra terminar o percurso. Já no topo, tratamos de procurar um lugar pra armar as barracas. Encontramos uma clareira pequenina, com mais ou menos uns 2x2m sem pedras. Tratei de armar as barracas e arrumar algo pra comermos. Após a janta, ficamos conversando e esperando a lua nascer, curtindo um vento gostoso e frio que sobrava do norte. A vista lá de cima é fantástica. Víamos as luzes das cidades de Goianésia, Barro Alto, Dois Irmãos, as vilas de Quebra-Linha e Souzalândia, e umas luzes que penso eu, são de uma parte de Brasília, que fica a uns 80km em linha reta. A lua saiu magnífica, cheia, clareando o alto da serra. Tirei algumas fotos e voltei à nossa conversa.
Foi ótimo ouvir as histórias sobre a infância e adolescência do meu velho nas fazendas em Morrinhos. Há tempos não tinha tanto tempo pra bater papo com meu pai como neste dia. Conversamos até tarde e acho que adormeci enquanto ele falava comigo. Acordei no meio da madrugada com o barulho do vento na barraca, apesar da ventania louca, a barraca estava bem posicionada e dormi novamente. Despertei novamente com rajadas de vento na barraca, acendi a lanterna e o relógio marcava 5:20h. Chamei por meu pai, mas ele não respondeu, resolvi deixá-lo dormir. Vesti um agasalho e fui ver como estava do lado de fora. O vento castigava! Estava um frio gostoso, bem diferente da temperatura habitual dessa nossa região. Acordei meu pai pra ele ver o sol nascer. Que alvorada espetacular! É incrível como do alto de montanhas, inclusive as baixinhas como as daqui de Goiás, o sol proporciona um espetáculo ainda maior.
Ficamos de bobeira curtindo a paisagem e tomando nosso café. Depois de comermos, andamos pelo cume e fomos até uma encosta que leva a um vale no qual avistamos uns buritizeiros, sinal que provavelmente há água por lá. Desarmamos o acampamento e partimos rumo ao carro. Fiquei com uma vontade enorme de continuar caminhando pelos inúmeros morros da região, mas infelizmente, papai tinha compromisso após o almoço, então tínhamos que ir embora ainda pela manhã. Foi ótimo ter a companhia de meu pai nesta pequena caminhada, a oportunidade de conversar por horas e de mostrar-lhe um pouquinho do que temos num trekking foi excepcional.
Na última semana, tinha dois dias de folga e aproveitei pra matar a fissura de dormir no mato. Programei uma trilha na Serra da Aranha, a pouco mais de 50km daqui, pra conhecer e curtir um ponto mais selvagem do município de Niquelândia. Na terça-feira, 06 de junho, estava arrumando a mochila quando meu pai me indagou sobre o que iria fazer. Contei que iria pra uma trilha na quarta e retornaria na quinta-feira. No mesmo instante, ele se prontificou a me fazer companhia, indagando que fica receoso quando vou pra trilha sozinho e que queria ver o que tem de tão interessante em acampar em montanhas. Adorei a ideia de ter meu velho pai numa trilha comigo, e já peguei outra mochila pra arrumar as coisas que ele levaria. Como seria sua primeira vez, resolvemos mudar o itinerário, afinal, pegar um trecho mais pesado, poderia atrapalhar nosso “passeio”. Escolhemos as serras da região de Dois Irmãos, a 95km de Uruaçu, pois além de serem formadas por vegetação rasteira, facilitando o deslocamento, conheço alguns trechos daquelas serras. Tínhamos marcado de sair na quarta às 12:00h, mas como tive que resolver uns probleminhas no banco e na empresa, acabei me atrasando bastante, saindo após às 15:30. O trajeto foi tranquilo, com pouco movimento e, às 16:40h já tínhamos deixado o carro numa estrada vicinal e estávamos com as mochilas nas costas.
O início da trilha é bem fácil, com pouca inclinação, por um campo baixo, até o alto da serra são cerca de 4km com uns 500m de desnível. Devido o adiantado da hora, apertamos o passo para chegar ao cume da serra ainda com luz natural. Iríamos subir pelo “ombro” direito da montanha. O primeiro monte é bastante inclinado e pouco depois da metade, meu velho pai já abriu o bico.
Depois do início puxado, a inclinação diminui, mas segue constante por uns 1.000 metros até o primeiro cucuruto do lado esquerdo do cume. Um caminho repleto de flores do cerrado. A caminhada rendia bem, mas a noite começava a cair. Depois de 1:30h tínhamos percorrido aproximadamente a metade do caminho, quando a inclinação aumenta abrubtamente.
Passamos pelo primeiro cucuruto e seguimos em direção ao segundo. A luminosidade já estava bastante comprometida. Papai seguia cansado, mas animado. Entreguei-lhe minha lanterna de cabeça e continuei à frente seguindo os últimos raios de luz. Alcancei o segundo cucuruto e sentei-me em uma pedra para esperar meu velho companheiro. Aproveitei pra me hidratar e repor as energias com um chocolate. Nesse instante meu pai me leva ao riso ao chegar ao cucuruto e dizer: “Meu Deus, ainda falta tudo isso, achei que estava no final!”. Disse isso de uma maneira tão dramática e com uma cara de cansaço ao ver que ainda faltava uns 600 metros com uma inclinação razoável, que não segurei e caí na gargalhada.
Escureceu de vez e tive que usar minha lanterna de mão pra terminar o percurso. Já no topo, tratamos de procurar um lugar pra armar as barracas. Encontramos uma clareira pequenina, com mais ou menos uns 2x2m sem pedras. Tratei de armar as barracas e arrumar algo pra comermos. Após a janta, ficamos conversando e esperando a lua nascer, curtindo um vento gostoso e frio que sobrava do norte. A vista lá de cima é fantástica. Víamos as luzes das cidades de Goianésia, Barro Alto, Dois Irmãos, as vilas de Quebra-Linha e Souzalândia, e umas luzes que penso eu, são de uma parte de Brasília, que fica a uns 80km em linha reta. A lua saiu magnífica, cheia, clareando o alto da serra. Tirei algumas fotos e voltei à nossa conversa.
Foi ótimo ouvir as histórias sobre a infância e adolescência do meu velho nas fazendas em Morrinhos. Há tempos não tinha tanto tempo pra bater papo com meu pai como neste dia. Conversamos até tarde e acho que adormeci enquanto ele falava comigo. Acordei no meio da madrugada com o barulho do vento na barraca, apesar da ventania louca, a barraca estava bem posicionada e dormi novamente. Despertei novamente com rajadas de vento na barraca, acendi a lanterna e o relógio marcava 5:20h. Chamei por meu pai, mas ele não respondeu, resolvi deixá-lo dormir. Vesti um agasalho e fui ver como estava do lado de fora. O vento castigava! Estava um frio gostoso, bem diferente da temperatura habitual dessa nossa região. Acordei meu pai pra ele ver o sol nascer. Que alvorada espetacular! É incrível como do alto de montanhas, inclusive as baixinhas como as daqui de Goiás, o sol proporciona um espetáculo ainda maior.
Ficamos de bobeira curtindo a paisagem e tomando nosso café. Depois de comermos, andamos pelo cume e fomos até uma encosta que leva a um vale no qual avistamos uns buritizeiros, sinal que provavelmente há água por lá. Desarmamos o acampamento e partimos rumo ao carro. Fiquei com uma vontade enorme de continuar caminhando pelos inúmeros morros da região, mas infelizmente, papai tinha compromisso após o almoço, então tínhamos que ir embora ainda pela manhã. Foi ótimo ter a companhia de meu pai nesta pequena caminhada, a oportunidade de conversar por horas e de mostrar-lhe um pouquinho do que temos num trekking foi excepcional.