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Olá viajante!

Bora viajar?

Começando no trekking aos 66

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Na última semana, tinha dois dias de folga e aproveitei pra matar a fissura de dormir no mato. Programei uma trilha na Serra da Aranha, a pouco mais de 50km daqui, pra conhecer e curtir um ponto mais selvagem do município de Niquelândia. Na terça-feira, 06 de junho, estava arrumando a mochila quando meu pai me indagou sobre o que iria fazer. Contei que iria pra uma trilha na quarta e retornaria na quinta-feira. No mesmo instante, ele se prontificou a me fazer companhia, indagando que fica receoso quando vou pra trilha sozinho e que queria ver o que tem de tão interessante em acampar em montanhas. Adorei a ideia de ter meu velho pai numa trilha comigo, e já peguei outra mochila pra arrumar as coisas que ele levaria. Como seria sua primeira vez, resolvemos mudar o itinerário, afinal, pegar um trecho mais pesado, poderia atrapalhar nosso “passeio”. Escolhemos as serras da região de Dois Irmãos, a 95km de Uruaçu, pois além de serem formadas por vegetação rasteira, facilitando o deslocamento, conheço alguns trechos daquelas serras. Tínhamos marcado de sair na quarta às 12:00h, mas como tive que resolver uns probleminhas no banco e na empresa, acabei me atrasando bastante, saindo após às 15:30. O trajeto foi tranquilo, com pouco movimento e, às 16:40h já tínhamos deixado o carro numa estrada vicinal e estávamos com as mochilas nas costas.

O início da trilha é bem fácil, com pouca inclinação, por um campo baixo, até o alto da serra são cerca de 4km com uns 500m de desnível. Devido o adiantado da hora, apertamos o passo para chegar ao cume da serra ainda com luz natural. Iríamos subir pelo “ombro” direito da montanha. O primeiro monte é bastante inclinado e pouco depois da metade, meu velho pai já abriu o bico.

 

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Depois do início puxado, a inclinação diminui, mas segue constante por uns 1.000 metros até o primeiro cucuruto do lado esquerdo do cume. Um caminho repleto de flores do cerrado. A caminhada rendia bem, mas a noite começava a cair. Depois de 1:30h tínhamos percorrido aproximadamente a metade do caminho, quando a inclinação aumenta abrubtamente.

 

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Passamos pelo primeiro cucuruto e seguimos em direção ao segundo. A luminosidade já estava bastante comprometida. Papai seguia cansado, mas animado. Entreguei-lhe minha lanterna de cabeça e continuei à frente seguindo os últimos raios de luz. Alcancei o segundo cucuruto e sentei-me em uma pedra para esperar meu velho companheiro. Aproveitei pra me hidratar e repor as energias com um chocolate. Nesse instante meu pai me leva ao riso ao chegar ao cucuruto e dizer: “Meu Deus, ainda falta tudo isso, achei que estava no final!”. Disse isso de uma maneira tão dramática e com uma cara de cansaço ao ver que ainda faltava uns 600 metros com uma inclinação razoável, que não segurei e caí na gargalhada.

 

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Escureceu de vez e tive que usar minha lanterna de mão pra terminar o percurso. Já no topo, tratamos de procurar um lugar pra armar as barracas. Encontramos uma clareira pequenina, com mais ou menos uns 2x2m sem pedras. Tratei de armar as barracas e arrumar algo pra comermos. Após a janta, ficamos conversando e esperando a lua nascer, curtindo um vento gostoso e frio que sobrava do norte. A vista lá de cima é fantástica. Víamos as luzes das cidades de Goianésia, Barro Alto, Dois Irmãos, as vilas de Quebra-Linha e Souzalândia, e umas luzes que penso eu, são de uma parte de Brasília, que fica a uns 80km em linha reta. A lua saiu magnífica, cheia, clareando o alto da serra. Tirei algumas fotos e voltei à nossa conversa.

 

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Foi ótimo ouvir as histórias sobre a infância e adolescência do meu velho nas fazendas em Morrinhos. Há tempos não tinha tanto tempo pra bater papo com meu pai como neste dia. Conversamos até tarde e acho que adormeci enquanto ele falava comigo. Acordei no meio da madrugada com o barulho do vento na barraca, apesar da ventania louca, a barraca estava bem posicionada e dormi novamente. Despertei novamente com rajadas de vento na barraca, acendi a lanterna e o relógio marcava 5:20h. Chamei por meu pai, mas ele não respondeu, resolvi deixá-lo dormir. Vesti um agasalho e fui ver como estava do lado de fora. O vento castigava! Estava um frio gostoso, bem diferente da temperatura habitual dessa nossa região. Acordei meu pai pra ele ver o sol nascer. Que alvorada espetacular! É incrível como do alto de montanhas, inclusive as baixinhas como as daqui de Goiás, o sol proporciona um espetáculo ainda maior.

 

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Ficamos de bobeira curtindo a paisagem e tomando nosso café. Depois de comermos, andamos pelo cume e fomos até uma encosta que leva a um vale no qual avistamos uns buritizeiros, sinal que provavelmente há água por lá. Desarmamos o acampamento e partimos rumo ao carro. Fiquei com uma vontade enorme de continuar caminhando pelos inúmeros morros da região, mas infelizmente, papai tinha compromisso após o almoço, então tínhamos que ir embora ainda pela manhã. Foi ótimo ter a companhia de meu pai nesta pequena caminhada, a oportunidade de conversar por horas e de mostrar-lhe um pouquinho do que temos num trekking foi excepcional.

 

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Featured Replies

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Olá Renato!

 

 

Bacana demais o relato. Fico muito feliz em ver gestos assim. Um bom incentivo a quem nunca fez isso pegar o pai (e porque não a mãe também?) e ir pro mato, prá montanha... Show de bola! ::otemo::

 

Tenho saudades das trips que fiz e dos perrengues que passei com meu falecido pai, que era montanhista e sempre me levava junto quando eu era piá. Fizemos também vários programas destes juntos quando eu já era adulto, os últimos quando ele já passava dos 74. Ele inclusive sempre foi um grande incentivador, nos anos em que me entreguei ao sedentarismo, para que eu voltasse a caminhar. Creio que essa cultura em casa foi determinante para despertar esse gosto em mim.

 

Minha mãe também gosta e sempre foi companheira do meu pai nestas indiadas e hoje, mesmo apesar de sua idade (está com 76), com frequência fazemos alguma caminhada juntos - ela adora o Caminho do Itupava, por exemplo e aguenta firme!

 

Abraços!

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Obrigado, Peter, Sandro, Vivi e Getúlio!

Realmente essa caminhada foi fantástica, o prazer de caminhar com meu pai não há nada que pague!

  • 4 semanas depois...
Postado
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Oi Renato

Acabei de ler a reportagem do Mochila brasil e vim ler seu relato, muito bom!! Parabéns e continue incentivando seu pai.

De vez em quando consigo arrastar minha mãe pra algumas coisinhas mais leves, tipo mergulho com cilindro pela Baía de todos os Santos.

Vou mostrar seu relato pra ela se animar de fazer uma trilha. As fotos estão lindas!!

 

Abçs

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